07/11/2009
Seleção feminina
(No Sempre aos Domingos deste sábado (amanhã teremos outro) publico uma bela seleção feminina, formada por grandes personagens da literatura)
Texto de Cláudio e Lino Porto
1. Julie – Goleira francesa, descoberta pelo técnico Balzac. Passa tranqüilidade à seleção graças à experiência de seus 30 anos, mesclada ao ainda ótimo vigor físico, suficientes para fechar o gol lá trás, sem trocadilhos.
2. Lolita – Na ala direita, a infanto-juvenil americana saltita lépida e faceira pela lateral do campo atrás de qualquer bola, sem trocadilhos e sem jamais perder o fôlego. Aliás, quem fica sem fôlego mesmo são os torcedores mais maduros, suspirando nos alambrados da vida enquanto a olham de soslaio...
3. Bovary – Apesar de esta zagueira ser considerada uma “madame”, há quem não confie nela, tachando-a de traiçoeira e vulgar.
4. Karenina – Para fechar uma dupla de zaga impenetrável, sem trocadilhos, é só escalar essa aristocrata russa, capaz até de se matar para não perder uma dividida.
6. Luísa – Prima do Basílio, não esse que jogou no Santos, mas o filho do Eça. Atua com discrição, mas sempre vai até o fundo, sem trocadilhos. No final do jogo acaba se arrependendo de suas jogadas mais ousadas.
5. Jocasta – Cabeça-de-área grega, não hesita em jogadas truculentas. Se bobear, se enforca pelo time. Se jogasse basquete, encestaria todas.
8. Alice – A talentosa menina provém das categorias de base da Inglaterra. Sua inventividade no meio do campo é uma maravilha. Uma, não, um país inteiro.
10. Julieta – Descoberta pelo técnico britânico William num campinho de Verona, é uma jogadora à moda antiga, que só atua por paixão. Suas jogadas pecam pela pieguice, mas todos os adversários acabam se rendendo à sua graça. A FIFA quer proibir sua jogada mais mortal, que é fingir-se de morta, pois pode acabar em tragédia.
7. Capitu – Joga na diagonal, entrando oblíqua e dissimulada na área, cortante como um machado. Os adversários mal percebem que sofreram gols.
9. Iracema – Centroavante guerreira. Há quem duvide de sua virgindade, mas não de sua capacidade de fazer gols, especialmente quando se lança em velocidade, uma flecha, seus cabelos negros como as asas de uma graúna, em direção à tribo adversária...
11. Beatriz – Depois de atravessar o inferno, seu descobridor, o italiano Dante, garante que suas jogadas celestiais levarão a torcida ao paraíso, com trocadilhos...
Por Torero às 07h14
06/11/2009
Toreroteca Pro
Sim, meus caros, a Toreroteca de hoje é para profissionais, para grandes especialistas (ou para chutadores com sorte, o que dá no mesmo).
Escolhi jogos terríveis, onde tudo pode acontecer. Desde um reles zero a zero até uma sonora goleada. Desde a vitória do time de casa até a conquista do forasteiro.
Valem as apostas feitas até 18h29 de amanhã. Ganha quem primeiro acertar os vencedores destes jogos:
Atlético-MG x Flamengo, uma partida que tem grande chance de ser o melhor espetáculo do domingo.
Fluminense x Palmeiras, o ascendente tricolor pode vencer o líder?
Santos x Náutico, duelo importante para a turma de baixo.
Sport x Cruzeiro, leão ou raposa?
Barueri x Internacional, teremos mala branca? Pode ser, mas desta vez certamente os jogadores ficarão de bico calado.
E, por fim, Botafogo e Coritiba, porque com o Imprevisível em campo tudo é incerteza e dúvida.
Meu palpite é: Atlético, empate, Santos, Cruzeiro, empate e Botafogo.
Vote aí. O prêmio é este:

Por Torero às 09h00
05/11/2009
Segundo Zé Cabala, o campeão brasileiro será o...
