Blog do Torero

30/06/2010

Toreroteca golerônica

Como acho que Júlio César vai ter muito trabalho nesta sexta-feira, resolvi dar como prêmio da próxima toreroteca este livro aqui:

Para ganhá-lo, você vai ter que adivinhar alguma coisa que vai acontecer com nosso goleiro. Por exemplo, você pode dizer que ele vai tomar um gol aos 45' do segundo tempo, que fará uma ponte aos 13', que defenderá duas cobranças na disputa de pênaltis, que sua proteção de suas costas vai entrar na garganta de Robben, etc...

Mande aí sua previsão. Esta pode ser a última toreroteca da Copa.

 

PS: Zé Cabala disse-me que a seleção vai perder, e ainda bem, porque este é o último livro da coleção. Ainda tenho "Os 11 melhores camisas 10", mas este veio autografado pelo Marcelo Barreto e vai para a estante.

 

Por Torero às 18h51

Resposta à Síndrome de Abstinência

 
 

Resposta à Síndrome de Abstinência

(Thiago Ribeiro enviou esta solução para o problema enfrentado por Alaor e descrito alguns posts abaixo)

 

Caro Torero,

A identificação que senti com o Sr. Alaor foi impressionante. Ainda não estou em estado tão crítico. Mas temo pelo dia de amanhã.

Inspirado pelo tempo que me resta, passei a pensar sobre uma solução para os dias sem jogos. Envio, por solidariedade ao Sr. Alaor, a ideia que me surgiu. Por favor, repasse ao distinto e me envie os comentários que ele, espero já recuperado, teceu sobre o assunto.

Por que não o Torneio da Consolação?

Hoje sinto um vazio. Depois de quase 20 dias com pelo menos dois jogos diários, está sendo das coisas mais difíceis sobreviver sem uma partidinha sequer da Copa. E pensar que amanhã o martírio continua…

Melhor pensar em outra coisa. Melhor pensar numa solução para os dias sem jogos. A mais simples seria distribuir os jogos das quartas diariamente, em vez de concentrá-los entre sexta e sábado. Porém, essa alternativa seria injusta com os times que jogassem depois. Teriam menos tempo de descanso. É correto, pois, fazer os jogos de adversários futuros no mesmo dia.

Mas isso não é motivo para tristeza. Há sim uma solução para os dias sem jogos. O Torneio da Consolação! Seria um certame disputado pelas seleções eliminadas ao longo das fases, para determinar cada uma das posições na Copa. Nada mais justo, afinal algumas equipes fazem campanhas piores do que outras não por serem de fato piores, mas por darem o azar de pegar grupos mais fortes pelo caminho. O Torneio da Consolação (TC) resolveria isso.

Para não obrigar os jogadores a um esforço excessivo para alguém que já perdeu as chances de título, o TC contaria com regras especiais, inspiradas nos Torneos de Verano argentinos, devidamente adaptadas em nome da emoção. Cada jogo teria 45 minutos e, em caso de empate, iria direto para a disputa de pênaltis. Se um time abrisse uma vantagem de dois gols durante o tempo regulamentar, seria imediatamente considerado vencedor por nocaute.

Com regras como essas e a tabela abaixo, construída a partir dos pontos conquistados por cada seleção na Copa, o TC seria garantia de sucesso. Confiram:

9º lugar: Japão x Estados Unidos

11º lugar: Chile x Portugal

13º lugar: Inglaterra x México

15º lugar: Coreia do Sul x Eslováquia

17º lugar: Costa do Marfim x Eslovênia

19º lugar: Suíça x África do Sul

21º lugar: Austrália x Nova Zelândia

23º lugar: Sérvia x Dinamarca

25º lugar: Grécia x Itália

27º lugar: Nigéria x Argélia

29º lugar: França x Honduras

31º lugar: Camarões x Coreia do Norte

A magnificência de alguns confrontos salta aos olhos. Japão e Estados representariam em campo a velha rixa econômica tão alimentada entre meados das décadas de 80 e 90. Inglaterra e México seria o duelo dos que poderiam ter sido e não foram. Suíça e África do Sul definiria de uma vez por todas o que é melhor: ser triste e taciturno ou alegre e extrovertido.

Austrália e Nova Zelândia faria parar toda a Oceania. Os habitantes das grandes ilhas encheriam dezenas de estádios de rugby para acompanhar a batalha. Itália e Grécia decidiriam em campo quem foi o melhor da Antiguidade. Nigéria e Argélia definiriam quem está à frente na disputa entre as Áfricas negra e branca.

Quanta diferença em relação aos tristes dias sem jogos…

Em nome da desportividade e em defesa os indefesos seres humanos prejudicados pela falta de criatividade da FIFA, fica a partir de agora oficialmente lançada a campanha pelo Torneio da Consolação Brasil 2014.

Lutemos juntos por essa bandeira. Para que o vazio de hoje não se repita em nossas pobres almas daqui a quatro anos.

Obrigado. E estimas de melhoras ao Sr. Alaor,

Abraço,
Thiago B. Ribeiro
(http://coisasmais.wordpress.com)

Por Torero às 18h48

Convites para escrever e conversar

1-) Para quem gosta de escrever sobre futebol, a revista Continuum Itaú Cultural está convidando os leitores, através da seção Área Livre, a enviarem seus trabalhos. Podem ser fotos, ilustrações, poemas, ou mesmo artigos reflexivos. O tema, obviamente, é futebol.

Os trabalhos selecionados serão publicados na edição nº 27, dos meses agosto-setembro de 2010.
 
Para participar:

- Envie seu trabalho artístico através do e-mail participecontinuum@itaucultural.org.br .

- Como enviar? acesse a página http://www.itaucultural.org.br/index.cfm?cd_pagina=2720&cd_materia=1281. Não esqueça de ler o regulamento!

- Prazos de envios de trabalhos: até 03 de julho para a revista impressa e até 10 de setembro para a versão online da revista.
 

 

2-) Para quem gosta de falar sobre futebol, amanhã, quinta-feira, haverá um bate-papo na Livraria da Vila, a partir das 19h00 (na Rua Fradique Coutinho, 915). Os assuntos serão as quartas-de-final, a campanha do Brasil, seus pontos fortes e fracos, os destaques, os craques, os gols mais bonitos, os fatos inusitados, os próximos confrontos, análise sobre as finais possíveis, etc... Enfim um apanhado geral da Copa do Mundo da África do Sul.

Estarão lá o José Renato e o Marcelo Unti, bons pesquisadores e autores de livros sobre futebol.

 

Por Torero às 16h21

SACO, a nova doença brasileira

"E desde quando ele está assim, fora do ar?", perguntou o dr. Nestor, olhando para aquele homem com olhar esgazeado, cabeça inclinada para o lado e nenhum movimento nos braços e nas pernas.

"Desde agora de manhã, doutor", respondeu Rosa, a esperançosa, esposa de Alaor, o torcedor. "Ele terminou de ler o caderno de esportes e, de repente, pluft, eu vi que ele tinha entornado a xícara de café."

"Mmm", disse o médico.

"O senhor poderia dar um diagnóstico?"

O médico então levantou, andou em círculos e, quando já estava ficando um pouco tonto, falou: "Ele está com SACO."

"Mas o Alaor sempre esteve com ele e nunca ficou assim."

"Não, minha senhora, SACO é a sigla para "Síndrome de Abstinência de COpa. É uma doença grave, que surge de quatro em quatro anos."

Dona Rosa coçou a cabeça. O médico entendeu que ela não havia entendido e explicou que, até agora, todos os dias da Copa tiveram jogos, e assim criou-se no cérebro dos torcedores uma espécie de dependência neuroquímica. "O que aconteceu com seu marido é que, ao ler o caderno de esportes e ver que nenhum jogo estava programado até sexta-feira, ele entrou num estado catatônico".

"Mas por que não tem nenhuma partida hoje?!"

"Na sexta teremos duas e outras duas no sábado."

"Duas nestes dias e nenhuma hoje?"

"Parece que a tabela foi bolada por uns brasileiros chamados Tico e Teco, que trabalhavam na CBF", explicou o dr. Nestor.

"E enquanto isso, o que eu faço?"

"Vamos tentar um tratamento paliativo: sintonize a tevê nos canais esportivos, que hoje devem transmitir algumas mesas redondas e uns videoteipes; durante as refeições, toque um CD com os hinos dos países da Copa e, se possível, alimente-o só com o que costuma comer em frente à TV: pipoca, batatinhas, cerveja e amendoim japonês."

"Farei isso, doutor. Obrigada."

"Obrigada, não. São R$ 200."

Sem remédio, a doce Rosa fez um cheque e pagou a salgada conta.

Voltando para casa, ela sintonizou um programa esportivo. Uma lágrima caiu pelo seu rosto quando ela viu Alaor mexer alguns dedos da mão direita.

 

(PS: Este texto é filho de outro, publicado na Folha de S.Paulo em dezembro de 2000) 

Por Torero às 07h57

29/06/2010

Brazil x Chili, o pequeno gigante

(Ilustrações de André Bernardino)
 

Os torcedores ergueram os braços e sopraram suas cornetas quando os gladiadores entraram no Circus Maximus. 

Estavam famintos de pão e sedentos de sangue. 

De um lado estava Brazil, o mais famoso dos lutadores. Até então ele tinha feito lutas medianas, mas estava invicto, com duas vitórias e um empate.

Do outro lado vinha Chili, o pequeno gigante. O desafiante de pedra. Tinha duas vitórias e uma derrota, e sonhava, com sua cabeça dura, que desta vez poderia vencer Brazil.

 

Nos últimos tempos, Chili já havia sido derrotado muitas vezes por Brazil. Muitas. E em todas estas vezes, o pedregoso oponente tinha se lançado ao ataque. Por isso, era de se esperar que ele tivesse aprendido a lição.

Mas não aprendeu.

Tão logo o imperador deu início à luta, Chili lançou-se ao ataque.


 

O pequeno gigante atacava, mas Brazil se esquivava com brilhantismo. Aliás, se há algo que o gladiador das três raças (ele é nascido de mãe índia, pai caucasiano e vizinho negro) sabe fazer, é se defender.

Chili atacou por alguns minutos, mas Brazil logo começou a ensaiar alguns contra-ataques.

O homem de pedra começou a ficar acuado e talvez tenha pensado que não deveria ter partido para cima de seu adversário.

Mas era tarde demais.
 
Brazil acertou-lhe um belo golpe Juan na cabeça, esfacelando seu nariz.

 

Só aquele golpe já teria deixado o pequeno gigante atordoado. Mas ele não veio sozinho.

 

Alguns instantes depois, Brazil atingiu seu inimigo com um chute Fabuloso, rachando seu peito e atingindo seu coração.

Antes mesmo da metade da luta, ela já estava decidida.

  A torcida do pequeno gigante ficou petrificada depois daqueles dois golpes.

 

Quando começou a parte final do confronto, Chili já não tinha forças. Conseguia um ataque ou outro, mas Brazil dominava a luta, brincando com Chili assim como um doberman brinca com um pequinês que late desesperadamente à sua volta.

