Blog do Torero

30/10/2009

Como uma onda no mar

 

O leitor gosta de surf? A leitora aprecia bodyboard? Então vocês devem estar gostando do Campeonato Brasileiro. Sim, porque este ano temos um torneio cheio de ondas.

Explico:

Não temos nenhum time realmente forte, que jogue realmente bem. Nem temos uma equipe tão ruim que possamos dizer: esta merece ser rebaixada. O Fluminense, lanterna do campeonato, ontem ganhou do Atlético, que era o vice-líder. E o Sport, que está na penúltima colocação, vocês bem lembram que, na Libertadores, só foi desclassificado pelo líder Palmeiras numa disputa de pênaltis.

Ninguém é absoluto neste Brasileiro, nem para o bem, nem para o mal. É tudo uma questão de ondas.

Alguns times conseguiram ter uma boa onda de resultados e assim foram atirados para a crista da tabela. O Avaí teve uma sequência excelente e saiu da última posição para a beira do G-4. Depois caiu, mas está ali pelo meio. No começo do Brasileiro, Barueri e Santo André estavam lá em cima, perto dos líderes. O Atlético Mineiro teve uma grande sequência de vitórias no primeiro turno e ocupou a primeira posição por um bom tempo. Recentemente, o Flamengo ficou dez partidas invicto e escalou a tabela. E o Palmeiras teve o momento Jorginho e, depois, uma boa série de vitórias do tipo Muricy, com um golzinho de diferença (o jogo de ontem foi uma agradável exceção, que pode marcar o início de uma nova onda).

O mesmo aconteceu com a turma de baixo. O Fluminense passou por uma maré baixa que durou uma dúzia de rodadas, e por isso está na última posição. O Náutico parecia que ia naufragar, mas voltou a ser perigoso. O Sport teve uma sequência de tropeções que lembrou um bêbado a bater nas cadeiras e mesas de um bar, derrubando garrafas e quebrando copos. Mas é um time perigoso.

Enfim, não há grande diferença entre as equipes. Os que estão na parte de cima da tabela foram aqueles que tiveram boas ondas e evitaram as grandes quedas, como aquelas que tínhamos quando tentávamos pegar uma onda com nossa prancha de isopor e éramos engolidos pela espuma das ondas, dando reviravoltas, engolindo água salgada e ficando com o short cheio de areia.

Nestas últimas seis rodadas, quem tiver uma boa onda será o campeão.

O Palmeiras parece ter largado na frente. A vitória de ontem, depois de uns dias de concentração em Atibaia, parece um cartão de visita dos novos tempos. O time não pode dispor da garra de Pierre e da inteligência de Cleiton Xavier, mas há o talento de Diego Souza e Marcos, as surpresas de Obina e a organização de Muricy.

Outro que está numa boa onda é o São Paulo. Ganhou heroicamente do Santos na Vila e venceu seu inimigo direto, o Internacional. Duas vitórias que o colocaram em segundo lugar. Pode ser o começo de uma bela waimea, a onda gigante do Havaí, procurada e temida pelos surfistas.

Estes dois são meus favoritos ao título. Mas podem ser que despenquem no fim de semana e qualquer outro dos quatro concorrentes tenha um fulminante tsunami de vitórias.

Neste Brasileiro não podemos ter certeza de nada. Como diria o filósofo Nélson Motta: “As vitórias vem em ondas como um mar, num indo e vindo infinito”.

 

Por Torero às 07h33

Resultado instântaneo da toreroteca idem

Foi uma bela toreroteca. Mesmo sendo instântanea, acabou batendo o recorde de votos: mais de 450. E a disputa foi ótima. Pamella, de Santos, começou na frente. Ela apostou em Obina aos 38 do segundo tempo, e parecia que iria trazer de volta o domínio feminino à toreroteca. Mas o Israel, do Rio de Janeiro, teve a ajuda de Javé e cravou Obina aos 40’. Parecia que seria o vencedor, mas então surgiu Paulo, da simpática Santana de Parnaíba, e apostou em Vágner Love aos 40’. Só que se arrependeu, anulou o voto e palpitou em Obina aos 41’. Eu acreditei que seria o vencedor, mas eis que surge um leão, um lobo, ou melhor um cordeiro, Marcelo Cordeiro, e crava Obina aos 42’. Desta vez nem tive que fazer aproximação. O cara acertou na mosca. Mande aí seu endereço, Marcelo.

Por Torero às 07h27

29/10/2009

Toreroteca instantânea

Vamos fazer uma toreroteca para hoje, mais especificamente para o jogo entre Palmeiras e Goiás. Ganha quem acertar por quem e quando será feito o último gol da partida. Se o Palmeiras ganhar, se mantém na liderança e o Goiás desiste do título e passa a sonhar apenas com a Libertadores.

Para facilitar, coloco aqui as possíveis escalações:

Palmeiras: Marco; Danilo, Edmílson e Maurício (não é o Ramos); Figueroa, Sandro Silva, Souza, Diego Souza e Armero; Obina e Ortigoza.

Goiás: Harlei; Ernando, João Paulo e Valmir Lucas; Douglas, Fernando, Ramalho, Léo Lima e Júlio César; Iarley e Felipe.

Valem os palpites dados até o apito inicial do juiz.

O prêmio? É este:

Eu voto em Diego Souza aos 33' do segundo tempo.

Por Torero às 07h24

28/10/2009

Resultado da toreroteca

O Santos não forneceu o número de não pagantes no jogo contra o São Paulo, de modo que ficamos apenas com o número de ingressos vendidos, que foram 8.735 (um público fraco para um clássico). Vários leitores pessimistas, ou melhor, realistas, chegaram perto deste número, mas ninguém  chegou mais perto que o Jefferson Felipin, de Valinhos, que chutou, digo, calculou que teríamos 8.743 almas no estádio. O Jefferson pode mandar seu endereço para blogdolele@uol.com.br.

Por Torero às 07h04

27/10/2009

Dize-me quem escalas e te direi quem és

(A pedido do leitor Mauro Assis, coloco aqui um texto (do livro Os cabeças-de-bagre também merecem o paraíso) que tem a ver com o que foi publicado no último Sempre aos Domingos)

A seleção de cada torcedor funciona como uma espécie de espelho. Assim, se ele escolhe um meio-campo formado por Dunga, Galeano, Mauro Silva e César Sampaio, fica evidente que se trata de um precavido, talvez até de um covarde. Por outro lado, se propõe um ataque com Rivaldo, Ronaldinho e Romário, estamos na frente de um ousado, de um destemido. Se a linha é Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe, falamos com um saudosista, e se a defesa conta com Carlos Alberto, Figueroa, Domingos da Guia e Nílton Santos, estamos ao lado de um amante dos clássicos.

Convencido de que escalar uma seleção seria a forma ideal de me apresentar ao leitor, pus o cérebro para trabalhar e escolhi meus onze jogadores preferidos:

Goleiro: Drummond. Um grande time começa por um grande goleiro. Drummond nasceu em Itabira, mas atuou longo tempo no Rio de Janeiro. Ele traz segurança e tranqüilidade para o resto da equipe. É elástico e seguro, dono de um estilo que marcou época e fez seguidores. 

Lateral direito: Bandeira. O pernambucano merece a posição apesar dos problemas respiratórios. Lateral direito de inegável leveza, caracteriza-se por criar jogadas aparentemente simples, mas que só parecem tão simples porque ele faz um complexo trabalho para descomplicá-las. 

Zagueiro central: Érico. Central tem que ser gaúcho. Érico, além de ter nascido em Cruz Alta, é um beque polivalente: joga com qualquer tempo – e vento. Pode atuar com aspereza e rudeza, ou sair jogando com maleabilidade e graça. Assim como outro central, Domingos da Guia, também possui um filho de inegável talento. 

Quarto zagueiro: Nelson Rodrigues. Essa é uma posição onde é proibido ter falsos pudores; tem que se chutar a bola para a arquibancada e, se preciso for, deixar o inimigo estatelado no chão com fratura exposta. É o caso de Rodrigues, um jogador de moral polêmica. Alguns críticos mais ácidos dizem que ele cai muito pela direita, mas trata-se de um defeito menor que suas qualidades. 

Lateral-esquerdo: Vieira. Começou a carreira timidamente, mas um dia teve um estalo e passou a jogar como que inspirado pela luz divina. Seu estilo é lógico, mas também grandiloqüente. Às vezes traça caminhos tortuosos, mas sempre chega ao seu objetivo. De todos os convocados é o único Atleta de Cristo. 

Médio volante: Gregório. Um bom cabeça-de-área tem que saber xingar a mãe do adversário de doze formas diferentes. Gregório conhece 118. Não é à toa que o apelidaram de Boca do Inferno. Perguntado sobre as violentas faltas que comete, diz que são para a glória de Deus, pois, “quanto maior o meu pecar, maior a graça d’Ele em perdoar”. Não raro, elabora firulas e gongorismos que surpreendem a torcida. 

Meia-direita: Mário. Um ponta-de-lança tem que ser ao mesmo tempo clássico e inovador. Mário consegue as duas coisas: sabe estudar o jogo e inventar lances com a mesma competência. Pode-se dizer que é um clássico de vanguarda. 

Meia-esquerda: Machado. A nobre camisa dez não poderia ser vestida por outro. Excelente nos lançamentos em profundidade, é um especia¬lista nos dribles sutis e no toque refinado. Estranhamente, está sempre com um riso nos lábios. Não se sabe, contudo, se ri dos inimigos, de si mesmo ou do público. 

Ponta-direita: Guimarães. É um inventor. Guimarães cria dribles e ziguezagueia pe¬los campos gerais como ninguém. Seus lances são inesperados, como se ele sempre tivesse que criar um caminho pró¬prio. Aprendeu tudo que sabe na várzea, mas seu jogo é universal. 

Centroavante: Oswald. Um centroavante deve ser imprevisível, e imprevisibilidade é a única coisa previsível em Oswald. Seu jogo é feito de toques curtos e dribles em pequenos espaços. Tem um temperamento difícil e costuma polemizar com os adversários. É um típico rompedor. 

Ponta-esquerda: Graciliano. Vindo de Quebrângulo, Alagoas, este extrema-esquerda é dono de um estilo duro, sisudo e seco. O torcedor sempre pode esperar dele um jogo consistente e seguro. Odeia concentrações e pretende escrever um livro de memórias conde¬nando essa prática. 


Obs.: Obviamente esta seleção de imortais conta apenas com jogadores defuntos, o que deixou de fora vá¬rios nomes. Em meu banco de reservas estão Verissimo, Ubaldo, Millôr e Fonseca. São grandes atletas, mas desconfio que não têm muita pressa em entrar nesse time.

Por Torero às 07h51

Futurologia

Para ler o texto de hoje na Folha de S.Paulo, assinantes podem clicar aqui e não assinantes, aqui.

Por Torero às 07h38

25/10/2009

ABC do Sansão

 

Ah..., storga: Falhou no terceiro gol são-paulino e fez as faltas do primeiro e do quarto gols.

 

Bola parada: Foi a responsável por quase todos os gols da partida. Mas o termo é meio estranho. Afinal, se a bola estivesse parada não entraria no gol, ora pois.

 

Cabeça: Como uma defesa com três zagueiros, como a do São Paulo, leva três gols de cabeça?

 Cérbero, o cão que guarda a porta do Hades, também tem três cabeças, mas é mais eficiente. 

 

Dagoberto: Não foi brilhante, mas foi bem. Já não tem mais os altos e baixos do ano passado.

 

Eugênio: Nome do meio do árbitro Carlos Simon. Ele acertou na expulsão de Ceni. Mas ficou com algum sentimento de culpa e deu apenas três minutos de acréscimo. Não que fizesse diferença. O Santos já estava derrotado.

 

Faltas: Houve menos de trinta no jogo.

 

Goleiro: Felipe não é bom o suficiente para estar no gol do Santos. Será, mas ainda não é.

 

Hernanes: Cobrou a falta no ângulo, na forquilha, no ninho da coruja.

 

Inexperiência: Aos 43´ André perdeu a chance de fazer o quarto gol do Santos. Mas não jogou mal.

 

Júnior César: Começou bem o segundo tempo, mas depois apagou. Tem potencial para jogar mais do que o que está mostrando.

 

 

 

Luxemburgo: Diz que só fica se o atual presidente continuar. Ameaça ou promessa?

 

Mil: O Santos já deu mais de mil passes errados neste Brasileiro. É o líder neste quesito.

 

Nove: Washington fez um gol. Mas não convenceu.

 

Oscar: Rogério Ceni merece dois: o de efeitos especiais, pelo efeito que pôs na bola ao cobrar a falta decisiva do jogo, e o de melhor ator por sua brilhante interpretação depois da falta que cometeu em Jean (na qual me lembrou o Fábio Costa). Foram apenas cinco minutos e meio, mas que talento! E, quando recebeu o cartão vermelho, recuperou-se imediatamente. Ou talvez ele não estivesse fingindo e o cartão vermelho seja um remédio milagroso, sei lá.

 

 

 

Público: O total de pagantes foi de 8.735. Número pequeno para um clássico.

 

Queijo: Os ataques foram eficientes ou as defesas foram um queijo suíço?

 

 

 

Raça: No primeiro tempo, faltou ao São Paulo. No segundo, ao Santos.

 

Sete: conta de mentiroso e número de gols da partida.

 

Tranqüilo: Apesar dos quatro gols tomados, Adaílton se saiu bem.

 

Um jogador a mais: O Santos o teve por 13 minutos, mas não conseguiu aproveitar a vantagem.

 

Votos: O time do Santos não está sendo um grande cabo eleitoral para Marcelo Teixeira.

 

Xarás: Os Andrés fizeram um bom duelo. Mas, no fim, o Dias, do Tricolor, levou a melhor.

 

Zona: Os dois times se mantiveram na zona. O São Paulo, na da Libertadores. O Santos, na Zona Fantasma, o limbo onde ficam os times que não entram na Sul-Americana nem correm perigo imediato de rebaixamento.

 

Por Torero às 00h09

Seleção de escritores

 
 

Texto de Bruno Pontes

Goleiro: Luis Fernando Verissimo – apesar de ser filho de jogador, começou a jogar relativamente tarde. Ainda assim,  construiu uma carreira sólida e uma popularidade maior que a do pai, talvez pelo seu estilo de jogo mais despojado e leve. Discreto, só aparece nas suas grandes defesas em momentos decisivos dos jogos. Vive jogando em times do Rio e de São Paulo, mas não esconde de ninguém o desejo de encerrar a carreira no Internacional de Porto Alegre.

 

 Lateral Esquerdo: James Joyce – muito veloz, corre em um ritmo alucinado o jogo todo sem parar. Pena que muitas vezes não é compreendido pelos próprios colegas de equipe e que, então, vários de seus lançamentos caiam no vazio ou nos pés do adversário. Por essa razão também, dizem que seu estilo de jogo é intraduzível.

