Blog do Torero

31/05/2010

O embevecido Cido e o azedo Azevedo.

Fui agora pela manhã no Bar da Preta, comer meu pão com manteiga mergulhado no café com leite, e lá estava uma dupla que não via há muito tempo: Azevedo, o azedo, e Cido, o embevecido.

Eles formam um par curioso. Azevedo vê o pior lado de tudo. É mais para baixo que analista de economia. Já Cido acha sempre que está tudo bem. Parece político em campanha de reeleição.

“Que delícia este torresminho”, comentou Cido.

“Mas vai entupir suas veias”, respondeu Azevedo.

“Não quero morrer muito velho”, emendou Cido.

“Não quero morrer na semana que vem”, devolveu Azevedo.

Cido nem ligou. Cravou os dentes no torresminho crocante e, com um fio de gordura escorrendo pelo canto da boca, falou: “Viu o jogo Corinthians e Santos? Que jogaço!”

“Bah!”

“Vai dizer que o Corinthians não foi bem? Marcou quatro gols!”

“Marcou quatro, mas só porque a defesa do Santos tem mais furos que o último capítulo de Lost.”

“Não exagere.”

“Quer ver? No primeiro gol, o Felipe rebateu para o meio, coisa de goleiro de juniores; no segundo, o Edu Dracena cabeceou para o pé do adversário, coisa de zagueiro juvenil; no terceiro, o Léo levou um drible feito um infantil; e, no quarto, o Paulinho pulou sozinho, coisa que só se vê no jogo dos fraldinhas.”

“Quer dizer que o Corinthians não teve mérito?”

“O bandeira jogou bem. Aquele impedimento do Marquinhos só ele viu. Assim o Corinthians é mesmo imbatível.”

“Você só vê o lado negro das coisas.”

“Para você, o mundo é cor de rosa.”

“E o Ceará? Ganhou do Cruzeiro e é vice-líder do campeonato?”

“Fogo de palha. Os mineiros é que estão em crise.”

“E o empate entre Guarani e São Paulo?”

“Não foi um empate, foram duas quase-derrotas.”

“Que virada a do Fluminense em cima do Atlético, hein?”

“Luxemburgo não é mais o mesmo... Devia logo concorrer ao senado, que é um bom lugar para quem não quer mais trabalhar.”

“Você não gostou nem de Botafogo e Vasco?”

“Mais um show de erros do Simon. Pensei que nessa Copa só íamos passar vergonha com a seleção, mas o nosso juiz...”

“Está bem, chega de Brasileiro. Viu que o Fortaleza ganhou do Boca Juniors no amistoso da entrega das faixas pelo Campeonato Cearense?”

“Ah, pobre Boca... fazendo excursão caça-níqueis pelo nordeste...”

“Nem a Copa te anima? Parece que vai ser a primeira vez em muito tempo que teremos a seleção completa, sem cortes.”

“Bah, os cortes eram minha esperança...”

“Está bem chega de futebol. Assistiu ao jogo da final do campeonato nacional de basquete?”

“Liguei no final da partida. Só vi a briga entre a torcida e os jogadores, e os policiais atirando spray de pimenta em todo mundo. Coisa de jogo de várzea.”

“E a vitória do Hamilton na Fórmula Um?”

“Só aconteceu por causa da batida dos carros da Red Bull.”

“Você está muito azedo, Azevedo.”

“Tudo tem um lado ruim, Cido.”

“Nem tudo. Tem coisa que é só boa.”

“Ah, é? Me dá um exemplo.”

“A volta do Zico para o Flamengo.”

Azevedo pensou, pensou, e admitiu: “É, não consegui ver nada de ruim.”

“Arrá!”, gritou Cido. E comemorou batucando o hino do Flamengo no balcão do bar.

Azevedo, sem se dar por vencido, tomou um gole de café e contra-atacou:

“Mas também tem coisa que só tem lado ruim.”

“O quê?”, desafiou Cido.

“A confusão no Palmeiras. Dessa vez eles contrataram o Candinho num dia e despediram no outro.”

Cido baixou a cabeça. Contra o Palmeiras não havia argumento.

Foi a vez de Azevedo batucar.
 

Por Torero às 10h14

30/05/2010

O dia que Chico Buarque saiu esbravejando do Pacaembu

 
 

O dia que Chico Buarque saiu esbravejando do Pacaembu

(O Bruno Hoffmann, que trabalha com o artista plástico Elifas Andreato na boa revista Almanaque Brasil, mandou para o Sempre aos domingos uma história que o Elifas sempre conta)

por Bruno Hoffmann

Hoje haverá Corinthians e Santos no Pacaembu.

Num domingo de 1985 o estádio também recebeu o clássico, só que com uma preliminar especial. Em homenagem à criação do jornal Retratos do Brasil, ocorreria um show com importantes músicos no Palace. Só que, antes do espetáculo, os artistas fariam uma partida na preliminar do clássico entre artistas cariocas e paulistas. Por que a ideia? “Só com futebol conseguimos atrair o Chico Buarque pro show”, explica, às gargalhadas, o artista gráfico Elifas Andreato, responsável por convidar todo o pessoal pro espetáculo.

Do lado dos cariocas, Chico, Fagner, a turma do MPB4 e dos Novos Baianos. Já entre os paulistas, Elifas, Toquinho, Fernando Faro, Raul Leite (produtor musical) e Branca de Neve, que, além de cantor, era bom de bola. Antes da partida, Branca de Neve começou a conversar com Chico. Papo vai, papo vem, e Chico conseguiu convencê-lo a jogar no time dos cariocas.

Percebendo a sacanagem, Toquinho – que era tão competitivo quanto o compositor de A Banda - resolveu fazer uma sacanagem maior ainda. O violonista convidou dois jogadores profissionais para reforçar o time. Um era Pita, que já tinha brilhado na Portuguesa, e um jovem jogador do São Paulo. “Quem são esses?”, perguntou Chico?”. “Ah, são músicos da noite paulistana”, respondeu Toquinho, na maior cara de pau.

Os times subiram a campo. As arquibancadas estavam com 30 mil pessoas e haveria transmissão ao vivo pela tevê, comandada por Juarez Soares com comentários de Falcão. O time paulista, como era de se esperar, deu show. Os atletas profissionais sobravam em campo diante de tantos boêmios. Resultado final: Paulistas 5 x 1 Cariocas.

No ônibus, de volta ao hotel, Chico estava de cara amarrada. Sentiu que tinha passado uma baita vergonha diante de tantos espectadores. Futebol é coisa séria pra ele. Só conseguiu olhar para o Elifas e, irritadíssimo, esbravejar: “Chama seu time de profissionais pra subir no palco hoje à noite, tá?”. O artista, a contragosto, cantou no espetáculo, mas ficou sem conversar com Elifas e Toquinho durante meses.

Por Torero às 08h17

29/05/2010

A boa, a feia e a má

 
 

A boa, a feia e a má

Por Cláudio e Lino Porto

Copa do Mundo. Todos escalando suas seleções, de hoje e de outrora. Nós também criamos as nossas (atentem para o plural). Em homenagem às tentativas (infrutíferas*) do cronista Torero pelos campinhos cinematográficos, perfilamos as nossas seleções canarinhos de todos os tempos baseadas no western spaghetti “Três Homens em Conflito”, clássico do craque italiano Sergio Leone, ao som da impagável trilha de Ennio Morricone.

A BOA: não se trata aqui da “melhor”, mas a que contém os creditados melhores cidadãos que o nosso futebol já produziu, homens de caráter acima de qualquer suspeita. Boas-praças, mas também bons de bola:
 
1 – Marcos. Canonizado em vida. Apesar de sofrer de sincericídio, é aquele chapa incapaz de fazer mal a um bandido.
2 – Leandro. Só serviu a um clube. Abdicou de uma Copa em solidariedade ao colega Renato Gaúcho, cortado (injustamente?) pelo treinador da seleção.
3 – Bellini. Feio com a bola nos pés, mas mamãe o achava um “pão”. Eficiente, decente, discreto e silencioso.
4 – Mauro Galvão. Não era nenhum doce, mas também não era nenhum xerife que ficava distribuindo botinadas e sustos nos adversários. Cumpria seu papel de destruidor com uma certa indiferença olímpica.
6 – Nilton Santos. A Enciclopédia que não dava pontapé. Tudo bem que deu uma de “Migué” na Copa de 62 e nos livrou de um pênalti fatal. Fez justiça por linhas tortas, pois aquela legião estrangeira da Espanha não merecia mesmo sorte melhor.
5 – Adílio. “Apenas” um volante elegante (elegância é outra qualidade dos bons).
8 – Raí. As mulheres aprovarão nossa escolha. Mas seu gol de letra foi a Fundação Gol de Letra. Pai de família inteligente, respeitável e respeitoso. Poderia ter brilhado mais em 94, mas aí também já é querer demais.
7 – Garrincha. Um anjo que infernizava os adversários com aquela sua ingenuidade tapuia. Para ele, o mundo era só um gigantesco campinho de várzea.
9 – Tostão. Inteligente e inatacável, doutor dentro e fora dos campos.
10 – Kaká não, mais bobinho que bonzinho. O nosso cérebro é Didi, o príncipe etíope. Tratava a todos do mesmo jeito afetuoso com que tratava a bola.
11 – Pepe. Bom papo, bom avô, bom pai, bom jogador. Viveu à sombra de Pelé e nem por isso abandonou seu jeito bonachão de ser. Um canhão nos pés, uma flor na alma.
Treinador: Telê Santana. Dizem que jamais mandava bater. Se tivesse, talvez a Copa de 82 tomasse outro rumo. E esta educadíssima seleção, claro, seria todo ataque.

A FEIA: não se trata da “pior”, mas daquela que contém os sujeitos mais toscos (ainda que dedicados), atrapalhados e deselegantes, porém não maus, que “assolaram“ nossos esburacados estádios. Bem intencionados, sim, mas...

1 – Manga. Tinha fama de mau e assustava. Mas apesar de feio era só um grandalhão com alma de menino. Melhorou no final de carreira. Defesas homéricas e frangos calamitosos eram as suas especialidades.
2 – Josimar. Chegou à Copa de 86 pela porta dos fundos. Reserva, pegou o bonde andando, deu dois chutes a gol e marcou dois golaços. Depois sumiu. A droga o engoliu. Engraçado, o futebol tropical perdeu a capacidade de fazer surpresas agradáveis como esta...
3 – Fabão. Esforçado, dedicado, até divertido, mas raramente violento. Vez ou outra  acerta uma cabeçada ou uma falta. Mas falta não faz.
4 – Betão. Jogador com nome no aumentativo significa futebol no diminutivo. Não chegava a comprometer, mas dava dó.
6 – Everaldo. Dizem que ele entrou na seleção do Tri em 70 pelo sistema de cotas (antigamente a seleção reservava 1 vaga para mineiros e 1 para gaúchos...).
5 – Amaral. Símbolo sexual às avessas. Meio Nosferatu, Meio Quasimodo. Feio de verdade, futebol até que suficiente. Não para impedir dribles desconcertantes do Romário. Nem para espantar algumas loiras.
8 – Caçapava. Único grosso daquele belo Internacional dos anos 70. O nome já diz tudo. Lembram do porte levemente avantajado? Até jogava bola, mas dava um medo...
10 – Dunga. Capitão dessa esquadra feiosa. Volante valente, campeão do mundo em 1994, apelidado de “cortador de grama” por João Saldanha, graças ao seu “jogo” sempre rente ao gramado, tal qual seu cabelo espetado. Posteriormente ganhou fama com suas camisas semelhantes ao seu futebol.
7 – Terto. Ou torto. Tanto faz. A torcida são-paulina tem saudades deste ponteiro dos anos 70, com suas perninhas tortas que nem o Garrincha. Não fosse a bola teria ido bem mais longe...
9 – Obina. Simpaticíssimo, gols assombrosos alternados com temporadas de invejável mediocridade, quando um mero cone é capaz de lhe marcar com razoável eficiência.
11 – Fio. Seu sorriso 1001 gerou uma música inesquecível. Era pior que Dario, e tão popular quanto. Fazia um gol a cada três que perdia. Maravilha.
Técnico: Joel Santana. Boa praça, amigo de todo mundo, inglês da zona norte, capaz até de arrancar algum título regional com essa turma. Difícil seria fazer o bando entender os garatujos que adornam a prancheta do “professor” Joel.

