Blog do Torero

20/11/2009

999

(Por conta do quadragésimo aniversário do milésimo, republico aqui um texto do livro "Os cabeças-de-bagre também merecem o paraíso".)

O quando era 19 de novembro de 1969 e o onde era o Maracanã. O quê foi um pênalti apitado contra o Vasco da Gama pelo juiz Manoel Amaro de Lima. O quem era Pelé, o número dez do Santos, autor de 999 gols.

Ele ajeita a bola na marca de cal. Antes de bater, olha para as arquibancadas. Centenas de milhares de pessoas querem compartilhar aquele momento histórico. Ele também olha para Andrada, o goleiro magricela que, para tornar ainda maior a alegria de Pelé, é argentino.

Pelé começa a correr. Escolhe o canto direito e bate colocado à meia altura. Ainda cego pelos inúmeros flashes das máquinas fotográficas, não consegue entender direito o que se passa, mas a reverberação de um comprido “Uuuh!” chega aos seus ouvidos. Ele esfrega os olhos e vê Andrada com a bola apertada contra o peito. Não tinha sido daquela vez.

Pelé ficou triste e desmotivado; até pediu para ser substituído minutos mais tarde. No jogo seguinte, contra o São Paulo, esteve outra vez perto da glória, mas por duas vezes mandou a bola de encontro às traves.

Vieram outras chances. No empate contra o Palmeiras, o jovem goleiro Leão rebateu a bola à frente de seus pés; ele, porém, mandou-a para fora. Alguns dias depois deu dois chapéus em Ditão, mas acabou chutando em cima de Ado. Pena! Ele adorava vencer o Corinthians...

Pelé foi ficando nervoso e um dia, sem que ninguém visse, começou a beber. Primeiro foi uma cerveja, depois uma caipirinha e no fim acabou experimentando aguarrás. O efeito disso foi que começou a chegar atrasado aos treinos, caiu de rendimento e, diante dos clamores da torcida, perdeu a posição para Brecha.

Isso foi fatal para seus planos de jogar a Copa de 1970. Zagallo, receoso, não o convocou para a equipe tricampeã. Tostão jogou um pouco mais recuado no meio-campo e Dario foi o centroavante.

Nos anos seguintes, na reserva, Pelé não conseguiu fazer seu milésimo gol. Decidiu então despedir-se do futebol. As glórias passadas ainda estavam na memória de todos, e a Vila Belmiro lotou naquela tarde de 1972 para ver o seu adeus contra um combinado de craques. Quem sabe se na partida derradeira ele não chegaria ao milésimo gol.

Pelé estava infernal. Num lance brilhante, a Vila ¬Belmiro quase veio abaixo. Pôs a bola no meio das pernas de Piazza, deu o drible da vaca em Luís Pereira, deixou Figueroa no chão e chutou colocado no ângulo. Ele já ia dar um soco no ar quando viu a bola sendo espalmada para escanteio pelo goleiro. O nome dele era Andrada.

Daquele dia em diante, ninguém mais o viu. Pelé deixou a barba crescer e ficou conhecido pelos habitantes de Três Corações como um mendigo esquisito, que vivia chutando pedrinhas como se estivesse cobrando um pênalti. E nunca acertava.

“Acorda, acorda!”

“Que foi, Assíria?”

“Você está tendo um pesadelo e não pára de me chutar!”

“Sonhei que perdi o pênalti contra o Andrada, entende?”

“Que bobagem... Dorme, Edson.”

Mas ele não consegue mais dormir e passa a noite em claro.

Enquanto isso, em algum lugar, Andrada tem o mesmo sonho de Pelé. E sorri.


 

Por Torero às 00h58

Toreroteca do Milésimo

Hoje teremos uma toreoteca simples.

Como ontem foi aniversário do milésimo gol de Pelé, e como neste domingo deve sair o milésimo gol do Brasileiro (faltam 24), a pergunta é a seguinte:

Que jogador fará o gol mil deste Brasileiro?

O prêmio é este:

Ganha o primeiro que acertar o jogador. Se tivermos muitos zero a a zero, o palpite continua valendo para a próxima rodada. 

