Blog do Torero

26/02/2010

Toreroteca!

Eis que ela está de volta. Sim, caros palpiteiros de plantão, vamos à nossa já tradicional disputa adivinhacional semanal (ou quase). E aqui não tem esse negócio de ganhar e não levar. O primeiro que acertar recebe o prêmio no aconchego de seu lar (xi, rimou).

Esta semana vence quem adivinhar o autor e o tempo do último gol marcado na Vila Belmiro.

Eu, por exemplo, votarei em Zé Love, aos 38´ do segundo tempo (há que avisar o tempo, senão dá confusão).

Um voto por email, não se esqueça.

Lembro-vos que Robinho provavelmente não jogará.

Se for zero a zero, ninguém vence.

Quanto ao prêmio, é um livro sensacional, maravilhoso, espetacular (pelo menos, segundo a minha mãe), que já vendeu 70 mil exemplares e não pode faltar em nenhuma estante minimamente bem povoada.

 Ei-lo: 

Cruze os dedos e dê seu palpite. Ou melhor, dê seu palpite e depois cruze os dedos, que é difícil escrever assim. 

Por Torero às 07h32

Torcida desorganizada

Neste domingo, vamos dar uma vigiada no jogo em Santos.

Eu estarei lá. Outros que também forem podem mandar seus relatos e fotos.

Vamos ver se há cambistas, como se portou a PM, se os bilheteiros não venderam ingressos de estudante como inteiras etc...  

Por Torero às 07h15

25/02/2010

Peça grátis

Tem uma boa peça baseada num livro meu que está em cartaz neste fim de semana em São Paulo. E é grátis. Abaixo reproduzo o release do grupo:

Nos dia 27 e 28 de fevereiro de 2010, IRA, espetáculo inspirado no livro “Xadrez, Truco e Outras Guerras” de José Roberto Torero,  retorna ao palco do Teatro Arena Eugênio Kusnet em sessões especiais e gratuitas. A peça que originou a pesquisa de linguagem do Núcleo Cênico ProjetoBaZar sobre a teatralização de textos não dramatúrgicos teve grande sucesso em sua temporada durante o Projeto Que Amores São Esses?, de novembro de 2009 a fevereiro deste ano, período em que o grupo ocupou o teatro, contemplado pelo último edital da FUNARTE.

Em IRA, sob a direção de Aurea Karpor, quatro atores mostram as mais de dez personagens em 40 cenas que compõem os 80 minutos de espetáculo. De forma épica e em ritmo marcado, os atores narram a história de uma guerra, se movimentando pelo espaço como peças de xadrez. O público assiste tudo de perto, sentado junto aos atores, dividido em 4 grupos formando uma arena ao redor do palco-tabuleiro.

 

Por Torero às 21h48

Tsc, tsc...

A tradutora Denise Bottmann, do blog Não Gosto de Plágio, faz um trabalho de busca e análise de eventuais casos de plágios de tradução. Pois a Editora Landmark, cujos casos de plágio dos livro “Persuasão” de Jane Austen e “O morro dos ventos uivantes” de Emily Brönte foram denunciados no blog, está processando a Denise, como ela mesma nos conta:

"Sexta-feira recebi uma carta de citação da quarta vara cível de são paulo. Numa ação movida pela editora landmark e pelo sr. fábio cyrino, estou sendo processada por pretensas calúnias contra os reclamantes, por ter publicado no nãogostodeplágio provas mostrando a prática de plágio nas traduções de persuasão, de jane austen, e o morro dos ventos uivantes, de emily brontë, ambas publicadas pela referida editora em 2007.

"Além de vultosa indenização por pretensos danos morais e materiais, os reclamantes solicitaram:
- “publicidade restrita”, isto é, que o processo corresse em sigilo de justiça,
- a remoção do blog nãogostodeplágio da internet, invocando o “direito de esquecimento”,
- “antecipação dos efeitos da tutela de mérito”, isto é, que a justiça determinasse a remoção imediata do blog antes da avaliação do mérito da ação impetrada.

"O juiz, em seu despacho, não determinou segredo de justiça e negou a antecipação de tutela, por considerar que se trata de uma questão complexa, envolvendo discussão a respeito da liberdade de expressão e crítica na internet, sendo necessária uma análise mais apurada dos fatos para verificar a verossimilhança das alegações.

"Entre as variadas reações extrajudiciais e judiciais que tenho enfrentado a partir das denúncias feitas aqui no nãogostodeplágio, esta é a primeira que solicita a remoção do blog.

"Isso, a meu ver, extrapola o campo em que devo me defender contra acusações de pretensa denunciação caluniosa e adquire envergadura mais ampla. Estamos aqui numa seara muito mais delicada e fundamental, a saber, a simples e básica necessidade de constante defesa do estado de direito, contra tentativas de amordaçamento e atropelo das garantias democráticas da sociedade."

 

Por Torero às 21h42

O jogo dos vinte erros

As narrativas dos jogos são sempre feitas a partir do ponto de vista dos times grandes. Mas e se fosse o contrário? E se os pequenos é que fossem o foco da atenção do jornalista? Nesse caso veríamos muitos dos vícios do jornalismo (que colocarei entre parênteses). Acho que o texto seria mais ou menos assim:


O Naviraiense (1) jogou bem postado na defesa e teve algumas boas chances de vencer o jogo, mas o goleiro Felipe, em noite inspirada (2), impediu a vitória. O lateral-esquerdo Jean Batatais (3) foi o melhor em campo, defendendo bem e indo com velocidade ao ataque, mas acabou sendo atingido por Neymar, que teve que abusar da violência para parar o craque de Naviraí (4).

No finzinho de jogo, numa despretensiosa bola levantada sobre a área, o adversário marcou o gol da magra vitória (5). Para a próxima partida, basta uma vitória simples para o time do técnico Paulo Resende levar a decisão para os pênaltis (6).

Pela Libertadores, o Racing saiu na frente mas cedeu (7) o empate ao Corinthians, time brasileiro sem tradição na disputa continental (8).

Cauateruccio (9) abriu a contagem antes do primeiro minuto. O gol relâmpago deu esperança de goleada, mas ela não veio. E, como quem não faz, toma, o adversário conseguiu o empate com o volante Elias (10).

Para piorar, no segundo tempo o miolo de zaga do Racing falhou mais uma vez (11) e permitiu a Elias fazer seu segundo gol. O time partiu para o ataque, com pressa, mas o Corinthians usou a catimba brasileira (12) e ficou tocando a bola até o juiz encerrar a partida. No jogo de volta, certamente as coisas serão diferentes (13).

Já o Confiança bobeou e apenas empatou com o Fluminense, time da cidade do Rio de Janeiro. O adversário até marcou primeiro, com uma cabeçada fortuita do zagueiro Gum (14). Logo depois o Confiança empatou, num belo gol de Serginho, que dominou com o pé esquerdo e chutou com o direito (15), sem chance para o goleiro.

No final, o atacante Frederico (16), do Fluminense, teve a chance de desempatar numa cobrança de pênalti. Mas, intimidado pelo experiente goleiro Pantera (17), o jogador carioca (18) e chutou para fora. 

Hoje o Sousa precisa de uma vitória por dois gols para eliminar o Vasco da Gama, do Rio de Janeiro (19), sem ir para os pênaltis, e o Flamengo tenta se vingar da surpreendente derrota em casa para o Sport Clube Palmeiras (20).

