Blog do Torero

30/01/2009

Dez perguntas para Ricardo Teixeira (8, 9 e 10)

8-) Sr. Teixeira, após nos conformarmos com a perda de todos os craques brasileiros, nos deparamos com a situação de tampouco termos jogadores medianos atuando no país por mais de 1 ano. Somos impotentes perante mercados insignificantes para o futebol, como Vietnã e Bielorússia. Não temos declarações substanciais da CBF acerca do assunto, por isso pergunto: O que o senhor e a CBF fizeram de relevante para tornar o futebol brasileiro viável e atrativo economicamente e protegê-lo das perdas para os mercados externos?
[Marcelo Bueno] [Santos, SP]

Marcelo, para responder sua pergunta usarei os ensinamentos do pensador liberal Adam Smith. Veja bem, o futebol brasileiro se autorregula, ele não precisa da CBF. Estou há anos aqui e ainda sim somos penta. Se eu tivesse tentado fazer algo pra melhorar, provavelmente a Argentina já seria Hexa.
Fabio | SP

Marcelo... Bueno, nós na CBF fizemos uma assinatura com a ESPN Brasil, assim podemos ver nossos craques brasileiros todos os finais de semana. Por que você não faz o mesmo?;
Roberval Teixeira | Nichty City/RJ

Futebol brasileiro é na europa, aqui é só pra engordar o gado antes de vender
Vagner | vagnerpl@gmail.com

Temos que explorar os novos mercados emergentes do futebol. Ainda não vendemos nenhum jogador para o Butão ou para as Ilhas Seychelles. Realmente, ainda temos um caminho longo a percorrer para tornar o nosso futebol um produto realmente globalizado;
Zé | jperestrelo2000@yahoo.com.br | São Paulo SP, Brasil

Você está vendo as coisas por um ângulo muito restrito. Pergunte a Juan Figger ,Carlos Leite, Luxemburgo, etc se eles acham o futebol brasileiro inviável.
Denilson Oliveira.

Parei no “medianos”.
Alexandre | Cascavel PR

 

 

9-) Sr. Ricardo Teixeira, nos jogos da seleção, como funciona a distribuição de ingressos para empresas (operação e quota)? Sabe-se que algumas patrocinam a entidade (Vivo, Ambex...), porém, nota-se que, outras empresas também recebem entradas para os jogos. Elas pegam por isso ou é apenas cortesia da CBF?
[Clayton Bezerra] [SBC _ SP]


Clayton como representante do nosso futebol a CBF deve sempre ser o mais cordial possível para causarmos uma boa impressão certo?
Fernando | Suzano, SP

Isso é uma grande bagunça. Quem entende do riscado são os cambistas.
Clériston Cordova | Palmas-TO

Ora, Clayton, passe aqui na CBF, pegue alguns ingressos para você e sua família e lá conversaremos melhor sobre o tema, ok?
Fabio | SP

As duas. Toda cortesia tem preço. Como diz o filósofo Meu Sogro: "não existe almoço grátis".
AL-Chaer | al.chaer@cultura.com.br | Goiânia - GO

 

 

10-) Sr. Ricardo Teixeira, o continuísmo de um presidente no comando de times de futebol já se mostrou desastroso mais de uma vez. E quanto ao continuísmo no comando da CBF? Não é também prejudicial?
[Amanda] [Santos, São Paulo]

Totalmente. Por isso continuarei no comando e não deixarei ninguém tentar alguma coisa nesse sentido.
Davi Kikuchi | São Paulo

Eu discordo. Dualib e Eurico Miranda me ajudaram muito a fazer a série B crescer em popularidade. São dois exemplos para o futebol deste país.
Alexandre | Cascavel PR

Olha, na verdade não há continuísmo na CBF. Veja, no passado existia um Ricardo que não se dava com Pelé, que não queria saber de ficar muito perto do Governo, que gostava do Zagallo, que traiu o Blater... O Ricardo de agora é outra pessoa, ele é o maior amigo do Pelé, ele é fã do Lula, dos governadores (Aécio não está lindo com aquele topete?) e até beija a mão do Blater.
Denilson Oliveira.

Eu penso que existe o continuísmo e a continuidade. O continuísmo, como os filmes do Jason, é ruim. A continuidade, como o Guerra nas Estrelas e O Senhor dos Anéis, é boa e reflete a realidade da CBF.
David | Matinhos/ PR

Prejudicial?!?! So se for pra quem tá tentando pegar meu lugar.
Bruno Resende | b.resende@uol.com.br

Tem razão, Amanda. Rodrigo, você tá demitido!
Guilherme | opatopateta@yahoo.com.br | SP

Veja bem. Nem sempre o continuímo é algo negativo, Amanda. Veja, por exemplo, o caso dos pais e das mães. Desde que nascemos somos conduzidos pelos mesmos indivíduos. Houvesse rodízio de pais e mães e a coisa estaria danada.
Elton Frederick | São Paulo

Concordo. Só estou ainda na CBF porque o Blatter não quer largar o osso.
Zé | jperestrelo2000@yahoo.com.br | São Paulo SP, Brasil

Por Torero às 08h04

29/01/2009

Dez perguntas para Ricardo Teixeira (6 e 7)

6-) O que o senhor acha do Saci Pererê como mascote para a Copa de 2014?
[Hamilton Pereira] [Iguape]

Acho que dá pé.
Rodrigo Della Vittoria Duarte | São Paulo

Não vai dar pé...
AL-Chaer | Goiânia - GO 

Quem eh esse? Eh da Disney?
Alexandre | Cascavel PR

Sou mais o Tio Patinhas
Fernando | sp brasil

Haverá uma eleição, no site da CBF, para que o povo decida entre três mascotes: o Náikinho, o Vivinho e o Guaranazinho.
Bruno | Viçosa-MG

Eu preferiria o Harry Portter, mas o orçamento para a Copa já anda mal das pernas...(entendeu o trocadilho querido Louis?);
Roberval Teixeira | Nichty City/RJ

Acho excelente, contanto que o Pelé se caracterize tal qual o personagem para o material de divulgação.
David | Matinhos/ PR

Aquele jogador do Corinthians? Não, não! Mascotes têm de ser seres fictícios.
Guilherme | opatopateta@yahoo.com.br

Não vai ser o Saci Pererê, porque eu estou fechado com meu grande amigo e guru Juca Kfouri, que é contra o perneta.
Daniel Veloso | Brasília-DF

Como poderíamos ter como mascote do mundial uma criança afro-descendente, sem roupa, descalço e jogado aos vicíos? Isso não combina com o Brasil, pelo menos não no caderno da candidatura da Copa 2014 enviado a FIFA.
Denilson Oliveira.

Bom, porque, como hoje está cheio de pernas de pau na Seleção, o fato do Saci só ter uma perna disfarça um pouco.
Walter Camargo | Santana de Parnaiba

O saci anda meio fora de forma, acho que ele não tem perna para agüentar até 2014. Prefiro, como símbolo da organização do nosso futebol, a mula-sem-cabeça;
Zé | São Paulo SP, Brasil

 

 


7-) O senhor considera ético ter sua filha participando do comitê organizador do Mundial 2014 ?
[Paulinho] [São Paulo]

E você, acha ético deixar uma filha na rua da amargura??? Onde esse mundo vai parar???
Marcio R. Castro | São Paulo - SP

Não vejo problema. Todo mundo é filho de alguém.
Andre Araujo | São Paulo

Caro Paulinho: Antes a minha filha do que a sua.
fernando | sp brasil 

Antiético seria ter alguém de pouca confiança lá!
Guilherme | opatopateta@yahoo.com.br

Paulinho, confio mais na minha filha do que em qualquer filho-da-mãe
Que me critica.
Jorge Nagao, santista, paulista, aquariano e boleiro.

