Blog do Torero

30/11/2009

Crepúsculo sangrento em Brasileirão City

O vermelho do pôr-do-sol mancha as vidraças quebradas de Brasileirão City. A fumaça dos tiros é tanta que é quase uma neblina. O acre cheiro da pólvora entra pelos ocos dos narizes.

Foi a penúltima rodada de duelos. E foram duelos sensacionais.

Todos aconteceram ao mesmo tempo, e tantos eram os tiros que Brasileirão City parecia uma panela de pipocas. Pipocas mortais.

Big Green e Rob Gallo fizeram um duelo decisivo: Quem perdesse estaria fora da parada. Então o caubói que se veste de verde, mas às vezes de azul, não perdeu tempo. Quando o ponteiro dos segundos de seu relógio de bolso completava a primeira volta, ele já acertava Rob Gallo. Big estava eficiente. É que, depois de muito tempo, ele voltava a usar seu cinturão Xavier Smart junto com seu revólver Diego Talent. E quando Big tem inteligência e talento ao mesmo tempo é difícil vencê-lo.

Gallo até reagiu e aos 12’, com seu Tardelli 45, uma das melhores armas da cidade, empatou a lide. Só que quatro minutos depois Big daria um tiro espetacular, com uma bala que ricocheteou no teto do saloon e acertou o peito de Rob Gallo. Talvez tenha sido o mais belo tiro do ano. E, pouco antes dos caubóis pararem para tomar um trago de uísque, Big alvejou Gallo pela terceira vez, acabando com a luta. Ah, se Big Green tivesse contado com Xavier Smart durante todos os duelos...

Harry Hurricane e Seth Fire também tiveram um duelo decisivo, mas pelas últimas posições. Quem perdesse estaria comprando metade do bilhete para a diligência que leva a Série B Village. Fire começou bem e deu um tiro que furou o chapéu de Harry. Mas chapéu não sangra, e a luta continuou. Harry, um pouco mais tranquilo, deu um tiro certeiro com sua Wallyson antes do meio do duelo. Depois, usou sua velha e eficiente garrucha Paulo Baier e acabou com a luta de uma vez por todas. Agora Seth Fire terá que vencer o temível Big Green se não quiser voltar às poeirentas ruas de Série B Village.

 Louis Laranjeira, o caubói do jet-set.

O elegante Louis Laranjeira não foi nada elegante com a bela cauguel Victoria Salvador e meteu-lhe quatro balaços. Foram 27 rodadas entre os quatro últimos, mas, depois de cinco vitórias seguidas, eis que o caubói que usa cartola saiu das últimas posições. Na próxima semana ele enfrentará Coxa Cox. Os dois farão um duelo de esvaziar as cartucheiras. 

 Victoria Salvador teve bons e maus momentos este ano. Seu humor varia de acordo com a lua.

 

Falando em Coxa Cox, ele foi ao saloon Big Boy From Minas e se deu mal. Até começou vencendo Will Uai, mas o caubói celeste reagiu e virou o duelo, acertando-lhe quatro balas. Agora Cox terá que vencer Louis Laranjeira, o que não anda sendo fácil.

 Will Uai ainda tem esperanças de ficar entre os quatro melhores caubóis.

 

Muitos diziam que Cliff Reciff já era carta fora do baralho. Porém, ele mostrou que estava vencido, mas não morto. Tanto que, quando os dois caubóis pararam para um drink no meio do duelo, Cliff havia acertado um tiro em James Colorado e não recebera nenhum. Porém, Colorado queria mais a vitória e conseguiu virar a mesa. Acabou ganhando de Cliff e passou a ser o segundo melhor caubói na tábua de classificação. Na semana que vem ele torcerá desesperadamente para Sancho Pampa vencer Black Red.

 James Colorado conseguiu laçar e dar um banho em Cliff Reciff.

 

Falando em Black Red, ele lutou contra Tim Timão no duelo das multidões. O embate estava equilibrado até que Tim viu duas de suas armas quebrarem: seu Colt Ronaldo, uma artilharia pesada, e o rifle Edu. Aí tudo ficou mais complicado, tanto que, alguns minutos depois, Black acertou um tiro decisivo. Tim não conseguiu reagir e o caubói que tem um urubu de estimação em seu ombro passou a ser o favorito para ganhar a estrela dourada de xerife de Brasileirão City.

Por fim, houve o emocionante duelo entre John Esmeraldine, o bambambã do Center-West, e o ex-líder Jack Tricolor. E Esmeraldine se deu bem. Ele, que já havia portado bravamente contra Black Red, novamente mostrou suas habilidades e venceu um grande caubói. Ah, se tivesse lutado sempre assim... Para Jack foi um domingo triste. Caiu da liderança para o quarto lugar e agora só um milagre pode lhe dar a sétima estrela. Mas milagres acontecem.

Enfim, na semana que vem serão dados os últimos tiros. Quatro caubóis lutam para ganhar a estrela dourada. Outros quatro para não serem mandados para Série B Village. O crepúsculo sentirá inveja do sangue vermelho que correrá pelas ruas de Brasileirão City.

 

 

Na toreroteca, Ronaldo, de São João del Rei, acertou tudo. Porém, sete minutos antes dele, Márcio, de Sampa, também cravou cinco palpites corretos. Não foi uma tarde boa para Ronaldos.

 

Por Torero às 08h25

29/11/2009

Sempre aos domingos: Torcer

 
 

Sempre aos domingos: Torcer

Texto de Anderson Santos 
 
 

Torcer é confiar em pessoas com quem você nunca trocou um “oi”

Torcer é olhar para a pessoa ao lado na arquibancada e ver como um igual

Torcer é acreditar num lance milagroso ou num santo goleiro mesmo sendo ateu

Torcer é crer que a explosão pode sair um pouco antes do apito final

Torcer é trocar o dia de folga com a família pela tarde com os amigos

Torcer é enlouquecer após um gol

E pedir para ser internado por problemas cardíacos após um título

Torcer é saber perder (por culpa do juiz)

E saber ganhar graças ao melhor time do mundo

Torcer é colocar a camisa do time mesmo após uma derrota

Torcer é gozar do adversário mais próximo em caso de vitória

E desligar o celular em caso de derrota

Torcer é se alienar de tudo em nome de uma paixão

É “estar com o time onde o time estiver”

Enfim, torcer é acreditar que o mundo pode parar por mais de 90 minutos

Por Torero às 07h07

28/11/2009

Sempre aos domingos: Eu pertenço a mim mesmo

 
 

Sempre aos domingos: Eu pertenço a mim mesmo

Texto de Marcio R. Castro

Rubem gostava dos momentos que antecediam a uma partida. Com o passar dos anos, aquela ansiedade usual havia se tornado o seu próprio antídoto, gerando um efeito tranqüilizante que amortecia músculos e mente. Anestesiado, Rubem podia curtir o ritual do vestiário, separando o uniforme, envolvendo a tornozeleira com esparadrapos, assustando os novatos com os estalos de seus joelhos.

Porém, no túnel, segundos antes de entrar em campo, sentia que já estava um tanto fora de lugar. Aquela roda de jogadores, com alguns gritando palavras de incentivo, outros falando solenemente, geralmente tudo ao mesmo tempo, era algo entre o óbvio e o patético. Meio sem jeito, Rubem lembrava que também já havia feito entusiasmado esses papeis.

Na sequência, a oração. Quase vinte homens vomitando o pai nosso, numa marcha sem ritmo ou graça. Não havia espiritualidade nenhuma naquele momento, era apenas uma vociferação sem significado. Ou pior, tinha sim um significado. Aquilo era um rito de guerra, não de paz.

Essa questão religiosa, digamos assim, já o aborrecia há algum tempo. Em sua carreira, nem se lembrava mais de quantas vezes havia sido intimado a participar de algum grupo de preces ou a conhecer essa ou aquela igreja do círculo centenário da adoração peregrina. Rubem ficava perplexo ao constatar que, em muitos casos, os mesmos que oravam e pregavam e glorificavam eram também os que cuspiam e quebravam e tramavam contra treinadores.

Mas os times já estavam no gramado. O velho artilheiro não teria muitos jogos pela frente, queria deixar uma boa lembrança. Em seu primeiro toque na bola, tomou uma pegada daquelas. Logo depois, um discreto murro nas costelas, acompanhado de um discurso singelo: “vou te aposentar, vovô!”. Cortesia do novo zagueiro da seleção, recém-convocado.

Na saída do campo, para o intervalo, seu algoz dava uma entrevista disputada. Rubem passou bem no instante em que o sujeito falava “graças a deus, graças a deus, nosso trabalho está sendo abençoado...”. O rapaz das pancadas e ameaças era um temente!

Mais alguns passos e o veterano pode ouvir um “se deus quiser, vamos conseguir os três pontos...”, agora vindo da boca de um de seus companheiros de time. Resolveu contar quantas vezes ouviria citações divinas até o recomeço do jogo. Foram 13. Algumas eram apenas interjeições. Outras, as que assustavam, flutuavam no ar como verdadeiras revelações.

Veio o segundo tempo. Logo de cara, gol do adversário. Na comemoração, camisa levantada e mensagem em letras improvisadas, “I belong to Jesus”. Em inglês, claro, para evangelizar mundo afora. Rubem olhou conformado. Sabia que a intenção do jogador era boa, vá lá, conhecia a figura. Talvez fosse o efeito Kaká, ou um pedido do empresário, quem sabe só uma moda politicamente correta. Talvez fosse ele que estivesse mais ranzinza.

Aquilo acabou dando um inesperado ânimo ao artilheiro. Queria marcar o seu. Correu, disputou, driblou, deixou por duas vezes seus colegas na cara do gol. Colocou uma bola na forquilha, mas o goleiro buscou com as unhas.

Foi seu último jogo. No treino seguinte, uma contusão o afastou dos gramados. Se fosse mais jovem, talvez voltasse. Mas não era. Sem saber que era sua despedida, saiu de campo quase satisfeito naquele dia. E pensou: eu pertenço a mim mesmo.

Por Torero às 08h48

26/11/2009

Toreroteca

A toreroteca desta semana é cheia de partidas decisivas. Para facilitar, só teremos cinco jogos. Mas serão jogões:

Goiás x São Paulo, que pode decidir o título;

Corinthians x Flamengo, o clássico das multidões;

Palmeiras x Atlético-MG, um jogo decididamente decisivo;

Santo André x Náutico, para ver quem cai já nesta semana;

e Atlético-PR x Botafogo, uma partida imprevisível.

A medalha é esta:

Meus palpites: São Paulo, empate, Palmeiras, Santo André e empate. 

 

Por Torero às 16h24

25/11/2009

As perguntas

Acabei de enviar as perguntas aos dois candidatos à presidência do Santos. Sâo estas aqui:

 

1. Os dois candidatos prometem a participação de fundos de investimentos nas contratações. Que fundos são esses? Vamos citar nomes?

2. O senhor pretende manter a base do time atual ou pretende renovar o grupo?

3. Qual o seu perfil para novas contratações? (jogadores renomados ou promessas, caros ou baratos, etc)?

4. Qual será sua relação com os torcedores das cidades de São Paulo e Santos?

5. Qual seu projeto para aumentar a arrecadação do clube?

6. Quem serão seus principais assessores. Poderia citar de três a cinco nomes?

7. Quem será seu técnico para 2010?

8. Quais seus planos para a Vila Belmiro?

9. Qual é a sua referencia em termos de administração? Um estadista, um escritor ou outra pessoa que o inspira?

10. Qual sua posição quanto a reeleições. Manterá o estatuto como está?

11. Quais são as propostas para aumentar a transparência administrativo/financeira do clube em relação a empréstimos, pagamentos de comissões e recebimento das vendas de jogadores?

12. O que o senhor pensa e fará em relação ao futebol feminino?

13. Como se relacionará com as torcidas organizadas?

 

 

Por Torero às 12h04

24/11/2009

Eleição santista - 2

Os santistas e interessados podem mandar perguntas aos candidatos. Elas devem ser comuns aos dois, ou seja, deve ser suficientemente aberta para que ambos os candidatos possam respondê-la. Daqui a alguns montarei uma entrevista e envio às duas chapas, publicando as respostas aqui.

Por Torero às 16h42

Eleição santista - 1

Vou abrir cá espaço para manifestantes das duas chapas. O ideal é publicar textos de dois em dois, um de cada lado. No máximo com três mil toques, incluindo espaços.

Por Torero às 16h40

Grandes clássicos paulistas

Quem estiver de bobeira neste sábado, lá pelas 15h00, pode dar um pulo no Sesc Pompéia, em Sâo Paulo, para ter uma conversa sobre os grandes clássicos paulistas. Quem vai coordenar o papo é o pessoal do MEMOFUT, uns doidos muito interessantes que são fanáticos por futebol. Serão apresentadas curiosidades, estatísticas históricas, informações sobre os grandes jogos, as finais e os craques que participaram e fizeram a história de cada clássico paulista.
 

