Para esta semana escolhi os seis jogos de domingo da Série A, seis clássicos interestaduais.
Coritiba x São Paulo
Grêmio x Atlético-PR
Goiás x Cruzeiro
Atlético-MG x Botafogo
Náutico x Internacional
Avaí x Palmeiras
Meu palpite é empate, Grêmio, Cruzeiro, Atlético-MG, empate e empate.
Desta vez o prêmio é um livro meu, o que deve diminuir muito o número de apostas. Só lembrando, ganha o que primeiro acertar os resultados dos seis jogos.
Existe um título virtual, o de “melhor time do Brasil”, que é dado por uma espécie de consenso que envolve imprensa e torcedores. Até uma semana atrás, o Internacional tinha este título. Tinha. Agora, depois desta final de Copa do Brasil, ele é todo do Sport Club Corinthians Paulista.
Mas qual o segredo, ou os segredos, do Corinthians?
Imitando aqueles livros picaretas de auto-ajuda, escolhi sete. Sete segredos que todo mundo já sabe, mas que vale a pena lembrar.
Pré-temporada: O time fez de sua participação na Série B uma grande pré-temporada. É claro que tinha a obrigação de vencer, mas, mesmo assim, teve tempo e calma para ir montando seu time, ensaiar caminhos de ataque, sedimentar sua defesa, azeitar todas as peças, etc... E assim, os que chegaram depois, como Jorge Henrique e Ronaldo, encaixaram-se com facilidade, como se fossem as últimas peças de um quebra-cabeça.
Mano: Nas quatro últimas temporadas, Muricy Ramalho foi o melhor técnico do país. Este ano, não acredito que alguém tire o título de Mano Menezes. No começo de seu trabalho no time, ele era tachado de retranqueiro. Mas explicou-se bem. Disse que o elenco era modesto e que por isso deveria jogar com modéstia. Hoje, com o grupo melhorado, o Corinthians é um time equilibrado, que ataca bem e defende muito bem. Seu esquema de 4-5-1, com Dentinho e Jorge Henrique fazendo as vezes de meias ou atacantes, dependendo do momento, está longe de ser retranqueiro.
Elenco: Em todo time há um cara ruim, um jogador de quem a torcida desconfia ou até quer a cabeça. Entre os onze do Corinthians não há este indesejado. Em todas as posições o time mostra-se bem servido. O goleiro é comprovadamente bom, os laterais defendem e atacam bem, o miolo de zaga é sério e raramente comete bobagens, os volantes marcam e sabem jogar, Douglas teve apagões mas recuperou-se, Dentinho e Jorge Henrique são excelentes em suas funções de meiantes, uma mistura de meias com atacantes, e ainda há Ronaldo, que consegue fazer coisas imprevisíveis e desmontar esquemas defensivos. De quebra, o time ainda tem um bom banco de reservas.
Ápice: Um fato interessante é que vários jogadores corintianos estão no ápice de suas carreiras. Felipe nunca esteve melhor. Chicão tornou-se até um artilheiro. William nunca foi tão confiável. Alessandro está mais maduro e eficiente do que nunca (no Santos era instável, alternando boas jogadas com bobagens tremendas), de André Santos nem preciso falar nada, que ele se tornou o titular da seleção, os dois volantes, antes desconhecidos, hoje são sinônimo de eficiência, e Jorge Henrique, que já era bom no Botafogo, tornou-se um jogador completo, que marca e dribla. Todos estes atletas estão em seu ápice, em seu melhor momento, e é muito raro que tantos jogadores desabrochem ao mesmo tempo numa mesma equipe.
Armantes: Cristian e Elias talvez sejam os menos badalados jogadores do time, mas são fundamentais. Me parecem uma mistura de volantes com armadores. Muitos adversários pensam que Douglas é o grande criador de jogadas, mas grande parte do tempo ele atrai a marcação para que os dois armantes comecem os ataques. E, às vezes, até vão ao ataque e marcam seus gols, como Cristian no jogo contra o São Paulo.