Então, quando Brazil cansou de brincar, desferiu o golpe final: usou sua espada Robinho e atingiu a cabeça de Chili.

 


Depois disso, o gladiador dos Andes foi esfacelando-se. Pedaços de seu corpo foram caindo pela arena.

Sim, o pequeno gigante chegou a ter esperanças, e a esperança é a última que morre. Mas morre.

Brazil ficou sobre os escombros do inimigo e a multidão gritou em júbilo.

Foi a melhor luta do gradiador brancoafroíndio.

Ainda não foi um espetáculo, mas foi uma luta digna da tradição de Brazil.

A próxima luta, no entanto será terrível. Gotas de sangue, suor e lágrimas transformarão a areia do Circus Maximus numa lama de emoções. 

Quem viver lerá.

Por Torero às 09h30

Links legais

1-) Caso alguém não tenha visto, o Blog do Juca reproduz uma importante entrevista de Andrew Jennings sobre Blatter, Havelange, Ricardo teixeira e corrupção. para ir para lá, clique cá: http://blogdojuca.uol.com.br/

2-) Marcus Vinicius fez um interessante texto sobre o jogo de hoje entre Portugal e Espanha. O endereço é este: www.conversasedistracoes.blogspot.com

Por Torero às 09h24

28/06/2010

Pai Jabulani, o vencedor da toreroteca

Os palpites para esta última toreroteca mostraram que vários leitores devem estar tendo aula com o mestre dos mestres, o supino Zé Cabala, aquele para que olha o futuro pela fechadura do tempo, assim como em seus dias de petiz olhava a empregada pelo buraco pela fechadura do banheiro.

Por exemplo, o Leandro Miranda afirmou com toda propriedade que o Fabuloso “Vai estar usando a camisa 9 durante todo o tempo que participar do jogo”. Uma verdade incontestável.

O Leonardo Lago, de Florianópolis, não deixou por menos e previu: “Antes do apito inicial, Luís Fabiano ouvirá o Hino Nacional ao lado dos demais jogadores da Seleção, murmurando uma letra que só ele conhece”. Incontestável!

O Cláudio Pereira, lá de Berlim, mostrou seus poderes ao adivinhar que nosso centroavante trocaria a camisa com jogador do Chile no final. Coisa de gênio!

Thiago Nogueira mostrou seus poderes ao prever: “Torero, eu acho que o Luis Fabiano se livrará das raízes que prendem seu pé e chutará a imensa pedra (que na verdade é uma bola) para o fundo do gol e tudo isso acontecerá durante o intervalo do jogo”. Alguém pode negar?

Filipe Degani sabia que ele faria o segundo gol do Brasil. Eder Cardoso sabia que ele faria o sinal da cruz ao entrar em campo. Luiz sabia que LF seria o primeiro homem a tocar no jogo, dando o ponta pé inicial. E Rodrigo, de Ribeirão Preto, sabia que o primeiro chute do Fabuloso não seria gol.

Qualquer um destes poderia ganhar o prêmio desta toreroteca. Poderia. Mas não ganhará. E por causa de Fábio Franzini, que escreveu:

“Caro Torero, um espírito de porco qualquer me sopra do além que Luís Fabiano fará um gol aos 37' do primeiro tempo, tomará cartão amarelo aos 22' do segundo e, finalmente, será substituído pelo Grafite aos 35' (do segundo, obviamente). E não apenas isso: Grafite ainda guardará o seu, aos 41', fechando o placar: Brasil 3 x 1 Chile. Abraços, Fábio. PS - se eu acertar mesmo tudo isso, vou mudar meu nome para Pai Jabulani e começar um novo negócio...”

Fábio só acertou o primeiro chute. Mas centroavante é assim mesmo: só precisa acertar uma por jogo. Por conta disso, este Pai Jabulani fica com o livro do Milton Leite.

 


PS: Por outro lado, o Ricardo Tsubo merece ser citado por errar com grande convicção. Ele disse: “O Fabuloso vai errar um gol na cara aos 37' do 1º tempo”. Ricardo acertou o tempo exato, só errou ao dizer que o Fabuloso ia errar. Um gol contra.

PPS: Logo depois da partida, a pesquisa aqui ao lado já voltou a mostrar o Brasil com 37%. A Argentina vem em segundo, com 20%, e nossa próxima inimiga, a Holanda, em terceiro, com 10%. 

 

Por Torero às 20h54

A justiça é cega porque não usa videoteipe

Ontem tivemos dois erros graves de arbitragem. No jogo entre Alemanha e Inglaterra, uma bola que entrou não valeu como gol. Na partida entre Argentina e México, um impedimento explícito não foi marcado.

Alguns segundos depois dos lances, os árbitros e seus assistentes já sabiam, ou poderiam saber, do erro.

Mas, mesmo estando na mais importante competição esportiva do mundo, que vale milhões aos vencedores, a Fifa prefere não usar o videoteipe. Prefere o erro ao acerto.

 Segundo os árbitros de Alemanha e Inglaterra, a linha do gol alemão é assim.

A justificativa da entidade é que não usam esta ferramenta na Copa porque ela não poderia ser usada em todos os jogos.

Balela!

É o mesmo que dizer que não se deve usar remédios modernos contra o câncer porque eles não poderiam chegar a todos. E é óbvio que é melhor ter alguma cura do que nenhuma. 

Como, no fim das contas, os times beneficiados (Alemanha e Argentina) eram mesmo os melhores, parece que os erros não tiveram maiores conseqüências. Mas poderiam ter tido.

O México estava sendo mais perigoso quando tomou o gol e desestabilizou-se, com o que acabou tomando o segundo.

E a Inglaterra vinha num ótimo momento e, se chegasse a um empate, realmente poderia complicar o jogo.

Se os árbitros tivessem apitado corretamente, se houvessem usado o já velho videoteipe, a história destes jogos poderia ser outra.

Mas não há “se” na história, nem no futebol. 

Precisaremos de um desastre maior para que a Fifa decida-se a usar o videoteipe. Precisaremos de um grande erro na final. E um erro decisivo. Um erro que gere uma grande comoção mundial. Algo como o Brasil perder para uma seleção de menor importância (como a Argentina). Só aí a entidade máxima do futebol poderá se convencer do óbvio: que é melhor ter alguma justiça do que nenhuma.

 

Por Torero às 08h11

26/06/2010

Toreroteca centroavântica

Vamos à nossa toreroteca. Mas, desta vez, antes de falar a pergunta, mostrarei o livro, que foi escrito pelo Milton Leite, que narra seus jogos com um raro humor. Ele é este:

Pois bem, como o prêmio é sobre centroavantes, a pergunta será sobre Luís Fabiano.

Desta vez, convido os candidatos a Zé Cabala a preverem algo que acontecerá com nosso número 9 no jogo contra o Chile. Por exemplo: "Ele fará um gol aos 18' do primeiro tempo", ou "Será expulso aos 68'", ou "Errará sua cobrança na disputa de pênaltis", ou "Perderá um dente no intervalo ao tropeçar na escada."  

Vale qualquer coisa. Mande aí sua zecabalice.

Por Torero às 23h18

Bento, Batista e o empate

Não tem erro: todos os dias seguintes aos jogos, lá estão eles no Bar da Preta. E, qualquer que seja o resultado, eles nunca chegam a uma mesma conclusão. Apesar disso, Bento e Batista continuam amigos. O otimista diria que isso acontece porque a amizade deles está acima de qualquer diferença. O agourento, porque no fundo eles não passam de sádicos.

Hoje, cheguei quando Batista falava:

"Viu só que partidão fez o Lúcio?"

"Vi foi a partidinha do Júlio Baptista. Provou que não serve mesmo para ser reserva do Kaká. Você só não reclama dele porque deve ser parente."

Batista nem ligou e continuou seus elogios: "E o Júlio César, hein? Quando precisou, mostrou serviço."

"Era o Júlio César? Com aquele negócio nas costas, pensei que era o Robocop."

"Não veja problema onde ele não existe."

"Então vou dizer onde ele existe: na lateral esquerda. O Michel Bastos me fez ficar com saudades do André Santos e do Roberto Carlos. Por que o Dunga não levou uns laterais de verdade? Será que tem que ser evangélico para entrar na seleção? Uns diabinhos caem bem de vez em quando."

"Você tem que admitir que o time jogou com a cabeça."

"É verdade, não tinha nenhum decapitado no time. Se bem que o Felipe Melo deu uma de cabeça oca."

"Vai dizer que você não sentiu a força da defesa?"

"Vai dizer que você não sentiu a fraqueza do ataque?"

Batista começou a descascar calmamente seu ovo cor de rosa e disse: "O importante é que ficamos em primeiro lugar no grupo. Teve agourento que até disse que a gente corria o perigo de não se classificar."

Bento parou a mão que levava uma gigantesca coxinha até sua boca e falou: "Tudo bem, eu errei nisso. Mas acertei quando disse que o Dunga não sabia o que estava fazendo. Imagine só: ele levou sete volantes e, quando o Elano se machucou, ele escalou um lateral!"

"Foi uma experiência, uma questão de opção."

"Para a vaga de volante ele tem opção até demais. Em compensação, daí para frente... O pessoal reclamou que ele deveria ter levado um meia em vez do Kléberson, e ele devia mesmo."

"Ora, você está reclamando de barriga cheia", disse Batista enquanto Bento dava a segunda e última mordida em sua coxinha. "O Brasil vai passar pelo Chile com um pé nas costas."

"Só se for com um pé do Felipe Melo nas costas do Valdívia."

“Já metemos seis no Chile.”

“Pois eu acho que o Chile vai ser uma parada indigesta", falou Bento ao ver Batista cravar os dentes em seu ovo cozido. "Se eles pararem de perder gols, caímos fora da Copa e vai ser um vexame."

Eles se olharam em silêncio por um instante, perceberam que um jamais convenceria o outro, e disseram:

"Você não se cansa de ser tão agourento, Bento?”

“Você não enjoa de ser tão otimista, Batista?”

Por Torero às 09h24

Links legais

Uma bela senhorita de menos de dois anos assistiu ontem ao seu primeiro jogo de futebol. Quem quiser saber quais suas impressões sobre a partida, clique aqui: http://blogdolele.blog.uol.com.br/


E este link é para os raros leitores que gostam, ao mesmo tempo, de poesia e futebol: http://etambemfutebol.wordpress.com

 

Por Torero às 09h22

25/06/2010

Melhores momentos?

Os céticos dirão que foi um jogo tão chato que nem deu para fazer a edição dos melhores momentos. Calúnia! Eis aí a seleção dos pontos altos da partida entre Brasil e Portugal.

0’: Executam-se os hinos das seleções. Duas belas músicas, bandinha afinada e jogadores sabendo de cor seus hinos.

7’: A torcida grita o nome de Robinho.

27’: Alguém ergue um cartaz que diz: “Ei, Cristiano, Ronaldo só existe um!”

44’: Instante de emoção para os brasileiros: sai Felipe Melo.

Intervalo: O gramado é molhado.

66’: O gandula devolve a bola para Júlio César com grande precisão.

