Blog do Torero

31/07/2009

Seleção da semana

E vamos à seleção do meio de semana. Desta vez escolhi quase que só jogadores que marcaram gols (as exceções são o goleiro, um meia e o centroavante). E escalei o time num tradicional 4-4-2. Vamos lá:

Goleiro: Felipe. Fez um monte de defesas contra o Santo André, o que é bom e ruim. Bom porque mostra que ele tem qualidades. Ruim porque revela que o Corinthians ainda vai levar algum tempo para se recompor.

Lateral-direito: Poderia escalar Léo Moura, mas, ficarei com Luís Ricardo, do Avaí. Marcou um dos gols contra o Vitória e entra nesta seleção como símbolo de um time que conquistou quinze pontos nos últimos cinco jogos, saltando do rebaixamento para o oitavo lugar. 

Zagueiro central: Sorondo. O uruguaio, que já esteve na Internazionale e hoje está no Internacional, marcou o gol de desempate contra o Barueri, aproveitando a sobra de uma cobrança de falta de Andrezinho. A bola bateu na trave e ele, tal qual fosse um centroavante, estava lá para empurrar a bola para dentro.

Quarto-zagueiro: Bruno Rodrigo, da Portuguesa, é outro que fez um gol decisivo. A Lusa perdia por 3 a 1, mas conseguiu empatar. Então, no fim da partida, Bruno lançou-se ao ataque, chutou de fora área, a bola desviou em alguém e foi para as redes. Uma vitória épica.

Lateral-esquerdo: Everton, do Flamengo. Fez um belo gol e deu o passe para o de Kléberson. Juan, com sua misteriosa contusão, já não está fazendo tanta falta.

Volante: Rodrigo Souto, do Santos. Fez o gol da vitória aos 47’ do segundo tempo. Foi seu terceiro gol de cabeça no campeonato.

Volante: Léo Lima, do Goiás. Ele pode jogar de meia ou de volante, mas fico com a segunda opção. O Goiás é um time onde vários jogadores se encontram e chegam ao ápice de suas carreiras. Parece ser um lugar mais tranquilo, sem a cobrança de Rio e São Paulo. Léo Lima está bem por lá, dando belos chutes e lançamentos.

Meia: Andrezinho, do Inter. Participou dos três gols de seu time. Está no melhor momento da carreira.

Meia: Cleiton Xavier, do Palmeiras. O passe para Diego Souza foi perfeito, traçado com régua e esquadro. É um PhD em lançamentos.

Atacante: Dagoberto. Pelos últimos jogos parece estar voltando à forma que exibia no Atlético-PR, quando surgiu como uma das grandes promessas do futebol nacional.

Centroavante: Pensei em escalar Kléber, do Cruzeiro, mas vou chamar César Cielo. Se é para ficar na banheira, é melhor alguém que nade bem.

Técnico: Bonamigo, da Portuguesa. Consegui fazer com que seu time virasse uma partida aparentemente perdida. E o time vibrou muito depois do apito do juiz, abraçando-se e festejando, o que mostra que Bonamigo conseguiu unir o time em torno do objetivo de voltar para a Série A.

Preparador físico: Sem dúvida, o mais útil da semana é o médico que fez a lipoaspiração em Ronaldo.

Por Torero às 10h59

30/07/2009

Toreroteca

O prêmio desta toreroteca é especial. Não será um livro, mas dois ingressos. No caso, para o filme "O contador de Histórias", do qual sou um dos roteiristas. Mas o mais interessante é que não são convites para os dias comuns, mas para a festa de estréia, dia 3, em São Paulo, com equipe, atores, coquetel, etc...

Então, vamos aos jogos, todos interestaduais:

Grêmio x Cruzeiro, o clássico azul.

Corinthians x Avaí, um em queda e outro em ascensão.

Vitória x São Paulo, duas equipes que prometem brigar até o fim pela Libertadores.

Atlético-MG x Coritiba, dois times que são um tanto de lua.

Rio Branco x Águia de Marabá, jogo decisivo pela Série C;

e Cristal x Moto Club, pela Série D, que escolhi pelos nomes dos times.

Meus palpites: Empate, Corinthians, empate, Atlético, Rio Branco e empate.

Se ninguém acertar os seis resultados, invento uma regra e escolho um vencedor.

 

Por Torero às 10h45

29/07/2009

É dos raçudos que elas gostam mais

(Texto publicado ontem na Folha de S.Paulo)

Amável leitora, você prefere sair com um bonitão, que tem a cara do George Clooney, mas que não se importa muito com você, ou com um sujeito de feições comuns, mas que lhe faz uma canja especial quando você está gripada?

E você, leitor, gostaria mais de namorar com uma bela e fria modelo, daquelas que deitadas ficam mais paradas que manequins de loja, ou com uma mulher de feições normais que fizesse coisas de corar o pessoal de Gomorra?

Acho que a maioria dos leitores e leitoras escolheu, fácil, fácil, as segundas opções. E isso acontece ainda mais profundamente no futebol. Nestes tempos de profissionalismo, em que cada jogador fica apenas um semestre no clube, é raro ver um atleta que se identifique com o time, que lute os noventa minutos, que se emocione em vestir sua camisa, que aprenda seu hino, que olhe a tabela de classificação na segunda-feira para ver como está o campeonato.

Por isso estamos vivendo uma era de valorização dos raçudos.

Sim, hoje os raçudos são um artigo de luxo. Antes eram mais comuns que uísque paraguaio e eletrônico chinês. Hoje tornaram-se um produto raro. Coisa chique. Tanto que às vezes são até importados.

Antigamente você sabia que o jogador daria tudo de si, pois ele, para o bem e para o mal, pertencia ao clube e sua vida estava definitivamente ligada a ele. Hoje, não. Com este rodízio de pizza que é o mercado de jogadores, um atleta pode ir embora antes mesmo de saber o nome porteiro.

A torcida sente isso e busca se identificar com os jogadores que têm a cara do time, que parecem se esforçar mais do que o simplesmente profissional. Pergunte a um palmeirense o que ele acha de Pierre e ouvirá adjetivos exagerados num tom carinhoso. Pergunte a um corintiano qual a saída que ele mais lamentou, se a de Christian ou a do selecionável André Santos, e ele derramará lágrimas de saudade pelo volante. Pergunte a um santista se ele não acha que Madson está mais para um dos sete anões do que para jogador de futebol e comprará uma briga.

Nestes dias de frieza, aqueles que se empenham mais que o normal estão se transformando nos xodós da torcida. Atualmente é dos raçudos que elas gostam mais. E há poucos por clube. Um ou dois. No máximo três. Eles atraem o amor dos torcedores como gotas de Fanta Uva derrubadas na pia atraem formigas (o exemplo não é muito poético, mas aconteceu comigo ontem).

Qual destes dois ex-centroavantes os palmeirenses mais amam: Kléber ou Keirrison? A resposta é óbvia. Para os alviverdes, Kléber é um guerreiro capaz de derramar seu sangue pelo clube. Já Keirrison não passa de um prenúncio de cuspida.

Se jogassem hoje em dia, talvez Batista fosse mais amado que Falcão; Dudu mais adorado que Ademir da Guia, Rondinelli mais aclamado que Adílio.

Por isso, caro jogador, deixo-te um conselho. Caso sejas um daqueles atletas de estilo tão aristocrático que parecem estar jogando de smoking, fica na várzea. Só lá eles te saberão dar valor. Por outro lado, se não tens medo de deslizar na lama, de chocar tuas canelas com as do adversário, de correr como um desvairado e de chorar copiosamente nas derrotas, busca um grande time. Eles precisam de ti.

Por Torero às 01h14

28/07/2009

Pesquisa

Tem pesquisa nova aqui do lado esquerdo. Na verdade, ela fala do velho tema: O que é mais importante, o craque ou o técnico? O craque técnico ou o técnico craque? 

Vote lá e deixa cá sua opinião sobre o assunto.

 

PS: Na pesquisa anterior, 62% votaram a favor da ida de Muricy para o Palmeiras.

Por Torero às 10h39

27/07/2009

ABC do fim DC

Alpinista: O Vitória foi o alpinista da rodada. Derrotou o Coritiba por 1 a 0 e subiu três posições, retomando a terceira colocação.

Barueri: perdeu para o São Paulo e caiu duas posições. Será que os dois meses de atraso no pagamento dos direitos de imagem atrapalharam o clube?

Campinense: Suou muito para chegar à Série B, mas parece voltará em breve para a C. Perdeu 11 dos 13 jogos.

Decepção: Quem estará mais decepcionado: O Fluminense por empatar em casa ou o Cruzeiro por empatar com o Fluminense?

Empatador: O Botafogo empatou três de seus últimos cinco jogos. E venceu os outros dois. Com o 3 a 2 sobre o Inter saiu da zona de rebaixamento.

Frustração: Sentimento ocorrido quando seu time toma uma virada, principalmente se o gol decisivo acontecer no finzinho do jogo e for contra.

Ganhador: O da toreroteca passada, Elder Arimatéia, de Salvador, ainda não me mandou seu endereço. Se não mandar até quinta, o prêmio acumula e teremos dois livros na próxima.

Homergia: produção do mesmo efeito por dois medicamentos diferentes. Por exemplo, ontem o São Paulo fez gols com Washington, um atacante, e com André Dias, um zagueiro.

Invenção: Luxemburgo gosta de invenções. Às vezes dá certo, outras... Foi o caso de Paulo Henrique Ganso como centroavante.

Jorginho: Até agora a pesquisa aqui no blog aponta que 61,69% dos torcedores gostaram da chegada de Muricy, e 38,31% preferiam que Jorginho tivesse continuado. Se começasse hoje, a pesquisa teria números melhores para Jorginho, que só perdeu para o Goiás (ver “xipoco”).

Ladeira abaixo: Expressão que significa decadência. Por exemplo: “O Atlético-PR não vence há quatro partidas e está ladeira abaixo no Brasileiro.”

Macaé: É o bicho-papão da Série D. Ganhou suas quatro partidas e faltando dois jogos já está classificado para a próxima fase. Curiosamente, é um time cheio de jogadores com nomes americanos, ou quase, como Uilian, Bill, Steve, Wallacer, Jefferson, Rerysson, Johnathan, Norton, Anderson e Jhon.

Ninguém: Ninguém acertou os seis jogos da toreroteca. O Flamengo derrubou muitos e o Goiás, outros tantos. Pelo menos isso mostra que mesmo quem vota muita tarde tem chance de vencer.
 
Oh!bina: Neologismo que une a expressão de espanto “Oh!” com o nome do centroavante palmeirense, que realmente está causando boas surpresas.

Preta: A coisa está preta para a Ponte. Com a derrota, em casa, para o Figueirense perdeu três posições e saiu do G-4. Como consolo, o Guarani apenas empatou com o ABC.

Quatro: Número de vitórias seguidas obtidas pelo Avaí, que já está em décimo lugar.

Rafael Marques: O zagueiro artilheiro do Grêmio fez mais dois neste domingo, garantindo a vitória contra o Santo André.

Seis: Número de gols no jogo entre Sport e Náutico. Os gols foram muitos, mas o empate só deu um ponto para cada equipe, com o que ambas continuam no B-4 (bando dos quatro).

