O tabu entre Corinthians e São Paulo
Texto de Nathan Malafaia
Há poucas coisas capazes de mexer tanto com o torcedor de futebol do que o Tabu. Quando você olha na tabela e percebe que o próximo adversário é aquele do qual seu time não ganha há um bom tempo, já começa a sentir um certo mal-estar; se for rival, então, o sentimento beira o insuportável. Carrega-se uma leve esperança, que pode aumentar (bem pouco) caso o seu time consiga um gol, mas que, invariavelmente, rui diante de mais um resultado desfavorável. Tabu pesa, mexe, é confiança para seu portador e frio na espinha para quem sofre por ele.
Ultimamente, ouve-se muito que o clássico “Majestoso”, disputado entre Corinthians e São Paulo, seria o de maior rivalidade do Estado. Acredito que uma das maiores razões para isso (senão a maior) é o Tabu. Acredito que, se procurarmos no futebol mundial, não encontraremos clássico disputado entre rivais que se enfrentam regularmente que detenha o maior tempo nesta situação: em última análise, desde o longínquo dia 22 de Março de 2003, quando o Corinthians tornou-se Campeão Paulista ao derrotar o São Paulo, o “Majestoso” vive sob tabu.
Tabu é um tempero saborosíssimo: quem o detém quer manter, quem é sua vítima quer exterminar. Após a final de 2003, foram mais de quatro anos, nos quais foram disputados 13 jogos entre São Paulo e Corinthians, sem que este último conseguisse um resultado positivo. Corintiano que sou, acompanhei grande parte destes jogos, sendo que, depois de um tempo, o jogo pesa e fica amargo a cada vez que você percebe que não será desta vez que o tabu será quebrado. Recordo-me de pênaltis perdidos que mudariam jogos, grandes atuações dos tricolores, expulsões tolas, viradas inesperadas, técnicos demitidos. A impressão, a cada novo jogo, é que o tal do tabu não teria fim.
E o que intriga é que o último jogo do Tabu são-paulino é, também, o primeiro do Tabu corintiano. Num jogo feio, em que o 0x0 perdurou até os 37 minutos do 2° Tempo, Dagoberto fez o gol que mantinha a escrita a favor do São Paulo. E foi nos acréscimos deste jogo que o Tabu corintiano começou.
Há três personagens principais do Tabu que o Corinthians mantém sobre o São Paulo, e que aumentou para dez jogos neste domingo, com um retumbante 3 a 0:
A primeira delas é Zelão. Jogador que muitos corintianos gostariam de esquecer, foi dele o gol que, nos acréscimos, impediu nova derrota do Corinthians.
A segunda é Betão. Em mais um confronto que parecia fadado ao placar em branco, aconteceu o que os corintianos esperavam: aos 40 minutos da segunda etapa, Gustavo Nery (!) cobrou falta da intermediária, Fábio Ferreira (!!) escorou e Betão (!!!) cabeceou para o gol. Nada mudou para o São Paulo, que chegaria ao bicampeonato brasileiro; nada mudou para o Corinthians, que acabaria rebaixado à segunda divisão. Mas para as torcidas, o Tabu havia terminado.
Mera ilusão. Dois empates, pelas fases iniciais do Campeonato Paulista, em 2008 e 2009, mantinham uma curta invencibilidade do Corinthians. Nas semi-finais do Paulistão 2009, as duas equipes se encontraram. No primeiro jogo, persistia novo empate por 1x1, e continuava a dúvida, pois Tabu está intimamente relacionado com derrota, e o São Paulo perdera apenas uma vez.
Mas aí veio Cristian, a terceira personagem da série: nos acréscimos, roubou a bola na intermediária, avançou e chutou, certeiro, no canto de Rogério Ceni. Golaço!
Aí sim corintianos e são-paulinos tiveram certeza de que o Tabu continuava. E continua ainda. E a minha torcida, como corintiano, é para que demore a acabar, a menos, é claro, que mude de lado novamente.






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