 

 Zagueiro Central: Fernando Bonassi – incisivo e determinado, os críticos reclamam que seu jogo é muito violento. Não se abate e diz que a realidade é dura mesmo.

 

 Quarto Zagueiro: Umberto Eco – mesmo sendo zagueiro de ofício, vive se arriscando em outras posições e não dá muitos passes. Não raras vezes avança sozinho  até o ataque e até já fez alguns gols memoráveis. No entanto, por causa disso muitos jogadores o taxam de fominha e o apelidaram  de Umberto Ego.  

 

 Lateral Direito: Dante Alighieri– percorreu um longo caminho até chegar ao paraíso. Hoje, já no meio caminho de sua vida, é querido pela torcida. Compensa a falta de velocidade atual com lançamentos geniais. Sempre se esforçar para bem servir seus amigos, mas não poupa seus inimigos de duras críticas, sendo comum ouvi-lo em campo mandando-os para o inferno.

 

 Primeiro Volante: Marcel Proust – amado por uns, odiado por outros. Seus detratores reclamam que ele fica muito tempo parado prendendo a bola, sem evoluir e sem objetividade. Já os defensores dizem que isso é apenas um estilo de jogo e que, no final das contas, todos vão reconhecer que ele construiu uma grande obra (os mais poéticos comparam até com uma catedral).

 

 Segundo volante:  Jorge Luis Borges – tem uma visão de jogo surpreendente, sabendo a posição de cada um dos companheiros mesmo de olhos fechados. Além disso, faz tabelinhas memoráveis e sabe como ninguém atuar como corta luz. Todavia, tem o péssimo hábito de falar de si mesmo na terceira pessoa e de achar que o modelo de futebol é o inglês. Também já arrumou confusão com um jogador chileno que vivia disputando com ele o troféu de melhor jogador do ano.

 

 Meia direita: Paulo Coelho – apesar de constantemente criticado pela imprensa especializada, que alega que seu jogo é superficial e que ele não domina bem os fundamentos, é ídolo da torcida de todo o mundo. Faz muitos gols, embora nem todos bonitos, e sua camisa é a mais vendida. Além disso, dentre os companheiros, é tido como líder espiritual do grupo.

 

 Meia esquerda: Machado de Assis –teve origem humilde, mas sempre soube agradar os dirigentes. Alguns notam também sua semelhança com Friedenreich e muitos o coparam a Pelé. Sua visão oblíqua permite enxergar caminhos para lances inesperados. Fora dos gramados, teve importante atuação para organizar um sindicato da categoria.

 

 Atacante: Dalton Trevisan – objetivo ao extremo, não é de firulas e quando chuta ao gol é para marcar. Mesmo assim, é criticado pela imprensa por não participar de entrevistas coletivas e raramente se deixar fotografar fora de campo. Sem explicação racional, atua melhor em jogos noturnos.

 

 Centroavante: Jorge Amado – oscila fases boas com longos períodos de inatividade. Alguns o consideram preguiçoso, mas se surpreendem com a quantidade de gols que marcou durante a carreira. Tem um jogo cadenciado e vez ou outra cai pela esquerda.

 

 Técnico: Nelson Rodrigues -  folclórico, usa técnicas psicológicas para afastar o que chama de complexo de vira-lata de seus jogadores. Não desmerece a importância da sorte e vive usando metáforas com picolés ou culpando o sobrenatural. De família da craques, também é lembrado por ser irmão do Maracanã.

Por Torero às 08h34

23/10/2009

O primeiro encontro a gente nunca esquece

Há algumas semanas perguntei aos leitores sobre quais jogadores eles já tinham encontrado fora do estádio. Foram citados muitos atletas, mas quatro deles acabaram ganhando disparado. Um deles foi Pelé, que, por coincidência, também foi o primeiro jogador que vi ao vivo. Eu e o Henrique Farinha. Mas ele teve uma grande vantagem sobre mim. Estudava com a Kelly Cristina, filha do Pelé, e às vezes pegava carona no Mercedes azul-calcinha do Rei:

“Ele dava autógrafo na testa, no braço, onde desse. Quando isso acontecia, pedia pra minha mãe colocar um plástico pra não tirar o autógrafo ao tomar banho.”

O Zucchero Junior encontrou o Pelé em outra circunstância: parado na Imigrantes com problemas no carro. Seria o mesmo Mercedes azul-calcinha? Acho difícil. Os Mercedes não quebram, diz a lenda.

Já o Fernando de Santis (belo nome para um santista) estava num restaurante japonês, com a camisa do Peixe, quando se deparou com Pelé. “Ele foi muito gentil, assinou a minha camisa (que está num vidro agora), tirou fotos comigo e elogiou a minha tatuagem do Santos, que tenho no braço, falando: ‘esse é dos meus... esse é dos meus...’.”

  Pelé, com a camisa 13, no dia de sua estréia pela seleção brasileira, em 7 de julho de 1957.

O Lucio Labegalini, de Monte Sião, viu o "Negão" em 1972, quando foi assistir a Guarani x Santos em Campinas:

“Na saída do Brinco de Ouro, qual foi minha alegria maior quando vi o ônibus do Santos em frente ao portão. Não piscava o olho só de ver o ônibus, quando, de repente, quem sai por um portãozinho, sem camisa, descalço e só de calção bem ali no meu nariz? Nesta hora começou aquele tumulto e ele teve que voltar para trás daquele portãozinho enferrujado. E, para escapar da correria, entramos também. Quando vi, não acreditava. Era um cômodo pequeno e lá estava aquele diamante negro conversando com a gente, rindo e brincando. Perguntou de onde éramos e etc..., como ele ia fazer para sair, e me disse: ‘Empresta sua camisa aí?’. Quase morri de vergonha, mas já estava tirando quando ele me disse: ‘É brincadeira filho’. Sempre que vou a Campinas e passo em frente ao Brinco de Ouro, olho para ver se acho aquele portãozinho. Vai que dou uma sorte e vejo o danado do Negão de novo...

 

Marcelinho Carioca

O ex-corintiano também foi muito citado. O Bruno Martinelli o encontrou no aeroporto de BH, voltando do primeiro jogo da final do brasileiro de 98. E falou "No Pacaembu é nóis!". Marcelinho deu risada, levou seu papel sulfite pra dentro da sala de embarque e o trouxe de volta cinco minutos depois com autógrafo de todos os jogadores. “Não esperava. Grande gesto que me fez um moleque de 15 anos ainda mais fanático por esse time e por esse cara.”

O Thiago Gomes não teve tanta sorte. Quando tinha 14 anos, pediu um autógrafo para Marcelinho, mas ele negou. “Depois dessa, vi que ele não serve nem para aumentar uma simples coleção.”

 Marcelinho com sua primeira camisa, a do Flamengo. 

Já o Fábio Fortes conseguiu um autógrafo e meio. Ele foi ver um treino do Corinthians e o Pequeno Notável estava lá, treinando faltas, chutando todas na trave. Então Fábio se aproximou com uma agenda na mão para pedir autógrafo, mas quem a pegou foi Lucas, o filho de Marcelinho, e assinou o nome dele. “Depois o Marcelinho, rindo, me deu um autógrafo. Falei, brincando, que o do filho tava valendo mais, porque até aquele momento ele só estava chutando na trave. Ele riu e disse que a intenção era aquela.”

 

Romário

Outro pequeno grande jogador fácil de se encontrar por aí é Romário. E sempre jogando futevôlei.

O Rodney, de BH, estava passeando no Rio, mais especificamente na Barra da Tijuca, quando viu o baixinho jogando com alguns amigos. Parou à beira da "quadra”, junto com centenas de pessoas, e logo depois a bola foi parar justo no seu pé. Rodney chutou-a de volta e Romário falou: “Valeu parceiro”. Não foram grandes palavras, mas bastaram para Rodney: “Eu fiquei mudo, surdo, cego. Meu coração disparou. Ele virou as costas e continuou sua partida como se nada tivesse acontecido, em contrapartida, minha vida mudou. Ponto final. Sem mais delongas.”

 Romário com sua próxima camisa, a do América.

O Carlos Carvalho também encontrou com Romário jogando futevôlei, mas em Macéio: “Havia muita gente assistindo, mas todos estavam em silêncio para não desconcentrar o gênio. E, no meio daquele silêncio todo, minha filha Rachel, que na época tinha sete anos, gritou: ‘Olha pai, é o Ronaldinho!’. Foi uma gargalhada geral e até o Romário (que errou um lance fácil) riu. Eu gesticulei de longe, me desculpando e ele gesticulou de volta, como quem diz: ‘tudo bem’. Foi muito engraçado! Ainda bem que a minha filha o confundiu com outro gênio. Já pensou se fosse com um perna de pau?”

 

Raí

Mas o jogador mais citado não foi nenhum dos três anteriores. Foi o alto, inteligente, belo e rico Raí (ah, se inveja matasse...).

Vários leitores toparam com ele, tal qual o Henrique Goulart, em meados de 92. “Estava em uma loja qualquer acompanhado de minha mãe, quando na porta da mesma loja surge um fusquinha. E de dentro deste fusca sai nada menos que Raí. Ver o jogador do momento, do time do momento faria o olho de qualquer moleque de 5 anos brilhar, e comigo não foi diferente. Acredito que passar por aquele momento e continuar santista prova realmente o meu carinho pelo Santos FC, pois qualquer outro se transformaria em são-paulino.”

Quando tinha uns 16 anos, Luiz Zalaf encontrou Raí num boliche. Naquele dia, Luiz fez sua melhor pontuação: 135 pontos. “Raí fez míseros 85. Peguei dois autógrafos dele em pedaços de papel e quardo-os até hoje num pequeno porta retrato.”

Já o Fernando Rosas estava num restaurante na beira da estrada, perto do Guarujá, quando viu o Roque Júnior. Mas nem deu muita bola, pois não gostava do futebol do zagueiro. Porém, logo depois, pela porta lateral do restaurante, entrou Raí. “Não aguentei e fui falar com ele: ‘Raí, sou seu fã, de coração, você representa o time que eu amo, e o teu gol no Barça foi inesquecível, inacreditável. Posso tirar uma foto?’.”

 Raí nos tempos do Botafogo.

O corintiano Pedro já nadou várias vezes ao lado do craque. “Como se não bastassem as vitórias sistemáticas do São Paulo sobre o Corinthians naqueles anos, eu era obrigado, duas vezes por semana, a nadar vendo por baixo d'água as pernas de Raí. Era uma ironia cruel. Minhas amigas, e mesmo a minha namorada, morriam de inveja, enquanto eu fazia o possível para fechar os olhos e pensar que tudo muda nesse mundo.”

Outro corintiano, o Guilherme Perez, trabalhava num estúdio fotográfico quando, no set ao lado, apareceu o ex-meia do São Paulo. Guilherme olhou para ele fazendo cara de que o conhecia de algum lugar e perguntou: "Você não é o irmão do Sócrates?". Raí caiu na risada e falou: "Putz, mais um corintiano!?".

Enfim, muitos já toparam com o Raí. Menos a Ana Lazzarini:

“Sou são-paulina, moro em Ribeirão Preto e NUNCA encontrei meu ídolo Raí. Pode isso?”

 

Por Torero às 08h10

22/10/2009

Toreroteca

Esta toreroteca será dificílima! Um desafio à lógica e ao bom senso (ou, no caso, bom censo).

Vencerá quem chegar mais perto do público total do jogo Santos x São Paulo.

O público na Vila é sempre um mistério. Dizem que cabem 20 mil pessoas, mas, mesmo com o estádio cheio, anuncia-se dez mil. Onde ficariam as outras dez mil? No colo das primeiras?

Porém, na Libertadores, o público chegou a 14 mil. E nem estava tão cheio.

Meu palpite é 15.151. Vale o número dado pelo UOL.

O prêmio? Este aqui:

  

Por Torero às 07h25

Dirran, aquele que não era francês

(Abaixo, uma curiosa história enviada pelo leitor Sylvio Ferrer)

 

Há alguns anos, quando o Clube Atlético Potengi ainda jogava no Machadão contra o Potyguar de Currais Novos, na 2ª divisão do Campeonato do Rio Grande do Norte, um jogador atleticano se destacava fazendo dribles desconcertantes, lançamentos perfeitos e fazendo gol.

O narrador da Rádio Poti não cansava de gritar: "Dirran é um craque", "Dirran é uma revelação do futebol norte-riograndense". E era Dirran prá cá, Dirran pra lá ...

No final do jogo, o Clube Atlético Potengi perdeu por 3 x 1, mas o destaque daquele jogo foi o jogador Dirran.

Vendo aquele sucesso todo do jogador atleticano, um jovem repórter da Rádio Poti foi fazer uma entrevista com o craque na beira do gramado e foi logo perguntando:

— Dirran, Você tem parentes na França? Esse seu nome é de descendência francesa?

O jogador, olhando espantado para o repórter, respondeu:

— É não sinhô! Meu apelido é Cu de Rã, mas como num pode falá na rádio... então, eles abrevia. Di Rã!!!!!!!!

Por Torero às 07h09

21/10/2009

Duas seleções parecidas mas diferentes

 
 

Duas seleções parecidas mas diferentes

Curiosamente recebi duas seleções parecidas. A primeira é de jornalistas e apresentadores de tevê. A segunda, só dos primeiros.


Esta foi manda por Paulo Henrique Fabião:

Goleiro: Jô Soares: Além de fechar a meta inteira com o seu tamanho, é experiente e apesar das criticas, continua sendo um dos melhores de sua posição.

Lateral Direito: Joemir Beting: Tem muitos anos de carreira e sabe todas as manhas do jogo político como um bom lateral, ataca e defende no momento certo.

Lateral Esquerdo: Arnaldo Jabor: Guarda a posição da esquerda. É muito ágil em seus comentários e opiniões.

Zagueiro Central: Boris Casoy: Como um bom zagueiro, é simples e objetivo sempre.

Quarto Zagueiro: Pedro Bial: Esta sempre fazendo a cobertura de qualquer evento em toda parte do planeta.

Primeiro volante: Ratinho: Faz o estilo brucutu. Não joga bonito, pois sempre está preocupado com os pontos da partida.

Segundo Volante: Serginho Groisman: Tem muita experiência, mais ainda tem fôlego de menino. É o “Vovô garoto” do time.

Meia Direita: Milton Neves: Pelo tamanho de sua cabeça, pode ser considerado o “cérebro” do time, porém a critica diz que ele é muito marketing , ou no caso, merchan.

Meia Esquerda: Marcelo Tas: É o camisa 10 do time. Inteligente, criativo e sempre fazendo jogadas que surpreendem os adversários.

Atacante: Caco Barcelos: Já não é nenhum garoto, mas mesmo assim corre pelo Brasil inteiro para fazer suas reportagens. É um ídolo para quem está começando.

Centroavante: Silvio Santos: Já não tem o mesmo pique de antigamente, mas dentro da área ainda faz seus gols no ibope. Além de tudo, merece o respeito de todos os adversários.

