Blog do Torero

31/12/2009

Enfim, férias

Estimado leitor, adorada e idolatra leitora, vou entrar em férias. Sim, férias. Desde que comecei este blog, há mais de quatro anos, nunca tirei férias. Mas eis que finalmente chegou a hora.

Serão 31 dias sem futebol. 744 horas sem futebol. 44.640 segundos sem futebol.

Creio que será um teste e tanto. Um mergulho no autoconhecimento, um encontro com o espelho. Ficar sem futebol é mais ou menos como ser deixado num deserto, onde só temos a nossos próprios pensamentos como companhia.

O que farei com o tempo que sobrar? Peças, livros, tortas ou bolos? Ficarei feliz ou triste? Passarei os dias na rede, de papo para o ar, ou escreverei um livro-relâmpago?

O certo é que neste mês de janeiro tentarei com todas as minhas forças me afastar do futebol. Não escutarei programas de rádio, não verei jogos de futebol na tevê, passarei longe da Vila Belmiro e desviarei do Pacaembu. Quanto ao Playstation, tenho poucas esperanças de abandoná-lo, mas me esforçarei. Ah, e também não lerei livros sobre futebol ou mesmo qualquer um que me lembre remotamente o assunto, como o Memórias de Adriano, da Marguerit Yourcenar.

Sei que perderei coisas importantes, como as compras e vendas do mercado boleiro, coisa que decide em grande parte os onze meses seguintes, a Copa São Paulo, que aponta os craques da próxima década, as primeiras rodadas do Paulistão, que começa dia 17 de janeiro, e os resultados do Troféu Baleião de Futebol Virtual, a ser disputado na praia de Baleia em meio a cervejas e petiscos ultracalóricos.

Mesmo assim, estou curioso sobre o que vai acontecer durante esta estiagem.

Jogarei futebol na praia em vez de vê-lo na tevê?

Sentirei saudade ou nunca mais vou querer saber do esporte bretão? Me tornarei um antifutebolista, feito aquele cara que consegue largar o cigarro e torna-se o mais chato dos não-fumantes?

Sinceramente, não sei.

Mas tentarei mantê-los informados sobre esta abstinência pelo twitter. Isso se eu escrever no twitter, pois pode ser que, sem a prática diária de escrever, eu desaprenda.

Um abraço e boas férias de mim, Torero.

 

Por Torero às 10h25

28/12/2009

Zé Cabala e o mais vitorioso dos professores

O sol estava inclemente quando cheguei à casa de Zé Cabala, o Ipod do além. Ele estava de short, chinelos e camiseta regata.

“O senhor está vestindo um modelo de verão de seu sagrado manto, mestre?”, perguntei.

“É óbvio, ou você acha que estou vestido assim por causa do calor?”

Fomos para sua sala e, depois de por seu turbante (que estava na geladeira), ele disse:

“Quem quereis entrevistar hoje, caro foliculário?”

“Acho que gostaria de falar com algum injustiçado, alguém que não foi tão bem falado quanto merecia.“

Zé Cabala deu oito passos de mambo, três de rumba e um gran finale de tango. Depois me estendeu a mão e falou: “Luís Alonso Pérez, muito prazer.”

“Luís Alonso..., não estou lembrado de um jogador com esse nome...”

“Eu nunca fui jogador. E o pessoal me chamava de Lula.”

“O técnico da era de ouro do Santos?”

“Em carne, osso e bigodinho.”

“Puxa, que honra! Mas que história é essa de o senhor nunca ter jogado de futebol? Como é que alguém chegava a técnico naquele tempo sem ter sido jogador?”

“Eu fui padeiro e chofer de táxi. Mas amava o futebol e comecei a trabalhar como técnico nos times da várzea santista, como o Palmeirinha e o Americana. Acabei indo cuidar da molecada da Portuguesa Santista e, depois, da do Santos. Aí, em 54, quando eu tinha só 32 anos, o técnico dos profissionais caiu e me colocaram como interino. Tipo o Jorginho e o Andrade. Só saí de lá doze anos depois.”

“E como o senhor era como técnico?”

“Bom, eu criava um bom ambiente e montava bem a equipe. Tinha olho clínico. O pessoal até me chamava de professor. Antes de mim as categorias de base eram muito fracas e não revelavam quase ninguém. Eu sabia enxergar o potencial de um jogador. Pode perguntar para o Pagão, para o Pepe e para o Coutinho, que foram meus juvenis. Ah, e também lancei um tal de Pelé.”

“Quantos títulos o senhor ganhou?”

“Trinta e oito, no total. Foram dois mundias, duas Libertadores, cinco nacionais e oito paulistas, fora uns Rio-São Paulo e uns torneios no exterior.”

“O senhor foi o treinador mais vitorioso de todos os tempos?”

“Fui. O problema é que eu não era muito bom de marketing. Me vestia de um jeito muito simples e tinha um péssimo português. Lembro que uma vez eu disse ‘Coutinho, você tem promoção para engordar’, em vez de propensão. E teve uma vez que riram muito quando eu falei ‘Vocês quatro fazem um triângulo no meio campo’. Mas eram detalhes. O importante é que eu entendia de futebol.”

 Desenho dado por Picasso a Lula, durante uma excursão do Santos à França.

“O senhor lembra de alguma partida em que tenha sido decisivo?”

“Várias. Por exemplo, na final do Mundial contra o Benfica, todo mundo achou estranho eu escalar o Olavo na lateral direita, porque ele era zagueiro e já um tanto velho. Mas, quando o Coluna, o ponta-esquerda deles, veio para cima do Olavo, ele deu-lhe entrada que quase partiu o coitado no meio. Depois disso o Coluna ficou o jogo todo recuado, quietinho, e aí não tinha quem passasse a bola para o Eusébio.”

“Dizem que o senhor saiu do Santos por causa de uma briga com o Pelé.”

“Dizem, dizem...”

“E o senhor confirma?”

“Espíritos não gostam de fofoca. O importante é que comandei o clube em 776 partidas. Ganhei 513 e meu Santos fez 2.385 gols, mas de três por partida.”

“Depois o senhor foi para onde?”

“Primeiro para a Portuguesa Santista, depois para Corinthians, e aí Portuguesa de Desportos e Santo André. No Corinthians eu acabei com o tabu que eu mesmo criei. Eles estavam há onze anos sem ganhar do Santos em campeonatos paulistas, mas, comigo no comando, a zica acabou.”

“O senhor morreu cedo, não?”

“Com 50 anos. Mas não me queixo. Fiz bons filhos e uma boa história. Imagine ser técnico do maior time do mundo com trinta e poucos anos. O que mais um homem que amava o futebol, um modesto chofer de táxi, podia querer da vida?”

 

Por Torero às 10h22

26/12/2009

Marta, Marta, Marta, Marta...

 
 

Marta, Marta, Marta, Marta...

Texto de Anderson Santos, de Maceió-AL

Tentei assistir a entrega do prêmio através do site da Fifa. Não deu. Tentei assistir pelo Globoesporte.com. Ficou transmissão típica de Internet: alguns segundos na tela e minutos para recarregar. Por via das dúvidas, já estava com o minuto-a-minuto do evento na janela ao lado.

Tudo bem, eu sei que o Messi era escolha definida - prova disso é a diferença, a maior, para o segundo colocado. Mas o que esperava não era, e nem de longe, ver um argentino levantar o trofeu de melhor jogador do mundo.

Pouco me importava se Kaká, Xavi, Iniesta ou Cristiano Ronaldo também estavam em Zurique. Se tinha duas alemãs - uma tri-campeã do prêmio - e uma inglesa. A Cristiane joga muito e é a jogadora que mais evoluiu ao longo dos anos, mas deu o azar, talvez como Garrincha, de ser contemporânea da maior jogadora de todos os tempos.

A minha atenção estava voltada para Ela, que tinha tudo para ver afirmada a sua supremacia no futebol. Isso mesmo, no futebol. Ouso a dizer que ninguém joga melhor futebol atualmente do que Marta, independente do sexo.

Para aumentar a minha ansiedade, na hora do anúncio da melhor jogadora de futebol de 2009 a transmissão do vídeo foi recarregar e a do minuto-a-minuto atualizou. Segundos de ansiedade, até a notícia: "Marta é escolhida pela quarta vez a melhor jogadora do mundo! Impressionante!".

Imediatamente ligo para o meu pai para avisar e escutar um: "Eu não disse para você".

Vá lá que não é nenhum título mundial coletivo ou medalha de ouro olímpica, mas temos sim que comemorar. O futebol feminino vem dando seus primeiros passos e isso só acontece graças à força de vontade de muitas jogadoras - caso da grande Sissi - e de poucos apaixonados pelo futebol, que as incentiva(ra)m.

A mim, que sou de uma geração que não pode ver sequer Maradona, é com muito prazer que vejo alguém do nível de um Pelé. Além disso, o orgulho é maior ainda quando sei que a Marta nasceu no sertão nordestino, no interior de um Estado tão pobre e antiquado até quanto Alagoas.

É a prova para o Brasil, e o mundo, que aqui não é o antro da corrupção e do tiroteio, que não temos apenas guabirus, taturanas ou presidentes afastados por desvio de dinheiro público. Alagoas também é a terra de Graciliano Ramos, de Hermeto Pascoal, de Dida (um dos maiores artilheiros da história do Flamengo), de Zagallo e de Marta.

Espero não cansar ao longo dos próximos anos de repetir esse nome. Marta Vieira da Silva, a maior vencedora da história do prêmio "Melhor do Mundo" da Fifa.

 

Por Torero às 08h12

25/12/2009

Pedidos ludopédicos para Papai Noel

Caro Papai Noel, venho por meio desta repassar-lhe o pedido de vários leitores.

Como o senhor vai ver, todos querem alguma coisa relacionada ao futebol.

O pedido mais comum foi a Libertadores.

O Conrado, que é tricolor, pediu “só” o tetra. Mas o Antonio Carlos, que também torce para o São Paulo, além do tetra quer que “o Corinthians seja eliminado na primeira fase”.

Por outro lado, o corintiano Adriano quer o título para o seu time “com muitos gols do Gordo e com muitos cruzamentos do velho Roberto Carlos.”

E a Libertadores está tão desejada que o Ronaldo Andrade fez um pedido antecipado: quer o Santos esteja lá em 2011.


Jogadores

Porém, caro Papai Noel, os pedidos não são apenas de títulos. Há também quem queira jogadores.

O Otávio Caetano, palmeirense de Vinhedo, quer a volta de Alex e Valdivia.

Já o Beto Avaha quer “um atacante bem parecido ‘futebolísticamente’ com o Luís Fabiano para o São Paulo”. Onde o senhor vai achar alguém que jogue como ele é que eu não sei. Ainda bem que eu não estou no seu lugar.

O curioso é que tem gente que não quer mais um jogador, mas menos um. É o caso do Alexandre Boni, de Itu: “quero, com todas as forças, do fundo de minha alma, a saída do zagueiro Marcão do Palmeiras. Mas que ele não abandone o futebol, e sim vá para outro time. Não que eu busque a desgraça alheia, mas dessa forma ele pode continuar servindo de exemplo para as crianças que querem ser jogadores: ‘poxa, se até o Marcão é jogador profissional, por que eu também não posso?’.”

 

Alvinegros

Os santistas andam contentes. A Mariana Toledo diz que já recebeu o seu presente, que era a vitória do Luís Álvaro para presidente do Santos. Mas... “se puder trazer mais um presentinho, que no BR 2010 estejamos entre os 4 primeiros colocados.”

Outro santista, o Luciano Toledo, também diz que já ganhou o seu presente: ver Marcelo Teixeira e Luxemburgo longe do Santos. “Agora, só posso pedir paz nos estádios e paciência aos torcedores santistas, pois entramos numa nova fase e creio que logo, logo estaremos novamente no topo.”
 
O Luxemburgo, que saiu do Santos e foi para o Atlético-MG, é citado no desejo do Alexandre Fonseca, de BH. Ele quer que o Galo volte a ser um clube vencedor como na sua infância, mas sem “gastar os tubos trazendo o Luxemburgo, que não ganha nada sem ser o Paulista desde 2003.”


Impossíveis

Para o fim, caro Papai Noel, deixei alguns desejos que podem parecer impossíveis.
 
O Amoroso e o Léo, de Salvador, querem que os jogos de futebol sejam decididos pelos times, e não por árbitros desonestos.

O Ricardo quer que as torcidas organizadas se mudem para outra galáxia. O Hilson quer voltar a ir aos estádios com amigos de outros times, e o André Bastos deseja que acabem todas as grades, fossos e alambrados, a fim de que os torcedores possam ver o jogo direito.

E o Marcelo, de Curitiba, fez um pedido tão completo que nem vou traduzir, Papai Noel. Vou colocar a carta dele inteira:

“Neste Natal gostaria de pedir a você, Papai Noel, que a máfia de empresários que existe no futebol deixasse de existir de 2010 em diante. Queria pedir também que os jogadores atuassem mais com amor à camisa e não tanto pela ganância e dinheiro. Gostaria que o futebol fosse só aquele belo esporte jogado entre as quatro linhas, com uma bola e que não houvesse interesse de terceiros por trás disso. Queria pedir para que não existam mais os marginais e fanáticos no meio de quem quer apenas torcer pelo time e ama seu clube. Isso é possível? Tudo bem, eu não acredito em Papai Noel mesmo...”