O UOL pediu que eu fizesse as previsões para o Campeonato Brasileiro. Como não é minha especialidade, fui atrás de quem realmente entende do assunto, daquele que é o periscópio do amanhã, daquele que enxerga o nascer do sol em meio ao negrume da noite, daquele que vê a árvore apenas olhando a semente, o adivinho dos adivinhos, o insuperável Zé Cabala.
Mal cheguei ao seu consultório e ele já deu mostras de seu poder: “Eu sabia que você vinha”, disse o sábio dos sábios.
"Eu tinha marcado hora."
"Mas eu sabia que seu pneu não ia furar."
Depois de mais esta demonstração de poder, decidi não perder tempo e falei:
“Supino mestre, preciso de suas previsões para o resto do Campeonato Brasileiro.”
“Olhe, minha bola de cristal está um pouco embaçada...”
“O UOL me autorizou a pagar quinhentos reais pela previsão.”
“Quinhentão? Pagamento adiantado?”
“Claro.”
“Pois por esse generoso dízimo direi com quantos pontos acabará cada um dos seis concorrentes ao título. Serve?”
“Sim, sim”, respondi animado.
“Vou passar uma flanelinha em minha bola de cristal e já volto.”
Dois minutos depois estávamos sentados em volta de seu mágico instrumento, que, confesso, sempre me pareceu um lustre de cabeça para baixo. O supremo haríolo entoou um mantra (algo como “obladi-obladá”), passou as mãos pela bola, e pôs-se a profetizar:
“Vou começar pelo Internacional. Ela vai ganhar do Barueri, lá em Porto Alegre não terá problema em passar pelo Santos, ainda mais que Luxemburgo não escalará Madson e Neymar desde o começo, vai perder para o Atlético no Mineirão, vence o Sport e ganha do Santo André.”
“Hum, ótima campanha. E o São Paulo?”
Ele respirou fundo e falou: “O Tricolor empata com o Grêmio no Olímpico, tropeça no Vitória e só empata, e aí joga contra o Botafogo. Agora espere um pouco, com o Botafogo é mais difícil enxergar o futuro. Ah, sim,vejo um empate. Contra o Goiás, em Goiás, perde de um a zero, gol de Fernandão. E ganha do Sport no último jogo.”
“E o Palmeiras, venerável mestre?”
“Esse vai começar perdendo para o Flu. Desde que fiz um trabalhinho para o Fred, o rapaz deslanchou. Depois ganha do Sport, pobre Sport.... No Olímpico, perde para o Grêmio. Então enfrenta o Atlético Mineiro em casa. Joguinho difícil, mas ganha. E aí tem o Botafogo, no Rio. Vale triplo? Não? Então vou de Botafogo.”
“Pode ver alguma coisa sobre o Cruzeiro.”
“Está tudo azul para ele. Ganha do Sport lá na Ilha do Retiro. E do Grêmio, em casa. Empata com o Atlético Paranaense, em Curitiba. E vence o Coritiba, em Beagá. Na última partida, contra o Santos, vitória fácil. Ainda mais que Luxemburgo não vai escalar Madson e Neymar desde o começo.
“E o Atlético, e o Atlético?”
“O Galo vai vencer o Flamengo, empatar com o Coritiba e ganhará heroicamente do Inter. Então vai perder para Palmeiras e empatar com o Corinthians.”
“Por fim, diga-me como serão os últimos cinco jogos do Flamengo.”
“Ele vai perder para o Atlético Mineiro, ganha do Náutico e do Goiás, empata com o Corinthians, num bom jogo de Ronaldo, e, por fim, ganha do Grêmio em casa.”
“Ótimo, mestre, com estas previsões já posso saber quem será o Campeão Brasileiro. Deixe-me ver...”
Então fiz as contas e vi algo que me deixou estarrecido:
“Mestre, pelas suas previsões, os seis times terminarão com 64 pontos!”
“Se é o que eu disse, é o que eu disse.”
“Mas agora eu preciso saber quem será campeão pelos critérios de desempate. Vitórias, saldo de gols, ataque, cartões vermelhos...”
