Blog do Torero

31/03/2010

Magavilha

 
 

Magavilha

por Bernardo Esteves

Cabelos ralos grisalhos, pequeno óculos de grau, baixa estatura, introvertido e com um ar de tecnocrata. Esse é Felix Magath, treinador do Schalke 04, atual líder do campeonato alemão, e personagem com uma visibilidade na mídia inversamente proporcional a sua competência.

Avesso a sapateadas na beira do gramado, sem o estilo elegante de Roberto Mancini, o carisma de Luiz Felipe Scolari e a ironia de José Mourinho, Magath acumula títulos da Bundesliga sem ser notado pela imprensa mundial. Paradoxalmente, seus laços no futebol estão firmados na metrópole da comunicação alemã, Hamburgo. Com o time local ele venceu a Liga dos Campeões de 1983, como jogador, e iniciou sua carreira de técnico, em 1993. No entanto, somente em 2003 destacou-se na nova função, levando o Stuttgart ao vice-campeonato alemão, feito que chamou a atenção do gigante Bayern de Munique.

Magath foi o escolhido para substituir Ottmar Hitzfeld no time bávaro e, com seu estilo linha-dura que lhe rendeu a alcunha de Saddam, faturou o Campeonato e a Copa da Alemanha nas temporadas de 2005 e 2006. Enfim, cravou seu nome na historia do vencedor futebol germânico, e sem negar a raça:  sempre privilegiou características como força física, jogo aéreo de qualidade e determinação em suas equipes.

Em 2007 o titulo alemão escapou e, como qualquer treinador que não levanta o caneco no Bayern, foi demitido. Transferiu-se para o Wolfsburg, time da Volkswagen que mais parecia uma montadora automotiva, tamanha a sua falta de intimidade com o futebol. E não é que o homem tomou o chope da vitória novamente em 2009, junto com Grafite, Dzeko e companhia. Sim, sobe seus auspícios, o time verde e branco desbancou os rivais, fez do atacante brasileiro o artilheiro do campeonato e alcançou sua maior conquista na historia.

Seduzido por uma proposta irrecusável do Schalke 04, um dos clubes mais ricos do mundo (sim, é verdade), Magath trocou o trabalho consolidado no Wolfsburg pela tarefa de remontar o time de Gelsenkirchen, que conta com uma das torcidas mais fanáticas da Europa. E essa torcida não tem do que reclamar: com a vitória sobre o Leverkusen neste sábado, por 2 a 0, o Schalke assumiu a ponta do campeonato a seis rodadas do final.

O Schalke não e campeão desde 1958 e conta com os brasileiros Kuranyi, Edu, Bordon e Rafinha, prováveis colegas de mais um feito do senhor Magavilha. E, mesmo que não leve, o Schalke e Magath já mostraram do que um bom trabalho e capaz. So falta a seleção alemã e o mundo descobrirem a cabeça por trás deste feito.

 

Por Torero às 08h53

Sete balas e outro cadáver

 
 

Sete balas e outro cadáver

por Nathan Malafaia

(O Nathan esperava que eu fizesse um Paulistão City sobre o clássico do fim de semana. Como não o fiz, ele tomou as rédeas e escreveu ele mesmo como foi o sangrento duelo)

 

Jack Tricolor dirigiu-se ao Pack-in-Bull Saloon, quartel-general de Tim Timão. Todos ficaram paralisados quando os dois caubóis se encararam. Os olhos de Jack faiscavam.
 
- Finalmente nos encontramos de novo – disse Jack. Tim replicou:
 
- Então você realmente quer tomar meu lugar?

- Sim! Esta cidade é pequena demais para nós dois – Jack esboçou um sorriso feroz. – Dançarei sobre seu cadáver!

- Andou tendo aulas com Billy? Parece que tirou de letra... – debochou Tim.

- Tanto quanto você; ao menos, não sujei a estrela de Paulistão City com sangue!

A esta provocação, Tim Timão mostrou porque é o xerife de Paulistão City: sacou seus revólveres Paul Andrew e Little Tooth e disparou, fazendo dois furos no chapéu de Jack, rente às orelhas.

Prosseguindo em sua sanha, alvejou seu oponente com sua pistola 007 (não confundir com a de Big Green) e também com o revólver D-10, arma bastante precisa que pertenceu a Jack em seus dias de xerife.

Mesmo atordoado pelos tiros, o caubói tricolor ainda conseguiu acertar Tim com um disparo de seu Jean Colt (não confundir com Jean Rolt). E foram para o intervalo.

Na volta, como manda o ritual do velho oeste, Tim Timão e Jack Tricolor ficaram de costas um para o outro. O juiz sem nome contou até dez e, ao final da contagem, Jack virou-se e notou, surpreso, que Tim continuava de costas.

- Xerife covarde! Nosso duelo ainda não acabou!

A resposta foi um estampido seco: Timão, com seu rifle Robert Carl, lançou um petardo, abatendo seu inimigo de uma distância enorme. Ao ver que Jack Tricolor não se levantava, Tim voltou caminhando tranquilamente, com um andar meio tcheco, diriam alguns.

Este foi seu grande erro: ao aproximar-se o suficiente, Jack rolou para o lado e, sacando seu South Colt, atirou por duas vezes. Tim, sem seu colete Saint Phillips, que era o segredo de muitas de suas vitórias, estava ferido, sangrando muito. Jack aproximou-se do agora cambaleante xerife.

- Você está acabado! Ah, como é doce a vingança!

Jack, então armado com sua Lollypop Gun, preparou o golpe final, prendendo Tim Timão pelo pescoço com seu braço.

Desnorteado, o xerife buscou por seu Ronald Colt, mas encontrou apenas uma velha garrucha Made in Quixeramobim. Tim não teve dúvidas: golpeou com força a Lollypop Gun apontada para a sua cabeça.

BANG!

Tim Timão pegou seu chapéu com as mãos, observando o furo causado pelo disparo. Atrás dele, jazia Jack, ensangüentado por seu próprio tiro.

- Nunca na história de Paulistão City um xerife lutou tanto por seu povo. Não me derrotarão assim tão facilmente.

Exausto, Tim pediu uma cerveja ao taberneiro do Pack-in-Bull Saloon. Foi quando um garoto esbaforido entrou pela porta, gritando:

- Corra xerife! Billy, the Fish, acaba de alvejar Blue Mount com cinco balas!

Tim correu, sabendo que não poderia permitir que Billy seguisse aniquilando seus adversários. Conseguirá impedi-lo? Ou será que Billy tomará seu posto? Não percam os últimos duelos de Paulistão City!

Por Torero às 08h18

Link: Armando Nogueira

Mais um bom texto sobre o Armando Nogueira. Desta vez, do Fabrício Carpinejar. Clique aqui: http://rolocompressor.zip.net/.

Por Torero às 08h13

30/03/2010

Domingo de empate

 
 

Domingo de empate

Texto de Márcio R. Castro

Nesse domingo, em meio a tantos jogos e campeonatos, um empate me chamou a atenção. Nesse momento, o placar está 3 a 3. Só que o jogo está só começando.

Na pré-temporada, já se vislumbrava um duelo de muito equilíbrio. Quando a disputa começou de verdade, logo o placar foi aberto. Por Felipe Massa.

Esqueça os gramados, as chuteiras coloridas e os gritos de gol. Hoje, o assunto é Fórmula 1. Com uma volta voadora, Massa largava na frente de Alonso na abertura do mundial, fazendo 1 a 0 nesse placar particular. Só que o empate foi imediato: na largada, numa bela manobra por fora, o espanhol ultrapassou o brasileiro, que achou que já havia contido o companheiro e foi se defender de Hamilton, que vinha por dentro. Escolha fatal, que deixou aberto o caminho para a virada do bicampeão. Com a vitória, enquanto Massa terminava em 2º, Alonso fazia 2 a 1.

Massa precisava reagir. Alonso queria abrir vantagem. E o fez (3 a 1), superando seu companheiro para o grid da Austrália, a segunda corrida do ano. Largando em terceiro, com Massa vindo na quinta posição, era tudo que o asturiano precisava para começar a deslanchar, pelo menos nessa disputa interna.

Acabou provando de seu próprio veneno. Com uma largada espetacular, Massa não só o superou como pulou da quinta para a segunda posição, atrás apenas de Vettel. Para piorar, Alonso se enroscou com Button e Schumacher, rodou, e caiu para a última colocação. Com a ultrapassagem de Massa, agora estava 3 a 2.

Mas com chuva, safety-car, grandes pilotos e um traçado que dá possibilidades, nada se define facilmente. Massa sofria com o aquecimento dos pneus, desde os treinos livres, e sua Ferrari não tinha o rendimento esperado. A equipe bobeou, fazendo-o perder posições para Kubica e Rosberg nos boxes. Depois disso, virava como um relógio, no limite e perto do erro, mas não era o suficiente. Webber e Hamilton vinham babando em seu encalço. Massa foi ultrapassado, retomou as posições, perdeu de novo. E Alonso vinha subindo, virando muito rápido, numa fantástica corrida de recuperação.

Logo, era Alonso que estava atrás de Massa, prestes a marcar 4 a 2. Felipe não ia conseguir segurar por muito tempo a posição. Mas segurou. A corrida inteira, para ser mais exato. O brasileiro guiava muito, o espanhol também. Com os pneus desgastados, os dois chegaram a errar e consertar, quase parando no muro ou na brita. Até o fim, Massa permaneceu à frente do companheiro de time, inclusive virando mais rápido do que ele, o que não havia acontecido até então no fim-de-semana. Com a chegada de Hamilton e Weber na briga (com uma parada a mais, os dois ficaram atrás das Ferraris, mas vinham com o rendimento extremamente melhor por conta dos novos pneus), Felipe pode respirar apenas nas voltas finais.

Massa alcançou o pódio, terminando na frente de Alonso. Com isso, o placar agora marca 3 a 3 nessa briga vermelha. Na disputa de formação do grid está 1 a 1. Em posição de corrida, também. Em ultrapassagens entre eles, novo empate.

Analisando apenas a performance dos pilotos em cada etapa, independentemente do resultado, considero que Alonso, se já fosse necessário um desempate, estaria em ligeira vantagem (no Bahrein Alonso fez uma boa corrida e Felipe, ainda que com problemas, apenas mediana. Já na Austrália, os dois fizeram ótimas corridas). Aliás, é o que reflete a classificação do campeonato: como Alonso ganhou uma corrida e Massa não, apesar de ter dois pódios, o espanhol está 4 pontos à frente.