 

Por Torero às 09h43

Tatuagens: o galo discreto

A atleticana Araceli Rodrigues foi na contramão e pediu uma tatuagem pequena para representar seu grande Galo.

Por Torero às 09h41

24/12/2009

Pergunta: O que você, como torcedor, quer do Papai Noel?

Digam cá, cara leitora e barato leitor, o que vocês querem como torcedores? Um título, um jogador, um juiz amigo STD? Ganhar na toreroteca, na loteria ou no bolão do barw Quer um jogador fora do seu time? A volta de um ídolo?

Mande sua cartinha, diga qual o seu desejo.

 

Por Torero às 14h38

O Guerreiro nas costas de Daniel

Depois da conquista da Copa do Brasil, o Daniel Rentero, em agradecimento por mais esta conquista, mando tatuar um São Jorge, o Santo Guerreiro, em suas costas. 

Por Torero às 14h28

23/12/2009

Twittando

É o seguinte: o blog agora tem twitter.

Assim como o do Juca, o material do twitter será, a princípio, as manchetes dos textos postados (eventualmente Zé cabala pode colocar alguma de suas sábias frases, como "Longo é o caminho que leva ao lugar distante").

Para seguir o twitter é simples: basta clicar aqui no lado esquerdo do blog e se inscrever.

E tomara que vocês façam isso rápido, porque eu apostei com meu sobrinho Lelê que termino o ano com mais seguidores que ele. O estranho é que ele tem o dobro de seguidores, mas aqui há cinco vezes mais leitores. Ou seja, estou perdendo de dez a zero. Dez a zero!

Não vamos deixar este fedelho, quero dizer, este garoto ganhar de nós!

Por Torero às 07h55

22/12/2009

"Quero ficar no teu corpo feito tatuagem..."

Ainda falando sobre loucuras que fazemos por nossos times, eis aí a tatuagem da Tatiane S. Christen, namorada de Thiago Salviatto, de Apucarana-PR.
Ela é apaixonada pelo goleiro do Palmeiras e decidiu imortalizá-lo na posição em que ele fica depois de defender um pênalti.
Quem tiver uma tatuagem diferente, mande para blogdotorero@uol.com.br.
 

Por Torero às 12h36

Roberto por Roberto

Os Robertos Carlos, o cantor e o jogador, são os dois grandes assuntos desta semana. Um porque vai fazer seu show de Natal, tão tradicional quanto o próprio panetone. Outro porque é a grande contratação do futebol brasileiro deste fim de ano. E, com pequeno esforço, dá para misturar os dois.

Podemos começar imaginando que o jogador estava um tanto infeliz na Turquia, olhando para o mar e lembrando das palavras do cantor: "Além do horizonte deve ter algum lugar bonito pra viver em paz... Onde eu possa encontrar a natureza, alegria e felicidade com certeza."

Então tocou o telefone e era Ronaldo, convidando-o para jogar no Corinthians. O lateral agradeceu e...

(Para ler o resto do texto, vá ao açougue, compre meio quilo de alcatra e peça que a carne seja embrulhada no Caderno de Esportes da Folha. Assinantes do UOL e da Folha podem clicar aqui.)

 

Por Torero às 05h46

21/12/2009

Cores e amores

A loucura de torcer se manifesta de várias formas. Algumas muito discretas, outras berrantes como o quarto de Carlos Rodrigues, são-paulino de Valinhos que, para desespero de sua mãe corintiana, pintou as paredes de seu quarto de vermelho, preto e branco.

Marcelo Campos também pintou seu quarto, mas de verde e branco, igual à camisa listrada que o Palmeiras usou em 1995. E ele não parou por aí: “Aproveitei e pintei os móveis e armários de branco com detalhes verdes.”

Mas nenhum quarto ganha do do Erico Lanza: “Pedi para o meu pai pintar o meu quarto com o curioso projeto elaborado por mim. Duas paredes pintadas de preto e branco (cores do Corinthians, o time que torço), e as outras duas paredes pintadas de azul e amarelo cores do Boca Juniors)”. E ele diz que ficou muito bom.


Cabelos

Muitos leitores escreveram contando histórias de cabelos pintados. Fiquei com duas histórias exemplares, uma triste e outra alegre.

A alegre é a do João Ernesto. Ele fez uma promessa que, caso o São Paulo fosse campeão mundial em 2005, iria pintar meu cabelo com as cores do tricolor. Vitória sobre o Liverpool, taça na mão, hora de pagar a aposta. “Como sou moreno, só tive que pintar uma parte de vermelho, outra de branco e deixar o resto natural. O problema é que meu cabelo não descoloriu até ficar branco, acabou ficando um loiro platinado. Minha cabeça ficou mais parecida com a bandeira da Bélgica do que com o símbolo do SPFC.”
 
A história triste é a do Tiago Meira, santista fanático que em 1995, com 15 anos, decidiu pintar o cabelo de vermelho como o Geovani. E fez isso pouco antes da fatídica final:

“Comprei uma tinta vermelha e pedi pra minha mãe pintar. Ela pintando e gargalhando da minha cara. Mas o problema é que duas horas depois da final com o Botafogo, tinha uma festa de aniversário com todos os meus amigos torcedores de outros times, e todas as garotas com quem eu tava de olho. Claro que fui motivo de piada de todos os amigos, e não consegui sair com nenhuma garota daquela festa.”


Amor, meu grande amor

Há algumas coisas feitas pelos torcedores que são provas de amor incontestável, de um amor que beira a insanidade.

O Teco, por exemplo, ia casar em julho de 2005. Mas, esperto, marcou o casamento numa quinta-feira, pois os jogos do São Paulo pela Libertadores eram às quartas. Mas na final contra o Atlético Paranaense foi diferente:

“Eis que marcam o jogo de volta para o Morumbi no dia do meu casamento. Ao saber disso, avisei a noiva: ou adiamos o casamento ou casamos e vamos ao estádio. Claro que, depois de muita confusão das famílias, concluíram que era mais simples irmos ao jogo. Assim sendo, casei e 21h00 entrei no Morumbi com mulher, sogra, padrinhos e etc para ver o SP ser campeão da Libertadores em cima do Atlético-PR.”

O André Araújo conta uma história de amor coletivo: “Não sei se é ridículo ou uma prova de amor, mas uma coisa bacana aconteceu nos idos de 2000. Moro na Zona Leste e, sendo assim, a maioria dos meus amigos eram corintianos. Naquela época de Libertadores, combinamos todos de fazer um ritual no dia dos jogos, e nos dias seguintes também, que era vestir a camisa do Timão por baixo do uniforme. Quando o Corinthians perdeu nos pênaltis para o Palmeiras foi muito bonito ver que todos nós estávamos com a camisa por baixo. Pode não parecer muito ridículo, mas o que os palmeirenses nos ridicularizaram não foi fácil...”

Neste mesmo jogo aconteceu a história de amor que encerra esta série e foi mandada pela Thati, palmeirense de São Paulo:

“A coisa mais ridícula que eu já vi nem fui eu que fiz, e sim meu pai. Na verdade para ele foi ridículo, mas para mim foi maravilhoso! Explico: Libertadores de 2000. Palmeiras x Corinthians se encontravam mais uma vez na decisão nos pênaltis. O Corinthians chateado por já ter sido eliminado em 1999. Ainda havia cicatrizes e aquele era o momento de fechá-las de vez. Eu tinha 15 anos. E já torcia fervorosamente pelo Palmeiras. Então, meu pai, corintiano, em um sofá da sala e eu no outro. Já no jogo eu estava passando mal! Ser eliminado pelo Corinthians era absurdo! Então, vendo meu nervosismo, meu pai se sentou ao meu lado, e disse: ‘Filha, calma, o Palmeiras vai ganhar o jogo’. E ficou segurando minha mão até o Marcos defender o pênalti do Marcelinho. Aposto que pra ele foi um golpe duríssimo, mas ele me abraçou e torceu comigo. Foi ou não foi ridiculamente maravilhoso?”

 

Por Torero às 06h42

20/12/2009

Seleção sem solução - última parte

 
 

Texto de Lino e Cláudio Porto

Seleção da Oposição: Time formado em 1994, após fusão entre as equipes dos Tucanos e dos Democratas, de Governador Vale Dólares. Venceu facilmente os torneios nacionais de 94 e 98, passando como um rolo compressor sobre os adversários, graças ao falecido neo-líbero Motta. Crises internas e externas custaram-lhe a derrota em 2002. Desde então, continua na dúvida entre montar novamente um time ofensivo ou ficar na defesa, tentando encaixar um contra-ataque nos (muitos) erros de seu maior rival.

1. Fernando Henrique. Capitão e elegante goleiro, com fama de intelectual, sem parentesco com seu homônimo do Fluminense. Foi o primeiro bi-campeão nacional, mas o segundo título até hoje é visto com desconfiança, pois foi ganho no tapetão. Atualmente faz apenas jogos de exibição, já sem o brilho de outrora.

2. Geraldo. Lateral paulista que atua recuado. A fama de misturar política com religião lhe rendeu muitas críticas dentro do próprio time. Era visto como um jogador educado, grande promessa, mas não conseguiu fazer gol no então combalido goleiro Luís Inácio e caiu em desgraça.

3. Tasso. Zagueiro cearense de boa reputação nos anos 90, parece ter se perdido no atual campeonato truculento disputado nos campos do Senado.

4. Jorge. Defensor catarinense de origem germânica, especialista em jogadas por baixo. Duro, provocador, gosta de declarações polêmicas e já foi acusado até de racista. Só tem o pé direito. Maciel, seu reserva, é bem mais fino.

6. Pedro. Espalhafatoso ala gaúcho, com fama de gesticular muito em pleno campo, mas que cumpre com rigor a sua função de bom marcador.

5. Beto. Filho do bom meio-campista paranaense Zé Richa, joga sorridente e sempre de cabeça erguida. Porém, o time adversário insiste que ao final de cada partida ele nunca deixa o campo com o uniforme inteiramente limpo.

8. Antônio Carlos. Neto do lendário extrema-direita baiano, aparentemente é bem menos violento que o avô, mas no fundo seu jogo é igual, sempre pela mesma faixa do campo, da qual se julga dono.

10. Neves. Neto de um craque mineiro que atuou em vários clubes, vem se tornando um especialista na articulação de jogadas. Porém, seu estilo moderno de atuar, muitas vezes agressivo, não só lhe empana o brilho como parece cheirar mal diante do torcedor...

7. Jarbas. Ponteiro pernambucano famoso pela lisura de suas jogadas. Jamais foi expulso ou advertido pelo árbitro, mas a torcida sente que ele poderia render um pouco mais. Volta e meia é substituído pelo promissor Demóstenes, bom de cabeça.

9. Serra. Artilheiro esguio, cabeceador nato, saúde invejável. Perdeu um pênalti decisivo diante do goleiro Luís Inácio em 2002, mas sagrou-se campeão paulista na seqüência, sem precisar jogar o segundo turno. Para ser campeão nacional, sabe que terá de conquistar parte da torcida que ainda o vê como um jogador um tanto antipático.

11. Fernando Cânhamo. Surgiu na mesma categoria de base que revelou Dirceu e Dilma. Teve passagem marcante pelo futebol sueco. Poucos duvidam de sua categoria, de seu jogo moderno, versátil, ora na marcação, ora no ataque. Porém, o fato de ter atuado com calção de crochê quando juvenil, ainda gera desconfiança numa grande parcela da torcida.

O desfalque do time será o atacante Arruda, do Brasiliense, que será julgado pelo STJD após ser flagrado por uma câmera dando colocando a mão na bola num lance decisivo. Como é a segunda vez que o atleta foi pego em jogada similar, sua promissora carreira parece definitivamente encerrada.

O placar dos confrontos entre as duas tradicionais agremiações está 2 x 2. O tira-teima será em outubro do ano que vem. A torcida brasileira está dividida e com a paciência no limite, haja vista o baixo nível das últimas decisões entre ambas e as inúmeras derrotas durante a pré-temporada. Mas mantém a esperança de que será um jogo histórico e de que o grande vitorioso será ele mesmo: o povão.

Por Torero às 11h20

19/12/2009

Seleção sem solução - I

 
 

Seleção sem solução - I

Texto de Cláudio e Lino Porto

Mais uma seleção para a sua coleção: a seleção (em minúsculas) da política brasileira. De um lado, o time do Governo. De outro, a equipe da Oposição. Na torcida, de pé, na chuva, espremidos, nós, pobres eleitores-torcedores...:

Seleção do Governo, que começou com um time ofensivo e hoje atua num esquemático 4-5-1 (alguns diriam 1-7-1), mais defendendo do que atacando:

1. Goleiro (e capitão) – Luís Inácio. Esse é o cara. Depois de perder 3 decisões seguidas, pode agora igualar o placar, pois passou a pegar desde marolinha até pré-sal. Sobre o fato de parte de seu time ter se vendido num esquema de jogos arranjados com o clube Congresso na temporada 2006, diz que não sabia de nada porque estava lá trás só organizando a zaga. Apesar de ter um dedo a menos em uma das mãos, boa parte da torcida ainda o apóia, pois confia que ele segura as pontas mesmo quando o time dá algum apagão.

