Blog do Torero

30/06/2009

Texto do Lelê

Hoje eu tinha que escrever sobre o jogo da seleção, mas, como esse frio me deu muita preguiça, pedi ao meu sobrinho Lelê que fizesse o texto para mim.

Para ler o texto do garoto, clique aqui.

Por Torero às 08h48

29/06/2009

Eibici do uiquendi

André Santos: Parece que a lateral esquerda tem um novo dono. Mas Daniel Alves, mesmo destro, pode ser um bom concorrente.

Bolaños: Fez três e desencantou.

Chip: Desta vez, concordo com o Galvão Bueno: o chip seria uma conquista valiosa. O engraçado foi ver, à noite, no SporTV, Arnaldo César Coelho tentando inventar argumentos contra o chip. Os juízes não querem é perder o poder. Que venham os chips na bola, nos pés dos jogadores para determinar impedimento, câmeras e o diabo a quatro!
 
Dez: É a pontuação de cinco times no Brasileiro: Cruzeiro, Santos, São Paulo, Santo André e Fluminense. Na próxima rodada, dependendo de combinações de resultados, qualquer um pode estar entre os quatro primeiros ou entre os candidatos ao rebaixamento.

Estréia: Ricardo Gomes começou com o pé direito.

Felipe: O jogador do Goiás nasceu em Ernestina (RS), e começou jogando no Passo Fundo. Ficou quase toda a sua carreira em times pequenos e médios do sul do país, até que em 2006 foi para o Náutico. Lá se destacou e foi para o Goiás. Agora, com trinta e um anos, idade em que muitos começam a pensar em aposentadoria, ele chega ao auge da carreira e é um dos artilheiros do Brasileiro.

Good for dog: Joel Santana mostrou que é bom, mesmo com sua África do Sul sofrendo duas derrotas nos minutos finais.
 
Herói: Lúcio foi, para mim, o melhor jogador do Brasil nesta Copa. O Bayern, que já dispensou e recontratou Zé Roberto, parece que está fazendo outra bobagem gigantesca ao dispensar o zagueiro brasileiro.

Invictos: Águia, Icasa, Asa, América-MG e Marília permanecem invictos na Série C depois de quatro rodadas.
 
Joliz: Alegre, feliz. É como deve estar a torcida do Vitória. Mais de 20% do campeonato já ficou para trás e o time está a apenas um ponto da liderança. 
 
Linha-dura: Mancini conseguiu rápidos resultados no Santos, mudando costumes e estabelecendo uma linha mais dura. Mas o time parece que deu uma marcha-ré. Ele precisa dar outra sacudida no time.

Marcelinho: perdeu um pênalti quando o jogo estava 1 a 0 para o Vitória e faltavam menos de 15 minutos para o fim do jogo. Se ele acertasse, o santo André poderia ter arrancado um empate do Vitória e não teria caído quatro posições.

Nada: Adriano e Fred, promessa de gols, decepcionaram no Fla-Flu. Mas foi um bom jogo.

Ouro: Luís Fabiano ganhou a chuteira de ouro e a bola de prata. Vai precisar de uma estante nova.

Pedrão: Não marcou, mas seu time ganhou e passou à quarta colocação. Parecia sério candidato ao rebaixamento, mas agora sonha com a Libertadores.
 
Quase: Os EUA ficaram no quase. Ainda bem.
 
Recorde: O Guarani tem sete vitórias e um empate em oito rodadas, e assim quebra o recorde do Corinthians na Série B.
 
Sport: Élder Granja foi uma boa aquisição do time pernambucano.

Toreroteca: O vencedor foi o palmeirense Raul Antonio Ferraz.

Último: Caiu o último invicto do Brasileiro, o Atlético-MG. 

Vasco: Está fora do G-4. É hora de se preocupar.
 
Xurreira: Buraco, vala. O Botafogo, lanterna do Brasileiro, perdeu de 4 em casa e pode ir para a xurreira.

Zé Carlos: Fez o único gol do time misto do Cruzeiro contra o Avaí. E trata-se do gol mais valioso da rodada, pois o time mineiro foi o que mais subiu na tabela: seis posições.

 

Por Torero às 07h41

28/06/2009

Sempre aos domingos: O remédio da minha avó

 
 

Sempre aos domingos: O remédio da minha avó

Texto de Marcelo Ferioli

Hoje estava andando na calçada do centro da cidade, quando uma mulher que andava de mãos dadas ao seu filho lhe disse em tom bravo : “-Porque você mexe em tudo?!”. Isso porque o garoto esticou o outro braço pra tocar a caixa do correio. Neste instante eu pensei: “eu era igualzinho quando pequeno”.

Me lembrei que quando ainda muito criança eu acompanhava minha avó até a feira. Eu também ia de mãos dadas com ela. Durante o trajeto eu esticava a outra mão e ia passando o dedo indicador nos muros e portões do caminho. Um dia minha avó me disse que eu não deveria fazer aquilo, “senão meu dedo iria se desgastar e restaria apenas um toquinho”. Isso me marcou, eu não queria “gastar” meu dedo.

Perdi minha avó ainda garoto, acho que eu tinha uns 8 ou 9 anos na época. Me lembro de pouca coisa com detalhes daquele período, mas algumas cenas não saem da minha cabeça. Embora eu não me lembre com muitos detalhes muita coisa, eu guardo um carinho enorme por minha vó.

Minha avó era muito legal, ela deixava eu e meus irmãos brincar com água no tanque, a gente podia fazer sujeira no quintal, podiamos balançar no pé de goiaba, dar minhocas pras galinhas, martelar as madeiras do meu avô... Tenho a impressão que na casa da minha avó a gente podia fazer de tudo.

Meu avô era meio mau humorado, mas minha avó sempre defendia a gente depois das “artes” que a gente fazia...

Minha avó esquentava o pãozinho pra gente na chama do fogao e passava requeijao com uma colher!

Minha vó fazia macarrão e frango assado aos domingos, e a maionese dela era a melhor do mundo, nunca mais comi nenhuma igual!

Minha vó tinha um “remédio” que ficava guardado la no alto, dentro do banheiro. Era um liquido que devia ser feito com umas ervas e álcool. Aquela coisa de vó, tipo um remédio caseiro. Uma vez eu tava com “dores nas pernas”, já era hora de dormir, eu tinha brincado de bola o dia todo no quintal. Minha vó me levou lá no banheiro e pegou aquele vidro de remédio e esfregou o líquido nas minhas pernas. Eu não sei se aquilo tinha algum efeito medicinal, mas o simples fato de sentir-se amparado trazia a cura.

Outro dia meu irmão reclamou de dor de barriga e minha vó passou aquilo na barriga dele, aí eu perguntei: “Vó, isso aí não é pra dor nas pernas?”. Ela respondeu que servia pra dor na barriga também.

Mesmo quando minha irmã tinha dores de cabeça minha vó usava o mesmo remédio.

Quando era época de natal, minha avó tentava convencer-nos a puxar a barba do Papai Noel, para verificarmos se era de verdade. A gente nunca ousaria puxá-la, mesmo porque nós tinhamos certeza que ele realmente existia. Mas eu me lembro que depois de um certo Natal, o comentário foi que a barba do Papai Noel daquele ano era verdadeira. Ainda bem que ninguém a puxou. E eu não me esqueço que aquele Papai Noel ficou um pouco lá com a gente mesmo depois de entregar os presentes, e inclusive ele tomou uísque!

Lembro de uma cena muito triste com minha avó. Foi depois que ela tinha quebado o braço. Ela tropeçou e esbarrou sei lá onde. Acho que foi a unica vez que vi a minha avó chorar. Ela dizia que tinha acabado com a vida dela, ou algo do tipo. Ela dizia que aquilo era muito sério. Eu do meu lado não achava isso tão grave, eu já tinha visto vários coleguinhas com gesso no braço na escola.

Um dia, meu irmão me disse que minha avó estava com câncer. É claro que eu não acreditei, porque na minha concepção de doenças, qualquer doença tinha cura, menos câncer e aids. Como é que minha vó poderia estar com câncer? Meu irmão chamou minha mãe pra confirmar, ela confirmou, mas eu acho que não era para o meu irmão ter me contado aquilo.

Minha vó estava com câncer nos ossos. Aos poucos o seu estado foi piorando e eu me lembro que ela ficou um longo período de cama.

Instalaram um colchão d’agua na casa dela. Ela tinha dificuldade para se movimentar. Umas três pessoas a auxiliavam quando ela precisava ir ao banheiro. À cada barulho que escutavam tinham medo que fosse um osso se quebrando.

Meu pai ia frequentemente visitá-la, e quase sempre nos levava junto. Eu me lembro que tinha até uma especie de enfermeira que passou a dormir com minha avó.

Logo a hora da minha avó partir chegou, e meus pais fizeram de tudo pra que eu não sofresse muito. Eu era pequeno, e sinceramente sua morte não foi algo tao marcante pra mim. Nada ao lado dos bons momentos que tenho como lembrança dela.

Depois ouvi meu pai dizer que o câncer é uma doença que mata aos poucos, que vai sugando toda energia do doente. Ai, meu avô me contou a historia de um jogador de futebol chamado Rubens, ou melhor, o “Doutor Rúbis”, como era conhecido aquele atleta do Flamengo da década de 50. Ele disse que este foi um jogador que dominava o meio-de-campo como poucos. Falou que o apelido de Doutor veio exatamente dessa facilidade de comandar as ações no setor e foi dado carinhosamente pelos próprios torcedores flamenguistas.

Meu vô me disse que esse tinha sido um baita jogador, meia-armador clássico, jogava pela direita e formava dupla com Dequinha no flamengo. Ele disse que o time era todo formado por excelentes jogadores, que ajudaram o clube a chegar ao tricampeonato carioca de 53, 54 e 55, sob o comando do Fleitas Solich.

E segundo meu avô, assim como minha avó, a causa da morte desse ex-jogador, uns anos antes dela, em 1987, teria sido o câncer. No caso do “doutor” foi câncer no pulmão.