Esse 3 a 3 não vai durar muito tempo. Na Malásia e na sequência do campeonato, essa briga terá novos e novos capítulos. Que certamente serão tingidos de vermelho. Mas não somente nas pinturas dos carros.

Uma grande corrida, vários grandes corredores

Acima, me foquei mais diretamente no embate entre os ferraristas. Mas a corrida da Austrália merece um comentário à parte. Foi simplesmente espetacular, com grandes duelos e ultrapassagens, toques e acidentes, diferentes estratégias e muitas variáveis. Nunca havia visto, numa mesma corrida, tantos pilotos tendo atuações tão destacadas.

Button, Kubica, Massa, Alonso e Hamilton fizeram grandes corridas. Dentro das possibilidades de cada carro, todos eles foram regularmente velozes, inteligentes e combativos. Ousados na pista e na estratégia, se mostraram grandes corredores. Hoje, o dia é deles.

 

Por Torero às 09h12

Link: Armando Nogueira

Ainda não consegui escrever nada sobre o Armando Nogueira. Talvez quinta-feira eu recorra ao sábio Zé Cabala, que sempre sabe o que fazer nestas horas. Enquanto isso, ponho aqui o link para um bom texto de Marcus Vinicius Batista sobre o mestre: http://www.conversasedistracoes.blogspot.com/

 

Por Torero às 09h10

29/03/2010

Ah, BC do phim de C, mana.

Arrasador: O Sport venceu o Santa Cruz por 2 a 0. Há vinte jogos o Leão pernambucano não sabe o que é perder.

 

Bestial!: Termo usado pelos portugueses quando alguma coisa lhes parece impressionante. Por exemplo: “O golo em que Ganso encobriu o guardarredes foi bestial!”

 

Clássicos: Eis algo de que não se pode reclamar no Paulista. Os clássicos têm sido emocionantes e cheios de gols. Se bem que talvez os tricolores não estejam gostando muito dessa história. Perderam os três.

 

Dúvida: Foi um grande chute de Roberto Carlos ou um frango de Rogério Ceni? Fico no duplo.

 

 

 

Espião: Danilo fez gol contra o ex-time e uma bela partida.

 

Fernandinho: Com ele, o São Paulo ganha mais leveza e velocidade, coisa que falta ao time.

 

Galo: O Atlético goleou e se classificou em terceiro lugar. Vai pegar o América nas quartas de finais do Mineiro, o que não é tão simples.

 

Herói: Alex Silva. Pelos menos para os corintianos.

 

Irmãos: Neymar tem 9 gols e é o batedor oficial de pênaltis no Santos, mas, sem se importar com a luta pela artilharia, passou a vez para André (agora, 11 gols), que tinha perdido seu avô. Um detalhezinho besta, mas que mostra que é um time de amigos.

 

 

Juiz: Rodrigo Nunes de Sá foi importante para a vitória do Flamengo sobre o América. Deu um pênalti inexistente e expulsou um americano sem motivo.

 

Líder: Marcos Assunção está muito bem no Prudente. Comanda a equipe com classe, distribui passes com inteligência, acerta belos chutes etc...

 

Marquinhos: Fez dois gols de bola parada e nas últimas partidas têm sido das peças mais importantes no Santos.

 

Ninguém: Ninguém consegue tirar sequer um pontinho do Grêmio há treze partidas. E pensar que tantos pediram a cabeça de Silas.

 

Oportunidade: Bruno Aguiar entrou no lugar de Edu Dracena e foi bem. Pode brigar por um lugar na zaga santista.

 

Perigo: Depois da sexta partida sem vitória, o Inter precisa ganhar na última rodada do Gaúcho para não ficar fora das quartas de finais.

 

Quartel-general: O ex-Barueri trocou de cidade e está se dando bem. Entrou no G-4 vencendo a Portuguesa fora de casa. Aliás, a Portuguesa mais uma vez perdeu uma grande chance.

 

 O jogador corintiano sorri durante a coletiva, depois de marcar mais um gol com sua perna biônica.

 

Roberto Carlos: “Eu voltei...”

 

Se...: Não existe “se” na História. Mas, se o zagueiro são-paulino não botasse a cabeça na bola, hoje as manchetes seriam totalmente diferentes. Estariam falando que os dois times estão com problemas, que provavelmente nenhum deles entrará nas semifinais, etc...

 

Touro: O Sertãozinho, duas rodadas antes do fim, já está de volta à A-2...

 

 O Touro caiu frente ao Botafogo.

 

Ufa!: O Guarani venceu neste fim de semana e conseguiu não cair para a terceira divisão do Paulista. Mas, jogando assim, o time vai sofrer na primeira divisão do Brasileiro.

 

Volta: Rafael Santos falhou em dois gols. Felipe precisa voltar logo. Não tem um reserva à altura.

 

Xi...: O Palmeiras ficará dez dias sem seu principal jogador, Cleiton Xavier. Mar revolto à vista.

 

Zebra: O Mogi está apenas em décimo-segundo lugar, mas venceu os dois líderes do Paulistão.
 

Por Torero às 10h04

25/03/2010

Zé Cabala e o Tijolo Quente

Quando cheguei ao sacrossanto templo de Zé Cabala, aparentemente um sobradinho modesto no Jardim Lambreta, mas na verdade uma basílica onde os impuros encontram exemplo e os desesperados, consolo, encontrei-o no seu quintal, de turbante e sem camisa, com um tijolo na mão. Enquanto isso, Gulliver, seu assistente anão, mexia com o cimento.

“Cheguei numa hora imprópria, supino mestre?”

“Claro que não, caro panegirista dos craques de antanho. Ainda mais se você ajudar a construir meu puxadinho.”

“Eu adoraria, oh, grande guru, mas vim fazer uma entrevista.”

“Trouxe o dízimo?”

“Duzentinhos.”

“Ótimo! Com isso contrato um pedreiro de verdade.”

“Eu não sou um bom pedreiro?”, perguntou Gulliver, ofendido.

“É. Mas quero um quartinho onde eu possa entrar de pé. Vamos lá para dentro, foliculário.”

Mal chegamos à sala do grande orkut das almas e ele botou o tijolo sobre seu turbante. Depois entoou uns mantras (que estranhamente me lembraram um pagode), deu uns giros e finalmente disse:

“Tijolo Quente, ao seu dispor.”

“Tijolo Quente?”

“Era um dos meus apelidos. Por causa dos meus chutes fortes, sabe como é...”

“O seu nome de batismo era...?”

“Ladislau Antônio da Guia. Da família da Guia. Fui tio do Ademir e irmão mais velho do Domingos.”

“Ah, claro, o senhor foi o maior artilheiro da história do Bangu.”

“Eu mesmíssimo. Marquei 217 gols pelo time do meu coração.”

“É um número bem respeitável.”

“Ainda mais se você pensar que eu só fiz 181 jogos oficiais pelo clube. Dá mais de um gol por partida.”

“Nada mal.”

“Eu teria feito mais, só que comecei meio tarde, em 1926, com 21 anos, e parei em 1940.  Naquele tempo tinha menos jogos. Minha média foi de umas quinze partidas por ano.”

“O senhor abriu o caminho para uma família de craques.” 

“Pois é, fora o Domingos e o Ademir, ainda teve mais dois irmãos meus, o Médio e o Luiz Antônio, que jogaram pelo Bangu.”

 Os 4 da Guia participaram de um amistoso em 1929 contra o Sâo Cristóvão. E o Da Guia F.C. ganhou por 2 a 1. Na foto, Médio, Luiz Antonio e Domingos estão em pé. Ladislau, agachado.

“O Bangu foi um time importante naquele tempo, não?”

“Importantíssimo! E tem uma das histórias mais lindas do futebol brasileiro. Ele foi fundado em 1904, por empregados da 'Fábrica Bangu'. Mas, ao contrário de outros clubes de fábricas, onde só jogavam ingleses, os diretores da Bangu deixavam os operários negros participarem da equipe. E em 1906, no primeiro campeonato disputado no Rio, tínhamos dois negros: o goleiro Manoel Maia e o craque Francisco Carregal.”

“E o clube enfrentou muito preconceito?”

“Muitíssimo! Em 1929 apelidaram os nossos jogadores de ‘mulatinhos rosados’. É que nós éramos negros e nossas camisas, depois de algumas lavadas, misturavam as listras vermelhas e brancas.”

“O senhor chegou a ser artilheiro do campeonato carioca?”

“Duas vezes. Em 30 e 35. Mas o meu campeonato favorito foi o de 33.”

 Ladislau é o quarto em pé, da direita para a esquerda.

“Foram campeões?”

“Por antecipação. E ganhando do Fluminense. Fomos os primeiros campeões do futebol profissional carioca. E as comemorações, que maravilha! Tem até uma página importante naquele livro do Mário Filho, 'O Negro no futebol brasileiro'. Você leu?”

“Bem..., para falar a verdade...”

“Que absurdo! É o Casa Grande e Senzala do futebol.”

“Também não li Casa Grande e Senzala inteiro. Mas vou ler, vou ler. Agora, conte o que o Mário Filho escreveu sobre as comemorações daquele campeonato?”

“Escreveu que de noite, na volta dos jogadores para a sede, quanto mais suburbana a estação, mais ela estava cheia de gente. Tinha mais pessoas em Madureira que no Méier, mais em Bento Ribeiro do que em Madureira. É que a festa não era só do Bangu, era de todos os subúrbios, naquela velha rivalidade entre os ‘lá em cima’ e os ‘cá de baixo’. O Bangu era o subúrbio; o Fluminense era a cidade.”

“Bonito, bonito...”

“E a história do Bangu é tão linda que até nosso estádio tem um nome poético. Afinal, quantos estádios você conhece que foram chamados de Proletário?”

“Nenhum.”

“Pois o nosso era o Estádio Proletário. E quem o inaugurou foi o Luís Carlos Prestes, presidente do Partido Comunista. Estranhamente a placa comemorativa que contava isso sumiu em 1964.”

“Mas o estádio tinha um apelido, não?”

“Sim. E até o apelido era poético: Moça Bonita. Povo e mulher num só estádio. Ah, o Bangu...”

