Blog do Torero

30/09/2009

Paulo Marcelo, o PM

(A pedido do leitor Gustavo Carvalho, republico aqui este texto, de 24 de maio de 2002)

Não é fácil ser PM. Ainda mais em dia de jogo. E pior que hoje a partida é do meu time. Bem que a gente podia ter uns retrovisores no ombro, só para dar uma olhada no jogo de vez em quando. Mas a torcida até que é divertida. Tem uns tipos que só vendo. Tipo aquele careca bigodudo! O cara tem pêlo no lugar errado. E aquele, com um chapéu gigante? Deve atrapalhar quem fica atrás. E aquela loira? E aquela loira! Que loiraça! Será que ela tá olhando pra mim ou é impressão? Deve ser impressão. Se bem que dizem que tem umas que gostam de cara de uniforme. Eu nem lembro mais do tempo em que eu ficava na arquibancada. Deve fazer uns cinco anos que eu não venho ao estádio e fico de frente para o campo. Eu vinha muito quando era moleque. Eu era fogo! O engraçado é que quando eu brincava de polícia-e-ladrão sempre queria ser o ladrão. Vai entender... E aquele sujeito lá em cima, não é o Geladeira? Acho que é. Faz uns dez anos que eu não vejo o cara. Pena que eu não posso fazer sinal. Se ele pelo menos olhasse pra cá. Mas que nada, o cara não tira o olho do jogo. E a loira continua me encarando. Se eu pudesse fazer um sinal. Não é fácil ser PM. Ainda mais em dia de jogo. Se bem que tem sua graça. Eu gosto quando a torcida toda faz uma coisa só. Se eles quase fazem um gol, soltam um "uuuh". Se quase tomam, é "oooh". Pelo gemido dos caras eu até já sei o que acontece no jogo. Pior é quando é gol. Até levo susto. Xi, tem dois caras que tão se desentendendo ali. Será que eu vou lá? Aposto que um deles está bêbado. Será que eu vou lá? E se ele tiver uns amigos? Aí vou ter que baixar o cacete. Acho bacana quando abre uma clareira. Os torcedores morrem de medo da gente. De medo e de raiva. Qualquer dia eles se juntam e batem na polícia. Ah, que nada, eles são muito desorganizados, brigam entre eles mesmos. Ainda bem que os dois se acalmaram. Aquele moleque perto do placar fica atirando amendoim na cabeça do careca. O careca olha pra trás e não adivinha quem foi. Legal. A loira chegou mais perto. Loiraça. Xi, o bandeirinha deve ter marcado um impedimento errado, porque, de repente, todo mundo está atirando pilhas, chinelos, radinhos, latinhas, cortadores de unha e até uma chave de carro. Não é fácil ser PM. O Geladeira se levantou. Será que me reconheceu? Que nada, foi pegar outra cerveja. O cara tá gordo à beça. O moleque acertou um amendoim na orelha do careca, e ele se levantou feito doido. Não achou nada. Pelo menos decidiu mudar de lugar. Xi, o pilantrinha se levantou também. Isso aqui tá melhor que o jogo. Acho que a loira piscou para mim. Aposto que é oxigenada. Será que é profissional? Acho que não. Eu até que sou bem-apessoado. E o uniforme me deixa magro. Ela está escrevendo alguma coisa num cartãozinho. Aposto que é o telefone e depois ela vai jogar o papel aqui. É o meu dia de sorte. Nenhuma briga e uma loiraça me dando sopa. Agora tá todo mundo olhando pro alto. Algum zagueiro deve ter dado um chutão. Eu também dava uns chutões quando era moleque. Bem que eu podia ter sido zagueiro. Hoje eu ia ser jogador. Aí as loiras iam me dar bola. Todo mundo ainda está olhando pra cima. Essa foi alto mesmo. E agora olham pra mim. Por quê? Será que...! Droga! A bola bateu na minha cabeça. Todo mundo está rindo da minha cara. Até a loira. Não é fácil ser PM. Ainda mais em dia de jogo.

Por Torero às 10h36

29/09/2009

Você já viu algum jogador ao vivo?

Para os fãs do futebol, é emocionante ver um jogador ao vivo, em carne, osso e e camisa social. Deparar com nosso herói em roupas civis causa uma sensação estranha. Ele parece ser gente como nós, mas sabemos que não é. E ele está ali, andando pela mesma calçada, passeando no mesmo shopping, ou comendo no mesmo restaurante. E você vê que ele se suja com o molho da macarronada.

Às vezes conseguimos falar com eles, pedir um autógrafo, perguntar as horas, ou até trocar um comentário sobre o time. E depois contaremos com orgulho: "O Tal me disse que gosta mais de jogar de volante", como se fôssemos íntimos do Tal, como se tivéssemos uma informação ultra-secreta.

O primeiro jogador que vi cara a cara, tremam de inveja, foi Pelé. Eu estava andando com meu pai, perto da Vila Belmiro, e cruzamos com ele na calçada. Meu pai parou em frente ao ex-jogador (ele tinha se aposentado há pouco tempo) e disse:

"Esse aqui é santista."

Pelé passou a mão na cabeça e disse "Muito bem."  

Foi a coisa mais sensacional que me aconteceu naquele ano! Pensei até que começaria a jogar melhor, afinal Pelé tinha passado a mão na minha cabeça. Mas isso não aconteceu. Continuei o mesmo perna-de-pau. Em compensação, lembro até hoje daquele encontro, do Pelé falando só comigo, e até hoje fico meio bobo ao lembrar daquele dia, mesmo já tendo encontrado o Pelé várias vezes depois. Mas a primeira vez a gente nunca esquece.

Enfim, o que peço cá aos leitores é que contem como foi a primeira, ou a mais curiosa, ou a mais emocionante vez em que viram um jogador ao vivo, cara a cara. Depois farei um texto com alguns dos depoimentos, mas acho que a leitura da memória de vocês será melhor que qualquer reportagem.

Mande aí o seu comentário.  

Por Torero às 07h29

Nordestinos sem norte

Para ler o texto de hoje na Folha, sobre a situação das equipes nordestinas, clique aqui (só para assinantes do UOL e da Folha).

Por Torero às 07h09

28/09/2009

peA peB peC peDO peFim peDE peSE peMa peNA

Atlético-MG: Ganhou bem do Santos e voltou a sonhar com a taça. A chegada de Ricardinho foi uma ótima tacada. Se o Santos o tivesse contratado em vez de Luxemburgo, teria mais resultados e gastaria menos dinheiro.

Borges: Foi um dos mais votados na toreroteca para fazer o primeiro gol no jogo entre São Paulo e Corinthians. Mas não marcou, acabou sacado e seu substituto ainda fez o gol de empate.

Classificados: Já temos os quatro times da Série D que estarão na C em 2010: o paraense São Raimundo passou pelo Cristal de Macapá, o Alecrim-RN passou pelo Uberaba e a Chapecoense passou pelo Araguaia. Quanto ao quarto jogo, merece um verbete próprio (veja a letra M). 

Derby: Num jogo nada belo, o Guarani venceu a Ponte. E com um duplo sabor: ficou sete pontos à frente do quinto colocado e deixou a Ponte oito pontos atrás do quarto.

Estaduais na B: Esta semana tivemos vários duelos estaduais na Série B. O Vasco venceu o Duque de Caxias e se isolou ainda mais na liderança, o Atlético-GO passou pelo Vila Nova-GO e se manteve no terceiro lugar (bem perto de uma bissubida, pois estava na Série C no ano passado), e o ABC-RN ganhou do América-RN num duelo de possíveis rebaixados.

Fluminense: Depois de onze jogos sem vitória, ganhou de 3 a 2 do Avaí. Mas continua na lanterna.

Goiás: Ganhou do Grêmio e pulou para a segunda posição. Para melhorar, seu próximo jogo é o Botafogo em casa.

Hamilton: Ganhou fácil. E Barrichello teve azar mais uma vez.

Imbecis: Torcedores do Botafogo que tentaram invadir o vestiário do time. É uma atitude muito eficiente para fazer um time cair.

Jóia: Foi o gol de Leandro Domingues, do Vitória, que arrancou de seu próprio campo, deixou todo o time do Botafogo para trás e tirou do goleiro.  

 O disco de Caetano e o gol de Leandro são Jóia.

Líder: O do segundo turno é o Vitória, com um bom trabalho de Vágner Mancini.

Macaé x Tupi: Disputaram as quintas-de-finais da Série D e, depois, por conta do regulamento doido, jogaram também as quartas-de-finais. No final das contas, o time carioca é que subiu para a terceira divisão.

Naufrágio: O Náutico fez quatro jogos depois de perder o artilheiro Gilmar para a segunda divisão do futebol francês. E não ganhou nenhum. 

 Só um cego não vê que o Náutico está afundando.

Olé: Esta semana quem gritou “olé” foi a torcida do Botafogo. Mas para o Vitória. 

Palmeiras: Uma rodada perfeita, ou quase, pois o Goiás venceu. O time está com a cara de Muricy: joga feio mas ganha.

Quatro: neste fim de semana, só um time marcou quatro gols nos três campeonatos brasileiros em andamento. Foi o Figueirense, sobre o Paraná, e fora de casa. O time subiu para a quinta posição da Série B e está nos calcanhares do Ceará.

Rubros: O alvirrubro e o rubro-negro empataram. Para o Flamengo não fez muita diferença, pois continuou em oitavo lugar. Para o Inter custou duas posições.

São Paulo: O empate com o Corinthians, em casa, deixou o tricolor cinco pontos atrás de Muricy, digo, do Palmeiras.

Toreroteca: Amauri Ramos, de Serra Azul, foi o vencedor desta semana. 

Últimos: Sport e Santo André fizeram um duelo entre possíveis rebaixados. O time pernambucano, jogando em casa, ganhou. Mas continua na vice lanterna.

Vacilo: André Dias nem olhou para atrasar a bola. Provavelmente pensou que estava jogando com Rogério Ceni, que estaria alguns passou atrás para receber a bola com o pé. Mas quem estava no gol era Bosco. Se o capitão são-paulino estivesse em campo, o resultado provavelmente teria sido outro.

Xandão: Outro que vacilou. O bom zagueiro do Barueri, descoberto no Guarani, falhou e seu time perdeu, em casa, por um a zero para o Cruzeiro.

Zás: Interjeição usada para representar uma ação rápida e decidida. Poderia, por exemplo, representar os primeiros minutos do Atlético-MG contra o Santos. O time mineiro: zás! O time santista: puf...

PS: O título desta semana foi mandado pela Débora, de Taubaté.

Por Torero às 07h58

25/09/2009

Toreroteca

Como estou enjoado da toreroteca com seis jogos, hoje lhes proponho uma diferente, com uma só partida: São Paulo x Corinthians.

Mas não comemore ainda. Não vai ser tão fácil assim. Ganha quem acertar quem e quando marcará o primeiro gol.  

O meu voto é: Dagoberto, aos 7 minutos do segundo tempo. 

Para facilitar, o São Paulo deve jogar com: Rogério Ceni; Renato Silva, André Dias e Miranda; Jean, Zé Luis (ou Richarlyson), Hernanes, Jorge Wagner e Junior Cesar; Dagoberto e Borges.

E o Corinthians ontem treinou com: Felipe; Alessandro, William, Paulo André e Marcelo Oliveira; Moradei, Jucilei e Jadson; Jorge Henrique, Dentinho e Ronaldo. Mas Chicão e Marcelo Mattos devem jogar. E talvez até Defederico possa estrear.

Valem os votos mandados até as 15h59 de domingo. Se for zero a zero, ninguém ganha.

Se não for, o adivinho da semana ganha este maravilhoso, incrível, espetacular e amarelo livro:  

 

Por Torero às 07h58

Texto velho, véio.

O leitor Denilson Neves pediu a republicação de uma coluna antiga, da qual eu não lembrava. Fui procurar e a tal realmente existia. Foi publicada em 8 de setembro de 1998, há 11 anos, quando a Folha de S.Paulo ainda era impressa em papiro. Em homenagem à excelente memória do Denílson, vai aí o texto.

 

As coisas vão mudar

"A vida é uma gangorra". Não tenho certeza se essa frase é de Sartre, Nietzsche ou de Bruna, minha vizinha de três anos. Mas não faz mal, de qualquer jeito há muita sabedoria nessas palavras.

A vida é realmente cheia de altos e baixos, e quem está por cima sempre pode cair. Ou vice-versa. Há até mesmo uma lenda sobre o assunto, que, como tenho certeza de que as leitoras dessa coluna apreciarão um estilo meio Paulo Coelho, vou colocar aqui:

Era uma vez um jovem príncipe e um sábio. Quando o jovem príncipe completou 20 anos, todos os habitantes do reino lhe deram presentes. A maioria deu ouro e jóias, mas o sábio, como não tinha posses, deu ao príncipe apenas uma bolinha de papel e disse: "Esse é um papel mágico. Quando precisar, abra-o e leia-o, e ele dirá o que vossa majestade precisa saber".

