Blog do Torero

31/08/2009

A bay say dolphin the sea, man!?

ASA: O simpático ASA, meu time em Arapiraca, ganhou do Icasa, em plena Juazeiro do Norte, e passou à final. Ele terminou o primeiro tempo perdendo por 2 a 1, mas na etapa final virou para 3 a 2. Quem diria, o Asinha pode ser Campeão Brasileiro. Da Série C, mas e daí? 

Botafogo: O Imprevisível surpreendeu novamente. Começou na frente e parecia que ia ganhar do Grêmio, mas, no fim, conseguiu arrancar um empate em 3 a 3. 

Coiote: Lembram do Coyote dos desenhos do Bip-Bip? Acontecia algumas vezes de ele estar correndo no ar, então percebia que estava fazendo algo impossível e caia. Parece que é o que está acontecendo com o Atlético Mineiro.

Duvidosos: Houve dois lances duvidosos no jogo entre Botafogo e Grêmio, e eles geraram dois dos três gols gaúchos. O Botafogo protestou. Com e sem razão. Sem razão porque eram lances difíceis. Com porque há times que, na dúvida, a arbitragem sempre marca contra, e outros que sempre são favorecidos. O Botafogo está no primeiro grupo.

Embalado: O Ceará foi ao Maracanã e venceu o líder Vasco, que ainda não havia sido derrotado em casa. Agora o Ceará está em quarto lugar, quatro pontos à frente do quinto. Nada mal.

Fiasco: O Guarani não conseguiu nem empatar com o América-RN, time que não obtém uma vitória há quatro jogos. O Bugre desperdiçou uma chance importante de se aproximar do Vasco. Será uma classificação dramática. Há que gostar de guaranias para torcer para o Guarani.

Goleiros: No jogo que teve dois dos maiores goleiros brasileiros desta década, o placar não se mexeu. Empate dos times, vitória deles.

Heróica: Foi a classificação do América-MG para a final da C, que só veio nos pênaltis. E no décimo quarto pênalti. Os treze primeiros foram convertidos. Mas então Diego Araújo, do Guará, errou o seu. 

Internacional: Foi o grande vencedor da rodada. Nenhum dos três times que estavam à sua frente ganhou. E em parte por causa dele, que venceu o Goiás, segundo colocado, por 4 a 0.

Jazer: estar morto, prostrado, enterrado. Parecia ser o caso do Vitória, que estava perdendo para o Cruzeiro, em casa, por 3 a 1 até os 40 do segundo tempo. Então Ramón e Roger fizeram dois gols, empatando o jogo. Nos acréscimos, o time baiano ainda perdeu uma ótima chance de vencer a partida.

Líderes: Os da artilharia são Val Baiano, Roger e Marcelinho Paraíba. Todos com 11 gols. Para 22 rodadas, não é muita coisa.

Marcos: O melhor em campo no clássico paulistano. Uma muralha. Poderia ser o reserva de Júlio César na Copa.

Náutico: Venceu o Atlético-PR e ficou a um ponto de sair da zona do rebaixamento. Há algumas semanas parecia um nome certo para a Série B de 2010, mas vem se recuperando e pode passar a vaga para o Santo André.

Onze: Foi o número de jogos que o Avaí manteve-se invicto no Brasileiro. No sábado perdeu para o Coritiba. Resta saber se foi um tropeço ou se está começando a ter uma queda de rendimento.

Parabéns: Ao Flamengo, time que mais ganhou posições nesta rodada. Foram três, uma para cada ponto. O time passou para a 11ª. posição a afasta-se da zona do rebaixamento.

Quintas-de-finais: Na Série D, Uberaba, Sergipe, Chapecoense e São Raimundo venceram. Tupi e Macaé foi o único jogo que terminou empatado. Dos dez clubes, passarão para a próxima fase os cinco vencedores e três dos perdedores. É o mata-mata com ressurreição.

Refletores: Os do Maracanã pararam de funcionar por onze minutos. E justo quando o Santo André estava melhor que o Flamengo.

Santos: Como sempre, a solução para seus problemas está nas categorias de base. Tanto que venceu o Fluminense com dois gols sub-20, de Ganso e André.

Título: O título de hoje do ABC do fim de semana ("A bay say dolphin the sea, man!") foi idéia do leitor Carlos Eduardo Sisso.

Último: Segue sendo o Fluminense, que tem também o pior ataque: 21 gols, menos de um por jogo.

Vencedor: Na toreroteca desta semana não houve nenhum. Quem foi o vilão? O glorioso ASA de Arapiraca, que ganhou do Icasa e enganou todo mundo.

Xuxu: Em Cabo Verde, diz-se daquele que é mau ou endiabrado. Pode ser utilizado em relação a Petkovic, que infernizou a defesa do Santo André, ganhando o duelo dos velhinhos com Marcelinho Carioca.

Zé Roberto: Foi importante na vitória de 3 a 0 do Flamengo sobre o Santo André. Sofreu o pênalti que deu origem ao segundo gol e marcou o terceiro. Além disso é um belo nome.

 

Por Torero às 08h16

29/08/2009

Sempre aos domingos: Justiça!

 

Texto de Otto Eberlin Rodrigues

Certa vez, disse Carlos Alberto Parreira: “o gol é um detalhe”.

A imprensa esportiva retrucou. Detalhe? Não, o gol é a “alma” do futebol, sem ele não há sentido no esporte. Atingir a meta adversária é, simplesmente, “o” futebol. E as críticas, os achincalhes e as ironias foram muitas.

Parreira nega ter dito tal heresia. Eu não me lembro se ele disse, nem se não disse. Nunca fui fã de Parreira ou tive vontade de saber o que ele pensava sobre futebol. Nunca sequer chutou uma, coitado.

Porém, voltando ao detalhe, ou melhor, ao gol, podemos perceber que a imprensa esportiva também não o considera assim tão importante, apesar de ter atormentado o pobre Parreira.

Dia desses, estava assistindo a um jogo qualquer (assisto até ao campeonato da segundona do Senegal) e, no final, ouvi um jornalista, o famoso comentarista de futebol, alegando que o resultado foi “injusto” e que tal time “não mereceu” o placar favorável, pois o adversário foi muito melhor, criou mais chances, teve mais volume de jogo, foi mais incisivo, esteve mais bem distribuído em campo... Ufa! Tantos argumentos!

Mas, e o gol? Ahh, o gol quem fez foi o adversário, aquele sem merecimento.

Fiquei encafifado, tentando achar um meio de entender tal raciocínio, mas cheguei à conclusão de que isso é tarefa das mais ingratas.

Será que o juiz esteve em jornada tão desastrosa que acabou tendo influência no placar? Sendo assim, o resultado poderia mesmo ter sido injusto.

Puxo pela memória, buscando lembrar de alguma lambança, algum pênalti mal assinalado - ou não assinalado -, uma expulsão sem sentido...

Nada! Lembro apenas de que um dos times fez mais gols que o outro.

“Os números do jogo não mentem”, dizia o tal comentarista. O time A chutou a gol trinta vezes, o time B apenas duas. O time A alçou a bola na área adversária quarenta e oito vezes, o time B só três. O time A, que merecia vencer o jogo, fez “trocentas” jogadas de linha de fundo, o time B nem lá chegou.

 - E o que fez o time B? – pensei eu.

Fez gol. Só isso. O time A? Não, esse não fez nenhum não.
E será que um time que chuta tanto, chega tantas vezes à área adversária e não faz nem um golzinho merece ganhar?

Resolvi ouvir um pouco mais. Talvez assim conseguisse resolver o enigma.

O comentarista estufa o peito e diz: “não fosse o goleiro do time B, o placar seria outro, mais justo”.

Minha filha - 10 anos bem vividos - passava por ali bem naquele momento:

- Pai, o goleiro não está ali para defender?

- É, filha, é esse mesmo o papel dele. Evitar o gol! E ele também não é nenhum ser extraterreno, e sim parte do time.

Ela fez cara de “dãh” e saiu. Eu deveria ter feito o mesmo, mas sou muito teimoso. Resolvo, então, buscar outro canal, onde outra peleja acaba de ser encerrada. De novo, é a hora dele, o comentarista.

“Nessa noite, o que vimos foi um placar que não reflete o que foi o jogo, pois o Bicudinhos do Pará foi muito mais time, muito melhor, mas acabou saindo de campo derrotado. Tomou um gol bobo!”

Corro pra ver o resultado final: 3 a 2 pro Vila Crispina de Rondônia. Mistério!

É hora de rever os gols. Os dois do Bicudinhos são bem normaizinhos, nada de mais. Agora, o terceiro do Vila Crispina é uma aberração. O beque deu um chutão, lá da intermediária, a bola bateu num, desviou noutro e morreu nas redes. E o time melhor distribuído em campo perdeu. Não conseguiu reagir nem fez mais gols (bonitos ou feios) que o adversário e foi um injustiçado. Coitadinho!

Começaram as famosas entrevistas coletivas, e falava o técnico do Bicudinhos:

“O placar foi injusto porque blá, blá, blá...”

Tentei dormir. Não deu!

- Mas que diabos! Será que o gol é mesmo apenas um detalhe? - Pensei alto.

Resolvi, então, ouvir um pouco de rádio.

O jornalista – sempre ele – estava comentando, em conversa com um colega de profissão, o resultado de outro jogo: Palmeiras x Botafogo.

Disse seu interlocutor:

- Houve um pênalti não marcado a favor do Botafogo, você não concorda?

- Concordo – disse ele. Foi escandaloso, cometido pelo Pierre.

Após mais alguns segundos de conversa, o jornalista comenta que, apesar da penalidade não assinalada, considerou o resultado do jogo – 1 x 1 - justo.

Depois disso, fiquei certo de que não tenho a capacidade de dar resposta à pergunta que acabara de fazer a mim mesmo.

Afinal, sou torcedor, apaixonado. Sempre deixo a razão de lado na hora de falar sobre futebol.

Melhor confiar no comentarista. Ele sabe o que diz. E o Parreira também!

 

Por Torero às 05h38

28/08/2009

Seleção de sexta: dablius

Em homenagem à (péssima) reforma ortográfica, pensei em fazer uma seleção apenas com os jogadores que tivessem nomes começados com K, W e Y. Porém, no meio do caminho vi que o W nunca saiu de uso no Brasil. Pelo menos, não nos cartórios. Pois nada menos do que 16 clubes têm jogadores com nomes começados com W.

Diante desta incontestável realidade, mudei de idéia e fiz uma seleção apenas com jogadores que iniciam sua assinatura com o redivivo dabliu.

O mais apropriado seria escalar o time no velho esquema WM, mas preferi um ousado 3-4-3, que não é muito usado no futebol, mas é ótimo nos jogos de botão.

Vamos ao time:

Goleiro: Só achei um: Wanderson, do Coritiba. Nem sei se é bom, mas, por falta de concorrência, vai ele mesmo (na Série B temos o Wéverton, do América-RN, mas tomei por bem ficar apenas na primeira divisão, senão seria muito fácil).

Zagueiros: Optei por uma defesa com três zagueiros. Dois vêm do mesmo time, o Atlético Mineiro: São os jovens Welton Felipe e Werley. Entre eles ficaria o experiente William, do Corinthians. Sem dúvida, uma boa zaga.

Ala direita: Wendell, do Palmeiras, é uma boa opção. Trata-se de um jogador eficiente. Para mim, melhor na direita que como volante. No banco ficaria, Wagner Diniz, que começou bem no Vasco mas não deu certo no Santos e no São Paulo.

Ala esquerda: Wellington Saci. O ex-corintiano é mais um jogador do Galo nesta seleção. 
 
Volante: Aqui vou de Willian Magrão, do Grêmio. Note-se que não é o mesmo nome do zagueiro corintiano. Este acaba com “n“, aquele, com  “m“. Os pais que escolhem nomes com W têm sutiliezas surpreendentes.

Meia: Willian, do Vitória. Para quem não lembra, é aquele promissor jogador que surgiu no Palmeiras, mas teve um problema no coração e quase parou de jogar.

Atacante: Para uma das vagas fiquei em dúvida entre dois jogadores do Atlético Paranaense. Um é Wesley. Ele foi apenas uma promessa no Santos, mas agora, mais encorpado e com penteado afro-moderno, parece estar melhor. O outro é Wallyson, que já fez três gols na temporada. Como Wesley marcou apenas um, fico com Wallyson.

Atacante: A outra vaga é de Willians, do Palmeiras, jogador rápido, que deixou Keirrison (olha um K aí) várias vezes na cara do gol.

Centroavante: Aqui há uma boa briga entre Wellington Paulista, do Cruzeiro, e  Washington, do São Paulo. O primeiro é mais rápido. O segundo funciona mais como pivô. Wellington Paulista tem oito gols no Brasileiro, Washington, sete. Mas, como já temos dois atacantes que correm bastante, fico com o são-paulino.