Depois de dizer isso, Zé Cabala deu três giros, tirou o tijolo da cabeça e, já com sua voz natural, me perguntou:

“Então, nobre periodista, não quer me ajudar com o meu puxadinho?”

“Eu adoraria, mestre, mas o espírito me ordenou que fosse para casa ler um livro", respondi com alívio.

 

Por Torero às 07h42

24/03/2010

O segredo de seus olhos

Só ontem vi o filme argentino que ganhou o Oscar.

É ótimo.

Realmente eles estão muito melhores em cinema do que em futebol.  A fotografia é inteligente e bela (dois adjetivos que raramente estão na mesma frase), o roteiro não deixa a atenção cair em nenhum instante, os atores são muito bons, a maquiagem é bem feita, a direção de arte tem classe e, além de tudo, há um fantástico plano-sequência de futebol. Fantástico! Nem faço ideia de como o fizeram. 

Se você não viu o filme porque tem alguma raiva nacionalística-futebolística dos argentinos, esqueça e vá assisti-lo.

Vale la pena, boludo.

Por Torero às 17h06

Convite para sábado

O Grupo Literatura e Memória do Futebol (MEMOFUT), em parceria com o Museu do Futebol, está promovendo uma série de reuniões, aos sábados, pela manhã, apresentando a participação do Brasil em Copas do Mundo de Futebol.

Neste sábado, 27 de março, haverá a palestra “A VOLTA POR CIMA (1966/1970)” com IVAN SOTER – Pesquisador e autor de diversos livros sobre a seleção brasileira incluindo a “Enciclopédia da Seleção 1914-2002” e GERALDO AFFONSO MUZZI, Ex-embaixador do Brasil, advogado e autor do livro “O Brasil em todas as 19 Copas do Mundo (1930-2010)”.

 Horário: 10h às 12h.

 Local: Auditório Armando Nogueira -Museu do Futebol – Praça Charles Miller – Estádio do Pacaembu
 

Entrada gratuita
 

Para mais informações sobre eventos do Museu do Futebol, acesse:

Museu do Futebol - www.museudofutebol.org.br       

Telefone: (11) 3664-3848

Por Torero às 07h03

23/03/2010

Rivelino e seu elástico

    

Quem quiser ver (ou rever) um drible chamado elástico, dado por Rivelino (e depois por Zé Sérgio, Ronaldinho Gaúcho, Zidane etc...), clique aqui

 

Por Torero às 09h16

22/03/2010

Abessê do fim de semana

Abuso: A Lusa foi a Monte Azul e goleou o adversário: 4 a 0. 

 

Bucólico: Times com nomes campestres, idílicos, como Monte Azul e Rio Branco, estão na zona de rebaixamento. E Mirassol e Rio Claro também correm risco. Já a Ponte Preta, com seu nome nada ecológico, venceu o Palmeiras (outro verde) e encostou no G-4.

 

Casa: Ultimamente o Palmeiras não pode dizer “lar, doce lar”. Foi a terceira vez no Paulista que o time caiu em sua própria casa. Já perdera para Santo André e São Caetano.


 
Decadência: Situação do Santos. Ganhou de dez do Naviraiense, mas ontem já marcou apenas nove. Tsc, tsc...

 

Empate: Mais uma vez Botafogo e Flamengo empatam. E mais uma vez em 2 a 2.

 

Fortaleza: perdeu por 3 a 1 para o Ceará no clássico estadual. Depois de ganhar o primeiro turno, o tricolor relaxou.

 

Guarani: Com a vitória de ontem sobre o Pão de Açúcar (atual vice-líder), o time de Campinas conseguiu sair da zona de rebaixamento para a série A-3. Mas ainda corre muito perigo. E faltam apenas duas rodadas. Os torcedores do Bugre devem estar sem unhas.

 

Herói: Se o Grêmio Prudente tiver algum torcedor, ele deve erguer um altar para Róbson, que marcou os dois gols na vitória sobre o Corinthians.

 

Inamistoso: O Santos foi a Nova Iorque e tomou de 3 a 1 do time dos Red Bulls. Em vez de tomar um energético, tomou um chocolate.

 

Jonas: O atacante do Grêmio está numa ótima fase, mas o atual artilheiro do Gaúcho é outro “J”: Jéferson, do São José.

 

Liga de Portugal: Na final da Taça, o Benfica ganhou bem do Porto: 3 a 0.

 

Mundo Lance!: Começou neste fim de semana a exposição multimídia sobre a Copa da África do Sul. Funciona de terça a domingo, no Memorial da América Latina, em São Paulo. Custa vinte reais (meia, R$ 10). Fiz uma parede lá.

 

Natação: O acordo entre César Cielo e Corinthians morreu na praia.

 

Olaria: Venceu o Vasco, coisa que não acontecia desde 1971, há quase 40 anos.

 

Público: O Palmeiras teve seu maior público neste Paulista: 17 mil pessoas. E elas viram uma derrota que deve custar a vaga nas semifinais.

 

Quebrado: A Ponte quebrou um tabu de 28 anos sem ganhar do Palmeiras na casa do adversário.

 

Recuperado: depois de quatro meses de molho, André Lima fez os dois gols na vitória do Fluminense sobre o Rezende.

 

Santa Cruz: Ganhou do Náutico por 4 a 2, encerrando um incômodo jejum que vinha  desde 2007. E Brasão, do Santa, fez dois belos gols. Olho nele!

 

Trinta: Número de pontos que o São Paulo alcançou depois da vitória sobre o Mogi. Está bem perto de uma das quatro vagas.

 

Um a zero: Foi de quanto o Botafogo de Ribeirão Preto perdeu para o Paulista, ex-lanterna do campeonato. O ex-time de Sócrates perdeu uma grande chance de entrar na zona de classificação para as semifinais.

 

Veteranos: Evanílson, Euller e Fábio Júnior têm, juntos, mais de cem anos. Os três estão no América de BH. Mas estão longe de serem os mais velhos do time: Wellington Paulo está com 37 anos e o goleiro Flávio completará quatro décadas no fim de 2010. O América está em oitavo lugar no Mineiro e deve ir para a próxima fase.

 

X: Dez em algarismos romanos. Foi o número de gols no jogo Santos x Ituano, uma bela vitória de 9 a 1. E, curiosamente, de virada.

 

Zica: A nova camisa corintiana, aquela que tem uma cruz roxa, não parece dar muita sorte.

Por Torero às 07h29

20/03/2010

Anti-Trouxedores de 2040

 
 

Anti-Trouxedores de 2040

Texto enviado por Cláudio e Lino Porto

2010. Com um gol de mão de Kaká na prorrogação, o Brasil vence a Argentina e é hexacampeão mundial. O craque diz que foi a mão do pastor que lhe guiou. Protestos em todo mundo obrigam a FIFA a reunir-se emergencialmente e aprovar uma série de mudanças no futebol, a começar pelo uso de imagens para ajudar a arbitragem e a proibição dos jogos terminarem empatados, devendo seguir com prorrogação até que saia um vencedor. Também para que os jogos não mais terminem em placares magros como ocorreu na copa da África, se apenas um jogador estiver impedido não será considerado impedimento.  Desde então, os jogos passaram a ter placares elásticos, a violência dentro de campo foi contida e nunca mais os juízes erraram, apesar de o jogo ser interrompido a todo instante para se verificar alguma marcação duvidosa...

2013. Conflito entre torcidas rivais resulta na morte de onze crianças e duas senhoras idosas, espancadas pela organizada “Gaviões da Mancha Roxa Independente e Jovem”. Pressionado pela FIFA em função da Copa de 2014, finalmente o governo resolve agir e modernizar o futebol brasileiro, eliminando de vez a violência dentro e fora dos estádios, os quais se tornaram verdadeiros teatros, luxuosos, confortáveis, cobertos e climatizados, ingresso custando não menos de 200 dólares.

2040. Dois velhos irmãos sentam-se confortavelmente na Arena Hipermultiuso KFC para assistir ao clássico Palmeiras Drugs and Foods contra São Paulo Comércio e Indústria S/A. As poltronas numeradas são sensíveis e adaptam-se com exatidão ao corpo dos senis torcedores. Apesar de lotado, o gentil policial diz aos idosos que, se precisarem de alguma coisa, basta chamá-los pelo botão #2 no braço da poltrona. Os irmãos agradecem e tentam se concentrar no jogo, o qual transcorre normalmente, quase em silêncio e praticamente sem faltas.

- Vai, isso, vai, chuta, chuta, seu merda!

- Uuuuuu...

- Shhhhhh, senta aí vocês dois, senão eu chamo o guarda, diz um jovem torcedor na fila de trás. E nada de palavrões!

- Xi, Cláudio, agora a gente só pode se levantar quando sai gol. E no máximo por 30 segundos...

- Cazzo! Mano, tu não sentes saudades daquele tempo em que a coisa era mais difícil, sempre tinha alguma confusão, briga, xingamento, banheiro sujo, cambista, fila, cerveja, aquelas coisas de antigamente, sabe...?

- É, Lino, às vezes sinto falta, sim. Hoje tá tudo tranqüilo demais pro meu gosto.

- Shhhhhhh, ô vocês dois aí, não sabem que só pode conversar quando o juiz interrompe o jogo pra ver se foi falta ou não?!

- Não falei? Tudo muito educado. Jogo de tênis é mais barulhento do que isso.

- Lembra daquele zero a zero entre Figueirense e Joinville? Teve umas seis expulsões... Nossa, faz oito anos que ninguém vai expulso no futebol e uns dez que não tem um zero a zero. Que saudade dos botinudos.

- Pior é o Figueirense, que nem existe mais. Não resistiu ao crash de 2019, e faliu, junto com um monte de time que não aceitou mudar de nome.

- Pior é o Joinville, que virou Irmãos Schneider Ltda.

- Melhor que o teu Santos, que se manteve “puro” e agora tá na A3 do Litoralzão.

- E o teu Botafogo, que mudou a camisa para azul, verde e branco?!

- Foram aqueles malditos executivos do Pré-Sal que assumiram a massa falida do futebol carioca em 2019. Esses marqueteiros yuppies, com essa porra de “visão do negócio”, transformaram o futebol nessa coisa aí... “civilizada”.

- Bons tempos quando tinha quatro grandes no Rio. Muito triste ver esse tal de Madureira Oil & Gas, time da máfia ucraniana, heptacampeão.