Os anos passaram, o príncipe virou rei e entrou numa guerra contra um sultão. Quando estava perdendo uma importante batalha, ele lembrou-se da bolinha de papel. Sempre a trazia e desembrulho-a com pressa. Só então leu o que estava escrito: "As coisas vão mudar". A frase deixou-o animado, porque ele pensou: "Se estamos perdendo e as coisas vão mudar, é porque vamos vencer". Então, colocou sua armadura, chamou seus principais guerreiros e voltou à guerra com mais ânimo. E, depois de regar aquelas terras com sangue, venceu a luta. Na volta, em agradecimento, o rei mandou que dessem ao sábio o seu peso em ouro.

Os anos passaram e o reino ia próspero e feliz. Um belo dia, porém, o rei lembrou-se do papelzinho e disse para si mesmo: "Quero ver qual a mensagem que o papel mágico tem para mim agora. Deve ser algo como "Tu és o maior', ou "Serás sempre feliz"'.

Mas quando abriu o papel estava escrito apenas: "As coisas vão mudar". Então pensou: "Se está tudo tão perfeito e as coisas vão mudar, é porque tudo ficará pior". Ele ficou possesso, como um Almir Pernambuquinho, e mandou que cortassem a cabeça do sábio.

Os anos passaram e o reino caiu em desgraça. As colheitas não foram boas, e foram perdidas muitas batalhas. O rei, já velho, abriu novamente o papel e leu a frase mágica: "As coisas vão mudar". E só então ele entendeu que tudo muda o tempo todo e que a única coisa que não muda é o fato de tudo estar sempre mudando. Aí, ele deu um último sorriso e morreu em paz.

Está bem, é uma historinha imbecil, mas, olhando a rodada do final de semana do Campeonato Brasileiro, vê-se que ela tem um fundo de verdade. O líder do campeonato, que nunca tinha perdido, perdeu, e o lanterninha, que nunca tinha vencido, venceu. Isso sem falar do Fluminense, que finalmente ganhou. E Viola, que já era um semideus para a torcida santista, foi vaiado. E o Atlético-MG venceu pela primeira vez na gestão de Carlos Alberto Torres. E o Bragantino finalmente ganhou em casa. E, atravessando o Atlântico, a poderosa Espanha perdeu para Chipre.

Enfim, como disse Sartre, Nietzsche ou Bruninha, "a vida é uma gangorra".

 

Por Torero às 07h47

24/09/2009

O jogo do milênio!

Que espetáculo inesquecível!

De um lado, os heróis da Marvel. Do outro, os paladinos da DC. Era o encontro esperado por todos desde sempre. E a grande batalha não teria lugar no espaço sideral nem na quinta dimensão, mas num campo de futebol.

Os vilões formaram filas para entrar no estádio desde as primeiras horas da manhã. Não queriam perder a chance de finalmente verem seus inimigos serem surrados. Os malvados da DC torceriam pelos justos da Marvel. Os perversos da Marvel, pelos bonzinhos da DC.

Depois de muito suspense e algumas palavras do mestre de cerimônias Hiro, da série Heroes, as duas equipes adentraram o gramado.

O time da Marvel, escalado no tradicional 4-4-2, veio com o Sr. Fantástico no gol; a defesa era Mercúrio, Hulk, Wolverine e Homem-Aranha; Coisa, Tocha Humana, Thor e Doutor Estranho formavam o meio de campo; no ataque: Noturno e Capitão América. O técnico: Professor Xavier.

O time da DC, no discutido esquema 3-5-2, foi escalado assim: goleiro, Gavião Negro; os zagueiros (e lanternas verdes) Hal Jordan e John Stewart; o líbero foi o Capitão Marvel; os volantes, Batman e Robin; os alas Flash e Mutano; o meia era o  Caçador de Marte; os atacantes, Aquaman e Superman. A técnica: Mulher Maravilha.

Para controlar tamanha força e poder, o árbitro não poderia ser outro: Chuck Norris.

Canário Negro se ofereceu para narrar o jogo, mas foi vetada em prol da integridade fisica dos presentes.

Antes mesmo de o jogo começar já houve o primeiro entrevero: Thor protestou por não poder entrar em campo com seu mágico Mjolnir, mas o juiz Chuck Norris, inflexível, diz que as regras proíbem os jogadores de entrarem em campo portando brincos, colares, alianças ou martelos.

Chuck ainda mandou Batman, Robin e Super-Homem trocarem de uniforme, pois estavam com a cueca por cima da calça. Depois de explicarem que o uniforme deles era assim mesmo, finalmente o jogo começou.

Sem mais delongas, vamos aos melhores lances da partida.

0’: Chapolin Colorado dá o simbólico chute inicial.

7’: Primeiro ataque. Mutano entra na área, vai chutar, mas Wolverine chega rasgando. 

9’: Jogo duro, Aquaman é caçado e pescado em campo.

12’: Goooooooooool! Tocha Humana parte velozmente para o ataque, Superman, recuado, assopra forte e apaga o que seria um ataque fulminante. Mas a bola, caprichosa, sobra para o outro capitão, o América, que bate para o gol e faz 1 a 0 para a Marvel.

19’: Protestos da DC. O Capitão Marvel reclama que Demolidor, o bandeirinha, está
fazendo vista grossa.

25’: Bola recuada para o Senhor Fantástico. Super-Homem parte para cima dele, mas o
goleiro aplica seu famoso drible do elástico.

31’: Mutano dispara feito um coelho e cruza. Há um tremendo agarra-agarra na área. Todos puxam as capas uns dos outros. O juiz Chuck Norris marca pênalti para a DC.

32’: Gooooooool! Super-Homem cobra e marca, furando a rede. Homem-Aranha prontamente a conserta. 1 a 1

41’: Problemas no time da Marvel: Hulk vê sua namorada acenando para ele da
arquibancada, se acalma e volta a ser o franzino Bruce Banner.

42’: Goooooool! Flash lança para si mesmo, recebe na ponta e toca para o meio da área. O esquálido Bruce Banner não alcança a bola e Aquaman mergulha de peixinho para marcar. DC 2 x 1 Marvel. 

43’: O time da Marvel reclama com Banner, que se irrita e volta a ser o Hulk.

45’: Fim do primeiro tempo. A DC está ganhando por 2 a 1.

No intervalo temos um show inesquecível das cheerleaders.

As representantes da DC são: Super-Moça, Batgirl, Estelar (dos Novos Titãs), Canário Negro e a sensual Mulher Gato.

Pela Marvel temos: Vampira, Feiticeira Escarlate, Susan Richards, Tempestade, Mary Jane Watson e Mulher Hulk, que leva todas as outras em seus ombros no número final. Um charme.

45’: Começa o segundo tempo.

47’: Falta na intermediária da DC. O Coisa se apresenta para a cobrança. Mas o número quatro da Marvel chuta para fora. Da estratosfera.

50’: Goooool! Robin cruza e Batman, de batbicicleta, faz 3 a 1 para a DC. Na comemoração, os dois se abraçam e o menino prodígio exclama: “Santo Leônidas, Batman, você conseguiu de novo!”

54’: O Dr. Estranho é atendido em campo, pois estava se sentindo meio
estranho. O massagista da Marvel, Dr. Octopus (que pode massagear oito jogadores de uma só vez), oferece água ao Super-Homem.

55’: Super-Homem passa a andar em campo.

56’: Super-Homem cai e tem que sair de maca. À beira do campo, diz ao repórter Jimmy Olsen: “A água estava batizada. Puseram pó de kriptonita.”

59’: Sem Super-Homem, a Marvel domina o jogo.

60’: Gooooool! Da Marvel! Thor cruza para Noturno, que se teleporta e deixa a bola passar, enganando o goleiro. É frango de Gavião! Marvel 2 a 3 DC.

66’: Thor avança para cima do Capitão Marvel, mas este rouba-lhe a bola. Então o deus do trovão invoca um relâmpago e o Capitão se transforma no garoto Billy Batson. Thor se aproveita e marca: Marvel 3 x 3 DC.

75’: Começa a chover. O Tocha Humana está meio apagado em campo. O jogo volta a ficar equilibrado.

83’: Goooooool! Escanteio para a equipe da Marvel. Hulk cobra. O Senhor Fantástico estica a cabeça de um gol a outro e marca. 4 a 3 para a Marvel! Certamente será o lance será escolhido como o Gol do Fantástico.

85´: A torcida da DC atira copos de cerveja na técnica Mulher Maravilha, que se defende com suas pulseiras.

86’: A Mulher Maravilha decide entrar em campo, no lugar do Super-Homem.

88’: Antes mesmo de o jogo acabar, os empresários dos jogadores já fazem negócios. Hulk é vendido ao Porto e Robin é comprado pelo Bayern de Munique.

90’: Gooooooool! A Mulher-Maravilha de cabeça, ou melhor, de tiara, empata o jogo em 4 a 4! Todos correm para abraçá-la, inclusive o time da Marvel.

91’: Pancadaria, confusão, sururu! Durante a comemoração, alguém passa a mão na Mulher-Maravilha, que começa a distribuir soco para todos os lados. Alguns revidam e começa o bafafá, com puxões de cabelo, mordidas e unhadas para todo lado. Ah, os heróis já não mais como antigamente... De qualquer modo, nas sociais, os donos das duas editoras esfregam as mãos. Já pensam em lançar uma nova saga. Só que, em vez da famosa Crise nas infinitas Terras, teremos a Crise nos infinitos campos de várzea. O maior poder dos super-heróis é transformar brigas em dinheiro.

 

Por Torero às 09h03

23/09/2009

Timão x Timinho

(O leitor Marcos Gonçalves mandou uma seleção e uma selecinha.)


Sou santista de RG. e moro nesta linda cidade, aproveitando a onda de escalação de times por nomes de jogadores, vai uma sugestão e uma pré-convocação.

Obs.: Não querendo ser chato e já sendo, omiti campeões mundiais da lista, um foi sacrilégio: Tostão, outros nem tanto: Mazinho, Zinho e Ronaldinho


TIMÃO

Goleiro: Leão;

Defesa: Betão, Chicão, Luizão, e Carlão;

Meio de Campo : Marcão, Alemão, Fernandão;

Ataque: Luizão, Rodrigão, Pedrão.

Reservas: Zecão, Digão, Zelão, Tonhão, Geraldão, Beto Fuscão.

Técnico: Vadão.

OBS: Não tenho coragem de escalar Pagão neste time.

 

TIMINHO

Goleiro: Rubinho,

Defesa: Cicinho, Luizinho (Atlét. Mineiro), Marinho Perez e Marinho Chagas;

Meio de Campo: Afonsinho, Ricardinho (Cruzeiro), Juninho Pernambucano;

Ataque: Jairzinho, Toninho Guerreiro e Coutinho.

Reservas: Solitinho, Edinho, Maurinho, Luizinho, Dininho, Triguinho, Diguinho, Ricardinho, Juninho Paulista, Pedrinho, Paulinho Maclaren, Jacozinho, Danilinho, Toinzinho e Marinho (América R.P.).

Técnico: Geninho.

Por Torero às 07h40

22/09/2009

Heróis santistas

 
 

Heróis santistas

(O insigne Marcelo Lyra mandou uma mistura entre jogadores santistas e heróis (se bem que neste Brasileiro eles estejam mais para vilões)

Fábio Costa é o Coisa: quando sai do Gol para dividir parece uma coisa.

George Lucas é o Thor: quando bate falta a bola vira o martelo do Thor: veloz e certeira.

Domingos é o Incrível Hulk, chegou perto, ele quebra.

Fabão é o Demolidor, pois às vezes dá umas furadas que só sendo cego.

Léo é o Flash: sai da defesa e já aparece no ataque.

Émerson é o Fantasma, o espírito-que-anda: dizem que tem mais de 400 anos e está velho para o futebol, mas aparece do nada e o talento ressurge. 

Rodrigo Souto é o Homem Invisível: não aparece muito para a torcida, mas tem uma função tática importante.

Ganso é o Super-Homem: algumas vezes é o herói do jogo. Noutras, some em campo, vira Clark Kent.

 Neymar, obviamente, é o Superboy.

Madson é o Multi-homem: parece que está em vários lugares ao mesmo tempo (ultimamente, até no banco).

E Kleber Pereira é o Príncipe Namor: está sempre na água (no caso, da banheira).

Por Torero às 07h56

Quando o 5 é 10.

Para ler o texto da Folha de hoje, assinantes da Folha e do UOL podem clicar aqui.

Por Torero às 07h46

21/09/2009

ABC Dolphins DC Mano

   


Avaí: Goleou o Barueri e ganhou três posições. Já o time paulista caiu três e seus problemas internos podem fazer o time despencar ainda mais.