Ele apoiou os cotovelos na mesa, cruzou os dedos, descansou o queixo sobre eles e disse: “Sinto muito, meu caro, aí são outros quinhentos.”
Por Torero às 07h40
04/11/2009
Você já fez alguma coisa ridícula por causa do seu time?
Nem adianta dizer que não. Tenho certeza que você já fez alguma coisa ridícula pelo seu time. E nem estou falando em promessas absurdas, do tipo, "se meu time for campeão, corto careca". Estou falando em demonstrações de amor sem sentido, daquelas que você lembra e pensa: "Meu deus, como eu sou bobo...", e depois dá uma risadinha condescendente consigo mesmo.
Aposto que você já comprou um toalha de mesa com o símbolo do clube porque achava que ele melhoraria o gosto da comida, ou tatuou a cara de um craque no peito (e se arrependeu quando ele trocou de time), ou pintou a casa nas cores de sua camisa (e até achou que a fachada listrada ficou bacana), ou já pediu para a namorada (ou namorado) depilar os pelos pubianos no formato do escudo do clube.
Alguma coisa ridícula você fez. Não adianta fingir que esqueceu.
Eu, por exemplo, fiz uma coisa bem tonta.
O meu pai tinha uma loja de pneus em Santos e, um dia, quem parou lá para trocar pneus? O ônibus do Santos! Sim, a gloriosa Baleia. Enquanto os pneus eram trocados, ele foi até em casa e me pegou. Nem acreditei quando vi o bicho.
Entrei e fiz questão de sentar. Mas não na cadeira do motorista. Sentei em todas as poltronas! O bobão aqui foi de cadeira em cadeira. E depois, na escola, fiquei fazendo inveja aos amigos.
Você deve ter feito coisa parecida. Ou pior.
Não, você não me engana. Alguma coisa ridícula você já fez. Deixe a vergonha de lado e conte aí. Na semana que vem farei um texto sobre o assunto.
Por Torero às 08h18
Música e futebol
Amanhã, dia 5/11, às 19h00, na Casa Mário de Andrade, haverá uma conversa interessante sobre os dois temas do título.
Os debatedores serão dois caras divertidos, o Maurício Pereira e o Skowa.
Para quem não conhece, o Mauricio Pereira foi um dos Mulheres Negras (o outro era o André Abujamra). E o Skowa tocou com o Premeditando o Breque, com as Absurdettes e com o Itamar Assumpção.
A mediação será de Guilherme Kwasinski, que é professor de Mitologia e Sonhos na PUC.
Se você está acostumado a pagar para ver palestras em livrarias, lamento decepcioná-lo, mas esta será de graça.
A Casa Mario de Andrade (que foi mesmo a casa do Mário de Andrade) fica na rua Lopes Chaves, 546, Barra Funda, em São Paulo, perto do metrô Marechal Deodoro.
Inscrições e informações pelo telefone (11) 3666-5803.
Por Torero às 08h01
03/11/2009
Saudades
(A pedido dos leitores Érika e Nelson, vai aí um texto que escrevi quando tirei férias da Folha por um ano. Depois ele foi publicado no livro "Os cabeças-de-bagre também merecem o paraíso")
Hoje, estranhamente, acordei com saudades. Saudades dos ataques com cinco jogadores, das bolas de capotão, dos torcedores com chapéu que chegavam de bonde, saudades das camisas sem patrocinador, saudades de encontrar os jogadores do meu time na padaria, saudades dos sonhos de goiabada.
Também senti saudades de jogar bolinha de gude, de empinar pipa, de descer escada sentado em tapete, do pé de pitanga de meu avô, de pegar jambolão, de bala alcaçuz, de carrinhos de ferro, de frases com reticências.
Acordei com saudades de vizinho educado, de nhoque feito pela avó, de chuteiras sem logotipo, de seleção sem logotipo, de jogador sem guarda-costas, de atacante com cabelo, de meus cabelos, de ver mulheres de sombrinha em dia de sol, de ouvir alguém que eu nem conheço me dizer bom-dia.