- Shhhhhhh.

- Fale baixo, senão nos prendem sem direito à fiança!

- Por causa desses politicamente corretos, jogador não pode mais nem ter apelido.

- Vai José Ricardo, chuta!

- E nenhum jogo hoje termina com menos de 8 gols. Saio do estádio e nem lembro mais quem fez o primeiro.

- Pelo menos a poltrona é bem mais confortável que o cimento de antes.

- Isso é verdade. Mas lembra aquele Corinthians e Grêmio, que a gente viu de pé, debaixo de chuva? Peguei uma gripe desgraçada, mas foi um jogão.

- Se foi... Um a zero no finzinho. Só depois de uma semana é que o Violino confessou que tinha mesmo empurrado o zagueiro do Grêmio.

- Violino? Não era Violão o nome daquele centroavante do Corinthians?

- Acho que era. E lembra quando a galera gritava “bambi, bambi” pra torcida do antigo São Paulo?

Risos.

- Se a gente fizer isso agora vai preso: a câmara identifica junto com a voz e o engraçadinho pega três meses de cana por causa de uma mísera gozação no estádio.

- Pô, esses dois da terceira idade não estão deixando a gente assistir ao jogo direito.

- Calma aí, o rapaz, isso aqui nem dá pra ser chamado de jogo. Parece mais um concerto de uma sinfônica.

- Se o senhor não se acalmar, vou chamar o guarda.

- Pode chamar, seu babaca.

- O quê? O senhor acaba de me desacatar. Vou processá-lo.

- Processá-lo?! Ah, vão pro inferno, bando de frescos.

- Calma, Cláudio.

- Calma o cacete, isso é jogo de futebol ou é um chá das cinco com ladies inglesas?

- Claro que aqui é futebol, meu senhor. O último chá das 5 deu briga lá na Inglaterra. Aqui faz 10 anos que não dá nenhum incidente, diz o civilizado torcedor, tentando mostrar tranqüilidade.

- Incidente?! Isso é coisa de bichona!

- Oh! Vou mandar prendê-los por insulto homofóbico. Seu guarda, por favor, venha até o setor 55-B!

Muita gente se levanta para observar o princípio de briga.

- Sim, meu cidadão, responde o cordial policial, chegando rapidamente ao local do entrevero.

- Queira por gentileza levar presos esses dois idosos senhores. Eles estão atrapalhando a partida com seus comentários grosseiros. E estão de pé, impedindo a nossa visão do espetáculo.

- Visão do espetáculo... Ah, vai pra puta que te pariu seu babaca sócio-torcedor!

- Meu deus, que absurdo!

- É isso mesmo, seus almofadinhas, e se não gostaram, pode vir que a gente enche vocês de porrada.

As pessoas ficam assustadas. Há tempos que não ouviam provocações em um campo de futebol.

- Os senhores estão presos, diz o polido policial, já pedindo reforço pela inusitada ocorrência.

A confusão perturba o andamento da partida, que é interrompida pelo árbitro.

- Podem vir, mas já avisamos que não vai ter moleza, não, diz Cláudio, com os punhos cerrados.

- É isso aí, quero ver quem que é macho pra segurar a gen..

Mal termina a frase, Lino começa a tossir forte e tem um princípio de enfarto. Cláudio tem uma crise de asma e, com dificuldade para respirar, desmaia. O socorro médico, sempre rápido e eficiente, os leva para o ultramoderno hospital do estádio.

À noite, na InterneTV: “um acontecimento inusitado no clássico paulistano de hoje, que terminou com o placar magro de 5 a 3 para o Comércio e Indústria. Dois velhinhos causaram um princípio de tumulto, logo contido pela sempre eficaz Polícia dos Esportes. Segundo testemunhas, os dois irmãos começaram a conversar sobre os tempos antigos do futebol, irritando os associados que assistiam ao espetáculo esportivo vespertino. Boletim do hospital Hipermultiuso afirma que ambos os idosos passam bem e receberão alta amanhã, mas agora estão proibidos de assistir a jogos de futebol ao vivo”.

- Jogos de futebol... Humpf... resmunga Lino, puxando a manta sobre os pés.

- Cambada de frescos, diz Cláudio, brandindo a bengala.

Por Torero às 12h08

19/03/2010

Como é duro escrever sobre a derrota do próprio time

Quando o juiz apitou o fim do jogo, eu só pude pensar num palavrão.

4 a 3 para o Palmeiras.

Não bastava o Santos ter perdido, e eu ainda teria que escrever sobre isso.
 
Para piorar, não tinha sido uma simples derrota, mas uma derrota sádica. Uma derrota em que nós, os derrotados, várias vezes tivemos esperanças. Falsas esperanças.

O jogo começou com o Santos dominando a partida e logo fez dois a zero. Uma goleada parecia bem possível. Mas no final do primeiro tempo já estava 2 a 2. Mesmo assim, eu achava que o Santos tinha mais time e venceria.

Bah! Qual o quê... Mal começou o segundo tempo e o Palmeiras virou o jogo. Neste instante já comecei a pensar em como seria terrível o meu fim de noite. Viajaria para São Paulo escutando os comentários da derrota pelo rádio. E depois teria que fazer um “Paulistão City” sobre o jogo. Nem dava para mudar de ideia, pois já havia combinado com o ilustrador André Bernardino que este seria o nosso tema, e ele já tinha enviado os três belos desenhos iniciais, que não dependiam do resultado. Quanto aos desenhos seguintes, eu já imaginava o pobre Billy, the Fish, levando tiros, fazendo cara de dor, morto no chão...
 
Mas eis que o Santos fez 3 a 3. Aquilo foi um alívio. Eu teria gosto em falar do empate heróico, da recuperação de um time que parecia fadado à derrota, da ressurreição milagrosa de Billy, the Fish. Na verdade, até comecei a pensar numa possível vitória.

Mas eis que Robert acerta aquele chutaço e tudo vai por água abaixo.

Logo depois o juiz apitou e pensei o palavrão. Não foi um palavrão dirigido a um jogador da defesa santista ou do ataque palmeirense. Foi um palavrão dirigido ao futuro que me aguardava. Eu teria que reviver todos os erros do meu time e todos os acertos do Palmeiras. Cheguei a pensar em fazer um texto sobre os outros jogos da rodada e, no final, dizer apenas: “Houve ainda uma partida na Vila Belmiro, mas não me lembro do resultado”. Seria engraçado e eu me livraria do martírio. Mas havia os desenhos do André. Droga! Não havia como fugir.

Desci as escadas da Vila realmente chateado. Não costumo ficar aborrecido com derrotas, mas aquela, com tantas esperanças vãs, acabou com meu bom humor. Para piorar, havia um clima de injustiça no ar. De onde eu estava, a expulsão de Neymar parecia totalmente injusta. E eu tinha visto claramente a falta de Diego Souza no primeiro gol palestrino.

Na subida da serra peguei um bom congestionamento. E fui ouvindo o jogo do Corinthians. Se ele perdesse, pelo menos eu poderia dizer que foi um dia ruim para os alvinegros. Mas nem isso, ele ganhou. E o São Paulo também. Não me restou nem mesmo aquele consolo de ser um entre vários derrotados. Dos grandes, só o Santos perdera. E a derrota solitária é mais dolorida.

Como cheguei tarde a São Paulo, deixei para fazer o texto na manhã seguinte.

Quando acordei, fui até o bar da esquina para o meu pingado com pão na chapa. Confesso que deste simpático boteco vem boa parte dos meus textos. Finjo que estou concentrando no meu café, mas fico é escutando as conversas. E naquela manhã todos elogiavam o jogo. Isso começou a diminuir meu azedume. Mas mesmo assim eu ainda pensava: “Gostaram do jogo porque não são santistas”.

Em casa, vi o lance de Neymar e percebi que a expulsão não tinha sido injusta. Isso também aliviou a minha raiva. Perder roubado é muito mais triste.

Comecei então a escrever o texto, mas achei tudo ruim. As primeiras linhas estavam chatas, muito parecidas com outros paulistões city. E eu me demorava nesta parte introdutória só para não ter que descrever o jogo.

Foi quando tive uma ideia: peguei os desenhos do André (já tinham chegado todos os sete), coloquei-os em ordem e comecei a escrever a partir deles. Tudo ficou mais fácil. Descrever as cenas clichês da chegada do caubói e de sua entrada no saloon foi divertido, e fazer as quebras destes clichês (como quando Big Green canta Roberto Carlos), mais ainda.

Peguei gosto pelo texto. Ele começou a ficar divertido.

E, quando entrei na descrição do jogo, já estava tão animado que a historinha passou a ser mais importante que a derrota do meu time. Pelo gosto de escrever acabei entendendo melhor o jogo, vendo a partida mais neutramente e aceitando a vitória palmeirense como justa. O importante passou a ser a história da partida, o duelo dos caubóis, as emoções da luta, e não a derrota do Santos.

Segundo o famoso livro da doutora Elizabeth Kubler-Ross “Sobre a morte e o morrer”, passamos por cinco fases quando nos deparamos com a proximidade de nossa morte (no caso, escrever sobre a derrota do próprio time). São elas: negação (que durou até o apito final), raiva (que senti durante a subida para São Paulo), negociação (quando pensei em escrever sobre outro tema), depressão (no café da manhã) e aceitação.

Comigo foi mais ou menos assim. Só quando aceitei a derrota é que consegui escrever.

Ou talvez só quando o prazer de escrever foi maior que o aborrecimento pela vitória é que o texto saiu.

Ou, talvez, só quando segui as ilustrações e Santos e Palmeiras viraram Billy, the Fish, e Big Green é que eu tenha conseguido acabar o meu trabalho.

Provavelmente as três coisas juntas: aceitação da derrota, prazer em escrever e fantasia é que tenham me ajudado a fazer um texto decente, sem rancor.

No final, acho que deu resultado, pois ele recebeu mais de 150 comentários e foi elogiado por palmeirenses e santistas.

De qualquer modo, espero que o Santos nunca mais perca e eu não tenha que passar por isso de novo.  

 

PS: Hoje não teremos toreroteca, mas Lelê, meu sobrinho imaginário, fez uma espécie de leleteca. Para ir para lá, clique aqui.