Técnico: Faustão: Só ele é que da as instruções, pois não deixa nunca ninguém falar.

Auxiliar: Luciano Huck: Trabalha para um dia assumir o posto do Faustão.

Cartola: Roberto Justus:  Se o time não jogar bem, ele demite todo mundo.

 


Esta é da lvra de Rodrigo Della Vittoria Duarte:

Goleiro: Luciano do Vale, não tem muito reflexo, mesmo assim fecha o gol.

Lateral direito:José Inácio Werneck, tem um folego impressionante, deve correr uma maratona por jogo.

Zagueiros: Chico Lang e Roberto Avallone, uma dupla que se completa.

Lateral esquerdo: PVC, a nossa enciclopédia.

Primeiro Volante: Trajano, o capitão do time, berra com todo mundo, assusta os adversários, mas suas intenções são as melhores.

Segundo Volante: Milton Neves, dizem que ele é puro marketing, faz bem o meio de campo.

Meia direita: Torero, criativo, inventivo, você sempre pode esperar algo novo dele.

Meia esquerda: Juca Kfouri, do tipo cerebral, organiza o time, pensa o jogo.

Atacante: J.R.Malia, irreverente, está sempre pronto para o ataque.

Centroavante: Kajuru, anda meio fora de forma, mas não perdoa.

Técnico: Galvão Bueno, grita o tempo todo fora de campo.

 

 

Por Torero às 09h10

20/10/2009

Um craque

Para ver o que é pontaria, clique aqui.

Por Torero às 13h29

Michelle Paula

[A leitora Érika pediu que eu republicasse o texto Michelle Paula, sobre uma Maria Chuteira quase aposentada. Coloco aqui não a versão que saiu na Folha de S.Paulo, mas a que foi publicada no livro "Zé Cabala e outros filósofos do futebol", que é um pouco melhor (ou menos pior)]

Michelle Paulla

Meu nome? No RG está Maria José, mas eu gosto mesmo é de Michelle Paulla. E com quatro eles. Idade? Isso não se pergunta. Faz de conta que eu tenho 29. Minha maior glória? Tirei segundo lugar no concurso de Miss Niterói. Pinto, pinto o cabelo. Mas quem não pinta? Se bem que aquela tintura importada do tempo das vacas gordas, nunca mais, meu filho. Uso das baratas mesmo. Queima um pouco a raiz, mas fica amarelinho que nem o da Xuxa.

Meu primeiro namorado-jogador foi o Redernilson. Conheci na Bélgica. Ele era alagoano, mas jogava no Standard de Liège. O que eu estava fazendo em Liège? Hum...,  setor de entretenimento.

O Redernilson nem era titular, mas a gente estava sempre comendo nos restaurantes chiques, avião pra lá e pra cá. Um vidão, meu amigo. Conheci Amsterdã, Paris e até recebi a benção do papa. Estava indo tudo às mil maravilhas até o Reder quebrar a perna. Então nós tivemos que voltar. Aguentei aquela vida de pão e água por um tempo, mas sabe como é: uns nasceram para passar dificuldade e outros não.

Aí, advogado, aquelas coisas, foi um para um lado, outro para o outro. Com a grana da separação comprei um terreno lá em Niterói.

Eu estava no maior baixo-astral, tomando comprimido para dormir e tudo, quando conheci o Zonga. O Zonga era apontado como revelação no Vasco. Diziam que ia ser o novo Garrincha. Você não se lembra do Zonga? Ele deu o passe para o Roberto Dinamite fazer aquele gol contra o Olaria.

O Zonga era mão aberta. Está vendo essa bolsa? É do tempo do Zonga.

Aí, a gente se casou, estávamos felizes, coisa e tal, quando veio um técnico que não gostava dele. Encostou o coitado. A diretoria, então, decidiu emprestar o Zonga. Proposta daqui, proposta dali, a melhor foi a do Juventus. Não, não é o da Itália. O de São Paulo mesmo. Nem morta que eu ia para lá!

Aí, advogado, aquelas coisas, foi um para um lado, outro para o outro. Com a grana da separação levantei a casa lá em Niterói.

Chegou então o dia que eu conheci o Robson. O Robson era juvenil do América-MG e estavam ajeitando a ida dele para um time da Grécia. Fiquei toda animada e decidi que ele seria o homem da minha vida por uns tempos. Foi aí que aconteceu: um dia, eu cheguei no treino e, quando olhei em volta, vi umas cinco a seis loiras ali grudadas no alambrado. Elas usavam calças apertadas, decotes cavados e pintavam o cabelo que nem eu. A diferença é que eram muito mais novas.

Naquele instante eu percebi que teria que fazer uma reavaliação da minha vida. Era o momento de ir para o interior.

Então vieram os meus relacionamentos com o Nena, do Dracena; com o Décio Pelé, do Sinop; com o Rambo, do Fast, e agora com essa gracinha que é o Silvão, do Ji-Paraná. O quê? Nunca ouviu falar do Ji-Paraná? É, eu sei, jornal de riquinho nunca que vai cobrir o campeonato rondoniense.

Bom, o Silvão já está meio em fim de carreira, mas é um amor. Esse implante foi ele quem pagou. Estamos nos dando superbem, graças a Deus. Só que ultimamente eu ando desconfiada de uma oxigenada que tem aparecido por lá. Hoje em dia a gente não pode bobear. Tem que marcar o tempo todo. Esse jogo é duro, meu filho, esse jogo é duro...

Por Torero às 07h52

Texto da Folha

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Por Torero às 07h47

19/10/2009

O melhor jogo do fim de semana

Sim, eu sei, tivemos jogos importantes. O Flamengo ganhou do líder Palmeiras, o São Paulo perdeu em casa para o Atlético, o surpreendente Avaí venceu o Goiás, o time da estrela solitária perdeu para o das cinco estrelas, o Fluminense conseguiu empatar com o Inter, o Sport ganhou do Corinthians, Santos e Barueri ficaram num merecido zero a zero, o Santo André perdeu de três para o Atlético-PR, o Náutico começou vencendo mas levou uma virada do Vitória, e o Grêmio, mais uma vez, venceu em casa.

Porém, o grande jogo do fim de semana não foi nenhum desses.

O jogo mais importante só recebeu manchetes pequenas nos jornais. Foi disputado em horário ruim e não passou na Globo. Mas, num futuro próximo, quando as mulheres dominarem o mundo, o jogo mais lembrado de hoje será Santos x Universidad Autónoma de Asunción (UAA), pela final da Libertadores.

Não só porque foi uma bela partida, mas porque foi a primeira vez que se decidiu qual era a melhor equipe sul-americana de mulheres.

Sonho erótico

No estádio da Vila Belmiro havia cerca de dois terços de homens. E acho que muitos deles não sabiam se foram ver futebol ou mulheres. Tanto é assim que escutei um adolescente atrás de mim dizendo para outro: “Cara, tive um sonho erótico muito doido: eu estava no vestiário, lavando o chão, e as meninas chegavam para tomar banho. Pô, foi demais!”

Aliás, o leitor e a leitora podem esquecer aquela idéia de que mulher que joga futebol é feia. Havia várias belas em campo. Tanto que tive dificuldade em decidir quem seria minha musa. Minha dúvida era entre a juíza (de roupa de cetim azul, meias pretas, rabo de cavalo e um ar austero e charmoso de mulher de negócios); Érika (loira, alta e centroavante), e Maurine, a ala direita, de traços delicados, cabelos negros e chuteiras cor-de-rosa. Depois de uma observação apurada, me decido por Maurine.

 Maurine, minha musa

Antes do jogo, andando pelos corredores, notei que havia alguns senhores de terno e mulheres de vestidos pretos pela Vila Belmiro. Tudo ficou explicado quando as jogadoras se perfilaram, os homens de terno entram em campo para cumprimentá-las e o sistema de som anunciou: “Neste instante, o presidente da Conmebol, senhor Nicolás Leóz...”, mas nem escutei o resto, porque a torcida começou a gritar “Santos!, Santos!”. Nada como um pouco de irreverência.

O jogo

Quando os times se acertam em campo para esperar o apito da juíza, vejo que o Santos vai jogar no 3-5-2. Na defesa, teremos uma espécie de líbero, a inteligente e loira Carol Arruda, que estará protegendo Janaína, de longos cabelos negros, e Aline Pellegrini, uma zagueira alta e decidida, que não perde um lance. As alas são Maurine, motivo de meus suspiros, pela direita, e a ágil Dani pela esquerda. No meio, duas volantes, a incansável Ester, uma negra de olhos azuis que corre o tempo todo, e Fran, que fica mais fixa na defesa. À frente delas, Marta, a melhor do mundo, que vai alimentar as duas atacantes, a imponente Érika e a veloz Thaís, que usa uma faixa branca para prender os cabelos.

O jogo começa e, antes de o ponteiro dar a primeira volta, Marta já chuta para o gol. Depois, aos 4´, Fran manda uma bomba de longe. O Santos é mais veloz e rouba bolas com facilidade. Parece um time profissional contra um amador, e talvez seja isso mesmo.

Treze minutos é quanto o Universidad resiste. Então Marta cruza na cabeça de Maurine (ai, ai...) e ela cabeceia no cantinho: 1 x 0.

 Carol Arruda, Ela e Érika.

O curioso é que o Santos não recua nem esmorece depois deste primeiro gol. É um time faminto, que quer massacrar o adversário. Não basta vencer, é preciso golear. Uma ambição que já não existe entre os homens.

Três minutos depois, aos 16’, Marta cobra uma falta no ângulo e faz 2 a 0. E no minuto seguinte ela perde uma bela chance, depois de driblar duas adversárias em velocidade. Marta joga para a frente. Nunca dribla para o lado. Ela tem um futebol antigo, de ataque, de beleza.

No resto deste primeiro tempo o Santos perde boas chances, as duas últimas com Maurine, mas eu a perdôo.

No intervalo temos um show de cheerleaders. Se o jogo é feminino, não deveriam ser homens a dançar no intervalo? Nosso machismo aceitaria isso?

Segundo tempo

O Universidad dá a saída e parece mais disposto. Mas o sonho de recuperação dura pouco. Marta faz uma bela jogada, Dani cruza e a loira Érika marca. O ponteiro ainda não havia dado duas voltas.

Três minutos depois, Fran chuta de longe e encobre a goleira. Mais três minutos e é a vez da ligeira Thaís, de 16 anos, fazer o seu. Outros três minutos mais tarde, Érika recebe passe de Fran e faz 6 a 0. Em 11 minutos as meninas fizeram quatro gols.

A torcida se empolga. Primeiro grita “É campeão!”. Depois canta o hino do Santos.

Aos 25’ Marta dribla um monte de paraguaias, vai até a linha de fundo e toca para Suzana, que tinha acabado de entrar. 7 a 0.

Logo depois o Universidad coloca uma menina um tanto gordinha em campo e a torcida não perdoa: “Ronaldo!, Ronaldo!”.

O sistema de som anuncia que há 14 mil pessoas no estádio. Já o vi mais vazio com mais gente. O público da Vila é sempre um mistério.

Dani aos 32, invade a área pela esquerda, dá um chutaço e a bola entra no ângulo: 8 a 0.

A torcida queima seu estoque de fogos.

Aos 35, Pekena dá dois chapéus no meio de campo. 

Ketlen aos 38, depois de passe de Marta, faz nove a zero e a torcida passa a pedir “mais um!”.

O “mais um” quase sai aos 40, quando Marta, por pouco, não marca um gol olímpico. Foi a primeira vez que vi Marta ao vivo. Confesso que pensava assim: “Considerando que é mulher, até que ela joga bem”. Estupidez minha. Ela é craque mesmo. Marta tem o tempo de bola, a arrrancada, o domínio perfeito, o passe imprevisto, o drible torto. É um prazer vê-la jogar. É como ver um Zico. Sem exagero.

 A melhor do mundo.

Faltando um minuto para o fim do jogo, a torcida grita “Olé”.

Logo em seguida a bela juíza apita e as meninas correm pelo campo. Maurine tira a camisa e dispara usando apenas um top. Ah, Maurine...

O Santos é campeão da primeira Libertadores feminina, da primeira Libertadoras da América.

 

Por Torero às 08h28

18/10/2009

O ABC dos atletas que não deram certo.

 
 

O ABC dos atletas que não deram certo.

(Publico hoje, no Sempre aos Domingos, uma seleção com sofisticados personagens. Ela foi enviada por um leitor misterioso, de codinome hillvaley1985)

texto de hillvaley1985

Acácio - logo que foi contratado, pensaram ser a solução para o problema do jogo aéreo, pois era um zagueiro alto e esguio. Mas suas declarações,entrevistas e comentários o fizeram voltar para o Ministério do Reino e acabou se aposentando por lá.

Bentinho - Uma série de boatos a respeito da sua vida sentimental encerrou precocemente a carreira desse promissor centroavante. Nos treinos, sempre que ele cabeceava a bola, os próprios amigos de clube imitavam o som da bola que acabou de ser furada, sonoplastia imitada também pela torcida rival, que idolatrava o volante Escobar.

Creonte - Abdicou da carreira de zagueiro para ser rei.

Daniel - Depois de passar por uma tremenda provação, o ótimo lateral esquerdo largou o futebol, mas afirmou que não teme dirigentes, nem suas feras, e que sua fé é inabalável.

Euricão - zagueirão, natural da Paraíba, parente de Ariano Suassuna, começou a carreira no clube cruz maltino. Mas suas pífias atuações e sua avareza o fizeram voltar pra sua terra natal. Boatos no clube diziam que ele dormia com uma porca de madeira...

Fausto - como pode um atacante medíocre, da noite para o dia, se tornar o melhor do mundo pela FIFA? Como ganhou tanto dinheiro? Como conseguia fazer aquelas firulas e transformações? Entre tantas farras e orgias, desapareceu  e nunca mais foi visto.

Gregor - Advindo do futebol do leste europeu, esse lépido meia-esquerda logo chamou a atenção de todos. Mas exames detectaram uma horrível anomalia em seus genes, tornando-o inapto para o futebol. Vive hoje trabalhando de caxeiro viajante.

Hyde - psicólogos do clube alertaram para a dupla personalidade do atleta. Baixinho e invocado, esse volante era violento e repulsivo. Sua aparência pálida o tornava mais assustador.

Ícaro - filho de um excelente zagueiro que tinha uma ótima impulsão. Muitos acreditavam que ele voava...Ícaro resolveu seguir os passos do pai, mas não seguiu um dos seus conselhos. Se deu mal e acabou caindo no mar do esquecimento.

Jean Valjean - um garoto pobre, orfão, rude, mas muito boa pessoa, de bom coração. Foi revelado por um religioso que via nele um ótimo goleiro. Mas o constante atraso de salário e a necessidade pela qual sua família passava, o fizeram roubar uma padaria e assim foi levado para a cadeia.

Martim - sua paixão por uma índia o fez trocar a meia- esquerda de clubes europeus por um do Ceará, o Pitiguaras. Mas descobriu que sua amada torcia pelo rival, o Tabajaras. Ao voltar de uma pré-temporada, Martim perde a esposa, aí desistiu do futebol.

