Blog do Torero

26/12/2009

Marta, Marta, Marta, Marta...

 
 

Marta, Marta, Marta, Marta...

Texto de Anderson Santos, de Maceió-AL

Tentei assistir a entrega do prêmio através do site da Fifa. Não deu. Tentei assistir pelo Globoesporte.com. Ficou transmissão típica de Internet: alguns segundos na tela e minutos para recarregar. Por via das dúvidas, já estava com o minuto-a-minuto do evento na janela ao lado.

Tudo bem, eu sei que o Messi era escolha definida - prova disso é a diferença, a maior, para o segundo colocado. Mas o que esperava não era, e nem de longe, ver um argentino levantar o trofeu de melhor jogador do mundo.

Pouco me importava se Kaká, Xavi, Iniesta ou Cristiano Ronaldo também estavam em Zurique. Se tinha duas alemãs - uma tri-campeã do prêmio - e uma inglesa. A Cristiane joga muito e é a jogadora que mais evoluiu ao longo dos anos, mas deu o azar, talvez como Garrincha, de ser contemporânea da maior jogadora de todos os tempos.

A minha atenção estava voltada para Ela, que tinha tudo para ver afirmada a sua supremacia no futebol. Isso mesmo, no futebol. Ouso a dizer que ninguém joga melhor futebol atualmente do que Marta, independente do sexo.

Para aumentar a minha ansiedade, na hora do anúncio da melhor jogadora de futebol de 2009 a transmissão do vídeo foi recarregar e a do minuto-a-minuto atualizou. Segundos de ansiedade, até a notícia: "Marta é escolhida pela quarta vez a melhor jogadora do mundo! Impressionante!".

Imediatamente ligo para o meu pai para avisar e escutar um: "Eu não disse para você".

Vá lá que não é nenhum título mundial coletivo ou medalha de ouro olímpica, mas temos sim que comemorar. O futebol feminino vem dando seus primeiros passos e isso só acontece graças à força de vontade de muitas jogadoras - caso da grande Sissi - e de poucos apaixonados pelo futebol, que as incentiva(ra)m.

A mim, que sou de uma geração que não pode ver sequer Maradona, é com muito prazer que vejo alguém do nível de um Pelé. Além disso, o orgulho é maior ainda quando sei que a Marta nasceu no sertão nordestino, no interior de um Estado tão pobre e antiquado até quanto Alagoas.

É a prova para o Brasil, e o mundo, que aqui não é o antro da corrupção e do tiroteio, que não temos apenas guabirus, taturanas ou presidentes afastados por desvio de dinheiro público. Alagoas também é a terra de Graciliano Ramos, de Hermeto Pascoal, de Dida (um dos maiores artilheiros da história do Flamengo), de Zagallo e de Marta.

Espero não cansar ao longo dos próximos anos de repetir esse nome. Marta Vieira da Silva, a maior vencedora da história do prêmio "Melhor do Mundo" da Fifa.

 

Por Torero às 08h12

20/12/2009

Seleção sem solução - última parte

 
 

Texto de Lino e Cláudio Porto

Seleção da Oposição: Time formado em 1994, após fusão entre as equipes dos Tucanos e dos Democratas, de Governador Vale Dólares. Venceu facilmente os torneios nacionais de 94 e 98, passando como um rolo compressor sobre os adversários, graças ao falecido neo-líbero Motta. Crises internas e externas custaram-lhe a derrota em 2002. Desde então, continua na dúvida entre montar novamente um time ofensivo ou ficar na defesa, tentando encaixar um contra-ataque nos (muitos) erros de seu maior rival.

1. Fernando Henrique. Capitão e elegante goleiro, com fama de intelectual, sem parentesco com seu homônimo do Fluminense. Foi o primeiro bi-campeão nacional, mas o segundo título até hoje é visto com desconfiança, pois foi ganho no tapetão. Atualmente faz apenas jogos de exibição, já sem o brilho de outrora.

