Blog do Torero

30/04/2009

O dia em que me tornei atleticana

 O dia em que me tornei atleticana

 

 (como o Atlético Mineiro foi do céu ao inferno em quatro dias, coloco aqui o encorajador email mandado por uma torcedora) 

 

Texto de Elen Campos

Motivada pelo texto "O dia em que me tornei santista", que o José Roberto Torero publicou em seu blog no UOL, fiquei tentando buscar nas minhas memórias o dia em que me tornei atleticana. Ao ler o título do texto instantaneamente pensei: atleticano nasce atleticano. Mas ao lê-lo, percebi o que o autor queria dizer.  Em seguida me veio à cabeça o quadro que tenho pendurado em casa: uma foto de 1978, quando eu, com menos de um ano de idade, mal me equilibrava sentada, segurando a bandeira com o escudo do Galo. Mais alguns segundos depois e veio a percepção de que aquele havia sido apenas a primeira foto, mas não o primeiro dia da tomada de consciência alvinegra.

Vasculhando lembranças fui parar no ano de 1987, numa fatídica semifinal da Copa União disputada pelo Atlético e Flamengo no Mineirão. Com 10 anos de idade, eu não sabia que se tratava do Galo da era de Reinaldo e do Flamengo da era de Zico, e que aquela partida significava muito mais do que uma vaga na final do campeonato.

Naquela quarta-feira, meu pai estava trabalhando no período noturno e eu, claro, nem tinha me dado conta da existência do tal jogo. Em casa, àquela hora da noite, certamente deveria estar dormindo, não tivesse minha irmã, três anos mais velha, resolvido ligar o radinho do papai sem ele estar lá. O inusitado da situação – aquele radio falando sozinho sem meu pai lá pra escutar - faria com que eu, pela primeira vez, parasse para prestar atenção na voz daquele moço, que falava rápido e engraçado, embolado até. Naquele desenrolar de duas horas, mais do que aprender sobre o esporte bretão, eu aprenderia os meandros de alguns sentimentos e seus embates.

Quando o Flamengo fez um, e depois dois a zero, descobri o que significava decepção. Senti um vazio esquisito, vontade de chorar cada vez que minha mãe suspirava um "coitado do seu pai!". Por outro lado, o que eu igualmente não poderia imaginar era que existisse a possibilidade de passar da tristeza profunda ao delírio apoteótico em questão de minutos. Eis que o Galo também faz um, e depois outro. Ali descobri o que era milagre. Minha mãe respirou aliviada, minha irmã chorou de alegria; a menor, três anos mais nova, de estranhamento. Já eu senti algo que me enchia de novo o peito, fazia ter vontade de pular e gritar ao mesmo tempo. O futebol ganhava sua mais nova apreciadora, e o Galo uma nova apaixonada.

Infelizmente o placar final da partida não foi o 2 a 2 comemorado pelas três irmãs e uma compreensiva mãe cruzeirense. O Flamengo fez o terceiro gol numa bobeada da nossa defesa, como eu iria entender tempos depois. Lembro que quando o jogador do time carioca driblou o goleiro e chutou a bola pro fundo da rede, o narrador do rádio não gritou gol. Parou, ficou em silêncio por intermináveis segundos, e depois soltou um: "Adiviiiiinhe...", tal como alguém que prepara o terreno para contar uma notícia triste, do tipo morte de alguma vó. O que eu não lembro direito foi se minha mãe soltou algum xingamento não muito pesado, como fazia quando brava, ou se minha irmã mais velha desabou em lágrimas, como faz até hoje quando triste. O que eu sei é que, secretamente, naquele restinho de jogo, pela primeira vez na vida eu torci fervorosamente pelo Galo. Torci para empatar de novo. Torci porque eu já conhecia que era possível.
 
A história mostra que não adiantou meu esforço daquela vez. Mas eu não desisti, e tenho certeza que minha torcida adiantou em outras tantas. Claro também que eu queria ter uma história mais vitoriosa, entre tantas que meu time viveu, para marcar o dia da instauração da minha consciência de torcedora atleticana. O fato é que tem coisas no futebol que qualquer criança entende. Eu já conhecia o que significa caixinha de surpresas.

Dali em diante, duas décadas se passaram. À medida que crescia, assistiria a momentos de vitórias, derrotas, histórias de honra, de superação e de rara beleza, e até capítulos de brigas, violência e corrupções. Fui percebendo que futebol e vida são muito parecidos. Precisamente, só têm uma coisa de muito diferente. Quando o time da gente perde um jogo importante, naquele momento em que o narrador do rádio engasga e fica mudo, é qualquer coisa que se parece com a morte. Mas não é. Pelo menos não pra nós. Nós somos do Clube Atlético Mineiro e desafiamos a própria lei da vida. "O nosso time é imortal".

 

Por Torero às 12h18

28/04/2009

O que dói mais: tomar um gol feio ou um gol bonito?

(Texto de hoje na Folha de S.Paulo)


É uma pergunta difícil de responder, uma questão que exige raciocínio e ponderação. Até já imagino a leitora com a mão no queixo, parecendo um escritor em contracapa, e o leitor olhando para o teto, tal qual estivesse com torcicolo.

Sei que é sempre terrível quando nosso time toma um gol. Mas cada gol dói de um jeito diferente. O tento sofrido no começo do jogo não nos faz sofrer do mesmo jeito que o gol tomado no último segundo. E assim também acontece com os feios e os bonitos. Ambos doem, mas doem de modos distintos.

O gol feio, porque é como se forças misteriosas estivessem contra seu clube. Parece um castigo do destino, um erro da natureza. Só isso explica a falha bisonha do goleiro, o chute que desvia num zagueiro e entra no cantinho, a canelada de sorte do centroavante. Parece que os deuses do futebol querem rir às suas custas.

O triste do gol feio é que ele não é o fruto da inteligência ou da habilidade do adversário. Não se trata de um gol justo. Ele nasce do puro acaso. Obviamente é um triunfo, mas um triunfo que tem o erro como pai e a imperfeição como mãe. E por isso, por não ser merecido por nosso inimigo, é que ele é terrivelmente doloroso.

Já a bola entrando no ângulo, o chute preciso depois de um drible mortal e o cruzamento milimétrico seguido do peixinho certeiro doem por outros motivos. O gol bonito é uma vitória categórica do inimigo. É a certeza de que seu time é inferior, de que o adversário tem o domínio de uma arte elaborada. O gol belo nos causa uma sensação de inferioridade (“por que os bons atacantes estão sempre nos outros clubes?”) e de inveja (“por que este desgraçado não está no meu time?”).

Pois bem, depois dessa breve exposição, volto a lhes perguntar: Qual o gol que dói mais, o feio ou o belo? O que é pior, a nossa imperfeição ou a perfeição do outro?

Esta pergunta estava há tempos anotada em meu caderninho de “Grandes pequenas questões do futebol”, e até este fim de semana eu não tinha a resposta. Mas no domingo eu estava na Vila Belmiro. E vi o terceiro gol de Ronaldo. Vi o toque preciso e suave, vi a bola descrevendo uma bela e larga parábola, vi o goleiro no meio do caminho, sabendo-se inútil, e vi as redes balançando suavemente.

Foi um golaço.

E o curioso é que a torcida não xingou o goleiro, não pôs a culpa no técnico santista, não arrancou os cabelos ou socou a cadeira. Nada disso. Onde eu estava, uns olharam para os outros, como se dissessem: “Você viu o que eu vi?”, “Vou lembrar desse gol para sempre” e “O desgraçado é bom mesmo.”

É claro que havia tristeza, pois o 3 a 1 praticamente enterrou as chances do Santos. Mas também havia uma certa alegria no ar. Uma alegria por ter presenciado um grande lance, um momento raro, um lindo gol.

Daí que já tenho a resposta para a questão inicial. E a resposta é que sofrer um gol feio dói mais, porque, quando tomamos um gol bonito, temos pelo menos o consolo de ver uma obra de arte. E, no fim das contas, é para isso que vamos ao estádio.

Por Torero às 09h03

27/04/2009

Um domingo Fenomenal

 
 

Um domingo Fenomenal

 Texto de Gustavo Kosha

Senhores, confesso que eu queria ver com os meus próprios olhos. Ainda que eu não seja tão cético, depois de ver e rever as imagens da contusão, o rosto de dor, a queda, aquele joelho torcido e retorcido, confesso que eu temia que ele nunca mais voltasse a jogar.

Pois ontem fui a Vila, cheguei cedo e esperei ansiosamente. Claro que eu sabia que a forma não seria a mesma e que um trabalho contínuo terá que ser feito, mas só o pouco que ele fez ja valeu muito. Só de pisar no sagrado solo da Vila, valeu muito. Valeu muito para calar a boca de médicos, de jornalistas e até mesmo de descrentes torcedores.

É nítido para quem acompanha o mínimo de futebol perceber quando um craque está em campo. Ele pode não ter feito grande coisa, ter se movimentado pouco, mas o toque refinado e a classe são coisas que não desaparecem, nem depois de uma contusão como a que ele teve.

Bem vindo de volta Maikon Leite, você realmente é Fenomenal (sim com "F" maiúsculo). Sem mídia, sem alarde e até mesmo sem vitória você deu a volta por cima, entrou em campo e tenho certeza que sua volta ainda nos trará muita alegria.

 

Por Torero às 17h52

Resultado da Toreroteca

Poucos votaram no Chapecoense. E menos gente ainda no Atlético-Go. Desta forma, ninguém chegou nem a cinco pontos.

Mas os áuspices leitores e as videntes leitoras (que acertaram as duas últimas torerotecas) não devem se importar com isso. As finais são difíceis mesmo de se prever. Na próxima semana, com os resultados já encaminhados, a tarefa deve ser um pouco mais fácil.  

 

Por Torero às 12h04

26/04/2009

ABC do fim de semana

Amortecedor: O peito do pé de Ronaldo tem um amortecedor. É a única explicação para aquela matada no seu primeiro gol. A bola era alta e forte, mas ficou macia, macia...

Boxe: Germano deu um soco em Chicão. Pode lhe dar uma suspensão. E merecia vermelho.

Chapecó: Na primeira partida das finais do Catarinense, o Chapecoense ganhou em casa por 3 a 1 do Avaí. Um jogo tão nervoso que os dois técnicos acabaram expulsos.

Dentinho: Foi bem substituído por Morais. Mas certamente voltará na partida final.

Eficiência: Uma boa palavra para descrever o Corinthians. 

Frieira: Quem será mais pé-frio, Cuca ou o Botafogo? Por ora, está empatado. Mas o Botafogo tomou um gol no finalzinho, o que é mais dolorido.

Guto: Aos 41 minutos do segundo tempo, ele marcou 2 a 1 para o Fortaleza (o empate veio por um erro absurdo do Simon). Agora o tricolor precisa apenas de um empate no próximo domingo.

Harlei: O goleiro do Goiás teve que catar a bola duas vezes no fundo de sua rede. E seus atacantes marcaram apenas uma vez. PC Gusmão, técnico do Atlético-GO está se mostrando um especialista em campeonatos goianos, já que venceu o do ano passado com o Itumbiara.

Inédito: O Rio Grande do Norte terá um campeão inédito este ano. Um time virgem, que jamais levantou a taça, será o campeão. Neste domingo, o Assu saiu na frente. E muito. Venceu o Potyguar de Currais Novos por 4 a 1.

Justiça: O Santos jogou melhor, dominou a partida e atacou mais, mas a vitória corintiana foi justa. No futebol, este estranho esporte que tanto se parece com a vida, não vence o melhor, mas o que aproveita as oportunidades.

Golaços: Depois do golaço de Ronaldo, encobrindo Fábio Costa, os torcedores santistas, em vez de fazerem muxoxos, estenderam os beiços inferiores. Em vez de tristes reticências, um espantado ponto de exclamação.

Lisura: A primeira partida da final teve poucas faltas e o árbitro e seus assistentes estiveram bem. Provavelmente será eleito o melhor trio do campeonato.