Local: SESC Pompéia   

Data: 28/11 Sábado, às 15h.

Por Torero às 16h21

Indefinições definitivamente definidas

Para ler o texto de hoje na Folha, assinantes do UOL e da Folha podem clicar aqui.

Por Torero às 07h49

23/11/2009

ABC do fim de semana

 

Aleluia!: O Ceará demorou dezesseis anos mas voltou à Série A.

 

Bárbaro!: O Guarani também voltou! Perdeu para o Bahia, mas comemorou muito. E conseguiu uma subida dupla, porque no ano passado foi da C para a B.

Caramba!: O Atlético Goianiense também conseguiu uma bissubida. O Dragão vem soltando fogo pelas ventas.

 

 

 

Dupla caipira: O time do Goiás que começou o jogo ontem  poderia fornecer cinco duplas caipiras: Harlei & Iarley, Fernando & Fernandão, Ernando & Euzébio, Rithelly & Rafael, e Victor & Léo, que até já existe.

 

Emparrota: Neologismo criado para descrever um empate com gosto de derrota para os dois times. Foi o caso de Atlético-PR e Cruzeiro. O primeiro continua a perigo. O segundo já não pode ser campeão.

 

Fortaleza: O time teve o quinto melhor ataque da Série B, mas acabou caindo. É que teve, disparado, a pior defesa. Até agora já levou 78 gols. Uma média superior a dois por jogo.

 

Goiás: É um time do qual a torcida do Flamengo não deve gostar muito. Mas pode passar a amá-lo se o Verdão do cerrado vencer o São Paulo na próxima semana.

 

 

Highlander: Romário volta a jogar nesta quarta-feira.

 

Intrêmulo: Destemido, intrépido, Fluminense. O time tem agora oito vitórias seguidas.

 

Juízes: Os trios de arbitragens de Flamengo x Goiás e Botafogo x São Paulo foram muito bem. É bom assistir a um jogo do Vuaden, um árbitro que não cai nas encenações dos jogadores.

 

  O Coritiba escorregou e o Santos se aproveitou.

 

Luxemburgo: Que idéia brilhante ele teve ao colocar Mádson e Neymar como titulares! Genial! Como ninguém pensou nisso antes?! Só ele mesmo para ter uma idéia dessas! Realmente é um técnico diferenciado.

 

Maracanã: Que bela festa! Fiquei com inveja dos 80 mil que estavam lá.

 

Novamente: Novamente a Portuguesa não consegue retornar à Série A.

 

 

Oxigênio: O Náutico ganhou uma sobrevida com sua vitória sobre o Corinthians em pleno Pacaembu.

 

Patrocinador: Só hoje reparei que a Bozzano está nas mangas dos dois times mais populares do país, Corinthians e Flamengo. Eis aí um patrocinador que fez barba e cabelo (ah, trocadilho infame...).

 

Quatro: Número de equipes que lutam para escapar do rebaixamento para a Série C: Juventude, Ipatinga, Brasiliense e América-RN. Um deles não escapará.

 

Revirada: Neologismo que explica o que conseguiu o Botafogo. Saiu na frente, tomou a virada do São Paulo, mas aplicou uma revirada.

 Estevam Soares vibrou com a vitória de seu time.

 

Sápido: Saboroso, gostoso. Adjetivo estranho mas aplicável a este final de Brasileiro, que realmente está muito sápido.

 

Trirrota: Neologismo que indica três derrotas seguidas, como as do Atlético Mineiro, que disse adeus ao título mas ainda tem chances de se classificar para a Libertadores.

 

  O Flamengo esteve a ponto de abocanhar a liderança, mas deixou-a escapar.

 

Umbral: Limiar, fronteira. As traves, por exemplo, podem ser consideradas os umbrais do gol. Ainda mais para o São Paulo, que chutou duas na trave contra o Botafogo.

 

Val Bainasten: Val Baiano fez um golaço pegando uma bola de primeira. Me lembrou um de Van Basten.

 

Xurumbambo: Traste velho. Pet, por exemplo, parecia um xurumbambo depois de fracassar no Santos, no Galo, no Goiás e no Fluminense. Mas hoje é um dos melhores jogadores do Brasileiro.

 

Zorato: Doido, amalucado, imprevisível. Este final de campeonato está completamente zorato.

 


PS: Quem levou o livro da Toreroteca foi André, de Santos, o primeiro a votar em Neymar (por conta de erros nas contas, valeram os votos dados a Aílton, do Náutico, Camilo, do Santo André, e Neymar, mas só este foi citado).

PSS: O título da coluna de hoje, OAB Seedorf índice Emaná, foi enviado por Francisco Marchini.  

Por Torero às 07h31

22/11/2009

Sempre aos domingos

 
 

A “verdadeira” história das Copas do Mundo (do ponto de vista dos defensores de teorias conspiratórias) – Parte II (1978 – 2014)

Por Cláudio e Lino Porto

1978 – Argentina (Argentina). Única copa ganha somente nos gramados. Cansada de ser roubada ao longo da história, a Argentina enfim vence a sua, e com tamanha categoria que seu treinador chegou a dispensar o jovem Maradona, indiscutível maior jogador de todos os tempos, conforme eleição transparente, realizada sob os mais rígidos critérios pela FIFA através da Internet. Contaminados por teorias conspiratórias, alguns ingênuos defendem a tese de que o holandês Cruijff abdicou (covardemente) de jogar a copa por desconfiar que o democrático governo militar do país vizinho teria comprado a taça em acordo com seu co-irmão brasileiro, sob aval do bravo selecionado peruano.

 


1982 – Espanha (Itália tri). O juiz da decisão foi Arnaldo César Coelho, para quem a regra era clara: a Alemanha não poderia vencer de modo algum, pois a máfia italiana havia prometido denunciar que o esquema das loterias (motivo de injusta punição ao excepcional Paolo Rossi) ia muito além das fronteiras da Bota. A FIFA acertou o tri italiano com a Cosa Nostra em troca de silêncio. Lamenta-se apenas o bom time brasileiro ter ficado pelo caminho, deixando gênios como Valdir Peres, Paulo Isidoro e Serginho Chulapa sem terem erguido uma taça do mundo. Às vezes o futebol é injusto.

1986 – México (Argentina bi). Apesar de Maradona ter feito uma copa razoável, a conquista fora previamente acertada com a Inglaterra e a ONU, como compensação ao pacífico governo portenho por ter concedido aos britânicos o direito de usarem as Ilhas Malvinas, após empate no referido conflito bélico entre as duas poderosas nações. Outra versão, baseada em farta documentação secreta, garante que o título seria francês, em combinação com os brasileiros (daí o pênalti bisonhamente perdido por Zico), como forma de humilhar ainda mais a Grã-Bretanha. Na verdade, outro acordo de bastidores é que prevaleceria nesta e na próxima copa... Afinal, por que a imbatível Alemanha entregaria tão fácil duas finais seguidas?

1990 – Itália (Alemanha tri). A bela seleção de Lazzaroni surpreendentemente fora; repetição da decisão entre Argentina e Alemanha, derrotada facilmente nas duas edições anteriores; pênalti inexistente na final... Meras coincidências? Óbvio que o objetivo era acelerar a unificação alemã após a queda do Muro de Berlim, conquista do valoroso povo ocidental que pôs fim a sua tirania. Bom lembrar que Joseph Blatter é germânico. Segunda copa seguida que o esquema funcionou com precisão. E a terceira final entre os dois países estava armada para ser na Colômbia em 94...

1994 – EUA (Brasil tetra). O imperialismo ianque, em franca decadência, roubou a sede do país sul-americano, alegando insegurança gerada pelo tráfico de drogas (?), fato que causou imensa revolta popular não divulgada pela grande imprensa, pois a Colômbia, além de pacífico exportador de café, era também uma das favoritas ao título. Posando de democratas, os estadunidenses exigiram que a copa fosse decidida nos pênaltis, de modo a agradar os imigrantes ítalo-americanos e hispânicos (para eles, o Brasil é hispânico), abafando a pressão popular que ameaçava irromper no seio de Tio Sam. Deu certo: o conservador Clinton foi reeleito. Chegaram ao cúmulo de excluir Maradona do certame, justo no auge de sua forma física, sob uma estapafúrdia alegação de doping.

1998 – França (França). A história só é conhecida entre nós graças à Internet, que nos permite divulgar as verdades que essa imprensa golpista tenta nos omitir, como o célebre dossiê das multinacionais do esporte com a CBF: França vence em 1998, Brasil em 2002, França em 2006 e Brasil em 2010. Tudo parecendo o mais natural possível. Ronaldo não concordou e inventaram aquela história enrolada da língua enrolada. Um dia Edmundo contará toda a verdade. Os traidores da pátria receberam polpudo prêmio pelo vice. Gonçalves e Júnior Baiano, entre outros, vivem hoje como milionários sem precisarem explicar a origem de tanto dinheiro. Tudo para que o silêncio se mantenha sobre o restrito grupo dos 44 jogadores envolvidos, seus familiares e amigos.

2002 – Coréia/Japão (Brasil penta). Esquema funcionando. Sabedor do acordo, Felipão dá-se ao luxo de deixar Romário de fora para convocar o cerebral Anderson Polga. Os países anfitriões, mesmo inimigos, aceitam fazer a copa juntos apenas para provar ao mundo que são mais poderosos que a China, o que corrobora a nova correlação de forças da geopolítica planetária globalizada... Por via das dúvidas, conforme todos já desconfiavam, Oliver Khan estava comprado na final.

2006 – Alemanha (Itália tetra). O acordo franco-tupiniquim quase funcionou de novo. Só muito dinheiro para explicar o medíocre Zidane passeando em campo sem marcação e aquele ridículo ato de arrumar a meia em pleno ataque francês. O problema para esses conspiradores é que há sempre alguém de reputação ilibada que não se vende: Materazzi, elegante zagueiro italiano, provou que honestidade não tem preço.

2010 – África do Sul (?). Com o acirramento da grave crise econômica nos EUA, comenta-se que a FIFA já teria um plano para tornar os ianques campeões mundiais, alterando o cenário futebolístico internacional e reduzindo, por tabela, o crescente poder da UEFA. Como o fim do império americano nunca esteve tão próximo, e eles quase venceram a última Copa das Confederações, é bom ficarmos alertas.

2014 – Brasil (?). Será a copa mais bem organizada da história deste país, sem nenhum desvio de verba, superfaturamento, caos aéreo ou qualquer outro fato que macule a imagem de nação ordeira e organizada que o Brasil possui. A final será no Maracanã e o Brasil jogará por um empate...

 

Por Torero às 12h11

21/11/2009

Sempre aos domingos (de sábado)

 
 

A “verdadeira” história das Copas do Mundo (do ponto de vista dos defensores de teorias conspiratórias) – Parte I (1930-1974)


Texto de Cláudio e Lino Porto

 
1930 – Uruguai (campeão: Uruguai). Tudo combinado. Uruguai faria e venceria a de 30. Argentina faria e venceria a de 34. Em 38 o tira-teima entre eles, no Paraguai.

1934 – Itália (campeã: Itália). Título merecido. Benito Mussolini mostrou ao mundo o que um governo moderno, ético e bem administrado pode fazer dentro e fora de campo.

1938 – França (Itália bi). A FIFA temia que um líder democrático como Adolf Hitler triunfasse. Mesmo com a forte Áustria anexando-se à Alemanha, a Itália de Mussolini novamente nos ensinou como a firme condução de um país reflete-se diretamente no bom futebol jogado por sua seleção. Sem falar que Meazza foi melhor que Pelé...

1942 / 1946 – Era para ser na moderna Alemanha nacional-socialista, mas a FIFA recusou-se a promover a Copa sob a frouxa alegação de que não havia condições devido à guerra do resto do mundo contra o eixo democrático. Mera desculpa para impedir o triunfo da então poderosa nação alemã. A imprensa internacional, sempre dominada pelos semitas, chegou ao absurdo de inventar essa história de campos de concentração, em que até hoje muitos tolos crêem.

1950 – Brasil (Uruguai bi). Fontes secretas afirmam que o presidente Dutra, a mando de Vargas, teria enviado caças da FAB para abater o avião do Torino em 1949, o que facilitaria o triunfo da seleção do popular governo trabalhista brasileiro no ano seguinte. Mas a tese mais coerente é que Barbosa, infalível goleiro brasileiro, teria se vendido por rios de dinheiro e levado uma vida nababesca após abandonar o futebol, a ponto de bancar alguns jornalistas para tentarem nos convencer do contrário.

1954 – Suíça (Alemanha campeã). Auge da Guerra Fria. Era imprescindível ao capitalismo internacional que a invencível e socialista Hungria fosse derrotada. Sem falar que a Alemanha precisava a todo custo conter o crescente desejo interno pela volta do fascismo democrático em sua pátria. ...E ainda dizem que a Suíça é neutra!