2. Geraldo. Lateral paulista que atua recuado. A fama de misturar política com religião lhe rendeu muitas críticas dentro do próprio time. Era visto como um jogador educado, grande promessa, mas não conseguiu fazer gol no então combalido goleiro Luís Inácio e caiu em desgraça.

3. Tasso. Zagueiro cearense de boa reputação nos anos 90, parece ter se perdido no atual campeonato truculento disputado nos campos do Senado.

4. Jorge. Defensor catarinense de origem germânica, especialista em jogadas por baixo. Duro, provocador, gosta de declarações polêmicas e já foi acusado até de racista. Só tem o pé direito. Maciel, seu reserva, é bem mais fino.

6. Pedro. Espalhafatoso ala gaúcho, com fama de gesticular muito em pleno campo, mas que cumpre com rigor a sua função de bom marcador.

5. Beto. Filho do bom meio-campista paranaense Zé Richa, joga sorridente e sempre de cabeça erguida. Porém, o time adversário insiste que ao final de cada partida ele nunca deixa o campo com o uniforme inteiramente limpo.

8. Antônio Carlos. Neto do lendário extrema-direita baiano, aparentemente é bem menos violento que o avô, mas no fundo seu jogo é igual, sempre pela mesma faixa do campo, da qual se julga dono.

10. Neves. Neto de um craque mineiro que atuou em vários clubes, vem se tornando um especialista na articulação de jogadas. Porém, seu estilo moderno de atuar, muitas vezes agressivo, não só lhe empana o brilho como parece cheirar mal diante do torcedor...

7. Jarbas. Ponteiro pernambucano famoso pela lisura de suas jogadas. Jamais foi expulso ou advertido pelo árbitro, mas a torcida sente que ele poderia render um pouco mais. Volta e meia é substituído pelo promissor Demóstenes, bom de cabeça.

9. Serra. Artilheiro esguio, cabeceador nato, saúde invejável. Perdeu um pênalti decisivo diante do goleiro Luís Inácio em 2002, mas sagrou-se campeão paulista na seqüência, sem precisar jogar o segundo turno. Para ser campeão nacional, sabe que terá de conquistar parte da torcida que ainda o vê como um jogador um tanto antipático.

11. Fernando Cânhamo. Surgiu na mesma categoria de base que revelou Dirceu e Dilma. Teve passagem marcante pelo futebol sueco. Poucos duvidam de sua categoria, de seu jogo moderno, versátil, ora na marcação, ora no ataque. Porém, o fato de ter atuado com calção de crochê quando juvenil, ainda gera desconfiança numa grande parcela da torcida.

O desfalque do time será o atacante Arruda, do Brasiliense, que será julgado pelo STJD após ser flagrado por uma câmera dando colocando a mão na bola num lance decisivo. Como é a segunda vez que o atleta foi pego em jogada similar, sua promissora carreira parece definitivamente encerrada.

O placar dos confrontos entre as duas tradicionais agremiações está 2 x 2. O tira-teima será em outubro do ano que vem. A torcida brasileira está dividida e com a paciência no limite, haja vista o baixo nível das últimas decisões entre ambas e as inúmeras derrotas durante a pré-temporada. Mas mantém a esperança de que será um jogo histórico e de que o grande vitorioso será ele mesmo: o povão.

Por Torero às 11h20

19/12/2009

Seleção sem solução - I

 
 

Seleção sem solução - I

Texto de Cláudio e Lino Porto

Mais uma seleção para a sua coleção: a seleção (em minúsculas) da política brasileira. De um lado, o time do Governo. De outro, a equipe da Oposição. Na torcida, de pé, na chuva, espremidos, nós, pobres eleitores-torcedores...:

Seleção do Governo, que começou com um time ofensivo e hoje atua num esquemático 4-5-1 (alguns diriam 1-7-1), mais defendendo do que atacando:

1. Goleiro (e capitão) – Luís Inácio. Esse é o cara. Depois de perder 3 decisões seguidas, pode agora igualar o placar, pois passou a pegar desde marolinha até pré-sal. Sobre o fato de parte de seu time ter se vendido num esquema de jogos arranjados com o clube Congresso na temporada 2006, diz que não sabia de nada porque estava lá trás só organizando a zaga. Apesar de ter um dedo a menos em uma das mãos, boa parte da torcida ainda o apóia, pois confia que ele segura as pontas mesmo quando o time dá algum apagão.