Por Torero às 08h36

18/03/2010

Convite

É daqui a um mês. Estou avisando antes para vocês marcarem na agenda. E não me venham com desculpas do tipo "Sábado eu acordo meio-dia", "Estou com a perna quebrada" e "Sou um presidiário".

Acorde mais cedo, arranje uma bengala e fuja da cadeia.

 

Por Torero às 23h41

Você decide

Decidido leitor e convicta leitora, eu vos pergunto: Sobre o que devo escrever amanhã? Sobre a rodada do meio de semana ou sobre como é para um cronista escrever sobre a derrota de seu time? 

(Atualização: São 6h45. Falar sobre a derrota ganhou fácil. Dedos à obra!)

Por Torero às 16h01

17/03/2010

Como você comemoraria seu gol?

Vamos trocar de lugar, caro leitor e caríssima leitora. Agora vocês escrevem e eu leio. E gostaria de saber, já que esta é a polêmica do momento, como você comemoraria seu gol? Dançaria, beijaria o chão, beijaria o goleiro, se pensuraria no travessão, abaixaria os calções?

Escreva aí. Digo, aqui.

Por Torero às 18h11

Um convite em sete partes

O quando: este sábado, dia 20 de março, das 10h às 12h.

O onde: Auditório Armando Nogueira -Museu do Futebol – Praça Charles Miller – Estádio do Pacaembu.

Quem: José Renato Santiago e Fracisco Michielin. O primeiro é coordenador do MEMOFUT (um grupo de estudo sobre memória e literatura no futebol) e escreveu “Copas do Mundo, das Eliminatórias ao Título". O segundo é autor do livro "A Primeira Vez do Brasil – Campeão Mundial de 1958”.

O que: Palestra sobre as Copas do Mundo de 1958 e 1962, o período em que o Brasil talvez tenha sido mais feliz em sua história.

O preço: Grátis.

O brinde: Haverá sorteio de livros sobre futebol.

Os contatos: Museu do Futebol - www.museudofutebol.org.br.  Telefone: (11) 3663-3848.

 

Por Torero às 07h09

16/03/2010

Futebolation

Ouvi, vi e li por estes dias várias reclamações contra as comemorações de gols feitas por santistas e palmeirenses.

Alguns disseram que era despropósito, outros que era provocação, alguns outros que era falta de seriedade. E muitos destes alguns, destes outros e destes alguns outros são gente que admiro. Mas discordo. Tentar limitar a comemoração é como botar um bloco de carnaval em fila indiana.

É claro que há um certo despropósito, alguma provocação e falta de seriedade nas comemorações. Mas é por isso que elas são divertidas.

Sejam uma cambalhota, dançar o rebolation (que na verdade nem gosto tanto, pois dancinha de comemoração é uma coisa muito norte-americana), jogar-se na grama, giros ao redor da bandeirinha de escanteio ou socos no ar, as comemorações têm que ser livres.

Vamos deixar os meninos meninarem.

 

Por Torero às 10h17

15/03/2010

Sete balas e um cadáver

 

(ilustrações de André Bernardino)

 

As mulheres entraram em suas casas e as crianças ficaram olhando pelas frestas das janelas quando ele chegou à cidade. 

 

Big Green vinha com desejo de vingança. No ano passado, fora derrotado duas vezes seguidas por Billy, the Fish, nas semifinais de Paulistão City.

E seria uma vingança difícil. Billy era o bambambã da cidade. Estava rápido e ágil como ninguém. Seus revólveres disparavam tantas balas que mais pareciam metralhadoras.

Para piorar, Billy andava com um instinto cruel. Gostava de matar seus adversários com vários tiros. E, sádico, dançava depois de cada um deles. No meio da semana metera dez balas num desconhecido caubói que ousou desafiá-lo e até ficou cansado de tanto sapatear sobre o morto.

Mas os duelos são uma caixinha de surpresas.

Ou, para alguns, um caixão.

 

Sem se intimidar com a fama de Billy, the Fish, Big Green abriu as portas do Belmiro Saloon, dizendo: “Daqui pra frente, tudo vai ser diferente. Você vai aprender a ser gente. O seu orgulho não vale nada. Nada!”.

Os versos são de Roberto Carlos, mas ele os disse com voz de John Wayne.

 

Billy, the Fish, virou-se e os dois trocaram olhares tão gélidos que as cervejas do Belmiro Saloon congelaram.

Então, Billy, abrindo apenas o canto da boca, disse:

“Hoje comerei porco recheado com chumbo.”

“Pois eu comerei sashimi.”

“Sashimi?”, surpreendeu-se Billy. “Isso não é uma metáfora violenta. Nos diálogos de faroeste nossas metáforas têm que ser violentas. Você deveria dizer peixe frito ou algo assim.”

“Prefiro sashimi.”

“Não há japoneses nas histórias de faroeste.”

“Claro que há. Você nunca viu aquela série Kung Fu, com David Carradine?”

“Vi. Mas ele era chinês, não japonês.”

“Bah! Estamos perdendo tempo com estes diálogos inúteis.”

“Concordo”, disse Billy, the Fish, que merecia ser chamado de Billy, the Flash, pois rapidamente deu um salto para o lado e disparou dois tiros em Big Green.

O caubói alviverde caiu com os dois joelhos no chão. Estava ferido. Parecia pedir apenas um tiro de misericórdia.

Mas Billy não deu este tiro. 

Em vez disso, falou: “Foi mais fácil do que eu pensava. Jack Tricolor e Tim Timão me deram mais trabalho”. E depois subiu em cima de uma mesa e pôs-se a dançar.

Este foi seu erro. Aquela dancinha deixou Big Green furioso, e a fúria pode ser uma arma decisiva num duelo. Pode ser melhor que punhos ou facas, que revólveres ou rifles.

Pois eis que Big Green ergueu-se, molhou seu Colt Robert e sua pistola 007 no sangue que brotava de seu peito e disparou: Bam! Bam! Bam!

 

Foi isso mesmo que você escutou. Ou melhor, leu. Big não acertou apenas um, mas três tiros certeiros. Três tiros certeiros no peito de Billy, The Fish.

O caubói caiçara estava ferido no coração e no orgulho. Ele, que sabia ser o melhor caubói de Paulistão City, não poderia ser vencido em seu próprio saloon. 

Billy se levantou e, também com fúria, começou a disparar.

As balas zuniam nos ouvidos de Big, roçavam em suas roupas, mas não o atingiam. Foi quando Billy decidiu tirar de dentro de sua bota a pequena pistola Madson, calibre 1,58. E foi ela que alvejou, ou melhor, avermelhou, o ventre de Big Green. 

 

“Quem ri por último ri melhor”, disse Billy, gargalhando de felicidade.

“Penso o contrário”, falou Big Green.

“O contrário?”

“Sim. Acho que quem chora por último chora mais.”

“Não entendi.”

Big não explicou nada. Em vez disso, disparou um tiro de longe. Um tiraço. Um tirambaço!

BANG!

 

3 a 4. Billy, the, Fish, caiu para não mais levantar.

Aquele que parecia invencível fora vencido em seu próprio saloon.

E aquele que há pouco dias parecia morto, soprou seu Colt Robert, subiu em seu cavalo e foi embora cantando “Daqui pra frente tudo vai ser diferente...”

 

Por Torero às 09h31

Toreroteca

Houve vários quases, mas ninguém acertou a toreroteca.

O Thiago Mendes passou bem perto, pois disse que o gol seria de Robert aos 46’ do segundo tempo.

O Valdemagno acertou o tempo, 44’, mas disse que seria o... Marcos!

E, se o Robert tivesse errado aquele chute, o Edgard Rizzato teria vencido, pois disse que o gol seria “do gigante Madson, 35 do segundo tempo”.

Guardarei o livro para uma próxima toreroteca.

 

PS: No texto principal do UOL sobre o jogo, foram indicados dois tempos diferentes para o gol de Robert: 44' e 41' do segundo tempo. Também não houve nenhum palpite para 41'. 

Por Torero às 09h21

14/03/2010

Sempre aos domingos

 
 

Sempre aos domingos

O texto de hoje é do Filipe de Assis Molina

 

Ai, que saudades


 
Estes dias tive o prazer de fazer algo que há muito tempo desejava, graças ao um especial da ESPN Brasil, assisti na íntegra ao jogo do Brasil contra a Itália, válido pela final da Copa de 70.

A minha vontade era poder comparar a diferença entre o futebol de hoje e antigamente e também ver em campo a melhor seleção de todos os tempos, segundo meu pai.

Em primeiro lugar o time era realmente sensacional. A linha defensiva possui Carlos Alberto, muito bem tecnicamente e fisicamente, e, Piazza que tinha uma ótima saída de bola. O meio campo com Clodoaldo, Gérson e Rivelino era de uma habilidade e técnica fora de série.

E o ataque contava com Jairzinho, que deve ter sido um dos responsáveis por termos hoje jogadores como Neymar e Robinho, Tostão, que foi quem me fez despertar a paixão pela crônica esportiva e ontem descobrir que ele entende tão bem de futebol com os pés como com a mão, e Pelé, acho que este não precisa justificar.

Quando a bola começou a rolar devo admitir que me surpreendi ao ver Pelé errar passes e isolar ao menos duas faltas, nessas a festa foi da torcida mexicana. Porém o que realmente me chamou atenção logo de cara foi o espaço dado no meio campo as duas equipes, vi mais de uma vez jogadores errarem o domínio e mesmo assim contarem com um grande espaço para retomar o pleno controle da bola. Hoje uma pequena adiantada errada e um adversário já aparece para roubá-la.

Se no meio campo o espaço é grande, próximo a área ele acaba. Vi inúmeras faltas violentas que muitas vezes eram advertidas apenas com amarelo. Vale lembrar que os cartões estrearam naquela Copa, por isso, creio que os jogadores reclamavam tanto com a arbitragem e também abusavam de faltas como uma tesoura que Rivelino levou após aplicar um elástico.

Algo que achei incrível é o fato de os jogadores não usarem de piques ou jogadas em alta velocidade. Gérson, que fazia o que queria com seus lançamentos, deu um único pique em todo o jogo e foi justamente para comemorar o gol, do resto conduzia a bola com calma e cadenciava o jogo abusando de invertidas e de lançamentos. O jogador que mais vi arriscar jogadas de velocidade foi o lateral Carlos Alberto, que com uma grande força física já apoiava e voltava para fechar.