Senti saudades de jogar bola na rua até esfolar o dedão, de jogar na chuva, de usar uniforme para ir para a escola, de Grapete, de Cerejinha, de meu avô.
Saudades do pomar da casa ao lado, de dormir depois do almoço, dos shorts de panos estampados feitos pela minha mãe, de ser magro, de balão de são João, de ir na praia à noite, de pôr cadeira na calçada, de rua de areia, de cheiro de pêssego, de entrar de graça no estádio, de brincar de forte apache, de quintal.
Senti saudades de jogadores que não mudavam de clube, de ganhar jogo de xícaras com figurinha premiada, do meu time de botão – feito de tampas de relógio e pintados por mim mesmo.
Saudades das Vemagets, dos Pumas, dos SP2, saudade de sagu feito em casa, de meu primeiro Ki-Chute, saudade do barulho da batedeira de minha mãe.
E saudades de ir aos jogos com meu pai, de perguntar por que só o goleiro pode usar as mãos, saudades de uniforme todo branco, de ficar com raiva quando meu time usava o listrado, de paçoca em saquinho vendida em carrinho com bico de foguete, saudade de porta aberta.
Também senti saudades de tevê em preto e branco, de casa com jardim, de espiar escondido a empregada namorando escondido no portão, de usar fantasia no carnaval.
Saudades dos mortos, de ter medo de cemitério e de filme de vampiro e de homem-do-saco. Saudades de ver os seios que apareciam de vez em quando, e só de vez em quando, na televisão, de ver os avós brigando e fazendo as pazes, saudade do tempo em que futebol não era negócio.
E tenho saudades de pão com mortadela, de molhar o biscoito no café com leite, de não entender de política, de nem saber o que são commodities, de pensar que o presidente é honesto, de nadar na praia com um calção que ficava pesado e quase caía, de briga de empurrão com meus irmãos.
Saudade de ganhar dinheiro do meu avô para comprar figurinha de chapinha. Saudade do tempo que já foi. Saudade do que já fui.
E enquanto escrevo esta última crônica, já tenho saudade de escrever sobre futebol.
A meus três leitores, até logo.
Por Torero às 09h57
Mas a bola bateu na trave
Para ler o texto de hoje publicado na Folha de S.Paulo, clique aqui.
Por Torero às 09h34
02/11/2009
222 36 346 33 736262
Armero: Correu mais do que ladrão fugindo da polícia.
Botafogo: Desta vez o Imprevisível venceu o Inter, e em Porto Alegre. É um time antimonotonia.
Coritiba: Ganhou do Vitória e deu mais um passo para escapar do rebaixamento. Mas seus torcedores ainda não podem dormir tranqüilos.
Defederico: Deu um lançamento perfeito para Jorge Henrique. Depois, outro para Ronaldo. Aos poucos vai se tornando um bom substituto para Douglas.
Estômago: Mesmo com um estômago bem desenvolvido, Ronaldo consegue ter muita velocidade e dar belas arrancadas. Lembra um pouco Edu, do Santos, que conseguia correr muito com uma barriga portentosa. Tomando-os como exemplo, vou fazer uma dieta à base de pizza e sonho de valsa para melhorar minha velocidade.

Figueroa: Teve grande chance de cruzar para Obina logo no começo do jogo, mas chutou. Depois, aos 23’, teve grande chance de chutar, mas cruzou para Obina.
Galo: Ganhou bem do Goiás, que está mais longe da Libertadores.
Hora agá: No jogo entre Palmeiras e Corinthians, não foi o momento da marcação do pênalti. Foi quando Heber Roberto Lopes não expulsou o palmeirense Danilo. Estava 1 a 0 para o Corinthians e o Palmeiras ficaria com nove homens.
Invencibilidade: A do Palmeiras contra o Corinthians subiu para sete jogos.
Jonathan: Marcou o primeiro gol do Cruzeiro, logo aos 12 minutos. Depois, Wellington Paulista aumentou. Ou seja, quando os times foram para o vestiário, estava 2 a 0. Tudo indicava que seria uma vitória fácil. A sexta seguida. Mas o ex-cruzeirense Fred marcou dois gols, Gum fez um e o Fluminense virou o jogo fora de casa.
