Blog do Torero

30/12/2008

O melhor atleta do ano

Para saber quem é o sujeito do título, assinantes da Folha e do UOl podem clicar aqui.

Por Torero às 09h51

29/12/2008

Minha seleção de 2008

Fim de ano é tempo de retrospectivas, promessas, listas e seleções. Pois não me furtarei a esta obrigação e escalarei nas linhas abaixo a minha seleção de 2008. Mas será uma seleção sem futebolistas.

Antes de mais nada, digo-vos que acredito naquela história de que um bom time começa por um bom goleiro. Assim sendo, para esta posição escalo Guga. O veterano jogador se aposentou este ano e deixou uma fantástica herança esportiva. Magro mas ágil, ídolo mas bacana, Guga, que teve que abandonar a grama, e o saibro, merece a vaga.

Um lateral-direito deve ter fôlego, não pode desistir nunca e tem que suportar a dor. Por isso elejo Marílson dos Santos para a vaga. Pela segunda vez (a primeira foi em 2006) o atleta brasiliense fez uma grande partida em Nova Iorque. Ele tem resistência para correr atrás de lançamentos profundos (principalmente os de dez mil metros) e aguenta como ninguém a maratona de jogos. 

A zaga central deve que ser ocupada por uma dupla que se entenda, que faça manobras rápidas e certeiras, e que corra como o vento. Por isso, ninguém melhor que Fernanda Olivera e Isabel Swan. Com esta dupla na zaga, o time vai de vento em popa.

Na lateral-esquerda, fico com Daniel Dias, que tem fôlego e rapidez como poucos, qualidades fundamentais para quem joga na lateral. Quando ele nasceu, veio um anjo torto e disse “Vai, Daniel, vai ser gauche na vida”. Mas ele não deu bola e foi em frente. Gauche, só se for porque joga na canhota.

Um volante tem que proteger seu espaço, não pode cair à toa, deve agarrar o adversário caso seja preciso e, se o cara bancar o engraçadinho, tem que acabar no chão. Por isso Ketleyn Quadros é o nome certo para a camisa cinco. Ketleyn é leve, mas joga pesado.

Meu segundo volante é realmente um volante: Felipe Massa. A cada ano ele fica mais rápido e consistente. Tem uma boa arrancada, se destaca nos treinos e poucos conseguem acompanhá-lo. Seu único problema são os pirulitos.
 
Na armação, vou de Fofão. Uma rima e uma solução. Ela sabe como ninguém abrir para as pontas, mas às vezes surpreende jogando pelo meio ou quando ela mesma parte para o ataque. Pena que fez seus últimos jogos pela seleção este ano. De qualquer forma, foi uma despedida dourada.

Um bom ponta-direita tem que fazer de tudo para escapar dos pontapés adversários. Tem que saltar, dar piruetas, mortais e que tais. E ninguém melhor do que Diego Hipólito para fazer estes malabarismos. Às vezes estatela-se no chão, mas isso é um acidente de trabalho comum para um ponta-direita.

Para o honroso lugar de centroavante escalo César Cielo. Não há ninguém mais veloz num arrancada de 50 metros. Cesão é daqueles que se empenha até o último segundo, tanto que sempre sai das competições totalmente molhado.

Por fim, na ponta-esquerda, fico com Maurren Higa Maggi. Rápida e de passadas realmente largas, com um salto praticamente vai da meia-lua para a pequena área. Sua única excentricidade é jogar sempre com um cachorro de pelúcia nas costas, que curiosamente ela chama de Leão.
 
Bem, seletivo leitor e selecionada leitora, esta é a minha seleção de 2008. Esqueci alguém? Discordou? Mande aí a sua.

Por Torero às 08h24

28/12/2008

Esse time joga por música

 
 

Esse time joga por música

Texto de Anderson Santos, Maceió, Alagoas.

 

Em meio às retrospectivas de final de ano, meu parceiro de blog esportivo falou sobre a lista musical dele. No mesmo instante defini que se fosse fazer um "top música" teria que ser no mínimo um time de futebol, pois neste ano escutei mais coisas diferentes do que nos anos anteriores.

Unindo uma idéia do jornalista José R. Torero - que fez um time de escritores - com a retrospectiva do ano, resolvi escalar o meu time musical de 2008, entre grupos e cantores que pude conhecer, de verdade, neste ano que acaba.

No gol, Chico Science e Nação Zumbi.
- Nada como ter um líder na posição de goleiro. O líder do transformador movimento pernambucano mangue beat representa toda uma Nação Zumbi.

Na lateral-direita, Clara Nunes.
- Soube interpretar muito bem músicas de um povo que viveu, e alguns de seus descendentes ainda vivem, à margem da sociedade, os negros. A lateral-direita não é só uma homenagem, mas um protesto.

Na defesa:
Fernanda Takai.
- A descendência japonesa dá velocidade para se antecipar aos atacantes. Ainda por cima, é capaz de demonstrar um bom entrosamento em grupo, com o Pato Fu, e ser habilidosa no combate individual, cantando Nara Leão.

Cartola.
- É para quem gosta de clássicos. Como Domingos da Guia, Cartola é um desses. É o tipo de jogador que se quer ver vestindo a camisa de qualquer time. Neste caso, é o tipo de música que gostamos de ouvir em outras tantas boas vozes.

Na lateral-esquerda, Chico Buarque.
- Além da evolução sofrida pelo esporte, Chico já não tem tanto fôlego para atuar na ponta-esquerda. Mas continua a distribuir letras, o que para quem gosta de futebol é muito bonito de se ver. E ainda faz seus gols, afinal sempre está apto para marcar com as suas músicas.

Volantes
Novos Baianos.
- Para ser volante tem que vestir a camisa. E a brasilidade é evidente para os Novos Baianos. Além disso, a segurança em campo não parava a criatividade.