2. Ala direita – Romero. Defende bem, mas apóia pouco. A torcida o vê com enorme desconfiança, pois já jogou até no arqui-rival. Por coincidência, sempre faz parte da equipe campeã.

3. Zaga central – Zé Alencar. Experiente, joga discreto e pouco aparece. Nos treinos, cobra mais flexibilidade na atuação dos zagueiros reservas Meirelles e Guido. Graves contusões o têm deixado de fora do campeonato.

4. Quarta-zaga – Aloísio. Esperava-se mais dele. Às vezes joga fino e elegante, noutras desce o sarrafo. Já ameaçou até abandonar o time, mas seu capitão o convenceu a ficar e a lutar pelo tri.

6. Ala esquerda – Antônio. Veio de Ribeirão Preto e também é médico, mas joga bem menos que o doutor Sócrates. Era o xodó da torcida no auge das conquistas. Porém, durante um treino, ao buscar uma bola que caiu na casa ao lado, desentendeu-se com o caseiro e nunca mais voltou a ser o que era.

5. Volante – Renan. Não esconde que bate mais do que joga. Diz que apenas cumpre o que o treinador pede. É fraco no apoio, mas sabe destruir como ninguém. A torcida não aprecia seu futebol e sempre pede a sua substituição, mas o capitão gosta de vê-lo dar o primeiro combate nos jogos decisivos.

8. Meia-esquerda – Dirceu. No início, era um jogador combativo, com o cacoete de sempre cair pela esquerda do campo. Aprimorou-se e começou a atuar também pelo meio. Depois de um bate-boca com o atacante Jefferson do Clube Congresso, foi pego em um antidoping que praticamente lhe custou a carreira. Continua treinando às escondidas com seus ex-companheiros, pois a equipe ainda o vê como um armador com grande visão do jogo. O gaúcho Tarso se esforça para lhe substituir à altura.

10. Meia-direita – Ribamar. Se Inácio é o dono da bola, o maranhense Ribamar é o dono do campo. Apesar da forte marcação que recebe, raramente sai machucado ou é expulso. De fôlego insuperável, é titular há mais de 40 anos. Lento, embora não da mesma “academia” de Ademir e Dudu, cadencia e distribui as jogadas, pois todas passam por ele, o que irrita os adversários e parte da própria torcida governista.

7. Ponta-direita – Fernando. Começou em um obscuro clube de Alagoas. Na histórica decisão de 1989, ele e seu atual capitão quase trocaram socos. A torcida governista odiou sua contratação e o engole a contragosto. Joga recuado, apoiando Romero e Renan nas jogadas pela ala direita, sempre que a equipe precisa de marcação mais cerrada contra o time da Oposição.

9. Centroavante – Dilma. Assim como Dirceu, foi uma volante agressiva em seu início de carreira, até pouco a pouco ir se posicionando mais à frente. É vista como truculenta, embora seu futebol tenha melhorado nas últimas temporadas. Apesar de ainda não ter caído nas graças da torcida, ninguém duvida de seu potencial para ser a artilheira e a nova capitã do time.

11. Ponta-esquerda – Vicentinho. Começou em São Bernardo do Campo, nos mesmos campinhos de terra em que seu capitão despontou para a seleção nacional, mas jamais teve o mesmo carisma do Camisa 1. A ala mais popular da torcida o tinha como grande promessa, mas seu futebol nunca decolou.

(continua amanhã, com a seleção adversária)

 

Por Torero às 17h03

17/12/2009

Deus gosta de vexames

Olhando-se as roupas de algumas religiões, percebe-se que Deus tem um gosto um tanto exagerado, um tanto ridículo. Nós, os torcedores, sabemos disso, e às vezes algumas coisas ridículas para agradá-lo.

O Rodolfo Buscarini, por exemplo, há pouco tempo esteve em Aparecida “e, na hora da benção dos objetos, tirei uma bandeira do Guarani para ser benzida, arrancando risos tanto de quem estava perto de mim, quanto do padre que me viu com a bela bandeira desfraldada.”

O que importa é que deu certo. Poucos dias depois, o Guarani estava de volta à primeira divisão.

A Neli Faria, santista, chegou a entrar de joelhos na Igreja da sé, na hora de uma missa. O padre interrompeu a celebração e deu-lhe um esporro. Mas as coisas não pararam por aí. Neli, depois da missa, foi até a sacristia e, com mil demônios!, xingou o padre.

Novamente Deus ficou do lado do torcedor. Isso foi no meio do Paulista de 1978 e o Santos acabou sendo o campeão.

O palmeirense Rinaldo Milesi foi ainda mais longe. Chamou um padre para a briga.

“É isso mesmo que vocês estão lendo, chamei um padre pra briga. Vou contar. Última rodada do Brasileirão 2002. O Palmeiras dependia de uma vitória sobre o Vitória, em Salvador, para escapar da degola. E eu dependia de ajuda divina para meu time se manter vivo. O que fiz? Fui pra catedral da Sé para ficar lá das 16h às 17h45, o tempo do jogo. Acontece que, por volta das 17h, apareceu o tal padre solicitando gentilmente que eu me retirasse, pois a igreja só reabriria às 18h. O quê? Sair, e sofrer o inferno lá fora? Mandei o padre pro diabo. Aí o tempo fechou. Bate boca, empurrões, excomunhão. O padre só permitiu minha permanência após eu ameaçar sair dali e me refugiar na igreja universal. Bom, como castigo, o Palmeiras caiu.”


Promessa indigesta

Os torcedores comem o pão que o diabo amassou. Mas o Nathan Duarte foi mais longe. Comeu sabão.

Cruzeirense, ele estava assistindo ao jogo do seu time contra o Palmeiras pela Copa do Brasil num clube aquático. Ele, seu pai e alguns amigos. O Cruzeiro tinha que vencer, mas só dava Palmeiras e o placar estava em 2 a 2.

“Faltando cinco minutos para acabar, meu pai me chama para ir embora. Antes passo no banheiro e, sozinho, ajoelho, rezo e prometo uma coisa muito louca. E pago a promessa: pego um sabão, isso mesmo, um sabão de coco, e começo a comê-lo. Gosto horrível! Vou embora com meu pai e começamos a ouvir vários barulhos, gritando Zêrooooooooooooo! No último minuto, gol de Fábio Júnior! O Cruzeiro venceu e eu fiquei feliz, mesmo com gosto de sabão na boca e uma dor de barriga terrível.”

 

Fio de esperança

Alguns são mais cândidos. Não recorrem ao Todo Poderoso, mas a um fik de esperança. O Ewerton Consalter, na final do Paulista de 1993, estava assistindo o Coringão contra o Palmeiras e imagem da TV estava “meio caidona”. Então ele resolveu mexer na antena, que era um reles fio ligado à tevê, e neste momento saiu o gol do Viola.

Resultado: ele ficou segurando o fio até o final do jogo para a sorte não mudar.

“Coincidência ou não, no segundo jogo não segurei o fio e tomamos de 4 x 0.”


Barganhas divinas 

“Torero, minha história começa ridícula e acaba com uma boa causa”, conta a Tatiana Rodrigues. “Era 1995 e o Timão estava há 4 anos sem ganhar nada. Eu estava no penúltimo ano de Desenho Industrial na FAAP e subia aquela pirambeira lazarenta da rua Alagoas, ansiosa pela primeira partida contra o Grêmio. Pensei, repensei e pedi: ‘São Jorge, se o Timão for campeão este ano, viro devota e todo dia 23 de abril vou comprar muita comida e ajudar quem precisa’. Desde essa conquista, cumpro esse ritual: dia 23 de abril é dia de ir até o Glicério e deixar comida pro pessoal que mora ali.”

E o Osiris, de Itu, conta uma história curiosa: seu pai está com diagnóstico de câncer fez um trato com Deus: só vai embora quando o Palmeiras for campeão. “Nós, da família, inclusive ele, ficamos agora num dilema, pois, quando o Verdão está indo bem, o velho fica feliz e triste ao mesmo tempo”.

Os familiares de Osíris talvez sejam os únicos palmeirenses felizes com a perda deste Brasileiro.

 “É um tipo de piada que ajuda muito a enfrentar a doença”, explica Osíris.


(no próximo texto, o último da série, “O torcedores , as cores e os amores”)

 

Por Torero às 10h05

16/12/2009

Contratações bombásticas!

Meu amigo Al-Chaer, sempre atrás de furos jornalísticos, mandou-me um email com vários furos de reportagem. Ele conta, e comprova por fotos, que Adriano está perto do Fogão, que Grafite já está na Toca da Raposa, que Riquelme está no Cruzeiro e Santos, de olho em Pet.

 

 

PS: Segundo me avisaram os leitores, as fotos foram originalmente postadas no Bola nas Costas: http://colunas.globoesporte.com/bolanascostas, onde há mais destas fotos.

Por Torero às 13h12

15/12/2009

Zé Cabala e o Doutor Rúbis

Para ler o texto de hoje na Folha, assinantes podem clicar aqui. Não assinantes podem roubar o Caderno de Esportes do vizinho baterista que só consegue ensaiar à noite. 

 

PS: Se vier algum politicamente correto me encher o saco dizendo que eu aconselhei a roubar, nem vou responder. Tem muito chato hoje em dia.  

Por Torero às 11h55

Guarani x Portuguesa

E parece que chegou ao fim a tentativa da Portuguesa de fazer com que o Guarani perca a vaga na Série A por ter usado o jogador Bruno Cazarine.

O STJD se pronunciou pelo arquivamento do caso.  

A Lusa chegou a divulgar que a Fifa deu um parecer sobre o caso, mas exagerou. O que a Fifa deu não foi um parecer favorável, mas um neutro "cumpra-se a lei", sem dizer a favor de qual dos lados a CBF deveria ficar.

Ao que tudo indica, foi apenas um factóide. Não é com advogados nos tribunais ou com capangas no vestiário que a Lusa voltará à Série A. É com bons jogadores em campo.

 

 

Por Torero às 11h28

Lelê foi mais rápido do que eu

Eu ia escrever sobre "Coração de cinco pontas", do Hélio Ziskind, um CD que conta a história do São Paulo através de músicas. Mas o meu sobrinho escreveu antes de mim. Às vezes ele dá uma de crítico. Quem quiser ler o texto do garoto, é só clicar aqui.

Por Torero às 08h21

14/12/2009

Você já fez alguma coisa ridícula pelo seu time de futebol?

Sim, você já fez. Todo mundo já fez alguma coisa ridícula por seu time de futebol.

Nem adianta negar.

Para começo de conversa, todo mundo já comprou um ingresso caro, pegou um ônibus indecentemente lotado, sentou num lugar péssimo, perto de uns caras chatos, no intervalo foi num banheiro fétido, viu um péssimo espetáculo e, o pior de tudo, seu time perdeu.

Mas este é o ridículo básico do torcedor. Há ridículos mais intensos, esdrúxulos e doloridos.

Entre os doloridos está o caso do Guilherme Lima. Ele tinha uns oito anos e estava ouvindo um jogo do seu Flamengo contra o Inter pelo rádio. “E o Mengão abriu o placar. Na falta de uma flâmula ou outro adereço para beijar, fui atrás de um chaveiro de Itu do Mengão, que estava pendurado na parede. Como eu não alcançava, subi num tubo de papelão duro (sei lá o que era aquilo), perdi o equilíbrio, caí em cima do braço, e na manhã seguinte descobri que tinha trincado todo o pulso... Mas o que doeu mais foi o empate do Inter no segundo tempo. Mas tudo bem: fomos campeões brasileiros naquele ano de 1982. Para ver aquele time jogar de novo, eu daria o outro braço...”

Outro que se deu mal foi o Carlos Magnotti, de São José dos Campos. E ele também estava ouvindo o rádio. No caso, um jogo entre o seu Palmeiras e o Sport, que estava vencendo por 2 a 0. Mas o Palmeiras virou para 3 a 2. E, quando saiu o terceiro gol, ele deu um pulo na cama e um soco no ar. Lógico que o soco pegou no armário e ele quebrou o braço. Porém, como o jogo não tinha acabado, ele decidiu não sair do quarto para que a sorte não mudasse de lado. Ele aguentei mais 15 minutos até acabar o jogo, e só depois, com o braço roxo e inchado, foi para o pronto socorro.

O santista Marco Antonio, para evitar o Zé, seu porteiro corintiano, depois de uma derrota por 5 a 1 para o Timão, decidiu pular o muro de trás do próprio prédio. Detalhe: o muro tinha cerca de dois metros de altura, com cacos de vidro no topo.