1958 – Suécia (Brasil). O jovem Havelange fez um acordo com os franceses para tentar impedir que os ingleses chegassem ao poder máximo na FIFA. A França, disparado melhor time daquela Copa, venceria em 58. Depois o Brasil venceria em 62. Em 66, França. E assim, sucessivamente... O plano só não deu certo porque a comissão técnica brasileira falhou ao explicá-lo para aquele ponta-direita escalado à última hora.

1962 – Chile (Brasil bi). Simples: copa comprada pela CBD... Que Garrincha, que nada! Jogador mediano. Driblava sempre para o mesmo lado. Não era tudo isso que diziam. O tal Mané foi apenas uma invenção da imprensa carioca, notadamente a botafoguense, reduto de intelectuais boêmios com mania de poesia.

1966 – Inglaterra (Inglaterra). O decadente capitalismo anglo-saxão estava cansado das conquistas latinas. Britânicos e germânicos se unem para impedir o tri canarinho, que foi ao Reino Unido com uma seleção super organizada. O conluio: Inglaterra em 66, Alemanha em 70 e Bélgica em 74, para não dar na vista. E o juiz da final era um suíço...

1970 – México (Brasil tri). Pelé? Sem dúvida um bom jogador, mas aquelas “famosas” jogadas que não terminaram em gols foram combinadas com os goleiros adversários, inclusive com truques de câmera para endeusá-lo posteriormente. Pelé foi uma invenção da imprensa neoliberal paulista, através de jornalistas como Juca Kfouri e José Torero, saudosistas corno-mansos, que ainda acreditam que futebol se decide dentro de campo. Essa “conquista” brasileira só foi possível graças à destacada atuação do ultra popular presidente Médici, que além de escalar o ousado Zagallo como treinador, no lugar do retranqueiro comunista Saldanha, mandou convocar o genial atacante Dario Beija-Flor, demonstrando que seus conhecimentos iam muito além do mero terreno da democracia.

1974 – Alemanha (Alemanha bi). Milhares de alemães ocidentais arriscando suas vidas para cruzar o Muro de Berlim em busca de uma vida melhor no lado oriental, socialista. Óbvio que a imprensa burguesa mundial tentava noticiar o contrário. Neste contexto de Guerra Fria, era natural que o timaço da Alemanha Oriental fosse garfado, restando apenas a boa, mas conservadora, equipe holandesa, apelidada de “laranja mecânica” em alusão a um obscuro filme dos anos 70 em que seus personagens primam pela violência. Tudo para facilitar a vitória da fraca equipe alemã capitalista, na qual se destacava o mediano Beckenbauer.

(continua amanhã)

Por Torero às 09h43

A seleção fora da Copa

 
 
Texto de Rafael Calixto Tauil
 
A Fifa temia que as duas maiores estrelas do futebol atual, Lionel Messi e Cristiano Ronaldo, não participassem da Copa do Mundo de 2012, na África do Sul, já que suas respectivas seleções passavam por dificuldades nas eliminatórias. A Argentina, coroada com gritos de “chupem” proferidos por Maradona, conseguiu sua suada classificação. Nesta última quarta-feira, sem o “gajo” -que enfrenta uma contusão e as mandingas de um bruxo chamado Pepe-, Portugal também conquistou sua vaga, no dia em que as 32 seleções do torneio foram, enfim, definidas.

Outros jogadores renomados, assim como suas respectivas seleções, no entanto, não vão participar da Copa. Como seria então uma seleção, de 23 atletas, formada apenas pelos que não podem jogar o torneio? Confira a lista dos que você poderia (mas não vai) ver em campo na África do Sul.

 

GOLEIROS

Petr Cech (República Tcheca/Chelsea): Considerado um dos melhores do mundo, joga com proteção desde 2007, depois de ter literalmente "quebrado a cabeça". Os tchecos foram superados por eslovacos e eslovenos em seu grupo na Europa.

Reserva: Shay Given (Irlanda/Manchester City): Arqueiro do hoje milionário City, destacou-se anteriormente no também inglês Newcastle. Fora graças à “mão grande” de Thierry Henry.

 

DEFENSORES

John O’Shea (Irlanda/Manchester United): Curinga de Alex Ferguson no time dos Red Devils, pode atuar em qualquer posição da zaga e até como volante. No clube, costuma aparecer mais como lateral direito.

Dmytro Chygrynskiy (Ucrânia/Barcelona): Custou nada menos que 25 milhões de euros aos cofres do Barça, com recisão de mais 100 milhões. É bom? Não vai ser na Copa que vamos saber.

Cristian Chivu (Romênia/Internazionale de Milão): Canhoto, joga na zaga, mas também faz a lateral esquerda quando necessário. Sua seleção passou longe de uma vaga –ficou atrás até da Lituânia nas eliminatórias.

Yuri Zhirkov (Rússia/Chelsea): Foi contratado pelo time inglês pela bagatela de 21 milhões de euros, vindo do CSKA de Moscou. É lateral esquerdo de origem, apóia bem o ataque e pode jogar de meia.
Reservas: Ivan Córdoba (Colômbia/ Internazionale de Milão); Olof Mellberg (Suécia/Olympiacos);  John Arne Riise (Noruega/Roma); Marek Jankulovski (República Tcheca/Milan).

 

MEIO-CAMPISTAS

Seydou Keitá (Mali/Barcelona): Sua seleção, que ainda conta com jogadores como Sissoko, Kanouté e M.Diarra, conseguiu ficar atrás do Benin em nas eliminatórias africanas –Gana ficou com a vaga do grupo. Volante de contenção, leva vantagem com suas passadas largas.

Ryan Giggs (País de Gales/Manchester United): A uma semana de completar 37 anos, o craque, extremamente técnico, conduz com maestria o meio-campo e tem feito a diferença no clube inglês. Ganhou, na votação dos jogadores, a Professional Footballers Association, o prêmio de melhor de 2009. Seria o capitão do time.

Andrei Arshavin (Rússia/Arsenal): Rápido e criativo, o meia-ofensivo levou o Zenit São Petersburgo à conquista da Copa da Uefa e, posteriormente, da Supercopa na decisão contra o Manchester United, em 2008. O Arsenal despendeu cerca de 15 milhões de libras.

Reservas: Darren Fletcher (Escócia/Manchester United); Mahamadou Diarra (Mali/Real Madrid); Martin Petrov (Bulgária/Manchester City); Antonio Valencia (Equador/Manchester United).

 

ATACANTES

Andriy Shevchenko (Ucrânia/Dinamo de Kiev): Já com 33 anos, o centroavante tornou-se um jogador mais cerebral. Armaria o ataque. Teve seu auge no Milan, mudou-se para Stamford Bridge e agora voltou para o clube que o revelou.

Zlatan Ibrahimovic (Suécia/Barcelona): Indiscutivelmente fator decisivo dos últimos três títulos nacionais da Inter de Milão, mudou-se para a Catalunha como contratação mais cara da história do time azul-grená –66 milhões de euros. Provavelmente o craque do time.

Emmanuel Adebayor (Togo/Manchester City): Fez fama ao substituir Thierry Henry, depois que o francês deixou o Arsenal. Foi levado para Manchester com a onda de contratações resultante da injeção de dinheiro de Abu Dhabi no clube.

Reservas: Roman Pavlyuchenko (Rússia/Tottenham); Edin Dzeko (Bósnia/Wolfsburg); Milan Baros (República Tcheca/Galatasaray).

São muitas opções consideráveis para o ataque. Entre elas, Craig Bellamy, Adrian Mutu, Robbie Keane, Dimitar Berbatov, Claudio Pizarro, Vedad Ibisevic, Henrik Larsson (sim, jogou as eliminatórias), Mohamed Zidan, Amr Zaki, John Carew e até o brasileiro-croata Eduardo da Silva.

Faltou alguém? Quem você levaria? Quem mais merece o troféu “George Weah” de arquibancada VIP na África do Sul –lembrando, jogadores que não costumam ser convocados, mas de seleções que vão à Copa, não contam.

Por Torero às 09h32

19/11/2009

999

(Por conta do quadragésimo aniversário do milésimo, republico aqui um texto do livro "Os cabeças-de-bagre também merecem o paraíso".)

O quando era 19 de novembro de 1969 e o onde era o Maracanã. O quê foi um pênalti apitado contra o Vasco da Gama pelo juiz Manoel Amaro de Lima. O quem era Pelé, o número dez do Santos, autor de 999 gols.

Ele ajeita a bola na marca de cal. Antes de bater, olha para as arquibancadas. Centenas de milhares de pessoas querem compartilhar aquele momento histórico. Ele também olha para Andrada, o goleiro magricela que, para tornar ainda maior a alegria de Pelé, é argentino.

Pelé começa a correr. Escolhe o canto direito e bate colocado à meia altura. Ainda cego pelos inúmeros flashes das máquinas fotográficas, não consegue entender direito o que se passa, mas a reverberação de um comprido “Uuuh!” chega aos seus ouvidos. Ele esfrega os olhos e vê Andrada com a bola apertada contra o peito. Não tinha sido daquela vez.

Pelé ficou triste e desmotivado; até pediu para ser substituído minutos mais tarde. No jogo seguinte, contra o São Paulo, esteve outra vez perto da glória, mas por duas vezes mandou a bola de encontro às traves.

Vieram outras chances. No empate contra o Palmeiras, o jovem goleiro Leão rebateu a bola à frente de seus pés; ele, porém, mandou-a para fora. Alguns dias depois deu dois chapéus em Ditão, mas acabou chutando em cima de Ado. Pena! Ele adorava vencer o Corinthians...

Pelé foi ficando nervoso e um dia, sem que ninguém visse, começou a beber. Primeiro foi uma cerveja, depois uma caipirinha e no fim acabou experimentando aguarrás. O efeito disso foi que começou a chegar atrasado aos treinos, caiu de rendimento e, diante dos clamores da torcida, perdeu a posição para Brecha.

Isso foi fatal para seus planos de jogar a Copa de 1970. Zagallo, receoso, não o convocou para a equipe tricampeã. Tostão jogou um pouco mais recuado no meio-campo e Dario foi o centroavante.

Nos anos seguintes, na reserva, Pelé não conseguiu fazer seu milésimo gol. Decidiu então despedir-se do futebol. As glórias passadas ainda estavam na memória de todos, e a Vila Belmiro lotou naquela tarde de 1972 para ver o seu adeus contra um combinado de craques. Quem sabe se na partida derradeira ele não chegaria ao milésimo gol.

Pelé estava infernal. Num lance brilhante, a Vila ¬Belmiro quase veio abaixo. Pôs a bola no meio das pernas de Piazza, deu o drible da vaca em Luís Pereira, deixou Figueroa no chão e chutou colocado no ângulo. Ele já ia dar um soco no ar quando viu a bola sendo espalmada para escanteio pelo goleiro. O nome dele era Andrada.

Daquele dia em diante, ninguém mais o viu. Pelé deixou a barba crescer e ficou conhecido pelos habitantes de Três Corações como um mendigo esquisito, que vivia chutando pedrinhas como se estivesse cobrando um pênalti. E nunca acertava.

“Acorda, acorda!”

“Que foi, Assíria?”

“Você está tendo um pesadelo e não pára de me chutar!”

“Sonhei que perdi o pênalti contra o Andrada, entende?”

“Que bobagem... Dorme, Edson.”

Mas ele não consegue mais dormir e passa a noite em claro.

Enquanto isso, em algum lugar, Andrada tem o mesmo sonho de Pelé. E sorri.


 

Por Torero às 00h58

Toreroteca do Milésimo

Hoje teremos uma toreoteca simples.

Como ontem foi aniversário do milésimo gol de Pelé, e como neste domingo deve sair o milésimo gol do Brasileiro (faltam 7), a pergunta é a seguinte:

Que jogador fará o gol mil deste Brasileiro?

O prêmio é este:

Ganha o primeiro que acertar o jogador. Se tivermos muitos zero a a zero, o palpite continua valendo para a próxima rodada. 

 

PS: Faltam 7 e não 24 gols (como estava escrito anteriormente) para  o milésimo gol. Portanto darei dois livros, um para que acertar o autor do sétimo gol daqui para frente e outro para quem acertar o autor do vigésimo-quarto.

Por Torero às 00h55

Mil outra vez

 
 

Texto de Carlos Eduardo Sisso


19 de novembro de 2009.

O dia em que a Terra parou.

Os olhos do mundo se voltam, ansiosos, para o estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro.

Todas as emissoras de rádio e TV se acotovelam por um mínimo espaço que pudessem encontrar à beira do gramado.

Vasco e Santos empatam por 1 a 1.

E, de repente, silêncio.

32 minutos do segundo tempo.

Lançamento para Pelé.

“É agora!”, diz um torcedor ao meu lado.

Trila o apito.

Pênalti!

O Maracanã explode.

Torcedores do Santos se abraçam nas arquibancadas.

