Blog do Torero

31/08/2010

A semana corintiana

Entre as muitas festas corintianas desta semana, haverá a Semana Cultural do Centenário do Corinthians, que acontecerá no auditório Armando Nogueira, no Museu do Futebol.

A agenda é a seguinte:

31/08: 19h às 21h30

Guerreiros e Batalhas

Com José Maria Rodrigues Alves (Zé Maria), Sebastião Carlos Silva (Tião), José Teixeira e André Martinez

 

 02/09: 19h às 21h30

A Fiel Torcida & Mulheres Corinthianas

Com Marcelo Duarte, Lázaro Simões Neto, Juca Kfouri, Mônica Toledo Poso e Leonor Macedo.

 

3/09: 19h às 21h30

A Gênese do Campeão dos Campeões

Com Plínio Labriola Negreiros, John Mills, Walter Falcetta Júnior e Filipe Martins Gonçalves.

 

04/09: 10h às 12h30

A saga da Democracia Corinthiana

Com Heródoto Barbeiro, José Paulo Florenzano, Sócrates e Ricardo Gozzi.

 

E, na internet, amanhã, 1º de setembro, a partir das 16h00, Marcelo Unti irá ministrar uma palestra sobre a história do Alvinegro através do site http://www.phortetv.com.br/.

 

Por Torero às 11h01

30/08/2010

O duelo entre as balas e os cupins

A placa da entrada da cidade está cravejada de balas, e, por puro capricho, três buracos ficaram exatamente na posição dos pingos nos is.

Por isso, em Brasileirão City, quando alguém diz que vai “colocar os pingos nos is”, já se espera pelo pior.

Ontem, vários is foram pingados com chumbo. Os primeiros foram os de Victoria Salvador. A bela cauguel recebeu dois tirambaços de Tim Timão. Infelizmente, as balas não partiram de sua imponente garrucha Ronald, que ontem voltou do conserto. Mas, mesmo assim, foi uma importante conquista de Tim, o aniversariante da semana, que, em vez de apagar velhinhas, preferiu apagar sua pobre adversária.

Com esta vitória, Tim chegou mais perto de Louis Laranjeira, que apenas empatou com Jack Tricolor. Curiosamente, a melhor arma de Jack não foi um revólver, um rifle ou mesmo um canivete, e sim seu velho colete Ceni. Primeiro, uma bala ricocheteou no velho protetor e alvejou Louis. Depois, o alaranjado colete recebeu um tiro à queima roupa, mas resistiu bravamente, como se fosse feito do mais duro aço. Jack e Louis ficaram no empate, mas o colete Ceni saiu do duelo como vencedor.

Para piorar a situação de Louis Laranjeira, ele e Black Red em breve perderão seu adorado Maracanã Saloon, onde raramente perdem. Com isso, podem cair na tabela.

 O Maracanã Saloon recebe mais reformas que testa de socialite. 

Outro empate aconteceu entre Harry Hurricane e Sancho Pampa. Cada um acertou uma bala no oponente. Harry está num preocupante 12º. Lugar. Pampa, num desesperante 17º.

Sir Arah, o Vovô do faroeste, e Bradd Prudent, o caçula dos caubóis, também ficaram no empate. O duelo foi em Big Castle, mas  Prudent não respeitou as barbas brancas de seu oponente, mesmo estando na casa do adversário. O resultado foi ruim para ambos. Prudent está apenas com 16 pontos. Sir Arah, que já esteve na segunda posição, agora está em sétimo.

 O velho Sir precisa usar óculos para melhorar sua pontaria.

Mais um empate (oh, como foram duros os duelos deste fim de semana!) aconteceu entre Gordon Dragon, o caubói do cerrado, e Ava Wee, a cauguel das praias. E cada um deles teve uma arma fatal: Dragon usou sua pistola Elias, que já é a segunda melhor de Brasileirão City, e Ava usou seu revólver Little Vand. Cada ama disparou dois tiros certeiros. O caubói do cerrado começa a ter chances de recuperação. A cauguel das praias continua perigosa.

O índio Guarani, célebre representante dos matos de dentro, fez um grande duelo contra Black Red. Começou perdendo, mas, nos últimos dois minutos, cravou duas flechas certeiras no peito do inimigo. Ontem, os fãs do úndio Guarani devem ter bebido cauim até cair. 

 O filho da terra não tem revólveres famosos, mas está decidido a sobreviver em Brasileirão City.

James Colorado recebeu Seth Fire em seu saloon, mas foi um anfitrião pouco gentil, acabando com a série invicta do cavaleiro da estrela solitária. James Colorado já é o quarto colocado, e pode subir ainda mais.

Rob Gallo, o homem sem lar, perdeu para Big Green. E de virada. O chapéu Lux in Burg de Rob Gallo já não dá boas ideias ao caubói mineiro. Já o Big Phill de Big Green mostrou que é tamanho extra large, e finalmente o caubói alviverde ganhou um duelo fora de seus domínios. Tristemente, Rob Gallo continua entre aqueles que podem ser mandados para Série B Village.

Will Uai e Joaquim Wayne fizeram o quinto empate desta rodada (e até nisso houve empate, pois tivemos cinco duelos sem vencedores e cinco com). O encontro deuse-se na casa de Joaquim, mas Uai foi quem dominou Usando seu célebre chapéu de pele de raposa). Ele entrou pelos fundos do San January Saloon e pegou o caubói de amplos bigodes desprevenido. No fim das contas, o empate acabou sendo lucrativo para Joaquim Wayne.

 Joaquim Wayne ainda estava preparando sua arma...

 ... quando Will Uai se esgueirou pelo corredor e pegou-o de surpresa.  

John Esmeraldine, que era o bambambã do Center West, perdeu para Billy, the Fish, e continua sendo o último dos caubóis. O maior inimigo de Esmeraldine parece ser ele mesmo. E, quando isso acontece, o pior nunca é uma surpresa.

Enfim, foi apenas a décima-sétima rodada de duelos.

A placa de Brasileirão City ainda ficará mais furada do que se fosse comida por cupins

Por Torero às 09h35

29/08/2010

O tabu entre Corinthians e São Paulo

 
 

O tabu entre Corinthians e São Paulo

Texto de Nathan Malafaia

Há poucas coisas capazes de mexer tanto com o torcedor de futebol do que o Tabu. Quando você olha na tabela e percebe que o próximo adversário é aquele do qual seu time não ganha há um bom tempo, já começa a sentir um certo mal-estar; se for rival, então, o sentimento beira o insuportável. Carrega-se uma leve esperança, que pode aumentar (bem pouco) caso o seu time consiga um gol, mas que, invariavelmente, rui diante de mais um resultado desfavorável. Tabu pesa, mexe, é confiança para seu portador e frio na espinha para quem sofre por ele.

Ultimamente, ouve-se muito que o clássico “Majestoso”, disputado entre Corinthians e São Paulo, seria o de maior rivalidade do Estado. Acredito que uma das maiores razões para isso (senão a maior) é o Tabu. Acredito que, se procurarmos no futebol mundial, não encontraremos clássico disputado entre rivais que se enfrentam regularmente que detenha o maior tempo nesta situação: em última análise, desde o longínquo dia 22 de Março de 2003, quando o Corinthians tornou-se Campeão Paulista ao derrotar o São Paulo, o “Majestoso” vive sob tabu.

Tabu é um tempero saborosíssimo: quem o detém quer manter, quem é sua vítima quer exterminar. Após a final de 2003, foram mais de quatro anos, nos quais foram disputados 13 jogos entre São Paulo e Corinthians, sem que este último conseguisse um resultado positivo. Corintiano que sou, acompanhei grande parte destes jogos, sendo que, depois de um tempo, o jogo pesa e fica amargo a cada vez que você percebe que não será desta vez que o tabu será quebrado. Recordo-me de pênaltis perdidos que mudariam jogos, grandes atuações dos tricolores, expulsões tolas, viradas inesperadas, técnicos demitidos. A impressão, a cada novo jogo, é que o tal do tabu não teria fim.

E o que intriga é que o último jogo do Tabu são-paulino é, também, o primeiro do Tabu corintiano. Num jogo feio, em que o 0x0 perdurou até os 37 minutos do 2° Tempo, Dagoberto fez o gol que mantinha a escrita a favor do São Paulo. E foi nos acréscimos deste jogo que o Tabu corintiano começou.

Há três personagens principais do Tabu que o Corinthians mantém sobre o São Paulo, e que aumentou para dez jogos neste domingo, com um retumbante 3 a 0:

A primeira delas é Zelão. Jogador que muitos corintianos gostariam de esquecer, foi dele o gol que, nos acréscimos, impediu nova derrota do Corinthians.

A segunda é Betão. Em mais um confronto que parecia fadado ao placar em branco, aconteceu o que os corintianos esperavam: aos 40 minutos da segunda etapa, Gustavo Nery (!) cobrou falta da intermediária, Fábio Ferreira (!!) escorou e Betão (!!!) cabeceou para o gol. Nada mudou para o São Paulo, que chegaria ao bicampeonato brasileiro; nada mudou para o Corinthians, que acabaria rebaixado à segunda divisão. Mas para as torcidas, o Tabu havia terminado.