Nara Leão.
- Neste time é a responsável por ligar a defesa ao ataque. É a típica atleta versátil ao conseguir passar rapidamente da Bossa Nova à Jovem Guarda, muito atacada pela imprensa, com muita precisão e qualidade.

Meias
Os Mutantes.
- É o capitão de um time inovador. Os Mutantes gritam na hora certa; falam com os árbitros em outra língua. Além de tudo isso, sabe misturar o melhor das táticas estrangeiras, a guitarra, com a criatividade típica do Brasil.

Pixinguinha.
- Para vestir a camisa 10 tem que ser um verdadeiro maestro. Com a bola no pé, tem que se possuir a cadência de um choro à velocidade de um bom samba. Pixinguinha foi um dos primeiros brasileiros a entender de música nos seus mínimos detalhes e a última contratação da nossa equipe.

Atacantes
Secos e Molhados.
- Poucos sabem com tanta maestria irritar os adversários com composições musicais irreverentes e, ao mesmo tempo, fazê-los ficarem impressionados com seus tentos. Chama a atenção dos marcadores com a inusitada forma de se apresentar no palco de jogo. Uma lição a ser levada para além-mar.

Noel Rosa.
- Ronaldo, Luís Fabiano, Adriano, Amauri? Não, Noel Rosa. Poucos conseguem num tempo de carreira tão curto ultrapassar a marca de 200 músicas criadas. Este carioca conseguiu passar disso até os 26 anos!

No banco de reservas convocamos a novidade musical pernambucana Mombojó, o alagoano-catarinense Wado, o samba de Maria Rita, o espetáculo d'O Teatro Mágico, a criatividade de Zeca Baleiro e a irreverência de Tom Zé, alguém a ser explicado.

P.S.: Não posso deixar de agradecer pessoas que serviram de diretores do meu time neste ano. São dois pernambucanos. Um que me fez conhecer os aspectos culturais da sua terra e me forçou a sair da modernidade vazia a qual vive a cultura alagoana; e outro que me fez conhecer mais do samba - seja no agradabilíssimo Samba Sim de 2007 ou no Malacada, em 2008. E mais dois alagoanos, que muito me ajudaram nas discussões sobre os atletas da música. Um com gosto que vai do Oiapoque ao Chuí e outro que até em coral canta.

Por Torero às 09h28

26/12/2008

Caro Papai Noel, este ano eu queria...

umas idéias novas.
Torero.
 
um tapete beeem grande, para poder varrer as coisas para baixo dele e ninguém ver.
Nuzman

que a Libertadores fosse em pontos corridos.
Juvenal Juvêncio

uma tipóia italiana para combinar com o meu terno. Ah, e um ótimo emprego no futebol árabe (para o Muricy).
W.L.

uma zaga que preste.
Torcedor vascaíno.

que o Dualib voltasse para o Timão e que o Mustafá fosse reeleito.
Amigo da Onça.

Uns ingressos para o show do Elton John.
Wagner Tardelli.

ser rerrerrerreeleito presidente do Santos. Aliás, o senhor podia acabar com esse negócio de eleição.
Marcelo Teixeira.

apenas dizer obrigado. Com o rebaixamento do Figueirense e do Criciúma, e o acesso do Avaí, não preciso de mais nada.
Torcedor avaiano.

um meia de criação.
Torcedor tricolor.

um anti-ácido.
M. Ramalho.

que fosse inventado o BigMac light. Se não der, pode mandar um estoque de Seven Day Diet. Se isto também não for possível, gostaria que o Rei Momo voltasse a ser uma pessoa gordinha, que aí tenho mais chance.
Ronaldo.

jogar num time russo. Nasdaróvia!
Adriano.

aparecer em mais festas, homenagens, aberturas, encerramentos, batizados, crismas e em qualquer lugar que tenha um fotógrafo.
Orlando Silva, ministro dos esportes.

um pirulito. Nos boxes.
F. Massa.

umas calças que combinem com as camisas que a minha filha inventa.
Dunga.

um par de meias para o meu pé-frio.
Cuca.

um time para eu brincar em 2009.
Renato Gaúcho.

 

(Obs.: Todos os pedidos foram enviados pelos leitores. Só dei uma arrumadinha. E as imagens foram enviadas por João Guilherme Caldas Steinstraesser, de São Paulo) 

Por Torero às 08h00

Mais pedidos para 2009

 (Texto enviado pelo leitor Geraldo Milagre)

 

Do Vasco: Subida

Do Palmeiras: Mais vida

Do Ipatinga: Uma Saída

Do Ronaldo: Mais comida

 

Do Corinthias: Libertadores

Do Atlético: Jogadores

Do São Caetano: Torcedores

Do Marques: Menos dores

 

Do Botafogo: Um titulozinho

Do Flamengo: Um craquinho

Do Internacional: Um cafezinho

Do Edmundo: Mais um aninho

 

Do Avaí: Permanência

Do Cruzeiro: Eficiência

Do São Paulo: Manter a tendência

Do Luxemburgo: Menos demência

 

Do Grêmio: Muita avalanche

Do Santos: Que pare o desmanche

Do Fluminense: Outra chance

De todo técnico: Que eu não dance

Por Torero às 07h58

23/12/2008

Pedido de ajuda

Calma, doador leitor e dadivosa leitora, não vou pedir uma doação de sangue ou, pior, de dinheiro. Apenas de idéias. É que para sexta-feira penso em fazer um texto com as cartas que os principais esportistas (e afins) mandaram para o Papai Noel, e gostaria de vossas sugestões. O que, por exemplo, pediu Ronaldo? E Luxemburgo? E Nuzman? E o Vasco? E o Botafogo? E o seu time? E o seu jogador preferido? E você?

Mande aí sua sugestão, que neste fim de ano meus neurônios parecem ter tirado férias (ou, talvez, tenha sido abandono de emprego).

Por Torero às 08h01

As façanhas do Negão Motora.