Caro Paulinho, consideraria ético se soubesse o que isto significa... É sério, vou procurar um dicionário e já volto...
Carlos Patricio | SBC – SP

Paulinho, o Sr. considera anti-ético o Sr. Torero ter empregado seu sobrinho Lelê no UOL e Folha? Que pergunta burra meu amigo.
Felipe Carbone | fjcarbones@yahoo.com.br

Não se preocupe, ela não faz nada por lá.
Rodrigo Della Vittoria Duarte | São Paulo

Eu a aconselhei a não trabalhar em um lugar tão mal frequentado mas ela não me escuta.
Renato Santini | Saopaulo

 

 

Por Torero às 07h39

Números

Os amantes de estatíscas futebolísticas vão gostar de conhecer o blog do José Renato, que traz números interessantes e curiosos sobre a Libertadores, que este ano chega à sua quinquagésima edição, e a Copa do Brasil, que já aconteceu 20 vezes.  

Para dar uma olhada lá, clique .

(PS: Falando em números, a enquete aqui do lado tem um empate triplo. Kléber Pereira e Keirrison têm 28,66%, e Washington vem logo atrás com  28,05%.)  

Por Torero às 07h33

28/01/2009

10 perguntas para Ricardo Teixeira (4 e 5)

4-) Sr. Ricardo Terra Teixeira, O que acha do continuísmo no COB, que sistematicamente vem elegendo o sr. Carlos Arthur Nuzman seu presidente?
[Rogério Chacon] [São Paulo - SP - Brasil]

O que é bom tem que continuar. No caso, o Nuzman não é tão bom como eu, por isso, sou contra.
Andre Araujo | São Paulo

Acho um absurdo eles copiarem o modelo de gestão da CBF!! COB seja mais original!!!!!!
Cello | Angra dos Reis

Todo trabalho de sucesso deve ser mantido. O Nuzman faz por merecer dar continuidade ao seu trabalho. Há outros exemplos de grandes líderes que deram seqüencia a projetos bem desenvolvidos: Fidel Castro, Eurico Miranda, José Sarney, Robert Mugabe e, humildemente, eu próprio.
Bruno Vieira | Viçosa-MG

Um absurdo. Desse jeito, ele vai conseguir me alcançar.
Davi Kikuchi | São Paulo

 

5-) Presidente, Por que a decisão de sediar partidas das eliminatórias apenas no Eixo Rio-SP. Não seria interessante o revezamento que já aconteceu em Eliminatórias passadas, tendo em vista a falta de interesse de cariocas e paulistas em comparecerem aos jogos da seleção BRASILEIRA?
[Víctor Palheta]

Na verdade eu gostaria que fossem todas na Europa, mas como não dá, fica onde for mais perto de onde descem os aviões da europa, porque dentro do avião vem aquele ar europeu que eu gosto tanto
Vagner | vagnerpl@gmail.com

Eu é que não vou ficar viajando pelos grotões do Brasil. Já faço muito de pegar a ponte aérea. Por mim até as eliminatórias a gente disputava na Europa.
Luciano, o B | Sorocaba

É... mas isso é culpa da CBF que vê primeiro seus interesses comerciais e afagos políticos em detrimento a interesse da torcida e de uma retomada de um vínculo entre a mesma e a seleção...AAIIIII....desculpem...estou sofrendo de transtorno bi polar, passei por uma crise rápida... Quanto à sua questão, tudo está dentro do planejamento da seleção.
Denilson Oliveira.
 
Eu bem que tentei levar os jogos para Londres e Estocolmo, mas aqueles pulhas da Comenbol não deixaram.
Guilherme | opatopateta@yahoo.com.br

Nossa preocupação sempre foi manter a Seleção nos eixos.
AL-Chaer | Goiânia - GO 

Mas há o revezamento: um jogo no Rio, o outro em São Paulo...
Rodrigo Della Vittoria Duarte | São Paulo

Além de eu ter que ir até a porcaria do estádio vocês ainda querem que eu fique 10 horas dentro de um avião. Faça-me o favor! Se reclamarem, o próximo Brasil e Argentina será em Milão e o próximo Brasil e Uruguai será em Londres, onde o povo é muito melhore até mendigo fala inglês.
rogas@uol.com.br | Sao Paulo

 

Por Torero às 11h47

Língua e futebol

Para ler um texto interessante que junta os dois assuntos acima, clique aqui

Por Torero às 11h45

Provocação

 

 

Recebi esta interessante provocação de um leitor, provavelmente tricolor.

Por Torero às 11h42

27/01/2009

10 perguntas para Ricardo Teixeira - 3

3-) Minha questão é em relaçao a regra de desempate em caso de igualdades de pontos no Brasileirão. Na Inglaterra, França e Alemanha o primeiro critério de desempate é o saldo de gols. Na Espanha e Portugal o confronto direto desempata em caso de igualdade de pontos, antecedendo o critério de saldo. Na Itália e Argentina, em caso de igualdade, o campeão é decidido em um jogo-extra. E o Brasil é o único deste apanhado a privilegiar o número de vitórias no caso de empate. Por que esse critério se a vitória já vale 3 pontos?
[Rubinelson] [Sao Paulo]

Porque nós somos a vanguarda do futebol mundial.
Diego Heberson Cardoso Alexandre | dieheralex@ig.com.br | Ourinhos, São Paulo, Brasil

Rubinelson, bom dia! Em primeiro lugar gostaria de saber se seu pai quis homenagear o Barrichelo e o Piquet ao escolher seu belo nome. Bem, vamos a questão do desempate. O critério de maior número de vitórias faz com que os times se esforcem mais a fim de vencerem seus jogos fora de casa. Nos campeonatos que você citou, um empate fora de casa é quase sempre um bom negócio
Roberval Teixeira | visaodesconexa@uol.com.br | Nichty City

Se nem os europeus entram em acordo pq nós também temos que entrar?
Felipe Carbone | fjcarbones@yahoo.com.br

Porque, apesar de todos acharem que sou flamenguista, sou torcedor do Vitória e, esta foi uma forma de salientar sua importância.
Rodrigo Della Vittoria Duarte | rodrigodvduarte@gmail.com | São Paulo

Ficar copiando europeus, para quê? Se eu fizer tudo igual, vão querer segurança e banheiro limpo no estádio. Portanto, mantenha o foco no regulamento. Obs: Se me encher muito recontrato o Tico, quer dizer o Teco.
Rogas | Sao Paulo

A vitória tá valendo 3 pontos, é?
Alexandre | Cascavel PR

Por Torero às 08h12

O melhor veterano

43,21% dos leitores do blog acreditam que Marcelinho Carioca será o melhor veterano do Campeonato Paulista. Eu teria dado o mesmo voto. Marcelinho fez um bom Brasileiro na Série B e está mais entrosado com o resto do time.

Giovanni ficou com 30,36% e Amoroso, que acredito que será o mais festejado, com 26,43%.

Na nova pesquisa, Keirrison largou na frente, com 35,05%, seguido por Kléber Pereira (27,84%). Pedrão, o atual líder da artilharia, está na lanterna com 5,15%. 

Por Torero às 08h09

Belluzzo

Luiz Gonzaga Belluzzo foi eleito o novo presidente do Palmeiras. Confesso que tenho um pé atrás em relação a Belluzzo, afinal ele participou dos governos Sarney e Quércia, que não foram exatamente brilhantes, mas, mesmo assim, foi um passo à frente. 

O que lamento é que uma eleição tão importante quanto esta, que influencia a vida de milhões de pessoas, tenha apenas 274 votos. 