E por falar em força física, Pelé merece destaque neste quesito também. Na Copa de 70 o craque estava com 30 anos e esbanjava vitalidade e força sem dever para nenhum jogador de hoje, que contam com melhor estrutura.

Em um geral fiquei com muita vontade de poder me deliciar com os incríveis dribles de Rivelino, a genialidade de Pelé, a habilidade de Jairzinho, os lançamentos de Gérson entre outras maravilhas. Mas não posso esquecer que o futebol atual tem seu valor, principalmente taticamente que a evolução foi muito grande. Tecnicamente ainda temos grandes craques como Zidane que fazia parecer que havia mais espaço no campo como antigamente, além de Messi, Cristiano Ronaldo e Ronaldinho que mostram incrível habilidade.

 

Por Torero às 08h39

13/03/2010

Futebol de salto alto

Você gosta de futebol?

Gosta de ver saias curtas e decotes profundos?

Então eu tenho o passeio perfeito para você amanhã. Ele vai acontecer na Rua João de Barros, na Barra Funda, a partir das 15h30.

É o Futebol de Drags.

O evento já faz parte do calendário da comunidade LGBT (GLS era tão mais simples. Daqui a pouco esta sigla vai ficar quilométrica) de São Paulo e no ano passado, segundo o release, mais de mil pessoas participaram da festa.

Os jogadores serão as Drags mais famosas da cidade. A possível escalação de um dos times é: Alexia Twister; Danny Cowlt, Fátima Fast Food, Gretta Star e Ivana Spears; Lysa Bombom, Michelly Summer e Stripperela; Talessa Top, Thalia Bombinha e Yuri Mix.

 Com uma peruca dessas, até o Madson vira um bom cabeceador.

Por Torero às 07h53

12/03/2010

Supertoreroteca

Esta toreroteca será super.

Não só porque o jogo em questão promete ser emocionante, mas principalmente pelo prêmio.

Lembram do livro "Pelé 70", que foi lançado há algumas semanas? Aquele livro enorme com fotos espetaculares (algumas que eu nunca tinha visto antes)? Aquele livro que tem textos de Michel Laurence, Roberto Muylaert, Pepe, Xico Sá e deste que vos escreve? Aquele livro que todo amante de futebol gostaria de ter na mesa da sala?

Pois bem, ele será o prêmio.

Tenho dois exemplares cá comigo. Um será meu. O outro, do sortudo vencedor desta supertoreroteca. 

E, como os dois exemplares têm capas diferentes, vou até deixar o ganhador escolher qual ele quer receber. Esta:

ou esta:

E o que o leitor precisa acertar para ganhar o livro? Ora, é simples, ele precisa apenas dizer quem será o autor e quando será marcado o último gol do jogo de domingo: Santos e Palmeiras, o clássico paulista dos anos 60.

E desta vez não vale aproximações como na última toreroteca. Tem que acertar o tempo exato. Não, não precisa dizer os segundos, só os minutos. Por exemplo, Neymar, aos 10' do segundo tempo.

Não perca tempo. Vote logo!

(Votação encerrada às 15h48)

 

Por Torero às 08h00

11/03/2010

Dez!

10 x 0! Sim, 10 x 0! Vou escrever com letras para que não fiquem dúvidas: dez a zero!

Que placar de sonhos! De um lado, o zero representando a soberania da defesa, um escudo inquebrantável. De outro, o dez, o número perfeito, que precisa de dois algarismos para ser escrito.

Se fosse onze não seria tão equilibrado. Dez é melhor. É o número de dedos da mão (não, não pense em fazer piadas com o Lula). Se um menino foi à Vila ontem e começou a contar os gols em seus pequenos dedos, ficou maravilhado. Ele abriu as duas mãos, uma em frente a outra, e depois bateu palmas.

É como se o Santos saísse do mundo normal e fosse para o virtual, para a linguagem binária. Um e zero, a reta e o círculo, a síntese de tudo.

E o dez é, como se pode esquecer, o número de Pelé.

É um placar para jamais ser esquecido. Eu, por exemplo, só tinha visto isso uma vez na vida, no jogo entre Venezuela e Iugoslávia, um jogo em Curitiba pelo Torneio Independência do Brasil, em 1972. Eu tinha nove anos, não torcia para nenhum dos times, mas nunca esqueci aquele placar. Ontem, quem esteve na Vila Belmiro terá uma lembrança ainda melhor.

Foram 11 mil pessoas, mas daqui a cinqüenta anos serão centenas de milhares. Assim como todo mundo diz que viu o gol de Pelé na Rua Javari ou suas defesas contra o Grêmio, muitos dirão que estiveram no estádio na noite de ontem. Alguns até acreditarão nisso.

Os invejosos vão dizer que o Naviraiense é um time ruim. Mas ninguém falou isso depois do magro 1 a 0 lá em Campo Grande. E, no ano passado, o Santos foi desclassificado pelo modesto CSA de Alagoas. Ah, os invejosos esquecerão daquele discurso do “não tem mais bobo no futebol” e dirão que trata-se de um time quase amador. Não importa, foi dez a zero. Dez a zero!

E que gols!

Houve o primeiro, de Ganso, depois de uma pedalada de Robinho dentro da área.
O segundo, com o oportunismo de André.
O terceiro, de Neymar, com dribles em velocidade.
O quarto, de Robinho, por cobertura, um golaço.
O quinto, de André, depois de uma falta que Ganso mandou no travessão.
O sexto, de Marquinhos, chutando de fora da área.
O sétimo, de Neymar, que driblou três, depois o goleiro, e mandou para as redes.
O oitavo, de André, depois de uma deixada de Neymar.
O nono, de Madson, tabelando em velocidade.
E o décimo, outra vez de Madson, desta vez de falta.

Foram gols de todos os tipos e para todos os gostos. Aliás, de todos os tipos, não, que não houve nenhum de cabeça. A bola do Santos rola de pé em pé.

E as comemorações? Criativas e felizes. Teve imitação de um videogame de luta, Robinho subiu nos ombros de um companheiro e fingiu estar dirigindo, houve língua de fora e soco no ar. Os garotos estão felizes.

A melhor definição do time veio de um jogador do Naviraiense. Ao fim da partida, ele se confundiu e disse “O Santos é um time fora do sério”, em vez de fora de série. Ele errou mas acertou em cheio. O Santos é um time fora do sério.

Por Torero às 08h20

10/03/2010

Marcos, o santo, o goleiro

Para quem gosta do goleiro Marcos, coloco aqui o link para um bom texto sobre ele, feito por um jornalista que também já esteve entre os três paus (no bom sentido, é claro).

Para ler o texto sobre o goleiro palmeirense, clique no xis: X

Por Torero às 22h31

Carteira de Identidade

 
 

Carteira de Identidade

 texto de Marcio R. Castro

Esportiva, Regatas, Mineiro e Capibaribe. Quatro dos mais tradicionais clubes do futebol brasileiro. Cobertos por glórias e títulos, donos de torcidas apaixonadas, quem não conhece?

Certamente ninguém. Mas se disséssemos Palmeiras, Flamengo, Atlético e Náutico, a coisa ficaria um pouquinho mais fácil. Esses, todos conhecem de longa data. E chega com essa maluquice! Nome é uma coisa sagrada!

Mas é exatamente esse sacrilégio que cometemos com muitos clubes pelo mundo afora. O colombiano Medellín, por exemplo, virou por aqui Independiente. Quem decidiu assim, eu não sei. Tanto seu nome completo, Deportivo Independiente Medellín, quanto a sigla DIM são bastante utilizadas no site oficial do clube. Mas bastam dois segundos de navegação para perceber como todos se referem ao time: Medellín.

Outra de nossas vítimas é um clube que vem de grandes conquistas continentais (que o digam os torcedores do Fluminense). A campeoníssima Liga, que faturou a Libertadores, a Sul-americana e a Recopa. E por favor, nada de LDU. A sigla é correta. Mas já que ninguém chama o Inter de SCI e o Botafogo de BFR, não vejo motivos para fazer isso com os equatorianos. Eles são a Liga.

Os casos não se restringem à América do Sul. Na Espanha, já transformamos o Deportivo em La Coruña há muito tempo. Até clubes de nomes compostos, quando reduzidos a apenas uma denominação, nos fazem patinar. Os gigantes Real Madrid e Manchester United, que para seus torcedores são Madrid e United, são para nós simplesmente Real e Manchester. Seria como chamar o Vasco de “Da Gama”. Dá até para imaginar: em São Januário, o Da Gama abre o placar!

Mas isso não é exclusividade nossa. Em transmissões internacionais e mesmo no site oficial da Conmebol, já vi clubes brasileiros com nomes até familiares, mas meio esquisitos. Como um tal de Porto-alegrense e um outro chamado Paranaense.

É verdade que muitos clubes adotaram preferencialmente as alcunhas genéricas de seus nomes completos, o que pode induzir ao erro algum desavisado. Os Atléticos, os Grêmios e o Sport são exemplos disso. Mas isso não justifica os equívocos. É preciso, antes de tudo, tentar conhecer e respeitar as tradições de cada clube, seja ele qual for. E para isso, aprender a maneira correta de chamá-los não passa de princípio básico.

Falta de apuro jornalístico, de interesse e até de sensibilidade. Falta de dar ao outro o devido respeito. Ou puro desleixo, talvez. Com o estrago feito, é quase impossível mudarmos a situação. Depois de consagrados em seu uso equivocado, o modo como chamamos muitos clubes por aí ficará errado mesmo. Alguns dirão que só um verdadeiro chato de plantão ligaria para isso. Mas se você me chamar apenas de plantão, vou ficar ainda mais nervoso.

Por Torero às 10h43

08/03/2010

ABC do fim de semana

Adriano: Teve problemas pessoais e desfalcou o time. Nesta reta final para a Copa, um deslize como esse pode custar caro e estragar a história de sua recuperação.

Bahia: Ganhou do Colo-Colo por 3 a 1 e acabou a primeira fase do Baiano na liderança do Grupo 2, sete pontos à frente do Camaçari (ver a letra Q). 

Coração: Ciro, do América-RJ, teve alteração no ritmo cardíaco e desmaiou durante o jogo contra o Olaria. A ambulância teve que entrar em campo e ele foi levado para o hospital. Mas já está bem.