Quando cheguei ao bangalô de Zé Cabala, a cabine telefônica das almas, a lan house dos desencarnados, ele foi logo perguntando:

"Quem você quer entrevistar?"

"Deixo à sua escolha, mestre."

Ele se concentrou por um instante e logo depois começou a dar passos iguais aos de John Travolta em "Embalos de sábado à noite".

Depois de fazer o número final de Tony Manero, ele finalmente sentou-se e disse: "Alcino Neves dos Santos Filho, às suas ordens."

"Alcino Neves...?"

"Eu era mais conhecido como Negão Motora."

Para ler o resto texto de hoje na Folha (tema sugerido pelo leitor Victor Palheta), assinantes do UOL e da Folha podem clicar aqui.

Por Torero às 07h57

22/12/2008

Não se chega ao céu sem passar pelo purgatório

O Manchester United é o novo campeão mundial. Mas não foi fácil como se pensava.

Ele teve que suar e sofrer. E assim foi melhor.

Quando o time inglês entrou em campo, devia estar pensando: "Somos mais ricos, mais poderosos, mais famosos, mais fortes, mais habilidosos e vamos ganhar normalmente."

A LDU, por sua vez, parecia dizer: "Somos piores, por isso nossa única esperança é ficar na retranca e esperar que a decisão vá para os pênaltis."

Mas aos 3', foi a LDU quem perdeu a chance de marcar. E duas vezes no mesmo lance.

Porém, parou nisso. Depois o Manchester tomou conta do jogo e começou a fazer belas jogadas e a perder gols.

A primeira metade do primeiro tempo foi um quase massacre. Aos 9' Wayne Rooney deu um belo chute; aos 17' Cristiano Ronaldo deu quatro dribles seguidos e passou para Park, que deu um chute bobo; aos 19' Tevez deu uma cabeçada bem defendida pelo velho Cevallos; e aos 21' Rooney quase fez um golaço por cobertura.

Então, ali pela metade do primeiro tempo,  a LDU se acalmou e Manso, o meia argentino da LDU (que tem um penteado igual ao do David Cassidy da Família Dó-ré-mi), até começou a dar uns dribles chatos. 

O Manchester começou a pensar: "Não será tão fácil."

E a LDU disse para si mesma: "Não, não é impossível."

Na segunda metade do primeiro tempo, Tevez (que está com um penteado igual à da Cuca do Sítio do Pica-Pau Amnarelo) ainda conseguia fazer boas jogadas e, numa delas, deixou o coreano Park na frente do gol. Mas, mais uma vez, Cevallos defendeu.

O resumo do primeiro tempo foi que a LDU não acertou uma bola no gol de Van der Saar. E o Manchester United, que chutou muito, nada conseguiu. Quem nada podia fez o que precisava e, quem tudo podia, nada fez.

A verdade é que o Manchester era melhor, mas não se é campeão sem sofrer. E o sofrimento começou aos 3'do segundo tempo, quando Vidic foi expulso.

Alex Ferguson, o vitalício técnico do Manchester, tirou Tevez (em vez de Park) para colocar um zagueiro e isso diminuiu muito o poder de seu time. 

A LDU começou a ter mais posse de bola e a fazer os melhores ataques. Aos 18', Manso acertou um belo chute e o goleiro holandês dos ingleses teve que se esticar todo para defender. Aos 26' Manso demorou para finalizar e Anderson salvou o Manchester.

Agora sim, o time inglês sofria. Não derramava apenas o quente suor do cansaço, mas também o frio suor do medo.

E como só quem sofre merece a felicidade (não parece título de radionovela?), aos 28' veio o gol inglês. Cristiano Ronaldo deu um toquezinho para Rooney, que mandou o balaço. Dessa vez não deu para o velho Cevallos. Era o gol da vitória.

Se fossem caubóis, o Manchester só teria vencido depois de se sujar na lama.

Daí em diante a LDU pressionou, mas com calma. E, para conseguir vitórias de virada, há que ter um pitada de desespero, de sandice. O goleiro deve virar atacante, o atacante gandula, o gandula, goleiro. Mas o time foi frio e não conseguiu o empate.

Confesso que torci para a LDU por questões sócio-geográficas, mas o Manchester, além de ter dois brasileiros, no caso representa o futebol bonito, de dribles, passes inteligentes e belos gols.

O troféu ficou em boas mãos. E boas mãos, para segurar troféus, têm que ter habilidade e calos.

Por Torero às 08h40

18/12/2008

O canto das sereias

Saudável leitor, sarada leitora, estes dias não têm sido fáceis. Ando meio doente. O meu mal foi diagnosticado como Sifu, ou seja, Síndrome de Insuficiência Futebolística. Desde o fim do Brasileiro estou assim. Suores noturnos, sonhos agitados, olhar perdido...

Mas ontem obtive um bom lenitivo para o meu mal: a final da Copa do Brasil de Futebol Feminino.

O jogo, entre Santos e Sport, aconteceu no simpático estádio Ulrico Mursa, da Portuguesa Santista. Para quem não sabe, a primeira partida, em Recife, terminou 3 a 1 para as Sereias.

Pensei que o estádio estaria vazio, mas para minha surpresa, havia até uma fila razoável.

 Arquibancadas mais cheias do que o esperado.

Fiquei curioso em saber quem seria aquela gente que ia assistir à final do futebol feminino. Seriam outros sifudéticos? Não, não seriam. Era uma fauna bem mais diversificada.

Havia, por exemplo, Alcy Brandão e Arriete Fontana. Ele, analista de sistemas e são-paulino. Ela, dona de casa e santista. O casal veio ao jogo porque ela nunca tinha visto uma partida das meninas ao vivo. Pelo jeito, o futebol feminino pode vir a ser um programa para casais.

  

Perto deles estava Gabriella Dias Peres, 9 (pena que eu não levei meu sobrinho Leocádio). Gabriella (“com dois eles”, ela faz questão de dizer) é de Santos, joga vôlei e gosta de futebol feminino. Veio ao Ulrico Mursa porque o avô, que fica na cabine de som do estádio, avisou-a do jogo, e ela fez com que os pais a trouxessem.