Policarpo Quaresma - de todos os atletas, o mais patriota e ufanista. Atacante de ofício; pela sua seleção, fez chover. Mas não conseguiu patrocínio de chuteiras, daí foi esquecido. Hoje, por trás dos óculos, ocupa a subsecretaria do Arsenal de Guerra.

Quincas Borba - atacante de rendimento pífio, durou pouco no futebol. Gostava tanto de ler que criou até uma filosofia, o Humanitismo. Tratava-se de um estudo profético sobre a lei do passe livre.

Ricardo Reis - médico por profissão, jogador espetacular por vocação. O legítimo camisa 10. Descobriu-se, porém, que ele se passava por outras pessoas e tinha vários documentos. Às vezes, se passava pelo poeta Alberto Caiero ou pelo engenheiro Álvaro de Campos.

Victor -  no campo, grande meio campista; nos palcos, excelente transformista. Teve que optar por um dos empregos. Decidiu pela ribalta.

Zé do burro - o carregador de piano do time. Volante pegador. Fez um voto ao seu santo: se seu time fosse campeão, carregaria o mascote do time até a igreja da outra cidade.

Por Torero às 08h31

16/10/2009

Seleção da Turma do Chaves

Enviado por Davi Kikuchi

Depois de ler vários textos com times e seleções interessantes, pensei em tentar criar algo do tipo também. O detalhe era que eu precisava de um tema para explorar, o que exigiu um certo tempo de reflexão. E foi assim que me veio à mente... a seleção da turma do Chaves! Por que Chaves? Bem... uma série que ainda continua em cartaz na tevê depois de décadas e que permanece roubando audiência e causando dores de cabeça nos produtores do Globo Esporte merece uma homenagem. Então, eis a seleção:

Goleiro - Senhor Barriga: obviamente, ninguém melhor para a posição do que o sujeito que é capaz de tapar o gol inteiro com a pança.

 

Lateral Direito - Chapolin Colorado: oh, e agora, quem poderá nos defender? Sim, ele! O herói que, além de defender, ataca como ninguém com a ajuda de sua marreta biônica.

 

Terceiro Zagueiro - Godinez: como bom zagueiro, é aquele cara de quem ninguém se lembra até o dia em que aparece fazendo alguma besteira. Ele também é o capitão da equipe, que, depois do sorteio do cara ou coroa antes das partidas, sempre pede para o árbitro tornar a jogar mais uma vez a moeda para o alto. Por quê? Para confirmar o resultado que saiu na primeira vez, né?

Quarto Zagueiro - Dona Florinda: a mamãe querida do Quico defende a grande área com a mesma fibra com que protege seu filho. Menos quando o Professor Girafales volta para ajudar a defesa nos escanteios...

Lateral Esquerdo - Dona Clotilde: com a ajuda de sua vassoura mágica,a bruxa do 71 chega voando no ataque e retorna velozmente para a defesa.

Primeiro Volante - Paty: a doce garota é tão charmosa que deixa os apaixonados adversários com cara de besta. E nem precisa roubar a bola deles, eles mesmos a entregam.

Segundo Volante - Pópis: sabe aquele jogador chato do time, que não faz nada e só reclama? É a Pópis. Além disso, é a dedo-duro que relata os atos de indisciplina e os conflitos internos entre os jogadores para o técnico e para os jornalistas. E para a mãe deles também, obviamente.

Armador - Chiquinha: a mais espertinha do grupo engana todos os adversários com suas jogadas. Pois é, pois é, pois é.

 

 

Ponta Direita - Chaves: o motorzinho do time, o sujeito raçudo que se atira sobre a bola como se ela fosse um prato de comida (o que, no caso dele, significa uma vontade realmente gigantesca).

Centroavante - Professor Girafales: o Quilômetro Percorrido ganha dequalquer um na bola aérea.

Ponta Esquerda - Senhor Madruga: o craque do time, com extrema velocidade e habilidade desenvolvidas ao longo dos meses em que vem driblando magistralmente as investidas do Senhor Barriga em cobrar o aluguel de sua casa.

Técnico - Quico: por que ele é o técnico? O motivo é óbvio: ele é o mais burro de todos! Principalmente quando resolve dar seus malditos coletivos usando bolas quadradas.

Auxiliar-técnico - Dona Neves: a querida avozinha do Senhor Madruga é a voz da experiência.

Médico/Massagista - Doutor Chapatin: quem mais poderia ser?

 

 

Preparador-físico - Jaiminho: é o responsável pelas precárias condições físicas da equipe. Afinal, ele quer evitar a fadiga...

Mascote (ou Massacote, se preferir) - Madruguinha (ou Satanás, se preferir).

Faltou alguém? Talvez... Mas não se esqueça de que o Nhonho,obviamente, é a bola.

 

Por Torero às 06h44

15/10/2009

Onde encontrar craques?

Uma coisa curiosa sobre o encontro com jogadores de futebol é onde isso acontece. Muitas vezes é num treino, mas aí não tem tanta graça, pois já é algo esperado. O mais divertido é quando vemos um craque fora do estádio.

É comum, por exemplo, vermos jogadores no trânsito. Eu mesmo, depois do título paulista de 2006, voltava de moto da Vila Belmiro quando um corcel preto me dá uma fechada. Levantei a viseira do capacete e já preparei o palavrão. Mas eis que quem dirigia o carro era Serginho Chulapa, assistente de Luxemburgo. Em vez de xingar a sua mãe, falei “Grande Serginho!”. Ele respondeu o aceno e foi em frente.

Já o Rodrigo Duarte viu o Juninho Paulista dirigindo. “Só dava pra ver a cabeça..., muito baixinho mesmo.”

Aeroporto

O aeroporto também é um bom lugar para encontrar jogadores. Foi lá que o Marcos Santos, que apesar do nome é são-paulino, encontrou todo seu time. “Era um sábado e o SPFC embarcava para Tóquio para a disputa com o Milan do Mundial Interclubes. Havia vários torcedores, o aeroporto lotado e muita gente tentando pegar autógrafo das estrelas do time na época. Eu vi aquele cara magrinho e ainda tímido, da mesma idade que eu (tinha 20 anos). Era o terceiro goleiro. Fanático que era, gritei: ‘Rogério, boa sorte na sua carreira!’. Ele já estava entrando, voltou e veio me agradecer. Com certeza ele não se lembra, mas acho que deu sorte.”

Também foi em Cumbica que o Edmar Neto se deparou com um jogador e uma falha de memória: “Eu estava comendo um crepe suíço e o Toninho Cerezo sentou do meu lado. Só que eu não lembrava o nome dele. Fiquei encarando o coitado por uma meia hora, quando ele levantou, veio até mim e falou: ‘Sou eu mesmo, Toninho Cerezo’, abriu um baita sorriso e foi embora.”


Restaurante

Os restaurantes também são um habitat natural de jogadores. O Carlos Américo, por exemplo, encontrou o Leônidas da Silva em 1982. “Foi pra lá de emocionante e até hoje me dá um frio na espinha. E olha que eu já tinha meus 24 anos à época e sempre fui palmeirense de carteirinha.”

O Marcelo, de Curitiba, em 1985, com 7 anos de idade, não se esquece de ter encontrado o Toby e o Lela (pai do Richarlyson e Alecsandro) numa lanchonete, depois da conquista do Brasileiro pelo Coritiba. “Eu era muito tímido e ainda fiquei tremendo só de ver os dois jogadores essenciais para a conquista, mas por insistência da minha mãe fui lá e pedi o autógrafo dos dois, papeizinhos que guardei durante anos dentro da capa do LP que tinha toda a narração do jogo contra o Bangu.”

 

Compras

Com seus polpudos salários, é claro que os jogadores são figurinhas carimbadas em shoppings e lojas.

O Alexandre Werner encontrou o tetracampeão Márcio Santos num mercado em Camboriú. “Numa falha de memória comentei que o Mauro Silva estava no mercado. Acho que falei meio alto, porque o Márcio Santos percebeu o comentário e fez uma cara de espanto. Resolvi nem pedir autógrafo e segui com as compras.”

O Regis também falou bobagem, mas de outro modo. Flamenguista roxo, encontrou Zico numa loja de golfe. Pediu para tirar uma foto e, enquanto sua mulher preparava a câmera, sem saber o que dizer, perguntou: ‘E aí Zico, muitas compras?’. “Até hoje sou sacaneado na minha família por causa dessa pergunta ao Galinho.”

O Nasser Dreige, palmeirense fanático, teve a sorte de topar com o Valdívia no Shopping Iguatemi. “Ele estava carregando vááárias sacolas. Eu o parei e perguntei se podia tirar uma foto. Em seguida mostrei-lhe o vídeo em meu celular que eu gravei da torcida do Palmeiras gritando seu nome. Assim que o vídeo acabou, ele me deu um abraço e agradeceu o carinho. Para ele foi um gesto simples ter tirado uma foto com um fã palmeirense, mas eu nunca vou esquecer esse dia.”

Os craques do presente parece que são facilmente encontráveis em shoppings. Já os do passado freqüentam mais os supermercados. Pelo menos foi num deles que o Aylton encontrou o Lance, centroavante do Timão nos anos 70.

 Lance, aqui com a camisa do Santo André.

“Estava com minha esposa, e eis que no corredor, vejo um sujeito conhecido, magrão, careca em cima e com longos cabelos atrás, de óculos etc. Não tinha dúvidas: era o Lance! Sabia que ele morava em Santo André, onde encerrou a carreira, e não tive dúvidas, fui abordá-lo:

- Desculpe, mas você não é o Lance?

A conversa rolou, lembrei de grandes gols, como o que ele fez no 1º jogo da final de 74, uma cabeçada certeira no canto do gol de Leão. Lance ficou feliz de ser reconhecido! Ao nos despedirmos, minha esposa, achando que eu paguei o maior mico, me questionou:

- Quem é esse, e como você vai incomodar uma pessoa assim, que nem te conhece?

- Como assim? Esse é o Lance, pô!

- E daí?

“Dali a pouco, o próprio Lance me procura no supermercado e me deixa seu cartão da empresa que tem na cidade, me convidando para continuar a conversa.”

Mas nem só em shoppings, resutaurantes e aeroportos se encontram jogadores de futebol. Eles podem estar em lugares inusitados, como numa praça, empinando pipa. 


Pipa e urinol

“Encontrei com o Cafu empinando pipa. Isso mesmo, pipa, papagaio, maranhão, quadrado, como você preferir. Foi bem legal, ele estava com os filhos dele e se mostrou um cara muito simples”, conta o Murici Franzin.

Já o André Luiz, de Várzea Paulista ficou, digamos, cara a cara, com o Edmundo num banheiro de bar. “Eu estava lá, tranquilo, naquela solidão, fazendo meu xixi, quando o Edmundo encostou do meu lado para fazer o mesmo. Olhei, fingi que não conhecia e continuei na minha.”

E o Waldomiro Neto encontrou com o Ronaldo num hospital. “Estava eu com uma baita cólica de rim, e resolvo ir ao hospital tomar algum medicamento. Quando entro na sala, vejo alguns seguranças. Mas a dor não me deixou pensar muito. Só queria ser consultado e medicado logo, mas tinha algum 'mané' fazendo um grande exame lá, e me atrasando. Foi aí que resolvi me sentar na maca e falei. ‘Vai demorar aí ou tá morrendo?’. Foi quando uma cara redonda e bem dentuça (cheguei a pensar que estava vendo a Mônica por causa da dor), vira e fala. ‘Já, já, acaba, rapaz. Vai cantando o hino do Corinthians ai’, e sorriu. Foi a primeira vez que vi um grande jogador de futebol. Ele estava fazendo um exame de localizar gordura! Saiu até na TV!

Mas sorte mesmo tem o Lucas Meira, que sempre vê um craque em sua própria casa:

“Já vi muitas vezes o Seu Otávio, meu pai, que em 22 anos seguidos disputando o campeonato do Araçá Campestre Clube, em Cariacica (ES), foi campeão 9 vezes e artilheiro em nada menos do que 16 ocasiões. A última artilharia foi há 3 anos, aos 59 de idade, com 26 gols, quando se aposentou com chave de ouro. O segundo artilheiro tinha 22 anos e marcou apenas 19 tentos... Esse foi o maior que eu já vi!”

 

Por Torero às 06h32

14/10/2009

Texto da Folha

Para ler o texto publicado na Folha de S.Paulo, "Aristocracia e meretrizes", sobre divisão da verba da tevê, assinantes podem clicar aqui.

Não-assinantes podem ler pela edição digital: http://edicaodigital.folha.com.br, mas há buscar o texto no jornal de ontem.

 

Por Torero às 00h15

13/10/2009

Abecê da segunda-feira

Ah...: Interjeição de lamento muito ouvida em Belo Horizonte por estes dias. É que se o time tivesse vencido as duas últimas partidas estaria em segundo lugar, apenas um ponto atrás do Palmeiras. Mas perdeu os dois jogos e está na quarta posição, a sete pontos do líder.

Botafogo: Começou perdendo em casa por 2 a 0 para o Avaí. Mas, com dois gols de Victor Simões se recuperou. O time está menos caipora. Há algumas semanas atrás, o Botafogo certamente teria tomado um gol aos 47’ do segundo tempo.

Cone Pereira!”: Era assim que um torcedor à minha frente chamava Kléber Pereira, que realmente não anda lá se movimentando muito.

Duas horas e cinco minutos: Foi o tempo que um amigo ficou na fila, no sábado, no Pacaembu, para comprar nossos ingressos. Um absurdo.

Escalação: A do Santos foi muito ruim. Como Luxemburgo deixa Madson no banco? E por que três volantes? No segundo tempo, com apenas dois volantes e com Madson em campo, o time melhorou muito. As escalações óbvias costumam dar certo.

Fernandão: Assim como Madson, também começou no banco ontem. Mas seu caso é diferente. Realmente está difícil colocá-lo num time já bem montado. Talvez possa entrar no lugar de Felipe, mas ele é o artilheiro do time. Um quebra-cabeça complicado.

Goiás: Nos últimos três jogos fez apenas um pontinho.

Hélio dos Anjos: “São mil partidas na minha carreira e ainda não aprendi?”, perguntou o técnico do Goiás com certo deboche aos jornalistas que o questionavam depois do empate com o Sport. Alguém poderia ter respondido: “Não mesmo, porque ninguém aprende tudo, tanto que sua mudança, tirando Léo Lima e colocando Romerito, aos 32’ do segundo tempo não deu certo, pois logo depois o Sport empatou.”

Hélio é dos anjos mas sua entrevista nunca é angelical.

Impossível: A luta pela fuga do rebaixamento promete ser sensacional. Não é impossível para nenhum dos quatro deixar os últimos lugares.

