Colunas Folha
Copa dos Pesadelos (em .pps)

Torero e Pimenta
Blog do Juca
Blog do Lelê
Curtas-metragens
Rapadura de Humor
Caroço
Publishnews
Pelenet
Portal Literal
Trivela
Blog da Soninha
Charges
Rolo compressor

Sábado do criolo doido
Sempre aos domingos
Estórias das Copas

Receba as novidades deste blog



01/10/2008 a 31/10/2008
01/09/2008 a 30/09/2008
01/08/2008 a 31/08/2008
01/07/2008 a 31/07/2008
01/06/2008 a 30/06/2008
01/05/2008 a 31/05/2008
01/04/2008 a 30/04/2008
01/03/2008 a 31/03/2008
01/02/2008 a 29/02/2008
01/01/2008 a 31/01/2008
01/12/2007 a 31/12/2007
01/11/2007 a 30/11/2007
01/10/2007 a 31/10/2007
01/09/2007 a 30/09/2007
01/08/2007 a 31/08/2007
01/07/2007 a 31/07/2007
01/06/2007 a 30/06/2007
01/05/2007 a 31/05/2007
01/04/2007 a 30/04/2007
01/03/2007 a 31/03/2007
01/02/2007 a 28/02/2007
01/01/2007 a 31/01/2007
01/12/2006 a 31/12/2006
01/11/2006 a 30/11/2006
01/10/2006 a 31/10/2006
01/09/2006 a 30/09/2006
01/08/2006 a 31/08/2006
01/07/2006 a 31/07/2006
01/06/2006 a 30/06/2006
01/05/2006 a 31/05/2006
01/04/2006 a 30/04/2006
01/03/2006 a 31/03/2006
01/02/2006 a 28/02/2006
01/01/2006 a 31/01/2006
01/12/2005 a 31/12/2005
01/11/2005 a 30/11/2005
01/10/2005 a 31/10/2005
XML/RSS Feed   O que é isto?

Dê uma nota para o blog
Leia este blog no
   seu celular


Este blog é atualizado às segundas, quartas e sextas antes do meio-dia.


Saiba quem é Torero
Sábado do criolo doido

O último sábado do criolo doido

Como está chegando a Copa, este é o último “Sábado do Criolo Doido”.

 

Fiquei em dúvida sobre qual livro falar nesta despedida. E fiquei em dúvida entre dois livros: “Memórias póstumas de Brás Cubas”, do Machado de Assis, e “Grande sertão: veredas”, do Guimarães Rosa.

 

Hoje em dia pouca gente lê esses livros por prazer. A maioria lê porque o professor manda, por causa do vestibular, coisas assim. Mas a verdade é que são dois livros deliciosos.

 

Memórias Póstumas é uma comédia elegante, onde um defunto conta a sua vida, e aí, como ele é um defunto e já não deve nada para ninguém, pode falar de si mesmo e dos outros sem medo, fazendo um grande raio-x da alma humana.

 

O Machado criou um narrador que, de certa forma, fala em primeira e terceira pessoa ao mesmo tempo.

 

Há capítulos curtíssimos, capítulos só com pontos, sem nenhuma palavra, e um humor fino. A história é simples: uma traição. Mas o humor com que ele revela a psicologia dos personagens é que é o charme do livro.

 

O curioso é que, cada vez que você lê o “Memórias Póstumas...”, ele fica melhor. Li aos 18 e achei bacana, aos 25 achei excelente, aos 35 achei sensacional e daqui a pouco vou lê-lo de novo. Deve estar melhor ainda.

 

Já o “Grande sertão: veredas” tem uma construção de linguagem sensacional, e talvez seja o melhor livro já escrito em português, se é que ele é escrito em português.

 

 E eu digo isso porque o Guimarães Rosa faz os seus personagens falarem numa língua diferente, quase inventada. Nas primeiras páginas você vai achar estranho, mas continue lendo mesmo assim. Depois de umas trinta páginas você se acostuma e aprende aquela língua que tem uma musicalidade inacreditável.

 

Uma coisa engraçada que me aconteceu durante a leitura deste livro é que às vezes eu relia uma página logo depois de lê-la, de tão pasmado que ficava. Ou então me sentia tão contente depois de ler um capítulo que tinha que dar uma volta para espairecer. É um livro impressionante, tanto que eu nunca tive coragem de lê-lo outra vez. Talvez seja inveja. Freud explica.

 

Enfim, acho que ninguém que fala português pode morrer sem ter lido estes dois livros.