Três: O Santo André chegou à sua terceira derrota seguida. De time promissor, que rondava o G-4, foi parar fora da zona de classificação para a Sul-Americana.

Um: É o tanto de pontos que o Internacional conquistou nas três últimas partidas.

Vila Nova-GO: Na Série B, foi quem mais subiu na tabela nesta rodada. Ele ganhou do Campinense depois de sete jogos sem vitória. Com isso, subiu três posições e saiu da zona de rebaixamento.

Xipoco: Alma penada, fantasma, coisa que aterroriza. É uma boa palavra para definir o Goiás, que venceu o líder Atlético-MG em sua própria casa. Antes havia vencido o ascendente Palmeiras de Jorginho. E antes disso goleou o Fluminense. É um time que está metendo medo em qualquer um.

Zica: Não tem nada a ver com Zico ou com a mulher de Cartola. Significa desdita, revés, urucubaca. O Marília, por exemplo, teve uma tremenda zica. Foi o último time da Série C a perder a invencibilidade, o que só aconteceu ontem, para o Brasil de Pelotas. Mas mesmo assim, por um pontinho, deve ficar fora da próxima fase do campeonato.

Por Torero às 01h05

26/07/2009

Sempre aos Domingos: "Há 100 anos acontecia o primeiro Clássico dos Clássicos"

 
 

Sempre aos Domingos: "Há 100 anos acontecia o primeiro Clássico dos Clássicos"

Por Houldine Nascimento

O jogo mais tradicional do Nordeste. O terceiro embate mais antigo do Brasil. Um duelo que balança Pernambuco. Náutico x Sport, Sport x Náutico. Confrontos épicos que decidiram o rumo de competições não só no estado, mas também na região e no país.

Grandes jogadores construíram essa história que move milhões de fanáticos. Só para citar: Ademir Menezes, Juninho Pernambucano, Dadá Maravilha, Bita, Marinho Chagas, Manga, Neneca, dentre outros. Verdadeiras seleções de craques!
 
A primeira partida aconteceu no dia 25 de julho de 1909, no British Club. Para os jornais da época, uma surpreendente vitória alvirrubra, já que o Leão era considerado franco favorito: 3 a 1. Gols de Maunsell (2) e Thomas para o Timbu. Chalmers descontou. De lá para cá, a disputa ficou cada vez mais acirrada.

O Campeonato Pernambucano começou a ser disputado em 1915. O Flamengo do Recife foi o ganhador daquele ano. Mas a primeira decisão entre Sport e Náutico aconteceu apenas em 1951, justamente no cinquentenário alvirrubro. O Leão venceu o primeiro turno e o Timbu o segundo. Sendo assim, disputaram uma melhor de três. O Náutico ganhou duas e conquistou o título.

A revanche leonina veio quatro anos depois. Justamente nos 50 anos do Sport. Com Traçaia, Naninho, Gringo, Soca e Geo, ataque que ficou conhecido pelo futebol encantador, o Leão da Ilha derrotou o rival.

Em 66, as equipes decidiram nos Aflitos o Torneio dos Campeões do Norte. Na disputa, estavam grandes clubes da região: Bahia, Fortaleza e Ceará. O Náutico não tomou conhecimento e passou por cima deles. Na última rodada, apenas o Timbu e o Sport tinham chances de ser campeão. O empate sem gols foi suficiente para que o troféu ficasse em Rosa e Silva.

O Brasileirão também abriu espaço para que as centenárias agremiações definissem a sorte. Em 1987, edição mais polêmica, ocorreu um clássico dos clássicos. O Leão ganhou por 1 a 0 e essa vitória o fortaleceu para o restante da disputa. Mais tarde, o rubronegro bateu o Guarani e se sagrou campeão brasileiro. Junto com o Bugre, representou o país na Libertadores de 88.

Mas 25 de julho não ficou só restrito ao clássico. Esse dia parece não fazer bem ao Sport. O time perdeu a oportunidade de voltar ao torneio internacional após 12 anos. Em 2000, decidiu com o Palmeiras a extinta Copa dos Campeões e acabou derrotado por 2 a 1.

Neste domingo (26), às 16 horas, a Ilha do Retiro será palco do centenário duelo. O jogo é válido pela décima-quarta rodada do Campeonato Brasileiro. Os clubes vivem situação difícil no nacional. O Náutico é o último colocado e o Sport o décimo-sexto. Mais um motivo para apimentar o confronto. Quem vencerá a partida de número 513?

Dados do Clássico dos Clássicos

Número de jogos: 512* (*Não se sabe o resultado do jogo do Torneio Terezinha de Jesus)

Vitórias: 169 do Náutico; 197 do Sport.
Empates: 145.
Local onde houve mais partidas: Ilha do Retiro (207).
Gols: 634 (NÁU); 687 (SPO).
Artilheiros: Fernando Carvalheira, 26 gols (NÁU); Traçaia, 13 gols (SPO).

Por Torero às 11h50

25/07/2009

Novas e mais criativas tarifas

 
 

Novas e mais criativas tarifas

(Só para não passar em branco, publico hoje um textinho antigo, que não tem nada a ver com futebol. Certa vez um banco me pediu um texto para seu jornal interno, ofereci este, mas estranhamente não foi aceito.)

 

Já faz algum tempo que o Conselho Monetário Nacional (CMN) liberou a cobrança de tarifas pelos bancos, mas até agora os bancos não utilizaram essa liberdade em todo seu potencial. Talvez por falta de criatividade. Se é assim, deixarei aqui algumas humildes sugestões:

a-) Sobre uso do cartão: R$ 1,00 por ocasião.

b-) Sobre uso do cartão para retirada de saldo: Tarifa (A) + R$ 1,50

c-) Sobre a retirada de extratos: Tarifa (A) + (B) (o extrato não deixa de ser um saldo) + R$ 3,55.

d-) Sobre cheques emitidos: R$ 1,35.

e-) Sobre uso do estacionamento: R$ 1,50 por hora (ops!, esse já existe!)

f-) Sobre conversas com o gerente: R$ 5,50 a cada meia hora (se o cliente ocupar uma cadeira, soma-se a esse valor a Tarifa (E).

g-) Sobre permanência de crianças, esposas e acompanhantes em geral no interior da agência: R$ 1,50 a cada quinze minutos.

h-) Sobre dúvidas sanadas no interior da agência: R$ 3,25.

i-) Sobre o uso da porta giratória: R$ 0,75.

j-) Sobre uso do banheiro da agência (gastos de saneamento): R$ 12,00

l-) Sobre espirros dados no interior da agência (gastos com limpeza e manutenção): R$ 3,50.

m-) Sobre consultas para aplicações: Tarifa (H) + (F) + R$ 5,00.

n-) Sobre pagamentos de contas no horário do almoço: R$ 1,25.

o-) Sobre preenchimento errado de guias: R$ 0,90.

p-) Sobre permanência no caixa: R$ 0,12 por minuto.

q-) Sobre canetas emprestadas pelo caixa: Tarifa (P) + R$ 0,30.

r-) Sobre uso dos serviços telefônicos: R$ 2,25.

s-) Sobre uso do ar condicionado: R$ 0,10 por entrada na agência.

t-) Sobre transmissão de música ambiente: R$ 0,15 por entrada na agência.

u-) Sobre transmissão de energia negativa para os funcionários: R$ 2,20.

v-) Sobre expressões de aborrecimento na fila: Tarifa (U) + R$ 1,15.

x-) Sobre recusa de seguro de vida: R$ 2,80 mensais.

Pode ser que a população reclame dessas novas tarifas, não reconhecendo o direito de cobrar-se por um bom serviço prestado. Para esse caso guardei a tarifa “z”, que pode vir a ser a grande fonte de renda dos bancos:

z-) Sobre reclamações sobre as novas tarifas: R$ 25,55.

Por Torero às 11h19

24/07/2009

Seleção da Sexta

Seleta leitora, selenita leitor, acho que às sextas vou começar a escolher a seleção do meio de semana.

Serão escolhidos 11 jogadores, o técnico, o árbitro e o lance da rodada. Mas nem sempre serão escolhidos os melhores. Como muita gente já faz isso, minha lógica é escolher motivos menos lógicos. Mas até vale jogar bem.

Vamos lá. Em relação à 13ª. rodada do Brasileiro, escolhi uma seleção no 4-3-3, ao modo do Corinthians quando está no ataque.

Goleiro: Lauro, do Inter, porque defender pênalti é o gol de placa do goleiro.

Lateral direito: Ferdinando, do Avaí. Seu gol contra o Grêmio foi um foguete, certamente em homenagem à chegada do homem à Lua.

Zagueiros: Henrique e Fabinho, do Cruzeiro. São volantes, mas jogaram improvisados na zaga e não decepcionaram. Mesmo fora de casa, saíram virgens de campo, sem tomar um gol sequer.

Volante: Guiñazu, do Inter Teve um pênalti injustamente marcado contra ele. Seu carrinho em Richarlyson foi perfeito. Aliás, Guiñazu ataca, defende, passa bem e desarma como poucos.

Lateral esquerdo: Dutra. Este provecto senhor, que fará 36 anos no mês que vem, joga melhor hoje do que há dez anos. E fez o gol do Sport no empate contra o Coritiba.

Meia: Diego Souza: Pode ser coincidência, mas, desde que Luxemburgo saiu, ele vem correndo uma barbaridade.

Meia: Douglas: Pela bola enfiada que deu no segundo gol corintiano. Talvez o melhor passe da rodada.

Atacante pela direita: Dentinho: Matou com o pé esquerdo, dominou no peito e mandou um chutaço de direita. Belo gol. Vale a vaga na seleção de sexta. 

Atacante pela esquerda: Neymar: A passada que ele deu da bola do pé direito para o esquerdo foi perfeita. E marcou o gol da vitória.

Centroavante: Val Baiano: mesmo tendo entrado mais tarde no campeonato, é o artilheiro isolado do Brasileiro. E marcou mais um contra o Flamengo.

Técnico: Silas. No começo do campeonato, o Avaí vinha perdendo ou empatando por detalhes, por gols sofridos nos últimos minutos. Mas a diretoria não mandou Silas embora. Com mais tempo, ele recalibrou o time e o Avaí venceu suas últimas três partidas.

Árbitro: Para mim, o maior erro foi o do trio comandado por Wilson Luiz Seneme, que validou o gol do Fluminense contra o Atlético-MG. Foi um daqueles lances em que todo o time estava impedido, até o banco de reservas.

Destaque: Diego Renan: O cruzeirense fez um golaço! O primeiro da carreira.

Lance: Houve vários belos gols, mas o que vai ficar na memória, e nos arquivos de imagens, é o tombo de Ronaldo. Provocou tremores de 2,3 pontos na escala Richter.

Por Torero às 08h33

23/07/2009

Toreroteca

Ei-nos cá mais uma vez, caros haríolos e futurólogas. Tentemos adivinhar o futuro, tentemos desvendar por quais caminhos andará o misterioso futebol neste domingo.

