Meus leitores: Maria Lucia, a bugrina de Miami

A partir de hoje começo aqui uma nova seção: Meus leitores.

A ideia é contar a vida de alguns leitores e o amor deles por seus clubes. Imagino que irei fazer isso uma vez por mês. Para inaugurar, entrevistei por email uma leitora que mora bem longe, em Miami. Ela tem 59 anos e é torcedora fanática do Bugre.


Maria Lucia, a bugrina de Miami

Maria Lucia diz que só tem uma mania: todo dia, às 3 horas da tarde, para o que estiver o o que estiver fazendo para tomar um cappuccino. Na verdade, tem duas: o capuccino e o Guarani.

Em 1960, quando sua família mudou de Cássia-MG para Campinas, ela tinha 9 anos. Seu pai sempre gostou de futebol, e assim começou seu caso de amor com o time.

“Meu pai ia aos jogos do Campeonato Paulista no Brinco de Ouro e eu gostava de ir com ele.”

Mas o pai só a levava aos jogos contra os times grandes. A coisa melhorou em 1963, quando sua irmã começou a namorar um bugrino que viria a ser seu marido. Para agradar a família, o rapaz, depois do almoço de domingo, levava a irmã da namorada ao campo, e assim Maria Lucia passou a ver todos os jogos.

“Meu cunhado fazia parte do Departamento Social do Guarani e ia em muitas caravanas. Então, com a autorização dos meus pais, passei a ir nas caravanas também. E assim foi a minha vida durante 30 anos acompanhando o Guarani. Ia a todos os jogos em Campinas e fiz parte da Guerreiros da Tribo. Viajei muito pelo interior de São Paulo e, quando passamos a participar do Campeonato Brasileiro, também ia em muitas caravanas por esse Brasil afora.”

 Em 1990 Maria Lucia deu uma virada na vida. Depois de 19 anos trabalhando na mesma empresa, resolveu que era hora de partir para algo novo. Como tinha uma amiga que já morava em Miami, resolveu tentar a vida lá. E lá está até hoje.

“Logo que cheguei, não tinha internet. Ligava para minha mãe todo domingo para saber o resultado do jogo do Guarani. Coitada, deixava ela louca, porque aí ela tinha que acompanhar as jornadas esportivas para me dizer o que acontecia com o Guarani.”

Hoje, graças à internet, ela acompanha o Guarani diariamente, lendo os jornais de Campinas e ouvindo os programas esportivos nas rádios da cidade.

Perguntei se ela já fez loucuras pelo Guarani e ela respondeu: “Várias.”

Maria Lucia já foi ao Paraguai, em 79, ver um jogo pela Libertadores, já viajou 24 horas de trem para assistir um jogo em Campo Grande-MT, e já voltou de uma viagem a Goiânia deitada no corredor do ônibus da torcida, por conta de uma crise de pedra nos rins.

Mesmo em outro país, ela se mantém fiel ao Guarani: “Aqui em Miami tem um time de futebol, o Miami Futebol Clube. Mas nunca fui a um jogo sequer, nem mesmo quando o Romário jogou por aqui. Espero que o Bugre venha um dia jogar aqui pelas bandas de Miami. Seria um dia de glória para mim.”

Apesar de não ver um jogo ao vivo do Guarani desde 2003, Maria Lucia faz parte do projeto Sócio Torcedor. E, no ano que vem, ela vai passar o mês de abril em Campinas, participando das comemorações do centenário do Guarani.

“Quero estar lá, para assistir ao vivo e em cores, todas as homenagens que serão realizadas para o meu querido clube.”