Mera ilusão. Dois empates, pelas fases iniciais do Campeonato Paulista, em 2008 e 2009, mantinham uma curta invencibilidade do Corinthians. Nas semi-finais do Paulistão 2009, as duas equipes se encontraram. No primeiro jogo, persistia novo empate por 1x1, e continuava a dúvida, pois Tabu está intimamente relacionado com derrota, e o São Paulo perdera apenas uma vez.

Mas aí veio Cristian, a terceira personagem da série: nos acréscimos, roubou a bola na intermediária, avançou e chutou, certeiro, no canto de Rogério Ceni. Golaço!

Aí sim corintianos e são-paulinos tiveram certeza de que o Tabu continuava. E continua ainda. E a minha torcida, como corintiano, é para que demore a acabar, a menos, é claro, que mude de lado novamente.

Por Torero às 09h29

27/08/2010

Meus leitores: Maria Lucia, a bugrina de Miami

 
 

Meus leitores: Maria Lucia, a bugrina de Miami

A partir de hoje começo aqui uma nova seção: Meus leitores.

A ideia é contar a vida de alguns leitores e o amor deles por seus clubes. Imagino que irei fazer isso uma vez por mês. Para inaugurar, entrevistei por email uma leitora que mora bem longe, em Miami. Ela tem 59 anos e é torcedora fanática do Bugre.


Maria Lucia, a bugrina de Miami

Maria Lucia diz que só tem uma mania: todo dia, às 3 horas da tarde, para o que estiver o o que estiver fazendo para tomar um cappuccino. Na verdade, tem duas: o capuccino e o Guarani.

Em 1960, quando sua família mudou de Cássia-MG para Campinas, ela tinha 9 anos. Seu pai sempre gostou de futebol, e assim começou seu caso de amor com o time.

“Meu pai ia aos jogos do Campeonato Paulista no Brinco de Ouro e eu gostava de ir com ele.”

Mas o pai só a levava aos jogos contra os times grandes. A coisa melhorou em 1963, quando sua irmã começou a namorar um bugrino que viria a ser seu marido. Para agradar a família, o rapaz, depois do almoço de domingo, levava a irmã da namorada ao campo, e assim Maria Lucia passou a ver todos os jogos.

“Meu cunhado fazia parte do Departamento Social do Guarani e ia em muitas caravanas. Então, com a autorização dos meus pais, passei a ir nas caravanas também. E assim foi a minha vida durante 30 anos acompanhando o Guarani. Ia a todos os jogos em Campinas e fiz parte da Guerreiros da Tribo. Viajei muito pelo interior de São Paulo e, quando passamos a participar do Campeonato Brasileiro, também ia em muitas caravanas por esse Brasil afora.”

 Em 1990 Maria Lucia deu uma virada na vida. Depois de 19 anos trabalhando na mesma empresa, resolveu que era hora de partir para algo novo. Como tinha uma amiga que já morava em Miami, resolveu tentar a vida lá. E lá está até hoje.

“Logo que cheguei, não tinha internet. Ligava para minha mãe todo domingo para saber o resultado do jogo do Guarani. Coitada, deixava ela louca, porque aí ela tinha que acompanhar as jornadas esportivas para me dizer o que acontecia com o Guarani.”

Hoje, graças à internet, ela acompanha o Guarani diariamente, lendo os jornais de Campinas e ouvindo os programas esportivos nas rádios da cidade.

Perguntei se ela já fez loucuras pelo Guarani e ela respondeu: “Várias.”

Maria Lucia já foi ao Paraguai, em 79, ver um jogo pela Libertadores, já viajou 24 horas de trem para assistir um jogo em Campo Grande-MT, e já voltou de uma viagem a Goiânia deitada no corredor do ônibus da torcida, por conta de uma crise de pedra nos rins.

Mesmo em outro país, ela se mantém fiel ao Guarani: “Aqui em Miami tem um time de futebol, o Miami Futebol Clube. Mas nunca fui a um jogo sequer, nem mesmo quando o Romário jogou por aqui. Espero que o Bugre venha um dia jogar aqui pelas bandas de Miami. Seria um dia de glória para mim.”

Apesar de não ver um jogo ao vivo do Guarani desde 2003, Maria Lucia faz parte do projeto Sócio Torcedor. E, no ano que vem, ela vai passar o mês de abril em Campinas, participando das comemorações do centenário do Guarani.

“Quero estar lá, para assistir ao vivo e em cores, todas as homenagens que serão realizadas para o meu querido clube.”

Categoria: Meus leitores

Por Torero às 11h24

O balanço da rodada (e outros brinquedos)


O time que subiu mais alto no balanço deste meio de semana foi o Fluminense. Com sua boa vitória sobre o Goiás e a derrota corintiana para o Cruzeiro, ele se afastou muito do resto dos times e agora formou um bloco do eu sozinho.

Se continuar assim, ganha o Brasileiro com uma mão na roda.

Houve times que, em vez de balanço, preferiram gangorras. O Palmeiras, por exemplo, que parecia estar subindo, desceu. Perdeu para o lanterna Atlético-GO, que parecia estar descendo, mas que agora, com Renê Simões, parece estar subindo.

Aliás, no aniversário do Palmeiras, quem recebeu os parabéns foi o meia Elias, que marcou três gols.

E o Dragão, campeão da Série C em 2008 e quarto colocado na B em 2009, volta a ter esperanças de continuar na elite do futebol. 

Num carrossel sem graça, daqueles que giram devagar e não vão a lugar nenhum, ficaram Atlético-MG e Flamengo, que fizeram um jogo de quases. Houve alguns quase gols e as equipes jogaram quase decentemente. Mas acabaram num reles zero a zero. Com isso o Flamengo está na décima posição e o Galo manteve-se em décimo-oitavo. Mas é um bom time: se se acalmar, sai da zona de rebaixamento.

Guarani e Vitória também ficaram num empate morno. Menos mal para o time de Campinas, que conseguiu um empate fora de casa aos 30’ do segundo tempo, de pênalti.

E São Paulo e Vasco também não conseguiram se divertir muito. Ficaram num empate que foi quase uma derrota. Principalmente para o tricolor, que vê a zona de rebaixamento se aproximar como uma sombra de filme de terror.

Girando um pouco mais rápido, como num chapéu mexicano, tivemos Santos, Internacional e Atlético-PR, que venceram fora de casa.

O Santos venceu o Grêmio no Olímpico depois de quase uma década. Pena que perdeu Ganso para o resto do campeonato. Fazendo o jogo do contente de Pollyanna, será uma boa chance para Marquinhos e Zezinho.

O Inter ganhou bem do Avaí, inimigo direto e parece ter superado o efeito endorfina da conquista da Libertadores.

E o Furacão se afastou do abismo da Série B.


 

Corinthians e Ceará perderam. É como se tivessem subido bastante na montanha russa e agora caíssem. Mas são quedas que devem ser seguidas por outra subida. O time paulista jogou bem e poderia ter vencido o Cruzeiro. Quanto ao Ceará, não deve entrar em crise por ter perdido para o Botafogo fora de casa, ainda mais que o time de Joel Santana já vinha de quatro vitórias seguidas.

E quem está no Trem fantasma é o Goiás. Tomou uma goleada do Fluminense, em casa, e passou à lanterna do campeonato, em meio a uma crise que eu jamais havia visto no clube, que sempre pareceu um paraíso de tranquilidade.

A carta-bomba do presidente deve piorar um bocado a situação política do clube (para lê-la, clique aqui).

Aliás, sobre o possível rebaixamento, cito aqui um versinho do insigne Al-Chaer, torcedor do Goiás: “A pior coisa a ouvir, quando se está na zona de rebaixamento da Série A, é que ainda nos resta um Plano B...”

Enfim, lá se foi a 16ª. rodada de um campeonato não está para brincadeiras.

 

Por Torero às 07h52

26/08/2010

Só de coisa importante

 
 

Só de coisa importante

Por  Marcio R. Castro

Seu Vittorino Gennaro completa hoje 96 invernos. Se bem que, mesmo em agosto, ainda inverno portanto, seria mais justo falarmos em
primaveras.

Primeiro porque inverno passa a impressão de fim da linha, o que definitivamente não é o caso do vecchio signore. Ele é daqueles que nos
causam admiração aos 30, inveja aos 50 e uma certa raiva depois dos 60.

Depois, porque primavera é a estação em que o verde fica mais verde. Argumento que basta, nada é mais verde que o coração do Seu Vittorino.
Palestrino de nascimento, parmerista desde sempre e palmeirense até a morte, se ela um dia vier.

De uns tempos para cá, vez ou outra a memória do patriarca resolvia falhar. Nada de muito grave, não se alarme. Esquecer onde estavam as
chaves era o que acontecia de mais preocupante. Vittorino dizia que sua memória estava ótima, ele só não tinha mais paciência para lembrar de
qualquer banalidade, só de coisa importante.

Mesmo assim, nonno Vitto percebeu que essas pequenas mancadas de sua memória haviam deixado seus familiares preocupados. No último
domingo, ao chegar à cozinha, se deparou com seus dois bisnetos adolescentes, que conversavam sobre futebol em meio a mordidas em
sanduíches de mortadela. Meio sem quê nem porquê, Dom Vittorino disparou:

- Fred, Júlio, nostro Palmeiras joga hoje pelo Rio-São Paulo?

Os dois se olharam ressabiados. Será que nonno Vitto começava a esquecer até as coisas do Palestra? Logo ele???