Milagre: Depois de perder a primeira partida por 5 a 0, o Atlético-MG precisa de um milagre. Ou uma daquelas roubalheiras em que até o juiz faz gol.

Neymar: Foi bem. Mas a expectativa em torno dele é tanta que ir bem é pouco.

Oh...”: Foi o suspiro da torcida santista aos 36´, quando Maikon Leite chutou e Felipe fez uma defesa impossível.

Pequeno notável: Mádson, mais uma vez, foi bem.

Quilos: Ronaldo deu-me a impressão de estar mais magro.

Rotina: Felipe teve uma falha mas fez belas defesas. É a sua rotina. Foi um dos principais jogadores do time.

Surpresa: A surpresa da rodada foi o Coritiba, que ganhou do Atlético-PR na Arena da Baixada e adiou a festa do rubro-negro. Adiou ou estragou. É esperar para ver.

Treze: O da Paraíba devolveu o placar e ganhou do Souza por 2 a 0, ficando com título do segundo turno. Se o Souza, vencedor do primeiro turno, tivesse marcado apenas um reles golzinho, seria o campeão estadual. Agora terá que disputar uma final. 

Um: O Vitória pode até perder por um gol que será o campeão baiano. O Bahia não perdia em Pituaçu há catorze jogos. Mas o time de Carpegiani, com dois gols de Ramon, venceu por 2 a 1. Agora é só tomar cuidado e comemorar em casa.

Vilão: Kléber Pereira foi o vilão do jogo para a torcida santista. E com razão. Perdeu gols, errou passes, ficou várias vezes impedido e perdeu a bola que resultou no segundo gol corintiano.

Xerifes: Sim, Ronaldo fez dois gols e foi o nome do jogo. Mas não se pode deixar de falar da defesa corintiana. O time veio bem fechado, apertou os espaços, não deu moleza. E graças a esta defesa fechada conseguiu seus três gols, todos nascidos em contra-ataques.

Zagueiros: Foram o segredo do Cruzeiro. Eles marcaram quatro dos cinco gols.

Por Torero às 20h30

25/04/2009

E o campeão mineiro será o...

 
 

E o campeão mineiro será o...

Texto do mineiro Carlos Eduardo S. Souza


Não é só São Paulo que pode dignar-se de ter alguém com coragem suficiente para cravar um campeão estadual, assim, sem delongas, sem meias palavras, sem blá-blá-blás, e sem nenhum senão, como o fez esse prepotente Torero aqui dias atrás.

Não!

Ainda mais faltando dois embates dos mais suados, equilibrados, e, sobretudo, dos mais clássicos até em âmbito nacional, que dirá estadual.

Não, meus amigos! Aqui em Minas também tem gente bamba, intrépida, que não fica em cima do muro, em nome de uma demagogia hipócrita.

Só porque o futebol é imprevisível?

Ah, tolice! Imprevisível para os covardes, para os que não sabem analisar as evidências e temem o vaticínio objetivo, por mero e vão apego de uma imagem que querem fazer de si mesmos, mas que está muito longe da realidade de suas vidas vazias.

Eu não. E vos provarei dizendo-lhes também quem será o grande campeão mineiro de 2009.

Digo-vos, para começar, que se trata de um time acostumado com decisões como esta, e que já começou o campeonato como um dos favoritos ao título. No decorrer da competição apenas ratificou esse prognóstico, e, mesmo com alguns tropeços, acabou por se impor sobre os adversários, mostrando seu melhor futebol e sua melhor condição técnica

Este time vem forte para esses dois jogos decisivos, mesmo tendo disputado, e vencido por 2 a 0, uma partida decisiva no meio da semana, naquele que é para ele, sem dúvida, o campeonato mais importante deste primeiro semestre.

Nem por isso, entretanto, esta equipe quer desdenhar o mineiro, porque, afinal, a final é contra o seu arquiinimigo, aquele para quem os torcedores não suportam perder nem em “campeonato de cuspe à distância”.

Ironicamente, este time tem no gol um goleiro que é amigo do seu oponente desta final desde os tempos em que jogavam juntos no Cruzeiro. E suas esposas assistem aos jogos juntas, inclusive.

A defesa vem bem até aqui. Tomou apenas 8 gols. Mas uma de suas laterais preocupa (e muito!) os torcedores, porque traz na posição um jogador que vem atuando improvisado, o que requer mais atenção dos volantes para guarnecerem aquele lado. 

Falando em volantes, este time tem três daqueles bons marcadores, mas um deles, em especial, merece toda a atenção, porque, vez por outra, aparece lá na frente, livre, como elemento surpresa, e, não raro, faz também os seus golzinhos.

Mas a grande arma desse time são os atacantes. Ah, eles são terríveis! Um é rápido, cai bem pelas pontas, entra em diagonal pela área e chuta muito a gol, mas é um pouco fominha às vezes. Já o outro é cruel.

Não pode bobear com ele, que é gol. Artilheiro nato, ele é claramente diferenciado na hora de concluir as jogadas, e não tem nenhum constrangimento em, precisando, dar de bico, mas colocar a bola no fundo das redes. Ele surgiu no São Paulo, foi jogar na Europa, mas voltou ao Brasil e está em grande fase, com média superior a 1,1 gol/partida.

É verdade que ele tem fama de garoto problema, mas parece que quem tem mesmo que se preocupar com isto são os zagueiros adversários.

E o treinador desta equipe é um cara sisudo, que gosta de usar frases curtas, quase filosóficas, em suas entrevistas.

Viram? Eu também não fugi da raia e acabo de lhes revelar quem será o campeão mineiro deste ano. Mas, levando em consideração que os mesmos “desentendidos” do texto do Torero possivelmente estejam lendo este aqui também, vou ser mais claro e direto: o campeão mineiro de 2009 será o time que começa com a letra “C”.

E tenho dito!

Por Torero às 21h07

24/04/2009

Toreroteca

E vamos à nossa toreroteca, esta semana apenas com os primeiros jogos de algumas finais estaduais:

Santos x Corinthians

Botafogo x Flamengo

Chapecoense x Avaí

Cruzeiro x Atlético

Ceará x Fortaleza

Atlético-GO x Goiás

Os seis jogos desta toreroteca são muito equilibrados. Minha vontade era marcar seis empates. Mas, só por birra, vou fazer justamente o contrário. Escolherei seis times e pronto (mesmo porque não há vantagem nenhuma em acertar os jogos, já que eu já tenho meus livros).

-O Corinthians já está há muito tempo sem perder. Por uma questão estatística, é hora de perder. Vou de Santos.

-Como o pobre torcedor botafoguense sofrerá mais? Ganhando o primeiro e perdendo o segundo, certo? Então aposto nisso: Botafogo. 

-Os times catarinenses se equivalem. Nos últimos jogos, ligeira vantagem para o Chapecoense. Por isso, voto nele.

-Jogo equilibradíssimo entre os mineiros. Preciso me utilizar de um recurso científico para este palpite. Já sei! Como estou de chinelo azul, aposto no Cruzeiro.

-Os tradicionais times cearenses estão bem parelhos nos números. E os dois jogos serão no Castelão.  Mas o Fortaleza, que ganhou o segundo turno, me parece mais embalado. 

-No centro-Oeste teremos o melhor ataque (Atlético-GO) contra a melhor defesa (Goiás). Como o técnico do Atlético-GO é PC Gusmão, que tem fama de pé frio, voto no Goiás.

Em resumo, meus votos são: Santos, Botafogo, Chapecoense, Cruzeiro, Fortaleza e Goiás. Dê aí o seu palpite até as 15h59 de domingo.

Por Torero às 07h33

23/04/2009

Procedimento

A Gaviões da Fiel leva três grandes faixas a campo, onde se lê "Lealdade", "Humildade" e "Procedimento". As duas primeiras palavras eu entendi, mas fiquei em dúvida sobre o que significaria a terceira, e alguns leitores também perguntaram. Mandei então a pergunta a Thomas Castilho, ex-diretor da Gaviôes, e ele respondeu o seguinte:  

 O procedimento nada mais é do que a forma de agir, as atitudes tomadas. E por incrível que pareça sempre tentamos passar algo sobre qual seria o procedimento do "Gavião", quando como "Gavião". Coisas simples como não se sentir super-homem quando está com a camisa da torcida, só usá-la em dias de jogo, não ficar na divisa como um ácefalo fazendo gestos estúpidos, não ser covarde, não roubar quando como torcedor, não usar drogas nas dependências da torcida ou no meio da bateria, respeitar o corinthiano como igual..... Existe uma reunião de sócios novos, que eu recomendaria para qualquer jornalista que ouse falar sobre o tema. Na verdade o conceito extrapola isso, já que nas classes mais baixas existem muitas regras de etiqueta também. Ligadas à forma de tratar a mulher do próximo (geralmente machistas sem dúvida, mas não o são o samba, a capoeira e o futebol?), de lidar com a sua própria palavra, de não ser um leva-e-traz (causador de intriga, a la Folha de São Paulo, hehehehehe)... Em tese o procedimento deveria ser pautado pela humildade e pela lealdade. É por aí! Já as origens desses termos, eu fiquei com vontade de te contar, mas fiquei na dúvida se deveria. Vou dizer só que veio da cadeia.

Por Torero às 20h45

Quem rodou na rodada?

Começo pelo Santos, que tomou um gol logo no começo do primeiro tempo mas não teve competência e calma para virar a partida. Kléber Pereira, Roni e Neymar perderam gols feitos. Realmente lamentável. E pode ter consequências para a final do Paulista. Mas falo disso amanhã.

Para o bravo Águia de Marabá, o sonho acabou. Ele venceu o poderoso Fluminense no primeiro jogo e, no segundo, aguentou o zero a zero até o fikm do primeiro tempo. Mas, nos últimos 45, tomou três gols. Ficou no quase, como também ficou no quase na Série C do ano passado, quando por pouco não subiu para a B.

 O Guarani, que já tinha rodado no Paulista, rodou na Copa do Brasil. Perdeu de cinco para o Inter, que vem aparecendo como o favorito para o Brasileiro, e agora terá que concentrar esforços na Série B. SE continuar assim, lutará para não voltar à C.

O ABC, que tinha empatado em 2 a 2 no primeiro jogo, perdeu por 3 a 1 e também está fora. Um péssimo ano para o time potiguar, que nao está nem na final do campeonato estadual.

O Figueirense, que está fora do estadual, foi derrotado pela Ponte e também vai se preparar para a Série B. Já a Ponte vai enfrentar o Americano, que passou pelo Botafogo. Parece ser um bom começo de ano para o clube.

Outro que rodou foi o Paraná. Já não tem chance no estadual, teve o treinamento invadido por torcedores na terça-feira e agora perde a vaga para o Fortaleza, que vai enfrentar o Flamengo.

E o Confiança, que tinha passado pelo América-RN, desta vez não teve a mesma sorte e tombou frente ao surpreendente Icasa, que já tinha passado pela Portuguesa e vem sendo uma das surpresas desta Copa.

Pela Libertadores, quem rodou sem jogar foi o Palmeiras, que terá que vencer o Colo-Colo no Chile. Missão difícil. Mas, acredito, mais fácil do que vencer o Sport em Recife, coisa que o time já fez.

Enfim, vários rodaram, mas a bola é redonda e quem ficou por baixo hoje, pode ficar por cima na próxima rodada.

Por Torero às 07h18

22/04/2009

Como você vai comemorar?

Simpático leitor, maravilhosa, espetacular e fascinante leitora, preciso de vossa ajuda para um texto que escreverei daqui a dez dias, logo depois da decisão do Paulista. Quero falar sobre como o torcedor comemora um campeonato de seu time. Aliás, santistas e corintianos já devem estar ensaiando suas coreografias.