Torcedores do Vasco se abraçam nas arquibancadas.

Torcedores de todos os times se abraçam por todo lugar.

“É agora!”, repete o torcedor, e me abraça também.

Pelé pega a bola e a beija.

Tensão.

Bola na marca da cal.

De um lado, Pelé.

Do outro, Andrada.

Pelé.

Andrada.

Andrada.

Pelé.

Ninguém respira.

Trila o apito.

 

 


O Maracanã explode.

O mundo explode.

E Andrada soca o chão.

Pelé pega a bola e a beija.

Todas as emissoras de rádio e TV se acotovelam por um mínimo espaço que pudessem encontrar dentro do gramado.

Era o gol 3000.

Ovacionado, mais uma vez, e diante de centenas de microfones e lentes de televisão, Pelé diz:

“Pô, galera, de novo?

Já se passaram 40 anos!

Quantas vezes eu vou ter de repetir?

‘Tem que cuidar das criancinhas! Tem que cuidar das criancinhas! Tem que cuidar das criancinhas!’

Tem dó, né?!”

E, de repente, silêncio.

 

Por Torero às 16h11

Diálogo entre palmeirense e tricolor

 

Hoje pela manhã, no Bar da Preta, estavam Ivo, o exclamativo, e Vicente, o reticente. Ivo é tricolor doente. Vicente, um doente palestrino.

 

Os dois sentaram-se lado a lado e logo começaram a conversar. Mas não acho que aquilo tenha sido um diálogo. Foram mais dois monólogos paralelos.

 

“Me vê um desses aí para comemorar!”, disse Ivo apontando para a travessa que a Preta mantém sempre cheia de torresmos gigantescos.

 

“Também quero um”, falou Vicente. “Quem sabe assim as minhas veias entopem e eu morro de uma vez...”

 

Vicente não estava exatamente de bom humor. Cabisbaixo, deu uma mordiscada em seu torresmo e murmurou: “O meu time deixou escapar o título...”

 

“O meu vai escapar do rebaixamento!”, exclamou Ivo, dando uma barulhenta mordida em seu pedaço de porco. Ainda mastigando, emendou: “E ainda seremos  campeões da Sul-Americana!”

 

“O meu Palmeiras talvez nem consiga entrar na Libertadores...”

 

“E olha que o nosso técnico estava em baixa. Vinha de três demissões!”

 

“O nosso estava em alta. Vinha de três títulos...”

 

“Até aquela briga depois do jogo foi divertida. A gente acabou com eles!”

 

“Aquela briga no meio do jogo foi terrível. Acabou com a gente...”

 

“Foram sete vitórias nos últimos sete jogos!”

 

“Só uma vitória nos últimos sete jogos...”

 

“Nas últimas semanas ganhamos de Atlético Mineiro, Cruzeiro e Palmeiras, que estão lá em cima da tabela!”

 

“Nos últimos tempos não ganhamos de nenhum dos quatro clubes que estão na zona de rebaixamento. Perdemos do Náutico, do Santo André e de vocês. E no empate com o Sport teve aquele apito do juiz...”

 

“E pensar que ficamos um bom tempo na lanterna!”

 

“E pensar que ficamos 19 semanas em primeiro lugar...”

 

“O time está mais unido do que nunca! O pessoal só pensa em vencer!”

 

“O time está mais rachado do que nunca. Tem uns jogadores que só pensam em ir para a Europa...”  

 

“Fred foi um grande acerto!”

 

“Vágner Love ainda não disse a que veio...”

 

“Viu como a nossa torcida ficou no estádio depois da partida, comemorando e soltando fogos?!”

 

“Viu que o nosso presidente deu vexame e pegou nove meses de gancho...?”

 

“Ah, que fase!”

 

“Ah, que fase...”

 

“Preta, mais um torresminho!”

 

“Preta, mais um torresminho...”

Por Torero às 08h37

Wisnik mais um

Hoje, às 19h00, na Casa Mário de Andrade (Rua Lopes Chaves, 546, Barra Funda – São Paulo) haverá uma ótima palestra para quem gosta de futebol e literatura

A mediação será de Manuel da Costa Pinto crítico literário da Folha de São Paulo e diretor do programa Entrelinhas da TV Cultura.

Quem for ao debate poderá escutar as sempre boas idéias de José Miguel Wisnik, professor de Teoria Literária na USP, músico, bom ponta-direita e autor do livro Veneno Remédio – o futebol e o Brasil, que ganhou um monte de prêmios no ano passado.

O outro debatedor sou eu, mas prometo falar pouco.

Inscrições e informações pelo telefone (11) 3666-5803. Entrada Franca

Por Torero às 08h35

18/11/2009

Dois convites para são-paulinos e um para corintianos

Comecemos pelos tricolores.

Amanhã, quinta-feira, 19 de novembro, às 19 horas, no Bar Boleiros (rua Mourato Coelho, 1194), será lançado o livro "Tricolor Celeste", de Luís Augusto Simon. A idéia do livro é curiosa. Ele vai falar dos uruguais que jogaram no São Paulo: Pablo Forlán, Pedro Rocha, Dario Pereyra e Diego Lugano.

O mesmo Luís Augusto Simon, vulgo Menon, junto com Marcelo Prado, vulgo Marcelo, lançará na quarta-feira da próxima semana, dia 25, na Livraria Saraiva do Shopping Morumbi, às 19h00, o livro Nascido para Vencer. Junto com este livro vem um mimoso pocket book, O time do meu coração, do incansável Thiago Braga.

O único senão destes livros tricolores é que logo eles podem estar desatualizados. Mas isso não é um problema.

E, para os corintianos, teremos o lançamento de um livro do onipresente Celso Unzelte, já falando sobre os cem anos daquele que nunca se rende.

Será na próxima terça-feira, dia 24, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, na Paulista, às 19h00.

 

Por Torero às 07h45

17/11/2009

Viva o inimigo!

Para ler o texto de hoje na Folha, assinantes podem clicar aqui e não assinantes, aqui

Só para dar uma palhinha, o texto começa assim:

 

"Dá-lhe, Grêmio!" , gritam os colorados; "Cruzeeeeeeero!", berram os coxas; "Fogão, fogão!", bradam os palmeirenses; "Verdão, verdão!", vibram os são-paulinos.

O campeonato está num momento em que não basta torcer para o próprio time. Agora temos que olhar a tabela e cruzar os dedos por alguns adversários, sempre com segundas intenções, é claro.

O inimigo de ontem virou o amigo de hoje. Muitos torcedores terão que tirar férias de seu ódio eterno e fazer figas para tradicionais rivais.

Os colorados são um bom exemplo deste paradoxo. Amanhã vão rezar pelo Grêmio contra o Palmeiras. Afinal, o time ainda tem uma pequena chance de ser campeão brasileiro, mas para que isso aconteça é fundamental que o time paulista perca do tricolor gaúcho. Se bem que talvez apenas os colorados mais frios, mais racionais e maquiavélicos consigam torcer pelo arqui-inimigo. É um exercício de pragmatismo.

Já os torcedores do...

Por Torero às 08h44

16/11/2009

Alfa Bravo Charlie do Fox India Mike de Sierra Eco Mike Alfa November Alfa

Atléticos: Os três perderam. O Goianiense, quarto colocado na B, perdeu para o Ipatinga e agora tem o Figueirense na sua cola. O Paranaense perdeu para o Flu e seus torcedores já começam a andar com uma calculadora no bolso. E o Mineiro perdeu para o Coritiba, dando adeus ao título.

 

Botafogo: Perdeu feio para o Barueri e corre muito perigo. Para piorar, tem um péssima tabela pela frente: São Paulo, Atlético-PR e Palmeiras.

 

  El pequeño notable.

 

Conca: Deu um passe de Winning Eleven (triângulo + L1) para Maicon marcar o segundo gol do tricolor carioca.

 

Desastre: Por conta dos resultados do fim de semana, o empate do Palmeiras com o Sport acabou sendo um desastre para o time paulista.

 

  A Ferrari palmeirense sofreu um desastre feio no Parque Antártica.

 

Empate: Na próxima semana teremos um tremendo clássico: Atlético-MG x Internacional. Os dois estão empatados em pontos e quem vencer dá um grande passo para a Libertadores. Já quem perder dará um grande escorregão.

 

Flamengo: É o grande desafiante do São Paulo pelo título. Talvez o único.

 

Goleiro: Felipe foi bem. Se não fosse por ele, o Santos poderia ter perdido por mais gols.

 

  Mesmo com a boa atuação de Felipe, o Peixa não escapou das garras do Inter.

 

Heresia: Contra senso, tolice, opinião absurda, disparate, despautério. Por exemplo, “Há seis rodadas era uma heresia pensar que o Fluminense tinha alguma chance de escapar do rebaixamento. Hoje não é mais.”

 

Inútil: O ABC goleou o Brasiliense por 6 a 2. Mas foi uma glória inútil. O time já estava rebaixado.

 

Juiz: Nas duas últimas rodadas tivemos grandes falhas de árbitros. Nesta, Sandro Meira Ricci  e seus auxiliares Altemir Hausmann e Alessandro Álvaro Rocha de Matos apitaram bem o jogo entre Náutico e Flamengo, marcando dois difíceis impedimentos.

 

Léo Gago: Não é um jogador badalado, mas a boa performance do Avaí depende um bom tanto deste volante, que já marcou seis gols no Brasileiro.

 

  Paraíba é capital para o Coritiba.

 

Marcelinho Paraíba: É o maestro do Coritiba e vem fazendo uma ótima temporada.

 

Náutico: Naufragou em casa e ficou perto, bem perto, da Série B.

 

Onze: O Fluminense não perde há este número de partidas.

 

Professor: os dois melhores técnicos do campeonato são Silas e Andrade. Apesar de o time de Andrade ter o futebol mais bonito, se tivesse que escolher apenas um eu ficaria com Silas, que tem um elenco bem mais modesto.

 

Quem?: Quem será o artilheiro do campeonato? Acho que será Adriano, que acertou muito ao voltar para o Brasil.

 

Rafael Coelho: O garoto de 21 anos do Figueirense voltou a ser o artilheiro da Série B.

 

  Rafael surpreendeu a todos e está entre os artilheiros desde as primeiras rodadas.

 

São Paulo: Dois jogos fora de casa são o grande perigo para o tricolor paulista. O Botafogo está desesperado e o Goiás tem bons jogadores.

 

Testa: A de Fernandão fez dois gols.
 

Último: Mesmo com a vitória sobre o Santo André, o Goiás é a pior equipe do segundo turno. E este time é que pode decidir o campeonato, pois vai enfrentar os dois líderes.

 

Val Baiano: Marcou três contra o Botafogo. É um artilheiro que faz gols por atacado. Está quatro tentos atrás de Adriano e ainda tem alguma chance de ser artilheiro da competição.

 

Xurdir: Lutar pela sobrevivência. É o que Fluminense, Botafogo e Atlético-PR têm que fazer nestes últimos três jogos, xurdir até o fim.

 

 

 

Zzzz: Usado nas histórias em quadrinho para representar o sono. Também pode ser usado para descrever a defesa do Botafogo.

 

PS: O título do ABC do fim de semana de hoje, feito com o alfabeto fonético da aviação, foi mandado pelo Elson Pires, de João Pessoa.

Por Torero às 08h30

15/11/2009

Critérios de desempate, o que é mais pertinente?

 
 

 

Por Marcelo Ferioli

 

Ao observar os dados abaixo referentes ao desempenho de Juventos e Milan no campeonato italiano da última temporada, você seria capaz de dizer qual das duas equipes terminou na frente (no caso, qual foi a vice-campeã, pois a Internazionale foi campeã com 84 pontos)?

Não, você não poderia saber quem terminou na frente sem conhecer os resultados do confronto direto. Embora o Milan tenha vantagem no número de vitórias e maior saldo de gols, quem teve melhor performance no confronto direto foi a Juve que bateu a equipe milanesa em Turim (4x2) e empatou em Milão (1x1), e assim assegurou o vice-campeonato. No “Calcio”, em caso de igualdade em pontos a regra privilegia quem se deu melhor no confronto direto.

Se considerarmos um apanhado dos países de maior evidência no cenário do futebol (Alemanha, Argentina, Espanha, França, Inglaterra, Itália, Portugal e Brasil), todos os campeonatos nacionais são disputados por pontos corridos (o campeonato brasileiro tardou mas se juntou aos outros). Nestes campeonatos a primeira regra para classificação dos clubes é obviamente o total de pontos ganhos (vitórias valem 3 pontos, empates 1 e derrotas 0). No entanto as semelhanças param por ai, os critérios seguintes variam de acordo com o campeonato. As regras NÃO são as mesmas no arredor do mundo.