- Não, nonno, o Rio-São Paulo não é mais jogado. O Verdão é o maior vencedor do torneio, com cinco taças. E nossos títulos são todos inteiros,
nenhuma conquista dividida, nem inacabada, lembra?

- Ah, é vero, ando meio esquecido, jogamos agora no Brasileirone... A propósito, e campeone brasileiro, nós já fomos?

- Como assim, nonno?! O Palmeiras é o maior de todos, temos oito títulos. São duas Taças Brasil, dois Roberto Gomes Pedrosa e quatro
Brasileirões. Sem contar que também somos o clube com mais taças nacionais. Com a Copa do Brasil e a Copa dos Campeões, somamos dez
conquistas! Só a gente ganhou tanto. O senhor esqueceu?

- Dio santo, é vero! Agora me recordo, o Verdone também é o único clube a vencer todas as competiciones nacionais já disputadas, não é?

Com a piscada do nonno, a farsa acabava. Os garotos ficaram aliviados, sorriram com a pegadinha do bisavô, mas resolveram continuar a gincana
alviverde.

O primeiro título mundial do futebol brasileiro? Palmeiras, sete anos antes da Seleção. Na final da Copa Rio, mais de 100 mil pessoas no
Maracanã. Pobre Juventus de Turim...

Falamos de Seleção? Qual o único clube que representou o Brasil por inteiro, do goleiro ao ponta-esquerda, do técnico ao último reserva?
Palmeiras, 1965, inauguração do Mineirão. Os uruguaios tomaram de três.

Momentos críticos também vieram à baila, sem ressalvas. A fila de 16 anos? Acabou em grande estilo, 4 a 0 no arquirrival. E quando eles estavam
nos 20 anos de fila, nós os deixamos na espera por mais três.

O rebaixamento? Até quando cai, um gigante fica de pé. Fomos e voltamos campeões, sem tapetão, sem regulamentos estranhos, sem
pataquada. Com o Palmeiras, o futebol brasileiro finalmente se moralizou, pelo menos nessa questão: nunca mais houve viradas de mesa.

E a inusitada conversa foi se estendendo. As Academias, o jogo de estreia do Pacaembu, a Libertadores, o supercampeonato de 59, a arrancada
heróica de 42, a Copa Mercosul, o Palestra de São Paulo, a surra de seis em cima do Boca, os 24 títulos estaduais (sim, tem os dois Campeonatos
Paulistas Extras), a sova de oito pra cima do Corinthians (coitados!), os três troféus Ramon de Carranza (dois deles vencidos em cima de um tal
de Real Madrid), o "morreu líder, nasceu campeão", a Arena Palestra, a campanha dos mais de cem gols em 96, o tri da década de 30, o "dá-lhe
porco!", o campeão do século XX... Se tantas glórias e tradições mal cabem nesse planeta, imagine naquela cozinha!

Hoje, ao receber os parabéns, Vittorino tentou disfarçar a surpresa, mas não conseguiu.

- Tinha se esquecido do próprio aniversário, nonno?!!

- Hoje joga o Palestra, cazzo! Só me lembro de coisa importante!

 

Marcio R. Castro é, obviamente, palmeirense.

Por Torero às 07h56

25/08/2010

Zé Cabala e o juiz triatleta palmeirense

(Em homenagem ao aniversariante de amanhã, republico aqui a entrevista com o maior artilheiro do Palmeiras)

Quando cheguei à casa do mensageiro das almas, o correio elegante dos espíritos, ele estava comendo uma enorme macarronada. "Servido?", ele me perguntou.

"Não, obrigado", respondi.

"Lamento interromper sua sagrada refeição, mas é que tenho que entregar o texto mais cedo e..."

"Tudo bem, já entendi", disse Zé Cabala. "Mas já aviso que isso vai lhe custar uma bandeira dois."

Concordei com o preço dobrado e logo depois o grande sábio estava dando giros como se fosse um peão. Parou em frente ao prato de macarronada, disse "Hum!" e recomeçou a comer.

Fiquei indignado: "Mestre, o senhor não vai incorporar ninguém?".

"Mestre? Deve haver algum engano aqui. Não sou mestre de ninguém. Fui só um jogador de futebol."

"Ah, desculpe... E o seu nome é..."

"Heitor Marcelino Domingues, às suas ordens."

"Heitor, o maior artilheiro da história do Palmeiras?"

"Esse mesmo. Foram 284 gols. O César Maluco, que é o segundo maior goleador do time, tem só 180."

"O senhor jogou em que época?"

"Comecei em 1915, com 16 anos, no Americano. Com 17 já estava no Palmeiras. E, com 18, na seleção brasileira, onde eu e o Friedenreich fizemos uma grande dupla. Até ganhamos o Sul-Americano de 1919."

"Mas o senhor e o Fried eram rivais, não eram?"

"E muito! Lembro-me até hoje do Estadual de 1920. O Paulistano, do Fried, era o nosso grande adversário, tanto que os dois times terminaram com 26 pontos e teve que ser marcado um jogo extra. E esse nós ganhamos: 2 a 1! Foi o primeiro campeonato do Palestra."

"Parabéns!"

"Naquele torneio, eu cheguei a marcar seis gols em uma só partida, contra o Internacional da capital."

"Puxa, isso deve ser um recorde."

"É, sim. Só duas vezes alguém marcou seis gols pelo Palmeiras numa só partida."

"Quem foi o outro artilheiro?"

"O outro também fui eu, em 1927, em um jogo contra o Corinthians de São Bernardo do Campo. Aliás, aquele ano foi ótimo. Em 1926 já tínhamos sido campeões, e eu fui o artilheiro. Mas, em 1927, conseguimos o primeiro bi do time."

"Puxa, deve ter sido o melhor ano da sua vida."

"Não, acho que o melhor foi 1928. Naquele ano, fui artilheiro do Paulista e campeão estadual de basquete."

"Caramba! O senhor era um bicraque!"

"Tri, porque eu também jogava no gol. Em 1929, em um jogo da seleção brasileira, o goleiro Amado se machucou e o Jaguaré entrou no lugar dele. Mas o Jaguaré também se contundiu e eu que acabei no gol. Mas não tomei nenhum."

"E quando se aposentou?"

"Joguei pelo Palestra até o final de 1931. Aí me despedi e voltei ao Americano, pelo qual fiz uns amistosos. Depois me tornei árbitro."

"Juiz?!"

"Pois é. E até consegui certo sucesso no apito, sabe? Tanto que, em 1940, tive a honra de dirigir a primeira partida do Pacaembu. Agora, por favor, chega de perguntas e me passe o queijo ralado", disse ele, levando uma garfada à boca. 

 

Por Torero às 09h31

24/08/2010

Reconvite

Eis que, quatro meses depois, refaço aqui um convite:

Estou avisando vários dias de antecedência que é para vocês marcarem na agenda. E não me venham com desculpas do tipo "Sábado eu acordo meio-dia", "Estou com a perna quebrada" e "Sou um presidiário".

Acorde mais cedo, arranje uma bengala e fuja da cadeia.

 

(PS: Teremos uma divina hóstia e suco de uva para entreter vossos estômagos)

(PPS: Quem ainda não viu a opinião de Jesus sobre o livro, clique aqui)

Por Torero às 08h24

23/08/2010

Sangue, lágrimas e uísque barato

(Ilustrações: André Bernardino)

 

Depois dos duelos deste fim de semana, vários cheiros se misturavam pelas ruas de Brasileirão City. Havia, claro, o cheiro pesado da pólvora e o doce odor do sangue. Mas quem tivesse bons narizes também poderia perceber que no ar pairava suor e lágrimas.

Se bem que, dessa vez, talvez o cheiro mais forte fosse o do uísque barato.

Ele vinha do Pacaembu Saloon, onde Jack Tricolor bebia goles e goles para esquecer da derrota para Tim Timão. Se ele fosse um personagem de desenho animado, o uísque sairia por três furos em seu peito. Aliás, foram só três porque o colete laranja à prova de balas de Jack (da tradicional marca Ceni) funcionou bem.

 O uísque não vai curar a dor de cabeça de Jack Tricolor.

Que dia duro para Jack... Ele atirou pouco e se esquivou mal. Já Tim Timão está mais perto da liderança e parece nem mais precisar de sua principal arma: Ronaldo Colt, que está na oficina há muito tempo.

Quem voltou a vencer foi Sir Arah. Ele passou bem por Sancho Pampa, que continua entre aqueles que podem ser mandados para Série B Village. Desta vez, Sancho Pampa esteve tão mal que bateu com sua boleadeira William Magrão na própria cabeça. As coisas já estiveram melhores para Sancho, que ainda tem que ver James Colorado feliz, comemorando a conquista del Paso de los Libertadores.

 Pampa acertou a própria cabeça com sua boleadeira.

Falando em sorrisos, a bela Victoria Salvador, depois de derrotas sofridas e decisivas para Billy, the Fish, e para Big Green, voltou a mostrar seus faiscantes dentes. Desta vez ela venceu Will Uai, e fora de casa. Se bem que Will também não estava em seus domínios. Como o saloon Big Boy from Minas está em reforma, durante muito tempo Uai será um caubói errante, sem pouso certo, e isso deve acabar com suas esperanças de receber a estrela dourada em Brasileirão City.