O técnico, obviamente, será Wanderley Luxemburgo.

E Wando cantará o hino do time.

Por Torero às 06h56

27/08/2009

Toreroteca para crianças

Não, não teremos jogos infantis na toreroteca de hoje. É que o prêmio será o lindo, maravilhoso e espetacular livro de meu sobrinho Leocádio, que todo mundo chama de Lelê. Livro este que ainda está quentinho, pois acabou de sair da gráfica.

Vamos aos jogos:

Para abrir os serviços, dois jogos decisivos, de quatro candidatos ao título: São Paulo x Palmeiras e Internacional x Goiás.

Depois, as duas semifinais da Série C: Icasa x ASA e América x Guaratinguetá. Aqui valem os resultados dos jogos, não os classificados.

E, por fim, dois jogos das curiosas quintas-de-finais da Série D: Sergipe x Alecrim e São Raimundo x Cristal (que é uma coisa que sempre corre perigo quando meu sobrinho está por perto).

Meu voto é empate, Inter, empate, América, empate e São Raimundo.

Ganha o primeiro que acertar os seis jogos.

Por Torero às 08h33

26/08/2009

O Brasileiro em frases de caminhão

 
 

O Brasileiro em frases de caminhão

Neste sempre aos domingos de meio de semana, coloco um texto do Eduardo Santana, que, aliás, faz 27 anos hoje.

Texto de Eduardo Santana

Com o término do primeiro turno, procurei resumir em uma frase, a participação de cada um dos vinte times da série A.
Esta na mesma ordem da classificação em 19/08/2009.
Para isto, usei as famosas filosofias de parachoques de caminhões, que considero fonte interminável de conhecimento e reflexão.
  
Palmeiras: Não vou bem como quero, nem mal como pensam!

Goiás: Não sou creme dental, mas estou na boca de todo mundo!

Internacional: Aos que falam de mim pelas costas, obrigado. É sinal que estamos sempre na frente!

São Paulo: O mundo abre as portas para aqueles que sabem onde querem ir!

Atlético Mineiro: Não me siga, posso estar perdido!

Avaí: Se tamanho fosse documento, o elefante era o dono do circo!

Grêmio: É bom ser importante, mas mais importante é ser bom!

Corinthians: Quem compra o que não pode, vende o que não quer!

Barueri: Na subida Deus me ajuda, na descida Deus me acuda!

Flamengo: Estatística é igual a biquíni, mostra tudo, mas esconde o essencial!

Vitória: Quando acerto ninguém se lembra! Quando erro ninguém esquece!

Santos: O pior da velhice é lembrar a mocidade!

Atlético Paranaense: Antes tarde do que mais tarde!

Cruzeiro: Ontem eu sonhava com o futuro, hoje nem consigo pegar no sono!

Botafogo: Nosso amor virou cinzas porque nosso passado foi fogo!

Coritiba: Minha vida é uma rede que o destino balança!

Santo André: De onde menos se espera é que não sai nada mesmo!

Náutico: Para quem está afundando, jacaré é tronco!

Fluminense: Perigo não é um cavalo na pista, é um burro na direção!

Sport: Não há melhor momento do que hoje, para deixar para amanhã, o que não vai fazer nunca!

 

Por Torero às 08h51

Travessuras

Para os nadadores (e pais de nadadores) que leem este blog, aviso que Ana Mesquita, que já teve seu livro como prêmio da toreroteca, vai lançar amanhã o seu "A travessura do Canal da Mancha", no qual ela conta como fez a célebre travessia a nado entre França e Inglaterra.


www.anames.com.br
http://anamesquita.zip.net

Por Torero às 08h40

25/08/2009

Tico, Teco e as quintas-de-finais

(Texto publicado hoje na Folha de S.Paulo)

 

Estava eu num spa, tentando perder alguns quilos indesejáveis, quando escutei duas vozes conhecidas atrás de mim:

“Este suco de kiwi com lima está excelente, Teco.”

“O meu de amoras com morango também é muito bom, Tico.”

Pensei que era apenas uma coincidência de nomes, mas, quando virei a cabeça, percebi que eram eles, Tico e Teco, os dois baluartes da organização ludopédica nacional.

Para quem não os conhece, apresento-os: Tico é superintendente de regulamentos da CBF. Teco é diretor-geral de calendários e tabelas. Eles são os responsáveis pela elaboração dos campeonatos mais curiosos do nosso futebol. Lembram daquele Brasileiro de 1979 com 94 times? Coisa deles. Sabem o Paranaense deste ano, quando o Atlético jogou todas as partidas da fase final em casa? Coisa deles.

Pois bem, enquanto eu comia um delicioso chuchu recheado com uma saborosa ricota e enrolado em tenras folhas de alface (tenho que usar muitos adjetivos para dar algum gosto a essa comida), agucei os ouvidos para ouvir sua conversa:

“Bem que merecemos estas férias, não é, Teco?”

“É verdade, Tico. Eu já estava ficando estressado.”

“Bolar o regulamento da Série D foi cansativo demais.”

“O importante é que não perdemos a mão. Novamente conseguimos surpreender todo mundo.”

“Desta vez eu fiquei preocupado.”

“Eu também. Quando disseram que tínhamos que fazer um campeonato com quarenta clubes, vinte do norte e vinte do sul, pensei que estávamos perdidos.”

“Por que não 41 times? Ou então 39?”

“E, já que eram quarenta, por que não 17 de um lado e 23 de outro?”

“Andam podando a nossa criatividade, Teco.”

“Esses números redondos são uma censura à nossa arte, Tico.”

“Mas nós não nos intimidamos.”

“Conseguimos deixar a nossa marca.”

“Inventamos as décimas e as quintas-de-finais!”

“Coisa de gênio!”

“Os outros campeonatos têm oitavas e quartas-de-finais, mas, décimas e quintas, só a nossa gloriosa Série D.”

“Viva nós!”, disseram eles enquanto batiam seus copos com sucos coloridos. Depois que tomaram um gole, Teco continuou:

“Foi brilhante dividirmos os quarenta clubes em dez grupos de quatro. Qualquer outro dividiria em oito de cinco, classificando dois de cada grupo, e aí sobrariam 16 clubes.”

“Mas nós, não. São décadas de experiência. Por isso fizemos com que vinte times passassem para a primeira fase do mata-mata. Criamos as décimas!”

“E agora, com dez clubes, teremos as quintas!”

“O melhor é que, para a próxima fase, as quartas-de-finais, passarão os cinco que vencerem seus adversários e mais três perdedores.”

“Criamos uma fase inteira para descartar só duas equipes. Um luxo!”

“E até quem perder seus dois jogos pode se classificar.”

“Que beleza, Tico! Inventamos a derrota classificatória.”

“É o mata-mata com ressurreição!”

“Nunca na história desse país houve gente tão criativa como nós.”

“Mais um brinde, Teco.”

“Mais um brinde, Tico.”

 

Por Torero às 07h55

24/08/2009

Ah, becê do fim de semana

Azul: Palmeiras estreou a nova camisa azul com o pé direito. Ou, no caso, com o braço direito. Venceu o Inter, um de seus principais concorrentes ao título, e se isolou na liderança.

Bahia: Ganhou do ex-líder Atlético-GO e subiu quatro posições, indo para décimo-segundo lugar. O bom técnico Sérgio Guedes começa a acertar o time. 

Ceará: Goleou o América-RN por 5 a 1, fora de casa, e voltou ao G-4 da B (isso não parece batalha naval?).

Decadência: O Atlético-MG não ganha há quatro jogos. Chegou a liderar o campeonato, mas agora está num modesto sexto lugar.  

Empate: O Fluminense empatou, em casa, com o Barueri. Já são cinco jogos sem vitória. E as frases otimistas de Renato Gaúcho são um mau sinal.

Flamengo: Levou três na terceira derrota seguida. Ainda assim, em 14º., é o melhor dos cariocas.

Genus: O time de nome estranho de Porto Velho está fora da terceira fase da Série D. Empatou e perdeu para o São Raimundo, de Santarém. Agora restam dez equipes lutando pelas quatro vagas.

Haway: Estado norte-americano que não tem nada a ver com o homônimo que está fazendo uma bela campanha no Brasileiro. O Avaí freqüentava a zona de rebaixamento, mas engatou uma quinta marcha e ontem entrou pela primeira vez para o G-4.

Incêndio: É o que estava acontecendo no Sport, com dez partidas sem vitória. Para apagá-lo chamaram Chamusca. E parece que, apesar do paradoxo, começa a dar certo. O time venceu o Vitória e passou a lanterna para o Fluminense.

Juízes: Foi gol com a mão de André Lima, mas não houve a falta cobrada por Marcinho nem o pênalti em Jorge Henrique. Ou seja, neste jogos de erros acabou Corinthians 2 x 1 Botafogo. Com os dois gols validados contra o Inter, esta semana o Corinthians contabilizou quatro pontos ganhos por erros da arbitragem.

Líder: O Vasco chegou a ficar lá pela oitava posição, mas se recuperou e acabou como líder da Série B. Ainda por cima tem três pontos de vantagem para o segundo colocado e nove para o quinto.

Montanha russa: O Santo André vinha de duas derrotas. O Coritiba, de duas vitórias. Mas nenhum deles foi tri. O Santo André venceu e parou de cair. O Coritiba perdeu e deixou de subir. Na montanha russa do Brasileiro, é raro manter uma seqüência de resultados. Quem consegue, como Avaí e Goiás, escala a tabela.

Norte: No clássico alado da Série C, entre ASA x Icasa deu empate. O primeiro gol só surgiu aos 23 do segundo tempo, com os visitantes. O time de Arapiraca empatou quatro minutos depois, com Dindira. Pela lógica, o Icasa é favorito, mas vale lembrar que na fase anterior o ASA se classificou ao arrancar um empate em 2 a 2 com o Rio Branco, no Acre. Ou seja, é um time que se dá bem fora de casa.

Óbvio: As garotas do vôlei venceram o Grand Prix. Elas estão sobrando. Talvez seja a melhor fase da história do vôlei feminino brasileiro.

Paulo Báier: Foram sete vitórias seguidas do São Paulo. Mas Paulo Báier, de 35 anos, acabou com a festa.

Quina: Sinônimo de cinco. Pela Série D, o Cristal estava perdendo por 2 a 0 para o Nacional-AM, resultado que o desclassificaria. Mas, no segundo tempo, o time fez nada menos do que cinco gols, uma virada e tanto.

Relâmpago: Foi o primeiro gol do Cruzeiro contra o Náutico. Com apenas 16 segundos os mineiros já estavam em vantagem.

Sul: Na Série C, pela semifinal do Sul, o Guaratinguetá conseguiu um bom resultado contra o América-MG. Venceu por 2 a 1. O resultado foi bom, mas não excelente. O América precisa apenas vencer por 1 a 0 para ir à final.

Tupi: Até os 37´ do segundo tempo, estava perdendo para o Fluminense-BA por 2 a 1, o que o colocaria fora das quintas-de-finais da Série D (isso mesmo, quintas-de-finais). Mas o time mineiro fez dois gols nos instantes derradeiros e está entre os dez classificados.

Uberaba e Uberlândia: Não teremos o clássico Bebê, entre Beraba e Berlândia, na Série D. O Uberaba até fez sua parte, passando pelo Brasília, mas o Uberlândia foi superado pelo Araguaia.

Valente: O Londrina, que já foi três vezes campeão paranaense e venceu uma Série B do Brasileiro, parece estar voltando aos bons tempos. Classificou-se de forma milagrosa na primeira fase da D, e agora passou às quintas de finais (amanhã explico melhor esta história de quintas-de-finais).

X: Dez em algarismos romanos. Número de vitórias conquistadas por Barrichello na Fórmula Um. A de ontem foi perfeita. A primeira fora da Ferrari. No fim do ano passado ele quase ficou desempregado, mas voltou e deu a volta por cima. Mesmo que encerre a carreira este ano, sua história terá um ar mais vitorioso depois desta temporada.

Zigue-zague: Assim caminha o Grêmio na tabela. Não perde em casa, não ganha fora. Numa semana desce, na outra sobe.

Por Torero às 08h57

23/08/2009

Toreroteca

E o vencedor desta edição foi Marcelo Kosienski, que chutou um público de 18.123. Errou por 61, já que o número total foi de 18.184. Merecidamente, ele receberá meus Vermes.  