Mas e você, o que faz? Bebe, dança, pula, chora, abraça a sogra, beija o cunhado na boca, joga confete em si mesmo, xinga o vizinho, grita até ficar rouco, reza baixinho, põe a camisa do time e desfila pela casa, assobia o hino, convoca o cônjuge para uma festa particular, dá dinheiro aos filhos, fica em pé no sofá, se pendura no lustre, vai dormir mais cedo para sonhar com o jogo, vê todas as mesas redondas só para assistir aos replays ou nada disso?

Conte aí o que você já fez ou imagine o que você fará. 

Por Torero às 16h23

21/04/2009

E o campeão paulista será o...

Indefinível leitora, ambíguo leitor, não sou daqueles comentaristas esportivos que tem medo de prognósticos, que se amendrontam quando se veem frente ao desafio de prever o futuro. Não! De modo algum! Jamais me deixarei dominar pelos fantasmas da dúvida, pelas sombras da insegurança, pelos espectros da hesitação.

Sou homem de coragem e escreverei nas linhas abaixo quem será o campeão paulista.

Digo-vos, para começar, que se trata de um time surpreendente, que conseguiu superar seu adversário na semifinal com raça e técnica. E olhem que ele não era o favorito, pois fez menos pontos no decorrer do campeonato que seu oponente e teve que jogar a segunda partida fora de casa. Mas a equipe não se intimidou. Venceu o primeiro jogo em seus domínios por 2 a 1 e, quando foi para a casa do inimigo, nova vitória. E mais fácil que a primeira.

O time está bem em todos os setores. No gol, por exemplo, temos um jogador que é ídolo da torcida. Ele veio das divisões inferiores do Vitória e é capaz de defesas espetaculares. Seus reflexos são rápidos, ele é elástico e pega bolas que parecem impossíveis. Porém, temos que reconhecer, às vezes faz uns erros inexplicáveis.

E o que falar da defesa? Falemos que ela é simples e eficiente. Os zagueiros são firmes, mas não violentos, e, de vez em quando, um deles ainda marca uns valiosos gols de falta. Já os laterais descem bastante e participam bastante do ataque, o que é permitido pela presença de dois volantes. Volantes que, por sinal, são dois bons jogadores. Longe de serem brucutus, sabem sair jogando, tem bom passe e de vez em quando até marcam uns golzinhos.

Quanto ao seu centroavante, muitos duvidaram de sua capacidade. Afinal, um jogador passado dos trinta é sempre alvo de desconfiança. Mas isso durou pouco. Hoje todos sabem que ele é um matador que domina como poucos este estranho e misterioso ofício de fazer gols.

O técnico é um sujeito sério, um dos novos valores da profissão no Brasil. Ele mostrou arrojo nesta fase de mata-mata do campeonato, não se intimidando e jogando com três atacantes mesmo na casa do adversário. Aliás, três atacantes não é o termo certo, já que ele optou por um inteligente e maleável esquema de 4-2-3-1, que se transforma num 4-2-1-3 com facilidade. Este esquema só é possível porque o time tem dois jogadores que podem funcionar como pontas e como meias-atacantes. E você sabe quem são estes dois: um surgiu nas categorias de base e é amado pela torcida. O outro veio do Rio e já mostrou seu valor.

Pois bem, não fugi da raia e disse aqui quem será o campeão paulista. Porém, caso você não entendido até agora, digo-lhe explicitamente que o campeão será o bravo alvinegro que começa com a letra “S”.

E tenho dito!

Por Torero às 06h55

20/04/2009

ABC do fim de semana

Arrancada. Ronaldo de uma bela arrancada para fazer o segundo gol corintiano.

Botafogo. Perder a final por causa daquele gol contra foi triste. Aliás, como deve ser difícil torcer para o time da Estrela Solitária... É uma alternância terrível entre esperanças e desilusões, entre o doce e o amargo. E, nos últimos anos, o amargo tem sido o gosto final.

Coil, o homem-mola: Os leitores mais velhos hão de se lembrar de um desenho chamado Os impossíveis, em que os três componentes de uma banda de rock se transformavam em super-heróis. Pois há algum tempo eu vinha achando Madson parecido com alguém, mas não sabia com quem era. Finalmente achei. Ele é Coil, o homem-mola!

Desânimo. Desde o começo do jogo, o Palmeiras parecia um tanto desanimado. Não era um time que queria vencer a qualquer custo, um time decidido, determinado, com fome de glória.

Emudecida. Foi como ficou a torcida palmeirense depois do segundo gol santista. Ela só voltou a gritar depois do ...

Frangaço. Não há outra palavra para definir a falha de Fábio Costa. Sua sorte é que isso não atrapalhou a classificação santista. E ele tinha um bom crédito pelas defesas no primeiro jogo das semifinais.

Goleiros: Felipe e Fábio Costa farão um belo duelo. Os dois têm vários aspectos em comum: começaram no Vitória, fazem partidas espetaculares e cometem falhas bisonhas.

Herói: “Ele participou do primeiro gol e foi o responsável pelo segundo”. A frase serve tanto para Neymar quanto para Ronaldo, os dois candidatos a heróis na final do Paulista.

Invictos: Sport e Internacional ganharam seus campeonatos de forma invicta. Os dois dominaram seus estaduais com folga. O Sport, mesmo atrapalhado pela Libertadores, não tropeçou. E o Inter se deu ao luxo de dar goleada na final de ontem.

Jubileu. No caso, de prata. Vinte e cinco anos atrás, Corinthians e Santos decidiram o Paulista (o campeonato era por pontos corridos, mas, coincidentemente, os dois times se encontraram na última rodada, e ao Santos bastava o empate).  Daquela vez, o Santos venceu por 1 a 0, gol de Serginho Chulapa. 

Lateral-esquerdo. Sou um fã de André Santos. O cara sempre joga bem, ataca e defende com eficiência, dribla, marca, chuta, um grande jogador. Acho até que poderia ser convocado no lugar de Kléber, do Inter.

Minas: Nas Gerais teremos uma grande decisão. O Atlético, empurrado por Leão, vem de dez vitórias seguidas, e só perdeu uma partida no campeonato (justamente para o Cruzeiro, seu adversário na final). 

Novidade: Uma novidade nos estaduais é o Assu, do Rio Grande do Norte, que vai decidir o campeonato de seu estado contra o Potyguar, deixando de fora os tradicionais ABC e América.

Objetividade: A cabine de imprensa escrita do Palestra Itália estava cheia. Mas ninguém demonstrava nenhuma emoção. Não havia aqueles “uhs” de quando a bola passa perto da trave e ninguém arrancava os cabelos. Todos fingiam total imparcialidade. Mas, quando saiu o primeiro gol, um jornalista veio até mim e falou discretamente: “Eu tenho que apertar a mão de um santista”, e apertamos as mãos com alegria.

Paraíba: No campeonato deste estado, um time vem surpreendendo: é o Souza, time da terra dos dinossauros, que já ganhou o primeiro turno e vai decidir o segundo contra o Treze. Se vencer, nem precisaremos de uma final.

Queirrison: Esteve sumido em campo. E foi a primeira vez que não marcou contra o Santos. Foi uma sombra do jogador do começo do campeonato. Por conta disso, vai grafado com Q mesmo.

Ressurreição. No primeiro gol corintiano, Douglas deu um belo sprint e ainda fez o gol. Pode ser a marca da ressurreição do jogador.

Símbolo: O que será que Ronaldo quis dizer com aquele gesto depois do gol? O símbolo da torcida é com as mãos fechadas, mas ele estendeu os indicadores.

Tricolores. Fluminense e São Paulo caíram no meio do caminho, mas o Fortaleza fará a final de seu estado contra o Ceará, e o Bahia só não decidirá com o Vitória se tiver um azar botafoguêmico.

União: Parece picaretagem de neurolinguista, mas a verdade é que os dois times que tiveram mais raça, mais união, mais vontade de vencer, chegaram às finais do Paulista.

Verde: No caminho para o Palestra Itália havia uma catadora de latinhas com uma camisa onde se lia: “I’m gonna save the world”. Perguntei se ela sabia o que estava escrito em sua roupa e ela disse que não. Apenas tinha escolhido esta porque tinha letras verdes e combinava com o Palmeiras.

Xavier. Cleiton acabou fazendo muita falta ao Palmeiras. Ainda mais que Evandro, seu substituto, esteve muito mal. Desde que veio do Goiás, Evandro ainda não se acertou. Mas ele foi campeão mundial sub-17 pelo Brasil e parecia ser um jogador promissor. Talvez, com paciência ou noutro time, ainda venha a ser um grande jogador

Zebrinha. Os dois finalistas do Paulista tem as cores da zebra. E, como Santos e Corinthians fizeram menos pontos que seus adversários (o atual campeão paulista e o tricampeão brasileiro), a própria final é uma zebra. Mas o termo “zebra” talvez seja exagero. Fiquemos com zebrinha.  

Por Torero às 10h02

19/04/2009

Toreroteca - resultado

O Santos acabou derrubando muitos apostadores esta semana (eu mesmo fiz coinco pontos e errei apenas este jogo). E Corinthians e Flamengo também surpreenderam a maioria.

Mas tivemos um vencedor. Ou melhor, vencedora.

Quem leva o troféu Zé Cabala desta semana é Agnes Nagashima.

Por Torero às 20h32

18/04/2009

Sempre aos domingos - Extraconjugal

 
 

Sempre aos domingos - Extraconjugal

Texto de Marcio R. Castro 

Escrevo sussurrando, por favor, leiam baixo também. Vamos manter a discrição. Não sei se escreverei esse texto até o fim, minha esposa pode chegar. Acho que ela não entenderia.

Não que eu faça de caso pensado, nem que eu defenda a coisa como uma filosofia de vida. Antes, até tentava evitar. Em vão. De vez em quando acontece, somos atraídos por uma força maior do que nós, realmente instintiva. E devemos respeitá-la.

Veja bem, eu tenho na vida um grande amor, insubstituível, definitivo. Não coloco isso em dúvida, sei que é eterno. Mas é irresistível olhar para o novo. São outras possibilidades, diferentes formas e sensações, um leque de expectativas que se abre aos nossos sentidos.

Eu sei, às vezes é difícil admitir. Temos barreiras morais, temos medo de sermos malvistos. Eu já não luto mais, acho natural. São casos fugazes, mas que testam nossa vivacidade, nossa capacidade de deleitar o que é belo e bom simplesmente porque dá prazer.

Não me julgue um libertino. Eu só não me coloco mais numa redoma de vidro. E como discurso e ação são separados por imensos abismos, muitas vezes cheios de demagogia, relato alguns exemplos de minhas experiências. Quem tiver maiores pudores quanto ao assunto, pare de ler agora.

Em 2002, por exemplo, vibrei com a jovialidade repentina e incontida do Santos. Por alguns jogos, me diverti com o inusitado time de Robinho, Diego, Léo, Elano, Renato e Alex. Depois, voltei para o meu amor, sem culpa.

Também tive um affair com a Portuguesa, de Dener. Nesse caso, foi só uma rapidinha. Quem não se lembra daquele jogo contra o Santos em que o moleque botou entre as pernas de um, arrancou da intermediária, deixou o braço no rosto do outro, invadiu a área, driblou o goleiro e marcou o gol? Eu gritei e pulei, dava gargalhadas. Recomposto, retornei para casa.

Tenho certeza de que isso não é um fenômeno cultural apenas nosso. Somos todos humanos, sujeitos às tentações em qualquer lugar do mundo. Na Espanha, em exemplo recente, sei que muitos não-barcelonistas deixaram de lado suas paixões e se enrabicharam pela esquadra catalã comandada por Ronaldinho Gaúcho (até mesmo madrinistas, que aplaudiram de pé o Barça em pleno Bernabéu!).

Aos mais velhos, que com os anos podem ter se tornados mais moralistas, desafio: não escaparam com a Academia palmeirense? Não se enroscaram com o Carrossel Holandês? Não se fartaram com o Santos de Pelé & Cia, mesmo sem torcer pelo Peixe? Pularam a cerca, sim - ou o alambrado, sei lá.