Juiz: Wagner Reway, árbitro do jogo entre Santos e Vitória, foi muito mal. Distribui alguns cartões amarelos gratuitos para os santistas, deixou de marcar algumas faltas óbvias dos jogadores do Vitória e, quando o time baiano fez uma falta perigosa no final do jogo, pegou a bola e encerrou a partida. O cara do meu lado disse: “Ah, que saudades do Edílson..., pelo menos era mais discreto...”.

Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima”: O verso de Paulo Vanzolini pode ser aplicado ao Cruzeiro. O time mineiro juntou dez pontos nos últimos quatro jogos e já é o sétimo colocado. Parece finalmente ter superado o trauma pela perda da Libertadores.

Mascote: Eis aqui uma sugestão para o mascote das Olimpíadas cariocas:

Náutico: Não vencia desde agosto, há seis partidas. Voltou a ganhar, e do líder campeonato, ficando a apenas três pontos do Botafogo, o primeiro fora da zona de rebaixamento.

Obina: É o principal artilheiro do Palmeiras no Brasileiro, com 9 gols. Deve voltar a jogar no fim de semana contra o Flamengo e uma torcida que o adora.

Presidente: “Fora Teixeira!” foi o grito que escutei nas arquibancadas depois que Neymar perdeu um gol. Se o garoto tivesse marcado, talvez eles gritassem “Fica Teixeira!”. Não é por estes detalhes de jogo que se julga uma administração, seja a favor ou contra.

Quinhentos: Fui assistir ao jogo com um amigo que desde a metade do primeiro tempo dizia: “Tem que tirar o Luizinho, que está muito mal, colocar o Pará, que está de volante, na lateral direita, e por o Madson no meio”. Depois do intervalo, quando Luxemburgo fez esta modificação, ele olhou para mim e perguntou com certo desconsolo: “Por que eu não ganho quinhentos paus por mês?”

Reforços: O Náutico parecia morto no Brasileiro. Mas contratou o veterano Irênio e o surpreendente Bruno Mineiro, dois jogadores do América-MG, campeão da Série C, e eles levaram o time à vitória sobre o Palmeiras. Foram duas boas aquisições que deram novo ânimo ao time.

Saudade: É o que os atleticanos sentem por Diego Tardelli. Sem ele, o time perdeu os dois últimos jogos e só marcou um golzinho.

Trinta mil: Número de torcedores santistas no Pacaembu, mesmo com chuva. É mais do que o triplo da média na Vila Belmiro. Por que será que o Santos não joga mais vezes em São Paulo?

Uh!: Era o gemido de Guga a cada raquetada. Mas recentemente ele deve ter dito “uh...”, com reticências em vez de ponto de exclamação. É que seu time, o Avaí, começou ganhando as duas últimas partidas fora de casa por 2 a 0, porém acabou ganhando apenas um ponto em cada partida. Poderia estar agora com 43 pontos, na sexta posição.

Vai-e-vem: Dos cinco líderes, nenhum venceu. Dos cinco últimos, só um perdeu: o Santo André, para o lanterna Fluminense. Nos campos, nem tanto, mas na tabela de classificação o campeonato está ótimo.

Xodó: Diego Souza, o xodó dos palmeirenses, realmente faz muita falta. Se ele sair no fim do ano, Valdívia parece ser o único substituto à altura.

Zaranza: Atrapalhado, atordoado, Kléber Pereira.

 

Por Torero às 06h35

11/10/2009

Seleção alimentícia

 
 

Texto de Marcelo Lyra

Pegando carona na seleção de apelidos, o futebol brasileiro é um prato cheio para uma seleção alimentícea.

Do que lembro, são esses, já dá um time (quando não tinha em atividade, recorri a antigos famosos)

Goleiro: Manga (ex-Internacional).

 Dava gosto ver o goleiro Manga.

Lateral direito: Eduardo Arroz (Ponte Preta). Na reserva, Maisena, do Fortaleza.

Zagueiro: Marcelo Batatais (São Caetano).

Zagueiro: Alfredo Mostarda (ex-Palmeiras).

Lateral Esquerdo: Triguinho (Santos), reserva: Pirão (Ponte).

 Triguinho joga o arroz-com-feijão.

Volante: Coquinho (Brasiliense).

Segundo Volante: Ademir Sopa (São Caetano).

Meia de Ligação: Rodrigo Broa (Campinense).

 Broa faria uma boa dupla com Fubá, ex-Corinthians.

Atacantes: Márcio Mixirica (Ponte); Nilton Batata (ex-Santos); Rubens Feijão (ex-Santos)

O Boquita, do Corínthias, quando enfrentasse esse time, iria se destacar na marcação, pois iria engolir meio time.

O Preparador físico seria o Filé.

O técnico seria o Roberto Cavalo, do Paraná Clube, que com o Filé faria uma dupla Filé à cavalo.

Para acompanhar o time da comida, que tal o Conca Cola?

E o clube time poderia jogar no Caldeirão da Vila. Mas se enfrentasse o Papão, estaria frito!

 

Por Torero às 06h05

10/10/2009

Au, tá...

 
 

Au, tá...

Texto de Lino e Cláudio Porto

- Au, quer dizer, oi! Eu sou o Turbo, cachorrinho do Bruno. Quer dizer, cachorro do Bruninho. Gosto do Bruninho porque ele sempre me dá pizza de ontem, daquelas bem torradas e duras, com um leve cheiro de mussarela... E eu também detesto futebol.

Três foguetes estouram ao longe.

- Ouviram? Odeio futebol porque logo depois vêm os foguetes e como eu ouço muito demais, os meus ouvidos doem.

Mais foguetes e gritos de “é campeão!” ao fundo.

- Pensava que tio Lino e tio Cláudio torciam pelo mesmo time preto e branco, mas descobri que quando um estoura foguete, o outro está triste. Então só podem ser dois times de preto e branco diferentes, porque quando um está com a camisa do time, o outro nem aparece.

Bruno chega da rua, suado e cansado, e vai direto pro vídeo-game. Turbo fica só olhando, quieto, sem entender, pensando na sua boa vida de cão.

- Acredito que existam mais times de preto e branco no mundo, porque dia desses também soltaram foguetes e meus tios estavam tristes. Logo, deve haver pelo menos três times de preto e branco no mundo do futebol. Abanei o rabo pra ver se alegrava os dois, mas quase que me deram um pontapé no traseiro.

Bruno vai ao banheiro, sai sem dar descarga nem lavar a mão, passa a mão na cabeça do Turbo, que agradece e corre saltando atrás do menino.

- Sei que o time do tio Lino é o maior campeão do mundo que existe. Todo começo de verão, no meio da noite, um monte de gente veste a mesma camisa branca dele, estouram champanhe e, claro, foguetes. São tantos que tenho que me esconder na minha casinha. São quase duas horas de comemoração sem parar.

Turbo belisca um pedaço de pão velho que alguém deixou cair.

- Esses humanos são muito estranhos. A cada quatro invernos eles se vestem de amarelo e torcem todos pelo mesmo time durante dias. Depois tudo acaba como se nada tivesse acontecido. Sei que são quatro invernos porque da primeira vez que percebi isso eu tinha dois invernos, depois se repetiu no meu sexto inverno. Hoje eu tenho mais de sete invernos. O Bruninho pensa que eu sou criança que nem ele. Eu finjo que sou para alegrar ele e ganhar uns pedaços de pizza de ontem sabor três queijos, que são as guloseimas que eu mais admiro.

- Bruno, vá se lavar, que tá fedendo! Grita a mãe do Bruninho.

- Saco isso de ter de se lavar. De vez em quando eles me pegam na marra e me dão um banho. Odeio banho que nem futebol. Gosto do meu cheiro e do meu pêlo assim, dessa cor meio branca, meio cinza, tipo um marrom claro... Só o Bruninho não liga pro meu cheiro. Eu também não ligo pro cheirinho dele, pois quando ele chega de mansinho perto da minha casinha, pra me dar um susto, eu nem preciso abrir o olho pra saber que é ele. Aí eu finjo que me assustei, ele me pega, me enche de carinho torto e a gente brinca um monte. Super divertido.

Foguetes.

- Quem será que foi campeão hoje? Tio Cláudio e tio Lino estão quietos. Não vi ninguém com roupa estranha. Pode ser o time do seu Nelson da venda. Os foguetes vêm de lá. Ou será o do seu Aristides, que torce pelo time de preto e vermelho. Falta de criatividade nos pêlos desses humanos. Sempre cores óbvias. Não têm a criatividade dos cachorros e gatos... Caim, caim !!!!

Quase pisaram no rabo do Turbo enquanto ele andava distraído pela casa.

- Ufa, foi por pouco! Veja o Epaminondas, com seu pêlo marrom brilhante. Tá certo que ele tem um corpo mais comprido que o nome, fora aquelas orelhas ridículas que andam se arrastando pelo chão... Tem também a Latifa, que é uma gata no sentido certo da palavra, com um pêlo verde-mato que eu até agora não vi em nenhuma camisa, nem mesmo quando aquele bando de italianos ficou comemorando até tarde da noite. E a Pâmela, baita cadela da vizinha, no bom sentido, que tem um pêlo lustroso, oleoso, e quando volta da petshop, toda garbosa, com aquela cor caramelada que só ela tem?!
 
- Sai lá pra fora cachorro fedorento! Grita a avó do Bruninho.

- Tá bom, só queria saber quem ganhou...

Nisso, um bando de cinco parentes invade a casa.

- Timão ê ô! Timão ê ô!

- Ah, são aqueles da família que só aparecem aqui em casa quando o time deles ganha, lá uma vez ou outra. Agora percebi que são eles os terceiros de preto e branco do mundo do futebol. Se bem que tem um de berinjela azulada no meio. E eu detesto berinjela...

- A gente trouxemos um engradado gelado, berrou um deles, como se todo mundo fosse surdo.

- A única coisa boa dessas comemorações é que sempre tem pizza. Aí eu durmo tranqüilo porque sei que amanhã vai ter um monte de borda crocante pra eu mastigar...

- Olha o Turbo aí, gente. Vamos pôr o manto alvinegro nesse vira-lata!

- Au-au-au, respondi o mais ferozmente que pude.

Mais foguetes.

- O tempo continua frio. Pelo visto, este ano o verão vai demorar pra chegar...


(Bruno cresceu, aprendeu a tomar banho, mas não a gostar de futebol. Turbo, vira-lata de raça, morreu atropelado há uns dois anos, deixando-nos um imenso vazio).

Por Torero às 11h12

09/10/2009

Altos autógrafos

Uma assinatura num papel não é grande coisa, mas todo mundo tem um autógrafo em casa. Eu tenho um do Pelé numa camisa da seleção. De certa forma, a assinatura é um pouco da própria pessoa. É algo que só ela tem, algo único e inimitável (se não pensarmos nos falsificadores, é claro). Daí que termos o autógrafo de ídolo é como termos um pouco dele conosco, uma prova de que estivemos juntos por um momento.

Quando perguntei aos leitores quando eles haviam visto um jogador de futebol ao vivo, muitos, mas muitos mesmo, me responderam narrando o momento em que pediram autógrafos a seus ídolos. Mesmo que este ídolo tivesse feito um gol contra a poucos dias, como foi o caso do Victor Manuel de Brito, de Fortaleza, que encontrou o Nasa, do Vasco:

“Foi muita emoção encontrar um jogador do meu Vascão num casamentozinho perdido, lá no Crato. Foi fantástico! Ele autografou minha camisa nova, que nem era do time nem nada, era camisa de passear mesmo”.

Para desgosto de Victor, a primeira coisa que a empregada fez, quando viu aqueles rabiscos na blusa, foi lavá-la.

Nem todos têm o desprendimento de sacrificar sua camisa. O Thiago Napoleão viu Alex, do Palmeiras, na fila do Palycenter. Mas não pediu um autógrafo e se arrependeu: “Na hora fiquei com dó de riscar a camisa que mais amava na época.”

Às vezes a emoção é tanta que o fã nem consegue pedir o autógrafo. O que aconteceu com o Mário Loureiro é perfeitamente compreensível. Ele participou de um almoço onde havia uma constelação de craques: Mengálvio, Dorval, Coutinho, Zito, Pepe, Clodoaldo, Lino, Edu etc... E Mário, precavido, levou camisa e caneta de tecido. Mas não conseguiu pedir uma única assinatura. “Na hora H, amarelei.”

Quem não amarelou foi o Diego. Com 14, ele estava trabalhando na festa da Achiropita. E, com o avental todo sujo de molho de tomate, esbarrou em Ademir da Guia. Ficou um tempo de boca aberta, mas depois conseguiu controlá-la e disse:

“Meu pai e meu irmão são teus ídolos, estou muito feliz de te conhecer".

O Divino deu um sorriso, apertou sua mão, e Diego perguntou se ele ficaria no salão. Ademir respondeu que sim. Foi a senha para Diego correr até sua casa, buscar a camisa 10 que seu pai tinha lhe dado, e conseguir um autógrafo do craque.

“Quando entreguei a camisa para meu pai, ele chorou e eu comecei a chorar junto com ele.”

Nem sempre os autógrafos são colocados em camisas.

Os cínicos dizem que o único autógrafo que realmente vale a pena é o que vem nos cheques, e se ele tiver fundos. A Maria Eliza quase conseguiu isso. Em novembro de 2002, ela estava indo para o West Plaza a pé quando, no posto na esquina da Turiassu, viu o goleiro Marcos, do Palmeiras em seu carro (aliás, que falta fizeram o Diego Souza e o Armero ontem, não?). Ela se aproximou e pediu um autógrafo, que foi dado na contracapa do seu talão de cheques. Por brincadeira, Marcos pediu um cheque em branco. “Então eu disse para ele que poderíamos fazer uma troca: eu dava um pra ele e ele me dava um...” Os dois riram e ninguém deu cheque nenhum.

O David Pimentel, de BH, estava jogando bola na rua com uns amigos quando percebeu que tinha um rapaz lavando o carro na calçada um pouco mais a frente. “Daí cheguei nele e perguntei: ‘Você é o Márcio Santos?’. Logo que ele confirmou, corri pra casa pegar meu álbum de figurinhas do Campeonato Brasileiro e pedi pra ele autografar em cima da figurinha dele.

Já o Francisco Mederiros Junior pegou um autógrafo do Valdívia num documento importante: “Estava eu no Bradesco da av. Antártica, puto da vida com a demora, até que olho para trás. Lá estava o Mago no caixa eletrônico. Logo gritei ‘Magoooooo!’. Saí da fila, pedi uma caneta emprestada e retirei da pasta o primeiro papel que vi: a xérox autenticada da minha certidão de nascimento. A partir daquele momento meu humor mudou rapidamente. Voltei para o final da fila, enfrentei-a novamente mas com um sorriso no rosto! Volta, Valdívia!”

O Elcio Barbosa, que também estava sem papel quando viu o ídolo corintiano Zé Maria, pegou a assinatura do craque em sua mochila. “Guardei aquela mochila enquanto o tempo permitiu, mas a sujeira da poluição se encarregaria de apagá-la.”