Por Torero às 19h06

Campeonato Brasileiro 2029 – Versão Pessimista

 
 

Campeonato Brasileiro 2029 – Versão Pessimista

(Continuando o debate, vai aí o texto pessimista. Tem um estilo muito parecido com o de ontem, inclusive com um certo sãopaulinismo)

Texto de Lino Porto

O Futebol Brasileiro não se modernizou. Nosso calendário é o único no mundo a não seguir o modelo Europeu. Ricardo Havelange Neto, presidente reeleito da CBF afirmou: “eles é que tem que nos seguir, somos o maior pé-de-obra do mundo” e num momento de humildade: “nossa meta é sediarmos a Copa de 38, precisamos mostrar ao mundo que melhoramos em relação à de copa 14”.

Abaixo uma análise rápida dos times com mais chances nessa temporada:

1) São Paulo - conquistou Oito Brasileiros em 10 anos. Perdeu em duas oportunidades para o Internacional por estar disputando simultaneamente o Mundial de Clubes. Como não houve consenso para alteração do calendário brasileiro, o tricolor do Morumbi abdicou por duas vezes do Brasileirão, jogando com um time B, para tentar o Mundial de Clubes, sem sucesso, já que não conseguiu tempo para a pré-temporada.

2) Palmeiras - vem fazendo boas campanhas no Paulistão, agora com 32 clubes, e no Brasileirão, que voltou a ser mata-mata graças a pressão da Televisão (a GloboCord, fusão da Globo com Record), já que o ano continua com apenas 52 semanas. Na Libertadores também tem conquistado algumas semi-finais muito emocionantes, perdendo somente nos pênaltis.

3) Corinthians – supercampeão paulista do século XXI (já são 17 títulos). Continua tentando chegar às quartas-de-final da Libertadores. Há um consenso de que não pode pegar time argentino nesta fase, pois em geral os portenhos estão com mais preparo físico, já que faz 60 jogos por ano, ao contrário do Timão, que bateu recorde mundial ao disputar 106 partidas em 2025, com aproveitamento superior a 75%, grande audiência na TV e em seu estádio (o Lulão, construído em Guarulhos com dinheiro público), embora com poucos títulos relevantes.

4) Santos - caiu para a série B do Brasileirão, mas emplacou alguns títulos paulistas. Continua relutando em abandonar a histórica Vila Belmiro e jogar na nova arena do Pacaembu. Indeciso entre ser grande, médio ou pequeno, continua sendo apenas aquele "time todo de branco", estoicamente sem patrocínio.

5) Portuguesa - exemplo de time bem administrado, e com a força da economia portuguesa dando uma ajuda na gestão moderna, já é a terceira força do estado e a quarta em torcida. De time mais simpático do Brasil, a recente conquista da Libertadores já o fez ser um dos mais odiados.

6) Flamengo e Vasco - dividem os títulos do cada vez mais empolgante campeonato carioca (com 28 clubes na única divisão), recorde de audiência na TV e Maracanã sempre lotado. A briga pela Sul-Americana também tem empolgado as duas crescentes torcidas. "Libertadores não é tudo isso", diz o presidente Roberto Dinamite, em seu quinto mandato seguido. Na ausência dos grandes que estão na Libertadores (com 64 clubes, sendo 8 brasileiros por pressão da CBF e da Globo), o Flamengo chegou ano passado à sua nona conquista de Copa do Brasil diante do Sampaio Correia em pleno Sarneyzão.

7) Botafogo - tem feito boas campanhas na série B e conquistou um inédito bi-campeonato carioca, exaustivamente comemorado por sua torcida após 18 anos de fila. Gerou um filme de sucesso: "A Batalha do Engenhão", sobre a espetacular vitória sobre o Goytacaz, de virada, com dois jogadores a menos.

8) Fluminense - quase conseguiu subir após brilhante campanha na série C, mas acabou derrotado o pelo Campinas F.C., o mais novo time do Brasil, que aos poucos vem obtendo bons resultados, apesar de seus torcedores mais velhos sentirem saudades dos tempos da rivalidade entre Guarani e Ponte Preta. Os dois títulos paulistas fizeram crescer uma legião de novos torcedores na cidade. Segundo o IBOPE, já tem a maior torcida do interior, superando a do Santos.

9) Grêmio e Inter – têm os dois mais modernos estádios do país. Alternam títulos com freqüência. Chegaram ao consenso que só devem entrar no campeonato gaúcho no quadrangular final, tendo tempo livre para essa “frescura” da pré-temporada, geralmente no exterior. Preferem os títulos internacionais aos nacionais. São os clubes brasileiros mais conhecidos no exterior depois do São Paulo. Além de lucrativos, são os únicos que importam craques. Mas os gaúchos tradicionalistas reclamam que os times perderam a "pegada=“ que tinham no século XX, virando presas fáceis de argentinos e uruguaios. O Último Gre-Nal teve apenas oito faltas.

10) Cruzeiro - domina o cenário mineiro. Está sempre na Libertadores. “O time do quase", pois quando está próximo de conquistar títulos, seu presidente, Perrella Neto, desmonta a equipe, faz fortuna e amplia a Toca da Raposa, o melhor centro de treinamento da América latina.

11) Atlético MG - chegou pela vigésima - sexta vez entre os quatro melhores do Brasileirão. Suas chances aumentaram depois que retornou o mata-mata. Sua torcida continua tendo a melhor média de público do país. O América MG fechou suas portas ao ficar em último na Série C mineira.

12) Bahia - time também fechando as portas depois de não se classificar para a série D e rejeitar a fusão com o Vitória, hoje na B. A nova Fonte-Nova, construída para a trágica Copa de 2014, é hoje o mais moderno centro de convenções do país depois que Salvador foi declarada Patrimônio da Humanidade.

14) Atlético Coritiba e Paraná - rejeitaram categoricamente qualquer possibilidade de fusão. Após quatro anos tendo os três times na Série B, finalmente o Paraná subiu e será o terceiro time do Sul na Série A, além de Grêmio e Inter. Usará a Arena da Baixada num acordo com o Furacão para que o co-irmão não decrete falência e tenha que, a exemplo do Coxa, vender seu estádio para pagar suas dívidas.

15) Seleção Brasileira – há 13 anos não joga no Brasil. CBF apóia candidatura da Nova Zelândia para a próxima Copa por acreditar que o Brasil sempre se dá bem nas Copas em países futebolisticamente neutros. O presidente da CBF diz que o futebol brasileiro é o mais lucrativo do mundo, e isso é o que importa. Aliás, num brilhante acordo com a UEFA, a decisão da Champions League deste ano será no Vivaldão, em Manaus, revitalizado após seu Último uso, o histórico Nigéria x Costa Rica em 2014...

Por Torero às 08h00

22/08/2009

Campeonato Brasileiro de 2028/2029 – Versão otimista

 
 

Campeonato Brasileiro de 2028/2029 – Versão otimista

(Hoje e amanhã publicarei dois textos dos irmãos Porto, Cláudio e Lino. São duas divertidas versões, uma otimista e outra pessimista, de como estará nosso futebol daqui a alguns anos.)

Texto de Cláudio Porto

Desde as mudanças no calendário do futebol nacional há mais de 15 anos, e da Copa do Mundo de 2014 realizada no Brasil (com alguns problemas, é verdade), o Futebol Brasileiro passou pro grandes mudanças e se profissionalizou mais, ou se Europeizou.

Mudanças na legislação tornaram os clubes patrimônios de empresas, com ações na bolsa e tudo mais.

Vários estádios foram reformados, inclusive os que não foram os escolhidos para a Copa. Transformaram-se em Arenas multiuso, modernas e elitizadas, bem ao gosto das torcidas classe média que os freqüentam lotando seus camarotes.

No nosso futebol, ao seguir o calendário “Europeu” desde antes da fatídica Copa, joga-se durante as férias de verão e feriados de fim de ano, época que, aliás, o campeonato pega fogo, mais pelo calor do que pela ausência da torcida nos estádios, ao contrario dos Europeus que não jogam durante suas férias de verão, é lógico.

Farei um breve resumo de alguns dos times participantes do campeonato nacional deste ano com suas chances na temporada que se inicia:

1) São Paulo: O time paulista busca seu Décimo Segundo titulo nacional e abdicou de jogar o micro campeonato estadual (de 10 rodadas) pelo terceiro ano seguido para fazer a chamada pré-temporada no leste Europeu (de exposição de jogadores ao público, visando vendê-los antes dos 20 anos de idade, e continuando a ser o mais bem sucedido time brasileiro financeiramente). O SP é o único time brasileiro que atualmente excursiona pela Europa, graças à Empresa que é dona de sua marca ser também a do time italiano do Palermo.

2) Corinthians: Desde que construiu seu estádio próprio em Diadema, o Lulão, os 60 mil lugares só lotaram na inauguração. Teve que remodelá-lo aos padrões atuais, reduzindo a capacidade pela metade, porém com os melhores e maiores camarotes corporativos da América Latina. Também pudera, é fato que a torcida corintiana é atualmente a mais elitizada do país. O time está no oriente médio fazendo sua bem sucedida pré-temporada.
Vai tentar uma vaga na libertadores, seu maior sonho de conquista.

3) Palmeiras: Em crise por não ganhar um título há quase 10 anos, a Arena do palestra é atualmente a melhor casa de espetáculos de SP. Usada para grandes shows e exposições quase que ininterruptamente, os torcedores do time culpam a abstinência de títulos pelo fato de terem de jogar no Canindé a maioria de seus jogos. Também abdicou esse ano de participar do Estadual para excursionar pela América central, de onde sempre acha algum craque se formando e o trás na bagagem para revendê-lo a Europa ou Argentina, futebol mais rico da América do Sul.

4) Santos: Luta pelo inédito tri campeonato paulista. O histórico estádio da vila foi novamente modernizado e agora com mais camarotes de vidro e poltronas King Size, sua capacidade foi reduzida de 9 para 8 mil torcedores. Depois de subir da Serie B no ano passado, a Empresa dona da marca promete reviver as glórias do passado, tentando conquistar uma das 8 vagas brasileiras para a libertadores. O novo uniforme amarelo parece ter sido bem aceito, já que mostra melhor a marca do patrocinador.

5) Flamengo e Vasco: O mais querido ainda não retornou do Japão, onde faz habitualmente sua pré-temporada. Nos últimos anos, conseguiu ser duas vezes vice-campeão da Libertadores e ganhou 4 Copas do Brasil. Mesmo jogando com seu time B (o A por exigência da Empresa detentora da Marca joga amistosos pelo interior inaugurando estádios), é o atual tri campeão carioca.
Apesar de perder para o rival o mini campeonato estadual por 3 vezes seguidas, o Vasco já conquistou 4 libertadores em sua história e por isso merece respeito, apesar de não conseguir repetir o feito no mundial, título ainda perseguido pela sua empresa patrocinadora. Ambos administram o novo Maracanã, estádio construído no lugar do antigo, desde a fatídica final da Copa de 14.

7) Rio de Janeiro F.C.: O time formado pelos históricos times do Flumifogo e Botanense só conseguiu um titulo do campeonatinho estadual no ano de sua fundação (histórico jogo chamado por seus torcedores de “A batalha do Engenhão”, onde virou o jogo contra o Americano faltando 5 minutos). Quase desceu ano passado para a série B e esse ano sua torcida não parece se animar muito. A diretoria da empresa detentora da Marca não consegue entender como o novo time só tem 10% da torcida carioca, se os dois anteriores tinham 15% cada, contrariando a aritmética.

8) Cruzeiro: O maior finalista de libertadores do Brasil entra esse ano novamente como favorito. Já são 8 vice campeonatos. Tem cerca de 80% da torcida mineira e pelo 5° ano consecutivo vê seus pequenos rivais locais, Atlético e América lutarem para não cair para serie C, embora sejam os maiores vencedores do micro campeonato regional.

9) Inter e Grêmio: Dupla gaúcha que mais jogadores cederam para seleção nos últimos anos. Dois. Depois do São Paulo, são os times brasileiros mais conhecidos no exterior, pois há tempos aprenderam a poupar seus jogadores no campeonato nacional e focarem a Libertadores. O Inter já é tri campeão mundial e o Grêmio, embora tenha mais libertadores no curriculo, nunca mais teve sucesso no mundial.

10) Atletiba F.C.: O novo time paranaense luta esse ano por uma vaga na Sul-Americana. Nunca venceu um estadual, que esse ano teve o surpreendente Corinthians Paranaense acabando com a série de 5 titulos do Paraná, time de maior torcida do estado.
Partes de sua pequena e elitizada torcida colocam a culpa na maldição do estádio da baixada onde o time manda seus jogos (O estádio foi palco do desagradável incidente na Copa de 14 entre Argentina e Bulgária, onde torcedores argentinos entraram em confronto com os brasileiros que torciam pela Bulgária, causando destruição e mortes nos arredores). O Antigo Couto Pereira foi demolido e deu lugar a mais um Shopping.