Por Torero às 08h05

Na Folha

Para ler o texto de hoje na Folha, sobre a inveja que tenho dos centroavantes, assinantes do UOL e da Folha podem clicar aqui.

Por Torero às 07h59

26/01/2009

Dez perguntas para Ricardo Teixeira - 2

2-)Sr. Ricardo Teixeira, bom dia. Sempre quis saber o porquê de, uns anos para cá, a seleção brasileira só fazer amistosos fora do Brasil, e quando realizados aqui no Brasil, o ingresso mínimo chega a custar mais de R$ 150,00 (como por exemplo, o jogo que será no novo estádio do Gama, em Brasilia). Não seria interessante incentivar o brasileiro a ir nos estádios vendendo ingressos a preços mais acessíveis?
[Thiago Esteves Nogueira] [São Paulo, SP, Brasil]

Caro, Thiago. A Seleção Brasileira (que só é Brasileira no nome) é o MELHOR CLUBE DE FUTEBOL DO MUNDO para se dirigir. Não precisa pagar salário pros jogadores, e consigo uma constelação de craques (ou propensos craques) do quilate de Kaká, Ronaldo, Robinho, Julio Baptista, Jô e Elano sem precisar gastar milhões como o Real Madrid, o Milan ou o Chelsea. Logo, é mais do que justo que a torcida pague caro para ver esses brasileiros que jogam na Europa, afinal, tirando essa rara oportunidade, você só os vê jogar no seu videogame (que custa o mesmo preço do ingresso). Essa emoção na verdade não tem preço.
Yuri Estevam | São Paulo

Caro Thiago, desde que conquistamos o mundo com nosso futebol não podemos mais chamar a Seleção Brasileira de nossa. Ela é do planeta todo.
Marcelo Pereira da Silva  | Blumenau - SC

Ir no estádio? Para quê? Façam como eu, vá a Ópera que é muito mais legal!
rogas@uol.com.br | Sao Paulo

Meu querido, se você está preocupado com o poder aquisitivo do Brasileiro, vai fazer pergunta para o Lula.
Fábio Castro | São Paulo, SP, Brasil

Mais acessível que R$ 150,00?! Meu Deus, já está muito barato! Você que está ganhando mal, tente um cargo de diretor em algum clube ou federação.
Rodrigo Della Vittoria Duarte | São Paulo

Você já viu pobre ir em estádio lá na Europa? Quer um conselho? Fique rico.
AL-Chaer | Goiânia - GO 

Temos que valorizar nosso jogador. Não podemos deixá-los jogar em lugares sem visibilidade como o Brasil.
Andre Araujo | São Paulo

Imagine se colocarmos o os ingressos a um preço acessível com seria, por exemplo, o Maracanã, Morumbi ou Beira-Rio, lotado nos vaiando? Seria muito ruim pra nossa imagem né?
Fernando | Suzano, SP

O ingresso não custa mais do que um celular, algo tão popular no país.
Bruno Vieira | brunovieira.jornalismo@gmail.com | Viçosa-MG

Brasileiros?
Alexandre | werner2@uol.com.br | Cascavel PR

Por Torero às 08h07

24/01/2009

Talvez para 2010

 
 

Talvez para 2010

Texto de Márcio R. Castro

 Mais uma temporada do futebol brasileiro está começando, com os campeonatos estaduais. Hoje combalidos, os estaduais poderiam ganhar em importância se uma medida simples fosse tomada: voltassem a ser conhecidos os classificados para a Copa do Brasil somente de suas fileiras.

Depois de inúmeras mudanças, a Copa do Brasil passou a ter uma espécie de reserva de mercado, com 10 vagas garantidas através do Ranking Nacional dos Clubes, elaborado pela CBF. Na prática, é uma medida para que nenhum clube grande fique de fora da disputa.

Além disso, nos estados que têm mais de uma vaga na competição, é permitido que se realize torneios classificatórios para se alcançar a Copa do Brasil. Ou seja, menos vagas conseguidas pelos Estaduais.

Sem esses artifícios, com as vagas sendo conquistadas somente através dos Estaduais, as competições se tornariam muito mais acirradas e interessantes. Os grandes não se acomodariam, os pequenos lutariam até o fim, premiando-se, de fato, os melhores de cada estado. Dois princípios, que deveriam ser básicos, seriam colocados em prática, melhorando o nível geral dos campeonatos: competitividade e meritocracia.

Mas não são apenas os Estaduais que poderiam ser mais valorizados. A Copa do Brasil, desde que deixou de contar com a participação dos times classificados para a Libertadores, também sofreu um baque e tanto. A CBF culpa o calendário, é claro. Mas a solução adequada, bem diferente do absurdo implantado, passaria justamente por ela.

Após a necessária diminuição dos Estaduais, a cartolagem deu uma recaída. Os campeonatos foram novamente inchados, ainda que levemente, por razões muito mais políticas do que esportivas. Se o número de datas se mantivesse em no máximo vinte, já haveria algum respiro.

Depois disso, a CBF deveria propor o óbvio para a Conmebol: Libertadores e Sul-americana concomitantes, ao longo de um período maior do ano, sem nenhum clube disputando as duas competições na mesma temporada. O calendário ganharia mais espaço, beneficiando todos os países do continente. Por aqui, a Copa do Brasil voltaria a ser uma disputa a toda força, justa e sem ressalvas.

Já que falamos nela, e a Copa Sul-americana? Do jeito que está, não dá para ficar. Primeiramente, a competição poderia ter o mesmo formato da Libertadores, inclusive quanto ao número de vagas por país. Assim, as famigeradas fases nacionais, disputadas por brasileiros e argentinos, seriam eliminadas.

Isso implicaria em menos vagas para os dois países, o que seria ótimo. É ridículo que o 12º colocado do Brasileirão seja premiado por sua campanha pífia. Às vezes, os times que lutam contra o rebaixamento até a última rodada podem, de quebra, se classificar para a Sul-americana. Simplesmente patético.

Cinco vagas para o Brasil (do 5º ao 8º do Brasileiro mais o vice da Copa do Brasil) já está bom demais, até exagerado. Mas vá lá. Essas mudanças valorizariam tanto a torneio sul-americano quanto o Campeonato Brasileiro. Meritocracia e competitividade, como um mantra.

Outro assunto urgente é o Mundial de Clubes. Nas próximas edições, novamente teremos vagas para o campeão nacional do país sede. No caso, serão os Emirados Árabes. Mais uma vez, times desconhecidos, sem qualidade, apelo e merecimento, serão agraciados. Além disso, existe um jogo classificatório que absolutamente ninguém vê, quartas-de-final incompletas e com mais jogos esvaziados e semifinais desinteressantes, pelo menos até que ocorra uma surpresa. Enfim, o torneio é um fracasso.

Colocar mais clubes europeus e sul-americanos é essencial. E nada de colocar campeões de Copa da Uefa e Copa Sul-americana, isso seria premiar clubes que não chegaram às grandes competições continentais.

Campeões e vices da Liga dos Campeões e da Copa Libertadores se classificariam para o Mundial. Outro garantido seria o atual campeão do mundo, que defenderia seu título. Completando o quadro de oito vagas, os campeões continentais da África, Ásia/Oceania e América do Norte, Central e Caribe.

Assim, teríamos quartas-de-final completas, interessantes e já com um grande confronto, semifinais somente com equipes de peso (ou com algum "intruso" que enxotou um grandalhão) e uma final daquelas, que traria um lastro de qualidade e de intensas disputas. Seria de arrepiar.

Para 2009 não dá mais, talvez para 2010. Mas tenho a impresão que vai ficar sempre para o ano que vem.