“Eu tomei distância, corri, saltei e... dei com o joelho na parede (a rótula tem uma doce marca até hoje...). Subi pelo muro lateral, que não tinha os tais cacos, quase me desequilibrei e caí, mas entrei no prédio em que morava, pingando de suor. Quando me preparava para entrar pelos fundos, chega uma tiazinha do prédio, com as compras de supermercado. O Zé, que não se prestava a ajudar nem um tetraplégico, feliz com o Timão, me sai da guarita para ajudar aquela senhora que entrava por onde? Por onde? Pela entrada de serviço. E quem ele encontra? Quem ele encontra? O mané aqui, suando em bicas, todo desbeiçado, com o joelho ralado e, por fim, duramente derrotado... Naquele dia, me tornei inesquecível para o Zé.”


Coisas quebradas

Mas os torcedores não quebram apenas ossos. Às vezes nossa ira recai sobre algum pobre objeto.

O Israel estava vendo um Palmeiras x Guarani num Campeonato Paulista qualquer. O Palmeiras era melhor mas o jogo estava empatado, o Palmeiras atacava mais, mas o jogo continuava empatado, o Palmeiras com mais posse de bola, mas o jogo seguia empatado. Quando faltavam cinco minutos para o jogo acabar, pênalti! Mas para o Guarani.

Vou deixar o Israel contar o resto: “Veloso no gol, cismei, porque cismei que o Veloso não ia deixar entrar. Nem fiquei nervoso porque afinal de contas eu tinha certeza que o Veloso ia pegar. O atacante do Guarani bateu o pênalti e... gol do Guarani. Perdi as estribeiras, me descontrolei, com sangue nos olhos parti para cima da velha televisão, arrebentei-a de porrada, coitada. Ela partiu dessa para melhor e até hoje eu tenho vergonha dessa história.

O Leonardo Fontes fez uma também que... vixe! Foi em 1994, ele tinha 17 anos. Estavam jogando Atlético x Náutico no Mineirão. O Galo estava muito mal, o jogo era horroroso e só o fanatismo podia explicar porque ele ouvia o jogo pelo rádio. Bem, lá pelas tantas, saiu o único gol da partida. Ele nem se lembra quem marcou. Não importava, era gol do Galo. Para comemorar, ele conta que “anta que aqui escreve deu um murro na janela. Com a quantidade de vidro que caiu do 2º andar, arrebentou o retrovisor do carro que estava estacionado bem debaixo da minha janela. Foi um auê geral! Ainda bem que o Sr. Agostinho também é atleticano e me perdoou (não antes claro, do pagamento pelo prejuízo)”.

 

Nu com a mão no rádio

Essas demonstrações físicas podem ser perigosas. Quebramos ossos, coisas ou damos vexames tremendos. Nesta última categoria é que se encaixa o Carlos Carvalho, de Cuiabá.

“Rapaz, eu estava viajando de uma cidade pra outra no Nordeste. E, enquanto eu esperava o ônibus na rodoviária eu ouvia um jogo do Mengão pelo radinho de pilha, me deu vontade de ir ao banheiro. E eu fui, ouvindo o jogo no radinho. Escolhi um sanitário limpo, sentei-me pra ‘fazer o serviço’ e continuei ouvindo o jogo. Cara, quando o Mengão fez um gol eu pulei do vaso, abri a porta do sanitário e gritei feito um louco, comemorando o gol com as calças arriadas. Só então que eu percebi que, na minha distração ouvindo o jogo, eu havia entrado no banheiro das mulheres. Os adjetivos pelos quais fui tratado pelas três amáveis senhoritas que estavam no recinto são impublicáveis.”

 


(no próximo texto, vexames e Deus)

 

Por Torero às 07h11

13/12/2009

Sempre aos domingos: Reconhecimento

 
 

Sempre aos domingos: Reconhecimento

Texto de Gabriel Luccas

“Perdemos, paciência. Campeão moral? Pra mim não me serve. Campeões da burrice. É, campeões da burrice tática. Esse título me parece mais apropriado. Era o que eu tinha a dizer”. As palavras do jornalista João Saldanha em um de seus comentários à Rádio Tupi do Rio de Janeiro expressavam bem o sentimento dos que esperavam que o Brasil “esmagasse” a Itália na partida eliminatória da Copa do Mundo da Espanha de 1982, disputada no estádio Sarriá, em Barcelona.

Mas e eu? Até hoje não entendo como a mídia, que sempre levou a fama de fabricar mocinhos e bandidos ao longo dos anos, não me crucificou. Afinal, a chance de salvar aquela lendária seleção esteve nos meus pés. Aliás, é engraçado que não me recordo da minha vitoriosa carreira como jogador de futebol. Mas, afirmo: daquela partida especificamente ninguém lembra de mais detalhes do que eu.

Estava me recuperado de uma grave contusão no joelho. Poderia enfrentar a Itália. Conversei com o Telê Santana um dia antes e ele disse que confiava em mim, mas que o time estava acertado do meio para frente com Sócrates, Zico, Éder e o Serginho Chulapa. Ao menos garantiu que na etapa final eu jogaria.

Chegamos ao Sarriá muito confiantes. No aquecimento, ainda dei algumas dicas aos titulares, principalmente ao Zico, que se espelhava na minha técnica para jogar. Por falar naquele grupo, não há um que não me telefone até hoje para saber como estou. Eu era –e sou – muito querido nesse meio. Modéstia à parte, sempre fui o melhor da minha geração.

Sobre o adversário não havia muito o que estudar. A Itália jogaria como sempre atuou: recuada e esperando pelo nosso erro. E o primeiro aconteceu logo aos 5 minutos. Um tal de Paolo Rossi marcou o primeiro gol deles.

Lá do banco eu percebi o nosso treinador nervoso. Já eu nem me abalei, sabia que ganharíamos. Olhei para o Valdir Peres, dei uma piscadinha e com as duas mãos fiz um sinal para ele esquecer aquele susto. Iríamos virar quando quiséssemos.

Aos 12 minutos, empatamos. O Zico deu belo passe para Sócrates, e o Doutor tratou de mandar para a rede. A confiança era tanta que comecei a contar piada para os reservas. Cheguei até a exagerar no relaxamento. Logo o Telê me deu um olhar fuzilador e fiquei quieto.

Aquele tal de Rossi fez mais um gol aos 25 minutos. O Toninho Cerezo tentou inverter o jogo no campo de defesa e deu uma bola açucarada para aquele italianinho Ele esperou a saída do Valdir e, pela primeira vez, me deixou com a mão gelada.

Mas quando a  “Azurra” começava a perceber que no futebol milagres acontecem, exatamente na metade da etapa final o Falcão chutou forte e recolocou a lógica em pauta. E, olha, tudo ainda estava nos planos da Itália. O empate tava ótimo para eles. O pior é que já tava até visualizando o Chulapa fazendo o gol da nossa virada. Assim eu nem iria jogar

Aos 30 minutos, o Paolo Rossi completou cobrança de escanteio para o gol mais uma vez. Com o 3 a 2, mudei minha fisionomia. Enchi o peito de ar, me aqueci e logo fui chamado para entrar na equipe. No desespero, o Telê me colocou no lugar do Leandro, e me lancei ao ataque.

Não chegava uma bola em mim. Mas no último minuto a nossa sorte parecia ter mudado. O Júnior deu um chutão pra área da Itália. Mesmo marcado por dois zagueiros, consegui dominar a bola e ficar de frente pro goleiro deles. Ia marcar quando fui puxado pela camisa. O juiz não teve dúvidas: apitou o pênalti. Nem Zico, nem Sócrates, nem Éder, nem Chulapa... ninguém ousou tirar a bola debaixo dos meus braços.

Quando ajeitei ali na marca da cal, imaginei Dona Marta e Seo Osvaldo, os meus pais, colados na televisão e já aos prantos. E o resto da população? A molecada que sempre jogou comigo já devia dar como certo aquele gol. E eu também. Tomei quatro passos de distância. Tinha a certeza da glória. Fui lentamente para a cobrança e desloquei o Zoff. Mas a bola caprichosamente tocou o travessão e foi pela linha de fundo.

A partida logo acabou e fomos eliminados. A tristeza era geral. Mesmo fora do Mundial, o Brasil manteve a fama de ter o futebol mais vistoso do mundo. Mas eu tinha a certeza de que ninguém me perdoaria por aquele erro – tal qual fizeram com o Barbosa, o nosso goleiro que tomou o gol da derrota na final da Copa do Mundo de 1950.

Os cronistas esportivos da época, como o Saldanha que falei lá no começo, ficaram em choque. Lamentaram muito a nossa derrota. Criticaram exaustivamente o Telê, o Cerezo... nem o Zico escapou. Mas, acreditem, me pouparam de qualquer comentário. Juro! Aliás, não vi uma linha sequer comentando a minha passagem pela seleção. Até hoje ninguém reclamou que bati aquele pênalti de maneira errada. Deve ser pra não reviver a dor daquele momento. Ou para preservar o craque que eu sempre fui.

 

Por Torero às 10h06

12/12/2009

Tira-teima Palmeiras X Cruzeiro e regras de desempate

 
 

Tira-teima Palmeiras X Cruzeiro e regras de desempate

Texto de Marcelo Ferioli


O Palmeiras é uma vítima do regulamento, ficou fora da Libertadores por conta do critério de desempate (número de vitórias). O verdão teve campanha parecida a do Cruzeiro, conquistou os mesmos 62 pontos, porém venceu uma a menos, empatou três a mais e perdeu 10 vezes, enquanto o Cruzeiro perdeu 12 jogos.

Ambas as equipes marcaram 58 gols, porém com uma defesa mais consistente a equipe do Palmeiras levou apenas 45 gols, enquanto o Cruzeiro levou 53. O saldo da equipe alviverde foi de 13 gols enquanto o do cruzeiro foi de 5. No confronto direto entre essas duas equipes o Palmeiras também leva vantagem, venceu as duas partidas entre elas nesse campeonato (3x1 e 1x2).

Ninguém irá reclamar do critério que tira da próxima copa libertadores o Palmeiras, pois o critério era sabido de todos desde o início do campeonato, e com larga vantagem de pontos, o desempenho ruim nas rodadas finais crucificam a campanha do Palmeiras. O time tinha nítida consciência que precisava ao menos de um empate para garantir pelo menos vaga para a pré-libertadores. Porém essa regra de desempate que, quando há igualdade em número de pontos, privilegia a equipe que venceu mais foi determinante para definir a última vaga que leva ao torneio continental. O que aconteceria se o regulamento fosse outro?

·              Inglaterra, França e Alemanha (saldo de gols): Palmeiras

·              Espanha, Portugal, Itália (confronto direto): Palmeiras

·              Argentina (jogo extra): ?

·              Brasil (número de vitórias): Cruzeiro

 

Recapitulando:

Critérios de desempate em caso de igualdade por pontos em campeonatos nacionais por pontos corridos

 

[1] A regra diz que se igualdade persistir nesses quesitos as equipes dividem a mesma colocação.

2 Desempata o melhor comportamento: cartões amarelos contam 1 ponto e vermelhos 3.

3 Partida única em campo neutro.

 

PS: Imagino que vai ter gente me chamando de "palmeirense chorão"... Mas eu sou maqueano e detesto esse critério de desempate faz tempo, ainda mais depois de 2008 quando o meu Marilia foi rebaixado pra Série C por conta dessa "bendita" regra, preterido pelo Fortaleza (tivemos menos vitorias e saldo menor, mas ganhamos dos cearenses nos dois confrontos).

Por Torero às 07h43

10/12/2009

Resultado: Os piores do Brasileiro

E vamos à nossa seleção dos piores do Brasileiro.

Comecemos por cima, pelo pior dirigente. Beltrão, do Sport, foi bem lembrado, mas Belluzzo, o destemperado, foi o mais votado.

Juiz: Elmo Resende (aquele que assopra mas não apita) e o trapalhão Djalma Beltrami se esforçaram, mas Carlos Eugênio Simon levou mais essa.

Técnico: Luxemburgo foi lembrado por duas torcidas, a santista e a palmeirense. Mas Muricy venceu. Perder um campeonato depois de abrir vários pontos de vantagem acabou sendo um pecado sem perdão.

Torcida: Ganhou a do Coritiba, é claro. Mas não a torcida toda, e sim os vândalos que invadiram o gramado do Couto Pereira na última rodada.

Lance: A briga entre Obina e Maurício.

A pior propaganda foi a do desodorante Avanço, no sovaco dos corintianos. Eu, particularmente, achei uma boa piada.

Cosme Rímoli foi o blogueiro mais citado (fiquei apenas com dois votos, uma injustiça!) e Neto ganhou como comentarista.

Mas vamos agora ao que interessa: à nossa seleção esquecível! Vamos áqueles onze que povoaram nossos pesadelos durante o Brasileiro, aqueles onze que decepcionaram suas torcidas, que fizeram brochar os amantes do futebol.