81’: Sai Júlio Baptista e a torcida vibra.

95’: O melhor momento do jogo: o juiz apita o final da partida.

 

PS: Amanhã de manhã tomarei meu pingado ao lado de Bento, o agourento, e de Batista, o otimista. Logo depois contarei o que eles acharam do jogo da seleção. 

PPS: Depois da vitória sobre a Costa do Marfim, o índice de favoritismo do Brasil subiu de 27% para 37%. Acho que vai cair um tanto.

PPPS: Como não houve gol, ninguém acertou a toreroteca. Assim, tenho que inventar uma regra para escolher o vencedor. Pois decidi dar o livro para André Gomes, de São Paulo, que teve a mensagem mais objetiva (coisa que o time de Dunga não foi). André escreveu: "Em caso de ter que inventar um ganhador, não inventa, pode mandar pra mim que eu aceito". Pois mande aí seu endereço.

Por Torero às 15h46

24/06/2010

A Copa dos Bragantinos


Tirando um ou outro time, um ou outro jogo, a verdade é que a Copa não está sendo um grande espetáculo. É como se fosse um campeonato só de Bragantinos, times esforçados mas sem muito brilho, que até podem chegar a uma final de campeonato, mas não empolgam.

Temos Bragantinováquias, Bragantinovênias, Braganterras, Bragantálias, Bragantinos do Norte e do Sul. Todas as seleções jogam muito parecido. Se trocassem o uniforme da maioria delas, não saberíamos quem é quem.

Nem os africanos escaparam. Numa tentativa de acelerar seu desenvolvimento, eles chamaram técnicos estrangeiros e moldaram seu futebol à europeia. Acabaram perdendo o que tinham e não encantam mais. Viraram Bragantinos do Marfim, Bragantarões, Bragangérias.

Isso acontece em grande parte porque não há tanto talento no mundo quanto se espera, mas também por medo. O Brasil, por exemplo, poderia escapar do esquema tático bragantino, mas optou por segui-lo fielmente. E assim, em menor escala, com outras seleções.

A esperança é que na próxima fase, com a obrigação da vitória, as equipes se lancem mais à frente, ousem mais. Porém, pode acontecer exatamente o contrário. Vai ser a luta entre o medo e a esperança, entre o não perder e o ganhar.

Talvez estes tempos sejam meio medrosos mesmo. Não há utopias sociais, não há grandes revoluções morais, nem nada. Talvez estejamos num tempo em que mais se quer não perder do que vencer.

 

Por Torero às 09h39

Dica

A revista Trip deste mês, a que tem o Neymar na capa, está bem interessante. É quase que toda sobre futebol, e tem pautas inesperadas. Além de uma boa entrevista com o cara que não foi à Copa, há a mulher que pariu um time inteiro, o pastor do hexa, uma reportagem com Marinho Chagas, a história do Madureira em Cuba, dirigentes de futebol na cadeia (não, não são dirigentes corruptos, são presos que dirigem o futebol nos presídios), um time só de gays, outro só de anões etc...

Por Torero às 09h38

23/06/2010

Toreroteca

E cá estamos nós para mais uma toreroteca, que nestes dias bem poderia se chamar copateca.

Pois bem, hoje vos pergunto quem fará e quando será marcado o primeiro gol brasileiro.

Se ninguém acertar, eu invento uma regra e invento um campeão.

Meu palpite é Ramires aos 38´ do segundo tempo. E digo mais: a partida será 1 a 1. Aliás, continuando minhas previsões (ando convivendo muito com Zé Cabala), digo-vos que Dunga será muito educado e polido na entrevista coletiva depois do jogo.

Falando em Dunga, o prêmio desta copateca será este livro aqui:

 

O livro, escrito por Maurício Noriega, bom comentarista do SporTV, traz os 11 maiores técnicos do futebol brasileiro. A saber: Brandão, Feola, Bela Gutman, Lula, Zagallo, Minelli, Ênio Andrade, Telê Santana, Luxemburgo, Felipão e Muricy. Curiosamente, Noriega deixou nomes importantes de fora, como Parreira, Leão e, é claro, Dunga. Ah, mundo de tantas injustiças...

Por Torero às 08h23

21/06/2010

Dois velhos amigos comentam o jogo da seleção

Acabo de voltar do Bar da preta, onde tomei meu café matinal, na verdade, quase madrugal. Obviamente só se falava no jogo do Brasil. E dois sujeitos polarizavam a discussão: Batista, o otimista, e Bento, o agourento.

“Vencemos por 3 a 1, uma vitória sólida”, falou Batista.

“Qual o quê?”, retrucou Bento. “Na verdade foi 2 a 1, que o gol do Luís Fabiano foi ilegal. Aliás, viu o juiz depois do gol, mostrando onde a bola tinha batido? Se ele viu que ela bateu ali, tinha que ter invalidado o gol. Isso é caso de polícia!”

“Os juízes sempre erram a favor dos times grandes. Isso mostra que o Brasil está cheio de moral.”

“Está cheio é de imoral.”

“Deixe de bobagem, de qualquer jeito, ganharíamos.”

“Sim. De uma seleção que só participou de uma Copa e chegou em 19º. lugar. Grande coisa...”

“Antes do jogo diziam que Drogba era um perigo.”

“E era, tanto que fez um gol graças à linha burra brasileira. Mas o resto do time...”

“Você está desvalorizando o adversário para não valorizar nossa vitória.”

“Desvalorizando, não, dando o valor certo, que é bem pouco.”

“Vai dizer que a seleção brasileira não evoluiu?”

“Estava tão ruim que não dava para ficar pior.”

“Você tem que admitir que nossa defesa é sólida.”

“Como?, se está levando gol em todo jogo.”

“Pelo menos vai concordar que o Kaká subiu de produção?”

“Um pouco. Mas levou o vermelho. O cara não tem a menor malandragem. Apanha, apanha, apanha e é expulso.”

“O Dunga vai conversar com ele.”

“E vai dizer o quê? O Dunga não consegue ser tranquilo nem em coletiva. Viu ontem? Ele implicou com aquele carequinha do Sportv e ainda deu mais umas respostas atravessadas. O cara está se achando o máximo. Aposto que já tem gente torcendo contra o Brasil só para não aguentar a pose do cara nas coletivas.”

“O importante é que já estamos na próxima fase.”

“Onde talvez peguemos a Espanha. Aí eu quero ver.”

“E verá. Já me sinto hexa!”

“Hexa-gerado!”

“Você é muito otimista, Batista.”

“Você é muito agourento, Bento.”

 

Por Torero às 06h55

20/06/2010

Resultado da Toreroteca

Teobaldo, de São Paulo, acertou em cheio. Cravou 3 a 1 e disse que o último gol brasileiro seria de Elano. Mande aí seu endereço, Teobaldo.

 

Por Torero às 19h37

1 x 1

Hoje é um dia interessante na Copa. Fora a partida do Brasil, teremos os dois confrontos do Grupo F, onde as quatro equipes estão totalmente empatadas, pois as duas partidas da primeira rodada terminaram em 1 a 1.

Creio que a Itália vencerá a Nova Zelândia sem problemas e o Paraguai passará, com problemas, sobre a Eslováquia. Ainda mais se deixar Roque Santa Cruz no banco, um grandalhão com certa habilidade.

Estes dois 1 a 1 me lembraram de um livro que acabei de ler por estes dias. Chama-se Conversa sobre o tempo. Trata-se de um um longo diálogo (que sempre pode ser simbolizado por 1 x 1) entre Luis Fernando Verissimo e Zuenir Ventura. Ou melhor, trata-se de um triálogo, já que o mediador Arthur Dapieve também se faz presente no livro.

É uma obra para quem acha Zuenir um dos grandes jornalistas do país e Verissimo, um de seus melhores contistas. Uma obra para fãs e curiosos sobre o que ele pensam. É o meu caso.

Desde que participei da coleção Plenos Pecados com eles e fizemos algumas palestras juntos, tornei-me um fã. Não dos escritos, que isso eu já era, mas dos sujeitos. 

Zuenir é um dos caras mais charmosos que já conheci. Ele é tão naturalmente sedutor que até beija as mãos das moças, e depois você tem que escutar da sua consorte: "Ah, que pena que você não é assim..." 

Já o Verissimo fala pouco e você tem que catar os restos de frase e as migalhas de piadas que ele deixa cair. É tão econômico no verbo que acho que Lucia, sua mulher, vai ler o livro para saber o que ele pensa.

Por fim, o Arthur Dapieve faz uma boa mediação, não aparecendo demais, mas não sumindo da conversa, conduzindo-a para temas interessantes como paixões, política e morte. 

Para o meu gosto, poderiam falar um pouco menos de filhos (talvez seja ciúme meu) e mais de literatura. É claro que a literatura aparece no livro, mas eu gostaria de saber mais como o Zuenir se aproxima de um tema, como conduz uma entrevista, etc...; e como o Verissimo encontra o ritmo de seus diálogos, como estrutura suas histórias e coisas assim.

Apesar deste pequeno senão, foi uma leitura divertida, que fiz com prazer.

Há um pequeno filminho sobre o livro neste link: http://www.youtube.com/watch?v=Qz6c4kVRbgc&feature=youtube_gdata

E um texto melhor do que o meu aqui: http://wp.clicrbs.com.br/mundolivro/tag/zuenir-ventura/?topo=77,1,1 

 

Por Torero às 08h34

19/06/2010

Israel x Palestina

Para quem não viu a partida entre Israel e Palestina pela Copa do Mundo, eis aqui os melhores momentos do jogo: http://www.youtube.com/watch?v=C7-DTZ-qDbA

Por Torero às 18h05

Camarões não enchem a rede

Uma pena, mas a seleção de Camarões caiu fora. Teve um monte de boas chances, mas a pontaria da equipe foi desastrosa. E, quando ela não falhou, o goleiro dinamarquês fez uns milagrinhos.

A meu ver, o maior erro dos africanos foi não chegar à linha de fundo. Os cruzamentos vinham da intermediária, e assim ficava  fácil para os escandinavos. Eles também não pareciam estar bem treinados. Um jogador não sabia automaticamente onde o outro estava.  

A Dinamarca acabou vencendo graças a duas jogadas de Rommedhal, que corre feito um Bip Bip.

 Rommedahl, mesmo aos 31 anos, continua deixando o Coiote para trás.

O resultado acabou classificando a Holanda, que assim poderá jogar de tamancos contra Camarões.

E, na pesquisa aqui ao lado, o Brasil continua com 27%, apesar de uma primeira partida modesta. Tomara que na segunda-feira essa porcentagem comece a subir.

Por Torero às 18h03

Holanda pragmática, quem diria?

A Holanda jogou bem e venceu o Japão em sua segunda partida, chegando aos seis pontos. Mas esteve um tanto diferente do primeiro jogo. Foi menos ataque e mais meio de campo. Menos emoção e mais neurônio.

Quando Robben voltar, talvez a seleção holandesa consiga unir o pragmatismo do segundo jogo à velocidade do primeiro.

Depois da, argh, Argentina, é a seleção que me parece com mais chances de chegar à final.