Por Torero às 20h46

Festa em Los Angeles é para pessoas comuns

 
 

Festa em Los Angeles é para pessoas comuns

(Como a leitora Érika pediu, coloco aqui o texto que fiz quando estive na premiação do Oscar (eu fui um dos roteiristas do curta "Uma história de futebol"). O texto foi pulbicado na Folha de S.Paulo em 27 de março de 2001)

Caro leitor , caso você algum dia vá parar na festa do Oscar, deixo-lhe aqui algumas impressões que podem ser úteis. Digo-lhe, que você começa a sentir o clima da festa quando coloca o seu smoking (o meu foi alugado por R$ 165! e nem era um dos mais caros). Aí, depois de conter o riso ao se olhar no espelho, você vai para o Shrine Civic Auditorium e será uma das 5.800 pessoas que assistirão ao Oscar ao vivo.

Chegando ali você vai encontrar um congestionamento diferente, de limusines. São centenas. Algumas brancas, a maioria negra, todas muito compridas e caras (para o dia do Oscar, elas custam US$ 100 por hora e são alugadas por nove horas). Durante esse congestionamento, você vai ver alguns fãs malucos. Havia, por exemplo, uma Marilyn, um Super-Homem e, é claro, um Jesus Cristo, que benzia todos os carros.

Então desce-se da limusine e os porteiros já começam a pedir seu bilhete. É o papel mais caro que já me caiu nas mãos. No câmbio negro, um ingresso atinge o preço de US$ 2 mil, o que me deixou tentado a ver a festa pela TV.

Depois de mostrar seu bilhete, você vai pisar no glorioso tapete vermelho. Mas a frequência do "red carpet", como dizem os americanos, não é tão nobre assim. Ele é pisado por pés bem comuns. Os famosos são poucos. Não há nada mais equivocado do que pensar que o Oscar é uma festa na qual só vão beldades e celebridades. Tanto que eu estava lá.

A maioria das pessoas que vai à festa do Oscar é uma gente comum, provavelmente parentes ou profissionais secundários nas empresas cinematográficas. Se você der uma olhada em volta enquanto está entrando no Shrine, terá a impressão de que está entrando num baile de debutantes. Com a desvantagem de que há mais mães do que filhas.

As roupas também não são lá grande coisa. Só umas poucas exceções usam Chanel, Prada, Gucci e Valentino. A maioria parecia usar uma roupa feita pela costureira do bairro. Mas, para não dizer que não falei das flores, digo que as bebidas são de primeira, em especial os vinhos. Porém os salgadinhos, que foram feitos por um tal de Wolfang Puck, uma mistura local de Laurent com Ofelia, deixam muito a desejar.

Depois de passar pelo "red carpet", você vai sentar no seu lugar. O meu era bem longe do palco. Provavelmente um espaço reservado para concunhados dos genros das sogras da tia-avó dos assistentes de produção. Fiquei no terceiro e último andar, de modo que, para ver Steve Martin, eu tinha de apertar bem os olhos e ter um pouco de imaginação. Para quem quisesse, havia uns binóculos à venda por US$ 10. Mas preferi olhar para um dos dois telões que ficavam dos lados do palco. Mesmo lá, vendo o Oscar ao vivo, o melhor era assistir pela TV.

Logo que começa a premiação, já podem ser vistos os primeiros derrotados indo ao bar. Mas agora as bebidas eram pagas. E bem pagas. Um refrigerante custava US$ 3. Num baile de debutante, pelo menos, a bebida é grátis.

Essas coisas podem fazer você pensar que não há vantagem em ver o Oscar de perto. Talvez seja verdade, mas há uma diferença importante. Quando se vê ao vivo os atores e apresentadores, os premiados e os perdedores, a equipe de filmagem e o público, se vê que o show é menos perfeito do que se pensa. Ao vivo ele perde muito de sua aura, de seu glamour, e se torna uma festa em que não há só beldades, mas também, e principalmente, gente normal, com ares de tia, de primo, de vizinho.

Depois da premiação, há uma grande aglomeração, pois todos querem pegar suas limusines. A saída do teatro fica parecendo o metrô da Sé, com a diferença de que todos estão bem vestidos.

Mas o chato mesmo é que o filme no qual trabalhei perdeu. E nestes momentos há que ser maduro e adulto. Por isso, amanhã, vou à Disneylândia.


 

Por Torero às 20h42

23/01/2009

Dez perguntas para Ricardo Teixeira - 1

Enviei dez perguntas formuladas por leitores para Ricardo Teixeira. Como ele não responde e seu assessor não responde por que ele não responde, convidei os próprios leitores a escreverem as respostas. Cada dia publicarei uma pergunta. Vai aí a primeira.

1-) Não é economicamente melhor vender os direitos no campeonato brasileiro para várias emissoras?
[Gabriel C.Santo] [São Paulo - SP]

Existe mais de uma emissora?
Alexandre, Cascavel-PR.

Seria uma boa idéia. Da minha parte, a única exigência seria que todas as emissoras mantivessem a boa política da atual detentora dos direitos: não comentar, criticar ou falar da minha pessoa ou dos negócios e de como funciona a CBF.
Bruno Vieira, Viçosa-MG.

Economia não é tudo. Eu prezo mais os laços de amizade.
Walter Camargo, Santana de Parnaiba.

Caro Gabriel, não é viável. Isso aumentaria a receita dos clubes, tornando-os independentes das Federações-Bancos que me reelegem.
Yuri Estevam, São Paulo.

Seguimos a "Lógica Kaká": temos amor pela camisa e ficamos onde nos recebem bem.
Guilherme.

Não, é melhor vender apenas para uma emissora, pois a exclusividade paga um prêmio muito grande uma vez que permite a TV cobrar mais de seus patrocinadores. Nesta o RT está correto... infelizmente.
Terencio Trindade.

Meu caro Torero, o aquecimento global nos obriga a fazer contrato com apenas uma emissora. Os gases gerados para impressão de contratos são altíssimos, portanto fica inviável fazer mais de um!
Egídio Pereira Franco, Mogi Mirim

Sim, já fazemos isso. Vendemos para a Globo, Sportv, Sportv2 e Premiere. Pesquise antes de perguntar.
Rodrigo Della Vittoria Duarte, São Paulo

Por Torero às 07h54

Mais bandas e clubes

Paraná Clube = Inimigos do Rei.
Ganhou um título logo nos primeiros anos de existência, mas demonstrou que seus jogadores fazem mais sucesso em carreira-solo do que com a banda de onde originaram (Ricardinho, Paulo Miranda, Lúcio Flávio...).
Yuri Estevam.

 

Juventus da Móoca = Língua de Trapo.
Nunca fizeram aquele enorme sucesso e são conhecidos pelos seus poucos resultados representativos. No caso do Língua, pela Concheta, no do Juventus, por ter tomado o gol mais bonito do Pelé.
Yuri Estevam.

  
Bahia = Chiclete.
O Chiclete, por opção própria, não faz divulgação nenhuma na mídia, não vai nos programas de TV e é sempre um fenômeno de publico nos shows, carnavais fora de época e, no Carnaval de Salvador, sempre arrasta as multidões. O Bahia, pelo mau desempenho dos últimos anos, está fora da mídia, mas sempre é o o clube que mais atrai público no país (com exceção do ano passado quando teve que jogar fora de Salvador).
Tradicao31. 

 

Coritiba = Menudos.
Em 1985, não teve pra ninguém. Só para os dois. Desde então, todas as tentativas de retorno de ambos ao auge, terminaram em vexame (lembrem-se que no ano que o Coxa caiu, o vocalista principal do Menudo e filho do dono da banda apareceu com um gato enjaulado dentro do cabelo).
Yuri Estevam.