Frieza: Ao contrário de outras formações do Corinthians, que se inflamavam com a torcida e faziam de uma raça ensandecida sua melhor arma, o atual time do Corinthians é frio. Joga sempre igual, em casa ou fora. Ontem, por exemplo, mesmo no Beira-Rio, entrou com a formação padrão e jogou como sempre, sem se intimidar. Não se encolheu na defesa nem foi acuado pelo Inter. Por outro lado, na final do Paulista contra o Santos, no Pacaembu, não se atirou ao ataque. Não se trata de um time adolescente, que muda de humor de uma hora para outra. O Corinthians é frio e maduro. Um James Bond.
Dualib: E o sétimo segredo corintiano é Dualib. Derrubá-lo foi o primeiro passo para a construção desse Corinthians.
Saudosa leitora, sudoroso leitor, por estes dias farei uma visita a Zé Cabala, por isso vos pergunto: que jogador devo entrevistar através deste mensageiro das almas, deste MSN dos espíritos?
Para os que não acompanham a coluna, explico que Zé Cabala é mais que um vidente, mais que um médium, é o mestre dos mestres. E graças a ele consigo entrevistar jogadores que já veem a grama pelo lado da raiz.
André Santos: Parece que a lateral esquerda tem um novo dono. Mas Daniel Alves, mesmo destro, pode ser um bom concorrente.
Bolaños: Fez três e desencantou.
Chip: Desta vez, concordo com o Galvão Bueno: o chip seria uma conquista valiosa. O engraçado foi ver, à noite, no SporTV, Arnaldo César Coelho tentando inventar argumentos contra o chip. Os juízes não querem é perder o poder. Que venham os chips na bola, nos pés dos jogadores para determinar impedimento, câmeras e o diabo a quatro!
Dez: É a pontuação de cinco times no Brasileiro: Cruzeiro, Santos, São Paulo, Santo André e Fluminense. Na próxima rodada, dependendo de combinações de resultados, qualquer um pode estar entre os quatro primeiros ou entre os candidatos ao rebaixamento.
Estréia: Ricardo Gomes começou com o pé direito.
Felipe: O jogador do Goiás nasceu em Ernestina (RS), e começou jogando no Passo Fundo. Ficou quase toda a sua carreira em times pequenos e médios do sul do país, até que em 2006 foi para o Náutico. Lá se destacou e foi para o Goiás. Agora, com trinta e um anos, idade em que muitos começam a pensar em aposentadoria, ele chega ao auge da carreira e é um dos artilheiros do Brasileiro.
Good for dog: Joel Santana mostrou que é bom, mesmo com sua África do Sul sofrendo duas derrotas nos minutos finais.
Herói: Lúcio foi, para mim, o melhor jogador do Brasil nesta Copa. O Bayern, que já dispensou e recontratou Zé Roberto, parece que está fazendo outra bobagem gigantesca ao dispensar o zagueiro brasileiro.
Invictos: Águia, Icasa, Asa, América-MG e Marília permanecem invictos na Série C depois de quatro rodadas.
Joliz: Alegre, feliz. É como deve estar a torcida do Vitória. Mais de 20% do campeonato já ficou para trás e o time está a apenas um ponto da liderança.
Linha-dura: Mancini conseguiu rápidos resultados no Santos, mudando costumes e estabelecendo uma linha mais dura. Mas o time parece que deu uma marcha-ré. Ele precisa dar outra sacudida no time.
Marcelinho: perdeu um pênalti quando o jogo estava 1 a 0 para o Vitória e faltavam menos de 15 minutos para o fim do jogo. Se ele acertasse, o santo André poderia ter arrancado um empate do Vitória e não teria caído quatro posições.
Nada: Adriano e Fred, promessa de gols, decepcionaram no Fla-Flu. Mas foi um bom jogo.
Ouro: Luís Fabiano ganhou a chuteira de ouro e a bola de prata. Vai precisar de uma estante nova.
Pedrão: Não marcou, mas seu time ganhou e passou à quarta colocação. Parecia sério candidato ao rebaixamento, mas agora sonha com a Libertadores.