Rob Gallo é outro que está sofrendo com a reforma do saloon dos mineiros. Para piorar, Gallo ainda não conseguiu vencer fora de seus domínios. Ontem perdeu para Billy, the Fish, que usou bem seu rifle Neymar. Aliás, o rifle está brilhando de novo, depois de ser polido com esmero e receber um gatilho de prata. O rifle quase foi vendido, mas acabou ficando nas mãos de Billy. Os inimigos, com raiva, dizem que ele estaria melhor dando tiros noutras paragens. Ah, a inveja...

 Gallo está à beira do abismo.

Harry Hurricane ganhou do poderoso Black Red, atual xerife da cidade, e se afastou um tanto do inferno. Mas ainda cavalga à beira do precipício.

Big Green enfrentou o valente índio Guarani, mas nenhum deles conseguiu acertar o outro. Flechas e balas cortaram o ar, mas nada alvejaram. Ou avermelharam. Talvez porque os dois estivessem vestidos de verde e a luta tenha acontecido no verdejante Princess’s Earring. Valley.

O consolo para Big é que ele já conta com seu revólver chileno Valdívia, que dá tiros em curva, seu rifle Kléber, aquele que sempre tem munição, e seu chapéu Big Phill, que lhe dá ótimas ideias. Com estes três míticos objetos, logo estará dando espetáculos.

Mas o melhor duelo, o mais emocionante, o que teve mais tiros certeiros, foi o que aconteceu entre Louis Laranjeira e Joaquim Wayne.

Foi o encontro que teve mais público até agora em Brasileirão City. E, com o fechamento do Maracanã Saloon, deve ser o recorde até o final dos duelos.

Era um encontro de invictos. Louis Laranjeira não perdia há onze lutas. Joaquim Wayne, há oito.

Louis começou vencendo com sua Gun Gum. Mas Joaquim Wayne virou a mesa e o placar. No final, porém, o caubói que usa cartola empatou, e os dois mantiveram suas invencibilidades.

 Ele não cai há doze duelos.

Louis continua à frente de todos em Brasileirão City e, enquanto cavalga em direção ao por do sol, sente o cheiro da glória cada vez mais forte.

 

Por Torero às 10h35

19/08/2010

Os guerreiros vermelhos

A Libertadores é uma guerra. E assim precisa de soldados, sargentos e coronéis. Homens dispostos a morrer pela vitória. Foi o que o Inter teve ontem, um verdadeiro exército disposto a tudo pela vitória contra os bandoleiros mexicanos. Vamos a eles:


Renan, a trincheira: É sempre a última esperança da defesa. Poderia ter sido crucificado caso aquela falha contra o São Paulo causasse a desclassificação do Inter. Mas não falhou uma segunda vez, mostrando que o erro foi apenas um tropeço.

Soldado Nei: É rápido e defende bem. De vez em quando estava lá na grande área usando sua careca para afastar cruzamentos. É bravo e não deixou Bravo intimidá-lo.

Capitão Bolívar. Tem nome e postura de libertador da América.

Índio, a bateria antiaérea. Bola alta é com ele. Seja na defesa, seja no ataque, Índio está sempre lá para impedir tristezas e dar alegrias.

Kléber, o tenente: Passes perfeitos, lançamentos precisos e dribles irritantes (para os adversários).

Alferes Sandro: O valente guerreiro que fez sua última luta. Uma pena. Meu palpite é que vai vagar por alguns anos pelas batalhas europeias, com saudade das lutas de cá.

Sargento Guiñazu: Impõe respeito e mantém o esquadrão sempre alerta.

Cabo Tinga: Os heróis também sangram. Tinga foi ferido na cabeça, mas voltou à luta e sagrou-se campeão.

Major D’Alessandro: Chamei-o de major mas é o menor do time. O pequeno argentino deu bons dribles e passes inteligentes.

Taison, o panzer: Uma velocidade impressionante no segundo tempo, fazendo uma blitz pelo lado direito.

Rafael Sóbis, artilheiro: Marcou o gol mais importante do jogo. Porém, o Sóbis que voltou ainda não é o que se foi, mas pode voltar a ser. Perdeu alguns anos de carreira vagando pelo exterior (como tantos outros), mas agora, de volta à casa e à caserna, reencontrou seu caminho.

Giuliano, o espião: Lembram daquele jogo chamado Front, onde havia um espião que podia matar a peça mais forte do inimigo? Pois este espião é Giuliano. O homem que entra na hora certa. O espião que entra no fim da luta e dá o golpe final. No caso, um belo golpe, com muita classe.

Celso Roth, o marechal: Finalmente espantou a má sorte, a sina de vislumbrar a vitória mas tropeçar antes de alcançá-la. Ontem, depois do primeiro gol do Chivas, deve ter pensado que mais uma vez chegaria ao penúltimo degrau do Olimpo para rolar escada abaixo. Mas não. O Inter virou, mostrou sua superioridade e ele é o campeão da Libertadores.

Fossati, o general: Foi o técnico de grande parte da campanha e tem lá seu mérito. Mas, cá entre nós, ainda bem que saiu.

Graças a estes e outros guerreiros, o exército vermelho marchou para a vitória. Louvados sejam os que combatem ao nosso lado.

Por Torero às 12h50

18/08/2010

A maior de todas as batalhas

(O Luiz Felipe pediu e eu cá atendo, republicando o texto feito sobre aquele Santos 5 x 2 Fluminense.)
 

A Terra

Eu estava lá. E vou contar para meus filhos. Foi uma batalha inesquecível. A batalha de Kiergard não foi mais nobre, a de Frömsted não foi mais sangrenta.

Eu estava lá. E vou contar para meus filhos. Naquela tarde o vento não soprou e a Lua ficou parada no meio do céu para olhar a grande luta.

Os dois exércitos se enfrentaram sobre a grama verde do verão. Mas depois da batalha o verde tornara-se vermelho, tanto foi o sangue derramado pelos combatentes.

Naquele tarde não anoiteceu, porque o Sol não quis se pôr para não perder nenhum lance da grande batalha.

Eu estava lá, e vou contar para meus filhos.

Os Homens

Eu estava lá, e vou contar para meus filhos que, de todos os combatentes, o mais valoroso era o Homem-de-Cabelos-Vermelhos.

Ninguém corria como ele, ninguém se esquivava dos golpes dos adversários como ele, ninguém matava como ele. E naquela tarde ele fez sua melhor luta. Naquela tarde, o Homem-de-Cabelos-Vermelhos, que já ídolo, quase virou Deus.

Mas havia outros, havia muitos outros. Na retaguarda, como última esperança, como último homem a defender a bandeira, estava o Príncipe-de-Cabeça-Sem-Pelos, o filho do Rei. E no flanco esquerdo havia o Anão-Gigante, ágil como um coelho, esperto como uma raposa e traiçoeiro como um rato.

Mas havia outros, havia muitos outros. Havia um com o nome de Galo, mas que merecia ser chamado de Tigre, outro a quem chamavam Pequeno-Carlos, mas que devia ser chamado Carlos-Gigante, e um de nome Passos, mas que dava saltos. E ainda havia Marcos, que tem o nome no plural porque aparece em vários lugares ao mesmo tempo.

Eu vi todos estes homens, e vou contar para meus filhos.

A Luta

A missão destes homens era quase impossível. Eles tinham que derrubar três vezes a bandeira inimiga. Não uma nem duas, mas três. Parecia impossível, mas “impossível” era uma palavra que esses guerreiros não sabiam falar (principalmente Macedo, o gago).

E já na primeira metade da luta a bandeira inimiga havia ido ao chão duas vezes. O Homem-de-Cabelo-Vermelho já havia feito parte do milagre. Houve então uma trégua. Os inimigos, vestidos de verde, se recolheram para descansar, beber água feito mulheres e orar por melhor sorte.

Mas os homens de branco, não.

Os homens de branco ficaram no campo de batalha. Há quem diga que eles ficaram lambendo o sangue dos inimigos que havia caído pela grama, mas isso eu não vi.

E o povo dos guerreiros de branco gritava e urrava.

Então, na segunda metade do combate, o milagre aconteceu por completo.

Mesmo com menos homens, o exército de branco derrubou mais uma vez a bandeira inimiga. E outra, e mais uma. E no final da luta a bandeira dos homens-de-verde já havia caído cinco vezes.

E quando a guerra acabou, o povo de branco andava de joelhos, se abraçava e se beijava. Homens que não se conheciam cumprimentavam-se como irmãos e cantavam hinos de guerra. E os guerreiros foram para o meio do campo da batalha e deram-se as mãos.

Então o Homem-de-Cabelo-Vermelho ficou no meio do círculo e levitou até a altura de um pinheiro. E seus cabelos pegaram fogo e só então, com inveja, o Sol se pôs.

Eu estava lá, e vou contar para meus filhos.

Por Torero às 08h53

Che e o futebol

Estive em Cuba há alguns dias e na volta dei um google em "Che Guevara e futebol". Assim cheguei a dois textos do sempre simpático site Futepoca.

No primeiro, vê-se a foto (e sua explicação) de Che ao lado do time do Madureira.

No segundo, uma interessante história de Che como goleiro.

Os links são estes:



  

 

Por Torero às 08h47

17/08/2010

Convite aos são-joanenses

Neste sábado haverá o lançamento nacional, ou melhor, mundial, ou melhor ainda, universal!, de "O evangelho de Barrabás".