Lógica: Neste campeonato, está em falta. Tudo pode acontecer. Quem diria que o Inter, em casa, perderia do Botafogo? Ou que o Cruzeiro seria derrotado no Mineirão pelo ex-lanterna Fluminense?
Mulheres: O Botucatu foi campeão paulista feminino ao vencer o Santos por 2 a 0.
Náutico: Ganhou do Sport por 3 a 2, num jogo com gols estranhos. E dois de seus gols foram feitos por jogadores recém contratados ao América-MG, Bruno Mineiro e Irênio.
Onze: Número de chutes que o Santo André deu contra o gol do Grêmio. O time gaúcho, por sua vez, chutou 22 bolas. Mas o resultado foi 2 a 0 para o Santo André.

Pantera: Apelido do São Raimundo, do Pará, campeão brasileiro da Série D. Venceu o Macaé por 2 a 1, de virada, no Colosso dos Tapajós, em Santarém. Havia perdido a primeira partida por 3 a 2. E o Macaé vencia por 1 a 0 até a metade do segundo tempo.
Queda: O Inter sofreu duas derrotas seguidas e saiu do G-4. Nas últimas cinco partidas marcou apenas cinco pontos. O título ficou bem difícil.
Ronaldo: Bateu o pênalti com perfeição. Nem que houvesse dois goleiros, a bola seria defendida. Poderiam dar um DVD da cobrança para Ganso.
Se...: Uma partida de futebol se define num detalhe, num acerto ou num erro. É como algumas questões na vida (Caso ou não caso? Presto vestibular para medicina ou invisto na minha banda de rock?, Compro esse cartão da loteria federal ou uma empadinha?). No jogo de ontem, se Figueroa tivesse aproveitado uma das duas chances que teve, a história do jogo, e talvez do Brasileiro, poderia ser outra.
Tardelli: É o artilheiro do Brasileiro. Sua disputa com Adriano deve seguir até a última rodada.
Um: Número de gols que o Coritiba marcou contra o Vitória. Mas o time perdeu muitas chances. Poderia ter goleado.
Vivos: Pela Série B, Figueirense e Portuguesa, quinto e sexto colocados, venceram fora de casa e continuam com chances de subir para a Série A. O Atlético-GO, quarto colocado, perdeu para o Duque de Caxias por 5 a 1 e corre perigo.
Xi...: Deve ter pensado o zagueiro gremista Rafael Marques ao ver que tinha cabeceado para dentro do próprio gol na derrota para o Santo André por 2 a 0. Depois, colocou a culpa nos refletores.
Zafimeiro: Esperto, sagaz, matreiro, astuto. Marcos não foi nada zafimeiro ao derrubar Jorge Henrique.
PS: O título do ABC do fim de semana de hoje foi sugerido pelo Nelson Souza. É como ficaria o título se fosse escrito no teclado do celular para um twitter.
Por Torero às 02h07
01/11/2009
Seleção dos Simpsons
Enviada por Denilson de Oliveira Biffi
Goleiro: Smithers. Do jeito que defende seu chefe, o Sr. Burns, seria um goleiro espetacular.
Lateral direito: Sr. Burns. Com a longevidade de um Cafu, nada mais justo que escalar um senhor centenário na posição. Além do mais, ele estará próximo de seu maior defensor, Smithers.
Smithers iria adorar a hora de comemorar os gols com seu chefe.
Zagueiro central: Nelson. Com sua truculência, ninguém se atreveria a tentar nada de abusado.
Quarto zagueiro: Chefe Wigum. Tipicamente e literalmente um xerifão.

Lateral esquerdo: Maggie Simpson. A menos experiente do time, que não diz uma palavra, mas atraindo as atenções para ela, deixando espaço para os elementos supresa. Cai bem pela esquerda. Também cai pela direita. E para a frente e para trás. Enfim, cai para todo lado.