2. Ala direita – Romero. Defende bem, mas apóia pouco. A torcida o vê com enorme desconfiança, pois já jogou até no arqui-rival. Por coincidência, sempre faz parte da equipe campeã.

3. Zaga central – Zé Alencar. Experiente, joga discreto e pouco aparece. Nos treinos, cobra mais flexibilidade na atuação dos zagueiros reservas Meirelles e Guido. Graves contusões o têm deixado de fora do campeonato.

4. Quarta-zaga – Aloísio. Esperava-se mais dele. Às vezes joga fino e elegante, noutras desce o sarrafo. Já ameaçou até abandonar o time, mas seu capitão o convenceu a ficar e a lutar pelo tri.

6. Ala esquerda – Antônio. Veio de Ribeirão Preto e também é médico, mas joga bem menos que o doutor Sócrates. Era o xodó da torcida no auge das conquistas. Porém, durante um treino, ao buscar uma bola que caiu na casa ao lado, desentendeu-se com o caseiro e nunca mais voltou a ser o que era.

5. Volante – Renan. Não esconde que bate mais do que joga. Diz que apenas cumpre o que o treinador pede. É fraco no apoio, mas sabe destruir como ninguém. A torcida não aprecia seu futebol e sempre pede a sua substituição, mas o capitão gosta de vê-lo dar o primeiro combate nos jogos decisivos.

8. Meia-esquerda – Dirceu. No início, era um jogador combativo, com o cacoete de sempre cair pela esquerda do campo. Aprimorou-se e começou a atuar também pelo meio. Depois de um bate-boca com o atacante Jefferson do Clube Congresso, foi pego em um antidoping que praticamente lhe custou a carreira. Continua treinando às escondidas com seus ex-companheiros, pois a equipe ainda o vê como um armador com grande visão do jogo. O gaúcho Tarso se esforça para lhe substituir à altura.

10. Meia-direita – Ribamar. Se Inácio é o dono da bola, o maranhense Ribamar é o dono do campo. Apesar da forte marcação que recebe, raramente sai machucado ou é expulso. De fôlego insuperável, é titular há mais de 40 anos. Lento, embora não da mesma “academia” de Ademir e Dudu, cadencia e distribui as jogadas, pois todas passam por ele, o que irrita os adversários e parte da própria torcida governista.

7. Ponta-direita – Fernando. Começou em um obscuro clube de Alagoas. Na histórica decisão de 1989, ele e seu atual capitão quase trocaram socos. A torcida governista odiou sua contratação e o engole a contragosto. Joga recuado, apoiando Romero e Renan nas jogadas pela ala direita, sempre que a equipe precisa de marcação mais cerrada contra o time da Oposição.

9. Centroavante – Dilma. Assim como Dirceu, foi uma volante agressiva em seu início de carreira, até pouco a pouco ir se posicionando mais à frente. É vista como truculenta, embora seu futebol tenha melhorado nas últimas temporadas. Apesar de ainda não ter caído nas graças da torcida, ninguém duvida de seu potencial para ser a artilheira e a nova capitã do time.

11. Ponta-esquerda – Vicentinho. Começou em São Bernardo do Campo, nos mesmos campinhos de terra em que seu capitão despontou para a seleção nacional, mas jamais teve o mesmo carisma do Camisa 1. A ala mais popular da torcida o tinha como grande promessa, mas seu futebol nunca decolou.