A MÁ: aqui entram os malvados, alguns até craques, que se notabilizaram pela “leveza” de seus movimentos bruscos, a turma do “não deixa disso”. Senão, vejamos:

1 – Fábio Costa: embaixo das traves, ótimo goleiro. O problema é que às vezes precisa sair do gol... Aí um espírito espartano incorpora-se em suas luvas e chuteiras.
2 – Perivaldo: era até divertido vê-lo jogar e poderia estar na seleção FEIA, mas batia muito. Em geral, desnecessariamente.
3 – Claudiomiro (Santos, Grêmio, Coritiba): até fazia gols, mas suas incontáveis faltas dentro e fora da área proporcionaram outros tantos aos adversários. Fora as habituais expulsões, quando, sem ele, o time passava a jogar mais sossegado.
4 – Júnior Baiano: Telê quase conseguiu transformá-lo em jogador de futebol, já que tinha talento para isso, mas o espírito de escorpião sempre falava mais alto.
6 – André Luís: difícil achar lateral esquerdo grosso e ignorante, por isso improvisamos  um Rambo (rombo?) por aquele lado. Ao menos o time teria poucos pênaltis contra si.
5 – Chicão. Capitão, xerife, delegado e titular absoluto. Se alguém duvida, perguntem aos argentinos de Rosário.
8 – Dinho. Este time teria muitos cabeças-de-área e algumas mulas sem cabeça. Se você tem dúvida, ele tá te esperando ali na saída...
10 – Edmundo. Craque fora de série. Fora do sério também. Dispensa comentários.  E acho bom...
7 – Almir Pernambuquinho. Reserva de Pelé no Santos. Cavava pênaltis e confusão com a mesma desenvoltura. Acabou com o nosso complexo de vira-lata ao arrumar um “salseiro” em pleno Uruguai. Morreu numa briga de bar. Nosso anti-Garrincha.
9 – Serginho Chulapa. Outro que não envergonha a classe. Ou a falta de. Dispensa comentários na porrada. Hoje, mais velho, está mais serenado, mas é bom Leão (outro que tal) não chegar perto.
11 – Heleno de Freitas. Das profundezas da história ensandecida do Botafogo nos anos 40. Titular absoluto no sanatório. Se “Gilda” tivesse disputado a final de 50, o Uruguai até teria sido campeão, mas não com 11 em campo...
Técnico: todos mandam bater, alguns mais, outros menos. Felipão daria conta desta turma. Brandão, malandro agulha, também não deixaria nenhum deles lhe roubar a autoridade. Mas Hélio dos Anjos (?!) é boa (?!) pedida. Afinal, futebol não é para frescos mesmo.

No “trielo”, ou melhor, triangular entre elas, como o futebol imita a vida e, no final, bem e mal acabam se igualando, é provável que a MÁ, por ter mais “pegada”, e imaginando um juiz (Deus?) indiferente aos pontapés, arrancaria um empate contra a favorita BOA. Almir seria bem marcado por Nilton Santos, mas Garrincha seria atropelado por André Luís, enquanto Tostão seria, digamos, “anulado” por Chicão.

E a FEIA? Bem, sempre gostamos dos mais fracos. Jogando fechadinha, com 8 atrás, e só saindo nos contra-ataques, torceríamos muito por ela, que “assustaria” seus adversários por sua “tosquice” e imprevisibilidade. Josimar deixaria a sua marca. Obina e Fio, mesmo atrapalhados com os passes tortos do Terto, alegrariam a torcida.

E o Dunga? Bem, o Dunga, vociferando ao erguer a taça, diria que feio mesmo é não ganhar...

 

(*Nota do blogueiro: "Infrutíferas" uma ova!)

Por Torero às 09h18

28/05/2010

Toreroteca

A aposta de hoje é simples: quando e quem marcará o último gol no jogo de domingo entre Corinthians e Santos?

Meu palpite é Dentinho aos 38' do segundo tempo.

O prêmio será este livro, que será lançado nesta terça-feira, a partir das 19h, na Saraiva do Shopping Pátio Paulista:

Por Torero às 10h10

27/05/2010

Os pequenos gigantes

Quando cheguei à casa do mestre dos mestres, bati palmas (a campainha está quebrada desde a última Copa) e Gulliver, seu assistente anão, veio atender.

“O mestre não está”, ele disse. Foi no “Comebagulho”.

“Isso é um restaurante de segunda ou um prostíbulo de terceira?, rá, rá, rá!”

Gulliver, sem rir, respondeu: “É o COngresso de MÉdiuns, BAbalorixás, GUrus e Líderes Holísticos de toda Ordem. Um encontro mundial muito importante. O mestre foi chamado para fazer uma palestra sobre Incorporações Espirituais em tempos de Copa.

“Ah, claro...”

“Ele volta dentro de uma semana. O encontro é em São Tomé das Letras.”

“Puxa, mas eu precisava de uma entrevista. Não tenho nada para amanhã...”

“Se quiser, eu posso ajudá-lo.”

“Você também recebe espíritos, Gulliver?”

“Ainda sou um aprendiz, mas você não tem muita escolha.”

“Está bem. Mas só vou pagar metade do preço.”

“Só por que eu sou um deficiente vertical?”

“Não, porque você ainda está começando.”

“Vamos fechar em dois terços e não se fala mais nisso.”

“Feito.”

Em seguida fomos até a sala de Zé Cabala, onde Guliver colocou o roupão do mestre, que ficou encostando o chão, e pôs seu turbante, que tapou-lhe os olhos.

Então ele deu onze giros para a esquerda e, quase caindo, disse: “Cheguei!”

“E quem sois, oh, alma descarnada?”, perguntei respeitosamente.

“Os viventes de meu tempo chamavam-me de Saulzinho.”

“Saulzinho..., Saulzinho..., já ouvi falar...”

“Já ouviu falar? Eu fui um dos maiores craques do sul do país!”

“Um dos maiores?”

“Bem, isso é força de expressão. Eu tinha apenas 1,62. Era quase um Mádson. Mesmo assim, segundo algumas estatísticas, marquei 401 gols.”

“Por qual time?”

“Por vários. Só pelo Avaí foram 187 gols em 244 jogos. Até hoje sou o  artilheiro-mór do time.”

 Saulzinho, o pequeno gigante.

“Ah, então o senhor foi um grande jogador de Santa Catarina?”

“Grande? Você está fazendo trocadilho com minha altura?”

“Não, claro que não. Digo grande porque o senhor deve ter feito muito sucesso.”

“E fiz mesmo. Ganhei oito títulos catarinenses. E quatro foram seguidos: de 1942 a 1945, nós fomos imbatíveis.”

“O senhor foi um carrasco do Figueirense?”

“Um carrasco implacável. Em 45 jogos, fiz 41 gols. Todos pelo Avaí. Por causa disso, muita gente dizia que eu tinha sangue azul.”

 O esquadrão de 1943.

“O senhor fez toda sua carreira em Santa Catarina?”

“Toda, é claro. Pra quê que eu ia sair daqui?”

“Por dinheiro, pela fama, para jogar na seleção...”

“Dinheiro não é tudo e fama não é nada. Quanto à seleção, ela é que devia ter vindo me ver. Mas o pessoal só olhava para Rio e São Paulo...”

“O senhor começou em que time?”

“Comecei em 1937, aos 18 anos, como meia no Bandeirantes de São Bento do Sul. A minha família morava em Campo Alegre, a 20 Km de São Bento. Um diretor do Bandeirantes me pegava em casa e depois me levava de volta.”

“E quando foi para Florianópolis?”

“Em 38 fiz o campeonato da cidade pelo Tamandaré. Fomos campeões. Aí o Avaí me chamou. E virei ponta-esquerda. Um ponta-esquerda artilheiro. Na minha posição, só o Pepe marcou mais gols do que eu.”

“E quando parou?”

“Com 34 anos. Foi numa partida diante do Figueirense, no dia 29 de setembro de 1954. E eu marquei mais um gol. Pena que perdemos por três a 1.”

“O senhor continuou no futebol ou foi trabalhar em outro ramo?”

“As duas coisas. Me formei em Economia e em Direito e trabalhei com isso. Mas também me tornei técnico. Dirigi Avaí, Figueirense, Paula Ramos, Marcílio Dias e a Seleção Catarinense. E ainda fui presidente do Avaí.”

“Artilheiro, técnico e presidente?”

“Eu tinha sangue azul, fazer o quê?”

“Além de futebol, o senhor gostava de...”

“Ah, eu adorava uma pescaria... Mas isso vinha em segundo lugar. Em primeiro vinha o futebol. Se eu tivesse outra vida pela frente, seria novamente jogador. Eu tenho alma de jogador.”

Depois de dizer isso, Gulliver deu dez voltas para a direita, tropeçou no manto de Zé Cabala e caiu com tudo em cima da mesa.

Tive que pagar-lhe um extra à guisa de indenização por danos físicos.

 

Por Torero às 10h10

26/05/2010

Portugal e Espanha: revivendo a História

 
 

Portugal e Espanha: revivendo a História

por Jaime Belmiro dos Santos*

Já é sabido que Brasil e Portugal se enfrentarão na terceira rodada do Grupo G da Copa de 2010. E, provavelmente, os dois serão os classificados neste grupo para seguirem adiante, na sequência da Copa.

Também não é segredo que, se confirmados os favoritismos, um dos dois irá enfrentar a Espanha (provável classificada pelo grupo H) já nas Oitavas-de-Final.

Isso até parece irrelevante e poderia passar despercebido se não estivéssemos falando das três seleções que, atualmente, ocupam as três primeiras posições do ranking da FIFA.

O Brasil dispensa apresentações, mas Portugal e Espanha, apesar de não possuírem histórico de grandes campanhas em Copas, se credenciam como grandes potências mundiais do futebol na atualidade. As façanhas nas últimas Eliminatórias e nas últimas Eurocopas elevaram a cotação destas duas seleções europeias que parecem ter atingido sua melhor forma praticamente juntas.

Caso o Brasil enfrente a Espanha, não será um duelo inédito: houve este emparelhamento em 1950, 1962 e 1986. E nem é isso que espero...

No entanto, caso se configure um jogo entre Portugal e Espanha nas Oitavas-de-Final, estaremos diante de um embate inédito e, posso dizer por mim, serão revividos os sentimentos das aulas de História da 5ª série (ou ginásio, para os mais grisalhos), onde aprendi que estas duas superpotências ibéricas rumaram pelos oceanos com suas caravelas entre os séculos XV e XVI em busca de novos mercados.

Recordo-me de 1987, das palavras do estimado e hoje já falecido professor Abel contando a nós que Portugal buscava um caminho alternativo para as Índias em busca das especiarias. Cruzar o Mediterrâneo dominado pelos italianos estava ficando caro e era necessário buscar rotas alternativas mais baratas (vê-se que a tão falada "redução de custos" vem de longa data).

E este caminho alternativo, primeiramente realizado por Bartolomeu Dias e continuado por Vasco da Gama, passava caprichosamente às margens da hoje África do Sul, o palco desta Copa que se inicia, para se atingir seu destino. A Espanha contra-atacava, explorando um caminho a oeste, que levou Colombo à descoberta de novas terras, a América. Porque até onde prestei atenção, Colombo sabia que o mundo era redondo, mas não sabia que tinha um pouco de terra (um continente inteiro) no meio do caminho.

O tempo passou e um embate agora seria diferente, mas com ingredientes de nostalgia. Os protagonistas seriam jogadores; os comandantes, os técnicos; os mares, os campos da África do Sul; o ruído das águas, o grito das torcidas; e as especiarias, a Taça FIFA.

De um lado, a esquadra de Casillas, Puyol, Xabi Alonso e David Villa sob a liderança de Vicente del Bosque. De outro, as naus de Pepe, Simão, Nani e Cristiano Ronaldo, sob o comando do Carlos Queiróz.

Que estas seleções façam por merecer o respeito e a admiração adquiridas recentemente e nos presenteiem com um possível duelo nas Oitavas-de-Final. Porque se nos deslumbramos e viajamos com a História cuidadosamente contada pelos nossos respeitáveis mestres, melhor e mais intensamente, ainda, seria vivê-la.

 

*Jaime Belmiro dos Santos é analista de sistemas e ex-aluno da EEPSG "Prof. Luiz Galhardo", de Campinas.

 

Por Torero às 23h18

Biconvite

Neste sábado, eu e o infame Marcus Aurelius Pimenta lançaremos dois livros. São estes aqui:

  

O primeiro conta a história das Copas através de figurinhas. O segundo traz umas Chapeuzinhos bem diferentes daquela que usava vermelho.

Originalmente eles feitos escritos para crianças, mas acho que os marmanjos vão se divertir com eles. Os leitores aqui do blog serão muito bem vindos. Nem que seja para filar o suco de uva.

Será na Livraria da Vila (rua Fradique Coutinho, 915, Pinheiros, São Paulo, a partir das 11h00) 

Por Torero às 11h59

25/05/2010

Livro sobre Tostão

Para os leitores que têm o bom gosto de ler o Tostão, nosso Buda do futebol, um livro interessante é este aí em cima, do Gilson Yoshioka. É um livro sobre o Tostão cronista, não sobre o jogador. Tem prefácio do Juca Kfouri e a orelha foi escrita pelo José Geraldo Couto. O livro contém ainda o Dicionário Tostão de Futebol.

Este será o prêmio para o vencedor da próxima toreroteca. Como consolo aos futuros azarados, digo-vos que o livro custa apenas trinta reais.

Por Torero às 09h21

Desenhos e palpites

O André Bernardino vai desenhar uma série de personagens para o Brasileirão City. Ele mandou-me quatro esboços da Vitória Salvador. Qual vocês acham mais interessante?