Botafogo: Empatou com o Santos fora de casa, o que é razoável. Brigará com Náutico, Coritiba e Santo André para ver quais os dois destes quatro escapa da degola. Ao meu ver, o Náutico, com a venda de Gilmar, é o favorito para cair. Não se vende o melhor jogador impunemente.

Coelho: Apelido do América-MG, que venceu a segunda partida contra o ASA e é o campeão brasileiro da Série C. O primeiro jogo, em Arapiraca, tinha sido 3 a 1. O segundo ficou empatado em zero a zero por 88 minutos. Então o veterano Euller fez uma boa jogada e passou a Bruno Mineiro, que marcou o gol da vitória.

Dez mil: Na verdade, 10.828. É o número de pagantes que estiveram no estádio Independência para ver a vitória do América-MG. São, provavelmente, os torcedores mais felizes do Brasil neste fim de semana.

Espreguiçar: O São Paulo parecia um pouco preguiçoso depois do seu gol contra o Santo André. Só foi se espreguiçar ao tomar o gol de empate. Aí era tarde demais.

Furacão: Apelido do Atlético-PR. E muito merecido no jogo contra o Sport, pois a equipe começou realmente feito um furacão e com um minuto de jogo já vencia por um a zero. Depois amainou e o placar ficou por isso mesmo. 

Goiás: Conseguiu uma grande vitória contra o Corinthians. Voltou ao G-4 e talvez tenha aprendido a usar Fernandão.

Hilário: Risível, ridículo. Por exemplo, o erro do juiz Charles Hebert Cavalcante Ferreira no jogo entre Ceará e Paraná, que venceu por um a zero com um gol de mão. Não um gol razoavelmente discreto como os de Maradona e Adriano, mas uma cortada digna de Giba.

Imperador: Jogou bem, fez um golaço e tornou-se artilheiro do Brasileiro.

Jonas: Perdeu um pênalti, mas ainda assim está, ao lado de Adriano, na liderança da artilharia.

Liderança: O Palmeiras, mesmo sem jogar, se manteve na liderança. São Paulo e Internacional perderam uma boa chance de aparecerem nas manchetes de hoje, que diriam: “Brasileiro tem novo líder!”

Meninas: Pelas semifinais do Campeonato Paulista Feminino, Corinthians e Santos empataram em 2 a 2. A segunda partida será na Vila e basta um empate por qualquer placar para o Santos ir à final. No outro jogo, o Botucatu venceu a Francana por 2 a 0, em casa.

Nicolas Lapenti: O Guga equatoriano venceu suas três partidas pela Davis e levou seu país ao grupo Mundial.

Olé: foi o que a torcida do Vitória gritou nos últimos minutos do jogo contra o Internacional. E com razão.  

Pária: Inútil, aquele eu não faz nada. Por exemplo, o encarregado de cuidar do placar do jogo entre Santos e Botafogo.

Quartas-de-finais: Na Série D, os resultados foram esses: Tupi 3 x 2 Macaé; Araguaia 1 x 2 Chapecoense; Cristal-AP 1 x 1 São Raimundo-PA; Uberaba 0 x 1 Alecrim.

Roger: marcou o segundo gol do Vitória, que acabou com as chances do Internacional de chegar ao primeiro lugar da tabela. Tem doze gols e está a um da artilharia. É o melhor momento de sua carreira desde os tempos da Ponte Preta.

Sport: Perdeu para o Atlético-PR e está em penúltimo lugar na tabela. Começou o ano com o pé direito, ganhando o estadual e classificando-se em primeiro no seu grupo da Libertadores. Mas pode acabar com o pé esquerdo. Ou manco.

Tite: Tinha o time favorito nas mãos, mas o Internacional parece um pouco com o discurso de seu técnico: algumas vezes parece muito inteligente, noutras, você não entende nada.

Uelliton: Grafado assim mesmo, é o nome do volante do Vitória. Ele tem 22 anos e 2 gols no Brasileiro. Os dois marcados nos dois últimos jogos, contra dois dos favoritos ao título, Palmeiras e Internacional.

Vitoriosa: A da Toreroteca foi Márcia Teixeira, do Rio. E ela foi uma das últimas pessoas a mandar seu palpite. Isso mostra que não adianta muito apostar cedo, o que importa é apostar certo.

Xarope: Palavra com duas acepções. Pode ser interpretada como remédio ou como coisa chata, desagradável. Por exemplo: “Muricy Ramalho é um xarope”.

Zircônio: Elemento químico usado como detonador em explosivos. Às vezes é o que falta ao Atlético-MG, que tem bons atacantes mas não possui alguém que os acione. Ricardinho pode ser o cara. Mas talvez tenha chegado tarde para o Brasileiro.

 

PS: O curioso título da coluna de hoje, imagens que podem ser traduzidas como “ABC Dolphins DC Mano”, foi mandada por Lourenço Apolinário, de Brasília.

 

Por Torero às 06h27

20/09/2009

Valentino Rossi e Muricy Ramalho

 
  (Neste Sempre aos Domingos de hoje, dia em que o São Paulo pode chegar à liderança do Brasileiro, apresento-vos um texto que vem bem a calhar, que se encaixa feito mão na luva, feito dedo no nariz)

Por JAIME BELMIRO*

 

Corria o ano de 2003 e o piloto de motovelocidade Valentino Rossi caminhava célere rumo à conquista de seu tricampeonato da MotoGP/500 cilindradas. Impiedosamente, o piloto italiano mostrava porque era o melhor daquela época, já que simplesmente deglutia seus adversários corrida a corrida.

 Porém, apesar do tricampeonato iminente, Valentino tinha que conviver com os comentários de que boa parte de suas conquistas se deviam à superioridade de sua moto e sua equipe Honda frente ao equipamento e time dos outros pilotos.

O que reforçava esta teoria era que, entre 1994 e 2002, a Honda havia conquistado nada menos que 8 dos 9 campeonatos das 500cc. Talvez os méritos devessem recair realmente ao equipamento e à equipe, tão vencedores àquela época; possivelmente Valentino fosse um mero coadjuvante, o condutor de uma moto vencedora, apenas. Valentino e a Honda confirmam a conquista do campeonato de 2003.

Mas chega o ano de 2004 e Valentino aceita do desafio de correr pela Yamaha, equipe mediana, cuja última conquista havia sido no longínquo ano de 1992. Que formidável embate preparado para 2004: o piloto campeão contra sua ex-moto/equipe campeãs. Seria o "vamos-ver", o "tira-teima".

Como um virtuose, Valentino não vence somente o campeonato de 2004, mas também o de 2005 e, mais recentemente, o de 2008 - todos pela Yamaha - para escrever definitivamente seu nome na história!

A Honda não ganha nada desde a saída de "Vale", em 2003! Hoje, Valentino Rossi é o maior piloto de motovelocidade de todos os tempos.

Corre o ano de 2009 e Muricy Ramalho possui um tricampeonato brasileiro de futebol (2006 a 2008) no bolso. Sua equipe na ocasião do tricampeonato, o São Paulo, também exibia impiedosamente sua capacidade de vencer seus adversários (mesmo não jogando o fino, vencia e era o que importava). Semelhantemente a Valentino, Muricy também teve que conviver com os comentários: "Com esse time, até eu." "Com essa estrutura, qualquer um conseguiria." "Com Rogério Ceni no gol e indo ao ataque fazer gols, fica fácil".

Hoje Muricy enverga as cores do Palmeiras, cuja última conquista remonta ao ano de 1994. Que maravilhoso embate teremos este semestre: o técnico tricampeão contra sua ex-equipe tricampeã. Será "a hora da verdade", o "pega-pra-capar". Quem será o grande tetracampeão? Claro que Muricy já tem seu nome gravado com letras douradas e garrafais nos anais da história do futebol brasileiro. No entanto, se realizar a proeza da conquista do campeonato deste ano com o Palmeiras, Muricy alcançará não somente um tetracampeonato, mas também o direito se ser considerado o maior técnico de futebol do Brasil da década.

É bem verdade que Internacional, Atlético-MG e Goiás estão em grandes condições de levar o caneco; mas, que me perdoem estes belos times, Muricy X São Paulo é o duelo do ano no futebol brasileiro.

 

*Jaime Belmiro é analista de sistemas, fã de esportes a motor e torcedor do Guarani de Campinas.

Por Torero às 09h20

19/09/2009

Doping na arbitragem

 
 

Doping na arbitragem

Texto de Anderson Santos

Saiu em todos os meios de comunicação: "Árbitro brasileiro de futebol é pego apitando dopado os jogos do Brasileirão!". Isso logo após a "vergonhosa" suspensão de seis atletas no atletismo nacional pelo mesmo motivo.

Já era de se estranhar que em meio a péssimas arbitragens, ele se sobressaísse em relação aos demais, corrigindo erros até dos seus auxiliares! Nem o velho jargão popular poderia ser utilizado para ele: "errar é humano".

Segundo as informações até agora divulgadas, o juiz utilizava de várias alternativas para garantir 100% de acerto nas partidas. Para acompanhar os lances de perto, ele resolveu dedicar a vida plenamente ao esporte, formando-se educador físico e se casando com uma nutricionista.

Desde cedo o plano estava traçado. O sonho da vida dele era apitar uma Copa do Mundo e ser tão respeitado quanto o italiano careca do Collina, nem que para isso tivesse que torcer para que a CBF realizasse uma "preparação" igual a realizada para a Copa de 2006.

Parte física garantida, foi rápida a sua passagem para o quadro da Fifa. Nem os turrões invejosos dos comentaristas de arbitragem tinham motivos para xingá-lo. Para ajudar ainda mais em seu físico, treinava como se fosse um atleta de maratona, com direito a corridas nas férias em locais com altitude.

Mas não apenas isso era suficiente, o juiz sabia que ele dependia de outras duas pessoas para garantir a perfeição. Resolveu colocar a mãe, uma jovem senhora, para observar os lances através da transmissão da TV. Quando via que o filho poderia cometer algum erro, quase que de forma instantânea, ela o comunicava através de um micro-ponto no ouvido dele, disfarçado pelos cabelos de médio tamanho.

Ah, acaba de aparecer uma nova notícia aqui! Conseguiram entrevistar a mãe do árbitro. Ela afirma que o filho não queria que a xingassem durante as partidas de futebol e ela achou que poderia ajudá-lo. Afinal, se fossem xingá-la, agora poderiam ter razão.

Realmente é uma pena que a tecnologia não possa ser utilizada nos campos de futebol ao menos para definir se é gol ou não. Mas o futebol já estava ficando sem graça com uma surpresa a menos na sua caixinha.

(Para que ninguém se assuste e se ache mal informado, esse é apenas um texto que "brinca" com dois fatos que muito nos preocupam: a péssima qualidade da arbitragem do futebol e o doping no atletismo).

Por Torero às 05h56

18/09/2009

Carta aberta sobre os 15 ao presidente dos 13 que são 20.


Caro senhor presidente do Clube dos 13 (que curiosamente são 20), venho por meio desta falar-lhe de um problema e de várias soluções.

O problema é que eu e alguns de meus leitores achamos os 15 minutos de intervalo durante os jogos um desperdício de tempo.

Daí pensamos em algumas saídas para este 900 segundos de marasmo.

Para começar, o som dos estádios podia melhorar. O Cléberson diz que as músicas do Morumbi são as mesmas há 15 anos, e o Luiz Antonio ficaria satisfeito com um sistema audível que desse a classificação, os próximos jogos e alguns serviços.
 
Do som, passemos à imagem: muitos sugeriram passar os melhores momentos do primeiro tempo num bom telão. Ou, caso isso não seja possível, cenas de jogos do passado. É claro que a comparação pode ser dura para alguns clubes, mas, por outro lado, talvez até inspirasse os jogadores atuais.

Houve um tema apareceu de diversas maneiras: mulher.

O Roberto Carlos sugere que os clubes façam um desfile de lingerie como o da Luciana Gimenez, o Zé Fabrício prefere luta no gel, e o Thiago quer cheerleaders, mesmo sabendo que sua namorada ficará brava.

Porém, o Aylton, de Santo André, discorda dessa proposta: “Essa história de garotas, ‘cheerleaders’ etc., não tem nada a ver. Primeiro, sob uma ótica bem machista, elas ficam a enorme distância, e nem dá para ver e admirar muita coisa. Segundo, numa ótica mais civilizada e antimachista, acho mesmo algo tosco, primitivo, continuar a tratar a mulher como objeto. O mundo do futebol tem que superar isso, na boa, e evoluir.”

Se muitos querem ver jovens mulheres, há alguns que preferem homens velhos. É o caso do Marcelo, que sugere levar ídolos do passado para serem entrevistados no gramado por algum torcedor. Nada mal, não é, presidente? Barato e interessante.