Escrito por Torero às 07h27
[comente] [Regras para comentários] [envie esta mensagem]

Dois livros e um filme

 

 

 

Tristram Shandy

 

Se eu fizesse uma lista dos dez livros que mais me impressionaram na vida, nessa lista entraria, em lugar de destaque “As idéias e as opiniões do cavaleiro Tristram Shandy”.

Ele foi escrito por volta de 1740 pelo Lawrence Sterne, um pastor inglês. Isso pode dar a idéia de que é um livro antigo, com uma linguagem antiquada, uma história que se arrasta, etc... Nada mais errado. É um livro sensacional. Bem humorado e com idéias formais revolucionárias.

Ele conta a história do Tristram Shandy em primeira pessoa, ou seja, é uma falsa autobiografia. O Sterne foi escrevendo este livro aos poucos, lançando um volume a cada dois, três anos. E é uma autobiografia tão diferente que ele só vai nascer ali pelo terceiro volume.

O livro tem mais de 250 anos, mas tem invenções que até hoje são impressionantes. Por exemplo, ele coloca uma folha toda negra para mostrar que está triste, muda o número das páginas e faz breques na narrativa para introduzir pensamentos, coisa que o Machado de Assis vai fazer 150 anos depois.

A tradução, feita pelo José Paulo Paes, é ótima. Para mim, o Tristam Shandy merece estar na mesma estante que a Divina Comédia, Memórias Póstumas de Brás Cubas, Dom Quixote, Em busca do Tempo Perdido e Grande sertão: veredas.



2001  

 

“2001, uma odisséia no espaço” é um clássico. Mas o que faz de um filme, um clássico? Bom, primeiro, ele tem que ser muito bom. Mas muito bom mesmo. A ponto de ele se tornar um paradigma, um exemplo a ser imitado. E depois ele tem que trazer alguma coisa de novo, porque um clássico, quando aparece, tem sempre algo de vanguarda. E o 2001 tem estas características: é um filme excelente, é um paradigma no gênero e trouxe inovações. Sem falar que tem a maior elipse de tempo da história do cinema, que é quando um dos macacos atira um osso para cima e ele se transforma numa estação espacial. Com esse corte, o Kubrick faz uma passagem de centenas de milhares de anos.

Uma coisa curiosa é que o filme não ficou velho. O que é incrível, porque ele é de 1968, mas pode ser visto hoje em dia sem o menor problema. De certa forma, isso acontece porque ele foi o fundador da estética futurista, e os outros filmes são seus seguidores.

Para ajudar a ver, a entender e para aproveitar melhor o filme, tem um livrinho muito bom do crítico Amir Labaki só sobre o 2001. Foi editado naquela coleção Folha Explica e custa só 14 reais.

Se você gosta de ficção científica, ou de cinema, 2001 é um filme obrigatório.

 

 

 

Galvez, o imperador do Acre

 

“Galvez, o imperador do Acre” é um romance histórico que fez muito sucesso ali em meados dos anos setenta. Muito mesmo. Vendeu mais de meio milhão de exemplares. E foi um sucesso merecido. É um livraço! Engraçado e inteligente, com um ritmo rápido, daqueles que você vai virando as páginas a duzentos por hora. Já virou peça, o Hector Babenco já quis filmar a história e o livro foi um sucesso internacional.

Ele tem um formato de narrativa próximo do folhetim, mas um folhetim meio modernista, com capítulos muito curtos e muita ação. Mas, além de todo esse humor e toda essa ação, o leitor ganha de brinde uma certa reflexão sobre a América Latina.

O livro foi escrito pelo Márcio Souza e conta a história do Galvez, que é um pícaro, uma espécie de malandro, que vivia na Amazônia do fim do século dezenove, no auge do ciclo da borracha. Esse Galvez é um ninguém, um pobre-coitado, mas, por conta de algumas sortes, alguns azares e de alguma esperteza, acaba como imperador do Acre.

Este livro vai fazer trinta anos, mas envelheceu muito bem. E envelhecer bem não é difícil só para as atrizes. Para os livros, também não é fácil. Mas  “Galvez, o imperador do Acre” conseguiu.

 



Escrito por Torero às 07h27
[comente] [Regras para comentários] [envie esta mensagem]

Convite

Nesta segunda-feira, a partir das 19h30, em São Paulo, no Bar São Cristóvão (rua Aspicuelta, 533, Vila Madalena), será lançado o livro "11 histórias de futebol", composto por onze histórias escritas por onze sujeitos diferentes, entre eles, eu. Quem puder, apareça (não pelo livro, claro, mas porque a caipirinha do São Cristóvão é ótima).