 

Por Torero às 09h14

24/05/2010

Abecê do fim de semana

Avaí: Ganhou, no sufoco, do Vasco. Foi para sete pontos e ocupa a segunda posição, bem diferente do ano passado, quando começou mal no campeonato.

 O time catarinense está numa onda favorável

Boka: Jogador que marcou o primeiro gol do Atlético Goianiense nesta volta à primeira divisão do Brasileiro. Mas o time perdeu por 2 a 1, em casa, para o Santos.

Cruz de Malta: Símbolo do Vasco, que não jogou mal, mas perdeu e está entre os lanternas. A situação está mais para cruz credo do que cruz de malta.

Derradeiro: No finzinho do jogo, o Vitória perdeu para o Ceará. O time baiano está na final da Copa do Brasil, mas tem apenas um ponto no Brasileiro.

Estepes: O Santos jogou sem seus quatro principais artilheiros no ano (Neymar, Robinho, Ganso e André) e sem seu principal reserva, Mádson. Mas mesmo assim ganhou fora de casa.

Ferroviária: A equipe de Bazzani perdeu a final da A-3, mas o que importa é que subiu para a A-2.

 Ela está voltando.

Guarani: Cedeu o empate ao Cruzeiro. Dois pontos que podem fazer falta no futuro.

 O Guarani fracassou na caça aos três pontos

Herrera: Ele e Caio, ambos do Botafogo, brigaram. Isso não seria incomum, mas o caso é que o time estava ganhando. Tem coisa que só acontece no Botafogo.

 Herrera e Caio fizeram uma boa luta. O juiz decidiu pelo empate.

Invicto: É o Corinthians, que conquistou sua terceira vitória seguida. Na verdade, ele está inimpacto.

Jacaré: O Brasiliense venceu o Duque de Caxias e é um dos quatro líderes da Série B, ao lado de Bahia, Náutico e Guaratinguetá, todos com 7 pontos.

Love: Está fazendo no Flamengo o que não fez no Palmeiras. Ontem marcou dois.

Marques: Depois de ser dispensado por Luxemburgo, foi homenageado pela torcida mineira na vitória de 3 a 1 sobre o Atlético-PR.

 Luxemburgo não gosta do ídolo, mas seus companheiros e a torcida sabem lhe dar valor.

Nigromante: Adivinho, pitoniso, bruxo. O desta semana foi Alexandre Luz, do Rio de Janeiro, que acertou esta difícil toreroteca. Falando em toreroteca, o vencedor da anterior, que ganhou o belo livro do Pelé, ainda não se manifestou. 

Ombro-a-ombro: Expressão que mostra uma disputa acirrada, como a que estão travando Duque de Caxias e Ipatinga pela última posição na tabela da Série B. Os dois perderam seus três jogos, marcaram dois gols e tomaram sete.

Prévia: No trailer das batalhas da Libertadores, o São Paulo ganhou, e bem, do Inter. Horizonte promissor para o tricolor.

Queda: Cada vez que um técnico do Palmeiras cai, o time ganha o jogo seguinte. Ora, a solução é óbvia: troca semanal de treinador.

Red Bull: Foi campeão da A-3. Dirigido por Márcio Fernandes, o time ganhou da Ferroviária por 3 a 2 (já havia vencido o primeiro jogo por 3 a 0).

Sapiranga: Cidade na qual nasceu Roberto, atacante do Avaí que é um dos artilheiros do Brasileiro.

Tiro certo: Chicão cobrou uma falta com perfeição, fazendo com que a bola traçasse uma curva espetacular, de mulata do Sargenteli.

Último: O lanterna da Série A é o Goiás, único time que ainda não marcou nem um pontinho no campeonato.

Virgindade: Fernandão perdeu a sua ontem.

XV: O de Piracicaba voltou à Série A-2.

Zelar: Cuidar, proteger. O goleiro Márcio, do Atlético-GO, zelou bem pelo seu gol e fez um partidaço. Ele tem 29 anos e está há três anos no Dragão. Desde então foram dois estaduais e dois acessos.

 

Por Torero às 07h25

23/05/2010

Parte 2 da Bilogia da (Não) Convocação: O herói estava pronto para o seu destino.

 
 

Parte 2 da Bilogia da (Não) Convocação: O herói estava pronto para o seu destino.

por Marcio R. Castro

Eras e eras atrás, em uma terra mítica repleta de criaturas fantásticas, surgiu um jovem e audacioso herói. Mesmo infante, era veloz, habilidoso e preciso, e triunfou onde muitos outros pereceram.

Logo, ainda inexperiente, saiu em busca de novas aventuras por terras estrangeiras. Com seu arco dourado, enfrentou provas inimagináveis, desafiou monstros, guerreiros e semideuses. Um a um, todos se ajoelharam perante ele.

Com seus cabelos esvoaçantes, foi coroado o soberano entre todos os reinos, conhecidos ou não. O povo o aclamava, em todas as línguas. E era feliz, como o herói sempre havia sido.

Mas, talvez influenciado por ninfas dionisíacas, o herói se acomodou em seu trono. Inebriado pelos seus feitos, não percebeu que a indolência foi enfeitiçando sua alma. Foi destituído de suas honras sem maiores pudores. Os mesmos que o louvavam agora pediam por sua cabeça.

O herói salvou-se por pouco. Caído do paraíso, esquecido de suas glórias (que foram tantas!), não tinha mais sua coroa, nem seu manto amarelo. Só manteve seu arco dourado, que parecia irremediavelmente rachado.

Aos poucos, conseguiu ficar de pé novamente. Depois, pesadamente, foi capaz de levantar a cabeça. Faltava abrir seus olhos lancinantes. Ao fazê-lo, pode ver que as ranhuras de seu arco estavam cicatrizadas.

Por vilarejos, florestas e castelos, ouvia-se nascer um brado: glória, queda e redenção! Glória, queda e redenção! Glória, queda e redenção! O herói estava pronto para o seu destino.

Mas Dunga não convocou Ronaldinho Gaúcho para a Copa. Fim da história. Raios, por onde andam os deuses do Olimpo nessas horas!

 

Por Torero às 10h14

22/05/2010

Parte 1 da Bilogia da (Não) Convocação: Ganso e Neymar fora da Copa? Viva! Viva!

 
 

Bilogia da (Não) Convocação: Ganso e Neymar fora da Copa? Viva! Viva!

Texto de Marcio R. Castro

Queria escrever esse texto há alguns dias. Mais exatamente, segundos depois das treze horas e seis minutos do último dia 11. Como escrever querendo estrangular alguém não é o mais recomendado para colocar as ideias no lugar, respirei fundo.

Resisti, adiei. E não é que fez efeito? Nesse período de meditação forçada, acabei mudando de opinião. Se antes estava prester a sair às ruas pedindo por Ganso, principalmente, e Neymar na Seleção, agora dou graças por não terem sido convocados. Sem dúvida é melhor os dois terem ficado por aqui mesmo.

Sei que nesse exato momento alguns procuram por meu nome na lista telefônica, a fim de ameaçar minha família. Outros começam a se organizar para um merecido apedrejamento. Eu mesmo, dias atrás, já estaria em busca de um pedregulho dos grandes para atirar no herege.

Pois limpem a baba, meus amigos. E vamos lembrar da Copa de 94. Nela, um jovem goleador de talento tão grande quantos seus dentes foi convocado, na última hora. A opinião pública aplaudiu, o menino Ronaldo não poderia ficar de fora. Durante a competição, por várias vezes  vivemos a expectativa de que o rapazinho dentuço pudesse estrear. Na primeira fase, o Brasil vencia Rússia e Camarões com certa  tranquilidade, eram bons momentos para vê-lo em ação.

Nada. A justificativa nem precisava ser dada, pois era sabida: Ronaldo era muito jovem, sem experiência, poderia se assustar. Estava lá para  aprender, fora das quatro linhas. Na prorrogação da grande final, Parreira preferiu por em campo Viola. Que era um bom jogador, entrou bem  no jogo, inflamou a partida. Mas será que Ronaldo não era uma opção mais desequilibrante, ainda mais se já tivesse entrado em campo ao longo do torneio?

Em 2002, outro jovem talento foi convocado. É verdade que Kaká chegou a jogar alguns minutos contra a Costa Rica, mas, basicamente, foi  mesmo para “respirar o ambiente de Copa do Mundo”, para “aprender com o grupo” e outras aspas de mesmo gênero e grau.

Além do fator “jovem demais”, outros antecedentes nos mostram que Ganso e Neymar, se fossem à Copa, seriam pouco mais do que  espectadores privilegiados. É o fator “chamei, vá lá, mas vou ignorá-los”. Ademir da Guia, em 74, e Giovani, em 98, são exemplos clássicos  dessa patologia. Como pupilo inconteste de Zagallo, Dunga não faria por menos.

Não tenho a menor dúvida de que, se tivessem sido convocados, Ganso e Neymar iriam apenas fazer turismo na África do Sul. Eles, e nós, seríamos preteridos sem cerimônia nenhuma. Por isso, estou dando vivas! Os moleques não foram, graças a Deus! E ao Dunga, aquele…  Alguém aí viu uma pedra das grandes?

 

Por Torero às 10h56

Links legais

Dois links interessantes.

O primeiro é o Alambrado, seção de Os Geraldinos. É uma coleção de blogs de torcedores bem interessante, e alguns feitos por belas senhoritas, o que mostra que o futebol está deixando de ser exclusividade masculina (ainda bem, ainda bem). Clique no endereço: http://osgeraldinos.terra.com.br/alambrado.php.

 O segundo é um site sobre vinhos que está fazendo uma Copa diferente. Ele pegou a tabela e está fazendo uma competição baseada no que cada país produz, ou não, em relação a vinhos. O endereço é este: http://vinhotododia.blogspot.com/.

Por Torero às 10h50

21/05/2010

Toreroteca com figurinhas

Muito bem, vamos à toreroteca da semana. E o prêmio desta semana é um livro que lançarei no próximo sábado, dia 29.

Desta vez, a nobre leitora e o plebeu leitor terão que acertar os resultados destas partidas do Brasileirão:

Corinthians x Fluminense, o jogo que vale a manutenção na liderança;

Atlético-MG x Atlético-PR, o clássico Atlé-tico;

Internacional x São Paulo, a prévia da Libertadores; 

Ceará x Vitória, com os dois times do Nordeste;

Flamengo x Grêmio Prudente, um jogo da ressaca para o rubro-negro;

e Guarani x Cruzeiro, confronto de vice-líderes.

Meu palpite é: Corinthians, Atlético-MG, empate, Vitória, empate e Cruzeiro. 

Quanto ao livro, é esse aqui:

E por dentro ele é assim:

A ideia é contar a historia de todas as Copas por meio de figurinhas e figurões. E a vantagem é que o álbum/livro já vem completo. Ou melhor, quase.

 

Por Torero às 07h40

20/05/2010

Ivo, o impulsivo, e Marçal, o racional

O Bar da Preta ferveu agora pela manhã. É que estava lá Ivo, o impulsivo, e quando ele aparece sempre há discussões acaloradas, geralmente com Marçal, o racional.

O assunto, claro, foram os três jogos de ontem.

“Fogo de palha! Fogo de palha!”, bradava Ivo sobre o Atlético Goianiense. “Um time que tem como símbolo o dragão só poderia ser fogo de palha.”

“Não é assim”, ponderava Marçal. O time vem de uma série de grandes resultados. Ganhou a segunda divisão do campeonato goiano de 2005...”

“Nossa, que conquista maravilhosa!”, tripudiou Ivo.

“Em 2006 foi vice campeão goiano...”

“Vice em Goiás? Nossa, que maravilha! Essa equipe é uma potência. Quem foi o vice deste ano? Um tal de Santa Helena, não é? Ah, esse Santa Helena vai ser o próximo campeão mundial.”

“Ganhou o estadual em 2007...”

“Ou seja, ganhou do Goiás na final. Grande coisa...”

“Foi campeão da Série C em 2008...”

“Puxa, campeão da Série C?! Que façanha, que façanha!”

“E em 2009 subiu para a Série A.”

“Onde está em penúltimo lugar.”

“Mas o time passou pelo Palmeiras.”

“Uau! Pelo Palmeiras? Aquele que ficou em 11º. no Paulista? Realmente espantoso!”

“É um bom time médio, um clube em crescimento.”

“Time é que nem isso aqui, ó”, falou Ivo apontando os dois indicadores para o próprio, digamos, zíper, “ou é grande ou é pequeno. Não tem esse negócio de médio, de que está em crescimento.”

Para não ter que polemizar sobre o assunto apontado por Ivo, Marçal passou ao jogo do Morumbi:

“E o Cruzeiro, hein? Se o juiz não tivesse expulsado o Kléber, teria sido um jogaço.”

“O Kléber merece ser expulso só pelo que ele pensa. Tem que ir para o octagon.”

“Não exagere. Ele está bem mais manso.”

“Foi expulso 6 vezes em 52 jogos. Tinha era que jogar com aquela focinheira de pit bull.”

“Calúnia. Isso é uma pecha que impingiram ao rapaz. É como dizer que o Adilson Batista...”

“Inventor! Esse inventa demais e não ganha nada. Não chegou nem na final do Mineiro, que só tem dois times.”