Não coloco nessa conta extraconjugal quando torcemos por adversários de um grande rival do nosso time. Nem quando optamos pelo time mais fraco, tendência bastante comum. Certamente Freud também ajuda a explicar esses casos, mas não com seus famosos conceitos de desejo.

Aqui, só entram os times que nos atraem por puro hedonismo: o Flamengo de Zico e do Maracanã; o mágico e breve Palmeiras de 96; o Cruzeiro envolvente da tríplice coroa; o refinado São Paulo bi-mundial de Telê; o Colorado que voava com Falcão, campeão invicto; o Botafogo dos dribles e fintas de Garrincha.

Eu não me penitencio mais, não me considero um traidor. Quando acontece, somente deixo rolar e aproveito. Afinal, se... Oi, você estava aí?! Calma, mulher, calma! Me deixe explicar, não é nada disso! Eu estou falando de futebol!

Por Torero às 21h39

17/04/2009

"O Edmundo não mora mais aqui"

Quem quiser ver uma musiquinha bacana sobre futebol, clique aqui.

Por Torero às 16h07

Toreroteca

E vamos à Toreroteca. Os jogos de hoje são:

Palmeiras x Santos,

São Paulo x Corinthians,

Flamengo x Botafogo (viram o jogo de ontem? Ser botafoguense é viver numa montanha russa de emoções),

Náutico x Sport,

Internacional x Caxias,

 e Goiás x Crac.

Meus palpites: Palmeiras, Corinthians, Flamengo, empate, Inter e Goiás.

Ganha o primeiro que acertar os seis palpites. Em caso de prorrogação, valem apenas os primeiros 90 minutos. valem os palpites enviados até as 18h00 de sábado.

Por Torero às 10h51

16/04/2009

Fiel, o filme

Esta semana fui ver o filme “Fiel”. É um bom documentário. Curiosamente, mesmo sendo um documentário, ele segue a estrutura de uma ficção. Ou seja, começa com uma apresentação dos personagens, depois temos o problema (no caso, a queda para a Série B do Brasileiro), e na terceira parte há a solução deste problema, com a volta à primeira divisão. Isso dá um certo conforto ao espectador. Em geral os documentários não tem uma estrutura tão definida, tão clara e tão eficiente.

Se eu fosse corintiano, já teria visto o filme umas três vezes. Mas, mesmo quem não é, quem apenas gosta de futebol, terá prazer ao ver “Fiel”. A não ser que se trate de um anticorintiano. Aí é melhor manter distância da sala de projeção.

Se bem que mesmo esse pode ter um certo gozo sádico ao ver o trecho da queda para a segunda divisão. Rever as bolas passando rente às traves adversárias, a tensão crescendo a cada jogo, pode ser divertido. Mas talvez até o anticorintiano fique emocionado com a volta à Séria A. Nem tanto pelo clube, já que foi uma volta fácil, mas sim pela emoção dos entrevistados.

Aliás, creio que se pode fazer uma crítica quanto a seleção de entrevistados. Ela me pareceu um pouco elitista. Quase não há negros e pobres entre os depoentes. E os poucos que há são os que tem as melhores histórias, como a menina com câncer e o cara da Gaviões. Os outros, loiros e de classe média alta, tem histórias menos comoventes.

Acho que o filme ficaria melhor se tivesse mais gente com cara de gente. E menos empresários que pegam avião para ver o time jogar. É claro que estes torcedores ricos servem para contar como foram os jogos fora de São Paulo, mas acho que não vale o preço de termos um elenco branco demais, um pouco distante do torcedor mais comum, mais popular. Mesmo sabendo que o Corinthians hoje enche seu setor VIP no Pacaembu, ele ainda é o time do povo. Ou não?
 
Outra questão é que não há uma crítica ao torcedor. A sua loucura é vista como algo belo, sem nenhum senão. Não há brigas, nem mortes. Os torcedores são vistos como apaixonados, como malucos-beleza. E nem sempre é assim. Mas o filme opta, compreensivelmente, por passar longe disso. Porém, se pelo raspasse na doença que é ser um fanático pelo Corinthians (ou por qualquer time), o filme seria melhor ainda.

Mesmo assim, Fiel é bom. Se você é corintiano e ainda não o viu, está perdendo a chance de derramar umas boas lágrimas.

Por Torero às 11h22

Texto da Folha - Ronaldo, o brahmeiro

(publico aqui, com adendos, o texto que saiu na Folha de S.Paulo nesta terça)

Beberraz leitor, alcoofilista leitora, vocês viram o comercial do Ronaldo? O comercial da Brahma? Para quem não viu, faço um resumo: ele aparece driblando vários obstáculos, faz um trocadilho entre o suor dele e o suor da cerveja e acaba dizendo, com um copo na mão, que é um “brahmeiro”.

Como assim? Um atleta importante fazendo comercial de cerveja? Ou pior, um atleta ainda gordo, em recuperação, fazendo comercial de cerveja? Não entendi.

E não entendi porque me parece uma propaganda ruim para os dois. Para a cerveja, porque eu, vendo o comercial, penso: “Poxa, cerveja engorda pra caramba!”. Para o jogador, porque mostra que ele não é um atleta sério. É um cara que bebe mesmo ainda estando longe da sua melhor forma.

A Brahma e Ronaldo já estiveram juntos em outros comerciais. É uma parceria antiga, desde que ele tinha 17 anos. Mas ela já foi mais sutil e inteligente. Lembro que houve uma propaganda chamada “Guerreiro” em que apenas aparecia o rosto do jogador e havia um bom texto ao fundo. Outra trazia Ronaldo como um toureiro, driblando um touro várias vezes até que o vencia e abria a garrafa nos chifres do animal.

Mas este novo comercial está bem abaixo dos anteriores. Agora há uma ligação direta entre futebol e álcool. E obviamente os dois não combinam. A campanha ainda teve o azar de vir logo depois do anúncio de aposentadoria (talvez compulsória) de Adriano, que tem seu nome associado a problemas com bebidas.

Estou longe de ser uma virgem vestal, um defensor da pureza absoluta ou um abstêmio radical. Até sou a favor da liberação de drogas leves (o que existe em parte, já que as bebidas alcoólicas são drogas leves), mas um jogador fazer propaganda explícita de cerveja, não dá. Passa da conta.

A legislação permite que as propagandas de bebidas abaixo de 13 graus GL (Gay-Lussac) sejam exibidas em qualquer horário. Por isso é que vemos comerciais de cervejas e dessas vodkas ice a toda hora. Porém, em maio de 2007, Lula assinou um decreto que classificou como alcoólica toda bebida com mais de 0,5 grau GL. Só que, inexplicavelmente, esse decreto não restringiu a propaganda de cerveja.

Voltando ao comercial, que foi criado pela agência África, no texto o atacante afirma que tem orgulho de “cair e se levantar”. O redator não devia estar sóbrio quando o escreveu. É uma frase muito infeliz. Uma piada pronta. Tanto que, na mesma hora, o amigo com quem eu via o jogo comentou: “Cair e se levantar não é grande coisa. Qualquer bêbado consegue isso.”

E comparar o esforço heróico que Ronaldo fez para voltar três vezes ao futebol com o suor da cerveja é chamar o espectador de estúpido. É fazer troça da fantástica recuperação do jogador, que deveria falar “Eu sou artilheiro” e não “Eu sou brahmeiro”.

A publicidade brasileira, que já foi das melhores do mundo, vem piorando nos últimos anos. Mas, agora, se superou.

Acho que, pelo menos, para desencargo de consciência, esta nova propaganda deveria vir com um daqueles avisos no final, algo do tipo: “O Ministério da Saúde adverte: Cerveja dá barriga e faz você confundir mulher com similares.”

Errei: Na verdade, o termo usado foi "dar a volta por cima", que é bem melhor do que "cair e levantar". Isso absolve o redator, mas não o comercial.

 

Por conta desse texto, recebi uns cem emails, fora uns 250 comentários no blog do Juca. Como houve algumas críticas que se repetiram, respondo-as aqui.

1-) Alguns leitores disseram: "Ninguém bebe cerveja por causa do Ronaldo.”
Ora, se fosse assim, por que se gastariam milhões para contratá-lo como garoto-propaganda? Será que os publicitários são burros? Longe disso.

2-) “Todo jogador bebe, aposto que você também.”
Sim, bebo. Mas não faço comercial disso.

3-) “Isso é pura inveja.”
Não tenho a menor inveja de Ronaldo. Sentimos inveja de quem tem o que o que podemos alcançar, e Ronaldo está um patamar inatingível. Tem mais dinheiro, fama e mulheres do que cem eus jamais conseguirão. Sinto inveja, por exemplo, de escritores que vendem um pouco mais de livros que eu, mas jamais do Paulo Coelho. Quem mora numa casa de madeira inveja quem tem um sobrado de alvenaria, não o Bill Gates. 


4-) "Você não gosta do Ronaldo!"
Claro que gosto. Aliás, a grande maioria gosta. Até fiz um texto tentando explicar o porquê disso. Mas não é por gostar dele que vou deixar de criticá-lo.

5-) “Você tem ódio do Corinthians.”
Não tenho, não. E não só eu. Acho que em geral o jornalista esportivo não consegue ter ódio de um time específico. É claro que ele torce para uma equipe, mas o trabalhar com futebol todos os dias faz com que ele veja os outros clubes não como inimigos, mas como assunto, como trabalho.

6-) “Deixa o cara ganhar o dinheiro dele.”
É claro que Ronaldo tem todo o direito de ganhar dinheiro, mas há jeitos e jeitos de ganhá-lo. Ronaldo, como figura pública, tem uma certa responsabilidade. Há algumas semanas fui ao Pacaembu, onde assisti ao jogo no meio da torcida do Corinthians. Fiquei impressionado com as crianças, pois todas - não algumas, mas todas - estavam com a camisa do Ronaldo. Um cara que é tão adorado pelas crianças poderia ter mais cuidado com sua imagem. Ou poderiam ter tido mais cuidado com ele. Penso que o comercial deveria ter sido mais sutil, como foram os dois exemplos citados no texto.

7-) Por fim, há o argumento de Paulo Prado, de São Paulo: “Quero ver quando as empresas de bebidas alcoólicas forem obrigadas a não fazer mais propaganda, assim como ocorreu com as empresas de tabaco. Um bando de jornalista demagogo vai perder o emprego.”
Não conheço nenhum jornalista que tenha perdido o emprego por causa do fim das propagandas de cigarro. Mas se acontecer, tudo bem, vale a pena.
 

Por Torero às 11h17

15/04/2009

Um aniversário infernal

(Como ontem foi aniversário do Santos e eu não postei nada, tentarei me redimir publicando um profético texto que saiu na Folha sete anos atrás)

 

Recebi por esses dias um misterioso e-mail escrito em letras vermelhas. O remetente pedia que eu colocasse seu texto nesta coluna. Num primeiro momento decidi não atendê-lo, mas, quando li seu endereço virtual, julguei ser mais prudente ceder meu espaço. Eis o texto:

"Caro colunista, gostaria muito que o senhor publicasse esta carta. E nem pense em negar-me este pedido. Pelo que você tem feito aí em cima, sei que vamos nos encontrar mais cedo ou mais tarde aqui em meus domínios, e você não gostaria de me ver de mau humor. Quando estou bravo, solto fogo pelo nariz. E isso não é uma metáfora.

O melhor seria que minha carta saísse no domingo, dia 14, mas como sei que sua coluna só sai às terças e sextas, fiquemos com a sexta, mais próxima do aniversário do meu time, o Santos.

Imagino que, ao ler a linha acima, você deve ter dito: "Mas como pode o demônio gostar de um time chamado Santos?".

E eu respondo ao previsível amigo: "Ora, não é porque sou um anjo caído que deixo de ser um anjo e, na condição de anjo, não poderia torcer para outro time".

É bem verdade que aí em cima me associam ao América carioca. Realmente admito que tenho simpatia por esse time, mas, torcer por ele, convenhamos, já é comer o pão que eu amassei.