Goleiro: Para minha surpresa, Rogério Ceni foi o segundo mais citado. Porém, não foi páreo para Castilho, do Botafogo.

Zagueiros: Escolhi jogar no 3-5-2. Não só porque muitos leitores já me escreveram falando mal deste sistema, mas porque houve um empate triplo entre zagueiros. Qeureis saber quem foram eles? Pois eu vos digo. Foram Luiz Alberto, que teve um péssimo ano no Fluminense, Renato Silva, que não esteve à altura de seus companheiros tricolores, e Fabão, que este ano foi o campeão mundial de chutões à lua.

Volantes: Para proteger este trio calafrio, dois volantes: Jumar e Edmílson. Se não me engano, duas crias de Luxemburgo.

Ala direita: Tivemos um bom duelo. Ruy, do Fluminense, o careca que faz a torcida arrancar os cabelos, ficou em terceiro. Élder Granja, que no começo do ano rejeitava propostas, acabou no Sport e foi considerado pelos leitores como o segundo pior. Granja perdeu por apenas dois votos para Wágner Diniz, um jogador que começou muito bem no Vasco, mas de lá para cá só piorou. 

Ala esquerda: Aqui reinaram os estrangeiros. A segunda posição ficou com Armero. A primeira, com o truculento Escudero, que já toma cartão amarelo quando canta o hino.

Meia: Lúcio Flávio e Rodrigo Fabri travaram um duelo duro, renhido. No fim das contas, por um único voto, o ex-jogador do Real Madrid, hoje no Santo André, levou a vaga de titular. Lúcio Flávio fica como reserva.

Atacantes: No ataque tivemos dois dos três jogadores mais votados. Foram eles Vágner Love, que ao menos mostrou tranças impecáveis, e Souza, que nem cabelo tem.

Bola de ouro: Pois bem, caros leitores, finalmente chegou a hora de revelar o jogador mais votado. Aviso-vos que ele ainda não foi citado. É que o deixei fora de competição, tamanha a sua vantagem sobre os outros competidores. E quem foi este hercúleo campeão? Foi Marcão, do Palmeiras. O zagueiro (ou lateral esquerdo, ou volante) foi o grande vencedor desta eleição. Foi o bola de lata do ano.

Por Torero às 11h01

09/12/2009

A seleção dos piores do campeonato

E vamos à grande eleição: Quais foram os piores do campeonato? E podemos sair do óbvio. Além dos 11 jogadores podemos incluir técnico, torcida, lance, juiz, blogueiro (esta está no papo), comentarista, dirigente, patrocinador etc...

Por Torero às 13h37

Minha seleção do Brasileiro

Tivemos vários bons goleiros, como Victor, do Grêmio e Bruno, do Flamengo. mas gostei mais dos veteranos Rogério Ceni e Marcos. E fico com o último.

Nas laterias, escolho dois bem ofensivos, que tiveram grandes momentos durante o campeonato: Leonardo Moura e Júlio César.

Os zagueiros, pego os do São Paulo: Miranda e André Dias. O primeiro, absoluto. O segundo, ganhando por pouco de Réver, do Grêmio.

Meio-campo: Maldonado, Hernanes, Petkovic e Diego Souza. Curiosamente, o meio campo do Brasileiro tem dois estrangeiros.


No ataque, os dois artilheiros: Adriano e Diego Tardelli.

Técnico: Silas. Andrade também foi ótimo, mas, levando em consideração que o Avaí não tem ninguém nesta seleção, há que se dar crédito extra ao Silas.

Revelação: Fernandinho. Driblador e veloz, o segundo atacante que todos gostariam de ter. 

Craque: Adriano. A sua volta foi decisiva. Sem ele, o Flamengo não teria sido campeão.

 

Por Torero às 07h55

Yes, nós temos twitter

Agora o blog tem esse tal de twitter, no qual eu não sei mexer ainda. As atualizações serão automáticas com o título dos posts que são colocados no blog. E talvez, um dia, eu aprenda a usá-lo para outras coisas. 

Por Torero às 07h47

08/12/2009

Amy Winehouse e o Flamengo

O texto de hoje na Folha começa assim:

A primeira vez que escutei Amy Winehouse imaginei-a como uma negra gorda do Harlem. Mas se tratava de uma inglesa magra e branquela. Com um suingue inacreditável, ela cantava uma música que dizia: "They tried to make me go to rehab, but I said "no, no, no'". A tradução disso pode ser "Tentaram me mandar para uma clínica de reabilitação, mas eu disse "não, não, não'". O irônico é que ela acabou indo mesmo parar numa clínica. Só que não deu certo. Pois ela deveria é ter ido para o Flamengo.

Para ler o resto, assinantes podem clicar aqui. Não assinantes podem pegar metrô, sentar ao lado de alguém que esteja lendo o jornal e ler de carona. 

 

Por Torero às 07h38

Convite para santistas

Não sei se dá para ler. Em todo caso, digo aqui que será lançado o livro "Orgulho de ser santista", de Odir Cunha, nesta quinta-feira, a partir das 19h30, na Saraiva Megastore do Shopping Morumbi. E, o mais importante, com a presença de baleia e Baleinha.

Por Torero às 07h35

06/12/2009

XYZ do fim do Brasileiro

Andrade e Silas: Simples, sem gravata e sem mau humor, os dois foram os grandes técnicos deste campeonato. 

 

Botafogo: Venceu as últimas duas partidas em casa, contra Palmeiras e São Paulo, e conseguiu escapar do rebaixamento. Ontem, no Engenhão, a torcida deu show. 

 

Celso Roth: mais uma vez liderou o Brasileiro mas não levou a medalha para casa. Creio que o jeito é contratá-lo no começo do campeonato e despedi-lo quando ele chegar à liderança. Não parece lógico, mas é.

 

Dezenove: Número de rodadas que o Palmeiras liderou o campeonato. O Flamengo? Só duas. E ele ficou 32 rodadas na zona da Libertadores. O Cruzeiro? Só três.

 

 

Escorregão: O Atlético Mineiro perdeu os últimos cinco jogos.

 

Flamengo: Ganhou o campeonato porque foi uma excelente clínica de reabilitação. Adriano pensava em se aposentar, Pet parecia já aposentado, Kléberson não era fisicamente confiável, Zé Roberto estava desacreditado, Andrade foi questionado, etc... Mas todos se recuperaram e levantaram a taça. 

 

Grêmio: Mesmo com o esforço de seus reservas, o fato de não escalar todos seus titulares foi uma falta de ética.

 

Horário: Às 17h26, com os gols de Grêmio e Inter, o Colorado era campeão brasileiro. Às 17h40, com o gol do Fluminense, o Coritiba estava caindo. Às 17h48, com o gol do Coritiba, o Botafogo é que caía. Às 18h26, gol do Botafogo, o que significava Coritiba rebaixado e Palmeiras fora da Libertadores. Às 18h35, Flamengo marca o segundo gol e torna-se campeão brasileiro.

 

Ilógica: Foi um grande campeonato sem grandes times.

 

 

Joanete: No fim do primeiro tempo, Marcos salvou a meta palmeirense com a ponta do dedo do pé, com o joanete. Mas não adiantou nada. No segundo tempo ele foi vazado duas vezes e o Botafogo tirou o time paulista da Libertadores.

 

Kléber: O centroavante do Cruzeiro, tão amado pela torcida palmeirense, fez o gol que tirou o Palmeiras da Libertadores.

 

Limite: O Atlético Paranaense ficou fora da Sul-americana pelo saldo de gols. Se tivesse marcado um golzinho contra o Barueri...

 

Maldonado: Melhorou muito o Flamengo. É um jogador que organiza uma equipe, como fez no São Paulo, no Cruzeiro e no Santos. Sem ele, nestas últimas partidas, o time já não parecia especial.

 

Ney Franco: É um bom técnico, mas teve um péssimo ano. Foi mandado embora do Botafogo, que se salvou, e foi para o Coritiba, que caiu.

 

Oponentes: No duelo entre Muricy e São Paulo para ver quem era o responsável pelo tricamenponato, o clube venceu por pontos.

 

Punição: O Coritiba deveria perder o mando de jogo de muitas partidas, mas muitas mesmo, pela bagunça no final do jogo. Seria uma pena, mas seria um bom exemplo. E os baderneiros tinham que ser identificados e punidos. Mas serão? Não. E por isso aquelas cenas acontecerão de novo, e de novo, e de novo...

 

 O Inter esteve perto de abocanhar o título.

 

Quase: O Internacional foi o time do quase. Quase foi campeão da Copa do Brasil,da Recopa e do Brasileiro. Mas acabou sendo trivice, o que é tri triste.

 

Rio de Janeiro: Terá seus quatro times na primeira divisão do Brasileiro.

 

Segundo tempo: O do Flamengo foi bem diferente do primeiro. Mais vivo, mais rápido, mais pegador, e aí mereceu ganhar.

 

Torcedor: Não sei qual é o mais alegre, se o do Flamengo ou o do Fluminense. E nem qual o mais triste, se o do Palmeiras ou o do Coritiba.

 

Úbere: Fértil, fecundo, farto, abundante. O ataque mais úbere do Brasileiro foi o do Grêmio, oitavo colocado, com 67 gols. O Flamengo teve apenas o sexto melhor ataque. Mas a segunda melhor defesa (a primeira foi a do São Paulo).

 

Vitórias: Ontem durante alguns minutos, quando São Paulo e Internacional venciam e o Flamengo empatava, os três terminariam com 65 pontos. E o número de vitórias desempataria a luta a favor do Inter. Será o melhor critério?

 

Walter Casagrande: Quando o Palmeiras ainda era líder do Campeonato, Casagrande falou que o Palmeiras, jogando como estava, corria risco não só de perder a liderança, mas até mesmo a vaga para a Libertadores. Um adivinho de fazer inveja a Zé Cabala.

 

Xexés: Patetas, idiotas, torcedores do Coritiba que invadiram o gramado.

 

 

Y: Letra presente no nome do jogador Maylson, do Grêmio, que perdeu um gol no finalzinho do jogo contra o Flamengo. Se Maylson, com y, acertasse o gol, o Inter, com i, seria o campeão (eu sei, essa foi meio forçada, mas y não é fácil).

 

Zagueiros: Em geral são desprezados e fazem poucos gols, mas David e Ronaldo Angelim marcaram os dois tentos de ontem que deram o título ao Flamengo.

 

PS: O título da coluna de hoje veio da sugestão de Luiz Totti, de Salto-SP.

PPS: O vencedor da Toreroteca foi Renato Marcon, de Chapecó-SC.

Por Torero às 00h55

ABC do fim de semana - Preview

 
 

ABC do fim de semana - Preview

Texto de Douglas Aluizio

A - ATLETICO MINEIRO - Nadou, nadou...
 
B - Branco - Foi o que deu no Verdão na reta final do brasileirao.
 
C - Corinthians - Abdicou do campeonato, ao fazer isso, colocou todo o peso da Libertadores nas costas no centenário. Muito perigoso.
 
D - Derrota - 21 teve o SPORT, é demais pra um time de primeira, merecia cair mesmo.
 
E - Empates  Foram 14 e que determinou a queda do Fogão.
 
F - Fogão - Faltou-lhe o que sobrou ao Fluminense na reta final: espírito de luta.
 
G - Goiás - Honrou o futebol com o empate com o Flamengo  e vitória sobre o São Paulo nas últimas rodadas.
 
H - Hexacampeão - Foi o grito que ecoou no Maracanã com 90 mil rubro negros.
 
I - Internacional - Ficou devendo, pelo elenco não pode se contetar só com a vaga na Libertadores.
 
J - Jogos - Foram 380.
  
L - Luis Álvaro - A promessa de um novo Santos para 2.010.
 
M - Marcelinho Paraíba, Marcelinho Carioca, Petkovic, Harlei, Fernandão, os velhinhos tiveram
participação decisiva no campeonato.
 
N - Náutico, junto ao Sport, deixam a Região Nordeste triste mais uma vez.
 
O - O Omperador foi crucial e o nome do campeonato. Desse jeito vai a copa 2.010.
 
P - Palmeiras, esteve com a taça na mão, terá que se contentar com a repescagem para Libertadores.
 
Q - Queria ver Madson, Neymar, Ganso e Kléber Pereira começar jogando. Foi o que mais pedimos em 2.010.
 
R - Ricardo Gomes chegou de mansinho, e mostrou ser um bom profissional, tem futuro.
 
S - São Paulo - Mostrou mais uma vez ter elenco forte e quase papou o quarto titulo consecutivo. Pela sétima vez entra na Libertadores, para desespero de corintianos e palmeirenses.
 
T - Tite não conseguiu fazer do Inter um time campeão.
 
U - Utopia era acreditar que o Grêmio realmente iria jogar pra ganhar do Mengo na ultima rodada.
 
V - Vagner Love não mostrou a que veio, se é que veio.
 
Não vai dar tempo para x e z. Tenho que ir agora. Fui!
 

