Blog do Torero

07/11/2009

Seleção feminina

 
 

 

(No Sempre aos Domingos deste sábado (amanhã teremos outro) publico uma bela seleção feminina, formada por grandes personagens da literatura)

Texto de Cláudio e Lino Porto

1. Julie – Goleira francesa, descoberta pelo técnico Balzac. Passa tranqüilidade à seleção graças à experiência de seus 30 anos, mesclada ao ainda ótimo vigor físico, suficientes para fechar o gol lá trás, sem trocadilhos.

2. Lolita – Na ala direita, a infanto-juvenil americana saltita lépida e faceira pela lateral do campo atrás de qualquer bola, sem trocadilhos e sem jamais perder o fôlego. Aliás, quem fica sem fôlego mesmo são os torcedores mais maduros, suspirando nos alambrados da vida enquanto a olham de soslaio...

3. Bovary – Apesar de esta zagueira ser considerada uma “madame”, há quem não confie nela, tachando-a de traiçoeira e vulgar.

4. Karenina – Para fechar uma dupla de zaga impenetrável, sem trocadilhos, é só escalar essa aristocrata russa, capaz até de se matar para não perder uma dividida.

6. Luísa – Prima do Basílio, não esse que jogou no Santos, mas o filho do Eça. Atua com discrição, mas sempre vai até o fundo, sem trocadilhos. No final do jogo acaba se arrependendo de suas jogadas mais ousadas.

5. Jocasta – Cabeça-de-área grega, não hesita em jogadas truculentas. Se bobear, se enforca pelo time. Se jogasse basquete, encestaria todas.

8. Alice – A talentosa menina provém das categorias de base da Inglaterra. Sua inventividade no meio do campo é uma maravilha. Uma, não, um país inteiro.

10. Julieta – Descoberta pelo técnico britânico William num campinho de Verona, é uma jogadora à moda antiga, que só atua por paixão. Suas jogadas pecam pela pieguice, mas todos os adversários acabam se rendendo à sua graça. A FIFA quer proibir sua jogada mais mortal, que é fingir-se de morta, pois pode acabar em tragédia.

7. Capitu – Joga na diagonal, entrando oblíqua e dissimulada na área, cortante como um machado. Os adversários mal percebem que sofreram gols.

9. Iracema – Centroavante guerreira. Há quem duvide de sua virgindade, mas não de sua capacidade de fazer gols, especialmente quando se lança em velocidade, uma flecha, seus cabelos negros como as asas de uma graúna, em direção à tribo adversária...

11. Beatriz – Depois de atravessar o inferno, seu descobridor, o italiano Dante, garante que suas jogadas celestiais levarão a torcida ao paraíso, com trocadilhos...

 

Por Torero às 07h14

01/11/2009

Seleção dos Simpsons

 
 Enviada por Denilson de Oliveira Biffi

 

Goleiro: Smithers. Do jeito que defende seu chefe, o Sr. Burns, seria um goleiro espetacular.

Lateral direito: Sr. Burns. Com a longevidade de um Cafu, nada mais justo que escalar um senhor centenário na posição. Além do mais, ele estará próximo de seu maior defensor, Smithers.

 Smithers iria adorar a hora de comemorar os gols com seu chefe.

Zagueiro central: Nelson. Com sua truculência, ninguém se atreveria a tentar nada de abusado.

Quarto zagueiro: Chefe Wigum. Tipicamente e literalmente um xerifão.

Lateral esquerdo: Maggie Simpson. A menos experiente do time, que não diz uma palavra, mas atraindo as atenções para ela, deixando espaço para os elementos supresa. Cai bem pela esquerda. Também cai pela direita. E para a frente e para trás. Enfim, cai para todo lado.

Meia direita: Lisa Simpson. Inteligente e perspicaz, armaria o time como ninguém.

Primeiro volante: Marge Simpson. Sempre atrás da filha, Lisa. Quem teria coragem de fazer algo a ela? Seu único problema seriam os lances de cabeça. Algumas bolas se perderiam em seu volumoso penteado.

Segundo volante: Abe Simpson. Um pouco velho e às vezes desligado, mas muito útil na retaguarda.

Meia esqueda: Milhouse. Nem tão esperto nem inteligente, mas faria tudo pela atenção de Lisa, inclusive aprender a jogar futebol.

 Milhouse, em vez de fazer pose de Papai Noel na barreira, iria proteger os óculos.  

Segundo atacante: Bart Simpson. Esperto, sempre dá um jeito de fazer jogadas inesperadas pelo adversário.

Centroavante: Homer Simpson. Quem mais seria? Nem precisa de justificativa. Além disso, seu abdômen lembra o de outro famoso centroavante.

Técnico: o cara da loja de gibis. Pelo menos no jogo contra a seleção dos super-herois e/ou vilões, ele saberia tudo do adversário.

Mascote: obviamente, o Ajudante de Papai Noel.


Por Torero às 08h41

25/10/2009

Seleção de escritores

 
 

Texto de Bruno Pontes

Goleiro: Luis Fernando Verissimo – apesar de ser filho de jogador, começou a jogar relativamente tarde. Ainda assim,  construiu uma carreira sólida e uma popularidade maior que a do pai, talvez pelo seu estilo de jogo mais despojado e leve. Discreto, só aparece nas suas grandes defesas em momentos decisivos dos jogos. Vive jogando em times do Rio e de São Paulo, mas não esconde de ninguém o desejo de encerrar a carreira no Internacional de Porto Alegre.

 

 Lateral Esquerdo: James Joyce – muito veloz, corre em um ritmo alucinado o jogo todo sem parar. Pena que muitas vezes não é compreendido pelos próprios colegas de equipe e que, então, vários de seus lançamentos caiam no vazio ou nos pés do adversário. Por essa razão também, dizem que seu estilo de jogo é intraduzível.

 

 Zagueiro Central: Fernando Bonassi – incisivo e determinado, os críticos reclamam que seu jogo é muito violento. Não se abate e diz que a realidade é dura mesmo.

 

 Quarto Zagueiro: Umberto Eco – mesmo sendo zagueiro de ofício, vive se arriscando em outras posições e não dá muitos passes. Não raras vezes avança sozinho  até o ataque e até já fez alguns gols memoráveis. No entanto, por causa disso muitos jogadores o taxam de fominha e o apelidaram  de Umberto Ego.  

 

 Lateral Direito: Dante Alighieri– percorreu um longo caminho até chegar ao paraíso. Hoje, já no meio caminho de sua vida, é querido pela torcida. Compensa a falta de velocidade atual com lançamentos geniais. Sempre se esforçar para bem servir seus amigos, mas não poupa seus inimigos de duras críticas, sendo comum ouvi-lo em campo mandando-os para o inferno.

 

 Primeiro Volante: Marcel Proust – amado por uns, odiado por outros. Seus detratores reclamam que ele fica muito tempo parado prendendo a bola, sem evoluir e sem objetividade. Já os defensores dizem que isso é apenas um estilo de jogo e que, no final das contas, todos vão reconhecer que ele construiu uma grande obra (os mais poéticos comparam até com uma catedral).

 

 Segundo volante:  Jorge Luis Borges – tem uma visão de jogo surpreendente, sabendo a posição de cada um dos companheiros mesmo de olhos fechados. Além disso, faz tabelinhas memoráveis e sabe como ninguém atuar como corta luz. Todavia, tem o péssimo hábito de falar de si mesmo na terceira pessoa e de achar que o modelo de futebol é o inglês. Também já arrumou confusão com um jogador chileno que vivia disputando com ele o troféu de melhor jogador do ano.