Lembro que uns dois ou três anos depois foi meu avô que adoeceu. Câncer também. O processo foi mais ou menos o mesmo da minha avó. Ficou muito tempo de cama, com auxílio de enfermeiro e tal.

Chorei muito com a morte de meu avô, eu já era mais velho, compreendia um pouco mais as coisas. Mas hoje curiosamente guardo mais lembranças da minha avó. Guardo boas lembranças de ambos, apesar de o final estar marcado tristemente na minha história com o falecimento deles.

Depois disso ainda perdi um tio querido também por conta de um câncer no pulmão. Recentemente foi outro tio por câncer no pâncreas. Muito triste.

Tenho medo do câncer. E minha mãe fuma muito, tenho medo que ela e consequentemente todos nos soframos com isso. Gostaria que ela largasse o cigarro, porque caso ela fique doente, acredito que apenas o remédio que fica lá no alto do banheiro não será suficiente.

Por Torero às 12h45

26/06/2009

Toreroteca

Com atraso (por conta da NET, que me deixou um tempão fora do ar), vamos à Toreroteca desta semana:

Palmeiras x Santos, um clássico paulista.

Internacional x Coritiba, um clássico sulista.

Fluminense x Flamengo, um clássico carioca.

E os dois jogos da Copa das Confederações:

Espanha x África do Sul

Brasil x EUA

Sim, esta semana só teremos cinco jogos. O primeiro que acertar ganha o livro "Contos", de Mário Kuperman. Se ninguém acertar, o que acho difícil, invento uma regra e dou o prêmio de qualquer jeito.

Por Torero às 18h35

Cê tá pensando que eu sou Loki, bicho?

Loki é um filme sobre o qual se pode fazer uma crítica do tipo “apesar disso”.

Explico: as críticas “apesar disso” são aquelas que começam falando bem (ou mal) de um filme e acabam falando mal (ou bem).

Por exemplo:

O problema de Loki é que é um documentário muito tradicional. Ele segue a ordem cronológica, não tem grandes inventividades visuais e o espectador não é surpreendido por sua estrutura narrativa em nenhum instante.

“Apesar disso” (viram?) é um filme bem interessante e, em alguns momentos, emocionante.

Ele conta a história de Arnaldo Baptista, o líder dos Mutantes, uma banda que, dizem vários críticos (e também Sean Lennon e Kurt Cobain), é das melhores que já houve no mundo. Era formada por Arnaldo, por seu irmão Sérgio e por Rita Lee.

Eu não a acompanhei na época (em 68, “Atirei o pau no gato” era o meu hit), mas, depois de ver o filme, tendo a concordar com os fãs dos Mutantes e nos próximos dias vou procurar os CDs do grupo.

Mas voltemos ao filme: Ele começa meio devagar, contando a infância de Arnaldo, o que é meio chato e não sei se necessário. Mas tudo melhora quando surge a banda e o amor com Rita Lee.

Aliás, como notou o crítico Ricardo Calil, é um filme que conta duas histórias de amor: Arnaldo/Rita e Arnaldo/Lúcia. Mas o amor é o segundo tema do filme. O primeiro, obviamente, é a trajetória artística e pessoal de Arnaldo, que segue a tradicional estrutura ascensão-queda-redenção.

E a queda é gigantesca. Não porque ele tenha tentado o suicídio ao pular do quarto andar (nem eu faria um trocadilho tão infame), mas porque foi uma queda em vários sentidos: sentimental, psicológico, físico e profissional.

Em compensação, a redenção é saborosa.

Enfim, acho que vale a pena ver o filme por dois motivos: o primeiro é que a história da vida de Arnaldo é muito boa, com graça e drama. A segunda é que assim pode-se conhecer um pouco mais desta banda, que eu, ignorante que sou, nem imaginava que fosse tão boa e criativa.

Por Torero às 18h28

25/06/2009

O que dirão os amigos e os inimigos de Dunga depois deste 1x0?

Os inimigos dirão: "Ele é um cara de sorte. O time foi morno e lento durante o jogo todo, não fez nada de mais, não houve deslocamentos rápidos nem subidas dos laterais. Robinho e Ramires erraram muito e deveriam ter sido substituídos. A seleção não sabe jogar contra times retrancados. É só ver o que acontece nas eliminatórias quando jogamos em casa."

Os amigos dirão: "É um treinador muito inteligente. Soube manter a partida sob controle durante os 90 minutos. Não fez substituições porque viu que o time dominava o adversário. Mas, quando substituiu, o fez de forma perfeita. Surpreendeu a todos colocando Daniel Alves na esquerda para que ele aproveitasse seu pé direito num chute, e foi isso que aconteceu."

Pois bem, nesta partida, fico no meio termo. Talvez um pouco mais para o lado dos inimigos.

Acho que Ramires e Robinho erraram muito e não mereciam ter ficado até o final da partida. E o primeiro tempo foi tão lento que quase dormi. Tive que tomar um café no intervalo para resistir.

A segunda etapa foi menos modorrenta, mas não deixou saudades.

De qualquer forma, Dunga sai como um vencedor.

A seleção não jogou bem e as melhores chances foram dos africanos (a defesa de Júlio César na bola desviada foi sensacional), mas a seleção vai à final e é a favorita.

Vamos aos destaques do jogo:

Melhor jogador do Brasil: Lúcio.

Pior: Ramires.

Lance “Ufa!”: A defesa de Júlio César na bola desviada.

Lance: “Oh!”: Um chapéu dado por Lúcio no primeiro tempo.

Lance “Rárrá!”: A torcida gritando “Buuuu!” a cada vez que o zagueiro Booth tocava na bola.

Lance: “Ah...”: O gol perdido por Luís Fabiano aos 45’do segundo tempo.

Lance “Eh!”: O gol de Daniel Alves.

 

Por Torero às 18h12

24/06/2009

A primeira vez de Enzo

Sempre tenho uma certa curiosidade para ver do lado de quem sentarei no estádio. Pode ser uma velhinha fanática, um gordo que alugue parte da minha cadeira, uma bela senhorita (coisa que raramente acontece), um adolescente espinhento, etc... Neste domingo, na Vila Belmiro, sentei ao lado de Enzo.

Enzo tem pele morena e cabelo escuro e liso, o que lhe dá um certo ar de  curumim, já que ele tem apenas seis anos. Era a primeira vez de Enzo num estádio. E ele não parava de rir. Virava a cabeça de um lado para outro, feito um passarinho, tentando olhar tudo ao mesmo tempo.

 Nessa foto, Enzo não está comemorando nenhum gol, apenas o fato de estar vendo um jogo de verdade.

Logo no início do jogo, quando uma torcida batucava e cantava, ele não aguentou: ficou de pé e bateu palmas. O pai explicou: “Aquela turma é do Atlético, filho, é do outro time”. Enzo ficou surpreso e sem saber o que fazer. Será que ele não podia bater palmas para a animada torcida adversária? Por via das dúvidas, parou. Mas de vez em quando dava uma olhada para a outra turma.

Alguns minutos depois, no meio do primeiro tempo, quando um gol parecia iminente, ele disse que queria fazer xixi. O pai respondeu com um olhar surpreso. Um torcedor experiente sabe que há que se conter a bexiga a qualquer custo até o intervalo. Mas era a primeira vez de Enzo. O pai fez um ar resignado e levou o garoto ao banheiro. Mas voltaram bem rápido.

Lembro que da primeira vez que fui a um estádio fiquei impressionado com o gramado, que eu não imaginava tão grande. Então perguntei a Enzo o que ele tinha achado do da Vila Belmiro, e ele respondeu que o gramado devia ter algum problema, porque os jogadores estavam escorregando. Era verdade. Dois santistas tinham acabado de escorregar bisonhamente. Mas creio que o problema não era da grama.

No finzinho do primeiro tempo, Neymar acertou um belo chute e abriu o placar. Foi o primeiro gol ao vivo visto por Enzo. Olho para ele, que está de braços levantados. O pai também vibra e a mãe tira fotos com o celular.

 Enzo vibra com o primeiro gol. E não larga o saco de pipoca.

No intervalo, pergunto o que Enzo mais gostou. Pensava que ele diria algo como “Da pipoca” ou “Do banheiro”. Mas ele foi objetivo: “Do gol”.

No começo do segundo tempo, o Atlético voltou jogando muito bem. E o Santos, muito mal. Até Enzo, de seis anos, percebeu isso e disse: “O outro time vai fazer um gol”.

Alguns minutos depois sua profecia foi confirmada, e ele disse com alegria: “Eu não falei?!”

Quando saiu o segundo gol, ele repetiu: “Eu disse que eles iam fazer gol.”

Mas, quando veio o terceiro, ficou quieto. A tristeza de torcedor já era maior que a alegria do adivinho.

Mesmo com a derrota, Enzo não estava triste. Longe disso. Puxou conversa com outro menino e os dois ficaram conversando alegremente. Ele só foi se interessar de novo pela partida no segundo gol, que comemorou muito. E mais ainda o terceiro, que foi invalidado por Djalma Beltrami.

Na saída, perguntei o que ele tinha achado do jogo. Enzo disse que gostou porque tinha acabado 3 a 3.

Eu fiquei quieto. Era melhor deixá-lo acreditar no empate épico conquistado no último lance do jogo. Há que se poupar as crianças dos Beltramis da vida.

 

Por Torero às 06h04

Copa do Brasil para futebófilos

Amanhã, no Museu do Futebol, tem uma palestra interessante para os futebófilos. É uma palestra de José Renato Santiago e Marcelo Unti sobre as finais da Copa do Brasil. O release é o seguinte: "Conheça ou relembre os fatos, as estatísticas e as curiosidades que envolveram as 20 finais de Copa do Brasil. Os acontecimentos do Brasil e do Mundo que serviram de vitrine (ou moldura) para a realização da única competição brasileira que envolve equipes de todos os estados da federação."