“Não exagere.”

“Não é exagero. As equipes de Minas são que nem isso aqui”, apontou ele de novo seus dois indicadores para baixo, “só tem duas. Se tem três, é anormal.”

Novamente Marçal não quis baixar o nível e começou a falar sobre o Santos.

“Viu a vitória do Santos? O time venceu mas jogou muito mal. Ganso não acertava nada no primeiro tempo e o Wesley só fez o gol.”

“E precisa mais? Os caras fazem uns golaços e você acha que eles precisam jogar bem.”

“Jogando bem você tem mais posse de bola, e com mais posse de bola tem mais chance de vencer.”

“Futebol não é ginástica olímpica. Não tem nota para o desempenho. Só vale é bola na rede, e os caras fizeram três golaços.”

“Mas o Santos não foi um time consistente, firme, seguro.”

“Sabe o que tem que ser consistente, firme e seguro?”, perguntou Ivo, o impulsivo. E logo seus dois indicadores apontaram mais uma vez para baixo.

Então Marçal, o racional, perdeu a razão e jogou seu pingado onde Ivo apontava.

Foi preciso seis pessoas para separar os dois.

 

Por Torero às 10h38

19/05/2010

A cara e a coroa

 
 

A cara e a coroa

(O Luiz Felipe Resende Leão, de 14 anos, que há algumas semanas fez seu próprio Paullistão City aqui no blog, desta vez mandou um texto sério, de comentarista esportivo)

 

Luiz Felipe Resende Leão

A primeira Copa do Mundo que assisti (e quando digo “assistir”, digo prestar atenção, analisar os jogos, lembrar, depois do jogo, quanto tinha ficado o placar) foi a de 2006. Tinha dez anos.

Um jogo que marcou no torneio, ao menos para mim, foi Portugal e Holanda. Um jogo com quatro expulsões e doze cartões amarelos. Brigado, truncado. Não foi um jogo bonito: Foi um jogo truncado. Mas foi um bom jogo.

Por ser um adolescente, ao entrar em discussões sobre futebol com adultos em discussões de família, percebo os olhares tortos e as caretas de “bah, crianças, não entendem nada de futebol”. Posso até concordar, em parte. Não vi personagens “recentes”, como o próprio Giovanni, do meu Santos. Não vi Zico. Não vi Pelé. Mas posso, sim, dizer que vi jogos feios e jogos bonitos, nesse curto período tele-futebolístico. E posso afirmar o que é afirmado tantas vezes a ponto de se tornar entediante e exageradamente óbvio: Não teremos, na nossa seleção, o tão falado futebol arte de 1970 e 1982.

Como brasileiro, não posso dizer que não ficarei feliz caso o Brasil leve essa Copa. Não posso dizer, também, que não ficarei triste. Uma seleção que reviva a seleção de 1994 não é algo aprazível. Não é o futebol de encher os olhos. E quando digo isso, não falo de Neymar ou Ganso, embora, se fosse técnico, eu os levaria. Falo de uma seleção que nos faça vibrar com belos lances, com um jogo rápido, um jogo diferente, um jogo ousado.

A turminha do amendoim vai dizer que quer títulos, e não show, retratando os contrários à própria como imbecis que querem ver a seleção perder. Ninguém deseja uma derrota da seleção. Apenas um futebol apresentável.

O final do meu texto contradiz, propositalmente, o começo. Poderemos ter jogos empolgantes da Seleção Brasileira, mas, provavelmente, serão cercados de faltas ou equilibrados por falta de ataques consistentes das duas equipes. Isso não é pessimismo. É fato, comprovado há 16 anos por Parreira e sua equipe. As expectativas de que um time que tem sete volantes possa jogar de forma agradável é mínima. Mas é um time com “garra”, já que é isso que grande maioria quer, e que é favorito para vencer a copa.

Quem quiser apoiar o Brasil, apoie. Quem quiser torcer para a Argentina, Árgelia, Sérvia, Honduras e a Rússia, mesmo que essa não esteja na competição, que torça, pois estamos em uma democracia, e ninguém pode ser tachado de anti-nacionalista ou traidor por isso. Eu por exemplo, não consigo torcer para times retrancados.

Mas me adianto. Em julho a gente discute sobre coerência.

Por Torero às 10h39

18/05/2010

Convite

Teremos um sábado agitado no Museu do Futebol.

 Às 9:15h começa uma palestra de Newton César de Oliveira Santos sobre "Brasil x Argentina, a história do maior clássico do futebol mundial". 

Uma hora depois, quem fala é o Max Gehringer, que versará sobre o misterioso assunto: "O futebol no Brasil de 1800 a 1880".

Logo depois, Max lançará o livro "Almanaque dos Mundiais", que é este cá embaixo: 

Por Torero às 09h10

17/05/2010

“Nem ligo, nem ligo...”

Acabo de voltar do Bar da Preta. E foi uma manhã diferente. Não pelo pão na chapa, sempre dourado, nem pelo pingado, que manteve a perfeita proporção entre a suavidade do leite e a provocação do café. Não, não, o Bar da Preta tem certificado ISO 9001.

O diferente foi o tom da conversa entre os comensais (aliás, nem todos eram comensais, já que Lino está com pressão alta e não pode comer sal).

Não vou nem explicar qual era o tom dessa conversa. Vou exemplificar, já que o exemplo é a explicação de fato, ou melhor, com fato.

Começou quando sentei ao lado de Alaor, o tricolor, fiz cara de solidariedade e falei: “Que chato perder para o Botafogo em casa, não?”

“Hã? Ah, você deve estar falando  Brasileiro? Já começou? Nem ligo. Meu negócio é Libertadores. Será que o Cruzeiro consegue vencer no Morumbi? Não, acho que não. Se bem que o Santos ganhou da gente... Sabe se algum jogador do Cruzeiro se machucou ontem?”

Aproveito a deixa e pergunto para Mineiro, o torcedor do Cruzeiro: “Que tropeço, hein? Empatar em casa com o Avaí...”

“Empatou? Nem sabia. Fui na missa da tarde para fazer um pedido a Santa Rita de Cássia. No meio de semana meu time tem que vencer. E por três, que eu não gosto desse negócio de pênalti.”

Neste instante vejo Maria Batista, a santista, pedindo uma coxinha. Dou-lhe uma cutucada: “O seu time, hein, Maria, que decepção...”

“Perder por um gol fora de casa não é terrível.”

“Mas o Santos empatou em casa com o Ceará.”

“Ceará? Do que você está falando?”

“Do Brasileiro.”

“Brasileiro? Ora, meu filho, eu tenho coisa mais importante para pensar”, ela disse antes de cravar os dentes na sua coxinha, encerrando a conversa.

Realengo, fã do Flamengo, descascava lentamente um daqueles ovos cor de rosa. Antes que eu falasse qualquer coisa, ele disse: “É isso mesmo, estou tentando o suicídio comendo esse ovo aqui. E, se não der certo, vou provar uma das sardinhas daquele pote.”

“Tudo isso por causa de um empate com o Vitória?”

“Que empate? Perdemos em casa. Como é que vamos reverter isso no Chile?”

Dei uma olhada para o lado e vi os dois gaúchos conversando. Mas nem o colorado contava vantagem pela vitória fora de casa, nem o gremista reclamava da derrota no Olímpico para o Corinthians. Não, nada disso. Os dois conversavam sobre as probabilidades matemáticas, as implicações morais e as possibilidades astrológicas de empatar fora de casa. Só então lembrei que os dois jogarão no meio de semana precisando de um reles zero a zero.

Arrisquei perguntar à dupla: “E aí, como foi a rodada do domingo?”

Mas a resposta veio em coral: “Nem ligo, tchê!”

Por fim, cheguei perto de Abel, o fiel. Como vi que ninguém estava querendo saber do Brasileiro, resolvi falar sobre a Libertadores: “Que coisa chata aquele gol deles, não?”

“Que nada! Mesmo assim ganhamos. Dois a um e fora de casa. Isso não acontecia há onze anos!”

“Estava falando sobre o gol do Vágner Love.”

“Isso é passado. O que importa agora é o Brasileiro. E nós somos líderes! Líderes! Sabe lá o que é isso? Esse Brasileiro está demais!”

Por Torero às 08h46

16/05/2010

Links legais

Este é sobre a premiação dada pelo governo federal aos jogadores que venceram as Copas de 58, 62 e 70. Concordo totalmente com ele: www.conversasedistracoes.blogspot.com.

E este é para quem gosta de livros sobre futebol: www.futebooks.com.br.

Por Torero às 21h40

Xenofobia não desce redondo

 
 

Xenofobia não desce redondo

por Gilda Melo 

Caro Torero, ando irritada de ver na TV brasileira propagandas sobre a Copa do Mundo em que o tema central, ao invés de ser o Brasil e suas glórias futebolísticas, é a Argentina, a rivalidade com eles! Por isso, me indignei e resolvi enviar meu protesto ao anunciante de uma dessas péssimas campanhas publicitárias.

Entendo a rivalidade entre estes países e que, dentro do campo, é mesmo muito legal (eu também, como uma boa brasileira, sou apaixonada por futebol)! No entanto, como amante da nossa Seleção, me incomoda muito que o tema central de várias destas propagandas não seja o Brasil, mas o desprezo aos argentinos! Confesso que eu ficaria muito mais satisfeita se visse um comercial que, ao invés de provocar um rival hostilizando-o, que ao invés de buscar algum engrandecimento apoiando-se na depreciação do adversário, que ao invés disso, ressaltasse nossos valores, nossa vocação futebolística, o peso da camisa canarinho, nosso coração no bico da chuteira, enfim, toda nossa paixão pelo futebol. Se pegarmos alguns dos mais conhecidos filmes publicitários esportivos veiculados na Argentina, perceberemos que o destaque é sempre a sua seleção, seus jogadores etc. Ninguém nem fala de Brasil!

Na minha opinião, comerciais como o da cerveja X, dentre outros do mesmo naipe, apenas contribuem para o fortalecimento de uma atmosfera de hostilidade entre dois povos tão incríveis - cada um à sua maneira - e que é algo absolutamente desnecessário. Por que ao invés de dizer: “argentino é péssimo”, não se diz “o Brasil tem o melhor futebol do mundo; aqui o moleque já nasce chutando a chupeta; em dias de Copa brasileiro tira férias pra não perder nenhum lance; ah, que glória vestir o manto verde-amarelo; não há lugar como o Brasil para se assistir a uma Copa...” ? Esqueçamos os “hermanos”. Vamos fazer do Brasil o tema das nossas campanhas, não a Argentina ( para isto existem os publicitários de lá ).

Sou torcedora, vou ao estádio, assisto mesas-redondas, xingo o adversário... tudo o que um amante do futebol faz. Ou seja, tenho espírito esportivo, sei “zuar” e ser “zuada”. Apenas não acho sensata, tão pouco necessária, tal postura depreciativa para com os argentinos.

Xenofobia não desce redondo!

Por Torero às 13h10

14/05/2010

Dunga em Moçambique

 
 

Dunga em Moçambique

(A seguir, Gabriel Fernandes, que é estudante de jornalismo na ECA-USP e está fazendo trabalho voluntário em Moçambique, conta como os  moçambicanos viram a convocação de Dunga)

por Gabriel Fernandes


Todos os dias os combatentes, assim como os formadores, possuem 2 horas “livres” nas quais eles são obrigados a trabalhar na Machamba (fazenda) ou praticar algum desporto. Segunda-feira, quarta-feira e sexta-feira são os dias para ir à Machamba, já terça-feira e quinta-feira são os dias do Desporto. Entenda-se futebol.

Essa terça-feira, porém, era especial. Era dia da convocação da seleção brasileira. Sim, aquela de “Gaúcho e dos dois putos do Santos” como diria Izildo, um dos alunos. Coincidência ou não, a convocação seria justamente às 18 horas no horário local, ou seja, na hora de nossa janta. Justamente após nossa pelada.

A conversa então não poderia ser outra: quem estará na lista de Dunga? Começaram pelos laterais. Aqui Dani Alves é idolatrado e ninguém acredita que é reserva de Maicon. Mas Pedro, outro aluno, está feliz, afinal de contas Maicon é da sua Inter como o goleiro Julio César e Lúcio. Aqui eles têm o hábito de acompanhar os jogos da “Xampions” e torcem muito. Basta dizer que Pedro passou a pelada gritando "Itália".

Completando a zaga, Izildo, novamente, se manifestou: “Tem que ter Luisão!”. Ele como bom torcedor do Benfica joga todas as semanas com a camisa do Porto. Segundo ele, a camisa do Benfica tem que ficar guardada e a do Porto é pra sujar.

Quando começaram a escalar os “médios”, Felizberto lembrou de Marcelo na lateral-esquerda. Uma discussão fervorosa começou e eu só fiquei na torcida para que eles não recorressem a mim. Afinal, se quem tá no Brasil não sabe, como eu poderia saber os laterais da seleção?