Para esta semana, selecionei vários clássicos:

Corinthians x Palmeiras, o tradicional clássico paulistano;

Santos x Flamengo, um clássico interestadual;

Sport x Náutico, o clássico pernambucano;

Atlético-MG x Goiás, o clássico montanhas x planalto;

Barueri x São Paulo, o clássico interior x capital;

e, finalmente, Salgueiro x Icasa, o penoso clássico entre o carcará e o papagaio (os mascotes dos clubes), pela Série C.

Meus votos vão para: Corinthians, Santos, Sport, Atlético-MG, empate e Salgueiro.  

Ganha o primeiro que acertar os seis jogos. 

O prêmio, para variar, será um livro (infelizmente, meu). No caso, o "Xadrez, truco e outras guerras". 

Palpite aí. 

Por Torero às 08h40

22/07/2009

Dúvida alviverde

Tem pesquisa nova aí do lado. Vote lá e comente cá.

Por Torero às 11h05

21/07/2009

Eu, o interino

(Texto de hoje na Folha de S.Paulo)

      Eu não posso é parecer nervoso. Ainda mais no primeiro treino. Tem que ser como se isso fosse a coisa mais normal para mim. E nem é tão diferente dos juvenis. É só ir acertando o posicionamento, repetir umas jogadas, nada de inventar. Vai dar tudo certo. Ainda mais que eu estou com meu abrigo da sorte. Mandei lavar e passar. Estou na maior estica. Mas será que estou parecendo meio enfrescalhado? Eu devia ter dado uma amassada no abrigo. Uma sujeirinha cairia bem. Estou meio engomadinho. Ah, deixa para lá, o que importa é que eu faça tudo direito. Será que nesse primeiro treino era bom eu dar uns gritos para impor respeito? Ou será melhor eu ir na base da camaradagem para os caras não ficarem contra mim? E na hora da entrevista depois do treino? Isso vai ser o pior. Aposto que logo de cara vão perguntar: “Você espera ser efetivado?”. É claro que eu espero, quem é que não espera. Mas eu não posso falar isso. Tem que ser alguma coisa do tipo “Sou um funcionário do clube e estou aqui para ajudar”. É, se eu falar isso vai pegar bem. Humildade sempre pega bem. Só não posso exagerar. Aí fico parecendo um cara sem ambição, só um tapa-buraco, um capacho. Mas a minha vontade era responder: “Sim, eu quero ficar porque eu sei que posso fazer o que os outros técnicos fazem. Os caras botam a maior pose, mas a coisa não é tão complicada. Tem uns que usam palavras estranhas, tem outros que botam roupa chique, mas o negócio é mais simples. No fundo eles só fazem isso para pedir mais dinheiro.”. Mas é claro que eu não vou falar uma coisa dessas. Mesmo porque eu também quero ganhar bem. Se eu for efetivado, para quanto será que vai o meu salário? Do jeito que o presidente é muquirana, aposto que vai querer me dar um aumentinho de nada. Mas o certo era eu ganhar cinco vezes mais. Só a encheção de saco que é dar entrevista já vale isso. Se bem que vai ser bom aparecer um pouco. Quando a gente é assistente ou está com os juvenis nunca dá entrevista. Se eu aguentar vários jogos, posso sair até no Jornal Nacional. Ah, se meu pai estivesse vivo. E quantos jogos será que eu vou aguentar? Tomara que a diretoria demore para acertar com alguém. E isso pode acontecer mesmo. Técnico é tudo doido. Eles pedem uma fortuna. E o clube está com problema de dinheiro. É, pode demorar. Ou não. Às vezes tem um desesperado que topa vir por qualquer trocado. Eles sabem que se ficam muito tempo fora da mídia acabam esquecidos e aí baubau. Se o cara está muito velho então, não tem jeito, fica esquecido mesmo. Xi, será que eu devia pintar o cabelo. Já tem uns brancos. Não, os jogadores iam estranhar. É melhor deixar assim mesmo. Dá até um pouco de respeito. Bom, vou entrar no gramado. Vou pisar primeiro com o pé direito para dar sorte. Ah, os caras já estão em campo. Pelo menos ninguém chegou atrasado. Nem o craque do time. Esse é difícil. Craque genioso é fogo. Prefiro cabeça-de-bagre mansinho. Não, não prefiro, não. Craque genioso é que garante emprego de técnico. Ou derruba. Será que eu faço o tipo durão para o cara me respeitar? Ou faço o tipo amigão? Sei lá. O importante é não parecer nervoso, é não parecer nervoso...

Por Torero às 09h01

Duas perdas

Saem Cristian  e André Santos, chegam Edu e, provavelmente, Sylvinho.  

Acho que o Corinthians sai perdendo bastante com essas mudanças. Os dois que vão são mais jovens, estavam entrosados e estão no ápice de suas carreiras. Os dois que vêm são bons tecnicamente, mas há que ver se têm fôlego para marcar ao estilo de Mano Menezes.

Tomara que este não seja o perfil da equipe do centenário, um time com nomes que voltam da Europa, mas sem o mesmo vigor operário que foi conseguido na Série B.

Tomara que o Corinthians não se "emboutique". 

Por Torero às 08h58

20/07/2009

Ah, BC do fim de C, mana.

Atlético-GO: Foi a grande sensação do Campeonato da Série C no ano passado e agora está na vice-liderança da Série B. É uma bela história de recuperação: há alguns anos a diretoria quase vendeu o estádio, mas torcedores impediram que isso acontecesse. Agora o time está a caminho da elite do futebol nacional.

Blecaute: Foi o que aconteceu com o Cruzeiro esta semana. O time perdeu a Libertadores e entrou na zona de rebaixamento do Brasileiro.

Chambão: Tosco, desgracioso. Por exemplo, o jogo entre Santos e São Paulo foi meio chambão.

Dupla caipira: Harlei e Iarley, quando se aposentarem, podem aproveitar os nomes para se transformarem numa boa dupla caipira. Não sei se são afinados, mas os nomes, que é o mais importante, eles já têm.

Escorregão: Mais uma vez o Botafogo saiu na frente do Flamengo e cedeu o empate. Está ficando monótono.

Forasteiro: O Fluminense parece um forasteiro dentro de seu próprio lar. O time anda numa fase tão negra que mesmo jogando no Maracanã parece ser o time visitante.

Goleada: Em casa, já é bom. Fora, melhor ainda. Foi o que aconteceu com o Goiás, que ganhou por 4 a 1 do Fluminense. E todos os gols saíram no segundo tempo.

Harley: Completou 600 jogos pelo Goiás. Creio que, entre os jogadores em atividade no Brasil, só Rogério Ceni tem mais jogos do que ele por um time.

Invencibilidade: O Guarani perdeu em casa para o Paraná na 12ª. rodada, assim como o Corinthians no ano passado na mesma Série B.

João Gilberto: Ronaldo deu o passe para o gol de Jorge Henrique, conseguiu a expulsão de Leonardo Silva e fez o segundo gol. Ele aparece pouco, mas faz coisas que ninguém mais faz. É uma espécie de João Gilberto.

Líderes: O São José de Porto Alegre e o Macaé são os únicos times da Série D que venceram seus três jogos até aqui.

Marília: “O meu Marilinha”, como diria Osmar Santos, é o único invicto da Série C. Venceu três partidas e empatou outras três.

Naviraiense: Vergonhosamente, só esta semana descobri que o clube existia. Ontem ele perdeu do Chapecó pela Série D e passou à lanterna de seu grupo. Quarta-feira disputará a final do Campeonato Sul-Matogrossense.

Õ Blesq Blom: É um nome de um CD dos Titãs e poderia ser o nome de um programa de televisão sobre futebol e cinema. Os apresentadores seriam Hernanes e Domingos de Oliveira. Com legendas, é claro.

Palmeiras: Jorginho é o interino que o Belluzzo pediu a Deus: barato, discreto e eficiente. E o time já tem os mesmos 25 pontos do líder.

Queda: O Náutico perdeu outra vez. Desta feita para o Barueri. E por quatro a zero. Parece-me o mais sério candidato ao rebaixamento.

Regra: O Vitória tinha vencido os últimos cinco jogos em casa. Mas a regra foi quebrada. O Atlético-MG conseguiu um empate no Barradão. E quase venceu.

Surpresa: Um dos artilheiros do Brasileiro é Val Baiano, que era motivo de piada em seus tempos de Santos.

Toreroteca: O vencedor foi Elder Arimatéia, de Salvador (onde, por coincidência, vive a autora do livro).

Uóshington: Entrou no lugar de Borges, suspenso, e marcou dois gols. Borges deve estar pensando: “Vai começar tudo de novo...”

Virada: A mais saborosa foi a do Grêmio sobre seu arquirrival.

Xenomaníaco: Aquele que demonstra paixão por viagens. É o caso do Avaí, que venceu as duas últimas partidas, ambas fora de casa, e assim saiu da zona de rebaixamento.

Zerado: Foi como acabou o jogo entre Atlético-PR e Coritiba. Eu não vi, mas deve ter sido um jogo horrível, porque até os melhores momentos foram chatos.

Por Torero às 08h41

19/07/2009

Sempre aos Domingos - Mario Ovão

 
 

Sempre aos Domingos - Mario Ovão

Texto de Sylvio Ferreira


Mário Ovão trabalhava num talho de carne no Alto do Capitão, em Dois Unidos. Nas tardes de domingo, ele vestia calção, camisa, meião e calçava um arremedo de chuteira, que dava a impressão de ter sido feita de couro de sapo de macumba, para jogar pelo Saci-Pererê. Ele era beque central à moda antiga, no estilo “espana pro mato”. O seu vigor era invejável. Em campo, chispava pelas narinas.

Em nada adiantava driblá-lo, já que os adversários logo sentiam na nuca o bafo quente da sua respiração e o rapa que lhe acompanhava – o que fazia com que largassem a bola e pulassem antes mesmo do rapa ser dado. O curioso era que Mário Ovão, ao recuperar a posse da bola, e após passá-la adiante, costumava rodopiar sobre um dos pés, como um mestre-sala, e gargalhava feito Exu num terreiro em dia de festa.

Dentes de ouro à mostra, era como se ele dissesse “Eu sou o rei da zaga”. E era! A sua figura era imponente, digna de um soba africano. E o seu potente chute equivalia a um édito real – Gol na certa! De tão potente, o seu chute explodia no ar em forma de som e de fúria e causava medo. O que lhe deixava ancho de si ao ver o medo estampado na face dos adversários, tal como um monarca absolutista assim se sentia ao causar pavor nos seus súditos.

Além de jogar futebol, Mário Ovão, que era feito no santo e filho de Ogun, tinha outros prazeres na vida: Tocar atabaque nos terreiros, beber cachaça e freqüentar gafieiras. Nas gafieiras, ele revoluteava pelos salões até o dia amanhecer; ao som de cumbias, boleros e merengues. O salão de “Biu da Madeireira”, em Água-fria, era um dos seus favoritos. Lá, qualquer um podia encontrá-lo acompanhado de uma cabrocha de ocasião dando o seu show à parte.

Nessas ocasiões, o beque ameaçador dos campos de várzea cedia lugar ao elegante dançarino que revoluteava pelo salão possuído pela leveza de um invertebrado. Enquanto em campo os adversários fugiam dele, nos salões as cabrochas o requisitavam. Ele era o rei das gafieiras. Nos salões, a sua voz grave adquiria um tom aveludado e a sua gargalhada de Exu era substituída por um sorriso tinhoso. Mais do que um soba africano, ele parecia um gato preto – tamanha era a sua manha nas noitadas.