Aliás, é muito lógico que eu torça para o Santos. Não houve time que mais tenha infernizado as defesas rivais. Você não imagina como eu ficava envaidecido ao ouvir os adversários dizerem: "Esse Santos é um time do capeta!".

Poucos sabem, mas eu, o Anhangá, o Beiçudo, o Cão Tinhoso, o Jurupari, o Maligno, o Rabão, o Sapucaio, o Tisnado, estive atrás de muitos daqueles gols endiabrados, de muitas daquelas jogadas demoníacas, de muitas vitórias diabólicas dos anos 60.

E aproveito a ocasião para contar-lhe um segredo sobre aquela época de glórias. Certa vez, em 1954, eu estava sossegado tomando uma sauna seca quando fui chamado por um dirigente santista -não adianta, não revelarei nomes. Esse sujeito não aguentava mais ser roubado pelas arbitragens e perder dos times da capital em condições suspeitas e me propôs trocar sua alma por uns campeonatos. Eu cocei meu cavanhaque com o rabo e disse: "Acho que posso fazer alguma coisa".

E fiz! Ou você acha que foi coincidência o Pelé jogar justo no Santos. Isso sem falar no resto da legião: Coutinho, Pagão, Pepe, Dorval, Zito, Toninho Guerreiro, Lima, Gilmar...

Aquele esquadrão que brilhou por exatos 20 anos e fez o mundo se curvar ante o seu poder. Porém, como, por princípio ético e convicção moral, nunca faço nada de graça, que o diga o doutor Fausto. O Santos está tendo que passar por um período de relativa amargura. Sou um admirador do time, mas também sou um profissional e não posso deixar de cobrar meus devedores. Isso pode parecer triste para alguns de vocês, mas explica muita coisa, não é?

Mas não quero terminar essa carta sem uma boa notícia de aniversário. Sendo assim, aviso-lhe faltam poucas prestações para que o Santos resgate sua dívida e volte ser um vencedor. Aí, com mil eus!, voltarei a ser mais um torcedor aqui das profundezas, um torcedor que, como você e como tantos outros, quer apenas ver o Santos sendo campeão.

É tudo. Aceite, por favor, um caloroso abraço deste seu futuro anfitrião, Lúcifer".

 

(PS: Curiosamente, alguns meses depois da publicação deste texto o Santos foi Campeão Brasileiro.)

Por Torero às 18h02

14/04/2009

Viva o povo brasileiro

Geralmente, quando se escreve sobre um livro, faz-se um resumo de seu enredo, conta-se uma rápida biografia do autor e fala-se das qualidades e defeitos da obra, concentrando nas qualidades, se você gostou do livro, ou nos defeitos, se você dormiu no meio.

Mas vou fazer uma crítica diferente. Na verdade, nem mesmo é uma crítica. Eu vou é tentar convencer você a ler um livro. Seu título é “Viva o povo brasileiro” e o autor é João Ubaldo Ribeiro, de quem não vou falar nada, porque acho que o importa são os livros e os autores, nada (na verdade, escrever sobre o autor é uma necessidade que o crítico tem de também contar uma história enquanto escreve seu artigo. Mas, como isso não é uma crítica, pulemos esta parte).

Começo falando dos pretensos defeitos do livro. Para começar, ele tem 25 anos. Ou seja, está longe de ser um lançamento. E tem gente que só gosta de ler lançamentos. Aliás, já repararam que jornais, e mesmo sites, raramente falam de livros velhos. “Viva o povo brasileiro” está fazendo jubileu de prata, mas ninguém deu nem tchuns para ele.

Outro pecado é que o livro tem seiscentas páginas. Não é um pecado para muitos, mas é para alguns. Está meio na moda o livro curtinho, que se lê de uma só vez. Se bem que há uns catataus que fazem sucesso, como o Código da Vinci, o Harry Porter e estes livros da família do Crepúsculo, o que mostra que aquela idéia de que não se gosta de ler é meio furada.

Bem, ditos os dois defeitos, que não o são, vamos às qualidades.

Para começar, o livro tem uma estrutura interessante. Cobre boa parte da história do Brasil, ou talvez toda, mas faz isso aos saltos, o que não deixa o leitor se acomodar. Não são saltos que deixam você perdido. Antes, provocam curiosidades e surpresas, e dão explicações passadas e futuras das trajetórias dos personagens.

É quase um romance linhagem, ou seja, que fala das gerações de uma família. Mas não é só isso. É mais aberto, menos livre do que um romance de linhagem. Conta a histórias de filhos dos filhos, mas também de agregados, de personagens que aparecem como secundários mas aos poucos vão ganhando importância.

Quase toda a história se passa no século XIX, no período da escravidão. A grande maioria dos personagens é de negros. E que personagens! São vivos, interessantes, ao mesmo tempo bons e maus, parecem gente. Tanto que nós nos apegamos a eles. Quando um morre, dá um dó que só.

A linguagem também é cativante. O autor usou um vocabulário rico, colorido, cheio de palavras que nunca vi nem ouvi, mas que sei o que querem dizer. E o ritmo tem uma musicalidade que dá inveja.

Para não dizer que é um livro perfeito, confesso que não gostei muito das primeiras páginas, mas logo a história embala e aí vai que vai.

Outra coisa que me atraiu é que os personagens são gente comum. Nada de príncipes e princesas. São pescadores, cozinheiros, escravos, soldados, ladrões e revolucionários. Mas há também banqueiros, grandes fazendeiros e senhores de escravo, que, no fim das contas, também são povo, se bem que eles talvez não gostem de se pensar assim.

Li o livro esta semana, e lamento muito que ele tenha terminado. As últimas páginas até li de pouco em pouco, só para atrasar mais o fim. É desses livros que ficam para sempre na sua memória, como Grande sertão: veredas, Memórias Póstumas de Brás Cubas ou Dom Quixote. Um livro que faz você ter gosto pela literatura, faz você pensar que tem coisas que só ela pode fazer. Não é um filme escrito, não é um videogame em páginas. É um livro. Um livraço!

 

Por Torero às 07h52

13/04/2009

Convescote alvinegro

Nós, alvinegros, temos um encontro marcado. É o livro sobre um grande clássico, Corinthians e Santos (talvez a final deste Paulista), escrito por Celso Unzelte e Odir Cunha, dois bons pesquisadores.

Olhe aí o convite.

 

Por Torero às 15h32

Pequenos afundam

Alguns times tradicionais do estado de São Paulo passam por momentos difíceis.

Na Série A-3, os antípodas Nacional e Internacional estão caindo para a quarta divisão. E a Inter de Limeira  é a mesma que foi campeão em cima do Palmeiras em 1986, dirigida por Pepe. Uma triste queda.

Na Série A-2 a coisa é anda mais grave. Os quatro rebaixáveis são equipes históricas: Comercial, Portuguesa Santista, Juventus e Ferroviária.

Triste, triste...   

Por Torero às 15h28

ABC das semifinais

Árbitros: Os dois trios de arbitragem das semifinais foram fracos. Muito piores do que os jogos. Deveriam estar no mesmo nível. Não é possível que não tenhamos bons juízes espalhados pelas divisões inferiores. Mas há uma falta de transparência nos critérios de classificação dos juízes. Até eles reclamam disso.

Bola parada: Não há time mais perigoso em bola parada do que o São Paulo. O segredo pode ser resumido em três palavras: treino, treino e treino.

Cheerleaders: Há uma tentativa meio ridícula da FPF em imitar os EUA na parte festiva dos jogos. Pode-se ver essa imitação nos bonecos e nas cheerleaders. Os primeiros (uma família com pai, mãe, filho e filha, mais os mascotes do time) são feios, sem nenhuma ligação com o torcedor e recebem total desprezo das arquibancadas. As cheerleaders, apesar de usarem saias curtas, não merecem muito mais atenção. Se você já foi a um estádio neste Paulista, deve ter reparado que ninguém gasta muito tempo com as meninas. A torcida não vibra com as coreografias e os marmanjos gastam o tempo do intervalo para comentar o jogo e conseguir algum alimento.

Distração: Distraí-me e esqueci de citar mais uma imitação: a execução do hino nacional. Se fosse antes dos jogos finais, vá lá. Mas, antes de todos as partidas, é uma coisa meio brega, uma vulgarização de um símbolo nacional. Se a idéia é fazer com que tenhamos orgulho do país, mais vale prender um corrupto do que cantar mil vezes o hino.

Elias: Fez outro belo jogo. E, desta vez, ainda marcou e salvou gols. Foi uma contratação discreta, mas que deu muito resultado. Ficou oito anos nas categorias de base do Palmeiras e acabou brilhando no rival.

Favoritos: Não há. Santos e Corinthians, os times visitantes, precisam apenas empatar, mas o mais lógico é que Palmeiras e São Paulo vençam em casa, assim como os alvinegros já conseguiram. Uma pista para os jogos decisivos pode ser o fato de que Corinthians e Palmeiras terminaram os jogos pressionando os adversários.

Goleiros: Tiveram um grande fim de semana. Marcos esteve bem, impedindo o 3 a 1 num chute de Róbson, Felipe fez uma defesa de foto de capa no chute de Borges aos 38’do primeiro tempo, e Fábio Costa foi o melhor jogador do Santos (desde que voltou a treinar com o preparador de goleiros de sua adolescência, ele recuperou o bom futebol e já começa a merecer uma convocação). Já Rogério Ceni falhou de novo. Há que ver se é apenas uma fase ou o começo do fim (e ainda por cima houve a contusão agora à tarde).

Hernanes: Decepcionou. Se Dunga viu esta partida, deve ter falado: “Não entendo por que o pessoal da imprensa diz que eu devo convocar um jogador comum como esse?”

Impedimento: O gol do São Paulo foi feito em impedimento. Acredito que há nos juízes uma tendência inconsciente de favorecer os times mais fortes. Como os juízes tentam fazer justiça, e parece mais justo que os mais fortes e mais poderosos vençam, eles geralmente erram a favor dos grandes clubes. Por isso a Portuguesa é sempre tão prejudicada. E o São Paulo, atualmente nosso time mais poderoso, é tão beneficiado. Foi o que aconteceu contra o Corinthians (que é o segundo mais beneficiado). Em caso de dúvida, julga-se a favor do mais poderoso.

Joliz: Significa alegre, aprazível. Se você quiser impressionar no bate-papo da hora do café, pode dizer: “Os dois jogos das semifinais foram deveras jolizes.”

Keirrison: Perdeu três gols. E no que fez, teve que tentar duas vezes. Não está numa boa fase, mas é ser coisa passageira.

Luxemburgo: Quando perguntado se o mês de abril não seria cansativo à sua equipe, respondeu: "É que nem um garoto de 19, 20 anos: depois de fazer duas vezes, tem que querer sempre mais". Um literato.

Mano x Muricy: Desta vez, Mano ganhou com folga. Seu ataque com três jogadores foi corajoso e funcional.

Neymar: Que golaço! A bola foi lenta, vagarosa, suave. E foi tão no canto, tão precisa, que Marcos nem se mexeu. Uma tacada de sinuca.

Obsceno: Cristian fez um gol heróico e depois mostrou o dedo para a torcida tricolor. Lamentável. Em vez de comemorar com a sua torcida, provocou os adversários. Pode ser suspenso pela bobagem.

PM: Vi, na Vila Belmiro, perto de mim, três demonstrações de autoritarismo da Polícia Militar. E não contra adolescentes. Com uns senhores já idosos. A PM também foi, digamos, problemática nos jogos São Paulo x Corinthians e Corinthians x Santos. É uma total falta de preparação para tratar com a população. Parece que eles partem do pressuposto de que todo mundo que está no estádio é marginal.

Quixucululu: Ato de olhar com rancor. Foi como André Dias olhou para o árbitro após sua injusta expulsão. Imagino que Sálvio Spínola tenha visto, no intervalo, que o gol tricolor foi irregular e, inconscientemente, quis compensar a injustiça.