Outra curiosidade é que os moçambicanos possuem times portugueses, ou melhor, torcem para Benfica, Sporting de Lisboa ou Porto. Logo, “aquele escurinho, médio do Benfica” também deveria ser chamado de acordo com Seu Francisco, o mais velho presente. Em seguida convocaram Kaká e Ronaldinho Gaúcho. Finalmente intervim: “ele não vai não”.

Délcio logo resmungou: “Não pode, tem que ir! Por que não vai?”. Expliquei que ele não passa pela sua melhor fase. Eles não entenderam.

Expliquei que ele já tem muito dinheiro e não quer saber de futebol, entenderam e deram razão a ele. Izildo continuou inconformado e disse pela segunda vez: “Sem Gaúcho, não é Copa”.

Juro que ele não sabe nada da entrevista de Ronaldinho há cerca de uma semana em que dizia justamente a mesma coisa.

A conversa ainda passou por Adriano, a convocação de Deco e Liédson para Portugal até chegar em Neymar e Ganso. Como eu os fiz assistir às finais do Paulistão, eles se impressionaram com o futebol dos dois.

Especialmente com o camisa dezessete, o “gajo que falou que do campo não saia”para o técnico. Felizberto logo disse que eles eram muito jovens enquanto que Izildo, que gosta do futebol bem jogado, falou: “Mas aqueles dois putos do Santos jogam muito bem, o que idade tem a ver?”.

E com isso o resto do time chegou e conversa acabou.

Jogamos, tomamos banho e voltamos para a sala de jantar. Lá poderíamos acompanhar a convocação pela Globo Internacional.

Frustrantemente, o canal estava passando um programa feminino da GNT. Esperamos inquietamente o fim do programa com a pequena esperança de haver um atraso na transmissão. Meia hora depois tudo se resolve. Começa o Globo Esporte com a promessa da convocação da Seleção. Dez minutos depois, enfim, ela começa.

Os goleiros: Júlio César (óbvio), Gomes (juro que pensei que Doni estava descartado e que surpresas estavam para pintar) e por último: “Victor! Quer dizer, Doni!”. Como eu fiquei nervoso com isso. A partir daí parei de prestar atenção no que estava acontecendo a minha volta.

Neste momento sabia que qualquer coisa era possível, especialmente as surpresas. Não que elas fossem boas.

Os laterais passaram e eu não tive muito o que me queixar. Duas escolhas óbvias para direita e duas seguras para esquerda. Pera aê! E a vaguinha do Ganso? Vai ficar no lugar do Kleberson.

Os zagueiros passavam, nada de Thiago Silva. Ufa! Era o último nome logo após de Luisão do Izildo e da dupla titular Juan e Lúcio. Fiquei aliviado, pensei que Dunga tinha recobrado sua sanidade.

Os “médios”, ou melhor, os volantes, foram sendo mostrados um a um. Quando Kleberson apareceu perdi o controle. Ganso não vai! Xinguei Dunga como há muito não xingava um técnico. Foi quando lembrei que estava em Moçambique e aqui palavrão só em língua local.

Os avançados eram minha esperança. Uma surpresa, só uma: chama o Neymar. E não que Dunga me surpreendeu? De maneira teimosa e infantil resolvi chamar Grafite. Aposto que se todos quisessem o Grafite ele chamaria o Neymar. Nada contra o Grafite, só que ele e o Nilmar jogam na mesma posição. Quem vai substituir o Robinho?

Quando o último nome foi revelado todos ficaram quietos como a esperar minha reação. Não me contive e desabafei: “Que seleção de merda! E sabe qual é o pior? É que vai ganhar!”. Eles riram e a discussão começou.

 

PS: O link para o blog do Gabriel é http://doismuzungu.blogspot.com/

Por Torero às 07h04

13/05/2010

Abecê da convocação

Atente bem para esta seleção, caro leitor: Um bom goleiro, uma zaga firme, dois laterais que apóiam bem, três volantes, um meia, um atacante leve e um bom centroavante. É a seleção de Dunga? Não, é a de Parreira, em 1994. A escalação era Taffarel; Jorginho, Márcio Santos, Aldair e Leonardo (ou Branco); Dunga, Mauro Silva, Mazinho e Zinho; Bebeto e Romário. Pelo jeito, Dunga se espelhou na seleção em que foi capitão para montar a sua. Talvez inconscientemente ou por coincidência. Mas que uma lembra a outra, lembra. Para o bem e para o mal.

 Tomes gêmeos?

Beleza: Creio que nosso principal temor é que a seleção jogue feio, mas, a bem da verdade, a equipe de Dunga fez alguns jogos com beleza, como nos 3 a 0 contra a Argentina no final da Copa América. Naquele dia, o time foi: Doni, Maicon, Alex, Juan e Gilberto; Mineiro, Josué, Elano (Daniel Alves), Júlio Baptista; Robinho (Diego) e Vagner Love.
            
Comparação: As seleções de Dunga capitão e Dunga técnico são bem parecidas, mas há uma enorme diferença, e justamente nos volantes. A de 1994 teve dois grandes jogadores desta posição: Dunga e Mauro Silva, que realmente fizeram uma Copa brilhante. Os quatro convocados de 2010 já não inspiram tanta confiança.

Doni: Não foi bem no Brasil e está na reserva de seu time, mas jogou bem na seleção. De qualquer forma, acho uma pena que Dunga tenha deixado Victor de fora, pois ele pode ser o nosso goleiro na próxima Copa.

Esqueci o que ia escrever aqui.

Felizardo: Grafite entrou na Copa aos 45’ do segundo tempo. Teve uma chance no último jogo da seleção e aproveitou-a bem.

Ganso: Qual dos sete volantes de Dunga faria o que Ganso fez ontem contra o Grêmio?

Hímen: A maior parte do convocados é virgem em relação a Copas do Mundo.

 Não, não é o que você está pensando. Isso é uma foto do planeta Marte.

Injustiça: Eu vos pergunto, nobre leitor e soberana leitora, quais foram as injustiças desta convocação: Quem não deveria ter sido chamado e quem não poderia ter sido esquecido?

Josés e Joões: Os tradicionais nomes cristãos realmente estão em baixa. Não há nenhum José ou João na seleção. Em compensação temos Maicon, Michel, Róbson, Juan e até um Grafite, que na verdade se chama Edinaldo.

Limbo: a Turquia é um limbo para jogadores. Alex e André Santos foram para lá e desapareceram das convocações. Elano não teve este problema porque se firmou antes, quando estava na Inglaterra.

Menotti: O argentino ganhou a Copa de 78 (com uma patente ajuda do, digamos, acaso), mas mesmo assim passou para a história como o técnico que não convocou Maradona, que não viu que ali havia um gênio. O mesmo pode acontecer com Dunga, que talvez tenha perdido a chance de passar à história como aquele que levou dois jovens craques para a sua primeira Copa.

Nacionalidade: O país que mais “cedeu” jogadores para o Brasil foi a Itália: oito.

Olvidados: Eis aí uma interessante seleção dos que ficaram de fora, enviada pelo Diogo: Goleiros: Victor, Helton e Marcos. Laterais: Cicinho, Léo Moura, Marcelo e André Santos. Zagueiros: Alex (Chelsea), Miranda, Naldo e Cris. Volantes: Arouca, Elias, Hernanes e Lucas (ex-grêmio) Meias: Diego, Alex (ex-Palmeiras), Ganso e Zé Roberto (ou Ronaldinho Gaúcho). Atacantes: Neymar, Fred, Pato e Tardelli (ou Adriano) Técnico: Felipão.

Palpites: Nenhum dos quase 300 palpites acertou qual seria a seleção de Dunga. E quase todos caíram por conta da ausência do goleiro do Grêmio. Apenas uns cinco acharam que ele levaria Gomes e Doni como reserva.

Quatro: Os quatro atacantes de Dunga são curiosos, pois temos três centroavantes e apenas um segundo atacante, Robinho. Não seria mais lógico levar Neymar que Grafite?

Rir: É o melhor remédio. Então, vai aí a seleção de Luiz Amato: Goleiro: Yuri Garrabolovsky, Lateral Direito: Iacuan Corricorri. Zagueiro Central: John Seguro Junior. Quarto Zagueiro: John Seguro Máster. Lateral Esquerdo: Bob Whoiswho. Primeiro Volante: Pedrito Batimutchu. Segundo Volante: Cirillo Batimutchumais. Terceiro Volante: Darth Vader. Quarto Volante: Jason Panic. Quinto Volante e Cabeça de Área: Capitão Nascimento (Tropa de Elite). Centroavante: Tom Hanks (O Náufrago), que está acostumado á solidão.

Sete: Entre os 23 há apenas um meia, Kaká. Entre os sete reservas dos reservas há dois: Ganso e Ronaldinho. Estranho...

Temor: Havia um certo medo de que Dunga fizesse uma convocação muito defensiva. E isso se confirmou. Assim, esta seleção não sairá do país totalmente amada. Mas, a bem da verdade, não faz muita diferença se uma seleção sai do país idolatrada ou desacreditada. Já tivemos fracassos e sucessos de todas as maneiras.

Última. Adriano desperdiçou sua última chance de ir a uma Copa. Será que isso pode lhe causar uma depressão? Será ruim se causar, mas talvez seja ainda pior se não.

Volantes: Acho que é o principal problema na convocação de Dunga. Há sete jogadores que podem desempenhar esta função: os quatro da posição, mais Júlio Batista, Ramires e Elano, que foram chamados como meias. Ele poderia ter sacrificado um destes sete para chamar um jogador mais ofensivo, como Ganso, Alex ou Ronaldinho.

Xenofilia: É o contrário de xenofobia, ou seja, é a admiração pelos estrangeiros.  Em relação aos brasileiros, Portugal é o país mais xenófilo, com três atletas nascidos por aqui.

Zangado: Dunga pode ser chamado de mestre ao final da Copa, desde que não nos deixe com soneca. Para isso, seu sistema defensivo não poderá ser nada dengoso e seu ataque terá que ser rápido como um espirro, um atchim. Só assim, no final da Copa, o torcedor estará feliz e não, zangado.

PS: Como bônus track, vão aqui dois links sobre a convocação: http://rolocompressor.zip.net/ e http://www.conversasedistracoes.blogspot.com/.

Por Torero às 08h13

10/05/2010

Zé Cabala e o homem-locomotiva

 

Quando cheguei à casa do grande mestre, ele não estava de turbante, mas com um boné de ferroviário. E montava um trenzinho elétrico.

Estranhei aquilo e perguntei: “Compraste um brinquedo, ó, grande sábio?”

Ele virou-se com um ar indignado e disse: “Isso não é um brinquedo, caro fliculário, é um método de combate ao estresse por alusão ao aspecto lúdico da infância.”

“Ah, claro, desculpe, mestre.”

“Tudo bem”, ele disse. E depois fez um um longo “piuiiiiiiii!” e ligou seu trenzinho.

“Hoje gostaria de falar com algum craque de um time fora do eixo Rio-São Paulo. Seria possível?”, perguntei.

“Moleza”, ele disse. Então começou a correr em volta dos trilhos de seu trenzinho enquanto fazia “tique, tique, tique, tique, piuiiiiiii, tique, tique”.

Depois de umas dez voltas, ele estancou e disse:
 
“Cheguei à estação.”

“Quem sois vós, ó, espírito?”

“Chamavam-me de Bazzani.”

“Olivério Bazzani Filho, o craque da Ferroviária? Aquele meia-esquerda que fez nada menos do que 244 gols?”

“Parece que você já ouviu falar de mim?”

“Tive um vizinho de Araraquara que sempre contava coisas sobre o senhor.”

“Ah, o povo de Araraquara foi bondoso comigo.”

“O senhor nasceu lá, não?”

“Não, na verdade, não. Nasci em Mirassol, em 1935.”

“Como era sua vida lá?”

“O meu programa de sábado era nadar num sítio, e nos outros dias eu estudava e jogava bola. Então eu comecei a pegar uma certa habilidade com a canhota.”

“E aí chamaram o senhor para o juvenil do Mirassol?”

“Isso. Nós tínhamos um time muito bom. Nosso treinador era dinâmico e começou a arrumar jogos de importância. Pegamos o Corinthians, por exemplo. Ganhamos de 3 a 1. Pegamos a Ferroviária e ganhamos de 8 a 0. Pegamos o time do Santos e ganhamos também de 8.”

“De lá o senhor foi para a Ferroviária?"

“Antes passei por Mogiana e Rio Preto. Cheguei à Ferroviária com 19 anos.”

“Sua família não se incomodou com sua opção pelo esporte?”

“De jeito nenhum. Minha família era de esportistas. Meu irmão, O Bazzaninho, jogou no São Paulo e no São Bento, minha irmã foi jogadora de basquete profissional e meu pai tinha sido zagueiro do Corinthians.

“A sua Ferroviária fez muito sucesso, não?”

“Fez. Era um timaço. Joguei muito com o Dudu, que depois foi para o Palmeiras. E logo em 55 conseguimos subir para a primeira divisão. O jogo decisivo foi contra o Botafogo de Ribeirão Preto. Ganhamos por 6 a 3 e eu fiz dois gols.”

“Como era sua vida em Araraquara, com 19 anos?”