Embora enchesse a cara de cachaça, ninguém nunca o viu embriagado caindo pelos cantos. Nem por isso quem o conhecia deixava de ficar espantado com o fato de que o excesso de cachaça em nada parecia afetar o seu vigor físico. A sua vitalidade era impressionante. À época, ele estava em meados da casa dos vinte. Era o início dos anos sessenta.

Porém, tendo cruzado a casa dos trinta, Mário Ovão (que ainda não era “Ovão”, mas simplesmente Mário), foi acometido do que, a princípio, foi dito que era hidrocele. Os seus testículos incharam – o que o levou a usar, por conta própria, uma cinta especial, comumente encontrada nas farmácias, para apóia-los no escroto. Consultado, o seu pai-de-santo recomendou algumas mandingas. Os amigos lhe aconselharam a pratica de algumas simpatias.

Entretanto, os seus testículos não paravam de crescer. O rei da zaga e das gafieiras estava ameaçado de perder o cetro. Teimoso como ele só, e inteiramente crédulo nos efeitos medicinais das mandingas e das simpatias recomendadas, ele tardou em procurar ajuda médica. E continuou jogando e dançando, enquanto pôde – sem que perdesse a potência do chute e o charme da dança. Tampouco largou a cachaça. Apenas aumentou a porção dedicada ao “santo”.

Numa certa tarde de domingo, Mário deixou de ser simplesmente Mário e passou a ser Mário Ovão, para sempre. Mas o seu codinome está associado menos ao tamanho dos seus testículos, mas a um feito pioneiro na história do futebol. O que o colocou na dimensão do maior rei do futebol de todos os tempos: O rei Pelé.  Todos dão como líquido e certo que a chamada “paradinha”, na hora do pênalti, é uma invenção do Atleta do Século, mas se enganam. A tal “paradinha” é invenção de Mário Ovão.

Eis o que vi!  Naquela tarde, no campo do Condor, em Peixinhos, Olinda, o Saci-Pererê teve um pênalti marcado a seu favor. Mário, então, caminhou em direção a marca de pênalti para efetuar a cobrança. Todos que assistiam ao jogo viram o goleiro da equipe adversária tremer de medo feito uma vara verde. Mário marcou distância da bola e partiu para a efetuação da cobrança com o seu chute tão temido. Por conta da hidrocele, correu e parou bem próximo à bola e soltou um esganido de dor, em razão de uma forte fisgada que sentiu nos testículos.

Entretanto, o goleiro já havia saltado para um dos lados da meta. Mesmo acometido de intensa dor, Mário usou as duas mãos para bem apoiar os seus ovos (a cinta já não lhe bastava), fez uma careta horrenda e chutou, levemente, a bola em gol; na direção oposta a que o goleiro havia pulado. O goleiro sem saber do problema que lhe acometia, apanhou a bola na rede e sorriu para Mário; acreditando que ele o havia poupado de uma desgraça maior. O público também sorriu – e muito. E feliz da vida gritou: “Gol de Mário Ovão!”.

Essa foi a última partida que Mário disputou. O seu problema era mais grave e mais sério do que se podia imaginar – ele estava acometido de filariose, tal como foi corretamente diagnosticado, após a realização de exames específicos. A filariose lhe atacou o escroto, ao invés das pernas. Assim surgiu a escrota da “paradinha”, graças ao inchaço que acometeu os testículos de Mário. Que lhe seja dado o devido crédito, portanto. E que o seu feito seja para sempre lembrado.

 

(O texto foi publicado originalmente no site www.loucospelosanta.com. )

Por Torero às 02h12

17/07/2009

Toreroteca

E vamos à nossa boa e velha Toreroteca.

Dessa vez o prêmio merece este nome. Será o livro "Fábulas Delicadas", de Eliana Mara Chiossi (ele tem a palavra fábulas no título mas é um livro para adultos). E ele já vem com uma dedicatória ao vencedor (a).


 

 Como quero que haja um ganhador esta semana, teremos apenas cinco jogos, o que aumenta muito as chances do leitor.

Escolhi os quatro clássicos estaduais e um jogo esquisito (todos no domingo).

Os quatro clássicos são:

Grêmio x Internacional, o clássico do chimarrão, com dois candidatos ao título.

Atlético-PR x Coritiba, o clássico do "ufa, estive na zona de rebaixamento, mas saí".

Flamengo x Botafogo, o clássico entre dois times do tipo "tudo pode acontecer".

São Paulo x Santos, o clássico dos desesperados.

E o jogo esquisito é Naviraiense (MS) x Chapecoense, pela Série D.

Ganha o primeiro que acertar os vencedores. Valem as apostas registradas até 14h59 de domingo.

Se ninguém vencer, invento uma regra e dou o livro para alguém.

Meus palpites: Inter, Coritiba, Flamengo, São Paulo e Chapecoense.

Por Torero às 07h32

16/07/2009

Carta de um vizinho solidário

 
 

Carta de um vizinho solidário


Texto de Fernando Mendanha


Prezado amigo cruzeirense,

Confesso que fiquei chocado com o que vi na noite da última quarta-feira. No início, tudo era festa. O grito que se ouvia do outro lado da lagoa fez me lembrar, mesmo que de longe, o caldeirão com sua massa favorita em dias de grande banquete.

Até os estrondosos foguetes que rasgavam o silêncio dos céus soavam (quase) tão altos quanto o mais bravo dos cacarejos em dia de festa. Tamanha algazarra que não passara de 90 minutos. E cá, eu ainda estava, ciscando de um lado para o outro, pensativamente em apenas um fato: o que teria acontecido com ele?

Bom, meu caro amigo cruzeirense. Peço-lhe até desculpas por adentrar em um campo que, confesso, não é das minhas especialidades. Mas é que preciso dar asas aos pensamentos que me intrigam.

Primeiramente, digo-lhe algo com a maior sinceridade. Às vezes, é preciso reconhecer a derrota, pois, talvez, tu vivas cheio de vaidade, mas na realidade, não foi o grande campeão. É inegável que nos gramados de Minas Gerais tens páginas heróicas e imortais...

Mas, oh, vizinho, vizinho querido! Não desta vez. Fostes combatido e abatido foi vencido, justamente por não ter jogado com muita raça e amor. Por não ter vibrado mais com alegria pras vitórias.

Oh, vizinho, vizinho querido! Mesmo com o seu grande nome na cidade, saiba que para vencer, vencer, vencer – que és o nosso grande ideal – era preciso honrar o nome de Minas no cenário desportivo mundial.

Lutar, lutar, lutar, meu nobre azul, com toda a sua raça pra vencer, mesmo que uma vez até morrer, fostes o detalhe ausente que transformara o bonito e colorido azul dessa quarta num triste fim de noite meio preto e branco.

Contudo, bola pra frente, amigo, e não fique triste. Já que, por aqui, as coisas vão muito bem, obrigado. Hoje, abrindo cada vez mais espaço frente à concorrência, se Deus quiser, quem sabe refaço suas batalhas, seus desejos e seus sonhos pela América no ano que vem.

E aí sim (até com a sua torcida), talvez voltemos a ser o campeão dos campeões e o orgulho do esporte nacional.

Melhoras,

Ass.: O vizinho do terreiro ao lado

Por Torero às 21h14

Meus pêsames

Ah, cruzeirenses, dou-lhes toda minha solidariedade. Quisera eu ter um ombro enorme para lhes emprestar.

Foi tudo da forma mais doída possível.

Na fase de grupos, a liderança, à frente do próprio Estudiantes. Um belo começo. Inclusive com uma vitória por 3 a 0 contra o time argentino.

Depois, mas oitavas-de-final, vieram as duas vitórias sobre o Universidad do Chile.

Então foi a vez do poderoso São Paulo. E mais duas vitórias celestiais. O time já aparecia como favorito. Superar o São Paulo, o único tri, era um bom sinal.

Chegaram as semifinais e o Grêmio. Mais uma vitória e um empate. O Cruzeiro estava apenas a dois passos do paraíso. Ou melhor, a dois jogos.

Era a vez do Estudiantes, que não ia lá muito bem no Campeonato Argentino, ficando ali por volta do sexto lugar.

E, na primeira partida, um belo zero a zero, com frieza, boas jogadas, um gol perdido por Kléber e grandes defesas. Pode-se dizer que foi um empate vitorioso.

Estava tudo preparado para a grande festa. A final seria no Mineirão. O Cruzeiro era obviamente melhor, a casa estaria cheia e seria a partida de despedida de Ramires.

Quando Henrique fez o primeiro gol, parecia que o destino se cumpriria. Os sessenta mil torcedores devem ter se abraçado, devem ter se sentido privilegiados por estarem ali, naquele momento histórico. Talvez tenha sido o momento mais feliz da vida de muitos deles.

Mas aí, veio o gol de empate. E depois o da derrota.

O que era certeza e riso tornou-se angústia e ranger de dentes.

Quando o juiz apitou o final do jogo, os cruzeirenses devem ter se sentido abandonados por Deus, maltratados pelo destino, os últimos dos homens.

Imagino que alguns ficaram pelo estádio, tentando entender o que acontecera, e outros voltaram logo para suas casas, sem falar nada, arrastando os pés, querendo chegar logo em suas camas para dormir. E não sonhar.

Tudo parecia ter sido feito para o sucesso do Cruzeiro. Era como um romance em que faltava escrever apenas o último capítulo. Ou a linha final, ou a última palavra.

Mas o sonho, que já era tão real, se desfez. Foi como a noiva que diz não no altar, deixando o noivo sozinho, motivo de riso e pena. Foi como o filho que nasce morto, deixando os brinquedos, o quarto pintado e o berço como recordações da dor.

Aos cruzeirenses, meus mais sinceros pêsames.

 

Por Torero às 01h23

15/07/2009

Cruzeiro x Estudiantes

Como estou vendo o jogo do Cruzeiro, e meio nervoso, vou escrever durante a partida para diluir a tensão. Provavelmente ninguém vai ler, porque todo mundo deve estar em frente à tevê, vendo o Palmeiras ou o próprio Cruzeiro.

Vamos lá:

4': Até agora, nada de mais. Jogo nervoso e meio feio.

5': Verón dá uma cotovelada desleal em Ramires. Vingança do jogo anterior.

12': Por ora, um jogo sem beleza.

16': Até o Verón está na base do chutão.

20': O Serra acaba de aparecer na tevê. Com óculos de leitura e olhando para baixo. Ou seja, não está nem tchuns para o jogo.

21': Bom lance do Estudiantes. O cara furou na hora do chute. Tostão deve estar aliviado.

22': Bom lance do Cruzeiro.

23': Chute do Fernandes, do Estudiantes. O jogo melhorou muito.

24': Mais uma boa chance do Cruzeiro. Wellington Paulista chegou um pouco tarde.

25': Ramires cabeceou fraquinho. Mas agora está dando gosto de ver.

26': Opa! Um leitor fez um comentário! Alexandre, o que você veio fazer neste blog numa hora dessas? Liga um radinho.