Reclame. Você viu o comercial da Brahma com Ronaldo que passou no intervalo da partida? Achei inacreditável! Que mau gosto, que coisa inapropriada, que tiro no pé! Da cerveja e do jogador. Acho até que vou escrever na Folha sobre isso amanhã.

Seleção: “Fabão é seleção!”: Era o grito de um cara que estava atrás de mim no estádio. Cheguei a pensar que ele tinha razão. Fabão está mesmo numa ótima fase e já mereceria uma chamada. Mas então, no lance seguinte, ele gritou: “Astorga é seleção”. E, quando entrou o carro-maca, o mesmo sujeito gritou: “O maqueiro é seleção!”.

Título: No começo do campeonato, parecia que iria para o Palmeiras. Agora, quem sabe?

Ultrassonografia: Neymar fará exames hoje para ver como está a fissura em seu pé. Será maior que a fissura de jogar?

Virada: Tivemos duas. Os torcedores cardíacos não devem esquecer de deixar seu sublingual ao lado da poltrona.

Watts: Na primeira partida do campeonato entre Palmeiras e Santos, o Santos parecia estar sem nem um watt de potência, tanto que tomou de 4 a 1 e poderia ter perdido de mais. Neste segundo jogo foi o contrário. O time começou aceso e suou até o último segundo.

Xavier (Cleiton): Será um desfalque sério na próxima partida. Não foi um jogador especial no primeiro jogo, mas tem um QI futebolístico alto, uma rapidez de raciocínio rara. Para sorte do Palmeiras, Rodrigo Souto também ficará de fora, equilibrando os desfalques.

Yin-yiang: Segundo o Houaiss, significa “forças em perpétua oscilação de predominância”. Foi o que tivemos nos dois jogos do fim de semana. Eram ataques lá e cá, cá e lá.

Zzzzz: Finalmente tivemos partidas que não dão sono.

 

Por Torero às 10h54

11/04/2009

Sempre aos domingos - PESQUISAS

 
 

Sempre aos domingos - PESQUISAS

Texto de Orlando Cristofoletti

 

Clodoril questionara o trabalho que o professor Sinibaldo lhe impusera, justamente por ser palmeirense. No fim, acabou cedendo e, naquela tarde de domingo de clássico entre Palmeiras e Corinthians, lá estava ele nas arquibancadas do Morumbi, no meio da “Gorro Alvinegro”, com um  gravador nas mãos. Tentaria ser o mais prudente possível, para não demonstrar sua preferência futebolística, até porque o método científico exigia.

“Um, dois, três, gravando pesquisa sobre relações intergrupais. Estou no meio da torcida uniformizada “Gorro Alvinegro”. Vou entrevistar um de seus componentes”- registrou de início no seu gravador.
- Como é seu nome? -perguntou Clodoril, estendendo o gravador na frente de  um sujeito moreno, forte e grandalhão, que usava um gorro com as cores do Corinthians.

O sujeito deixou de prestar atenção ao jogo, franziu a testa já preocupada com seu time e perguntou:

- Tu é da polícia?

- Não – tentou sorrir Clodoril – sou estudante de Sociologia e estou fazendo uma pesquisa...

- Num vô dá meu nome, não! – disse taxativo o torcedor –  Tu tá gravando!

- Está bem! Não precisa dar seu nome, mas você pode responder às minhas perguntas?

- Sendo assim... – concordou o torcedor.

“Assustado, desconfiado, mas colaborador” – sussurrou Clodoril no gravador.

- O que tu falou? – questionou o torcedor ao ver Clodoril falando no gravador.

- Nada! Eu estava apenas fazendo alguns registros para a minha pesquisa.

- Que regis... – ia dizendo o torcedor quando sua atenção foi desviada para o jogo – Vai Marcelinho!  Vai Marcelinho!... Uhhh! Fiadaputa, errou!

O universitário registrou: “Emocional”. Depois voltou às perguntas.

- Para qual time você torce?

O grandalhão olhou feio:

- Tu tá me estranhando, cara? Olha pra mim!

- É que estou gravando apenas o som. A pergunta faz parte do trabalho – explicou o universitário.

- Sô Coringão até morrê! – disse o grandalhão – Pra nóis é Deus no Céu, Corinthians na Terra e pinga na veia!

“Convicção plena em suas crenças” – registrou em voz baixa Clodoril.

- Quantos são os membros da “Gorro”? – perguntou o universitário.


- A galera? – perguntou o torcedor – Uns duzentos!

“Grupo ou multidão? Conferir o conceito”- registrou o aluno.

- Como você reconhece os outros membros da “Gorro”?

- A maioria é da Escola de Samba, lá da Favela do Boi Socó. Outros são de num sei onde. Todo mundo usa este gorro. É tudo mano. É tudo irmão.

“Gorro como elemento concreto de identidade grupal” – registrou Clodoril.

- Quais são os seus valores?

- Valores? – repetiu o torcedor – O dinheiro é nenhum... É tudo pobre na “Gorro”.

- Vou repetir a pergunta de outro modo – disse o universitário – Em que vocês acreditam?

- Nóis acredita no Coringão. O maior time do mundo! – responde vibrando o torcedor. - E que ele vai sê o campeão este ano!

“Sistema de crenças e convicções com conotações passionais” – registra.

- E o que acontece se alguém estranho quiser entrar na “Gorro”?

- Tem o batismo.

- Batismo? Como é isso?

- Bebê uma garrafa de pinga e arrumá uma confusão no Metrô. Se batê num “Porco” ou num “Bambi” melhor ainda! – respondeu o corintiano.

Nessa altura o entrevistador começou a se preocupar com seu destino naquele meio, mas ainda registrou: “Rituais de iniciação e de inclusão sociais com propensões à violência”.

- E se alguém da “Gorro” cometer alguma traição ao grupo? – perguntou Clodoril, tentando disfarçar sua preocupação.

- Traíra? Nunca aconteceu, mas morre! – disse com gesto de fúria o torcedor.

- Morrer, para vocês, significa expulsão do grupo, isolamento ou o quê? – perguntou o aluno com angústia na voz.

- Morrê é morrê! – disse enfático o torcedor – Vai para o IML e depois para o “Quarta Parada”.

Foi com calafrios que Clodoril registrou: “Coesão grupal obtida por coerção e um sistema radical de punição”.

- Como vocês tratariam um torcedor adversário se ele aparecesse agora, aqui no meio de vocês?

- Um “Porco” aqui? Agora? Na porrada! Mas eles não teriam coragem prá isso – disse o corintiano.

Clodoril registrou “Sentimentos tribais primários”.

O corintiano questionou desconfiado:

- O que é que tu fala tanto nesse gravador, cara?

Sentindo-se acuado o universitário respondeu:

- É parte do trabalho. Tenho que registrar as evidências dos fenômenos sociológicos.

O corintiano fez cara de quem não entendeu e nem queria entender. Sua atenção era com o jogo, no momento em que um ataque fulminante do Palmeiras resultou em gol. Um silêncio profundo caiu no meio da “Gorro Alvinegro”. Depois explodiram gritos de ódio contra o juiz, contra o bandeirinha, contra o Palmeiras.

E, nessa hora, o cientista Clodoril foi traído pelo torcedor Clodoril. Mesmo sabendo que corria riscos no meio da torcida corintiana,

assim que o gol foi assinalado, seu instinto esboçou a reação de um palmeirense. Sua precaução de cientista social o conteve, porém, mas não a tempo de evitar os punhos fechados, prestes a dar um soco no ar como comemoração.

Crendo que ninguém notara o seu ato falho, registrou no gravador:

“Gol do adversário. O inimigo comum contraria as expectativas grupais. Níveis de frustração coletiva em estado de ebulição. O amor, a paixão pela identidade grupal é substituída pelo ódio como fator de coesão”.

Para sua desgraça, aquele gesto de fechar os punhos e de dar um soco imaginário no ar, não deixou de ser percebido pelo grandalhão entrevistado.

A princípio o corintiano hesitara numa reação, talvez porque não acreditou no gesto camuflado de comemoração do universitário. Depois, quando teve certeza, seu semblante se enfureceu. De dedo em riste, apontado para o nariz do intruso, o brutamontes gritou:

- Tu é “Porco”! Tu é “Porco” que eu sei!

Depois, com um assobio fortíssimo, feito como uma senha, ele gritou para o resto da “Gorro Alvinegro”.

- Galera! Tem “Porco” no território! - gritou apontando o dedo acusador para Clodoril.

Duzentos corintianos enraivecidos esqueceram que, em campo, jogavam Palmeiras e Corinthians. Duzentos corintianos arregalaram seus olhos para a audácia daquele mísero “Porco”.  Duzentos corintianos crisparam as mãos e retesaram os músculos, numa sanha vingadora de todos os reveses que o Palmeiras impusera ao Corinthians, ao longo da História.

Naquele instante, no prenúncio da porrada coletiva, na explosão do ódio tribal, de relance, passou pela mente do universitário uma aula distante do professor Sinibaldo, quando ele comparou a reação enfurecida do ódio tribal ao que ocorre quando um inseto estranho invade uma colméia de abelhas assassinas.

A sensação de que ele, Clodoril, era aquele inseto, foi a última coisa consciente, antes da primeira porrada. Depois desta, o escuro, a inconsciência.

Dias depois, quando acordou na UTI do hospital, Clodoril percebeu um vulto embaçado e difuso ao seu lado. Aos poucos o contorno da figura foi ficando mais nítido e pode então perceber que o professor Sinibaldo estava ali..

- Olá, jovem! – disse o professor, como se estivessem se encontrando numa sorveteria – Como você está?

Clodoril tentou mover os lábios. Impossível. Doía muito.Tentou mexer as mãos para sinalizar seus sentimentos. Impossível. Não obedecia ao comando de seu cérebro. Até pensar doía.

Reuniu todos os esforços que pôde para balbuciar a única palavra que  resumia sua situação:

- Moído!

O professor Sinibaldo esboçou um largo sorriso e disse:

- Mas vivo! E vai sobreviver!

Naquela tarde, o professor Sinibaldo saiu do hospital com uma idéia sobre a tese de doutorado em Sociologia, que há tanto tempo procurava. A situação do seu aluno lhe inspirara um esboço de tese sociológica que, num primeiro momento, teria o seguinte título:

“Fragmentação psíquica e física (e até óssea) de indivíduos isolados quando conflitos de identidades desencadeiam forças tribais incontroláveis”

Era um título longo demais, reconhecia. Nem tinha muita certeza de que era pertinente.  Mas era uma idéia para uma tese.

Poderia melhorá-la com a ajuda do aluno Clodoril. Discutiriam isso no próximo trabalho da Faculdade.

Quando ele voltasse à Faculdade...

Se voltasse...

 

Por Torero às 13h19

10/04/2009

O primeiro jogo a gente nunca esquece (terceira e última parte)

É uma alegria! O primeiro jogo em geral é uma alegria. É claro que às vezes o seu time perde, às vezes uma briga estoura do seu lado e às vezes o sanduíche de pernil lhe provoca uma intoxicação alimentar. Mas, em geral, o primeiro jogo é uma alegria.

E, quando começa com uma decisão de campeonato, aí é uma explosão de felicidade.

O Vinícius Rodrigues teve esta sorte. O primeiro jogo dele foi justamente a final do Paulista de 1984: Santos 1 x 0 Corinthians. Ele tinha seis anos de idade. “Mas ainda me lembro vagamente de algumas coisas: o Morumbi absolutamente lotado e eu acompanhado pelo meu tio e primos. Via deslumbrado a arquibancada, que balançava ao ritmo de imensos bandeirões e tambores. Serginho Chulapa decidiu para o Peixe e saímos aos berros do estádio. A comemoração invadiu as ruas ao redor do estádio e fomos eufóricos para casa.”

O Felipe Gueller viu um título ainda mais importante na sua estréia: uma Libertadores.