Por Torero às 08h41

04/12/2009

Zé Cabala e o sorteio dos grupos da Copa

Assisti ao sorteio dos grupos da Copa da África do Sul ao lado de Zé Cabala, que fez os seguintes comentários:

Grupo A
África do Sul
México
Uruguai
França
"O grupo mais equilibrado. Por conta da Charlize Theron, torcerei pela África do Sul."


Grupo B
Argentina
Coréia do Sul
Nigéria
Grécia
"É o grupo 'Samba do crioulo doido', com um país de cada continente."

Grupo C
Inglaterra
USA
Argélia
Eslovênia
"O grupo menos interessante. Vou aproveitar os jogos desta turma para ir ao supermercado comprar cerveja, digo, chá."

Grupo D
Alemanha
Austrália
Gana
Sérvia
"Garanto que a Austrália não se classifica."

Grupo E
Holanda
Dinamarca
Japão
Camarões
"Todos as partidas terão sua graça. Não marcarei sessões para os jogos deste grupo."

Grupo F
Itália
Nova Zelândia
Paraguai
Eslováquia
"Prevejo que a Itália se classifica. Eu sou assim, arrisco mesmo!"

Grupo G
Brasil
Portugal
Costa do Marfim
Coréia do Norte
"Kaká x Cristiano Ronaldo x Drogba x Kim Jong-il."

Grupo H
Espanha
Suíça
Honduras
Chile
"Garanto que deste grupo passa um país de língua espanhola. Pode me cobrar depois!"

Por Torero às 16h44

Zé Cabala e o sorteio dos grupos da Copa

Assisti ao sorteio dos grupos da Copa da África do Sul ao lado de Zé Cabala, que fez os seguintes comentários:

Grupo A
África do Sul
México
Uruguai
França
"O grupo mais equilibrado. Por conta da Charlize Theron, torcerei pela África do Sul."


Grupo B
Argentina
Coréia do Sul
Nigéria
Grécia
"É o grupo 'Samba do crioulo doido', com um país de cada continente."

Grupo C
Inglaterra
USA
Argélia
Eslovênia
"O grupo menos interessante. Vou aproveitar os jogos desta turma para ir ao supermercado comprar cerveja, digo, chá."

Grupo D
Alemanha
Austrália
Gana
Sérvia
"Garanto que a Austrália não se classifica."

Grupo E
Holanda
Dinamarca
Japão
Camarões
"Todos as partidas terão sua graça. Não marcarei sessões para os jogos deste grupo."

Grupo F
Itália
Nova Zelândia
Paraguai
Eslováquia
"Prevejo que a Itália se classifica. Eu sou assim, arrisco mesmo!"

Grupo G
Brasil
Portugal
Costa do Marfim
Coréia do Norte
"Kaká x Cristiano Ronaldo x Drogba x Kim Jong-il."

Grupo H
Espanha
Suíça
Honduras
Chile
"Garanto que deste grupo passa um país de língua espanhola. Pode me cobrar depois!"

Por Torero às 16h44

Toreroteca final

E vamos à última toreroteca do ano.

O primeiro jogo é Botafogo x Palmeiras, talvez o jogo mais disputado, renhido, deste domingo.

O segundo, por outro lado, deve ser a grande barbada do fim de semana: São Paulo x Sport.

O terceiro é o mais imprevisível: Coritiba x Fluminense. Será que esta outra derrota para a LDU vai abalar o time, que pode acabar caindo para a Série B?

O jogo mais tenso deve ser Internacional x Santo André, pois os dois times estarão com os ouvidos em outras partidas.

Já o mais importante é Flamengo x Grêmio, que provavelmente decidirá o título.

E o sexto jogo será outro jogo, o jogo político. Quem vencerá a disputa santista entre Luis Álvaro x Marcelo Teixeira?  

Meus palpites são: Empate, São Paulo, empate, Inter, Flamengo e Luis Álvaro (nos pênaltis).  

Como este é o último, o vencedor poderá escolher um destes três maravilhosos, fantásticos e espetaculares opúsculos:

 

 

Por Torero às 08h49

03/12/2009

Declaração de intenção de voto


Sábado o Santos escolherá seu presidente por dois anos. E uma eleição é sempre importante. É uma escolha de caminho, de destino. Pode-se tomar a trilha que leva à decadência, à segunda divisão, ou àquela que leva às taças, aos troféus.

Trata-se de uma eleição um tanto injusta. Conhece-se muito de um candidato e pouco do outro. Marcelo Teixeira é presidente do clube há dez anos. Luis Álvaro só ficou mais conhecido agora. Assim, um será julgado pelos fatos e outro, pelas palavras.

Pelos comentários aqui no blog, creio que 90% dos torcedores apóiam a candidatura de Luis Álvaro. Ou, mais ainda, a queda de Marcelo Teixeira.

Acho que há nessa postura um tanto de exagero das duas partes. Nem o atual presidente é um demônio a ser esquartejado, nem o outro candidato trará magicamente tempos de glória.

Marcelo Teixeira é muitas vezes comparado a Dualib, Mustafá Contursi e Eurico Miranda, três nomes que representam o que há de pior na cartolagem nacional. Uma comparação justa e injusta.

Injusta porque MT não teve, como os três citados, parceiros estrangeiros que chegaram com caminhões de dinheiro (mas teve, é verdade, a sorte de herdar uma geração de ouro). E também não há sobre MT sombras tão negras de suspeitas de corrupção como as que envolvem os antigos presidentes de Corinthians, Palmeiras e Vasco.

Justa porque, assim como os três, MT pretende governar por toda a vida. Há nisso, na melhor das hipóteses, um messianismo insano. Pensar que se é o único capaz de fazer alguma coisa é uma presunção gigantesca. E a centralização de poder de Marcelo Teixeira foi tanta que em dez anos ele não conseguiu gerar um só nome que pudesse disputar a eleição em seu lugar. Agora ele fala em lançar Clodoaldo para as próximas eleições. Mas a promessa chega muito tarde. E é apenas uma promessa.

Em termos de títulos, MT tem um bom currículo: dois brasileiros, dois paulistas e uma Libertadores feminina, sua grande sacada no último biênio.

Em termos patrimoniais, a reforma da Vila Belmiro, o Memorial das Conquistas e o hotel foram vitórias inquestionáveis. Por outro lado, não se sabe o tamanho da dívida do clube. De qualquer forma, na parte econômica, ele se mostrou bem superior aos três dirigentes citados, que não trouxeram grandes ganhos aos seus clubes.

Porém, na parte política, MT foi idêntico ao trio Eurico-Mustafá-Dualib. Mudar o estatuto para se reeleger indefinidamente e fazer com que todo o conselho seja da chapa vencedora são atos que poderiam muito bem ser atribuídos aos três presidentes expurgados. Mudar a legislação para permitir a própria continuidade no poder é algo sem nenhuma ética, seja no caso de Fernando Henrique Cardoso com sua reeleição, seja quando Sarney ampliou seu mandato para cinco anos. Não é à toa que MT citou Athié Jorge Cury como um exemplo de dirigente. Athié foi presidente do Santos por 26 anos.

Outro fator a se considerar é a dependência de MT em relação a Luxemburgo. Foi algo interessante em alguns momentos, mas nesta atual tentativa, nem tanto. Luxemburgo é um técnico que pede tantos poderes que é quase um outro presidente. Foi por isso que saiu do Palmeiras. É por isso que não será jamais contratado pelo São Paulo.

Creio que Luxemburgo já não tem tanta obsessão pelas vitórias. É como se estivesse cansado de ganhar títulos e agora se interessasse mais em ser manager ou político. As quatro linhas já não lhe bastam. E isso prejudica sua performance como técnico.

No Palmeiras conseguiu um bom título paulista, é verdade, mas foi mal na Libertadores e, no Santos, teimou com jogadores como Róbson e Felipe Azevedo, que obviamente seriam reservas de Madson e Neymar. Foi mais uma demonstração de poder do que de competência.

Tentar manter Luxemburgo por três anos parece uma tentativa de conseguir alguma competência gerencial. Mas Luxemburgo, pelo que apresentou este ano no Santos, não é uma promessa disso. É só ver suas contratações. Émerson, Edu Dracena e Jean não fizeram a menor diferença no Brasileiro. Apostar nele como cabo eleitoral me parece dar um tiro no próprio pé.

Mas vejamos o outro candidato.

Conheço pouco sobre Luis Álvaro, e o site de sua chapa não ajuda muito. Mas ele conseguiu montar uma imagem mais próxima da nova geração de dirigentes, mais perto de nomes como Belluzzo, do Palmeiras, Alexandre Kalil, do Atlético-MG, e Fernando Carvalho, do Internacional.

Ele cita vários empresários e dirigentes econômicos importantes como apoiadores. Não sou um grande fã disso. A proximidade com o dinheiro nem sempre traz bons resultados. Dos últimos presidentes do país, Collor e Sarney eram os mais ricos e foram os piores. Mas também é maldade comparar os apoios de Luis Álvaro com estes dois péssimos presidentes. Só digo que a proximidade com o dinheiro não é, por si, um sinal de competência.

Porém, mesmo conhecendo pouco do candidato, se eu fosse votar, votaria em Luis Álvaro.

Acho que a gestão de Marcelo Teixeira já teve seu auge, mas está em decadência. Tanto que nos dois últimos anos lutou para não cair no Brasileiro. As gestões longas causam um desgaste e, como aconteceu com Eurico (que montou o time do Vasco que caiu), Mustafá e Dualib, acabam levando o time para a Série B. E não acho que devamos esperar a queda final.

Acho também que um choque será bom para o clube. A mudança da cúpula trará novas idéias e novas saídas para o time. Sem falar que antigos vícios e personagens serão expurgados. Quem vem de fora pode enxergar melhor os problemas atuais, que, para quem está no poder, não são mais problemas, mas o estado normal das coisas.

Luis Álvaro possui ainda uma grande vantagem: tem compromissos de campanha dos quais não poderá fugir. Prometeu tentar a mudança do estatuto, deixar o poder mais transparente, modernizar a gestão, buscar novas fontes de renda, etc... E ele deverá sua eleição aos seus eleitores, não a seus cabos eleitorais. Ele sabe que, se sua gestão fracassar, pode cair daqui a dois anos. Assim terá que trabalhar mais, mostrar mais resultados, e rapidamente.

Esta é a grande chance que o Santos tem de acabar com o coronelismo. De sair de uma geração de cartolas que já não dá mais resultado.

 

(PS: Vença quem vencer, no dia seguinte estarei na oposição)

Por Torero às 11h13

Carta aberta ao Sr. Marcelo Teixeira

 
 

Carta aberta ao Sr. Marcelo Teixeira

Texto de Gustavo Kosha


Em primeiro lugar, vou me apresentar, Sr. Marcelo. Meu nome é Gustavo, tenho 32 anos e sou publicitário. Sou torcedor do Santos desde que me conheço por gente e, graças ao meu pai, vou à Vila desde os 3 anos de idade. Sou sócio do Santos também desde que nasci. Por vir de uma família totalmente devota ao Clube, assim como a sua, costumo dizer que quem gosta e ama um time de futebol tem o amor mais sincero que um ser humano pode ter. Podemos mudar de nome, cidade, estado, país, religião, carreira profissional, esposa (marido) e muitas outras coisas na vida, mas de time, salvo raríssimas exceções, não mudamos. Por isso tenho certeza, espelhado em meu próprio caso, que para quem gosta de um clube de futebol essa devoção é simplesmente apaixonada.

Sempre fui fã da sua administração, sempre votei na sua chapa em todas as eleições do Clube, bem como o apoiei e o defendi de todas as críticas feitas por meus amigos que simpatizavam com a oposição. Não entendia como existiam pessoas que podiam ir contra a sua administração se a grande maioria dos títulos que eu tinha visto o Santos ganhar tinha sido nas suas gestões. Campeão Brasileiro em 2002, Vice- Campeão da Libertadores em 2003, novamente Campeão Brasileiro em 2004, isso sem contar o Bi Paulista de 2006 e 2007.

Pois bem, com o final da temporada 2009, me pergunto o que aconteceu? Eu vivi no Santos na década de 90, que sem dúvida nenhuma foi uma das piores da história do nosso time de futebol. O senhor assumiu e tudo mudou. Mas este ano e o ano passado, em particular, foram horríveis, acho que superando toda a década de 90. Desculpa questionar, mas acho que tenho todo o direito, já que sou sócio, vou aos jogos e votei no senhor. O que aconteceu com todas as promessas feitas na campanha "Rumo Certo"? O que aconteceu com todo o planejamento? Porque convenhamos, o senhor como um administrador bem-sucedido em Santos, tenho certeza, tem a humildade de assumir e reconhecer que 2008 e 2009 não teve planejamento algum.

