Esta semana, em ação de busca e apreensão da polícia, foram encontrados na sede da torcida organizada Mancha Verde munição, clavas de metal, bastões de madeira com pregos e outros apetrechos que em nada lembram bandeiras, flâmulas ou faixas.
Um dos “diretores” da torcida, Isidoro Lopreto, prometeu severas providências. “As pessoas que erraram serão penalizadas, podendo, inclusive, ser excluídas do quadro de sócios. A entidade está acima de qualquer coisa”.
Sugiro ao austero Isidoro que comece as expulsões pelo “presidente de honra” da torcida, Paulo Serdan. Afinal, seu extenso currículo de violência foi coroado recentemente com as agressões ao técnico das categorias de base que ousou tirar seu filho de um jogo. Costelas e dentes quebrados, ainda que só alguns, não devem ficar na conta da entidade, não é mesmo?
Na mesma leva, o atual “presidente” da organizada, Jânio Carvalho, poderia sofrer impeachment. Há pouco tempo, o representante máximo da torcida deu uma edificante declaração, após desavença com seguranças do Palmeiras em que dois membros da torcida foram esfaqueados. "Se tivermos que fazer alguma coisa, vamos resolver na mesma moeda. É olho por olho e dente por dente. Se a Justiça não fizer, vamos ter que fazer. Depois não adianta me prender. Eu volto para a cadeia, mas volto com ele [segurança]". Pelo que entendi, Jânio iria para cadeia e o segurança para o cemitério, mas deixa para lá. O importante é que a família Mancha Verde não vai compactuar com ameaças de morte. Já vai tarde, presidente!
Isso geraria um devastador efeito cascata. Na Gaviões da Fiel, por exemplo, o ex-“presidente” Douglas Deúngaro, vulgo Metaleiro, seria afastado sumariamente da torcida. Aquele, que durante sua gestão, em 1997, planejou e executou a emboscada ao ônibus do Corinthians, em plena rodovia dos Imigrantes, apedrejando e aterrorizando jogadores e demais membros da delegação. Sim, ele mesmo, que se escondeu no banheiro do ônibus da equipe (já reformado, 10 anos depois do primeiro ataque) e, de surpresa, agrediu novamente jogadores que não honraram a camisa alvinegra. Como sobram outros episódios em sua ficha que não condizem com lealdade, humildade e procedimento, não ia ter jeito: rua!
Na Independente, torcida são-paulina, o primeiro da lista seria o ex-“presidente” Carlos Amorosino Júnior, o Sukita. Condenado a 14 anos de prisão pelo assassinato a pauladas de um torcedor “rival”, o “presidente” enfrentaria agora o crivo de seus colegas, preocupados também em preservar a instituição e em manter o ambiente amistoso dos estádios. Um a um, começando por Sukita, cairiam aqueles que tanto desonram a Independente.
Apesar do cenário otimista que se anuncia se minha sugestão for aceita, uma coisa me incomoda. Todos os casos mencionados acima se referem aos “presidentes” das associações, aos líderes máximos de cada grupo. Constantemente, ouvimos desses “dirigentes” que não há como exercer controle sobre milhares de pessoas, que a torcida não deve ser responsabilizada nem punida pelos atos individuais de cada integrante.
Pura balela. O discurso dos líderes das torcidas organizadas é absolutamente demagógico, já que são justamente eles que incentivam, promovem e praticam os mais absurdos atos de violência e selvageria. O pior é que, pelas posições de destaque que ocupam, eles se tornam o exemplo a ser seguido. Para completar o círculo, devemos lembrar que nossos heróis são eleitos pelos sócios das agremiações, que formam efetivamente o que chamamos de torcidas. É evidente, então, que as instituições têm sim responsabilidade sobre si mesmas, já que são os sócios que escolhem os rumos que sua torcida deve seguir ao eleger e compactuar com seus nobres representantes.
Isso leva a crer que a mentalidade dominante das organizadas, como um conjunto, e não individualizada nas pessoas que as compõe, é essa mesmo que conhecemos, ainda que imposta por uma minoria atuante frente a uma maioria desinteressada: violenta, belicista, hipócrita e muitas vezes criminosa. Portanto, nada mais justo do que responsabilizar e punir também as torcidas pelo comportamento de seus componentes.
Talvez assim, sob o risco de sofrer sanções, multas, suspensões e, em último caso, extinção, a maioria adormecida (será mesmo que é maioria?) se levante e tome conta de verdade de sua torcida. Ou, impulsionados pelo instinto de sobrevivência, os que hoje comandam as agremiações mudem suas atitudes.
Parte fundamental desse processo civilizatório, a maneira como os clubes se relacionam com as organizadas também deve mudar. Carga de ingressos exclusiva, viagens bancadas pelo clube, reuniões com a diretoria e comissão técnica, tudo isso deve ser eliminado ou, pelo menos, vinculado à transformação de conduta das torcidas. É preciso que apenas um cartola, assim como vai fazer Isidoro, comece a revolução. Alguém se habilita?
E eis as dez respostas do Presidente do Palmeiras.
1-) Caro Presidente, bom dia. Precisando de um estádio maior para sediar mais confortavelmente os jogos do Verdão, o Senhor confirma o início das reformas no estádio para início de agosto e término em 2010? Qual será a capacidade oficial? Obrigado [Marco Clerris] [São Paulo, SP, Brasil]
O Palestra Itália será um dos principais estádios do Brasil. O conceito será de uma arena multiuso, nos moldes dos principais estádios da Europa. Será a primeira Arena nos padrões FIFA das Américas, um motivo de extremo orgulho para todos os torcedores. E não é só isso. Será possível organizar grandes espetáculos musicais, artísticos e convenções empresariais, entre outros eventos. E, logicamente, para a torcida palmeirense, teremos o principal palco de futebol de São Paulo e talvez do Brasil. A Arena atenderá as exigências do caderno de encargos da FIFA no que diz respeito a conforto, comodidade para torcedores e imprensa. As obras no complexo devem começar ainda em julho e se estenderão por aproximadamente dois anos.
2-) Presidente, o que o senhor acha de um espetáculo que começa às 21h50min, cujo espectador fica sob risco de frio e chuva e ainda põe o traseiro no cimento; que ainda por cima teve seu preço mínimo majorado para R$ 40,00, e concorre com atrações como cinema, teatro (que são em lugares abrigados, mais baratos e tem assentos muito mais confortáveis) e mesmo TV pagas (que transmitem o mesmo espetáculo)?