Outra sugestão que apareceu muitas vezes foi “show”. A maioria quer apresentações musicais. Mas o Guilherme diz que deveriam chamar o Marcelo Adnet e colocá-lo pra fazer um stand-up de 15 minutos. Só que o Márcio Coelho, lá de Nagano, lembra que não poderia haver piadas no jogo entre Botafogo e Fluminense: “Acho que tem que ser algo diferente do que o torcedor já viu no primeiro tempo e sabe que vai ver no segundo...”

Vários do leitores querem descansar do futebol com mais futebol, e mandaram idéias de todo tipo. Há quem queira jogo com os reservas, com 30 crianças de cada lado, com veteranos e, olha elas aí de novo, com mulheres. O Tomas até escreveu que poderíamos copiar os americanos, “que inventaram o Lingerie Footbal League: “Garotas de lingerie, capacete e ombreiras, sete contra sete, nos intervalos dos jogos de futebol americano. Poderíamos fazer uma liga com nome dos times que disputam o campeonato em andamento. No Brasil poderia chamar cinta-liga de futebol. E só quem iria ao estádio veria o jogo, pois na TV é hora dos comerciais.”

Houve quem sugerisse sorteios, e não poucos falaram naquelas promoções em que o público bate pênaltis, ou faltas, e ganha alguns brindes. Sugeriram até que pusessem a Vanusa para cantar o hino nacional.

O Paulo Rodrigues fez uma boa, e impossível, proposta: que transmitissem, ao vivo, a conversa do técnico com os jogadores no vestiário. Seria um Big Brother interessante, mas duvido que os técnicos concordassem.

Tivemos, é verdade, algumas idéias um tanto maldosas. O Cláudio, de Santos, gostaria que vendessem cerveja, e ele aproveitaria para jogar as garrafas no Kléber Pereira.

O Paulo, de Rio Claro, acredita que uma boa solução seria colocar um trio de arbitragem "suplente" desfilando para que a torcida pudesse extravasar sua adrenalina aos berros. Mas ele não esqueceu de dizer que deveriam disponibilizar tapa-ouvidos para mulheres e crianças.

O Carlos, de São Paulo, falou que seria bom colocar duas torcidas organizadas lutando como gladiadores até a morte. E José Elesbão, de Canoas, pergunta: “Que tal um sacrificio humano, preferencialmente de bandeirinhas, juízes e até políticos?”. Acho que com os bandeirinhas e juízes seria maldade.

Mas o mais sádico mesmo talvez seja o Alexandre Luz, do Rio de Janeiro, que propôs um sarau com leituras de "O Chalaça", "Os Vermes" e "Pequeno Dicionário Amoroso".

Todas estas sugestões, caro presidente do Clube dos 13 (que são 20), me parecem ter o seu valor. Mas talvez nem precisemos de tanta coisa assim. Na verdade, a solução mais citada foi algo bem mais prosaico: banheiros.

Ou seja, basta que possamos ir fazer xixi em paz para que os 15 minutos não sejam uma agonia tão grande.

Certo de sua atenção, desde já agradecemos, José Roberto Torero e leitores.

 

Por Torero às 08h16

Uma seleção de heróis arroz-com-feijão

 
 

(O Flávio mandou uma seleção de heróis de histórias em quadrinhos bem diferente. E muito bem bolada)

 

Texto de Flávio Godinho

Goleiro: Cascão. É ele levantar os braços e a bola e os atacantes buscam distância do gol. Não tem tido muito trabalho.

 

Lateral direito: Cebolinha. É o ponto flaco do time e só deve tel sido convocado por plessão de patlocinadoles ou pol estas pledileções glatuitas e incompleensíveis que os técnicos cultivam. Um zelo à esquelda. 

Zagueiro Central: Mônica. Não perde uma dividida.

Quarto Zagueiro: Bidu. Cumpre bem o seu papel, garantindo a guarda da grande área.

Lateral esquerdo: Penadinho: Nunca aparece para as jogadas. Teve sua vez, mas hoje vive do passado e não está sabendo a hora de parar, uma pena.   

Volante: Zé Lelé. Com sua movimentação, confunde o esquema adversário (e até mesmo os companheiros, os bandeiras e o árbitro ). Curiosamente, suas repetidas expulsões não têm comprometido o time.

 

Volante: Chico Bento. Conhece o campo e seus atalhos como ninguém.

 

Meia: Zé Carioca. Muito contestada a escalação deste “estrangeiro” repatriado por empréstimo. Mas, com sua ginga e malandragem, tem conseguido envolver facilmente, no bico, as esquadras adversárias.

 

Meia: Magali. Quanto a esta, a escalação é incontestável: está comeeeeendo a bola.

 

Atacante: Pelezinho. Sem maiores comentários, Pelé é o 10 que não pode faltar em nenhuma seleção.

 Atacante: Anjinho. Este até a torcida adversária reconhece que é bom mesmo. Está voando em campo e ganha todas pelo alto, na boa. 

Técnico: Maurício de Sousa.  Treinador à moda antiga, feito o Joel Santana, não desgruda da prancheta. E não tem compromisso com erro: se algo foge do script, simplesmente passa a borracha e começa tudo novamente. Só deve tomar mais cuidado com as pontas, o ponto fraco do time. Tem conseguido compensar as limitações do elenco com a obediência tática de quem tem o time nas mãos.

 

 

Por Torero às 07h56

17/09/2009

Pô, a Toreroteca!

Já estava me esquecendo que hoje era dia de toreroteca. Pois vamos lá:

O primeiro jogo será o divino confronto entre Santo André e São Paulo.

O segundo o clássico dos anos 60, Santos e Botafogo.

O terceiro, o bitricolor Grêmio x Fluminense.

O quarto, Corinthians x Goiás, talvez com a volta de Ronaldo e a estréia de Defederico.

O quinto, Flamengo x Coritiba, talvez com a volta de Juan.

E o último, e mais importante, a final da Série C entre América-MG e ASA, de Arapiraca.

São Paulo, Santos, Grêmio, Corinthians, Flamengo e América são os meus votos.

O prêmio? Este:

 

Por Torero às 14h36

Jogo de heróis

Esse negócio de heróis está animado e acho que poderíamos fazer um jogo entre eles, do mesmo jeito que fizemos a Copa dos Pesadelos (que nâo leu, é só clicar aqui à esquerda, no "Mais Torero". Talvez seja a melhor coisa do blog).

Valem as escalações do Jefferson, dois posts abaixo.

Mandem aí alguns flashes da torcida, a conversa no vestiário e, é claro, os melhores momentos do jogo. Eu organizo tudo por aqui e será o nosso texto de sexta-feira na próxima semana.

 

Por Torero às 10h27

Mais heróis

Simpatizei muito com o texto abaixo. Senti até uma inveja do tipo "Poxa, eu podia ter tido uma idéia assim...". Foi então que tive um estalo e lembrei que já tinha feito, sim, uma coisa parecida.

Fui lá nos arquivos da Folha e achei a tal coluna, publicada em 28 de julho de 2000, quando do lançamento de um filme dos X-Men. Há semelhanças e diferenças com o texto do Jefferson. Para quem quiser ler, vai aí:   

 

Uma hiperultrasuperseleção


Às vezes informações que parecem não ter nada a ver uma com as outras juntam-se e formam uma nova idéia. Fusões desse tipo podem resultar em algo importante, como a teoria da relatividade, ou em teses esdrúxulas, como a que o leitor lerá abaixo, fruto da estréia do filme dos X-Men com o jogo do Brasil.

Juntando falta do que fazer, vagas lembranças dos heróis das histórias em quadrinhos e a preguiça de falar sobre a seleção, pensei numa convocação que se poderia chamar de poderosa:

Goleiro: Homem-Aranha. Dono de agilidade invejável, salta como um felino, ou melhor, aracnídeo. Não é muito alto, mas compensa a baixa estatura com uma habilidade fabulosa. O único problema de Peter Parker é sua mania de tirar fotos durante o jogo. Isto pode nos custar algum gol inesperado.

Lateral-direito: Homem-elástico. O lateral-direito dos sonhos dos técnicos é aquele que tem maleabilidade para ir velozmente ao ataque e voltar rapidamente para a defesa. Johnny Red faz melhor que isso: ele consegue estar nos dois lugares ao mesmo tempo.

Zagueiro-central: Hulk. Esse incrível jogador só tem um problema: quando o jogo está muito tranquilo, transforma-se no mirrado e esquálido cientista Bruce Banner. Aí o único jeito é a substituição pelo seu reserva natural, o Coisa.

Quarto-zagueiro: Homem de Ferro. Muitos comentaristas afirmam que um bom zagueiro precisa ter uma saúde de ferro. Neste caso, ninguém melhor que Tony Stark. Ele pode não ter muita mobilidade, mas nas divididas é duro como poucos.

Lateral-esquerdo: Tocha-Humana. Como Nílton Santos e Júnior, um lateral-esquerdo deve possuir uma certa chama de genialidade, e chama é o que não falta ao Tocha-Humana. Trata-se, porém, de um jogador com problemas disciplinares, tanto que muitos o acusam de cabeça-quente.

Volante: Capitão América. Um volante deve ser o escudo da defesa, e, desse assunto, ninguém entende mais do que o velho Steve Rogers. Por questões óbvias, é também o capitão do time.

Meia-direita: Mandrake. Faz mágicas com a bola, mas seus críticos dizem que sua habilidade não passa de ilusão. De qualquer forma, é sempre um jogador surpreendente, daqueles que, a qualquer momento, podem tirar um ás da manga.

Meia-esquerda: Fantasma. Antigamente seu apelido era "O espírito que corre", mas hoje em dia é chamado apenas de "O espírito que anda". Alguns afirmam que ele possui mais de 400 anos e está velho para o futebol. Calúnia.

Ponta-direita: Namor, o príncipe submarino. Joga melhor nos dias de chuva e nos campos encharcados. Possui ótima velocidade, como se tivesse asas nos pés. Infelizmente briga quase sempre e não é raro que seja expulso já no primeiro tempo. Os maledicentes juram que é para ir mais cedo ao chuveiro.

Centroavante: Super-Homem. Para enfrentar os zagueiros de hoje em dia, só mesmo uma canela invulnerável. Além disso esse atleta tem qualidades no jogo aéreo e possui uma ótima visão de raio X do jogo.

Ponta-esquerda: Batman. A ponta esquerda é o lugar das trevas no futebol, o lugar certo para o excêntrico Bruce Wayne. Porém, sem a companhia do menino prodígio Robin para tabelar, seu rendimento cai e ele não joga tão bem. Há ainda quem o acuse de esnobismo por ele sempre levar Alfred, seu mordomo, para a concentração.

Quanto às cheerleaders, a Mulher Maravilha poderia comandar o coro, que teria Barbarella e Mulher Gato.

Lex Luthor seria o presidente da delegação, aquele cartola que viaja para ficar tomando sol na piscina e fazer compras para os parentes. Já o técnico teria que ser alguém que se considera dono de superpoderes, usa roupas diferentes e vive no mundo dos imortais. Ou seja: Wanderley Luxemburgo.

Por Torero às 07h47

16/09/2009

CROSSOVER FUTEBOLÍSTICO

 
 

CROSSOVER FUTEBOLÍSTICO

texto de Jefferson Alves

Em meados dos anos 90 as duas gigantes dos quadrinhos americanos, Marvel e DC, resolveram promover uma disputa entre seus personagens, onde o resultado dos combates era decidido com enquetes entre os leitores. Assim, numa minissérie com roteiro tosco, vimos Batman lutando contra Capitão América, Namor contra Aquaman e assim por diante. Apesar de ser claramente um caça-níqueis oportunista, esta história despertou curiosidade, afinal, que fã de quadrinhos nunca se perguntou qual seria o resultado de uma briga entre Hulk e Superman? Diante disso, porque não levar essa disputa para os campos de futebol e imaginar qual seriam as escalações das equipes de super-heróis?
 
O time da Marvel seria escalado no esquema 4-4-2, começando com:
 
Goleiro: Sr. Fantástico, afinal ninguém é mais adequado para o gol do que um cara que se estica todo, sendo capaz de alcançar qualquer bola.
 
Laterais: na direita Mercúrio, um velocista capaz de atacar e defender ao mesmo tempo, literalmente. Na esquerda, Homem-Aranha. O Amigão da Vizinhança é perfeito para a posição porque quando desce para o ataque seu sentido-de-aranha avisa se um adversário se aproveitar do espaço deixado atrás.
 
Zagueiros:  para impor respeito, nada melhor do que o Hulk na zaga central, duvido que alguém coloque o pé numa dividida dessas. Fazendo companhia ao Gigante Esmeralda no miolo de zaga, Wolverine, que nunca se contunde e intimida os atacantes adversários rosnando para eles. 

 O problema dos zagueiros é que eles não se dão lá muito bem.