Dentinho: Entrou e marcou o gol da vitória. Está numa boa fase e pode ajudar o Corinthians a reencontrar seu caminho.

Escorregão: O Cruzeiro bobeou e, com um time misto, perdeu para o Tupi. Mas a fórmula do Mineiro permite muitos escorregões.

 No Mineiro pode-se escorregar à vontade, pois oito times se classificam para a próxima fase.

Fred perdeu o gol mais feito do ano, mas depois se recuperou e marcou um dos gols da virada sobre o Botafogo. Esperto, homenageou a filha com um bilhete que estava guardado na meia, e assim não levou o amarelo. 

Guerra ao terror: O vencedor do Oscar não é uma grande obra. Ganhou pelo tema. É bem filmado, é verdade, mas acho difícil que um não-americano se apaixone pelo personagem. Ele surge do nada e suas atitudes não têm explicações racionais nem grandes motivações psicológicas. É raso como um soldado.

Herói: Carlos Alberto marcou o gol da vitória do Vasco sobre o Boavista. Mas o time jogou mal e a torcida ainda não fez as pazes com o clube. Tanto que São Januário teve apenas 1,5 mil pagantes neste domingo.

Internacional: Venceu o São José e segue 100% neste segundo turno. No anterior também foi muito bem, mas quando chegou na fase de mata-mata... morreu.

José de Alencar: Por conta do célebre romance do escritor cearense, O Guarani, há dois times com este nome no campeonato estadual: O Guarany de Sobral e o Guarani de Juazeiro do Norte. O time com Y está melhor. Lidera o segundo turno e foi o vicecampeão do primeiro (depois de empatar com o Fortaleza por 4 a 4, perdeu nos pênaltis).

Líder: O artilheiro do Paulista é Rodriguinho, que começou na Portuguesa Santista e fez sua carreira em times pequenos de São Paulo. Ele está com dez gols e é um dos responsáveis pela boa campanha do Santo André.

Mortes: O nigeriano Endurance Idahor, de 25 anos, morreu durante uma partida do campeonato sudanês. E o jogador de futsal Robson Rocha Costa, de 23 anos, morreu neste domingo depois de sofrer um ferimento por conta de um carrinho. Um pedaço do piso se soltou e entrou por sua coxa, causando um choque hemorrágico. A vida é frágil.

 Diogo Galvão ia ser bombeiro, mas preferiu ser artilheiro.

Nove: Diogo Galvão, do Trindade, é, por enquanto, o grande nome do campeonato goiano. Pelo menos no que se refere a marcar gols. Ele tem 13, quatro a mais que o vice-artilheiro. Diogo fez 29 anos ontem e é fã de Romário. Ele começou no futsal, em Rondonópolis (MT). Passou para o futebol de campo aos 18 anos, jogando no União (MT), e em 2001 foi artilheiro do Estadual. Em 2002 quase deixou o futebol, pois passou num concurso para bombeiro. Mas preferiu investir na carreira e foi artilheiro em 2003, 2004. Em 2005 esteve no Gama (DF) e de lá foi para o futebol português, onde jogou no Beira-Mar. Em 2008 voltou para o Mato Grosso e foi novamente artilheiro. Agora está na liderança da artilharia do Goiano.

Ótimo: Acabei de ler um bom livro: Primavera num espelho partido, de Mário Benedetti. O título tem cara de poesia de segunda, mas o livro é bem melhor.

Paredes: Rogério Ceni defendeu um pênalti (com um passinho à frente) e Fábio, da Portuguesa, fez ótimas defesas. Foi um bom fim de semana para os goleiros.

Quem?: O artilheiro da primeira fase do campeonato baiano é o, digamos, pouco famoso Sylvestre, do Camaçari. Ele tem 25 anos e começou em times pequenos do Rio de Janeiro, como Estácio de Sá, Centro Ítalo e Ceres. No começo de 2009 chegou ao Camaçari, se destacou e foi contratado pelo Bahia. Mas acabou dispensado e voltou ao Camaçari, onde voltou a se destacar. A vida é uma montanha russa.

Ricardo Gomes: Voltou ao banco do São Paulo e parece ter feito diferença. O time venceu a Ponte Preta fora de casa.

Surpresa: O Santo André já se solidificou como a grande surpresa do Campeonato Paulista. É um time rápido, que sabe o que pode e o que não pode fazer.

 O Santo vem jogando divinamente.

Tico e Teco: Devem ter feito o regulamento do campeonato paranaense, que novamente terá aquela história de supermando (quem se classificar melhor nesta fase, sempre jogará em casa na próxima).

Último: O lanterna do Paulista é o Sertãozinho, que subiu em 2006, caiu em 2008, subiu em 2009 e pode cair agora. Um time ioiô.

Virada: O Fluminense conseguiu vencer o Botafogo. Ou será que foi o Botafogo que conseguiu perder do Fluminense?

Xuá: Marcelinho, não o Carioca, mas o do basquete, fez 63 pontos pelo Flamengo e quebrou o recorde de pontos numa só partida. O jogo contra o São José terminou em 101 a 89.

Zé Eduardo: Entrou no fim do jogo e no último minuto marcou o gol de empate contra a Portuguesa. Talvez já mereça uma chance para começar jogando no lugar de André.

Por Torero às 10h13

05/03/2010

Outros finais para as finais

Você sabe: a primeira Copa da história, em 1930, teve uma final sul-americana: Uruguai x Argentina. Foi uma grande partida e, depois de vencer os donos da casa por 2 a 1, a Argentina teve a glória de levantar pela primeira vez a taça, que, naquele tempo, nem se chamava Jules Rimet, mas apenas Copa do Mundo.

Na segunda edição, em 1934, a decisão foi entre Itália e Tchecoslováquia. No tempo regulamentar, 1 a 1. Na prorrogação, o italiano Schiavo marcou. Contra. E assim a Tchecoslováquia ganhava sua primeira Copa.

Em 38, nova derrota da Itália. Desta vez para a Hungria. Realmente, a equipe de Mussolini não dava sorte em finais e transformou-se numa bivice.

Em 50 finalmente ganhamos nossa primeira Copa. No último jogo, o Brasil, com seu garboso uniforme todo branco, precisava apenas empatar. E foi o que aconteceu: 1 a 1. Gighia, no finzinho, quase fez o gol da vitória uruguaia, mas Barbosa praticou uma defesa espetacular, levando ao delírio o público do antigo Maracanã, hoje Barbosão.

Em 54 tivemos o espetáculo da seleção húngara. Puskas conduziu sua equipe ao bicampeonato e ganhou da Alemanha na decisão, mostrando que o futebol é um esporte justo, onde vence o melhor, o que joga mais bonito.

Na Copa seguinte perdemos para a Suécia. O técnico Feola apostou em Pelé, mas, muito jovem, o garoto amarelou e ficamos com o vice.

Em 62, nova derrota da nossa seleção. Desta vez para a Tchecoslováquia, que assim sagrou-se bicampeã. Por conta dessas duas derrotas seguidas em decisões é que abandonamos nosso uniforme branco e passamos a jogar com camisas amarelas e shorts azuis.

A Copa da Inglaterra foi faturada pela Alemanha, que ganhou da dona da casa por 3 a 2. No tempo regulamentar tivemos um 2 a 2. Na prorrogação, a seleção inglesa até botou a bola nas redes, mas o árbitro suíço Gottfried Dienst anulou o gol corretamente. Depois os tedescos marcaram duas vezes, com Overath e Seeler, e o capitão Beckenbauer levantou a primeira taça da Alemanha.

Em 1970, no México, o Brasil foi à final contra a Itália. E finalmente a Azurra sagrou-se campeã. O jogo foi 1 a 0, com o Brasil perdendo quatro chances claras de gol, com Pelé, Gérson, Jairzinho e Carlos Alberto.

A Holanda venceu as duas Copas seguintes. Ganhou da Alemanha na Alemanha e da Argentina na Argentina. Cruyff chegou a pensar em não participar desta última, em protesto pela ditadura militar. Mas mudou de idéia e ergueu a taça pela segunda vez seguida. A Holanda entrava assim no seleto clube dos bicampeões, ao lado da Hungria e da Tchecoslováquia.

Nos anos 80 tivemos a década da Alemanha. Em 82 eles venceram a Itália de Paolo Rossi. Em 86, a Argentina de Maradona, tornando-se a primeira seleção tricampeã do mundo e conquistando definitivamente a taça Jules Rimet.

Em 1990 a Alemanha estava novamente na final, mas desta vez perdeu para a Argentina por 1 a 0. Brehme até teve a chance de empatar numa cobrança de pênalti, mas Goycochea defendeu.

Na Copa dos EUA, quem não sabe?, a Itália conseguiu sua segunda conquista. Infelizmente, contra o Brasil. O jogo ficou no zero a zero. Na disputa de pênaltis, Roberto Baggio cobrou a última penalidade com precisão e selou a vitória.

Tivemos mais sorte na Copa de 98, quando fizemos a final contra os donos da casa. Até hoje não se tem certeza sobre o que realmente aconteceu com Zinedine Zidane, que parece ter tido convulsões na noite anterior à partida. Ele até entrou em campo, mas estava irreconhecível. Já Ronaldo marcou dois gols.

2002 foi o ano do tetra da Alemanha. O goleiro Kahn foi a melhor figura em campo contra o Brasil, inclusive fazendo o gol da vitória depois de um escanteio aos 45’ do segundo tempo.

E nesta última Copa tivemos novamente Zinedine Zidane no centro das atrações, desta vez levando uma cabeçada do italiano Materazzi, que acabou expulso. O jogo terminou empatado e, nos pênaltis, Zidane converteu a cobrança decisiva. Foi a última partida do craque francês, que será lembrado para sempre como um jogador frio, que sabia controlar os nervos.

Quanto a 2010, só nos resta que o Brasil seja o grande campeão. Ou vice.

Por Torero às 06h59

04/03/2010

Dois convites para este sábado

Caro bolósofo, caríssima bolóloga, vocês terão um sábado excelente. Pela manhã, podem ir ao Museu do Futebol ver os jornalistas Roberto Muylaert e Geneton Moraes Neto falando sobre "O Brasil nas Copas – “O complexo de vira-lata (1950/1954)”.

