Blog do Torero

28/02/2009

O mundo se curva ao Jardim Irene

 
 

O mundo se curva ao Jardim Irene

(Publicado originalmente em 1 de julho de 2002, logo depois da conquista daquela Copa, e republicado aqui por sugestão de Gilmar, de São Paulo)

 

Penta leitor, penta leitora, eu vos pergunto: qual o melhor momento desta conquista? E eu vos respondo: para mim, o melhor momento foi a comemoração.

Ali, depois de ter vencido o principal evento esportivo do planeta, depois de ter superado o país mais poderoso da Europa, o Brasil mostrou um pouco de sua alma, um pouco do que faz dele um país tão especial.

Edílson vestindo uma saia improvisada, Edmilson com sua camisa evangélica, Vampeta de camiseta toda rabiscada, Roque Júnior de boné, os jogadores usando a bandeira como capa, aquela esculhambação toda foi um retrato de um país que tem seu próprio jeito de ser.

Aquela festa sem modos, sem respeito a protocolo, funcionou como uma terapia coletiva. Quem tinha algum complexo de inferioridade em relação ao resto do mundo, pode esquecer.

E não paramos por aí. Nosso capitão não se contentou em ficar atrás do púlpito. Montou sobre ele como se fosse um caixote de feira e ali, acima de Pelé, Blatter, Beckenbauer e Teixeira, levantou a taça. Aquele improviso foi a cara da seleção, que venceu graças à invenção, ao talento, ao inusitado.

E talvez a síntese disso tudo seja o que Cafu escreveu em sua camisa: "100% Jardim Irene", que é o nome do humilde bairro da zona sul de São Paulo em que ele nasceu. Enfim, hoje a capital do mundo não é Paris, nem Londres, nem Berlim, nem Jerusalém, nem Meca, nem Tóquio. É o Jardim Irene.

Por Torero às 00h51

27/02/2009

O que fazer depois de uma grande derrota?

Como suportar a dor de perder aquele campeonato, de tomar um gol no último minuto, de ser eliminado nos pênaltis?

Perguntei isso aos leitores e pensei que receberia emails contando sobre choros e palavrões, mas os torcedores têm mais jeitos do que eu imaginava de expressar seu sofrimento. Foram tantos exemplos diferentes que, para organizar este estudo sociopsicoludopédico, tive que dividi-los em grupos. Vamos a eles:


Os destruidores

É uma turma extremada, que desconta sua raiva nalgum objeto. O Aylton, de Santo André, quando era criança arremessava seus óculos e radinhos contra a parede. Disse que quebrou muitos, e que depois era quebrado também.

Um caso à parte entre os destruidores são os queimadores. Heitor, de São Paulo, depois da final da Copa de 1998, aquele maldito jogo contra a França, decidiu queimar a fita de vídeo em que havia gravado o jogo. Mas o pior é que ele havia gravado o jogo na sua fita de casamento!

Na época, Heitor já estava separado. Pelo visto, queimou duas decepções com um só fósforo. Freud explica.

 

Os zumbis

Este é um grupo muito comum. Seus integrantes ficam como que anestesiados, sem saber o que fazer ou o que dizer. Não chutam nenhum cachorro, não dizem palavrões nem pensam em suicídio, simplesmente sofrem um pane geral. Ficam ali, de olhos abertos, pasmos, sem enxergar nada. Os leitores Vagner, Alexandre, André, Rodrigo e Suzana estão nesta categoria. E também o corintiano Rafael dos Santos, que contou o seguinte:

“Era uma quarta-feira fria. Por trabalhar no período noturno (17:00 as 23:00) não pude assistir o jogo e, quando desci do elevador, vi o Seu Armando, porteiro do prédio, assistindo numa tevezinha de 8 polegadas à disputa de pênaltis. Só tive tempo de ver o Pé de Anjo ajeitando a bola e tomando distância. A camisa azul e laranja do p... do São Marcos brilhando na frente. Forcei a vista para ajustar o foco mental naquela ínfima tela. Ele correu, bateu e bom, todos sabem o que aconteceu. Fiquei 15 minutos ali, parado. Seu Armando mudou de canal e sabiamente disse o que eu nunca imaginei ouvir: ‘Moço.. vai perder o último ônibus’. Resultado: Perdi a Libertadores, o rumo e o último ônibus pra casa.”

 

Os insones

Com estes jogos cada vez mais tarde da noite, um grupo que está crescendo é o dos insones. Como dormir depois de uma derrota terrível? Você sabe que vai fechar os olhos e ficar revendo aquele maldito lance centenas de vezes, num doloroso e eterno replay.

Um bom exemplo de insone é o são-paulino Fábio, que sofreu muito depois daquela cabeçada de Washington na Libertadores. “Peguei no sono algumas vezes, mas acordei logo assustado: ‘Ufa, não perdemos, foi sonho! Não... peraí, kct, perdemos mesmo!!’.

 

Os desplugados

Um bom jeito de fugir da dor é desligar-se do mundo. Mas desligar-se mesmo, ou seja, ficar sem rádio, tevê e jornal nos dias seguintes. Afinal, há coisa mais dolorosa do que ver o Globo Esporte falando de seu inimigo no dia seguinte?

O santista Fernando Gondim, de Fortaleza, usa o desplugamento como tática. Mas este desplugamento tem uma particularidade: “Dura o tempo correspondente ao tamanho da derrota. Por exemplo, Santos em 1995, uma semana. Santos em 2003, Libertadores, três dias. E assim por diante.”

 

Os andarilhos

Um grupo do qual faço parte é o dos andarilhos. Caminhar parece uma solução razoável. A gente se afasta do local da derrota, vê outras pessoas, etc... Mas uma vez (depois daquele gol do Ricardinho no último segundo pela semifinal do Paulista) nem notei que estava garoando e voltei ensopado para casa.

Mas eu não ando tanto quanto o Ricardo e seu irmão, são-paulinos que, depois de verem o Dida defender dois pênaltis de Raí, andaram sem rumo por quatro horas, e sem falar uma palavra.

Já o Rafael Cervantes, depois do rebaixamento do Palmeiras, foi tão zoado pelos familiares que decidiu ir andando da casa de seu tio até a sua. O problema é que elas ficam a 15 quilômetros de distância! E não foi só isso:

“Para piorar, ainda tomei uma senhora bronca da minha mãe, já que ‘eu não sei aceitar uma brincadeira’ e ‘futebol não é tão importante assim’. Mas eu perdôo a ingenuidade da minha mãe!”

E há ainda a tática do Diego Heberson, de Ourinhos: “Eu fico tão bravo e irritadiço que o melhor que faço, para mim e para as pessoas e objetos à minha volta, é ir andar. Eu saio andando e xingando em voz mais ou menos baixa. Ando até ficar exausto e sem voz.”

Acho que já vi vários Hebersons por aí.

 

Os sonecas

“Fui para o meu quarto dormir logo depois do jogo... Só acabei levantando para jantar depois porque era dia das mães”.

A solução do Marcos Mattos é a de muitos outros torcedores. Dormir pode ser um bom remédio contra a ressaca da derrota. Mas nem todos conseguem, como o tricolor Denilson, depois da fatídica cabeçada do Washington: “Só me restou entrar no quarto, ouvindo as risadas sarcásticas da minha esposa corintiana, apagar a luz e ficar olhando o escuro...”

E há os que dormem, mas sem camisa, como o Rodrigo: “Final da Libertadores de 94. Tinha 14 anos, estava ajoelhado vendo a decisão por pênaltis. Quando perdemos, tirei a camisa, joguei no chão e fiz questão de dormir sem ela. Ainda bem que estava calor e que minha mãe guardou a camisa, só tinha aquela...”

 

Os chorões

Muitas leitoras se colocaram como choronas, como a corintiana Rafaella, a santista Amanda e a são-paulina Cinthia.