 
Atlético-PR = Amy Winehouse.
Já foi muito badalada e considerada a estrela mais promissora dos últimos tempos. Mas atualmente está caindo pelas tabelas.
François e Luiz

 

São Caetano = Mamonas Assassinas.
Da noite pro dia, surgiram como um meteoro, ganhando de todo mundo, contra todas as regras e convenções. O time chegou a uma final de Libertadores e a banda bateu o recorde do RPM de venda de um disco de estréia), mas uma tragédia acabou com todo esse sonho.
Yuri Estevam.

 

 

Por Torero às 07h38

22/01/2009

Qual a banda do seu clube?

A leitora Litz Ely (e, nas horas vagas, minha mãe), sempre atenta às piadas internéticas, mandou-me esta (quem souber a origem, avise).

 

Se seu time fosse uma banda. 

Grêmio = Sepultura
Um de nossos sucessos internacionais. Mas na terra do molejo e do samba faceiro - exceção feita ao seu público fiel - muitos acham que eles pegam pesado demais.

 

Corinthians = Michael Jackson
Um dos mais populares da história, envolveu-se em escâncalos e até mudou de cor. Tem apostado em criancinhas como Lulinha e Dentinho. 


   
Palmeiras = Aerosmith
A banda tem enorme tempo de estrada. Mas suas músicas só atingem o estrelato quando faz alguma parceria.        
 
São Paulo = Queen
Já foi eleita a melhor do mundo uma quantidade de vezes. E há outras coincidências que nem vale a pena comentar.  


                          
Santos = Beatles
Nos anos 60, nao tinha pra ninguem, até hoje é lembrado no mundo inteiro pelos sucessos de 40 anos atrás.

 

Vasco = Oasis
Banda de qualidade e importância inquestionáveis. Todo mundo quer gostar dela quando ouve, mas a imagem do líder Euricão Gallagher faz muita gente sentir aversão.

 

Internacional = Led Zeppelin
Reinou nos anos 70 e morreu nos 80. Seus líderes conseguiram juntar os cacos e voltar nos anos 2000, com uma inesquecível turnê mundial.

 

Atlético MG = Raul Seixas
Mesmo sem ter alcançado o estrelato tantas vezes, conseguiu se consolidar como um dos artistas mais populares do país. Seus fãs são tão apaixonados que têm fama de malucos.

 

Fluminense = Titãs
Banda charmosa e simpática. No Brasil, é querida por muitos. O problema é que ninguem nunca ouviu falar fora de nossas fronteiras.

 

Botafogo = Rolling Stones
Seria o maior da década de 60, se não houvesse um rival mais popular... Teve seu Satisfaction em Garrincha. Há alguns anos retomou o rumo e está feliz da vida.


Cruzeiro = Paralamas do Sucesso
Na América do Sul é respeitado e campeão de vendas. Mas quando participa de um festival com bandas européias é café com leite.
                 

Flamengo= Jorge Ben Jor
Há muito tempo não produz um grande sucesso, mas é incrivel como segue popular e nunca sai da moda.

 

Remo = Calypso
Orgulho do Pará, e só do Pará.

Por Torero às 09h33

21/01/2009

Rio de Janeiro já se prepara para a Copa de 2014

(enviado pelo leitor Roberto Marinho)

 

Por Torero às 20h36

Resultado da enquete

A torcida que mais acessa o blog é a são-paulina, seguida pela corintiana. Será que isso significa que já há mais jovens torcedores tricolores do alvinegros? Em terceiro lugar ficaram os santistas, provavelmente porque tenho uma certa simpatia pelo time da Vila Belmiro, e em quarto vêm os palmeirenses. Entre os times do Rio, os flamenguistas ganham longe. Entre os mineiros, o Cruzeiro também venceu sem grande dificuldade. E o Sport foi outro que teve uma boa votação. 

E já há nova pesquisa.

Quanto às perguntas para Ricardo Teixeira, as colaborações ficaram tão boas que colocarei uma por dia, com várias respostas. Começamos na sexta.  

 

Por Torero às 20h18

19/01/2009

Dez perguntas para Ricardo Teixeira

Caros leitores, leitoras caríssimas, dia 12 de dezembro mandei dez das perguntas enviadas por vós ao presidente da CBF. O assessor de imprensa Rodrigo Paiva disse-me que ele as responderia em poucos dias, mas os poucos já viraram mais de trinta e nada aconteceu.

Assim, para que as questões não fiquem sem resposta, sugiro que os próprios leitores as respondam. Depois farei uma seleção e publicarei aqui o resultado.

Uma das respostas ganha um livro deste que vos escreve (bem feito, quem mandou bancar o engraçadinho?).

Eis as perguntas. Mãos à obra!

1-) Não é economicamente melhor vender os direitos no campeonato brasileiro para várias emissoras?
[Gabriel C.Santo] [São Paulo - SP]

2-)Sr. Ricardo Teixeira, bom dia. Sempre quis saber o porquê de, uns anos para cá, a seleção brasileira só fazer amistosos fora do Brasil, e quando realizados aqui no Brasil, o ingresso mínimo chega a custar mais de R$ 150,00 (como por exemplo, o jogo que será no novo estádio do Gama, em Brasilia). Não seria interessante incentivar o brasileiro a ir nos estádios vendendo ingressos a preços mais acessíveis?
[Thiago Esteves Nogueira] [São Paulo, SP, Brasil]

3-) Minha questão é em relaçao a regra de desempate em caso de igualdades de pontos no Brasileirão. Na Inglaterra, França e Alemanha o primeiro critério de desempate é o saldo de gols. Na Espanha e Portugal o confronto direto desempata em caso de igualdade de pontos, antecedendo o critério de saldo. Na Itália e Argentina, em caso de igualdade, o campeão é decidido em um jogo-extra. E o Brasil é o único deste apanhado a privilegiar o número de vitórias no caso de empate. Por que esse critério se a vitória já vale 3 pontos?
[Rubinelson] [Sao Paulo]

4-) Sr. Ricardo Terra Teixeira, O que acha do continuísmo no COB, que sistematicamente vem elegendo o sr. Carlos Arthur Nuzman seu presidente?
[Rogério Chacon] [São Paulo - SP - Brasil]

5-) Presidente, Por que a decisão de sediar partidas das eliminatórias apenas no Eixo Rio-SP. Não seria interessante o revezamento que já aconteceu em Eliminatórias passadas, tendo em vista a falta de interesse de cariocas e paulistas em comparecerem aos jogos da seleção BRASILEIRA?
[Víctor Palheta]

6-) O que o senhor acha do Saci Pererê como mascote para a Copa de 2014?
[Hamilton Pereira] [Iguape]

7-) O senhor considera ético ter sua filha participando do comitê organizador do Mundial 2014 ?
[Paulinho] [São Paulo]

8-) Sr. Teixeira, após nos conformarmos com a perda de todos os craques brasileiros, nos deparamos com a situação de tampouco termos jogadores medianos atuando no país por mais de 1 ano. Somos impotentes perante mercados insignificantes para o futebol, como Vietnã e Bielorússia. Não temos declarações substanciais da CBF acerca do assunto, por isso pergunto: O que o senhor e a CBF fizeram de relevante para tornar o futebol brasileiro viável e atrativo economicamente e protegê-lo das perdas para os mercados externos?
[Marcelo Bueno] [Santos, SP]

9-) Sr. Ricardo Teixeira, nos jogos da seleção, como funciona a distribuição de ingressos para empresas (operação e quota)? Sabe-se que algumas patrocinam a entidade (Vivo, Ambex...), porém, nota-se que, outras empresas tb recebem entradas para os jogos. Elas pegam por isso ou é apenas cortesia da CBF?
[Clayton Bezerra] [SBC _ SP]

10-) Sr. Ricardo Teixeira, o continuísmo de um presidente no comando de times de futebol já se mostrou desastroso mais de uma vez. E quanto ao continuísmo no comando da CBF? Não é também prejudicial?
[Amanda] [Santos, São Paulo]

 

Por Torero às 09h32

16/01/2009

Zé Cabala entrevista o primeiro corintiano

Quando cheguei à casa de Zé Cabala, ele pintava a parede da sala e Gulliver, seu assistente anão, o rodapé.