Quase: Os EUA ficaram no quase. Ainda bem.
Recorde: O Guarani tem sete vitórias e um empate em oito rodadas, e assim quebra o recorde do Corinthians na Série B.
Sport: Élder Granja foi uma boa aquisição do time pernambucano.
Toreroteca: O vencedor foi o palmeirense Raul Antonio Ferraz.
Último: Caiu o último invicto do Brasileiro, o Atlético-MG.
Vasco: Está fora do G-4. É hora de se preocupar.
Xurreira: Buraco, vala. O Botafogo, lanterna do Brasileiro, perdeu de 4 em casa e pode ir para a xurreira.
Zé Carlos: Fez o único gol do time misto do Cruzeiro contra o Avaí. E trata-se do gol mais valioso da rodada, pois o time mineiro foi o que mais subiu na tabela: seis posições.
Hoje estava andando na calçada do centro da cidade, quando uma mulher que andava de mãos dadas ao seu filho lhe disse em tom bravo : “-Porque você mexe em tudo?!”. Isso porque o garoto esticou o outro braço pra tocar a caixa do correio. Neste instante eu pensei: “eu era igualzinho quando pequeno”.
Me lembrei que quando ainda muito criança eu acompanhava minha avó até a feira. Eu também ia de mãos dadas com ela. Durante o trajeto eu esticava a outra mão e ia passando o dedo indicador nos muros e portões do caminho. Um dia minha avó me disse que eu não deveria fazer aquilo, “senão meu dedo iria se desgastar e restaria apenas um toquinho”. Isso me marcou, eu não queria “gastar” meu dedo.
Perdi minha avó ainda garoto, acho que eu tinha uns 8 ou 9 anos na época. Me lembro de pouca coisa com detalhes daquele período, mas algumas cenas não saem da minha cabeça. Embora eu não me lembre com muitos detalhes muita coisa, eu guardo um carinho enorme por minha vó.
Minha avó era muito legal, ela deixava eu e meus irmãos brincar com água no tanque, a gente podia fazer sujeira no quintal, podiamos balançar no pé de goiaba, dar minhocas pras galinhas, martelar as madeiras do meu avô... Tenho a impressão que na casa da minha avó a gente podia fazer de tudo.
Meu avô era meio mau humorado, mas minha avó sempre defendia a gente depois das “artes” que a gente fazia...
Minha avó esquentava o pãozinho pra gente na chama do fogao e passava requeijao com uma colher!
Minha vó fazia macarrão e frango assado aos domingos, e a maionese dela era a melhor do mundo, nunca mais comi nenhuma igual!
Minha vó tinha um “remédio” que ficava guardado la no alto, dentro do banheiro. Era um liquido que devia ser feito com umas ervas e álcool. Aquela coisa de vó, tipo um remédio caseiro. Uma vez eu tava com “dores nas pernas”, já era hora de dormir, eu tinha brincado de bola o dia todo no quintal. Minha vó me levou lá no banheiro e pegou aquele vidro de remédio e esfregou o líquido nas minhas pernas. Eu não sei se aquilo tinha algum efeito medicinal, mas o simples fato de sentir-se amparado trazia a cura.
Outro dia meu irmão reclamou de dor de barriga e minha vó passou aquilo na barriga dele, aí eu perguntei: “Vó, isso aí não é pra dor nas pernas?”. Ela respondeu que servia pra dor na barriga também.
Mesmo quando minha irmã tinha dores de cabeça minha vó usava o mesmo remédio.
Quando era época de natal, minha avó tentava convencer-nos a puxar a barba do Papai Noel, para verificarmos se era de verdade. A gente nunca ousaria puxá-la, mesmo porque nós tinhamos certeza que ele realmente existia. Mas eu me lembro que depois de um certo Natal, o comentário foi que a barba do Papai Noel daquele ano era verdadeira. Ainda bem que ninguém a puxou. E eu não me esqueço que aquele Papai Noel ficou um pouco lá com a gente mesmo depois de entregar os presentes, e inclusive ele tomou uísque!