Por Torero às 10h28

18/06/2010

Links: Maradona e Saramagos

Este leva a um texto sobre Maradona, por enquanto a principal figura da Copa: www.conversasedistracoes.blogspot.com

Este vai ao Blog da Cia. das Letras, onde há um texto do editor Luiz Schwarcz sobre a morte de José Saramago: http://www.blogdacia.com.br/

E este é o do próprio blog de Saramago: http://caderno.josesaramago.org/

 

Por Torero às 15h58

Toreroteca: Brasil x Costa do Marfim

Eis que cá estamos para outra toreroteca. Desta vez, eu vo pergunto: qual será o placar entre Brasil e Costa do Marfim?

Como provavelmente teremos muito palpites iguais, coloco cá um fator de desempate: o autor do último gol do Brasil.

 O meu palpite é Brasil 2 x 1 Costa do Marfim. E o segundo gol será do Luís Fabiano.

Se ninguém ganhar, invento uma regra e o livro sai de qualquer jeito.

Aliás, em homenagem ao Maicon, nosso lateral-artilheiro, o brinde será este aqui:

Em tempo, os 11 laterais escolhidos pelo Paulo Guilherme são o mesmos que eu escolheria: Nilton e Djalma Santos, Carlos Alberto Torres, Nelinho, Wladimir, Júnior, Leandro, Branco, Leonardo, Cafu e Roberto Carlos.

Por Torero às 09h59

17/06/2010

Copaganda, a Copa das propagandas

O que não falta na Copa são propagandas. Elas competem entre si para ver qual é a melhor, e a pior. A mais cara e a mais infame, a mais bela e a mais inteligente. É uma verdadeira Copaganda. Eu já tenho meus dois finalistas. Mas antes falemos dos outros.

Um dos que chegou perto, mas caiu nas quartas-de-final, foi o comercial de Coca-Cola, uma animação bonita e alegre, que usa uma das músicas-tema da Copa. É feliz, mostra crianças, etc... Não chega a ser especial, mas é boa.

Porém, na guerra entre as colas, meu voto vai para a Pepsi, que fez aquela propaganda em que as pessoas são as linhas do campo e se movem para favorecer os meninos africanos que jogam contra craques da Copa, como Kaká, Henry, Messi e Drogba. Muito belo, com boa música e generosos dois minutos e meio.


Bem sacada foi a propaganda da Net com Ganso e Neymar. Tem um humor até meio cruel: os dois chegam numa sala cheia de gente e as pessoas que já estão sentadas dizem que para eles não há lugar nem no banco. É raro ver uma publicidade que fuja do total bom-mocismo. Essa conseguiu.

Outro esquecido por Dunga que foi lembrado pela publicidade é Ronaldinho Gaúcho, que aparece como motoqueiro. É um filme simpático mas pouco marcante, tanto que nem consigo lembrar do produto.

Na guerra das cervejas há um novo comercial da Skol com argentinos. É aquele em que três hermanos vão tomar uma latinha de cerveja e, quando vão abri-la, ela fala alguma coisa. Este me parece mais divertido que o anterior. E menos rancoroso. Acharam o tom.

Ainda falando de Skol, gostei mais daquela em que velhinhos num asilo fazem bagunça às vésperas de um jogo do Brasil. É divertida e fala de festa, o que me parece ser o que une Copa e copos.

Bem diferente é o reclame (sim, sou da década de 60 e ainda falo reclame) da Brahma com Luís Fabiano. Aquela em que a bola vira uma pedra, etc... A tentativa de transformar a cerveja num néctar de coragem não me convence. É ilógica. Um brahmeiro não é um guerreiro. Cerveja é relaxamento, não luta. É endorfina, não adrenalina.

Cafu como o falso mecânico Joel também ficou engraçado no comercial da Castrol. É bem mais engraçado que o personagem Enganílson, do Ponto Frio. E, falando em personagens, coloco aqui um link para uma recente reportagem com Araquém, o showman, que fez sucesso na Copa de 1986: http://www.youtube.com/watch?v=GgMAvQLAX-g

Outro link interessante é este: http://euvivoaselecao.com.br/. Trata-se de um comercial da Vivo exclusivo para a internet, creio. Dura cinco minutos e mostra Pelé, aos setenta anos, tentando fazer um gol contra a Argentina. É muito bem filmado, o que não é fácil de fazer com o futebol.

Mas eis que chegamos aos finalistas. São os dois melhores comerciais que vi na Copa. Curiosamente, eles buscam mais a emoção do que o humor.

Um, do Mastercard, é aquele em que um filho encontra Pelé num bar (o São Cristóvão, creio) e tira uma foto para completar o álbum de figurinhas do pai. É emocionante, mistura Pelé, amor paterno, nostalgia e a febre de figurinhas. Uma bela sacada.

O outro não parece ter muito a ver com Copa, mas tem. Ele mostra dois meninos, um árabe e um judeu, de lados diferentes de uma rua. Os dois com a camisa da seleção brasileira. A bola vai de um para o outro, fica uma tensão no ar sobre o que vai acontecer. Mas o outro a devolve para o um, num gesto de amizade gerado pelo fato de os dois estarem com a mesma camisa. Mistura paz e seleção brasileira. Uma boa ideia, delicada e bem filmada.

E, já que falei tanto de publicidade, clique na foto abaixo para ver um curta meu que mostra bem o que penso sobre o assunto:


 

Por Torero às 09h51

16/06/2010

A luta entre o gigante Brazil e o pequeno Kor Ri An

(Desenhos de André Bernardino)

 

De todos os gladiadores, ele é o maior, o melhor.

 

De todos os gladiadores, é o mais forte, o mais temido.


 

Ele é uma mistura de três raças: índio, negro e branco. Seu estilo de luta é inimitável. Não há outro que tenha dado mais golpes, nem que tenha derrotado mais oponentes.

 

Enquanto ele se aproximava do portão, já podia ouvir a multidão gritando o seu nome, o nome que é uma lenda:

 

“Bra-zil! Bra-zil! Bra-zil!”

 

Quando chegou ao centro da arena, viu que seu adversário era muito menor do que ele. E o pequenino olhou-o com respeito e admiração, com medo e pavor.

Kor Ri An era um bom praticante de tae kow do. Mas Brazil era um gladiador completo, um gladiador que inventara novos golpes, que às vezes lutava com tanta graça e harmonia que seus movimentos mais pareciam um balé (mas é claro que ninguém era besta de dizer-lhe isso).

O novo treinador de Brazil tinha um estilo um tanto defensivo. Mas o técnico de Kor Ri An era ainda mais, e seu pupilo começou a luta apenas se esquivando. Não arriscava nenhum golpe, não ia para cima do gigantesco Brazil. Apenas ficava se desviando das mãos e pés de seu oponente.

Por sua vez, Brazil movia-se com lentidão. Vez ou outra arriscava um soco Robinho, mas era pouco. Seu chute Kaká, tão famoso, estava lento, descoordenado.

E assim, sem emoção, com um atacando mal e outro apenas se defendendo, acabou a primeira parte da luta.

Os fãs de Brazil estavam inquietos. Eles queriam ver o sangue espalhando-se pela arena africana. Esperavam que Kor Ri An fosse massacrado, que perdesse todos os dentes e jamais pudesse sorrir novamente, esperavam que seus olhos ficassem tão roxos e inchados que por muito tempo ele não pudesse se olhar no espelho. Mas os golpes de Brazil não encaixavam, não entravam, não passavam nem perto.

Porém, como diz o ditado: “punho firme em cara dura tanto bate até que fratura”. E assim, aos dez minutos da segunda parte da luta, finalmente Brazil acertou um bom golpe em seu adversário. Um golpe um pouco torto, que pareceu quase sem querer, mas um golpe fatal, um golpe que feriu Kor Ri An profundamente.

 

E tanto foi assim que o lutador de tae kow do nem esboçou uma reação. Continuou encolhido, com medo de provocar a ira de Brazil.

O gladiador ganhou confiança e atacou mais. Variou golpes, atacou pelos flancos do inimigo, e assim conseguiu acertar um segundo pontapé em Kor Ri An.  


 

Depois disso, o indigenafrocaucasiano gladiador animou-se ainda mais e partiu para o ataque. Mas eis que então houve uma grande ironia: quando Brazil finalmente começou a lutar como queriam seus fãs, ele sofreu um contra-ataque.

 
O pequenino Kor Ri An, quem diria?, deu um belo chute nas partes baixas do gigante.

Não foi o suficiente para estragar a vitória de Brazil. Mas ele ficou, digamos, com algo entalado na garganta.
 
Para a próxima luta, contra o terrível Homem de Marfim, Brazil terá que melhorar um pouco. Aliás, um pouco, não, um muito. 

Brazil é uma lenda. E as lendas, se não se tornam realidade de vez em quando, viram lengalenga.

 

Por Torero às 02h44

A estreia do Brasil vista por 11 mulheres

 
 

A estreia do Brasil vista por 11 mulheres

Texto de Maria Rita Barbi

Confortavelmente acomodada em um escritório ao lado do Vale do Anhangabaú, em São Paulo, acompanhei a estréia da seleção na Copa do Mundo, cercada só por amigas. Onze mulheres formaram um time completo de torcedoras, sem reservas.

Nos momentos que antecederam o início do jogo, fizemos um bolão. Como prêmio, combinamos uma indulgência para os regimes estabelecidos: uma pizza grande, sabor mussarela.

A ausência completa de testosterona no nosso grupo pôde revelar dois interessantes tipos de torcedoras nessa Copa: as futebolistas-arte e as analistas técnicas.

As futebolistas-arte primam pela beleza no jogo. Gostam de ver contra-ataques com velocidade, dribles, pedaladas e gols de bicicleta.

As analistas técnicas entendem de futebol. Conhecem as habilidades de cada jogador, discutem os esquemas táticos e emitem opiniões contundentes sobre as partidas.

Seguindo uma linha festiva, as futebolistas-arte enfeitaram o escritório com bandeirolas, prepararam uma mesa de quitutes temáticos e distribuíram cornetas. Já as analistas técnicas compilaram uma síntese das estatísticas sobre as equipes.

O início do jogo na África do Sul foi morno. Os primeiros minutos, tensos e sofridos. Para piorar, ninguém entendia os nomes dos jogadores asiáticos, o que dificultava a compreensão das jogadas. Aos trinta minutos, a partida estava tão ruim que no escritório já tinha gente batendo bola com o deus do sono Morfeu.

As futebolistas-arte que ainda estavam acordadas foram preparar um café. As analistas técnicas, irritadas, discutiam o desempenho pífio da seleção no jogo.  Seria culpa da Jabulani? Do frio? Do Dunga? Dos olhos de choro dos jogadores adversários?

Não havia mistério. A Coréia do Norte defendia e ocupava bem o campo, fechando o Brasil na defesa. E o time brasileiro mostrava dificuldade para impor sua qualidade contra o adversário.

De qualquer ângulo, o Brasil estava longe do desempenho pentacampeão.