Aproximei-me e perguntei: “Não teremos nenhuma incorporação de espíritos hoje, mestre?”

Com o turbante sujo de tinta, ele respondeu: “Eu estava me preparando para isso”. Então fez um sinal para que eu o seguisse e entramos em sua sala de meditação, que fica no quartinho de empregada.

Vi que as paredes estavam recém pintadas e perguntei: “Este cheiro de tinta não vai atrapalhá-lo, grande sábio?”

“Só ajuda, meu caro foliculário.”

“Essa matéria não é para a Folha, mas para o UOL. Logo, pode me chamar de uolário.”

“Você nunca procurou a palavra foliculário no Houaiss, não é?”

“Nunca.”

“Imaginei.”

Depois, o papa dos pajés respirou fundo, bem fundo, e começou a girar. Treze voltas mais tarde, ele despencou sobre suas almofadas coloridas, olhou para as paredes e disse: “O sujeito que pintou este quarto não entende nada de pintura.”

“Como é que o senhor sabe?”, perguntei.

“Porque eu sou um profissional, meu caro”. E, levantando-se, estendeu-me a mão e disse “Joaquim Ambrósio, muito prazer.”

Aquele nome não me era estranho. “Joaquim Ambrósio..., Joaquim Ambrósio... Já sei! Um dos fundadores do Corinthians!”

“Com muita honra.”

“Se eu me lembro bem, vocês viram um jogo de um time inglês e tiveram a idéia de fundar um clube, não é?”

“Mais ou menos. A gente já vinha pensando nisso. Mas aí, no dia 31 de agosto de 1910, eu e mais quatro amigos, o Rafael Perrone, que era sapateiro, o Anselmo Correia, que era motorista, o Antônio Pereira, pintor que nem eu, e o Carlos da Silva, trabalhador braçal, fomos ao Velódromo ver o jogo entre a A.A. Palmeiras e o Corinthian, um time da Inglaterra que estava fazendo uns amistosos por aqui. Foi um jogaço! Os ingleses ganharam de 2 a 0, fora o baile. Aí a gente se animou e, enquanto esperava o bonde ali na avenida dos Imigrantes, que hoje vocês chamam de José Paulino, decidiu que ia fundar um time. Mas não dava para fundar um time só com cinco pessoas, né? Ainda mais que nem tinham inventado o futebol de salão.”

 Os ingleses do Corinthian.

“Então vocês combinaram uma outra reunião para o dia seguinte?”

“Isso. E chamamos uns amigos. Éramos treze. A gente se encontrou no mesmo lugar e ali na rua começou o clube. De testemunha só tinha um lampião de gás e o cometa Halley.”

“Era um time de trabalhadores.”

“É verdade. Quase tudo operário. Não tinha almofadinha. Isso era uma grande diferença, porque boa parte dos times daquela época era comandada por janotas, mas o nosso só tinha gente simples. Tanto que as nossas primeiras reuniões foram numa barbearia.”

“E quem deu a idéia do nome?”

“Modéstia à parte, eu mesmo. Foi numa reunião no dia 5 de setembro. Tinha gente que queria botar o nome de Carlos Gomes, aquele da ópera, outros queriam Santos Dumont, o do avião, mas, como no dia anterior os ingleses tinham vencido o São Paulo Athletic por 8 a 2, eu falei que o time tinha que se chamar Sport Club Corinthians Paulista.”

“Mas o nome do clube inglês não era Corinthian?”

“Era. Mas a imprensa chamava de Corinthian’s Team, então a gente pensou que era Corinthians, com “s”. Ninguém no clube era muito bom em inglês, sabe como é...”

   À esquerda, o símbolo do Corinthian inglês. À direita, o primeiro símbolo do Corinthians Paulista.

“E os passos seguintes?”

“Comprar uma bola e arranjar um adversário, é claro. Fizemos uma vaquinha e marcamos um jogo contra o União da Lapa, um time de várzea dos bons.”

“O uniforme já era alvinegro?”

“Não, era creme com os punhos negros. Mas desbotava fácil. Então em 1917 a gente trocou o creme pelo branco.”

“E qual foi a escalação daquela primeira partida?”

“Ah, lembro até hoje. Valente (não é à toa que corintiano gosta de jogador valente); Perrone (o sapateiro que dava umas boas botinadas na defesa) e Atílio; Lepre, Alfredo e Police; João da Silva (bonito nome, não?), Jorge Campbell (para dar um toque inglês), Luiz Fabi (que viria a ser nosso primeiro artilheiro), César Nunes e eu, Joaquim Ambrósio, fundador e ponta-esquerda.”

“E o placar?”

“Perdemos por 1 a 0.”

“E não desanimaram?”

“Claro que não. Corintiano não desanima com o fracasso. Com a gente, é na saúde e na doença, na alegria e na tristeza, na vitória e na derrota.”

 

Por Torero às 01h16

13/01/2009

Ludopedofilia

Para ler o texto de hoje publicado na Folha de S.Paulo sobre pedofilia, ou melhor, ludopedofilia, assinantes do UOL podem clicar aqui.

Por Torero às 09h59

12/01/2009

Picadinho de segunda

(Os antigos cronistas esportivos, quando estavam sem assunto, faziam um apanhado de vários assuntos, dando uma pincelada em cada um. Como neste fim de semana nada de muito importante aconteceu, vou me valer da tática dos antigos mestres) 

Volta à redonda no Volta Redonda. O time fluminense tem se especializado em trazer jogadores veteranos para seu elenco. Este ano será a vez de Júnior Baiano, que sob a batuta de Telê Santana fez até gol de bicicleta no São Paulo. Antes dele, o clube já havia trazido Túlio Maravilha e Sérgio Manoel.

Eterno Retorno. Outras equipes do Rio de Janeiro também trouxeram jogadores, digamos, experientes. O sempiterno Sorato, que completa 40 anos em abril, estará no Tigres do Brasil, pulando para cabecear as bolas lançadas por Yan, ex-Vasco.

Quatrocentões. Em São Paulo, o Santo André é quem se destaca por trazer jogadores longevos. Marcelinho Carioca e Fernando, que somam 80 anos, estão no meio campo do time. E não decepcionam.

Rugas e luvas. Mas é entre os goleiros que os veteranos têm lugar garantido. Os dois principais goleiros que jogam no país, Marcos e Rogério Ceni,  têm 36 e 35 anos. Clemer, aos 40, está na reserva do Inter. E Sérgio, 37, que jogou muito tempo no Palmeiras, está no Itumbiara.

Anos x quilos. Outro que vai para o Itumbiara é Túlio Maravilha, citado quatro tópicos acima. Ele vai jogar o Campeonato Goiano e a Copa do Brasil. Aliás, nessa competição, o time pega o Corinthians logo de cara. Será um duelo interessante contra Ronaldo. O que pesará mais, a idade ou o próprio peso.

Ronaldiet. Se realmente emagrecer, Ronaldo poderia lançar um livro contando como fez para perder peso, incluindo aí algumas receitas de baixas calorias. Eu compraria na hora.