Por Torero às 00h55

19/11/2009

Mil outra vez

 
 

Texto de Carlos Eduardo Sisso


19 de novembro de 2009.

O dia em que a Terra parou.

Os olhos do mundo se voltam, ansiosos, para o estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro.

Todas as emissoras de rádio e TV se acotovelam por um mínimo espaço que pudessem encontrar à beira do gramado.

Vasco e Santos empatam por 1 a 1.

E, de repente, silêncio.

32 minutos do segundo tempo.

Lançamento para Pelé.

“É agora!”, diz um torcedor ao meu lado.

Trila o apito.

Pênalti!

O Maracanã explode.

Torcedores do Santos se abraçam nas arquibancadas.

Torcedores do Vasco se abraçam nas arquibancadas.

Torcedores de todos os times se abraçam por todo lugar.

“É agora!”, repete o torcedor, e me abraça também.

Pelé pega a bola e a beija.

Tensão.

Bola na marca da cal.

De um lado, Pelé.

Do outro, Andrada.

Pelé.

Andrada.

Andrada.

Pelé.

Ninguém respira.

Trila o apito.

 

 


O Maracanã explode.

O mundo explode.

E Andrada soca o chão.

Pelé pega a bola e a beija.

Todas as emissoras de rádio e TV se acotovelam por um mínimo espaço que pudessem encontrar dentro do gramado.

Era o gol 3000.

Ovacionado, mais uma vez, e diante de centenas de microfones e lentes de televisão, Pelé diz:

“Pô, galera, de novo?

Já se passaram 40 anos!

Quantas vezes eu vou ter de repetir?

‘Tem que cuidar das criancinhas! Tem que cuidar das criancinhas! Tem que cuidar das criancinhas!’

Tem dó, né?!”

E, de repente, silêncio.

 

Por Torero às 16h11

Diálogo entre palmeirense e tricolor

 

Hoje pela manhã, no Bar da Preta, estavam Ivo, o exclamativo, e Vicente, o reticente. Ivo é tricolor doente. Vicente, um doente palestrino.

 

Os dois sentaram-se lado a lado e logo começaram a conversar. Mas não acho que aquilo tenha sido um diálogo. Foram mais dois monólogos paralelos.

 

“Me vê um desses aí para comemorar!”, disse Ivo apontando para a travessa que a Preta mantém sempre cheia de torresmos gigantescos.

 

“Também quero um”, falou Vicente. “Quem sabe assim as minhas veias entopem e eu morro de uma vez...”

 

Vicente não estava exatamente de bom humor. Cabisbaixo, deu uma mordiscada em seu torresmo e murmurou: “O meu time deixou escapar o título...”

 

“O meu vai escapar do rebaixamento!”, exclamou Ivo, dando uma barulhenta mordida em seu pedaço de porco. Ainda mastigando, emendou: “E ainda seremos  campeões da Sul-Americana!”

 

“O meu Palmeiras talvez nem consiga entrar na Libertadores...”

 

“E olha que o nosso técnico estava em baixa. Vinha de três demissões!”

 

“O nosso estava em alta. Vinha de três títulos...”

 

“Até aquela briga depois do jogo foi divertida. A gente acabou com eles!”

 

“Aquela briga no meio do jogo foi terrível. Acabou com a gente...”

 

“Foram sete vitórias nos últimos sete jogos!”

 

“Só uma vitória nos últimos sete jogos...”

 

“Nas últimas semanas ganhamos de Atlético Mineiro, Cruzeiro e Palmeiras, que estão lá em cima da tabela!”

 

“Nos últimos tempos não ganhamos de nenhum dos quatro clubes que estão na zona de rebaixamento. Perdemos do Náutico, do Santo André e de vocês. E no empate com o Sport teve aquele apito do juiz...”

 

“E pensar que ficamos um bom tempo na lanterna!”

 

“E pensar que ficamos 19 semanas em primeiro lugar...”

 

“O time está mais unido do que nunca! O pessoal só pensa em vencer!”

 

“O time está mais rachado do que nunca. Tem uns jogadores que só pensam em ir para a Europa...”  

 

“Fred foi um grande acerto!”

 

“Vágner Love ainda não disse a que veio...”

 

“Viu como a nossa torcida ficou no estádio depois da partida, comemorando e soltando fogos?!”