Vi e ouvi todas as manifestações e críticas à sua administração, e, confesso, fiquei sem ter o que responder. Senti-me abandonado, acreditei em uma coisa e o que foi mostrado nestes dois últimos anos foi uma coisa completamente diferente. Começo a achar que o senhor realmente teve sorte de ter vários craques da nossa base revelados ao mesmo tempo no time campeão de 2002. Como sou a favor de apoio total e irrestrito no estádio em todos os jogos, jogando o time bem ou mal, prometi a mim mesmo que não vaiaria o time e não faria nenhum protesto até o fim do ano. E foi o que realmente eu fiz. Acompanhei sofrendo os dois últimos anos, vendo o time fazer jogos bisonhos, jogadores sem vontade e a diretoria perdida, tentando "apagar incêndios" que, desde o início de 2008, já se mostravam iminentes.

Sr. Marcelo eu espero poder voltar a ver o nosso Santos ocupar o lugar merecido. O lugar que conquistamos com toda a nossa gloriosa história. Por favor, não deixe que essa história seja esquecida, apagada ou arranhada com uma queda para a série B. Com todo respeito aos outros times que já caíram, o Santos é muito grande para que isso ocorra. E ao contrário do que dizem alguns "engravatados" comentaristas de futebol, cair não faz bem. Não faz bem para nós que somos apaixonados pelo Clube, que vivemos dentro desse Clube desde o nosso nascimento. Nosso lugar não é brigando para não cair, mas brigando por títulos. Somos sim, mal-acostumados, como o senhor mesmo afirmou, mas mal-acostumados porque o Santos, graças a Deus, nos permitiu ser assim com a sua história de glórias. Nos acostumou a ser vencedores, sempre. E se caso a vitória não venha, e isso faz parte do esporte, pelo menos quero ver um time honrado dentro de campo, um time digno de nossa história e de nossos grandes ídolos. E uma diretoria honrada e comprometida administrando tudo isso do lado de fora. Chega de decepção.

Enfim, Sr. Marcelo Teixeia, chegou o momento de mais uma eleição e esse ano eu não votarei no senhor. Acho que chegou o momento do senhor receber de coração o muito obrigado de toda a nação santista. Sim, temos que reconhecer que o senhor foi importante para o Santos, nos deu títulos, se doou ao Clube, as vezes sacrificando sua própria família e seus próprios negócios em prol do Santos. Não podemos deixar de reconhecer isso, e quero deixar bem claro que não estou sendo irônico. O meu muito obrigado é sincero. Mas chegou a hora de mudar, para o próprio bem do senhor, da sua imagem e de tudo o que o senhor conquistou com o Santos.

Todos nós nascemos e morremos, o Santos não. O Santos é imortal, é eterno, e não pode ficar atrelado a uma pessoa só. O Santos não é nem de Santos, o Santos é do mundo! Eu confesso que não acreditava na sua candidatura, achava que o senhor deveria sair com o mínimo de dignidade depois desses dois anos ridículos que tivemos, salvo o futebol feminino (mais uma vez obrigado, mas para o nosso Santos, isso é MUITO pouco). Mas novamente o senhor se candidatou. E espero, de coração, caso o senhor ganhe mais uma vez que o senhor lembre de tudo o que vivemos nesses últimos dois anos, e que em 2010 possamos novamente ser o Santos Futebol Clube que o mundo conhece. Boa sorte, não para o senhor, mas para todos nós que amamos o Santos.

Por Torero às 11h03

O dono da bola

 
 

Texto de Armando Alves

 

- Mãe, tô indo pro campinho!

- Tá bom meu filho, vê se não volta tarde.

- Não entendo esse menino, mulher! Ruim de bola desse jeito, não sei pra que ele insiste tanto!

- Deixa o menino se divertir, homen implicante!

- Gente, olha lá o Marcelinho vindo!

- Vou lá puxar um pouco o saco dele... Senão nem no gol eu jogo hoje! Quem mandou eu me meter à besta e querer fazer aquela vaquinha pra comprar uma bola pra nós.

- Ah, você sabe como é o Marcelinho, né? Ele não joga nada, não sabe a diference entre um zagueiro e um centroavante, e a gente só chama ele pra jogar por causa da bola. Imagina só se a vaquinha dá certo e agente deixa de depender da bola do Marcelinho, nunca mais nós íamos deixar ele jogar com a gente! Ele não é bobo!

- É, eu sei. Mas a vaquinha tava dando tão certo. Se não fosse aquele troglodita do Germânico ter ameaçado o pessoal que tava contribuindo, a gente já teria até uma bola oficial. A bola do Marcelinho é muito ruizinha...

- Você sabe que o Germânico é amigo do Marcelinho, e também é muito ruim de bola! Ele só joga no time por causa do Marcelinho. Mas que essa bola do Marcelinho é ruinzinha, isso é!


- Não temos outra opção, né?

- Não.

- Mas sabe, o que está me deixando mais triste é a gente só apanhar do time daqueles três irmãos da rua de cima, o Salomão, o Conrado e o Palmieri.

- Com certeza! Pelo menos antigamente aqui embaixo agente era respeitado. Agora nem isso!

- Se pelo menos o Marcelinho deixasse alguém jogar no lugar dele. Não precisava nem ser o jogo todo, era só dar uma revezada, sei lá!

- Isso é! Nós perdemos todos os últimos contras por causa dele. Nosso time até que não é tão ruim, tem tradição aqui no bairro. Mas com o Marcelinho não dá!

- E ainda tem o Germânico, que fica botando medo em todo mundo que fala mal do Marcelinho...

- Por falar no Germânico, que confusão é aquela lá?

- Vamos lá ver!

- Menino, menino! O que aconteceu?? O Germânico estava querendo te bater??

- Estava...

- Por que?!

- Não sei... Juro que não entendi! Eu só perguntei se podia jogar também, e ofereci minha bola.

- Nossa, é oficial!!

- Com uma bola dessas nosso jogo ia até melhorar!

- Vou falar com o Marcelinho pra ver se ele deixa você jogar um pouquinho pelo menos! Mas deixa eu te perguntar, qual é o seu nome?

- Luisinho.

Por Torero às 11h00

02/12/2009

Eleições santistas: Luis Álvaro x Marcelo Teixeira

Publico as respostas enviadas pelos candidatos Luis Álvaro de Oliveira Ribeiro e Marcelo Teixeira.

 

1. Os dois candidatos prometem a participação de fundos de investimentos nas contratações. Que fundos são esses? Vamos citar nomes?


Luis Álvaro: Torero, obrigado pelo espaço, especialmente por você ser um santista apaixonado como eu. Só aceitei ser candidato à presidência do Santos porque represento vários grupos de associados e torcedores cansados da administração atual. Entre esses grupos, está o GUIA – Gestão Unificada de Inteligência e Apoio ao Santos Futebol Clube, formado por alguns dos mais brilhantes executivos brasileiros. É gente como o Walter Schalka, presidente da Cimentos Votorantim, o Álvaro de Souza, presidente do Conselho de Administração da Gol e ex-presidente do Citybank, José Berenguer, vice-presidente executivo do Santander, Eduardo Vassimon, do Conselho de Administração do Itaú-BBA, Alvaro Simões, CEO da Inpar, uma das maiores incorporadoras do país, entre outros. Eles vão estar ao nosso lado na administração do Clube, se vencermos as eleições.

E uma das propostas é exatamente a formação de um fundo de investimentos, que prevê a participação societária direta do Santos da ordem de 50% e a tomada de decisões conjunta sobre os nomes de atletas apresentados pelo Clube. O rendimento dos investidores ficará estabelecido à época da captação, em níveis rigorosamente de mercado, mas a sua finalidade principal é a de garantir ao Santos uma retaguarda financeira até que ele atinja a sua independência, como os grandes clubes do planeta. Esse fundo será administrado pelo seu próprio corpo gerencial, que participará com o Santos, da prospecção da atletas (contratação, suporte médico, psicológico e educacional). A permanência dos atletas depende de fatores técnicos e financeiros que atendam aos interesses do Santos e dos investidores conjuntamente.

Ele se viabilizará a partir da instalação de um processo de governança claro em todas as alçadas do clube, inclusive nas divisões de base; na mudança de alguns itens do estatuto, em particular aqueles que lidam com a limitação de representação dos sócios e à possibilidade de reeleições infinitas; e na aprovação pelo Conselho Deliberativo do acordo entre o Santos e este fundo.

Ele não será especulativo, mas de permanência. Os jogadores terão contratos mais longos e não serão vendidos à primeira proposta que aparecer, nem serão fatiados, como acontece em outras parcerias.


Marcelo Teixeira:  Nunca tratamos o Santos F.C. como uma mera instituição financeira, mas como um clube de futebol com grande representatividade no País e no exterior, justamente por manter-se fiel aos princípios e tradições que o tornaram único no mundo. Não consideramos nosso clube como um mero espaço de oportunidades para fundos de investimentos criados apenas para geração de lucros a empresários que não mantêm vínculo com a comunidade alvinegra e com nossa cidade.
Conhecemos a participação dos fundos de investidores em outros clubes e também os resultados por eles obtidos. Queremos manter e realizar novas parcerias, regidas dentro de um planejamento visando estabelecer critérios para o desenvolvimento de negócios e objetivos sociais, conforme determina nosso Estatuto.


 


2. O senhor pretende manter a base do time atual ou pretende renovar o grupo?


Marcelo Teixeira: O futebol é a nossa principal prioridade e já estamos discutindo um planejamento com a comissão técnica visando os próximos anos. A base do time atual, especialmente a formada pelos jogadores prata-da-casa, será mantida porque é muito promissora. Iremos reformular parte de nossa equipe, com contratações para fortalecer nosso elenco. As perspectivas são muito promissoras e tenho certeza de que nosso desempenho será muito superior ao deste ano.
 

Luis Álvaro: Tenho procurado não “fulanizar” a campanha, citando nomes que podem ficar ou podem chegar. Primeiro porque emitir opinião sobre cada jogador neste momento eleitoral delicado pode causar algum tipo de desestabilização do elenco. Segundo porque sou candidato, não sou o presidente em exercício, ou seja, não tenho legitimidade para contratar ou dispensar. Não faremos caça às bruxas no elenco, mas já enviei um recado ao time através de dois jogadores importantes com quem tive o prazer de conversar: quem tiver compromisso com o projeto de um Santos campeão e talento incontestável em 2010, vai ficar. Quem não tiver, sai.


 

3. Qual o seu perfil para novas contratações? (jogadores renomados ou promessas, caros ou baratos, etc)?


Marcelo Teixeira: O Santos trabalha com planejamento, que inclui os investimentos na competência e capacidade dos atletas pretendidos. Queremos o melhor para o clube e, por isso, priorizamos a qualidade, dentro de uma política de equilíbrio financeiro com a observância da realidade imposta no mercado brasileiro. Não vamos cometer loucuras, porém não deixaremos de apostar em novas promessas, entendendo que, de acordo com as competições que iremos disputar, não podemos prescindir da experiência de alguns atletas. O importante é mantermos nosso foco com base em um trabalho planejado e consistente, uma vez que os resultados são a conseqüência disso. Temos convicção de que estamos no rumo certo, pois temos obtido muitas conquistas importantes.


Luis Álvaro: Nós vamos priorizar jogadores jovens com contratos longos, com a possibilidade de trazer dois ou mais atletas, em posições que consideramos “chave”, para trazer ao elenco a experiência necessária para um time campeão. Na história do Santos, alguns jogadores fizeram esse papel de maneira brilhante. Jair Rosa Pinto, na década de 50, foi fundamental para transmitir toda a sua experiência aos mais jovens. O saudoso Pagão, o Pepe e o Pelé são exemplos disso. Em 2002, o Robert teve um papel fundamental, inclusive jogando a grande final e ajudando a cadenciar o jogo em momentos importantes. O que não faremos será trazer medalhões em fim de carreira que já não mostram motivação e recebem salários altíssimos. Queremos jogador disposto a vencer na vida e a compor um time campeão.

Também quero avisar que teremos uma diretoria de futebol e uma comissão técnica fixa formada por profissionais competentes, que cuidarão de me assessorar na formação do elenco, na condução das atividades do futebol desde a base até o time principal.

 

4. Qual será sua relação com os torcedores das cidades de São Paulo e Santos?


Luis Álvaro: Temos o desafio de tornar a Vila Belmiro um Alçapão novamente. E esse desafio passa por voltar a empolgar a torcida da nossa cidade, a trazê-la de volta para dentro do estádio. Veja nossa média de público neste Campeonato Brasileiro: só ganhamos do Barueri e do Santo André. Isso não pode continuar e temos algumas receitas para melhorar este público, o que passa pela formação de um time competitivo e por agregar valor aos jogos do Santos. A partida é o prato principal, mas o torcedor está cada vez mais exigente e também deseja que os aperitivos e sobremesas sejam de boa qualidade.

A torcida de São Paulo tem uma carência muito grande e tem sido negligenciada pelo atual presidente. Mais que isso, os partidários da chapa adversária seguidamente referem-se aos torcedores paulistanos como forasteiros, como se morar em São Paulo fosse um crime. Nossa proposta é levar alguns jogos para a capital e outras cidades, após uma análise apurada da tabela dos próximos campeonatos. E para não haver prejuízo dos associados que possuem cadeira na Vila Belmiro, ofereceremos um sistema de transporte do Clube para a cidade onde houver o mando e garantiremos lugares privilegiados no estádio

Os mandos transferidos para outras cidades serão cercados de ações de marketing, com a participação dos grandes nomes da história do Santos e a presença de uma versão itinerante do Memorial das Conquistas, de forma a gerar receitas e atrair novos torcedores nessas regiões.