31': Antes que eu me esqueça, meu palpite é 1 a 0 para o Cruzeiro.

32': Grande corte de Gérson Magrão, e dentro da área. Por um pelo não foi pênalti.

38': Kléber ganha um cartão amarelo por dar uma narigada no punho de um argentino.

42': Chute de longe do Estudiantes. E Kléber apanha mais uma vez. Mas não reage. O cara virou um monge budista. 

46': Fim do primeiro tempo. O Cruzeiro teve um pouco mais de domínio e de chances, mas a melhor foi do Estudiantes.

Segundo tempo:

5': Os argentinos voltaram com sede de sangue. Estão batendo à beça.

7': Goool! Henrique, de longe, com ajuda do desvio no De Sábato.

12': Bah! Gol do Estudiantes. Jogadinha besta, besta... Falhou o lateral, falhou o zagueiro, falhou o goleiro.

 16': Por ora ainda há 3 leitores que podem ganhar a Toreroteca: Denis, com 2x1, Eduardo Batista, com 3x1, e o otimista André Barbosa com 4x1. 

24': O Cruzeiro passa por maus momentos.

26': Mais maus momentos para o Cruzeiro. E agora já são onze os comentaristas.

27': Não! Gol de escanteio, não... 2 a 1 para o Estudiantes.

29': Que novidade, um argentino caiu. Em 16 minutos, vai ser difícil.

30': Fico pensando na torcida cruzeirense. Como será triste voltar para casa.

34': Faltam dez minutos e o Verón quase faz um gol de falta. No Cruzeiro, o Kléber luta e é a esperança de gol. Ramires está mal. Quer jogar na raça, mas este não é seu forte.

38': Tiago Ribeiro chuta, mas o goleiro defende.

39': Escanteio para o Cruzeiro. E nada...

40': Mais um escanteio. No rebote, a bola no travessão. Droga... Quando o travessão está contra, não tem jeito...

43': Tiago Ribeiro perde boa chance. Chuta na pequena área mas a bola entra em órbita.

45': Só três minutos de prorrogação. Que juiz medroso...

46': Tiago Heleno perde boa chance.

47'45'': Nem os três minutos o juiz deu. henrique sai chorando. Verón também chora. Seu pai foi tricampeão pelo mesmo time, e Verón não aceitou algumas propostas para fazer a Libertadores pelo Estudiantes. Não sei admiro ou odeio o cara. Acho que vou odiar hoje e admirar amanhã.  

Ah, como é triste ver os argentinos festejarem. E imagino os torcedores do Cruzeiro saindo do estádio silenciosos, os jogadores chorando no vestiário, as bandeiras enroladas. Nada é mais dolorido que perder um título em casa. Triste, triste...

 

PS: Ninguém acertou o resultado dos dois jogos. Mas tivemos um vencedor. O primeiro a acertar o resultado da segunda partida foi Mateus Pedroso, de Campinas. Mande aí seu endereço, Mateus, e eu lhe envio o Terra Papagalli.

Por Torero às 22h02

Primeira pessoa: o bilheteiro

(Publicado ontem na Folha de S.Paulo)

Por que eles não trazem dinheiro trocado? Já sabem quanto custa o ingresso, custava trazer o dinheiro certo? Mas não, sempre trazem notas grandes. Como esses pés-rapados sempre têm notas de 50? O pior é ver essa dinheirama passar pela minha mão e eu não poder ficar com nada. Num punhado de ingressos o clube já tira o meu salário. Vai tudo para o centroavante. Esse deve ganhar uma fortuna. Ou então vai para o bolso do presidente. Não boto minha mão no fogo por ele. Nem por ele nem por ninguém. Até dos outros bilheteiros eu suspeito. Acho que o Armandinho tem esquema com o cara da roleta. Toda hora a roleta quebra e o cara fica com os ingressos na mão. E aí o Armandinho dá uma sumida. Para mim ele pega os ingressos de volta e deixa o dinheiro com o cara da catraca. Coisa mais fácil que tem é roubar. Ah, se a minha mãe não tivesse me criado direito... Quem sabe eu ia ter carro em vez dessa bicicleta. Ou ia estar na cadeia. Não, ninguém vai para a cadeia. Mas é melhor ser honesto. Eu acho. Dizem que o cara do bar também rouba, passando uns torcedores por uma passagem secreta. Será? Futebol é uma ladroagem só. Falam no juiz, mas não escapa ninguém. Quer dizer, eu escapo. O máximo que já fiz foi ficar com o troco de uns caras. Mas só quando são grossos. Odeio cara grosso, desses que tratam bilheteiro feito empregado. Mas já devolvi troco errado. De mulher e criança, sempre. Mais uma nota de 50, assim não dá. E dez dessas já pagam o meu salário. Não é justo. Bom, pelo menos é um emprego tranquilo. Ninguém assalta bilheteria de clube. Mas deviam, aqui tem um dinheiro danado. Ah, não assaltam por causa da polícia. Jogo de futebol tem mais policial que delegacia. E, também, trabalho pouco. Só uns três dias por semana. O saco é ter que trabalhar sábado e domingo. Se pelo menos eu torcesse para esse time. Mas nem isso. Só que disfarço bem. Venho com camisa do clube. Se o diretor administrativo desconfia que eu torço para o outro, estou na rua. Isso é desrespeito. Não se pode torcer para quem se quer? Outra nota de 50. Esse aí deve ser traficante. Com esses óculos escuros, tem que ser. Ou traficante ou delegado. E esse garoto que fica pedindo "cinco real para completar o ingresso"? Tem trouxa que dá. Já tem dinheiro para comprar cadeira coberta e ainda tá aqui. Pilantra! O que não falta no mundo é pilantra. Só eu que sou trouxa. Ô, minha mãe, por que você me criou assim? Se eu fosse desonesto, já podia estar rico. Podia ser da federação. Esses devem ganhar dinheiro. Parece que vendem ingresso por lá mesmo. Por isso que tudo que é estádio encolheu. Não é porque botaram cadeira de plástico, que diminuíram antes disso. É porque tem cara da federação que já vende direto para o cambista. Cambista... Mais um que ganha dinheiro fácil. Mas, também, os trouxas pagam a mais só para não pegar fila. Bem feito! Pior é quando pegam ingresso falso. Mas aí tem esquema com o cara da catraca e os policiais, e passam com ingresso falso mesmo. Parece que o Armandinho também tem esquema com cambista. Como é que ele ia arranjar dinheiro para comprar aquele Escort? Só eu que sou trouxa. Ah, se minha mãe não tivesse me criado direito...

 

Por Torero às 07h01

14/07/2009

23 anos em 7 segundos

Por estes dias fui ver o filme “23 anos em 7 segundos”, dirigido por Di Moretti e Júlio Xavier. Ele tem boas cenas de arquivo, bons depoimentos (com os entrevistados muito à vontade) e um bom roteiro, que explora a conquista de 1977 por vários ângulos. O senão é que há uma barriga quando se fala em misticismo no futebol. Essa parte merecia uma lipoaspiração.

O curioso é que na sessão em que fui só havia seis pessoas, o que me parece incrível, pois o filme é bem interessante.

Onde está a torcida corintiana? Será que ela só vai ao estádio? Será que vão perder o filme sobre o título que, se não é o mais importante, foi o mais emocionante já conquistado pelo clube? Será que verão apenas em DVD? Se sim, acho uma bobagem. A diferença entre ir ao cinema e ver um DVD em casa é a mesma de ir na igreja e rezar na cama antes de dormir. As primeiras opções são mais intensas e místicas.

Bem, para os corintianos que gostam de cinema, o filme está nestas salas e horários:


Cine Bombril 2, 20h (Projeto Folha Documenta - projeção digital).
Espaço Unibanco Augusta 5, 15h40 (proejção digital).
Frei Caneca Unibanco Arteplex 8, 16h (projeção digital).   

 

Por Torero às 06h11

13/07/2009

Abecê do findessê

Avaí: No sábado, contra o Botafogo, chutou várias bolas perigosas, mas elas não entraram. Passaram à direita, à esquerda, e por cima da trave, mas não entraram. É um time azarado. O Barrichelo do Brasileirão.

Barrichelo: Ontem parecia que conseguiria sua primeira vitória no ano, mas um erro da Brawn o tirou da luta pela vitória. É muito azarado. O Avaí da Fórmula-1.

Cleiton Xavier: “Deu o um passe para um dos gols palmeirenses”. Quantas vezes você já não leu esta frase? Com ele em campo, o QI do time sobe muito.

Dupla: A parelha de ataque do Atlético-MG é mortal. Diego Tardelli e Éder Luís são rápidos e se completam. Os dois estão com seis gols, apenas um atrás da artilharia.

Escalada: Com as vitórias de ontem, o Sport subiu quatro posições e o Atlético-PR, cinco. Os dois rubro-negros foram os times que mais galgaram posições na rodada.

Fluminense: Perdeu em casa para o Santo André e entrou na zona de rebaixamento. Parreira entra na lista dos técnicos ameaçados, aliás, uma péssima lista para se estar neste momento, com Muricy e Luxemburgo desempregados.

Grêmio: Ganhou, e bem, do Corinthians, que nunca tinha sofrido uma derrota por três gols na era Mano Menezes. Mas o tropeço é explicável pela ressaca da conquista da Copa do Brasil.

Hóspedes: Os times da Série B foram excelentes hóspedes esta semana. Nenhum dos que jogaram fora de casa conseguiu vencer. Foram nove vitórias dos mandantes. Só a Portuguesa é que conseguiu arrancar um empate em São Caetano, o lanterna do campeonato.

Inconstante: Nas últimas seis paridas, o Coritiba venceu, perdeu, venceu, perdeu, venceu e perdeu. Mas o que parece inconstância talvez seja justamente o contrário. Ele venceu as três últimas que jogou em casa e perdeu as três que jogou fora.

Jorginho: Com a goleada de sábado e a boa performance do Palmeiras nos últimos jogos, já deve estar pensando que pode colocar seu carro na vaga do estacionamento que pertencia a Luxemburgo. E tem boas chances. Como desprezar um técnico que está invicto e vem de goleada?

Líder: Por enquanto, o melhor time da Série C é o simpático ASA, de Arapiraca. Em cinco jogos foram quatro vitórias e um empate.

Mark Weber: Ganhou sua primeira prova e deixou o campeonato muito mais interessante. A Red Bull tornou-se o melhor carro. Aliás, porque a Globo fala RBR e não Red Bull? Provavelmente para não fazer propaganda de graça. Mas acaba fazendo de Ferrari, Toyota, Mercedes, etc... 

Naufráugio: O Náutico naufragou no encharcado campo do Palmeiras. E não vence há sete partidas.

Oxigênio: Era o que eu precisava depois da prova de 10 km ontem, em São Paulo. Meu tempo foi 53m48, meio ruinzinho. E, no final da prova, inventei o tossirro. É uma mistura de tosse, por conta da falta de ar, e de espirro, por causa do frio. Não é uma coisa muito bonita de se ver.

Pedrãonite: O Barueri passou bem pelo Coritiba. E sem Pedrão. Ou seja, parece que o time não sofrerá de pedrãonite.