E alguns homens também admitiram derramar lágrimas por seus times, mas só quando eram pequenos, como foram os casos de Ricardo, de Rio Claro, na Copa de 86 (ele tinha apenas 9 anos), e do Alexandre, que chorou aos 12, quando o Palmeiras perdeu a final do Paulista para a Inter de Limeira.

Desconfio que os marmanjos tiveram um pouco de dificuldade de assumir o choro. Felizmente, houve o Ernesto Tambaschia, de Campinas, que disse:

“Torero, passei por 3 situações: Guarani x Corinthians (Viola), Guarani x São Paulo (Careca), e  Guarani x Portuguesa Santista (rebaixamento). Chorei em todas elas. Mas depois fui pro boteco e tomei várias geladas pra repor as lágrimas.”

 

Os chuveiristas

Um modo higiênico de combater a tensão pós-massacre (também conhecida como TPM masculina) é entrar debaixo do chuveiro, como fez o Hassan depois da derrota para a Itália na Copa de 82:

“Logo que acabou o jogo fiquei 45 minutos contados debaixo do chuveiro frio, mas lembro que eu nunca conseguia me esfriar, continuava quente.”

Hassan não disse se ficou resfriado ou não.

 

Os tanguistas

Conhecem aquela poesia do Manuel Bandeira, o Pneumotórax?

Os três últimos versos são assim:

- O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado.
- Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?
- Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.

Pois foi o que fez o Alexandre Oliveira, de Itu:

“Campeonato Brasileiro da Série B, 2003 ou 2004. O Ituano tinha acabado de ganhar o Paulista em 2002, e ainda estava com um time bem legal. Precisava apenas de um empate em casa, com o Fortaleza, pra ir para o quadrangular final. Nem precisa dizer o que aconteceu. O estádio estava em silêncio ao apito final. Chegamos em casa e colocamos um tango argentino. Nada refletia melhor a decepção.”

 

Os masoquistas

Uma turma interessante é a dos masoquistas. Eles fazem algo terrível, que os faça realmente sofrer, e assim diminuem a dor futebolística. O Davi Kikuchi, por exemplo, recorre ao seguinte artifício:

“Assisto à continuação do Faustão e percebo que a derrota não foi uma coisa tão ruim assim.”

 

Os hedonistas

E por fim há uma turma curiosa, que, em vez de se punir, resolve se divertir para combater a tensão pós-massacre.

É o caso da turma do André Tizzan. Na Copa de 98, como a cerveja já estava gelada e a carne na churrasqueira, eles decidiram comemorar o vice-campeonato, “apesar de alguns amigos terem rasgado camisa, chorado...”

O Flávio Souza, depois do rebaixamento do Corinthians, saiu para dançar, “porque em casa a dor não passava.”

E o Edu Versolato foi radical: “Me lembro como se fosse hoje: naquela mesma noite, eu e um primo meu embarcamos para a Argentina e passamos dias maravilhosos por lá. Só trouxa perde sono por futebol.”

Pode ser verdade, Edu, mas nós, os trouxas, somos muitos.

 

Por Torero às 09h05

25/02/2009

O que você faz depois de uma grande derrota?

Por estes dias acho que vou escrever sobre o que fazem os torcedores depois de uma grande derrota, e preciso de vossa ajuda para os exemplos.

O que você fez depois da derrota da seleção em 82? Eu tinha 18 anos e mal podia acreditar no que tinha acontecido. Era uma seleção perfeita, não era lógico, não era justo que ela perdesse. Então fui até a rua, que estava totalmente vazia, sentei na calçada e fiquei lá, sem fazer nada. Nem chorar consegui.

Mas e você? O que fez depois da derrota de 98? Bebeu? Gritou? Chorou tanto que teve que usar um lençol como lenço?

Ah, e não precisa falar apenas de jogos da seleção.

O são-paulinos podem contar o que fizeram quando perderam para o Palmeiras o Paulista do ano passado.

Os palmeirenses, como foi a fossa de perder o Mundial?

E o vascaíno, o que fez quando perdeu para o Corinthians naquele primeiro campeonato de clubes de Fifa?

Conte aí como foi depois do apito final. E não precisa ser só depois de uma final. Os corintianos, por exemplo, pode dizer o que fizeram quando o time caiu para a Série B (um amigo meu abraçou-se ao filho e os dois choraram de soluçar, uma das cenas mais tristes que já vi).

Falando em Corinthians, os santistas também podem dizer o que fizeram quando Ricardinho fez aquele gol aos 47'48" (ou seja, faltando 12 segundos) para acabar o jogo da semifinal do Paulista. Lembro que eu..., deixa pra lá, depois eu conto.

Enfim, mande aí o que você faz quando entra na fossa futebolística. Diga se rasga a camisa, vai para um mosteiro budista ou chora sentado no vaso sanitário.

Por Torero às 07h45

23/02/2009

Dois rabugentos no Pacaembu

Fui ontem ao Pacaembu ver Santos x Botafogo de Ribeirão Preto. Mas não vou comentar o jogo. Em vez de disso, vou transcrever o comentário de uma dupla que sentou atrás de mim. Os dois tinham ali pelos seus sessenta anos e falavam com sotaque nordestino. De certa forma, me lembraram aqueles dois velhinhos do Muppet Show que ficavam balcão, resmungando o programa inteiro.


0’:
“É o último jogo da camisa azul.”
“Que pena, eu gosto dessa camisa. Se fosse mais barata eu comprava. Mas, pelo preço que é, eu compro um armário inteiro.”

1’:
“Hoje vai ser de goleada!”
“Ah, vai. Ainda mais que o tal do Bolaños vai começar jogando.”

5’:
“Credo!, como é que o Bolaños me erra essa bola?”

 10’:
“O Fábio Costa está gordo, hein?”
“Ah, tá mesmo. Olha só o tamanho da bunda dele. Podia desfilar na ala das baianas.”
“Quero ver é se ele jogar contra o Ronaldo. Se os dois derem uma trombada, vai tremer o campo todo.”

15’:
“Como esse Bolaño é ruim! Tira o Bolaños, Mancini!”

20’:
“Fábio, Fabiano e Fabão. Essa defesa tem muito efe. Ainda bem que eu consertei minha dentadura.”

25’:
“Como é o Bolaños me perde esse gol?” Tira o Bolaños, Mancini!”

30’:
“Só esse Madson é que corre. Suou tanto que o número caiu da camisa.”

35’:
“E esse tal de Robinho?”
“É genérico. O bom era aquele outro.”

40’:
(depois de comprar um sorvete)
“Eu devia era botar esse sorvete embaixo do boné, que esse time me deixa de cabeça quente.”

Intervalo: (quando a Torcida Jovem abre uma imensa bandeira)
“Olha lá, tá todo mundo tirando foto da bandeira.”
“É a única coisa boa do jogo.”

46’:
“Os jogadores voltaram do vestiário de cabeça baixa.”
“É de vergonha pelo que eles fizeram no primeiro tempo.”

51’: (depois do gol)
“Agora vai ser de goleada.”

63’: (depois da expulsão de um jogador do Botafogo)
“Agora vai ser de goleada.”

70’: (o time se retrai)
“A goleada vai ser de um a zero mesmo.”

75’:
“Esse Germano não tem visão de jogo.”
“Também, esse cabelo tampa tudo...”

76’: (depois de um erro de Molina, que entrara em lugar de Bolaños)
“Põe o Bolaños de volta, Mancini!”

77’: (após uma série de bolas atrasadas)
“Esse time atrasa mais que relógio falsificado.”

79’:
“O Santos não corre, parece o Barrichello.”
“Ei, não ofende o Rubinho, pô!”

80’:
“O Lúcio Flávio não ia ficar um tempo treinando separado para entrar em forma?”
“Pois é, mas hoje é dia de folga e ele veio descansar em campo.”

83’:
“Tem que colocar o Weslley, Mancini!”

85’: (depois da primeira jogada de Weslley)
“Tira esse Weslley, Mancini!”