Será  em São João del Rei, às 20h30, no Galpão, perto da Rotunda.

Segundo o organizador, teremos muito borogodó e frixilim.

Para ver um vídeo (que não é aquele com Barrabás e Maria Magdalena) sobre o livro, clique na ilustração abaixo:

Por Torero às 09h03

Convite aos palmeirenses

No próximo dia 26 de agosto de 1914, a Sociedade Esportiva Palmeira completa 96 anos.

Neste sábado, a partir das 9h00, haverá um bate-papo em homenagem ao alviverde.

Será no Museu do Futebol e conta com o apoio do MEMOFUT, Grupo de Literatura e Memória do Futebol.

Estarão lá: o presidente do Palmeiras Luiz Gonzaga de Mello Belluzzo, o craque Leivinha e o jornalista Mauro Beting.

De quebra ainda haverá sorteiro de livros.

Por Torero às 09h01

16/08/2010

O time que está na crista da onda.

Tritão leitor e sereia leitora, eu vos pergunto: Qual o time que está na crista da onda? E eu vos respondo: É o Avaí.

O trocadilho é ruim, mas inevitável.

Desde que voltou da Copa, o Avaí vem subindo na tabela. É claro que o líder é o Fluminense de Muricy Ramalho, mas aí não há surpresa, não há novidade. Ele já era o vice-líder antes da parada.

Aliás, a última partida do Avaí antes da Copa, ainda com Chamusca como treinador, foi justamente contra o Fluminense, na Ressacada. E o time perdeu por 3 a 0, caindo para a 13ª. posição do campeonato.

Depois desta derrota, Antonio Lopes assumiu o time e, não apenas por isso, o Avaí deslizou para a parte de cima da tabela. Com uma marcação forte, muito preparo físico, toques rápidos e senso de conjunto, o time venceu o São Paulo no Morumbi por 2 a 1, passou pelo Palmeiras por 4 a 2, empatou com o Flamengo e Atlético-MG, goleou o Goiás por 4 a 1, levou um tombo contra o Guarani, e passou bem por Santos e Corinthians (completando seu ciclo de vitórias sobre paulistas).

Assim chegou ao terceiro lugar no Brasileiro e está praticamente na próxima fase da Sul-Americana.

 A posição do time não se deve a um tsunami de sorte.

Parece ser um time com bom planejamento e uma diretoria inteligente. No ano passado, quando Silas amargava derrota atrás de derrota, o clube optou por mantê-lo e a equipe se recuperou espetacularmente na competição, chegando em sexto lugar.

Agora, a direção faz outra manobra esperta: contratou o treinador da seleção brasileira sub-20, Luís Verdini, para ser o orientador técnico das categorias de base.

Aliás, a atenção com os jovens já foi premiada com a convocação do goleiro Renan, vindo das categorias de base, para a seleção de Mano Menezes.

Atualmente, a maioria dos jogadores da equipe está ali entre 23 e 26 anos, ou seja, é um time que pode correr muito. Mas há um par de veteranos para cadenciar o jogo, dar uma acalmada na equipe, etc... São eles Marcinho Guerreiro, 35, e Sávio, 36. Um entra com raça e disposição, outro com habilidade e inteligência.

Mesmo com estas estrelas, o forte da equipe é o conjunto. Isso se pode ver na divisão de gols. O artilheiro da equipe é Roberto, com 5 tentos marcados, e logo atrás vêm Caio, Emerson e Robinho, com 4. Ou seja, ninguém disparou como salvador da pátria e os vários nomes entre os artilheiros mostram que a equipe tem uma interessante variação de jogadas.

Se poderia pensar que este momento do Avaí é um acaso, que o time não terá peças de reposição para o resto do campeonato, mas mesmo neste quesito o time de Guga vem se preparando e, nos últimos dias, contratou três jogadores: Vállber , que estava na Coréia e foi um dos destaques do Avaí que subiu à Série A em 2008; Bonfim, ex-Vasco e Fluminense, que veio para o lugar de Rivaldo, negociado com o Palmeiras; e Jéferson, que foi bem no Vasco em 2009, na conquista da Série B.

Enfim, eis aí um time que pode se manter na crista da onda até o final do campeonato.

 

Por Torero às 09h59

Convite aos paulistas

Um bom programa para os paulistas é ver o filme "Reflexões de um liquidificador", de André Klotzel, em cartaz no Unibanco da Augusta (das 14h às 22h).

E digo que é um programa porque não se vai ver apenas um filme. André teve uma boa sacada e, antes de cada exibição, passará um (bom) curta e haverá um show de stand up, ou seja, um humorista aquecendo a platéia.

Além disso, o filme é bem interessante, ainda mais para quem gosta de humor negro, ou, no caso, vermelho-sangue.

Por Torero às 09h57

15/08/2010

Seleção voadora

Inspirados pela dupla Pato e Ganso, José Roberto Petroni e o Adilson Delaim mandaram duas interessantes seleções avícolas. Fiz um cruzamento entre elas e cheguei a um escrete que dá pena, no bom sentido, é claro:

 

Goleiro: "Pato" Abbondanzieri, que apesar de ser argentino, adora um bom frango.

Lateral Direito: Pavão, que sobrevoava o Morumbi no início da década de 90.

 

Zagueiro central: Alexandre Gallo, ex-Santos, que jogava como volante mas chegou a fazer uns bicos na zaga.

Quarto zagueiro: Eli Sabiá, que não tem apelido mas o próprio nome de ave cravado em sua identidade. Joga atualmente no Furacão, mas já passou por Santos e Paulista.

Lateral esquerdo: Élder Granja, que apesar de ser destro, jogará nesta posição, pois precisamos ter alguém pra segurar toda essa passarada.

Volante: Pardal, meio-campo revelação do Vila Aurora, de Mato Grosso, que joga na série D do brasileiro. Por conta de seu apelido, fica encarregado de estar em todos os lugares do campo.

Volante: Perdigão, o belo volante de Inter, Vasco e Corinthians. 

 

Meia: Ganso, do Santos, que ganhou o apelido do preparador físico do mesmo time quando foi fazer a peneira. É o cérebro do time.

Meia: Carlos Alberto Pintinho, que decolou no Fluminense.

Meia: Neto Coruja, do Vitória. O seu papel em campo é acertar os chutes sempre onde seu apelido costuma fazer o ninho.

Atacante: Pato, que se chama Alexandre, mas nasceu em Pato Branco.

Técnico: Zagallo, o tetracampeão.

Comentarista: Paulo Roberto Falcão, elegante no campo e no microfone.

Narrador: Galvião Bueno.

 

Por Torero às 11h42

14/08/2010

Técnicos de futebol e economistas

 
     

Keynes ou Cruyff?

 

Luiz Guilherme Piva*

Técnicos de futebol podem ser comparados a economistas. Os dois profissionais lidam com realidades de difícil controle (sociedade, jogadores) e, tendo em mente concepções e planos de ação, buscam seus objetivos pondo para atuar os recursos de que dispõem. Na maioria das vezes dá errado, e eles sempre atribuem a culpa ao imprevisto e aos recursos disponíveis - nunca às concepções e aos planos de ação.

Às vezes chegam a crer que o problema é com a realidade, inadaptada à sofisticação e ao acerto do modelo adotado. E mais: diante de fracassos seguidos, eles acreditam que o problema é a impaciência do público, que não vê que no longo prazo tudo dará certo – embora um dos mais famosos economistas (Keynes) afirmasse que no longo prazo estaremos todos mortos.

Na prancheta do técnico ou na planilha do economista, coloca-se um boi na entrada de um modelo e saem bifes do outro lado. Os pressupostos do modelo são escolhidos casuisticamente por eles mesmos, com a ponderação e os riscos que arbitram para produzir exatamente o que pretendem. Tudo perfeito. Aí vem a realidade, com fatores e pesos não considerados, e atrapalha: oligopólios, retrancas, dribles, greves, banqueiros, juízes, morrinhos, tecnologias, trivelas, burocracias, geadas, traves, etc. Seria o caso de, como os russos, perguntar para o técnico: combinou com o Garrincha?

Não, é claro. Mas técnicos e economistas seguem acreditando com tanta fé no modelo que, frente ao fracasso, voltam à prancheta e à planilha, colocam na saída do seu modelo os bifes e vêem sair um boi inteiro, perfeito, lá na entrada. Eles então se convencem ainda mais do seu acerto. E tentam de novo, de novo, de novo. Morre gente no caminho. Times se acabam. Torcedores se enfurecem. O país se afunda. Mas, caramba, é preciso ter paciência!

Avançando na comparação, há um antigo paradoxo que acabei de inventar. É que economistas são considerados ortodoxos quando pretendem que o governo não intervenha em nada: se ele não agir e só der as regras gerais, tudo dará certo, apregoam. Produtores, distribuidores, consumidores, trabalhadores, desempregados e miseráveis encontrarão seu lugar e sua função da melhor forma, com a maximização de suas individualidades no livre jogo das forças de mercado, em prol do benefício de todos. Os técnicos classificados de ortodoxos, porém, são os que controlam todos os movimentos do time, coibindo o individualismo e o improviso, que resultariam, crêem, no caos e na derrocada. Por isso, desenham, cronometram, ensaiam, gritam, premiam e punem quem não seguir estritamente suas determinações táticas. 