 

 Meia direita: Paulo Coelho – apesar de constantemente criticado pela imprensa especializada, que alega que seu jogo é superficial e que ele não domina bem os fundamentos, é ídolo da torcida de todo o mundo. Faz muitos gols, embora nem todos bonitos, e sua camisa é a mais vendida. Além disso, dentre os companheiros, é tido como líder espiritual do grupo.

 

 Meia esquerda: Machado de Assis –teve origem humilde, mas sempre soube agradar os dirigentes. Alguns notam também sua semelhança com Friedenreich e muitos o coparam a Pelé. Sua visão oblíqua permite enxergar caminhos para lances inesperados. Fora dos gramados, teve importante atuação para organizar um sindicato da categoria.

 

 Atacante: Dalton Trevisan – objetivo ao extremo, não é de firulas e quando chuta ao gol é para marcar. Mesmo assim, é criticado pela imprensa por não participar de entrevistas coletivas e raramente se deixar fotografar fora de campo. Sem explicação racional, atua melhor em jogos noturnos.

 

 Centroavante: Jorge Amado – oscila fases boas com longos períodos de inatividade. Alguns o consideram preguiçoso, mas se surpreendem com a quantidade de gols que marcou durante a carreira. Tem um jogo cadenciado e vez ou outra cai pela esquerda.

 

 Técnico: Nelson Rodrigues -  folclórico, usa técnicas psicológicas para afastar o que chama de complexo de vira-lata de seus jogadores. Não desmerece a importância da sorte e vive usando metáforas com picolés ou culpando o sobrenatural. De família da craques, também é lembrado por ser irmão do Maracanã.

Por Torero às 08h34

21/10/2009

Duas seleções parecidas mas diferentes

 
 

Duas seleções parecidas mas diferentes

Curiosamente recebi duas seleções parecidas. A primeira é de jornalistas e apresentadores de tevê. A segunda, só dos primeiros.


Esta foi manda por Paulo Henrique Fabião:

Goleiro: Jô Soares: Além de fechar a meta inteira com o seu tamanho, é experiente e apesar das criticas, continua sendo um dos melhores de sua posição.

Lateral Direito: Joemir Beting: Tem muitos anos de carreira e sabe todas as manhas do jogo político como um bom lateral, ataca e defende no momento certo.

Lateral Esquerdo: Arnaldo Jabor: Guarda a posição da esquerda. É muito ágil em seus comentários e opiniões.

Zagueiro Central: Boris Casoy: Como um bom zagueiro, é simples e objetivo sempre.

Quarto Zagueiro: Pedro Bial: Esta sempre fazendo a cobertura de qualquer evento em toda parte do planeta.

Primeiro volante: Ratinho: Faz o estilo brucutu. Não joga bonito, pois sempre está preocupado com os pontos da partida.

Segundo Volante: Serginho Groisman: Tem muita experiência, mais ainda tem fôlego de menino. É o “Vovô garoto” do time.

Meia Direita: Milton Neves: Pelo tamanho de sua cabeça, pode ser considerado o “cérebro” do time, porém a critica diz que ele é muito marketing , ou no caso, merchan.

Meia Esquerda: Marcelo Tas: É o camisa 10 do time. Inteligente, criativo e sempre fazendo jogadas que surpreendem os adversários.

Atacante: Caco Barcelos: Já não é nenhum garoto, mas mesmo assim corre pelo Brasil inteiro para fazer suas reportagens. É um ídolo para quem está começando.

Centroavante: Silvio Santos: Já não tem o mesmo pique de antigamente, mas dentro da área ainda faz seus gols no ibope. Além de tudo, merece o respeito de todos os adversários.

Técnico: Faustão: Só ele é que da as instruções, pois não deixa nunca ninguém falar.

Auxiliar: Luciano Huck: Trabalha para um dia assumir o posto do Faustão.

Cartola: Roberto Justus:  Se o time não jogar bem, ele demite todo mundo.

 


Esta é da lvra de Rodrigo Della Vittoria Duarte:

Goleiro: Luciano do Vale, não tem muito reflexo, mesmo assim fecha o gol.

Lateral direito:José Inácio Werneck, tem um folego impressionante, deve correr uma maratona por jogo.

Zagueiros: Chico Lang e Roberto Avallone, uma dupla que se completa.

Lateral esquerdo: PVC, a nossa enciclopédia.

Primeiro Volante: Trajano, o capitão do time, berra com todo mundo, assusta os adversários, mas suas intenções são as melhores.

Segundo Volante: Milton Neves, dizem que ele é puro marketing, faz bem o meio de campo.

Meia direita: Torero, criativo, inventivo, você sempre pode esperar algo novo dele.

Meia esquerda: Juca Kfouri, do tipo cerebral, organiza o time, pensa o jogo.

Atacante: J.R.Malia, irreverente, está sempre pronto para o ataque.

Centroavante: Kajuru, anda meio fora de forma, mas não perdoa.

Técnico: Galvão Bueno, grita o tempo todo fora de campo.

 

 

Por Torero às 09h10

18/10/2009

O ABC dos atletas que não deram certo.

 
 

O ABC dos atletas que não deram certo.

(Publico hoje, no Sempre aos Domingos, uma seleção com sofisticados personagens. Ela foi enviada por um leitor misterioso, de codinome hillvaley1985)

texto de hillvaley1985

Acácio - logo que foi contratado, pensaram ser a solução para o problema do jogo aéreo, pois era um zagueiro alto e esguio. Mas suas declarações,entrevistas e comentários o fizeram voltar para o Ministério do Reino e acabou se aposentando por lá.

Bentinho - Uma série de boatos a respeito da sua vida sentimental encerrou precocemente a carreira desse promissor centroavante. Nos treinos, sempre que ele cabeceava a bola, os próprios amigos de clube imitavam o som da bola que acabou de ser furada, sonoplastia imitada também pela torcida rival, que idolatrava o volante Escobar.

Creonte - Abdicou da carreira de zagueiro para ser rei.

Daniel - Depois de passar por uma tremenda provação, o ótimo lateral esquerdo largou o futebol, mas afirmou que não teme dirigentes, nem suas feras, e que sua fé é inabalável.

Euricão - zagueirão, natural da Paraíba, parente de Ariano Suassuna, começou a carreira no clube cruz maltino. Mas suas pífias atuações e sua avareza o fizeram voltar pra sua terra natal. Boatos no clube diziam que ele dormia com uma porca de madeira...

Fausto - como pode um atacante medíocre, da noite para o dia, se tornar o melhor do mundo pela FIFA? Como ganhou tanto dinheiro? Como conseguia fazer aquelas firulas e transformações? Entre tantas farras e orgias, desapareceu  e nunca mais foi visto.

Gregor - Advindo do futebol do leste europeu, esse lépido meia-esquerda logo chamou a atenção de todos. Mas exames detectaram uma horrível anomalia em seus genes, tornando-o inapto para o futebol. Vive hoje trabalhando de caxeiro viajante.

Hyde - psicólogos do clube alertaram para a dupla personalidade do atleta. Baixinho e invocado, esse volante era violento e repulsivo. Sua aparência pálida o tornava mais assustador.

Ícaro - filho de um excelente zagueiro que tinha uma ótima impulsão. Muitos acreditavam que ele voava...Ícaro resolveu seguir os passos do pai, mas não seguiu um dos seus conselhos. Se deu mal e acabou caindo no mar do esquecimento.

Jean Valjean - um garoto pobre, orfão, rude, mas muito boa pessoa, de bom coração. Foi revelado por um religioso que via nele um ótimo goleiro. Mas o constante atraso de salário e a necessidade pela qual sua família passava, o fizeram roubar uma padaria e assim foi levado para a cadeia.