91’: (depois de uma falha de Fábio Costa)
“Pelo amor de deus, será que o Fábio Costa encerou a luva dele com banha de porco?”

92’:
“Esse segundo tempo já está durando umas duas horas, não está, não?”

93’: (o juiz apita o fim de jogo)
“Graças a deus!”
“Que o Santos ganhou?”
“Não, que o jogo acabou. Que tortura...”


E, subindo as escadas para sair do estádio, ainda ouvi um deles dizendo:
“Ainda bem que vão aposentar essa camisa azul. Eta camisa zicada! Não queria nem de graça.”

 

De forma geral, concordo com os dois rabugentos. O time do Santos é de uma lerdeza impressionante. Parece que está o tempo todo em câmera lenta. O São Paulo joga feio mas marca e corre, o Corinthians se esforça o tempo todo, o Palmeiras está voando baixo, e o Santos parece aquele time de casados, onde todos ficam trocando passe para não se cansar. Se não mudar seu estilo de jogo, na quarta-feira mesmo sai do G-4. E, no domingo, contra o São Paulo, é derrota na certa.

 

Por Torero às 11h31

21/02/2009

Já passou, já passou...

 
 

Já passou, já passou...

Texto de Marcio R. Castro

Prestes a completar oito anos de sua extinção, a Lei do Passe ainda sobrevive em um ambiente inusitado: as redações esportivas. É impressionante o número de jornalistas que continua usando o termo "passe" como se ele ainda existisse.

Outra parte, talvez influenciada pelo juridiquês esportivo, começou a usar expressões como "Direitos Federativos" e "Direitos Econômicos". Apesar das novas alcunhas, nem todos que as usam diferenciam uma era de outra. Aqueles que diferenciam, pouco explicam para o seu público o que significam os termos, deixando os torcedores desinformados e confusos.

Talvez isso se dê porque os jogadores, no geral, pouco se emanciparam (apenas trocaram de donos, antes os clubes, agora os empresários). Na prática, continuam sendo tratados como mera mercadoria, o que faz com que muitos jornalistas se mantenham indiferentes à questão. Obviamente, não se justifica. Mesmo que os jogadores não tenham percebido, as regras do jogo mudaram totalmente. E cabe aos jornalistas destrinchar a matéria e informar com precisão aos torcedores.

Ainda mais porque o cenário de hoje é bem simples: os jogadores mantêm contrato com um clube. Para que qualquer uma das partes o rompa, é estipulada uma multa. Com o pagamento da multa, ou com um acerto entre os lados, o contrato é rescindido, e o jogador está livre para assinar com outra equipe.

E os tais dos "Direitos Federativos", o que são? Nada mais do que uma forma empolada de falar "sob contrato". O clube que tem sob contrato um jogador é o detentor de seus direitos federativos.

Mas e os "Direitos Econômicos"? Afinal, sempre ouvimos que o jogador tal é 30% do clube, 50% do grupo "x" e 20% do empresário, certo? Para começar, o jogador não é de ninguém (mais um resquício dos tempos do passe). No mais, direitos econômicos simplesmente não existem de forma concreta, são um tanto virtuais.

A relação primordial é estabelecida apenas entre clube e jogador. Acontece que o jogador também pode assinar com um empresário, que recebe para representá-lo, negociar salários, estabelecer contratos publicitários e outros tantos.

Numa negociação, o clube oferece ao jogador R$ 50.000,00. O jogador e seu empresário querem R$ 120.000,00. O clube não pode pagar. Já que não pode, tudo bem, o salário fica por R$ 50.000,00. Porém, numa eventual negociação com outro clube, 40% do valor recebido ficam com o jogador (na verdade, para o empresário). Esse acerto geral e seus pormenores podem estar no contrato entre jogador e empresário, como pagamento pelos serviços prestados, ou num outro contrato entre clube e empresário, com repasse direto. O que era um acordo bilateral se torna uma triangulação.

Pronto, é daí que surgiu a expressão "direitos econômicos". No caso acima, 60% para o clube, 40% para o jogador e seu empresário. O rateio pode ser mais complicado, com outros empresários, procuradores, grupos de investidores e até pipoqueiros de porta de estádio, sabe-se lá, mas o desenho é esse.

Mas por que eu afirmo que direitos econômicos não existem concretamente, então? Porque se o contrato estipulado entre clube e jogador for cumprido até o seu final não há pagamento de multa rescisória e ninguém ganha nada. Ou seja, empresário, grupo e pipoqueiro não têm direito econômico nenhum. Tudo depende de uma eventual negociação.

Mesmo agora, em que grupos investidores e que administram fundos econômicos criam seus próprios clubes (caso do Desportivo Brasil, da Traffic) para manter jogadores contratados e emprestados a outras equipes, nada impediria que um atleta cumprisse seu contrato até o fim e fosse embora "de graça".

Não vai acontecer, é claro, já que não seria interessante para ninguém. Mas o exemplo vale para esquecermos denominações vazias e passarmos a usar algo mais simples, objetivo e elucidativo: "o jogador está sob contrato com o Taubaté. No caso de uma negociação, foi acertado entre as partes que 50% do valor fica com o clube, 30% com o empresário fulano e 20% com o procurador beltrano. E a propósito, não existe mais o passe".

Por Torero às 10h11

19/02/2009

A Copa dos sádicos

Donatien Alphonse François de Sade, inspirador da Copa do Brasil

 

A Copa do Brasil é um dos campeonatos mais charmosos que há. Poderia ser bem mais, mas, mesmo assim, tem suas graças.

Que graças?

Várias. A de colocar equipes desconhecidas para enfrentar clubes tradicionais. A graça dos duelos diretos. E, principalmente, a sádica graça de ver os grandes tropeçarem.

Pois bem, ontem alguns favoritos já deram seus tropicões.

O Internacional perdeu para o União, do Mato Grosso. No duelo dos dois alvirrubros, ganhou o de Rondonóplis, time nove vezes vice-campeão estadual, que tem como esperanças o meia Calil, que veio da Grécia, e o veteraníssimo zagueiro Odvan. O gol de Diogo, que fez a alegria dos gremistas, veio apenas aos 35 do segundo tempo.

Numa partida com enredo dramático, o Coritiba começou perdendo para o Holanda, do Amazonas. Empatou apenas no segundo tempo, com um gol contra de Lídio, e a vitória veio aos 48’, com um gol de Guaru. Mesmo assim, com apenas um gol de diferença, terá que fazer o segundo jogo.

O Paraná também era favorito contra o Mixto-Mt, mas também venceu por apenas 2 a 1. O técnico do Mixto é Wilson Carrasco, um habilidoso meia que fez sucesso na Portuguesa lá pelos anos 70.

Mais um 2 a 1 foi o do Santos contra o Rio Branco. O time da Vila tomou um gol logo aos cinco minutos.  Mas Kléber Pereira empataria uns 15 minutos depois. No começo do segundo tempo, o Rio Branco teve um jogador expulso e aí as coisas ficaram mais fáceis para o Santos. Quer dizer, fáceis mas não muito, pois o segundo gol santista veio apenas aos 40’ do segundo tempo, e não livrou a equipe da partida de volta.

A Portuguesa é outro clube tradicional que não passou pelo seu adversário, no caso, o Icasa. Num jogo quase sem torcedores (apenas 263 almas foram ao Castelão, em Fortaleza, o que é compreensível, pois o time é de Juazeiro do Norte.), o time cearense abriu o placar logo aos 7’ e depois perdeu algumas chances. A Portuguesa, com um time misto, empatou apenas aos 45’ do segundo tempo.

Continuando no estado de José de Alencar, falemos do Fortaleza, que em 2008 foi campeão estadual, este ano nem conseguiu se classificar paras as semifinais do primeiro turno do Cearense. Nas últimas oito partidas conseguiu apenas uma vitória. E, contra a Desportiva-ES, em Cariacica, ficou no 1 a 1. Parece que os tricolores terão um longo ano pela frente.

