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Este blog é atualizado às segundas, quartas e sextas antes do meio-dia.


Saiba quem é Torero
Sempre aos domingos

Como desisti de ser um jogador de futebol

Olá, Torero, aqui vai uma historinha minha:

Minha carreira de jogador de futebol durou até os 9 anos de idade quando eu jogava no time Fraldinha do glorioso São Paulo Futebol Clube.

 

Confesso que nunca fui um jogador muito talentoso, geralmente as crianças que têm um pouco mais de habilidade são colocadas pra jogar de atacante ou meia, os mais grandinhos jogam de zagueiro ou goleiro e os, digamos, esforçados,jogavam de volante ou lateral. Eu era lateral direito. Mas no final, pela ausência de canhotos, jogava na lateral esquerda.

 

Creio que a minha principal limitação não era nem tanto técnica, mas psicológica: era muito distraído. Me lembro, por exemplo, que durante as partidas eu freqüentemente perguntava pros meus companheiros: “quanto tá o jogo?”.

 

Uma vez minha madrinha foi assistir um jogo meu, o que era algo extraordinário pois por muito tempo ela me prometera isso, mas nunca tinha tempo para cumprir. Não lembro contra quem e nem qual foi o placar do jogo, só lembro que, numa certa altura da partida, eu estava lá quieto na minha lateral (que, pra meu azar, ficava de frente pra arquibancada onde estava minha tia e o resto da torcida) quando, de repente, a bola cruza a linha bem à minha frente e eu, prontamente, corro atrás dela e vou cobrar o lateral, pra meu espanto ninguém apareceu pra receber a cobrança e só então, não sei exatamente se antes ou depois das gargalhadas da torcida, percebo que o jogo estava rolando lá do outro lado do campo e que aquela bola que entrara no gramado quicando, evidentemente, não poderia ser a bola do jogo.

 

Foi bem embaraçoso. Creio que este acontecimento apressou minha saída dos gramados, mas de qualquer forma eu não iria muito longe.

Abraço,
Fernando Monteiro

(Mande sua história com até 3 mil toques para blogdotorero@uol.com.br)



Escrito por Torero às 06h30
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Luxa, eu te amo

 

 

O texto de hoje foi enviado por Marcio de Meo, que, como as câmeras mostrarão hoje na Vila Belmiro, fará uma declação de amor ao Luxemburgo.

Torero, histórias insólitas, todos nós, que freqüentamos estádios, temos. Eu, santista fanático como você, tenho várias. Mas tenho uma que considero mais pitoresca do que todas essas. E com um ingrediente a mais: ainda não aconteceu.
 
Para que se possa compreender a história, preciso fazer um pequeno flashback: em meados de 2004, com o Santos fazendo campanha irregular no segundo turno do Campeonato Brasileiro, eu tecia sempre raivosos comentários contra Luxemburgo, pois o time não conseguia engrenar, apesar de ter elenco nitidamente superior ao do Atlético-PR, então líder.
 
Claro que havia os "erros" da arbitragem, que anulou mais de uma dúzia de gols do Santos, e a oposição sistemática do STJD, que tirava mandos do nosso time a cada copo d'água atirado no gramado, mas a verdade é que eu nunca consegui engolir a traição do Luxa naquela primeira passagem, quando nos deixou na mão para ir treinar o Corinthians. Assim, ele era meu alvo preferencial de críticas.
 
Um amigo meu, o Rafael, que se diz palestrino mas é, antes de tudo, discípulo de Luxemburgo, tomou as dores do técnico e propôs uma aposta: "Se o Santos for campeão, você leva uma faixa escrita 'Luxa, eu te amo!", como se gritar isso durante o jogo não fosse suficientemente ridículo. Eu, sem esperanças de ver nosso time levantar o caneco, topei.

O resto você já sabe: o chocolate no Grêmio e no São Caetano, a pipocada do Atlético-PR contra o Vasco, São José do Rio Preto (e Branco)... e festa.

Aí meus outros amigos entraram na brincadeira. O Rodrigo, corintiano, comprou um tecido de 10m x 1,40m para mandar pintar a tal faixa.
 
Quando o Rafael propôs e eu aceitei levar uma faixa, imaginei uma pequenininha, daquelas que as pessoas seguram nas mãos, com dizeres em torno do tema "Filma nóis, Galvão". Mas amigo é pra momentos assim: eles não perdem a chance de nos fazer passar vergonha.

Como o Luxa foi para a Espanha durante as férias que se seguiram à conquista, a aposta ficou adormecida.

Mas ressuscitou assim que ele voltou ao Santos: meus amigos tiveram a pachorra de guardar a faixa.
 
Agora, está agendado: meu dia de pagar a aposta (e a língua) será dia 19/2, domingo que vem, contra a Ponte Preta, na Vila Belmiro. Claro que todos os meus amigos - corintianos, palmeirense, são-paulino - vão ao jogo especialmente com o objetivo de registrar o momento.
 