Paulo R. Filomeno] [Campinas, SP]
Quanto aos ingressos, a Sociedade Esportiva Palmeiras entende que cobra valores compatíveis para o atual momento econômico não só do País, mas também do futebol brasileiro. É importante lembrar, nesta questão, que o torcedor palmeirense terá, em um prazo estimado de pouco mais de dois anos, o melhor estádio de São Paulo para assistir partidas de futebol. Não precisamos comparar atrações culturais com o futebol, pois não há necessidade de um torcedor deixar de ir ao cinema ou teatro para poder acompanhar o time de coração.
3-) É mesmo vantajoso fazer um acordo desses com a Traffic? De montar um time que serve de vitrine para negociações. Não é melhor começar a pensar os grandes clubes brasileiros como fim e não como meio de se chegar ao topo da pirâmide do futebol. [Felipe Bandeira]
Quando a Sociedade Esportiva Palmeiras firmou a melhor co-gestão do futebol brasileiro (e talvez mundial), à época com a Parmalat, também surgiram dúvidas quanto à eficácia da parceria. Com o tempo, não só os palmeirenses, mas a imprensa em geral e demais torcedores, entenderam que ali se fazia uma união vencedora. Entendemos que o acordo com a Traffic é altamente positivo para o nosso clube.
4-) Presidente, parabéns pela sua administração. A maior vergonha do Palmeiras foi ser rebaixado para a Série B. A segunda maior, foi não ter participado do Mundial da FIFA 2000, lugar que tinha direito. Pergunta: Qual o verdadeiro motivo desta exclusão? Não seria possível de investigação, neste tema, a gestão de Mustafá? [Marco Aurelio] [campo grande, ms, brasil]
A decisão sobre os participantes do Mundial de Clubes, que ocorreu no Brasil em 2000, aconteceu na semana que antecedeu a segunda partida da decisão da Libertadores 1999, que vencemos. Realmente o Palmeiras, por ter sido o campeão da Libertadores, poderia ser o representante brasileiro. Mas fomos indicados para o Mundial que ocorreria em seguida, na Espanha, que foi adiado pela FIFA.
5-) Presidente, o Marcos vai receber um busto no Palestra Itália, ao lado do Ademir da Guia, Waldemar Fiume e Junqueira? (Já ouvi que não poderia ocorrer, uma vez que ele já jogou em outro time, no começo da carreira. Mas, até aí, o Ademir jogou no Bangu).
[Paulo Domenico Rizzo]
O goleiro Marcos é um dos principais ídolos da história recente da Sociedade Esportiva Palmeiras e, tenham certeza, contará com todas as homenagens que um atleta de sua grandeza merece. O torcedor pode ter certeza que o Marcos terá o reconhecimento digno dos serviços prestados para o nosso clube. Ele ainda é um jogador, está na ativa, e no momento apropriado vamos estudar o caso com todo o carinho.
6-) Presidente: Primeiramente, parabéns pelo título paulista. Em segundo lugar, gostaria de saber quando o Palmeiras vai viabilizar para que o morador fora do estado de São Paulo torne-se sócio sem depender de um endereço no Estado para que se faça a cobrança, podendo, inclusive, o boleto ser impresso no site oficial do clube? [Valdemagno Silva Torres] [Recife/PE/Brasil]
Esta é uma reinvidicação justa dos nossos associados do interior de São Paulo e de outras regiões do país. Trata-se de uma de nossas preocupações e, pode ter certeza, em breve teremos uma solução
7-) Caro Presidente, gostaria de saber como o Palmeiras passou a tratar suas categorias de base, após o acordo com a Traffic? O que notamos é que novos jogadores chegam e nenhum comentário sobre os nossos jovens é visto, aliado ao antigo problema do Vanderlei Luxemburgo de não trabalhar com jogadores de categoria de base. Hoje temos a Traffic, mas será que o futuro do futebol não está nas categorias de base e devemos ter sempre um olho voltado para elas? Saudações Palestrinas!
[Raphael] [São Paulo - SP]
Caro torcedor, permita-me discordar de sua opinião. Vários jogadores da nossa categoria de base fazem parte, atualmente, da nossa equipe. São vários os exemplos, como Wendel, Diego Cavallieri, Maurício, Bruno e David, por exemplo. Nossas categorias de base nunca receberam tamanha atenção. Estão previstos vários investimentos, ainda este ano, como a construção de alojamentos na Academia 2, em Guarulhos. Já fizemos um refeitório especial, supervisionado por nutricionista, fisiologista, assistente social e psicólogo. Firmamos convênio médico e odontológico para as categorias de base. Disponibilizamos, ainda, curso profissionalizante de informática e temos convênio com um colégio.
8-) Presidente, primeiro gostaria de relatar um episódio depois complementar com uma pergunta. Sou do interior de São Paulo, e como estava com muita coisa pra fazer na semana do segundo jogo da final, não pude ir à São Paulo passar horas na fila pra comprar o ingresso. Quando soube da possibilidade de comprar pela internet (espaço VISA), já era tarde. Pra minha surpresa, a Mancha de Rio Claro anunciava em sua página no Orkut a venda de ingressos, inclusive para não sócios. Fui imediatamente para lá, onde me ofereceram ingresso por R$ 130,00 (o de R$ 40,00). Minhas perguntas são: Como pode o Palmeiras privilegiar as organizadas na distribuição de ingressos? O Palmeiras prefere esse tipo de torcedor (violento) em seus estádios? O Palmeiras tem conhecimento que as uniformizadas agem como cambistas? O Palmeiras tem medo desses bandidos? Porque não se possibilita a venda de ingressos (todos) pela internet? É pressão das organizadas? [Marcelo] [Rio Claro - SP]
Parte das vendas de ingressos já é feita pela internet, para o espaço Visa. A nova Arena contará com a venda de ingressos com antecedência, para evitar filas e cambistas. Quanto aos torcedores dito organizados, não podemos discriminar ninguém. São palmeirenses que acompanham o time em todas as ocasiões, em diversos pontos do país.
9-) Quando o Serdan, da Mancha, agrediu o técnico que barrou seu filho no time infantil, foi dado um prazo de 90 dias para uma sindicância interna. Esses 90 dias já se esgotaram. Qual foi a conclusão da sindicância e as providências tomadas? [Walter Camargo] [Santana de Parnaiba, SP, Brasil]
Encontra-se no Departamento de Sindicância do clube para novas análises.