 Volantes: para proteger a zaga, o Coisa, um verdadeiro muro na intermediária defensiva, já na transição da defesa para o ataque, o mais indicado é um jogador habilidoso, capaz  de incendiar a partida surgindo de surpresa no ataque: Tocha Humana.
 
Meias: armando o jogo pela direita aparece um deus da bola: Thor, um verdadeiro tormento para os adversários. Na esquerda, a posição que exige mais habilidade no futebol, nada melhor do que o mago Doutor Estranho.
 
Atacantes: Noturno, um jogador versátil que pode cair pelas duas pontas, se teleportando de um lado para o outro para confundir a marcação e Capitão América, pois sua força e agilidade são insuperáveis, além do mais, a estrela da companhia não poderia ficar no banco.
 
Técnico: Prof. Xavier, um mestre que consegue passar instruções para todo o seu time ao mesmo tempo e, o que é melhor, sem ter que ficar berrando na beira do campo.

 

 Charles Xavier. Este sim, merece ser chamado de "professor".
 
O time da DC viria no esquema 3-5-2, escalado assim:
 
Goleiro: Gavião Negro, que é capaz de voar para alcançar as bolas mais difíceis e, numa cobrança de falta, pode literalmente fechar os ângulos apenas abrindo as asas.
 
Zagueiros: O trio de zaga seria formado pelos Lanternas Verdes Hal Jordan e John Stewart jogando no combate, afinal se eles são guardiões do universo vão poder guardar a grande área muito bem. Atuando como líbero aparece o Capitão Marvel, afinal um personagem que tem o nome do adversário só poderia ficar com as sobras mesmo...
 
Volantes: protegendo a zaga uma dupla de volantes insuperável, pelo menos no quesito entrosamento: Batman e Robin.

 Os dois volantes dinâmicos são os cães de guarda da equipe.


 
Alas: Pela direita, o Flash, que desce para o ataque e volta para compor o meio-de-campo na velocidade da luz. Já na esquerda o escolhido é Mutano, que pode usar a velocidade do guepardo para atacar e a ferocidade do tiranossauro para defender.
 
Meia-armador: nessa posição-chave o escalado é o Caçador de Marte, afinal ninguém melhor para pensar o jogo do que um telepata.
 
Atacantes: para derrubar a retranca adversária a equipe DC conta com Aquaman que faz o jogo fluir pelas pontas e o grande astro Superman, que tem o chute mais forte do Universo.

 O Aquaman joga na banheira.

Técnica: para comandar os heróis da Liga da Justiça, uma inovação, Mulher Maravilha. Afinal, todo mundo sabe que quando uma mulher manda os marmanjos obedecem.
 
Eu não sei como seria essa partida, nem qual seria o resultado, o que sei é que certamente não faltaria raça, empenho, luta, jogadas de efeito, gols inimagináveis e uma disputa verdadeiramente heróica, qualquer que fosse o vencedor.

Por Torero às 07h40

15/09/2009

Pedaço do texto da Folha

(A Folha de S.Paulo reclamou e não posso mais colocar integralmente aqui os textos lá publicados. Vai então um pedacinho)

O inimigo do Rei


Quando entrei no santuário de Zé Cabala, que fica no quartinho de empregada de seu pequeno bangalô no Jardim Lambretta, vi que ele estava em profunda meditação.

O mestre dos mestres encontrava-se em posição de lótus, de olhos fechados e de seus lábios brotava um vigoroso ronronar, que os leigos poderiam confundir com um ronco, mas que Zé Cabala já me havia explicado tratar-se de um complexo mantra tibetano.

“Você poderia interromper o transe do mestre?”, pedi a Gulliver, seu assistente anão.

“Será um prazer”, ele disse. “Vou usar o método Fi-Iu.”

“É um método chinês?”, perguntei.

“Está mais para o italiano”, ele respondeu. Depois colocou o indicador e o polegar na boca e soltou um tremendo assovio que fez o mestre ter um pequeno espasmo.

Aproveitei que ele abrira os olhos e disse: ”Oh, grande sábio, oh, supremo I-phone das almas, poderíeis me ajudar a falar com um espírito?”

(Para ler o resto, que é uma entrevista com Roberto Dias, grande craque tricolor dos anos 60, uolistas e folhistas podem clicar aqui)

Por Torero às 07h12

14/09/2009

Ah! Bem cedo o fim desse, Mana

Atléticos: O Paranaense começou vencendo, mas o Mineiro conseguiu virar: 2 a 1. Volta ao G-4 e a sonhar com o título.

Bebês: Neymar e Alan Patrick deram uma certa graça ao Santos.

 Os dois jogadores santistas brincam de videogame na concentração.

Cruzeiro: Venceu o Inter fora de casa e surpreendeu quase todos os palpiteiros da Toreroteca. Inclusive eu.

Dagoberto: Desde a chegada de Ricardo Gomes, tornou-se um goleador. Já marcou seis vezes no Brasileiro. É o vice-artilheiro do time, só um atrás de Washington.

Edmundo: É o curioso apelido de Raimundo Celestino, do Campinense. Ele marcou duas vezes na goleada de 5 a 1 sobre o Ipatinga. É o sexto maior artilheiro do país em 2009. E isso aos 39 anos.

Fisichella: Trocou a Force Índia pela Ferrari. Uma equipe sem tradição, mas eficiente, por uma tradicional, mas que não está tão bem assim. Guardadas as proporções, é o caso do Estevam Soares, que trocou o Barueri pelo Botafogo. E vem se dando mal.

Grêmio: Venceu o Náutico fora de casa. Fora de casa! Foi a primeira vez neste campeonato que ele conseguiu isso. E assim pulou para o sexto lugar.

Herói: Kuki passou a ser o jogador que mais vestiu a camisa do Náutico: 386 vezes. Pena que o recorde aconteceu numa derrota.

Inúteis: Na Série B há três artilheiros: Edivaldo, Rafael Coelho e Marcelo Nicácio, todos com 12 gols. Mas ter um artilheiro não quer dizer grande coisa. O Duque de Caxias de Edivaldo e o Fortaleza de Marcelo Nicácio estão na zona de rebaixamento. O Figueirense de Rafael, menos mal, está em sétimo lugar.

Jenson Button: Faltando apenas quatro provas, ainda é o favorito. Mas Barrichello, em toda sua carreira, nunca teve uma chance melhor do que esta para ser campeão.

Líder: O Palmeiras perdeu para o Vitória (com um quase-gol-contra de Marcos), mas continua na frente. Porém, agora tem dois perseguidores em seus calcanhares: São Paulo e Inter. Para os palmeirenses, a derrota foi desastrosa. Para o campeonato, foi excelente.

Marta: Poderia entrar no lugar de Kléber Pereira.

Náutico: Perdeu em casa e está apenas um pontinho à frente da zona de rebaixamento. O clube não podia ter deixado seu artilheiro Gilmar ser vendido para um pequeno time da segunda divisão francesa. Esse desfalque pode mandá-lo para a Série B.

Ocaso: Declínio, queda, decadência. É o que vem acontecendo com o Goiás, que não ganha há quatro partidas. O que acontece por lá? A culpa é de Fernandão?

Primeiro: Com os dois gols contra o Sport, o flamenguista Adriano passa a ser o primeiro colocado (ao lado de Jonas, do Grêmio) na tábua de artilheiros do Brasileiro. Jogou muito contra o Sport. Para alguns jogadores, uma semaninha de concentração (no caso, na seleção) faz milagres.

Quintas-de-finais: No mata-mata da Série D, seguiram vivos: Chapecoense, Macaé, Alecrim-RN, São Raimundo e Uberaba. E, graças ao brilhante regulamento, três times dos cinco times desclassificados ressuscitaram: Tupi-MG, Araguaia e Cristal. Ou seja, das dez equipes da terceira fase, apenas Sergipe e Londrina caíram fora da disputa.

Robert: Boa contratação do Palmeiras. Fez dois gols. Mas ontem foi pouco.

Sorte: O São Paulo teve uma rodada perfeita. Quem imaginaria que Goiás, Palmeiras e Internacional perderiam?

Título: O do texto de hoje foi mandado por Marcelo Duarte (não, não é o do Guia dos Curiosos).

Uai: Acompanhei boa parte da final entre ASA e América pelo portal Uai, que transmitiu o jogo ao vivo (travou algumas vezes). O time mineiro venceu por 3 a 1 e deu um grande passo para levantar a taça do Campeonato Brasileiro da Série C. Mas calma, ainda não dá para comemorar. Lembro que o ASA conseguiu bons resultados fora de casa nas semifinais e nas quartas-de-finais. 

Vazado: Sport e Náutico têm as defesas mais vazadas do Brasileiro: 44 gols em 24 jogos. Quase dois por partida. Pernambuco corre grande risco de cair fora da Série A.

Xamã: indivíduo que manifesta supostas faculdades mágicas, curativas ou divinatórias. Neste último caso está o André, de Mossoró, único acertador da toreroteca desta semana.

Zumbi: Morto redivivo. É o caso de Basílio. Mas no bom sentido. Pensei que, com 37 aninhos, ele já tinha parado com esta história de marcar gols. Mas ontem ele fez o terceiro do Barueri. É um imortal, um highlander.

Por Torero às 07h29

13/09/2009

Sempre aos domingos: Seleção de promessas

 
 

Sempre aos domingos: Seleção de promessas

Texto de Mateus Pedroso

Muito se fala sobre novas promessas no futebol brasileiro. Hoje em dia, jogadores, ainda crianças, adolescentes, já são vistos como futuros craques, e futuras minas de dinheiro. Com isso, muitos deles acabam se tornando futuras e eternas promessas, sumindo pelo mundo do futebol, sendo esquecidos por não conseguir sucesso neste mundo.

Com isso, resolvi fazer uma seleção de algumas promessas que se tornaram eternas e, digamos, uma "enganação" ao torcedor brasileiro. Enganação é uma palavra muito forte, mas é o que os torcedores pensam sobre eles, já que eles confiam que tais jogadores, muito badalados desde as categorias de base, e não obtém o mesmo sucesso entre os profissionais.

Um grande exemplo de enganação, muito falado recentemente, foi Lulinha, que tinha uma multa recisória de U$ 50 milhões, e no mostrou o nem um pouco do futebol que se esperava, e muito menos o futebol apresentado em seleções de base e nas categorias de base do Corinthians.

Com isso, selecionei uma seleção de eternas promessas, "enganações" do futebol brasileiro, dos últimos anos, jogadores nos quais, os tercedores se esperavam muito, e não corresponderam tanta expectativa.

Goleiro - Diego. Começou nos juniores do Grêmio e foi para o Juventude. Se destacou jogando pelo Atlético-PR, chegou a ganhar o Bola de Prata, como o melhor goleiro do campeonato brasileiro em 2002. Foi contratado pelo Fluminense, passou pelo Santo André mas caiu no esquecimento, e hoje, atua no pequeno Leixões de Portugal.

Lateral Direito - Russo, se destacou pelo Sport, chegou a seleção brasileira em 1997, sendo campeão da COpa das COnfederações em 1997. Passou por clubes como Santos e Vasco, e hoje, está esquecido no futebol, jogando pelo Centro-PE.

Zagueiro - João Carlos. Se destacou jogando pelo Cruzeiro no final da década de 90, e foi vendido a preço de ouro em uma negociação com o Corinthians. O timão pagou 4 milhões de dólares mais o zagueiro Cris para ter o jogador. Cris, evoluiu e hoje joga pelo Lyon, da França. Já João Carlos só viu sua carreira desmoronar, e após isso, com contusões e problemas cardíacos, teve que abandonar o futebol. Hoje, é técnico do Poços de Caldas.

Zagueiro - Fábio Bilica. Começou nas divisões de base do Bahia e aos 18 anos, foi vendido ao Venezia da Itália. Participou da seleção pré-olímpico em 1999 e Olimpíadas em 2000. Após isso, atuou por pequenos clubes na Itália, Goiás, Gêmio, e hoje defende o Fenerbahçe da Turquia.

Lateral esquerdo - Lúcio. Este se intitulava o terceiro melhor lateral esquerdo do mundo (atrás de Maldini e Roberto Carlos). Se destacou pelo Palmeiras, mas seu futebol caiu muito. Estava jogando pelo Hertha Berlin, reserva e sem nenhum destaque, e acaba de voltar ao Gêmio.

Volante - Fábio Rochemback. Revelado pelo Internacional, em 2000. Logo se destacou, passando por seleção sub-20 e até seleção principal, com apenas 20 anos. Foi vendido para o Barcelona, mas não conseguiu se firmar, e vendido ao Sporting de Portugal. Hoje, acaba de assinar com o Grêmio de Porto Alegre, maior rival de clube formador.