Muitíssimo disputado, o campeonato brasileiro deste ano pode ser decidido nos critérios de desempate caso algumas equipes terminem com o mesmo número de pontos, assim sendo, o número de vitórias será priorizado. Seria este o critério mais justo? Acredito que discutir tal assunto seja pertinente antes que algum clube se sinta prejudicado ao perder um título, uma vaga na libertadores ou seja rebaixado “graças” ao critério que privilegia o número de vitórias. Seria esse o melhor critério para desempatar? Porque ele é preconizado?

É curioso observar que os critérios de desempate variam de um campeonato a outro, pois isso pode ser determinante!

Na Inglaterra, França e Alemanha o primeiro critério de desempate é o saldo de gols. Na Espanha, Itália e Portugal o confronto direto desempata em caso de igualdade em pontos, antecedendo o critério de saldo. Na Argentina, em caso de igualdade, o campeão é decidido em um jogo extra. E o Brasil é o único deste apanhado a privilegiar o número de vitórias no caso de empate.

Vejamos alguns exemplos recentes:

No campeonato francês do ano passado três equipes (PSG, Toulouse e Lille) terminaram empatados em número de pontos ganhos (64). Durante o campeonato o PSG venceu 19 partidas, o Lille conquistou 17 vitórias e Toulouse obteve 16. No entanto foi o Toulouse que se garantiu na fase de grupos da liga Europa (a nova Copa da UEFA) por ter um melhor saldo de gols, garantindo a quarta colocação. O Lille disputou a qualificação desta copa. O PSG, que nos moldes brasileiros levaria vantagem, nem sequer disputou a Liga da Europa e amargou a sexta colocação do francês, pois o seu saldo foi inferior.

Também no ano passado no campeonato espanhol, Betis e Getafe terminaram com o mesmo número de pontos e também de vitórias. O Getafe se safou do rebaixamento graças a um golzinho a mais de saldo, já que houve igualdade também no confronto direto.

Em 2008 na liga inglesa Reading (10 vitórias) e Fulham (8 vitórias) empataram em número de pontos. Porém o Reading tinha saldo inferior, e foi o Fulham que se manteve na primeira divisão.

Objetivo na competição:

De acordo com a regra, o “desafio” ou as ambições de uma partida podem mudar. Numa partida em que uma equipe está perdendo por 5x0 o impacto do resultado poderia variar dependendo do regulamento do campeonato. Um simples golzinho, feito ou tomado, pode valer muito lá no final se o primeiro critério for o saldo, por exemplo.

Pergunta:

Porque o Brasil adota o número de vitórias como primeiro critério de desempate? No caso de igualdade de pontos este critério privilegia a equipe que ganha mais, mas que consequentemente, tem mais derrotas que uma outra com o mesmo número de pontos e número inferior de vitórias. Assim sendo,  uma vitória e duas derrotas valem mais do que três empates. Exemplificando, o “time 1”  empata três jogos em 1x1, o “time 2” perde dois jogos de 10x0 e ganha um de 1x0. Na regra brasileira o time 2 leva vantagem. O time 1, apesar da sua campanha regular é penalizado levando apenas um ponto por cada empate, penaliza-lo novamente no critério de vitórias é redundante.

Se há muito tempo a vitória passou a valer três pontos no lugar de dois, porque ela ainda segue como critério de desempate? Essa regra pode decidir um campeonato!

Recapitulando:

Critérios de desempate em caso de igualdade por pontos em campeonatos nacionais por pontos corridos

Pois é, o critério de desempate fora do nosso país não segue o modelo do Brasileirão. O item confronto direto que aparece como principal critério em Portugal, Itália e Espanha, e terceiro fator de desempate na França e Alemanha é preterido na lista de critérios do Brasileirão pelo número de vitórias. Embora o Brasil seja o maior detentor de copas do mundo e grande exportador de craques pelo mundo afora não é um exemplo de regulamento de campeonato nacional. Pelo menos no que diz respeito à elite do futebol mundial.

Saldo de gols, confronto direto ou porque não jogo extra, não sei qual desses poderia ser o mais justo, mas priorizar o número de vitórias é no mínimo estranho, diferente e singular.

Este ano não adianta chorar, pois todos os clubes concordaram com o regulamento no início do campeonato, mas porque não discuti-lo para os anos seguintes?

 



[1] A regra diz que se igualdade persistir nesses quesitos as equipes dividem a mesma colocação.

[2] Desempata o melhor comportamento: cartões amarelos contam 1 ponto e vermelhos 3.

[3] Partida única em campo neutro.

Por Torero às 07h22

14/11/2009

Agora é que são elas, Flu!

 
 

Por JAIME BELMIRO

Quem matou Odete Roitman, em Vale Tudo? Roque Santeiro está vivo? Como desmascarar Flora, de A Favorita?

Como nas grandes novelas, o destino do Fluminense é, hoje, algo absolutamente misterioso. A história do Tricolor neste fim de 2009 tem contornos de drama, emoção, comédia e, principalmente, suspense.

Prestes a ser rebaixado no Campeonato Brasileiro e a ser campeão da Copa Sul-americana, o Fluminense tem um leque vasto de possíveis finais de fazer até Walcyr Carrasco se coçar de dúvidas. Por isso mesmo, recorro a grandes novelas campeãs de audiência para visualizar alguns The Ends para o "clube das três cores que traduzem tradição".

PÉ NA JACA - COBRAS & LAGARTOS - DEUS NOS ACUDA: O Fluminense toma um gol aos 10 segundos, no Maracanã contra o Atlético-PR. Não se acerta mais no jogo e é goleado. Perde os demais jogos. É rebaixado. Perde em casa de 6x0 para o Cerro e dá adeus à Sul-americana. Cuca vai para o Flamengo. O Flamengo ganha a Libertadores e o Mundial em 2010 com Thiago Neves. Adriano Imperador vai para a Copa da África no lugar de Fred e o Brasil é hexa com gol do flamenguista na final contra a Argentina de Conca. O Flu cai para a Série C no fim de 2010. Tenta uma virada-de-mesa e não consegue. Estuda fechar as portas.

UM SONHO A MAIS - CHEGA MAIS - ELAS POR ELAS: O Flu escapa do rebaixamento jogando o fino e ainda vê o Botafogo na Segundona. Vai para a final da Sul-americana. Vence em casa o jogo de ida por 3x1, mas perde o jogo de volta por 3x0 e é vice-campeão. Um alívio e uma frustração...

IRMÃOS CORAGEM - LIVRE PARA VOAR - CELEBRIDADE: O Flu é rebaixado para a Segundona, mas jogou muito no fim do ano e quase escapou, com garra e coragem. Mostrou-se um time forte. Prevê um ano de passeio na Série B em 2010, como o Vasco em 2009. É festa sobre festa. Ainda ganha a Copa Sul-americana e disputará a Recopa Sul-americana.

BRILHANTE - FINAL FELIZ - BELEZA PURA - CHAMPAGNE - OS GIGANTES - A INDOMADA: O Tricolor mostra porque é o clube tantas vezes campeão! Vence os jogos restantes do Brasileirão. Termina em 15º, mas tem 7 jogadores na seleção do Brasileirão 2009, além do técnico Cuca. Vence a Sul-americana com goleadas nos jogos de ida e volta das finais. O Flu vence a Taça São Paulo de Juniores 2010. Vence o carioca contra o Mengo na final. Vence a Copa do Brasil contra o Paulista de Jundiaí e vinga a derrota de 2005. Vence a Recopa Sul-americana. Vence a Copa Suruga. Vence aquele campeonato de Fórmula 1 de times de futebol com o Nelsinho Piquet pilotando pelo Flu. O Flamengo perde a final da Libertadores para a LDU no Maracanã por 3x2 após estar vencendo por 2x0. Alan é convocado por Dunga para a Copa na África, mas rejeita. "Prefiro jogar pelo Fluzão". Vence o Brasileirão 2010 de ponta a ponta, com 8 rodadas de antecedência. Ronaldo que jogar no Flu. Kaká quer jogar no Flu. Cristiano Ronaldo sempre quis jogar no Flu. Romerito quer voltar ao Flu. O Flu rejeita todos, menos Romerito, que joga os últimos 15 minutos como capitão na derradeira partida do Brasileirão 2010 e ergue a taça na festa tricolor.

*Jaime Belmiro é analista de sistemas e torcedor do Guarani de Campinas.

Por Torero às 07h46

13/11/2009

Zé Cabala e o craque internacional

Como a campainha da casa do mestre dos mestres estava quebrada, girei a maçaneta e fui entrando em seu ashram (na verdade, um bangalô pintado de amarelo berrante no Jardim Lambretta).

Pisando pé ante pé, fui encontrá-lo na cozinha. Curiosamente o mestre dos mestres não estava usando seu turbante, mas um chapéu de cozinheiro. E fritava algumas coxinhas.

Logo que me viu, ele já deu mostrar de seus poderes telepáticos, respondendo a pergunta que estava em minha mente.

“Estou fazendo umas coxinhas para fora. Interessado?”

“Não, obrigado. E não sabia que o senhor era tão polivalente.”

“Forneço alimento para a alma e para o corpo, caro foliculário. Tem certeza que não quer mesmo uma coxinha? A primeira é grátis.”

“Não, obrigado.”

“Também faço risólis e surpresa de queijo. Só não entendo porque se chama surpresa de queijo se todo mundo sabe que é de queijo.”

“Não estou comendo frituras.”

“Tenho umas empadinhas no forno.”

“Agradeço, mestre, mas estou aqui para fazer uma entrevista com algum grande jogador do passado.”

“É para já”, disse o sábio dos sábios.

Então Zé Cabala deu três giros para a direita, três para a esquerda, comeu um risólis que estava esfriando e disse: “Hum, que delícia! Oreco, às suas ordens.”

“Oreco? O do Internacional?”

“Dos Internacionais! Comecei no de Santa Maria e depois fui para o de Porto Alegre. Dizem que o preço do meu passe foi a construção de um muro em volta do estádio em Santa Maria. Vai saber...”

“Isso foi em que ano?”

“1950. E de 50 a 55 ganhamos todos os campeonatos gaúchos. Não! Minto. Em 54 o campeão foi o Renner.”

“O senhor era lateral esquerdo, não era?”

“Eu podia jogar nas duas laterais, na ponta esquerda e de quarto-zagueiro. Mas fiz sucesso mesmo foi como lateral esquerdo.”

“E qual era o seu estilo?”

“Bom, eu tinha facilidade em driblar, então às vezes eu tirava a bola do ponta e ainda lhe dava um drible.”

“Os adversários deviam ficar com raiva.”

“Vai saber...”

“O senhor saiu do Inter em 56?”

“Exatamente. E depois que saí o Grêmio foi campeão cinco vezes seguidas. Ainda bem que eu não vi isso de perto.”

“Se o senhor estivesse lá, talvez isso não tivesse acontecido.”

“Vai saber...”

“E o senhor foi para qual time?”

“Para o Sport Club Corinthians Paulista. Já ouviu falar?”

“O senhor está sendo irônico?”

“Vai saber?”

“Quanto tempo o senhor ficou no Corinthians?”

“Oito anos e 408 jogos. Mas nunca fui campeão. Eram os tempos das vacas magras. Em compensação, fui campeão mundial em 58. Era o reserva do Nilton Santos. Esse foi o meu azar. Se tivesse nascido em outros tempos seria o titular da seleção, mas com o Nilton, eu era reserva. Tudo bem, de qualquer forma estava lá na nossa primeira Copa.”

“Foi sua primeira conquista internacional?”

“A segunda. Dois anos antes uma seleção gaúcha ganhou os Jogos Pan-Amaricanos.”

“E a Copa de 62?”

“Dei azar. Me mechuquei um pouco antes do embarque para o Chile.”

“O senhor se aposentou no Corinthians?”

“Que nada. Joguei lá até os 32 anos e depois corri o mundo. Naquele tempo não era comum o jogador brasileiro sair do país, mas eu fui para a Colômbia, ser o capitão do Millonarios. De lá fui para o Toluca e fui bicampeão mexicano em 67 e 68. Minha última equipe foi o Dallas Tornado, nos Estados Unidos, onde fui campeão norte-americano em 71. Lá, em 72, aos quarenta anos, me aposentei. Uma pena. Eu adorava futebol.”

“E quando o senhor morreu?”

“Em 03 de abril de 1985, durante um jogo de veteranos, lá em Ituverava.”

“Que triste...”

Ele comeu mais um risólis, deu um sorrisinho e disse:

“É e não é. É triste porque eu era jovem, nem tinha completado 53 anos. Por outro lado, existe glória maior do que morrer fazendo o que se ama? Vai saber...”

Por Torero às 07h54

Irregularidades na campanha eleitoral santista?

O pessoal do Mídia sem Média fez uma reportagem no jogo entre Santos x Náutico sobre supostas irregularidades eleitorais cometidas pela Chapa Rumo Certo, da situação. Algumas críticas não são nada de mais, mas algumas delas, como a de gente entrando de graça no estádio, são bem interressantes.

Para ver o vídeo, clique aqui.