PS: A não ser que tenha plagiado alguém por acaso, acho que acabei de inventar a palavra "futebófilos", que serve para designar os caras que são doentes por futebol e o estudam a fundo. Gostei. Vou usá-la mais vezes.

Por Torero às 05h57

23/06/2009

Dois convites para o mesmo horário (mas em cidades diferentes)

Em São Paulo, na Livraria Cultura, a partir das 18h30, será lançado o livro do Juca Kfouri.

E no mesmo horário, mas no Rio de Janeiro, mais especificamente na Academia Brasileira de Letras, será lançado Joaquim e Maria, escrito por Luciana Sandroni, sobre o senhor Joaquim Maria Machado de Assis. 

Eu vou no do Juca e meu sobrinho Lelê vai no da Luciana.

Por Torero às 01h16

22/06/2009

Pesquisa nova e pesquisa velha

Tem pesquisa nova aí do lado.

Na pesquisa anterior, sobre se os leitores assistem à tevê no intervalo dos jogos, tivemos um quase empate: 55,55% vêem o intervalo e 44,45% fazem outras coisas.

Por Torero às 21h06

Abecê do findessê

Artilheiro: Pouco se fala de Pedrão, mas ele se isolou na artilharia.

Beltrami: Bah!

Caipiras: Santo André e Barueri, que pareciam sérios candidatos ao rebaixamento, por enquanto estão muito bem, em sétimo e oitavo lugares.

Disparada: O Guarani venceu seu arquirrival e disparou na liderança da Série B.

Erro: Bobeada, cochilo, desacerto, engano, equívoco, lapso, mandaca, Beltrami.

Falta: No momento, Chicão é o melhor cobrador de faltas do Brasil.

General: Há quatro anos Muricy vem sendo o melhor técnico do país. O São Paulo errou feio ao dispensá-lo.

Harto: Farto, robusto. Adjetivo aplicável aos últimos times de Celso Roth. Ele fez um ótimo trabalho no Grêmio no ano passado e este ano levou o Atlético à liderança. Só pisou na bola ao falar que o Beltrami fez um ótimo trabalho. Ótimo trabalho para quem?

Interino: Foi o termo usado por Mano Menezes para xingar Milton Cruz, que é realmente interino no São Paulo. Mas Mano falou para ofender. Uma grosseria inesperada.

Juiz: O do jogo entre Brasil e Itália foi excelente. Quer dizer que dá para ser assim?

Líder: O da artilharia da Série B é o desconhecido Edivaldo, do Duque de Caxias, que tem oito gols. Ele começou a carreira no Itaparema, do Rio de Janeiro, passou por América-RJ, Botafogo (onde foi vice-campeão da Série B), Vitória, Botafogo-PB, Jaguaré, Macaé e Cabofriense. Ficou na sombra por toda a carreira e agora, aos 35 anos, finalmente ganha algum destaque.

Matada: A de Luís Fabiano depois do chute de Maicon e a de Neymar no primeiro gol na Vila Belmiro foram excelentes, coisa de craques.

Noventa: É o número da camisa de Adriano, que fez uma bela partida contra o time misto do Inter. Ele pode ser o artilheiro do Brasileiro. Se faltar menos no trabalho, é claro.

Ocaso: Finalmente Jenson Button foi mal numa prova e Rubinho chegou à sua frente. O problema é que surgiu mais um alemão na vida do brasileiro.

Pênalti: Marlos sofreu um, mas o São Paulo está em tão má fase que o juiz não marcou.

Questão: O que Djalma Beltrami terá visto para anular o gol santista? Quem souber, responda.

Robinho: Foi meio firulento, mas não tem um reserva que jogue do mesmo jeito que ele.

São Paulo: Caiu fora da Libertadores, mandou embora um ótimo técnico, perdeu para seu maior rival e está perto da zona de rebaixamento. A crise estará no começo ou no fim?

Toreroteca: Não tivemos acertadores. Egito e Cruzeiro derrubaram todo mundo. E eu consegui errar os seis palpites. Os seis!

USA: Abreviação de United States of America, que foi a grande surpresa da rodada de ontem da Copa das Confederações. O Egito bobeou.

Virgindade: Finalmente o Avaí perdeu a sua. Conseguiu a primeira vitória no Brasileiro.

Xurdir: Significa trabalhar com afinco, lutar pela sobrevivência. É o que faz o Caxias, que venceu seus três jogos pela Série C até agora.

Zagueiros: Uma defesa com três zagueiros pode ser a solução do Santos. Madson passaria para a ala esquerda, suprindo uma posição em que ninguém está muito bem, e a zaga ficaria mais protegida.

Por Torero às 08h32

21/06/2009

Sempre aos domingos: Malditos paulistas!

 
 

Sempre aos domingos: Malditos paulistas!

Texto de Marcio R. Castro

Tem um gaúcho aqui no trabalho. Gente finíssima, colorado doente. Claro, adoramos falar de futebol. Juntos com mais alguns marmanjos, fazemos bolões e apostas, tiramos um sarro, torcemos ainda mais para os nossos times (rezando para escapar dos deboches da segunda-feira).

Como já percebi diversas vezes em seus conterrâneos, inclusive na imprensa sulista, também nele existe aquele bairrismo típico dos gaúchos. Há um terrível complô contra eles. Eu faço parte do grupo dos vilões, os paulistas.

Com Inter e Corinthians na final da Copa do Brasil, leio aqui e ali notícias de que o Colorado está preocupado com possíveis favorecimentos ao Corinthians. Afinal, os paulistas são sempre beneficiados. Têm mais influência, são mais poderosos. Malditos paulistas!

Argumento que o Inter foi campeão das Américas em cima de um paulista, o São Paulo. Que era o atual campeão continental. Com três títulos no currículo, sempre presente, influente nas rodas da Conmebol. Começo a mudar de ideia, era óbvio que teria um esqueminha para ajudá-lo... Mas não é que o Inter venceu?

O gaúcho se irrita: “Bah, tchê, tu vai falar que não existe nada? E 2005, e o pênalti no Tinga??? Aposto que o Corinthians decide a Copa do Brasil no Pacaembu! Escreve, escreve!”. Pena que eu não apostei. No sorteio, o segundo jogo ficou para o Beira-Rio.

A coisa é tão séria que até o impossível acontece. Contra o inimigo “estrangeiro”, colorados e gremistas se unem. Quem já não ouviu por aí a certeza gremista de que foram roubados no último Brasileirão. E foram mesmo, uma vergonha! Tudo para ajudar um clube paulista, só não vê quem não quer. Excetuando-se, claro, o confronto direto com o São Paulo no Olímpico. Logo naquele jogo o Grêmio foi beneficiado por erros da arbitragem.

Não são só os gaúchos que têm certeza da roubalheira pró-paulista. O sentimento é bem difundido Brasil afora. Em Pernambuco, por exemplo, o Sport fez um grande escarcéu, exigindo árbitros internacionais nos jogos contra o Palmeiras na Libertadores. Lá vêm os paulistas, temos que nos precaver. Dessa vez, não!

Nem adianta relembrar aos rubro-negros de que na conquista da Copa do Brasil, o Sport atropelou o Palmeiras e, mais tarde, despachou também o Corinthians. Decidindo os dois confrontos em casa. Com lance de pênalti duvidoso no finzinho do segundo jogo final, a favor do Corinthians. Que não foi marcado.

Não acredito num mundo cor-de-rosa. É claro que podem acontecer sacanagens, manipulações e favorecimentos, como já ocorreram diversas vezes. Também sei que existem pressões em arbitragem, brigas de bastidores, influências políticas indevidas.

Agora, definir tudo o que acontece como armação está mais para transtorno obsessivo-compulsivo. Para muitos incautos, todo erro de arbitragem é a prova inconteste de alguma grande conspiração. Ninguém se lembra muito dos lances que favorecem o próprio time.

Bairrismo sem sentido, complexo de inferioridade, inveja dos vencedores, raiva da cobertura auto-centrada do eixo Rio-São Paulo. Esses são os principais sentimentos por trás de tudo isso. Muitas vezes, todos misturados, enraizados em nossa cultura futebolística.

E está latente em todo o lugar. Entre os paulistas também. O esporte preferido dos palmeirenses hoje não é futebol, é espalhar aos quatro ventos que o São Paulo é favorecido. Porque você acha que eles estão ganhando tanto?

Há alguns anos, eram os tricolores que ficavam choramingando pelos cantos. Também, com aquela máfia italiana. Era o esquema Parmalat! Não importa que os verdes montaram esquadrões atrás de esquadrões, tudo era roubo.

Além dos inimigos íntimos, os paulistas também se consideram perseguidos lá “fora”. Para nós, os cariocas são os vilões. Estão próximos da CBF, são malandros. A Globo é de lá, meu deus!

Só não entendo porque, então, o Fluminense perdeu a Copa do Brasil para o Paulista de Jundiaí. Ou porque o Flamengo apanhou do Santo André em pleno Maracanã. Mas peraí, os dois pequenos são times de São Paulo. Bem que o gaúcho avisou: malditos paulistas!

 

Por Torero às 00h55

18/06/2009

Sabedoria


Ufa!, que alívio! A Fifa proibiu que o quarto árbitro tenha um monitor de tevê perto dele durante os jogos da Copa das Confederações.

Agora os juízes já podem errar em paz e podemos ter resultados injustos.

 

Por Torero às 20h01

Toreroteca

E vamos à Toreroteca. Esta semana teremos dois livros-prêmios: um para aquele que primeiro acertar os seis resultados e outro para o que fizer o comentário de número 50 mil do blog.

Os jogos são:
 

Brasil x Itália

Egito x Estados Unidos

Corinthians x São Paulo

Santos x Atlético MIneiro

Flamengo x Internacional

Cruzeiro x Barueri


Meus palpites são: empate, Egito, empate, Santos, mais um empate e Cruzeiro.

 

Por Torero às 19h58

Quando os homens de preto merecem o vermelho - Última parte

Pois bem, sem mais delongas vamos aos quatro grandes vencedores de nossa pesquisa “Qual o maior erro que você viu um juiz cometer?”