Volante - Dudu Cearense. Começou no Ceará e logo foi para o Vitória-BA, e logo se destacou. Foi o capitão da seleção sub-20 campeã mundial em 2003. Foi também campeão da Copa América pela seleção principal em 2004. Do Vitória, se transferiu para o Kashiwa Reysol, jogou na França, Rússia e Grécia. Sempre foi tratado como um excelente volante, mas nunca defendeu um time grande na carreira. Hoje, joga pelo Olympiakos.

Meia - O exemplo mais recente de uma "enganação" de nosso futebol. Lulinha. Grande estrela das categorias de base do Corinthians e das seleções de base. Sempre se destacou, números dizem de que ele teve mais de 400 gols antes de se tornar profissional, mas após isso, nenhum destaque, e pelo contrário, muito criticado pela torcida, e emprestado ao Estoril de Portugal.

Meia - Harison. Começou no São Paulo, e era o destaque dos juniores. E mais.. Titular de Kaká. O seu reserva, se tornou o melhor do mundo, e ele... caminhou por times como Ponte Preta, Guarani e hoje joga em um time da Arábia Saudita

Atacante - Daniel Carvalho. revelado pelo Internacional, também campeão mundial pela seleção sub-20, e escolhido para a seleção do campeonato. Também jogo na seleção pré-olímpica, e em 2006, até pela seleção principal. Do Internacional foi vendido ao CSKA, em 2004, mas não emplacou. Passou grande período na reserva, voltou para o Inetrnacional em 2008, mas, fora de forma, também não rendeu o esperado.  Hoje, está de volta ao CSKA.

Atacante - Gil. Tido como grande revelação do Corinthians no começo desta década. Com boas atuações pelo Timão, chegou a seleção brasileira em 2003. Foi vendido para o futebol japonês, e depois de passagens por Cruzeiro, e Botafogo, hoje está esquecido na reserva do Internacional.

Técnico - Oswaldo de Oliveira. Começou bem. Discípulo de Vanderlei Luxemburgo, em seu primeiro ano, foi campeão brasileiro pelo Corinthians. Após isso amargou apenas fracos desempenhos em times como Vasco, São Paulo, Santos, entre outros. Hoje é o técnico do Kashima Antlers no Japão.

Hoje em dia, temos grandes candidatos a "enganação". Fortes candidatos, são Ciro do Sport, Neymar do Santos, Vitor Simões do Botafogo, Oscar, do São Paulo, entre outros.

E a tendência, é cada vez mais essas falsas promessas estarem presentes, pois jogadores estão cada vez mais jovens sendo esperanças para o clube, e assim, aumentando a ilusão dos torcedores.

Só a experiência e o tempo pra dizer quais as promessas e os futuros craques do futebol brasileiro.

Por Torero às 07h16

12/09/2009

Por que Torcemos para o que Torcemos?

 
 

Por que Torcemos para o que Torcemos?

Texto de Cláudio Cupertino, baiano e “atualmente” torcedor do São Caetano.

  

Estive pensando em como é difícil, talvez impossível, racionalizar sobre o futebol. Mais especificamente sobre o torcedor de futebol.

Afinal, o que faz alguém escolher um determinado time para torcer?

Claro que estou aqui tentando um exercício de comportamento de massas, pois cada pessoa tem sua justificativa, mas se pensássemos pelo lado racional, a escolha do time seria motivada apenas pelos resultados (os títulos ou vitórias), ou até pelo seu contraponto – a escolha do rival que perde demonstrando aquela atitude revolucionária de ser contramaré.

Claro que a geografia também exerce papel fundamental na escolha. Geralmente tendemos a torcer pelo mais próximo. Ainda assim, em caso de cidades com vários times disponíveis para torcer, não conseguiríamos explicar os motivos de escolha. Sem contar o fato de que é inadmissível torcer por um time de outro país. Ser patriótico é obrigação fundamental para um torcedor.

Muito provavelmente há os que sofrem influencia paterna para a escolha do time do “coração”.  Ou de irmãos mais velhos, de Avôs, ou até mesmo de mães. Em alguns casos esporádicos, o efeito da psicologia reversa pode influenciar a escolha do time: A imagem conservadora do Pai pode fazer do filho um torcedor do rival.

Igualmente inegável o papel que a mídia exerce como influenciadora de opiniões e motivadora dos chamados “times da moda”. Os times de sucesso em sua época.

Se levássemos em conta apenas o aspecto histórico – as chamadas glórias futebolísticas – talvez o Santos tivesse a maior torcida do Brasil. Outros exemplos regionais poderiam ser citados como o Vasco, que foi bem sucedido em termos de resultado nos anos 40, o Internacional, nos anos 70, o Flamengo nos anos 80, São Paulo nos 90, e assim por diante. Todos eles frutos de época e com seus respectivos rivais contrapontos e que com certeza ganharam à maioria dos jovens torcedores, porém repito nenhum equiparado ao Santos.

Entretanto isso não ocorreu.
 
Aliás, o Flamengo é um caso a parte. Ninguém discorda de ser o dono da maior torcida do Brasil. Mas como isso surgiu? Sua torcida é a maior desde os anos 50, talvez antes, e mais, não foi por influencia geográfica, já que esta bem distribuída pelo país, apesar de inegavelmente influenciado na época pelo fato do Rio de Janeiro ter sido a capital do país e a mídia (as Rádios) ouvida nacionalmente. Porém o Flamengo não era o único time da cidade que seria divulgado, tampouco o que tinha melhores resultados. Então como explicar? E como explicar que perdure até hoje?

Se bem que analisados com profundidade, nenhum dos fatores acima é realmente Racional.

Afinal, será que sou obrigado a torcer por um time apenas porque ele é da minha cidade, já que os jogadores nem o são.

Sou obrigado a seguir meu pai ou torcer pelo rival para desafiar meu pai?

Torço pelo campeão (e eventualmente o melhor) ou torço pelo rival apenas porque ele foi o glorioso derrotado?

Torço pelo time que a televisão me “vende” como o mais charmoso igual a tomar coca-cola?

E quer coisa mais irracional do que não poder mudar de time? Aceitamos tacitamente que não virar a casaca é mais respeitado que muitos artigos da constituição.

Nada disso se explica racionalmente.

Afinal, onde reside a alma dos torcedores?

Se fossemos racionais seríamos todos Flamenguistas, Santistas ou Bairristas?

Talvez torcedores do Real Madrid, ou...

Por Torero às 07h30

11/09/2009

Atacantes fora de série fora da Série A.

Esta última quarta-feira foi o dia do centroavante. Não porque alguma associação comercial tenha inventado um novo feriado a fim de que os torcedores comprem presentes para os artilheiros de seus clubes, mas porque foi o dia 9/9/9.

Fui então procurar quais os principais artilheiros do Brasil neste ano. E tive uma surpresa. Vários dos pés mais certeiros do país não estão na Série A. Entre os vinte maiores marcadores, há nada menos do que sete fora da elite do futebol nacional.

Eles são de vários tipos. Há, por exemplo, o centroavante-em-fim-de-carreira-que-já-passou-por-vários-clubes-grandes-e-agora-é-um-cigano-entre-os-pequenos. É o caso do veterano Marcelo Ramos, de 36 anos, ex-Cruzeiro, PSV e Palmeiras, que este ano foi artilheiro do Pernambucano pelo Santa Cruz.

E há o seu oposto, o centroavante-promissor, como Rafael Coelho, do Figueirense, que tem tem 21 anos e é o atual artilheiro da Série B.

Mas temos outros casos mais curiosos.

Por exemplo, Marcelo Nicácio, o terceiro maior marcador do país em 2009, com 28 gols, apenas dois atrás do líder da tabela, Diego Tardelli.

 O artilheiro de deus inferniza os zagueiros advesários.

Este baiano de 26 anos, que atualmente joga no Fortaleza, tem o apelido de “Timbaleiro” porque quando era pequeno tocava tambor numa das torcidas organizadas do Bahia.

Ele é do tipo promessa-que-ainda-não-vingou. Marcelo Nicácio já esteve na seleção brasileira sub-20, foi para a Grécia (mais precisamente para o obscuro Skoda Xanthi), esteve no interior de São Paulo (no Votoraty, da terceira divisão, onde fez 19 gols), no CRB, onde fez sucesso, e no Atlético-MG, onde fracassou. De lá foi para o América-RN e então chegou ao Fortaleza.

Como está no meio da carreira, ainda pode chegar aos grandes centros. Ou tornar-se um rei dos times pequenos, como Edmundo.

Não, não falo do Edmundo Animal que jogou por Palmeiras e Vasco, mas do Edmundo que tem 39 anos e joga a Série B pelo Campinense. Trata-se de um artilheiro-tardio. Este ano foi o maior marcador (e campeão) do Paraibano com 18 gols, marcados com a camisa do Souza, o time dos dinossauros. Em 2007 foi campeão e artilheiro pelo Nacional da Paraíba. E no ano passado, em Pernambuco, foi vice-artilheiro pelo pequeno Ypiranga.

 Nome: Raimundo. Apelido: Edmundo. 

Natural de Itaporanga-PB, Edmundo (que na verdade se chama Raimundo Clementino da Silva) começou nas equipes amadoras da cidade e foi profissionalizado em 1989 pelo Esporte de Patos.

No ano seguinte foi para o Vila Nova, de Minas Gerais, onde ficou por cinco anos, até ser contratado pelo Cruzeiro. Ficou na Toca da Raposa por duas temporadas e então começou sua peregrinação: Bahia, Paraná Clube, Juventude, Internacional de Limeira-SP, América-MG, Ipatinga, ABC de Natal, Democrata-MG, Ypiranga-PE, Sampaio Correa, Icasa, Santa Cruz e em 2004 e 2005 jogou na Líbia.

Edmundo é um veterano artilheiro de time pequeno. Nos grandes, não fez sucesso. Mas nos pequenos, como Souza, Nacional e Ypiranga, foi rei.

 Francieudo, o desempregado França.

Há também as flores do lodo, jogadores que desabrocham em times pequeníssimos e ficam por lá. Quereis um exemplo? Dou-vos Francieudo de Souza, mais conhecido como França, o craque do 4 de Julho de Piripiri, Piauí. Ele fez 23 gols no estadual de 2009.

Apelidado de “Gigante do Ytacoatiara” apesar de seus  1,75m, França teria sido sondado por Sport e do Inter de Porto Alegre. Mas, como o 4 de Julho não conseguiu fazer um vídeo para mandar para estes clubes, França está desempregado desde o fim do estadual. 

Ele tem 22 anos e seus irmãos foram assassinados tragicamente. Começou no Guarani de Juazeiro do Norte e logo chegou ao Ceará, onde se tornou profissional. Depois, passou pelo Ferroviário e chegou ao Sport em 2008. Mas por pouco tempo. Agora fez sucesso no miúdo 4 de Julho. É o décimo maior artilheiro do país em 2009, e isso participando apenas dos 24 jogos do estadual.

 Hugo Henrique, imperador de Sergipe.

O pernambucano Hugo Henrique, de 34 anos, é um artilheiro-que-faz-sucesso-num-só-lugar. Foi campeão estadual pelo Sergipe em 1999 e isso o credenciou a ir para a Europa. Não para os grandes times da Espanha ou da Itália, mas para os pequenos de Portugal. Esteve no Rio Ave, no Vitória de Setúbal, no Belenenses e no Santa Clara. Nestes times, caiu algumas vezes para a segunda divisão. Em 2008 voltou para Sergipe. E voltou a brilhar, sendo bicampeão e bi-artilheiro.

Por fim, há Lúcio Curió, que detesta ser chamado de Curió e prefere ser chamado apenas de Lúcio.

Curió, de 24 anos, começou no Centro Sportivo Paraibano e pouco tempo depois estava no Sport. Mas não emplacou. A passagem da segunda divisão paraibana para a primeira do Brasileiro não foi fácil. Hoje está no América-RN, onde é amado e odiado pelos torcedores. Amado ao ser artilheiro do estadual deste ano. Odiado quando foi vaiado ao jogar mal contra o Guarani e, sarcástico, pôs a mão em concha nos ouvidos para ouvir melhor.

Veteranos ou novatos, caseiros ou imigrados, todos eles fizeram mais de vinte gols este ano. Mas ninguém fala muito neles. São os noves fora.

Por Torero às 09h31

10/09/2009

A toreroteca voltou!

Sim, eis que depois de uma triste hibernação, cá está de volta a toreroteca.

Desta vez, vale um exemplar do novo livro de meu sobrinho, pelo qual os leitores se engalfinham nas livrarias e matam-se entre as prateleiras. E, para quie o livro saia de qualquer jeito, esta toreroteca terá apenas cinco jogos.

O primeiro jogo é o clássico mais belo dos ano 70: Internacional x Cruzeiro.

O segundo será um duelo atlético entre Atlético-MG e Atlético-PR.

O terceiro é o melhor e o pior jogo deste domingo: Botafogo x Fluminense, o jogo dos desesperados.