(continua amanhã, com a seleção adversária)

 

Por Torero às 17h03

13/12/2009

Sempre aos domingos: Reconhecimento

 
 

Sempre aos domingos: Reconhecimento

Texto de Gabriel Luccas

“Perdemos, paciência. Campeão moral? Pra mim não me serve. Campeões da burrice. É, campeões da burrice tática. Esse título me parece mais apropriado. Era o que eu tinha a dizer”. As palavras do jornalista João Saldanha em um de seus comentários à Rádio Tupi do Rio de Janeiro expressavam bem o sentimento dos que esperavam que o Brasil “esmagasse” a Itália na partida eliminatória da Copa do Mundo da Espanha de 1982, disputada no estádio Sarriá, em Barcelona.

Mas e eu? Até hoje não entendo como a mídia, que sempre levou a fama de fabricar mocinhos e bandidos ao longo dos anos, não me crucificou. Afinal, a chance de salvar aquela lendária seleção esteve nos meus pés. Aliás, é engraçado que não me recordo da minha vitoriosa carreira como jogador de futebol. Mas, afirmo: daquela partida especificamente ninguém lembra de mais detalhes do que eu.

Estava me recuperado de uma grave contusão no joelho. Poderia enfrentar a Itália. Conversei com o Telê Santana um dia antes e ele disse que confiava em mim, mas que o time estava acertado do meio para frente com Sócrates, Zico, Éder e o Serginho Chulapa. Ao menos garantiu que na etapa final eu jogaria.

Chegamos ao Sarriá muito confiantes. No aquecimento, ainda dei algumas dicas aos titulares, principalmente ao Zico, que se espelhava na minha técnica para jogar. Por falar naquele grupo, não há um que não me telefone até hoje para saber como estou. Eu era –e sou – muito querido nesse meio. Modéstia à parte, sempre fui o melhor da minha geração.

Sobre o adversário não havia muito o que estudar. A Itália jogaria como sempre atuou: recuada e esperando pelo nosso erro. E o primeiro aconteceu logo aos 5 minutos. Um tal de Paolo Rossi marcou o primeiro gol deles.

Lá do banco eu percebi o nosso treinador nervoso. Já eu nem me abalei, sabia que ganharíamos. Olhei para o Valdir Peres, dei uma piscadinha e com as duas mãos fiz um sinal para ele esquecer aquele susto. Iríamos virar quando quiséssemos.

Aos 12 minutos, empatamos. O Zico deu belo passe para Sócrates, e o Doutor tratou de mandar para a rede. A confiança era tanta que comecei a contar piada para os reservas. Cheguei até a exagerar no relaxamento. Logo o Telê me deu um olhar fuzilador e fiquei quieto.

Aquele tal de Rossi fez mais um gol aos 25 minutos. O Toninho Cerezo tentou inverter o jogo no campo de defesa e deu uma bola açucarada para aquele italianinho Ele esperou a saída do Valdir e, pela primeira vez, me deixou com a mão gelada.

Mas quando a  “Azurra” começava a perceber que no futebol milagres acontecem, exatamente na metade da etapa final o Falcão chutou forte e recolocou a lógica em pauta. E, olha, tudo ainda estava nos planos da Itália. O empate tava ótimo para eles. O pior é que já tava até visualizando o Chulapa fazendo o gol da nossa virada. Assim eu nem iria jogar

Aos 30 minutos, o Paolo Rossi completou cobrança de escanteio para o gol mais uma vez. Com o 3 a 2, mudei minha fisionomia. Enchi o peito de ar, me aqueci e logo fui chamado para entrar na equipe. No desespero, o Telê me colocou no lugar do Leandro, e me lancei ao ataque.