Martim - sua paixão por uma índia o fez trocar a meia- esquerda de clubes europeus por um do Ceará, o Pitiguaras. Mas descobriu que sua amada torcia pelo rival, o Tabajaras. Ao voltar de uma pré-temporada, Martim perde a esposa, aí desistiu do futebol.

Policarpo Quaresma - de todos os atletas, o mais patriota e ufanista. Atacante de ofício; pela sua seleção, fez chover. Mas não conseguiu patrocínio de chuteiras, daí foi esquecido. Hoje, por trás dos óculos, ocupa a subsecretaria do Arsenal de Guerra.

Quincas Borba - atacante de rendimento pífio, durou pouco no futebol. Gostava tanto de ler que criou até uma filosofia, o Humanitismo. Tratava-se de um estudo profético sobre a lei do passe livre.

Ricardo Reis - médico por profissão, jogador espetacular por vocação. O legítimo camisa 10. Descobriu-se, porém, que ele se passava por outras pessoas e tinha vários documentos. Às vezes, se passava pelo poeta Alberto Caiero ou pelo engenheiro Álvaro de Campos.

Victor -  no campo, grande meio campista; nos palcos, excelente transformista. Teve que optar por um dos empregos. Decidiu pela ribalta.

Zé do burro - o carregador de piano do time. Volante pegador. Fez um voto ao seu santo: se seu time fosse campeão, carregaria o mascote do time até a igreja da outra cidade.

Por Torero às 08h31

11/10/2009

Seleção alimentícia

 
 

Texto de Marcelo Lyra

Pegando carona na seleção de apelidos, o futebol brasileiro é um prato cheio para uma seleção alimentícea.

Do que lembro, são esses, já dá um time (quando não tinha em atividade, recorri a antigos famosos)

Goleiro: Manga (ex-Internacional).

 Dava gosto ver o goleiro Manga.

Lateral direito: Eduardo Arroz (Ponte Preta). Na reserva, Maisena, do Fortaleza.

Zagueiro: Marcelo Batatais (São Caetano).

Zagueiro: Alfredo Mostarda (ex-Palmeiras).

Lateral Esquerdo: Triguinho (Santos), reserva: Pirão (Ponte).

 Triguinho joga o arroz-com-feijão.

Volante: Coquinho (Brasiliense).

Segundo Volante: Ademir Sopa (São Caetano).

Meia de Ligação: Rodrigo Broa (Campinense).

 Broa faria uma boa dupla com Fubá, ex-Corinthians.

Atacantes: Márcio Mixirica (Ponte); Nilton Batata (ex-Santos); Rubens Feijão (ex-Santos)

O Boquita, do Corínthias, quando enfrentasse esse time, iria se destacar na marcação, pois iria engolir meio time.

O Preparador físico seria o Filé.

O técnico seria o Roberto Cavalo, do Paraná Clube, que com o Filé faria uma dupla Filé à cavalo.

Para acompanhar o time da comida, que tal o Conca Cola?

E o clube time poderia jogar no Caldeirão da Vila. Mas se enfrentasse o Papão, estaria frito!

 

Por Torero às 06h05

10/10/2009

Au, tá...

 
 

Au, tá...

Texto de Lino e Cláudio Porto

- Au, quer dizer, oi! Eu sou o Turbo, cachorrinho do Bruno. Quer dizer, cachorro do Bruninho. Gosto do Bruninho porque ele sempre me dá pizza de ontem, daquelas bem torradas e duras, com um leve cheiro de mussarela... E eu também detesto futebol.

Três foguetes estouram ao longe.

- Ouviram? Odeio futebol porque logo depois vêm os foguetes e como eu ouço muito demais, os meus ouvidos doem.

Mais foguetes e gritos de “é campeão!” ao fundo.

- Pensava que tio Lino e tio Cláudio torciam pelo mesmo time preto e branco, mas descobri que quando um estoura foguete, o outro está triste. Então só podem ser dois times de preto e branco diferentes, porque quando um está com a camisa do time, o outro nem aparece.

Bruno chega da rua, suado e cansado, e vai direto pro vídeo-game. Turbo fica só olhando, quieto, sem entender, pensando na sua boa vida de cão.

- Acredito que existam mais times de preto e branco no mundo, porque dia desses também soltaram foguetes e meus tios estavam tristes. Logo, deve haver pelo menos três times de preto e branco no mundo do futebol. Abanei o rabo pra ver se alegrava os dois, mas quase que me deram um pontapé no traseiro.

Bruno vai ao banheiro, sai sem dar descarga nem lavar a mão, passa a mão na cabeça do Turbo, que agradece e corre saltando atrás do menino.

- Sei que o time do tio Lino é o maior campeão do mundo que existe. Todo começo de verão, no meio da noite, um monte de gente veste a mesma camisa branca dele, estouram champanhe e, claro, foguetes. São tantos que tenho que me esconder na minha casinha. São quase duas horas de comemoração sem parar.

Turbo belisca um pedaço de pão velho que alguém deixou cair.

- Esses humanos são muito estranhos. A cada quatro invernos eles se vestem de amarelo e torcem todos pelo mesmo time durante dias. Depois tudo acaba como se nada tivesse acontecido. Sei que são quatro invernos porque da primeira vez que percebi isso eu tinha dois invernos, depois se repetiu no meu sexto inverno. Hoje eu tenho mais de sete invernos. O Bruninho pensa que eu sou criança que nem ele. Eu finjo que sou para alegrar ele e ganhar uns pedaços de pizza de ontem sabor três queijos, que são as guloseimas que eu mais admiro.

- Bruno, vá se lavar, que tá fedendo! Grita a mãe do Bruninho.

- Saco isso de ter de se lavar. De vez em quando eles me pegam na marra e me dão um banho. Odeio banho que nem futebol. Gosto do meu cheiro e do meu pêlo assim, dessa cor meio branca, meio cinza, tipo um marrom claro... Só o Bruninho não liga pro meu cheiro. Eu também não ligo pro cheirinho dele, pois quando ele chega de mansinho perto da minha casinha, pra me dar um susto, eu nem preciso abrir o olho pra saber que é ele. Aí eu finjo que me assustei, ele me pega, me enche de carinho torto e a gente brinca um monte. Super divertido.

Foguetes.

- Quem será que foi campeão hoje? Tio Cláudio e tio Lino estão quietos. Não vi ninguém com roupa estranha. Pode ser o time do seu Nelson da venda. Os foguetes vêm de lá. Ou será o do seu Aristides, que torce pelo time de preto e vermelho. Falta de criatividade nos pêlos desses humanos. Sempre cores óbvias. Não têm a criatividade dos cachorros e gatos... Caim, caim !!!!

Quase pisaram no rabo do Turbo enquanto ele andava distraído pela casa.

- Ufa, foi por pouco! Veja o Epaminondas, com seu pêlo marrom brilhante. Tá certo que ele tem um corpo mais comprido que o nome, fora aquelas orelhas ridículas que andam se arrastando pelo chão... Tem também a Latifa, que é uma gata no sentido certo da palavra, com um pêlo verde-mato que eu até agora não vi em nenhuma camisa, nem mesmo quando aquele bando de italianos ficou comemorando até tarde da noite. E a Pâmela, baita cadela da vizinha, no bom sentido, que tem um pêlo lustroso, oleoso, e quando volta da petshop, toda garbosa, com aquela cor caramelada que só ela tem?!
 
- Sai lá pra fora cachorro fedorento! Grita a avó do Bruninho.

- Tá bom, só queria saber quem ganhou...

Nisso, um bando de cinco parentes invade a casa.