Quando acabava de falar com Gabriella, vi uma otimista senhora comprando uma faixa de campeã. Era Nancy Assumpção, 67, enfermeira aposentada, sócia do Santos desde 1962. Ela comprou uma faixa, porém, por mais que eu insistisse, não aceitou colocá-la no peito antes de a partida acabar. Nancy jogou vôlei na juventude, mas disse que, se fosse hoje em dia, jogaria futebol.

Começa a partida. Pensei que o Santos iria cozinhar o Sport, tocando para e para lá, mas errei. O jogo começa elétrico. Passes rápidos, divididas ríspidas, lançamentos intrépidos, arrancadas lépidas e outros adjetivos proparoxítonos.

A centroavante do Sport, Jaciara, de menos de 1,60m, é um corisco. Corre, luta e xinga todo mundo, até as companheiras. Mandando uma marcar, outra passar, aquela outra correr etc... Uma guerreira. Uma falante guerreira.

Mas é o Santos quem domina e tem as melhores chances. O time de Jaciara só aguenta a pressão por 16 minutos. Um escanteio batido no lado esquerdo cruza a área e vai parar na direita, de onde sai novo cruzamento rasteiro. Pikena completa na pequena área. Agora o Sport precisa vencer por 4 a 1. Uma missão quase impossível.

Dou uma volta pelo estádio para escutar os comentários dos torcedores. Pensei que escutaria algumas baixarias e piadas de mau gosto, mas me enganei de novo. A única gracinha que escutei foi quando a juíza se abaixou para amarrar o tênis e alguém gritou “Isso é hora de pintar a unha?”.

Talvez o clima respeitoso exista porque há bem mais mulheres neste jogo do que nas partidas masculinas. Chego a contar 25 meninas enfileiradas no alambrado. Entre elas, quatro rapazes espertos.

O jogo segue tenso. Ainda mais para Luiz Cláudio Carvalho, coordenador de futebol feminino do Sport. Ele acompanha o jogo esticando o pescoço enquanto me explica que o clube gasta apenas cinco mil reais por mês com seu departamento. Praticamente só ajudam as meninas no transporte. A comissão técnica, por exemplo, não recebe nada. E mesmo assim o time foi campeão pernambucano, num torneio com dez clubes. O único luxo da equipe é o salário pago à goleira Bárbara, da seleção brasileira. Ela ia para o Nápoli, da Itália, mas houve problema com sua documentação e terá que continuar no Brasil por mais alguns meses. Para não ficar sem clube, acertou com o Sport e entrou no time já no meio da Copa. Ganhará dois mil reais pelos quatro jogos.

Bárbara faz diferença e realiza algumas boas defesas, até que Fran acerta um chute perfeito de fora da área e faz 2 a 0.

Termina o primeiro tempo e o Santos vai para o vestiário com uma mão na taça. Uma mão, não. Nove dedos.

No intervalo, como um sanduíche de linguiça razoável, com bastante cebola frita, e procuro alguns irmãos que sofram de Sifu. Encontro dois.

José Ricardo Saar, 39, santista, explica que está ali porque “no nível em que está o futebol masculino, é melhor torcer para o feminino.”

Clodoaldo de Souza, 55, diz que veio porque gosta muito de futebol. “Assisto até futebol de botão. Só não gosto de videogame”. Penso em fazer um discurso em defesa do Winning Eleven, mas a juíza apita e o jogo recomeça.

 Clodoaldo, inimigo de WE.

Aliás, acho que os juízes são mais severos com as mulheres do que com os homens. Uma jogada de ombro mais forte pode ser punida com cartão amarelo. É como se as meninas não tivessem tanto direito à brutalidade quanto os homens.

O Sport volta com vontade e nos primeiros minutos se esforça um bocado. Mas as meninas do Santos são mais altas, mais fortes e mais habilidosas, e seguram a pressão sem muita dificuldade.

Lá pelos 20’, 25’, do segundo tempo, o time do Sport cansa. Para piorar, uma de suas jogadoras sai com suspeita de fratura e vai direto do estádio para o hospital.

A torcida santista, sentindo o inevitável título, fica de pé e canta: “A maré tá cheia, tá, tá, tá, tá, tá, cheia de sereia, e o anzol queremos enfiar!”

Na arquibancada, aproveito o mote para fazer uma nova enquete: “Você namoraria com uma jogadora de futebol? 

Douglas, 21, Kennedy, 17 e Vinicius, 14 respondem “Com certeza”, “Claro!” e “Não”. O “não” é de Vinícius. Pergunto-lhe qual o motivo da negativa, mas ele não sabe explicar. Douglas arrisca uma explicação: “É porque ela ia jogar melhor do que ele.”

Pergunto a Douglas por que ele namoraria uma jogadora e Vinicius aproveita para se vingar: “Iam namorar com ela só para pegar fama!”. Parece que, depois da Maria Chuteira, teremos, em breve, o Zé Chuteira.

Perto do alambrado, já dançando, está Ester, meio-campista do Santos e da seleção brasileira. Ela não está em campo porque tomou o terceiro cartão amarelo no último jogo. Ester não tem superstição e já está com a faixa de campeã.

 Ester, cartões amarelos e olhos verdes.

Chego perto dela e, gritando, pergunto: “Você trabalha em quê?”

“Volante.”

“Não, não em que posição você joga, em que você trabalha?”

“Meu trabalho é jogar futebol. Eu sou volante.”

Ester me explica, pacientemente, que o futebol no Santos está profissionalizado. Em média, as meninas ganham dois mil reais por mês.

Ela nasceu em Guarulhos e tem 9 irmãos: 6 mulheres e 3 homens. Jogava futebol com eles e era melhor que os três. Nos jogos de rua era sempre a primeira a ser escolhida. Começou no Juventus e agora está no Santos. Recebeu convite para jogar num time de Nova Iorque, mas não vai. “Santos é a minha casa. Não vou sair daqui.”
 