 

Erros (ou vicios):
(1) O nome do clube vem sempre no começo. Ele é que é o sujeito da ação.
(2) Goleiro de time pequeno, quando não toma gol, está sempre “em noite inspirada”.
(3) Há sempre que destacar um dos jogadores. No caso, Jean Batatais realmente foi bem.
(4) Os jogadores do time principal sempre são vítimas da violência do adversário.
(5) O gol do pequeno sempre é obra do acaso, nunca do merecimento.
(6) Antevisão de vitória no próximo jogo.
(7) O time principal sempre cede o empate. Nunca é o outro que o conquista.
(8) É preciso diminuir o adversário. Aposto que várias reportagens disseram que é a primeira vez que o Racing disputa uma Libertadores.
(9) Não precisamos explicar quem é o jogador do grande time.
(10) O gol adversário é culpa do time principal, nunca merecimento do time pequeno.
(11) Foi o miolo da zaga quem falhou, não uma bela infiltração de Elias.
(12) Essa eu nem preciso explicar.
(13) Promessa de vingança, afinal, não é natural o time grande perder.
(14) O zagueiro estava lá no ataque, mas um gol do time pequeno é sempre casual.
(15) Os gols do time grande merecem descrição. Os do pequeno, não.
(16) Como não sabemos os apelidos dos jogadores do time pequeno, recorremos à súmula, onde está o nome completo. Aliás, eu nem sabia que o Fred se chamava Frederico.
(17) O goleiro, ao contrário de Frederico, tem apelido e é sua fama que atrapalha o atacante adversário.
(18) Se é de um time carioca, o jogador é carioca. Muitas vezes falamos “o jogador boliviano” só porque o cara está num time boliviano, mas ele nasceu em Caracas.
(19) É preciso especificar a cidade do time pequeno.
(20) Confusão de nomes. O pobre repórter tentou mostrar conhecimento e falar o nome inteiro do clube, mas confundiu Palmeiras e Corinthians e inventou um novo time.

 

Por Torero às 09h14

24/02/2010

Um trouxedor corintiano e uma luz no fim do túnel

Caro Torero,

Li sua coluna sobre os "trouxedores", e a continuação enviada por um leitor.

Tenho 26 anos, vou ao estádio desde os 5, e já passei por todas essas situações que você descreveu, diversas vezes.

Só que nossa paixão por futebol e pelo nosso time falará sempre mais alto, e simplesmente deixar de ir ao estádio é se conformar com uma derrota - algo inadmissível.

Sou corinthiano, e desde o ano passado estou muito satisfeito com o programa Fiel Torcedor. Os sócios têm as seguintes vantagens: - compram com antecedência, sem fila, pela interntet - o processo não dura nem 5 minutos; - evitamos as filas, os cambistas, os ingressos falsos.

Na Libertadores, só quem é Fiel Torcedor terá a garantia de assistir aos jogos, uma vez que já se aproxima dos 50 mil o número de inscritos, e a capacidade do Pacaembu é de 40 mil - o que, a princípio, eliminaria os cambistas.

Enfim, aos poucos imagino que seja possível evitar alguns transtornos que você tão bem descreveu. Poderia partir dos clubes essa iniciativa dos planos de ingressos.

Sei que é uma visão bem otimista, mas temos que acreditar.

Já outros problemas como os flanelinhas, sorvetes caros (ou de péssima qualidade), etc, será necessário intervenção de diversos setores.

Nós, trouxedores, precisamos fazer nossa parte - que são os 2 últimos parágrafos de seu texto.

um abraço, André Lucchesi.

Por Torero às 10h35

23/02/2010

Texto da Folha de S.Paulo

Um convite e uma despedida


Na semana passada escrevi sobre o trouxedor, uma mistura de trouxa e torcedor. O trouxedor é o sujeito que, como eu, gosta de ir aos estádios mas é maltratado por flanelinhas, cambistas, bilheteiros, policiais e até pela falta de banheiros e comida.

O texto teve uma repercussão inesperada. Aqui na Folha já escrevi umas oitocentas colunas, e esta foi uma das dez que mais teve resposta dos leitores. Muitos deles disseram que o mais certo era abandonar os estádios como forma de protesto. Outros escreveram que é possível continuar indo aos jogos e, ao mesmo tempo, lutar para não ser um trouxedor. Como prefiro a batalha à retirada estratégica, estes últimos acabaram me convencendo.

E eles mostraram bons argumentos.

Quanto aos flanelinhas, há a sugestão de deixar o carro um pouco mais longe e andar até o estádio. O Pacaembu, por exemplo, possui um shopping próximo e vários estacionamentos na Paulista, numa distância perfeitamente percorrível em meia hora de caminhada tranqüila.

Em relação aos cambistas, a ideia é matá-los de inanição. Ou seja, jamais comprar um ingresso de suas mãos. Há que controlar o nosso vício. Se não deu para adquirir o ingresso antes e se no dia da partida não há como comprar na bilheteria, paciência... O jeito é não ver o jogo. Comprar de cambista, jamais! Quem faz isso quer bancar o esperto, quer pular na frente da fila pagando uma propina.

Contra os bilheteiros desonestos, o jeito é botar a boca no trombone. Desde já ofereço meu blog (http://blogdotorero.blog.uol.com.br/) como espaço de reclamação e conversa. Ali, nós, os trouxedores, podemos compartilhar problemas e soluções, e até decidir fazer algumas ações. De minha parte, posso usar este meu emprego de jornalista para entrevistar administradores, vereadores, cobrar informações, etc...

Na verdade, acho que nós, os trouxedores, devemos formar a nossa Torcida Desorganizada, uma torcida que não brigará com outras, mas com aqueles que nos querem transformar em trouxas. Uma torcida que abrigará torcedores de todos os times. Nossa proposta, nosso objetivo final, é apenas ver nosso joguinho em paz no estádio. É pouco e é muito.

Nossa Torcida Desorganizada não terá sede, reuniões chatas ou mensalidade. Mas pode ter um bom site. Podemos não conseguir mudar o mundo, mas talvez consigamos um banheiro decente para mulheres no Pacaembu, demitir algum bilheteiro corrupto ou até, quem sabe, um espaço para assistir aos jogos ao lado do nosso amigo do outro time.

Eu sei que é pouco, que é quase nada. Mas conquistar alguma dessas coisas já seria como um time pequeno vencer uma equipe poderosa.

Trouxedores do mundo, uni-vos. Ou melhor, unamo-nos.

 

Despedida

Esta é minha última coluna na Folha de S.Paulo. O casamento durou doze anos (com um ano de férias conjugais). Neste tempo nos divertimos muito, mas estamos fazendo a mesma coisa há muito tempo e, antes que venha a rotina, acho que é melhor nos separarmos. Obviamente continuaremos amigos e vez ou outra podemos dar uma voltinha por aí. Quanto aos três leitores que me acompanharam nesta dúzia de anos, sempre poderão me visitar no blog. Até logo e até lá, Torero.

Por Torero às 06h55

Dicas e links

Hoje, às 21:00h, John Mills, autor de "Charles Miller, pai do futebol brasileiro", dará uma entrevista na Band Sports (Canal 99 da Net) sobre a Copa do Mundo. Ele deve ter boas histórias para contar.

Sábado teremos a palestra “Copas do Pré-Guerra (1930/1934/1938)”, com Max Gehringer, às 10:00 da manhã no Museu do Futebol, no Pacaembu. É a primeira de oito palestras do pessoal do Memofut (uma turma de fanáticos por futebol, história e histórias do futebol) sobre as Copas.

Quem quiser visitar um bom blog sobre a Copa, eis cá o endereço: www.estilodejogo.blogspot.com

E aqui vai o link de um amistoso da Seleção Brasileira (com gol de Pelé, que estava com a cabeça enfaixada) em meados da década de 60: Brasil 3x0 Argélia. Trata-se de um belo Canal 100: http://www.youtube.com/watch?v=JtigxBO-Wj8

 

Por Torero às 06h52

22/02/2010

Às vezes a melhor saída é a saída

Quando um técnico cai, é comum você ouvir:

“O treinador é sempre o sacrificado”,

Ou:

“Ele precisava é de mais tempo para fazer seu trabalho”,

Ou ainda, numa versão mais completa:

“É preciso dar estabilidade a este profissional, que quase sempre é injustiçado, pagando o pato pelo erro dos dirigentes”.