Não chegava uma bola em mim. Mas no último minuto a nossa sorte parecia ter mudado. O Júnior deu um chutão pra área da Itália. Mesmo marcado por dois zagueiros, consegui dominar a bola e ficar de frente pro goleiro deles. Ia marcar quando fui puxado pela camisa. O juiz não teve dúvidas: apitou o pênalti. Nem Zico, nem Sócrates, nem Éder, nem Chulapa... ninguém ousou tirar a bola debaixo dos meus braços.

Quando ajeitei ali na marca da cal, imaginei Dona Marta e Seo Osvaldo, os meus pais, colados na televisão e já aos prantos. E o resto da população? A molecada que sempre jogou comigo já devia dar como certo aquele gol. E eu também. Tomei quatro passos de distância. Tinha a certeza da glória. Fui lentamente para a cobrança e desloquei o Zoff. Mas a bola caprichosamente tocou o travessão e foi pela linha de fundo.

A partida logo acabou e fomos eliminados. A tristeza era geral. Mesmo fora do Mundial, o Brasil manteve a fama de ter o futebol mais vistoso do mundo. Mas eu tinha a certeza de que ninguém me perdoaria por aquele erro – tal qual fizeram com o Barbosa, o nosso goleiro que tomou o gol da derrota na final da Copa do Mundo de 1950.

Os cronistas esportivos da época, como o Saldanha que falei lá no começo, ficaram em choque. Lamentaram muito a nossa derrota. Criticaram exaustivamente o Telê, o Cerezo... nem o Zico escapou. Mas, acreditem, me pouparam de qualquer comentário. Juro! Aliás, não vi uma linha sequer comentando a minha passagem pela seleção. Até hoje ninguém reclamou que bati aquele pênalti de maneira errada. Deve ser pra não reviver a dor daquele momento. Ou para preservar o craque que eu sempre fui.

 

Por Torero às 10h06

12/12/2009

Tira-teima Palmeiras X Cruzeiro e regras de desempate

 
 

Tira-teima Palmeiras X Cruzeiro e regras de desempate

Texto de Marcelo Ferioli


O Palmeiras é uma vítima do regulamento, ficou fora da Libertadores por conta do critério de desempate (número de vitórias). O verdão teve campanha parecida a do Cruzeiro, conquistou os mesmos 62 pontos, porém venceu uma a menos, empatou três a mais e perdeu 10 vezes, enquanto o Cruzeiro perdeu 12 jogos.

Ambas as equipes marcaram 58 gols, porém com uma defesa mais consistente a equipe do Palmeiras levou apenas 45 gols, enquanto o Cruzeiro levou 53. O saldo da equipe alviverde foi de 13 gols enquanto o do cruzeiro foi de 5. No confronto direto entre essas duas equipes o Palmeiras também leva vantagem, venceu as duas partidas entre elas nesse campeonato (3x1 e 1x2).

Ninguém irá reclamar do critério que tira da próxima copa libertadores o Palmeiras, pois o critério era sabido de todos desde o início do campeonato, e com larga vantagem de pontos, o desempenho ruim nas rodadas finais crucificam a campanha do Palmeiras. O time tinha nítida consciência que precisava ao menos de um empate para garantir pelo menos vaga para a pré-libertadores. Porém essa regra de desempate que, quando há igualdade em número de pontos, privilegia a equipe que venceu mais foi determinante para definir a última vaga que leva ao torneio continental. O que aconteceria se o regulamento fosse outro?

·              Inglaterra, França e Alemanha (saldo de gols): Palmeiras

·              Espanha, Portugal, Itália (confronto direto): Palmeiras

·              Argentina (jogo extra): ?

·              Brasil (número de vitórias): Cruzeiro

 

Recapitulando:

Critérios de desempate em caso de igualdade por pontos em campeonatos nacionais por pontos corridos

 

[1] A regra diz que se igualdade persistir nesses quesitos as equipes dividem a mesma colocação.