A volante é uma das poucas jogadoras com cabelos curtos. Entre as Sereias que estão em campo, oito usam rabos-de-cavalo, duas preferem o coque e apenas uma tem o cabelo curto.

Reparo que o rabo-de-cavalo também faz sucesso na torcida. É o caso da loira Thienne, 17. Ela é de São Vicente e, confessa baixinho, faz parte da Gaviões da Fiel. Veio ao estádio porque é amiga de Aline Calan, a bela zagueira santista. Está nervosa por estar no meio da torcida rival, mas amizade é amizade.

Em campo, o Sport está totalmente dominado. As Sereias fazem belas jogadas e vão perdendo gols atrás de gols, até que, no finzinho do jogo, Ketlen dribla uma zagueira e chuta entre as pernas da arqueira pernambucana.

3 a 0. A juíza encerra a partida. O Santos é campeão. Venceu seus nove jogos, marcou 28 gols e tomou apenas quatro.

As meninas se abraçam no meio de campo e, já mostrando certa experiência, comemoram de frente para as cabines de tevê. Só depois se viram para a torcida.

A partir daí é só festa. As meninas cercam diretores e gritam “É campeão!”, atrapalham as entrevistas umas das outras, correm pelo campo, botam faixas.

As medalhas são entregue pelo prefeito e pelo ministro dos esportes. O jogo está sendo televisionado.

Aproveito para falar com Jaciara, 26, a raçuda centroavante do Sport.

 

Ela conta que começou a jogar na rua, aos 14 anos. “Os meninos iam lá em casa me chamar”. Jaciara gostava de imitar Romário, e acabou com a camisa nove. Pergunto por que ela xinga tanto e Jaciara responde que quem quer ganhar, xinga tudo mesmo. Ela reclama um pouco da falta de garra das companheiras, mas acha que chegou muito longe. “As meninas do Santos têm coisa que a gente não tem”. Jaciara estuda administração e faz estágio. “Quer dizer, não sei se eu ainda faço, porque eu andei faltando muito por causa da Copa”. Pergunto-lhe se ela preferia ser jogadora ou administradora. A resposta vem rápida: “Jogadora. É bem mais fácil.”

Em campo, as meninas sorriem para a foto de campeãs. E dona Nancy, saindo do estádio, põe sua faixa.

Por Torero às 10h14

17/12/2008

A primeira vez a gente sempre lembra

Hoje, em Caxias do Sul, às 19h00, será lançado o livro acima, que conta a história da conquista do primeiro campeonato mundial pelo Brasil.

Ele foi escrito por Francisco Michielin, médico cardiologista, uma profissão interessante para quem gosta de falar de futebol.

O autor, torcedor do Juventude, usou como ponto de partida reportagens e fotos da revista Manchete Esportiva.

O livro foi editado pela Maneco, uma livraria que está virando editora.

Por Torero às 06h57

Do ato

Por Kadj Oman

Treze.

O número de pessoas que compareceu ao ato de domingo contra a morte do torcedor são-paulino pela polícia em Brasília.

Menos do que os que estavam na fila para o Museu do Futebol, no último dia da exposição sobre as "marcas do Rei".

Menos do que o número de blogs que retransmitiram o chamado pra ação, que até notícia na Folha Online virou.

Menos até do que o próprio número de jogadores do Autônomos FC que compareceu ao habitual jogo do time aos sábados.

Desanimador, um fracasso, prova de que o futebol não tem a ver com política, diriam alguns.

Não para nós.

Poucos, mas loucos.

Que armaram a quadra, esperando a polícia aparecer para o jogo.

Que distribuíram panfletos sobre o que se passava para os que apareceram pra conferir aquela agitação estranha.

Que decretaram o W.O. da polícia depois de esperar mais de uma hora.

E que disputaram uma partida ali mesmo, todos contra todos, sem muitas regras, como é o futebol de rua.

Três corinthianos, três andreenses, dois juventinos, um santista, um flamenguista, dois portugueses e um torcedor do Ferroviário-CE, membro daResistência Coral.

Escalados como um time, um único time, autônomo e reivindicativo de uma liberdade cada vez mais tomada.

Pouca gente? Um retrato do Brasil? Fosse a Argentina estariam milhares dehinchas pelas ruas?

Talvez.

Mas, se não se pode superestimar o que foi na verdade uma confraternização de amigos, também não se pode tirar mérito desses treze primeiros que saíram de suas casas em um domingo frio e com cara de chuva pra firmar presença em algo que julgam essencial para o futebol  e a sociedade.

Porque não se pode tirar leite de pedra, também.

Esperar milhares com 3 dias de agitação apenas e após o término das atividades futebolísticas oficiais seria um deslumbre.

Desvalorizar os treze que compareceram, um desdém.

O que podemos, e devemos, é tomar na medida certa este 14/12, como um ponto de partida para construir algo maior.

Porque já se disse que não começou em Seattle.

E não vai terminar em Atenas.

Política não tem nada a ver com o futebol?

Há controvérsias.
 

Por Torero às 06h45

16/12/2008

Livro sobre os dez maiores do Corinthians

Na pesquisa feita aqui no Blog sobre quem foi o maior meia do Corinthians em todos os tempos, acabou ganhando Sócrates, 36,60% dos votos. Rivellino ficou logo atrás, com 36,44%. O terceiro foi Marcelinho, já um tanto longe, com 14,05%, e Neto ficou em quarto, com 12,91%.

Eu também votaria em Sócrates. Acho que com ele o Corinthians deu um grande salto, e em vários sentidos.