- Timão ê ô! Timão ê ô!

- Ah, são aqueles da família que só aparecem aqui em casa quando o time deles ganha, lá uma vez ou outra. Agora percebi que são eles os terceiros de preto e branco do mundo do futebol. Se bem que tem um de berinjela azulada no meio. E eu detesto berinjela...

- A gente trouxemos um engradado gelado, berrou um deles, como se todo mundo fosse surdo.

- A única coisa boa dessas comemorações é que sempre tem pizza. Aí eu durmo tranqüilo porque sei que amanhã vai ter um monte de borda crocante pra eu mastigar...

- Olha o Turbo aí, gente. Vamos pôr o manto alvinegro nesse vira-lata!

- Au-au-au, respondi o mais ferozmente que pude.

Mais foguetes.

- O tempo continua frio. Pelo visto, este ano o verão vai demorar pra chegar...


(Bruno cresceu, aprendeu a tomar banho, mas não a gostar de futebol. Turbo, vira-lata de raça, morreu atropelado há uns dois anos, deixando-nos um imenso vazio).

Por Torero às 11h12

08/10/2009

Os vilões do Santos

 
 

 Texto de David Hepner

Fábio Costa é o Dr. Octopus: Com defesas incríveis, parece ter oito braços. Mas na maioria das vezes ele usa os membros para dividir o adversário ao meio.

George Lucas: Com esse nome, só pode ser o Darth Vader.

Domingos é o Juggernaut (Fanático): Inteligência não é seu forte e já vai quebrando tudo o que vê pela frente.

 Domingos e sua lustrosa cabeça aterrorizam os adversários.

Fabão é o Frankenstein: Violento, mas no fundo tem bom coração.

Léo é o Charada: Aparece de surpresa no ataque. Perigosos, seus cruzamentos são sempre um ponto de interrogação para o adversário.

Émerson é o Mum-Rá: Mesmo em sua forma decadente, permanece eterno. 

 O veterano volante veio do mundo dos mortos, mas anda meio morto em campo.

Rodrigo Souto é o Coringa: Pode atuar tanto no meio como na zaga.

Ganso é o Pinguim: Desengonçados, mas são duas aves terrivelmente perigosas para o adversário.

Neymar é o Venom: Um vilão jovem e poderoso, mas não pode ouvir o som da torcida adversária que treme e se desmancha todo.

Madson é o Duende Verde: Voa pelo campo, mas não faz nada que preste e mesmo assim se acha f...

Kleber Pereira é o Lex Luthor: Mesmo com a kriptonita na cara do gol, fica sempre no quase.

Wanderlei Luxemburgo é o Lord Voldemort: Se acha o maior mago de todos os tempos e domina seus comandados com mão-de-ferro.

  Luxemburgo: roupas elegantes, palavras nem tanto.

 

Por Torero às 08h13

07/10/2009

Perdão e reencontro

 
 

 

(Publico aqui um dos emails que recebi sobre a emoção de encontrar um ídolo. Sexta-feira postarei o primeiro texto sobre o assunto)

 

Texto de Wolney Bullara Arjona

 

Num dia como outro qualquer, meu pai foi me buscar na escola. No caminho de volta pra casa ele contou que o Palmeiras havia vendido o Leivinha para um time espanhol. Demorei alguns minutos (na verdade muitos) para assimilar aquela informação. Como assim? Por que ele tinha feito isso? Como ele ia abandonar a torcida e principalmente eu para ir jogar lá na Espanha? Que significado teria agora aquele número 8 que eu tinha estampado em todas as minhas camisas de futebol??? Em plena época do "Brasil: ame-o ou deixe-o" ele ia embora? Confesso que minha mente infantil não conseguia compreender nada daquilo. Muito menos aceitar. Não sei dizer se o meu choro era de raiva, tristeza, agonia, desespero ou até mesmo, talvez, uma antevisão dos 16 anos sem títulos que estavam por vir. Apenas sei que chorei muito e magoado.

Nos anos seguintes, a ausência dele era ainda mais forte do que sua presença pois ninguém era capaz de substituí-lo e tive que ver o São Paulo e os são-paulinos crescerem e multiplicarem-se como se Deus houvesse, enfim, resolvido tomar algum partido e, já que era assim, tinha escolhido alguém do seu próprio círculo social!

Os anos continuaram passando, eu segui minha vida, tornei-me adulto. Durante algum tempo acalentei o sonho de trabalhar fora mas lembrei exatamente daquele dia e das sensações que experimentei e muito embora minha torcida, constituída basicamente da minha mulher e duas filhas (uma corintiana!), seja infinitamente menor que a dele, sempre vou gostar muito mais de jogar pra ela do que pra qualquer outra. Afinal, até mesmo quando dou uma bola fora eu sou aplaudido.

Por fim, chegamos ao dia em que a escola de minhas filhas (o mesmo colégio italiano no qual estudei) levou os alunos ao CT do Palmeiras para assistir a um treino e conversar com os jogadores. Obviamente que eu também fui, na condição de alviverde pai zeloso. Logo na entrada do ginásio avistei o César Maluco, amparado por muletas, e fiquei pensando que aquela imagem não combinava com ele. Mas como ele mesmo parecia não ligar muito pra elas, resolvi não ligar também.

Outros antigos jogadores foram aparecendo, os boatos sobre a presença do Ademir da Guia foram ficando mais fortes, mas eu me peguei ali, de repente, procurando ele no meio da multidão. Bem que o Leivinha podia aparecer, né? 

Foi então que meu irmão (também na condição de alviverde tio zeloso) me cutucou e disse, assim como quem não queria nada: "aquele lá não é o Leivinha?". Voltei meus olhos para a direção em que ele apontava e vi o antigo camisa 8. De repente, comecei a ver todos os seus gols e as minhas comemorações, vi a minha infância revisitada, vi o dia em que chorei por ele ter ido embora e, para minha surpresa e desconforto, quase me pego chorando de novo. O engraçado é que não havia nenhuma mágoa, apenas admiração.

Aquele homem que estava ali na minha frente tinha protagonizado momentos importantes de minha infância e jamais saberia disso. Ou melhor, jamais? De jeito nenhum! Eu iria agora mesmo dar um abraço nele e tirar uma foto. E foi exatamente o que fiz. Fui até ele, me apresentei e disse que queria muito tirar uma foto com ele. Foto batida, história contada, dever cumprido. Enquanto isso, minhas filhas corriam atrás do Valdívia que pode até ser um bom jogador, mas pra quem já viu Leivinha não tem a menor graça, né?

Assim termina a minha história, ou melhor, o meu email, porque a história, na verdade, não termina nunca.

 

Por Torero às 08h25

04/10/2009

Sempre aos domingos: Ah, tá...

 
 

Sempre aos domingos: Ah, tá...

Texto de Lino e Claudio Porto

Meu nome é Bruninho, mas pode me chamar pelo meu apelido: Bruno. Eu tenho mais ou menos seis anos e meio, e dois tios bem chatos. Eles ficam tentando o tempo todo me convencer a gostar de futebol e a torcer pelo time deles, mas eu não gosto de futebol. Eu só gosto um pouco de ciências, de pizza e de brincar com o Turbo.

No Natal, meu tio Lino me deu uma camisa do Santos de presente. Eu não gostei nem da camisa nem do nome do time. A camisa era toda branca com uma propaganda bem no meio. Só era boa pra dormir, porque o meu pijama já tava meio velho mesmo. E meu pai vive me dizendo que eu não sou nenhum santo.