O Grupo Literatura e Memória do Futebol – MEMOFUT em parceria com o Museu do Futebol está promovendo uma série de reuniões, aos sábados pela manhã, apresentando a participação do Brasil em Copas do Mundo de Futebol

Muylaert é autor dos livros: “A Copa que ninguém viu e a que não queremos lembrar” (com Armando Nogueira e Jô Soares) e “Barbosa – Um gol faz cinqüenta anos” (2000). Geneton escreveu “Dossiê 50 – Os onze jogadores revelam os segredos” (2000).

Horário: 10h às 12h, lá no Pacaembu. Entrada gratuita

Mais tarde, às 17h00, no Shopping Bourbon, o onipresente Roberto Muylaert, o solerte Xico Sá, o hilariante Pepe e o sensacional Michel Lawrence estarão autografando o livro "Pelé 70", um lindo livro de fotos com alguns textos (inclusive um meu) sobre o Rei. Se não me engano, ele custa uns 140 e poucos reais. Parece caro, mas não é. Trata-se de um daqueles livros enormes, com fotos espetaculares, que você deixa na sala para fazer inveja aos inimigos. Daqueles que você abre de vez em quando, olha uma foto e dá um suspiro. 

 

 

Por Torero às 08h41

03/03/2010

A explicação da Portuguesa

Sobre o post abaixo, segundo Hélcio Mendonça, assessor de imprensa da Portuguesa, os ingressos são diferentes apenas para sócios da Lusa e não para os torcedores da Lusa, ou seja, você vai lá com sua carteirinha e tem um desconto de 20 reais, mais ou menos como acontece com o Fiel Torcedor do Corinthians, com o Sócio-Torcedor do São Paulo e com o torcedor do Santos.

Por Torero às 15h27

Trouxedor santista paga mais caro

E a Lusa, quem diria, está infringindo o Estatuto do Trouxedor, digo, Torcedor.

Segundo o Capítulo V, artigo 24, primeiro parágrafo, "Os valores estampados nos ingressos destinados a um mesmo setor do estádio não poderão ser diferentes entre si", ou seja, você não pode vender ingressos para uma mesma área com preços diferentes.

Mas eis que a Portuguesa está vendendo ingressos para as arquibancadas a dois preços distintos: R$ 40 para os torcedores da Portuguesa e R$ 60 para os santistas.

Ah, como é bom viver numa terra sem lei...

Mais tarde ligarei para a assessoria de imprensa da Portuguesa para saber qual é a explicação deles.

Por Torero às 08h15

02/03/2010

Os outros

Comecei a ler este livro:

Ele conta a história das sete melhores seleçõe não-brasileiras de todos os tempos, segundo a opinião do Mauro Beting. A saber: a Hungria de 54, a Inglaterra de 66, a Holanda de 74, a Alemanha de 74, a Itália de 82 (raios!), a Argentina de 1986 (raios duplos!) e a França de 1998 (raios triplos!). 

Em geral estas seleções, principalmente as que não vimos atuar, viram mitos e não sabemos direito o porquê disso. Não sabemos como elas chegaram a jogar tão bem e nem conhecemos bem seus jogadores, mas apenas os mais famosos de cada uma, como Puskas, Maradona, Beckenbauer e Cruiff.

A graça do livro é que ele revela como estes times se tornaram vencedores e nos dá uma visão maior de seus jogadores e táticas.

Eu, por exemplo, não sabia que Gusztav Sebes era, além de técnico da seleção húngara, o chefe do comitê olímpico e o segundo homem do ministério dos esportes. Nem que a Hungria era quase uma seleção permanente (não só porque o Honved tinha sete titulares da seleção, mas também porque fazia muitos amistosos nos meios de semana).

Para quem gosta de escapar do conhecimento óbvio, de ir além da sabedoria de mesa de bar, é uma boa pedida.

Por Torero às 11h26

01/03/2010

ABC do clássico

 Amarelos: Foram distribuídos treze cartões amarelos no jogo (contando os duplos de Moacir e Roberto Carlos). Só fiquei com dúvida no primeiro de Moacir. Os outros foram todos merecidos.
 
Bob Charles: O vigor físico está melhor do que eu esperava. Mas ele está um tanto afobado. E desde seu primeiro jogo pelo Corinthians. Ontem cometeu um pênalti e simulou outro. Veio para “dar experiência ao time”, mas está cometendo erros de juvenil. Imagino que daqui a alguns jogos vai se acalmar e melhorar bastante.

 Charles anda meio cabeça-de-vento.

Chicão: Deu um pescoção em Neymar que poderia ter lhe custado um cartão vermelho. Um cara com sua tarimba não pode cair na provocação de um adolescente.

Dentinho: Foi o melhor atacante do time e por pouco não fez um golaço. Meu palpite é que em breve volta a ser titular absoluto.

 Sem Dentinho a torcida corintiana não vai sorrir. 

Eu sou foda!”: Foi o que gritou Neymar depois do primeiro gol. Mais tarde, durante uma entrevista, falou de si mesmo na terceira pessoa: “Eu não vou parar por aqui, esse é o jeito Neymar de jogar”. Este excesso de confiança pode ser um perigo.

Felipes: Os dois fizeram boas defesas, mas o do Corinthians deu show: saiu bem nos pés de Neymar, abafou Arouca, defendeu o pênalti e encaixou um chute de Pará do bico da pequena área. Porém, quando um goleiro faz tantas boas defesas, alguma coisa está errada com o resto do time.
 
Germano: O homem errado na hora errada. Não tem velocidade ou traquejo para jogar de lateral. Foi uma invenção perigosa. Por ali quase aconteceu o gol de empate do Corinthians.

Herói: O Santos teve Neymar, teve Ganso e teve André. Mas o travessão, fazendo uma ponte para defender a cabeçada de Tcheco, foi o herói da partida.

Instinto assassino: Uma qualidade que faltou ao Santos. Quando estava em maioria, em vez de brincar e tocar a bola poderia ter feito mais um gol.


 Jucilei: Deveria ter começado jogando.

Laterais: Nenhum dos dois times teve boa atuação de seus laterais. O melhor da partida, pasmem, talvez tenha sido Pará.

Marcos Assunção: O cara está com 33 anos mas ainda joga bem. Ontem fez o gol da vitória do Barueri.

Neymar: Para explicar o porquê de dar aquele chapeuzinho em Chicão, ele disse: “Os caras me intimidam, por que eu não posso intimidar também?”. Melhor resposta, impossível.

Osni: Fez o gol da vitória do Rio Claro sobre o Palmeiras, interrompendo o início vitorioso de Antonio Carlos. Se eu fosse editor, daria a manchete: “Rio Claro triunfa em campo lamacento”. E o Palmeiras voltou ao oitavo lugar.
 
Paulo Henrique: Foi mais ao ataque e deu algumas passes de categoria, como o que deixou Neymar na cara do gol.

 Mais uma vez Ganso desfilou pelo gramado.

Quatro: Número de gols que Fernandinho fez em sua primeira meia partida pelo São Paulo. Ele pode ser o jogador que vai mudar, e melhorar, o estilo do time.

Ronaldo: Há menos de um ano fez uma partida inesquecível na mesma Vila Belmiro. Ontem não foi bem. Deu alguns bons dribles e passes, mas é pouco pelo que se espera dele.

Silas: O técnico do Grêmio teve que escutar muita reclamação neste primeiro turno, mas o fato é que foi campeão e está na final do Gaúcho.

Trio de arbitragem: O árbitro José Henrique de Carvalho e os assistentes: Celso Barbosa de Oliveira e Giovani Cesar Canzian foram muito bem. Eu teria sido enganado por Roberto Carlos nos dois lances principais da partida. Pensei que não tinha sido pênalti em Marquinhos e que Roberto Brum o havia empurrado. Só depois, vendo o replay, é que entendi o lance. O trio estava em cima do lance e não caiu na encenação de Bob Charles (que mostrou que, além de cantor e jogador, também é um ótimo ator).

Unívoco: Fato que tem apenas uma interpretação, coisa rara no futebol. Vejam o que disse Andres Sanchez sobre o árbitro: “Ele podia não ter dado o pênalti, mas não podia ter dado o cartão porque o Roberto não simulou nada. Antes de todas as marcações contra o Corinthians ele consultava os bandeiras. E teve o pontapé no Ronaldo logo no começo, nem cartão ele deu”. Ora, se não houve o pênalti, Roberto Carlos simulou (e vê-se isso claramente no replay); antes das marcações é bom mesmo consultar os assistentes (afinal eles estão lá justamente para isso, para assistir); e não houve pontapé em Ronaldo. Andres confundiu unívoco com equívoco.

Vencedor: Dois leitores chegaram perto da vitória: Mauro Ribeiro, de Uberaba e Tiago, de Franca. Os dois disseram que Dentinho faria o gol aos 27’ do segundo tempo. Foi aos 23’. Como Mauro votou antes de Tiago (que ousou dizer que o Corinthians venceria por 3 a 1, "fora o baile"), ficará com o livro.

Xis: O xis do problema é que o Santos nem jogou tão bem assim. Mas o Corinthians jogou muito mal. Os primeiros vinte minutos foram péssimos.
 
Zenzazional: Para mim, o lance zenzazional da partida aconteceu no segundo gol santista. Depois do lançamento de Marquinhos (que, aliás, começou os lances dos dois gols), Neymar matou a bola no peito de uma maneira genial, dando um chapéu em si mesmo, de modo que ele girou e ficou de frente para o lance, pronto para botar a bola no pé de André. Essa matada é coisa que os mortais jamais fariam.

 

Por Torero às 09h25

Não gosto de plágio

No post do dia 25/02 falei sobre o processo movido pela editora Landmark contra Denise Bottmann, que denuncia  plágios de tradução em seu blog.
 
Pois bem, agora quatro pesos-pesados da tradução literária no Brasil (Heloisa Jahn, Jorio Dauster, Ivone Benedetti e Ivo Barroso) redigiram um manifesto sobre o assunto.
 
Quem quiser pode lê-lo em http://apoiodenise.wordpress.com/. E há lá um link para quem quiser subscrever o manifesto. Eu acabei de assinar. Fui o número 410.

Por Torero às 07h48

Sobre o autor

Formado em Letras e Jornalismo e quase formado em Cinema, é autor de treze livros (como "O Chalaça"), escreveu roteiros para cinema (como "Pequeno Dicionário Amoroso") e para tevê ("Retrato Falado").

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