2 Desempata o melhor comportamento: cartões amarelos contam 1 ponto e vermelhos 3.

3 Partida única em campo neutro.

 

PS: Imagino que vai ter gente me chamando de "palmeirense chorão"... Mas eu sou maqueano e detesto esse critério de desempate faz tempo, ainda mais depois de 2008 quando o meu Marilia foi rebaixado pra Série C por conta dessa "bendita" regra, preterido pelo Fortaleza (tivemos menos vitorias e saldo menor, mas ganhamos dos cearenses nos dois confrontos).

Por Torero às 07h43

06/12/2009

ABC do fim de semana - Preview

 
 

ABC do fim de semana - Preview

Texto de Douglas Aluizio

A - ATLETICO MINEIRO - Nadou, nadou...
 
B - Branco - Foi o que deu no Verdão na reta final do brasileirao.
 
C - Corinthians - Abdicou do campeonato, ao fazer isso, colocou todo o peso da Libertadores nas costas no centenário. Muito perigoso.
 
D - Derrota - 21 teve o SPORT, é demais pra um time de primeira, merecia cair mesmo.
 
E - Empates  Foram 14 e que determinou a queda do Fogão.
 
F - Fogão - Faltou-lhe o que sobrou ao Fluminense na reta final: espírito de luta.
 
G - Goiás - Honrou o futebol com o empate com o Flamengo  e vitória sobre o São Paulo nas últimas rodadas.
 
H - Hexacampeão - Foi o grito que ecoou no Maracanã com 90 mil rubro negros.
 
I - Internacional - Ficou devendo, pelo elenco não pode se contetar só com a vaga na Libertadores.
 
J - Jogos - Foram 380.
  
L - Luis Álvaro - A promessa de um novo Santos para 2.010.
 
M - Marcelinho Paraíba, Marcelinho Carioca, Petkovic, Harlei, Fernandão, os velhinhos tiveram
participação decisiva no campeonato.
 
N - Náutico, junto ao Sport, deixam a Região Nordeste triste mais uma vez.
 
O - O Omperador foi crucial e o nome do campeonato. Desse jeito vai a copa 2.010.
 
P - Palmeiras, esteve com a taça na mão, terá que se contentar com a repescagem para Libertadores.
 
Q - Queria ver Madson, Neymar, Ganso e Kléber Pereira começar jogando. Foi o que mais pedimos em 2.010.
 
R - Ricardo Gomes chegou de mansinho, e mostrou ser um bom profissional, tem futuro.
 
S - São Paulo - Mostrou mais uma vez ter elenco forte e quase papou o quarto titulo consecutivo. Pela sétima vez entra na Libertadores, para desespero de corintianos e palmeirenses.
 
T - Tite não conseguiu fazer do Inter um time campeão.
 
U - Utopia era acreditar que o Grêmio realmente iria jogar pra ganhar do Mengo na ultima rodada.
 
V - Vagner Love não mostrou a que veio, se é que veio.
 
Não vai dar tempo para x e z. Tenho que ir agora. Fui!
 

Por Torero às 08h41

03/12/2009

Carta aberta ao Sr. Marcelo Teixeira

 
 

Carta aberta ao Sr. Marcelo Teixeira

Texto de Gustavo Kosha


Em primeiro lugar, vou me apresentar, Sr. Marcelo. Meu nome é Gustavo, tenho 32 anos e sou publicitário. Sou torcedor do Santos desde que me conheço por gente e, graças ao meu pai, vou à Vila desde os 3 anos de idade. Sou sócio do Santos também desde que nasci. Por vir de uma família totalmente devota ao Clube, assim como a sua, costumo dizer que quem gosta e ama um time de futebol tem o amor mais sincero que um ser humano pode ter. Podemos mudar de nome, cidade, estado, país, religião, carreira profissional, esposa (marido) e muitas outras coisas na vida, mas de time, salvo raríssimas exceções, não mudamos. Por isso tenho certeza, espelhado em meu próprio caso, que para quem gosta de um clube de futebol essa devoção é simplesmente apaixonada.