Confesso que eu também acreditava nestas frases. Mas, depois deste fim de semana, mudei de ideia.

Sim, mudei. E isso é uma coisa difícil. Significa dizer que ou você estava errado há um tempão, ou, pior ainda, que está errado agora.

Mas a verdade é que o Palmeiras melhorou milagrosamente (e estranhamente) com a saída de Muricy. E Joel Santana rapidamente deu uma nova cara ao Botafogo.

Há menos de um mês, exatamente no dia 24 de janeiro, o Botafogo perdia de 6 a 0 para o Vasco. Ontem ganhou de 2 a 0 do mesmo time e se tornou campeão da Taça Guanabara.

Fiquei curioso e fui ver a escalação destas duas partidas contra o Vasco. Só há uma diferença. Saiu Antonio Carlos e entrou Fábio Ferreira. Os outros dez jogadores são exatamente os mesmos. Ou seja, um técnico faz muita diferença. E, às vezes, sua simples troca pode levar um time a mudar completamente de comportamento.

O Palmeiras também melhorou bastante. O time correu muito e esteve bem mais esperto ontem do que na quarta-feira, quando foi goleado pelo São Caetano.

O que mudou de um jogo para o outro? O estádio? Não, os dois jogos foram no Palestra Itália. O São Caetano é melhor do que o São Paulo? Não. Os dois times têm 17 pontos. O elenco? Também não. Só houve duas modificações entre os catorze jogadores que participaram das duas partidas do Palmeiras (entraram Eduardo e Marquinhos). 

O que mudou foi o técnico. E, com isso, a tática da equipe e o ânimo dos jogadores. Coisas que não são detalhes.

Mesmo o surpreendente Novo Hamburgo, que desclassificou o Inter de Porto Alegre na semifinal do Campeonato Gaúcho, está técnico novo. Leandro Machado foi demitido no começo do mês, depois de uma derrota para o Caxias, e em seu lugar assumiu Gilmar Iser, que levou o time à final.

Talvez daqui a algum tempo estes técnicos com sucesso relâmpago naufraguem, mas o fato, contra o qual não vejo argumentos, é que estes times melhoraram com a troca de treinadores.

Enfim, vamos parar com aquele bom-mocismo que diz que mudamos demais de técnicos. Este pensamento já é um vício e, por ser vício, nem é mais pensamento.

Muitas vezes demitir o técnico é o caminho certo. Nem sempre, mas muitas vezes.

 

Por Torero às 06h37

Filminho da semana

Os irmãos Coen fazem filmes muito bons, filmes esquisitos, e filmes esquisitos muito bons.

O novo é só esquisito.

Eles são diretores excelentes, e assim conseguem criar climas diferentes, únicos. Mas, sem uma boa história, fica só o clima.

Por exemplo, em “E aí, meu irmão, cadê você?”, com George Clooney, eles conseguiram fazer um filme engraçado e divertido. O roteiro é cheio de boas viradas, os diálogos são inteligentes e o filme é delicioso. E “A roda da fortuna”, com Tim Robins, é um filmaço, daqueles que você pode ver várias vezes e sempre descobrir coisas.

Mas outros como “Queime depois de ler” e “O homem que não estava lá” já não são tão interessantes. E, acho, por falta de um roteiro mais definido.

“Um homem sério” é deste último time. Tem vários personagens interessantes e há ótimos climas. Mas isso não basta. Os personagens não chegam a lugar algum, suas histórias não se completam. E, se o espectador só quiser clima, é melhor ver a previsão do tempo.

Por Torero às 06h34

21/02/2010

Sempre aos domingos: Das duas, uma

 
 

Sempre aos domingos: Das duas, uma

(Inspirado pelo texto de José Torero no blog do uol e pelo recente tumulto provocado pela gaviões da fiel, mais um entre tantos outros espetáculos de selvageria protagonizados pelas organizadas)

João Gilberto Marques

 

Domingo, você com seu ingresso na mão, vai assistir seu time de coração jogar.No caminho para o estádio, você encontra outro torcedor, aí das duas, uma:ou ele está com a camisa do seu time, ou ele está com a camisa do time adversário.

Se ele torce para o seu time, tudo bem. Mas se torce para o oponente, das duas, uma: ou você fala com ele ou fica indiferente.

Se você fica indiferente, tudo bem. Mas se fala com o cara, das duas, uma: ou você conversa tranquilo e tira um sarrinho, ou você xinga e ofende a mãe do cidadão.

Se você tira um sarro amigável, tudo bem. Mas se você insulta a pobre velhinha, das duas, uma: ou o cara é calmo ou ele é nervosinho.

Se o cara é calmo, tudo bem.Mas se ele é nervosinho, das duas, uma: ou vocês estão sozinhos ou estão em grupo.

Se vocês estão sozinhos, tudo bem. Mas se vocês estão em grupo, das duas, uma: ou eles te convencem a se acalmar ou acontece o chamado "efeito matilha".

Se eles te convencem a se acalmar, tudo bem. Mas se acontcer o "efeito matilha", das duas, uma: Ou fica apenas nos insultos ou alguém parte para a violência.

Se fica apenas nos insultos, tudo bem. Mas se alguém parte para a violência, das duas, uma: ou só acontecem ferimentos leves ou alguém é destroçado.

Se os ferimentos são leves, tudo bem. Mas se os ferimentos são graves, das duas uma: ou o ferido vai para o hospital ou ele morre

Se ele vai para o hospital, tudo bem. Mas se ele morre, das duas, uma: ou você foge ou a polícia te pega.

Se você foge tudo bem.Mas se a polícia te pegar, tudo bem também, pois neste país você pode espancar os outros a vontade e ainda ficar impune.Se ao menos o outro estivesse com uma camisa da mesma cor que a sua.....
 

Por Torero às 08h49

19/02/2010

As coisas como antigamente

Ontem e anteontem aconteceram coisas que aconteciam trasantontem.

Por exemplo: desde a década de trinta ou mesmo vinte, quando um time perdia demais, o técnico era sacrificado. Pois foi o que aconteceu com Muricy. A seu favor, diga-se que pegou um elenco montado por Luxemburgo. Contra ele, diga-se que nos dias de Jorginho o time era mais vistoso.

Na verdade, Muricy não conseguiu montar o seu Palmeiras. E parece que ele precisa montar seu próprio time. Se não com jogadores, com tempo. Alguns anos atrás, no Internacional, ele quase foi demitido, mas a diretoria o manteve no cargo e ele acabou sendo vice-campeão brasileiro. É um sujeito que demora para armar suas equipes. Mas às vezes isso não é possível. Às vezes tem que se trabalhar rápido e com o que há à mão.

Curiosamente caiu frente ao São Caetano, time que levou à conquista do Campeonato Paulista com muita eficiência. E justo o técnico do São Caetano vai para o seu lugar. 

Outro fato com ares de antigamente foi a vitória do Botafogo sobre o Flamengo no campeonato fluminense. Nos últimos três anos o Flamengo tripudiou (tri, entenderam?) em cima do Botafogo. Mas dessa vez as coisas foram diferentes. No próximo domingo veremos se o campeão da Taça Guanabara será o Vasco de Ademir Queixada ou o Botafogo de Didi.

E, também com ares de anos 60, tivemos um placar de 6 a 3 na Vila Belmiro. Na saída do estádio entrei no elevador com o Zito, líder daquele Santos, e ouvi ele comentando com um sujeito ao seu lado: "Parecia jogo do meu tempo. Era 5 a 2, 7 a 5... O pessoal tomava gol mas fazia muitos".