O quarto é a primeira partida pela final da Série C, entre ASA e América-MG, o jogo que eu gostaria de assistir.

E o quinto é pelas curiosas quintas-de-finais da Série D: Cristal x São Raimundo.

Meus palpites: Inter, Mineiro, Botafogo e dois empates.  

Por Torero às 09h00

09/09/2009

Uma pergunta aos leitores

Uma das coisas mais chatas de ver o jogo no estádio são os 15 minutos de intervalo. O que você acha que os clubes poderiam fazer para ajudar os torcedores a superarem estes eternos 15 minutos?

Por Torero às 09h29

08/09/2009

A verdade sobre o Grito

(Texto publicado hoje na Folha de S.Paulo)


Quando estava fazendo as pesquisas para meu primeiro livro (“O Chalaça”), um romance histórico que tem como protagonista o secretário particular do primeiro imperador do Brasil, deparei-me com um documento surpreendente: uma carta de D.Pedro I para sua amante Domitila de Castro Canto e Melo, a Marquesa de Santos.

Tais papéis contavam uma nova versão para a independência de nosso país. Tratava-se de uma revelação tão retumbante que, confesso, tive receio das possíveis repercussões e a omiti. Porém, agora, passados quinze anos do livro e quase duzentos desde o Dia do Grito, finalmente tomo um gole de coragem e trago a público esta importante página da história pátria:

“Titília, minha querida,

“nestes dias aconteceram coisas mui divertidas que não posso deixar de te contar. Tudo começou quando voltávamos de Santos. Estávamos ao lado do Riacho Ipiranga quando o Chalaça espreguiçou e disse: ‘Bem que podíamos dar uma parada e jogar uma partidinha de futebol.’

“Imediatamente aprovei a idéia e ordenei à comitiva que desmontasse dos burros. Por sorte havia dois pares de palmeiras que nos serviriam perfeitamente de traves. Porém, havia um problema. Não estávamos em vinte e dois, mas apenas em treze. Então mandei que o Chalaça fosse convidar nove homens entre os camponeses que estavam ali perto a nos observar. Como não se nega um convite do Príncipe Regente, logo tínhamos onze de cada lado.

“‘Um dos times, formado exclusivamente com os portugueses da comitiva, ficou escalado assim: Joaquim; Manuel, Joaquim Manuel, Manuel Joaquim e Manu; Quim, Manuelzão e Quinzinho; Maneco, Quinzão e Jota Eme.

“No outro ficamos o Chalaça, eu (de goleiro, é claro) e os nove brasileiros. Não lembro de todos eles, mas sei que havia um de pernas tortas, um de fartos bigodes, um que possuía um nome grego (Sófocles ou algo assim), um branco alcunhado de Galinho e um negro chamado Nascimento.

“Mal começou a peleja e vi que seria um passeio. Os brasileiros trocavam passes com tanta maestria que mais pareciam bailarinos a jogadores. Penetrávamos na defesa adversária como se fôssemos faca e ela, manteiga. Eu não precisei fazer uma defesa sequer, e fiquei enconstado numa das palmeiras assistindo ao espetáculo. Os nossos golos brotavam naturalmente e o primeiro tempo terminou com o redondo placar de dez a zero.

“Foi então que minha comitiva, irada por perder de forma tão vexaminosa, cercou-me e exigiu que eu e o Chalaça deixássemos o time dos brasileiros e passássemos à equipa dos lusitanos.

“‘Teu dever é defender Portugal’, diziam eles.

“Pensei em como seria terrível enfrentar aquela equipa e não tive dúvidas: ergui a bola e gritei: ‘Pelo meu sangue, pela minha honra, pelo meu Deus e pelo meu time, juro promover a liberdade do Brasil! Independência ou morte!’

“O jogo continuou e terminamos ganhando por 23 a 1 (o Chalaça fez um golo contra).

“Pois bem, minha Titília, esta é a verdadeira história da Independência do Brasil. Mas, pensando no futuro, creio que vou inventar uma versão menos prosaica, com soldados, espadas e cavalos brancos. 

“Um beijo do teu imperador e goleiro, Pedro.

Por Torero às 06h56

07/09/2009

Abe cedo fim descê


Acidentes com ascendentes: Goiás e Avaí tropeçaram. O time catarinense perdeu em casa para o Inter e o Goiás cedeu o empate ao Coritiba. Resultado perfeito para o Atlético-MG, que venceu fora de casa e se aproximou do G-4.

Boa tarde: Cumprimento. Por exemplo: O Sport nem deu boa tarde ao Botafogo. Aos 6’ do primeiro tempo já estava dois a zero.

Ceará: Venceu o Bahia e está em quarto lugar na B, perdendo apenas no número de vitórias para o Guarani, que, por sinal, voltou a vencer.

Dois: No jogo dos dois líderes da B, dois a dois. A saber, os dois são Vasco e Atlético-GO.

Exagero: O técnico Antonio Carlos, do São Caetano, pegou 120 dias de gancho porque, quando seu time marcou um gol aos 48’ do segundo tempo, invadiu o gramado para comemorar com os jogadores. Um exagero. Na verdade, uma burrice. Porém, como a justiça é burra mas também é molenga, é só entrar com recurso que a suspensão diminui. No futebol, como na vida, a Justiça brasileira é uma piada triste.

Fase: A do São Paulo é tão boa que o time ganha até quando ataca menos que o adversário.

Gum: bom zagueiro do Fluminense, time que parecia ter feito boas contratações, como Fred, mas que não conseguiu engrenar, como Fred.

Huertas: Jogador da seleção brasileira de basquete que deu três assistências ontem, na vitória contra Porto Rico pela final da Copa América: 61 a 60. O basquete começa a sair do fundo do poço.

Inimpatabilidade: A seleção está com dez vitórias seguidas. Não é uma invencibilidade, é uma inimpatabilidade.

Jóia: Foi o gol de Ariel, de bicicleta, pelo Coritiba.

Lulu: Na seleção tivemos a fase Rorrô, com Romário e Ronaldo. Pois no sábado tivemos um dia Lulu, com Luís Fabiano e Luizão.

Maradona: Na entrevista para a imprensa depois do jogo, Maradona disse que era “irrompible”, palavra que pode ser traduzida como inderrubável ou algo assim. O curioso é que ele disse isso sem que ninguém lhe perguntasse nada. Mau sinal.

Náutico: Conseguiu sair da zona de rebaixamento. Cinco rodadas atrás isso parecia difícil. Bom trabalho de Geninho.

Olé: O jornal esportivo argentino, que é sempre bem humorado e já fez boas piadas sobre o Brasil, no domingo estava com manchetes sérias e preocupadas. Rá, rá.

Pena: Foi o que tive dos argentinos. Pobrezinhos, perder na própria casa, sentir o medo de ficar fora da Copa... Triste, triste...

Questão: O que foi melhor, o Brasil se classificar por antecipação ou a Argentina ficar em dificuldades?

Rubros-negros: O paranaense e o carioca não saíram do zero. Ruim para os dois.

Sono: Aquilo que os torcedores do Fluminense perderam.

Tremer: O Brasil não tremeu como previu Maradona. Já as redes argentinas...

União: A torcida do Vasco vem aumentando a cada partida. Sua média já está acima de 18 mil pessoas para os jogos em casa. Se estivesse na Série A, seria o sexto time em público, à frente de Corinthians, Cruzeiro e Internacional.

Volta: A de Vagner Love foi o com o pé direito.

X-4: Grupo dos que podem cair. A novidade é o Santo André, que começou o campeonato muito bem mas vem despencando na tabela. Falta dinheiro ou sobram anos?

Zoar: O que podemos fazer com os argentinos esta semana. Pena que aquele meu vizinho se mudou.

PS: O título de hoje foi sugestão de Denilson de Oliveira Biffi.

 

Por Torero às 07h44

06/09/2009

Sempre aos domingos: Pretérito do Futuro

 
 

Sempre aos domingos: Pretérito do Futuro

Texto de Cláudio e Lino Porto

Rio de Janeiro, 1920. Alguns jovens e atléticos amigos conversam num bar defronte a movimentada praia de Botafogo.

- Chega! não me fale mais de gripe espanhola. Acho que sobrevivemos e o futuro será radiante.

- Quanto otimismo! Isso é característico de todo flamenguista: sofrer sem jamais perder a esperança.

- Sabe, gostei quando vocês se separaram do tricolor das Laranjeiras, mas não precisavam ter feito àquela profecia idiota, de que um dia terão a maior torcida do país e mais títulos cariocas do que eles.

- Sim, o pó-de-arroz deve estar rindo até agora. Acho que se vocês tivessem continuado no Fluminense o sofrimento hoje seria zero. Que aposta mais furada...

- Não sei, não, mas algo me diz que o futuro será diferente. Acho que daqui a 50 anos o Menguinho será o maior time do Brasil, quiçá do mundo.

- Menos, meu caro Lino, menos... Daqui a cem anos vamos ter o mesmíssimo quadro futebolístico de hoje e de outrora: Fluminense, Canto do Rio, São Cristóvão e Botafogo, nesta ordem. Talvez o América, se não sucumbir à pressão de sua exigente torcida.

- Não sei. Algo me diz que aquele time de portugueses, o Vasco da Gama, vai crescer junto com o meu Mengo. Dizem que eles aceitam até negros no time.

- Não me faça rir. Desde quando negros sabem jogar futebol? Esqueceu que o esporte bretão é elitizado por natureza?

- Nossa! Agora você foi demasiado racista e elitista!

- E que mal há nisso?

- Nada, em absoluto. Todavia, li a respeito de uma revolução modernista que se avizinha e sobre a tendência de a democracia tornar-se cada vez mais universal.

- José Cláudio, este teu irmão anda cheirando ópio ou bebendo absinto? Daqui a pouco esse raro flamenguista vai dizer que um dia um operário chegará à presidência da República.

Gargalhadas geral. Os moços decidem, então, em tom de galhofa, tentar adivinhar os rumos do futebol brasileiro na próxima virada de século.

- Aposto que teremos um estádio com refletores, coberto, para mais de 40 mil espectadores sentados!

- Ah, sei, e gente andando nas ruas com um telephone ao ouvido...

- Para que 40 mil se a torcida do Regatas Flamengo cabe em um Ford bigode?!

- Zombarias, piparotes... Não é necessário ser cartomante para se saber que neste país as coisas nunca mudam. Daqui a cem anos ainda teremos algum coronel bigodudo dando as cartas na política. E não será o neto do Rui Barbosa!
 
- Vocês acham que o futebol paulistano tem algum futuro?

- Não creio. Corinthians Paulista e Palestra Itália me parecem sem apelo popular. Ouvi dizer que nasceram juntos, filhos dos mesmos imigrantes burgueses que enriqueceram com o recente ciclo de industrialização. São clubes de elite, que só existem graças à vigorosa imprensa bandeirante. Duvido que surja um bom football club em São Paulo, ou que por lá apareça outro craque como Charles Müller, ou um forward que consiga assinalar mais de 500 golos na carreira.

- 500?! É humanamente impossível um player anotar 500 tentos em toda a sua carreira. Equivale a dizer que um goalkeeper possa também fazer golos, ou que nalgum dia distante mulheres serão capazes de praticar qualquer desporto.

- Este jogo é britânico por excelência. Jamais gozará de popularidade por aquelas bandas.

- Mas tem aquele bom time da baixada santista...

- A Portuguesa?

- Não, o outro, o Jabaquara. Esse sim tem jeito de campeão.

Os demais freqüentadores do recinto observam com desdém os joviais esportistas burilando suas soturnas previsões.

- Vocês já imaginaram um campeonato brasileiro?

- Meu caro Lino, o mancebo teria ficado demente? O futuro está nos estaduais.

- Mas um nacional com América Mineiro, Náutico Capibaribe, Galícia, Renner, Ponte Preta, o Britannia de Curythiba, todos os grandes medindo forças em pontos corridos...

- Daqui a pouco ele vai sonhar com um certame contra times da Argentina, do Uruguai... Doido varrido.

- Não teríamos a menor chance. Levaríamos surras do Huracán e do Ferro Carril. O Uruguai nem se fala, não perde para ninguém. É favorito disparado ao ouro olímpico.

- É isso! Por que não uma Olimpíada somente de futebol? A cada quatro anos e...

- Pobre Lino... É capaz de o celerado imaginar até um torneio internacional de clubes.

- Parece-me que o futuro está nas fusões, por isso o Flamengo só terá alguma chance se voltar ao seio do Fluminense.
 
- O futuro são as cisões, não fusões, que são sempre confusas, com o perdão do meu cacófato, diz José enquanto sorve seu café.

- Então, pelo visto, nada mudará no futebol brasileiro no próximo século.

- Talvez alguns jogadores fiquem ricos jogando bola.

Gargalhadas incontidas.

- Se nem os dirigentes ganham dinheiro com ludopédio, imagine um atleta!