11) Recife F.C.: A inédita união de 3 históricos times de Recife ainda não conseguiu se transformar em realidade. No Olindão, estádio onde ocorreu um lamentável incidente na Copa de 14 (quando vários jogadores da Suécia passaram mal com insolação devido ao jogo contra Camarões ter sido ao meio dia), é comum ver brigas e 3 divisões na sua torcida. Foi vice-campeão da copa do Nordeste (torneio que substituiu o estadual na pré temporada), perdendo para o ASA de arapiraca a final.

12) Campinas F.C.: Time com bonito uniforme branco com faixa diagonal em verde. Herdou de seus antecessores a campanha do Guarani em campeonatos Paulistas e a campanha da Ponte em campeonatos brasileiros, ou seja, no estilo pior qualidade, melhor defeito.

13) Floripa F.C.: Ganhou um estadual em sua estréia e só. È o time do coração do antigo e famoso campeão de tênis Eduardo Kuerten, o DUDA e de todos os surfistas. Revela craques que ficam no time durante toda uma metade de temporada. Luta pra não cair.

 
 (Leia amanhã a versão pessimista, se é que essa pode ser chamada de otimista)

Por Torero às 11h25

21/08/2009

A seleção, digo, seleson, do Brasileiro

Juntando o dia dos pais e a convocação de Dunga, veio-me a idéia de montar uma seleção de filhos.

Claro, todos os jogadores são filhos de alguém, mas estou falando daqueles que são filhos no nome, daqueles que têm a partícula “son”, que, como bem sabe o leitor, significa “filho de”.

Na verdade, a coisa vem do inglês, mas os brasileiros gostam tanto do som do “son” que não há um time na Série A, nem unzinho, que não tenha um jogador com o nome terminado deste jeito.

Vamos à Seleção dos Sons, uma verdadeira “Seleson”:

Goleiro: Fico com Edson Bastos, do Coritiba (que, aliás, tem Wanderson como reserva).

Lateral direito: Joílson, do Grêmio, aquele que estava no São Paulo.

Zagueiros: Poderia ficar com algum Emerson, como o do Botafogo ou o do Avaí. Mas ficarei com outro jogador do time catarinense: Anderson. E com o pentacampeão Edmílson, do Palmeiras.

Lateral esquerdo. Cogitei em escolher Jorbison, do Flamengo, mas, como ele já foi escalado na seleção dos bebês, escolho o veterano Athirson, do Cruzeiro, jogador que poderia ter tido uma carreira mais brilhante, mas foi atrapalhado por contusões e idas infelizes para o exterior.

Volantes: Aqui há várias opções, como Jonílson, do Galo, Adilson, do Grêmio, e Gladyson, do Inter. Mas ficarei com os dois mais famosos: Emerson, do Santos, que está suando a camisa para voltar à antiga forma (inclusive à noite, nas boates santistas) e Richarlyson, do São Paulo, que voltou a jogar como antigamente.

Meias: Fico com Kléberson, do Flamengo, e Madson, do Santos, que tem um nome que poderia ser traduzido como “filho do louco” (o que explica um pouco a sua correria em campo).

Atacantes: Aqui, para não repetir nomes, deixarei de fora Emerson, do Flamengo. Em seu lugar escalarei o garoto Wallyson, um dos artilheiros do Atlético-PR, e o bom Taison, do Internacional.

Para resumir, a seleção seria: Edson; Joílson, Anderson, Edmílson e Athirson; Émerson, Richarlyson, Kléberson e Madson; Wallyson e Taison.

Não seria um time ruim de ver. Mas seria péssimo de narrar. Pobre Galvão Buenoson.

 

Por Torero às 08h53

20/08/2009

Toreroteca

Como o principal assuntos da semana no blog foi o público nos estádios, farei uma toreroteca diferente. O vencedor será aquele que primeiro chegar mais perto do público total do jogo entre Corinthians e Botafogo.

Para ajudar o leitor, lembro que a média corintiana é de 18.313, e no último jogo houve 21.947 torcedores. Vale o número total, não apenas o de pagantes.

Meu palpite é 22.222.

O prêmio, em homenagem às recentes atividades do Senado,  é "Os vermes".

   

Por Torero às 08h22

19/08/2009

Futebol e violência no Festival de Curtas

Amanhã começa o Festival Internacional de curtas-metragens de São Paulo. É o vigésimo. Trata-se de um programaço. Um monte de filmes bons, raros e de graça.

Ele vai de 20 a 28 de agosto, e estará espalhado por dez cinemas em São Paulo. Eu tentarei ver o máximo possível (para roubar idéias, é claro).

Toda a programação pode ser encontrada aqui: http://www.kinoforum.org.br/curtas/2009/. E nos próximos dias os jornais darão os destaques do festival.

Indico três:

1-) "Ernesto no país do futebol"

Dia 22/08 - sábado - 15H00 - Cinemateca - Sala BNDES
Largo Senador Raul Cardoso, 207 - Vila Clementino - 04021-070 - São Paulo

Dia 23/08 - domingo - 16h00 - MIS
Avenida Europa, 158, Jardim Europa 

Para ver o trailer, clique aqui.


2-) "O filme mais violento do mundo"
 
21/08 - 21 h - Sala BNDES na Cinemateca
22/08 - 18 h - Cineclube Grajaú
23/08 - 18 h - Centro Cultural São Paulo
25/08 - 19 h - Cinesesc

3-) E "Juventus Rumo a Tóquio":

Dia 21/08, às 16H00, no Centro Cultural São Paulo
Dia 22/08, às 20H00, no Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso
Dia 23/08, às 17H00, no Cine Olido
Dia 27/08, às 18H00, no Cineclube Grajaú

Este último tem blog e trailer:

Clique aqui para ir ao blog.

Clique cá para ver o trailer.

Por Torero às 08h05

18/08/2009

A maior torcida do Brasil

(Texto de hoje na Folha, mas com novos números)

 

Neste fim de semana resolvi conhecer um pouco melhor a maior torcida do Brasil. Não, não estou falando de flamenguistas ou corintianos. Hoje, a maior torcida do Brasil é outra. É a do Clube Atlético Mineiro. Pelo menos quando se fala em torcida nos estádios.

Se o leitor duvida e a leitora desconfia, podem olhar lá no site na CBF. Nos jogos em casa, ninguém leva mais torcedores que o Galo. Ninguém nem chega perto. Ele tem 41.022 torcedores em média. O Flamengo, segundo colocado, está 12 mil torcedores atrás. Nem se somarmos gremistas (19.398) e são-paulinos (19.381), terceiros e quartos colocados, eles alcançam o clube mineiro. E o Corinthians (18.313) está apenas em sexto lugar, atrás do Sport. Ou seja, a torcida do Galo está dando uma surra nas outras. E a melhor das surras, a surra metafórica.

Curiosamente, quando cheguei ao Pacaembu, a arquibancada destinada aos visitantes estava ocupada em apenas um terço. Era uma torcida familiar, com muitos velhos, mulheres e crianças. Fiz uma pesquisa com as pessoas em torno e vi que a grande maioria era de mineiros que vieram trabalhar em São Paulo.

Por acaso, ou não, sentei-me perto de duas senhoritas: Gabriella, com dois eles, e Elen, com um ele só. Como é comum nas mulheres, elas possuíam teses interessantes sobre futebol. A primeira disse que se houvesse um Brasileiro a cada dois meses seria mais divertido. “Aí todo mundo ganhava um e ninguém ficava triste”. A segunda confessou que torcia para que o Atlético não fizesse um gol logo de cara, pois assim o Corinthians não viria para cima deles.

Às 16h00 em ponto chegou a Galoucura, principal torcida organizada do Atlético, e ocupou outro terço da arquibancada. Chegou bem-humorada e cantando uma música que dizia “a Galoucura nunca para de cantar”. Em suas camisas, lia-se uma frase do filme 300: “Não lhes dêem nada, mas retirem deles, tudo”. Também poderia ser um slogan da classe política em relação aos seus eleitores.

A arquibancada ficou claramente dividida. Na parte de cima, os torcedores comuns. Na de baixo, os organizados. A Galoucura deu uma grande animada nos comuns. Todos levantaram e assistiram ao jogo em pé. Mesmo porque, com a organizada levantada, ninguém enxergaria o jogo sentado. Foi uma convivência pacífica, tanto que vi alguns comuns comprando camisas e adesivos da Galoucura.

Quando começou a partida, com o time mineiro meio confuso e lento (eram seis desfalques), os comuns se mostraram apreensivos. Já os da organizada batucavam sem parar. Só pararam aos 26’ do primeiro tempo, quando Dentinho fez 1 a 0.

Enquanto os corintianos davam um grito que ecoava pelo Pacaembu, na arquibancada ninguém falava uma palavra e mesmo o batuque da Galoucura emudeceu. Fez-se um silêncio de quando se fecha caixão em velório.

Mas, alguns segundos depois, a torcida recomeçou com sua música e os comuns ressuscitaram. “Vamos virar”, disse um otimista com rabo de cavalo à minha frente.

Depois deste primeiro gol, começou uma certa animosidade entre a Galoucura e os corintianos do tobogã, a arquibancada ao lado. Os mineiros começaram a cantar músicas pouco elogiosas, como “Doutor, eu não me engano, fdp é corintiano”. De lá, os corintianos também cantavam músicas e versos ofensivos. Mas não se escutava nada do lado de cá. Provavelmente, também não se ouvia nada do lado de lá.

No começo do segundo tempo, os comuns ainda estavam otimistas. Quando o Corinthians ia cobrar uma falta perigosa, o sujeito com rabo de cavalo chegou a dizer: “É o começo da reação. A bola vai bater na barreira e vamos fazer gol no contra ataque”. Mas os otimistas raramente acertam. Alguns instantes depois o Corinthians faria 2 a 0, num belo chute de Boquita.

Então veio a expulsão do atleticano Renan e as esperanças acabaram de vez. Os comuns começaram a ir embora. A Galoucura, sem mais interesse no jogo, ocupou-se em trocar insultos com os corintianos.

E a conclusão a que cheguei é que a maior torcida dos estádios brasileiros não tem nada especial. É só gente comum. Se é que isso é pouco e não, tudo.

Por Torero às 08h22

Resultado da pesquisa

A pergunta era qual o time mais interessante do campeonato, e o vencedor foi o Goiás, com 31,87%. Em segundo ficou o Avaí, com 26,15%. São Paulo (21,4%) e Palmeiras (20,58%) vieram logo depois.

Pelo visto, os leitores também gostam quando veem um bom time fora do eixo Sul-Sudeste.  

Por Torero às 08h14

17/08/2009

ABC do fim da C, mano.

ASA: O clube de Arapiraca classificou-se para a Série B (0 x 0  e 2 x 2 com o Rio Branco). O time alagoano é muito simpático. No estádio, os torcedores assistem ao jogo em cima de suas bicicletas, muitos usam radinhos colados ao ouvido e a comida é ótima e variada. E na cidade ainda se pode comer uma boa carne de bode.

Barba e bigode: Expressão que indica vitória acachapante, desmoralizante. Foi o caso da do Icasa sobre o Paysandu: 6 a 2! E o time de Juazeiro do Norte precisava apenas de um empate.

Coelho: É o apelido do América-MG: Depois de seis anos, o time volta à Série B, passando pelo Brasil de Pelotas nas quartas-de-finais. (0 x 0 e 3 x 1)

Dez: Número de anos do Guará. É uma equipe jovem, mas que já tem certa torcida. Classificou-se para a Série B ao vencer o Caxias em casa (2 x 0) e empatar em 1 a 1 no Rio Grande do Sul.

Estrelão: Apelido do Rio Branco, do Acre, que é praticamente invencível em seu campo. Desta vez também não perdeu, mas o empate em casa com o ASA em 2 a 2 deu a vaga para o rival. Na C, como na Libertadores, há p desempate por gols fora de casa.

Fatias: A atual fórmula da Série C fatia o Brasil em duas grandes partes. Assim, sempre subirão dois times do Sul-Sudeste-Centro e dois do Norte-Nordeste. Me parece uma solução bem interessante.

Guaratinguetá: Caiu para a segunda divisão do paulista, mas subiu para a segunda do Brasileiro.

Hendrick: Atacante do Rio Branco que fez o segundo gol do time, empatando a partida com o ASA. Provavelmente seu pai era fã de Jimi.

Icasa: Goleou o Paysandu por 6 a 2 (bem que um leitor havia escrito que o Papão sofre jogando fora) e também estará na B em 2010. Nasceu como um time de firma, daí o estranho nome do clube.

Júnior Xuxa: Jogador do Icasa que marcou um dos seis tentos na goleada sobre o Paysandu. Deve haver uma explicação interessante para este apelido, deve haver.