Os quatro craques (e outros seis) estão no livro abaixo, que será lançado hoje, na loja Roxos & Doentes, lá no Pacaembu, a partir das 20h00. O Celso Unzelte é um pesquisador sério, apesar das piadas que faz na ESPN. O livro faz parte da coleção Ídolos Imortais e está sendo lançado pela editora Maquinária    

Por Torero às 09h08

Texto da Folha

Para ler o texto de hoje, sobre um grupo para o qual entrei, clique aqui.

Por Torero às 08h52

15/12/2008

O jogo dos Pesadelos de 2008

Ah, que jogo! A partida entre o Ruins e o Piores será cantada em versos (satíricos) por anos e anos. Certamente ninguém que a viu conseguirá esquecê-la. Por mais que tente.

O Piores, formado pelos jogadores que ganharam a Bola Murcha de Prata, entrou em campo com o goleiro Clemer, os zagueiros Odvan, Jaílton e Jorge Luiz; Joílson e Kléber como alas; Richarlyson, Diego Souza e Wesley no meio; Pedro Oldoni e Lima, o artilheiro virgem, no ataque. O técnico foi Renato Vou Brincar Neste Brasileiro Gaúcho.

Já o Ruins, composto pelos vice-piores (nem este título eles conseguiram), formou com o arqueiro Castillo; os zagueiros Juninho (SP), Jeci e Roque Júnior; os alas atleticanos César Prates e Calisto; Léo Lima, Trípodi e Quiñones no meio, e Lenny e Zárate no ataque. O técnico? Vanderlei (ou Vanderley, ou Wanderlei, ou Wanderley) Luxemburgo.

O jogo aconteceu no recém construído Bezerrão, que estava praticamente vazio, afinal cada ingresso custava R$ 20.000,00. Na verdade, havia apenas um torcedor: Dunga, que lá estava para observar novas opções para a Seleção.

As emoções começaram já no aquecimento, quando Odvan deu um carrinho em Lima, mas, para tristeza geral, ninguém se machucou.

Entrevistado pela tevê, Márcio Braga disse que seria uma grande partida e até já tinha mandado trazer o chope.

Quase todos os jogadores entraram em campo com o pé direito ou se benzendo. Apenas Michael Jackson Quiñones entrou de modo diferente: de costas e andando para trás, fazendo o passo Moonwalk

Antes de iniciar a partida, os jogadores do Ruins se abraçaram numa rodinha para uma última palavra de motivação. Perdidos, Castillo, Trípodi, Quiñones e Zárate não
entenderam nada, e fizeram sua própria rodinha, motivando-se em
espanhol.

Mas vamos aos melhores (ou piores) momentos da partida:

0': Infelizmente o árbitro apita e autoriza o início do jogo.

1': GOOOOOOL! O Piores ganha a saída de bola na moedinha. O time começa a partida recuando a bola até Odvan que recua para Clemer chutar. Ele fura e é 1 a 0 para o Ruins.

7': Zárate finalmente consegue entrar em campo.

12': Renato Gaúcho, o brincalhão, é advertido pelo 4º árbitro porque está pulando
amarelinha fora da área técnica.

13': Lançamento de Trípodi para Zárate. Odvan vai na cobertura.

18': Odvan e Zárate chegam na bola lançada por Trípodi, mas chegam tão cansados que desistem do lance.

19': Léo Lima divide com Lima. O suco encharca o campo.

23': Pedro Odoni, embaixo do gol, chute forte e a bola bate no travessão.

25': Vanderley, digo, Vanderlei, digo, Wanderlley, digo, Luxemburgo parece preocupado. Olha para o banco. Olha para o bandeirinha. Olha para a torcida. Olha para os jogadores. Olha para o banco adversário. Só pára de olhar em volta quando acha um espelho, no cantinho da entrada para os vestiários. Suspira, aliviado: o terno não está amarrotado.

26': Pedro Oldoni, embaixo do gol, chuta na trave.

32': Odvan fica cantarolando a canção do Roberto Carlos e toma um drible desconcertante de Quiñones, que fica cara a cara com Clemer e chuta pela lateral. "Cadê o Gustavo Nery?", pergunta Quiñones.

35': Pedro Oldoni, embaixo do gol, cabeceia e é GOOOOOOOL! Mas gol contra. Piores 0 x 2 Ruins.

40': Wesley segura a bola na bandeirinha de escanteio.

45': Ainda com Wesley segurando a bola na bandeirinha de escanteio, o juiz apita o fim do primeiro tempo.

No intervalo, Wandersenlei Luxemburgo desiste e vai assistir à partida como comentarista da TV.

46': Recomeça o jogo. Quiñones chuta forte, mas a bola toma a direção das cabines de televisão e noucateia Luchemburgo.

60': Kléber tenta um lance pela esquerda e erra.

62': Kléber tenta um lance pelo meio e erra.

65': Kléber tenta um lance pela direita e erra.

66': Dunga suspira na arquibancada e diz: "Este Kléber parece comigo nos meus tempos de jogador..."

70': O árbitro do jogo chama o bandeira pelo rádio e começa a cantarolar: "Like a virgin..."

75': Pedro Oldoni, o aspirante a modelo, cansado de perder gols em cima da linha, desiste do jogo e começa a desfilar ao lado da bandeira de escanteio. Mas um petardo disparado por Quiñones lhe acerta a nuca e ele tem que ser retirado de campo. O Piores fica com dez jogadores.

78': Quiñones solta um canhão, mas na direção errada, e bola nocauteia Richarlyson. O Piores fica com nove.

82': Quiñones chuta, mas acerta Jaílton, que estava na sua própria zaga. O zagueiro flamenguista sai de maca e o Piores fica com apenas oito em campo. 

88': GOOOOOOL! Quiñones dá um chute que vai em direção à lateral, mas eis que a bola bate em Lima e entra no gol. Ruins 3 a 0.

89': Lima vai até o juiz e reivindica para si a autoria do gol, pois quer perder a virgindade. Quiñonez também vai até o juiz e diz: "O gol é meu, eu que chutei!" Lima e Quiñones começam a brigar e são expulsos. O Piores fica com seis jogadores e a partida tem que ser encerrada. Um final vergonhoso, perfeito para a partida.