Ontem, o santista teve a ilusão de que os anos de ouro estavam de volta. Pelo menos por alguns minutos.

Por Torero às 11h05

Um último trouxedor

 

Olá, José Roberto Torero,


Acabei de ler sua coluna na Folha de S. Paulo e gostaria de compartilhar a minha experiência no mesmo estádio, no último domingo.


Combinei de assistir ao jogo com meu pai, que mora no interior de SP.

Eu moro em outro estado e vim para cá passar o carnaval com minha família. Assim, para evitar uma possível viagem perdida à capital, comprei os 3 ingressos pela internet (levei minha noiva junto).

A empresa responsável pela comercialização dos ingressos online (ingressofacil.com.br) além de apresentar um site com informações confusas tem um serviço de "atendimento" terrível (eles simplesmente não atendem). Terminada a operação, não há sequer confirmação de sucesso, muito menos informações de como proceder para a retirada dos ingressos. Depois de *MUITAS* tentativas de contato, fui avisado de que o procedimento é BEM DIFERENTE do que o próprio site diz.

Felizmente o procedimento real é melhor do que o site informa.

Pelo menos a retirada dos ingressos pouco antes do jogo aconteceu sem problemas.

Porém, quando você adquire 3 ingressos para as numeradas em uma mesma compra, parece-me bastante razoável que os assentos sejam próximos... mas isso não aconteceu.

Só mais tarde notei que era tolice minha acreditar que os demais torcedores respeitariam a numeração (foi a primeira vez que vi um jogo das numeradas).

Então você percebe que boa parte dos lugares que restaram livres são os de uma fileira próxima à separação das numeradas cobertas, onde há um acrílico que te impede de ver o outro lado do campo confortavelmente (palmas para quem projetou as últimas reformas do Pacaembu). Por sorte conseguimos um lugar melhor posicionado.

Intervalo. Meu pai tentou ir ao banheiro: fechado para reformas. Como estava muito quente, a disputa por bebidas era grande e os ambulantes não deram conta. Fui tentar comprar refrigerantes ou água na lanchonete do estádio e chegando lá, com cerca de 5 minutos de intervalo, não havia bebida alguma. Fiquei surpreso ao ver que o "estoque" utilizado no dia do jogo eram algumas poucas garrafas de 2 litros, já vazias acima da pia.

Rídiculo! Havia 37 mil pessoas no estádio, somente naquele setor atendido por aquela lanchonete devia ter por baixo umas 5 mil pessoas e esperavam atender a todos com poucas (contei umas 10) garrafas de 2 litros? É claro que ouvi reclamações de vários torcedores, muitos exclamando "Esse é o país da copa do mundo!".

"Mas o Pacaembu não será uma das sedes". E daí? Se os brasileiros são tão mal atendidos, imaginem como serão os estrangeiros...

Provavelmente a alimentação na Copa será de responsabilidade de alguma empresa, mas dá medo de pensar que corre o risco de ser a mesma piada que foi nos Jogos Pan Americanos quando em um jogo com a Arena Olímpica praticamente vazia eu tive problemas para conseguir um cachorro quente sem-vergonha.

É revoltante como não conseguem organizar eventos com público certo, fonte de renda certa. Muita coisa tem que mudar. Se essa situação fosse exclusividade de campeonatos estaduais, ainda teríamos alguma esperança, mas quando vi Brasil x Paraguai pelas eliminatórias da Copa, no Arruda, sequer foram capazes de colocar numeração nos portões do estádio.

É muito amadorismo (ou burrice mesmo) para ser superado em 4 anos.

Anselmo Lacerda S. de Melo

Por Torero às 10h28

18/02/2010

Mais um trouxedor

 
 

Mais um trouxedor

Torero, completando sua coluna, torcedor sofre bem mais do q vc falou. é uma verdadeira escravidão.
 
como exemplos complementares, arqui-incompletos, do jogo santos e rio claro:
 
1) Havia apenas um banheiro (portátil) masculino e outro feminino para toda a numerada coberta!!!!!!!!!!!!!!!!!
 
2) Peguei fila de 2 horas na 6a. feira para comprar minhas meias entradas que não são vendidas na internet. no domingo não tive problemas para entrar no setor das numeradas (aliás, a numeração não é respeitada, claro), mas houve quem tivesse.
 
3) A vendedora tinha de digitar o cpf de todos (tenho 3 filhas), mas ela mal sabia digitar. o "sistema" caiu no meio. uma vendedora normalmente alfabetizada venderia 897 entradas no tempo q demoraram as minhas 5, para desespero da fila. a fila de entradas para o carnaval tinha espera de 1 minuto. ou seja, a máfia do futebol é mais afiada do q a do carnaval.
 
4) Chove na fila e os policiais e orientadores fazem nada, pois há ordens "superiores" para não deixar a fila se colocar (ordenadamente como só o povo que vive em fila sabe fazer) embaixo da marquise, supostamente "para não atrapalhar o público da loja e do museu do pacaembú". isto é, policiais e orientadores intervem contra o povo.
 
5) Segundo as regras do altíssimo, pai pode comprar para filho, mas filho não pode comprar para pai. como explicar isto?
 
6) Na minha frente havia um menino cujo tio tinha pego 2 horas de fila na 5a.feira, mas esquecera um documento, para comprar "trouxedor-família".
 
7) Na minha frente veio um senhor furando fila para 'pegar os ingressos da secretaria", foi encaminhado ao local devido. devem ter servido uísque para ele.
 
8) No domingo meu irmão pagou R$200 por uma numerada descoberta.
 
Marcos Lanna, chefe do departamento de c. sociais da ufscar.
 

 

Por Torero às 10h14

16/02/2010

Torcedor + trouxa = Trouxedor

(hoje, excepcionalmente, publico aqui o texto da Folha de S.Paulo)

“Torcedor”, segundo o dicionário Houaiss, significa “Aquele que torce nas competições esportivas”. Já “trouxa” quer dizer “Aquele que é facilmente iludido; tolo”.

Pois bem, creio que precisamos de uma nova palavra: “trouxedor”. Uma mistura de trouxa com torcedor. É isso que nós, aqueles que gostamos de ver uma partida de futebol ao vivo, somos.

Para começar, a ida ao estádio é um suplício. Se você vai de ônibus, fica com inveja das sardinhas. Se vai de carro, tem que deixar algum dinheiro com o flanelinha, o primeiro de vários malandros que você encontrará em seu caminho até o campo. Este personagem não passa de um chantagista. O dinheiro que você lhe paga não é para que ele cuide do seu carro, mas para que não o risque.

Neste domingo fui comprar ingresso no estádio do Pacaembu várias horas antes do jogo, e eles já estavam lá. Para quem não sabe, o Pacaembu tem zona azul, mas mesmo assim havia muitos deles.

Pois bem, depois de você deixar um cartão de zona azul no seu carro e de também pagar o flanelinha, você vai para a fila. Uma grande fila. Os responsáveis sabem que o número de compradores será enorme, mas nem se pensa em colocar mais gente trabalhando, o que pode não ser apenas incompetência, mas conivência com um esquema de corrupção que explicarei logo abaixo.

Depois de esperar quarenta minutos na fila, vi um torcedor sair do guichê dizendo em voz alta: "Cuidado aí, pessoal, eles estão vendendo ingresso de estudante a preço de inteira!"

Logo depois, um fiscal se aproxima da fila e esclarece: "Para o tobogã só há meia entrada. Mas tudo bem, todos poderão comprá-la e só pagarão metade do preço."

Porém, quando chego ao guichê, o bilheteiro, um sujeito usando uma camisa do Santos, diz que a entrada custaria trinta reais. Eu protesto e repito o que o fiscal havia dito. O bilheteiro resmunga e, milagrosamente, a entrada volta a custar R$ 15,00.