Quá-quá-quá: Interjeição que reproduz o som de uma gargalhada, provavelmente usada pelas torcidas de Vitória e Flamengo, que viram os goleiros de Santos e São Paulo fazerem patacoadas.

Recuperação: Nas últimas duas partidas fora de casa o Botafogo conquistou 4 pontos. O paciente parece estar se recuperando, mas ainda está na UTI.

Sobrenome: O de um dos bandeiras que atuou no jogo do Morumbi é justamente Bandeira. Seu destino estava traçado desde o berço. Ou do cartório.

Traulitada: Golpe muito forte, pancada, bordoada. A palavra também pode ser aplicada aos chutes de Adriano, que marcou seu quinto gol no campeonato, desta vez contra seu ex-time, o São Paulo.

Uelliton: Sem “w” e sem “n”, é o nome do bom meio-campista do Vitória, onde também jogam Willian e Wallace, estes sim, com “w”.

Vasco: Ganhou da Ponte e quebrou um jejum de oito jogos sem vitória. Mas continua em oitavo lugar na Série B. 

Xeque: Se o futebol tem algum parentesco com o xadrez, o Vitória de um xeque-mate do pastor no Santos, aquele xeque bem rapidinho, que se dá no começo do jogo contra jogadores novatos. Em menos de vinte minutos já estava 3 a 0.

Zerzulho: Gíria de Trás-os-Montes para dinheiro. Qual derrotado de hoje estará mais disposto a gastar seu zerzulho para contratar Luxemburgo: Santos ou Fluminense?

 

Por Torero às 07h24

12/07/2009

Zé Cabala e o juiz triatleta

(Um dos mais assíduos colaboradores do "Sempre aos Domingos" é o palmeirense Marcio R. Castro, que há poucos dias teve seu segundo filho, Heitor. Por coincidência, ou não, nesta última terça-feira entrevistei para a Folha, via Zé Cabala, um craque do Palmeiras com o mesmo nome)


Quando cheguei à casa do mensageiro das almas o correio elegante dos espíritos, ele estava comendo uma enorme macarronada.

“Servido?”, ele me perguntou.

“Não obrigado”, respondi. “Lamento interromper sua sagrada refeição, mas é que tenho que entregar o texto mais cedo e...”

“Tudo bem, já entendi”, disse Zé Cabala. “Mas já aviso que isso vai lhe custar uma bandeira dois.”

Concordei com o preço dobrado e logo depois o grande sábio estava dando giros como se fosse um peão. Parou em frente ao parato de macarronada, disse “Hmm!” e recomeçou a comer.

Fiquei indignado e perguntei: “Mestre, o senhor não vai incorporar ninguém?”

“Mestre? Deve haver algum engano aqui. Não sou mestre de ninguém. Fui apenas um jogador de futebol.”

“Ah, desculpe... E o seu nome é...”

“Heitor Marcelino Domingues, às suas ordens.”

“Heitor, o maior artilheiro da história do Palmeiras?”

“Esse mesmo. Foram 284 gols. O César Maluco, que é o segundo maior goleador do time, tem só 180.”

“O senhor jogou em que época?”

“Comecei em 1915, com 16 anos, no Americano. Com 17 já estava no Palmeiras. E, com 18, na seleção brasileira, onde eu e o Friedenreich fizemos uma grande dupla. Até ganhamos o Sul-Americano de 1919.”

“Mas o senhor e o Fried eram rivais, não eram?”

“E muito! Lembro até hoje do estadual de 1920. O Paulistano do Fried era o nosso grande adversário, tanto que os dois times terminaram com 26 pontos e teve que ser marcado um jogo extra. E esse nós ganhamos: 2 a 1! Foi o primeiro campeonato do Palestra.”

“Parabéns!”

“Naquele campeonato eu cheguei a marcar seis gols numa só partida, contra o Internacional da capital.”

“Puxa, isso deve ser um recorde.”

“É, sim. Só duas vezes alguém marcou seis gols pelo Palmeiras numa só partida.”

“Quem foi o outro artilheiro?”

“O outro também fui eu, em 1927, num jogo contra o Corinthians de São Bernardo do Campo. Aliás, aquele ano foi ótimo. Em 26 já tínhamos sido campeões e eu fui o artilheiro. Mas em 27 conseguimos o primeiro bi do time.”

“Puxa, deve ter sido o melhor ano da sua vida.”

“Não, acho que o melhor foi em 28. Naquele ano fui artilheiro do Paulista e campeão estadual de basquete.”

“Caramba! O senhor era um bicraque!”

“Tri, porque eu também jogava no gol. Em 1929, num jogo da seleção brasileira, o goleiro Amado se machucou e o Jaguaré entrou no lugar dele. Mas o Jaguaré também se contundiu e eu que acabei no gol. Mas não tomei nem um.”

“E quando o senhor se aposentou?”

“Joguei pelo Palestra até o final de 1931. Aí me despedi e voltei ao Americano, onde fiz uns amistosos. Depois me tornei árbitro.”

“Juiz?!”

“Pois é. E até consegui certo sucesso no apito, sabe? Tanto que, em 1940, tive a honra de dirigir a primeira partida do Pacaembu. Agora, com licença”, disse ele levando uma garfada à boca. “Hmm! Pode me passar o queijo ralado?”

 

Por Torero às 06h53

09/07/2009

Corintianos e palestinos

Recebi este email da Frente em Defesa do Povo Palestino e repasso-o aos corintianos que lêem este blog.


 

Aos torcedores do Corinthians


A Frente em Defesa do Povo Palestino, que reúne mais de 50 entidades da sociedade civil brasileira, apoia e vê com muitos bons olhos a ida do Corinthians à cidade palestina de Ramallah, na Cisjordânia, para participar de jogo contra o Flamengo. Levar o esporte para uma zona de conflito e território ocupado, onde seus habitantes não têm garantidos seus direitos fundamentais, é uma iniciativa louvável.

A Cisjordânia – ao lado da faixa de Gaza e de Jerusalém Oriental – permanece ocupada pelo Estado de Israel desde 1967, uma ação ilegal, como reconhece a própria ONU (Organização das Nações Unidas). Ali, as crianças não podem estudar ou jogar bola livremente, pois, além de correrem riscos, são submetidas a bloqueios e mesmo toques de recolher que buscam determinar o curso de suas vidas. Mesmo assim, admiram e conhecem os jogadores brasileiros, que podem trazer alguma alegria a vidas em que a normalidade do cotidiano tem sido roubada.

Acreditamos que, além disso, o jogo Corinthians x Flamengo pode voltar os holofotes para o problema palestino e pressionar a uma solução justa. Assim, pleiteamos a que não permitam que a direção do clube ceda a eventuais pressões para que o mesmo jogo ocorra também em Israel, o que seria como igualar opressor e oprimido. E impedir que o futebol – que já parou até guerra – cumpra sua função social de fato. A torcida do Corinthians tem um papel importante para que seu time, que historicamente tem sido o time da massa, que prima pela democracia e liberdade, se recuse a jogar em Israel, enquanto este mantiver a ocupação criminosa sobre os territórios palestinos, que tem feito milhares de vítimas.

Por Torero às 21h27

O herói do dia

Fábio fez três defesas espetaculares ontem. Três defesas daquelas em que os torcedores do time adversário estavam com o grito de gol no meio da garganta e tiveram que engoli-lo de volta.

Eu mesmo, no chute de Verón, me peguei olhando para a rede, esperando vê-la balançar. Mas nada aconteceu. E o estranho é que me pareceu que a bola tinha desaparecido, pois eu não a vi ser espalmada. Pois ela estava nas mãos de Fábio. O mais comum é que ela entrasse no ângulo. Alguns poucos goleiros conseguiriam espalmá-la, mas o cara, mesmo com aquele seu penteado meio ridículo de moicano de butique (talvez ele ajude sua  aerodinâmica) segurou a bola. E nem deixou-a cair quando pousou de seu vôo. Uma defesaça!

O Cruzeiro teve um bom segundo tempo, com a defesa firme, o meio de campo criando lances e o ataque conseguindo algumas finalizações, mas o nome do jogo foi Fábio Deivison Lopes Maciel.

 

Por Torero às 12h31

08/07/2009

O país sem cartão vermelho

  

Se Edmar Moreira não foi cassado pela comissão de Ética, creio que o mais lógico seria acabar com o cartão vermelho. Pelo menos, nos campos brasileiros. Aqui vale tudo.

Por Torero às 17h08

O que fazer naqueles malditos 15 minutos – Última parte

Em relação ao intervalo, o mais curioso grupo de torcedores é formado pelos “quero-quinze-minutos-de-paz”.

Esta turma se utiliza do breque futebolístico para esquecer o futebol. Talvez seja uma demonstração de força de vontade, talvez desespero por torcer para um time ruim, talvez uma tentativa de desintoxicação. Vamos aos exemplos:

O Sifredo Macedo combate o vício boleiro por outros dois: “Nos jogos de quarta, acendo um cigarrinho e abro mais uma cervejinha. Nos jogos de sábado, acendo um cigarrinho e abro mais uma cervejinha. Agora, nos jogos de domingo, acendo um cigarrinho e abro outra cervejinha.”

Já o Alexandre (que sabiamente não citou seu sobrenome), troca o tabaco por outra substância: “Se o Tricolor tá empatando, eu fumo um cigarro, devagar e preocupadamente... Se o Tricolor tá perdendo, fumo dois cigarros, rápido e nervosamente... E se o Tricolor tá ganhando, fumo um baseadão tranquilo e alegremente!”


Telinhas

O Rafael Mantovani, de Rolândia (fui checar e a cidade realmente existe), aproveita os 15 minutos para ir até o computador: “Gasto meu tempo na internet, lendo e-mails, ouvindo música e tentando ‘esquecer’ os 15 minutos. Quando volto à tv, perdi a noção de tempo e o jogo já esta com 5 minutos rodados.”

Para minha surpresa, muitos torcedores revelaram que assistem ao programa da Luciana Gimenez no intervalo. Não para ver uma reportagem, uma fofoca ou um debate, mas por conta de um desfile de calcinhas e sutiãs que, por uma suspeita coincidência, acontece exatamente no intervalo dos jogos.

O irônico Gustavo Castello explica: “Além de apreciador de futebol, gosto de estar antenado na moda. Por isso, no intervalo, desfile de lingerie na Luciana Gimenez. O verdadeiro futebol arte!

E Giba Rossi, de Campinas, até oferece mais uma opção: “Se o jogo é quarta, mudo para a Luciana Gimenez. Se é o jogo é Domingo, mudo para a Record para ver se a Eliana tá mostrando as pernas.”


Namorar

Muitos aproveitam os 15 minutos para namorar, como o Alexandre, de São Paulo: “Se estou com a mulher, não tem jeito, ela me dá 45 minutos pra assistir ao jogo, mas os 15 do intervalo são dela. E esse ‘dela’ não é o controle da tevê, se é que você me entende. Como não sei como vai estar o meu humor depois dos outros 45, dou o melhor de si, como dizem os atletas. O importante é sair com os 3 pontos.”