Lentidão: O Brasil de Pelotas demorou 14 horas (entre ônibus, avião e aeroporto) para chegar em Belo Horizonte a fimde enfrentar o América.

Multidão: Mais de 25 mil pessoas foram ver Caxias x Guaratinguetá.

Nove: O ASA acabou o jogo com apenas nove jogadores, mas segurou o empate. Estes nove vão contar esta partida para seus netos, e dizer que participaram de uma batalha na floresta que levou o ASA à segunda divisão do Brasileiro.

Onze: Com apenas 11 minutos, a partida entre Rio Branco e ASA já estava 1 a 1. 

Paulistão: Com a subida do Guaratinguetá, se nenhum paulista subir para a Série A, no ano que vem teremos seis equipes deste estado na B. Praticamente um paulistinha.

Quase: Aos 20’ do segundo tempo, o Brasil de Pelotas estava se classificando em vez do América-MG, pois o jogo estava 1 a 1 (e o primeiro tinha sido 0 a 0). Mas, aos 24´e aos 26’, Leandro Ferreira e Bruno Mineiro fizeram os gols que deram a classificação ao Coelho. O de Bruno Mineiro foi lindo, com direito a drible da vaca dentro da grande área.

Recorde: O time da Série C que mais levou torcedores ao seu estádio foi o Paysandu. Sua média ficou em 12 mil, mais do que, por exemplo, Santos e Botafogo na A.

Sacode a poeira e dá a volta por cima: Trecho de uma famosa música de Paulo Vanzolini e que pode servir ao Icasa. O time foi rebaixado para a segunda divisão do campeonato cearense, mas sacodiu a poeira e estará na B do Brasileiro em 2010. 

Técnicos: O do América é Givanildo. Os corintianos e santacruzenses quarentões se lembram bem dele. Já o do Guará é Vilson Tadei, ex-jogador de Grêmio, Vasco, Inter e Guarani. Como técnico, especializou-se em dirigir times das divisões inferiores do interior paulista.

Úbere: Fértil, fecundo. Em matéria de gols, os dois jogadores mais úberes da Série C são Nena, do ASA, e Marciano, do Icasa, com oito gols cada um.

Veteranos: Há vários deles no América-MG, como Evanílson (que passou pela seleção), a eterna promessa Irênio, o zagueiro Preto (ex-Santos) e Euller, o filho do vento (que agora já deve ser avô do vento, mas ainda faz seus gols).

Xavante: Nome pelo qual é conhecido o Brasil de Pelotas. Neste domingo ele perdeu a chance de se classificar para a segunda divisão nacional, mas, para uma equipe que sofreu uma tragédia há pouco tempo (em 15 de janeiro seu ônibus caiu num despenhadeiro, ferindo vários jogadores e matando dois), chegar às quartas já foi uma vitória e tanto. 

Zeziel: Meio campista do Paysandu que não fez nenhum gol ontem, mas me quebrou o galho de ter que achar alguma coisa para a letra “z”.

 

Por Torero às 07h24

16/08/2009

Toreroteca - resultado

O vencedor da Toreroteca, que acertou os quatro resultados e o placar de América x Brasil de Pelotas, foi Rodrigo Lopes, de São Paulo.

Só um outro leitor acertou tudo, e coloco aqui seu nome para que ele morda a testa de raiva: foi Wellinson, de Cambé, no Paraná.

Mande aí seu endereço, Rodrigo.

Meus parabéns e pêsames, Wellinson. 

Por Torero às 22h42

Lançamento

Nesta terça-feira, a partir das 19h00, o PVC vai lançar um novo livro. Será na Livraria Cultura do Shopping Pompéia. O assunto: a história dos jogadores que foram trabalhar em outros países. E ele conta a história desde o começo, em 1914, quando Arnaldo Porta saiu do Araraquara para jogar no Verona.

 

Por Torero às 20h46

Sempre aos domingos: O Corinthians e o cinema

Por Eduardo Santana
 
Fui cobrado pelo nosso ilustre Marcelo Lyra à associar os jogadores do Corinthians aos filmes cinematográficos.
Ao que parece, ele questiona o fato de eu ser Corintiano e fazer trocadilhos com outro time.
Com o atual momento do meu time não me deixa escolha, aqui vai:
 
Presidente Andres Sanches: Servindo a Máfia
 
Diretor Mário Gobbi: Tudo por Dinheiro
 
Técnico Mano Menezes: Náufrago
 
O time: Fim dos Dias
 
Felipe: O que é isso companheiro(s)?
 
Alessandro: Capote
 
Jean: Gladiador
 
Chicão: Era uma vez...
 
Willian: O Pacificador
 
Diogo: Um Homem sem Passado
 
Escudero: A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça
 
Bruno Bertucci: Sobre Meninos e Lobos
 
Balbuena: Sonho de Uma Noite de Verão
 
Moradei: O Pequeno Stuart Little
 
Edu: Déjà Vu
 
Morais: Foi apenas um sonho
 
Marcelo Oliveira: Fantasmas do Passado
 
Elias: Traffic
 
Marcelinho: Onde os fracos não tem vez
 
Boquita: Em nome do Pai
 
Jucilei: O Corcel Negro
 
Dentinho: Sonhando com Milhões
 
Bill: Madame Satã (Kill Bill seria muito óbvio!)
 
Souza: Contrato de Risco
 
Jorge Henrique: Cidade dos Homens
 
Henrique: O Açougueiro
 
Ronaldo: Quem quer ser um milionário?
 

Por Torero às 03h15

14/08/2009

Toreroteca (com regra especial)

A Toreroteca de hoje terá apenas quatro jogos, os jogos mais importantes do fim de semana. Os jogos da Série C.

Nas série A, B e D as partidas serão interessantes, mas não definem nada. Na C, elas definem tudo. É a decisão das quartas-de-final. Quem ganhar, vai para a  a sonhada segunda divisão. E isso é mais importante que ser campeão.

Serão jogos em que suor e sangue encharcarão a grama (dramático, não?).

Pois bem, e vamos a eles:

A primeira partida é Rio Branco-AC x ASA de Arapiraca. Na primeira houve empate. Torcerei muito pelo simpático ASA, mas o Rio Branco é quase invencível em sua Arena da Floresta. Para piorar, o ASA terá os desfalques de dois titulares.

A segunda é entre Caxias e Guaratinguetá. No primeiro jogo, vitória do time paulista por 2 a 0.

O terceiro é Icasa x Paysandu. O time de paraense tem mais tradição, mas bobeou na partida de ida (1 a 1) e agora o Icasa vai decidir em Juazeiro do Norte.

E o último jogo será América-MG x Brasil de Pelotas. O Brasil teve uma tragédia há pouco tempo, quando seu ônibus caiu num barranco, matando dois jogadores. Mas se recuperou e está na decisão. Terá um trabalho duro. No primeiro confronto, zero a zero, e o América em casa é um time difícil de ser batido, comandado pelos experientes Euller, Irênio e Evanílson.

Pois bem, a diferença desta Toreroteca é que você não terá que acertar os vencedores dos jogos, mas os quatro classificados. Porém, como isso é relativamente fácil, desta vez o desempate será diferente. Não por quem votou primeiro, mas por quem acertar o placar do jogo entre América e Brasil. Assim, mesmo os leitores que apostarem depois terão boas chances.

Vai aí meu palpite:  Rio Branco, Guaratinguetá, Paysandu e América 2 x 0 Brasil. 

PS: Se dois torcedores derem exatamente o mesmo voto, aí sim vencerá quem votou mais cedo.

PS2: O prêmio é uma revista literária curitibana muito charmosa chamada Arte & Letra. Esta edição tem textos de Sartre, George Sand, Moacyr Scliar e  Jonathan Swift. Ah, e tem um meu também. Apesar disso, a revista é boa. Vote aí.  

Por Torero às 08h57

13/08/2009

Seleção de bebês

Na semana passada escalei a seleção de velhinhos do Brasileiro, e alguns leitores sugeriram que eu fizesse o contrário, ou seja, escalasse um time com os infantes do Campeonato. Pois bem, ei-los aí. E só escolhi gente com até 21 anos. Nada de veteranos de 22.

Goleiro: Eu ia escalar Felipe, do Santos, mas Bruno, 21, goleiro do Atlético, estreou ontem e estreou bem. Parece mais seguro que o santista, que ainda faz algumas coisas estranhas.

Lateral-direito: Diego Renan, 19, do Cruzeiro. O garoto de Surubim fez um belo gol contra o Santo André e já foi chamado para a seleção sob-20. Parece promissor.

Zagueiro: É raro ver-se um zagueiro tornar-se titular antes dos vinte e poucos anos. É uma posição de responsabilidade, onde não se costuma fazer experiências. Mas Rafael Tolói, do Goiás, com apenas 18 anos, já é um dos destaques do time. Ainda faz besteiras, como em sua recente expulsão contra o São Paulo.

Zagueiro: Aislan, do São Paulo, tem 21 anos e 1,93m. É raçudo e fez uma grande zaga ao lado de Breno na Copa São Paulo de 2007. O nome completo do garoto é Aislan Paulo Lotici Back. Ou seja, é beque até no nome. Outra coisa a seu favor é que foi descoberto pelo zagueiro Oscar, que entende do assunto.

Lateral-esquerdo: Jorbison, do Flamengo, tem reles 17 anos mas começou com o pé direito. Ou esquerdo, já que joga por este lado. Entrou no lugar do chato ídolo Juan e não decepcionou.

Volante: Num time de garotos, não vou colocar ninguém nesta posição. Vou fazer um time alegre, irresponsável, que joga para a frente. Por isso vou escalar quatro meias.

Meia: Ganso, 19. O jogador do Santos parece já ter uns 25. Melhorou muito de um ano para cá, mas deu uma estacionada. De qualquer forma, já merece a atenção dos adversários e é titular absoluto.
 
Meia: Oscar dos Santos Emboaba Junior, o Oscar, é considerado o novo Kaká. Vai fazer dezoito anos no mês que vem. Ainda nem pode dirigir um carro, mas já é uma esperança dos torcedores tricolores. E dos dirigentes.

Meia: Neymar, 17, é uma pérola do time da Vila. Já fez grandes lances e belos gols. É o menino dos olhos da torcida.

Meia: O corintiano Boquita, 19, também conhecido como Rafael Aparecido da Silva, faz passes inteligentes e bons lançamentos. Começou na Portuguesa e ganhou esse apelido por conta do pai, que era chamado de Boquita por reclamar demais. Mas não é reclamão como o jogador abaixo.

Atacante: Dentinho tem apenas 20 anos mas já fez mais de cem partidas pelo Corinthians. Subiu em 2007, ano do rebaixamento, junto com Lulinha, que era a grande esperança. Mas foi ele quem brilhou. Marca bem, chuta bem, e se coloca com precisão. Amado pela torcida, é daqueles que pode ir longe.

Atacante: Ciro, 20, do Sport, finaliza bem, é rápido e raçudo. Estreou há um ano, contra o Ipatinga, fazendo um golaço. No ano passado, sua estréia em campeonatos pernambucanos, já foi o artilheiro, com 34 gols em 29 jogos.
 

Por Torero às 09h14

12/08/2009

O que você mais odeia no futebol?

Isso mesmo, o que você mais odeia no futebol? Mas a pergunta é sobre os jogos de futebol em estádio. Daí, não valem respostas como dirigentes corruptos, tabelas imbecis, regulamentos absurdos etc... Quero saber o que você detesta quando vai ao estádio.

Eu, por exemplo, detesto um vendedor de água da Vila Belmiro que chama as pessoas assim: "Ei, ei!". Sempre penso que é algum amigo da infância e olho, mas é sempre o tal vendedor. Só de raiva, nunca compro água.

Também não gosto daqueles PMs que ficam parados em frente ao alambrado atrapalhando a visão.

E odeio os técnicos frustrados, aqueles que ficam o jogo inteiro ao seu lado orientando os jogadores, dizendo "Pra direita!", "Pra esquerda", "Corre!", "Derruba!", etc... E o pior é que no intervalo eles se transformam em comentaristas e nós, ouvintes.

Enfim, mande aí as pequenas coisas que você odeia quando vai ao estádio. 

Por Torero às 10h24

11/08/2009

Futebol: a saída para Sarney

(Publicado hoje na Folha de S.Paulo)


Caro ex-presidente da República e atual presidente do senado José Sarney, é possível que nos próximos dias o senhor perca seu cargo. Acho isso difícil, já que os seus companheiros são muito, digamos, compreensivos com os erros alheios. De qualquer forma, pode ser útil já ir pensando num novo trabalho, e é por isso que lhe escrevo. O desemprego é uma coisa triste e não o desejo a ninguém. Ficar em casa vendo tevê seria muito ruim para uma pessoa tão ativa. E escrever seria pior ainda. Para todos.