Copinha. São Paulo e Santos me parecem os melhores times do início da Copa São Paulo. Pelo tricolor, Oscar e Henrique são os destaques. Pelo alvinegro, gostei de Alan Patrick e Denis.

Saci Pererê pula em Pirassununga. O candidato desta coluna a mascote da Copa do Mundo de 2014 será o tema do carnaval de Pirassununga. A área central da cidade será decorada com o Saci brincando o carnaval. A Secretaria de Cultura quer inserir Pirassununga na Campanha "Saci - Mascote da Copa do Mundo de 2014".  As assinaturas colhidas durante o evento, provavelmente um tanto trêmulas, serão encaminhadas à CBF e ao Ministério da Cultura.

Ilha de Lost. O Chelsea de Felipão perdeu por 3 a 0 para o Manchester. Talvez tenha vida curta a aventura dele pela Inglaterra. Ou não. Há técnicos de tiro curto, que chegam e logo causam efeito, mas se desgastam no longo prazo, como Leão, e outros que demoram a engrenar mas depois que conseguem implantar seu sistema de jogo, vão de vento em popa. Acho que este é o caso de Felipão.
 
Messias crucificado. Giovanni ofereceu-se para jogar pelo Santos no Campeonato Paulista. Era seu desejo encerrar a carreira no clube brasileiro em que mais teve sucesso. Mas o presidente do clube não quis.

Candidatos. Quem o leitor acha que será o artilheiro do Paulista? Kléber Pereira ou Roni? Washington ou Borges? Ronaldo ou Souza? Amoroso ou Giovanni? Eu voto em Washington.

Por Torero às 09h19

09/01/2009

Zé Cabala e o jogador que virou estádio

Quando cheguei à casa de Zé Cabala, ele já estava usando um turbante alvinegro.

"Como o senhor sabia que eu queria falar com o jogador de um time alvinegro?", perguntei espantado.

"Já sei até seu nome."

"Sério? Como, mestre?"

"São meus poderes divinatórios, é claro. Ou você acha que eu li no jornal que hoje era o dia dele?"

"Jamais pensaria uma coisa dessas de vós, grande rabi."

"Pois então, não percamos mais tempo!"

Dito isso, Zé Cabala, o Sedex das almas, começou a girar, a girar, até que caiu em cima de suas almofadas.

"O senhor está bem?", perguntei.

"Depende. Quanto foi o último jogo?"

"Dois a um para o Santos."

"Então estou ótimo!"

"Posso começar as perguntas?"

"Já fez a primeira. Faça a segunda."

"Nome completo?"

"Urbano Vilella Caldeira Filho. Mas pode me chamar de Urbano. Ou de Vila Belmiro. Rá, rá!"

 Urbano com a camisa antiga do Santos

"O senhor nasceu em..."

"Florianópolis, no dia 9 de janeiro de 1890. Lá se vão quase cento e vinte anos... O tempo voa, não?"

"O senhor veio de lá para Santos?"

"Não, cheguei em São Paulo ainda menino. Joguei em alguns times de lá até ser transferido para a alfândega santista. Logo conheci os rapazes do Santos ali no Café Paulista. Me filiei ao clube no dia 27 de janeiro de 1913. A sede ficava num sótão tão apertado que seu apelido era Pombal."

"O senhor era goleiro, não é?"

"Não! Quem te disse isso?"

"Li no site do Milton Neves."

"Poxa, como é que o Milton me dá uma dessas?! Na verdade, eu fui zagueiro."

"Qual a sua partida inesquecível?"

"Ah, essa é fácil. Foi em 1913. Era a primeira vez que a gente participava do Campeonato Paulista. E íamos enfrentar o Corinthians no parque Antártica. Pois sapecamos um belo 6 a 3. Aquilo foi batuta demais!" 

"E a sua carreira foi longa?"

"Não. Só durou cinco anos. Depois me tornei diretor geral de esportes. Ah, também fui o primeiro técnico do time."

"Eu li algo sobre barris..."

"É, eu inventei umas coisas interessantes. Por exemplo, colocava todos os jogadores em volta de um barril e eles tinham que derrubá-lo com seus chutes. Com isso aprimoravam, ao mesmo tempo, a pontaria e a força. Na época isso era alta tecnologia."

"É verdade que o senhor ajudou a plantar a grama do estádio?"

"Claro, com estas mãos aqui. Quer dizer, não com estas, com as minhas. Em 1916, quando a gente comprou o terreno do estádio, eu e outros torcedores plantamos a grama nas noites enluaradas. Era para que ela crescesse a tempo de fazer ali uma partida do Paulista."

"E como foi a estréia do campo?"

"Lembro até hoje. Tenho uma memória ótima. Aconteceu no dia 22 de outubro, contra o poderoso Ypiranga. Ganhamos por 2 a 1, com um gol de Jarbas no finzinho. Quando percebi que tínhamos vencido sobre a grama que eu tinha ajudado a plantar, quase chorei. Só não fiz isso porque a água salgada não é boa para a grama."

 A Vila, no dia da estréia, com a grama plantada por Urbano.

"O senhor sempre teve um carinho especial pelo campo, não?"

"Sempre. Mas nem desconfiava que um dia ele teria o meu nome. Às vezes, antes do sol nascer, eu já estava aparando a grama. Eu e os meus carneiros, que eram as máquinas de cortar grama daquele tempo."

"O senhor era um tanto boêmio, não?"

"Eu gostava de uma festa. Em 1928, junto com alguns jogadores, como Araken, Renato Pimenta e Siriri, até fundamos um bloco carnavalesco, o Flor do Ambiente. Eu gostava de festa, mas não admitia que meus jogadores fossem dormir tarde. Uma vez encontrei quatro jogadores jogando dominó num bar às 4h30. Levei o caso à diretoria e pedi que eles fossem advertidos."

"E o que senhor fazia na rua às 4h30 da madrugada?"

"Eu? É..., bem, não me lembro, tenho uma memória péssima."

 Urbano em traje de gala.

"É verdade que em 32 o Santos quase perdeu todos os seus troféus?"

"Pois é. O pessoal de São Paulo estava doando ouro para a Revolução Constitucionalista e o Santos achou que deveria dar seus troféus. Fiquei desesperado! Imagine, perder nossos troféus. Mas eu e o Vidal Sion fizemos uma campanha, conseguimos arrecadar um bom dinheiro para dar em lugar das taças e continuamos com elas. Mas foi por pouco."

"Logo depois o senhor pediu afastamento, não é?"

"Por motivo de saúde. No ano seguinte, quando eu tinha só 43 anos, acabei morrendo. Mais de trezentos carros acompanharam o cortejo até o cemitério do Paquetá. O caixão foi coberto com a bandeira do Santos."

"Triste, muito triste."

"O pior foi que não cheguei a ver o Santos campeão paulista. Se eu tivesse aguentado mais dois anos... Mas olhe que coincidência: bati as botas um dia depois do primeiro jogo do clube no profissionalismo. É como se eu tivesse morrido junto com o amadorismo, junto com o meu tempo."

Por Torero às 10h02

06/01/2009

Texto na Folha

Para ler o texto de hoje na Folha, "A feira e o free shop", sobre o mercado de jogadores, clique aqui.

Por Torero às 07h54

05/01/2009

Primeiro, o secundário

De todas as sugestões que foram enviadas sobre o texto da última sexta-feira ("O café, os escravos e o futebol"), houve uma, a de Yuri Estevam, que me pareceu especialmente interessante.

Para quem não leu, transcrevo parte dela aqui:

"Outra medida importante seria que todo jogador, como é na NBA, só pudesse ser negociado, ou ingressar em alguma equipe, se tivesse o tal segundo grau completo. Afinal, se o cara não for jogador profissional, como a maioria que não passa na peneira, vai precisar desse diplominha (digo no diminutivo porque justamente é esse o valor da nossa Educação) pra ser lixeiro, cobrador de ônibus, esses empregos que eles, talvez por sorte, consigam, caso a carreira com a bola não siga - o mais provável."