10-) Quando afinal vocês conseguirão acabar com as torcidas organizadas para que pessoas de bem consigam voltar aos estádios, pois eu sou do tempo em que se podia ir ao estádio e voltar inteiro para casa [Ivaldo] [são paulo-sp-brasil]
Não podemos discriminar torcedores. São todos palmeirenses, "comuns" ou "organizados". Também sou do tempo em que as torcidas conviviam pacificamente no estádio, mas não podemos generalizar e ver apenas aspectos negativos nas torcidas organizadas. Quando há exageros, estes devem ser punidos nos termos da Lei.
Uma boa notícia aos três leitores desta coluna. Daqui a alguns minutos entrarei no carro, colocarei o cinto de segurança, me benzerei (sou ateu mas não sou besta) e rodarei mais de dois mil quilômetros até Arapiraca (AL). Porém, não pensem vocês três que isso significa que entrarei de férias e vocês não me lerão mais por aqui. Não, isto seria uma ótima notícia, não apenas boa.
Na verdade vou é trabalhar mais. Farei uma peregrinação pela Série C do futebol brasileiro, com atualizações diárias, fotos e uma página especial. Serei um repórter de segunda categoria na terceira divisão. Mas o tratamento gráfico será de primeira.
Tudo começa domingo, na rodada de estréia do Campeonato, no jogo entre ASA e Petrolina. Depois irei a Campina Grande, ver Treze x Santa Cruz (RN), daí Central de Caruaru (PE) x Campinense (PB), Serra (ES) x Duque de Caxias (RJ) e, por fim, Macaé (RJ) x Boa Vista (RJ). Mas no meio do caminho passarei por outras cidades e clubes.
Aliás, se meus três leitores tiverem algumas dicas sobre estes lugares, personagens e jogadores, coloquem aí nos comentários. E, se possível, encontrarei algum de vocês pelo caminho.
Espero que esta caravana seja divertida para nós quatro.
"Uma das coisas mais chatas de ser colonizado culturalmente é ter que aprender a língua do colonizador. Isso é realmente boring. Ainda mais para mim, que não understendo a língua inglesa muito well."
Parece que não tem nada a ver com futebol, mas tem. Para ler o resto, clique aqui.
O Goiás, que parecia ter se redimido da má campanha após golear o Santos na Vila, tomou três do
Vitória (agora em quinto lugar) e continua na zona de rebaixamento, onde tem a companhia do
Ipatinga, sério candidato à Série B, que esta semana perdeu do
Vasco, que já não é mais o time de Eurico Miranda, para a tristeza dos flamenguistas, que por sinal devem estar alegres com o gol nos acréscimos de Obina, que colocou o
Flamengo na ponta da tabela, logo à frente do
Grêmio, que apenas empatou no Olímpico com o
Inter, que era um dos favoritos ao campeonato mas está numa modesta décima-quarta colocação, um ponto atrás do
Figueirense, que começou vencendo o jogo mas cedeu o empate ao
Atlético-MG, que viu Petkovic marcar numa bela cobrança de falta, o que pode ser muito útil no jogo da próxima semana contra o
Palmeiras, que venceu o Timbu por 2 a 0 e finalmente entrou no G-4, fazendo o
Náutico cair para a sexta posição, queda que pode ser ainda mais profunda porque os próximos jogos do time são contra dois favoritos, Flamengo e
São Paulo, que está há sete jogos invicto e ontem empatou com o
Cruzeiro, que tem um dos dois artilheiros da competição, Guilherme, com seis gols, ao lado de Alex Mineiro, que fez sucesso no
Atlético Paranaense, que ontem, em plena Arena da Baixada, ficou no empate com o
Coritiba num jogo emocionante, pelo menos nos últimos minutos, pois o Atlético abriu o placar quando faltavam menos de dez minutos para o fim da partida, mas cinco minutos Marcos Tamandaré empatou o jogo, deixando o Coxa na décima posição, com dez pontos, dois a mais que o
Sport, que ainda está de rassaca pela conquista da Copa do Brasil, e o
Botafogo, 16º. colocado, que segue mal e não passou de um empate com os reservas do
Fluminense, o lanterna do campeonato com apenas três pontos, única equipe que ainda não venceu no Brasileiro e que fez apenas quatro gols, o mesmo que tanto que, sozinho, marcou Diogo, o bom jogador da
Portuguesa, que vem num bom oitavo lugar e neste sábado empatou com o
Santos, que dispensou Rodrigo Tabata, que ontem jogava futevôlei na Ponta da Praia e talvez volte para o
Dez perguntas para o presidente do Palmeiras (respondidas pelos leitores)
Como o presidente do Palmeiras não respondeu as questões enviadas pelos leitores, publico aqui as respostas enviadas pelos próprios (bem mais divertidas e, talvez, esclarecedoras).
1-) Caro Presidente, precisando de um estádio maior para sediar mais confortavelmente os jogos do Verdão, o senhor confirma o início das reformas no estádio para início de agosto e término em 2010? Qual será a capacidade oficial?
R.: A capacidade do estádio será de 45.678 lugares, mas com os privilégios das organizadas, dos diretores, políticos, amigos, amigos dos amigos, amigos dos amigos dos amigos e etc, estimamos nossa venda de ingressos ao público, principalmente em grandes jogos, em 678 lugares espremidos.
2-) Presidente, o que o senhor acha de um espetáculo que começa às 21h50min, cujo espectador fica sob risco de frio e chuva e ainda põe o traseiro no cimento; que ainda por cima teve seu preço mínimo majorado para R$ 40,00, e concorre com atrações como cinema, teatro (que são em lugares abrigados, mais baratos e tem assentos muito mais confortáveis) e mesmo TV pagas (que transmitem o mesmo espetáculo)?
R: Bem lembrado. Há que propor à TV passar os jogos para as 4:00 da manhã. Quero ver se vai ter cineminha e teatrinho concorrendo nessa hora. E, quanto ao frio, leve seu casaquinho, oras.
3-) É mesmo vantajoso fazer um acordo desses com a Traffic? De montar um time que serve de vitrine para negociações. Não é melhor começar a pensar os grandes clubes brasileiros como fim e não como meio de se chegar ao topo da pirâmide do futebol.