Em face de tamanha decepção, as mulheres começaram até a falar de moda:

“Ousado o casaco do Dunga. É de grife?”

“Claro. Mas prefiro as chuteiras amarelas dos jogadores da Coréia do Norte. Ficam descoladas com o uniforme vermelho.”

No final do primeiro tempo, uma futebolista-arte resumiu o espírito coletivo de frustração:

“A gente se fantasia, se arruma pra festa e ninguém faz nada!” - desabafo digno de quem tem namorado que dribla responsabilidade e põe a relação de escanteio.

Para as torcedoras, ainda restava uma dúvida: o Brasil voltaria forte depois do intervalo? Bem. Forte, não voltou. Mas o time começou a apresentar algum resultado.

Quando o primeiro gol saiu aos 10 minutos do segundo tempo, as mulheres gritaram histericamente. Inclusive eu. O escritório foi preenchido por altíssimos decibéis, equivalentes a uma dezena de vuvuzelas. Salve Maicon!

Quinze minutos depois, o gol de Elano provocou outro surto de comoção. Mas os norte-coreanos logo vieram com um balde de água-fria, provando que a seleção brasileira tem muito que mudar.

Final de jogo. Dois a um para o Brasil em cima da Coréia do Norte. Vitória sofrida. Estréia tímida. Eu, sem querer, acertei o placar do jogo. Ganhei o bolão do escritório. Mas confesso que preferia ter perdido.

Seria bom ter visto uma goleada, como reivindicaram as futebolistas-arte. Ou mesmo um jogo tático consistente, como pediram as analistas técnicas.

De qualquer forma, por unanimidade, as torcedoras concordaram que a seleção não começou bem sua campanha na Copa. Para mim, pelo menos, a estréia do Brasil terminou em pizza...

 Maria Rita Barbi escreve o blog Quebrando o salto e vai gastar o dinheiro do bolão no sapateiro.

Por Torero às 02h41

15/06/2010

Quinto dia e primeira pergunta:

Caro leitor, caríssima leitora, que desculpa vós dareis aos vossos patrões para ver o jogo do Brasil?

Por Torero às 08h07

14/06/2010

Links legais

O goleiro paraguaio acabou de falhar no gol de empate italiano. Só não foi pior que a falha de Green, da Inglaterra. Falando nisso, eis aí um link sobre goleiros ingleses, escrito por um jornalista e ex-goleiro:  www.conversasedistracoes.blogspot.com

E, falando em goleiro, o blog do AL-Chaer fala sobre a principal qualidade do arqueiro italiano Buffon, que não é a elasticidade, a colocação ou o reflexo ( http://futeb-al-chaer.blogspot.com/).


 

Por Torero às 16h53

Quarto dia, dia de Toreroteca

Vendo o jogo Holanda e Dinamarca, lembrei-me que há tempos não temos uma toreroteca. Pois decidi que em todos os jogos do Brasil teremos toreroteca.

Esta primeira pergunta é: Quem fará o primeiro gol do Brasil na Copa? E quando ele sairá.

O meu palpite é Luís Fabiano aos 40 do primeiro tempo.

Se não houver gols, não haverá prêmio (mas, se não fizermos gol na Coreia, é melhor chamar o pessoal de volta para casa).

A prenda, em homenagem a Dunga, será o livro "Os 11 maiores volantes do futebol brasileiro", escrito pelo Sidney Garambone para a coleção "Os 11 maiores".

 

 

O meu palpite é Luís Fabiano aos 40' do primeiro tempo.

(PS: Se ninguém acertar, invento alguma regra e o livro sai de qualquer jeito) 

Por Torero às 09h06

13/06/2010

O terceiro dia da Copa e o controle remoto de Alaor, o espectador.

Alaor, o espectador, tem 52 anos e o dobro de quilos.

Sua adolescência foi cheia de esportes, e ele guarda vários objetos daquele tempo em sua estante. Ali se pode ver uma raquete de tênis, uma bola de futebol de salão, luvas de goleiro ao lado de um troféu de handebol, joelheiras de vôlei e um par de tênis de corrida.

Porém, hoje, o objeto esportivo de Alaor, o espectador, é seu controle remoto.

Neste domingo, ele acordou antes das oito. Casquinhas de pão do café da manhã ainda estavam sobre a sua camisa quando sentou no sofá para assistir ao jogo entre Eslovênia e Argélia.

Rosa, sua esposa, sentou-se ao seu lado e perguntou:

“Está bom este jogo?”

“Péssimo!”

“São seleções importantes?”

“Não. É Argélia contra Eslovênia.”

“Se o jogo está ruim e as seleções não têm importância, porque você está vendo este jogo? Não prefere dar uma volta lá no Ibirapuera?”

“Agora não, agora não. Olha lá, vamos ver a cobrança do lateral”, respondeu Alaor.

Rosa limpou os farelos que caíram no chão e decidiu esperar o jogo acabar.

Algumas horas depois, ela voltou à sala de tevê e perguntou:

“Nossa, que jogo comprido!”

“Este já é outro. Aquele terminou um a zero para a Eslovênia, por causa de um frango do goleiro argelino. Já este está nos últimos minutos. Gana vai vencer por um a zero, por causa de um pênalti bobo feito por um zagueiro da Sérvia.”

“Vamos almoçar fora depois dessa partida?”

“Não dá. Agora tem o Grande Prêmio do Canadá. Faz alguma coisa e traz aqui para mim?”

“Tudo bem, tudo bem...”, murmurou Rosa.

Lá pelas três da tarde, ela pegou o prato com restos do marido e perguntou: “Foi boa a corrida?”

“Ótima. Teve um monte de ultrapassagens. O Hamilton venceu e agora é líder do campeonato. Pena que acertaram o Massa duas vezes e ele acabou fora da zona de pontuação.”

“Já que a corrida acabou, vamos ver um filminho no shopping?”

“Nem brinca! Agora que vem o melhor, o jogo entre Alemanha e Austrália. Aliás, dá para você fazer uma pipoquinha?”

Cinco e meia da tarde, a renegada Rosa voltou. O marido parecia estar de bom humor.

“A partida foi boa?”, ela perguntou.

“Foi. A Alemanha goleou por 4 a 0 e mostrou que é um time de respeito.”

Enquanto catava restos de pipoca em volta do sofá, Rosa perguntou: “Ainda tem mais algum jogo hoje?”

“Não. Só amanhã.”

“Então será que a gente podia desligar a tevê e ir lá para o quarto namorar um pouquinho?”

“Você está louca? Agora tem um documentário sobre o Beckenbauer na ESPN, às 18h45 tem um documentário na Rede TV chamado “Como vencer uma Copa do Mundo”, e depois tem as mesas redondas. Ainda bem que eu tenho esse meu controle remoto”, disse Alaor dando um beijo no seu aparelho.

Rosa perdeu a paciência. Pôs-se de pé entre Alaor e a tevê e começou a reclamar. Falou que ele só queria saber de esporte, que estava gordo feito um porco, que só queria comer e ver tevê, que aquilo não era vida, etc...

Então Alaor apontou o controle remoto para Rosa e, enquanto apertava um botão seguidas vezes, disse:

“Pena que o controle não diminui o volume de sua voz.”

Alaor agora está no pronto-socorro, onde um médico tenta tirar o controle remoto de sua garganta.

Rosa é uma flor de mulher, mas tem seus espinhos.

 

Por Torero às 17h19

12/06/2010

Segundo dia: dois gringos no bar da Preta

Confesso, perdi a partida entre Coréia do Sul e Grécia porque dormi um pouco demais. Sábado de manhã, frio, sabem como é...

Mas assisti ao jogo entre Argentina e Nigéria no bar da Preta. E lá estavam Quino, o argentino e Caio, o uruguaio.

Foi uma boa partida, que, curiosamente, deu argumentos aos dois amigos.

Quino, por exemplo, disse: “Ganamos, e isso es lo que importa.”

Caio contestou: “Ganaram, pero só de um a zero.”

“Só fizemos um gol, pero tivemos muitas chances, e isso é bueno.”

“Tiveram muitas chances, pero perderan quase todas, e isso é malo.”

“Você está com invidia. La verdade é que Romero no fez ninguna grande defesa, e o goleiro da Nigéria foi el mejor del juego.”

“Se o mejor del juego fue um nigeriano, isso é malo.”

“Ele foi o mejor porque tuvo que trabajar mucho. E trabajó mucho porque Messi estuvo estupendo.”

“Estupendo, estupendo...”, ficou repetindo Caio com voz de deboche. Mas ele sabia que tinha perdido a batalha verbal.

Na verdade, a Argentina começou jogando muito bem, mas muito bem mesmo. E depois caiu de rendimento. Perdeu o muito e ficou apenas com o bem. Mas aqueles primeiros minutos são promessas de um grande futebol.

O problema é que estas promessas são como os sorrisos de certas senhoritas. Eles são resplandecentes, luminosos, mas alguns são apenas gentileza, e não confirmação.

Foi o caso dos primeiros minutos da seleção inglesa.

Parecia que a Inglaterra seria a tal, uma equipe que saberia unir habilidade e consistência.

Mas aos poucos a seleção norte-americana ganhou espaço e o equilibrou a partida. É claro que a Inglaterra foi melhor e teve várias chances, mas não chegou a encantar. Por ora, é apenas um sorriso promissor, um sorriso de talvez, não de sim.

 

Por Torero às 17h26

Links legais

 

Este é sobre os primeiros jogos da Copa: http://futeb-al-chaer.blogspot.com/

 


Este é sobre como é ser professor em dias de jogos do Brasil: www.conversasedistracoes.blogspot.com
 

Por Torero às 07h37

11/06/2010

Primeiro dia

Foi um começo de Copa pouco promissor.

África do Sul x México e França x Uruguai não tiveram lances brilhantes. Nem houve um jogador que tenha se destacado muito.

Foi divertido pelo colorido, pelos jogos bem disputados, pela tensão. Mas viu-se uma rodada de muito engenho e pouca arte.

Se essa for a tônica da Copa, será uma Copa átona.

Mas, para não dizer que não falei das flores, os juízes tiveram boa atuação. Se bem que dizer isso é um mau sinal. Os juízes não podem ser os melhores em campo. Os melhores têm que ser os centroavantes, os atacantes, os camisas 10.

Minha seleção do dia, num feio 4-3-2-1, seria:

Khune no gol, porque fez diferença;

Sagna, Gallas Godín (bom zagueiro, certeiro e sem frescura) e Evra (um ótimo lateral, caberia até no Santos);

Os volantes seriam Rafa Marques (pelo gol), Diaby e Toulalan;

Os meias: Tshabalala (que faria uma sonora dupla caipira com Toulalan) e o velho Blanco, que deu uns belos passes;

Por fim, meu atacante solitário seria Henry (que foi bem melhor que Anelka).

Quanto à pesquisa aqui do lado esquerdo, por enquanto temos o Brasil na frente, seguido por Argentina (que se tropeçar amanhã deve despencar na votação), Holanda e Espanha. E o Uruguai, apesar da partida mediana, vem em quinto.  

Por Torero às 19h25

10/06/2010

A Copa é uma festa!