No meu aniversário, meu tio Cláudio me deu uma camisa do Botafogo. Eu gostei do nome do time. Minha mãe nunca deixa fósforo perto de mim, porque eu vivo fazendo experiência com fogo. A camisa era listrada e se parecia com aquelas roupas que os presos usam nos filmes, só que com a listra ao contrário. E tinha também uma propaganda no peito, e logo dum refrigerante que eu não gosto.

Um dia eu vi um guri com uma camisa igual. Aí eu perguntei se ele era botafoguista. Ele ficou furioso e falou:

- Cê é burro, hein, Bruninho. Cê não vê que essa é a camisa número 2 do Santos?

Eu não sabia que tinha camisa número 2, então eu só respondi:

- Ah, tá...

O pior foi quando eu vi um menino com uma camisa parecida com a do Santos que o tio Lino tinha me dado. Quer dizer, com a camisa número 1 do Santos. Aí eu perguntei se ele era santense que nem meu tio. Ele ficou p da vida e me disse:

- Pô, Bruninho, tu não entende nada de futebol. Tu não vê que essa é a camisa número 2 do Botafogo?

- Ah, tá...

Eu fiquei meio confuso com essa história, mas depois eu descobri que na verdade meus dois tios torciam era pro mesmo um time, só que um era o número dois do outro, se é que vocês entendem o que eu quero dizer.

Um dia a gente tava no shopping comendo pizza, quando passou um bando de moleque fazendo mó bagunça, com uma camisa mó legal, preta e vermelha com uma propaganda no meio. Meu tio Lino explicou que era do Flamengo e que era a maior torcida do Brasil. Devia ser mesmo, porque eles eram uns seis com a mesma camisa.

No outro dia, lá no colégio, eu vi um guri com uma camisa do Flamengo, só que com as listras ao contrário, que nem a do Botafogo número 1 e a do Santos número 2. Então eu falei pra ele:

- Pô, legal essa tua camisa número 2 do Flamengo.

O guri ficou bem brabo comigo.

- Ô, piá, vai dizer que tu não sabe que essa é a camisa do Atlético Paranaense?

Eu não sabia que o Atlético tinha nascido no Paraná, então na dúvida eu só falei:

- Ah, tá...

Pra piorar, um dia desses um colega meu foi com uma camisa listrada, igualzinha a do Santos número 2 e a do Botafogo número 1. Aí eu perguntei pra ele se ele era santense ou botafoguista, porque num dos dois eu ia acertar. Aí ele ficou fulo comigo:

- Uai, Bruninho, tu não vê que essa é a camisa do Atlético?

- Nem vem, a do Atlético eu sei que é vermelha e preta!

- Seu tanço! Aquela é do Atlético Paranaense, essa é do Atlético Mineiro!

Eu pensava que quem nascia no Paraná era paranaense e não mineiro. E me lembro bem da professora explicando que mineiro é quem trabalha em mina de carvão. Mas como o guri era bem maior que eu e esse pessoal do futebol é meio nervoso, eu achei melhor só concordar com ele:

- Ah, tá...

Eu já tava ficando bem chateado com essa coisa de futebol. Não sei como podem gostar tanto de um jogo tão sem graça. Mas aí eu vi três moleques, cada um com uma camisa diferente e uma mais legal que a outra. Uma era tão amarela que dava pra achar a gente no escuro. A outra era um verde assim tipo meio a limonada fraquinha que a minha avó faz. E a terceira era um azul bem legal, parecia pintada com lápis de cor. Aí eu perguntei pra eles os times que eles torciam e os três responderam juntos com tanta força que eu até me assustei:

- Verdão!!!

- Mas que verdão, se só tem um de verde e bem fraquinho?

- Ô Bruninho, seu burro, vai dizer que você não conhece o Palmeiras?

Eu não entendi mais nada. Então o Palmeiras tem três camisas? Meu tio Cláudio depois explicou que são camisas comemorativas. E me disse também que o apelido da torcida é porco.

Dessa parte eu gostei. Minha mãe vive dizendo que eu sou bem porquinho porque quase não tomo banho, então eu decidi torcer pro Palmeiras. E o time tem três camisas bem diferentes que dá pra usar uma pra cada dois dias da semana! No domingo eu uso uma do Pink Floyd que o tio Lino me deu.

Quando meus tios ouviram o que eu tinha dito, pronto, quase tiveram um ataque e ameaçaram nunca mais me dar presente se eu torcesse praquele time de italiano.

- Mas italiano faz pizza e a gente gosta de pizza.

- Não adianta. Se virar porco, nunca mais te dou carrinho.

- Nem no dia das crianças!, gritou meu tio Cláudio.

Então eu resolvi obedecer, mas eu tava louco pra ganhar uma camisa igual àquela amarela que mais parecia um farol de caminhão quando tem cerração. Então eu disse:

- Ah, tá...

Mas logo eu mudei de idéia porque vi uns carinhas com uma camisa branca quase igual do Santos número 1 e do Botafogo número 2, e outro com uma camisa preta riscadinha parecida com a do Botafogo número 1, só que com as listras brancas bem fininhas, e um outro com uma camisa roxa, que mais parecia uma berinjela, apesar de eu odiar berinjela. Eu nem precisei perguntar que time eles torciam, porque eles logo gritaram:

- Timão e ô! Timão e ô!

Gostei do nome do time: Timão. Nada de nome esquisito. Se bem que um gritou “é Coringão, mano!”. Pensei que ele tava jogando baralho, mas era o nome número 2 do Timão. Achei massa.

Aí meu tio Lino explicou que o nome certo é Corinthians. Aí eu não gostei mais, muito comprido. E também me falou que eles são gambás. Dessa parte eu gostei bastante, porque minha avó vive dizendo que eu fedo que nem gambá, só porque não gosto muito de tomar banho.

Quando eu falei que queria uma camisa do Coringão, quer dizer do Timão, meus tios ficaram doidos.

- Ficou louco, Bruninho? Se aparecer com camisa do Corinthians nunca mais eu te pago pizza, sorvete, hambúrguer, vídeo-game... Mais nada. Tem que torcer é pro peixe.

- Mas eu não gosto de peixe. Eu gosto é de pizza.

Meu tio Lino franziu a testa. Quando ele franze a testa é porque a coisa é séria mesmo. Então eu desisti de ser gambá, apesar de ainda não ter tomado banho esta semana porque tá frio. E já tava meio cheio desse negócio de futebol. Eta jogo complicado e cheio de coisa! Até banco imobiliário é mais emocionante.

- Só falta agora esse moleque virar bambi.

Perguntei o que era bambi e meus tios riram, dizendo que era coisa de gay e era o apelido da torcida do São Paulo.

- Paulista é gay?

- Não é paulista, é são-paulino.

- Nem vem, a professora falou que quem nasce em São Paulo é paulista!

- Não é o estado, é o time.

- Ah, tá...

- Pare com essa mania de “ah, tá”!

- E a camisa do São Paulo é rosa?

- Não, seu tonto, a camisa é tricolor.

- Que nem o Palmeiras?

Todo mundo fez cara que não entendeu.

- O Palmeiras é verde e branco, duas cores, seu burro.

- Três: verde, amarelo e azul. E a professora ensinou que três é tricolor...

Meu tio Lino ficou com raiva da minha resposta.

- O São Paulo é vermelho, preto e branco, seu tongo.

- É uma mistura de Flamengo com Botafogo?

- Não! Gritou meu tio Cláudio, furioso.

- Mas as cores...

- Chega, Bruno, vai lá fora chutar uma bola pra ver se aprende alguma coisa.

- E depois vai tomar um banho! Berrou minha mãe lá da cozinha.