 

“Viu que o nosso presidente deu vexame e pegou nove meses de gancho...?”

 

“Ah, que fase!”

 

“Ah, que fase...”

 

“Preta, mais um torresminho!”

 

“Preta, mais um torresminho...”

Por Torero às 08h37

Wisnik mais um

Hoje, às 19h00, na Casa Mário de Andrade (Rua Lopes Chaves, 546, Barra Funda – São Paulo) haverá uma ótima palestra para quem gosta de futebol e literatura

A mediação será de Manuel da Costa Pinto crítico literário da Folha de São Paulo e diretor do programa Entrelinhas da TV Cultura.

Quem for ao debate poderá escutar as sempre boas idéias de José Miguel Wisnik, professor de Teoria Literária na USP, músico, bom ponta-direita e autor do livro Veneno Remédio – o futebol e o Brasil, que ganhou um monte de prêmios no ano passado.

O outro debatedor sou eu, mas prometo falar pouco.

Inscrições e informações pelo telefone (11) 3666-5803. Entrada Franca

Por Torero às 08h35

18/11/2009

Dois convites para são-paulinos e um para corintianos

Comecemos pelos tricolores.

Amanhã, quinta-feira, 19 de novembro, às 19 horas, no Bar Boleiros (rua Mourato Coelho, 1194), será lançado o livro "Tricolor Celeste", de Luís Augusto Simon. A idéia do livro é curiosa. Ele vai falar dos uruguais que jogaram no São Paulo: Pablo Forlán, Pedro Rocha, Dario Pereyra e Diego Lugano.

O mesmo Luís Augusto Simon, vulgo Menon, junto com Marcelo Prado, vulgo Marcelo, lançará na quarta-feira da próxima semana, dia 25, na Livraria Saraiva do Shopping Morumbi, às 19h00, o livro Nascido para Vencer. Junto com este livro vem um mimoso pocket book, O time do meu coração, do incansável Thiago Braga.

O único senão destes livros tricolores é que logo eles podem estar desatualizados. Mas isso não é um problema.

E, para os corintianos, teremos o lançamento de um livro do onipresente Celso Unzelte, já falando sobre os cem anos daquele que nunca se rende.

Será na próxima terça-feira, dia 24, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, na Paulista, às 19h00.

 

Por Torero às 07h45

17/11/2009

Viva o inimigo!

Para ler o texto de hoje na Folha, assinantes podem clicar aqui e não assinantes, aqui

Só para dar uma palhinha, o texto começa assim:

 

"Dá-lhe, Grêmio!" , gritam os colorados; "Cruzeeeeeeero!", berram os coxas; "Fogão, fogão!", bradam os palmeirenses; "Verdão, verdão!", vibram os são-paulinos.

O campeonato está num momento em que não basta torcer para o próprio time. Agora temos que olhar a tabela e cruzar os dedos por alguns adversários, sempre com segundas intenções, é claro.

O inimigo de ontem virou o amigo de hoje. Muitos torcedores terão que tirar férias de seu ódio eterno e fazer figas para tradicionais rivais.

Os colorados são um bom exemplo deste paradoxo. Amanhã vão rezar pelo Grêmio contra o Palmeiras. Afinal, o time ainda tem uma pequena chance de ser campeão brasileiro, mas para que isso aconteça é fundamental que o time paulista perca do tricolor gaúcho. Se bem que talvez apenas os colorados mais frios, mais racionais e maquiavélicos consigam torcer pelo arqui-inimigo. É um exercício de pragmatismo.

Já os torcedores do...

Por Torero às 08h44

16/11/2009

Alfa Bravo Charlie do Fox India Mike de Sierra Eco Mike Alfa November Alfa

Atléticos: Os três perderam. O Goianiense, quarto colocado na B, perdeu para o Ipatinga e agora tem o Figueirense na sua cola. O Paranaense perdeu para o Flu e seus torcedores já começam a andar com uma calculadora no bolso. E o Mineiro perdeu para o Coritiba, dando adeus ao título.

 

Botafogo: Perdeu feio para o Barueri e corre muito perigo. Para piorar, tem um péssima tabela pela frente: São Paulo, Atlético-PR e Palmeiras.