Maradona x Dinei

O autógrafo depende totalmente da importância e do amor que se tem pelo autografante. O Márcio Pedrassoli, por exemplo, conseguiu uma assinatura do Maradona. Ele estava num shopping em Campinas, e o craque argentino estava na cidade para a inauguração de um centro esportivo de seu amigo Careca. Pois o Márcio encontrou o Pibe de Ouro numa loja de biquínis, comprando um para a esposa. “Eu não poderia perder a oportunidade e pedi um autógrafo para o Maradona, que muito gentilmente escreveu nas costas da minha camiseta: ‘Diego 10’. Guardava este troféu em casa, quando alguns meses depois a faxineira lavou a camiseta, apagando o autógrafo..."

E o mesmo tem outra história de autógrafos, parecida mas totalmente diferente. No dia seguinte ao que o Corinthians foi campeão mundial, ele estava no Guarujá. Acordou cedo e foi caminhar na calçada da praia. Então sai um menino da areia gritando para a mãe que tinha visto o Dinei. O Dinei que havia jogado no dia anterior.

“Entrei na praia e encontrei o Dinei. Tirei a camiseta que eu estava usando e pedi para o Dinei autografar. Ele pegou a camiseta e disse: ‘Mas é uma Armani?’. Eu falei que não tinha problema, que era velha. Então ele autografou. Voltei para casa e mostrei aos amigos, inclusive para um palmeirense que tinha secado o Timão no dia anterior usando uma camiseta do Palmeiras toda autografada. Depois de tirar sarro com todos, voltei para casa. Mas esta camiseta eu mesmo pedi para ser lavada.”

 

Por Torero às 07h59

08/10/2009

Os vilões do Santos

 
 

 Texto de David Hepner

Fábio Costa é o Dr. Octopus: Com defesas incríveis, parece ter oito braços. Mas na maioria das vezes ele usa os membros para dividir o adversário ao meio.

George Lucas: Com esse nome, só pode ser o Darth Vader.

Domingos é o Juggernaut (Fanático): Inteligência não é seu forte e já vai quebrando tudo o que vê pela frente.

 Domingos e sua lustrosa cabeça aterrorizam os adversários.

Fabão é o Frankenstein: Violento, mas no fundo tem bom coração.

Léo é o Charada: Aparece de surpresa no ataque. Perigosos, seus cruzamentos são sempre um ponto de interrogação para o adversário.

Émerson é o Mum-Rá: Mesmo em sua forma decadente, permanece eterno. 

 O veterano volante veio do mundo dos mortos, mas anda meio morto em campo.

Rodrigo Souto é o Coringa: Pode atuar tanto no meio como na zaga.

Ganso é o Pinguim: Desengonçados, mas são duas aves terrivelmente perigosas para o adversário.

Neymar é o Venom: Um vilão jovem e poderoso, mas não pode ouvir o som da torcida adversária que treme e se desmancha todo.

Madson é o Duende Verde: Voa pelo campo, mas não faz nada que preste e mesmo assim se acha f...

Kleber Pereira é o Lex Luthor: Mesmo com a kriptonita na cara do gol, fica sempre no quase.

Wanderlei Luxemburgo é o Lord Voldemort: Se acha o maior mago de todos os tempos e domina seus comandados com mão-de-ferro.

  Luxemburgo: roupas elegantes, palavras nem tanto.

 

Por Torero às 08h13

07/10/2009

Perdão e reencontro

 
 

 

(Publico aqui um dos emails que recebi sobre a emoção de encontrar um ídolo. Sexta-feira postarei o primeiro texto sobre o assunto)

 

Texto de Wolney Bullara Arjona

 

Num dia como outro qualquer, meu pai foi me buscar na escola. No caminho de volta pra casa ele contou que o Palmeiras havia vendido o Leivinha para um time espanhol. Demorei alguns minutos (na verdade muitos) para assimilar aquela informação. Como assim? Por que ele tinha feito isso? Como ele ia abandonar a torcida e principalmente eu para ir jogar lá na Espanha? Que significado teria agora aquele número 8 que eu tinha estampado em todas as minhas camisas de futebol??? Em plena época do "Brasil: ame-o ou deixe-o" ele ia embora? Confesso que minha mente infantil não conseguia compreender nada daquilo. Muito menos aceitar. Não sei dizer se o meu choro era de raiva, tristeza, agonia, desespero ou até mesmo, talvez, uma antevisão dos 16 anos sem títulos que estavam por vir. Apenas sei que chorei muito e magoado.

Nos anos seguintes, a ausência dele era ainda mais forte do que sua presença pois ninguém era capaz de substituí-lo e tive que ver o São Paulo e os são-paulinos crescerem e multiplicarem-se como se Deus houvesse, enfim, resolvido tomar algum partido e, já que era assim, tinha escolhido alguém do seu próprio círculo social!

Os anos continuaram passando, eu segui minha vida, tornei-me adulto. Durante algum tempo acalentei o sonho de trabalhar fora mas lembrei exatamente daquele dia e das sensações que experimentei e muito embora minha torcida, constituída basicamente da minha mulher e duas filhas (uma corintiana!), seja infinitamente menor que a dele, sempre vou gostar muito mais de jogar pra ela do que pra qualquer outra. Afinal, até mesmo quando dou uma bola fora eu sou aplaudido.

Por fim, chegamos ao dia em que a escola de minhas filhas (o mesmo colégio italiano no qual estudei) levou os alunos ao CT do Palmeiras para assistir a um treino e conversar com os jogadores. Obviamente que eu também fui, na condição de alviverde pai zeloso. Logo na entrada do ginásio avistei o César Maluco, amparado por muletas, e fiquei pensando que aquela imagem não combinava com ele. Mas como ele mesmo parecia não ligar muito pra elas, resolvi não ligar também.

Outros antigos jogadores foram aparecendo, os boatos sobre a presença do Ademir da Guia foram ficando mais fortes, mas eu me peguei ali, de repente, procurando ele no meio da multidão. Bem que o Leivinha podia aparecer, né? 

Foi então que meu irmão (também na condição de alviverde tio zeloso) me cutucou e disse, assim como quem não queria nada: "aquele lá não é o Leivinha?". Voltei meus olhos para a direção em que ele apontava e vi o antigo camisa 8. De repente, comecei a ver todos os seus gols e as minhas comemorações, vi a minha infância revisitada, vi o dia em que chorei por ele ter ido embora e, para minha surpresa e desconforto, quase me pego chorando de novo. O engraçado é que não havia nenhuma mágoa, apenas admiração.

Aquele homem que estava ali na minha frente tinha protagonizado momentos importantes de minha infância e jamais saberia disso. Ou melhor, jamais? De jeito nenhum! Eu iria agora mesmo dar um abraço nele e tirar uma foto. E foi exatamente o que fiz. Fui até ele, me apresentei e disse que queria muito tirar uma foto com ele. Foto batida, história contada, dever cumprido. Enquanto isso, minhas filhas corriam atrás do Valdívia que pode até ser um bom jogador, mas pra quem já viu Leivinha não tem a menor graça, né?

Assim termina a minha história, ou melhor, o meu email, porque a história, na verdade, não termina nunca.

 

Por Torero às 08h25

06/10/2009

Zé Cabala e o vapt-vupt

(Conforme a sugestão do leitor Alexandre Fonseca, de BH, republico aqui o texto sobre Kafunga, publicado originalmente em 8/11/02)

 

Logo que Gulliver abriu a porta, perguntei-lhe:

- Posso falar com o mestre?

- Ele está na vizinha, disse o anão (ou deficiente vertical, como ele prefere ser chamado).

- Na vizinha? Ele está fazendo um atendimento espiritual a domicílio?, perguntei.

Depois que parou de rir, Gulliver respirou fundo e falou:

- É, é mais ou menos isso. E ele me disse que não quer ser interrompido por nada deste mundo.

Cinco minutos e R$ 200 depois, estava diante do guru dos gurus.

- Mestre, desculpe interrompê-lo, mas é que eu gostaria de conversar alguns minutos com aquele que foi o maior goleiro da história do Atlético-MG.

O maharishi dos maharishis começou então a dar saltos, a fazer pontes e a quicar bolas imaginárias contra o chão para depois chutá-las para o alto. No fim, suado, veio até perto de mim, estendeu a mão e disse:

- E aí, tudo barra-limpa? Kafunga ao seu dispor. Você sabe que comigo não tem corê-corê. Vamos lá trocar uma idéia, mas, olha, tem que ser vapt-vupt, viu?

- Tudo bem. Primeiro, queria saber o seu nome verdadeiro.

- Olavo Leite Bastos. Sem graça, né? Qualquer um poderia ter sido um Olavo Leite Bastos, mas só eu fui Kafunga.

- O senhor era mineiro?

- Mineiro de Niterói. Fui contratado depois de um jogo da seleção mineira contra a carioca, isso lá em 1933.

- E o senhor se deu bem em Belo Horizonte?

- Muito! Passei 50 anos lá. Fui comentarista esportivo e até vereador, mas morri sem aprender a falar uai.

- É verdade que o senhor declarou que tinha entrado na política para se arranjar?

- Falei o que muitos pensam, mas não têm coragem de falar. Felizmente hoje o povo evoluiu, ficou mais instruído e não votaria num candidato só porque ele foi ídolo de um time de futebol.

- Na sua fase de comentarista, o senhor inventou um monte de expressões, não foi?

- Eu era um comentarista barra-limpa, falava vapt-vupt, já que comigo não tinha corê-corê.

- E no Atlético o senhor foi titular por duas décadas?

- É, meu rapaz, foram tantos jogos que eu até perdi a conta. Estreei numa derrota para o Vila Nova daqui de Nova Lima, mas evitei o pior e não saí mais. Fui muito feliz debaixo daquelas traves. Depois vieram o Renato, o João Leite, o Velloso, mas até hoje a torcida do Galo me elege como o maior goleiro de todos os tempos.

- Eu li que o senhor sofreu cinco derrames antes de passar para o andar de cima.

- Até nessa hora eu quis fazer milagre, mas não adianta: até o melhor dos goleiros acaba tomando o gol final.

Logo depois, Zé Cabala fez umas caretas, emitiu uns grunhidos engraçados e voltou a ser o supremo carteiro dos espíritos. Pensei em beber um pouco mais de sua incomparável sabedoria, mas, naquele mesmo instante, a tal vizinha apareceu na janela com um decote cavado e gritou:

- Cabalinha, seu espírito de porco, vamos ou não vamos acabar a nossa sessão?

Então, ele ajeitou o turbante e cochichou em meu ouvido:

- Acho que vou ter que fazer um negocinho vapt-vupt, senão vai ter corê-corê.

A mim não restou outra coisa a fazer, a não ser erguer meu polegar e dizer:

- Barra-limpa!

Por Torero às 08h55

Texto da Folha

Para ler "A Gozação do dia seguinte", assinantes da Folha e do UOL podem clicar aqui. Os não assinantes, aqui.

Por Torero às 08h51

05/10/2009

ABC do fim de semana

Alvicelestes: Avaí e Cruzeiro fizeram um jogo cheio de surpresas. O Cruzeiro tomou a frente, cedeu o empate, retomou a frente e, aos 46’ do segundo tempo, recedeu o empate.

Bahia: É um dos clubes mais amados do país, mas torcida não entra em campo e, neste fim de semana, o time entrou na zona de rebaixamento para a Série C.

Chapecoense: Pelo primeiro jogo das semifinais da Série D, o Chapecoense foi ao Maracanã e perdeu para o Macaé por 2 a 0. No Pará, no estádio Colosso dos Tapajós, o São Raimundo ganhou por 3 a 1 do Alecrim-RN, que teve como técnico o seu meia Leandro Sena.

Defesa: De todas as defesas do fim de semana, a mais bonita que vi foi do goleiro Muriel, da Portuguesa. Ele foi pego no contrapé, mas esticou-se feito um Homem-Borracha mandou a bola para escanteio.

Empate: Grêmio e Sport tiveram um empate movimentado: 3 a 3. O Sport esteve três vezes atrás, e recuperou-se três vezes. Magrão, o goleiro do time pernambucano, até defendeu um pênalti. O rubro-negro não está morto, ainda pode escapar do rebaixamento.

Fla-Flu: No jogo com maior público no ano pelo Brasileiro, dois gols e belos lances do Adriano, o ressuscitado.

Galo: Venceu o Barueri e voltou ao G-4. O uruguaio Carini parece ser um bom substituto para o goleiro Aranha. Até defendeu um pênalti.

Harlei: O goleiro do Goiás também defendeu um pênalti. Mas tomou três gols do Botafogo. Seu time caiu duas posições e foi para o quarto lugar.

Internacional: Foi a Curitiba, perdeu por 2 a 0 e saiu do G-4. O time gaúcho prometia fazer um grande campeonato. Mas até agora não cumpriu.

Jenson Button: Está a um terceiro lugar de seu primeiro título na F-1. Mas, se as duas próximas provas tiverem o mesmo resultado da de ontem, Vettel será o campeão.

Lindo: Adjetivo aplicável ao gol de Jonas contra o Sport. Pegou de primeira e mandou no ângulo, coisa que muitos tentam e poucos conseguem.

Mendes: O jogador do Juventude é um dos líderes da artilharia da Série B, com 13 gols. O baiano de 1,87m começou no Galícia e passou por Catuense, Figueirense, Vila Nova, Náutico, Mogi Mirim, Guarani, Portuguesa, Vitória, Portuguesa Santista, Peñarol e Estudiantes (VEN) antes de chegar ao time gaúcho. Agora, aos 33 anos, vive o melhor momento da carreira.

Nena: Foi o artilheiro da Série C jogando pelo ASA de Arapiraca, onde se sagrou vice-campeão. Mas chegou à Série B antes do time alagoano, pois no resto de 2009 defenderá o Vila Nova-GO. Já fez três partidas e marcou um gol.

Oito: Número de gols no jogo entre América-RN e Campinense. Um 4 x 4 de dar gosto. O América fez 2 a 0, o Campinense virou para 3 a 2, o América revirou para 4 a 3 e o Campinense empatou aos 48´ do segundo tempo.

Pontaria: Corinthians e Atlético-PR fizeram um bom jogo. O time paulista chutou bem mais. Mas o paranaense teve uma pontaria muito melhor. Resultado final: Quantidade 1 x 3 Qualidade.

Quase: Eu quase ganhei a Toreroteca, pois falei que o gol sairia aos 37' do segundo tempo. Mas o Daniel, de Sete Lagoas, acertou na mosca: 31' do segundo tempo. Uma verdadeira Mâe Dinah.

Rio: Tudo indica que os Jogos Olímpicos serão um grande Pan. Ou seja, com mais gastos absurdos, mais elefantes brancos e mais falsas promessas.

Santos: Grande vitória por 3 a 1. Mostrou sua flagrante superioridade e provou que o time é o favorito ao título. É claro que estou falando da equipe feminina, que venceu o White Star na estréia da Libertadores. Os gols santistas aconteceram no primeiro tempo (dois de Cristiane e um golaço de Marta). O White Star marcou nos acréscimos.