Então eu fui lá fora brincar com o Turbo que é bem melhor. Meu pai falou que o Turbo é uma mistura de duas raças: “pelo duro” e “xinaider”, mas eu não acredito, porque não achei essas duas raças na internet. Pra mim, o Turbo é só da raça dele, porque nunca ninguém viu um outro cachorro nem parecido.

E o Turbo é o único que me entende, porque também não gosta de tomar banho. Aí eu fiquei pensando: quando eu crescer eu vou criar um time chamado Turbo e a camisa vai ser meio branca, tipo assim um marrom meio cinza, igualzinho ao pêlo do Turbo...

Falei pros meus tios que tinha visto um guri no colégio usando uma camisa laranja, bem bonita. Tio Cláudio me disse que só podia ser da seleção da Olanda.

- Holanda com H, Bruno, disse meu tio Lino sempre querendo me ensinar alguma coisa.

No outro dia eu perguntei pro guri, que sempre tá com a mesma camisa, até dorme com ela pra não ter o trabalho de ficar trocando todo dia, se ele era holandês:

O menino me olhou atravessado e respondeu:

- Ficou maluco, brother? Eu sou é tricolor das laranjeiras.

Eu fiquei tentando entender.

- Mas só tem uma cor na camisa...

- Seu burro, essa é a camisa número 3 do Fluzão...

- Ah, tá...

Quantas camisas que cada time tem? Eu tinha até gostado dessa história de laranjeira. Tem uma lá no quintal de casa, mas as laranjas tão sempre azedas. Será que existe algum bicolor dos limoeiros?

Aí, na rua, eu vi duas meninas com duas camisas quase iguais: uma era preta com uma lista branca atravessada no peito, e a outra era ao contrário. Aí eu perguntei que time era aquele e elas me responderam que era Vasco da Gama.

Achei o nome bem engraçado, mas deixei pra perguntar depois pro tio Lino como que é a camisa do time Pedro Álvares Cabral, que deve ser o inimigo delas.

Perguntei pra elas qual que era a camisa número 1 e qual que era a número 2.

- Sei lá, Bruninho, qualquer uma é a número 1.

- Ah, tá...

Mulher não entende nada de futebol mesmo, pensei comigo para mim mesmo. Aí eu vi outra menina, do meu tamanho, mó bonita, com uma daquelas camisas do Vasco. E eu logo arrisquei, pra puxar conversa:

- E aí, Gama?

Ela me olhou com cara de nojo e falou:

- Eu sou Ponte Preta desde criancinha, seu bobo!

Então eu pensei cá com eu: deve fazer bem pouco tempo que ela é Ponte Preta... E fiquei tentando imaginar uma ponte preta, mas só conseguia imaginar ponte branca, ponte bege e até ponte tricolor, que mal deu tempo de falar pra ela:

- Ah, tá...

Aí no ônibus da escola eu vi um guri com uma camisa bem vermelha e outro com uma bem azul. Eles me disseram que era do Internacional e do Cruzeiro. Um falou de um jeito meio engraçado “bah, sou colorado, tchê!”, e o outro logo retrucou “eu sou raposa, uai”.

Que pena: na minha terra não tem raposa, só galinha, porco e gambá. Fora o Turbo.

Perguntei pro meu tio Cláudio se o inimigo do Internacional era o Nacional. Ele me olhou estranho, suspirou e disse:

- Bruno, o inimigo do Inter é o Grêmio.

- O Grêmio Recreativo Unidos da Vila Moema, perto da casa da vó?

- Não, seu burrinho, o Grêmio de Porto Alegre. Tricolor gaúcho.

- Verde, amarelo e azul que nem o Palmeiras?

- Não!

- Já sei: preto, vermelho e branco?

- Não! É azul, preto e branco, seu tosco.

- Ah, tipo assim uma mistura de Botafogo com Cruzeiro.

- ...

- Nunca mais repita uma bobagem dessas! Falou meu tio Cláudio, bem devagarzinho.

- Ah, tá...

Tio Cláudio fica zangado muito fácil. Mas meu tio Lino logo me explicou que Inter e Cruzeiro são dois times muito simpáticos.

- Simpáticos por quê?

- Bem... (ele ficou pensando numa resposta)

- Porque eles nunca venceram nenhum jogo importante dos nossos times e já derrotaram os nossos inimigos em muitas decisões, disse meu tio Cláudio.

- É isso, Bruno: o inimigo do nosso inimigo é nosso amigo, discursou meu Tio Lino, igualzinho a minha professora de religião.

- Ah, tá...

Aí ia passar o jogo do Brasil e da França na televisão e todo mundo foi lá em casa pra comer a pizza que a minha mãe faz. Só eu sozinho como oito! Tio Cláudio, sempre fazendo piada sem graça, disse pra eu torcer pro Brasil e que o Brasil era o time de amarelo.

- Ah, tá, respondi na hora, fazendo de conta que não sabia.

A camisa da França parecia a do Cruzeiro misturada com a do Internacional e a do Santos número 1. Muito antipática, eu achei. O amarelo do Brasil é meio desmaiado e mais parece um canário que meu pai tinha e o gato do vizinho comeu.

Aí meus tios começaram a gritar juntos “vai Kaká, vai Kaká”. Até minha mãe gritou, porque acha o Kaká bonito.

- Mas ele não era do time dos bambis?

- Cala a boca, Bruninho, e vê se torce.

- O seu Nelson, lá da venda, parece meio bambi mas não torce pelo São Paulo. Eu vi ele com uma camisa do Vasco, acho que a número 2...

- Se dane, Bruno, resmungou meu avô com a boca cheia de pizza de champignon.

- Ou será que o seu Nelson é Ponte Pretense?

- Pedala, Robinho! Gritou tio Lino, sem querer me dando uma boa idéia...

Saí de fininho e fui lá fora andar de bicicleta com o Turbo correndo atrás. Maravilha, não tinha ninguém na rua porque tava todo mundo vendo o jogo. Brinquei até suar um monte e dar mais fome de comer pizza. Quando voltei, fui logo perguntando:

- De quanto o Brasil perdeu?

- Como é que você sabe que o Brasil perdeu, Bruno, se nem viu o jogo?

- É que ninguém soltou foguete...

Meus tios se olharam, meio tristes, meio sem graça, e falaram quase na mesma hora:

- Ah, tá...

Por Torero às 14h39

03/10/2009

Sempre aos domingos: O estádio paulista para a Copa

 
 

Texto de Marcio R. Castro



A cidade de São Paulo quer a abertura da Copa do Mundo. Quando digo a cidade, não me refiro somente aos seus representantes políticos, governador, prefeito e secretários, nem apenas ao Comitê Organizador Local. De forma geral, a população da cidade também quer. Nós queremos, por paixão e razão.

 Nosso foco é a abertura, uma semifinal, os grandes confrontos, os jogos decisivos. Nada mais óbvio, não há dúvida sobre a relevância da maior metrópole do Brasil, seja qual for o critério escolhido.

Numa Copa do Mundo, para a abertura e para a grande final, os estádios devem comportar uma capacidade maior de pessoas. Foi assim na França, no Japão e na Coréia do Sul, foi assim na Alemanha. Todos esses países realizaram suas Copas com estádios de portes variados, com muitas arenas de tamanho médio. Porém, para abertura e final, foram escolhidos estádios maiores, com mais de 65.000 assentos.

 

O Palmeiras já apresentou o projeto de sua nova arena, que parece que realmente sairá do papel. Nova, moderna, inteligente, bem localizada, com ampla rede de transporte a seu dispor, a arena Palestra será um primor. Um orgulho para todo palmeirense, para toda a cidade. Um estádio de nível um, mais do que capaz de ter jogos de Copa do Mundo. Porém, com capacidade para 42.000 pessoas. Por isso, está fora da disputa. 