Lembro de uma cena muito triste com minha avó. Foi depois que ela tinha quebado o braço. Ela tropeçou e esbarrou sei lá onde. Acho que foi a unica vez que vi a minha avó chorar. Ela dizia que tinha acabado com a vida dela, ou algo do tipo. Ela dizia que aquilo era muito sério. Eu do meu lado não achava isso tão grave, eu já tinha visto vários coleguinhas com gesso no braço na escola.
Um dia, meu irmão me disse que minha avó estava com câncer. É claro que eu não acreditei, porque na minha concepção de doenças, qualquer doença tinha cura, menos câncer e aids. Como é que minha vó poderia estar com câncer? Meu irmão chamou minha mãe pra confirmar, ela confirmou, mas eu acho que não era para o meu irmão ter me contado aquilo.
Minha vó estava com câncer nos ossos. Aos poucos o seu estado foi piorando e eu me lembro que ela ficou um longo período de cama.
Instalaram um colchão d’agua na casa dela. Ela tinha dificuldade para se movimentar. Umas três pessoas a auxiliavam quando ela precisava ir ao banheiro. À cada barulho que escutavam tinham medo que fosse um osso se quebrando.
Meu pai ia frequentemente visitá-la, e quase sempre nos levava junto. Eu me lembro que tinha até uma especie de enfermeira que passou a dormir com minha avó.
Logo a hora da minha avó partir chegou, e meus pais fizeram de tudo pra que eu não sofresse muito. Eu era pequeno, e sinceramente sua morte não foi algo tao marcante pra mim. Nada ao lado dos bons momentos que tenho como lembrança dela.
Depois ouvi meu pai dizer que o câncer é uma doença que mata aos poucos, que vai sugando toda energia do doente. Ai, meu avô me contou a historia de um jogador de futebol chamado Rubens, ou melhor, o “Doutor Rúbis”, como era conhecido aquele atleta do Flamengo da década de 50. Ele disse que este foi um jogador que dominava o meio-de-campo como poucos. Falou que o apelido de Doutor veio exatamente dessa facilidade de comandar as ações no setor e foi dado carinhosamente pelos próprios torcedores flamenguistas.
Meu vô me disse que esse tinha sido um baita jogador, meia-armador clássico, jogava pela direita e formava dupla com Dequinha no flamengo. Ele disse que o time era todo formado por excelentes jogadores, que ajudaram o clube a chegar ao tricampeonato carioca de 53, 54 e 55, sob o comando do Fleitas Solich.
E segundo meu avô, assim como minha avó, a causa da morte desse ex-jogador, uns anos antes dela, em 1987, teria sido o câncer. No caso do “doutor” foi câncer no pulmão.
Lembro que uns dois ou três anos depois foi meu avô que adoeceu. Câncer também. O processo foi mais ou menos o mesmo da minha avó. Ficou muito tempo de cama, com auxílio de enfermeiro e tal.
Chorei muito com a morte de meu avô, eu já era mais velho, compreendia um pouco mais as coisas. Mas hoje curiosamente guardo mais lembranças da minha avó. Guardo boas lembranças de ambos, apesar de o final estar marcado tristemente na minha história com o falecimento deles.
Depois disso ainda perdi um tio querido também por conta de um câncer no pulmão. Recentemente foi outro tio por câncer no pâncreas. Muito triste.
Tenho medo do câncer. E minha mãe fuma muito, tenho medo que ela e consequentemente todos nos soframos com isso. Gostaria que ela largasse o cigarro, porque caso ela fique doente, acredito que apenas o remédio que fica lá no alto do banheiro não será suficiente.
Com atraso (por conta da NET, que me deixou um tempão fora do ar), vamos à Toreroteca desta semana:
Palmeiras x Santos, um clássico paulista.
Internacional x Coritiba, um clássico sulista.
Fluminense x Flamengo, um clássico carioca.
E os dois jogos da Copa das Confederações:
Espanha x África do Sul
Brasil x EUA
Sim, esta semana só teremos cinco jogos. O primeiro que acertar ganha o livro "Contos", de Mário Kuperman. Se ninguém acertar, o que acho difícil, invento uma regra e dou o prêmio de qualquer jeito.