Trinta e nove: Número de segundos que o Santo André levou para fazer seu gol contra o Vitória. Nos outros 89 minutos e 21 segundos, mais nada aconteceu, e assim o time paulista sai da zona de rebaixamento.

Último: Na Série A é o Fluminense, que está a sete pontos do 16º. colocado. Escapar da Série B parece uma missão impossível.

Virada: Foi o que o Palmeiras conseguiu sobre o Santos. E sem grande dificuldade.

Xabu: Problema, vexame. Situação do Santos, que perdeu suas duas últimas partidas e saiu fora da zona de classificação para a Sul-Americana. Se continuar assim, daqui a pouco terá pesadelos com o rebaixamento.

Zebra: Botafogo. Não pela camisa listrada, mas porque o time carioca vence quando todos esperam o contrário. Ontem ganhou do Goiás, em Goiânia, por 3 a 1. E ainda desperdiçou pênalti.


PS: O título de hoje foi mandado por Rafael Camillo.

Por Torero às 00h40

04/10/2009

Sempre aos domingos: Ah, tá...

 
 

Sempre aos domingos: Ah, tá...

Texto de Lino e Claudio Porto

Meu nome é Bruninho, mas pode me chamar pelo meu apelido: Bruno. Eu tenho mais ou menos seis anos e meio, e dois tios bem chatos. Eles ficam tentando o tempo todo me convencer a gostar de futebol e a torcer pelo time deles, mas eu não gosto de futebol. Eu só gosto um pouco de ciências, de pizza e de brincar com o Turbo.

No Natal, meu tio Lino me deu uma camisa do Santos de presente. Eu não gostei nem da camisa nem do nome do time. A camisa era toda branca com uma propaganda bem no meio. Só era boa pra dormir, porque o meu pijama já tava meio velho mesmo. E meu pai vive me dizendo que eu não sou nenhum santo.

No meu aniversário, meu tio Cláudio me deu uma camisa do Botafogo. Eu gostei do nome do time. Minha mãe nunca deixa fósforo perto de mim, porque eu vivo fazendo experiência com fogo. A camisa era listrada e se parecia com aquelas roupas que os presos usam nos filmes, só que com a listra ao contrário. E tinha também uma propaganda no peito, e logo dum refrigerante que eu não gosto.

Um dia eu vi um guri com uma camisa igual. Aí eu perguntei se ele era botafoguista. Ele ficou furioso e falou:

- Cê é burro, hein, Bruninho. Cê não vê que essa é a camisa número 2 do Santos?

Eu não sabia que tinha camisa número 2, então eu só respondi:

- Ah, tá...

O pior foi quando eu vi um menino com uma camisa parecida com a do Santos que o tio Lino tinha me dado. Quer dizer, com a camisa número 1 do Santos. Aí eu perguntei se ele era santense que nem meu tio. Ele ficou p da vida e me disse:

- Pô, Bruninho, tu não entende nada de futebol. Tu não vê que essa é a camisa número 2 do Botafogo?

- Ah, tá...

Eu fiquei meio confuso com essa história, mas depois eu descobri que na verdade meus dois tios torciam era pro mesmo um time, só que um era o número dois do outro, se é que vocês entendem o que eu quero dizer.

Um dia a gente tava no shopping comendo pizza, quando passou um bando de moleque fazendo mó bagunça, com uma camisa mó legal, preta e vermelha com uma propaganda no meio. Meu tio Lino explicou que era do Flamengo e que era a maior torcida do Brasil. Devia ser mesmo, porque eles eram uns seis com a mesma camisa.

No outro dia, lá no colégio, eu vi um guri com uma camisa do Flamengo, só que com as listras ao contrário, que nem a do Botafogo número 1 e a do Santos número 2. Então eu falei pra ele:

- Pô, legal essa tua camisa número 2 do Flamengo.

O guri ficou bem brabo comigo.

- Ô, piá, vai dizer que tu não sabe que essa é a camisa do Atlético Paranaense?

Eu não sabia que o Atlético tinha nascido no Paraná, então na dúvida eu só falei:

- Ah, tá...

Pra piorar, um dia desses um colega meu foi com uma camisa listrada, igualzinha a do Santos número 2 e a do Botafogo número 1. Aí eu perguntei pra ele se ele era santense ou botafoguista, porque num dos dois eu ia acertar. Aí ele ficou fulo comigo:

- Uai, Bruninho, tu não vê que essa é a camisa do Atlético?

- Nem vem, a do Atlético eu sei que é vermelha e preta!

- Seu tanço! Aquela é do Atlético Paranaense, essa é do Atlético Mineiro!

Eu pensava que quem nascia no Paraná era paranaense e não mineiro. E me lembro bem da professora explicando que mineiro é quem trabalha em mina de carvão. Mas como o guri era bem maior que eu e esse pessoal do futebol é meio nervoso, eu achei melhor só concordar com ele:

- Ah, tá...

Eu já tava ficando bem chateado com essa coisa de futebol. Não sei como podem gostar tanto de um jogo tão sem graça. Mas aí eu vi três moleques, cada um com uma camisa diferente e uma mais legal que a outra. Uma era tão amarela que dava pra achar a gente no escuro. A outra era um verde assim tipo meio a limonada fraquinha que a minha avó faz. E a terceira era um azul bem legal, parecia pintada com lápis de cor. Aí eu perguntei pra eles os times que eles torciam e os três responderam juntos com tanta força que eu até me assustei:

- Verdão!!!

- Mas que verdão, se só tem um de verde e bem fraquinho?

- Ô Bruninho, seu burro, vai dizer que você não conhece o Palmeiras?

Eu não entendi mais nada. Então o Palmeiras tem três camisas? Meu tio Cláudio depois explicou que são camisas comemorativas. E me disse também que o apelido da torcida é porco.

Dessa parte eu gostei. Minha mãe vive dizendo que eu sou bem porquinho porque quase não tomo banho, então eu decidi torcer pro Palmeiras. E o time tem três camisas bem diferentes que dá pra usar uma pra cada dois dias da semana! No domingo eu uso uma do Pink Floyd que o tio Lino me deu.

Quando meus tios ouviram o que eu tinha dito, pronto, quase tiveram um ataque e ameaçaram nunca mais me dar presente se eu torcesse praquele time de italiano.

- Mas italiano faz pizza e a gente gosta de pizza.

- Não adianta. Se virar porco, nunca mais te dou carrinho.

- Nem no dia das crianças!, gritou meu tio Cláudio.

Então eu resolvi obedecer, mas eu tava louco pra ganhar uma camisa igual àquela amarela que mais parecia um farol de caminhão quando tem cerração. Então eu disse:

- Ah, tá...

Mas logo eu mudei de idéia porque vi uns carinhas com uma camisa branca quase igual do Santos número 1 e do Botafogo número 2, e outro com uma camisa preta riscadinha parecida com a do Botafogo número 1, só que com as listras brancas bem fininhas, e um outro com uma camisa roxa, que mais parecia uma berinjela, apesar de eu odiar berinjela. Eu nem precisei perguntar que time eles torciam, porque eles logo gritaram:

- Timão e ô! Timão e ô!

Gostei do nome do time: Timão. Nada de nome esquisito. Se bem que um gritou “é Coringão, mano!”. Pensei que ele tava jogando baralho, mas era o nome número 2 do Timão. Achei massa.

Aí meu tio Lino explicou que o nome certo é Corinthians. Aí eu não gostei mais, muito comprido. E também me falou que eles são gambás. Dessa parte eu gostei bastante, porque minha avó vive dizendo que eu fedo que nem gambá, só porque não gosto muito de tomar banho.

Quando eu falei que queria uma camisa do Coringão, quer dizer do Timão, meus tios ficaram doidos.

- Ficou louco, Bruninho? Se aparecer com camisa do Corinthians nunca mais eu te pago pizza, sorvete, hambúrguer, vídeo-game... Mais nada. Tem que torcer é pro peixe.

- Mas eu não gosto de peixe. Eu gosto é de pizza.

Meu tio Lino franziu a testa. Quando ele franze a testa é porque a coisa é séria mesmo. Então eu desisti de ser gambá, apesar de ainda não ter tomado banho esta semana porque tá frio. E já tava meio cheio desse negócio de futebol. Eta jogo complicado e cheio de coisa! Até banco imobiliário é mais emocionante.

- Só falta agora esse moleque virar bambi.

Perguntei o que era bambi e meus tios riram, dizendo que era coisa de gay e era o apelido da torcida do São Paulo.

- Paulista é gay?

- Não é paulista, é são-paulino.

- Nem vem, a professora falou que quem nasce em São Paulo é paulista!

- Não é o estado, é o time.

- Ah, tá...

- Pare com essa mania de “ah, tá”!

- E a camisa do São Paulo é rosa?

- Não, seu tonto, a camisa é tricolor.

- Que nem o Palmeiras?

Todo mundo fez cara que não entendeu.

- O Palmeiras é verde e branco, duas cores, seu burro.

- Três: verde, amarelo e azul. E a professora ensinou que três é tricolor...

Meu tio Lino ficou com raiva da minha resposta.

- O São Paulo é vermelho, preto e branco, seu tongo.

- É uma mistura de Flamengo com Botafogo?

- Não! Gritou meu tio Cláudio, furioso.

- Mas as cores...

- Chega, Bruno, vai lá fora chutar uma bola pra ver se aprende alguma coisa.

- E depois vai tomar um banho! Berrou minha mãe lá da cozinha.

Então eu fui lá fora brincar com o Turbo que é bem melhor. Meu pai falou que o Turbo é uma mistura de duas raças: “pelo duro” e “xinaider”, mas eu não acredito, porque não achei essas duas raças na internet. Pra mim, o Turbo é só da raça dele, porque nunca ninguém viu um outro cachorro nem parecido.

E o Turbo é o único que me entende, porque também não gosta de tomar banho. Aí eu fiquei pensando: quando eu crescer eu vou criar um time chamado Turbo e a camisa vai ser meio branca, tipo assim um marrom meio cinza, igualzinho ao pêlo do Turbo...

Falei pros meus tios que tinha visto um guri no colégio usando uma camisa laranja, bem bonita. Tio Cláudio me disse que só podia ser da seleção da Olanda.

- Holanda com H, Bruno, disse meu tio Lino sempre querendo me ensinar alguma coisa.

No outro dia eu perguntei pro guri, que sempre tá com a mesma camisa, até dorme com ela pra não ter o trabalho de ficar trocando todo dia, se ele era holandês:

O menino me olhou atravessado e respondeu:

- Ficou maluco, brother? Eu sou é tricolor das laranjeiras.

Eu fiquei tentando entender.

- Mas só tem uma cor na camisa...

- Seu burro, essa é a camisa número 3 do Fluzão...

- Ah, tá...

Quantas camisas que cada time tem? Eu tinha até gostado dessa história de laranjeira. Tem uma lá no quintal de casa, mas as laranjas tão sempre azedas. Será que existe algum bicolor dos limoeiros?

Aí, na rua, eu vi duas meninas com duas camisas quase iguais: uma era preta com uma lista branca atravessada no peito, e a outra era ao contrário. Aí eu perguntei que time era aquele e elas me responderam que era Vasco da Gama.

Achei o nome bem engraçado, mas deixei pra perguntar depois pro tio Lino como que é a camisa do time Pedro Álvares Cabral, que deve ser o inimigo delas.

Perguntei pra elas qual que era a camisa número 1 e qual que era a número 2.

- Sei lá, Bruninho, qualquer uma é a número 1.

- Ah, tá...

Mulher não entende nada de futebol mesmo, pensei comigo para mim mesmo. Aí eu vi outra menina, do meu tamanho, mó bonita, com uma daquelas camisas do Vasco. E eu logo arrisquei, pra puxar conversa:

- E aí, Gama?

Ela me olhou com cara de nojo e falou:

- Eu sou Ponte Preta desde criancinha, seu bobo!

Então eu pensei cá com eu: deve fazer bem pouco tempo que ela é Ponte Preta... E fiquei tentando imaginar uma ponte preta, mas só conseguia imaginar ponte branca, ponte bege e até ponte tricolor, que mal deu tempo de falar pra ela:

- Ah, tá...

Aí no ônibus da escola eu vi um guri com uma camisa bem vermelha e outro com uma bem azul. Eles me disseram que era do Internacional e do Cruzeiro. Um falou de um jeito meio engraçado “bah, sou colorado, tchê!”, e o outro logo retrucou “eu sou raposa, uai”.

Que pena: na minha terra não tem raposa, só galinha, porco e gambá. Fora o Turbo.

Perguntei pro meu tio Cláudio se o inimigo do Internacional era o Nacional. Ele me olhou estranho, suspirou e disse:

- Bruno, o inimigo do Inter é o Grêmio.

- O Grêmio Recreativo Unidos da Vila Moema, perto da casa da vó?

- Não, seu burrinho, o Grêmio de Porto Alegre. Tricolor gaúcho.

- Verde, amarelo e azul que nem o Palmeiras?

- Não!

- Já sei: preto, vermelho e branco?

- Não! É azul, preto e branco, seu tosco.

- Ah, tipo assim uma mistura de Botafogo com Cruzeiro.

- ...

- Nunca mais repita uma bobagem dessas! Falou meu tio Cláudio, bem devagarzinho.

- Ah, tá...

Tio Cláudio fica zangado muito fácil. Mas meu tio Lino logo me explicou que Inter e Cruzeiro são dois times muito simpáticos.

- Simpáticos por quê?

- Bem... (ele ficou pensando numa resposta)

- Porque eles nunca venceram nenhum jogo importante dos nossos times e já derrotaram os nossos inimigos em muitas decisões, disse meu tio Cláudio.

- É isso, Bruno: o inimigo do nosso inimigo é nosso amigo, discursou meu Tio Lino, igualzinho a minha professora de religião.

- Ah, tá...

Aí ia passar o jogo do Brasil e da França na televisão e todo mundo foi lá em casa pra comer a pizza que a minha mãe faz. Só eu sozinho como oito! Tio Cláudio, sempre fazendo piada sem graça, disse pra eu torcer pro Brasil e que o Brasil era o time de amarelo.

- Ah, tá, respondi na hora, fazendo de conta que não sabia.

A camisa da França parecia a do Cruzeiro misturada com a do Internacional e a do Santos número 1. Muito antipática, eu achei. O amarelo do Brasil é meio desmaiado e mais parece um canário que meu pai tinha e o gato do vizinho comeu.

Aí meus tios começaram a gritar juntos “vai Kaká, vai Kaká”. Até minha mãe gritou, porque acha o Kaká bonito.

- Mas ele não era do time dos bambis?

- Cala a boca, Bruninho, e vê se torce.

- O seu Nelson, lá da venda, parece meio bambi mas não torce pelo São Paulo. Eu vi ele com uma camisa do Vasco, acho que a número 2...

- Se dane, Bruno, resmungou meu avô com a boca cheia de pizza de champignon.