O quarto lugar ficou com José Roberto Wright, muito elogiado por atleticanos. Eles não perdoam sua atuação em um jogo do Galo contra o Flamengo, numa partida pela Libertadores de 1981. Eu, confesso, não lembro desta partida. Mas o Adalberto, de Santa Catarina, não esquece nenhum detalhe:

“Sem nenhuma explicação, após falta normal de jogo, que sequer era de amarelo, expulsou o atacante Reinaldo, principal jogador do Galo. Logo depois, o jogador Éder, também do Galo, abaixou-se para ajeitar a bola e quando levantou esbarrou no árbitro, e, acredite se quiser, também foi expulso!! Depois ele ainda expulsou mais três jogadores, o jogo terminou empatado e, pra piorar, classificaram o flamengo para a próxima fase. O Fla tinha um timaço. Não precisava de uma ajuda dessas, sendo que já tinha sido beneficiado na final do brasileiro do ano anterior contra o próprio Atlético, pelo árbitro José de Assis Aragão. Procurem no Youtube. É inacreditável! Márcio Rezende e Simon são "fichinhas" perto disso.

Seguindo os conselhos do Adalberto, eis aqui o link do vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=PwwXKwHm6BI

 

A medalhe de bronze vai para Márcio Rezende de Freitas, ou melhor, para a sua atuação no jogo entre Corinthians e Internacional pelo Brasileiro de 2005. “Além de não dar pênalti escandaloso no Tinga, ainda expulsou ele.”lembra o Roger Tanaka, de Curitiba.

Fábio Diniz, de Campinas, até hoje está inconformado com o lance: “Se eu sou o Tinga, dou um soco na cara do infeliz do juiz”.

 

E Evandro, de São Paulo, até usa aspas para falar do maior erro que viu: “Sem dúvida, o "erro" (nesse caso, cabem as aspas) cometido por Marcio Rezende de Freitas no Corintians e Inter em 2005, que acabou sendo determinante para o título do Corintians naquele ano. Não bastava a lambança com a anulação de jogos que já havia favorecido o Corinthians.”

A medalha de prata vai para um dos erros mais bisonhos, mais inacreditáveis da História: o de Armando Marques na final do Paulista de 1973

“Quando o Santos de Pelé fez 3 a 1 na decisão por pênaltis, ele encerrou a disputa e declarou o Santos vencedor faltando duas cobranças para cada time! Posteriormente a Federação Paulista decretou que os dois times eram campeões, para evitar um novo jogo”, explica o Marcelo Pinto, de Salvador.

O Henrique, de São Paulo, lembra que assim a “Portuguesa de Desportos obteve assim mais um título dividido. Desta feita não pelo excesso (de ligas e associações), mas pela falta (das aulas de Matemática).”

E o corintiano David Hepner, argumenta muito bem sobre o seu voto: Um pênalti não marcado pode ser considerado um lance interpretativo. Um impedimento mal assinalado pode ter como desculpa os poucos centímetros de diferença na hora do lançamento. Numa bola que entrou e o juiz não deu gol, podem dizer que a visão do árbitro estava encoberta. Agora, matemática é ciência exata. Não saber contar é demais. Portanto, o maior erro, em minha opinião, foi o de Armando Marques na final do Paulistão de 1973. Naquela época eu tinha quatro anos de idade, e acho que já sabia contar, diferente do Armando Marques...”

Finalmente chegamos ao mais votado. E ele é ninguém menos que Márcio Rezende de Freitas, que assim conquista duas medalhas. A de ouro, com sua atuação na partida entre Santos e Botafogo pela final do Brasileiro de 1995.

“Eu tinha oito anos na época, e lembro que, naquele dia, meus pais compraram um colchão novo, que estava ao lado do sofá na sala. Assisti ao jogo sozinho e, depois da semifinal contra o Fluminense, tinha certeza que conseguiríamos, mesmo com o gol do Túlio. Com o primeiro gol do Santos, me joguei no colchão, ainda com o plástico, e pulei de alegria. Então, Camanducaia marcou o seu legítimo gol e, novamente, caí exultante no colchão recém comprado, apenas para ouvir, em meio a comemoração, o gol ser anulado. O cheiro do plástico se misturou ao gosto amargo da decepção, e ficou marcado em minha alma infantil. Sei que, após esse dia, levei alguns anos para comemorar imediatamente um gol do Santos, sempre aguardando a retificação do juiz”, conta o Danilo Hatori, de Curitiba.

Marcelo Serrano era um pouco mais velho. Tinha doze ano. “Me lembro até hoje que tinha um amiguinho no meu prédio que ficava me interfonando de 5 em 5 minutos para eu ir brincar com ele, e eu dizia que ia após o jogo. Também acho que ele foi um dos responsáveis por essa derrota, pois zicou o Santos. Talvez ele fosse filho do M. R. de Freitas...”

E o Eduardo Batista, de Diadema, tinha 15: “Jamais poderei esquecer de um personagem que acabou com a minha adolescência. E não estou falando da morena que sentava ao meu lado na oitava série que me trocou por um lutador de jiu-jitsu, nem do ladrão que roubou minha bicicleta novinha que havia acabado de ganhar, e nem mesmo do Zezé di Camargo que usava um mulet horrível que minha mãe me enganava fazendo eu usar também dizendo que era lindo... Estou falando daquele inominável arbitro das Gerais que impediu que eu comemorasse meu primeiro título, o título que faria com que eu fosse a forra com o resto da turma, que iria me fazer lembrar com saudosismo aquela "maldita" década. Aquele sujeitinho nojento, roubou meu pirulito, tirou minha inocência, me jogou em uma depressão profunda, ou seja, acabou com a minha vida. Não vou relatar os fatos, pois com o tratamento psicológico que tive que fazer, bloqueou aquelas imagens. Porém, quando eu ouço partes do nome daquele ***, eu involuntariamente falo palavrões.”

Márcio Rezende de Freitas foi o mais votado (inclusive nos votos que foram censurados por palavrões ou similares). Porém, o Phoquinha, de Brasília, discorda de sua eleição:

“O maior erro foi o do Otávio Augusto no filme 'Boleiros'. voltar o pênalti três vezes seguidas e ainda botar o batedor pra correr foi demais. Ainda bem que isso não acontece na realidade, não é?

 

Por Torero às 07h16

La mano del Mano

Corinthians e Internacional fizeram uma bela partida, daquelas que a gente nem consegue mudar de canal para dar uma olhada no desfile de lingerie da Luciana Gimenez.

O que mais me chamou a atenção foi o impressionante poder de marcação do Corinthians. Mano Menezes conseguiu moldar um sistema de defesa muito chato, digo, eficiente. Os adversários nunca recebem a bola com paz e tranquilidade. Há sempre alguém a lhes fungar o cangote. E, quando o Inter conseguia vencer o sistema defensivo, ainda havia Felipe.

Ontem, porém, para mim, o melhor jogador foi Jorge Henrique. É um daqueles caras que a gente odeia ver no time adversário: ele tem velocidade, resistência, é pequeno mas protege bem a bola, possui um bom drible e ainda volta para marcar. Já Ronaldo não jogou bem, errando passes fáceis. Mas foi perfeito no lance do segundo gol, e é isso que se espera dele.

O Inter é um ótimo time e vai sufocar o Corinthians no Beira-Rio. Mas o Corinthians é uma equipe fria, que sabe ser atacada sem se desesperar. O certo é que vai ser ser outro bom jogo, o que anda em falta.

Por Torero às 07h02

17/06/2009

A pergunta da semana

Os três frequentadores deste blog já sabem que de vez em quando faço-lhes algumas perguntas que se transformam em reportagens. Pois bem, a pergunta de hoje é: O que você faz durante os quinze minutos de intervalo de um jogo?

Mas atenção: quero saber o que você faz quando assite ao jogo em casa, pela tevê. 

Confesso que, para mim, estes quinze minutos demoram uma eternidade a passar. Não sei por que os jogadores não fazem como nós quando éramos pequenos: é só mudar de lado e pronto. Sem essa frescura de ir aos vestiários. Mas não, os atletas têm que dar uma descansadinha. E nós ficamos a roer as unhas. Alguns, metaforicamente, outros dentalmente.

Enfim, diga o que você faz nestes novecentos segundos: muda de canal, vai ler um livro do Machado de Assis, faz sexo, reza, dá uma batida na geladeira, toma um porre, tira uma soneca, vai ao banheiro, pratica meditação transcendental, lava a louça, ou, sei lá, algo ainda mais doido, como ver os melhores momentos. 

Diga logo, em quinze minutos. 

Por Torero às 06h53

16/06/2009

Toreroteca

Não houve quem acertasse os seis pontos. Mas o Carlos Augusto, de Belo Horizonte, acertou cinco. E só errou o último. Além disso, votou no primeiro dia e antes das sete da manhã, o que já é um feito e tanto. Por isso o livro vai para o madrugador mineiro.

 

Por Torero às 17h12

De mais a mais, mases demais

(Texto publicado hoje na Folha de S.Paulo)


Adverso leitor, adversativa leitora, um dos maiores problemas da redação jornalística, principalmente quando se fala de esporte, é o excessivo uso da conjunção adversativa “mas”. Quantas vezes você já não leu frases como: “O time teve o domínio mas não venceu, “O goleiro pulou mas não pegou”, “O centroavante chutou mas não marcou”? Aposto que muitas.

Este é um problema comum, mas o jogo da seleção foi tão cheio de “mases” que eu desisti de lutar contra eles, de modo que vocês lerão vinte e duas vezes esta palavra no texto de hoje.

Mesmo antes de a partida começar já havia um mas. É que eu acreditava na vitória brasileira, mas com desconfiança. Afinal o Brasil não anda se dando bem contra times que jogam retrancados, e era assim que se esperava o Egito. Mas, depois do gol de Kaká, que teve até direito a chapéu, deixei a desconfiança de lado.