“Ah, eu adorava ir ao cinema. O clube deu uma carteirinha para a gente que deixava entrar de graça. Então eu ia sempre, porque não estava acostumado. Era  caipirão, né? Via bang-bang, tiroteio, romance… O meu favorito foi ‘E o vento levou...’”
 
“Naquele tempo a Ferroviária metia medo nos grandes?”

“Metia. Tanto que em 59 ficamos em terceiro lugar no Campeonato Paulista de Futebol, à frente de São Paulo, Corinthians e Portuguesa de Desportos. 59 foi um grande ano. Fui convocado para a Seleção Paulista e conquistamos o tetracampeonato de seleções. Num jogo, contra a Seleção Mineira, até deixei o Pelé no banco de reservas.”

“Que ano de sucesso!”

“Pois 60 não ficou devendo nada a 59. A Ferroviária era um time tão respeitado que fizemos uma excursão pela Europa e pela África, mais ou menos como o Santos. Enfrentamos times como Belenenses, Porto e Atlético de Madrid. Foram 20 jogos, com 17 vitórias, 2 empates e só uma derrota, para o Sporting.”

 Bazzani é o penúltimo entre os agachados. E o garotinho é Dorival Junior.

“Como era o seu estilo?”

“Eu era um meia-esquerda típico. Modéstia à parte, bem elegante. Fazia lançamentos longos, tinha um bom chute de longe e era venenoso nas cobranças de falta. Ah, e tinha uma qualidade rara: ajudava muito na marcação.”

“O senhor ficou a vida toda na Ferroviária?”

“Não. Em 1963 fui jogar no Corinthians. Fiquei lá até 65, mas não deu muito certo. Uma pena, porque eu também torcia pelo Corinthians. Foram 87 jogos e 15 gols. A verdade é que eu fui feito para a Ferroviária. E ela para mim. Tanto que em 64, quando eu não estava lá, ela caiu para a segunda divisão. Então em 66 voltei para a Ferroviária.”

“E como foi este segundo casamento?”

“Melhor que o primeiro. No mesmo ano voltamos à primeira divisão. E fui artilheiro do time com 16 gols. No jogo das faixas empatamos com Cruzeiro de Tostão e Dirceu Lopes por 2 a 2.”

“Nada mal.”

“Nada mesmo. E nos anos seguintes conquistamos o Tricampeonato do Interior, a maior glória da Ferrinha até hoje. Naqueles anos nós sempre ganhávamos dos grandes lá na Fonte Luminosa. Às vezes, até fora de casa. Por exemplo, teve uma vez que nós goleamos o Corinthians por 4 a 1 em pleno Pacaembu. Neste dia eu marquei duas vezes.”

“Vocês ganhavam até do Santos?”

“Claro. Em março de 71 goleamos o seu time por 4 a 1, lá em Araraquara. E era o Santos de Pelé, Edu e Clodoaldo. Fiz um dos gols. Sobrou uma bola lá na frente e eu disse: ‘Quer saber? Eu vou chutar daqui mesmo’. Rapaz, acertei um chute que o Cejas nem foi na bola. Aí saí correndo feito doido em volta do campo… Até hoje lembro dos vinte mil torcedores gritando meu nome. Ah, como eu amava aquela camisa grená, aquela camisa com cor de ferro, de terra...”

“O senhor parou com quantos anos?”

“Com 37, um ano depois dessa goleada em cima do Santos. Aí fui ser dentista. E em 72 também assumi o cargo de técnico das divisões inferiores do clube.”

“Chegou a ser técnico do time principal?”

“Doze vezes. Uma, inclusive, por dois, três anos. Em 1980 conseguimos chegar às finais da Taça de Prata de 1980 e fomos à semifinal do Campeonato Paulista de 1985.”

“A Ferroviária fez até um busto para o senhor, não fez?”

“Fez. Foi uma coisa linda. A inauguração foi no dia 18 de abril de 2007. Mas eu não pude ir. Já estava muito doente. Tanto que morri uns meses depois.”

“Mas, se tivesse ido, teria dito o quê?”

“O mesmo que disse no meu jogo de despedida, depois de ver as pessoas me aplaudindo.”

“E o que o senhor disse?”

"Me sinto orgulhoso em ter vivido e lutado por este time. A gente trabalha a vida toda para ter o reconhecimento que eu tenho aqui dentro. A Ferroviária significa minha vida".

“Puxa...”

“Não faça essa cara de choro. No jogo em comemoração ao busto, a Ferroviária ganhou de três a zero do Corinthians.”

“Até a sua estátua ganha dos grandes.”

“Não exagere, não exagere. Fui só mais um vagão desta grande locomotiva que é a Ferroviária. Piuiiiiii!”

 

 

Por Torero às 08h11

08/05/2010

Se...

 
 

Se...

Olá, Torero. Boa tarde.

Boas ideias devem ser sempre louvadas. Parabéns a Lino e Cláudio Porto pelos belos textos da série "Se...". Como isso aguça o nosso imaginário! Queria dar minha contribuição a esta série.

 SE...

Por JAIME BELMIRO*

 

Pouco se dá atenção aos jogos de decisão do 3º lugar nas Copas do Mundo. Talvez pelo anti-clímax e pela chance perdida de ir a uma final, há uma certa ressaca e parece que o jogo perde até mesmo em seriedade. Já imaginou, no entanto, se os resultados das semifinais fossem invertidos? Teríamos sensacionais finais de Copa e a história do futebol seria completamente diferente, como veremos a seguir:

1930 - Uruguai
Estados Unidos e Iugoslávia fazem a grande final. Os americanos viajaram 28 dias de navio para chegarem às terras charrúas e os iugoslavos, então, 45 dias. Todo esforço está recompensado! Os times entram em campo para a grande final! Ouvem seus hinos, recebem as palmas e, no momento de trocarem cumprimentos, veem que possuem cores semelhantes em seus uniformes, bandeiras e flâmulas. Estão felizes e cansados demais para jogarem por uma Copa. Embevecidos de grande amor, decidem dividir o título daquela primeira Copa do Mundo. A Taça Jules Rimet ficaria dois anos em cada país. Os torcedores que pagaram o ingresso ficam furiosos e vão para casa desolados. São ressarcidos após dezoito meses, sem reajuste. Após este incidente, Copa na América do Sul, só após 20 anos.

1934 - Itália
Na final, Alemanha e Áustria duelam ferozmente pelo título. Só carrinhos por trás e gritos na língua germânica em campo. Os torcedores italianos se cansam e vão embora. A partida foi encerrada aos 20 minutos e a Alemanha foi declarada campeã pelo critério da ordem alfabética.

1938 - França
Quem disse que o Brasil não foi campeão na França? Em 38, o Brasil é o primeiro campeão da América do Sul após destroçar a Suécia, com gol de bicicleta de Leônidas, o artilheiro daquela Copa.

1950 - Brasil
O Brasil fez feio em casa e não conseguiu defender seu título da Copa anterior. Ficou em último no quadrangular final e ainda viu a Suécia vingar-se da derrota na Copa anterior, conquistando o título dentro do nosso quintal e debaixo de nosso nariz.

1954 - Suíça
A Áustria chega a sua segunda final de Copa um pouco mais aliviada, pois se o critério de desempate for o mesmo da Copa de 34, teria larga vantagem sobre o Uruguai, notório frequentador do fundão do alfabeto. Sem essa pressão seu jogo flui e, apesar de ter três jogadores expulsos, vence o Uruguai por 3x1, com dois gols de carrinho e um de canela... sangrando.

1958 - Suécia
Tomados de inveja pela Áustria, os alemães chegam à final contra a França. No entanto, o escrete gaulês é melhor: massacrou o time de Pelé, Garrincha, Vavá, Didi e Djalma Santos nas semifinais, já que tinha um atacante que valia por todos esses jogadores medianos citados: Just Fontaine. A vitória da França na final contra a Alemanha foi na base do três vira, três acaba: 6x3.

1962 - Chile
Euforia em Santiago: o Chile vence a Iugoslávia na final torna-se o segundo sul-americano a conquistar a Copa e o primeiro país a ganhá-la em seus próprios domínios. Memorável a semifinal contra o Brasil em que a torcida chilena gritava "Olé" a cada drible do lateral Eladio Rojas no lento atacante brasileiro Garrincha que, após ser tão driblado, acabou ficando com as pernas tortas.

1966 - Inglaterra
Com um futebol vistoso e com a atuação acima da média do melhor jogador de todos os tempos, Eusébio, Portugal conquista sua primeira e única Copa do mundo contra a União Soviética, vazando por duas vezes a meta do grande goleiro Yashin, o Aranha Negra. O Brasil sente-se prejudicado, já que sua maior esperança, Pelé, se machuca no jogo contra os portugueses. Falta de sorte de um jogador limitado tecnicamente, porém esforçado.

1970 - México
A Alemanha é a primeira bi-campeã mundial depois de vencer o Uruguai, o primeiro bi-vice-campeão mundial por um solitário gol. A seleção do Brasil, que caiu nas semifinais, ficou eternamente conhecida por seu futebol mágico, mas que não era vencedor. Saudades de 38...

1974 - Alemanha
Os países do leste europeu finalmente puderam celebrar a conquista legítima e incontestável de uma Copa do Mundo - a Copa de 30, vencida pela Iugoslávia foi dividida com os Estados Unidas, etc e tal. E a honra coube à seleção polonesa, que frustrou os brasileiros ao vencerem a finalíssima por 1x0. Os jogadores verde-amarelos estavam meio sonolentos em campo. Cogitou-se um complô para que a Polônia vencesse. Foi aberta uma CPI.

1978 - Argentina
Mordido pelo último vice-campeonato e sem querer ouvir falar em Polônia, um Brasil todo desconfigurado e sem a confiança da torcida consegue o impossível: depois de 40 anos, ganha sua segunda Copa do Mundo, vencendo a temida Itália por 2x1. O gol do título marcado por Nelinho é, segundo o próprio, uma homenagem a Garrincha. "A trajetória curva da bola é uma lembranças às pernas tortas de Mané", diz. Quanto à Polônia, os brasileiros fazem piada dizendo que é mais fácil aparecer um papa polonês do que a Polônia ganhar outra Copa. No fim de 78, o polonês Karol Wojtyla é escolhido papa.

1982 - Espanha
Na final contra a França, Polônia bi-campeã mundial, óbvio. Vide 1978.

1986 - México
Michel Platini comanda a França na conquista de seu bi-campeonato. A final, contra a Bélgica foi tensa. Os belgas saíram na frente, os franceses viraram e os belgas empataram a quinze minutos do fim. Na prorrogação, mais dois gols gauleses e festa para os Bleus.

1990 - Itália
"Barba, capelli e baffi" ou barba, cabelo e bigode foi o que a Itália fez em 1990. Foi a sede, foi a campeã e fez o artilheiro da Copa, Salvatore Schillaci. Os ingleses, que haviam chegado à primeira vez à finalíssima estão ouvindo a tarantella até hoje.

1994 - Estados Unidos
Foi uma final antecipada: depois de ser bombardeada durante 89 minutos, a Suécia se segurou e fez 1x0 no derradeiro minuto da semifinal contra o favorito Brasil e credenciou-se à final, contra a surpresa da Copa, a Bulgária. Na final mais fácil de todas as edições 4x0 para a Suécia de Brolin, Larsson e Dahlin.

1998 - França
Pode uma seleção estreante vencer um mundial? Sim, ainda mais se na semifinal houver batido a anfitriã da Copa e se essa anfitriã se chamar França, bi-campeã mundial. A Croácia, recém independente da Iugoslávia esbanjou talento na final contra a Holanda e tornou-se campeã mundia logo em sua estreia.

2002 - Coreia do Sul e Japão
Na primeira Copa sediada por dois países, Turquia e Coreia do Sul fizeram uma final de arrepiar: Os turcos abriram o placar antes de virar o primeiro minuto e estavam vencendo tranquilamente por 3x1 até o finzinho quando a Coreia diminuiu, aos 48 do segundo tempo. O estádio se inflamou, mas logo se cicatrizou, já que o apito final deu o primeiro título à Turquia.

2006 - Alemanha
Se no sábado tivemos um jogo insosso, com Itália e França decidindo o 3º lugar nos pênaltis e com Zidane fazendo o maior papelão, no domingo Alemanha e Portugal protagonizaram mais um capítulo emocionante na história do futebol mundial. Com sua disciplina tática exemplar, os germânicos impuseram seu jogo. O técnico Jürgen Klinsmann deu um verdadeiro nó tático em seu adversário, Felipão, que comandava o elenco português. A vitória por 3x1 consolidou a Alemanha como a maior potência mundial de todos os tempos no futebol. Michael Ballack ergue a Taça Jules Rimet que fica definitivamente em poder dos alemães, pela conquista do tri-campeonato.


*Jaime Belmiro é analista de sistemas e torcedor do Brasil até julho. Depois volta a torcer para o Guarani.

 

Por Torero às 18h55

07/05/2010

Dungoteca

A grande pergunta destes dias não é qual o sentido da vida ou o que há depois da morte, mas esta: Qual será a seleção de Dunga?