 

  El pequeño notable.

 

Conca: Deu um passe de Winning Eleven (triângulo + L1) para Maicon marcar o segundo gol do tricolor carioca.

 

Desastre: Por conta dos resultados do fim de semana, o empate do Palmeiras com o Sport acabou sendo um desastre para o time paulista.

 

  A Ferrari palmeirense sofreu um desastre feio no Parque Antártica.

 

Empate: Na próxima semana teremos um tremendo clássico: Atlético-MG x Internacional. Os dois estão empatados em pontos e quem vencer dá um grande passo para a Libertadores. Já quem perder dará um grande escorregão.

 

Flamengo: É o grande desafiante do São Paulo pelo título. Talvez o único.

 

Goleiro: Felipe foi bem. Se não fosse por ele, o Santos poderia ter perdido por mais gols.

 

  Mesmo com a boa atuação de Felipe, o Peixa não escapou das garras do Inter.

 

Heresia: Contra senso, tolice, opinião absurda, disparate, despautério. Por exemplo, “Há seis rodadas era uma heresia pensar que o Fluminense tinha alguma chance de escapar do rebaixamento. Hoje não é mais.”

 

Inútil: O ABC goleou o Brasiliense por 6 a 2. Mas foi uma glória inútil. O time já estava rebaixado.

 

Juiz: Nas duas últimas rodadas tivemos grandes falhas de árbitros. Nesta, Sandro Meira Ricci  e seus auxiliares Altemir Hausmann e Alessandro Álvaro Rocha de Matos apitaram bem o jogo entre Náutico e Flamengo, marcando dois difíceis impedimentos.

 

Léo Gago: Não é um jogador badalado, mas a boa performance do Avaí depende um bom tanto deste volante, que já marcou seis gols no Brasileiro.

 

  Paraíba é capital para o Coritiba.

 

Marcelinho Paraíba: É o maestro do Coritiba e vem fazendo uma ótima temporada.

 

Náutico: Naufragou em casa e ficou perto, bem perto, da Série B.

 

Onze: O Fluminense não perde há este número de partidas.

 

Professor: os dois melhores técnicos do campeonato são Silas e Andrade. Apesar de o time de Andrade ter o futebol mais bonito, se tivesse que escolher apenas um eu ficaria com Silas, que tem um elenco bem mais modesto.

 

Quem?: Quem será o artilheiro do campeonato? Acho que será Adriano, que acertou muito ao voltar para o Brasil.

 

Rafael Coelho: O garoto de 21 anos do Figueirense voltou a ser o artilheiro da Série B.

 

  Rafael surpreendeu a todos e está entre os artilheiros desde as primeiras rodadas.

 

São Paulo: Dois jogos fora de casa são o grande perigo para o tricolor paulista. O Botafogo está desesperado e o Goiás tem bons jogadores.

 

Testa: A de Fernandão fez dois gols.
 

Último: Mesmo com a vitória sobre o Santo André, o Goiás é a pior equipe do segundo turno. E este time é que pode decidir o campeonato, pois vai enfrentar os dois líderes.

 

Val Baiano: Marcou três contra o Botafogo. É um artilheiro que faz gols por atacado. Está quatro tentos atrás de Adriano e ainda tem alguma chance de ser artilheiro da competição.

 

Xurdir: Lutar pela sobrevivência. É o que Fluminense, Botafogo e Atlético-PR têm que fazer nestes últimos três jogos, xurdir até o fim.

 

 

 

Zzzz: Usado nas histórias em quadrinho para representar o sono. Também pode ser usado para descrever a defesa do Botafogo.

 

PS: O título do ABC do fim de semana de hoje, feito com o alfabeto fonético da aviação, foi mandado pelo Elson Pires, de João Pessoa.

Por Torero às 08h30

15/11/2009

Critérios de desempate, o que é mais pertinente?

 
 

 

Por Marcelo Ferioli

 

Ao observar os dados abaixo referentes ao desempenho de Juventos e Milan no campeonato italiano da última temporada, você seria capaz de dizer qual das duas equipes terminou na frente (no caso, qual foi a vice-campeã, pois a Internazionale foi campeã com 84 pontos)?