Já os heterodoxos, na economia, são os que querem planejamento, intervenção e gasto público para evitar o caos e a miséria. E, no futebol, ao contrário, heterodoxos são aqueles técnicos que não se apegam a modelos rígidos e propõem o jogo livre com base na individualidade e na criatividade dos jogadores, guiados apenas por suas diretrizes gerais – que eles preferem chamar de estratégia, em lugar de tática.

Ou seja, Cruyff, treinador heterodoxo, seria, transplantando-se seu ideário, um economista ortodoxo. Milton Friedman, economista ortodoxo, seria um técnico heterodoxo. Parreira e Keynes seriam os opostos daqueles, respectivamente.

Mas as coisas não são simples assim. Há aqui um outro paradoxo clássico, que montei agora só para fechar o texto. É que, se dividirmos em grupos de afinidade as pessoas que gostam simultaneamente de economia e de futebol, certamente haverá um grupo que gosta de Friedman e Parreira (ambos ortodoxos, mas com acepções opostas de ortodoxia) e outro grupo que gosta de Cruyff e Keynes (ambos heterodoxos, mas com acepções opostas de heterodoxias).

Façam o teste com vocês mesmos e com as pessoas que vocês conhecem. Estou convencido de que vão encontrar o resultado que modelei aí em cima. Se não encontrarem nas primeiras vezes, não desistam. Sigam testando. É preciso ter paciência, caramba!


*Luiz Guilherme Piva publicou “Ladrilhadores e Semeadores” (Editora 34) e “A Miséria da Economia e da Política” (Manole).

Por Torero às 07h22

13/08/2010

O apanhador no campo de futebol, digo, de centeio.

Ontem escrevi sobre o livro Barbosa, que li com dez anos de atraso. O de hoje li com mais atraso ainda. Uns trinta. “O apanhador no campo de centeio” (que em inglês tem o título bem mais curto de “The catcher in the rye” e em portuhguês chama-se "Uma agulha no palheiro") foi lançado em 1951 nos Estados Unidos e dois anos depois já era um clássico e um best-seller, com mais de dois milhões de exemplares vendidos (hoje já são mais de 60 milhões no mundo).

  Li esta edição aqui.

Sempre tive curiosidade para ler este livro, mas, também, uma certa preguiça. Explico as razões: trata-se de um livro sobre a adolescência e suas dúvidas, um assunto que nunca me interessou (nem quando eu era adolescente), o escritor é um recluso, o que me parece meio antipático, e é uma tradução, o que nunca me anima muito.

Finalmente tomei coragem, peguei um exemplar emprestado de um amigo (obviamente não vou devolvê-lo, porque quem devolve livro nunca forma uma biblioteca decente) e me pus a ler suas 180 páginas.

E as li com rapidez. O que é um ótimo sinal.

Quando você gosta de um livro, aproveita todo o tempinho livre para lê-lo. Foi o que fiz com o “Apanhador...”. Em três ou quatro dias cheguei à última página.

Ele é ágil, com uma linguagem coloquial interessante, sem ser vulgar (o que provavelmente também se deve a um bom trabalho dos tradutores Álvaro Alencar, Antonio Rocha e Jório Dauster).

O livro, escrito em primeira pessoa, conta a vida, ou melhor, uns dias na vida do jovem Holden Caulfield, de 17 anos, que acabou de ser expulso da escola.

Ele descreve bem a psicologia de um adolescente sensível, de tal modo que você não tem saída e se interessa e se identifica com o personagem. Se eu o tivesse lido aos 17 anos, teria gostado mais ainda.

Trata-se de uma opção interessante para uma idade que hoje devora livros sobre mágicos e vampiros.

Não é uma obra genial, como Memórias Póstumas de Brás Cubas ou Grande sertão: veredas, mas é um livro muito bom, principalmente se você o lê na adolescência.

 Salinger na época da publicação de "O apanhador..."

Uma curiosidade: O assassino de John Lennon, e o quase assassino de Ronald Reagan tiraram a inspiração para seus crimes do livro. Mas não entendo como. Não há nada no livro que sugira um ato violento.

Outra: Depois do sucesso de "O apanhador...", J.D.Salinger mudou-se para uma cidadezinha e deu raríssimas entrevistas: a última foi em 1980. Também publicou bem pouco: um livro de contos em 1953 e outro com duas novelas em 1961.

Essa reclusão me deixa curioso. Por que um sujeito que escreve, enfim, para se comunicar, desiste de escrever e até de falar?

Pensei em algumas possibilidades:

a-) Acha-se melhor que o mundo que o cerca.
b-) Timidez.
c-) Está de saco cheio de dar entrevistas.
d-) Marketing.
e-) Já disse o que acha que tinha a dizer.

Não sei qual o caso de Salinger. E nem saberei. Ele morreu no começo deste ano.

Por Torero às 09h54

12/08/2010

As várias faces de um gol, os vários ângulos de um homem

Com dez anos de atraso, acabei ontem de ler o livro “Barbosa – um gol faz cinquenta anos”, de Roberto Muylaert.

Como diz o título, é um livro sobre um homem e sobre um gol. Mas também é sobre um jogo, sobre uma tragédia, sobre um país, sobre um tempo.

Estes seis “sobres” do parágrafo acima não foram colocados à toa. O livro tem uma estrutura que realmente faz com que ele seja sobre várias coisas. Roberto Muylaert não conta a história de forma cronológica, mas com várias e criativas pautas, cada uma mostrando um ângulo diferente daquele gol, daquele jogo, de Barbosa.

Temos, por exemplo, um capítulo só sobre o gol, que mais parece um slow motion verbal, um capítulo mais jornalístico (e talvez o mais surpreendente) que conta a fogueira que Barbosa fez com as fatídicas traves do Maracanã, um fluxo de pensamento do goleiro, o que fez Obdúlio Varela na noite e na madrugada depois do jogo, o que fez Barbosa nos dias seguintes, como foi o último jogo de sua carreira, um texto mais boleiro que compara os jogadores das seleções brasileiras de 50, 58, 62 e 70, um capítulo sobre o encerramento da carreira de Barbosa, um texto mais testemunhal sobre o jogo, etc...

Para quem conhece bem a história de Barbosa e da Copa de 50, talvez o livro não traga tantas novidades. Mas, para quem não conhece, é um jeito de entender de verdade o que se passou. E, penso, também é um bom livro para estudantes de jornalismo e futuros pauteiros, que poderão ver várias formas de se abordar um assunto teoricamente já esgotado.

Enfim, imagino que dificilmente haverá um livro melhor para quem quiser conhecer quem foi Barbosa, o goleiro que sofreu o gol mais dolorido da história do futebol brasileiro.

Por Torero às 10h35

11/08/2010

A estréia de Ziza, o ranzinza

Acabei de voltar do Bar da Preta e vi lá algo que nunca tinha visto: os dentes de Ziza, o ranzinza. Isso mesmo, incrédulo leitor e descrente leitora, Ziza, o ranzinza, sorriu.

E isso é mais difícil do que Nietzsche chorar.

Nunca falei antes de Ziza porque não queria chatear o bom humor matinal dos leitores. Mas hoje não tenho escapatória.

Como vocês percebem por sua alcunha, trata-se de um implicante, de um rabugento, de um resmungão que jamais solta um elogio.

Nem sabemos para que time ele torce, pois reclama de todos, vê defeito em tudo e não gosta de nada. Só não reclama do pão na chapa da Preta porque esta, quando lhe entrega o prato, fica olhando para ele com ar de pelotão de fuzilamento. Então ele dá uma mordida, mastiga lentamente, faz ares de presumido e diz: “Podia estar pior”. 

Pois bem, hoje, quando cheguei ao Bar da Preta para meu pingado e meu sanduíche de queijo branco (ah, os regimes...), por acaso sentei-me ao lado de Ziza. Para minha surpresa e pasmo, ele botou a mão em meu ombro e disse: “Jogão, hein?”

Todos os olhos do bar se voltaram para nós. Até os de um vesgo e o de um caolho que estavam por lá.

Ziza continuou:

“Isso sim é uma seleção brasileira. Tirando os dez minutos iniciais, quando pensei que os meninos iam tremer e fazer xixi nos calções, o resto foi uma beleza. Bom toque de bola, deslocamentos inteligentes, marcação firme, ótimos lançamentos e alegria em jogar futebol.”

Vários queixos caíram naquele instante. Alguns até bateram no balcão. E Ziza não parava com os elogios:

“O Vítor esteve seguro. Como é que alguém pode preferir o Doni? E foi uma ótima estréia desse tal de David Luiz. Só acho que ele deveria cortar o cabelo. Qualquer dia a bola amortece numa cabeçada e sobra para o outro time. E os volantes?! Como é bom ver jogadores habilidosos em vez de brutamontes por ali. Viu o Pato? Rápido e inteligente. O André Santos também esteve ótimo. Lateral é lugar de lateral, não de meia."

“E Neymar e Ganso?”, perguntei só para provocar.

“Ah, esses foram demais! Neymar parecia que estava jogando no time da sua rua, de tão tranqüilo. E o Ganso mostrou a classe de sempre. Pena que aquela bola na trave não entrou. Se esses dois tivessem ido para a Copa, as coisas poderiam ter sido diferentes...”