Porém, depois do jogo, ainda haveria mais um entrevero. Um agente da imigração entrou nos vestiários do Ruins e interrompeu a comemoração. Ele pediu para checar os documentos dos jogadores estrangeiros. Quando Castillo, Quiñones, Tripodi e Zárate entregaram seus passaportes, o agente perguntou o que eles estavam fazendo no Brasil. Os quatro mentiram escandalosamente, declarando que vieram para "jogar futebol". Acabaram presos, enquadrados por "falsidade ideoludopédica".

 

Por Torero às 10h01

13/12/2008

Nós, os soberbos

 
 

Nós, os soberbos

Texto de Marcio R. Castro

 
Para se sagrar campeã da Copa Libertadores, a LDU teve um caminho difícil e glorioso.

Em grupo perigoso, enfrentou equipes de três das maiores forças sul-americanas, Brasil, Argentina e Paraguai. O Arsenal, campeão da Copa Sul-americana, e o Libertad, campeão paraguaio e atualmente a maior potência do país, ficaram pelo caminho. A LDU avançou, junto com o Fluminense.

Nas oitavas-de-final, nada menos do que um tricampeão da América, os Estudiantes de La Plata. Comandados por Veron, os argentinos ainda seriam, em 2008, vice-campeões da Copa Sul-americana, após um duelo memorável com o Internacional. Na Libertadores, deu LDU. Mas dois argentinos ainda eram pouco. O San Lorenzo, após passar pelo poderoso River Plate, foi eliminado pelos equatorianos nas quartas-de-final.

Desde que os mexicanos começaram a jogar os torneios sul-americanos, logo se estabeleceram como a terceira força das competições. E o América já havia eliminado dois gigantes brasileiros, Flamengo e Santos. Nas semifinais, após um bom empate fora de casa, a LDU dominou e amassou os mexicanos no Equador como há tempos não se via. Não conseguiu marcar, mas como não tomou gol também, chegou à grande decisão.

Era a vez do Fluminense. O tricolor carioca havia eliminado "apenas" São Paulo e Boca Juniors, talvez hoje os dois mais temidos adversários que se possa imaginar. Além disso, na fase de grupos, LDU e Fluminense já haviam se encontrado, com vantagem para os brasileiros.

No primeiro jogo, a LDU atropelou Thiago Neves, Conca, Washington e Cia., 4 a 2. Na volta, começou melhor e abriu o placar, mas tomou a virada. Grande decisão, apesar do gol equatoriano mal anulado que daria o título à LDU sem o sofrimento dos pênaltis.

Mas, enfim, chegaram os pênaltis. E nem foi tão sofrido assim. Os brasileiros tremeram, os equatorianos não. A LDU era campeã da América, dona da Libertadores.

Não parece um título sem valor, parece? Algo, assim, que caiu do céu. Um mero capricho do destino. Bem, para imprensa brasileira, e para os torcedores em geral, sim. Na cobertura do Mundial de Clubes, insistimos em ridicularizar os equatorianos. Como de costume, quando não somos nós que estamos lá, ou os argentinos, tudo vira quase uma piada.

A Folha de São Paulo chegou a dizer que será um Mundial de "Clube", no singular, devido à superioridade do Manchester United. É claro que os ingleses são favoritos. Mas será que daríamos o mesmo tratamento se o Fluminense tivesse chegado lá? Afinal de contas, quem tem mais participações, boas campanhas e conquistas em disputas continentais, o Flu ou a LDU?

Foi o mesmo com o Once Caldas, que foi campeão da Libertadores despachando Vélez, Santos, São Paulo e Boca. Foi o mesmo com o Olimpia, que ganhou o tricampeonato continental (é, eu disse tri) passando por Flamengo, Grêmio e Boca, além do São Caetano na final.

Mais exemplos não faltariam, mas vamos ficar nos já citados. LDU e Once Caldas estão no seleto grupo de vencedores da Libertadores, ao lado de grandes clubes brasileiros como Inter, Palmeiras, Vasco e Flamengo. Outros, como Corinthians, Fluminense, Botafogo e Atlético Mineiro sequer conseguiram essa conquista. Já o Olimpia, com as suas três taças, venceu mais do que Santos, Grêmio e Cruzeiro, e está ao lado do São Paulo.

É essa a perspectiva que deveríamos treinar mais, independentemente do resultado que a LDU obtenha no Mundial. Sabe aquela soberba européia que tanto nos incomoda, como se não existisse mais nada no mundo do futebol do que eles? Pois é, nós também somos capazes.

Por Torero às 00h55

Capitu

Acabou agora a microssérie Capitu. Confesso que comecei a vê-la com um pé atrás, mas no final achei-a muito boa. Na verdade, mais que muito boa. E por várias razões: o texto foi preservado mas o resultado não ficou lento, houve uma grande imaginação visual a partir de poucos recursos, a modernização de algumas cenas ficou charmosa, bons atores, boa direção de arte, etc...

Vou até reler o livro. 

 

PS: A microssérie tem um site interessante. Se quiser ir para lá, clique .

Por Torero às 00h52

12/12/2008

Lançamento

Hoje, em São Paulo, a partir das 18h30 na Livraria Martins Fontes (av. Paulista 509), será lançado o livro Boleiros do cerrado - Índios xavantes e o futebol (Annablume, 336 pp., R$ 40), de Fernando de Luiz Brito Vianna. É um livro que fala de futebol, índios e antropologia. Um mistura que pode dar resultados interessantes.

Por Torero às 16h28

Ato contra a morte de Nilton César de Jesus

(enviado por Kadj Oman)

 

Domingo último, dia 07/12, deveria ter sido um dia de festa: um clube brasileiro pela primeira vez se tornava tricampeão nacional de forma consecutiva.