Não, você não poderia saber quem terminou na frente sem conhecer os resultados do confronto direto. Embora o Milan tenha vantagem no número de vitórias e maior saldo de gols, quem teve melhor performance no confronto direto foi a Juve que bateu a equipe milanesa em Turim (4x2) e empatou em Milão (1x1), e assim assegurou o vice-campeonato. No “Calcio”, em caso de igualdade em pontos a regra privilegia quem se deu melhor no confronto direto.

Se considerarmos um apanhado dos países de maior evidência no cenário do futebol (Alemanha, Argentina, Espanha, França, Inglaterra, Itália, Portugal e Brasil), todos os campeonatos nacionais são disputados por pontos corridos (o campeonato brasileiro tardou mas se juntou aos outros). Nestes campeonatos a primeira regra para classificação dos clubes é obviamente o total de pontos ganhos (vitórias valem 3 pontos, empates 1 e derrotas 0). No entanto as semelhanças param por ai, os critérios seguintes variam de acordo com o campeonato. As regras NÃO são as mesmas no arredor do mundo.

Muitíssimo disputado, o campeonato brasileiro deste ano pode ser decidido nos critérios de desempate caso algumas equipes terminem com o mesmo número de pontos, assim sendo, o número de vitórias será priorizado. Seria este o critério mais justo? Acredito que discutir tal assunto seja pertinente antes que algum clube se sinta prejudicado ao perder um título, uma vaga na libertadores ou seja rebaixado “graças” ao critério que privilegia o número de vitórias. Seria esse o melhor critério para desempatar? Porque ele é preconizado?

É curioso observar que os critérios de desempate variam de um campeonato a outro, pois isso pode ser determinante!

Na Inglaterra, França e Alemanha o primeiro critério de desempate é o saldo de gols. Na Espanha, Itália e Portugal o confronto direto desempata em caso de igualdade em pontos, antecedendo o critério de saldo. Na Argentina, em caso de igualdade, o campeão é decidido em um jogo extra. E o Brasil é o único deste apanhado a privilegiar o número de vitórias no caso de empate.

Vejamos alguns exemplos recentes:

No campeonato francês do ano passado três equipes (PSG, Toulouse e Lille) terminaram empatados em número de pontos ganhos (64). Durante o campeonato o PSG venceu 19 partidas, o Lille conquistou 17 vitórias e Toulouse obteve 16. No entanto foi o Toulouse que se garantiu na fase de grupos da liga Europa (a nova Copa da UEFA) por ter um melhor saldo de gols, garantindo a quarta colocação. O Lille disputou a qualificação desta copa. O PSG, que nos moldes brasileiros levaria vantagem, nem sequer disputou a Liga da Europa e amargou a sexta colocação do francês, pois o seu saldo foi inferior.

Também no ano passado no campeonato espanhol, Betis e Getafe terminaram com o mesmo número de pontos e também de vitórias. O Getafe se safou do rebaixamento graças a um golzinho a mais de saldo, já que houve igualdade também no confronto direto.

Em 2008 na liga inglesa Reading (10 vitórias) e Fulham (8 vitórias) empataram em número de pontos. Porém o Reading tinha saldo inferior, e foi o Fulham que se manteve na primeira divisão.

Objetivo na competição:

De acordo com a regra, o “desafio” ou as ambições de uma partida podem mudar. Numa partida em que uma equipe está perdendo por 5x0 o impacto do resultado poderia variar dependendo do regulamento do campeonato. Um simples golzinho, feito ou tomado, pode valer muito lá no final se o primeiro critério for o saldo, por exemplo.

Pergunta:

Porque o Brasil adota o número de vitórias como primeiro critério de desempate? No caso de igualdade de pontos este critério privilegia a equipe que ganha mais, mas que consequentemente, tem mais derrotas que uma outra com o mesmo número de pontos e número inferior de vitórias. Assim sendo,  uma vitória e duas derrotas valem mais do que três empates. Exemplificando, o “time 1”  empata três jogos em 1x1, o “time 2” perde dois jogos de 10x0 e ganha um de 1x0. Na regra brasileira o time 2 leva vantagem. O time 1, apesar da sua campanha regular é penalizado levando apenas um ponto por cada empate, penaliza-lo novamente no critério de vitórias é redundante.