“Será que o Dunga se arrependeu?”, perguntei.

“Claro que se arrependeu. Aposto que ele deve estar olhando para o espelho e falando: ‘besta, burro, cagão’. E quer saber? Acho bem feito! Quem mandou ser tão ranzinza? Rá, rá, rá!”, gargalhou Ziza mostrando os inéditos dentes.

Por Torero às 08h54

10/08/2010

A vencedora da Toreroteca

Nunca pensei que alguém poderia ganhar duas vezes a toreroteca. Vencer uma vez já é uma chance em trezentas. Vencer duas, é algo como uma em dez mil. Pois uma senhorita acaba de vencer a toreroteca pela segunda vez.

Nossa expert, nossa adivinha, a nossa Zefa Cabala é Agnes Nagashima, que disse, às 19h28 de ontem, que Neymar faria seu gol aos 27' do primeiro tempo.

Agnes acaba de ganhar um livro que ainda nem existe.

 

Por Torero às 23h38

Um raro bom release

(Diariamente recebo um monte de releases. Geralmente eles obedecem a uma fórmula um tanto aborrecida, mas o release abaixo, escrito por Patrick Cruz sobre o Internacional de Lages, me pareceu bem diferente, com boas histórias  e links interessantes)

 

- Você sabia que o melhor jogador da família do Ronaldinho Gaúcho não foi ele nem seu irmão Assis, mas o tio de ambos, Miquimba? Pois o Miquimba jogou no Inter de Lages

(Veja aqui a declaração de Ronaldinho sobre isso, dada ao londrino The Times em 2006)

 

- Você sabia que Inter de Lages x Avaí jogaram sob neve em 1979? Sim? Mas você sabia que os ambulantes pararam de vender amendoim e começaram a vender – ora vejam – conhaque?

(Leia sobre o episódio no blog Futebol de Lages)

 

- Você sabia que uma cria do Inter de Lages, Jones, já falecido, foi quem realmente brilhou na lendária partida do Brasileirão de 1982 entre Operário (MS) x Vasco, na qual, juram milhares, um disco voador apareceu sobre o Estádio Morenão?

(Leia sobre a partida no Globoesporte.com e veja os gols de Jones)

 

- Você sabia que Paulo Henrique, ex-Flamengo e lateral da seleção da Copa de 66, assustado com o frio da cidade quando ele foi treinar o Inter de Lages, em 1992, quase pôs fogo na casa ao deixar uma lareira acesa noite adentro?

(Veja aqui um relato do episódio no jornal A Notícia, atualmente do grupo RBS)

 Os relatos acima não entrarão para a história do futebol, mas o futebol fica muito mais interessante com eles. Pois neste domingo, dia 15, às três da tarde, o Inter de Lages, um dos mais antigos e tradicionais clubes de Santa Catarina, inativo em 2009 (justamente o ano de seu 60º aniversário), voltará aos gramados pela antessala do inferno, a terceira divisão do Campeonato Catarinense.

 

Quando, neste domingo, todo mundo estiver preso à TV para ver Fluminense x Internacional, ou São Paulo x Cruzeiro, ou outra partida qualquer, lembre-se que um gigante minúsculo, o Inter de Lages, também estará em campo. E lembre-se que Flu x Inter até pode ser um jogão, mas que boas histórias também existem longe das transmissões de TV, da cobertura de estúdio e das estruturas de salas de entrevistas, assessorias de imprensa e releases.

 

Por Torero às 22h34

Toreroteca para a nova seleção

Pois bem, eis que temos de volta a nossa toreroteca para a estréia da seleção de Mano Menezes. Desta vez, ganha aquele que adivinhar quem marcará o primeiro gol do Brasil e quando. Meu palpite: Neymar, aos 12´do segundo tempo.

Quanto ao prêmio, como esta é uma seleção nova, será o novo opúsculo deste que vos escreve, que ainda nem chegou às livrarias (chega dia 12. E dia 28 será o lançamento em São Paulo. Estão todos convidados para um vinhozinho e uma hóstia).

Para facilitar a vida do apostador, coloco aqui os onze que devem começar jogando: Victor; Daniel Alves, Thiago Silva, David Luiz e André Santos; Lucas, Ramires e Ganso; Robinho, Neymar e Pato.


(PS: Em caso de empate, ganha quem votar primeiro. Se não houver gol brasileiro, não há prêmio e todos terão que comprar o livro).

Por Torero às 07h37

09/08/2010

O amor e os paulistas

Não foi uma rodada de grandes gols e goleadas, jogos e jogadas. Os dois líderes venceram e se afastaram do resto dos mortais. Os quatro últimos mantiveram-se lá atrás. E os do meio continuaram por ali, com destaque para Vasco, Guarani e Botafogo, que subiram quatro, três e duas posições.

Sendo assim, em vez de falar da rodada, decidi falar de amor.

Sim, romântica leitora e contrariado leitor, vou falar daquele sentimento que arde sem se ver, que é ferida que dói e não se sente, que é um contentamento descontente, que nos faz querer estar preso por vontade. 

Mas não falarei do amor entre homem e mulher, e sim entre torcedores e times. Mais especificamente, entre os torcedores e os quatro grandes paulistas.

É que andei pensando sobre isto por estes dias e cheguei à conclusão de que os quatro torcedores paulistas amam coisas diferentes em seus clubes.

É claro que todos adoram suas bandeiras, suas histórias, seus hinos e seus ídolos. Mas acho que o centro do amor é diferente em cada um deles.

Os santistas, por exemplo, têm um amor ao gol, ao jogo ofensivo. Este sentimento provavelmente se solidificou nos anos 60, com o maior ataque de todos os tempos, com aqueles cinco nomes que parecem um verso dodecassílabo: Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe. Mas esta adoração ao ataque nasceu ainda antes, com o primeiro time a fazer cem gols num campeonato paulista, na década de trinta, com Feitiço.  Não é à toa que é o time que fez mais gols no mundo.

Quanto ao palmeirense, desconfio que ama a beleza. É um esteta. Desde seu grande escrete dos anos 60, com Dudu e Ademir, seus admiradores aprenderam que o futebol pode ser uma fonte de classe e harmonia. E, na era Parmalat, este sentimento foi recuperado e inflado.

Diferentemente do corintiano, que pode até suportar um time sem categoria, desde que tenha raça, o palmeirense sofre com os pernas de pau, com as jogadas toscas. A turma do amendoim na verdade é um bando de críticos de cinema, que detesta ver feiúra e tosquidão.

O são-paulino, diferentemente dos dois torcedores anteriores, desenvolveu, ou melhor, especificou seu amor nos seus gloriosos últimos vinte anos. Nestas duas décadas o são-paulino aprendeu o doce sabor da vitória, da glória máxima de estar sempre à frente, e com isso criou um amor à vitória. 

O torcedor tricolor não se contenta com belos gols e jogadas de classe. Ele quer títulos, taças e voltas olímpicas ao redor do campo. Se for na Libertadores, melhor. É um torcedor que ama a glória, e talvez por isso tenha a fama de desaparecer nos jogos chochos ou nas fases mais negras do time.

Por fim, temos o corintiano, que possui um amor bem particular. Assim como os amantes um tanto endoidecidos, eles amam o próprio ato de amar. Nâo amam apenas seu time, amam amar o seu time. Se o clube estiver mal, não importa. É mais uma chance para que ele prove que seu amor é incondicional, mais uma chance para ele provar que ama o amor em si.

Tanto é assim que, se você conversa com um corintiano, logo ele vai falar não só da equipe, mas do ato de torcer. Vai contar a última vez que foi ao Pacaembu, de como sofreu na última derrota, de como tem certeza da próxima vitória.

Aviso, porém, para evitar a ira torcedorística, que não acredito que haja um amor superior ao outro. Em todos estes quatro casos, o amor é um cuidar que ganha em se perder, é ter com quem nos mata, lealdade.

Por Torero às 08h58

07/08/2010

Links legais

1-) Aqui você lê o que pensou o escritor gaúcho Fabrício Carpinejar sobre a vitória do Inter: http://rolocompressor.zip.net/

2-) Aqui, um novo blog sobre futebol: http://kibolabola.blogspot.com

3-) Aqui, um texto do Al-Chaer sobre a vitória do Santos na Copa do Brasil: http://futeb-al-chaer.blogspot.com/

3-) E, aqui, um texto do Marcus Vinicius sobre palavrôes no futebol: http://www.conversasedistracoes.blogspot.com/

 

Por Torero às 10h27

06/08/2010

Idem

Eu poderia usar o título do texto de ontem para o de hoje, ou seja: “Derrota vitoriosa num belo jogo feio”. Mas, para economizar letras, fiquemos com “Idem” mesmo.

O São Paulo entrou em campo com uma escalação corajosa, usando o trio Fernandão, Ricardo Oliveira e Dagoberto. Mas a ousadia aconteceu mais no papel que em campo. Em grande parte porque os laterais não avançaram e o jogo ficou muito centralizado.

Já o Inter repetiu a escalação do primeiro jogo, trocando apenas Andrezinho por Tinga.

Foi a partida mais importante do ano entre dois times brasileiros. Porém, tecnicamente não se viu grande coisa. Em vez de um balé bem ensaiado, com piruetas fantásticas, entrosamento maravilhoso e trocas de posições surpreendentes, vimos mais uma batalha de trincheiras. Mas as finais são assim. São mais dos gritos que dos suspiros, mais dos punhos fechados que das palmas.