Mas há quem faça justamente o contrário, como o Maykon Dias, que escreveu: “Torero, geralmente brigo com a minha namorada, pois ela enche o meu saco o jogo todo.”

Enfim, nestes três textos você pôde ver muitos modos de passar os quinze minutos do intervalo. Mas há ainda um último, praticado Carlos Eduardo Sisso, de Belo Horizonte:

“Eu espero.”

 

Por Torero às 10h01

07/07/2009

Toreroteca especial

Como estamos na final da Libertadores, proponho uma Toreroteca especial. Desta vez teremos que acertar o placar dos dois jogos. Quer acertar primeiro, ganha. Se ninguém acertar os dois, ganha o primeiro a acertar o resultado do segundo jogo. Se ninguém acertar nada, nós somos ruins demais.

Meus palpites: Estudiantes 1 x 0 Cruzeiro e Cruzeiro 2 x 0 Estudiantes. 

Escrevendo de modo mais simples, 1 a 0 e 2 a 0.

Aposte aí. Só valem os votos até as 21h49 desta quarta. O prêmio, ou castigo, é um Terra Papagalli.

Por Torero às 23h33

O que fazer naqueles malditos 15 minutos? (segunda parte)

Viciado leitor, viciante leitora, eu vos pergunto: “Quando o juiz apita o fim do primeiro tempo, o que fazem os futebolômanos?”

E eu vos respondo: “Eles vão atrás de mais futebol.”

Quinze minutos é tempo demais. Eles precisam preencher aqueles novecentos segundos com mais futebol.

Há, claro, o truque básico de mudar de canal, torcendo para que algum outro jogo tenha ainda alguns minutinhos a mais. Mas este recurso é muito pouco para um verdadeiro futebolômano.

Uma saída tradicional é escutar o rádio no intervalo, como o Fernando Gondim, de Fortaleza. Mas hoje em dia há outros meios de comunicação, como a internet. É à ela que o André Araújo recorre:

“Desenvolvi uma nova técnica... Nos intervalos, entro no Youtube e procuro belos gols, lindas defesas, os domínios de bola do Zidane. Aí fico feliz pro segundo tempo. Se agradar, continuo na TV, senão, volto pro Zidane.”

Torcendo com o inimigo

Muitos torcedores não se conformam em estar em casa e longe da torcida adversária. Sim, porque muitos são os que não conseguem torcer sem seus antípodas.

O Ricardo Fiore mata a saudade dos contrários apelando para o celular. Sua diversão é “enviar torpedos zombando os adversários (quando o Palmeiras perdeu do Colo-Colo no Chiqueiro, eu mandei um escrito ‘oooooooooooole’ para o meu chefe. Quase me custou o emprego, mas valeu a pena... rs)."

Mas há quem prefira o velho método de se esgoelar. Os vizinhos do Alex Pina, de São Bernardo, sabem bem o que é isso: “Eu fico muito ansioso por esperar o intervalo, pois, nesses quinze minutos, se o Timão estiver ganhando, eu aproveito para provocar meu vizinho da direita que é palmeirense, e solto rojão em cima da casa do meu vizinho da esquerda, que torce para o São Paulo.”

Mas Alex Pina sabe que seus inimigos querem vingança, e toma suas providências: “Se o Timão estiver perdendo, desligo o celular, não atendo o telefone fixo, apago as luzes para meus vizinhos pensar que estou dormindo.”

 

Videogueime

Às vezes, principalmente quando o jogo está ruim, eu recorro a uma partidinha de Winning Eleven. E descobri que não sou o único. O Marlon Souza, de Santos, também gosta de um jogo no meio do jogo:

“Eu jogo Pro Evolution Soccer no Playstation e muitas vezes faço os gols que o Kléber Pereira perdeu durante o primeiro tempo (dá pra imaginar a quantidade de gols que eu faço, né?). A partida dura mais ou menos o mesmo tempo do intervalo, e funciona como uma espécie de ‘descarrego’.”

O corintiano Cleber Souza joga uma partida de WE com seu irmão. E o palmeirense Tiago Veiga também recorre ao Playstation, mas tem um ritual elaborado:

“Faço um copo de Whisky com Red Bull e quatro pedras de gelo, e volto correndo para a frente da televisão para ligar o videogame. Coloco sempre o meu Verdão contra o time que ele está enfrentando na realidade, em partida de 10 minutos, e mais: procuro fazer no primeiro tempo o placar do jogo real, principalmente se estivermos perdendo. Aí, no segundo tempo, coloco o time ofensivo e arregaço os botões do controle até conseguir virar a partida. Foi assim contra Colo-Colo e contra Sport nessa Libertadores!  “Hoje vai ser assim contra o Nacional. Palmeiras 3 x 1!!!!!!!”

Quem tem um pouco de memória sabe que não foi bem assim. O Palmeiras foi desclassificado pelo Nacional.

Pelo jeito, as mandingas eletrônicas ajudam a passar por aqueles longos 15 minutos, mas nem sempre dão certo.

 


PS: Amanhã, o último texto da série, que será sobre um tipo curioso de torcedores. Os “quero-15-minutos-de-paz”.

 

Por Torero às 08h59

06/07/2009

O que fazer naqueles malditos 15 minutos (1 de 3)

Acabou o primeiro tempo do jogo. Neste instante Gustavo foi até sua mochila e pegou um livro da faculdade. Conrad procura uma coleira, Teófilo cata coisas pela sala e Aninha e André vão tomar banho (ele em Curitiba, ela em Ribeirão Preto). Wagner vai para a cozinha e começa o almoço, Cinthia põe um saco de pipoca no microondas, Ana procura um chocolate no armário, e Mirian abre um pote de doce. Paulo procura cervejas na geladeira enquanto Eduardo e Francisco, pelo contrário, fazem xixi.

Estes torcedores acima são utilitaristas.

Explico melhor: é que, de acordo com o que se faz no intervalo, há três tipos de torcedores: os utilitaristas, os futebolômanos e os “quero 15 minutos de paz”.

Os utilitaristas são aqueles que aproveitam os 15 minutos para fazer alguma coisa útil, necessária. 

Boa parte deles faz como Paulo Lopes, de Rio Claro, e o corintiano Leonardo Saldiva: vão em busca de cerveja na geladeira. Paulo tem até um certo ritual: Passa as cervejas de baixo para cima e, se perceber que não há latinhas suficientes para o segundo tempo, dá uma corridinha até o bar da esquina para repor o estoque.

Mas, como tudo que entra tem que sair, principalmente cerveja, vários torcedores aproveitam o intervalo para ir o banheiro. Em geral, com certa pressa. Francisco Antero, de Brasília, diz que, logo o juiz apita o fim do primeiro tempo, ele trata de “correr para aquele pipizinho básico”. E Eduardo Batista, de Diadema, segue o mesmo caminho:

“Normalmente ao final do primeiro tempo eu vou tirar a água do joelho e logo em seguida eu assalto a geladeira. Nesses últimos domingos de tardes frias, o intervalo do jogo lá em casa é esperado por um chá das quase cinco, com bolinhos, torradas e alguma sobremesa, minha mãe tem caprichado mesmo. Ou seja, meus intervalos futebolísticos são bem gastronômicos (e engordômicos).”

Comilões

Eduardo Batista não está sozinho. São muitos os comilões que aproveitam os 15 minutos para fazer uma boquinha (eu, inclusive).

Curiosamente, boa parte das mulheres que escreveram sobre o assunto confessaram que aproveitam a paradinha para comer alguma coisa. As filhas de Eva são famosas por combater a ansiedade com calorias. Não seria diferente no futebol. Olhem só o que dizem estas três:

Cinthia, de Campinas: “Quando o jogo é no domingo, normalmente faço pipoca”. Ana Mesquita prefere comer chocolate. E Mirian, de São Paulo, avisa “no intervalo como todos os doces da casa (estou falando de potes)”.

Quem tem sorte é a mulher de Wagner Buso, de Limeira, pois ele aproveita os 15 minutos para começar o almoço ajantarado de domingo: “Geralmente minha esposa manda (manda mesmo!) eu ir lavar louça ou começar a fazer o almoço (no domingo o almoço sai esse horário mesmo).”

Para azar de Wagner, sua esposa leu seu comentário no blog e parece que as coisas vão mudar por lá: “Ela viu a mensagem e mandou eu ir fazer almoço mais cedo....”


Chuveirinhos

Quando o jogo é noturno, muitos leitores dizem aproveitar o intervalo para tomar um banho:

Aninha, de Ribeirão Preto, diz: “Acho o intervalo o tempo perfeito p/ tomar banho, volto até com melhor humor.”

“Geralmente, em jogos durante a semana, vou pro chuveiro, pois eu tenho que acordar cedo”, diz Jackson Bezerra. E deve ser verdade, pois ele fez o primeiro comentário deste post, às 6h25 da manhã.

E o curitibano André Fernandes admite: “Vou tomar banho para esfriar a cabeça, mas, como nunca dá tempo suficiente, acabo me enxugando na frente da TV. Não preciso dizer que minha família não fica muito feliz com essa cena, mas infelizmente, não consigo perder um segundo de jogo do Santos.


Mil e uma utilidades

Mas entre os utilitaristas há muitas outras subdivisões além dos cervejistas, pipistas, comilões e chuveiristas.

O carioca Conrad Fonseca, quando o time está perdendo, aproveita para levar o cachorro para passear, “para ver se esfrio a cabeça”.

Diego Hansen, de Salvador, leva sua mulher para a cama. Mas não é o que você está pensando. Diego explica: “Nos intervalos, eu geralmente levo a minha mulher para cama. Ela sempre dorme no sofá. Engraçado que ela começa assistindo o jogo na maior empolgação, sempre soltando comentários. Quando chega nos 30 minutos ela já está calada e, no intervalo, já está nos primeiros roncos.”

Teófilo Sousa usa os 15 minutos de intervalo “para recolher tudo o que foi atirado pela sala durante o primeiro tempo. Afinal, é preciso ter por perto algo para atirar no segundo”. Vinicius, de Ribeirão Pires SP, costuma lavar louça e o tricolor Sergio Dogo dá uma volta pelos arredores “para relaxar um pouco”.

Já Gustavo, na maior cara de pau, diz:

“Quinze minutos é o tempo perfeito para estudar para a prova da faculdade do dia seguinte. E tirar um zero, é claro.”

 

(No próximo texto contarei o que fazem os futebolômanos.)

 

Por Torero às 09h02

Resultado da Toreroteca

O empate entre Atlético-MG e Botafogo, o líder e o lanterna do campeonato, derrubou quase todos os torcedores. Quase. Pois eis que Francisco Knoll Miranda, de Bauru, colocou seu turbante de Zé Cabala e acertou este jogo e os outros cinco.

Francisco pode mandar seu endereço para blogdotorero@uol.com.br.

E o vencedor da semana passada, o Raul Antonio Ferraz, ainda não mandou o dele. Esta é a última chamada.

Por Torero às 08h46

O que é o futebol?

Para ver um vídeo que responde bem essa pergunta, clique aqui.

 

PS: Es en español, pero se compreende.