Sempre fui fã da sua administração, sempre votei na sua chapa em todas as eleições do Clube, bem como o apoiei e o defendi de todas as críticas feitas por meus amigos que simpatizavam com a oposição. Não entendia como existiam pessoas que podiam ir contra a sua administração se a grande maioria dos títulos que eu tinha visto o Santos ganhar tinha sido nas suas gestões. Campeão Brasileiro em 2002, Vice- Campeão da Libertadores em 2003, novamente Campeão Brasileiro em 2004, isso sem contar o Bi Paulista de 2006 e 2007.

Pois bem, com o final da temporada 2009, me pergunto o que aconteceu? Eu vivi no Santos na década de 90, que sem dúvida nenhuma foi uma das piores da história do nosso time de futebol. O senhor assumiu e tudo mudou. Mas este ano e o ano passado, em particular, foram horríveis, acho que superando toda a década de 90. Desculpa questionar, mas acho que tenho todo o direito, já que sou sócio, vou aos jogos e votei no senhor. O que aconteceu com todas as promessas feitas na campanha "Rumo Certo"? O que aconteceu com todo o planejamento? Porque convenhamos, o senhor como um administrador bem-sucedido em Santos, tenho certeza, tem a humildade de assumir e reconhecer que 2008 e 2009 não teve planejamento algum.

Vi e ouvi todas as manifestações e críticas à sua administração, e, confesso, fiquei sem ter o que responder. Senti-me abandonado, acreditei em uma coisa e o que foi mostrado nestes dois últimos anos foi uma coisa completamente diferente. Começo a achar que o senhor realmente teve sorte de ter vários craques da nossa base revelados ao mesmo tempo no time campeão de 2002. Como sou a favor de apoio total e irrestrito no estádio em todos os jogos, jogando o time bem ou mal, prometi a mim mesmo que não vaiaria o time e não faria nenhum protesto até o fim do ano. E foi o que realmente eu fiz. Acompanhei sofrendo os dois últimos anos, vendo o time fazer jogos bisonhos, jogadores sem vontade e a diretoria perdida, tentando "apagar incêndios" que, desde o início de 2008, já se mostravam iminentes.

Sr. Marcelo eu espero poder voltar a ver o nosso Santos ocupar o lugar merecido. O lugar que conquistamos com toda a nossa gloriosa história. Por favor, não deixe que essa história seja esquecida, apagada ou arranhada com uma queda para a série B. Com todo respeito aos outros times que já caíram, o Santos é muito grande para que isso ocorra. E ao contrário do que dizem alguns "engravatados" comentaristas de futebol, cair não faz bem. Não faz bem para nós que somos apaixonados pelo Clube, que vivemos dentro desse Clube desde o nosso nascimento. Nosso lugar não é brigando para não cair, mas brigando por títulos. Somos sim, mal-acostumados, como o senhor mesmo afirmou, mas mal-acostumados porque o Santos, graças a Deus, nos permitiu ser assim com a sua história de glórias. Nos acostumou a ser vencedores, sempre. E se caso a vitória não venha, e isso faz parte do esporte, pelo menos quero ver um time honrado dentro de campo, um time digno de nossa história e de nossos grandes ídolos. E uma diretoria honrada e comprometida administrando tudo isso do lado de fora. Chega de decepção.

Enfim, Sr. Marcelo Teixeia, chegou o momento de mais uma eleição e esse ano eu não votarei no senhor. Acho que chegou o momento do senhor receber de coração o muito obrigado de toda a nação santista. Sim, temos que reconhecer que o senhor foi importante para o Santos, nos deu títulos, se doou ao Clube, as vezes sacrificando sua própria família e seus próprios negócios em prol do Santos. Não podemos deixar de reconhecer isso, e quero deixar bem claro que não estou sendo irônico. O meu muito obrigado é sincero. Mas chegou a hora de mudar, para o próprio bem do senhor, da sua imagem e de tudo o que o senhor conquistou com o Santos.