É claro que, se você preferir não enfrentar a fila, pode recorrer aos cambistas. Pagará uma “tarifa de conforto” e depois basta torcer para que o bilhete não seja falso. Em resumo, na hora da compra do seu ingresso, você pode escolher o pilantra para o qual vai deixar seu dinheiro.

E é um bom dinheiro, caro trouxedor. O ingresso mais barato custava R$ 30. Se você quiser um lugar melhor, o preço vai para R$ 50 ou R$ 60, mais que o ingresso de cinema mais caro da cidade, o do shopping Cidade Jardim (R$ 46).

Então, depois de pegar uma longa fila para entrar no estádio, você sentará sob o sol, no cimento, e será vítima de outro malandro: o ambulante. Neste caso, nem sei qual é pior, se o clandestino ou o oficial. Este vende seus produtos a preços inacreditáveis (um picolé custa R$ 4,00). Os do clandestino são mais baratos, mas não venha reclamar da qualidade.

Não, você não tem saída, trouxedor. Pois, se não quiser mais ir ao estádio, vai acabar no pay-per-view, que tem preços absurdos.

Ou, pensando melhor, há uma saída. É jamais comprar de cambistas, é fotografar bilheteiros pilantras e colocá-los na internet, é levar seu próprio alimento, é reclamar e dedurar os pilantras.

O torcedor desorganizado tem que se organizar de alguma forma. Senão será para sempre um trouxedor.  
 

Por Torero às 10h36

Das duas, uma

(a pedido da leitora Nanci Vilas, publico aqui um texto do livro "Os cabeças-de-bagre também merecem o paraíso")

Das duas,uma

Amanhã, domingo, das duas, uma: ou você assiste a um jogo ou a um filme qualquer.

Se você vê o filme, tudo bem. Mas se vê o jogo, das duas, uma: ou você torce para um dos times ou fica indiferente.

Se você fica indiferente, tudo bem. Mas se torce, das duas, uma: ou você pega uma almofada para socar ou rói as unhas.

Se você rói as unhas, tudo bem. Mas se você pega uma almofada para socar, das duas, uma: ou é uma almofada comum, vagabunda, ou é uma almofada de estimação, daquelas pacientemente bordadas por sua sogra dois dias antes de morrer.

Se é uma almofada comum, tudo bem. Mas se é uma almofada especial, das duas, uma: ou você tenta consertá-la no intervalo ou conta para sua mulher que transformou em farrapo aquela lembrança especial.

Se você tem habilidades de crochê e conserta o estrago, tudo bem. Mas se você vai contar tudo para sua mulher, das duas, uma: ou ela é muito mansa ou é uma fera.

Se sua mulher é mansa, tudo bem. Mas se ela for uma fera, das duas, uma: ou você engole em seco todos os xingamentos que vai ouvir ou parte de uma vez para a ignorância.

Se você engole em seco, tudo bem. Mas se parte para a ignorância, das duas, uma: ou você bate ou você apanha.

Se você apanha, tudo bem. Mas se você bate, das duas, uma: ou ela foge e nunca mais volta ou ela chama a polícia.

Se ela foge e nunca mais volta, tudo bem. Mas se chama a polícia, das duas, uma: ou eles aceitam suborno ou te levam para a delegacia.

Se eles aceitam suborno, tudo bem. Mas se te levam para a delegacia, das duas, uma: ou você vai para uma cela individual ou para uma coletiva.

Se você vai para a solitária, tudo bem. Mas se te põem numa coletiva, das duas, uma: ou os companheiros de cela te ignoram ou resolvem lhe dar uma surra para você aprender que não deve bater em mulher nem com uma flor, ainda mais com um controle remoto.

Se eles te ignoram, tudo bem. Mas se eles te acertam, das duas, uma: ou você morre ou vai para um hospital público.

Se você morre, tudo bem. Mas se vai para um hospital público, das duas, uma: ou você é operado por engano e trocam o seu sexo ou fica largado no corredor sem ser atendido.

Se trocarem o seu sexo e você tiver que mudar o nome para Maricleide, tudo bem. Se te largarem no corredor, das duas, uma: ou tem uma televisão ali por perto, ou não.

Se não houver, tudo bem. Se houver, das duas, uma: ou você assiste a um jogo ou a um filme qualquer.

Dessa vez, assista ao filme.

PS: Quando se tem uma crônica para escrever, das duas, uma: ou você tem uma ideia ou copia a ideia de alguém. Se você tem a tal ideia, tudo bem. Mas se copia, das duas, uma: ou você dá uma de espertinho e diz que ela foi sua ou cita a fonte inspiradora. Se você resolve dar uma de espertinho, tudo bem. Se resolve dizer o nome do plagiado, das duas, uma: ou diz que é o Aparício Torelli ou diz que é o Barão de Itararé, que os dois são um.

Por Torero às 10h34

15/02/2010

O desfile da Unidos do Santos

Folião leitor, carnavalesca leitora, você viram o desfile da Estação Primeira Unidos dos Acadêmicos do Santos neste domingo? Não foi dos mais brilhantes que a escola já fez, daqueles que fariam Carlos Imperial gritar “Dez!, nota dez!”, mas colocou a escola na liderança da tabela.

Vamos aos comentários sobre cada quesito.

Comissão de frente: Não foi o ponto forte da escola. Os integrantes da comissão não mostraram o entrosamento necessário. Se afunilaram pelo meio, em vez de explorar toda a largura da passarela. Quando Andrezinho entrou, ele ocupou este espaço e os outros dois integrantes foram empurrados para as pontas, melhorando a ocupação da avenida.

 Robinho deu algumas pedaladas na avenida, mas também deu alguns escorregões. 

Passistas: Geralmente o melhor é Paulo Henrique, com sua bela fantasia de Ganso. Mas, dessa vez, quem se destacou foi o agroto André, que deu o passe de calcanhar que começou o lance do segundo gol.

Harmonia: Foi o que faltou para a escola no primeiro tempo. Porém, Dorival, o diretor de harmonia, fez boas substituições, conseguindo fechar os buracos e adiantar a escola que, aí sim, levantou o público.

Porta-bandeira: Os dois foram bem, sem nenhum erro escandaloso. Faltou-lhes um pouco de ginga no controle da bandeirinha. Poderiam ter feito mais evoluções. Mas, dos males, o menor.

Alegoria, firulas e adereços: Curiosamente houve excesso de alegorias, firulas e adereços no começo do desfile, e com isso a escola ficou um tanto atrapalhada, sem conseguir evoluir direito. Mas depois, com menos frescuras, o desfile ficou mais objetivo e chegou a um bom resultado.

Ala das baianas: A Unidos do Santos optou por substituir essa ala pela ala dos paraenses, já que tem três integrantes daquele estado. Um deles, Pará, rebolou no gol do Rio Claro.

Samba-enredo: É sempre o mesmo: “Sou alvinegro da Vila Belmiro, o Santos vive no meu coração. É o motivo de todo meu riso, de minhas lágrimas e emoção...”. O que faz a diferença é como é cantado pelo público. Ontem, no Pacaembu, ele foi entoado por um coro de 32 mil, e chamou a atenção o número de crianças que foram com seus pais.

Fantasias: O branco dominou as fantasias. As novas marcas não macularam o uniforme. O destaque ficou por conta das sapatilhas dos foliões: Robinho usou uma com apliques em rosa, Neymar e André preferiram as amarelas, alguns foram de azul, outros com a tradicional preta.

Bateria: Durval e Edu Dracena não bateram muito e controlaram bem o adversário. Germano atravessou algumas vezes, adiantando-se demais. 