Se há muito tempo a vitória passou a valer três pontos no lugar de dois, porque ela ainda segue como critério de desempate? Essa regra pode decidir um campeonato!

Recapitulando:

Critérios de desempate em caso de igualdade por pontos em campeonatos nacionais por pontos corridos

Pois é, o critério de desempate fora do nosso país não segue o modelo do Brasileirão. O item confronto direto que aparece como principal critério em Portugal, Itália e Espanha, e terceiro fator de desempate na França e Alemanha é preterido na lista de critérios do Brasileirão pelo número de vitórias. Embora o Brasil seja o maior detentor de copas do mundo e grande exportador de craques pelo mundo afora não é um exemplo de regulamento de campeonato nacional. Pelo menos no que diz respeito à elite do futebol mundial.

Saldo de gols, confronto direto ou porque não jogo extra, não sei qual desses poderia ser o mais justo, mas priorizar o número de vitórias é no mínimo estranho, diferente e singular.

Este ano não adianta chorar, pois todos os clubes concordaram com o regulamento no início do campeonato, mas porque não discuti-lo para os anos seguintes?

 



[1] A regra diz que se igualdade persistir nesses quesitos as equipes dividem a mesma colocação.

[2] Desempata o melhor comportamento: cartões amarelos contam 1 ponto e vermelhos 3.

[3] Partida única em campo neutro.

Por Torero às 07h22

14/11/2009

Agora é que são elas, Flu!

 
 

Por JAIME BELMIRO

Quem matou Odete Roitman, em Vale Tudo? Roque Santeiro está vivo? Como desmascarar Flora, de A Favorita?

Como nas grandes novelas, o destino do Fluminense é, hoje, algo absolutamente misterioso. A história do Tricolor neste fim de 2009 tem contornos de drama, emoção, comédia e, principalmente, suspense.

Prestes a ser rebaixado no Campeonato Brasileiro e a ser campeão da Copa Sul-americana, o Fluminense tem um leque vasto de possíveis finais de fazer até Walcyr Carrasco se coçar de dúvidas. Por isso mesmo, recorro a grandes novelas campeãs de audiência para visualizar alguns The Ends para o "clube das três cores que traduzem tradição".

PÉ NA JACA - COBRAS & LAGARTOS - DEUS NOS ACUDA: O Fluminense toma um gol aos 10 segundos, no Maracanã contra o Atlético-PR. Não se acerta mais no jogo e é goleado. Perde os demais jogos. É rebaixado. Perde em casa de 6x0 para o Cerro e dá adeus à Sul-americana. Cuca vai para o Flamengo. O Flamengo ganha a Libertadores e o Mundial em 2010 com Thiago Neves. Adriano Imperador vai para a Copa da África no lugar de Fred e o Brasil é hexa com gol do flamenguista na final contra a Argentina de Conca. O Flu cai para a Série C no fim de 2010. Tenta uma virada-de-mesa e não consegue. Estuda fechar as portas.

UM SONHO A MAIS - CHEGA MAIS - ELAS POR ELAS: O Flu escapa do rebaixamento jogando o fino e ainda vê o Botafogo na Segundona. Vai para a final da Sul-americana. Vence em casa o jogo de ida por 3x1, mas perde o jogo de volta por 3x0 e é vice-campeão. Um alívio e uma frustração...

IRMÃOS CORAGEM - LIVRE PARA VOAR - CELEBRIDADE: O Flu é rebaixado para a Segundona, mas jogou muito no fim do ano e quase escapou, com garra e coragem. Mostrou-se um time forte. Prevê um ano de passeio na Série B em 2010, como o Vasco em 2009. É festa sobre festa. Ainda ganha a Copa Sul-americana e disputará a Recopa Sul-americana.