Ele convocará os dois garotos do Santos? Chamará Ronaldinho Gaúcho? Perdoará os desandos de Adriano?

Teremos a resposta apenas nesta segunda-feira. Mas podemos arriscar uns palpites. O meu é este aqui:

Goleiros: Júlio Cesar, Doni e Victor. 
 
Zagueiros: Juan, Lúcio, Luisão e Thiago Silva. 
 
Lateral-esquerda: Michel Bastos e Gilberto.  
 
Lateral-direita: Maicon e Daniel Alves.
 
Volantes: Gilberto Silva, Felipe Melo, Kléberson e Ramires.
 
Meias: Elano, Kaká, Julio Baptista e Paulo Henrique Ganso. 

Atacantes: Robinho, Luís Fabiano, Nilmar e Adriano. 

Alguns nomes para confundir: Gomes, Léo Moura, Miranda, Alex Silva , Alex, Roberto Carlos, André Santos, Maxwell, Juan, Hernanes, Josué, Ronaldinho Gaúcho, Alex, Diego Souza, Cleiton Xavier, Neymar, Grafite, Tardelli e Thiago.   

Mande aí os 23 que você acha que Dunga vai escalar. O primeiro que acertar os 23 ganha este livro aqui:

E, para que não me chamem de covarde, vai aí  minha seleção:

Goleiros: Júlio César, Gomes e Victor.

Zagueiros: Juan, Lúcio, Luisão e Miranda.

Lateral-esquerda: Michel Bastos e Marcelo.

Lateral-direita: Maicon e Daniel Alves.

Volantes: Gilberto Silva, Elano, Hernanes e Ramires.

Meias: Kaká, Julio Baptista, Ronaldinho e Paulo Henrique Ganso.

Atacantes: Robinho, Luís Fabiano, Nilmar e Neymar.

 

Se quiser, mande também a sua. Ou, para simplificar a leitura, pode dizer só qual a diferença da sua em relação à minha. Mas deixe claro qual é o seu voto na Dungoteca e qual é a sua seleção ideal.

 

Por Torero às 09h30

06/05/2010

Choro

 
 

Choro

Oi, Torero!

Sobre a noite de tantos tipos de choros, escrevi esse poema.

Choro

Cássio Corrêa
http://etambemfutebol.wordpress.com/

Chora, garota solitária.

Não era jogo, era sonho.

Sonho não se perde, se adia.

Levanta, limpa o olho borrado.

Pega o brasão na camisa, balança e diz continua!

Quando chegar em casa, chora o resto:

O choro privado da decepção coletiva.

 

Chora, menino deslumbrado!

Chora o carrossel que você pode brincar.

A alegria de ver uma bola reconstruindo

A beleza que não há na vida normal.

Chora de ver um jogo

Justiçando o cinza

Do céu do cotidiano:

O gol é arco-íris!

Chora, homem carrancudo.

Chora a traição que sofre o traidor.

Judas de Judas, chora o hostil

que sofre o hostil.

Chora o choro roteirizado

Escrito em 3 vias e registrado em cartório.

O choro pré-chorado

De um filme B romanticóide.

Mas, desculpa homem:

O choro precisa de empatia

Pra me fazer chorar também.

O teu choro…não acredito.

 

Chora o choro bom já chorado 5 vezes choro!

Chora o choro ruim já chorado 5 vezes choro

(mas diz que chora melhor quem chora 6 vezes…)

 

Chora a cara do teu colega hoje pela manhã.

Chora todas as piadas ditas um milhão de vezes

Desde que foram paridas

Pela produtivíssima fábrica da gozação futebolística -

Na urgência do ontem à noite.

 

Chorem, goleiros.

Um, buscando a bola,

Peixe morto na rede da decepção.

Outro, sentindo na mão espalmada

O ricocheteio da bola

Que foge das fronteiras

Da sua nação feita de ferro, barbante, cal e grama -

Microcosmo de milhares de dedos cruzados

E corações pausados.

 

Chora de alegria ao entrar no estádio

E ver aquilo tudo:

Que faz a voz sumir, virar soluço e acabar grito.

 

Chora, alegria ou desnorteio.

Chora, raiva e delírio.

Chora sabendo que é assim mesmo.

Chora, torcedor.

 

Chora, que o choro

É a poesia que escorre da gente

E explica

Tudo que é o futebol.

 

Por Torero às 18h44

Torcedores de quinta

O torcedor mais alegre desta quinta é o do rubro-negro pernambucano, que é nada menos do que pentacampeão. Penta! E pensar que no começo da década o Sport estava em baixa, numa tremenda crise... Nada como um trabalho razoavelmente sério para reerguer um clube.

Já o torcedor mais triste é o palmeirense. Perder nos pênaltis é sempre triste. É chegar muito perto de seu objetivo e perdê-lo por um triz. Já o do Atlético Goianiense deve estar exultante. O clube vem de numa escalada espetacular. Em 2010 ganhou o estadual e está nas semis da Copa do Brasil. Em 2009 foi bem na Série B e subiu para a A. E em 2008 foi o campeão da Série C. É a nova força do estado, deixando Vila Nova e Goiás para trás.

O vascaíno também amanhecerá chutando latinhas. O Vasco venceu o Vitória por 3 a 1, mas perdeu na soma dos resultados. O time baiano fará a semifinal com o goiano, garantindo um clube de fora do Sul Maravilha na final da Copa do Brasil.

Os corintianos que tinham alguma propensão à calvície devem estar carecas. E os que não tinham, também, pois foi um jogo de arrancar os cabelos. É que Corinthians e Flamengo fizeram um jogo dramático, que passou pelos três resultados possíveis. Explico: Primeiro, o Corinthians vencia por um a zero, o que daria um empate com o Flamengo, levando o jogo para os pênaltis. Depois, vencia por 2 a 0, o que lhe daria a classificação direta. Mas aí o Flamengo fez um gol e a vitória corintiana por 2 a 1 acabou sendo uma derrota. O principal sonho do centenário estava desfeito. E, no duelo entre Adriano e Ronaldo, o vencedor foi Vágner Love.

Na Vila, o confronto foi entre Luxemburgo e Dorival, com vantagem para o segundo. O Santos dominou o jogo, teve mais chances e venceu por 3 a 1 sem grandes sustos. O gol de Edu Dracena, no finzinho do jogo anterior, acabou sendo decisivo.

O cruzeirense talvez tenha até bocejado durante a partida de ontem, já que seu time passou fácil e entra como favorito contra o São Paulo na próxima fase da Libertadores.

E o torcedor do Grêmio deve até ter tirado uma soneca, já que o tricolor gaúcho passou pelo carioca com sobras, vencendo as duas partidas. Hoje ele estará mais tenso, torcendo contra o Internacional, que precisa de uma grande vitória para passar à fase seguinte da Libertadores.

Quanto ao torcedor da seleção, ou seja, todos os brasileiros, este fica à espera da convocação de Dunga. Será que ele chamará ao menos mais um jogador de talento? Convocará Ronaldinho Gaúcho ou Ganso ou Neymar? Eu acho que um dos três deve entrar em sua lista. Dunga até agora se mostrou lógico, coerente, e precisa de mais um jogador criativo. Eu apostaria em Ganso. Veremos.

Por Torero às 07h26

Eu seco, tu secas, nós secamos.

 
 

Eu seco, tu secas, nós secamos.

Caro Torero, hoje tomei a liberdade de te mandar um pequeno texto meu após os resultados futebolísticos desta noite.

um forte abraço, Marcelo Vianna

 

Melhor torcer ou secar?                   

por  Marcelo Tavares Vianna


Acordei cedo para trocar meu filho pequeno, preocupado por ele ter dormido sem fraldas. Por sorte a cama estava seca.

Fui tomar o café da manhã, mas a caixa de leite estava seca, então tomei café puro..

Quando tentei ligar o carro, percebi que o tanque estava seco. Peguei um táxi.

A manhã toda trabalhei, e pedi à minha esposa para dar um jeito de comprar gasolina e colocar no meu carro e ela respondeu, num tom seco: - Pode deixar...

Voltando para casa percebi que, apesar da previsão do tempo ser de chuva, fazia um dia seco.

Quando fui lavar as mãos para o almoço, não tinha água, e, quando fui reclamar, veio minha esposa: - A caixa está seca... faltou água na rua hoje.

Cheio de raiva, dei um soco na pia, que fez um baque seco: BUM!

A tarde passou  em câmera lenta... e eu seco pra ir pra casa, tomar um golinho e assistir ao futebol.

Engolindo em seco, percebi que  chegaria tarde em casa, e ainda por cima ao chegar, quem abriu a porta foi minha sogra, já esticando uma mão magra e seca...

No jantar, veio uma carne assada, meio seca. Segundo minha esposa, culpa do meu atraso.

Não gosto de vinhos doces, então abri um bem seco.

De sobremesa, uns figos secos.

Então, finalmente, sentar em frente à TV e assistir ao futebol. Mas não antes de ligar a máquina de secar e dar ração seca ao cachorro.

Primeiro jogo, Palmeiras e Atlético  Goianiense. E eu secando desde o início.

Pra fazer um resumo seco:  o Palmeiras perdeu 2 vezes apesar de são Marcos e bye-bye CB.

Dei uma risadinha seca e me preparei para o segundo jogo: Corinthians e Flamengo.

Jogo pegado, cheio de dribles secos, faltas secas e chutes secos. Os torcedores, nervosos, com a garganta seca...

No primeiro tempo, o Corinthians abre 2 a 0 e a maior torcida do Brasil, adicionada de são-paulinos, palmeirenses e santistas com a boca seca... e eu ainda pedindo ä minha esposa para desligar o secador de cabelo...

Fui tomar um banho no intervalo para não ter que rever os gols e ainda estava me secando quando escutei  o grito de gol lá na sala... de quem será? 

Como sou paulista e não ouvi os estampidos secos dos fogos, calculei que era do Flamengo e não foi diferente, 2 a 1 e  um jogo tenso até o fim. Ninguém piscava, os olhos secos...

Para todos. Para os flamenguistas, corintianos e policiais, imaginando que poderiam se repetir os atos bárbaros de 2006. Mas graças a Deus não foi assim...

Vou dormir contente, mas antes te deixo a pergunta:

Melhor torcer ou secar??

 

Por Torero às 07h21

Vencedor da Toreroteca

Mais de um leitor acertou quem faria e quando seria feito o centésimo gol do Santos (ou centésimo-segundo). Mas o sortudo, o Zé Cabala que primeiro previu o gol de Neymar aos 31' do primeiro tempo, foi André Dantas. Mande aí seu endereço, André.

Por Torero às 00h14

05/05/2010

Roubado ou não, eis a questão

 
 

Roubado ou não, eis a questão

(Igor Pasqueta dá uma resposta ao texto "O Santos ganhou roubado")

Caro Torero, após ver vários comentários em seu blog e ler o texto, muito bem redigido, diga-se de passagem, pelo leitor, tenho que concordar, o Santos realmente roubou tudo aquilo que por ele foi dito. Porém, numa reflexão mais profunda de minha parte, notei que o Santos, além de roubar, foi bastante roubado também nessa final, ainda que por pouco tempo.

Ainda que por pouco tempo, o Santo André roubou toda a confiança e convicção da torcida santista.

Roubou os sorrisos sarcásticos do rosto de Neymar.

Roubou o significado e o sentido de todas aquelas coreografias.

Roubou toda a lúcidez que Dorival Jr. sempre demonstrou.

Roubou, também em virtude das cincunstâncias do jogo, o futebol ofensivo e vistoso do Santos, que precisou recorrer a retranca nos minutos finais.

Roubou, acima de tudo, a idéia que muitos tinham de que o Santos era um time imbatível.

Grande abraço, Igão.

Por Torero às 18h07

Links legais

1-) Esta semana o blog do Zé Renato vai publicar curiosidades da história das campanhas dos times que disputam as quartas de final da Copa do Brasil: http://joserenato.midiasemmedia.com.br/

2-) Aqui, imagens da Seleção Brasileira Master, aquela do Luciano do Vale, na vitória de 5 a 0 sobre a Holanda, na Copa Zico de 1990: http://www.youtube.com/watch?v=QInv5eVD8eg

3-) E aqui a mesma seleção ganha por 3 a 0 da Itália, ainda na Copa Zico: http://www.youtube.com/watch?v=lNuTWFbiq4A

Por Torero às 03h54

04/05/2010

O Santos ganhou roubado!

 
 

O Santos ganhou roubado!

(Por conta do erro da auxiliar Maria Elisa, que realmente resultou na anulação de um gol legal, o leitor Armando Alves me enviou o seguinte email:)

Torero,
 
Durante o dia de ontem, segunda-feira após o título do Paulistão 2010, ouvi tanta gente dizer que o Santos ganhou roubado que decidi refletir sobre o assunto.
 
Cheguei a conclusão que todos tinham razão... o Santos ganhou roubado!
 
Roubou a dignidade das defesas adversárias!
 
Roubou os argumentos em favor do futebol pragmático!
 
Roubou a atenção do "trio de ferro" da capital paulista!
 