E por sete motivos: trabalho, curiosidade, alegria, futebol, confraternização, amigos e não-trabalho.

Explico:

Para um cronista esportivo, a Copa acaba com aquela angústia do “sobre o que vou escrever amanhã?”. Todo dia teremos jogo ou véspera de jogo, de forma que jamais faltará assunto. É uma agonia que se vai. Pelo menos por um mês.

Mas há mais que isso. O ser humano gosta de novidades e as copas são cheias delas. Veremos jogadores que nunca ouvimos falar, equipes inéditas, cortes de cabelo malucos, uniformes diferentes e torcedores curiosos serão descobertos pelos repórteres.

Durante a Copa, tudo fica mais alegre. As nossas ruas se enchem de bandeirinhas e as pessoas caminham com endossorriso, uma alegria interna. Os chefes se tornam mais condescendentes e os professores durões puxam conversas sobre futebol com os alunos irrecuperáveis. É como se as pessoas ficassem mais próximas, pois todas têm assuntos em comum: a seleção, a Copa, os jogos. Os brasileiros ficamos mais próximos uns dos outros. Durante o resto dos quatro anos, não temos um grande projeto nacional, mas, por um mês, todos pensamos na mesma coisa.

Para os amantes do futebol, a Copa é o grande momento. Não tem Champions League que chegue perto. Não há Libertadores que seja digna de amarrar suas chuteiras. É verdade que há algumas partidas lamentáveis. Mas até estas servem de assunto.

“Viu o jogo entre Argélia e Eslovênia?”

“Vi. Horrível. Mas amanhã verei Nova Zelândia e Eslováquia. Aposto que vai ser pior!”

Uma Copa é também um momento de confraternização. É uma guerra mundial alegre, um confronto entre nações sem derramamento de sangue (se bem que alguns zagueiros não pensem assim). Essa união entre tantos e tão diferentes países é algo que, infelizmente, só o esporte consegue fazer no esporte. Seja na Copa, seja nas Olimpíadas. É um momento em que parece que estamos todos num mesmo mundo. Em que nossos inimigos são inimigos de brincadeira.

Outra das boas coisas da Copa, talvez a melhor, é a reunião para ver os jogos. É quando reencontramos aquela funcionária bonita que mudou de seção, quando revemos amigos que normalmente só encontraríamos em velórios, quando descobrimos que aquele primo mudou de sexo.

“É, agora eu me chamo Carla Eduarda. Mas ainda gosto de futebol. Aquela besta do Dunga tinha que ter chamado o Ganso!”, reclama ele ajeitando o silicone sob a camisa amarela.

E, por fim, é uma boa desculpa para ler blogs de futebol durante o expediente. Coisa que, aliás, você já fazia.

(PS: A quem possa interessar, se bem que acho que não interessa a ninguém, hoje estarei gaguejando no Cartão Verde.) 

Por Torero às 10h45

O complexo de Cvrtlik

(Pensando nos apuros de Galvão Bueno para pronunciar os nomes de alguns jogadores africanos, republico aqui um texto de 1998)

 

Durante o jogo Brasil e Alemanha, confesso que, em vez de ficar analisando o desempenho da seleção, entreguei-me a uma atividade bem mais lúdica: uma pesquisa linguística. Vi e escutei vários canais de TV e estações de rádio a fim de verificar como os locutores pronunciavam os nomes dos alemães. A pesquisa teve um resultado bem variado. O goleiro Koepke foi chamado de Quépique, Coepe, Coépique e Cópique.

Essa é uma falha antiga dos nossos homens de comunicação. Chamo esse problema de Complexo de Cvrtlik, em homenagem a um antigo jogador da seleção de vôlei dos EUA, dono de um nome praticamente impronunciável.

Pode parecer um pouco óbvio dizer isso,mas os nomes são importantes e fazem parte da identidade de um homem. Gengis Khan e Átila não seriam tão temidos se fossem chamados de Gegê e Tilinho. O nome é uma extensão de nossa pessoa. Temos que nos esforçar para dizê-los corretamente. O que às vezes é bem difícil.

O problema começou em 1930, quando, na primeira Copa, a Bélgica aparecia com Welkenhuizen. Em 54, a Hungria tinha o trio Hidegukti, Kocsis e Czibor. A Iugoslávia de 62 trouxe Svijarevic, em 70 a Tchecoslováquia escalou o impagável Hrdilika e, em 74, a Alemanha Oriental nos brindou com um Kurbjuweit.

Claro que os locutores que erravam esses nomes precisam ser perdoados, porque eles são realmente difíceis de pronunciar. Mas outros erros já não tão perdoáveis.

É o caso do alemão Reuters, que muitos insistem em chamar de Rêuters, ou ainda de Heinrich, que, apesar de ter o "h" com som de erre aspirado e o "ein" com som de "ain", foi transformado num singelo Enrique. Há também os exemplos franceses. Em geral a pronúncia é oxítona, mas nunca é demais lembrar que Zidane não é Zidanê, e Giresse não é Giressê. Quanto aos iugoslavos, "j" é a mesma coisa que "i", para a sorte de Mijatovic.

Mas devo dizer, em defesa do locutor nacional, que o erro de pronúncia é um problema mundial. Na Copa, veremos os narradores estrangeiros falando erradamente os nomes de nossos atletas. Os japoneses vão dizer Reonarado, os franceses chamarão nossos volantes de Dungá e Sampaiô, e dos norte-americanos vamos escutar um estranhíssimo Go, it's yours, Teiferel!

Mas, na verdade, acho que escrevo tudo isso para fazer uma espécie de psicanálises. O que acontece, caro leitor, é que quase nunca dizem o meu nome de maneira correta. Pelo menos da primeira vez. O que há de errado com ele? Junta três sílabas comuns, simples como aqueles exercícios das antigas cartilhas. Mesmo assim já fui chamado de Torreno, Torídio, Tolero, Tofero, Toureiro, Toreiro, Torrero, Tourero, Toledo, Tornerof, Loureiro, Torelo, Rotero, Toredo, Sorreiro, Toreno, Tolini, Torino e até Doutor Iro.

É verdade que Shakespeare já se perguntava "O que há num nome?", e dizia que uma rosa teria o mesmo cheiro se tivesse outro nome, mas o fato é que a gente se acostuma com eles, e até se afeiçoa ao danado. Enfim, respeitemos os nomes. Assinado: Torero. Te-ó-erre-e-erre-ó.

Por Torero às 10h43

09/06/2010

Figurinhas de 1962

O Adilson Delaim enviou-me as fotos de um álbum chileno de 1962. Para os que gostam de figurinhas, trata-se de vinho grand cru, de um uísque 18 anos. Abaixo, algumas páginas do álbum: 

 A bela capa.

 A página inicial, obviamente com o Chile.

 O resto da seleção chilena, que ficou em terceiro lugar naquela Copa.

 Os bravos vice-campeões.

 E o campeão.

Por Torero às 09h03

07/06/2010

Abecê do fim de semana

Atléticos: O Mineiro, o Paranaense e o Goianiense estão na zona de rebaixamento. Os atléticos terão que suar para escalar a tabela.

Bruno César: Uma grande aquisição do Corinthians. Ele nem precisou daquele famoso "tempo de adaptação". Encaixou-se como uma mão na luva, como um de do no nariz.

Contundidos: Nos últimos dias, a lista de contundidos para a Copa só faz aumentar. Machucaram-se Pirlo, Robben, Drogba, Mikel e Rio Ferdinand, e antes disso houve Beckham e Ballack. Curiosamente, os jogadores mais comuns continuam firmes e fortes.

Diego: Nome do goleiro do Ceará, o menos vazado do Brasileiro. Para quem não lembra, é aquele que jogou um bom tempo no Flamengo, entre a saída de Júlio César e a chegada de Bruno.

Eliton: É o nome do goleiro Deola, do Palmeiras, que fez uma bela partida no empate em 1 a 1 com o Inter.

Fabrício: Você compraria um zagueiro de 30 anos que passou sua carreira zanzando por times como Rioverdense (GO), Real do Ituitaba (MG), Rio Preto (SP), Anápolis (GO), Mogi Mirim (SP), Anapolina (GO), Estrela (ES) e Unaí (MG)? Nem eu. Pois nós perderíamos Fabrício, quarto-zagueiro da melhor defesa do campeonato

Geraldo: O meia do Ceará deve ser movido a energia solar. Tem 36 anos e fez quase toda sua carreira no Nordeste, passando por Sport, Bahia e Náutico. E, quando saiu do país, foi para a Arábia Saudita.

Hernaness: Coloquei dois esses porque dois Hernanes saíram-se bem ontem: o do São Paulo e o lateral-esquerdo do Ceará, time que ainda não tomou gol de bola rolando neste Brasileiro.

Invictos: Só dois times não perderam até agora: Corinthians e Ceará. E só dois não empataram: Fluminense e Atlético Mineiro.

Juiz: O gol do Ceará sobre o Atlético Mineiro foi feito em impedimento. Mas, curiosamente, o Luxemburgo nem reclamou muito. Isso é bom ou ruim? Ele amadureceu ou esfriou?

Lembra: Lembra do Lopes, aquele grandão habilidoso que passou por Cruzeiro e Atlético Mineiro? Lembra do Bóvio, que teve uma passagem discreta por Vasco e Santos? Lembra do Washington, que jogou no ataque do Palmeiras? Pois todos eles estão no Ceará, que parece ser uma boa clínica de reabilitação.

Mediano: Se há um time mediano neste campeonato, é o Cruzeiro. Ele perdeu duas partidas, ganhou duas e empatou três. Está na décima-primeira posição, fez oito gols e tomou outros oito.
  
Ninguém: O Vasco já não tem muitos jogadores conhecidos em seu elenco, e ainda vai perder Carlos Alberto para a Alemanha e Philippe Coutinho para a Itália. Pelo jeito, não vai sobrar ninguém.

Outra: A Série B está um tanto esquecida este ano. Por ora, subiriam Paraná, América, Coritiba e Náutico.

Parada: Depois da parada da Copa, os times podem voltar muito diferentes. Não só pelos treinos que farão ou pelos quilos que alguns jogadores ganharão, mas porque nomes importantes podem ser vendidos, como Wesley, do Santos, e Dentinho, do Corinthians.

Quatro: Número de derrotas seguidas do Galo.

Roger: O atacante do Guarani é o artilheiro do Brasileiro, com 6 gols, quase um por jogo.

Sport: Prenome do Corinthians Paulista, que vai passar todo o mês na liderança do Brasileiro.

Trilogia: Conjunto de três obras, como as que fez Dagoberto. Foram gols marcados com calma, com tranqüilidade, gols de quem voltou a acreditar em si. E merece ser novamente chamado de Dagolberto.

Última: Às vezes a última peça dá sentido ao quebra-cabeça, às vezes chega um jogador que ajeita o time: Parecem serem os casos de Fernandão e de Bruno César. O Palmeiras torce para que Kléber seja também esta peça que ajeita tudo.

Vitória: O time baiano conseguiu uma vitória magra sobre outro rubro-negro, o do Paraná, e escapou momentaneamente do rebaixamento.