Em minha defesa, só posso dizer que, pelo menos, pago minhas apostas.


(Mande sua história, até 3 mil toques, para blogdotorero@uol.com.br)



Escrito por José Roberto Torero às 11h35
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O dia em que Rodrigo emplacou (1)

Aconteceu comigo o seguinte: no começo do ano passado estávamos naquela expectativa da estréia do Carlitos no Corinthians. Finalmente se confirmou: seria no jogo contra o América, em 29/01, um sabadão e, por coincidência, dia do meu aniversário. Então, uns dias antes, minha namorada (hoje noiva) chegou para mim e disse:

 

- Quer ver o jogo do campo?

 

Intrigado e desconfiado, respondi que claro, queria sim, como não. Como ela trabalha numa empresa e era responsável pela compra de placas de publicidade estática nos estádios, acreditei - mesmo porque nós já tínhamos ido a vários jogos de graça, como convidados. Tudo o que eu teria que fazer era chegar lá no portão 1 do Morumbi, aquele por onde entram os ônibus, e dizer que trabalhava com o Cléber. Lá dentro, tinha que achar um outro cara cujo nome esqueci. Vou chamá-lo de João.

 

- Mas só isso? Mais nada? Não tem que dar nome, apresentar documento, nada?

 

- Não.

 

Quase briguei com ela. Como é que iam me deixar entrar no campo só falando que eu trabalhava com fulano? Enfim, ficou por isso, e a data do jogo se aproximava. Quando chegou o dia, fomos para o estádio – eu, ela e meu irmão. Iríamos ficar na Sala VIP. Quando me dei conta, lá estava eu no portão 1, falando com o porteiro.

 

- Opa, boa tarde, tudo bom?

 

- Tudo bom.

 

- Eu trabalho aí com o Cléber, vim esperar ele.

 

- O Cléber das placas?

 

- Isso, isso, ele mesmo (imaginei que tivesse algo a ver, né?)

 

- Beleza, pode entrar. Só me passa aí teu nome completo e RG.

 

Inacreditável. Eu, dentro do campo do Morumbi, praticamente sozinho, enquanto rolava uma preliminar entre dois times da Febem. Procurei o cara e nada. De repente, o tal João me acha.

 

(continua no post abaixo)



Escrito por Torero às 06h01
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O dia em que Rodrigo emplacou (2)

- Você que é o Rodrigo, amigo do Cléber? (já tinha virado amigo do cara)

 

- Isso.

 

- Legal. Olha, vai ser meio complicado, porque como ela é dupla, vai cobrir a entrada do túnel. Então vamos ter que tirar e colocar ela de volta umas quatro vezes.

 

- Hã?

 

- Hã o quê?

 

- Desculpa, mas do que você está falando?

 

- Da placa, ué. Você não veio carregar a placa?

Tudo entendido mais do que depressa, confirmei. Sim, era eu que tinha vindo carregar a placa, se isso significasse que assistiria ao jogo dali, do campo. Na verdade, eu carregaria um caminhão de melancia, se necessário. Era só me mostrar onde.

 

Ele me deu um colete amarelo e, uma hora e meia depois, eu tirei a placa que estava na frente do túnel do vestiário para entrarem em campo Fábio Costa, Anderson, Wendel e Betão, Coelho, Edson, Rosinei, Carlos Alberto e Fininho, Gil e, principalmente, Carlitos Tevez. Tudo sob um coro de 50 mil corinthianos (com “ h” ) gritando “Corinthians, Corinthians minha vida, Corinthians minha história, Corinthians meu amor...”, coisa que me faz arrepiar até hoje.

 

De resto, foi tudo bem: assisti ao jogo, tirei e coloquei de volta a placa no intervalo e tomei um pito do fiscal da Federação porque comemorei o gol do Coelho de pênalti e xinguei o goleiro do América. Quase vi um gol do Carlitos, um lance no segundo tempo bem na minha frente em que ele tentou encobrir o goleiro, mas mandou pra fora. No fim do jogo, não resisti: larguei a placa lá e saí correndo pra falar com o Carlitos, cercado de repórteres. Ainda consegui gritar algo:

 

- Felicitaciones, Carlitos!

 

- Muchas gracias, muchas gracias. (eu acho que ele falou isso, pelo menos)

 

Tudo foi maravilhoso, o melhor jogo da minha vida, e ainda mais no dia do meu aniversário. E tudo graças à minha namorada, a quem serei eternamente agradecido (tanto que vou casar com ela, mas não só por causa disso, claro). Depois fiquei sabendo que ela e meu irmão assistiram ao jogo ao lado do Dualib, do Alckmin (que foi até lá por causa do tal jogo da Febem) e do Kia. Mas quem lá quer saber desses caras?

 

História enviada por Rodrigo Pinotti

(Envie sua história para blogdotorero@uol.com.br



Escrito por Torero às 05h59
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