Por Torero às 08h32

05/07/2009

Minha primeira vez no Maracanã

 
 

Minha primeira vez no Maracanã

Texto de Antonio Carlos Carvalho

O ano era 1981 e, como presente de aniversário, Zé do Gás (meu pai) resolveu assistir a uma partida de futebol no Maracanã e, me convidou para ir junto com ele. Na época eu era um rapazinho de 15 anos e já era torcedor do “mais querido” e, como meu pai era botafoguense e ainda tinha esperanças de que eu me “convertesse”, escolheu para assistir justamente a partida entre Botafogo e Flamengo pelo Campeonato Carioca de 1981.

Nós morávamos em Muriaé-MG (pertinho de Itaperuna-RJ) e meu pai combinou tudo por telefone com um irmão dele (também botafoguense) que morava no Rio. Saímos de Muriaé no sábado (véspera do jogo) e chegamos ao Rio sem que a Brasília velha do meu pai apresentasse qualquer problema.

Meu tio havia pedido que meu primo comprasse os ingressos e este (em um momento iluminado) comprou duas entradas para torcida do Fogão e duas para a torcida rubro-negra. Assim, no domingo, dia 08/11/1981 eu entrei pela primeira vez na minha vida no Maracanã. O estádio estava lotado e até hoje, só de lembrar, fico arrepiado. Fiquei na torcida do Flamengo, ao lado do meu primo, enquanto Zé do Gás ficou com o irmão dele no outro lado do estádio. Não consigo descrever aqui a emoção que senti quando o Mengão entrou em campo e a torcida gritava, um a um, o nome dos jogadores. 

Nessa ocasião eu estava com muito medo que se repetisse a humilhação de 1972, quando o Mengão foi goleado pelo Botafogo. Naquela época eu tinha só 7 anos e nem me lembrava do jogo, mas de tanto meu pai e meu tio me falarem no tal 6X0, eu fiquei com muito medo de que a goleada se repetisse. Me preocupei à toa.

Mal começou o Jogo e Nunes abriu o placar. Vibrei como um louco na arquibancada. Minha primeira vez no Maraca e o Mengão ganhando o jogo?!

Era a realização de um sonho! Pouco tempo depois o Mengão faz 2X0. Gol de Zico. Nessa hora eu confesso que cheguei às lágrimas. Ver meu ídolo marcando um gol pelo meu time de coração foi uma emoção indescritível. Olhei para o meu primo e ele me disse: "Tá muito fácil..!"

O Flamengo pressionava e uns 5 minutos depois, o que é que aconteceu? Mengão 3X0! Nesse momento, não só eu, mas toda a torcida rubro-negra foi ao delírio e o canto de “Queremos 6, tum dum dum, queremos 6” tomou conta do estádio.

Antes de terminar o primeiro tempo Adílio foi lá e... 4X0. Nessa hora ninguém mais duvidava de que o troco pelo 6X0 de 72 seria possível. Só que aí eu deixei de me divertir com o jogo e passei a ficar preocupado com o Zé do Gás. Meu primo percebeu meu estado de espírito e perguntou o que estava havendo e eu respondi:

“Pôxa o cara vem comemorar o aniversário no Maracanã e vê o time dele perder de 4X0... Pô, é muito triste!”

Sabe o que o meu primo me respondeu? “Bem feito! Quem manda torcer para time ruim?”

Isso me deixou ainda mais triste porque eu pensei: “Pó, o cara é meu pai e, além do mais, podia ser comigo!”.

Mas acabou o intervalo (e com ele a minha preocupação) e os times voltaram para o segundo tempo. O Mengão voltou com o mesmo time e o Botafogo com Jairzinho (o Furacão) no lugar de alguém que eu não me lembro o nome agora. O Fogão voltou bem melhor no segundo tempo e quase fez o seu gol, se não fosse duas defesas importantes do Raul Plasman. Mas, aos 30 min o Mengão encaixa um contra-ataque e Adílio sofre pênalti. Advinha quem vai bater? Ele mesmo! Zico faz 5X0.

Ainda faltavam uns 15 minutos para acabar o jogo e muitos botafoquenses já estavam saindo do estádio. A massa rubro-negra não parava mais: “Queremos 6, tum dum dum, queremos 6!”

E o 6X0 veio em um foguete de Andrade de fora da área. A torcida flamenguista (comigo junto) foi ao êxtase. Era o troco de 72 e todos nós (rubro-negros) saímos do estádio com a alma lavada.

Quando encontrei meu pai na casa do meu tio, ele era a imagem da decepção. Dirigiu do Rio a Muriaé (cerca de 400 km) sem dizer uma palavra. Eu estava doido de vontade de comentar sobre o jogo, mas sabia que isso o deixaria ainda mais aborrecido e fiquei na minha, tentando disfarçar o largo sorriso que teimava em tomar o meu rosto.

Depois disso meu pai nunca mais voltou ao Maracanã. Eu fui muitas outras vezes até me mudar para Cuiabá-MT em 1988 e, depois disso, fui pouquíssimas vezes. Mas sempre quando o Mengão jogava e estava perdendo, meu pai me ligava e dizia: “a televisão aqui em casa estragou. Como é que está o placar do jogo?” 

Meu pai passou para o andar de cima no ano passado e sempre me lembro dele quando o Flamengo está perdendo uma partida. Fico olhando para o telefone esperando ele tocar.

Sua benção Zé do Gás. Espero que esteja em um bom lugar e que esteja tudo bem contigo. Sinto sua falta.

Por Torero às 19h18

03/07/2009

Toreroteca

Para esta semana escolhi os seis jogos de domingo da Série A, seis clássicos interestaduais.

Coritiba  x  São Paulo

Grêmio  x  Atlético-PR

Goiás  x  Cruzeiro 

Atlético-MG  x  Botafogo 

Náutico  x  Internacional 

Avaí  x  Palmeiras

Meu palpite é empate, Grêmio, Cruzeiro, Atlético-MG, empate e empate.

Desta vez o prêmio é um livro meu, o que deve diminuir muito o número de apostas. Só lembrando, ganha o que primeiro acertar os resultados dos seis jogos.

Por Torero às 02h35

02/07/2009

Os sete segredos do Corinthians

Existe um título virtual, o de “melhor time do Brasil”, que é dado por uma espécie de consenso que envolve imprensa e torcedores. Até uma semana atrás, o Internacional tinha este título. Tinha. Agora, depois desta final de Copa do Brasil, ele é todo do Sport Club Corinthians Paulista.

Mas qual o segredo, ou os segredos, do Corinthians?

Imitando aqueles livros picaretas de auto-ajuda, escolhi sete. Sete segredos que todo mundo já sabe, mas que vale a pena lembrar.

Pré-temporada: O time fez de sua participação na Série B uma grande pré-temporada. É claro que tinha a obrigação de vencer, mas, mesmo assim, teve tempo e calma para ir montando seu time, ensaiar caminhos de ataque, sedimentar sua defesa, azeitar todas as peças, etc... E assim, os que chegaram depois, como Jorge Henrique e Ronaldo, encaixaram-se com facilidade, como se fossem as últimas peças de um quebra-cabeça.

Mano: Nas quatro últimas temporadas, Muricy Ramalho foi o melhor técnico do país. Este ano, não acredito que alguém tire o título de Mano Menezes. No começo de seu trabalho no time, ele era tachado de retranqueiro. Mas explicou-se bem. Disse que o elenco era modesto e que por isso deveria jogar com modéstia. Hoje, com o grupo melhorado, o Corinthians é um time equilibrado, que ataca bem e defende muito bem. Seu esquema de 4-5-1, com Dentinho e Jorge Henrique fazendo as vezes de meias ou atacantes, dependendo do momento, está longe de ser retranqueiro. 

Elenco: Em todo time há um cara ruim, um jogador de quem a torcida desconfia ou até quer a cabeça. Entre os onze do Corinthians não há este indesejado. Em todas as posições o time mostra-se bem servido. O goleiro é comprovadamente bom, os laterais defendem e atacam bem, o miolo de zaga é sério e raramente comete bobagens, os volantes marcam e sabem jogar, Douglas teve apagões mas recuperou-se, Dentinho e Jorge Henrique são excelentes em suas funções de meiantes, uma mistura de meias com atacantes, e ainda há Ronaldo, que consegue fazer coisas imprevisíveis e desmontar esquemas defensivos. De quebra, o time ainda tem um bom banco de reservas.

Ápice: Um fato interessante é que vários jogadores corintianos estão no ápice de suas carreiras. Felipe nunca esteve melhor. Chicão tornou-se até um artilheiro. William nunca foi tão confiável. Alessandro está mais maduro e eficiente do que nunca (no Santos era instável, alternando boas jogadas com bobagens tremendas), de André Santos nem preciso falar nada, que ele se tornou o titular da seleção, os dois volantes, antes desconhecidos, hoje são sinônimo de eficiência, e Jorge Henrique, que já era bom no Botafogo, tornou-se um jogador completo, que marca e dribla. Todos estes atletas estão em seu ápice, em seu melhor momento, e é muito raro que tantos jogadores desabrochem ao mesmo tempo numa mesma equipe. 

Armantes: Cristian e Elias talvez sejam os menos badalados jogadores do time, mas são fundamentais. Me parecem uma mistura de volantes com armadores. Muitos adversários pensam que Douglas é o grande criador de jogadas, mas grande parte do tempo ele atrai a marcação para que os dois armantes comecem os ataques. E, às vezes, até vão ao ataque e marcam seus gols, como Cristian no jogo contra o São Paulo.

Frieza: Ao contrário de outras formações do Corinthians, que se inflamavam com a torcida e faziam de uma raça ensandecida sua melhor arma, o atual time do Corinthians é frio. Joga sempre igual, em casa ou fora. Ontem, por exemplo, mesmo no Beira-Rio, entrou com a formação padrão e jogou como sempre, sem se intimidar. Não se encolheu na defesa nem foi acuado pelo Inter. Por outro lado, na final do Paulista contra o Santos, no Pacaembu, não se atirou ao ataque. Não se trata de um time adolescente, que muda de humor de uma hora para outra. O Corinthians é frio e maduro. Um James Bond.

Dualib: E o sétimo segredo corintiano é Dualib. Derrubá-lo foi o primeiro passo para a construção desse Corinthians.

Por Torero às 08h08

Perguntas do dia seguinte:

Será que Tite cairá, dando lugar a Muricy Ramalho na direção do Inter?

Mano conseguirá fazer com que o elenco corintiano se anime a ir atrás do título do Brasileiro?

Por Torero às 08h05

01/07/2009

Quem devo entrevistar por meio de Zé Cabala

Saudosa leitora, sudoroso leitor, por estes dias farei uma visita a Zé Cabala, por isso vos pergunto: que jogador devo entrevistar através deste mensageiro das almas, deste MSN dos espíritos? 

Para os que não acompanham a coluna, explico que Zé Cabala é mais que um vidente, mais que um médium, é o mestre dos mestres. E graças a ele consigo entrevistar jogadores que já veem a grama pelo lado da raiz.

Mande aí sua sugestão.

 

Por Torero às 07h28

Sobre o autor

Formado em Letras e Jornalismo e quase formado em Cinema, é autor de treze livros (como "O Chalaça"), escreveu roteiros para cinema (como "Pequeno Dicionário Amoroso") e para tevê ("Retrato Falado").

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