Meia direita: Lisa Simpson. Inteligente e perspicaz, armaria o time como ninguém.
Primeiro volante: Marge Simpson. Sempre atrás da filha, Lisa. Quem teria coragem de fazer algo a ela? Seu único problema seriam os lances de cabeça. Algumas bolas se perderiam em seu volumoso penteado.
Segundo volante: Abe Simpson. Um pouco velho e às vezes desligado, mas muito útil na retaguarda.
Meia esqueda: Milhouse. Nem tão esperto nem inteligente, mas faria tudo pela atenção de Lisa, inclusive aprender a jogar futebol.
Milhouse, em vez de fazer pose de Papai Noel na barreira, iria proteger os óculos.
Segundo atacante: Bart Simpson. Esperto, sempre dá um jeito de fazer jogadas inesperadas pelo adversário.
Centroavante: Homer Simpson. Quem mais seria? Nem precisa de justificativa. Além disso, seu abdômen lembra o de outro famoso centroavante.

Técnico: o cara da loja de gibis. Pelo menos no jogo contra a seleção dos super-herois e/ou vilões, ele saberia tudo do adversário.
Mascote: obviamente, o Ajudante de Papai Noel.

Por Torero às 08h41
31/10/2009
Convite celestial

Por Torero às 09h58
30/10/2009
Como uma onda no mar
O leitor gosta de surf? A leitora aprecia bodyboard? Então vocês devem estar gostando do Campeonato Brasileiro. Sim, porque este ano temos um torneio cheio de ondas.
Explico:
Não temos nenhum time realmente forte, que jogue realmente bem. Nem temos uma equipe tão ruim que possamos dizer: esta merece ser rebaixada. O Fluminense, lanterna do campeonato, ontem ganhou do Atlético, que era o vice-líder. E o Sport, que está na penúltima colocação, vocês bem lembram que, na Libertadores, só foi desclassificado pelo líder Palmeiras numa disputa de pênaltis.
Ninguém é absoluto neste Brasileiro, nem para o bem, nem para o mal. É tudo uma questão de ondas.
Alguns times conseguiram ter uma boa onda de resultados e assim foram atirados para a crista da tabela. O Avaí teve uma sequência excelente e saiu da última posição para a beira do G-4. Depois caiu, mas está ali pelo meio. No começo do Brasileiro, Barueri e Santo André estavam lá em cima, perto dos líderes. O Atlético Mineiro teve uma grande sequência de vitórias no primeiro turno e ocupou a primeira posição por um bom tempo. Recentemente, o Flamengo ficou dez partidas invicto e escalou a tabela. E o Palmeiras teve o momento Jorginho e, depois, uma boa série de vitórias do tipo Muricy, com um golzinho de diferença (o jogo de ontem foi uma agradável exceção, que pode marcar o início de uma nova onda).
O mesmo aconteceu com a turma de baixo. O Fluminense passou por uma maré baixa que durou uma dúzia de rodadas, e por isso está na última posição. O Náutico parecia que ia naufragar, mas voltou a ser perigoso. O Sport teve uma sequência de tropeções que lembrou um bêbado a bater nas cadeiras e mesas de um bar, derrubando garrafas e quebrando copos. Mas é um time perigoso.
Enfim, não há grande diferença entre as equipes. Os que estão na parte de cima da tabela foram aqueles que tiveram boas ondas e evitaram as grandes quedas, como aquelas que tínhamos quando tentávamos pegar uma onda com nossa prancha de isopor e éramos engolidos pela espuma das ondas, dando reviravoltas, engolindo água salgada e ficando com o short cheio de areia.

Nestas últimas seis rodadas, quem tiver uma boa onda será o campeão.
O Palmeiras parece ter largado na frente. A vitória de ontem, depois de uns dias de concentração em Atibaia, parece um cartão de visita dos novos tempos. O time não pode dispor da garra de Pierre e da inteligência de Cleiton Xavier, mas há o talento de Diego Souza e Marcos, as surpresas de Obina e a organização de Muricy.