Xuxa e Meneghel: São dois dos principais artilheiros da Série B: a saber, Júnior Xuxa, do Icasa, com 4 gols, e Bruno Meneghel, do Náutico, com cinco.

Zezinho: Deu um belo passe para o quarto gol santista. Não é exatamente um feito que mereça ser citado, mas não é fácil encontrar algo com a letra zê.

Por Torero às 01h14

06/06/2010

Sempre aos domingos: E se for a Copa das Zebras?

 
 

Sempre aos domingos: E se for a Copa das Zebras?

Texto de Rodrigo Resende

África do Sul e México abrem o décimo nono campeonato mundial de futebol. Os anfitriões, embora contem apenas com a empolgação da torcida, conseguem uma grande vitória, 3 a 0, com direito a orquestra de vuvuzelas no fim do jogo para acompanhar o Olé. No outro jogo do grupo, o Uruguai repete o placar do primeiro jogo sobre a toda poderosa França. Algo errado nestes primeiros jogos..., mas acontece.

Mas não é que no grupo B também ocorre algo estranho. Depois de estar ganhando por 1 a 0, com direito a um primeiro tempo mágico de Messi, a Nigéria vira pra cima da Argentina. No outro jogo um empate em 0 a 0 entre Grécia e Coréia do Sul.

E segue a Copa, com resultados estranhíssimos. Com a Argélia vencendo a Inglaterra, a Austrália goleando a Alemanha, e o Brasil, com seus 478 volantes, perdendo da Coréia do Norte e sendo massacrado pela Costa do Marfim, com direito a três gols de Drogba, que até pediu a música em um programa de televisão brasileiro.

A Fase de Classificação chega ao fim e nada de grandes equipes, confira os confrontos das oitavas:

Uruguai x Coréia do Sul
Eslovênia x Gana
Japão x Nova Zelândia
Coréia do Norte x Suíça
Nigéria x África do Sul
Austrália x Argélia
Eslováquia x Camarões
Honduras x Costa do Marfim

Os jogos da oitava são disputadíssimos. A Coréia do Sul, querendo repetir a epopéia de 2002, quando sediou a copa e chegou até as semis, vence o Uruguai por 2 a 1, com direito a pênalti perdido por Loco Abreu no último minuto de jogo.

A Eslovênia não tem problemas para despachar Gana, assim como a Nova Zelândia encontra facilidade para vencer o Japão.

A incrível Coréia do Norte, inspirada em 1966, quando eliminou a Itália, vence a Suíça nos pênaltis.

A África do Sul tira a Nigéria, algoz dos Argentinos, para a alegria das vuvuzelas.

Austrália e Argélia fazem um jogaço, sete gols, com vitória da Argélia por 4 a 3.

A Eslováquia, assim como a sua irmã Eslovênia, passa fácil por Camarões e Honduras surpreende Costa do Marfim.

Coréia do Sul x Eslovênia
Nova Zelândia x Coréia do Norte
África do Sul x Argélia
Eslováquia x Honduras

As quartas de final apresentam confrontos equilibrados, com exceção de Eslováquia e Honduras. Endiabrado, o atacante hondurenho Carlos Pavon, faz 6 gols, batendo o recorde de mais gols marcados em uma única partida em Copa do Mundo.

A adversária de Honduras na Semi-Final será a Argélia, que derrotou a África do Sul com um gol na morte súbita, depois de um empate em 2 a 2 no tempo normal.

Depois de um 0 a 0 nos 90 minutos, a Coréia do Norte também passou pela Nova Zelândia na morte súbita. E nesse caso, se o gol não acontecesse, parece que o negócio de Morte Súbita ia ser levado mesmo ao pé da letra.

Mas o esperado confronto entre as Coréias acaba não acontecendo. A Eslovênia, com um gol aos 42 do segundo tempo do artilheiro da copa Dedic, vence os sul-coreanos por 2 a 1.

Eslovênia x Coréia do Norte
Argélia x Honduras

Quatro continentes estão representados na semifinal da Copa 2010. No primeiro jogo, a Eslovênia tenta inutilmente avançar sobre a sólida defesa norte-coreana. São 19 chutes no primeiro tempo e nada de gol. Mas o segundo tempo é bem diferente. Dedic faz 1 a 0 logo aos 3 minutos com um golaço de bicicleta. A Coréia parte com tudo para o ataque mas deixa a defesa aberta. Dedic então faz a festa e mais 2 gols. Final: 3 a 0. No outro jogo, com Pavon suspenso (já que após o sexto gol nas quartas de final ele tirou a camisa, o short, pulou o alambrado e ainda roubou a vuvuzela de um torcedor), Honduras vira presa fácil para a Argélia. Vitória do time Africano por 2 a 0.

Terceiro Lugar – Coréia do Norte x Honduras
Final – Eslovênia x Argélia

As três e meia da tarde, horário de Brasília, Eslovênia e Argélia entram em campo. São os meninos de Dedic contra os limões mecânicos argelinos. O jogo é pegado, só nos primeiros 30 minutos são 23 faltas. O primeiro tempo acaba em 0 a 0.

Na volta, o nervosismo é evidente. OS Argelinos tentam atacar pelas laterais, já a Eslovênia confia em seu artilheiro Dedic. Mas não era dia dele. Aos 44 minutos, com o jogo endereçado à morte súbita, Dedic chuta a bola com tanta força rumo ao gol argelino, que ela bate na trave e cai nos pés do atacante da Argélia do outro lado do campo. É contra-ataque. Bouazza (que foi claramente prejudicado pelo fotógrafo no álbum de figurinha da copa), parte com raiva, com o objetivo de mostrar ao mundo que ele não é tão feio daquele jeito. Se fizesse o gol, sua imagem real estaria em todos os jornais do dia seguinte como a grande figura da copa. Ele parte, dribla dois zagueiros eslovenos e chuta de esquerda no contrapé do goleiro. É gol! A Argélia é a grande campeã da Copa 2010.

E as fotos do dia seguinte mostram que o fotógrafo do álbum de figurinhas nada podia fazer. Bouazza era aquilo mesmo.

 

Por Torero às 12h31

05/06/2010

Garça, o craque do ludopédio

 
 

Garça, o craque do ludopédio

por Daniel Dedo

 

No Campeonato Brasileiro de 2117, não teve para ninguém. Foi disparado o melhor jogador em todos os fundamentos. Passes certeiros, cobranças de lateral e escanteio perfeitas, posicionamento a prova de impedimentos, um astro.

No futebol do século 22, ainda não surgira alguém tão completo quanto ele. Eficientíssimo, como exigiam todos os professores e torcedores. Futebol de resultados. Ele trazia os resultados.

Sua equipe, o iPhute, patrocinado pela marca líder dos aclamados nanocomputadores holográficos, tivera 98% de aproveitamento no campeonato. Um feito.

Um dos pontos percentuais perdidos se deve apenas a um zagueiro que, tomado por um impulso vinticentista, decidiu dar um drible no campo de defesa e perdeu a bola.

O outro ficou por conta de um erro da arbitragem. Depois de uma jogada confusa na pequena área, o goleiro do iPhute tirou uma daquelas bolas que parecem sair de dentro do gol, difíceis de saber se cruzaram ou não a linha da meta. O árbitro auxiliar, que não podia contar com recursos tecnológicos e teve de se desfazer até mesmo de suas lentes de contado que permitem zoom e acesso a informações na internet 32G, validou o gol. Mas depois foi facilmente comprovado que faltaram 12,54756 milímetros para que a bola cruzasse a linha por completo. Um erro monstruoso nas eras atuais.

Nada, porém, que abalasse a glória de Garça, já chamado de novo atleta do século e entronado como rei supremo do gramado artificial (mais macio e barato que o natural), jogador suficiente, sozinho, para trazer o 14º caneco para o Brasil na Copa de 2118, realizada na Micronésia, que já listava entre os três países mais ricos do mundo pelo tesouro em petróleo descoberto em sua camada ante-pré-sal.

Antes da Copa, o último amistoso, contra a Espanha, que chegara a fazer algum sucesso e conquistar um título no primeiro quarto do século 21, mas que agora ainda tentava se recuperar dos 22 anos de suspensão de todas as competições mundiais pela recusa em acabar com as touradas, o que só havia acontecido cinco anos antes.

Garça dava mais um show. Jogador sério, sem firulas, como a mídia e a torcida adoravam, dono de passes rápidos, sem jamais carregar a bola por mais que alguns pares de metros, evitando o encontro com o adversário.

Foi então que tudo desabou.

Aos 33 do segundo tempo, Garça disparou (em posição legal) para receber a bola na frente, já na ponta da grande área. Em vez de chutar a gol, entretanto, como sempre fazia com perfeição, sucumbiu à chegada do zagueiro que lhe perseguia.

Com um toque sutil por baixo da bola, fez com que ela descrevesse uma parábola sobre a cabeça do adversário que, por impulso, se virou para tentar o desarme, mas viu a bola passar entre suas pernas em mais uma peraltice de Garça. Para completar, o craque deu uma pancada de chapa na bola, que passou pertinho do ângulo direito e estufou a rede.

Garça já ia sair para comemorar quando viu que o árbitro vinha em sua direção com fogo nos olhos. Recebeu o cartão vermelho. Foi chorando para o vestiário e não teve condições emocionais de voltar ao gramado, nunca mais. Nem à Copa foi.

Mas também, aplicar um chapéu seguido de uma caneta com bola no ângulo era mesmo demais. Uma humilhação tremenda para o adversário, punível com cartão vermelho direto e talvez até suspensão na Justiça Desportiva.

Jogadas como aquela haviam acabado em meados do século 21, quando se percebeu que o chamado "futebol arte" nada mais era do que provocação, um intuito deliberado e quase criminoso de humilhar o adversário.

Depois disso, Garça abriu uma escolinha de ludopédio, um esporte muito parecido com o futebol, mas ainda assim totalmente diferente, em que o objetivo era demonstrar habilidade com a pelota. Os alunos começaram a perceber o quanto era legal fazer um simples drible, quem diria então um elástico. Com o passar das décadas, a escolinha de Garça cresceu e se tornou um império e sua arte se uniu ao antigo esporte.

Assim renasceu o futebol.

Garça morreu com 82 anos, dois dias depois de ver o time que fundara ganhar o primeiro campeonato nacional do novo futebol. Morreu feliz, como se acabasse de conquistar uma Copa.

Por Torero às 02h19

04/06/2010

Considerações sobre a tabela periódica

Depois da rodada que se encerrou ontem, quatro times se destacam no Brasileiro. Um lá embaixo e três lá em cima.

O de baixo é o Atlético Goianiense. Depois de uma escalada meteórica, quando subiu duas divisões em dois anos, o Dragão está disparado na lanterna. Tem apenas um ponto. O penúltimo colocado, o Vasco, tem cinco. Parece que o time goiano levou um choque. Mas é cedo para previsões funestas. No ano passado, o Avaí também começou muito mal mas conseguiu se recuperar.  