O Santa Cruz tem 24 estaduais em seu currículo. O Americano-RJ, nenhum. Além disso, o time de Campos dos Goytacazes só entrou na Copa do Brasil porque o Nova Iguaçu desistiu. Mesmo assim, venceu o Santinha por 2 a 0.  Foram dois passes de Kieza e dois gols de Éberson, uma dupla de nomes estranhos mas que resolveu a parada. No jogo de volta, aposto que o Arruda ficará cheíssimo.

No ano passado, o Nacional, de Patos-PB, perdeu na estréia para o Inter por 4 a 0 e caiu fora logo de cara. Mas este ano as coisas foram diferentes. Ele endureceu as coisas para o Fluminense, campeão da Copa em 2007. O time  dos atacantes Ribinha e Peixinho, acabou perdendo por 1 a 0 para a equipe carioca, mas teve um gol legítimo anulado. Na pior das hipóteses, já fez uma campanha melhor do que no ano passado, e seus jogadores vão conhecer o Maracanã.

Enfim, apenas Guarani, Vasco e Atlético-MG foram golias eficientes, pois conseguiram derrotar seus davis. Nos nove casos acima, os pequenos notáveis conseguiram evitar a derrota prematura. Na verdade, acho que nenhum dos nove conseguirá passar à fase seguinte. Mas, na sádica Copa do Brasil, tudo é possível, e por isso nove torcidas roerão as unhas até os jogos de volta.  

 

Por Torero às 02h08

17/02/2009

Zé Cabala e o craque do assobio

Para ler o texto de hoje publicado na Folha, assinantes do jornal e do UOL podem clicar aqui.

Por Torero às 08h56

16/02/2009

O clássico de A a Z

Atiçar (o fogo): Foi o que se fez em relação ao clássico durante a semana. A história dos 10% é uma falsa polêmica.

Banco: As soluções para o jogo vieram do banco de reservas. Quando Hernanes, Borges e Boquita entraram em campo é que a partida começou de verdade.

Cinco: O promotor de Justiça Paulo Castilho diz que vai pedir a redução para 5% de ingressos para visitantes. Mas, se não houve confronto entre torcidas ontem, por que diminuir os 10%? Parece apenas motivo para mais polêmicas e brigas.

Diretoria: A diretoria corintiana fez um grande carnaval por conta dos 10%. E cometeu a injustiça de dar os ingressos baratos apenas para as organizadas. Quem fosse torcedor comum teria que pagar 90 reais. No fim, teve que devolver 1.600 ingressos, o que pode ser usado como argumento de que 10% é até demais.

Escuta: Mano Menezes reclamou porque alguém de fora do campo teria soprado no escuta do auxiliar que Túlio deveria ser expulso. Bobagem. Isso é a mesma coisa que dizer que o culpado de um crime é a câmera de segurança e não o bandido.

Fraturas: A ação da PM, imprensando a torcida corintiana, conseguiu um monte delas.

Golpes: Escudero deu vários durante o jogo. É raçudo mas faz muitas faltas.

História: Por ora, parece que a história do confronto entre corintianos e policiais é a seguinte: Ouviu-se a explosão de uma bomba no estacionamento e parte da torcida teria ido para cima da polícia, que contra-atacou e provocou tombos e pisoteamentos.

Informação: Nos próximos dias teremos uma guerra de informação. A polícia e a torcida alvinegra darão versões conflitantes, uma jogando a culpa na outra. E, provavelmente, as duas cometeram erros.

Jóia: O passe de Boquita para o gol de empate foi a melhor coisa do jogo. O gol do São Paulo também foi belo, mas o passe corintiano, por baixo das pernas do marcador, foi precioso.

Letras: As esdrúxulas, como K, W, Y, Beta e Aleph, ficarão de fora deste texto.

Mano Menezes: Errou na escalação e surpreendeu todo mundo ao assumir o erro publicamente. Duvido que a moda pegue. Os professores não vão ficar dizendo que erraram. É mais fácil dizer coisas como “Hoje enfrentamos um grande adversário” ou “Faltou sorte nas finalizações” ou  “Uma partida se ganha e se perde nos detalhes”.

Nunca: O Corinthians nunca se entrega. Pensei que depois do gol o time murcharia, mas eles conseguiram reagir. É impressionante como a cultura da superação corintiana sobrevive a gerações de jogadores e a diferentes diretorias.

Organizada: Por que só ela ganhou os ingressos baratos? Não é possível que a torcida tenha mais organização que o clube.

PM: Hernando Luiz Veloso, comandante do Segundo Batalhão de Choque da Polícia Militar, afirmou que a os torcedores corintianos disseram que iam matar os policiais. E daí? A PM, equipada e em grande número, tem medo de ameaças verbais? Isso justifica imprensar os torcedores? E se algum deles tivesse morrido? Já houve muitas mortes no futebol por conta de movimentação desembestada de torcedores.

Queixas: Haverá algum jogador que se queixe mais do que Dagoberto? Como o cara reclama!

Rim: Se Muricy já é mal humorado sem crise renal, foi uma sorte para todos que ele não tenha dado entrevista ontem depois do jogo.

Souza: Desta vez não perdeu gols. Porque não teve chance.

Tolo Túlio: Que bobagem a sua expulsão... Coisa de juvenil. E depois do jogo ele não assumiu o erro, tanto que disse: “Não quis agredir, meu antebraço é que pegou a barriga dele”. Ou seja, o juiz deveria ter expulsado apenas o antebraço.

Uni-vos: Se as organizadas tivessem uma associação forte, se em vez de brigarem entre si fiscalizassem seus clubes, as coisas seriam diferentes. Torcedores do Brasil, uni-vos! Ou morrei.

Vandalismo: Houve vandalismo por parte da torcida alvinegra. O Corinthians, que fez carnaval por causa dos 10% e repassou os ingressos baratos às organizadas, deveria pagar os estragos.

X: O xis da questão é que estão matando o prazer do futebol, o prazer de ser torcedor.

Zebra: Neste jogo, a zebra seria não acontecer nenhum problema.

 

Por Torero às 09h32

14/02/2009

Eu acredito!

 
 

Eu acredito!

Texto de Marcio R. Castro

"São mais de dez anos. Mais de dez anos... Juntando as pontas, encaixando as
peças, montando um imenso quebra-cabeça. Por todo esse tempo a verdade
esteve escondida. Mas isso acabou."

Foi dessa forma, grave e solene, que a conversa começou. Os olhos de
Fernando nos fitavam com intensidade. Não que isso fosse incomum, o cara é
daqueles que chega a te deixar constrangido com o olhar direto, que engole.
Dessa vez, era mais do que isso.

Na roda, além do Fernando, eu, o Rica, o Gelol e o finado Donizete. O bar
estava abarrotado, o que nos dava completa privacidade. Convocados por
Fernando, estávamos todos lá, na mesma mesa de tantos embates
futebolísticos.

"Mas isso acabou. E meu tormento também", continuou Fernando. "Como vocês
sabem, depois de muita pesquisa, muita investigação, contatos, ameaças,
enfim!, cheguei a conclusão de que a Nike vendeu a Copa de 98 para a Adidas
(nota: sim, foi ele que originou a tese). Não fui só eu, é claro. Gente do
calibre de Arnaldo Jabor e Luís Fernando Veríssimo estão comigo, é só
procurar na internet. Mas isso não interessa. O que importa é que houve o
negócio. A CBF e os franceses também sabiam de tudo, evidentemente. Os
jogadores, inclusive, ganharam o seu. Não todos, os pés-de-chinelo não. Só
os principais."

"Exceto um!", exclamou Rica, já convertido. "O Ronaldo não queria aceitar."

"Isso mesmo, amigo, o Ronaldo se recusou a participar. A retaliação foi
imediata, e todos nós conhecemos: a convulsão."

Piadista nato, Donizete, que Deus o tenha, não se conteve:

"Ah, de novo isso. E agora essa, a convulsão foi um atentado. Só falta falar
que os travecos também eram da Adidas."