Escrito por Torero às 07h27
[comente] [Regras para comentários] [envie esta mensagem]

Um livro, um livrinho e um livrão

 

O Anatomista

No futebol, Brasil e Argentina são rivais tremendos. E na literatura não é muito diferente. Eles têm Borges e Maradona, a gente tem Machado de Assis e Pelé, eles têm Di Stéfano e Cortázar, a gente tem Garrincha e Guimarães Rosa. A diferença da literatura para o futebol é que, na literatura, todo mundo sai ganhando. Quanto mais escritores bons, melhor, inclusive para nós, brasileiros.

E um ótimo escritor argentino foi publicado agora no Brasil. O nome dele é Federico Andahazi e ele escreveu “O Anatomista”. É a história de um médico do Renascimento, o Mateo Colón, que descobre uma parte muito importante da anatomia feminina: o misterioso clitóris (que, aliás, para muitos continua um mistério até hoje).

O problema é que Mateo Colón é um abade, um religioso. E aí, é claro, isso vai provocar alguns problemas para ele, inclusive um processo pela inquisição. Para não enganar o leitor, já aviso que esse não é um romance erótico, apesar de ter uma ou outra cena de sexo.

É um livro com trama, com bons personagens, que mistura prostitutas e papas. O Anatomista foi um grande sucesso nos países de fala espanhola e foi editado aqui pela LP&M, naquela coleção de bolso, e custa só 15 reais. O preço de um ingresso de futebol.

 

 

PS: Beijei

Ninguém fala de livros para adolescentes ou pré-adolescentes. Ninguém. Se você tem entre 11 e 16 anos, a coisa mais difícil vai ser encontrar a crítica de um livro para você. E não é porque a turma dessa idade não goste de ler. Taí o Harry Porter, o maior sucesso editorial do mundo, que prova justamente o contrário. A verdade é que os críticos não gostam de ler este tipo de livro, e aí não escrevem sobre eles.

O adolescente é faminto por livros, mas, como não existe uma crítica voltada para eles, acabam lendo só os paradidáticos indicados pela escola, o que é uma pena. É como se você só pudesse ver TV Educativa.

Por isso hoje eu vou indicar um livro para essa turma. Ou melhor, para as meninas dessa turma. Ele se chama “PS: Beijei” e foi escrito por duas pessoas: Mariana Veríssimo e Adriana Falcão. E ele foi escrito por duas pessoas porque o formato dele pedia isso: é que o livro tem o formato de uma troca de emails entre duas meninas.

A trama, onde tem um tanto de romance, é bacana e o final é cheio de surpresas. Sem falar que mostra bem como é o raciocínio adolescente feminino, o que em si já é um grande feito.

Se você tem entre 12 e 16 anos, o “PS: Beijei” é um bom jeito de você gastar sua mesada.

 

 

Viva o povo brasileiro

Caros blogleitores, eu vos pergunto: Que livro será um clássico daqui a cinqüenta anos? E repergunto: Que livro vai ser obrigatório nas escolas de amanhã? O meu palpite é “Viva o Povo Brasileiro”, do João Ubaldo Ribeiro.

Ainda é um livro novo, só com vinte anos, mas é um daqueles livros fortes, cheio de invenções, e ainda por cima com uma excelente história.

É um livro grande, com quase setecentas páginas, mas o esforço vale a pena. Tanto que no final você vai achar que ele devia ser ainda maior.

O livro conta a história de várias gerações de brasileiros, e tem algumas páginas sensacionais, como uma guerra que o João Ubaldo conta através dos orixás, ou o assassinato de um senhor de engenho que é morto por seus escravos de um modo muito diferente: eles provocam uma tremenda prisão de ventre no coitado.

A primeira vez que eu tentei ler o livro, desisti ali na página vinte. Mas na segunda vez eu passei da vinte e aí fui até o fim. E tem livro que é assim mesmo: você tem que pagar uma espécie de pedágio para poder entrar no livro. O “Grande sertão: veredas” é assim, o “Em busca do tempo perdido” é assim, e até “O nome da Rosa” é assim.

Eu garanto que, no caso de “Viva o povo brasileiro”, esse pedágio é muito barato e vale a pena.



Escrito por Torero às 07h07
[comente] [Regras para comentários] [envie esta mensagem]