- Ou será que o seu Nelson é Ponte Pretense?

- Pedala, Robinho! Gritou tio Lino, sem querer me dando uma boa idéia...

Saí de fininho e fui lá fora andar de bicicleta com o Turbo correndo atrás. Maravilha, não tinha ninguém na rua porque tava todo mundo vendo o jogo. Brinquei até suar um monte e dar mais fome de comer pizza. Quando voltei, fui logo perguntando:

- De quanto o Brasil perdeu?

- Como é que você sabe que o Brasil perdeu, Bruno, se nem viu o jogo?

- É que ninguém soltou foguete...

Meus tios se olharam, meio tristes, meio sem graça, e falaram quase na mesma hora:

- Ah, tá...

Por Torero às 14h39

03/10/2009

Sempre aos domingos: O estádio paulista para a Copa

 
 

Texto de Marcio R. Castro



A cidade de São Paulo quer a abertura da Copa do Mundo. Quando digo a cidade, não me refiro somente aos seus representantes políticos, governador, prefeito e secretários, nem apenas ao Comitê Organizador Local. De forma geral, a população da cidade também quer. Nós queremos, por paixão e razão.

 Nosso foco é a abertura, uma semifinal, os grandes confrontos, os jogos decisivos. Nada mais óbvio, não há dúvida sobre a relevância da maior metrópole do Brasil, seja qual for o critério escolhido.

Numa Copa do Mundo, para a abertura e para a grande final, os estádios devem comportar uma capacidade maior de pessoas. Foi assim na França, no Japão e na Coréia do Sul, foi assim na Alemanha. Todos esses países realizaram suas Copas com estádios de portes variados, com muitas arenas de tamanho médio. Porém, para abertura e final, foram escolhidos estádios maiores, com mais de 65.000 assentos.

 

O Palmeiras já apresentou o projeto de sua nova arena, que parece que realmente sairá do papel. Nova, moderna, inteligente, bem localizada, com ampla rede de transporte a seu dispor, a arena Palestra será um primor. Um orgulho para todo palmeirense, para toda a cidade. Um estádio de nível um, mais do que capaz de ter jogos de Copa do Mundo. Porém, com capacidade para 42.000 pessoas. Por isso, está fora da disputa. 

A prefeitura pretende, em parceria com o Corinthians, reformar amplamente o Pacaembu. O investimento viria do clube (a prefeitura quer 250 milhões de reais, o Corinthians não pretende colocar mais de 100, a negociação continua), que receberia a concessão de uso por décadas. Remodelado, com os lugares cobertos, de fácil acesso, agregado ao museu do futebol, o novo Pacaembu também não ficaria devendo em nada. Mas contaria com cerca de 45.000 lugares, que seriam insuficientes.

 

Mas e a construção de outro estádio na capital paulista? Especialistas em gestão de arenas indicam que um novo estádio para a cidade, ainda mais um dos grandes, seria uma extravagância, inviável economicamente. E é verdade. Se o Corinthians construir seu estádio, por exemplo, o Pacaembu ficará às moscas. 

Apesar disso, é uma prerrogativa do Corinthians ter a sua casa própria. Se assim o clube decidir e conseguir recursos para a realização do sonho, azar do Pacaembu. Só que, depois de quase cem anos de promessas, terrenos e maquetes, não existe no momento nenhum projeto minimamente palpável para uma arena corintiana.

 

Alguns defendem que esse novo estádio seja bancado pelo poder público. Já ouvi argumentos de que se Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Salvador, por exemplo, têm os seus grandes estádios governamentais, São Paulo não pode ficar atrás.

 

Se existisse apenas uma regra para a realização de uma Copa do Mundo em São Paulo, deveria ser a proibição de qualquer centavo vindo do poder público na construção de um estádio de futebol. Não faz o menor cabimento torrar milhões em algo que será subutilizado e gerará rombos orçamentários intermináveis, ainda mais em uma cidade que já tem um estádio municipal e clubes com estádios próprios. 

A FIFA vem, seguidamente, achincalhando o Morumbi e seus projetos de reforma. Só que a entidade não está preocupada com o pós-Copa. Em sua megalomania autocentrada, a FIFA adoraria que o governo arcasse com os custos do seu sonho de consumo, pouco se importando que se torne um elefante branco após 4 ou 5 jogos.

 

É claro que não devemos aceitar que nenhum clube receba benesses do governo. Nenhuma verba pública deve ser repassada ao São Paulo Futebol Clube. Aliás, seria uma boa hora para acertar contas com o passado, exigindo do clube a regularização do seu sistema de esgotos, além de esclarecimentos e ações sobre invasões de terrenos públicos, contrapartidas não realizadas e outras questões pendentes. 

Particularmente, tenho inúmeras restrições ao Morumbi. Entre elas, algumas que não terão solução com as reformas, como a distância e ângulo de visão dos assentos do piso inferior, lugares na escuridão em plena luz do dia e visibilidade prejudicada devido ao engavetamento dos anéis do estádio (bolas chutadas um pouco mais altas “desaparecem” por causa do nível acima).

 

Porém, o Morumbi é a única opção real para que a cidade de São Paulo tenha um estádio de grande porte na Copa do Mundo, sem que se faça qualquer tipo de farra com o dinheiro público. Essa foi a escolha da cidade, ser uma sede que precisa de um estádio maior. O Morumbi é esse estádio. O resto é politicalha, clubismo ou mera birra.  

Se a FIFA continuar com essa postura arbitrária até o fim, cheia de interesses ocultos e evidente politicagem (alguém duvida que, mesmo com ressalvas, o Morumbi se tornará um estádio excelente?), que a cidade de São Paulo perca de uma vez a tal da abertura da Copa.

 

Seria ridículo, pela questão do estádio, preterir da abertura uma das cidades mais cosmopolitas do mundo, com mais museus, teatros, cinemas e casas de espetáculo, com mais opções gastronômicas, com mais e melhores hospitais, com a maior rede de transporte ferroviário, com mais parques e espaços culturais, com mais e melhores hotéis... 

Mas se assim for, nós não queremos mais. Se não por paixão, por razão.

Por Torero às 02h05

02/10/2009

Textoreroteca

Decidir o texto de sexta-feira com a toreroteca. Pois vamos a eles:

Neste domingo, às 16h teremos um jogo importante. Muito importante: Santos e Palmeiras farão um clássico paulista no Brasileiro.

Se o Santos vencer, talvez reacenda a chama da esperança e o time volte a sonhar com a Libertadores. Na verdade, o time está oito pontos atrás do quarto colocado, com chances remotíssimas. Mas tentar a Libertadores pode garantir ao menos a Sul-americana. Hoje, o Santos está em 12º. lugar, com a última vaga para a competição, um pontinho à frente do Cruzeiro, que vem melhorando e funga no cangote santista.

Se o Santos perder, o time provavelmente ficará mais perto da turma do rebaixamento do que do pessoal da Libertadores. Teremos uma pequena crise, que pode aumentar, dependendo dos próximos resultados. Vale lembrar que é ano de eleição no Santos e qualquer probleminha pode virar um caos.

Já o Palmeiras, se ganhar, manterá a boa diferença de cinco pontos para seus perseguidores e diminuirá o impacto da vitória épica do São Paulo sobre o Náutico. Agora o Campeonato Brasileiro parece uma corrida de 110 metros com barreiras, em que cada jogo é um obstáculo que fica para trás, uma chance de tropeço a menos.

Se perder, o Palmeiras terá dois times em seu encalço, pois o Goiás deve vencer o Botafogo em casa. Com dois perseguidores a menos de três pontos de distância, qualquer erro será fatal.

Creio que o Palmeiras é o favorito, mesmo jogando fora de casa. Façamos uma rápida comparação:

Quanto aos goleiros, é covardia falar. Marcos é sensacional e Felipe está começando, misturando grandes defesas com falhas bobas. Vagner Love é muito melhor que Kléber Pereira, Armero corre mais que Léo, Cleiton Xavier é mais inteligente que os três volantes santistas e Diego Souza está numa fase muito boa, enquanto Neymar e Mádson andam um tanto apagados. Sem falar que Fabão e Eli Sabiá não vêm jogando lá essas coisas.

Só para lembrar, no primeiro turno, tivemos o placar de 1 a 1 no Palestra Itália. Era o primeiro jogo do Palmeiras sem Luxemburgo, e Mancini fazia suas últimas partidas pelo Santos. Este ano, o grande confronto dos dois times foi pelo Paulista. Talvez tenham sido os dois melhores jogos do Santos. Mancini imitou o esquema de Mano Menezes, com três atacantes (Neymar e Mádson fazendo as vezes de Dentinho e Jorge Henrique), e o time embalou. Depois perdeu para o Corinthians na final e começou a sofrer a síndrome do bebum, aquela em que um bêbado trança as pernas, um tropeço leva a outro e o cara vai quase caindo pelo bar, derrubando cadeiras e garrafas até se estatelar de vez.

Para os técnicos também é um momento interessante. Luxemburgo ainda não mostrou ser melhor que Mancini, que por sinal está fazendo sucesso no Vitória (e ganhando menos da metade). Muricy imprimiu seu estilo “ganho de qualquer jeito”, com aquelas vitórias sofridas por 1 a 0 ou 2 a 1 que já lhe deram três títulos brasileiros.

Será um jogo, sério, um jogo importante. Provavelmente feio, com o Santos cheio de volantes e o Palmeiras com o freio de mão puxado.

E a toreroteca será sobre ele. Ganha quem acertar o autor e o momento do último gol da partida. O meu voto é Vagner Love, aos 37 do segundo tempo.

Para facilitar, dou aqui as prováveis escalações das duas equipes:

Santos: Felipe; George Lucas, Fabão, Eli Sabiá e Triguinho (Léo está machucado); Émerson, Rodrigo Souto, Germano e Mádson; Neymar e Kleber Pereira. Podem entrar Felipe Azevedo e Rodrigo Mancha.

O Palmeiras treinou ontem com: Marcos; Figueroa, Danilo, Maurício e Armero; Souza, Edmílson, Diego Souza e Cleiton Xavier; Obina e Vagner Love.

Se leu até aqui, vote aí.

O prêmio será um destes livros aqui abaixo. O da direita para os santistas, o da esquerda para os palmeirenses. Sem maldade, é claro.

 

PS: Se o jogo ficar no zero a zero, ninguém ganha.

Por Torero às 09h09

01/10/2009

Seleção de apelidos

 
 

Seleção de apelidos

Texto enviado por Mateus Pedroso

O universo futebolístico se caracteriza por haver muitas brincadeiras entre os colegas de profissão. Uma das maiores brincadeiras em concentrações, é colocar apelidos nos companheiros.

Além dos apelidos gerados em concentração, muitos jogadores trazem consigo, apelidos de infância.

Apelidos são tão comuns no Brasil, e principalmente no futebol, que é impossível assistir um jogo de futebol, mesmo na primeira divisão, sem que seja narrado pelo menos um apelido.

Com isso, dentre muitos jogadores, segue uma seleção de apelidos, alguns selecionáveis que vêm se destacando em seus times, e que agora estão aqui... na "Seleção de apelidos"

Goleiro - Anderson Soares da Silva, o Neneca, jogador do Santo André. Apelido que ganhou devido à aparência física ao antigo goleiro Neneca.

Lateral Direito - Eduardo Correia Piller Filho, o Eduardo Ratinho, revelado pelo Corinthians, e hoje, também no Santo André. Apelido recebido quando chegou ao Corinthians por ser raquítico e ter os dentes quebrados.

Zagueiro - Anderson Sebastião Cardoso, o Chicão, zagueiro artilheiro do Corinthians. Ganhou o apelido pela forma de atuar parecida com o ex-zagueiro da Seleção Chicão.

Zagueiro - Wellington Pereira Rodrigues, o Gum, ex-jogador da Ponte Preta, hoje atuando pelo Fluminense. Apelido dado por um primo, que nem sabe o motivo de tal apelido.

Lateral esquerdo - Luciano da Silva, o Triguinho, jogador do Santos. O apelido vem do gosto culinário do jogador, que adora comer massas.

Volante - Rafael Aparecido da Silva, o Boquita, jovem promessa que herdou o apelido do pai, que ganhou tal apelido por reclamar demais quando jogava futebol. Boquita Junior defende o Corinthians.

Volante - Leandro dos Santos de Jesus, o Makelele, devido à aparência física com o jogador francês Makelélé. Hoje, Makelele é jogador do Grêmio.

Meia - Anderson Simas Luciano, o Tcheco, que joga pelo Grêmio. Ganhou esse apelido dentro da família, por ter nascido muito claro.

Meia – Paulo Henrique Lima, o Ganso. Ganhou o apelido nas divisões de base de seu atual clube, o Santos.

Atacante – Vagner Silva de Souza, o Vagner Love, que ganhou esse apelido por ser pego na concentração, com mulheres. O jogador que acaba de voltar ao Palmeiras.

Atacante - Bruno Ferreira Bonfim, o Dentinho, que ganhou o apelido quando tinha apenas 12 anos, por ter os dentes tortos, é um dos destaques do Corinthians.

Técnico - Luis Antônio Venker Menezes, o Mano Menezes, treinador de maior destaque atualmente no futebol brasileiro, ganhou o apelido dentro da família, com brincadeiras para a irmã mais velha como: "o mano nasceu".

Todos os jogadores acima são de times da Série A do brasileiro, mas vamos dar uma atenção especial a um jogador da Série B. Nenhum jogador consegue ter uma variação de apelidos tão grande como ele:

Márcio Mandinga dos Santos, o Márcio Mixirica, apelido que ganhou nas categorias de base do Bragantino, dado por um companheiro de clube, por ter muitas acnes no rosto, as quais foram equiparadas a uma mexerica, mas no linguajar paulista, o nome foi alterado e se tornou Mixirica.

Claro que o destaque do time é Márcio Mixirica, que possui um nome bastante variável.

Ele pode ser chamado também de Márcio Pocã, Márcio Mandarina, Márcio Mimosa, Márcio Tangerina, Márcio Bergamota e Márcio Vergamota.

Existe algum jogador com mais variações de seu apelido?

Então a Bola de Ouro da Seleção dos Apelidos vai pra Márcio Mixirica!!!

Por Torero às 08h52

Veja o vídeo de um grande encontro

Para ilustrar a pergunta "Qual a primeira vez que você viu um jogador ao vivo", O Guilherme Keller mandou o link de um encontro emocionante, em que um menino, filho do comediante Costinha, encontra Zico. Mostra bem o que sentimos quando vemos um ídolo. Por curiosidade, notem quantas vezes ele fala "eu vi o Zico" na frente do próprio Zico.

Para ver, clique aqui.

Por Torero às 08h48

Sobre o autor

Formado em Letras e Jornalismo e quase formado em Cinema, é autor de treze livros (como "O Chalaça"), escreveu roteiros para cinema (como "Pequeno Dicionário Amoroso") e para tevê ("Retrato Falado").

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