Mas a confiança durou apenas três minutos. Aos oito, depois de uma bobeada do lado esquerdo do Brasil, a suspeita voltou. Ainda mais que o gol foi marcado por um cara chamado Zidan, e de cabeça, o que me trouxe tristes lembranças.

Mas, três minutos depois, tive certeza que a vitória era certa. Luís Fabiano, de cabeça, fez dois a um, e o gol de Zidan voltou a ser apenas um acidente, não mais uma sina.

Depois disso, comecei a esperar uma goleada. Mas, mais um mas: o time dominava mas não levava perigo ao gol de Hadary. Rondava mas não penetrava. E, de vez em quando, o Egito até dava uns chutes. O Abou Terika até teve uma boa chance aos 32’, mas se enrolou.

Parecia que o placar não mais se moveria, mas então Juan faz 3 a 1 depois de escanteio cobrado por Elano. Quando os times foram para o vestiário, voltei a ter certeza de que viria uma goleada. Mas eu estava errado.

O segundo tempo começou com um Egito esperto, querendo diminuir a diferença. E, aos 8’, Shawky conseguiu. Ia-se a pretensa goleada, voltava o perigo de empate, que aconteceu um minuto depois, de novo com o Zidan.

Pensei que estávamos à beira de um precipício e que o Egito viraria o jogo. Mas a partida ficou equilibrada (isso mesmo, a partida com o Egito, país sem a menor tradição em Copas, foi equilibrada).

Dunga fez três mudanças: tirou Robinho, que estava um tanto firulento e nada produtivo e pôs Pato (eu preferia Nilmar), trocou Elano (que tinha feito duas assistências) por Ramires (que poderia ter entrado no lugar de Gilberto Silva), e promoveu a estréia de André Santos (que seria meu titular, pois há tempo Kléber tornou-se um jogador normal), mas ele errou feio logo no seu primeiro lance.

Eu já estava me conformando com o resultado, mas aí aconteceu o pênalti. Aliás, o juiz havia apontado escanteio. Provavelmente foi alertado pelo ponto eletrônico (o que acho ótimo), pois voltou atrás, deu o vermelho ao jogador e marcou a penalidade.

Kaká cobrou e o Brasil venceu. Venceu, mas não convenceu.


PS: Vi o jogo pelo Sportv e, curiosamente, o som estava um pouco adiantado em relação à imagem, de modo que Milton Leite não foi só um narrador nesta partida, mas um nigromante, um haríolo, um fuurólogo, um zé cabala que adivinhava como cada lance se desenvolveria. Como diria o lácteo narrador: “Que beleeeza...!”

Por Torero às 06h45

15/06/2009

ABC do Brasileiro

Artilheiros: O Brasileiro tem nada menos do que sete jogadores empatados na primeira posição com 4 gols. Até agora, ninguém conseguiu se destacar. Sinal de equilíbrio ou de falta de talento?

Bruno: O goleiro falhou em três gols e assumiu a culpa pela derrota. Foi mal com as mãos e bem com a garganta.

Cuca: Depois de Geninho, pode ser o próximo campeão estadual a cair.

Desperdício: O atacante Tiago Luís, do Santos, deve sair do clube. Uma pena. Ele pintou como craque mas nunca teve uma sequência de jogos como Paulo Henrique ou Neymar.

Endorfina: É um hormônio despejado pelo corpo após grandes esforços. Ela nos deixa relaxados. Ronaldo, por exemplo, sofre os efeitos da endorfina após a conquista do Paulista. Na quarta-feira, é hora de voltar à adrenalina.

Felipes: O do Corinthians derrubou o do Goiás, mas o juiz não marcou.

Guerra: Sábado que vem tem duelo entre Guarani e Ponte. Na tabela de classificação da Série B, o primeiro é primeiro e o segundo é o terceiro. Será uma guerra interessante, com dois exércitos que tem chance de estar na primeira divisão do Brasileiro em 2010.

Hidrográfica: Quatro times subiram para a Série A-1 do Paulista. O Sertãozinho, a bacia hidrográfica formada por Rio Branco e Rio Claro, e o grande campeão, o Monte Azul, que foi a sensação da A2 e será um dos charmes do próximo estadual.

Inderrocto: Depois desta rodada, o Avaí é o único time que ainda não derrotou ninguém. O pior é que já esteve perto da vitória várias vezes.

Juízo: Há que tê-lo e não cobrar o Internacional pelo empate em casa contra o Vitória. O time perdeu a liderança (apenas pelo quesito de saldo de gols), mas não se pode esquecer que vem disputando duas competições simultâneas. As outras equipes bígamas do campeonato estão longe de ter o desempenho do time gaúcho.

Linha: O Palmeiras vem dando sorte com a linha do gol. Primeiro, Marcos tirou uma bola de dentro do gol mas o tento não foi validado. Ontem, a bola de Marcão não entrou, mas valeu.

Matusalém: Por enquanto, o troféu Matusalém de Ouro será entregue para Júnior, do Atlético Mineiro.

Nove: Foi o número de gols que o Flamengo tomou nas últimas duas partidas. Com isso, passa a ter a pior defesa do campeonato ao lado de Coritiba eAtlético-PR, que estão na zona do rebaixamento.

Oh!: Interjeição de espanto que Marcelinho Carioca ainda consegue arrancar dos torcedores, como no gol de sábado, contra o São Paulo.

Polícia: Mais uma vez a polícia bateu na torcida visitante, no caso, a do Cruzeiro. Será que é para isso que serve a limitação em 5% de público para o time visitante? Se é assim, por que não fazem logo jogos com apenas uma torcida?

Queixo caído: Locução que indica pasmo, surpresa. Dois times fazem queixos caírem com seus resultados neste começo de ano: O Galo de Celso Roth e o Vitória de Carpegiani.

Regular: Se há um time regular no Brasileiro, é o Corinthians. Venceu dois jogos, empatou dois e perdeu dois; marcou cinco gols e levou cinco.

Sombra: Sorín voltou, mas não foi sombra do que foi. Mais certo seria chamá-lo de Sombrín.

Tonico e Tinoco: A melhor dupla do Brasileiro, os Tonico e Tinoco do campeonato, até agora é formada por Diego Tardelli e Éder Luís.

Undoso: Que tem ondas. Por exemplo, undoso é o destino de Diguinho, do Fluminense. Ele, que esteve numa onda de azar, sofrendo de tuberculose e ficando cerca de cem dias afastado, parece estar entrando numa onda de sorte, e ontem jogou bem na sua volta pelo Fluminense.

Voda: Qualquer festa ou festim. A voda do Palmeiras pelos dez anos da conquista da Libertadores foi muito simpática. E os torcedores devem ter sentido muita saudade de Alex.

Xogum: Chefe Militar. Qual xogum estará certo? Luxemburgo, jogando com seus titulares para se preparar para o duelo contra o Nacional, ou Adílson, do Cruzeiro, que preferiu entrar com os reservas para poupar seus jogadores? À primeira vista, a tática palmeirense parece melhor, mas a resposta definitiva só virá no meio de semana.

Zampar: Comer com voracidade. O Botafogo zampou neste sábado. Jogou com uma vontade absurda, com grande fome de vitória. Foi rápido e marcou em cima. Se a pontaria de seus atacantes fosse melhor, teria goleado.

Por Torero às 10h38

14/06/2009

Sempre aos domingos: "Senhores eu não vi"

 
 

Sempre aos domingos: "Senhores eu não vi"

Texto de Filipe Molina

Senhores eu não vi Pelé, o Rei do futebol, fazer mil gols, mas eu vi Romário, o Rei da pequena área, fazer mil gols. Senhores eu não vi a folha seca de Didi. Mas vi Ronaldinho encobrir Seaman.

Senhores eu não vi Diego Maradona driblar cinco e fazer o gol e também não vi o gol de mão, mas eu vi Lionel Messi fazer isso. Senhores eu não vi o carrasco do Brasil, Paolo Rossi, mas vi o gênio Zinedine Zidane acabar com nossa seleção duas vezes.

Senhores eu não vi a seleção de 70, mas eu vi a conquista do penta com a melhor campanha brasileira em uma Copa. Senhores eu não vi o profissional e motivador Oswaldo Brandão, mas vi o estrategista Vanderlei Luxemburgo.

Senhores eu não vi Garrincha ludibriar adversários sem tocar a bola, mas eu vi quatro turcos correrem atrás de Denílson. Senhores eu não vi O craque Zico perder pênalti em Copa, mas eu vi A craque Marta perder.

Senhores eu não vi Rivellino criar o elástico, mas eu vi Kerlon criar o drible da foca. Senhores e vocês ainda vêm me dizer que o futebol está perdendo sua magia?

 

Por Torero às 09h11

Veja o teaser do documentário sobre Telê Santana

Quem quiser ver uma palhinha do documentário que está sendo feito sobre o melhor técnico da nossa história, clique aqui.

Por Torero às 08h51

11/06/2009

Toreroteca

E vamos a mais uma toreroteca. Assim como na semana passada, se ninguém acertar os seis resultados, invento uma regra e dou o livro para alguém. Desta vez, será o livro "Contos (inclusive um de réis e outro do vigário)", de Mário Kuperman (mas eu fiz a orelha).

Relembrando, ganha o primeiro que adivinhar os vencedores (ou empatadores) dos seis jogos.

As partidas escolhidas dessa vez são entre times iguais:

São Paulo x Santo André, que são santos;

Botafogo x Santos, times de sucesso nos anos 60;

Sport x Atlético Paranaense, que são rubro-negros;

Barueri x Avaí, que ainda não venceram no campeonato;

Palmeiras x Cruzeiro, que já se chamaram Palestra Itália.

e Guarani x Vasco, que foram campeões brasileiros mas estão na Série B.

Valem os palpites enviados até as 16h00 de sábado. Os meus são: São Paulo, Santos, Sport, Barueri, empate e empate.