Mestre-sala: Neymar mais uma vez mostrou que sabe girar, dançar e driblar como ninguém.

Velha-guarda: Foi a melhor parte da escola. Giovanni começou o lance do primeiro gol e fez o da virada. Ele continua desfilando com arte e graça. E, ao fim do espetáculo, cantou: “Sempre é bom recordar, mas também quero viver o presente”.

 Giovanni, o velho compositor de gols memoráveis.

Por Torero às 09h31

14/02/2010

Picaretagem na bilheteria do Pacaembu

Acabei de voltar da bilheteria do Pacaembu, onde fui comprar ingressos para o jogo do Santos.

Pois bem quando está quase chegando a minha vez, um santista (de traços japoneses, lá pelos seus 40 anos) sai do guichê um tanto irado, dizendo em voz alta: "Cuidado aí, pessoal, eles estão vendendo ingresso de estudante a preço de inteira!"

Um cambista, ali ao lado, comentou com sarcasmo: "Imagina... O japonês deve ter brigado com a mulher." 

Logo depois, um jovem fiscal se aproxima da fila e confirma o que havia dito o torcedor santista: "Para o tobogã só há meia entrada. Mas tudo bem, todos poderão comprá-la e só pagarão metade do preço."

Só que, quando chego ao guichê, o bilheteiro, um sujeito usando uma camisa do Santos, diz que a entrada custaria trinta reais. Eu protesto, ele conversa com um vendedor ao lado e, milagrosamente, a entrada volta a custar R$ 15,00.

Ou seja, no Pacaembu continuam fazendo picaretagem com as meias entradas. Bilheteiros continuam ganhando uma boa grana desonestamente. 

Não sei se a responsabilidade é da administração do Pacaembu, da BWA (empresa que comercializa os ingressos) ou do Santos, mas o certo é que há anos os bilheteiros do Pacaembu aplicam esse golpe de vender meia pelo preço da inteira.

 

Por Torero às 12h09

12/02/2010

O que Gisele Bundchen e Tonhão têm em comum

 

 

(ou A beleza da imperfeição)


Tarado leitor, vou começar falando de beleza feminina, mas logo chegarei ao assunto sobre o qual você realmente quer ler: futebol.

Pois bem, há quarenta anos, desde Elizete, no pré-primário, tenho observado as mulheres atentamente. Muito atentamente. Reparo em suas belas linhas, comparo, noto as diferenças, classifico suas formas, ordeno tipologias, hierarquizo, analiso profundamente. E cheguei à conclusão de que é preciso uma pequena imperfeição para que as mulheres sejam realmente belas.

Às vezes ela é um pouco dentucinha, mas isso lhe dá um ar juvenil, às vezes são sardas (ah, aquela atriz do Lost...), pode ser um cabelo esquisito, um olho de cada cor, uma gordurinha extra (três vivas às gordurinhas extras!) etc... Mas o fato é que uma certa imperfeição traz um charme especial. A própria Gisele Bundchen tem um nariz um tanto excessivo, mas, em vez de diminuir sua beleza, isso lhe dá uma certa ousadia, uma graça a mais.

Pois bem, com os grandes times de futebol (finalmente chegamos ao que interessa) acontece a mesma coisa. Ele não pode ter apenas craques. Tem que ter um grosso. Um cara tosco, daqueles que você pensa: “Pô, se esse cara pode ser jogador, qualquer um pode.”

Você se lembra do grande Flamengo do começo da década de 80? Lembra daquele esquadrão que tinha Raul, Leandro, Zico, Andrade e Adílio? Pois bem, entre Mozer e Junior posicionava-se o modesto Marinho. E às vezes em seu lugar entrava o Rondinelli, que não era exatamente um Domingos da Guia.

Naquele super Palmeiras da Parmalat havia Tonhão. O tosco Tonhão. E era amado pela torcida.

No campeoníssimo Internacional da década de 70 havia Vacaria, que imediatamente me faz pensar no adjetivo “voluntarioso”, e nunca em “habilidoso” ou “elegante”. Aliás, ele ganhou esse apelido depois de dar um bicuda que mandou a bola tão longe que um companheiro falou: “Essa foi parar em Vacaria” (a quase 200 km de onde estavam).

O Santos de 2002 tinha Paulo Almeida, o incansável, que corria o tempo todo. Foi útil, valoroso e o mais jovem capitão de um time campeão brasileiro. Mas craque, não era.

O inesquecível Corinthians de Marcelinho, Ricardinho, Rincón, Vampeta, Edílson, e Dida tinha quem como zagueiro central? João Carlos. Muitas vezes eficiente, mas jamais um exemplo de classe e categoria.

Mesmo na seleção brasileira, que deveria ser à prova de grossos, temos exemplos interessantes. A nossa equipe de 70, a mais mítica das seleções, possuía Everaldo, um modesto lateral esquerdo, e Brito, que não tinha lá muitos recursos técnicos.

E na inesquecível seleção de 1982 talvez tenha faltado justamente um jogador rústico, daqueles que dão bicudas e narigadas na bola.

Enfim, não desprezemos os grossos, os jogadores tacanhos, as sardas e os dentinhos salientes. Quando estão cercados por beleza, eles dão um charme a mais.

 

Por Torero às 09h18

11/02/2010

O poleiro do Galo

A TV Galo faz umas reportagens interessantes. Esta é sobre uma Kombi customizada por alguns torcedores. Click!

 

 

Por Torero às 15h29

10/02/2010

Mais camisas corintianas

Thiago Meneghiti mandou duas interessantes opções para a terceira camisa corintiana:

 Este é um modelo realmente preto & branco. É bem elegante. Mas não poderia ser usada contra alguns times que se vestem todo de branco.

 Esta, levemente retrô, usa o bege da camisa do Corinthians Casuals, time que inspirou o nome do Timão. Para o centenário, seria uma homenagem charmosa. 

 O Felipe Bigon fez algumas variações em cima da idéia da camisa retrô. Gostei mais destas duas:

 

O Ronaldo Weiselberg propõe está aqui, com a verdadeira cruz de São Jorge, mas em dourado, em homenagem ao centenário.

E o Ricardo Ferrer enviou estas duas sugestões, uma privilegiando o tradicional preto e outro, o bege:

 

Por Torero às 10h42

Eu vos pergunto:

Paradinha é:

( ) categoria

ou

( ) sacanagem

Vote nos comentários.

 

Por Torero às 10h26

09/02/2010

Paulistão City

Para ler o texto de hoje na Folha de S.Paulo (que é o Paulistão City, bem conhecido aqui no blog), assinantes da Folha e do UOL podem clicar aqui.

Por Torero às 16h56

08/02/2010

O cisne no lago

Com vinte anos você é só agitação e hormônio, mas ele é calmo como um monge zen-budista.

Com vinte anos você é ansioso e um tanto atrapalhado, mas ele jamais se afoba ou desespera.

Com vinte anos você ainda tem medo que lhe deem um apelido ridículo, mas ele se apresenta assim: “Pode me chamar de Ganso”.

Ontem, no jogo entre São Paulo e Santos, os olhos direitos dos torcedores estavam voltados para Robinho e os esquerdos para Neymar. Mas, mesmo vesgos, pudemos ver a classe de Paulo Henrique Ganso.

É impressionante como ele mantém a serenidade mesmo quando cercado por quatro adversários. Sua tática é proteger a bola dando uns toquinhos sutis, feito gato brincando com bola de papel, e assim atravessa a defesa adversária ou encontra a brecha para dar o passe preciso.

Mesmo nas entrevistas Ganso mostra uma tranquilidade de ministro da economia. Suas frases nunca têm pontos de exclamação, ele jamais força o riso nem se preocupa em fazer frases de efeito. É sempre ponderado. Tão novo e o terno já lhe cai tão bem.