“O choro foi inevitável, olhei para meus pais, primos, torcedores em volta e todos choravam. Era um choro bonito de se ver e não resisti à emoção e chorei também. Era tudo muito especial, muita emoção para apenas 8 anos de idade. Ficamos lá sentados, comemorando, pulando até o estádio esvaziar para irmos embora."

Já o Marco Clerris estava numa famosa final. “Tinha 11 anos e fui com meu pai, palmeirense como eu, ao Morumbi assistir Palmeiras x Corinthians, a final de 1974, aquela!! Uma coisa louca: minha primeira vez foi com mais de cento e vinte mil pessoas ao meu lado; todas juntas, sem separação de torcidas, sem violência. Só com as gozações de praxe! Comemorei muito, mas nas ruas a calma era absoluta, talvez porque ganhar decisões, na época, fosse rotina para o meu time.

Pequenas felicidades

Mas o primeiro jogo também pode ser de alegrias sutis, de sorrisos em vez de berros.

O Francisco Maggio, de Jundiái, por exemplo, teve uma experiência quase premonitória num Comercial de Riberião Preto X Santos, em Francisco de Palma Travassos. Lá pelas tantas, seu tio sai para lhe comprar um picolé. Ele tinha sete anos de idade e acompanhava seu tio descendo as escadas em busca do picolé.

“Nem me ligava que Sérginho Chulapa, Paulo Isidoro desciam para o ataque num contra-ataque rápido. A torcida foi se levantando. Pela minha estatura e para não perder meu tio de vista, comecei a pular. GOOOOOOL do Santos! A torcida me jogava pra cima, me abraçava. Meu tio chegou e eu estava no meio da bateria da Sangue Santista. Eu não entendia nada. Meu tio me perguntou e antes que eu respondesse, alguém explicou ao meu tio: ‘Esse é santista de verdade! O Santos pegou a bola no meio e ele já estava comemorando! Pressentiu o gol!’.”

No caso do Danilo Hatori, foi um chaveiro. Na hora da cobrança de um pênalti, um vendedor de chaveiros lhe disse: "Ó, se ele marcar, eu te dou estes dois chaveiros aqui". A bola entrou e ele tem os chaveiros até hoje.

Amor à primeira vista

Às vezes, já no primeiro jogo, acontece de você se apaixonar por um jogador. Do ponto de vista futebolístico, é claro.
 
Albany Sampaio Junior teve a sorte de ver Ademir da Guia em sua primeira ida ao estádio, no caso, o Presidente Vargas, em Fortaleza. O placar foi Ceará 0 x 4 Palmeiras.

“O que lembro bem desse jogo foi o camisa 10 do Palmeiras, um loirinho, magro, esguio, alto, mas com uma categoria impressionante, passadas largas, passes certeiros, chutes mortais. Se me lembro, o Divino marcou dois gols. Como torcedor do Ceará, eu sofri e chorei muito, mas, depois desse dia, nas peladas que jogava no campinho perto de casa, ou na escola, eu só queria ser o Ademir.

O santista Rodrigo Leifert não se esquece de Guga, que marcou três vezes num Santos 4 x 3 Corinthians, em 1994, pelo Paulista.

Fabio Moraes não esquece de Juari, que viu numa goleada do Santos sobre o São Paulo no Morumbi. “Ainda tenho na lembrança as corridas em volta da bandeirinha ao marcar o gol”. E depois, nos jogos de rua, Fábio passou a correr em volta dos postes a cada gol que fazia.

 

Outros amores

O primeiro dia num estádio também pode ser o primeiro dia de novos amores, como no caso da Ellen:

“Foi em BH. Atlético e Cruzeiro. Eu fui com o Tiago, um carinha que eu paquerava  na época e era muito tímido. Então foram juntos ao Mineirão, os dois atleticanos.

“E nada de gol. Aí Cruzeiro fez 1 a 0 e o Tiago todo mal humorado. "Saco", eu pensava, "programa de índio!". Mas aí o Galo fez um gol e empatou. E o que aconteceu? A gente aproveitou a empolgação pra festejar juntos, se abraçar e dar o primeiro beijo, Êeeeeee! Golaço meu, que tive a idéia de convidá-lo pro jogo. Tive que driblar sua timidez pra conseguir fazê-lo entrar na área e foi ótimo.

“Depois o Cruzeiro fez 2 a 1, mas a gente tava abraçadinho e eu, já de costas pro estádio, nem me importei muito. Foi bonitinho a gente se beijando na volta pra casa, enrolados na bandeira do Galo.”

E, falando em amor, deixei para o fim este depoimento aqui:

“A primeira vez que mais me emocionou não foi a minha e sim do meu filho Caio”, conta o corintiano Humberto:

“Foi em janeiro de 1999. Caio tinha 8 anos. Só a alegria dele vestido como jogador em casa, antes de irmos ao Pacaembu, já valeria aquele dia. Era uma linda tarde de verão,o estádio estava com muito pouca gente, Caio feliz, de mão dadas comigo nas velhas arquibancadas, tinha os olhos brilhantes e não parava de sorrir. Me abraçava e dizia que aquele era o melhor presente que eu já havia lhe dado. Mas o mais emocionante ainda estava por vir. Quando o Timão entrou em campo, olhei para o meu menino e ele estava chorando. Preocupado, perguntei o que tinha acontecido. E ele, apontando o peitinho, disse: `Não sei pai, uma coisa aqui me abraçou’.”

Por Torero às 07h35

07/04/2009

Sempre aos domingos, na terça.

 
 

Sempre aos domingos, na terça.

(Neste domingo, por amnésia momentânea, princípio de esclerose ou excesso de preocupação com o jogo do Santos, esqueci de postar o texto do "Sempre aos Domingos". Pois coloco-o hoje, terça-feira, com a ressalva de que a seção bem poderia se chamar "Nem sempre aos Domigos", ou então "Quase Sempre aos Domingos e de Vez em Quando às Terças". Enfim, vai aí o texto, por sinal escrito por um adversário do próximo final de semana, numa demonstração de, argh!, democracia e boa convivência entre os diferentes)  

Um transtorno ludopédico

por Marcio R. Castro

Já deve ter acontecido com todo mundo. Se ainda não, vai acontecer, pode ter certeza. Num belo dia, em meio a uma conversa qualquer sobre futebol, algum amigo, colega ou mero conhecido vai perguntar, meio de supetão:

"E no Rio, para que time você torce?"

O exemplo é para um paulista, como eu. No seu caso, carioca, substitua "Rio" por outro estado qualquer. E a ressalva vale para todo torcedor pelo Brasil afora: São Paulo, Bahia, Minas, serve qualquer estado que não seja o seu. Só sei que um dia vão perguntar.

Já passei por isso algumas vezes. Tento disfarçar, me contorço, mas acho que meu semblante transparece imediatamente minha patologia. Finjo estar controlado e respondo placidamente:

"No Rio? Ah, lá no Rio eu sou palmeirense!"

A resposta é clara, sem rodeios. Eu me contive e respondi calmamente, não foi? Não vejo motivo para estranheza. O problema é que, geralmente, o camarada não concorda comigo.

"Como assim?"

É impressionante como duas palavrinhas são capazes de uma avalanche. Não dá mais para conter minha desordem.

Sim, eu sou palmeirense! No Rio, no Sul, no Cerrado, na Zona Franca de Manaus! Isso de torcer para um aqui, outro ali e mais unzinho acolá não existe. No Acre eu sou Verdão, em Tocantins eu sou Palestra, sacou?!

Como o discurso já está um tanto inflamado, geralmente o interlocutor fica meio assustado e o assunto se encerra. Mas alguns devem ser orientados por meu médico e continuam o teste, talvez para averiguar minha capacidade de conviver em sociedade.

"Mas então lá fora você não torce para ninguém?"

Ranjo os dentes. Porém, com medo da internação, minto, faço concessões. Lá fora, sou palmeirense, mas tenho segundos times. Na Espanha, Real Betis. Na Alemanha, Wolsfsburg ou Werder Bremen, não sei bem. Na Itália é complicado, não tenho ainda um terceiro time (o primeiro é o Palmeiras, o segundo é o Palestra Itália). Na Escócia meu segundo time do coração é o Celtic, e olha que eu não sou nada católico. Em Portugal, depois do Palmeiras, fico com o Sporting.

Mas a coisa vai tomando conta de mim. Subo o tom de voz, não controlo mais a ironia. Na NBA, adivinha, sou Palmeiras! Mas até simpatizo com o Boston Celtics, por que será? No futebol americano? Primeiro os periquitos, depois os "eagles". Na Tanzânia, se existir jogo de bilhar e não tiver palmeirenses a postos, torço para a mesa...

A essa altura, já estou falando sozinho. Percebo, de longe, que alguns me olham como se fosse um extraterrestre. Tudo bem, desde que eles sejam mesmo verdes.

Meu consolo é que se um dia acordar num hospício, eu e meus colegas de ala falaremos muito de futebol. Tenho a sensação de que muitos sofrem do mesmo mal do que eu. Só o que pode mudar é a cor em que a febre arde.

Por Torero às 09h37

06/04/2009

Os decisivos duelos em Paulistão City

Há corpos por todos os lados. E estranhos cheiros se espalham pelo ar. O de pólvora se mistura ao de sangue. O da chuva, ao de corpos em decomposição. E há ainda o de uísque, que sai das janelas de um animado saloon, onde quatro caubóis comemoram.

Sim, foi dia de duelos em Paulistão City. E duelos decisivos.

Alguns tiveram o corpo cravejado de balas. Outros fizeram novas marcas nos cabos de seus revólveres.

Kid Norusca e Mogi Boy fizeram uma luta de sete balas. Quem perdesse seria mandado para A-2 Village, lugar onde a grama não cresce e a poeira é tanta que nos entra pelos sete buracos da cabeça. Kid até começou vencendo, mas Mogi Boy, que há cinco duelos usa um chapéu da marca Givanildo, reagiu e empatou antes da metade da lide. Os dois tomaram um trago e voltaram para a parte final com sede de vitória. O empate não valia de nada para os caubóis. Eles foram para o tudo ou nada. E o tudo ficou com Mogi Boy, que logo acertou dois tiros em Kid Norusca. Este ainda conseguiu revidar, deixando a conta das balas em 2 a 3. Mas então Mogi usou sua velha garrucha, uma legítima Giovanni, e deu o tiro fatal. No finzinho, ainda acertou um quinto tiro. Pobre Kid Norusca...

Outro caído foi o índio Guarani, que enfrentou Kelly Inguiça, a cauguel de Bragança Paulista. Aos 36’, nenhum dos dois ainda havia alvejado seu oponente, mas então o bugre perdeu duas de suas armas e a coisa ficou difícil para ele. Três minutos depois, Kelly acertou uma bala em seu coração. E o índio Guarani terá, mais uma vez, que renascer das cinzas.

Os outros dois caubóis mandados para A-2 Village foram Frei Guará, que usa um terço onde as balas fazem as vezes de contas, e Marília Mae, a bela cauguel de olhos azuis. Eles tentaram até o fim, mas ambos perderam quatro posições nesta rodada e terão que amargar o exílio.

Mas falemos logo dos dois grandes duelos da tarde ontem: Joe Joaquim x Sam Andrew e Black Bridge x Billy, the Fish.

Estes dois duelos aconteceram lado a lado. Joe Joaquim lutava de olho em Billy. Billy lutava com seus ouvidos atentos às balas de Joe.

E Joe começou melhor. Acertou dois petardos em Sam Andrew. Billy reagiu, mandando uma bala no peito de Black Bridge. Mas isso era pouco, e no intervalo dos duelos, Joe é quem estava com um sorriso sob o bigode.

O sorriso tornou-se em gargalhada quando começaram as partes finais do duelo, pois Billy, the Fish, estava sonolento e levou dois tiros em quatro minutos. Black Bridge tinha virado a mesa. Parecia que estava tudo decidido. Mas os duelos só acabam quando terminam e, mesmo com o peito ensanguentado, Billy levantou-se e continuou a luta.