R.: É claro que é vantajoso. Assim a diretoria pode se dedicar somente à macarronada e não precisa se preocupar em montar um time de futebol.
4-) A maior vergonha do Palmeiras foi ser rebaixado para a Série B. A segunda maior, foi não ter participado do Mundial da FIFA 2000, lugar que tinha direito. Pergunta: Qual o verdadeiro motivo desta exclusão?
R.: O telex estava quebrado e não conseguimos confirmar a presença com a secretária da FIFA, do na Matilde.
5-) Presidente, o Marcos vai receber um busto no Palestra Itália?
R.: Sim. O próprio médico do clube fará o implante de silicone.
6-) Quando o Palmeiras vai viabilizar para que o morador fora do estado de São Paulo torne-se sócio sem depender de um endereço no Estado?
R: Jamais. O único jeito é comprar um imóvel aqui em SP e se mudar para cá. Aqui mesmo na Turiassú, em frente ao clube, há vários disponíveis.
7-) Caro Presidente, gostaria de saber como o Palmeiras passou a tratar suas categorias de base, após o acordo com a Traffic? O que notamos é que novos jogadores chegam e nenhum comentário sobre os nossos jovens é visto, aliado ao antigo problema do Vanderlei Luxemburgo de não trabalhar com jogadores de categoria de base. Hoje temos a Traffic, mas será que o futuro do futebol não está nas categorias de base e devemos ter sempre um olho voltado para elas? Saudações Palestrinas!
R.: É simples: depois que os juvenis crescerem e ficarem famosos em outros times, a Traffic os comprará de volta.
8-) Presidente, sou do interior de São Paulo, e como estava com muita coisa pra fazer na semana do segundo jogo da final, não pude ir à São Paulo passar horas na fila pra comprar o ingresso. Quando soube da possibilidade de comprar pela internet (espaço VISA), já era tarde. Para minha surpresa, a Mancha de Rio Claro anunciava em sua página no Orkut a venda de ingressos, inclusive para não sócios. Fui imediatamente para lá, onde me ofereceram ingresso por R$ 130,00 (o de R$ 40,00). Minhas perguntas são: Como pode o Palmeiras privilegiar as organizadas na distribuição de ingressos? O Palmeiras prefere esse tipo de torcedor (violento) em seus estádios? O Palmeiras tem conhecimento que as uniformizadas agem como cambistas? O Palmeiras tem medo desses bandidos? Porque não se possibilita a venda de ingressos (todos) pela internet? É pressão das organizadas?
R.: Mancha em Rio Claro? Deve ser vazamento de petróleo. Isso é assunto para ecologista.
9-) Quando o Serdan, da Mancha, agrediu o técnico que barrou seu filho no time infantil, foi dado um prazo de 90 dias para uma sindicância interna. Esses 90 dias já se esgotaram. Qual foi a conclusão da sindicância e as providências tomadas?
R.: A sindicância constatou que o técnico deu várias caradas na mão do Serdan.
10-) Quando afinal vocês conseguirão acabar com as torcidas organizadas para que pessoas de bem consigam voltar aos estádios, pois eu sou do tempo em que se podia ir ao estádio e voltar inteiro para casa
R.: Nunca. Somente com organização é que a sociedade se desenvolve. Vide o exemplo do crime organizado.
Muitos leitores reclamaram do fim precoce da série "Estórias das Copas". Mas três deles resolveram o problema por conta própria. Carlos Eduardo Massarico, Max Fischer e Thomas Pacheco botaram a mão na massa, dio, no teclado, e criaram um texto que mistura Winning Eleven com a Copa de 2002. O texto é longo, mas vale a pena.
2002 - Para conquistar o mundo é preciso atravessá-lo
Sempre tive duas grandes paixões na vida: Winning Eleven e Mangás. Tinha dezoito anos e no bolso minha vaga para Publicidade no Mackenzie. Logo na primeira semana de aulas fiz duas amizades daquelas de levar para sempre. Seriam os meus companheiros de bares e tardes vazias nos quatro anos mágicos que viriam. Cadu e Thomas eram dois fanáticos por futebol. Antes que eu me esqueça, meu nome é Daniel, a maioria me chama de Del, mas meus grandes amigos me chamam apenas por Deolino.
Estava montado então o circo. Não demorou muito para criarmos uma liga universitária de WE. Cadu, sempre com espírito de perfeccionismo, queria tudo ao seu modo, então nunca deixou que eu ou Thomas fossem os organizadores dos torneios. Era o presidente e anfitrião, disponibilizava sua casa para os encontros. Thomas era seu tesoureiro e eu, entre um jogo e outro, comprava uns salgados na padaria da esquina com os trocos da faculdade.
Numa daquelas tardes de futebol no ar e nas discussões apaixonadas, descobrimos que haveria uma Copa do Mundo de Winning Eleven, disputada no Japão, na mesma época da verdadeira Copa do Mundo, nosso assunto mais discutido entre uma partida e outra. Sem pestanejar, nos inscrevemos. Sequer tinhamos pretenções mais animadoras. Nas eliminatórias brasileiras, ficamos surpresos com Cadu e Thomas, que conseguiram ficar entre os primeiros e garantiram a vaga no individual, enquanto eu e Alan, um dos participantes de nossos torneios modestos, vencemos nas duplas, ao ganhar de dois japoneses que faziam Cinema na USP. Eles haviam aniquilado os adversários, mas desde quando Nakata era melhor que o Rivaldo?
Com as passagens garantidas, nos deparamos com um problema dos grandes: não poderíamos faltar por quase um mês na faculdade sem correr o risco de sermos jubilados logo no primeiro semestre. Quis o destino ou os deuses do futebol, que o Mackenzie entrasse em greve logo naquela semana, a mesma de nosso maior triunfo como atletas, virtuais, mas mesmo assim atletas. Meu companheiro de duplas não teve a mesma sorte. Alan já fazia estágio, não estava disposto a perder seu emprego. Thomas faria dupla comigo.
Naquele ano a Copa do Mundo prometia ser histórica. Não devido a nossa crença na seleção brasileira, que vinha capengando desde 98, quando foi arrasada no St. Denis pela França de Zinedine. Pela primeira vez a Copa ocorreria fora do eixo América-Europa e além disso, era uma Copa dividida entre dois países de grande rivalidade política: o Japão e a Coréia do Sul. Nos mesmos países ocorreria a nossa Copa do Mundo.