Poderia ser um jovem executivo, tamanho seu equilíbrio e sua rapidez em tomar decisões. Não, um executivo, não. Ele está mais para neurocirurgião, pois mesmo nos menores espaços consegue fazer manobras difíceis, volteios complicados. Contra o Santo André, marcou o gol da vitória com calma de artesão chinês: recebeu a bola na linha da pequena área, matou e deu um toquinho por cima do goleiro. Fez o que todos sabem que tem que ser feito, mas poucos conseguem fazer. Contra o Rio Branco, na abertura do Paulista, fez um gol parecido depois de receber a bola de Giovanni.

Isso de ter calma na pequena área é coisa para poucos, coisa para quem tem pensamento rápido e pés habilidosos. Se quisesse, Ganso poderia fazer tricô com os dedos dos pés.

Ontem ele teve um belo duelo com Hernanes e ganhou. Por pouco, mas ganhou. E Hernanes não é qualquer um. É inteligente, eficiente na marcação e na armação, um jogador de seleção.
 
Mas Ganso, frio como um agente secreto inglês, não teve medo, usou suas armas secretas e venceu o duelo. Aliás, falando em duelo, se fosse um caubói, Ganso jamais deixaria uma gota de suor nervoso escolher pelo rosto.

Ganso é tranqüilo como um cisne num lago.

 

Por Torero às 08h26

Texto da Folha

Cara leitora, imagine-se na seguinte situação: seu esposo, seu amado esposo, fugiu com uma espanhola, deixando saudades em você e nas crianças. Para piorar, lá pelas Europas ele flertou com várias e trocou a espanhola por uma inglesa feia, daquelas branquelas de nariz adunco e olhos vesgos. Porém, após um tempo, ele se enfada e diz que quer voltar para você, para seu primeiro e verdadeiro amor.

O que você faria? Expulsaria o adúltero, dizendo não querer vê-lo nem pintado de ouro? Faria ar de difícil, dizendo que pensaria no caso? Ou o aceitaria de volta?

É claro que o aceitaria! E nem teria opção. Mulher apaixonada não pensa duas vezes. Nem uma. Mesmo que ele dissesse que vinha por uns dias, por um fim de semana para pegar uma praia, você estenderia o tapete vermelho, levaria café na cama com melãozinho cortado, vestiria camisola roxa de cetim

(Para ler o resto do texto sobre o jogo que marcou a volta de Robinho, assinantes podem clicar aqui)

Por Torero às 08h24

05/02/2010

Vocês viram o gol de Neymar?

Mesmo quem não viu, verá. E muitas vezes. Ele será repetido à exaustão. Quer dizer, à exaustão, não, porque jamais nos cansaremos de vê-lo.

Dois jogadores ficaram no chão, um terceiro sofreu uma torção na coluna, e ele chutou entre as pernas de um quarto. Tudo no espaço de uma cozinha de quitinete.

Com um ano de profissionalismo, Neymar é hoje o jogador no Brasil que eu mais gosto de ver jogar. Não porque está no time para o qual eu torço, mas porque há sempre a promessa de um lance surpreendente, de uma imagem inesquecível.

Será que Dunga já pensa em chamá-lo? Seria ele um jogador promissor para se levar à África do Sul, como Kaká ou Ronaldo, que também foram jovens à sua primeira Copa?

E ele entraria no lugar de quem? Do próprio Robinho?

Já prevejo dramas shakesperianos, enredos de novelas mexicanas.

Por Torero às 08h02

Para quem gosta de História, futebol e histórias do futebol

Acontecerá amanhã de manhã, no Museu do Futebol, novo encontro do pessoal do Memofut, uma turma muito bacana que se encontra para contar e recontar as histórias do nosso valoroso ludopédio.

A agenda de palestras de amanhã é a seguinte:

Das 9:45h às 10:30h, Zeca Marques vai falar sobre  "O Futebol em Nelson Rodrigues".

 Das 10:30h ás 10:45h, Gustavo Carvalho lembrará de "Wilson Mano, o coringa".

10:45h/11h15: Intervalo

Das 11:15h às 11:45h, Moacir Andrade vai falar sobre o caricaturista Miécio Caffé, que desenhou muitos ídolos do futebol. 

 E, das 11:45h às 12:15h, Alexandre Adolpho vai fazer um breve histórico das competições da Conmebol, da Libertadores à Recopa Sul-Americana.

 É uma turma interessante, vale a pena ver.

Por Torero às 07h24

04/02/2010

Para quem gosta de cinema e futebol

Acontece no Cinusp uma mostra interessante de filmes boleiros. E com entrada gratuita. Abaixo, os títulos e horários:

CINUSP "Paulo Emílio"
Rua do Anfiteatro, 181 - Colméia - Favo 4 - Cidade Universitária - São Paulo - SP
Sessões de segunda a sexta às 16h e 19h.
100 Lugares - Entrada Franca.

 

Por Torero às 15h24

Minhas férias

Nos tempos de escola, sempre que a gente voltava das férias tinha que escrever uma redação com este tema.

Pois bem, para lembrar dos tempos de antanho, vou contar o que fiz nas minhas férias do futebol.

Para começar, fiz como o Leandro Siviero, de Londrina: arrumei coisas pendentes em casa (algumas pendentes no sentido físico). Troquei lâmpadas, liguei na prestadora telefônica para reclamar de tarifas extras, mexi na assinatura de tevê, mandei lavar o carro, fiz aquela moto encostada pegar, mandei enquadrar aquele pôster, comprei um filtro novo etc...

Mesmo assim sobrou um bocado de tempo.

Então joguei um bocado de Winning Eleven (como o Armando Alves), assisti a vários filmes (como o bugrino Luiz Nery) e li alguns livros, como Diego Sampaio. Ele recomendou "A História das camisas dos maiores times do Brasil". Eu recomendo “Albatroz azul”, do João Ubaldo Ribeiro.

Não cheguei a fazer como o Guilherme, que montou um quebra-cabeça de 1000 peças, e nem recorri aos campeonatos europeus que passam na tevê, como a Camila. Sou mais um Atlético de Alagoinhas que um Atlético de Madrid.

Confesso que fraquejei e segui o conselho do Luciano, ou seja: comi muito. Mas em compensação corri, segundo as minhas imprecisas contas, uns 130 km. Isso até que nem gasta muito tempo, só umas treze horas. Mas gastei mais horas que isso para me recuperar. A cada corrida são vários minutos de caminhada para voltar a respirar decentemente um banho longo para o cérebro tornar a funcionar e, como isso não acontece, quase sempre tenho que tirar uma sonequinha. Ah, a velhice... 

Enfim, recorri a vários artifícios para passar por este mês sem futebol. Mas, para sorte dos meus vizinhos, não fiz como o Célio Angeloni, que monta sua bateria na sala, coloca um vinil e faz um dueto com o Miles Davis.

Mas é uma boa idéia para o ano que vem.

Por Torero às 10h09

03/02/2010

A nova e a novíssima camisa do Corinthians

Para quem não conhece, esta é a nova camisa do Corinthians:

Eu achei bonita, apesar do tom levemente fúnebre, talvez impróprio para um centenário.

Mas o Cleiton Félix não gostou e enviou uma justificativa e uma sugestão: 

"Torero, você deve estar a par da polêmica sobre a nova camisa III do meu glorioso timão, certo? A primeira vez que eu vi achei que parecia um caixão... Fiquei pensando como a atual direção de marketing que está dando um show desde quando assumiu foi dar uma bola fora destas...
 