Aliás, o primeiro gol saiu justamente porque Renan não saiu de punhos fechados para socar a bola. Tentou encaixá-la e cometeu uma falha de goleiro de time praia, de goleiro de time dos casados. A bola bateu no seu ombro esquerdo e sobrou para Alex Silva marcar. Se o Inter tivesse perdido, o pobre Renan estaria hoje lendo a página de empregos em vez da manchete da vitória.

Isso foi aos 30 minutos. Havia tempo para outro gol tricolor. Mas foi a última chance do primeiro tempo.

E, no segundo, logo aos 6´, a dupla caipira D´alessandro e Alecsandro empatou. O argentino cobrou uma falta e o brasileiro desviou de calcanhar, com oportunismo e classe.

A resposta do São Paulo veio logo em seguida, com Ricardo Oliveira, o que deu emoção e drama à partida. Se fizesse o terceiro, o São Paulo estaria novamente na final de Libertadores, novamente no Mundial de Clubes.

Mas o terceiro gol não veio.

E o quarto mundial não virá. Pelo menos, não neste ano.

Agora, no São Paulo, alguns diretores quererão ver cabeças rolando pelos corredores e sangue escorrendo pelas escadas. Mas não é para tanto. É bem verdade que o time tricolor não é brilhante, mas está longe de ser ruim.

Não é o caso de destruir tudo, mas de trocar uma outra peça. Afinal, se a equipe esteve a um passo do paraíso, não há porque transformar o Morumbi num inferno. No máximo, um purgatório.

E há que lembrar que o São Paulo perdeu para um clube dos mais organizados do país, que tem uma coisa a ser invejada e copiada por todos os outros: os seus cem mil sócios.

Isso gera uma receita básica que dá sustentação ao time. Não é á toa que o clube gaúcho, mesmo sem patrocínios milionários, tem um dos melhores elencos do Brasil.

Este apoio maciço faz com que o colorado seja o principal responsável pela glória do Colorado.

Por Torero às 10h00

05/08/2010

Derrota vitoriosa num belo jogo feio

Foi um jogo cheio de lama. E limpo.

Uma disputa repleta de erros. E boa de se ver.

Uma partida cheia de chutões. E emocionante.

Uma derrota de virada, mas que mereceu ser comemorada noite adentro.

Vitória e Santos fizeram uma partida cheia de paradoxos: quem perdeu comemorou; aquele que levantou a taça se prepara para partir; o herói-artilheiro foi um zagueiro.

Decisão nunca é ruim. Mesmo quando o jogo é um festival de passes tortos, carrinhos e trombadas, é algo que não nos arrependemos assistir. O coração acelera, os olhos quase não piscam. E a qualquer momento pode acontecer o lance decisivo. Ontem, por exemplo, tivemos três desses momentos, três encruzilhadas.

Uma delas, obviamente, foi quando Neymar matou a bola no peito, cruzou, e Edu Dracena subiu para cabecear no canto de Viáfara, fazendo 1 a 0. A partir daí, o Vitória teria que fazer nada menos do que quatro gols para sagrar-se campeão, o que era quase impossível.

Mas, antes desse momento decisivo, houve outro. Foi quando, aos 28 do primeiro tempo, Schewck recebeu, avançou para dentro da área e, numa ótima posição para marcar, chutou. Porém, o goleiro Rafael já estava bem perto dele e defendeu. Defendeu e nem largou a bola.

E, antes de tudo isso, aos 8 minutos, o loiro Júnior, sem ninguém a marcá-lo, errou uma cabeçada fácil. Fizesse aquele gol e a história poderia ser outra. Quem riu poderia estar chorando e vice-versa, se bem que há quem chore de alegria e não são poucos os que riem de nervoso.

Enfim, foi uma bela campanha do Santos, que meteu míticos 10 a 0 no Naviraiense, goleou o Remo por 4 a 0 em Belém, ganhou de 8 a 1 do Guarani, teve duelos faiscantes com Atlético Mineiro e Grêmio, e, por fim, venceu o Vitória e a própria vitória, pois foi campeão perdendo.

Era a taça que faltava na estante santista. Uma estante que ficou ainda mais dourada.

Por Torero às 09h13

03/08/2010

Jesus e Maria Magdalena falam sobre novo livro

Hoje sai da gráfica um novo livro: O Evangelho de Barrabás.

Daqui a dez dias ele estará nas boas casas do ramo.

Porém, duas pessoas já tiveram a oportunidade de ler os exemplares de teste.

São eles Jesus Cristo e Maria Magdalena.

Para ver o que o filho de Deus e a polêmica senhora acharam do livro, clique no vídeo abaixo.

 

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Por Torero às 09h06

02/08/2010

Abecê do fim de semana

Avaí: Goleou o Goiás e está a um pontinho do G-4.

 

Botafogo: o time não ganhava há oito jogos. Mas venceu e subiu nada menos que sete posições.

 

Corinthians: Não jogou bem mas também não foi mal. E teve mais um gol em impedimento validado no Pacaembu.

 

 Schumi aprontou de novo.

 

Dick Vigarista: Michael Schumacker espremeu Rubens Barrichello, mas acabou sendo ultrapassado, dando um dia de glória ao brasileiro. E piorou um pouco mais a memória que teremos dele. Esta sua volta não está sendo grande coisa.

 

Estréia: Ricardo Oliveira e Washington estrearam, ou melhor, reestrearam, marcando gols por São Paulo e Fluminense. Os bons filhos às casas tornam.

 

Flamengo: Perdeu três grandes jogadores: Bruno, Adriano e Vágner Love. Com isso deve cair na tabela. Ontem empatou que o Vasco, que está numa modesta décima-quinta posição.

 

 

G: É uma letra sempre difícil de preencher neste ABC. Mas desta vez será fácil, porque trata-se da letra amaldiçoada do Brasileiro, presente nos quatro times na zona do rebaixamento: Goiás, Grêmio, Atlético-MG e Atlético-GO (tudo bem, forcei um pouco).

 

Herói: O da rodada foi Fernando Prass, goleiro do Vasco, fez uma bela sequência de defesas no final do jogo contra o Flamengo. 

 

Internacional: Empatou com o Grêmio, mas só estava pensando no jogo de quinta-feira contra o São Paulo. Tem um bom time e pode perseguir o Fluminense no Brasileiro.

 

Jóbson: Parece que vai retomar a carreira de vitórias.

 

Líderes: O Fluminense e o Coritiba são os novos líderes das séries A e B do Brasileiro.

 

Malandragem: O goleiro Rafael, do Santos, fez uma provocação tremenda em duas cobranças de pênaltis do Grêmio Prudente. E deu certo. Rafael defendeu uma bola e a outra foi parar no travessão.

 

Nuvem negra: O Vitória perdeu em casa. Mas jogou sem sete titulares. Ou seja, não há uma nuvem negra pairando sobre o Barradão. A derrota não é um sinal de que o time esteja fraco e seja uma presa fácil para o Santos na final da Copa do Brasil.

 

Oitenta minutos: Vitória e Botafogo ficaram 80 minutos sem marcar gols. Mas, nos últimos minutos houve uma chuva de gols e a partida acabou em 3 a 1 para o time carioca.

 

Passa. Escutei no Bar da Preta que Felipe Massa vai mudar seu nome para Felipe Passa. Ontem era o dia dele chegar à frente de Alonso para marcar posição, para dar o troco. Porém, chegou duas posições atrás do espanhol. Pode se tornar um segundo Rubinho, ou seja, um bom piloto, mas sem a marca do campeão. 

  

Quem é quem?: Felipão já começa a fazer diferença. O Palmeiras, que tem um elenco inferior ao do Corinthians, jogou um pouco melhor que o adversário. 

 

Raridade: Bruno César foi uma grande aquisição para o Parque São Jorge. Foi como achar uma peça rara em loja de antiguidades. Ele já tem seis gols e é um dos três artilheiros do Brasileiro.

 

  As raridades costumam ser compradas por uma pechincha e vendidas por milhões.

 

Santos: Ganhou, nos pênaltis, a Super Copa de Juniores.

 

Tropeço: O Ceará está há seis partidas sem vencer pelo Brasileiro. Já não é um tropeço, mas um tombo feio. Se não se levantar rápido, pode ficar no chão.

 

Uai: No duelo entre mineiros, o Cruzeiro jogou pior mas acabou vencendo o Atlético-MG 1 a 0.

 

Val Baiano: Está um tanto gordo. Nisso, substitui Adriano à altura. Mas no futebol...

 

 Val Baiano precisa voltar à velha forma para não ser motivo de riso dos adversários.

 

Xi...”: Foi o que disse o goleiro Harlei ao ver sua defesa entregar a bola ao adversário. E duas vezes. Erros que ajudaram o Avaí a chegar à goleada de 4 a 1.

 

Zicado: O Atlético Paranaense perdeu para o Fluminense. Mas o time jogou bem durante grande parte da partida. Foi zica mesmo.

 

Por Torero às 11h06

Sobre o autor

Formado em Letras e Jornalismo e quase formado em Cinema, é autor de treze livros (como "O Chalaça"), escreveu roteiros para cinema (como "Pequeno Dicionário Amoroso") e para tevê ("Retrato Falado").

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