Por isso, examinei atentamente sua história recente e me pus a pensar qual profissão seria mais indicada a Vossa Excelência. Cheguei a uma interessante conclusão: a saída é tornar-se presidente de um clube de futebol.

As vantagens são imensas. A primeira e mais óbvia é continuar a ser chamado de “presidente”. É um termo que afaga o ego, que satisfaz a vaidade, que vicia. Afinal, o presidente é aquele que está acima de todos, que manda em tudo, é aquele que tem o poder.

Mas há outras coisas boas. Por exemplo, não há que prestar contas a ninguém. Sim, às vezes existe um conselho fiscal, um grupo de diretores ou coisa assim, mas é muito raro que eles criem problemas. Geralmente são do seu próprio grupo. No futebol, o fato de Vossa Excelência receber irregularmente um auxílio-moradia de 3,8 mil reais seria deixado de lado.

Para algumas das tarefas do presidente do clube, o senhor estaria mais que gabaritado. Eles adoram, por exemplo, mudar os estatutos para poderem governar por mais tempo. E não podemos esquecer que Vossa Excelência, quando mandatário máximo do país, conseguiu prorrogar seu mandato em mais um ano.

Muitos presidentes também adoram misturar suas coisas particulares com as do clube. Às vezes, o dinheiro, às vezes os funcionários. Assim, por exemplo, não haveria problema em que o mordomo da casa da sua filha Roseana fosse pago pelo Senado.

As prestações de contas dos clubes também são um tanto obscuras e imprecisas. Assim sendo, os boletins administrativos secretos seriam uma inovação muito bem vinda ao futebol. Neste caso, a publicação de coisas como a nomeação de seu neto João Fernando, de sua sobrinha Vera Portela ou mesmo do namorado de sua neta para integrar o quadro de servidores do Senado não causaria problemas.

Mas há mais coincidências entre os dois empregos, muitas mais. Li que a Fundação Sarney recebe um bom dinheiro de empresas estatais como a Petrobrás, que repassou 500 mil reais para patrocinar um projeto cultural que nunca teria saído do papel. Pois os clubes, mesmo devendo uma nota preta, recebem uma boa grana da Timemania.

Também é muito comum entre os dirigentes esportivos que amigos tornem-se inimigos e vice-versa. Ora, Vossa Excelência está mais que acostumado com isso. Antes, tinha Lula e Fernando Collor na conta dos adversários ferrenhos. Hoje, são fiéis companheiros seus. Nos clubes e na política, nunca se diz nunca.

Enfim, fica aqui o conselho: caso o senado o dispense, sempre há o futebol.  

Por Torero às 07h27

10/08/2009

Abecê do fim de sem ana.

Avaí: Fui à Vila ver ao vivo como é uma das sensações do Brasileiro. Na verdade, não tem nada de mais. Trata-se de um time certinho. Mas, hoje em dia, isso já é bastante coisa.

Botafogo: O Imprevisível perdeu em casa para o Atlético-PR, que melhorou depois da saída de Valdemar Lemos. Para piorar o estado das unhas dos botafoguenses, o time perdeu pênalti, botou bola na trave e o gol do adversário foi feito em posição irregular.

Ceará: O time com a torcida mais animada da Série B continua subindo e já está em terceiro lugar. Nesta semana venceu o líder da tabela, o Atlético-GO. E, para completar a boa rodada, nenhum dos seus cinco perseguidores venceu. Quatro perderam e a Ponte empatou.

Dabliu ó: Ou, como se escreve mais normalmente, W.O. É a abreviação de “walkover”. Quando um dos times não comparece ao jogo, diz-se que perdeu por W.O. Foi o caso do Atlético Roraima, na Série D. Assim, o Grupo 1 acabou com apenas dois clubes (um desistiu antes mesmo de o campeonato começar), com o que o Genus classificou-se para a próxima fase com apenas uma vitória em três jogos. Curioso.

Emprego: Renê Simões perdeu o dele. Com a derrota em casa para o Cruzeiro, o presidente do Coritiba demitiu-o.

Filial: O Corinthians do Paraná, que atendia pelo nome de J. Malucelli, deu-se bem com a nova nomenclatura. Ficou em segundo lugar no Grupo 10 da Série D e passou à próxima fase.

Goleador: Mesmo chegando atrasado no campeonato, Adriano já é o artilheiro isolado.

Hibernação: Condição de inatividade parcial. É o que vem acontecendo com o Corinthians, que não ganha há cinco jogos. Desde que perdeu quatro jogadores, o time está com problemas sérios, pois ficou sem sua principal arma, o contra-ataque. Cristian roubava a bola, passava-a André Santos, que corria com ela, ou a entregava para Douglas, que fazia o lançamento para Ronaldo. Os três primeiros se foram de vez. O quarto ainda vai demorar um pouco para voltar.

Iarley. Desta vez o atacante do Goiás não balançou as redes e seu time perdeu. Eram seis vitórias consecutivas. Eram.

Jonathan. Bom lateral do Cruzeiro. E do meu Arsenal, no Winning Eleven.

Ligeiro: Qualidade de Fernandinho, atacante do Barueri. Val Baiano e Pedrão devme boa parte de seus gols a ele.

Marcelo Ramos: Sim, ele, o ex-Palmeiras, ex-Cruzeiro, ex-São Paulo, ex-Bahia, ex-PSV e ex-um monte de times marcou o gol da vitória do Ipatinga contra o Guarani (que agora está há seis jogos sem vencer).

Neusa Oliveira: É o nome da senhora de cabelos brancos que sentou ao meu lado no jogo de sábado na Vila Belmiro. Ela tem 75 anos e vestia uma camisa onde se lia “Vai pra cima deles, Santos!”. Neusa começou a assistir jogos em 1952, com o marido. Depois que ele morreu, em vez de abandonar o futebol, fez o contrário: tornou-se uma torcedora fanática. Até viajava para ver jogos em outras cidades com uma torcida organizada. Só parou quando as brigas ficaram muito assíduas. Do time atual, seus favoritos são Rodrigo Souto e Madson, que ela chama de “meu naniquinho”. O que ela menos gosta é Kléber Pereira. “Ele acaba comigo...”

O campeão voltou”: Slogan cantado pela torcida tricolor. E ele parece cada vez mais verdadeiro.

Pior: O pior time da primeira fase da Série D foi o Pelotas. Em seis partidas perdeu cinco. A outra, empatou.

Quartas-de-final: Começaram as da Série C. Curiosamente, só um time venceu em casa, o Guaratinguetá, que fez 2 a 0 no Caxias. Paysandu x Icasa, Brasil x América-MG e ASA x Rio Branco terminaram empatados.

Recuperação: É o que o Náutico está conseguindo e o Santo André, precisando. No jogo entre os dois, no sábado, 2 a 1 para o Náutico. E Marcelinho Carioca perdeu um pênalti aos dois minutos de jogo.

Sortudo: O sortudo, digo, o sábio futebólogo vencedor da Toreroteca foi Adelson Eleutério, de Praia Grande. Na verdade, ninguém acertou os seis jogos, mas ele foi o primeiro a acertar cinco. E, ainda por cima, mora numa cidade que tem um nome que combina com travessia. Adelson vai ganhar o livro de Ana Mesquita: A travessura do Canal da Mancha. Outra sortuda é Laura Castanho, pois Cristian, que ganhou o livro com o roteiro do filme "O Contador de Histórias" na Toreroteca Especial, é de Camaçari e não poderá ir pegá-lo. E Laura foi a segunda a acertar.

Tristeza: Sentimento que impera na torcida do Santa Cruz. O time ficou em último lugar em seu grupo na Série D. Triste, triste...

Um convidado bem trapalhão: É o título de um filme com Peter Selers, mas poderia ser o apelido do Grêmio neste primeiro turno. Das nove partidas que fez como visitante, perdeu sete e empatou duas.

Vitória: Nas últimas quatro partidas o time baiano que tem este nome não conseguiu nenhuma.

Xucoxuco: Choro soluçante. É o que deve estar saindo das gargantas dos torcedores do Sport, que começou o ano de forma promissora e hoje é o lanterna do Brasileiro.

Zopeiro: Aquele que costuma tropeçar por velhice ou embaraço físico. Parecia ser o caso de Roni, que tropeçava nas próprias pernas no Santos. Mas eis que voltou ao Fluminense e parece ter remoçado. Agora ele faz gols, cobra faltas e dá assistências. Para alguns jogadores, voltar à casa onde nasceu é como beber o elixir da juventude.

 

Por Torero às 01h35

09/08/2009

Fechando as janelas, abrindo as portas

 
 

Fechando as janelas, abrindo as portas

Texto de Marcio R. Castro

Estamos em agosto, mês que assombra o futebol brasileiro. Nele, times se desmancham, torcedores se desesperam, títulos ficam pelo caminho. É verdade que para procuradores, empresários e investidores o mês de agosto não é tão negro assim, mas deixa pra lá.

Ano após ano, o Campeonato Brasileiro passa por um esvaziamento que parece sem fim. É o período da segunda janela de transferência.

As duas janelas brasileiras coincidem com as dos principais centros de futebol da Europa. O problema é que nosso calendário é diferente do europeu. E a segunda janela, a de agosto, simplesmente desfigura nossos times antes do fim do primeiro turno do Brasileirão, dizimando o nível técnico e a graça da grande competição nacional.

Mas o que podemos fazer contra isso? Muitos sugerem que o nosso calendário se adéque ao Europeu, formando campeonatos que comecem num ano e terminem em outro (Campeonato Brasileiro 2009/2010, por exemplo). Assim, a janela de agosto não interferiria no campeonato.

Não gosto da ideia. Até porque, a outra janela, a de janeiro, continuaria dilacerando nossas equipes durante a competição. Mesmo sendo uma janela menos nociva, por ser no meio da temporada europeia e, por conseqüência, haver menos negociações, o problema continuaria a existir. Além disso, essa solução vem sempre agregada com a ideia de se extinguir os campeonatos estaduais. Não quero entrar nessa polêmica agora, mas não concordo com a tese.

Outros defendem a simples inversão de campeonatos em nosso calendário (primeiro o Brasileirão, depois os estaduais). Não faço ideia de como isso ajudaria. Afinal, a tal da janela de agosto seria aberta na reta final do torneio, não é isso?

Por determinação da FIFA, cada país deve ter dois períodos de transferência anualmente. Porém, as federações nacionais têm autonomia para estabelecer esses períodos. Na verdade, o termo “janelas de tranferência europeias” está equivocado, já que cada país determina o período de suas janelas. Países como Finlândia, Suécia e até mesmo a França não têm as mesmas janelas de Espanha, Alemanha e Itália, por exemplo.

A solução está posta. Para combater o esvaziamento do nosso principal campeonato, bastaria à CBF modificar os períodos das janelas de transferência no Brasil.

Assim, as janelas seriam abertas duas vezes ao ano, como determinado, só que em períodos diferentes do que se faz hoje: uma entre o fim e o começo das temporadas (15 de dezembro a 31 de janeiro), outra do término dos campeonatos estaduais até, aproximadamente e no máximo, a 5ª rodada do Campeonato Brasileiro (1º de maio a 1º de junho).

Um terceiro período poderia ser criado, em agosto, com o nome de Janela Especial de Entrada, apenas para chegada de jogadores do exterior. Nosso futebol cumpriria o regulamento da FIFA, protegeria o Brasileirão da inanição e ainda não se furtaria de receber reforços importantes vindos de fora.

Jogadores e clubes brasileiros não seriam prejudicados em nada, nem financeiramente. Com a antecipação da segunda janela do ano, os clubes estrangeiros se adequariam às regras do nosso futebol, apenas fechando negócios num período anterior. Os jogadores poderiam negociar um breve período de descanso antes da nova fase, teriam mais tempo para ajeitar sua nova vida e se apresentariam a tempo de participar de toda a pré-temporada, realizando uma adaptação mais eficaz e sem tanta pressa. Melhor até para os clubes compradores.

Uma mudança simples como essa já seria altamente benéfica para o futebol brasileiro. Associada a algumas alterações de calendário (redução de datas para os estaduais, Copa do Brasil ao longo de todo o ano e Libertadores e Sul-americana concomitantes, também por um período maior da temporada), seria ainda melhor.

O êxodo de jogadores brasileiros ao exterior é uma realidade consolidada. Não se trata de conformismo, é capitalismo mesmo. E não devemos ser tolos, é preciso termos plena consciência de que no modelo econômico do nosso futebol (e até no “deles” também) a receita gerada com a negociação de jogadores é muito importante. A “venda” de jogadores faz parte da ciranda e continuará a fazer mesmo quando desenvolvermos melhor outras opções de arrecadação.