Outro que está numa boa onda é o São Paulo. Ganhou heroicamente do Santos na Vila e venceu seu inimigo direto, o Internacional. Duas vitórias que o colocaram em segundo lugar. Pode ser o começo de uma bela waimea, a onda gigante do Havaí, procurada e temida pelos surfistas.
Estes dois são meus favoritos ao título. Mas podem ser que despenquem no fim de semana e qualquer outro dos quatro concorrentes tenha um fulminante tsunami de vitórias.
Neste Brasileiro não podemos ter certeza de nada. Como diria o filósofo Nélson Motta: “As vitórias vem em ondas como um mar, num indo e vindo infinito”.
Por Torero às 07h33
Resultado instântaneo da toreroteca idem
Foi uma bela toreroteca. Mesmo sendo instântanea, acabou batendo o recorde de votos: mais de 450. E a disputa foi ótima. Pamella, de Santos, começou na frente. Ela apostou em Obina aos 38 do segundo tempo, e parecia que iria trazer de volta o domínio feminino à toreroteca. Mas o Israel, do Rio de Janeiro, teve a ajuda de Javé e cravou Obina aos 40’. Parecia que seria o vencedor, mas então surgiu Paulo, da simpática Santana de Parnaíba, e apostou em Vágner Love aos 40’. Só que se arrependeu, anulou o voto e palpitou em Obina aos 41’. Eu acreditei que seria o vencedor, mas eis que surge um leão, um lobo, ou melhor um cordeiro, Marcelo Cordeiro, e crava Obina aos 42’. Desta vez nem tive que fazer aproximação. O cara acertou na mosca. Mande aí seu endereço, Marcelo.
Por Torero às 07h27
29/10/2009
Toreroteca instantânea
Vamos fazer uma toreroteca para hoje, mais especificamente para o jogo entre Palmeiras e Goiás. Ganha quem acertar por quem e quando será feito o último gol da partida. Se o Palmeiras ganhar, se mantém na liderança e o Goiás desiste do título e passa a sonhar apenas com a Libertadores.
Para facilitar, coloco aqui as possíveis escalações:
Palmeiras: Marco; Danilo, Edmílson e Maurício (não é o Ramos); Figueroa, Sandro Silva, Souza, Diego Souza e Armero; Obina e Ortigoza.
Goiás: Harlei; Ernando, João Paulo e Valmir Lucas; Douglas, Fernando, Ramalho, Léo Lima e Júlio César; Iarley e Felipe.
Valem os palpites dados até o apito inicial do juiz.
O prêmio? É este:

Eu voto em Diego Souza aos 33' do segundo tempo.
Por Torero às 07h24
28/10/2009
Resultado da toreroteca
O Santos não forneceu o número de não pagantes no jogo contra o São Paulo, de modo que ficamos apenas com o número de ingressos vendidos, que foram 8.735 (um público fraco para um clássico). Vários leitores pessimistas, ou melhor, realistas, chegaram perto deste número, mas ninguém chegou mais perto que o Jefferson Felipin, de Valinhos, que chutou, digo, calculou que teríamos 8.743 almas no estádio. O Jefferson pode mandar seu endereço para blogdolele@uol.com.br.
Por Torero às 07h04
27/10/2009
Dize-me quem escalas e te direi quem és
(A pedido do leitor Mauro Assis, coloco aqui um texto (do livro Os cabeças-de-bagre também merecem o paraíso) que tem a ver com o que foi publicado no último Sempre aos Domingos)
A seleção de cada torcedor funciona como uma espécie de espelho. Assim, se ele escolhe um meio-campo formado por Dunga, Galeano, Mauro Silva e César Sampaio, fica evidente que se trata de um precavido, talvez até de um covarde. Por outro lado, se propõe um ataque com Rivaldo, Ronaldinho e Romário, estamos na frente de um ousado, de um destemido. Se a linha é Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe, falamos com um saudosista, e se a defesa conta com Carlos Alberto, Figueroa, Domingos da Guia e Nílton Santos, estamos ao lado de um amante dos clássicos.