No banco tínhamos Felipão, que deixava de fora o baixinho Romário para dar seu lugar a Luizão. Mesmo com os pedidos do povo e do próprio dono da CBF. Mas o técnico gaúcho era duro na queda, pagou pra ver. Marcos, Lúcio, Edmilson, Roque Júnior, Cafu, Gilberto Silva, Kléberson, Roberto Carlos, Rivaldo, Ronaldinho Gaúcho e Ronaldo. Esse era nosso selecionado.
Chegamos ao extremo oriente alguns dias antes do jogo do Brasil contra a Turquia. No aeroporto vimos a vitória surpreendente de Senegal sobre a França. Foi o suficiente para Cadu mandar mais uma de suas pérolas. Adorava usar da ironia para nunca estar errado: se acertasse, era sério, se errasse, era só mais uma brincadeira inocente e despretenciosa.
- Vai ser o ano das zebras. Que Ronaldo, que Rivaldo, o craque mesmo vai ser o Luizão. Ele pôs o Brasil na Copa. – profetizou Cadu, ao mesmo tempo em que carregávamos as malas para o centro de convenções do torneio.
- Acidente de percurso. A França tem um grande time e vai se classificar sem problemas. – retruquei enquanto tentava decifrar um mapa horroroso, mal desenhado do aeroporto, até que desisti e fui usar o instinto brasileiro.
Depois de termos nos perdido, é claro e quase sermos desclassificados do torneio por não chegarmos ao hotel a tempo, fomos encaminhados para os sorteios dos grupos, pois cada competidor jogaria com uma única seleção o torneio todo. Thomas acabou caindo com a Alemanha e adorou a notícia, era uma seleção de força, Cadu ficou com o Uruguai, tudo o que mais queria, afinal jogava mais com raça do que com habilidade, não tinha jogo perdido pra ele. Já nas duplas, Thomas ficou triste, eu fiquei muito contente. Nas duplas teríamos nas mãos, nada mais, nada menos, que o Brasil.
Meu jogo só aconteceria na manhã seguinte, véspera da estréia da real seleção brasileira. Mesmo assim, na competição virtual o festival das zebras se iniciou. Veio a queda da França, perdendo seus dois jogos, eliminada sem fazer um golzinho sequer. Japão e Coréia do Sul, grandes azarões, levaram a diante seus elencos. Cadu não conseguiu sua classificação, mesmo após uma vitória épica, e como ele mesmo diria “de puro coração”, sobre a Argentina, em um 3 a 2 que entraria para a história. Depois, veio a derrota de goleada para a Nigéria, um 5 a 1 esmagador. Pra variar, ele deu espetáculo: quebrou o controle depois de uma pancada com gosto no chão e um chororô danado.
- Vocês viram aquele pênalti claro que o juiz não deu no Zalayeta? Poxa, ele é gênio da bola, não ia se jogar frente-a-frente com o goleiro! E os gols de impedimento dos nigerianos? Dois foram claríssimos. Foi roubo, foi roubo. – ele chorou depois da desclassificação.
- Ah, Cadu, relaxa, vamos ver se seu Uruguai classifica na Copa mesmo, agora é o que resta, você pegou sentimento demais por nossos rivais! – alertou Thomas, que ainda jogaria naquele mesmo dia.
Quis o destino que ele também fosse desclassificado. Caiu horas depois de nosso amigo “uruguaio”. Contra a seleção do Senegal, comandada por um irlandês pé-de-cana. Depois o empate contra a Inglaterra, por mais que tenha sido um jogaço em 0 a 0, foi só o jogo de despedida do Thomas. Tristes, fomos conhecer a cidade, onde acabamos num bar de um Dekassegui gente boa.
Brasileiro, neto de japoneses, o senhor nos recebeu muito bem. Com os meus dois amigos ainda inconsoláveis, resolvemos chorar nossas mágoas. Era triste ser eliminado na primeira fase. Mas saquê vai, saquê vem, começamos a nos animar. Foi quando conhecemos um velho simpático chamado Feijão e seu cachorro Marcos Roberto.
- É o único cachorro que entende de futebol. – explicou Feijão, depois de beber uma dose de saquê.
- Duvido. – eu disse.
- Não acredito. – revelou Thomas.
- Pago pra ver. – apostou Cadu.
- Irei provar então. – disse Feijão, jogando uma pequena bola em direção ao cachorro, que ao invés de morder a bola, a dominou com a cabeça. Não era ainda o bastante: começou a fazer embaixadinhas. – Viram?
Rimos. Nos despedimos de Feijão e marcamos um novo encontro no dia seguinte, para combinarmos de ver juntos o jogo inicial do Brasil. Acordamos mais cedo no dia seguinte e fomos ao centro de convenções. A arena já estava montada. O adversário seria uma dupla de turcos que tiveram a sorte de pegar a seleção de seu país.
O jogo começou tenso. Não que os turcos jogassem alguma coisa, mas Thomas ainda não parecia ter engolido a derrota no dia anterior e não acertava os passes curtos. No final, com um pouco da ajuda da sorte, vencemos o nosso primeiro desafio. Como Cadu havia dito, Luizão era o gênio da bola. Fomos ao bar comemorar e lá estava Feijão, com uma agradável surpresa: passagens e ingressos para o jogo inicial.
- Ia com alguns amigos, mas acho que me desencontrei deles. Melhor dar os ingressos a vocês do que ter algum lugar vazio no estádio, né?
Embarcamos para a Coréia, onde o Brasil enfrentaria a Turquia. O jogo começou parecido com o virtual. O escrete canarinho parecia estar em estado de choque ou algo do gênero. Conseguimos terminar o primeiro tempo atrás e só viramos com um gol de canela do Ronaldo – mas é gol, argumentaria Feijão – e com um pênalti forjado dele: Luizão. Cadu foi à loucura, se achava vidente.
O próximo adversário do Brasil era a China. Não é que a China acabou sendo a minha próxima rival no torneio? Com Thomas um pouco mais tranqüilo e com a tarde inspirada de Marcos no gol e Romário – sim, ele mesmo, a pedido de seu grande fã, Cadu, convocado – no ataque, vencemos por 3 a 0. Tínhamos a vaga e com uns dias de folga, aproveitamos para pegarmos um avião até Seogwipo, para assistir o confronto verdadeiro do Brasil com a China. Regalias concedidas pela vitória no torneio. Uma maravilha.