"Cala essa boca!"

A truculência com que Fernando interrompeu o nosso companheiro foi
estrondosa, mas se misturou a algazarra do bar. Donizete nem teve tempo de
se ofender, muito menos de reagir. Imediatamente após o berro, ou mesmo
durante o voo dos perdigotos, Fernando agarrava o braço do amigo com uma
estranha combinação de violência e ternura. Pediu desculpas, e falou com o
coração:

"Amigo, meu amigo de longa data. Deixe-me terminar, eu quero abrir os seus
olhos. A verdade não pode ser mais escondida. Não de nós hoje, de ninguém
mais amanhã. Ouça-me, amigo..."

A fala se estendeu, quase messiânica. Se estivesse vivo, Donizete se
comoveria novamente só de lembrar. Ainda mais depois de algumas cervejas,
que sempre o deixavam meio sentimental. Fernando falava como um profeta.
Daqueles bem abilolados.

Voltando a si, e ao assunto, Fernando seguiu: "A Copa de 98 foi da França, da
Adidas. Mas o acordo comercial era mais amplo. Não foi bem uma venda, foi
mais uma permuta. Veio a Copa de 2002."

"E deu Brasil."

"Sim, deu Brasil. Era a vez da Nike faturar, Gelol. A França ficou fora do
páreo, logo na fase de grupos, com suas estrelas se arrastando. Não foi por
acaso. Estrategicamente, era importante para a Adidas dar destaque para
outra seleção controlada por ela. A escolhida foi a Alemanha, que estava
acabada, mas seria a sede do próximo mundial. Era preciso valorizá-la. De
qualquer jeito, 2002 era da Nike. É claro, do Brasil. Escaldado, Ronaldo
ficou na miúda, um cara esperto, percebeu o tamanho da coisa ao seu redor.
Além disso, agora ele ia se dar bem. Se consagrou..."

"Os jogadores estavam no esquema de novo?", eu perguntei.

"Claro que sim, não funcionaria sem eles. Como em 98, quase todos, mas com
certeza os graúdos. O goleirão, o Kanh, como foi a atuação do cara na final?
Ele deu o 'passe' para o Ronaldo! Bateu uma roupa como nunca tinha feito na
carreira, certo? Pois é, e ainda foi eleito o melhor da Copa! Tinham
reservado um agrado para o cara. Tava tudo no pacote!"

"Meu Deus!", se assombrou Gelol. "Faz todo o sentido."

"Gelol, calma, peraí. Fernando, você pediu para eu te ouvir, eu ouvi. Até
peço desculpas se eu comecei a fazer piada, tá legal. Não era a hora, eu
sei. Mas fala só pra gente: você esqueceu de tomar os remédios de novo?
Olha, se o médico descobre te coloca no manic..."

Pláá, pláá!!!!!!!!

Dois tabefes estalaram na cara de Donizete. Ida-e-volta, com a palma e as
costas da mão. Nem Donizete, sempre espirituoso e bem-humorado, acharia
aquilo normal. Só que, mais uma vez, ficou sem reação. Logo após as
bofetadas, um abraço desesperado de Fernando o deixou impotente. Um abraço
como um último abraço, definitivo. Do aperto, Fernando levou as mãos aos
cabelos de Donizete, agarrando-os, puxando fraternalmente a cabeça do amigo
em direção a sua.

"Irmão, meu irmão! Eles estão te manipulando, estão controlando você! Se
liberte deles, amigo. Confie na gente, nós estamos aqui, com você..."

O tom era de revelação. Durante o discurso do iluminado, Rica e Gelol se
aproximaram, estendendo os braços ao ombro e à nuca de Donizete,
respectivamente. Foi um momento demorado, até tocante. Uma das coisas mais
esquisitas que já vi.

Interrompendo a comoção, acho que me senti excluído e perguntei:

"Mas e aí, acabou assim?"

"Não, ainda não. Em 2006, tudo estava zerado. Nike e Adidas não chegaram a um
novo acordo, era cada vez mais difícil 'convencer' (nesse momento, Fernando
esfregava os dedos fazendo o característico sinal de dinheiro) as seleções,
os jogadores, a cartolagem. A imprensa cobrava mais caro também. Enfim, não
ia mais rolar. Só que a coisa azedou. Porque a Adidas resolveu partir para o
cada um por si. No Brasil e França, de 2006, tiveram uma ajudinha do Roberto
Carlos. Arrumar a meia, dá para acreditar?"

Todo mundo foi para cima do cara. Só que para ele, esse 'todo mundo' tava no
rolo de novo, esse tipo de coisa não se conversa com ninguém, fica
implícito. Aí ele via o Ronaldo com 140 quilos, o Gaúcho pisando na bola, o
Parreira com a cara de Parreira. Bem, ele pensou, só o Kaká tá fora dessa.

"Os caras ficaram furiosos. A Nike não ia deixar barato. A França chegou na
final, e o que aconteceu? O Zidane é expulso. Merecido, é claro que
merecido. Mas quem cavou a expulsão do cara? O tal do Materazzi. Já viu um
brucutu daquele ser garoto-propaganda de alguma coisa? O arranca-toco, no
'joga bonito'??? Pois é, era a última esperança da Nike, que aceitou na hora
as condições do italiano. E aí veio aquela história que ele ofendeu a
família do cara... Mexeu com a irmã coisa nenhuma! O que ele falou foi que
sabia do esquema de 98, que ia revelar para todo mundo que o grande craque
era uma fraude. Pois é, o Zizou se descontrolou. Uma baita carreira, melhor
do mundo, cracaço, ia acabar assim, desmascarado? Meteu o coco no italiano.
O cão de guarda conseguiu o que queria e man..."

Ouviu-se um engasgo. Era alguém segurando a risada. Outra vez, Donizete nem
teve tempo de reagir. Que descanse em paz.

 

Por Torero às 07h20

13/02/2009

As doidices nossas de cada dia

Todo mundo tem alguma superstição, algum ritual para fazer seu time ganhar.

Nietzsche, por exemplo, deixou seu bigode crescer para que seu Borussia Möchengladbach vencesse o campeonato alemão. Freud começou a fumar charutos porque achava que dava sorte ao seu Rapid de Viena. E José Saramago diz que só trocará a armação de seus óculos quando o Boavista ganhar o campeonato português.
 
Até o sujeito mais incréu faz alguma coisa para dar sorte ao seu time. Para ter uma boa mostragem, pedi aos leitores aqui do blog que mandassem seus rituais ludopédicos e chegaram quase cem comentários (que valem a pena ser lidos).

Muitos dos rituais citados eu também já fiz. Por exemplo, que nunca achou que há uma ligação mágica entre a transmissão e o jogo? Quem nunca pensou que Galvão Bueno dá azar?


O leitor Marcello Collares, por exemplo, quando vê jogos do Palmeiras abaixa o som da TV e ligo o rádio na Jovem Pan. Mas há gente mais radical, como o Heitor, também palmeirense. Quando ele comprou uma tevê nova, seu time começou a perder. O que ele fez?

“Não tive dúvidas: comprei outra! Outro modelo, marca, tamanho, totalmente diferente! Funcionou!!!!”

Já o leitor Paulo Mussali tem uma atitude híbrida: ele troca de canal, mas, se isso não adianta, recorre a um ritual geográfico-espacial e vai ver o jogo nas outras tevês da casa, até que o time comece a jogar bem.


A tática de encontrar um lugar mágico é bem comum. Lembro que no Brasileiro de 95 vi quase todos os jogos sentado no mesmo canto do sofá. E teria dado certo se não fosse o Márcio Rezende de Freitas.

Já o Gabriel assiste a todos os do Tupi no estádio, de frente para as cabines de televisão. O são-paulino Eduardo vê os jogos deitado no sofá, mas sempre com os pés na defesa e a cabeça no ataque. “Tentei usar a mesma técnica para o Federer ganhar do Nadal no Australian Open, mas a TV começou a filmar o jogo por cima, por trás, enviesado, de fianca... quase fiquei com torcicolo!”