Roubou o palco do Jô Soares! E do Bem Amigos também!
 
Roubou espaço na mídia!
 
Roubou admiradores!
 
Roubou o ar dos locutores quem cansaram de gritar gol!
 
Roubou o pessimismo daqueles que no início do ano não acreditavam neste time!
 
Roubou a coreografias de artistas famosos! E de outros nem tão famosos assim...
 
Roubou as críticas daqueles que diziam que os garotos tremeriam!
 
E por fim, roubou a convicção de que Dunga não proporcionará surpresas na lista de convocados à Copa!
 
Agora sim! Estou convencido de que este título foi, de fato, roubado!

um abração, Armando Alves.

Por Torero às 18h20

03/05/2010

O duelo final

Muitas bandeiras brancas e algumas azuis estavam penduradas nas casas de Paulistão City. Era um belo espetáculo. Pena que Ray Wonder, o cego da cidade, não via a festa.

Não via, mas ouvia.

Sentado à porta do Pacaembu Saloon, ele podia escutar as bocas que riam e cantavam, que bebiam cerveja e contavam vantagem. 

Era dia de duelo final.

Saint Andrew e Billy, the Fish, os dois melhores caubóis de Paulistão City, os dois que tinham melhor pontaria, os dois mais valentes, lutariam até a morte.

Ray Wonder soube que era o dia do duelo final quando passou em frente ao cemitério e ouviu a pá do coveiro cavando a décima-nona sepultura.

Chegando ao Pacaembu Saloon, o cego sentiu um arrepio ao ouvir as palmas quando Billy exibiu seu mítico revólver Giovanni, um estremecimento ao escutar os acordes do Hino Nacional, um calafrio ao perceber que o apito do juiz dava início ao combate.

Billy tirou seus óculos, estendeu a mão para Andrew e disse: “Que vença o me...”

Mas nem acabou a frase, pois Andrew, em vez de estender-lhe a mão, sacou sua arma e respondeu-lhe com um balaço certeiro.

“Bang!”

Em poucos segundos de luta, Billy já estava sangrando.

O caubói alvinegro poderia se assustar, esmorecer, desistir. Mas não. Os bravos não se intimidam com o primeiro golpe, e ele partiu para cima de Andrew, em busca de vingança. E ela não demorou a chegar.

Aos sete minutos, numa combinação de seu rifle Little Robin com sua pistola Neymar, ele driblou as defesas de Saint Andrew e alvejou-o.

“Bang!”

O caubói alviceleste poderia recuar, fugir, desistir.  Mas não. Os bravos não partem ao primeiro revés.

Saint Andrew voltou a atacar e, com 20 minutos de duelo, acertava seu oponente mais uma vez.

“Bang!”

Novamente tudo parecia perdido para Billy. Ele poderia chorar, debulhar-se, cair em pranto, mas os bravos não derramam lágrimas, e sim gotas de suor.

Mais uma vez ele partiu para cima de Andrew, e mais uma vez acertou o seu inimigo. Mais uma vez com sua pistola Neymar, só que agora numa brilhante combinação com sua Ganso Gun.

“Bang!”

Saint Andrew estava em apuros de novo. Ele poderia morder-se de raiva e dar socos na parede, mas os bravos não desperdiçam sua força em bobagens. Eles a concentram no inimigo.

E mais uma vez tenho que usar a expressão mais uma vez, pois mais uma vez Andrew acertou Billy.

“Bang!”

E, desta feita, faltando apenas um minuto para que os dois parassem para tomar um pouco d’água.

A tensão pairava no ar. Ray Wonder podia ouvir as moscas voando, tal o silêncio que imperava.

Se Billy, the Fish, tomasse mais um tiro, a estrela dourada iria para Saint Andrew. E, para piorar a situação, ele havia perdido duas de suas armas mais experimentadas.

Quando começaram os últimos quarenta e cinco minutos do duelo, Ray Wonder podia escutar os corações dos fãs de Billy, the Fish, batendo rápido, tensos. Mas logo este som foi substituído por gritos de incentivo e hinos de luta. E, quando Saint Andrew partia para o ataque, os fishistas soltavam tantos apupos e assobios que o caubói do ABC acabava errando seus disparos.

Diz um ditado do Velho Oeste (ou, no caso, Sudeste) que o que está ruim sempre pode ficar pior. E foi o que se deu com Billy. Ele perdeu mais uma arma, sua garrucha Brum. E depois viu que estava sem munição. Havia perdido sua pistola Neymar, seu rifle Little Robin e sua André Colt.

As balas zuniam em seus ouvidos. Uma chegou a bater na trave que estava atrás dele.

Já sem munição, Billy tinha que se esquivar dos projéteis inimigos. Uma das balas até tinha endereço certo, mas bateu no colete Arouca de Billy e não lhe furou a pele. Sua única saída era fazer malabarismos com sua Ganso Gun, com o que Saint Andrew ficava tão abismado que até se esquecia de atirar.

Os segundos pareciam minutos; os minutos, séculos. A cada tiro que não alvejava o corpo de Billy, Ray Wonder ouvia suspiros de alívio.

E, depois de escutar o apito final do juiz, ouviu o corpo de Andrew tombando e um imenso “ufa!” coletivo.

Depois de alguns segundos, escutou gritos de alegria e urros de felicidade. Ouviu músicas de vitória e beijos numa taça.

Se tivesse ouvidos mágicos, Ray Wonder escutaria ao longe as marteladas do escultor de lápides escrevendo o nome do bravo Saint Andrew.

E escutaria o ferreiro traçando com rapidez o nome de Billy na estrela dourada.

Pois Billy, the Fish, agora é Billy, o Xerife.

 

 Fim

 

PS: Os desenhos são de André Bernardino.

PPS: Para ler um texto de Marcus Batista sobre Paulo Henrique Ganso, clique aqui.

Por Torero às 00h48

02/05/2010

E se Pelé não tivesse existido?

 
 

E se Pelé não tivesse existido?

(Os irmãos Lino e Cláudio Porto mandam mais um texto da série "Se...". Desta vez, algo monstruoso, um pesadelo terrível)

Texto de Lino e Cláudio Porto

Se Pelé não tivesse existido...

* Em 1958 o Brasil conquistaria a sua primeira Copa do Mundo graças a Garrincha e a um jovem craque de apenas 19 anos chamado Mazzola, que depois brilharia no Palmeiras como um dos maiores jogadores do futebol paulista de todos os tempos. Ele Iria contundir-se durante a copa de 62 e seria normalmente substituído por Amarildo.

* Garrincha seria caçado nos gramados ingleses em 1966. Ao final desta copa (ele se recusaria a jogar a de 1970) daria início a uma série de despedidas dos gramados. Primeiro pela seleção, quando o povo gritou “fica! fica!”. Depois no Botafogo, quando se ajoelhou no meio de campo. Outra no New York Cosmos, seu último clube, além de alguns jogos beneficentes, para depois tornar-se, sem sucesso, comentarista de TV em copas, garoto propaganda de vitamina, ministro e distribuidor de autógrafos pelo planeta afora. Mané seria o brasileiro mais conhecido no mundo e motivo de orgulho para todos nós, mas muitos não iriam gostar dele pelo fato de não ter reconhecido uma de suas incontáveis filhas.

* Em 1970, apesar das dificuldades, o Brasil seria tri no México com um ataque até hoje inesquecível: Clodoaldo, Gérson, Rivelino, Jairzinho, Tostão e Paulo César Caju, que seria o destaque da copa apesar de perder gols incríveis contra Tchecoslováquia, Inglaterra e Uruguai, o que lhe marcaria negativamente a carreira, acusado que seria de “preciosismo”.

* Maradona seria eleito pela FIFA, em duvidosa “eleição” pela Internet, o maior jogador da história. Os holandeses diriam que foi Cruyjff. Os alemães coroariam Beckenbauer. Os italianos acreditariam piamente em Meazza. Cada país elegeria o seu maior jogador do mundo de todos os tempos pela Internet. Nenhum deles, porém, seria comparado ao nosso “Imperador Garrincha”, com 2 títulos em 3 copas.

* Mohammed Ali e Michael Jordan dividiriam o título de “atleta do século”. Boxe e Basquete seriam tão populares no mundo, e também no Brasil, quanto o futebol.

* Entre 1955 e 1973 o Santos conquistaria incríveis 7 títulos paulista, o que mais tarde seria identificado como “a era Pepe”. O ataque daquele esquadrão quase imbatível é recitado por todos os santistas até hoje: Zito, Mengálvio, Dorval, Coutinho, Almir e Pepe. Além dos estaduais, o alvinegro praiano conseguiria um inédito vice da Libertadores em 1963, quando foi roubado na final contra o Boca Juniors. Seria a segunda melhor fase da história do clube, superada apenas pelo timaço de 2002-2004.

* Nos anos 60, o incrível time do Botafogo, bi campeão mundial e tri da Taça Brasil, teve que encerrar abruptamente uma excursão pela África por causa de uma guerra civil em Burkina Faso.

* Pepe se tornaria o maior artilheiro da história santista. Seu gol de número 500 seria marcado de pênalti, no Maracanã, contra o Vasco da Gama, e a vítima seria o já esquecido goleiro Andrada. Não restaria nenhum registro cinematográfico deste feito.

* Em polêmica entrevista nos anos 70, Coutinho afirmaria que paulista não sabe votar e que se Almir soubesse tabelar melhor, aquele Santos teria ido bem mais longe.

* Em 2005 seria lançado o filme “Romário Eterno”, sobre os feitos do baixinho, maior artilheiro do planeta, com inalcançáveis 876 gols. “Pra que mais, ô peixe?!” e “Zagallo calado é poeta” seriam algumas de suas declarações polêmicas. A frase “Vamos cuidar das criancinhas com síndrome de Down”, dita após o celebrado gol de número 500, seria rotulada como demagogia.

* Robinho e Neymar, pela incrível habilidade com a bola, seriam comparados ao genial ponta-esquerda Edu, que brilhou no razoável time do Santos nos anos 70.

* Campeão brasileiro em 1995, o goleiro Edinho agradeceria sua habilidade com as mãos ao seu pai, Édson Nascimento, obscuro jogador do Bauru na década de 50, que, ainda garoto, teria sido reprovado num teste para entrar no Santos...

Por Torero às 07h59

Duas dicas

A primeira foi mandada pelo solerte Al-Chaer, que ontem viu, lá em Goiânia, a primeira sessão do filme "O segredo de seus olhos". Ele manda o link do plano-sequência do estádio: http://www.youtube.com/watch?v=OyozA65_DM0.

E a segunda é para os fanáticos por camisas de futebol. Há uma livraria no Rio de Janeiro, a Folha Seca, especializada em futebol, que está fazendo umas camisas iguais às da Copa de 1962. Custam 90 reais e têm aquele ar retrô.

Por Torero às 07h48

01/05/2010

ABC antes da hora

 
 

ABC pré

(um otimista santista mandou-me um ABC sobre a possível conquista de hoje. Vou publicar alguns trechos, mas, caso aconteça um Pacaembazzo, vocês já sabem que a culpa é do...)

Texto de Douglas Aluízio
 
ABC DO CAMPEAO PAULISTA 2.010 ( PREVIEW)

A – Arouca e André. Um dando equilíbrio e dinâmica ao meio de campo, o outro, menos badalado que os demais meninos, mas essencial com sua movimentação e presença de área.

B – Banco de reservas. Aceitaram a reserva sem mágoas, sem estrelismo e coesos. E todos que entraram corresponderam.

C  - Cem gols!

D – Dezoito, número de vezes que o Santos se sagrou campeão paulista.

G – Ganso e Giovanni,  um, o maestro dessa garotada; o outro, de uma geração que trouxe a torcida do Santos de volta aos estádios.

J – Junior. Dorival é sensato, digno e não se vangloria das façanhas que seu time faz dentro de campo.

K – kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk, foi o que mais fiz esse ano............. rir.

L – Léo, apesar da idade, mostrou que continua vibrante, jogando com amor a camisa.

M – Marquinhos e Madson. Um deu equilibrio ao meio de campo. O outro foi o motorzinho dos últimos minutos, entrando e pondo  fogo em quase todos os jogos.

N – Neymar cresceu muito. Mais objetivo, mais incisivo e com uma frieza para definição que poucos jogadores tem.

P – "Pará, Pará, Pará!" Foi o grito de 13.000 éssoas que reconheceram o quanto ele jogou contra o São Paulo na Vila Belmiro.

R – Robinho, sem estrelismo, jogou para o time. Sinceramente, para mim foiuma surpresa.

W – Putz, o W... Conseguimos algo pro W: Wesley, o pulmão desse time.

Y – Yes, we can. Sim, nós podemos jogar futebol, o verdadeiro futebol brasileiro

Z – Zebra. Será o Santos não ser campeão e o Torero não poder postar meu ABC.

 

Por Torero às 00h30

Sobre o autor

Formado em Letras e Jornalismo e quase formado em Cinema, é autor de treze livros (como "O Chalaça"), escreveu roteiros para cinema (como "Pequeno Dicionário Amoroso") e para tevê ("Retrato Falado").

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