Mais calmo, o Brasil fez 3 a 0 só no primeiro tempo e esperou o tempo passar no segundo. Ainda fez mais um com o Fenômeno. Com uma bolinha até que razoável a nação verde-amarela estava nas oitavas-de-final.
Enquanto eu e Thomas passávamos os dias treinando para as oitavas contra a Argentina, carrasca no saldo de gols contra nosso amigo Cadu, ele próprio havia encontrado um rival a altura quando o assunto era discutir a história do futebol: ele mesmo, Feijão. Podia ter seus cento e tantos anos, mas não havia história do futebol que ele se esquecesse.
Ainda tínhamos tempo até a próxima partida, então resolvemos pegar um trem-bala e ver a seleção contra a Costa Rica. No trem, continuamos os treinos no Winning Eleven, enquanto Cadu e Feijão discutiam o posicionamento defensivo do time nos últimos jogos.
- Com esse posicionamento ridículo, não sei não. Essa zaga vai falhar, cruzamento na área é meio gol! É amigo, haja coração! – afirmou Cadu, usando um jargão de mais um de seus ídolos da narração.
- Está bem, rapaz! Vamos ver quem tem razão no jogo contra a Costa Rica! – encerrou a conversa Feijão, enquanto tomava um coquetel de remédios para o coração, vivido de tantas Copas.
Não deu outra. Vencemos por 4 a 2 da Costa Rica, mas adivinhem de qual maneira saiu o segundo gol da equipe da Concacaf? O sinal de alerta estava dado pelo “hermano uruguaio”.
Nas oitavas, o Brasil teria a Bélgica pela frente, em Kobe. No hotel, um telegrama informou que nossa próxima rodada nas duplas também seria em Kobe. Para nossa tristeza, seria no mesmo dia e horário do jogo do Brasil. Foi o jogo mais fácil do campeonato para nós, Thomas vestia a camisa inglesa e fez o papel de inibir os argentinos. A goleada só não foi mais sonora porque ficamos atentos a qualquer detalhe do jogo do verdadeiro Brasil.
Contra a Bélgica, contamos com a sorte, mas com um poderoso chute de Rivaldo, inspirado na Copa, e com um leve desvio de Ronaldo, renascido na Copa, que o goleiro Geert quase defendeu. Nas quartas, viria a Inglaterra. Só viríamos os melhores momentos no quarto do hotel, enquanto comemorávamos nossa passagem às quartas. Segundo Cadu, não seria exagero em falar que a Bélgica poderia ter ganho aquele jogo, mas o Brasil tinha a sorte do campeão. Começara desacreditado na Copa, mas já estava entre os oito melhores.
Infelizmente, as agendas não bateram dessa vez. Enquanto o Brasil jogaria em Shizuoka contra os ingleses, a próxima rodada do torneio seria em Osaka. Nos despedimos de Feijão e seu cachorro bom-de-bola e pegamos um trem-bala em direção a Osaka, enquanto Feijão viajaria de avião. Nosso jogo, de novo seria no mesmo horário da partida do Brasil. Um sufoco.
Entrei no estádio suando frio, pois até ali não parecia acreditar que eu poderia ter chego às quartas da minha Copa do Mundo. Cadu ficou com um rádio ligado, ouvindo o jogo em japonês, mas atento ao nome dos jogadores. Se fossem os de ataque, o grito de gol era um momento feliz, se fossem os de defesa, o grito de gol seria um martírio.
Nosso jogo começou brigado. Os adversários eram dois mexicanos que comandavam a Irlanda guiada por Robbie Keane. Numa falha grotesca de Lúcio, que era controlado pelo meu controle, eles abriram o placar. Thomas até ameaçou uma reclamação, mas alguns minutos depois, tudo mudaria. Sofri uma falta no meio de campo, despretenciosa. Pensei num botão, apertei outro. Na hora da cobrança, mandei chutar, mas de repente o Ronaldinho cruzou.
- Mas não era o bola que chutava? – perguntei em voz alta.
Encobri o goleiro deles. Um gol que ninguém tinha visto ainda. No intervalo de nosso jogo, Cadu veio com a notícia de que o Brasil estava empatando em 1 a 1 com a Inglaterra, que Lúcio tinha falhado e que Rivaldo havia empatado. Depois da primeira notícia nos assustamos. Tinha sido igual ao jogo! Mas o gol do Rivaldo nos aliviou, não estava sendo igual.
Voltamos no jogo e conseguimos a virada justamente com Rivaldo, em uma bela assistência de Ronaldinho, comandado pelo Thomas. Viramos na base da raça e do coração, nos melhores ensinamentos do Cadu.
- Quando não dá na técnica, vai na raça!
Terminado nosso jogo, respiramos aliviados. Estávamos nas semifinais. Quase nos esquecemos das quartas do Brasil visto por milhões. Cadu, que estava com os olhos no nosso jogo e os ouvidos no rádio, preferiu não dizer como foi o gol da vitória do Brasil. Disse que não entendeu o que o japonês disse. Realmente foi uma boa desculpa.
Nosso torneio estava acabando, mas teríamos pelo menos mais dois jogos, na pior das hipóteses a disputa de terceiro lugar. Em Saitama, o Brasil teria pela frente a Turquia, carrasca do Japão e de Senegal, sem contar na vitória contra os franceses na estréia. No jogo, teríamos a Espanha.
- Se o jogo for como a vida, vocês estão nas finais! Me digam, quando é que a Espanha vai vingar em mata-mata? Nem em jogo de botão ela ganha. – revelou Cadu, sempre profetizando. Depois de nove erros, ele até que acertava uma de vez enquando.
Nosso jogo seria em Yokohama, assim como o outro restante. Dessa vez, enfim uma partida em que os horários não se cruzariam com os da Copa. Já estava na hora de assistirmos um pouco os jogos de fato, essa vida de ficar jogando só às vezes cansa. Mas só às vezes também.
Não deu outra. Cadu enfim acertou uma, depois de sua desilusão com a história de que Luizão seria o “número 9” que daria efeito, desacreditado da recuperação do Ronaldo. Os russos vieram comandando a Espanha, mas sem dúvidas o jogo foi bem fácil para nós. Armamos um 4-3-3 que assustou os russos, que só jogavam bem contra as retrancas que o pessoal adora de armar nos jogos de Winning Eleven. 3 a 0, um do Ronaldo, um do Ronaldinho e um do Rivaldo. O trio de erres funcionou muito bem naquela Copa.