E, é claro, haverá espaço para a defesa da Rumo certo, se ela quiser explicar os fatos mostrados. 

Por Torero às 07h42

12/11/2009

A redenção de Simon?

Alertado por dois leitores, Gustavo Oliveira e Felipe Martins, fui ver no Youtube o vídeo chamado “Obina gol anulado corretamente pelo Simon”. Por este ângulo, realmente parece que o atacante palmeirense se apoia no adversário para não deixá-lo subir.

Para ver, clique aqui.

PS: Além deste vídeo, outra boa notícia para o Simon foi o erro de Elmo Alves Resende Cunha, que apitou uma infração e voltou atrás no meio do lance, coisa que eu nunca tinha visto, ou ouvido antes. O erro de Elmo foi tão absurdo que vai tirar Simon das manchetes. Além disso, o time favorecido foi o Palmeiras, o que tira de Simon qualquer culpa por uma eventual não conquista alviverde.

Por Torero às 14h33

Empate quíntuplo

Num exercício de imaginação e matemática, o leitor Marcelo Ferioli fez esta possível combinação de resultados, na qual haveria igualdade entre 5 equipes na ponta da tabela. Neste caso, o campeonato seria definido nos cartões, pois haveria empate em pontos (62), vitórias, saldo de gols, gols feitos, tomados e até no confronto direto! O Cruzeiro e o Inter estariam fora da briga e o Avaí entraria no bolo.

Resultados:

 

Pontos:

Confrontos diretos:

Nestas condições, o campeonato seria decidido nos cartões.

 

Por Torero às 08h21

Lembrete

Hoje, na Casa Mário de Andrade (Rua Lopes Chaves, 546, Barra Funda, São Paulo), haverá uma conversa sobre teatro e futebol. Começa às 19h00.

 Os debatedores são Marco Antonio Braz (diretor teatral que recebeu grande projeção nos anos 90 por suas montagens de Nelson Rodrigues) e Nelson Rodrigues Filho (jornalista, cronista, dramaturgo e diretor teatral; filho de Nelson Rodrigues e sobrinho de Mário Filho, um dos grandes jornalistas esportivos do Brasil e que virou o nome oficial do Maracanã).

A entrada é grátis e inscrições e informações podem ser feitas pelo telefone (11) 3666-5803.

 

Por Torero às 08h12

Seleção de Queijos

Por Rodrigo Resende


Olá, Torero,

Como bom mineiro, montei uma seleção de queijos. Que tal?


1 – Suíço – Destacando pelo seu tamanho, o nosso arqueiro não é unanimidade, já que muitos torcedores acreditam que ele já tenha sido furado demais e esteja envolvido com os ratos do futebol.

 Suíço, um goleiro vazado.

 

2 – Ricota – Como a lateral-direita é sempre uma posição com poucos destaques, nada melhor que um sem-sal para ocupar a vaga.

3 – Cheddar – Zagueiro duro, difícil de passar. Um verdadeiro “queijo duro de roer”.

4 – Provolone – Para formar uma dupla ideal de zaga, nada melhor que um clássico, fino, elegante. Um zagueiro que não tem mais nada a provar.

 O sonho de Provolone é jogar no Milan.

6 – Catupiry – Nosso lateral-esquerdo tem a especialidade de jogar pelos cantos do campo. Seja no campo (ou nas massas), sempre dá um sabor especial ao jogo.

5 – Mussarela – O primeiro volante, elemento essencial em qualquer meio de campo (e em qualquer pizza). Quando está esquentado, fica grudento, quase um chiclete no armador do time adversário.

8 – Parmesão – Segundo Volante, especialista em cobrir os laterais, as macarronadas, as lazanhas ...

7 – Gorgonzola – Nosso meia armador pela direita é italiano, de Milão. Brilhou no estádio San Siro sempre jogando em penetração (nos pães).

10 – Roquefort – Muitos criticam o nosso armador Francês e diz que ele só desenvolve ao lado de uma garrafa de vinho Bordeaux. Mesmo criticado, nosso autêntico “Le blue” joga parado em campo, e as más-línguas dizem que de tão velho, ele já está criando mofo ...

 Por conta de seu cheiro de chulé, ninguém gosta de dividir o quarto na concentração com Roquefort.

9 – Minas – Um dos ídolos da seleção, o Minas é praticamente um patrimônio nacional. Jogando sempre pelas beiradas, sem alarde, consegue agradar toda a torcida.

 Nesta foto, Minas pode ser visto ao lado de seu amigo Goiabada. As más línguas dizem que eles são como Romeu e Julieta.

11 – Requeijão – O atacante da seleção é difícil de ser marcado. Sempre escorrega para os lados e os zagueiros tem a impressão que ele está espalhado por todos os lados do campo.

Técnico: Coalho – Experiente, Coalho já esteve em todas as posições do time quando era atleta. Ele que determina o ponto para que cada jogador esteja em seu pleno sabor ... ops ... em sua plena forma.

 

Por Torero às 07h44

11/11/2009

A Congregação do místico gol

(A pedidos, na verdade foi um só, republico aqui um texto de 12 de janeiro de 2001)


Pense comigo: Qual a maior paixão do povo brasileiro? O futebol.

E agora me diga: Qual a maneira mais fácil de ganhar dinheiro? Inventando uma igreja (ou você conhece outra forma igualmente isenta de impostos e que depende apenas de você saber falar coisas que deixem as pessoas esperançosas, tendo ou não alguma lógica?).

Pois falando cá com meus zíperes (malditas calças modernas!) comecei a imaginar se não seria possível juntar as duas coisas. Ou seja, se não seria possível criar uma religião inspirada no futebol. Já de largada, eu teria milhões de dízimos, digo, de fiéis.

Minha nova igreja poderia chamar-se Congregação do Místico Gol e seu templo teria o formato de uma meia circunferência. Obviamente sua pintura imitaria as bolas antigas, com gomos pintados em preto e branco.

Depois de terem pago os ingressos da salvação, os devotos sentariam-se nas arquibancadas da esperança e, enquanto o culto não começasse, poderiam gastar seu dinheiro comprando a exclusiva Pipoca Angelical, os divinos Sorvetes Consagrados ou os celestiais Amendoins Sacrossantos.

Eu, é claro, seria o Sumo Sacerdote da seita. Até já imagino uma voz dizendo pelo sistema de som: "Fiéis torcedores, com vocês o nosso técnico divino, o primeiro e único: Treeeeeeinador!".

Então eu sairia do túnel vestindo um agasalho esportivo verde e amarelo e correria até o meio do Santo Gramado. Ali saudaria os fiéis: primeiro de um lado, depois do outro. Os crentes bateriam os pés no chão fazendo um barulho ensurdecedor até que eu, soprando o Apito da Reconciliação, os faria ficar em silêncio.

Então começaria a minha pregação, que seria assim:

"Fiéis torcedores, vamos para mais um jogo. Sim, um jogo. Um jogo do time da vida contra o time da morte. Você sabe onde será esse jogo? Eu lhes digo onde será esse jogo. Esse jogo será dentro de você! Sim, aí no seu coração. E o time da morte tem um treinador. Oh, ele tem. Sabem qual o nome dele? Eu lhes digo o nome dele. O nome dele é Satanás. Mas e o time da vida? Também tem um treinador? Sim, ele tem um treinador. E sabem quem é esse treinador? Eu lhes digo quem é esse treinador, esse treinador é você. Você é quem escala os jogadores. Você é quem decide se o time vai jogar no ataque ou na defesa. Você é quem escolhe a tática para vencer a tristeza, a depressão, a melancolia!".

Então todos fechariam os olhos e começariam a bater palmas sobre as suas cabeças, orando em uníssono: ""Gloriosos jogadores da fé/ Vamos jogar com a alma e o pé/ Quem tiver a luz no coração/ No jogo da vida será campeão".

Depois entraria em campo uma velhinha fazendo embaixadas. Viria até junto de mim e diria: "Treinador, eu sou a mais recente convertida da Igreja do Místico Gol!".

Os fiéis torcedores bateriam palmas sobre as cabeças e cantaram: ""Ê, ô, ê, ô, o Treinador é o Salvador! Ê, ô, ê, ô, o Treinador é o Salvador!".

"Eu era uma especialista em gols contra", continuaria a velha. "Eu estava na terceira divisão da paz interior. Para falar a verdade, eu estava na marca do pênalti da vida. Foi assim até que um dia eu resolvi entrar aqui no Santo Estádio e assistir a uma partida sagrada. Hoje eu sou uma campeã!"

Então eu gritaria: ""Eu quero uma ola!".

E os fiéis torcedores fariam uma ola.

E eu gritaria cada vez mais alto: ""Eu quero duas olas, eu quero um milhão de olas. Eu quero ver você mandando o mal para escanteio! Eu quero ver você na área! Eu quero ver você fazendo o gol místico! Eu quero ver você dando olééé!".

Todos gritariam oléééé até que eu soprasse novamente o Apito da Reconciliação e falasse com voz grave e pausada: "Cantemos nosso hino de despedida".

E então todos dariam as mãos e cantariam:

""Nosso Treinador já apitou,

A partida está encerrada,

Nosso time já deu mais um show,

E venceu, venceu de goleada!

Nós fizemos o místico gol,

Estamos de alma lavada!".

Por Torero às 07h31

10/11/2009

Juízes no banco dos réus

Para ler o texto de hoje na Folha, sobre o Simon, é claro, clique aqui (assinantes da Folha e do UOL) ou aqui.

Por Torero às 08h01

09/11/2009

 

 


Atléticos: O Mineiro perdeu o jogo para o Flamengo e a chance de assumir a liderança do campeonato. O Paranaense ganhou e deixou para trás o rival Coritiba. E, na Série B, o Goianiense (59) venceu o Guarani e se manteve na quarta posição, seguido de perto por Portuguesa (57) e Figueirense (57).

 

  O Atlético-GO acelera para escapar de seus perseguidores.

 

Barueri: Começou vencendo, mas cedeu o empate ao Inter. Acabou saindo barato, pois o Inter perdeu um monte de chances.

 

Carini: O goleiro do Galo não frangou, mas cometeu duas falhas. Poderia estar mais atento no escanteio de Pet e saiu mal no gol de Adriano.

 

Dentes: O Santo André teve várias chances de gol, mas Dentinho e Dentão acabaram com o jogo.

 

Empate: Os cinco primeiros colocados da Série A estão empatados em número de vitórias: dezesseis.

 

Fluminense: Está invicto há nove jogos (dois pela Sul-americana)

 

Goiás: Caindo, caindo...

  Vitória e Goiás diminuíram muito seus ritmos. O primeiro vem de quatro derrotas seguidas e o segundo não vence há oito rodadas.

Herói: Fred fez cinco gols nos últimos quatro jogos.

 

Inimigos: O São Paulo tem um bom caminho para o título, pois seus quatro próximos inimigos não são exatamente terríveis. Vitória e Goiás estão em queda e sem muito interesse no torneio, o Botafogo é perigoso, mas, em compensação, o Sport, em São Paulo, na última rodada, é o melhor adversário possível. 

 

João Paulo: O lateral do Goiás foi expulso injustamente. Aliás, os juízes falharam muito neste fim de semana. O que não é exatamente uma surpresa.

  Neste fim de semana os juízes cometeram vários equívocos.

 

Lauro: Levou um frango que afastou o Inter da briga.

 

Maluquice: Em geral o time campeão tem também o melhor saldo de gols. Às vezes essa glória fica para o segundo ou para o terceiro colocado. Mas este Brasileiro está tão maluco que o melhor saldo pertence ao Grêmio, que está num mediano nono lugar.

 

Ninguém: Pensei que ninguém venceria a toreroteca, mas eis que Johnny Hara, de Juiz de Fora, escreveu: “Sem dúvidas: Flamengo, Fluminense, Santos, Cruzeiro, empate e Botafogo. Acho que vou gostar muito do livro, abraços”. Adivinhou os seis resultados e, ainda por cima, que gostará do livro.

 

Oh!, límpico: Gol feito por Petkovic.

 

Paranaenses: Por conta da ascensão dos cariocas, estão correndo perigo.

 

Queixa: Muricy se queixou de Simon. E com toda razão. O árbitro mudou o resultado do jogo. Talvez, do campeonato. Simon já foi um dos melhores juízes do país, mas está errando muito.

 

Recuperação: O Fluminense venceu suas últimas três partidas no Brasileiro. E seus próximos quatro oponentes estão jogando pior do que ele: Atlético-PR, Sport, Vitória e Coritiba.

 

Surpresa: O Botafogo era favorito e venceu, o que foi uma surpresa, pois é um time tão imprevisível que surpreende quando não surpreende.

 

Tensão: É o que deve estar sentindo o torcedor do Guarani, que vê seu time perto de voltar à Série A, mas tendo sofrido duas goleadas nos últimos dois jogos. E ainda terá quatro jogos difíceis, contra times que estão lutando para subir (Ceará) ou para não cair (Ipatinga, Bahia e Juventude).