Por Torero às 18h17

Quando os homens de preto merecem o vermelho

Quando coloquei aqui a pergunta: “Qual o maior erro que você já viu um juiz cometer?”, não pensei que viriam tantas respostas. Foram mais de quatrocentas (e muitas exageradas, tanto que não pude publicar várias delas). Isso é mais de dez vezes o número de comentários que os textos sobre os jogos de fim de semana recebem.

Os quatrocentos comentários mostram o tamanho da indignação que os erros dos juízes nos provocam. O torcedor sofre quando seu time perde um título, mas sofre muito, muito mais, quando essa perda é injusta, provocada pelo erro dos árbitros.

Aí é como se fôssemos assaltados em plena luz do dia e nos roubassem não só a carteira, mas um rim, o fígado, o coração. Por isso, o árbitro que erra numa final deixa uma cicatriz eterna no peito dos torcedores. Não é à toa que surgiu a expressão “operar um time”.

Os leitores lembraram de vários nomes já pouco citados como Oscar Scolfaro e João Paulo Araújo, o que mostra que a memória de um torcedor ultrajado é eterna. Mas não só do ultrajado. Alguns, como o Denilson de Oliveira Biffi, de São Paulo, lembram mesmo quando o erro é a seu favor:

“Uma vez, em Itápolis, houve um amistoso entre Oeste e o Botafogo, de Ribeirão Preto. Como era amistoso, o juiz e os bandeirinhas eram de Itápolis. Não me lembro direito, pois eu tinha uns 9 ou 10 anos de idade, mas o juiz era o dono de uma loja de roupas e um dos bandeirinhas era um barbeiro (sem trocadilhos). Sei que esse bandeirinha marcou tantos impedimentos inexistentes do ataque do Botafogo que virou uma espécie de ídolo na cidade. E o juiz expulsou dois do Botafogo. No final, claro que o Oeste venceu, por 3 a 2.”

Outro jogo de times do interior foi bem lembrado: Santacruzense x Atlético de Sorocaba. Este é aquele em que Silvia Regina validou um gol do gandula. O Leandro narra o lance: “A bola foi chutada para fora, o gandula pegou a bola e, ao invés de devolvê-la ao goleiro, colocou-a dentro do gol. E tanto ela quanto o bandeirinha (desatentos) validaram o lance.”

E o corintiano David comenta: “Esse lance não me deu raiva alguma, afinal, não torço para nenhum desses times (será que alguém torce?), mas fez com que eu exteriorizasse os meus piores instintos machistas. Não consegui me conter e disse: ‘Tinha que ser mulher’.”

O fato de David não sentir raiva do lance protagonizado por Silvia Regina me chamou a atenção para um fato: cada time tem um juiz mais odiado. O do Palmeiras, por exemplo, é Ubaldo Aquino. Tanto que Diego Heberson, de Ourinhos, lhe credita o maior erro da história:

“Com a certeza que nos confere as mundanas paixões, o maior erro de arbitragem que já existiu foi o do ‘impiastro’ (pode ‘impiastro’?) do Ubaldo Aquino, que fez o diabo na primeira partida da semifinal da Libertadores de 2001 contra o Verdão. Eu urrava feito o Tarzan de tanta raiva e descarregava meu acervo de palavrões: pulha, onacro, sacripanta, maledeto, corintiano, advogado, político, argentino, fã de axé, leitor da Folha e do Estadão... Desculpe Torero, sei que você pediu para maneirar no linguajar, mas é só me lembrar do tal do Ubaldo Aquino que eu perco a razão...”

Ubaldo Aquino ficou com 6% dos votos, todos por conta deste jogo. Ele teve o mesmo número de votos do Oscar Roberto Godoy, muito lembrado pelos torcedores do Ceará: “Ele não marcou um pênalti escandaloso no atacante Sergio Alves. Não contente, ainda o expulsou de campo! Tragédia para os torcedores do alvinegro e tristeza para Godoy, que após esse jogo, nunca mais pode apreciar uma bela praia cearense”, diz Edvando França, de Fortaleza.

Pelas minhas confusas anotações, o juiz mais citado por jogos diferentes foi o Carlos Eugênio Simon. A partida citada mais recente foi entre Fortaleza e Ceará, onde ele marcou um pênalti inexistente para o alvinegro. Mas Fabricio, de Contagem-MG, lembrou de um lance mais curioso:

“O impedimento marcado pelo Simon de uma bola vinda da lateral num jogo do River Plate foi bizarro. Aliás, esse senhor vai nos representar na Copa. Vexame à vista.”

Mas Simon ficou longe de ser o mais votado. Juntando todas as citações, ficou com 8%, o que o deixa em sexto lugar, logo atrás do Javier Castrili, aquele do jogo entre Corinthians e Portuguesa:

“Se me dessem o poder para voltar um só erro de arbitragem, entre todos os existentes, pelo mal que fez para a história do time que sofreu o revés, seria o pênalti que o argentino Javier Castrilli marcou contra a Portuguesa. Esta punhalada o torcedor da Portuguesa não merecia”, diz o Luiz Carlos Gonçalves, de Santos.

Para encerrar este primeiro texto sobre erros de juízes, citarei um erro clássico, que causa ódio até hoje (e, cá entre nós, com razão): o de José de Assis Aragão a favor do São Paulo. Entre os textos censurados, ele ficou com um honroso, ou desonroso, segundo lugar.

 Aragão, o juiz artilheiro, depois de marcar um gol pelo Palmeiras.

O Gustavo, de Campinas, lembra daquela grotesca falha melhor do que eu:

“O maior erro foi na final entre São Paulo e Guarani no Brasileirão de 1986. O pênalti não marcado pelo Aragão em cima do João Paulo. Eu tinha 10 anos e nem xinguei. Apenas chorei e perguntei para o meu pai se não tinha sido falta. Ele sim, xingava como um louco, mesmo sendo corintiano. Aí percebi, e percebo até hoje vendo as imagens, que tinha sido pênalti. E claro!!”

O erro de Aragão contra o Guarani teve graves consequências segundo Rogerio Taffarello, de São Paulo:

“A atuação, inegavelmente decisiva, do Aragão na final de 86 privou o Bugre de ser um dos primeiros bicampeões do país, num tempo em que o clube já tinha patrimônio invejável e orçamento superavitário. Mas não só: graças aos vices brasileiros de 86 e 87, sócios e conselheiros, insatisfeitos com as derrotas (!), entregaram a diretoria à oposição em 1988. O nome? Beto Zini. Desde então, todos sabem o que ocorreu: decadência, desmonte do time e das categorias de base que mais revelavam craques, e dilapidação do patrimônio, até se chegar à dívida atual de R$ 112 mi. É incrível ver as consequências da má intenção de um árbitro... e triste também.”

Quem quiser ver o erro de Aragão, clique aqui.

 

 

PS: Na próxima semana falarei sobre os quatro juízes mais votados, que são três.

PS2: Amanhã tem toreroteca.

Por Torero às 07h42

10/06/2009

Nós somos os cogumelos

(Texto publicado na Folha de S.Paulo)


Invencível leitor, imbatível leitora, vocês se lembram do Freddie Mercury? Não, não foi um jogador de futebol. Se vocês tem menos de 40 anos, podem ir pesquisar no Google que eu espero.

Pronto? Pois bem, o maior sucesso do tanzaniano Farokh Bommi Bulsara e de seu grupo, o Queen, foi uma música chamada “We are the champions”, que não significa “Nós somos os cogumelos”, como eu pensei por um bom tempo, mas sim “Nós somos os campeões”.

Cinco times no Brasileiro estão tão mal que não podem cantar esta música. Quereis os nomes? Dou-vos: Atlético Paranaense, Coritiba, Botafogo, Avaí e Barueri.

Estas cinco equipes ainda não venceram nem uma partida no Brasileiro. Provavelmente, nem um cara ou coroa. Já lá se foram cinco jogos e eles estão inderroctos (não achei um bom antônimo para invictos e inventei esse aí). Seus jogadores ainda não conseguiram sair de campo com aquele passo lento dos vencedores, passo de quem quer escutar aplausos e dar entrevistas explicando os motivos de seu triunfo.

Alguns casos destas virgindades de vitória são inexplicáveis. O Atlético Paranaense, por exemplo, foi o campeão de seu estado. Mas, um mês depois da conquista, o técnico Geninho já está desempregado. O rubro-negro fez três partidas em casa e perdeu todas. Apenas conseguiu um empate com o São Paulo, no Morumbi (onde, a bem da verdade, é preciso lembrar que houve um gol irregular do Tricolor). De qualquer modo, é muito pouco. O time tem o pior saldo de gols do campeonato: 8 gols negativos. E Rafael Moura, que foi artilheiro do estadual, marcou apenas um solitário golzinho.

Outro paranaense que está inderrocto é o Coritiba. Atrapalhado pela Copa do Brasil, onde chegou às semifinais e só perdeu para o poderoso Internacional (mas por pouco), o time vem tropeçando no Brasileiro e tem a pior defesa do campeonato: até agora levou nada menos do que 13 gols, uma média superior a dois e meio por jogo. Isso levou o time a quatro derrotas e apenas um empatezinho, contra o Avaí, outro inderrocto.

Aliás, o Avaí é um time curioso: é, ao mesmo tempo, um inderrocto e um quase-invicto. O time de Gustavo Kuerten já empatou quatro vezes, e sua única derrota foi para o líder Internacional no Beira-Rio. Ou seja, poderia estar comemorando. Mas, nestes tempos de três pontos, o empate é uma quase-derrota, e o time segue na décima-sétima posição.

O Barueri está numa situação semelhante: quatro empates e uma derrota, esta para o Corinthians, no Pacaembu. O clube tem um dos principais artilheiros do campeonato, Pedrão, com três gols, mas, mesmo assim, não deslancha. Talvez porque esteja numa fase um tanto caipora, tanto que esta semana levou o gol de empate do Goiás aos 42’ do segundo tempo.

E, falando em caiporas, o último inderrocto é o Botafogo, pior ataque do campeonato com apenas três gols, e que neste domingo perdeu do Fluminense sofrendo um revés aos 43’ do segundo tempo.