Cadu saiu logo após o terceiro gol, guardaria lugar no bar para que então comemorássemos nossa classificação para as finais. Veríamos o jogo ao lado de quem? Feijão e seu cachorro. Parecia perseguição. Nossa ou deles?
- A Turquia vai acabar com o Brasil. Era pra ter sido 1 a 0 contra o Brasil naquele jogo, não fosse a sorte. – afirmou Cadu, com cara de desconfiado.
- Esse rapaz só fica secando o Brasil, mas tá dando sorte, continua! – pediu Feijão dando risada, já na nossa mesa.
Mesmo secando, o Brasil sofreu, mas passou. Foi um 1 a 0 com a marca do Ronaldo – e do biquinho da chuteira também. Rustu pegou até vento, mas o goleiro turco não contava com a astúcia do Fenômeno. Nem parecia um jogo de semifinal. Era incrível, mas o Brasil já era finalista. De mansinho chegou.
Thomas não estava ainda tão feliz assim. Tinha pego carinho pela equipe que defendeu na Copa de Winning Eleven: a Alemanha, seleção que um dia antes havia carimbado vaga na final. Por incrível que pareça, ele estava dividido. Ao menos Cadu não sofreu o mesmo, viu seu Uruguai ser eliminado depois de empatar com a França e Senegal. Uma judiação.
Pensei que isso fosse abalar nossas estruturas no torneio virtual. Dessa vez, nossa final seria antes do jogo da seleção: glória a Deus. Além de tudo, estaríamos em Yokohama, cidade da final. O campeão ganharia ingressos para o jogo. Sem dúvidas esses ingressos seriam disputados a tapa se fosse preciso. Cadu já havia garantido o seu, o único que comprou, mesmo sem saber que o Brasil estaria na final. Restava os nossos, o meu e o de Thomas.
Contra a Nigéria, outra carrasca de Cadu, o jogo prometia ser difícil. Era pura correria o jogo dos africanos e pior, a Nigéria só tinha perdido para a já eliminada Argentina. De resto, só goleadas. Seria difícil parar o Okocha e os dois japoneses que comandavam a seleção. Sabiam todos os mínimos detalhes do jogo, mas confiávamos na categoria de nossos jogadores.
Entramos no centro de convenções mais uma vez, daquela vez seria a última delas. Em uma cerimônia bem bonita, as duas duplas foram recepcionadas com aplausos e passaram diante do cobiçado prêmio: o troféu e os ingressos. Sentamos nas nossas cadeiras e tivemos a sensação de que seria nosso o troféu – e o mais importante, os ingressos.
Foi duro. Em menos de 15 minutos de jogo, a Nigéria havia feito dois gols. Nos matamos para manter o placar, os japoneses eram duros na queda. Nas estatísticas do intervalo, tínhamos só três chutes, nenhum no gol, contra uma dezena deles contra a meta de nosso sofrido Marcos, o homem do jogo na primeira etapa da peleja.
- Gente, na final de 58 foi assim, o Brasil tomou uma chapuletada logo no começo, em Estocolmo contra a Suécia. Será que é coincidência ou o jogo no Japão contra os japoneses será igualzinho? – motivou Cadu, que além de torcer para nós, estava com fome de vingança da equipe nigeriana.
Deu certo. Não foi o 5 a 2 da seleção mágica de 58, mas o 3 a 2 suado nos bastou. Tudo na base da sorte. Supersticiosos, os japoneses começaram a suar frio quando o Shorunmu, goleiro deles, tomou um frango homérico. Daí em diante, foi só dominar o jogo, usando um 4-2-4 bem à moda antiga, usando o Ronaldinho e o Roberto Carlos como pontas. Até que a invenção deu certo. Era a prova de que existem coisas que só o Winning Eleven pode comprovar.
No último minuto, a pressão foi grande, mas nos seguramos e juntos, os três, comemoramos. Depois daquilo, vencer da Alemanha seria tarefa fácil. Embora discurso de quem já era campeão, era também uma grande torcida. Se a vida copiasse o jogo ao menos mais uma vez, Kahn poderia falhar igualzinho o Shorunmu. Seria quase um milagre.
Corremos para o estádio, depois da enrolação da entrega do troféu e dos ingressos. Detalhe: quase esquecemos o troféu. No fim, ele seria o menos importante, acabamos perdendo ele no aeroporto mesmo. Queríamos é estar no estádio para a final da Copa do Mundo. Sabia que o Feijão estaria em um bar a torcer pelo Brasil, aquela nossa conquista tinha também uma parcela dele e de seu cachorro? Brasil bem no jogo, Brasil bem em campo, era como ele brincava ao saber de nossos feitos.
Emocionante final. Perdemos o começo do jogo, mas enfim, não dava pra ser tudo perfeito. Ou até dava, porque no primeiro tempo o Brasil tomou pressão da Alemanha. Não tomou os dois gols que sofreu no Winning Eleven, mas era até para ter sofrido. São Marcos impediu. Nosso herói só podia ter sido ele mesmo: Ronaldo. Em menos de 15 minutos, lavou a alma de 98, colocou os dois gols do placar de 2 a 0 que não seria mais alterado.
Comemoramos no estádio. Que momento incrível. 170 milhões em ação, era o povo brasileiro que encontrava pela quinta vez o sentimento máximo de chegar ao topo do mundo. Quanto a nós três, fizemos parte daquele momento histórico e nunca mais deixaríamos de ser amigos. Uma Copa em que o Brasil foi campeão duas vezes. Era a prova e a contra-prova de que nosso futebol é mesmo o maior do mundo, de que com o Brasil ninguém pode, de que vivemos a felicidade máximo do brasileiro: um título em uma Copa do Mundo.
Para os torcedores-historiadores, aqueles que gostam de antigas façanhos futebolísticas, o sábado perfeito começa com uma ida ao cinema para ver "1958, o ano em que o mundo descobriu o Brasil", documentário que está em cartaz em São Paulo, na sessão das 18 no HSBC.
É um documentário tradicional. Traz todos os jogos do Brasil naquela Copa, entrevistas com jogadores e uma edição clássica, com lances intercalados com depoimentos. Mas há algumas novidades interessante. Por exemplo, há muitos depoimentos de inimigos. Vários suecos falam do jogo final, ingleses comentam o duro empate do segundo jogo e o trio francês, Kopa, Fontaine e Piantoni, dá uma nova versão daquele célebre 5 a 2.