BRILHANTE - FINAL FELIZ - BELEZA PURA - CHAMPAGNE - OS GIGANTES - A INDOMADA: O Tricolor mostra porque é o clube tantas vezes campeão! Vence os jogos restantes do Brasileirão. Termina em 15º, mas tem 7 jogadores na seleção do Brasileirão 2009, além do técnico Cuca. Vence a Sul-americana com goleadas nos jogos de ida e volta das finais. O Flu vence a Taça São Paulo de Juniores 2010. Vence o carioca contra o Mengo na final. Vence a Copa do Brasil contra o Paulista de Jundiaí e vinga a derrota de 2005. Vence a Recopa Sul-americana. Vence a Copa Suruga. Vence aquele campeonato de Fórmula 1 de times de futebol com o Nelsinho Piquet pilotando pelo Flu. O Flamengo perde a final da Libertadores para a LDU no Maracanã por 3x2 após estar vencendo por 2x0. Alan é convocado por Dunga para a Copa na África, mas rejeita. "Prefiro jogar pelo Fluzão". Vence o Brasileirão 2010 de ponta a ponta, com 8 rodadas de antecedência. Ronaldo que jogar no Flu. Kaká quer jogar no Flu. Cristiano Ronaldo sempre quis jogar no Flu. Romerito quer voltar ao Flu. O Flu rejeita todos, menos Romerito, que joga os últimos 15 minutos como capitão na derradeira partida do Brasileirão 2010 e ergue a taça na festa tricolor.

*Jaime Belmiro é analista de sistemas e torcedor do Guarani de Campinas.

Por Torero às 07h46

13/11/2009

Zé Cabala e o craque internacional

Como a campainha da casa do mestre dos mestres estava quebrada, girei a maçaneta e fui entrando em seu ashram (na verdade, um bangalô pintado de amarelo berrante no Jardim Lambretta).

Pisando pé ante pé, fui encontrá-lo na cozinha. Curiosamente o mestre dos mestres não estava usando seu turbante, mas um chapéu de cozinheiro. E fritava algumas coxinhas.

Logo que me viu, ele já deu mostrar de seus poderes telepáticos, respondendo a pergunta que estava em minha mente.

“Estou fazendo umas coxinhas para fora. Interessado?”

“Não, obrigado. E não sabia que o senhor era tão polivalente.”

“Forneço alimento para a alma e para o corpo, caro foliculário. Tem certeza que não quer mesmo uma coxinha? A primeira é grátis.”

“Não, obrigado.”

“Também faço risólis e surpresa de queijo. Só não entendo porque se chama surpresa de queijo se todo mundo sabe que é de queijo.”

“Não estou comendo frituras.”

“Tenho umas empadinhas no forno.”

“Agradeço, mestre, mas estou aqui para fazer uma entrevista com algum grande jogador do passado.”

“É para já”, disse o sábio dos sábios.

Então Zé Cabala deu três giros para a direita, três para a esquerda, comeu um risólis que estava esfriando e disse: “Hum, que delícia! Oreco, às suas ordens.”

“Oreco? O do Internacional?”

“Dos Internacionais! Comecei no de Santa Maria e depois fui para o de Porto Alegre. Dizem que o preço do meu passe foi a construção de um muro em volta do estádio em Santa Maria. Vai saber...”

“Isso foi em que ano?”

“1950. E de 50 a 55 ganhamos todos os campeonatos gaúchos. Não! Minto. Em 54 o campeão foi o Renner.”

“O senhor era lateral esquerdo, não era?”

“Eu podia jogar nas duas laterais, na ponta esquerda e de quarto-zagueiro. Mas fiz sucesso mesmo foi como lateral esquerdo.”

“E qual era o seu estilo?”

“Bom, eu tinha facilidade em driblar, então às vezes eu tirava a bola do ponta e ainda lhe dava um drible.”

“Os adversários deviam ficar com raiva.”

“Vai saber...”

“O senhor saiu do Inter em 56?”

“Exatamente. E depois que saí o Grêmio foi campeão cinco vezes seguidas. Ainda bem que eu não vi isso de perto.”

“Se o senhor estivesse lá, talvez isso não tivesse acontecido.”

“Vai saber...”

“E o senhor foi para qual time?”

“Para o Sport Club Corinthians Paulista. Já ouviu falar?”

“O senhor está sendo irônico?”

“Vai saber?”

“Quanto tempo o senhor ficou no Corinthians?”