A mãe da Amanda assiste aos jogos importantes do Corinthians sempre na mesma poltrona. E não é só isso: “Quando o time adversário está no ataque, ela cruza os dedos. Quando é time dela está no ataque, ela faz figa.”

O Bruno Vieira tem uma mandinga exclusiva para pênaltis: “É proibido mudar de posição até que a penalidade seja convertida. Qualquer alteração da posição inicial do corpo, no momento da falta, resultará em bola na trave, defesa do goleiro ou pra fora. Se o cobrador for o Edmundo ou o Palermo, é importante segurar a respiração. Uma
inspirada, eles erram...”

Os pênaltis, aliás, pedem rituais especiais. Quando é Copa do Mundo, acho que o mais eficiente é todo mundo que está na sala dar as mãos. Para mim, deu certo em 94. Mas o Giacomo Perovano tem outra receita: “Não assisto à cobrança de pênaltis (independente se é a favor ou contra, ou se é decisão ou durante o tempo regulamentar). Deu certo na maioria das vezes: Itália em 94, Holanda em 98 e contra o Vasco no Mundial de 2000. Que eu me lembre, só não deu certo na semi da Libertadores contra o Palmeiras em 2000.”

Não ver uma disputa de pênalti é se privar de um grande momento do futebol. Mas muitos dos rituais provocam mesmo sofrimento. E isso tem sua lógica: para alcançarmos uma graça, há que penar, passar por provações.

O Vagner, por exemplo, não fuma durante os jogos do Santos (talvez seja bom voltar ao tabaco). O Elson, de Campina Grande, e a Cinthia, de Campinas, não podem usar a camisa dos seus times em dia de jogo. O são-paulino Diogo só assiste às partidas importantes sozinho, e o Nelson corta o cabelo na véspera das partidas decisivas do Tricolor (“Não consegui cortar no dia do jogo contra o Fluminense na última Libertadores e deu no que deu...”).

Mas talvez nenhuma privação seja tão privação quanto a do Maurício Souza, de Campinas. Nos momentos decisivos, ele corre para o banheiro e fica sentado na privada (vale a pena ler a história inteira nos comentários do post anterior).

Por outro lado, alguns espertos torcedores fazem uma ligação entre as vitórias e os prazeres.

Jay, quando vê uma partida do Santos, sempre come um sanduíche de pernil antes de o jogo começar (“normalmente naquela marcenaria ao lado da Vila”). Ronaldo Wieselberg jamais deixa seu copo ficar vazio. “Se ele ficar vazio de alguma maneira, o meu time levará gol. O problema é a vontade de ir ao banheiro no final do jogo.”

Mas o mais radical entre estes ritualistas hedonistas é Franco, são-paulino de Natal (que talvez seja o cara da foto acima). Ele bebe uma cerveja para gol marcado por seu time. “Ainda bem que o seis a zero no Paraná foi num sábado. Lembro da dor de cabeça deste jogo até hoje!”


Talvez o ritual mais comum seja o da roupa. Telê Santana usava sempre uma camisa vermelha e Luxemburgo cultiva a rosa. Eu, por outro lado, certa vez ganhei uma bela camisa do Viola. Usei-a uma vez, derrota. Na segunda vez, derrota. Então guardei-a para usar contra um time bem fraco. Mas não adiantou: nova derrota. Aí perdi a paciência. Se você vir por aí um mendigo com a 9 do Santos, pode ser a minha.

Mas há outros exemplos bem mais doidos que o meu. O Mário, tricolor do Morumbi, não lavou sua camisa de 1993 até 2005, quando ganhou novamente a Libertadores. “E a de 2005 não será lavada até ganharmos outra Libertadores (uso uma camiseta branca por baixo, independentemente do calor, senão a inhaca fica insuportável!!!)”.

Alexandre Werner usa a mesma camisa da seleção desde a Copa de 90, mas como, digamos, a camisa encolheu, hoje em dia ele tem que usá-la no ombro.

Mas nem só de camisas vivem os rituais de roupas. Eduardo Ferreira, para manter o pé quente, assiste aos jogos de meias! “Não importam o calor e o chulé que possam decorrer do ritual, mas não posso ficar com os pés gelados.”

Vicente vê os jogos do Juventus com um boné e o corintiano Luisinho só vai ao estádio com seu moleton preto amarrado na cintura (“na verdade ele já está cinza”).

Outro corintiano, que compreensivelmente preferiu não se identificar, disse que seu ritual ludopédico é o seguinte: “Quando tem jogo do Timão na tela, eu proíbo minha esposa de chamar qualquer pessoa para o nosso apê, aí eu sempre assisto aos jogos pelado, de toca do Timão e um par de luvas do grandioso Ronaldo.”

E, por fim, há rituais ludopédicos mais simples, como o do Diego Alexandre: “Eu rezo.”

Ou como o do Davi Kikuchi, que diz não fazer nada. “Dá azar acreditar em superstição.”

 

Por Torero às 11h15

11/02/2009

Você pratica rituais ludopédicos?

Daqui a alguns dias vou fazer um texto sobre rituais ludopédicos, e preciso da ajuda dos leitores para garimpar exemplos. Você já deve ter feito algum ritual ludopédico. Eu, que sou ateu praticante, fiz vários. O mais comum é a camisa da sorte, ou seja, quando seu time ganha, você continua usando a camisa daquele dia até que perca um jogo com ela. E uns nem a lavam, para que não perca as energias positivas. Também já tive o amigo da sorte, o chinelo da sorte e até o amendoim da sorte, que fez o vendedor da Vila Belmiro trocar de carro.

Diga aí qual o seu ritual ludopédico. Duvido que você não tenha um.

 

Por Torero às 09h15

10/02/2009

Homens de barba

Um bom texto sobre homens de barba no futebol foi postado no blog do Fabrício Carpinejar. Para ir para lá, clique .

Por Torero às 16h05

Texto da Folha

Para ler o texto de hoje na Folha, "A gigantesca minoria", assinantes do UOL e da Folha podem clicar aqui.

Por Torero às 09h19

09/02/2009

Vencedores

E os vencedores das respostas ricardo teixeirianas foram:

-Rodrigo Della Vitória Duarte (São Paulo),

-Zé Perestelo (São Paulo)

-e Clériston Córdova (Palmas-TO).

Os três podem escolher que livro meu querem ganhar (se é que querem). Mandem email para blogdotorero@uol.com.br.

Por Torero às 23h19

O clássico de A a Z

Ah. Foi a expressão usada por palmeirenses e santistas depois do jogo. Mas os primeiros fizeram "Ah!" e os segundos, "Ah..."

Baile: É o que foram os trinta primeiros minutos do Palmeiras. Mas quem dançou foi o Santos. No fim do primeiro tempo, até que as coisas se equilibraram, mas o gol no comecinho da etapa final acabou com as esperanças santistas.

Capitão: Edmílson entrou bem no time. Se encaixou rapidamente no esquema, já fez dois gols e foi uma contratação que nem precisou daquele mês extra para entrar em forma.

Diego Souza: Falta alguma coisa nele. É um jogador com bom físico e habilidade, mas parece que lhe falta uma chama, ou então esta chama só acende de vez em quando. Parece sofrer de alexismo.

Estrangeiro: Bolaños, a contratação mais badalada do Santos, ainda não estreou de verdade. Vem só fazendo alguns minutos no finalzinho dos jogos. Poderia entrar no lugar de Roni. Até aqui, o ex-atacante do Fluminense vem se revelando um clone piorado de Kléber Pereira. E para quê um clone se há o original? Parece que o lugar de Roni é a reserva de Kléber.

Falha: Pode-se dizer, com certa maldade, que Fábio Costa falhou nos três primeiros gols. No primeiro, não conseguiu mandar a bola para longe no cruzamento, no segundo não deveria ter levantado a perna feito uma bailarina de cancan, e no terceiro rebateu a bola para a frente. É claro que foram lances difíceis, mas é nos lances difíceis que se vê o bom goleiro. Nos fáceis, tanto faz.