Estes cinco times ainda não provaram o gostinho da vitória e são, no momento, os grandes candidatos ao rebaixamento. Eles estão na sombra, no escuro, no lodo. Local onde nascem os cogumelos.

Estes times, por enquanto, tem que cantar “We are the champignons”.   
 

Por Torero às 07h31

09/06/2009

Documentário sobre Telê

Há três anos está sendo feito um filme sobre Telê Santana. Os autores do documentário criaram, neste domingo, um blog para ir contando como ele está sendo feito, trocar idéias e histórias com os admiradores do grande técnico, etc... O link é este aqui:

http://documentariotelesantana.blogspot.com/

 

 

 

Por Torero às 06h48

08/06/2009

Dois estados em estado de calamidade

Cearense leitor, paranaense leitora, seus estados brasileiros tem motivos para se preocupar seriamente.

No Paraná, o índice de anafalbetismo em adultos acima de 25 anos está em 11,7%, um triste número. Além disso, o diminuição da produção de café e algodão causou a migração das populações pobres para a periferia das metrópoles, o que gerou concentração de população e pobreza em bairros periféricos das grandes cidades, aumentando os problemas de alcoolismo, drogas e criminalidade.

Mas, além disso, o Paraná tem mais um grave problema: Atlético e Coritiba são os lanternas da Série A. Pior que isso: Juntos já jogaram dez partidas, e não venceram nem umazinha. Só conseguiram um empate cada, e oito derrotas. Um número terrível para um estado que já teve estas duas equipes como campeãs brasileiras.

Coritiba e Atlético terminaram o estadual como as esquipes que mais conquistaram pontos (38 e 45, em 21 partidas). Mas os estaduais talvez mascarem um pouco a qualidade dos times, pois, se não houver uma boa safra de concorrentes, os grandes times conseguem vitórias mesmo sem ser brilhantes.

O Coritiba ainda tem a desculpa da Copa do Brasil, onde por pouco não chegou à final. Mas o Atlético caiu nas oitavas e já vem se dedicando há um bom tempo só ao Brasileiro.

Com desculpas ou não, depois de cinco rodadas as duas equipes estão nas últimas posições do Brasileiro e, se caírem, o Paraná diz adeus à Série A. Para piorar o estado das coisas, seu único representante na Série B está numa modesta décima-quarta posição. Ou seja, longe de subir.

Falando em Série B, os dois times cearenses estão na lanterna do campeonato. Ceará e Fortaleza, que decidiram o campeonato estadual, podem estar indo de mãos dadas para a terceira divisão do Brasileiro.

As duas equipes ainda não venceram. O Fortaleza tem a pior defesa do campeonato (tomou 12 gols) e o Ceará tem o terceiro pior ataque (marcou apenas 4). Os dois clubes correm perigo de cair para a Série C, onde, para aliviar a situação, o Icasa, de Juazeiro do Norte, vai bem.  

É claro que o Ceará tem outros problemas. A média de vida está em 69,9 anos, abaixo da média nacional, que é de 72,35 (dados de 2006). E a mortalidade infantil está em 30,8 por mil. Um número bem acima da mortalidade nacional, de 24,9 por mil, que já não é lá grande coisa.

São números cruéis, mas ter seus dois times na terceira divisão é bem pior.

Ou não?

Por Torero às 10h38

06/06/2009

Copa do Mundo na Terra do Nunca

 
 

Copa do Mundo na Terra do Nunca

Texto de Marcio R. Castro 

Desde que me entendo como gente, um dos meus sonhos era a realização de uma Copa do Mundo no Brasil.

Lembro agora, ao escrever essa primeira frase, que inclusive já “reservava” para o Brasil a Copa de 2014, com o primeiro jogo brasileiro em São Paulo, no Morumbi, que depois receberia o Brasil novamente na semifinal, e com a grande final contra a Itália no insubstituível Maracanã, jogo no qual eu fazia três gols, virando o placar na prorrogação!

Me recordo também que apenas Manaus e Natal não faziam parte das “minhas” cidades-sedes. De resto, todas estavam lá, na companhia de Goiânia, Belém e, talvez, Campinas ou Ribeirão Preto (“a força do interior paulista”).

A pontinha de orgulho que sinto por ter acertado tanto em meus devaneios infantis logo se dissipa. Percebo que são escolhas tão óbvias que até um mancebo com alguma imaginação as faria, como fizeram e farão cartolas bem crescidinhos, apesar de alguns preferirem continuar complicando as coisas.

Quase vinte anos se passaram e o sonho de menino se realizará. Imagino quantas crianças hoje não estejam com a mente em polvorosa, realizando grandes jogadas, marcando gols inesquecíveis, testemunhando por antecipação dramas e glórias nos nossos gramados.

Sorte dos pequenos. O desgosto com alguns pontos quase me faz estar entre aqueles que não queriam uma Copa por aqui. Quase, porque a esperança de que as coisas podem dar certo de uma forma decente insiste em sobreviver. Ou até mais do que isso, confesso, já que o desejo ainda supera a razão, mesmo com todo o dilema que vem junto.

Relatado recentemente por jornalistas esportivos, um diálogo entre o presidente Lula e o ministro dos esportes Orlando Silva Jr., durante as obras do Pan, retrata bem o sentimento dos incrédulos. Em determinado momento, ao perceber os rombos que se avolumavam, Lula teria dito ao ministro: vai sobrar para nós...

Sobrou, como todos sabem. O que mais me incomoda é a naturalidade com que o presidente, o ministro, os jornalistas e quase todos encararam a questão. Se o comitê olímpico, a prefeitura e o governo do estado foram incompetentes e corruptos, paciência, nós colocamos mais dinheiro. Afinal, o Brasil precisa fazer bonito.

Não seria mais bonito deixar o problema estourar, não passar a mão na cabeça de ninguém, responsabilizar os que trabalharam mal, investigar e punir os corruptos e recuperar o dinheiro possivelmente desviado? Em suma, dar (e praticar) o exemplo? Não seria mais adequado não corroborar com o círculo vicioso, custasse o que custasse?

Outra coisa inconcebível é ver os políticos alardeando bilhões e bilhões em investimentos em virtude única e exclusivamente da Copa. Acho ótimo que as cidades recebam dinheiro para infra-estrutura, mas tudo somente pela realização do Mundial? Não me refiro a investimentos públicos especificamente voltados para o turismo, nem a obras em parceria com a iniciativa privada que naturalmente vislumbram retorno financeiro com um evento dessa magnitude.

Agora, investimentos em transporte público, meio-ambiente, hospitais, saneamento básico e outros colocados no pacotão da Copa são, além de demagógicos, verdadeiros atestados de falta de planejamento e competência.

Mas parece que nos dicionários de nossas autoridades não existe o verbete cronograma. Nem vergonha e nem cara, aliás. Além de termos que ouvir dos “inspetores” da FIFA – com razão, diga-se de passagem – que o Brasil não tem 12 cidades em condições mínimas de abrigar o Mundial, nossos representantes ainda ficaram meses beijando a mão de cartolas e mais cartolas, responsáveis por grande parte do nosso atraso no âmbito esportivo. Eu perdi, mas o Ricardo Teixeira deve ter sido eleito o novo Papa!

É claro que articulações políticas fazem parte da equação. O problema é quando esse critério secundário se torna dominante. Um dos resultados dessa inversão serão estádios inteiramente financiados por dinheiro público, que provavelmente não terão utilidade constante ou adequada ao nível de investimento, se tornarão deficitários e, aos poucos, vão ser abandonados. Os tais dos “elefantes brancos”. Alguém duvida que vá acontecer?

Lembro novamente dos pensamentos daquele garoto de dez ou onze anos. E gostaria muito que esse texto pudesse ter acabado no 5º parágrafo. Ou melhor, que continuasse de forma inspiradora, tanto ao comentar proezas em campo quanto ao debatermos a realização da Copa em todas as suas complexidades.

A Copa do Mundo será no Brasil. Ver toda aquela festa popular no anúncio das cidades escolhidas deu um sentimento esquisito, infelizmente. Porque o menino cresceu. E escolheu não ser um Peter Pan de chuteiras.

Por Torero às 06h36

05/06/2009

Um homem de moral

Esta semana não teremos toreroteca. Estou com certa ojeriza de futebol por conta das brigas recentes.

Mas, para contrabalançar os torcedores imorais, indico "Um homem  de moral".

Trata-se de um filme que vi recentemente no Festival de Recife, onde ele ganhou o Prêmio Especial do Júri e melhor roteiro.

Ele conta um pouco da vida e mostra algumas das músicas de Paulo Vanzolini, autor de Ronda, Sacode a poeira e Praça Clóvis, entre outras, muitas outras boas músicas. 

Trata-se um documentário saboroso, daqueles que se vê sem pressa, torcendo para que haja mais uma musiquinha, mais uma historinha.

Vanzolini conta vários causos e vemos a gravação de muitas de suas músicas, por Chico Buarque, Paulinho da Viola, Paulinho Nogueira, Martinho da Vila, e um longo etecetera.

Vanzolini é um entrevistado tão simpático que dá vontade de sair do cinema, ir para a casa dele e dizer: "Conta uma história aí".

O filme está em poucos cinemas e em poucos horários. Aconselho a ver neste fim de semana. 

Abaixo, facilito a vida dos preguiçosos e digo onde ver "Um homem  de Moral":

 

São Paulo

UNIBANCO  ARTEPLEX: 18h

UNIBANCO POMPÉIA: 18h

UNIBANCO AUGUSTA: 16h – 18h – 20h – 22h

CINE BOMBRIL: 18h

Rio de Janeiro

UNIBANCO  -  ARTEPLEX: 16H30 - 18h – 22h

IMS (Inst. Moreira Salles):14h - 16h - 18h - 20h

Santos

UNIBANCO MIRAMAR: 18h10
 

 

Por Torero às 05h51

04/06/2009

As bestas

O futebol é uma coisa sem importância. É só um esporte. Uma coisa para se ver enquanto não estamos fazendo alguma coisa realmente importante. Uma coisa para descansarmos das coisas importantes.