Loki é um filme sobre o qual se pode fazer uma crítica do tipo “apesar disso”.
Explico: as críticas “apesar disso” são aquelas que começam falando bem (ou mal) de um filme e acabam falando mal (ou bem).
Por exemplo:
O problema de Loki é que é um documentário muito tradicional. Ele segue a ordem cronológica, não tem grandes inventividades visuais e o espectador não é surpreendido por sua estrutura narrativa em nenhum instante.
“Apesar disso” (viram?) é um filme bem interessante e, em alguns momentos, emocionante.
Ele conta a história de Arnaldo Baptista, o líder dos Mutantes, uma banda que, dizem vários críticos (e também Sean Lennon e Kurt Cobain), é das melhores que já houve no mundo. Era formada por Arnaldo, por seu irmão Sérgio e por Rita Lee.
Eu não a acompanhei na época (em 68, “Atirei o pau no gato” era o meu hit), mas, depois de ver o filme, tendo a concordar com os fãs dos Mutantes e nos próximos dias vou procurar os CDs do grupo.
Mas voltemos ao filme: Ele começa meio devagar, contando a infância de Arnaldo, o que é meio chato e não sei se necessário. Mas tudo melhora quando surge a banda e o amor com Rita Lee.
Aliás, como notou o crítico Ricardo Calil, é um filme que conta duas histórias de amor: Arnaldo/Rita e Arnaldo/Lúcia. Mas o amor é o segundo tema do filme. O primeiro, obviamente, é a trajetória artística e pessoal de Arnaldo, que segue a tradicional estrutura ascensão-queda-redenção.
E a queda é gigantesca. Não porque ele tenha tentado o suicídio ao pular do quarto andar (nem eu faria um trocadilho tão infame), mas porque foi uma queda em vários sentidos: sentimental, psicológico, físico e profissional.
Em compensação, a redenção é saborosa.
Enfim, acho que vale a pena ver o filme por dois motivos: o primeiro é que a história da vida de Arnaldo é muito boa, com graça e drama. A segunda é que assim pode-se conhecer um pouco mais desta banda, que eu, ignorante que sou, nem imaginava que fosse tão boa e criativa.
O que dirão os amigos e os inimigos de Dunga depois deste 1x0?
Os inimigos dirão: "Ele é um cara de sorte. O time foi morno e lento durante o jogo todo, não fez nada de mais, não houve deslocamentos rápidos nem subidas dos laterais. Robinho e Ramires erraram muito e deveriam ter sido substituídos. A seleção não sabe jogar contra times retrancados. É só ver o que acontece nas eliminatórias quando jogamos em casa."
Os amigos dirão: "É um treinador muito inteligente. Soube manter a partida sob controle durante os 90 minutos. Não fez substituições porque viu que o time dominava o adversário. Mas, quando substituiu, o fez de forma perfeita. Surpreendeu a todos colocando Daniel Alves na esquerda para que ele aproveitasse seu pé direito num chute, e foi isso que aconteceu."
Pois bem, nesta partida, fico no meio termo. Talvez um pouco mais para o lado dos inimigos.
Acho que Ramires e Robinho erraram muito e não mereciam ter ficado até o final da partida. E o primeiro tempo foi tão lento que quase dormi. Tive que tomar um café no intervalo para resistir.
A segunda etapa foi menos modorrenta, mas não deixou saudades.
De qualquer forma, Dunga sai como um vencedor.
A seleção não jogou bem e as melhores chances foram dos africanos (a defesa de Júlio César na bola desviada foi sensacional), mas a seleção vai à final e é a favorita.
Vamos aos destaques do jogo:
Melhor jogador do Brasil: Lúcio.
Pior: Ramires.
Lance “Ufa!”: A defesa de Júlio César na bola desviada.
Lance: “Oh!”: Um chapéu dado por Lúcio no primeiro tempo.
Lance “Rárrá!”: A torcida gritando “Buuuu!” a cada vez que o zagueiro Booth tocava na bola.