Sam Andrew acertou uma bala em Joe Joaquim, e isso animou the Fish. Ele pegou a melhor arma que dispunha, seu Kolt Pereira, e começou a disparar. É bem verdade que a maioria dos tiros passava longe de Black Bridge. Mas, quando faltavam menos de dez minutos, um deles acertou o caubói campineiro. E, quando faltavam dois, outra vez Kolt Pereira mostrou sangue frio e revirou o duelo. 3 a 2.

Joe Joaquim, o mais caipora, o mais azarado dos caubóis, venceu mas foi derrotado.

Billy, the Fish, nos últimos instantes, ficou entre os quatro que vão aos duelos finais.

Soçobraram os pequenos e só sobraram os grandes.

Por Torero às 07h37

“Eu sabia!”

A frase é um bordão do Galvão Bueno. Volta e meia ele a usa para mostrar seus poderes vaticinadores. É uma frase que me causa profunda irritação, porque, com ela, ele se dá ares de grande sábio. E, quando erra, nunca diz “eu não sabia nada...”

Mas, hoje, eu é que direi “eu sabia!”. Sim, meus caros três leitores, eu serei chato e petulante, pois acertei (pelo menos uma vez na vida) minhas previsões para o Paulista.

No texto que escrevi para a Folha no dia 20 de janeiro (assinantes dos UOL e da Folha podem ler o texto clicando aqui), falei que os quatro grandes começavam melhor este ano, e eram os quatro favoritos ao título. Falei que Washington seria o artilheiro entre os times grandes (e ele o é, ao lado de Keirrison) e que Pedrão o seria entre os times pequenos (o que se confirmou). Falei que o melhor jogador entre os veteranos (prêmio Fraldão de Ouro) seria Marcelinho Carioca, e ele levou seu time à sexta colocação. Falei que o goleiro Aranha seria o destaque entre os goleiros de times pequenos, e ele fez mais um belo campeonato. Falei que Sérgio Guedes seria o técnico de maior sucesso entre os que dirigem times pequenos e ele não se classificou por pouco.

Sim, acertei todas as previsões. Sinto-me uma Mãe Dinah. É claro que foi tudo chute, pura sorte, mas e daí? O que importa é que hoje eu posso dizer... “Eu sabia!”

 

Por Torero às 07h33

05/04/2009

Toreroteca

Pensei que o placar estranho de Ponte Preta x Santos fosse fazer com que a Toreroteca não tivesse acertador. Mas errei. Tivemos um vencedor! Ou melhor, uma vencedora! Foi a Juliana Gola, de São Paulo. E outras duas senhoras erraram por apenas um golzinho. As meninas estão manjando mais que muito marmanjo. 

 

Por Torero às 20h20

03/04/2009

O primeiro jogo a gente nunca esquece – infelizmente.

Às vezes, nossa estréia no estádio não é a festa que deveria ser. Em lugar de uma goleada de nosso time, de comes e bebes inesquecíveis, de gritos de alegria e bandeiras rebolando pelo ar, temos derrotas, brigas, pipocas murchas, amendoins estragados e frangos intragáveis.

Aliás, um frango é do que o santista Fábio Ferraz mais lembra de seu primeiro jogo, na Vila Belmiro, no começo dos anos 80.

“Eu devia ter uns sete anos de idade. Só que naquela época eu era muito mais ‘rodolfista’ do que ‘santista’. Como desde pequeno eu sempre gostei de ser goleiro, aquele monstro barbudo de uns cinco metros de altura e que falava um péssimo portunhol era um Deus na terra para mim. O jogo era Santos e Ponte Preta na Vila, que por sinal estava superlotada (pelo menos é a impressão que eu tinha aos sete anos – a mesma de que o Rodolfo tinha uns 5 metros de altura). Eu ia ver meu ídolo pela primeira vez. Fiquei na “grade” atrás do gol, no ombro do meu pai, o jogo inteiro. E, para meu desespero, o “monstro” tomou um gol absolutamente defensável, um quase frango. Um a zero Ponte.”

Fábio começou sua vida de torcedor com uma derrota, e as derrotas na estréia são mesmo inesquecíveis. É como se entrássemos em campo com o pé esquerdo. E, no caso do Kelsen Rodrigues, foi um pé esquerdo de classe.

Ele morava no interior e, quando tinha sete anos, sua família foi ao Rio de Janeiro. Isso já seria muito divertido para um menino, mas ficou ainda melhor quando a turma resolveu ir ao Maracanã ver Vasco e Corinthians. Chegaram cedo, a família deu uma volta pelo estádio e ficou na Gaviões. Tudo era divino e maravilhoso. “Mas, quando começa o jogo, o Timão toma um baile. 4 x 1 Vasco.”

Fernando Santi teve ainda mais azar. “O meu primeiro jogo no estádio tinha tudo para ser uma grande festa. Eu e mais 70 mil tricolores para empurrar o time pra cima do Inter e fazer o resultado para a conquista do tetra da Libertadores. Mas a vitória não veio e nem o titulo. Ficou a tristeza pela derrota e a fama de pé frio que, pelo jeito, meus amigos nunca vão esquecer.”

Outro que pisou com o pé esquerdo na rampa do Morumbi foi o Nelson Bigeschi Junior. O ano era 1979. Ele morava em Quatá, tinha oito anos e a família veio para São Paulo visitar uns parentes. E resolveram ver o jogo contra o Santos:

“Eu, meu pai (já falecido), meu tio Deca, todos são-paulinos doentes, e um primo paulistano santista. Era o jogo da volta do Serginho Chulapa depois de mais de um ano suspenso por chutar um bandeirinha. Pra nossa tristeza, e alegria do meu primo, conheci um neguinho atarracado que fazia um gol atrás do outro e vinha comemorar na bandeirinha de escanteio (dando voltas, bem do lado onde a gente estava). Acho que o Juari fez 3 gols nesse jogo, pra nosso desespero. Resultado final: Santos 4 à 1, minha primeira decepção, mas que foi compensada muitas outras vezes depois.”

 

Tristeza na vitória

Às vezes, mesmo quando o time ganha fica um gosto amargo na boca.

O Lucas Ricardo, de Itajubá, MG, por exemplo, viu o Santos vencer o Rio Claro por 2 a 1, no Palestra Itália. Mas pulou tanto que acabou torcendo o joelho. Teve que sair do estádio manquitolando, pegar o metrô se arrastando, ficou na estação Tietê se contorcendo e no ônibus, foi gemendo. Para piorar, quando chegou na sua cidade, ainda teve que pegar um táxi para chegar em casa. E na manhã seguinte foi ao médico.

Outra alegria triste foi a do Ronaldo Silva, de Maringá. Em 1979 ele foi ver o jogo entre Londrina e Santa Cruz pelo Brasileiro. O jogo acabou 6 a 2 para o Londrina, mas Ronaldo perdeu sete gols. “Vi o Londrina abrir o placar aos 3 minutos de jogo, e depois mais nada, porque começou a chover e, como eu era muito pequeno, meus irmãos resolveram me colocar num lugar ‘seguro’, onde não dava pra ver nada, só para escutar os rugidos da torcida a cada gol. Uma goleada frustrante.”

O palmeirense Evandro Spinelli, quando tinha 8 ou 9 anos, foi ver um jogo contra o São Paulo. Seu time até ganhou, mas, quando voltava para casa acenando sua bandeira, um são-paulino a roubou e rasgou. “Foi meu primeiro contato também com a violência nos estádios.”

 

Batismo de fogo

Falando em violência, não são poucos os torcedores que se deparam com ela logo em seu primeiro jogo. Seja da torcida ou da polícia. No primeiro caso está o Diogo, que fez sua estréia num sensacional São Paulo x Boca, no Morumbi, pela Copa Sulamericana. O time até ganhou de 1 a 0. “Mas o que ficou marcado, mais do que a vitória dramática e apertada, foi a estupidez da torcida. Ah, sempre a torcida! Assisti ao jogo na área Premium, com cadeiras numeradas. Um senhor já idoso com sua família tentou sentar ao lado deles. Como sempre, havia alguém no lugar dele. Ele tentou conversar e mostrar que estava com a família, mas quase levou uns tapas. E pra piorar tudo o cara que estava no lugar dele ainda era delegado de polícia e ganhou o apoio de toda molecada. Quando o jogo esquentou falaram que era pra ele ir embora porque tava dando azar e iria apanhar. Isso tudo na área premium... Ah, e esqueci de dizer que essa também foi a última vez que fui a um estádio.”

Com outro tricolor, o Rodrigo Della Vittoria Duarte, foi ainda pior. Mas não aconteceu no estádio, e sim no retorno para casa. Rodrigo voltou num ônibus de torcida, que tinha feito bastante bagunça na ida e, quando ele chegou ao centro da cidade, lá estavam alguns policiais esperando pra tomar satisfações. Bom, é melhor ele mesmo explicar o que aconteceu:

“Agora, vocês imaginem: já era de madrugada, centro da cidade deserto, só a policia, sempre carinhosa, e a torcida organizada, com seu comportamento exemplar. O pau comeu. As pessoas já iam descendo do ônibus tomando borrachada. Nunca vi tantos contorcionistas na minha vida, porque os caras se espremiam todos pra sair pela janela. Sem falar nos abacaxis, melões e etcs voando pra cima dos policiais. Infelizmente, minhas habilidades físicas não me permitiam sair pela janela, muito menos as do meu irmão e do meu primo. Logo, encaramos a porta mesmo. O primeiro foi meu irmão, levou uma borrachada e gritou: "Corre!", depois fui eu, no meio da bagunça e do empurra-empurra acabei levando duas: uma nas costas, que não pegou direito, e uma na coxa, que pegou direito. Como dói. Não lembro direito dos lances do jogo, mas sou capaz de sentir a dor na coxa ainda. Depois dessa vez, nunca mais fui em jogo com torcida organizada. Saudade da torcida.


Bagunça

E, se o assunto é bagunça, nada como encerrar com o depoimento do Flávio Batista, de Aracaju, que mostra que não é apenas a torcida e a polícia que fazem suas presepadas:

“Era o ano de 1989 ou 1990. Sergipe X Confiança. O derby local. Não me recordo se era decisão de turno ou se era a final do campeonato. Eu, no auge de meus 10, 11 anos. Meu tio João me leva para o Batistão. Casa cheia, jogo empatado até que o juiz marca um pênalti para o Confiança (meu tio é Sergipe, consequentemente eu também sou). Jogadores do Sergipe indignados com o Juiz. O que eles fazem? Perfilam-se todos debaixo da trave e não deixam a cobrança acontecer. Fim de jogo antes do fim de jogo. É, Torero, a bagunça no futebol brasileiro, acompanho deste cedo!”

 

Por Torero às 07h48

Toreroteca

Hoje proponho uma toreroteca diferente. Apenas dois jogos:

Santos x Ponte Preta

Portuguesa x Santo André.

Mas, em vez de acertar os vencedores, há que acertar os placares.

Façam suas apostas. O prêmio, de grego, é um livrinho de minha lavra (bem adubado, por sinal).

 

Por Torero às 07h46

02/04/2009

Unificação - Resultado da pesquisa

Os números finais ficaram em 56% a favor e 44% contra a unificação. Mas há duas curiosidades:

1-) Segundo uma pesquisa anterior, as torcidas de Corinthians e São Paulo somam mais de 50% dos leitores do blog, o que pode significar que nem todos pensam com o coração, ou com a bandeira.

2-) Nos primeiros dias, a pesquisa indicava vitória dos contrários. Mas, com os textos e as explicações de Odir Cunha, a posição se inverteu.  

Por Torero às 13h04

Sobre o autor

Formado em Letras e Jornalismo e quase formado em Cinema, é autor de treze livros (como "O Chalaça"), escreveu roteiros para cinema (como "Pequeno Dicionário Amoroso") e para tevê ("Retrato Falado").

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