“Oito anos e 408 jogos. Mas nunca fui campeão. Eram os tempos das vacas magras. Em compensação, fui campeão mundial em 58. Era o reserva do Nilton Santos. Esse foi o meu azar. Se tivesse nascido em outros tempos seria o titular da seleção, mas com o Nilton, eu era reserva. Tudo bem, de qualquer forma estava lá na nossa primeira Copa.”

“Foi sua primeira conquista internacional?”

“A segunda. Dois anos antes uma seleção gaúcha ganhou os Jogos Pan-Amaricanos.”

“E a Copa de 62?”

“Dei azar. Me mechuquei um pouco antes do embarque para o Chile.”

“O senhor se aposentou no Corinthians?”

“Que nada. Joguei lá até os 32 anos e depois corri o mundo. Naquele tempo não era comum o jogador brasileiro sair do país, mas eu fui para a Colômbia, ser o capitão do Millonarios. De lá fui para o Toluca e fui bicampeão mexicano em 67 e 68. Minha última equipe foi o Dallas Tornado, nos Estados Unidos, onde fui campeão norte-americano em 71. Lá, em 72, aos quarenta anos, me aposentei. Uma pena. Eu adorava futebol.”

“E quando o senhor morreu?”

“Em 03 de abril de 1985, durante um jogo de veteranos, lá em Ituverava.”

“Que triste...”

Ele comeu mais um risólis, deu um sorrisinho e disse:

“É e não é. É triste porque eu era jovem, nem tinha completado 53 anos. Por outro lado, existe glória maior do que morrer fazendo o que se ama? Vai saber...”

Por Torero às 07h54

Irregularidades na campanha eleitoral santista?

O pessoal do Mídia sem Média fez uma reportagem no jogo entre Santos x Náutico sobre supostas irregularidades eleitorais cometidas pela Chapa Rumo Certo, da situação. Algumas críticas não são nada de mais, mas algumas delas, como a de gente entrando de graça no estádio, são bem interressantes.

Para ver o vídeo, clique aqui.

E, é claro, haverá espaço para a defesa da Rumo certo, se ela quiser explicar os fatos mostrados. 

Por Torero às 07h42

12/11/2009

A redenção de Simon?

Alertado por dois leitores, Gustavo Oliveira e Felipe Martins, fui ver no Youtube o vídeo chamado “Obina gol anulado corretamente pelo Simon”. Por este ângulo, realmente parece que o atacante palmeirense se apoia no adversário para não deixá-lo subir.

Para ver, clique aqui.

PS: Além deste vídeo, outra boa notícia para o Simon foi o erro de Elmo Alves Resende Cunha, que apitou uma infração e voltou atrás no meio do lance, coisa que eu nunca tinha visto, ou ouvido antes. O erro de Elmo foi tão absurdo que vai tirar Simon das manchetes. Além disso, o time favorecido foi o Palmeiras, o que tira de Simon qualquer culpa por uma eventual não conquista alviverde.

Por Torero às 14h33

Empate quíntuplo

Num exercício de imaginação e matemática, o leitor Marcelo Ferioli fez esta possível combinação de resultados, na qual haveria igualdade entre 5 equipes na ponta da tabela. Neste caso, o campeonato seria definido nos cartões, pois haveria empate em pontos (62), vitórias, saldo de gols, gols feitos, tomados e até no confronto direto! O Cruzeiro e o Inter estariam fora da briga e o Avaí entraria no bolo.

Resultados:

 

Pontos:

Confrontos diretos:

Nestas condições, o campeonato seria decidido nos cartões.

 

Por Torero às 08h21

Lembrete

Hoje, na Casa Mário de Andrade (Rua Lopes Chaves, 546, Barra Funda, São Paulo), haverá uma conversa sobre teatro e futebol. Começa às 19h00.

 Os debatedores são Marco Antonio Braz (diretor teatral que recebeu grande projeção nos anos 90 por suas montagens de Nelson Rodrigues) e Nelson Rodrigues Filho (jornalista, cronista, dramaturgo e diretor teatral; filho de Nelson Rodrigues e sobrinho de Mário Filho, um dos grandes jornalistas esportivos do Brasil e que virou o nome oficial do Maracanã).

A entrada é grátis e inscrições e informações podem ser feitas pelo telefone (11) 3666-5803.

 

Por Torero às 08h12

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