Lance: “Ah...”: O gol perdido por Luís Fabiano aos 45’do segundo tempo.
Sempre tenho uma certa curiosidade para ver do lado de quem sentarei no estádio. Pode ser uma velhinha fanática, um gordo que alugue parte da minha cadeira, uma bela senhorita (coisa que raramente acontece), um adolescente espinhento, etc... Neste domingo, na Vila Belmiro, sentei ao lado de Enzo.
Enzo tem pele morena e cabelo escuro e liso, o que lhe dá um certo ar de curumim, já que ele tem apenas seis anos. Era a primeira vez de Enzo num estádio. E ele não parava de rir. Virava a cabeça de um lado para outro, feito um passarinho, tentando olhar tudo ao mesmo tempo.
Nessa foto, Enzo não está comemorando nenhum gol, apenas o fato de estar vendo um jogo de verdade.
Logo no início do jogo, quando uma torcida batucava e cantava, ele não aguentou: ficou de pé e bateu palmas. O pai explicou: “Aquela turma é do Atlético, filho, é do outro time”. Enzo ficou surpreso e sem saber o que fazer. Será que ele não podia bater palmas para a animada torcida adversária? Por via das dúvidas, parou. Mas de vez em quando dava uma olhada para a outra turma.
Alguns minutos depois, no meio do primeiro tempo, quando um gol parecia iminente, ele disse que queria fazer xixi. O pai respondeu com um olhar surpreso. Um torcedor experiente sabe que há que se conter a bexiga a qualquer custo até o intervalo. Mas era a primeira vez de Enzo. O pai fez um ar resignado e levou o garoto ao banheiro. Mas voltaram bem rápido.
Lembro que da primeira vez que fui a um estádio fiquei impressionado com o gramado, que eu não imaginava tão grande. Então perguntei a Enzo o que ele tinha achado do da Vila Belmiro, e ele respondeu que o gramado devia ter algum problema, porque os jogadores estavam escorregando. Era verdade. Dois santistas tinham acabado de escorregar bisonhamente. Mas creio que o problema não era da grama.
No finzinho do primeiro tempo, Neymar acertou um belo chute e abriu o placar. Foi o primeiro gol ao vivo visto por Enzo. Olho para ele, que está de braços levantados. O pai também vibra e a mãe tira fotos com o celular.
Enzo vibra com o primeiro gol. E não larga o saco de pipoca.
No intervalo, pergunto o que Enzo mais gostou. Pensava que ele diria algo como “Da pipoca” ou “Do banheiro”. Mas ele foi objetivo: “Do gol”.
No começo do segundo tempo, o Atlético voltou jogando muito bem. E o Santos, muito mal. Até Enzo, de seis anos, percebeu isso e disse: “O outro time vai fazer um gol”.
Alguns minutos depois sua profecia foi confirmada, e ele disse com alegria: “Eu não falei?!”
Quando saiu o segundo gol, ele repetiu: “Eu disse que eles iam fazer gol.”
Mas, quando veio o terceiro, ficou quieto. A tristeza de torcedor já era maior que a alegria do adivinho.
Mesmo com a derrota, Enzo não estava triste. Longe disso. Puxou conversa com outro menino e os dois ficaram conversando alegremente. Ele só foi se interessar de novo pela partida no segundo gol, que comemorou muito. E mais ainda o terceiro, que foi invalidado por Djalma Beltrami.
Na saída, perguntei o que ele tinha achado do jogo. Enzo disse que gostou porque tinha acabado 3 a 3.
Eu fiquei quieto. Era melhor deixá-lo acreditar no empate épico conquistado no último lance do jogo. Há que se poupar as crianças dos Beltramis da vida.
Amanhã, no Museu do Futebol, tem uma palestra interessante para os futebófilos. É uma palestra de José Renato Santiago e Marcelo Unti sobre as finais da Copa do Brasil. O release é o seguinte: "Conheça ou relembre os fatos, as estatísticas e as curiosidades que envolveram as 20 finais de Copa do Brasil. Os acontecimentos do Brasil e do Mundo que serviram de vitrine (ou moldura) para a realização da única competição brasileira que envolve equipes de todos os estados da federação."