Pois bem, secundarista leitor e secundípara leitora, matutei um tanto sobre a proposta acima e acho que ela traria um monte de benefícios.

1-) Acabaria com a idéia de que futebol se opõe à educação. A bola é, para muitos meninos, uma desculpa para não estudar. "Para quê ir para a escola se eu vou ficar milionário jogando futebol?". O problema é que, na maioria das vezes, o pequeno otimista não fica milionário e nem mesmo vira jogador de futebol. E, caso ele consiga isso, um pouco de educação vai ajudá-lo a poupar (ou a gastar melhor) os seus milhões.

2-) Melhoraria o nível de educação do boleiro profissional. Como disse o Juca em seu comentário, o jogador brasileiro é um tanto índio, um tanto simplório, e assim torna-se uma presa fácil. Um mínimo de educação dificultaria o trabalho de empresários aproveitadores, dirigentes pilantras, marias-chuteiras espertalhonas e vendedores de correntinhas de ouro falso.

3-) Valorizaria a educação. Quase todo menino sonha em ser jogador de futebol (eu mesmo me pego às vezes pensando: "ah, se eu tivesse passado naquele teste..."), e, se ele souber desde pequeno que para isso precisa estudar, teremos a educação atrelada a um sonho infantil. É claro que seria melhor que a criança estudasse por saber que isso será útil em sua vida, ou, melhor ainda, pelo prazer de estudar; mas, neste caso, creio que vale o truque.

É bem possível que uma lei dessas gerasse uma grita geral dos clubes, pois, teoricamente, diminuiria sua matéria-prima. Mas isso só teoricamente. Com um certo tempo para a aplicação da lei, esse problema seria minimizado.

Acho que o verdadeiro motivo dos protestos seria que o jogador um pouco mais estudado é menos manipulável, vê outras coisas além do futebol, é menos bobo.

Enfim, me parece uma boa proposta. Um tanto radical à primeira vista, mas talvez o futebol precise de mudanças radicais.

Por Torero às 08h21

02/01/2009

O café, os escravos e o futebol.

O memorioso leitor e a memorável leitora hão de recordar que antigamente se dizia que o jogador era um escravo.

A lei do passe o prendia a um time por toda a vida. Mas então veio a Lei Pelé, suas adaptações, suas interpretações e seus etceteras, e a coisa mudou de figura. Mudou, mas nem tanto.

Hoje os jogadores ainda pertencem a alguém. Ou alguéns. Além dos clubes, pertencem a empresários, grupos de investimentos, parentes, acionistas etc... Não sei como ainda não há bancos oferecendo quotas em atletas brasileiros. Talvez logo isso aconteça e possamos comprar um pedaço de Keirrison assim como se compra ações da Petrobrás.

Acho que um dos males do futebol brasileiro é a figura do empresário, um sujeito um tanto estranho, que intermedeia negócios, investe em jogadores e em clubes, e até comprou parte de alguns times.

Algumas categorias de base de clubes pequenos, por exemplo, pertencem a empresários. E você só consegue uma vaga se assinar contrato com eles.

O empresário surgiu aproveitando-se de um espaço deixado pela incompetência dos clubes. Muitos dão uma tevê aos pais do garoto e já ficam donos de parte de seu passe. Ou direitos federativos (creio que, na verdade, os direitos federativos só podem ser de clubes, mas no Brasil sempre há vários modos de contornar a lei). Outros, nem isso. Apenas prometem uma ajuda. E em alguns clubes é realmente difícil entrar sem um empresário.

Essa intermediação de empresários muitas vezes gera corrupções, diminuindo a meritocracia que havia nos tempos em que o futebol e os jogadores eram geridos apenas pelos clubes. O clube, pelo menos, tinha interesse em ser campeão. O empresário, não. Ele tem interesse em vender o jogador. Se possível, várias vezes.

É como se o jogador deixasse de ser um escravo comum e passasse a ser um "escravo de ganho". Os tais "escravos de ganho" eram liberados para fazer tarefas remuneradas, e trabalhavam como doceiras, prostitutas ou carregadores, dando parte de seus ganhos aos seus donos.

Com esta nova figura, muitos clubes saem perdendo. Investem nas categorias de base mas, quando os garotos vão estourar, já pertencem em parte a um empresário.

Antes que o leitor pense que estou pregando a volta da escravidão, esclareço que não acho que a coisa mais importante do futebol sejam os clubes. Para mim, são os jogadores. Mas, se os clubes se empobrecem, ficamos sem os melhores jogadores, e sem os melhores jogadores, ficamos sem o melhor futebol.

Mal comparando, é como se os clubes fossem as fazendas de café, os jogadores fossem os escravos e o café, o futebol. O empresário não ajuda em nada neste sistema produtivo. Ele não faz a menor falta.

Por que o São Paulo não se aliou a nenhum grupo de investimento e há três anos vem sendo campeão brasileiro?

O Palmeiras está junto com a Traffic e não teve grandes resultados. O Santos não conseguiu nada de útil com o Sonda (na cidade já há a piada de que o grupo "sonda, sonda e não acha nada").

O Corinthians, agora livre de Kia e de seus dólares suspeitos, fez a melhor jogada de marketing do ano.

Mas vamos às saídas.

Uma solução seria fazer contratos mais compridos.

Os contratos brasileiros são mais breves que os europeus. O lateral Adriano, do Sevilha, por exemplo, acabou de assinar por mais seis anos. No Brasil, um contrato de três anos já é considerado longo (legalmente, o máximo é de 5 anos). Se fossem mais duradouros, isso dificultaria a saída dos jogadores e daria mais estabilidade aos clubes.

Mas será isso justo? Talvez não. Porém, é como funciona na Europa e há que se adaptar às regras do principal comprador do mercado mundial. Ainda mais se elas beneficiarem os times brasileiros. Na verdade, nossa legislação parece ter sido feita sob encomenda para os times de lá. E para os empresários de cá.

Acredito que uma Lei do Ventre Preso poderia fazer com que os jogadores saíssem mais tarde. Fazer com que eles saiam apenas depois dos 18 anos poderia ser interessante. Mas não me parece muito correto proibir a saída de gente que quer trabalhar fora do país. Um aumento da indenização ao clube formador, que, segundo o Estatuto de Transferência Internacional de Jogadores da Fifa, criado em 2001, está em 5%, poderia ser interessante. Mais que interessante, seria uma reposição importante para nossos clubes.
 
Outra saída é vender o café em vez dos escravos. O Campeonato Brasileiro deveria ser visto em todo o mundo, e os clubes deveriam receber por isso. Mas acontece o contrário. Nós é que consumimos o café estrangeiro. Café plantado e jogado por brasileiros. 

O Clube dos 13, que me parece uma entidade um tanto preguiçosa e com pouca criatividade, deveria tentar vender nosso campeonato para outros países, e não apenas para a Globo.

Enfim, estamos numa situação em que os escravos são fatiados, as fazendas estão falindo e o café não é fácil de engolir.

Mande aí suas sugestões que na terça farei um novo texto sobre o assunto. Em vez de uma Copa dos Pesadelos, desta vez faremos uma legislação dos sonhos.

Por Torero às 11h44

Sobre o autor

Formado em Letras e Jornalismo e quase formado em Cinema, é autor de treze livros (como "O Chalaça"), escreveu roteiros para cinema (como "Pequeno Dicionário Amoroso") e para tevê ("Retrato Falado").

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