Dos cinco aos nove pontos temos uma massa de dezesseis clubes. Há neste bolo casos interessantes, como o do Guarani, que fez seu terceiro time em menos de um ano e está surpreendentemente bem colocado, e o Vasco, que anda com cara de rebaixamento.
 
Acima desta área congestionada há três times que conseguiram uma leve disparada.

O Fluminense, que foi uma grande promessa não realizada no ano passado, vem com 12 pontos. Seu segredo é que ele não empata. Ou ganha, ou perde.

O vice-líder Ceará tem, disparado, a melhor defesa do campeonato. Tomou apenas um gol até agora. Um único golzinho em seis jogos. Avaí, Cruzeiro, Goiás, Vitória e o próprio Fluminense não conseguiram vencer sua zaga. Outro fator que explica sua pontuação é que ele jogou quatro das seis partidas em casa, e não três, como seria de se esperar. Mesmo levando isto em consideração, é uma boa surpresa.

Quanto ao Corinthians, voltou a jogar no eficiente sistema do ano passado: muito bem fechado na defesa e saindo rápido no contragolpe. Ou seja, se ele marca primeiro, fica quase impossível vencê-lo, pois seu habitat natural é o contra-ataque. Não que o Corinthians seja um time retranqueiro. Ele é eficiente. Tanto que tem o melhor ataque do Brasileiro.

Essa é a atual situação, mas a tabela é periódica. 

Por Torero às 02h03

Viva a Holanda!

Dos 42 votos válidos na pesquisa em que perguntei: “Qual a sua segunda seleção na Copa?”, dez responderam que seria a Holanda.

A escolha é compreensível: os holandeses são considerados os brasileiros da Europa. Eles jogam para frente, driblam e privilegiam o ataque, características que, pelo menos antigamente, eram as da nossa seleção. Além disso, usam aquela bela camisa laranja.

 Surpresa é que em segundo lugar, apenas um voto atrás, ficou nossa arquiinimiga, a Argentina. Os motivos são vários. Há o antieuropeísmo, ou seja, a ideia de que o lugar da Copa é na América do Sul, um sentimento razoavelmente novo entre os nós, que não nos consideramos sudacas.

Outro ponto é o amor pelo futebol. Os argentinos são dirigidos por um dos maiores craques de todos os tempos e têm em campo o melhor jogador do mundo. Além disso, têm uma plêiade de atacantes que dá a esperança de muitos gols e belos lances.

E há, claro, os que patologicamente amam o inimigo. Uma espécie de Síndrome de Romeu e Julieta.

Em terceiro, quarto e sexto lugares vieram seleções de países que fizeram uma forte emigração para o Brasil (obrigado, dona Maria Rosa, por me insistir tanto na  diferença entre imigração e emigração), ou seja: Espanha (6 votos), Itália (4) e Portugal (2). A Espanha, creio, tem números vitaminados por ser uma equipe que vem jogando bonito, com um toque de bola elegante.

A África do Sul surge com três votos. É o país-sede, temos sido muito informados sobre ele, e, de certa forma, a África do Sul simboliza a simpatia que sentimos pelo continente africano, simpatia que vem da ancestralidade e do futebol com fama de ingênuo, primitivo.

Com um ponto, vêm as seleções da Eslováquia, Sérvia, Costa do Marfim, Uruguai, Inglaterra e França.

Curiosamente, três leitores disseram que não torceria para o Brasil. Os motivos seriam achar a seleção de Dunga antipática e amor por outra seleção. Pensei que esse número seria maior. Mas, à medida em que a Copa se aproxima, vamos ficando mais brasileiros.

Quanto a mim, sigo a maioria. Minha segunda seleção é a Holanda. E a terceira, a Espanha. Em relação à Argentina, acho mais divertido torcer contra.

 

Por Torero às 02h01

03/06/2010

Pesquisa

Pois bem, cara leitora e barato leitor, venho aqui mais uma vez pedir vossa ajuda. Não, fiquem tranquilos, não quero dinheiro. Quero apenas saber para qual seleção você vai torcer na Copa. Não, não vale a do Brasil. Quero saber a outra, a amante, a segunda. E só vale uma.

Se quiser explicar o porquê, fique à vontade.

 

Por Torero às 09h46

02/06/2010

A Vingança de Tim Timão

(O Nathan Malafaia não se conformou que não houve um Brasileirão City no dia da vitória de seu Tim Timão e fez ele mesmo um texto. Eu dei uns tapas e eis aqui "A vingança de Tim Timão")

 

Billy chegou ao Pack-in-Bull Saloon confiante, seguro de que suas melhores armas decidiriam a rodada a seu favor. Com a estrela de Paulistão City no peito, aproximou-se de Tim Timão e disse:

- Ora, ora...

- São quinze para as quatro - respondeu Tim.

- Não! - disse Billy – Eu quis dizer: olha quem está aqui! Pronto para perder como na última vez?

- Pronto para vencê-lo como sempre.

- Vai precisar deixar de comer muito feijão para me derrotar, Tim!

- E você deveria ter comido o dobro de sua papinha de neném.

Sem mais, deram-se as costas e caminharam em sentidos opostos, enquanto o juiz “Salve o Filho” se preparava para decretar o início do combate.

Ao virar-se, Billy viu que Tim carregava uma pistola Caesar Brun, que tanto lhe atormentara nas mãos de Saint Andrew. E Tim Timão não demorou a usá-la. Billy esquivou-se, mas foi pego pela bala do revólver Saint George que Tim carregava na outra mão.

BANG!

Após acertar o tiro, Tim recuou, e Billy tentava desesperadamente alvejá-lo. Um disparo dele alvejou seu oponente, mas não foi validado pelo juiz “Salve o filho”. Pararam para um trago e retornaram.

As balas pipocavam no reinício do duelo, e a felicidade coube a Billy: seu André Colt acertou um trêmulo projétil em Tim. Estava empatado o duelo.

BANG!

Todas as histórias possuem em algum ponto, um grande erro: e nesta, foi Billy quem protagonizou o gesto. Aproximou-se de seu rival, sentou-se ao seu lado e realizou um dancinha agitada. A torcida fishista ainda vibrava quando Tim sacou sua Caesar Brun.

BRUN!

A rápida recuperação de Tim desnorteou o caubói praiano. Para assegurar a vitória, Timão defendeu-se com tranqüilidade, e ainda derrubou o sangue de seu rival por mais duas vezes: BANG! BANG!

Vingado, Tim Timão, disse:

- Te espero no próximo baile, Fish!

Depois, girou sua Caesar Brun e colocou no coldre. Mesmo sabendo que faltam muitos duelos, Tim lutará com todas as forças para ser o maioral. Conseguirá? Aguarde os próximos capítulos de Brasileirão City!

 

Por Torero às 12h14

Sempre aos domingos (de quarta): Allez les Bleus !

 
 

Sempre aos domingos (de quarta): Allez les Bleus !

 Texto enviado por Marcelo Ferioli

Todo ano o clima de copa é o mesmo, noticiários, jornais, propagandas na TV, outdoors, o papo na hora do cafezinho...enfim, tudo gira em torno da copa

Em 2006 foi a mesma coisa. Eu estava morando na França, em um ano de intercâmbio universitário. Lá não era diferente, o ar futebolístico pairava. Ainda mais que a copa do mundo acontecia num país vizinho, a Alemanha.

As propagandas comerciais na TV eram muito benfeitas, como podemos rever esse ano no Brasil, Argentina e resto do mundo. Tinha uma de um modelo de automóvel onde o motorista francês parava na estrada para dar carona à torcedores de outros países. A condição para que pudessem entrar no carro era que se passassem por torcedores dos “bleus” gritando : “allez les bleus”. De uma maneira extremamente cômica víamos torcedores ingleses, suíços e espanhóis, dizendo o slogan francês sem verdadeiro entusiasmo em troca de uma carona. Esta engraçada propaganda impregnava nas mentes das pessoas que ficavam repetindo o slogan com as mesmas entonações pelo resto do dia.

Eis que a copa do mundo acabou, com a França derrotada pela Itália na fatídica final da cabeçada no Materazzi. Mas antes disso os franceses eliminaram a Espanha, Brasil e Portugal orquestrados pelo maestro Zizou.

Meu período na França também acabou e peguei um trem com destino ao aeroporto carregando minhas inúmeras malas de um ano de estadia. O trem parou na estação e embarquei minhas cinco ou seis pesadas malas. Quando já estava no interior do trem notei que meu assento ficava em outro vagão, então teria que transportar minhas malas até lá.

Deixei minhas malas num canto e transportei uma a uma por entre o corredor do trem até o vagão que estava marcado o meu bilhete.

Esse dia eu vestia uma camiseta da espanha e desde o momento que uma garotinha de uns dez anos de idade me viu passar com a primeira mala soltou o bendito slogan com a mesma entonação da propaganda da tv: “allez les bleus”.

Confesso que fiquei incomodado. Aquela garotinha tava tirando sarro da minha cara pois achava que eu era espanhol, já que a França eliminara a Espanha nas oitavas-de-final. Mas ela não sabia que eu era brasileiro, do país que era o maior campeão de copas do mundo, revelador de craques e reconhecido em todo o mundo.

Continuei buscando minhas malas e a cada passagem minha ela soltava um “allez les bleus” pra tirar uma com minha cara.

Pensei em ir lá e dizer que era brasileiro pra cortar o barato dela, mas não iria funcionar, pois a França também tinha eliminado o Brasil nas quartas-de-final.

Eis que eu estava passando com a última mala e ela me “insultou” mais uma vez e não me controlei e acabei por lhe dirigir a palavra num fingido tom calmo:

- Hei, garotinha você ta tirando sarro ai porque eu tô com a camisa da Espanha, mas saiba que na verdade eu não sou espanhol, eu sou é italiano!

Virei a cara e sai, com a impressão de ter lhe pregado uma lição, mas embaraçado com a mentira.

 


Link da propaganda: http://www.youtube.com/watch?v=XulAlVw9KUQ&feature=related

(Quem quiser mandar um texto para o Sempre aos Domingos sobre algo que aconteceu numa Copa passada, ele será muito bem vindo. Em qualquer dia da semana.)

Por Torero às 09h53

01/06/2010

O verdadeiro significado do símbolo da Copa

Está na cara. Ela quer dizer "Todo mundo vai meter a mão".

Por Torero às 13h17

Para escapar da ressaca

Para que os leitores descansem de meu mau humor pós-derrota, decidi não escrever hoje. Em compensação, coloco aqui uns poemas visuais de Al-Chaer, que de vez em quando dá as graças aqui pelo blog.

 

Copa do Mundo

 

Gol

 

Zebra

 

Letra Sutra

 

Pontuando os dias

 

Tempoesia

 

Para ver outras obras do Al-Chaer, clique no endereço: http://visu-al-chaer.blogspot.com/.

Por Torero às 10h28

Sobre o autor

Formado em Letras e Jornalismo e quase formado em Cinema, é autor de treze livros (como "O Chalaça"), escreveu roteiros para cinema (como "Pequeno Dicionário Amoroso") e para tevê ("Retrato Falado").

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