A prefeitura pretende, em parceria com o Corinthians, reformar amplamente o Pacaembu. O investimento viria do clube (a prefeitura quer 250 milhões de reais, o Corinthians não pretende colocar mais de 100, a negociação continua), que receberia a concessão de uso por décadas. Remodelado, com os lugares cobertos, de fácil acesso, agregado ao museu do futebol, o novo Pacaembu também não ficaria devendo em nada. Mas contaria com cerca de 45.000 lugares, que seriam insuficientes.

 

Mas e a construção de outro estádio na capital paulista? Especialistas em gestão de arenas indicam que um novo estádio para a cidade, ainda mais um dos grandes, seria uma extravagância, inviável economicamente. E é verdade. Se o Corinthians construir seu estádio, por exemplo, o Pacaembu ficará às moscas. 

Apesar disso, é uma prerrogativa do Corinthians ter a sua casa própria. Se assim o clube decidir e conseguir recursos para a realização do sonho, azar do Pacaembu. Só que, depois de quase cem anos de promessas, terrenos e maquetes, não existe no momento nenhum projeto minimamente palpável para uma arena corintiana.

 

Alguns defendem que esse novo estádio seja bancado pelo poder público. Já ouvi argumentos de que se Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Salvador, por exemplo, têm os seus grandes estádios governamentais, São Paulo não pode ficar atrás.

 

Se existisse apenas uma regra para a realização de uma Copa do Mundo em São Paulo, deveria ser a proibição de qualquer centavo vindo do poder público na construção de um estádio de futebol. Não faz o menor cabimento torrar milhões em algo que será subutilizado e gerará rombos orçamentários intermináveis, ainda mais em uma cidade que já tem um estádio municipal e clubes com estádios próprios. 

A FIFA vem, seguidamente, achincalhando o Morumbi e seus projetos de reforma. Só que a entidade não está preocupada com o pós-Copa. Em sua megalomania autocentrada, a FIFA adoraria que o governo arcasse com os custos do seu sonho de consumo, pouco se importando que se torne um elefante branco após 4 ou 5 jogos.

 

É claro que não devemos aceitar que nenhum clube receba benesses do governo. Nenhuma verba pública deve ser repassada ao São Paulo Futebol Clube. Aliás, seria uma boa hora para acertar contas com o passado, exigindo do clube a regularização do seu sistema de esgotos, além de esclarecimentos e ações sobre invasões de terrenos públicos, contrapartidas não realizadas e outras questões pendentes. 

Particularmente, tenho inúmeras restrições ao Morumbi. Entre elas, algumas que não terão solução com as reformas, como a distância e ângulo de visão dos assentos do piso inferior, lugares na escuridão em plena luz do dia e visibilidade prejudicada devido ao engavetamento dos anéis do estádio (bolas chutadas um pouco mais altas “desaparecem” por causa do nível acima).

 

Porém, o Morumbi é a única opção real para que a cidade de São Paulo tenha um estádio de grande porte na Copa do Mundo, sem que se faça qualquer tipo de farra com o dinheiro público. Essa foi a escolha da cidade, ser uma sede que precisa de um estádio maior. O Morumbi é esse estádio. O resto é politicalha, clubismo ou mera birra.  

Se a FIFA continuar com essa postura arbitrária até o fim, cheia de interesses ocultos e evidente politicagem (alguém duvida que, mesmo com ressalvas, o Morumbi se tornará um estádio excelente?), que a cidade de São Paulo perca de uma vez a tal da abertura da Copa.

 

Seria ridículo, pela questão do estádio, preterir da abertura uma das cidades mais cosmopolitas do mundo, com mais museus, teatros, cinemas e casas de espetáculo, com mais opções gastronômicas, com mais e melhores hospitais, com a maior rede de transporte ferroviário, com mais parques e espaços culturais, com mais e melhores hotéis... 

Mas se assim for, nós não queremos mais. Se não por paixão, por razão.

Por Torero às 02h05

01/10/2009

Seleção de apelidos

 
 

Seleção de apelidos

Texto enviado por Mateus Pedroso

O universo futebolístico se caracteriza por haver muitas brincadeiras entre os colegas de profissão. Uma das maiores brincadeiras em concentrações, é colocar apelidos nos companheiros.

Além dos apelidos gerados em concentração, muitos jogadores trazem consigo, apelidos de infância.

Apelidos são tão comuns no Brasil, e principalmente no futebol, que é impossível assistir um jogo de futebol, mesmo na primeira divisão, sem que seja narrado pelo menos um apelido.

Com isso, dentre muitos jogadores, segue uma seleção de apelidos, alguns selecionáveis que vêm se destacando em seus times, e que agora estão aqui... na "Seleção de apelidos"

Goleiro - Anderson Soares da Silva, o Neneca, jogador do Santo André. Apelido que ganhou devido à aparência física ao antigo goleiro Neneca.

Lateral Direito - Eduardo Correia Piller Filho, o Eduardo Ratinho, revelado pelo Corinthians, e hoje, também no Santo André. Apelido recebido quando chegou ao Corinthians por ser raquítico e ter os dentes quebrados.

Zagueiro - Anderson Sebastião Cardoso, o Chicão, zagueiro artilheiro do Corinthians. Ganhou o apelido pela forma de atuar parecida com o ex-zagueiro da Seleção Chicão.

Zagueiro - Wellington Pereira Rodrigues, o Gum, ex-jogador da Ponte Preta, hoje atuando pelo Fluminense. Apelido dado por um primo, que nem sabe o motivo de tal apelido.

Lateral esquerdo - Luciano da Silva, o Triguinho, jogador do Santos. O apelido vem do gosto culinário do jogador, que adora comer massas.

Volante - Rafael Aparecido da Silva, o Boquita, jovem promessa que herdou o apelido do pai, que ganhou tal apelido por reclamar demais quando jogava futebol. Boquita Junior defende o Corinthians.

Volante - Leandro dos Santos de Jesus, o Makelele, devido à aparência física com o jogador francês Makelélé. Hoje, Makelele é jogador do Grêmio.

Meia - Anderson Simas Luciano, o Tcheco, que joga pelo Grêmio. Ganhou esse apelido dentro da família, por ter nascido muito claro.

Meia – Paulo Henrique Lima, o Ganso. Ganhou o apelido nas divisões de base de seu atual clube, o Santos.

Atacante – Vagner Silva de Souza, o Vagner Love, que ganhou esse apelido por ser pego na concentração, com mulheres. O jogador que acaba de voltar ao Palmeiras.

Atacante - Bruno Ferreira Bonfim, o Dentinho, que ganhou o apelido quando tinha apenas 12 anos, por ter os dentes tortos, é um dos destaques do Corinthians.

Técnico - Luis Antônio Venker Menezes, o Mano Menezes, treinador de maior destaque atualmente no futebol brasileiro, ganhou o apelido dentro da família, com brincadeiras para a irmã mais velha como: "o mano nasceu".

Todos os jogadores acima são de times da Série A do brasileiro, mas vamos dar uma atenção especial a um jogador da Série B. Nenhum jogador consegue ter uma variação de apelidos tão grande como ele:

Márcio Mandinga dos Santos, o Márcio Mixirica, apelido que ganhou nas categorias de base do Bragantino, dado por um companheiro de clube, por ter muitas acnes no rosto, as quais foram equiparadas a uma mexerica, mas no linguajar paulista, o nome foi alterado e se tornou Mixirica.

Claro que o destaque do time é Márcio Mixirica, que possui um nome bastante variável.