Gol. O mais bonito foi o último, de Lenny, com passe inteligente e belo drible.

Hemoglobina. Se algum dia eu precisar de uma transfusão de sangue, vou pedir o de Armero. Que saúde tem o sujeito! 
 
Impedimento: Keirrison estava impedido no terceiro gol palmeirense. Mas, na dúvida, que assistente levantaria a bandeira contra o time da casa e que estava jogando melhor? Só um muito bom.

Jéci: Seu nome deveria ser Jesse, com dois esses, como o de Jesse James. Os dois entram para matar.

K: A letra “K”, agora de volta ao nosso alfabeto, é sempre difícil de preencher nestas seções de “A a Z”. Mas com Keirrison fica fácil.

Lentidão. É o problema do Santos. Física e mentalmente o time está vagaroso. Ontem, segundo o Datafolha, trocou 304 passes, contra 218 do Palmeiras. Isto não quer dizer que o time tenha mais posso de bola, mas que não sabe o que fazer com ela.

Madson: É tão esforçado que mesmo numa goleada é poupado pela torcida.

Nove: É o número de gols que Keirrison fez no Santos em apenas três jogos. A torcida alvinegra está torcendo para que ele vá logo para o exterior. 

Organização. Este ano o Palmeiras conseguiu ficar com cara de time muito rápido. No começo de fevereiro parece já ter um esquema de jogo definido e eficiente.

Profissão: Pierre poderia ser cirurgião. Seus desarmes têm precisão milimétrica, o cara tem bisturi nos pés.

Quelônios. Ordem de répteis anapsidas, como tartarugas, cágados, adaíltons e jabutis.

Recuperação: Lenny provavelmente frequentou a AAA. Não, não tem nada a ver com os Alcoólicos Anônimos, falo da Associação dos Artilheiros Azarados. Ele deve ter ido às reuniões e sua recuperação foi brilhante. Podia dar o endereço ao Roni.
 
Saudade. É o que a torcida santista deve ter sentido de Domingos, zagueiro um tanto tosco mas empenhado.

Tática. O Santos deveria ter usado a mesma tática que o salvou do rebaixamento: três volantes. Mas agora é fácil falar.

Uff... Quem teve menos fôlego, o veterano Léo ou o jovem Adriano? Voto em Adriano.

Vermelho: A torcida palmeirense reincorporou há algum tempo a cor usada na fundação do clube, quando o Palestra era tricolor e usava as cores da Itália. O Palmeiras poderia usar o vermelho em sua próxima terceira camisa, mas ela será azul.

Xavier: Uma bela descoberta. O passe do quarto gol, de primeira, mostrou uma velocidade de raciocínio espantosa.

Zê. O time do Palmeiras ataca em “I”, ou seja, reto, para a frente, de forma vertical. O do Santos, em “Z”, com a bola indo para lá e para cá, de um lado para outro. Com Léo e Élder Granja as coisas podem melhorar.

 

Por Torero às 09h11

05/02/2009

As voltas

Acabo de ver o jogo entre Santos e São Caetano, o jogo da volta de Léo.

Mas, saindo do assunto, embora nem tanto, pergunto-vos: o leitor já se casou duas vezes com a mesma mulher? A leitora já namorou duas vezes o mesmo homem?

Pois a volta de um jogador é mais ou menos como um segundo caso amoroso com a mesma pessoa.

E estes retornos, estas voltas, estas segundas tentativas podem ter vários tons.

Há, por exemplo, a volta quase trágica de Zico, o maior ídolo da maior torcida do Flamengo. Ele foi para a Udinese quando tinha 30 anos, em 1983, e voltou dois anos depois. Mas a felicidade durou pouco. Márcio Nunes deu-lhe uma entrada criminosa e ele ficou seis meses sem jogar. Foi operado três vezes. Jogou algumas belas partidas e marcou gols, mas nunca voltou a ser o mesmo.

Outra volta agridoce foi a de Raí para o São Paulo. Ele saiu em 93 para o Paris Saint-Germain e voltou em 98, especialmente para a final do Paulista contra o Corinthians.  Qualquer tricolor que não tenha mais espinhas no rosto lembra deste jogo. O São Paulo ganhou de 3 a 1. Raí marcou um gol de cabeça e levou o time ao título. Mas logo depois se contundiria seriamente e ficaria um ano parado.

São muito comuns as voltas tristes, em que o cônjuge, ou o jogador, já não é sombra daquele que foi. E aí, em vez de matar saudades, o retorno causa lágrimas e ranger de dentes. O veloz Juari, quando voltou ao Santos, já era um centroavante sem a faísca que incendiava o time. Roque Júnior, nesta volta ao Palmeiras, esteve mais para bolero. Pedrinho, que fez partidas brilhantes pelo Vasco no começo da carreira, no ano passado foi um modesto meio-campista a participar da campanha do rebaixamento. E Palhinha, quando voltou ao Cruzeiro no começo dos anos oitenta, estava enferrujado.

Alguns retornos são rápidos e comoventes, como um velho casal que se reencontra depois de muitas décadas de separação e, já enrugados e com problemas de artrite, dormem juntos num hotel de beira de estrada em homenagem ao passado. Foi o que aconteceu com Luís Pereira e o São Bento. O zagueiro começou sua carreira no time sorocabano em fins dos anos sessenta. Depois foi para o Palmeiras, participou de Copa do Mundo, jogou anos na Espanha, passou por vários clubes e, já com 45 anos, voltou a Sorocaba e fez alguns jogos pelo seu primeiro amor. 

Acho que uma boa volta acontece quando na primeira vez há só um namorico, e então, na segunda, acontece um amor arrebatador. É o caso de Hernanes com o São Paulo. Na primeira vez, o São Paulo estava de aliança com Mineiro e Josué, e seu caso com Hernanes foi fugaz. O jogador foi emprestado ao Santo André mas, quando voltou, tornou-se o melhor jogador do time, o camisa 10.

E há o célebre retorno de Roberto Dinamite. Ele foi embora em 1980 para o Barcelona. Mas ficou por lá apenas por três meses. Depois voltou e continuou a marcar gols e levantar taças pelo Vasco. É como se ele tivesse deixado tudo por uma amante espanhola, mas percebeu que seu verdadeiro amor estava em São Januário, fez as malas e regressou. Foi recebido pela esposa de braços abertos e os dois foram felizes por um bom tempo.

Em qual destes casos se encaixará Léo?  

Só o tempo dirá. Mas, pelo jogo de hoje, estou otimista.

 

PS1: Outro belo retorno pode ser o de Amoroso, no Guarani.

PS2: O tema do texto de hoje, jogadores que passaram duas vezes por um clube, foi proposto pelo leitor Júlio Cézar Oliveira.

Por Torero às 23h32

03/02/2009

Travishnu, o deus do quase

Para ler o texto de hoje na Folha, assinantes do UOL e do jornal podem clicar aqui.

Por Torero às 08h07

02/02/2009

As surpresas de sempre

O título acima é um tanto estúpido. Se há sempre surpresa, não há surpresa, não é verdade?

Mas deixemos a lógica de lado, porque às vezes ela atrapalha a crônica esportiva, e vamos aos fatos: sempre há surpresas no começo dos estaduais.

Como os times grandes tiveram menos tempos de preparação e seus jogadores ainda estão se entrosando e emagrecendo, alguns clubes pequenos despontam.

Muitas vezes este bom começo lhes dá um embalo e eles conseguem também um bom meio de campeonato. E aí acreditam que são realmente bons, tornam-se realmente bons, e às vezes chegam a disputar o título.

O Volta Redonda de Túlio Maravilha, o São Caetano de Muricy Ramalho, o Itumbiara de Basílio e o Ipatinga de 2005, que na final superou o Cruzeiro de Fred, são bons exemplos de times pequenos que chegaram longe.