"Pois bem. Ontem eu vi uma entrevista do gerente de marketing do Corinthians e o mesmo estava explicando que a cruz faz referência à São Jorge. Já comecei a ver c/ outros olhos e achei a idéia bem bacana... ano do centenário... time de guerreiros, e tals... só que falharam em duas coisas: 1) não ficou bem claro a história do São Jorge e; 2) a bendita cor roxa que a torcida (na verdade a Gaviões) não gostou...
 
Desta forma, aproveitando a idéia da cruz e respeitando a tradição no ano do centenário, fiz uma pequena alteração e gostaria de saber sua opinião (arquivo anexo). Acredito que se a camisa ficasse parecida (e se fosse bem explicado) cairia na graça do torcedor. Sei que ficou meio tosca mas é por culpa da falta de ferramentas de edição de imagem (e tá bom, um pouquinho de falta de talento de quem vos fala tbém...)

 

Cleiton Félix.

 

(PS: Se alguém tiver novas sugestões, mandem aí) 

Por Torero às 16h18

Para os fãs da velha guarda

O leitor Sylvio Ferrer repassou-me o endereço de vários clássicos que estão no Youtube. Vou publicá-los de dez em dez.

SELEÇÃO FRANCESA 2x7 PAULISTANO, EM 1925, AMISTOSO EM PARIS COM FRIEDENREICH
http://www.youtube.com/watch?v=D1kXX1nfXTk

BRASIL 6x5 POLÔNIA - OITAVAS-DE-FINAL DA COPA DO MUNDO DE 1938, COM LEÔNIDAS E DOMINGOS DA GUIA
http://www.youtube.com/watch?v=cecyhZCKu1w

BRASIL 2x0 IUGOSLÁVIA - PRIMEIRA FASE DA COPA DE 50, COM ENTREVISTAS A BARBOSA, BAUER E ZIZINHO
http://www.youtube.com/watch?v=nocsH6NSOsA

BRASIL 1x2 SELEÇÃO DO SUL - AMISTOSO EM 1983, COM PELÉ QUE JÁ HAVIA PARADO DE JOGAR DESDE 1977
http://www.youtube.com/watch?v=w58uBRH_9y0

BRASIL 1x0 ESCÓCIA - TORNEIO SESQUICENTENÁRIO DA INDEPENDÊNCIA DO BRASIL, EM 1972, COM GÉRSON, JAIRZINHO, TOSTÃO, RIVELINO E ETC
http://www.youtube..com/watch?v=bJ2EV3c_2AY

BRASIL 1x0 TCHECOSLOVÁQUIA - AMISTOSO EM 1971, COM GÉRSON, TOSTÃO, RIVELINO, ETC
http://www.youtube.com/watch?v=Eliy2TnLpG4

BRASIL 2X2 IUGOSLÁVIA - DESPEDIDA DE PELÉ NA SELEÇÃO EM 1971, NO MARACANÃ - SÓ O HINO
http://www.youtube.com/watch?v=_tJ70D3iBC4

BRASIL 2x1 MÉXICO - AMISTOSO EM 1968, NO MINEIRÃO, COM PELÉ, GÉRSON E JAIRZINHO
http://www.youtube.com/watch?v=Rz2ntNzh5q0

BRASIL 6x2 COLÔMBIA - ELIMINATÓRIAS PARA A COPA DE 70
http://www.youtube.com/watch?v=u-AEcsgitLQ

BRASIL 3x3 IUGOSLÁVIA - AMISTOSO EM 1968
http://www.youtube.com/watch?v=bNNX5-9Zcv0

Por Torero às 08h27

02/02/2010

Links legais

Este é do Fabrício Carpinejar, que escreveu um bom texto sobre os cabelos brancos do técnico do Internacional.

Este é do meu sobrinho Lelê, que fez uma crítica de quatro livros de futebol para crianças.

E este é do meu texto da Folha de hoje, sobre o Robinho (só para assinantes).

 

Por Torero às 09h53

01/02/2010

Um novo vilão no futebol brasileiro

Ele é um vilão insuspeito. Na verdade, parece até um bom sujeito, um amigo, um protetor. Mas não se enganem, trata-se de um crápula. Um pilantra que atrapalha o jogo, que pratica o antifutebol.

E quem é este ser vil, este personagem perverso?

É o homem da maca!

Sim, meus caros, é isso mesmo que vocês leram na linha acima. O homem da maca é o novo vilão do futebol. Seja ele um dos que têm que carregar o moribundo, seja o sujeito que dirige aquele carrinho de golfe, este é o novo adversário das nossas tardes de domingo.

Ele age principalmente nos segundos tempos. É só o time mais fraco estar ganhando por um golzinho que o homem da maca começa seu serviço sujo, passando a entrar em campo a cada três minutos, roubando-nos o tempo precioso de uma partida de futebol.

 Mais malvado que Darth Vader, mais sarcástico que o Coringa.

A cera não foi inventada neste século. Mas antigamente o sujeito só demorava para se reerguer. Hoje a coisa piorou muito. Os jogadores fingem derrames, enfartes, cânceres terminais. De repente não podem mais caminhar. Só o homem da maca pode salvá-los.

Então eles entram naquele seu passo lento, modorrento, paquidérmico, e levam o jogador para dar uma voltinha pelo gramado. Depois, mal sai do campo, o jogador salta do carrinho e já está pronto para voltar. Aquele spray que espirram nas suas pernas deve ser mais um milagre da medicina esportiva. Ou o Gatorade é uma poção mágica.

Eu contei no relógio. As entradas da maca nunca levam menos de um minuto.

É um golpe baixo, antiesportivo, sem a menor classe. Odiávamos isso nos argentinos, agora estamos imitando-os.

No jogo final da Copinha, bastava um vento mais forte e os jogadores do Santos tombavam no chão. Ontem, no jogo entre Sertãozinho e São Paulo, os jogadores do time do interior caíam até por causa de caspa e espinhas.

“Minha unha quebrou, minha unha quebrou, preciso de uma maca!”

"Socorro, socorro, estou com mau hálito!"

E essas coisas acontecem justo no melhor momento do jogo, quando um time está pressionando o outro, quando estamos na iminência de um gol.

Pois bem, há algumas saídas para este mal.

A primeira é a torcida vaiar os fingidos, demonstrando claramente que tudo não passa de arte dramática, e não de um acidente de trabalho.

Os juízes também podem colaborar. Eles têm que dar realmente o acréscimo necessário. Não devem ter medo de pedir sete, oito, doze minutos a mais. O time que recorre a este esquema covarde tem que perceber que a entrada do homem da maca vai mais prejudicá-lo que ajudá-lo.

E, por fim, podemos ter uma mudança na regra: quem sai de campo só pode voltar depois de três ou cinco minutos. Essa idéia, é claro, tem o problema de punir aqueles que realmente se machucam. Mas estes são poucos, bem poucos.

 

Alguns falsos vilões

Adriano foi um algoz terrível, daqueles que vestem capa preta e soltam uma gargalhada malévola. Pelo menos para o Fluminense. Já para os flamenguistas foi um herói que grita Shazam, transforma-se num superatleta e vence partidas que pareciam perdidas.

Roberto Carlos começou mal. Deu um carrinho para impressionar a torcida e foi expulso. O cartão vermelho poderia ter custado mais caro. Porém, pelo empenho dos dez que ficaram em campo, principalmente pelo do goleiro Felipe, Bob Charles acabou não sendo culpado por uma derrota.

Alguns corintianos podem achar que Wilson Luiz Seneme foi um crápula por expulsar um grande jogador aos oito minutos de uma partida, um jogador que todos estamos ansiosos para ver jogar. Mas Seneme estava certo.

 

Por Torero às 07h39

Sobre o autor

Formado em Letras e Jornalismo e quase formado em Cinema, é autor de treze livros (como "O Chalaça"), escreveu roteiros para cinema (como "Pequeno Dicionário Amoroso") e para tevê ("Retrato Falado").

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