Ele pode ser chamado também de Márcio Pocã, Márcio Mandarina, Márcio Mimosa, Márcio Tangerina, Márcio Bergamota e Márcio Vergamota.

Existe algum jogador com mais variações de seu apelido?

Então a Bola de Ouro da Seleção dos Apelidos vai pra Márcio Mixirica!!!

Por Torero às 08h52

22/09/2009

Heróis santistas

 
 

Heróis santistas

(O insigne Marcelo Lyra mandou uma mistura entre jogadores santistas e heróis (se bem que neste Brasileiro eles estejam mais para vilões)

Fábio Costa é o Coisa: quando sai do Gol para dividir parece uma coisa.

George Lucas é o Thor: quando bate falta a bola vira o martelo do Thor: veloz e certeira.

Domingos é o Incrível Hulk, chegou perto, ele quebra.

Fabão é o Demolidor, pois às vezes dá umas furadas que só sendo cego.

Léo é o Flash: sai da defesa e já aparece no ataque.

Émerson é o Fantasma, o espírito-que-anda: dizem que tem mais de 400 anos e está velho para o futebol, mas aparece do nada e o talento ressurge. 

Rodrigo Souto é o Homem Invisível: não aparece muito para a torcida, mas tem uma função tática importante.

Ganso é o Super-Homem: algumas vezes é o herói do jogo. Noutras, some em campo, vira Clark Kent.

 Neymar, obviamente, é o Superboy.

Madson é o Multi-homem: parece que está em vários lugares ao mesmo tempo (ultimamente, até no banco).

E Kleber Pereira é o Príncipe Namor: está sempre na água (no caso, da banheira).

Por Torero às 07h56

20/09/2009

Valentino Rossi e Muricy Ramalho

 
  (Neste Sempre aos Domingos de hoje, dia em que o São Paulo pode chegar à liderança do Brasileiro, apresento-vos um texto que vem bem a calhar, que se encaixa feito mão na luva, feito dedo no nariz)

Por JAIME BELMIRO*

 

Corria o ano de 2003 e o piloto de motovelocidade Valentino Rossi caminhava célere rumo à conquista de seu tricampeonato da MotoGP/500 cilindradas. Impiedosamente, o piloto italiano mostrava porque era o melhor daquela época, já que simplesmente deglutia seus adversários corrida a corrida.

 Porém, apesar do tricampeonato iminente, Valentino tinha que conviver com os comentários de que boa parte de suas conquistas se deviam à superioridade de sua moto e sua equipe Honda frente ao equipamento e time dos outros pilotos.

O que reforçava esta teoria era que, entre 1994 e 2002, a Honda havia conquistado nada menos que 8 dos 9 campeonatos das 500cc. Talvez os méritos devessem recair realmente ao equipamento e à equipe, tão vencedores àquela época; possivelmente Valentino fosse um mero coadjuvante, o condutor de uma moto vencedora, apenas. Valentino e a Honda confirmam a conquista do campeonato de 2003.

Mas chega o ano de 2004 e Valentino aceita do desafio de correr pela Yamaha, equipe mediana, cuja última conquista havia sido no longínquo ano de 1992. Que formidável embate preparado para 2004: o piloto campeão contra sua ex-moto/equipe campeãs. Seria o "vamos-ver", o "tira-teima".

Como um virtuose, Valentino não vence somente o campeonato de 2004, mas também o de 2005 e, mais recentemente, o de 2008 - todos pela Yamaha - para escrever definitivamente seu nome na história!

A Honda não ganha nada desde a saída de "Vale", em 2003! Hoje, Valentino Rossi é o maior piloto de motovelocidade de todos os tempos.

Corre o ano de 2009 e Muricy Ramalho possui um tricampeonato brasileiro de futebol (2006 a 2008) no bolso. Sua equipe na ocasião do tricampeonato, o São Paulo, também exibia impiedosamente sua capacidade de vencer seus adversários (mesmo não jogando o fino, vencia e era o que importava). Semelhantemente a Valentino, Muricy também teve que conviver com os comentários: "Com esse time, até eu." "Com essa estrutura, qualquer um conseguiria." "Com Rogério Ceni no gol e indo ao ataque fazer gols, fica fácil".

Hoje Muricy enverga as cores do Palmeiras, cuja última conquista remonta ao ano de 1994. Que maravilhoso embate teremos este semestre: o técnico tricampeão contra sua ex-equipe tricampeã. Será "a hora da verdade", o "pega-pra-capar". Quem será o grande tetracampeão? Claro que Muricy já tem seu nome gravado com letras douradas e garrafais nos anais da história do futebol brasileiro. No entanto, se realizar a proeza da conquista do campeonato deste ano com o Palmeiras, Muricy alcançará não somente um tetracampeonato, mas também o direito se ser considerado o maior técnico de futebol do Brasil da década.

É bem verdade que Internacional, Atlético-MG e Goiás estão em grandes condições de levar o caneco; mas, que me perdoem estes belos times, Muricy X São Paulo é o duelo do ano no futebol brasileiro.

 

*Jaime Belmiro é analista de sistemas, fã de esportes a motor e torcedor do Guarani de Campinas.

Por Torero às 09h20

19/09/2009

Doping na arbitragem

 
 

Doping na arbitragem

Texto de Anderson Santos

Saiu em todos os meios de comunicação: "Árbitro brasileiro de futebol é pego apitando dopado os jogos do Brasileirão!". Isso logo após a "vergonhosa" suspensão de seis atletas no atletismo nacional pelo mesmo motivo.

Já era de se estranhar que em meio a péssimas arbitragens, ele se sobressaísse em relação aos demais, corrigindo erros até dos seus auxiliares! Nem o velho jargão popular poderia ser utilizado para ele: "errar é humano".

Segundo as informações até agora divulgadas, o juiz utilizava de várias alternativas para garantir 100% de acerto nas partidas. Para acompanhar os lances de perto, ele resolveu dedicar a vida plenamente ao esporte, formando-se educador físico e se casando com uma nutricionista.

Desde cedo o plano estava traçado. O sonho da vida dele era apitar uma Copa do Mundo e ser tão respeitado quanto o italiano careca do Collina, nem que para isso tivesse que torcer para que a CBF realizasse uma "preparação" igual a realizada para a Copa de 2006.

Parte física garantida, foi rápida a sua passagem para o quadro da Fifa. Nem os turrões invejosos dos comentaristas de arbitragem tinham motivos para xingá-lo. Para ajudar ainda mais em seu físico, treinava como se fosse um atleta de maratona, com direito a corridas nas férias em locais com altitude.

Mas não apenas isso era suficiente, o juiz sabia que ele dependia de outras duas pessoas para garantir a perfeição. Resolveu colocar a mãe, uma jovem senhora, para observar os lances através da transmissão da TV. Quando via que o filho poderia cometer algum erro, quase que de forma instantânea, ela o comunicava através de um micro-ponto no ouvido dele, disfarçado pelos cabelos de médio tamanho.

Ah, acaba de aparecer uma nova notícia aqui! Conseguiram entrevistar a mãe do árbitro. Ela afirma que o filho não queria que a xingassem durante as partidas de futebol e ela achou que poderia ajudá-lo. Afinal, se fossem xingá-la, agora poderiam ter razão.

Realmente é uma pena que a tecnologia não possa ser utilizada nos campos de futebol ao menos para definir se é gol ou não. Mas o futebol já estava ficando sem graça com uma surpresa a menos na sua caixinha.

(Para que ninguém se assuste e se ache mal informado, esse é apenas um texto que "brinca" com dois fatos que muito nos preocupam: a péssima qualidade da arbitragem do futebol e o doping no atletismo).

Por Torero às 05h56

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