Convencido de que escalar uma seleção seria a forma ideal de me apresentar ao leitor, pus o cérebro para trabalhar e escolhi meus onze jogadores preferidos:
Goleiro: Drummond. Um grande time começa por um grande goleiro. Drummond nasceu em Itabira, mas atuou longo tempo no Rio de Janeiro. Ele traz segurança e tranqüilidade para o resto da equipe. É elástico e seguro, dono de um estilo que marcou época e fez seguidores.
Lateral direito: Bandeira. O pernambucano merece a posição apesar dos problemas respiratórios. Lateral direito de inegável leveza, caracteriza-se por criar jogadas aparentemente simples, mas que só parecem tão simples porque ele faz um complexo trabalho para descomplicá-las.
Zagueiro central: Érico. Central tem que ser gaúcho. Érico, além de ter nascido em Cruz Alta, é um beque polivalente: joga com qualquer tempo – e vento. Pode atuar com aspereza e rudeza, ou sair jogando com maleabilidade e graça. Assim como outro central, Domingos da Guia, também possui um filho de inegável talento.
Quarto zagueiro: Nelson Rodrigues. Essa é uma posição onde é proibido ter falsos pudores; tem que se chutar a bola para a arquibancada e, se preciso for, deixar o inimigo estatelado no chão com fratura exposta. É o caso de Rodrigues, um jogador de moral polêmica. Alguns críticos mais ácidos dizem que ele cai muito pela direita, mas trata-se de um defeito menor que suas qualidades.
Lateral-esquerdo: Vieira. Começou a carreira timidamente, mas um dia teve um estalo e passou a jogar como que inspirado pela luz divina. Seu estilo é lógico, mas também grandiloqüente. Às vezes traça caminhos tortuosos, mas sempre chega ao seu objetivo. De todos os convocados é o único Atleta de Cristo.
Médio volante: Gregório. Um bom cabeça-de-área tem que saber xingar a mãe do adversário de doze formas diferentes. Gregório conhece 118. Não é à toa que o apelidaram de Boca do Inferno. Perguntado sobre as violentas faltas que comete, diz que são para a glória de Deus, pois, “quanto maior o meu pecar, maior a graça d’Ele em perdoar”. Não raro, elabora firulas e gongorismos que surpreendem a torcida.
Meia-direita: Mário. Um ponta-de-lança tem que ser ao mesmo tempo clássico e inovador. Mário consegue as duas coisas: sabe estudar o jogo e inventar lances com a mesma competência. Pode-se dizer que é um clássico de vanguarda.
Meia-esquerda: Machado. A nobre camisa dez não poderia ser vestida por outro. Excelente nos lançamentos em profundidade, é um especia¬lista nos dribles sutis e no toque refinado. Estranhamente, está sempre com um riso nos lábios. Não se sabe, contudo, se ri dos inimigos, de si mesmo ou do público.
Ponta-direita: Guimarães. É um inventor. Guimarães cria dribles e ziguezagueia pe¬los campos gerais como ninguém. Seus lances são inesperados, como se ele sempre tivesse que criar um caminho pró¬prio. Aprendeu tudo que sabe na várzea, mas seu jogo é universal.
Centroavante: Oswald. Um centroavante deve ser imprevisível, e imprevisibilidade é a única coisa previsível em Oswald. Seu jogo é feito de toques curtos e dribles em pequenos espaços. Tem um temperamento difícil e costuma polemizar com os adversários. É um típico rompedor.
Ponta-esquerda: Graciliano. Vindo de Quebrângulo, Alagoas, este extrema-esquerda é dono de um estilo duro, sisudo e seco. O torcedor sempre pode esperar dele um jogo consistente e seguro. Odeia concentrações e pretende escrever um livro de memórias conde¬nando essa prática.
Obs.: Obviamente esta seleção de imortais conta apenas com jogadores defuntos, o que deixou de fora vá¬rios nomes. Em meu banco de reservas estão Verissimo, Ubaldo, Millôr e Fonseca. São grandes atletas, mas desconfio que não têm muita pressa em entrar nesse time.
Por Torero às 07h51