- Está bem, vocês venceram. Vamos voltar ao nosso treino de remo senão é bem capaz daquela turma do volleyball se tornar mais popular do que nós.

Os jovens se entreolham, agora com ar de impaciência.

- Que tal darmos uma surra nesses dois irmãos?

(Sempre aos domingos é uma seção para textos de leitores. Apesar do títuloe, que não é publicada sempre mas em compensação também sai em outros dias)

Por Torero às 10h15

04/09/2009

Para anotar na agenda

Caso alguém, como eu, tenha problemas com letras pequenas, digo que o lançamento do livro será quinta-feira, às 19h00, na Saraiva do Shopping Anália Franco. 

Por Torero às 20h48

Vinte e oito motivos para odiar futebol

Estava chegando ao estádio e vi Marcio, com má cara, pagando dez reais para o guardador de carros. Teté, por sua vez, tirava o cocô de um cavalo da polícia de seu sapato. Na bilheteria, notei David reclamando de um daqueles garotos que ficam pedindo dinheiro para comprar ingresso. À sua frente, Eduardo, vermelho de raiva, brigava com um bilheteiro que lhe dizia que a meia entrada já havia acabado.

Depois, na fila para entrar, ouvi Luís Antonio dizendo que a coisa que mais odeia nos jogos de futebol são as filas: a fila para o estacionamento, a fila para comprar o ingresso, a fila para entrar no estádio, a fila para ir ao banheiro, a fila da lanchonete, a fila para ir embora do estádio e o "fila" da puta do juiz que sempre rouba o time dele.

Um pouco antes da catraca topei com Cleberson, que estava na posição de Cristo, com um PM a apalpá-lo. Dava para ouvi-lo pensar: “Por que não colocam belas garotas para fazer este trabalho?”

Lá dentro passei por Ivan, que tampava os ouvidos para não escutar o axé tocado pela torcida organizada, por Thiago, que cobria as orelhas para não ouvir os gritos histéricos de uma torcedora, e por Cássio, que colocou seu walk-man para abafar as buzinas de caminhões trazidas por alguns torcedores. Já o Paulo César reclamava de outro som: “Para que tocar o hino se ninguém presta atenção?”

Leonardo olhava para os céus pedindo paciência cada vez que um puxador de torcida organizada gritava: "Vamos cantaaaar! A Geral tá calaaaada!". Já Ronaldo implicava com um cara que tentava aparecer na tevê levantando um cartaz à sua frente.

O jogo estava tenso e por conta disso alguém fumava perto de Maria Augusta, que, apenas metaforicamente, soltava fogo pelas ventas. Sérgio sofria ainda mais, porque perto dele alguém tragava um cigarro de maconha e ele já se via explicando para a mulher que aquele cheiro não era o que ela estava pensando.

Quando saiu o gol, Wender sentiu um certo nojo ao ser abraçado por um monte de marmanjos barbados e suados. Ruy teve que agüentar um bêbado vibrando em sua orelha enquanto Harald xingava  uma bandeira aberta pela torcida que lhe cobria toda a comemoração do gol.

Falando em atrapalhar a visão, reparei que Luís olhava com ódio para uma grua da Globo bem à sua frente e Samuel não conseguia tirar os olhos de uma boazuda. “Só pode trazer mulher bonita em jogo ruim”, dizia ele entre os dentes.

No intervalo, Marcos ficou os quinze minutos na fila do banheiro para um splash and go. Rogério, por sua vez, explicava às duas filhas que elas não podiam tomar refrigerante porque não dava para levá-las ao banheiro.

Na segundo tempo, Luciano irritou-se com a torcida vaiando seu próprio time. Rômulo, como tantos outros, teve vontade de esganar um cara ao seu lado que a todo ataque gritava “Gol!”. E Roberto estava fulo da vida com um torcedor-comentarista que pensava ter decifrado todos os mistérios sobre os jogadores e o jogo.

Como um ímã, a cabeça de Adelson recebeu mais um copinho. Para não ficar ainda com mais raiva, ele preferiu acreditar que se tratava de cerveja. Já João sentia-se desapontado: comprou um daqueles canudinhos doces e mais uma vez descobriu que só havia recheio nas pontas. 

Dennis, que estava sentado, dava bronca em quem ficava de pé. André, que estava em pé, dava bronca nos torcedores que ficavam sentados.

E, finalmente, quando o jogo acabou, Ângelo teve ódio do congestionamento que pegou na volta para casa.

Vi essas vinte e oito pessoas sentindo raiva de ver uma partida no estádio.

E tenho certeza que as verei no próximo jogo.

Por Torero às 01h29

03/09/2009

Tarrafa Literária

De sexta a segunda-feira acontecerá no Teatro Guarany, no Centros de Santos, a Tarrafa Literária, uma espécie de Flip.

As mesas com autores serão interessantes, mas o melhor será o jogo entre Escritores e Veteranos do Santos, na segunda-feira, às 11h00, na Vila Belmiro. Certamente teremos um gol de letra (dos veteranos, é claro).

No sábado, às 19h00, acontecerá o lançamento do Diário do Lelê.

A programação é a seguinte:


Dia 4

16 horas: Os Livros dentro dos Livros, com Ruy Castro, Heloisa Seixas e Ricardo Kotscho

16 horas: Tarrafinha com livro As Letras 

17h45: autógrafos

18 horas: Tarrafinha com o livro O Sapo Vira Rei Vira Sapo

19 horas: Os Livros dentro dos Livros 2, com Jeremy Mercer (França) e José Luiz Tahan;

21 horas: autógrafos


Dia 5

16 horas: Ficção, a Mentira sem Culpas, com Milton Hatoum, André Laurentino e José Roberto Torero

16 horas: Tarrafinha com o livro O Pequeno Rei e o Parque Real

17h45: autógrafos

19 horas: Mentiras, Culpa da Ficção, Lourenço Mutarelli, Marcelo Mirisola e José Luiz Tahan

19 horas: Tarrafinha com o livro O Diário do Lelê

21 horas: autógrafos


Dia 6

16 horas: Jornalistas Além Muros, com Jorge Caldeira, Laurentino Gomes e Zuenir Ventura 16 horas: Tarrafinha com o livro Retalhos Poéticos, Livros de Pano

19 horas: Filósofos Além Muros, com Theo Roos, Márcia Tiburi e Mona Dorf

21 horas: autógrafos


Dia 7

16 horas: Futebol e Literatura, Paixão Nacional, Matthew Shirts, Xico Sá e Vladir Lemos; 16 horas: Tarrafinha com Confecção de Livros Poeta dos Mares

19 horas: Tarrafinha com Construção de Livros de Brinquedo

19 horas: Livros que Molham, com Amyr Klink, Tim Winton e Arthur Dapieve

21 horas: autógrafos

Para participar é preciso doar um livro usado. O Teatro Guarany fica na Praça dos Andradas, 100.

Por Torero às 11h36

O som e a bola

 
 

O som e a bola

Nesta edição extraordinário do "Sempre aos Domingos", publico em texto do leitor Flávio Godinho, que fez uma interessante comparação entre estilos musicais e os times do Brasileiro. 

 

1) Flamengo: MPB. Popularmente brasileiro.

 

2) Botafogo: Ópera. Um drama encenado com música, enquanto vai sendo operado.

 

3) Fluminense. Jazz. Aqui “jazz” um time, após ter o tratamento glosado pelo plano de saúde.

 

4) Grêmio: Instrumental. Sem falar nada, o mosqueteiro vai tirando som do violino com o sabre e como sabe.

 

5) Internacional: Choro. Plangente, plangente, plangente, até se afogar no próprio rio de lágrimas. Excelente em DVDs, mas não fica bem na fita.

 

6) Atlético-MG: Cantigas de Roda. Para relembrar dos bons e longínquos tempos.

 

7) Cruzeiro: Blues.

 

8) Goiás: Poderia ser o Tropicalismo (opção de insurgência contra a ditadura.), mas talvez o new wave se encaixe melhor.

 

9) Corinthians: Hip-hop. O som “dos mano”.

 

10) São Paulo: Rock, mas com y, de Rocky Balboa.

 

11) Palmeiras: RAP. Falta melodia, mas passa a mensagem direitinho em forma de palestra.

 

12) Santos: Cantos Gregorianos (para todos os santos).

 

13) Barueri: Valsa. O som que as debutantes ouvem antes de voltar para casa e retornar para a realidade.

 

14) Santo André: Tropicália. Se continuar a tropicar, é bem provável que caia.

 

15) Avaí: Jovem Guarda. Um rock ingenuamente juvenil.

 

16) Sport: Baião. Se não se cuidar, vai virar um outro Bahia, um Baião.

 

17) Náutico: Frevo. Freve um pouquinho, mas logo amorna e gela.

 

18) Atlético-PR: Dance Music. Neste ritmo, pode dançar.

 

19) Coritiba: Forró. É um tal de bate em coxa...

 

20) Vitória: O som do Prince, aquele que não pronuncia o próprio nome.

 

 

Por Torero às 08h41

01/09/2009

Procura-se um Zé

(Texto publicado hoje na Folha de S.Paulo)

Caro João, caríssima Maria, eu vos pergunto: Qual o nome mais comum entre os jogadores do Brasileiro? José, certo? Errado. Totalmente errado. Os Zés hoje são uma raridade. Pelo menos no futebol.

Para ter certeza disso, fui ver como são chamados todos jogadores de todos os vinte times. São mais de 600 atletas, e entre estes encontrei apenas três zés: Zé Luís, do São Paulo, Zé Roberto, do Flamengo, e um cândido Zé, sem nenhum acompanhamento, que joga no Sport. Isso significa menos de 0,5%. Até aqui, na redação de Esportes da Folha, há mais Josés, como eu, o Geraldo Couto, o Carlos Kfouri e o Henrique Mariante.

Antigamente todo time tinha pelo menos um Zé. Ele podia vir acompanhado de outro nome, de um apelido, no diminutivo ou no aumentativo, mas toda escalação tinha um Zé. Tanto que, fazendo um pequeno esforço de memória, rapidamente consegui fazer uma seleção de Zés, uma zeleção.

Ela começaria com o goleiro Zé Carlos, do Flamengo (com Zecão, da Portuguesa, na reserva). Na lateral direita teríamos o Super Zé¸ que era o apelido de Zé Maria, do Corinthians (na reserva, os tricolores Zé Carlos e Zé Teodoro). Na zaga, Zé Eduardo, o viril zagueiro corintiano, e Zé Augusto, daquele célebre time do Bahia que tinha Sapatão, Baiaco e Beijoca. Na lateral esquerda, fiquei em dúvida entre Zé Carlos Cabeleira, do Santos, e Zeca, do Palmeiras. O meio de campo seria uma moleza: teríamos Zé Mário, do Vasco, o excelente Zé Carlos, do Cruzeiro e do Guarani, e Zé Roberto, talvez o melhor jogador da história do Coritiba. Na reserva, outros Zés, como o Elias, o do Carmo e o Renato. O ponta direita seria, Zequinha, ex-Botafogo e São Paulo, o centroavante poderia ser o veloz Zé Alcino, que jogou pelo Grêmio com Paulo Nunes, e na ponta esquerda entraria Zé Sérgio, campeão paulista pelo Santos em 1984. Para técnico há uma infinidade de opções, mas fico com Zezé Moreira, que é zé duas vezes. O árbitro? José Rob
erto Wright. O narrador? José Silvério, é claro.

O nome José era o símbolo do homem comum, normal. Mas hoje, ironicamente, os Josés são artigos de luxo. Se Drummond fosse escrever seu célebre poema por estes dias, teria que chamá-lo de “E agora, William?”

Acredito que esta escassez de zés ocorre por dois motivos. O primeiro é que as famílias de classe baixa há algum tempo vêm demonstrando uma inclinação por nomes estrangeiros. O “José” tornou-se um sinônimo de simplicidade, até de pobreza, e parece que querem mascarar estas coisas colocando alguns dablius no começo dos nomes e terminá-los com “son”, o que sempre dá um ar americano.

O segundo motivo é que os próprios jogadores tentam evitar o “Zé”. Talvez acreditem que é um nome de pouco apelo mercadológico. Por exemplo, Kléberson, do Flamengo, é José Kléberson, mas preferiu ficar só com o segundo nome. E o artilheiro do Náutico chama-se José Carlos, mas preferiu trocar o José por Bala e virou Carlinhos Bala.

Enfim, atualmente ninguém aceita ser mais um José, ninguém quer ser considerado um simples Zé. Hoje em dia todo mundo é diferente. Todo mundo é William.

Por Torero às 07h18

Sobre o autor

Formado em Letras e Jornalismo e quase formado em Cinema, é autor de treze livros (como "O Chalaça"), escreveu roteiros para cinema (como "Pequeno Dicionário Amoroso") e para tevê ("Retrato Falado").

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