Todos nós nascemos e morremos, o Santos não. O Santos é imortal, é eterno, e não pode ficar atrelado a uma pessoa só. O Santos não é nem de Santos, o Santos é do mundo! Eu confesso que não acreditava na sua candidatura, achava que o senhor deveria sair com o mínimo de dignidade depois desses dois anos ridículos que tivemos, salvo o futebol feminino (mais uma vez obrigado, mas para o nosso Santos, isso é MUITO pouco). Mas novamente o senhor se candidatou. E espero, de coração, caso o senhor ganhe mais uma vez que o senhor lembre de tudo o que vivemos nesses últimos dois anos, e que em 2010 possamos novamente ser o Santos Futebol Clube que o mundo conhece. Boa sorte, não para o senhor, mas para todos nós que amamos o Santos.

Por Torero às 11h03

O dono da bola

 
 

Texto de Armando Alves

 

- Mãe, tô indo pro campinho!

- Tá bom meu filho, vê se não volta tarde.

- Não entendo esse menino, mulher! Ruim de bola desse jeito, não sei pra que ele insiste tanto!

- Deixa o menino se divertir, homen implicante!

- Gente, olha lá o Marcelinho vindo!

- Vou lá puxar um pouco o saco dele... Senão nem no gol eu jogo hoje! Quem mandou eu me meter à besta e querer fazer aquela vaquinha pra comprar uma bola pra nós.

- Ah, você sabe como é o Marcelinho, né? Ele não joga nada, não sabe a diference entre um zagueiro e um centroavante, e a gente só chama ele pra jogar por causa da bola. Imagina só se a vaquinha dá certo e agente deixa de depender da bola do Marcelinho, nunca mais nós íamos deixar ele jogar com a gente! Ele não é bobo!

- É, eu sei. Mas a vaquinha tava dando tão certo. Se não fosse aquele troglodita do Germânico ter ameaçado o pessoal que tava contribuindo, a gente já teria até uma bola oficial. A bola do Marcelinho é muito ruizinha...

- Você sabe que o Germânico é amigo do Marcelinho, e também é muito ruim de bola! Ele só joga no time por causa do Marcelinho. Mas que essa bola do Marcelinho é ruinzinha, isso é!


- Não temos outra opção, né?

- Não.

- Mas sabe, o que está me deixando mais triste é a gente só apanhar do time daqueles três irmãos da rua de cima, o Salomão, o Conrado e o Palmieri.

- Com certeza! Pelo menos antigamente aqui embaixo agente era respeitado. Agora nem isso!

- Se pelo menos o Marcelinho deixasse alguém jogar no lugar dele. Não precisava nem ser o jogo todo, era só dar uma revezada, sei lá!

- Isso é! Nós perdemos todos os últimos contras por causa dele. Nosso time até que não é tão ruim, tem tradição aqui no bairro. Mas com o Marcelinho não dá!

- E ainda tem o Germânico, que fica botando medo em todo mundo que fala mal do Marcelinho...

- Por falar no Germânico, que confusão é aquela lá?

- Vamos lá ver!

- Menino, menino! O que aconteceu?? O Germânico estava querendo te bater??

- Estava...

- Por que?!

- Não sei... Juro que não entendi! Eu só perguntei se podia jogar também, e ofereci minha bola.

- Nossa, é oficial!!

- Com uma bola dessas nosso jogo ia até melhorar!

- Vou falar com o Marcelinho pra ver se ele deixa você jogar um pouquinho pelo menos! Mas deixa eu te perguntar, qual é o seu nome?

- Luisinho.

Por Torero às 11h00

Sobre o autor

Formado em Letras e Jornalismo e quase formado em Cinema, é autor de treze livros (como "O Chalaça"), escreveu roteiros para cinema (como "Pequeno Dicionário Amoroso") e para tevê ("Retrato Falado").

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