No Paulista, a surpresa vem sendo o Mirassol, que está invicto e tem o segundo melhor ataque do campeonato.

No Rio, o Americano lidera o grupo A, deixando para trás Vasco e Fluminense, que já perderam para times pequenos. E o Americano não está nem na Série C do Brasileiro. Terá que lutar por uma vaga na D.
 
No Pernambucano, que já vai pela sétima rodada, pode-se dizer que a surpresa é o Santa Cruz, que parece estar se reerguendo e vem em segundo lugar. Neste fim de semana, empatou com o Náutico.

O Campeonato Mineiro tem três líderes. Um deles é o Cruzeiro. Mas ao seu lado, em vez do eterno rival Atlético, estão Ituiutaba e Democrata de Governados Valadares.

O Foz do Iguaçu é o vice-líder do Paranaense, deixando para trás Coritiba e Paraná.

E, nas terras de José de Alencar, nem Ceará, nem Ferroviário, nem Fortaleza. O líder, depois de sete rodadas, é o invicto Maranguape, que tem ainda o artilheiro da competição: Danilo Pit Bull, com seis gols.

Ou seja, as surpresas estão pipocando pelo país. Há que ver se elas são apenas nuvens passageiras, como diria Hermes de Aquino, ou se são verdadeiros Davis que vêm desafiar os Golias.

 

Por Torero às 06h49

Ricardo Teixeira, a entrevista final

Peguei todas as respostas enviadas pelos leitores e fiz cá uma entrevista final com o presidente da CBF.

Modéstia à parte (e bem à parte mesmo, porque as respostas não são minhas), acho que a entrevista ficou muito boa.

Vote na melhor resposta na pesquisa aqui ao lado. Os três mais votados ganham livros deste que vos escreve (ou, no caso, edita).

 

1-) Não é economicamente melhor vender os direitos no campeonato brasileiro para várias emissoras?
[Gabriel C.Santo] [São Paulo - SP]

Meu caro Torero, o aquecimento global nos obriga a fazer contrato com apenas uma emissora. Os gases gerados para impressão de contratos são altíssimos, portanto fica inviável fazer mais de um!
Egídio Pereira Franco, Mogi Mirim

 

2-) Sr. Ricardo Teixeira, bom dia. Sempre quis saber o porquê de, uns anos para cá, a seleção brasileira só fazer amistosos fora do Brasil, e quando realizados aqui no Brasil, o ingresso mínimo chega a custar mais de R$ 150,00 (como por exemplo, o jogo que será no novo estádio do Gama, em Brasilia). Não seria interessante incentivar o brasileiro a ir nos estádios vendendo ingressos a preços mais acessíveis?
[Thiago Esteves Nogueira] [São Paulo, SP, Brasil]

O salário do brasileiro é que é baixo. Seria melhor perguntar ao Lula por que ele não dá um aumento no salário para que o preço dos ingressos se tornem mais acessíveis.
Thiago Rosa

 

3-) Minha questão é em relaçao a regra de desempate em caso de igualdades de pontos no Brasileirão. Na Inglaterra, França e Alemanha o primeiro critério de desempate é o saldo de gols. Na Espanha e Portugal o confronto direto desempata em caso de igualdade de pontos, antecedendo o critério de saldo. Na Itália e Argentina, em caso de igualdade, o campeão é decidido em um jogo-extra. E o Brasil é o único deste apanhado a privilegiar o número de vitórias no caso de empate. Por que esse critério se a vitória já vale 3 pontos?
[Rubinelson] [Sao Paulo]

Ficar copiando europeus, para quê? Se eu fizer tudo igual, vão querer segurança e banheiro limpo no estádio.
Rogas | Sao Paulo

 

4-) Sr. Ricardo Terra Teixeira, O que acha do continuísmo no COB, que sistematicamente vem elegendo o sr. Carlos Arthur Nuzman seu presidente?
[Rogério Chacon] [São Paulo - SP - Brasil]

Acho um absurdo eles copiarem o modelo de gestão da CBF!!
Cello | Angra dos Reis

 

5-) Presidente, Por que a decisão de sediar partidas das eliminatórias apenas no Eixo Rio-SP. Não seria interessante o revezamento que já aconteceu em Eliminatórias passadas, tendo em vista a falta de interesse de cariocas e paulistas em comparecerem aos jogos da seleção BRASILEIRA?
[Víctor Palheta]

Nossa preocupação sempre foi manter a Seleção nos eixos.
AL-Chaer |
al.chaer@cultura.com.br | Goiânia - GO 

 

6-) O que o senhor acha do Saci Pererê como mascote para a Copa de 2014?
[Hamilton Pereira] [Iguape]

O Saci anda meio fora de forma, acho que ele não tem perna para agüentar até 2014. Prefiro, como símbolo da organização do nosso futebol, a mula-sem-cabeça;
Zé |
jperestrelo2000@yahoo.com.br | São Paulo SP, Brasil

 

7-) O senhor considera ético ter sua filha participando do comitê organizador do Mundial 2014 ?
[Paulinho] [São Paulo]

Não se preocupe, ela não faz nada por lá.
Rodrigo Della Vittoria Duarte |
rodrigodvduarte@gmail.com | São Paulo

 

8-) Sr. Teixeira, após nos conformarmos com a perda de todos os craques brasileiros, nos deparamos com a situação de tampouco termos jogadores medianos atuando no país por mais de 1 ano. Somos impotentes perante mercados insignificantes para o futebol, como Vietnã e Bielorússia. Não temos declarações substanciais da CBF acerca do assunto, por isso pergunto: O que o senhor e a CBF fizeram de relevante para tornar o futebol brasileiro viável e atrativo economicamente e protegê-lo das perdas para os mercados externos?
[Marcelo Bueno] [Santos, SP]

Marcelo... Bueno, nós na CBF fizemos uma assinatura com a ESPN Brasil, assim podemos ver nossos craques brasileiros todos os finais de semana. Por que você não faz o mesmo?;
Roberval Teixeira | Nichty City/RJ

 

9-) Sr. Ricardo Teixeira, nos jogos da seleção, como funciona a distribuição de ingressos para empresas (operação e quota)? Sabe-se que algumas patrocinam a entidade (Vivo, Ambex...), porém, nota-se que, outras empresas também recebem entradas para os jogos. Elas pegam por isso ou é apenas cortesia da CBF?
[Clayton Bezerra] [SBC _ SP]

Isso é uma grande bagunça. Quem entende do riscado são os cambistas.
Clériston Cordova | Palmas-TO

 

10-) Sr. Ricardo Teixeira, o continuísmo de um presidente no comando de times de futebol já se mostrou desastroso mais de uma vez. E quanto ao continuísmo no comando da CBF? Não é também prejudicial?
[Amanda] [Santos, São Paulo]

Totalmente. Por isso continuarei no comando e não deixarei ninguém tentar alguma coisa nesse sentido.
Davi Kikuchi | São Paulo

 

Por Torero às 06h04

Resultado da pesquisa


Keirrison acabou como o mais votado na pesquisa para ver quem será o artilheiro do Paulistão. Ele ficou com 32,26%, à frente de Washington (27,02%) e Kléber Trave Pereira (25,40%).

Nas últimas posições houve um duelo entre Pedrão e Ronaldo, mas o jogador do Grêmio Barueri, que já chegou aos seis gols e está liderando a artilharia, conseguiu desempatar no finalzinho e chegou a 8,06%.

Ronaldo ficou em último lugar com 7,26%. Mas acho que este número não é pessimismo, e sim bom senso. O torcedor sabe que ele vai demorar a estrear no campeonato estadual e, mesmo depois que estrear, na verdade estará mais se preparando para o Brasileiro.  

Por Torero às 05h56

Sobre o autor

Formado em Letras e Jornalismo e quase formado em Cinema, é autor de treze livros (como "O Chalaça"), escreveu roteiros para cinema (como "Pequeno Dicionário Amoroso") e para tevê ("Retrato Falado").

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