Independentemente disso, devemos continuar pensando em maneiras de aprimorar o futebol brasileiro, dentro e fora dos campos. Chega de ficar só esperando na janela.

Por Torero às 10h28

08/08/2009

O verdadeiro Fatura Zero

Nadais, um atento leitor, foi quem me alertou. O jogador do comercial da Fatura Zero, aquele que perde um gol embaixo da trave, é, obviamente, o Kléber Pereira.

Por Torero às 22h24

Sempre aos domingos: "Santos e Cinema 2, a missão"

 
 

Sempre aos domingos: "Santos e Cinema 2, a missão"

(inspirado pelo texto de Marcelo Lyra, da semana passada, o corintiano Eduardo Santos fez uma nova leva de comparações entre filmes e os jogadores do Santos)

 

O time: Os Saltimbancos Trapalhões.

Fábio Costa = Desejo de Matar ou Menino Maluquinho.

George Lucas = Guerra nas Estrelas.

Wagner Diniz = O Homem Errado.

Fabiano Eller = O Mercenário.

Triguinho = A Colheita Maldita.

Pará =  Monstros S/A.

Astorga = Os Infiltrados.

Eli Sabiá =  O Homem que "Sabiá" demais.

Roberto Brum = O Exorcista.

Rodrigo Souto = O Parque dos Dinossauros.

Germano = Rapunzel.

Rodrigo Mancha = Dom Quixote de La Mancha.

Domingos = Domingo Sangrento.

Fabão = Querida, estiquei o bebê.

Léo = O Retorno da Múmia.

Émerson = Oldboy.

Madson = A Maldson da Múmia.

Ganso = Papai Ganso.

Neymar = Menina de Ouro.

Kléber Pereira = Cinzas do Passado.

Vanderlei Luxemburgo: A Volta do Todo Poderoso.

Mas eis que o próprio Marcelo Lyra teve novas inspirações e acrescentou mais alguns itens:

Fábio Costa = Um Homem Chamado Cavalo.

Fabão = Canhões de Navarone.

Luxemburgo = O terno de Dois Milhões de Dólares.

Ou ainda em combinações:

Domingos e Diego Souza = Clube da Luta.

Zaga com Domingos e Astorga = Todo Mundo em Pânico.

O Time da era Mancini = A Fantástica Fábrica de Levar Chocolate.

Diretoria de Futebol do Santos = Apertem o cinto o Piloto Sumiu.

 

Por Torero às 10h57

Toreroteca especial

O primeiro que acertar o resultado (numérico) de Santos x Avaí ganha o livro abaixo:

Trata-se do roteiro do filme "O contador de histórias", do qual sou um dos roteiristas. O senão é que o vencedor terá que buscá-lo segunda-feira, comigo, a partir das 19h00, na Livraria Cultura - Loja de Artes (av. Paulista, 2073, Conjunto Nacional), onde haverá o lançamento do livro. Vale mandar representante.

Quanto aos derrotados, estão convidados a tomar vinho branco ruim e a comprar o livro.

Meu otimista palpite é 2 a 1 para o Santos.

 

PS: Para esta Toreroteca não há limite de tempo. Ou seja, você pode votar mesmo depois do jogo iniciado.

Por Torero às 10h07

07/08/2009

Seleção de velhinhos

Para esta seleção de sexta resolvi não fazer uma seleção da rodada. Preocupado com meus cabelos branco e os brancos em meu cabelo, ando pensando muito em velhice e assim decidi fazer uma seleção de veteranos.

Para isso estabeleci uma idade mínima. Nada de garotinhos como Ronaldo, com suas 32 primaveras. Há que ter pelo menos 34 outonos para entrar nesta lista

Goleiro: Há dois candidatos óbvios: Marcos e Rogério Ceni, ambos com 36 anos. Mas ficarei com Harlei. Não só pelo bom momento do Goiás, mas porque ele tem um ano a mais que os outros dois goleiros, e um dos critérios para esta seleção de velhinhos é o número de velhinhas no bolo.

Lateral-direito: Paulo Baier, 34, do Atlético Paranaense. Ultimamente este gaúcho de Ijuí joga mais no meio de campo, mas fez sua fama correndo pela beirada do gramado do Serra Dourada.

Zagueiro central: Irondino, do Santo André. Mais conhecido como Dininho, fez sucesso no começo da década no São Caetano. Depois foi para o Japão, passou por Palmeiras e Flamengo, e agora voltou ao time do ABC. Chegou a ser cotado para a seleção de Felipão, mas ficou no quase.
 
Quarto-zagueiro: Índio, 34, do Internacional, já fez mais gols de cabeça do que muitos atacantes.

Lateral-esquerdo: Fiquei em dúvida entre Júnior e Dutra. Este fará 36 anos no próximo dia 11. O "cara-de-formiga" já tem 36 e dois meses, de modo que fico com ele. Júnior, que não tem Júnior no nome (Jenílson Ângelo Souza), começou no Vitória mas teve seu auge no Palmeiras. Depois foi para a Itália e, já um tanto veterano, fez boas campanhas pelo São Paulo. Ultimamente ven jogando, e bem, pelo Atlético Mineiro.

Volante: Sandro Goiano, do Sport. Ele fez 36 anos ontem (parabéns a você, nesta data querida, etc...). É um zagueiro forte, que não brinca em serviço. Participou da campanha do Grêmio na Série B e da boa campanha do Sport no ano passado.

Volante: E chegamos ao astro do time: Fernando, do Santo André. É o único jogador do Brasileiro a ter nascido na década de 60. Tem 42 anos e se aposentará no fim do ano.

Meias: Escalo dois jogadores clássicos: Pet e Marcelinho Carioca. Os dois vetustos senhores já completaram 37 invernos, mas ainda conseguem dar chutes fantásticos e lançamentos surpreendentes.

Atacantes: Aqui há várias opções. Por exemplo, Alex Mineiro, que voltou ao Atlético-PR, e Washington, do São Paulo, já tem 34 anos. Mas ataque é coisa séria, e não vou chamar crianças de 34 anos para a posição. Nada disso. Aqui tem que ter pelo menos 35, como Iarley, o incansável atacante do Goiás, um dos artilheiros deste campeonato.

E, ao seu lado, escalo Kuki, do Náutico. Aos 38 anos, ele é um dos maiores ídolos da história do time. Foram quase quatrocentas partidas e ele está perto do gol duzentos. Anda amargando a reserva por conta de Carlinhos Bala e Gilmar, mas não importa. Na seleção dos velhinhos, é titular absoluto.

Por Torero às 09h16

06/08/2009

Toreroteca

O livro-prêmio desta semana é sobre esportes. Trata-se de "A travessura do Canal da Mancha", de Ana Mesquita, em que ela conta como conseguiu fazer a mais famosa travessia em águas abertas do mundo.

E esta semana teremos confrontos interessantes.

Para começar, o clássico do povo: Flamengo x Corinthians;

Depois, o jogo dos ascendentes: São Paulo x Goiás;

Então vem o clássico grelhado: Grêmio Barueri e Grêmio;

Pela Série B, um jogo de rara arquitetura: Ponte Preta x Fortaleza;

Pela C, uma partida geográfica: Brasil (de Pelotas) x América (de Minas); 

E, pela D, uma disputa entre o intelecto e a força: Genus x Atlético-RR.

Meus palpites são: Corinthians, São Paulo, empate, Ponte, empate e Genus.

Valem os votos enviados até as 15h00 de sábado. Ganha o primeiro que acertar os seis palpites. Se ninguém acertar, invento alguma regra. Palpite aí.

Por Torero às 09h09

05/08/2009

O sanduíche de mortadela e o grande cozinheiro


(Texto publicado ontem na Folha de S.Paulo)

Quando cheguei à casa de Zé Cabala, ele estava de turbante e avental, preparando um sanduíche de mortadela. Antes que cravasse a primeira mordida, eu lhe disse: "Mestre, hoje quero entrevistar um grande treinador."

Sem perder tempo, ele colocou o acepipe de lado e deu três giros que fizeram seu avental voar como uma capa. Quando parou, olhou para o sanduíche com desgosto: "Isso é coisa que se coma? Sabe como é, fui criado pela mãe e tive quatro irmãs. Elas cozinhavam o tempo todo."

"O seu nome é..."

"Elba."

"Uma mulher?"

"Não. Elba de Pádua. O Tim."

"Tim, claro, o grande jogador e técnico!"

"Esse mesmo. Meu pai me deu o nome de Elba porque simpatizou com o nome da ilha onde prenderam o Napoleão."

Depois, enquanto cortava uns pepinos, contou: "Comecei a carreira em 1931, com 15 anos, no Botafogo de Ribeirão Preto. Logo desbanquei o craque do time, o Piquetote. Com 18 anos fui vendido por 500 mil réis para a Portuguesa Santista e fiz muito sucesso. Fui convocado para a Seleção Paulista e fomos campeões." "Daí sua carreira deslanchou?"

"Tive saudade da família e voltei para Ribeirão Preto, mas só fiquei quatro meses. O Fluminense me ofereceu 20 mil mil contos de réis e mais um conto por mês. Aí não resisti. Fiz sucesso no Tricolor. De 36 a 41 só perdemos o carioca de 40. Foram cinco campeonatos em seis anos."

 Tim, o jogador

"E o senhor foi para a Copa de 38, não foi?"

"Fui", falou ao cortar uns tomates. "Mas só pegamos o terceiro lugar. Se eu tivesse jogado a semifinal, contra a Itália, teríamos ido à final."

"Dizem que o senhor era do tipo que pulava a janela da concentração para farrear, é verdade?"

"Só quando a porta não estava aberta."

"E quando virou técnico?"

"Foi em 47, no Olaria. Eu era um técnico-jogador. Quer dizer, dirigia o time e também jogava na meia-esquerda. Depois fiz a mesmo coisa por dois anos no Botafogo de Ribeirão Preto. Sentar no banco, só em 51, no Bangu", disse enquanto jogava umas fatias de provolone na frigideira.

"E se deu muito bem nessa carreira, não é?" "Tive minhas glórias. Foram três títulos cariocas, em 64 com o Fluminense, em 66 com o Bangu e em 70 com o Vasco. E levei a seleção do Peru à Copa de 82. Ah, também fui o primeiro a tentar tirar o Pelé de Bauru. Mas a família dele não deixou..."

 Tim, o técnico

"Dizem que o senhor foi um grande estrategista."

"Se dizem, quem sou eu para falar o contrário? O certo é que eu fui o primeiro a usar os botões para explicar a tática para os jogadores."

"Também contam que seu estilo era calmo, não gritava com o time."

"Técnico tem ter é cabeça. Se garganta ganhasse jogo, o Cauby Peixoto era técnico da seleção."

"E essa história de cozinhar?"

Ele pegou seu sanduíche de mortadela, que agora tinha pepino, rodelas de tomate e provolone quente, deu uma grande mordida e respondeu de boca cheia:

"Sempre gostei de cozinhar. Não é muito diferente de ser técnico. O importante é saber misturar os ingredientes. Quer um pedaço?"

Por Torero às 08h02

04/08/2009

Pesquisas

Tem pesquisa nova aí do lado. Dessa vez, sobre qual time está impressionando mais nesta altura do campeonato.

Quanto à anterior, dois terços dos coritianos disseram que preferiam não perder Mano Menezes a ficar sem Ronaldo. Acho que foi uma sábia decisão.

Por Torero às 17h25

Qual o segredo desse Goiás?

 
 

Qual o segredo desse Goiás?

(O Goiás ganhou seus últimos cinco jogos e é o terceiro colocado do campeonato. Qual a explicação dessa boa campanha? A melhor que achei foi a de meu antípoda Al-Chaer, publicada original e integralmente no "futeb-al-chaer.blogspot.com")

Texto de Al-Chaer

Não é o esquema tático, pois já na escalação vê-se que o Goiás joga no 3-6-1, sem invenção.

Não é a maneira do Goiás se posicionar em campo, pois o time do Goiás deixa o adversário vir com a bola, para recuperá-la e partir em contra-ataque.

Não é o rodízio que os volantes e os zagueiros fazem para “matar” as jogadas dos adversários com faltas na faixa de campo entre as duas intermediárias.

Não são as subidas dos alas, ora o ala direito, ora o ala esquerdo, pois raramente os dois vão juntos ao ataque.

Não é o “serviço de peão” que o Iarley faz, de forma competente, deslocando-se de um lado para o outro, protegendo e conduzindo bem a bola, trazendo para si a atenção de dois marcadores, distribuindo bem as jogadas e abrindo espaço para quem vem de trás. Todo o Brasil sabe que o Iarley joga assim.