 

Uh...: Interjeição de dor proferida várias vezes pelos torcedores do Inter, pois o que o time desperdiçou de chances não está no gibi.

 

Vasco: O bom filho à casa torna.

 

Xaxado: Dança típica de Pernambuco, estado que pode ficar sem nenhum representante na Série A em 2010.

  Sport e Náutico conseguirão se segurar na Série A?

 

Zaranza: Atrapalhado, confuso, Simon.

 

PS: O "ABC  do fim de semana" do título está escrito em braile, idéia do Thiago Gomes.

Por Torero às 07h31

Alemanha x Grécia

Se você gosta de futebol inteligente, clique aqui.

Por Torero às 07h26

08/11/2009

Fica, Marcelo

 
 

Fica, Marcelo

Para o Sempre aos domingos de hoje recebi esta provocativa carta, já com esta ilustração, de Victor Farinelli)

Caro José Roberto Torero,
 
Meu nome é Victor Farinelli, nasci em Santos e sou corinthiano. Estava conversando outro dia com meu conterrâneo Diogo Sales, são-paulino, como a Baixada em sido um local tranquilo ultimamente pros santistas que não torcem pro Santos, como nós.
 
Graças ao excelente trabalho de Marcelo Teixeira, que reduziu as ambições santistas à briga (nem sempre exitosa) pelo título paulista, e a "ver o que dá pra fazer" no Brasileirão, ser rival do Peixe em Santos é menos prejudicial pra auto-estima dos rivais do que se poderia supor - até mesmo com o Corinthians na Segundona, só foi complicado nos primeiros meses, porque depois o time do Marcelo passou todo o campeonato de 2008 lutando prá não cair, e os santistas ficaram pianinhos com medo de conhecer a mesma tragédia que o meu time sofreu.
 
Por isso vemos com muito preocupação o surgimento de uma chapa de oposição séria na Vila. Depois do Belluzzo no Palmeiras, agora isso. Por que temos que suportar calados essa onda de austeridade proveniente dos novos dirigentes do futebol brasileiro? Sobretudo quando surge num clube que não é o que a gente torce.
 
O que esses caras querem? Tornar o Santos um clube responsável? Fazer o clube começar a brigar por títulos fora da esfera estadual? Espero que não. E também seria temerário ter um intermediário, porque outra pessoa, mesmo sendo do grupo da situação pode acabar sendo um bom presidente. Melhor que seja o próprio Marcelo, que ademais sabe como tratar a oposição, com manobras de mudança de data da eleição e promessas vazias de pré-contratos com reforços, um jogo de cintura que quiçás o seu herdeiro não tenha.
 
Por isso, junto com meu amigo Diogo, queremos agregar uma nova campanha à já conhecida MARCELO ETERNO, e essa nova se chama:
 
FICA MARCELO!

Por um Santos no lugar onde os seus rivais querem... LÁ ATRÁS!!!
 
FICA MARCELO garante um clube que lutará pelo título de campeão paulista todos os anos (e pra que mais?), e se dá a sorte de cair uma molecada boa como em 2002, poderá até aspirar a outros títulos melhores, vender todo mundo em menos de dois anos e aspirar o dinheiro em menos de dois meses.
 
FICA MARCELO assegura a permanência de Luxemburgo na Vila! (o que também faz feliz os demais torcedores; já pensou se o Andrés, que é amigo do Vanderlei, resolve mandar o Mano embora e trazer de volta o Luxa? Melhor deixar ele na Baixada quietinho).
 
FICA MARCELO não evitará que o Santos continue abaixo do décimo lugar nos próximos Campeonatos Brasileiros, nem que poderá evitar o rebaixamento, mas quem quer destaque nacional no futebol masculino se o clube é soberano continental no fuebol feminino!!!
 
Enfim, FICA MARCELO é a certeza de que o caudilho da Vila manterá essa coroa na cabeça antes que algum aventureiro a roube, com intenções de revolucionar o clube. Assim, se manterá o atual cenário que permite a nós, corinthianos, sãopaulinos e palmeirenses que vivemos na Baixada Santista, uma harmônica interação com a maioria absoluta que espera ansiosa por voltar a impor o branco em toda a orla da praia prá comemorar os títulos como antigamente.
 
Torero, como você é o único que deu espaço na grande mídia à felizmente mal sucedida campanha FICA DUALIB (criticada por mim mas defendida fervorosamente pelo meu amigo Diogo), contamos com você prá que nos ajude também com essa nossa empreitada.
 
Aquele abraço!
Victor Farinelli

Por Torero às 09h38

07/11/2009

Seleção feminina

 
 

 

(No Sempre aos Domingos deste sábado (amanhã teremos outro) publico uma bela seleção feminina, formada por grandes personagens da literatura)

Texto de Cláudio e Lino Porto

1. Julie – Goleira francesa, descoberta pelo técnico Balzac. Passa tranqüilidade à seleção graças à experiência de seus 30 anos, mesclada ao ainda ótimo vigor físico, suficientes para fechar o gol lá trás, sem trocadilhos.

2. Lolita – Na ala direita, a infanto-juvenil americana saltita lépida e faceira pela lateral do campo atrás de qualquer bola, sem trocadilhos e sem jamais perder o fôlego. Aliás, quem fica sem fôlego mesmo são os torcedores mais maduros, suspirando nos alambrados da vida enquanto a olham de soslaio...

3. Bovary – Apesar de esta zagueira ser considerada uma “madame”, há quem não confie nela, tachando-a de traiçoeira e vulgar.

4. Karenina – Para fechar uma dupla de zaga impenetrável, sem trocadilhos, é só escalar essa aristocrata russa, capaz até de se matar para não perder uma dividida.

6. Luísa – Prima do Basílio, não esse que jogou no Santos, mas o filho do Eça. Atua com discrição, mas sempre vai até o fundo, sem trocadilhos. No final do jogo acaba se arrependendo de suas jogadas mais ousadas.

5. Jocasta – Cabeça-de-área grega, não hesita em jogadas truculentas. Se bobear, se enforca pelo time. Se jogasse basquete, encestaria todas.

8. Alice – A talentosa menina provém das categorias de base da Inglaterra. Sua inventividade no meio do campo é uma maravilha. Uma, não, um país inteiro.

10. Julieta – Descoberta pelo técnico britânico William num campinho de Verona, é uma jogadora à moda antiga, que só atua por paixão. Suas jogadas pecam pela pieguice, mas todos os adversários acabam se rendendo à sua graça. A FIFA quer proibir sua jogada mais mortal, que é fingir-se de morta, pois pode acabar em tragédia.

7. Capitu – Joga na diagonal, entrando oblíqua e dissimulada na área, cortante como um machado. Os adversários mal percebem que sofreram gols.

9. Iracema – Centroavante guerreira. Há quem duvide de sua virgindade, mas não de sua capacidade de fazer gols, especialmente quando se lança em velocidade, uma flecha, seus cabelos negros como as asas de uma graúna, em direção à tribo adversária...

11. Beatriz – Depois de atravessar o inferno, seu descobridor, o italiano Dante, garante que suas jogadas celestiais levarão a torcida ao paraíso, com trocadilhos...

 

Por Torero às 07h14

06/11/2009

Toreroteca Pro

Sim, meus caros, a Toreroteca de hoje é para profissionais, para grandes especialistas (ou para chutadores com sorte, o que dá no mesmo).

Escolhi jogos terríveis, onde tudo pode acontecer. Desde um reles zero a zero até uma sonora goleada. Desde a vitória do time de casa até a conquista do forasteiro.

Valem as apostas feitas até 18h29 de amanhã. Ganha quem primeiro acertar os vencedores destes jogos:

Atlético-MG x Flamengo, uma partida que tem grande chance de ser o melhor espetáculo do domingo.

Fluminense x Palmeiras, o ascendente tricolor pode vencer o líder?

Santos x Náutico, duelo importante para a turma de baixo.

Sport x Cruzeiro, leão ou raposa?

Barueri x Internacional, teremos mala branca? Pode ser, mas desta vez certamente os jogadores ficarão de bico calado.

E, por fim, Botafogo e Coritiba, porque com o Imprevisível em campo tudo é incerteza e dúvida.

Meu palpite é: Atlético, empate, Santos, Cruzeiro, empate e Botafogo.

Vote aí. O prêmio é este:

 

  

Por Torero às 09h00

05/11/2009

Segundo Zé Cabala, o campeão brasileiro será o...

O UOL pediu que eu fizesse as previsões para o Campeonato Brasileiro. Como não é minha especialidade, fui atrás de quem realmente entende do assunto, daquele que é o periscópio do amanhã, daquele que enxerga o nascer do sol em meio ao negrume da noite, daquele que vê a árvore apenas olhando a semente, o adivinho dos adivinhos, o insuperável Zé Cabala.

Mal cheguei ao seu consultório e ele já deu mostras de seu poder: “Eu sabia que você vinha”, disse o sábio dos sábios.

"Eu tinha marcado hora."

"Mas eu sabia que seu pneu não ia furar."

Depois de mais esta demonstração de poder, decidi não perder tempo e falei:

“Supino mestre, preciso de suas previsões para o resto do Campeonato Brasileiro.”

“Olhe, minha bola de cristal está um pouco embaçada...”

“O UOL me autorizou a pagar quinhentos reais pela previsão.”

“Quinhentão? Pagamento adiantado?”

“Claro.”

“Pois por esse generoso dízimo direi com quantos pontos acabará cada um dos seis concorrentes ao título. Serve?”

“Sim, sim”, respondi animado.

“Vou passar uma flanelinha em minha bola de cristal e já volto.”

Dois minutos depois estávamos sentados em volta de seu mágico instrumento, que, confesso, sempre me pareceu um lustre de cabeça para baixo. O supremo haríolo entoou um mantra (algo como “obladi-obladá”), passou as mãos pela bola, e pôs-se a profetizar:
 
“Vou começar pelo Internacional. Ela vai ganhar do Barueri, lá em Porto Alegre não terá problema em passar pelo Santos, ainda mais que Luxemburgo não escalará Madson e Neymar desde o começo, vai perder para o Atlético no Mineirão, vence o Sport e ganha do Santo André.”

“Hum, ótima campanha. E o São Paulo?”

Ele respirou fundo e falou: “O Tricolor empata com o Grêmio no Olímpico, tropeça no Vitória e só empata, e aí joga contra o Botafogo. Agora espere um pouco, com o Botafogo é mais difícil enxergar o futuro. Ah, sim,vejo um empate. Contra o Goiás, em Goiás, perde de um a zero, gol de Fernandão. E ganha do Sport no último jogo.”

“E o Palmeiras, venerável mestre?”

“Esse vai começar perdendo para o Flu. Desde que fiz um trabalhinho para o Fred, o rapaz deslanchou. Depois ganha do Sport, pobre Sport.... No Olímpico, perde para o Grêmio. Então enfrenta o Atlético Mineiro em casa. Joguinho difícil, mas ganha. E aí tem o Botafogo, no Rio. Vale triplo? Não? Então vou de Botafogo.”

“Pode ver alguma coisa sobre o Cruzeiro.”

“Está tudo azul para ele. Ganha do Sport lá na Ilha do Retiro. E do Grêmio, em casa. Empata com o Atlético Paranaense, em Curitiba. E vence o Coritiba, em Beagá. Na última partida, contra o Santos, vitória fácil. Ainda mais que Luxemburgo não vai escalar Madson e Neymar desde o começo.

“E o Atlético, e o Atlético?”

“O Galo vai vencer o Flamengo, empatar com o Coritiba e ganhará heroicamente do Inter. Então vai perder para Palmeiras e empatar com o Corinthians.”

“Por fim, diga-me como serão os últimos cinco jogos do Flamengo.”

“Ele vai perder para o Atlético Mineiro, ganha do Náutico e do Goiás, empata com o Corinthians, num bom jogo de Ronaldo, e, por fim, ganha do Grêmio em casa.”

“Ótimo, mestre, com estas previsões já posso saber quem será o Campeão Brasileiro. Deixe-me ver...”

Então fiz as contas e vi algo que me deixou estarrecido:

“Mestre, pelas suas previsões, os seis times terminarão com 64 pontos!”

“Se é o que eu disse, é o que eu disse.”

“Mas agora eu preciso saber quem será campeão pelos critérios de desempate. Vitórias, saldo de gols, ataque, cartões vermelhos...”

Ele apoiou os cotovelos na mesa, cruzou os dedos, descansou o queixo sobre eles e disse: “Sinto muito, meu caro, aí são outros quinhentos.”

 

Por Torero às 07h40

04/11/2009

Você já fez alguma coisa ridícula por causa do seu time?

Nem adianta dizer que não. Tenho certeza que você já fez alguma coisa ridícula pelo seu time. E nem estou falando em promessas absurdas, do tipo, "se meu time for campeão, corto careca". Estou falando em demonstrações de amor sem sentido, daquelas que você lembra e pensa: "Meu deus, como eu sou bobo...", e depois dá uma risadinha condescendente consigo mesmo.