PS: A não ser que tenha plagiado alguém por acaso, acho que acabei de inventar a palavra "futebófilos", que serve para designar os caras que são doentes por futebol e o estudam a fundo. Gostei. Vou usá-la mais vezes.
Dois convites para o mesmo horário (mas em cidades diferentes)
Em São Paulo, na Livraria Cultura, a partir das 18h30, será lançado o livro do Juca Kfouri.
E no mesmo horário, mas no Rio de Janeiro, mais especificamente na Academia Brasileira de Letras, será lançado Joaquim e Maria, escrito por Luciana Sandroni, sobre o senhor Joaquim Maria Machado de Assis.
Eu vou no do Juca e meu sobrinho Lelê vai no da Luciana.
Na pesquisa anterior, sobre se os leitores assistem à tevê no intervalo dos jogos, tivemos um quase empate: 55,55% vêem o intervalo e 44,45% fazem outras coisas.
Falta: No momento, Chicão é o melhor cobrador de faltas do Brasil.
General: Há quatro anos Muricy vem sendo o melhor técnico do país. O São Paulo errou feio ao dispensá-lo.
Harto: Farto, robusto. Adjetivo aplicável aos últimos times de Celso Roth. Ele fez um ótimo trabalho no Grêmio no ano passado e este ano levou o Atlético à liderança. Só pisou na bola ao falar que o Beltrami fez um ótimo trabalho. Ótimo trabalho para quem?
Interino: Foi o termo usado por Mano Menezes para xingar Milton Cruz, que é realmente interino no São Paulo. Mas Mano falou para ofender. Uma grosseria inesperada.
Juiz: O do jogo entre Brasil e Itália foi excelente. Quer dizer que dá para ser assim?
Líder: O da artilharia da Série B é o desconhecido Edivaldo, do Duque de Caxias, que tem oito gols. Ele começou a carreira no Itaparema, do Rio de Janeiro, passou por América-RJ, Botafogo (onde foi vice-campeão da Série B), Vitória, Botafogo-PB, Jaguaré, Macaé e Cabofriense. Ficou na sombra por toda a carreira e agora, aos 35 anos, finalmente ganha algum destaque.
Matada: A de Luís Fabiano depois do chute de Maicon e a de Neymar no primeiro gol na Vila Belmiro foram excelentes, coisa de craques.
Noventa: É o número da camisa de Adriano, que fez uma bela partida contra o time misto do Inter. Ele pode ser o artilheiro do Brasileiro. Se faltar menos no trabalho, é claro.
Ocaso: Finalmente Jenson Button foi mal numa prova e Rubinho chegou à sua frente. O problema é que surgiu mais um alemão na vida do brasileiro.
Pênalti: Marlos sofreu um, mas o São Paulo está em tão má fase que o juiz não marcou.
Questão: O que Djalma Beltrami terá visto para anular o gol santista? Quem souber, responda.
Robinho: Foi meio firulento, mas não tem um reserva que jogue do mesmo jeito que ele.
São Paulo: Caiu fora da Libertadores, mandou embora um ótimo técnico, perdeu para seu maior rival e está perto da zona de rebaixamento. A crise estará no começo ou no fim?
Toreroteca: Não tivemos acertadores. Egito e Cruzeiro derrubaram todo mundo. E eu consegui errar os seis palpites. Os seis!
USA: Abreviação de United States of America, que foi a grande surpresa da rodada de ontem da Copa das Confederações. O Egito bobeou.
Virgindade: Finalmente o Avaí perdeu a sua. Conseguiu a primeira vitória no Brasileiro.
Xurdir: Significa trabalhar com afinco, lutar pela sobrevivência. É o que faz o Caxias, que venceu seus três jogos pela Série C até agora.
Zagueiros: Uma defesa com três zagueiros pode ser a solução do Santos. Madson passaria para a ala esquerda, suprindo uma posição em que ninguém está muito bem, e a zaga ficaria mais protegida.