Ontem, no confronto entre torcedores corintianos e vascaínos, morreu um homem. Morreu um homem por causa de futebol. Morreu por nada.

Morreu porque acha que seu time é melhor, porque não aceita que outros torçam para outros times, porque outros não aceitam que se torça para outros times.

Depois, incendiaram um ônibus. E, antes, no domingo, duzentos santistas imbecis foram atrás de cinquenta corintianos num estacionamento.

Quem acha que seu time é a coisa mais importante do mundo é uma besta. Muitos torcedores organizados, que têm em seu time sua única fonte de felicidade, são umas bestas. Mesmo torcedores que não são de nenhuma organizada, mas que têm no futebol o principal assunto de sua vida, são umas bestas.

Quem vive, morre ou mata por futebol, é uma besta. Não é um pobre-coitado-que-tem-o-futebol-como-sua-única-válvula-de-escape. É simplesmente  uma besta.

A questão não é se se deve acabar ou não com as torcidas organizadas. A questão é que não se pode levar o futebol tão a sério. Ele não é tão sério. É um esporte, um negócio, só isso.

Os verdadeiros assuntos são amor, morte e poder. O resto é menor. O futebol é menor. Se alguém coloca este esporte acima de sua família, de seus amigos, de sua gente, da vida, é uma besta.

Por Torero às 10h34

03/06/2009

Estréias e despedidas

(Texto publicado ontem na Folha de S.Paulo)


Virgem leitor, virginiana leitora, a verdade que todos nós gostamos de estréias.

Quem não se lembra daquele primeiro dia de aula, quando abríamos o caderno e escrevíamos com gosto naquela primeira e imaculada página branca? Qual a ex-fumante que não sonha com aquele momento em que puxava com as pontas das unhas o primeiro cigarro do maço. Os homens hão de se recordar com suspiros da primeira vez em que desabotoaram um sutiã. E as mulheres hão de se lembrar com benevolência dos cinco minutos que gastamos para fazer isso.

No futebol, não é diferente. Adoramos as estréias. Seja a primeira rodada de um campeonato, a primeira partida de um jogador, o primeiro gol de um novo artilheiro.

Curiosamente, nesta quarta rodada do Brasileiro tivemos várias estréias. Ou reestréias.

É o caso de Adriano, que voltou ao Flamengo, time pelo qual ele torce e no qual começou. Foi uma reestréia de classe. Ele deveria jogar apenas alguns minutos, mais ou menos como fez Ronaldo no Corinthians. E só aos poucos voltaria a jogar uma partida por completo. Mas, como ele é mais jovem, tem um histórico de contusões mais simples e o time precisava, Adriano jogou os noventa minutos. E fez um gol logo nessa primeira partida da volta.

Ele pode vir a ser o grande ídolo do time na era pós-Zico. Não só pelos gols, mas porque será visto como alguém que deixou o paraíso europeu para voltar para suas raízes cariocas. Neste tempo de muito profissionalismo e pouco amor pelos clubes, uma atitude dessas conquista o coração de qualquer cético. Adriano ocupará no coração do flamenguista o lugar que estava reservado para Ronaldo. 

Outra ótima estréia foi a de Marlos no São Paulo. Ele deu bons passes, driblou e não se intimidou em sua primeira partida no Morumbi. O jogador pode ser o meia que o time precisa há tanto tempo.

O Atlético Mineiro teve duas estréias. A primeira foi Aranha, um bom goleiro, que realmente merecia estar num time grande há alguns anos. Ele vem para uma posição na qual o Atlético realmente precisa de reforço. E a segunda foi Evandro, que, depois de boas temporadas no Atlético Paranaense, não acertou no Palmeiras. Mas é jovem, tem 22 anos, e pode melhorar muito.

Um veterano que reestreou foi Lúcio Flávio. Assim como Evandro, ele também teve uma boa fase no estado do Paraná, mas depois não se acertou mais, até que chegou ao Botafogo e voltou a jogar como nos velhos tempos. No Santos, fracassou totalmente. Mas sua chama pode reacender no Botafogo, com o perdão do trocadilho.

E, por fim, tivemos o gol-estréia de Obina. Ele, que não marcava desde a era paleolítica, fez 1 a 0 contra o Barueri e parece que pode fazer uma boa dupla com Keirrison.

Mas, se houve começos, não faltaram fins. Três grandes jogadores abandonaram os campos. O português Figo despediu-se do futebol levantando a taça de campeão pela Inter de Milão. O checo Pavel Nedved, depois de 327 jogos pela Juventus, também decidiu pendurar as chuteiras. E Maldini, meu zagueiro no Winning Eleven, aos 41 anos (22 deles passados no Milan), parou de jogar.

Talvez estes três jogadores é que estejam fazendo a mais dura das estréias.

 

Por Torero às 00h05

02/06/2009

Qual o maior erro que você já viu um juiz cometer?

Nos próximos dias farei um texto sobre erros de juízes, por isso a pergunta acima. Diga qual foi o maior erro do qual você lembra. Você estava no estádio? Xingou-o de quê? Estava em casa? Torceu a antena como se fosse o pescoço do juiz? Conte aí, conte aí!

Porém, como este assunto suscita ódios profundos guardados há muito tempo, lembro que não posso publicar no blog palavrões e ofensas morais. Ou seja, há que controlar um pouco a língua ao falar destes malditos, digo, infelizes, que roubaram, digo, erraram contra, os nossos times.

Tenhamos um pouco de classe, o que sempre melhora os textos.

 

Por Torero às 07h57

01/06/2009

Abecê do uiquende

Adriano: Foi um belo retorno. Jogou os 90 minutos e fez gol. Foi uma reestréia melhor que a de Ronaldo.

Bigamia: A maioria ds bígamos, times que estão participando de dois campeonatos, se deram mal de novo. Corinthians, Coritiba, Vasco e Grêmio perderam, o Palmeiras empatou e só o Inter venceu.

Centésimo: Washington, do São Paulo, fez o seu centésimo gol em campeonatos brasileiros. Falta um para que ele alcance Evair e se torne o oitavo maior artlheiro do Brasileiro. O primeiro é Roberto Dinamite com invencíveis 190 gols.

Duas: Só três times da Série C venceram suas duas primeitas partidas: Icasa, Caxias e Águia de Marabá.

Estréias: Tivemos várias neste fim de semana. Aranha e Evandro estrearam no Atlético Mineiro; Marlos (muito bem), no São Paulo; Adriano e Lúcio Flávio reestrearam no Flamengo e no Botafogo; e Obina estreou as redes este ano.

Fred: Ainda não voltou aos tempos de Cruzeiro, mas vem melhorando e ontem fez um gol importante.

Guarani: É o líder disparado da Série B. Venceu seus quatro jogos. O técnico Vadão fez um pequeno milagre: recebeu 17 jogadores novos e rapidamente acertou o time, que havia sido rebaixado no Paulista.

Hoploteca: Lugar onde se guardam armas. No caso do Inter, o banco de reservas, pois mesmo sem seus titulares venceu o Avaí.

Intruso: O Santo André não é um visitante, mas um intruso. Está invicto fora de casa. É a vantagem, talvez a única, de ser um time de torcida pequena.

Jucilei: Foi sacado no jogo contra o Santos, mas é um jogador promissor, com um toque de bola diferente.

Lanterna: O Coritiba, empenhado na Copa do Brasil, está em último lugar no Brasileiro. Conseguirá se recuperar ou será rebaixado?

Mário: Foi dele o primeiro gol na vitória do Vilhena de 4 a 1 sobre o Genus, pela final do Campeonato de Rondônia. Isso coloca o time na Copa do Brasil de 2010 e na Série D de 2009.

Náutico: De novo começa bem. Está no G-4 e é um dos únicos times invictos, ao lado de Santos, Inter e Atlético Mineiro.

Onze: O Santos fez este número de gols e tem o melhor ataque do Brasileiro. O Coritiba tomou os mesmos onze e tem a pior defesa.

Paraná: Os dois times do estado estão nas últimas posições. E, na Série B, o Paraná Clube não está lá essas coisas. Mesmo com a vitória sobre os reservas do Vasco, o time está na 15ª. posição.

Quarenta e sete: Do segundo tempo. Foi quando o Vitória fez o gol da vitória sobre o Grêmio.

Rafael Coelho: Fez mais nesta rodada e continua como o artilheiro isolado da Série B.

Simulação: Gaciba foi enganado pelo jogador do Atlético-PR e marcou um pênalti parecido com o do Simon há algumas rodadas. Estes jogadores fingidos não mereciam ser punidos?

Titubeda: O Sport saiu ganhando por 2 a 0 e entregou o empate ao Botafogo. Deixou de conquistar uma vitória fora de casa, o que seria muito importante neste momento estranho do time pernambucano, com cara de começo de crise.

Uniforme: Muito bem bolado o comercial da Adidas, em que os jogadores tatuam o símbolo do Palmeiras no peito.

Vingança: O Santos devolveu ao Corinthians o mesmo placar da primeira partida da decisão do Paulista. Era o time reserva, mas quem se importa?

Xerife: Aposto que vão colocar Madson e Paulo Henrique como os melhores jogadores do clássico Santos x Corinthians, já que eles fizeram os gols. Mas eu escolheria Rodrigo Souto, que deu nada menos do que 60 passes certos no jogo de ontem.

Zica: O Grêmio estava conquistando um importante empate fora de casa. Mas, nos descontos, Leandro Domingues acertou um chute improvável, que entrou no ângulo de Victor.

 

PS: O vencedor da toreroteca foi Elson Pires, de João Pessoa.

Por Torero às 09h05

Sobre o autor

Formado em Letras e Jornalismo e quase formado em Cinema, é autor de treze livros (como "O Chalaça"), escreveu roteiros para cinema (como "Pequeno Dicionário Amoroso") e para tevê ("Retrato Falado").

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