Aposto que você já comprou um toalha de mesa com o símbolo do clube porque achava que ele melhoraria o gosto da comida, ou tatuou a cara de um craque no peito (e se arrependeu quando ele trocou de time), ou pintou a casa nas cores de sua camisa (e até achou que a fachada listrada ficou bacana), ou já pediu para a namorada (ou namorado) depilar os pelos pubianos no formato do escudo do clube.

Alguma coisa ridícula você fez. Não adianta fingir que esqueceu.

Eu, por exemplo, fiz uma coisa bem tonta.

O meu pai tinha uma loja de pneus em Santos e, um dia, quem parou lá para trocar pneus? O ônibus do Santos! Sim, a gloriosa Baleia. Enquanto os pneus eram trocados, ele foi até em casa e me pegou. Nem acreditei quando vi o bicho.

Entrei e fiz questão de sentar. Mas não na cadeira do motorista. Sentei em todas as poltronas! O bobão aqui foi de cadeira em cadeira. E depois, na escola, fiquei fazendo inveja aos amigos.

Você deve ter feito coisa parecida. Ou pior.

Não, você não me engana. Alguma coisa ridícula você já fez. Deixe a vergonha de lado e conte aí. Na semana que vem farei um texto sobre o assunto.  

Por Torero às 08h18

Música e futebol

Amanhã, dia 5/11, às 19h00, na Casa Mário de Andrade, haverá uma conversa interessante sobre os dois temas do título.  

Os debatedores serão dois caras divertidos, o Maurício Pereira e o Skowa.

Para quem não conhece, o Mauricio Pereira foi um dos Mulheres Negras (o outro era o André Abujamra). E o Skowa tocou com o Premeditando o Breque, com as Absurdettes e com o Itamar Assumpção.

A mediação será de Guilherme Kwasinski, que é professor de Mitologia e Sonhos na PUC.

Se você está acostumado a pagar para ver palestras em livrarias, lamento decepcioná-lo, mas esta será de graça.

A Casa Mario de Andrade (que foi mesmo a casa do Mário de Andrade) fica na rua Lopes Chaves, 546, Barra Funda, em São Paulo, perto do metrô Marechal Deodoro.

Inscrições e informações pelo telefone (11) 3666-5803.

Por Torero às 08h01

03/11/2009

Saudades

(A pedido dos leitores Érika e Nelson, vai aí um texto que escrevi quando tirei férias da Folha por um ano. Depois ele foi publicado no livro "Os cabeças-de-bagre também merecem o paraíso")

Hoje, estranhamente, acordei com saudades. Saudades dos ataques com cinco jogadores, das bolas de capotão, dos torcedores com chapéu que chegavam de bonde, saudades das camisas sem patrocinador, saudades de encontrar os jogadores do meu time na padaria, saudades dos sonhos de goiabada.

Também senti saudades de jogar bolinha de gude, de empinar pipa, de descer escada sentado em tapete, do pé de pitanga de meu avô, de pegar jambolão, de bala alcaçuz, de carrinhos de ferro, de frases com reticências.

Acordei com saudades de vizinho educado, de nhoque feito pela avó, de chuteiras sem logotipo, de seleção sem logotipo, de jogador sem guarda-costas, de atacante com cabelo, de meus cabelos, de ver mulheres de sombrinha em dia de sol, de ouvir alguém que eu nem conheço me dizer bom-dia.

Senti saudades de jogar bola na rua até esfolar o dedão, de jogar na chuva, de usar uniforme para ir para a escola, de Grapete, de Cerejinha, de meu avô.

Saudades do pomar da casa ao lado, de dormir depois do almoço, dos shorts de panos estampados feitos pela minha mãe, de ser magro, de balão de são João, de ir na praia à noite, de pôr cadeira na calçada, de rua de areia, de cheiro de pêssego, de entrar de graça no estádio, de brincar de forte apache, de quintal.

Senti saudades de jogadores que não mudavam de clube, de ganhar jogo de xícaras com figurinha premiada, do meu time de botão – feito de tampas de relógio e pintados por mim mesmo.

Saudades das Vemagets, dos Pumas, dos SP2, saudade de sagu feito em casa, de meu primeiro Ki-Chute, saudade do barulho da batedeira de minha mãe.

E saudades de ir aos jogos com meu pai, de perguntar por que só o goleiro pode usar as mãos, saudades de uniforme todo branco, de ficar com raiva quando meu time usava o listrado, de paçoca em saquinho vendida em carrinho com bico de foguete, saudade de porta aberta.

Também senti saudades de tevê em preto e branco, de casa com jardim, de espiar escondido a empregada namorando escondido no portão, de usar fantasia no carnaval.

Saudades dos mortos, de ter medo de cemitério e de filme de vampiro e de homem-do-saco. Saudades de ver os seios que apareciam de vez em quando, e só de vez em quando, na televisão, de ver os avós brigando e fazendo as pazes, saudade do tempo em que futebol não era negócio.

E tenho saudades de pão com mortadela, de molhar o biscoito no café com leite, de não entender de política, de nem saber o que são commodities, de pensar que o presidente é honesto, de nadar na praia com um calção que ficava pesado e quase caía, de briga de empurrão com meus irmãos.

Saudade de ganhar dinheiro do meu avô para comprar figurinha de chapinha. Saudade do tempo que já foi. Saudade do que já fui.

E enquanto escrevo esta última crônica, já tenho saudade de escrever sobre futebol.

A meus três leitores, até logo.

Por Torero às 09h57

Mas a bola bateu na trave

Para ler o texto de hoje publicado na Folha de S.Paulo, clique aqui.

Por Torero às 09h34

02/11/2009

222 36 346 33 736262

 

Armero: Correu mais do que ladrão fugindo da polícia.

 

Botafogo: Desta vez o Imprevisível venceu o Inter, e em Porto Alegre. É um time antimonotonia.

 

Coritiba: Ganhou do Vitória e deu mais um passo para escapar do rebaixamento. Mas seus torcedores ainda não podem dormir tranqüilos.

 

Defederico: Deu um lançamento perfeito para Jorge Henrique. Depois, outro para Ronaldo. Aos poucos vai se tornando um bom substituto para Douglas.

 

Estômago: Mesmo com um estômago bem desenvolvido, Ronaldo consegue ter muita velocidade e dar belas arrancadas. Lembra um pouco Edu, do Santos, que conseguia correr muito com uma barriga portentosa. Tomando-os como exemplo, vou fazer uma dieta à base de pizza e sonho de valsa para melhorar minha velocidade.

Figueroa: Teve grande chance de cruzar para Obina logo no começo do jogo, mas chutou. Depois, aos 23’, teve grande chance de chutar, mas cruzou para Obina.

 

Galo: Ganhou bem do Goiás, que está mais longe da Libertadores.

 

Hora agá: No jogo entre Palmeiras e Corinthians, não foi o momento da marcação do pênalti. Foi quando Heber Roberto Lopes não expulsou o palmeirense Danilo. Estava 1 a 0 para o Corinthians e o Palmeiras ficaria com nove homens.

 

Invencibilidade: A do Palmeiras contra o Corinthians subiu para sete jogos.

 

Jonathan: Marcou o primeiro gol do Cruzeiro, logo aos 12 minutos. Depois, Wellington Paulista aumentou. Ou seja, quando os times foram para o vestiário, estava 2 a 0. Tudo indicava que seria uma vitória fácil. A sexta seguida. Mas o ex-cruzeirense Fred marcou dois gols, Gum fez um e o Fluminense virou o jogo fora de casa. 

 

Lógica: Neste campeonato, está em falta. Tudo pode acontecer. Quem diria que o Inter, em casa, perderia do Botafogo? Ou que o Cruzeiro seria derrotado no Mineirão pelo ex-lanterna Fluminense?

 

Mulheres: O Botucatu foi campeão paulista feminino ao vencer o Santos por 2 a 0.

 

Náutico: Ganhou do Sport por 3 a 2, num jogo com gols estranhos. E dois de seus gols foram feitos por jogadores recém contratados ao América-MG, Bruno Mineiro e Irênio.

 

Onze: Número de chutes que o Santo André deu contra o gol do Grêmio. O time gaúcho, por sua vez, chutou 22 bolas. Mas o resultado foi 2 a 0 para o Santo André.

 

Pantera: Apelido do São Raimundo, do Pará, campeão brasileiro da Série D. Venceu o Macaé por 2 a 1, de virada, no Colosso dos Tapajós, em Santarém. Havia perdido a primeira partida por 3 a 2. E o Macaé vencia por 1 a 0 até a metade do segundo tempo. 

 

Queda: O Inter sofreu duas derrotas seguidas e saiu do G-4. Nas últimas cinco partidas marcou apenas cinco pontos. O título ficou bem difícil.

 

Ronaldo: Bateu o pênalti com perfeição. Nem que houvesse dois goleiros, a bola seria defendida. Poderiam dar um DVD da cobrança para Ganso.

 

Se...: Uma partida de futebol se define num detalhe, num acerto ou num erro. É como algumas questões na vida (Caso ou não caso? Presto vestibular para medicina ou invisto na minha banda de rock?, Compro esse cartão da loteria federal ou uma empadinha?). No jogo de ontem, se Figueroa tivesse aproveitado uma das duas chances que teve, a história do jogo, e talvez do Brasileiro, poderia ser outra.

 

Tardelli: É o artilheiro do Brasileiro. Sua disputa com Adriano deve seguir até a última rodada.

 

Um: Número de gols que o Coritiba marcou contra o Vitória. Mas o time perdeu muitas chances. Poderia ter goleado.

 

Vivos: Pela Série B, Figueirense e Portuguesa, quinto e sexto colocados, venceram fora de casa e continuam com chances de subir para a Série A. O Atlético-GO, quarto colocado, perdeu para o Duque de Caxias por 5 a 1 e corre perigo.

 

Xi...: Deve ter pensado o zagueiro gremista Rafael Marques ao ver que tinha cabeceado para dentro do próprio gol na derrota para o Santo André por 2 a 0. Depois, colocou a culpa nos refletores.

 

Zafimeiro: Esperto, sagaz, matreiro, astuto. Marcos não foi nada zafimeiro ao derrubar Jorge Henrique.

 

PS: O título do ABC do fim de semana de hoje foi sugerido pelo Nelson Souza. É como ficaria o título se fosse escrito no teclado do celular para um twitter.

 

Por Torero às 02h07

01/11/2009

Seleção dos Simpsons

 
 Enviada por Denilson de Oliveira Biffi

 

Goleiro: Smithers. Do jeito que defende seu chefe, o Sr. Burns, seria um goleiro espetacular.

Lateral direito: Sr. Burns. Com a longevidade de um Cafu, nada mais justo que escalar um senhor centenário na posição. Além do mais, ele estará próximo de seu maior defensor, Smithers.

 Smithers iria adorar a hora de comemorar os gols com seu chefe.

Zagueiro central: Nelson. Com sua truculência, ninguém se atreveria a tentar nada de abusado.

Quarto zagueiro: Chefe Wigum. Tipicamente e literalmente um xerifão.

Lateral esquerdo: Maggie Simpson. A menos experiente do time, que não diz uma palavra, mas atraindo as atenções para ela, deixando espaço para os elementos supresa. Cai bem pela esquerda. Também cai pela direita. E para a frente e para trás. Enfim, cai para todo lado.

Meia direita: Lisa Simpson. Inteligente e perspicaz, armaria o time como ninguém.

Primeiro volante: Marge Simpson. Sempre atrás da filha, Lisa. Quem teria coragem de fazer algo a ela? Seu único problema seriam os lances de cabeça. Algumas bolas se perderiam em seu volumoso penteado.

Segundo volante: Abe Simpson. Um pouco velho e às vezes desligado, mas muito útil na retaguarda.

Meia esqueda: Milhouse. Nem tão esperto nem inteligente, mas faria tudo pela atenção de Lisa, inclusive aprender a jogar futebol.

 Milhouse, em vez de fazer pose de Papai Noel na barreira, iria proteger os óculos.  

Segundo atacante: Bart Simpson. Esperto, sempre dá um jeito de fazer jogadas inesperadas pelo adversário.

Centroavante: Homer Simpson. Quem mais seria? Nem precisa de justificativa. Além disso, seu abdômen lembra o de outro famoso centroavante.

Técnico: o cara da loja de gibis. Pelo menos no jogo contra a seleção dos super-herois e/ou vilões, ele saberia tudo do adversário.

Mascote: obviamente, o Ajudante de Papai Noel.


Por Torero às 08h41

Sobre o autor

Formado em Letras e Jornalismo e quase formado em Cinema, é autor de treze livros (como "O Chalaça"), escreveu roteiros para cinema (como "Pequeno Dicionário Amoroso") e para tevê ("Retrato Falado").

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