Marcelo Teixeira: A melhor possível, como sempre foi. O torcedor sabe reconhecer nosso trabalho e as transformações pelas quais o Santos passou durante a nossa gestão. Conquistamos títulos e  desviramos as faixas da torcida, recuperamos o prestígio internacional, ampliamos nossa representatividade nas entidades que comandam o futebol, fizemos grandes investimentos patrimoniais e, sobretudo, introduzimos uma moderna e segura política administrativa, que resultou em benefícios para os sócios e trouxe o equilíbrio financeiro para o  clube. Também nos preocupamos com o torcedor em São Paulo. Abrimos uma sub-sede na Capital e levamos vários jogos para o Pacaembu.
 

 

5. Qual seu projeto para aumentar a arrecadação do clube?


Luis Álvaro: Ampliar as fontes de receita do Clube é nosso grande desafio. O Santos hoje arrecada um terço do que alguns rivais históricos arrecadam. Como vamos competir desta maneira? Sem dinheiro, não há time bom e nossas revelações têm vida curta, pois acabam sendo vendidas muito antes do que deveriam, muito antes de estarem amadurecidas como atletas e pessoas. Profissionalizaremos o Departamento de Marketing do Clube com alguns dos melhores profissionais da área no País. Gente como o Armênio Neto e o Celso Loducca estão conosco e vão emprestar seu imenso know-how ao Santos Futebol Clube. No campo das Finanças, terei a meu lado a ajuda permanente dos executivos que pertencem ao grupo GUIA, como mencionei anteriormente. Eles nos ajudarão a conduzir o processo de profissionalização do Clube e a renegociação das dívidas.

E outro projeto que gostaria de destacar está na nossa campanha de associação em massa ao Santos, que estamos chamando de “Multiplicação dos Peixes”. No início do ano 2000, o Clube tinha cerca de 10 mil sócios. Está fechando 2009 com 25 mil, segundo palavras do próprio presidente atual. Ora, em 10 anos ele manteve a média de 1,5 mil novos sócios por ano. Enquanto isso, o Internacional ultrapassou os 100 mil sócios, o Grêmio ultrapassou os 50 mil e o Vasco, só este ano, associou 40 mil torcedores. Nossa meta é alcançar a marca de 100 mil sócios até o centenário do Santos, em 2012. E ouso dizer que vamos atingir esta meta bem antes disso. Basta que tenhamos modalidades diferentes para os santistas espalhados ao longo do País. O santista que mora no Acre e quer se associar pode pagar um preço diferente de quem mora em Santos ou São Paulo, por exemplo. Paralelo a isso, o sócio precisa ter mais benefícios. Atualmente o torcedor se associa porque ama demais o Clube. Imagina se o Clube der mais vantagens?


Marcelo Teixeira: Um planejamento estratégico para ser realizado pressupõe um intenso conhecimento do organismo do clube e das influências por ele recebidas das mudanças do ambiente nos aspectos políticos, econômicos, sociais e tecnológicos, visando mantê-lo sempre em condições de competição. Vamos dar seqüência ao trabalho que resultou em muitos dividendos para o clube. Melhoramos nossas receitas com o aumento das ações de marketing e ampliação dos produtos licenciados, contamos com parcerias com marcas consagradas, elevamos o valor de nossa cota de TV, fizemos crescer o número de sócios, entre tantas outras iniciativas que obtiveram resultados extremamente positivos.

Por Torero às 12h14

Eleições santistas: Marcelo Teixeira x Luis Álvaro (6 a 10)

6. Quem serão seus principais assessores. Poderia citar de três a cinco nomes?


Marcelo Teixeira: Trabalhamos em equipe, onde todos têm o valor reconhecido e são importantes dentro da engrenagem de trabalho. Temos a intenção de preparar o nosso campeão Clodoaldo Tavares Santana, o Corró, para que ele seja nosso futuro presidente. Ele goza da simpatia de todos e é muito competente.


Luis Álvaro: O Tancredo Neves dizia: “Só examine a espuma depois que as ondas pararem de bater”. Não posso dizer nomes sem que seja eleito presidente. O que posso dizer, por exemplo, é que convidei o Giovanni, e ele aceitou, para ser nosso coordenador do Departamento de Observação e Captação de Talentos no Norte do País. Foi o Giovanni, nosso ídolo, quem trouxe o Paulo Henrique Ganso para o Santos, mostrando que entende do assunto. Alguns dos membros do grupo GUIA também estarão conosco quase que diariamente atuando no Clube, se vencermos as eleições. Mas mais do que isso não seria ético dizer.

 

7. Quem será seu técnico para 2010?


Marcelo Teixeira: Objetivamos a manutenção de Vanderlei Luxemburgo e a permanência dos profissionais do departamento de Futebol. Temos uma relação franca e objetivos comuns. A conversa está muito boa, a ponto do Vanderlei espontaneamente condicionar sua permanência à continuidade de nosso trabalho. Acreditamos que chegaremos a um bom termo e, por isso, estamos confiantes que poderemos realizar um trabalho consistente.

 
Luis Álvaro: Já conversamos com quatro nomes de perfil vencedor. Técnicos com dedicação exclusiva ao clube, preocupados unicamente em treinar o time e com foco 100% voltado ao Santos Futebol Clube.

 

8. Quais seus planos para a Vila Belmiro?


Luis Álvaro: Como adiantei logo acima, a Vila Belmiro precisa voltar a ser nosso Alçapão. Sou a favor da modernização, temos planos ousados para o nosso estádio. Mas algumas coisas serão passíveis de revisão, caso eu seja eleito. Quando à ampliação do estádio, uma das primeiras providências nossas será encomendar um estudo sério sobre essa viabilidade. É possível ampliar? Como? Falta esse estudo para balizar as nossas ações. Meu sonho seria ver a Vila Belmiro com capacidade para 35 a 40 mil santistas.

Moderna, segura e confortável, com áreas VIPs mas também com espaço suficiente para abrigar a empolgação e a coreografia de nossas torcidas mais vibrantes. Um estádio que receba dignamente nossos adversários, os profissionais que aqui comparecem para trabalhar (como os árbitros e os jornalistas) e as autoridades do futebol, além de convidados especiais. Seria sensacional para o Clube e importantíssimo para a cidade, à véspera de um novo ciclo de crescimento com a exploração das jazidas do pré-sal.


Marcelo Teixeira: Daremos seqüência à modernização da Vila Belmiro. Inauguraremos a Santos Mega Stores, assim como vamos ampliar do já consagrado Memorial das Conquistas, que passará a contar com uma linguagem moderna e dinâmica. Instalaremos também o Restaurante Arena Pelé, com ênfase no cardápio homenageando a fantástica história do clube, do Rei e de nossas outras estrelas que brilharam ao longo dos períodos de nossa história. A Vila Belmiro será um ícone na Copa de 2014, que atrairá muitos turistas e poderá ser utilizada para abrigar jogos treino de seleções estrangeiras.

 

 
9. Qual é a sua referencia em termos de administração? Um estadista, um escritor ou outra pessoa que o inspira?


Luis Álvaro: Mário Covas. Santista apaixonado, austero, realizador e competente.


Marcelo Teixeira: O Santos teve o privilégio de ter presidentes como Athié Jorge Coury, o dirigente com mais títulos da história do desporto mundial; um gigante como Modesto Roma; um santista apaixonado como meu pai, Milton Teixeira, entre muitos outros dedicados mandatários. Esses, sem dúvida, inspiram todo o nosso trabalho.
 

 

10. Qual sua posição quanto a reeleições. Manterá o estatuto como está?


Marcelo Teixeira:  A Chapa oposicionista tem transmitido a falsa idéia de que as alterações estatutárias tiveram por objetivo assegurar o continuísmo de nossa administração, notadamente para apurar dividendos eleitorais. A reforma do estatuto, a bem da verdade, contemplou a possibilidade de os sócios optarem pela continuidade ou não de um trabalho administrativo que, quando vitorioso, entendemos que deva prosseguir. O Santos F.C. talvez seja um dos poucos clubes brasileiros que promove eleições diretas para presidente e chapa de Conselho, onde os seus associados se dirigem às urnas e, democraticamente, decidem sobre os destinos da agremiação. Quem tem mais votos, vence. Os temas relacionados a mudanças estatuárias devem ser discutidos no âmbito do Conselho, fórum adequado para este debate, pois é esse o papel que este órgão exerce na organização institucional do clube. Se ocorrerem novas propostas de alterações no Estatuto, envolvendo tempo de mandato e a possibilidade ou não de mais de uma reeleição do presidente, ou a redefinição dos requisitos mínimos para que o sócio participe do processo eleitoral, que elas sejam levadas às assembléias convocadas para este fim, para que a maioria soberana dos conselheiros possa decidir livremente se são pertinentes ou não aos interesses do Santos F.C.

Luis Álvaro: O golpe no estatuto do Santos, em 2003, tornou-o medieval em uma série de aspectos e foi um atentado à democracia. No tocante às reeleições, é nossa proposta restaurar o limite de apenas uma, como era anteriormente, continuando com mandatos de 2 anos. Vale lembrar que o estatuto foi alterado há um mês das eleições de 2003, quando fui candidato. Na época, Marcelo Teixeira, que havia sido reeleito em 2001, não teria condições de ser candidato se não tivesse promovido o golpe.

Outras alterações serão necessárias, como a antecipação da data da eleição e a instauração de um Conselho proporcional. Hoje, a chapa vencedora elege 100% dos seus candidatos ao Conselho. Equivale ao Lula vencer as eleições e levar com ele todos os deputados e senadores do seu partido. É justo? É razoável? Não é, mas no Santos isso acontece. Precisamos mudar.

 

 

Por Torero às 12h11

01/12/2009

Eleição no Santos - as respostas dos dois candidatos (11 a 13)

11. Quais são as propostas para aumentar a transparência administrativo/financeira do clube em relação a empréstimos, pagamentos de comissões e recebimento das vendas de jogadores?

Marcelo Teixeira: Nossos balanços anuais são auditados e publicados em jornais de grande circulação desde 2001, antes mesmo da obrigatoriedade da lei, e estão disponíveis em nosso site oficial. É público, de acesso para qualquer um. Os conselheiros podem vê-los antes mesmo da aprovação. Todos os pagamentos, comissões e recebimentos estão registrados nesses documentos, podem ser consultados livremente, até porque eles são aprovados em assembléia. Nossa administração sempre prezou pela total transparência, só não vê quem não vai à Vila.

Luis Álvaro: Balanços trimestrais auditados e distribuídos a todos os sócios, relatórios de atividades de gestão periódicos, ouvidoria eficaz para conhecer as demandas dos donos do clube, que são os sócios, sistema de comunicação permanente com a torcida através de um site informativo e não apenas laudatório da figura do presidente, princípios de governança corporativa aplicados a uma gestão moderna e eficiente.

 

12. O que o senhor pensa e fará em relação ao futebol feminino?

Luis Álvaro: Vamos desenvolver a atividade como uma ferramenta de marketing geradora de resultados econômicos consistentes. A idéia de será criar a Santos Mermaids, que dispute o campeonato americano com patrocínio de multinacional interessada no maior mercado de consumo do mundo, além de divulgar e reinserir a marca Santos no mercado internacional.

Marcelo Teixeira: Temos orgulho em ter sido um dos primeiros clubes brasileiros a investir nessa modalidade, que já nos proporcionou a alegria pela conquistas de títulos nacionais e internacionais. Vamos continuar investindo em nossas mulheres, inclusive com a criação de escolinhas e a formação de equipes de base. Temos certeza que nossa iniciativa será adotada também por outras equipes do futebol brasileiro.
 

13. Como se relacionará com as torcidas organizadas?

Marcelo Teixeira: Sempre mantivemos uma relação cordial e positiva com as torcidas organizadas, que inclusive se manifestaram publicamente em favor de nossa chapa. Vamos manter essa relação, que busca também incutir uma nova mentalidade de participação dessas torcidas, disseminando a paz e valorizando o espetáculo que, sem dúvida, elas sabem proporcionar.

Luis Álvaro: O lema “com o Santos onde e como ele estiver” sempre me emocionou. Não é à toa que vejo as torcidas organizadas como grandes parceiras do Clube: elas têm muito a colaborar com o Santos e vice-versa. As torcidas são nossas multiplicadoras e estão inseridas dentro do projeto de Marketing do Clube. Não há emoção sem elas, protagonistas diretas do espetáculo.

 

Por Torero às 04h02

Mata-mata corrido

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Por Torero às 03h58

Sobre o autor

Formado em Letras e Jornalismo e quase formado em Cinema, é autor de treze livros (como "O Chalaça"), escreveu roteiros para cinema (como "Pequeno Dicionário Amoroso") e para tevê ("Retrato Falado").

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