Não é o posicionamento da zaga, pois os três zagueiros se entendem (qualquer que seja a formação, sai um, entra outro e a eficiência se mantém, nas bolas rasteiras e nas bolas altas) e estão bem treinados e atentos.

Nem é o São Harlei, com suas defesas, sua experiência, sua liderança e sua impressionante marca de mais de 600 jogos pelo Goiás, que o Brasil inteiro reconhece.

Assisti com atenção redobrada à partida em que o Goiás venceu o Santo André, anotando no notebook as variações de jogadas do Goiás e o que impressiona é que as jogadas do Goiás são extremamente previsíveis. O mais impressionante ainda é que os adversários “caem” nestas jogadas.

Especificamente nesta partida contra o Santo André, o que notei é que em nenhum momento da partida o time do Goiás abandonou a orientação tática. O Goiás jogou o tempo todo obedecendo o esquema tático, inclusive os jogadores que entraram no decorrer da partida não desmontaram a estratégia da equipe.

Então, cara Leitorcedora, caro Leitorcedor, com exceção do São Harlei, o segredo desse Goiás é que o “craque” está no banco de reservas, comandando a equipe.

O “craque” é o Hélio dos Anjos.

Já disse e repito: o Hélio dos Anjos está “tirando leite de pedra”.

E o Hélio dos Anjos acredita neste esquema tático. E insiste. E convence. E comanda. E os jogadores executam.

Esse esquema 3-6-1 é defensivo somente no nome, pois o Goiás é o terceiro ataque mais positivo da competição com 30 gols marcados, um a menos que o Atlético-MG, três a menos que o Grêmio Barueri.

O segredo desse Goiás é que não há “craque” na linha. Todos fazem o simples e o básico. Sem inventar.

O segredo é que o time do Goiás não joga para a Torcida. Nem para a Diretoria. Nem para a Imprensa.

O time do Goiás joga para o Hélio dos Anjos.

Por Torero às 08h03

03/08/2009

Lançamento


Paulo Gini (não tem nada a ver com o refrigerante) e Rodolfo Rodrigues (não tem nada a ver com o goleiro) lançam hoje, às 19h00, o livro "A história das camisas dos 12 maiores times do Brasil."

Será na Livraria Cultura do Market Place, em São Paulo. E haverá uma exposição de camisas raras.

Por Torero às 16h16

Abessê do phim de C

Aquáticos: Na partida entre o Clube de Regatas Flamengo e o Náutico, o mais curioso foi a expulsão do zagueiro Vágner, que recebeu o segundo amarelo por trocar o calção sem o consentimento do juiz. Com dez homens, a vitória do Náutico, que parecia líquida e certa, foi por água abaixo.

Barueri: Chegou a pensar na vaga para a Libertadores, mas perdeu as últimas três partidas e despencou para a décima-primeira posição.

Campeão: O da Toreroteca desta semana foi o Luís Fernando, de Campinas. Entre em contato pelo email torero@uol.com.br para que eu lhe passe os convites.

Decadência: O Guarani, que era líder isolado, não vence há cinco partidas. Desta vez perdeu, em casa, para o Atlético-GO. A classificação, que parecia fácil e certa, inclusive com o sonho de quebrar os recordes do Corinthians, agora volta a ficar difícil. Torcer para o Bugre não é para amadores.

Expulsões: Jonathan e Thiago Ribeiro foram expulsos e acabaram com as chances de o Cruzeiro vencer o Grêmio. Com dois a menos, o 4 a 1 ficou barato.

Felicidade: A torcida do Goiás talvez seja a mais feliz desta segunda-feira. Seu time conseguiu a quinta vitória seguida, desta vez sobre o Santo André, e fora de casa. Já está em terceiro lugar na tabela e é um dos charmes do campeonato.

Goleiros: Eduardo Martini fez uma bela partida contra o Corinthians, e assim o Avaí conseguiu um empate fora de casa. Na única bola em que Martini foi vencido, o travessão fez uma ótima defesa.

Hilário: Aquele ou o que provoca risos. Foi o caso do pênalti batido por Del Piero na final da Copa da Paz. Era o último pênalti e, se ele marcasse, sua Juventus seria campeã. Mas ele chutou fraquinho e no meio do gol, nos pés do goleiro do Aston Villa. Na seqüência de pênaltis, o time inglês sagrou-se campeão. Del Piero deve ter aprendido a bater pênaltis com Baggio.

Iarley: O atacante do Goiás fez mais um gol e chegou a sete no Brasileiro. Mesmo com 35 anos, o filho de Quixeramobim vem mostrando que, quando nasceu, veio um anjo safado e disse que ele estava predestinado a nunca ser chinfrim.

Juazeiro do Norte: O Icasa, time da cidade, acabou a primeira fase da Série C como o time que mais marcou pontos.

Lanterna: Um dos significados da palavra é “último colocado”. O termo, conta-se, surgiu porque havia um ferroviário que ficava segurando uma lanterna no último vagão do trem. Depois desta rodada, a lanterna passou para o Fluminense, equipe que conta com bons jogadores mas que, desde a derrota na final da Libertadores do ano passado, não consegue se acertar.

Mixto: O time do Mato Grosso caiu para a Série D, mesmo contando com jogadores experientes, como Finazzi e Mauro, ex-goleiro do Santos. Também caíram o Confiança, de Sergipe, o Marcílio Dias (SC) e o Sampaio Correa.

Nu! (às vezes pronuncia-se “nó!”): Expressão mineira que caracteriza espanto. Creio que é a apócope de “Nossa Senhora!”. Foi o que devem ter dito vários torcedores do Atlético na vitória de 3 a 2 sobre o Coritiba. O Galo começou vencendo por 2 a 0, mas cedeu o empate aos 36’ do segundo tempo. Porém, arrancou a vitória nos minutos finais, mantendo o Palmeiras na mira.

Onze: Número de jogos que o Fluminense está sem vencer.

Precipício: Anderson Oliveira fez 3 gols contra o Figueirense. O Campinense, que vinha de quatro derrotas seguidas, voltou a vencer. Mas ainda é o lanterna disparado, cinco pontos atrás do penúltimo colocado na Série B. No ano passado, quando cobri a Série C, o time estava bem montado e não parecia à beira do precipício.

Quatro: Número de vezes que o Atlético-MG ganhou a Taça BH de juniores. Ontem venceu a final contra o Internacional por 1 a 0.

Ressurreição: É o que vem acontecendo com Dagoberto.

Sensação: Uma das sensações da Série D é o Araguaia, que fez treze pontos em cinco jogos e segue invicto. O time, porém, pode ser punido por ter escalado um jogador irregularmente. Mas sua vantagem é tão grande que, mesmo perdendo seis pontos numa fase de apenas seis jogos, deve se classificar.

Tetra: Muricy corre o risco de ser tetracampeão, um resultado espetacular. E poderia ser penta, se não fossem Zveiter e Márcio Rezende de Freitas.

Último minuto: Geralmente é quando o Botafogo cede o empate ou toma a virada. Mas desta vez foi quando fez o gol da vitória contra o Barueri.

Vasco: A rodada foi perfeita para o time carioca. Figueirense, Guarani e Portuguesa perderam. Assim, com os 2 a 1 sobre o Juventude, o time saltou para o segundo lugar.

Xi...: O Santa Cruz não só está na Série D, como na última posição em seu grupo. A torcida faz a sua parte, já o time... Porém, faltando um jogo, ainda há chance de classificação.   

Zoar: O segundo a acertar todos os jogos da Toreroteca foi Rodrigo Della Vitória Duarte, que cito aqui só para zoar.

Por Torero às 08h35

01/08/2009

O Santos e o cinema

 
 

O Santos e o cinema

O santista Marcelo Lyra, provavelmente motivado pela chegada do lateral-direito e George Lucas ao ao seu time, comparou alguns jogadores alvinegros a filmes. Vai aí sua comparação:

Fábio Costa = Desejo de Matar

George Lucas = Guerra nas Estrelas (ou, se preferir, Wagner Diniz é O Homem Errado)

Domingos = Os Brutos Também Amam

Fabão = Duelo de Gigantes

Léo = Coração Valente

Émerson = Parque dos Dinossauros

Roberto Brum = Barrados no Baile

Madson = A Maldson da Múmia

Ganso = Papai Ganso

Neymar = Quero Ser Grande

Kléber Pereira = Por Uns Dólares a Mais

E o Juizão, Márcio Resende = Ladrão de Casaca!

 

Por Torero às 19h03

Decisões

 
 

Decisões

1


Numa fria tarde de novembro de 1961, quatro rapazes caminhavam à beira do rio Mersey. Ares preocupados, o vento batendo em suas franjas, de vez em quando olhavam para os navios que entravam pelo porto de Liverpool.

Eles lembravam-se, quem sabe, do tempo em que tinham que tocar oito horas para ganhar uns cobres num clube de Hamburgo. Tempos difíceis, é verdade, mas pelo menos não havia a tensão de se ter que tomar decisões, como naquela hora. Então um deles resolveu falar:

"Vamos encarar a realidade, rapazes, isso não vai dar certo." Era Pete Best (o terceiro aí da foto), um rapaz alto, forte e bem apessoado, o baterista do grupo. "Estamos na estrada há anos e até agora só estamos perdendo tempo. Agora, trabalhar para um empresário bicha é o fim da linha."

"Pode dar certo", murmurou George sem muito entusiasmo.

"Eu não acho que devamos desistir", completou Paul. "Acho que ainda podemos ganhar dinheiro com isso."

"Quem poderia substituir você?", completou John, sempre mais frio e pragmático que os outros.

Pete esperava algum tipo de adulação. A pergunta de John deixou-o um pouco incomodado. Ainda assim, não perdeu a pose:

"Pode ser aquele narigudo, o Starkey".

Ninguém respondeu nada. Continuaram caminhando com os rostos enfiados nos capotes. Best, ainda mais incomodado com o silêncio, resolveu abrir o jogo. Disse que sua mãe lhe havia proposto tomar conta de um bar em Penny Lane e ele estava disposto a aceitar. Os outros talvez tivessem ficado com alguma inveja daquela estabilidade financeira tão precoce, mas nada disseram.

O que é bom para nós, pode não ser para você", sentenciou George com ares de filósofo oriental.

Pete animou-se com a resposta e, com pena dos amigos, procurou encorajá-los. Disse que o rock'n roll estava no fim, que ninguém poderia substituir Elvis e que eles deveriam investir na música italiana, estara é que seria a música dos anos 60. No fim, despede-se dos amigos com um abraço.

"Boa sorte, Pete", disse John.

"É isso aí", falou George.

"Obrigado pelos conselhos, mas vamos ficar mais um pouco", finalizou Paul. "Talvez a gente ainda ganhe algum dinheiro com isso."

Pete soltou um longo suspiro. Estava com uma sincera pena de seus amigos. "Vocês é que sabem, rapazes, mas não vão dizer que eu não avisei..."


2


No outro lado da cidade, um narigudo, dono de de um arrojado topete e com a barba por fazer, espera sua namorada sair da manicure lendo sobre a apertada vitória do Blackburn sobre o Warrington pela segunda divisão do campeonato inglês.

"Esperou muito, Ringo querido?"

"Já lhe disse, Maureen, não gosto que você me chame de Ringo. A última coisa que me lembro quando olho no espelho é de um pistoleiro mexicano."

"OK Rick. E quanto àquele negócio, já decidiu?"

"Mamãe acha melhor eu aceitar aquele o emprego de fiscal de vigilância sanitária. Ela disse que eu sou um cara de muita sorte por conseguir passar nesse concurso."

"E a música, Ringo."

"Rick."

"Está bem. E a música, Rick?"

"Não vamos discutir isso de novo. Eu entendo tanto de música quanto você entende de corrida de cavalos."

"Mas você está ficando melhor. Ontem, em Mr. Moonlight você manteve o compasso até o final."

"Você está falando para me agradar."

"Não acho certo que você desista de um sonho."

Richard estava em dúvida. Se havia algo que ele detestava era decepcionar alguém. Sua mãe queria o emprego público, sua namorada queria a carreira artística. No entanto, Richard planejava levar Maureen a um drive-in naquela noite. Se a desapontasse, poderia ter que ficar em casa ouvindo um concerto da BBC ao lado de sua mãe.

"Está bem, vou tentar mais um pouco na música. Ano que vem vão abrir outro concurso mesmo."

"Eu te amo, Ringo."

"Não me chame assim, eu detesto apelidos ridículos."

Por Torero às 14h09

Sobre o autor

Formado em Letras e Jornalismo e quase formado em Cinema, é autor de treze livros (como "O Chalaça"), escreveu roteiros para cinema (como "Pequeno Dicionário Amoroso") e para tevê ("Retrato Falado").

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