As entrevistas dos brasileiros também são boas. Djalma Santos fala muito bem, Nilton Santos é um Buda carioca e há Dino sani, que raras vezes é ouvido. Aliás, os reservas das Copas bem que merecem um documentários seu, pois são aqueles que chega da glória máxima, chegam às portas do Olimpo, mas esuqeceram a chave.
Outra coisa agradável é ver os gols, que já vimos centenas de vezes, desde o começo do lance, o que é raro de ser mostrado. O filme tem pouco mais de 1h20. Ou seja, dá para voltar para casa e ver, às 21h, na ESPN Brasil, o especial "A Copa do Mundo é nossa".
Vários entrevistados estão nos dois documentários, como Paulo Planet Buarque, Zagallo e Luiz Carlos Barreto, mas o programa de tevê foi até Poços de Caldas, onde a seleção se preparou para a Copa, e assim conseguiu alguns depoimentos diferentes, pouco usuais.
Há, por exemplo, várias pessoas que conviveram com a seleção naqueles dias, como o homem que viu a chegada de Pelé com sua malinha de papelão. Estas entrevistas inesperadas, estas novas histórias de bastidores, dão uma graça especial ao programa, que tem ainda uma boa edição, mais ágil e menos reverencial que a do filme.
Enfim, dois bons programas para torcedores-historiadores.
Lembram da Copa dos Pesadelos? Pois bem, teremos agora a Entrevista dos Pesadelos.
É que há um mês enviei as perguntas dos leitores ao presidente do Palmeiras, mas ele não se dignou a respondê-las. Daí, como é coisa feia que perguntas fiquem sem respostas, acho que o melhor é que nós mesmos as respondamos. Assim, vou colocar aqui as perguntas que foram enviadas ao supremo mandatário alviverde e vocês colocam as respostas (uma, duas ou dez, tanto faz). Para a segunda-feira faço uma seleção das melhores e teremos uma bela entrevista publicada aqui no blog.
Eis as questões dellamonicas:
1-) Caro Presidente, bom dia. Precisando de um estádio maior para sediar mais confortavelmente os jogos do Verdão, o Senhor confirma o início das reformas no estádio para início de agosto e término em 2010? Qual será a capacidade oficial? Obrigado [Marco Clerris] [São Paulo, SP, Brasil]
2-) Presidente, o que o senhor acha de um espetáculo que começa às 21h50min, cujo espectador fica sob risco de frio e chuva e ainda põe o traseiro no cimento; que ainda por cima teve seu preço mínimo majorado para R$ 40,00, e concorre com atrações como cinema, teatro (que são em lugares abrigados, mais baratos e tem assentos muito mais confortáveis) e mesmo TV pagas (que transmitem o mesmo espetáculo)? Paulo R. Filomeno] [Campinas, SP]
3-) É mesmo vantajoso fazer um acordo desses com a Traffic? De montar um time que serve de vitrine para negociações. Não é melhor começar a pensar os grandes clubes brasileiros como fim e não como meio de se chegar ao topo da pirâmide do futebol. [Felipe Bandeira]
4-) Presidente, parabéns pela sua administração. A maior vergonha do Palmeiras foi ser rebaixado para a Série B. A segunda maior, foi não ter participado do Mundial da FIFA 2000, lugar que tinha direito. Pergunta: Qual o verdadeiro motivo desta exclusão? Não seria possível de investigação, neste tema, a gestão de Mustafá? [Marco Aurelio] [campo grande, ms, brasil]
5-) Presidente, o Marcos vai receber um busto no Palestra Itália, ao lado do Ademir da Guia, Waldemar Fiume e Junqueira? (Já ouvi que não poderia ocorrer, uma vez que ele já jogou em outro time, no começo da carreira. Mas, até aí, o Ademir jogou no Bangu). [Paulo Domenico Rizzo]
6-) Presidente: Primeiramente, parabéns pelo título paulista. Em segundo lugar, gostaria de saber quando o Palmeiras vai viabilizar para que o morador fora do estado de São Paulo torne-se sócio sem depender de um endereço no Estado para que se faça a cobrança, podendo, inclusive, o boleto ser impresso no site oficial do clube? [Valdemagno Silva Torres] [Recife/PE/Brasil]
7-) Caro Presidente, gostaria de saber como o Palmeiras passou a tratar suas categorias de base, após o acordo com a Traffic? O que notamos é que novos jogadores chegam e nenhum comentário sobre os nossos jovens é visto, aliado ao antigo problema do Vanderlei Luxemburgo de não trabalhar com jogadores de categoria de base. Hoje temos a Traffic, mas será que o futuro do futebol não está nas categorias de base e devemos ter sempre um olho voltado para elas? Saudações Palestrinas! [Raphael] [São Paulo - SP]
8-) Presidente, primeiro gostaria de relatar um episódio depois complementar com uma pergunta. Sou do interior de São Paulo, e como estava com muita coisa pra fazer na semana do segundo jogo da final, não pude ir à São Paulo passar horas na fila pra comprar o ingresso. Quando soube da possibilidade de comprar pela internet (espaço VISA), já era tarde. Pra minha surpresa, a Mancha de Rio Claro anunciava em sua página no Orkut a venda de ingressos, inclusive para não sócios. Fui imediatamente para lá, onde me ofereceram ingresso por R$ 130,00 (o de R$ 40,00). Minhas perguntas são: Como pode o Palmeiras privilegiar as organizadas na distribuição de ingressos? O Palmeiras prefere esse tipo de torcedor (violento) em seus estádios? O Palmeiras tem conhecimento que as uniformizadas agem como cambistas? O Palmeiras tem medo desses bandidos? Porque não se possibilita a venda de ingressos (todos) pela internet? É pressão das organizadas? [Marcelo] [Rio Claro - SP]
9-) Quando o Serdan, da Mancha, agrediu o técnico que barrou seu filho no time infantil, foi dado um prazo de 90 dias para uma sindicância interna. Esses 90 dias já se esgotaram. Qual foi a conclusão da sindicância e as providências tomadas? [Walter Camargo] [Santana de Parnaiba, SP, Brasil]
10-) Quando afinal vocês conseguirão acabar com as torcidas organizadas para que pessoas de bem consigam voltar aos estádios, pois eu sou do tempo em que se podia ir ao estádio e voltar inteiro para casa [Ivaldo] [são paulo-sp-brasil]