Mas o que deveria ser amplamente comemorado como o sucesso de uma nova fórmula de campeonato no Brasil acabou se transformando na repetição de algo que o país se "acostumou" a assistir desde há muito, algo que rememora os anos de chumbo da ditadura: o assassinato de um torcedor já rendido por um policial que, ao tentar abusar do poder pela sociedade nele investido com uma coronhada absolutamente desnecessária, atirou contra a cabeça da vítima.

O caso, como tantos outros, foi notícia por todos o país. Serviu, como sempre, pra chocar de uma forma paralisante. Quatro dias depois, Nilton César de Jesus, 26 anos, o torcedor baleado, faleceu no hospital no Distrito Federal, enquanto José Luiz Carvalho Barreto, o policial autor do disparo, recebeu o bônus do habeas corpus ao ser enquadrado por "lesão corporal grave".

Qualquer um que viu o vídeo do tiro pode perceber que a imprudência do policial claramente qualificaria seu ato como "homicídio culposo", ato sem a intenção de matar, mas que acabou matando. Mas a força política da corporação policial é grande, e o assassino está - e muito provavelmente continuará por longo tempo - solto.

O caso, infelizmente, não é único. No mesmo dia, outro torcedor foi morto a tiros na zona leste de São Paulo durante as comemorações do título. E tantos outros já morreram em tantos jogos pela história de nosso futebol.

A violência, entretanto, não é exclusiva do esporte, está em todo lado. Violência que começa quando a relação social mais comum entre duas pessoas é a de comando, de hierarquia, de força, algo que se transforma em risco de morte quando entram em ação armas de fogo.

No futebol, onde a aglomeração de pessoas por partida é enorme, tal violência se instaura com ainda mais facilidade quando se assiste uma elitização e uma militarização crescentes de tudo que envolve o jogo: torcida impedida de levar faixas, preços de alimentos e horários de jogos absurdos, polícia que humilha e trata o torcedor enquanto bandido. E que entra em campo e leva jogador preso, como se viu no Recife por mais de uma vez em 2008, e que atira em torcedor desarmado e já rendido, como Nilton. Isso sem falar que o comandante da arbitragem paulista é um coronel da polícia.

Na Itália, a morte do torcedor da Lazio Gabrielle Sandri, em episódio bastante parecido com este de Brasília, causou revolta nos torcedores de todas as equipes do calcio, inclusive da rival Roma. Jogos foram paralisados e adiados ante a ameaça de invasão do gramado por parte das torcidas, em ação de protesto pelo assassinato sem sentido. O caso levou tanto o poder público quanto a federação de futebol de lá a ao menos parar para repensar as relações de força.

Aqui, no país pentacampeão do mundo, já tivemos, enquanto torcedores, inúmeras possibilidades de agir da mesma forma, e as desperdiçamos. Pensando nisso é que o Autônomos FC, equipe amadora de futebol de várzea, convoca os torcedores de todas as equipes a comparecerem com suas respectivas camisas a um ato em repúdio à violência policial e à militarização do futebol, domingo, 14/12, com concentração saindo da frente do cemitério das Clínicas e partindo para a Praça Charles Miller, onde acontecerá uma partida de futebol espontânea e livre em protesto à tentativa de controle de nossos corpos e mentes nos estádios do país e em memória de Nilton e de todos os torcedores mortos de maneira estúpida pela corporação policial.

Futebol é um lugar de festa. E festa não combina com botas, fuzis e capacetes, nem com proibições arbitrárias como as que perpetram nos estádios paulistas. Vamos mostrar que para além de apaixonados por esta ou aquela equipe, os mesmos que sustentam todo o mercado do negócio futebol, somos torcedores, classe única, que não aceita a morte de um companheiro de boca fechada e braços cruzados.

Em nome de todos os torcedores que querem um futebol mais democrático,

Autônomos FC
http://autonomosfc.blogspot.com

(PS: A concentração será neste domingo, às 14h, no metrô Clínicas, com saída às 15h30 em direção ao Pacaembu.)

 

Por Torero às 07h30

11/12/2008

Os piores de 2008

Chegamos ao fim do ano e começam as listas de melhor isso, melhor aquilo, etc... Pois aqui no blog, com o inefável auxílio dos leitores, elegemos os piores do Brasileirão 2008.

Mais de cem jogadores foram lembrados (ou não conseguiram ser esquecidos). Porém, entre estes houve alguns grandes destaques. Sem mais delongas, vamos aos prêmios especiais:

Troféu "Inútil Esperança": Este vai para Carlos Alberto, do Botafogo (ou melhor, ex-Botafogo), jogador que em todo clube promete dedicação e empenho, mas acaba decepcionando.

Prêmio "Cabeça de Fósforo": Vai para André Luiz, zagueiro do Botafogo, que continua um típico cabeça-quente.

"Melhor empresário": Os louros vão para o empresário de Fabão, que conseguiu um grande salário para um jogador que não fez praticamente nada. É uma troca interessante: as reservas do time vão para o banco do jogador e o jogador vai para o banco de reservas do time.

Medalha "Eterna promessa": Esta, mais uma vez, vai para Rodrigo Fabri.

E o prêmio "Vexame total" fica com o Duque de Caxias, que promoveu um vergonhoso cai-cai num jogo contra o Rio Branco pela Série C e, mesmo assim, acabou subindo para a Série B.

Feitas as preliminares, vamos aos piores jogadores do campeonato. Resolvi montar dois times: o "Ruins" e o "Piores". O Piores é formado pelos que tiveram mais votos em sua posição. O Ruins, por aqueles que ficaram em segundo lugar, ou seja, nem conseguiram ser lembrados como os piores piores. Sinceramente, não sei o que é pior.

Os Ruins:

No gol, Castillo, do Botafogo.

Na zaga, um trio paulista: Juninho (SP), Jeci e Roque Júnior (Palmeiras)

Os dois alas vêm do Atlético Mineiro: César Prates e Calisto.

O volante é Léo Lima, do Palmeiras.

Os meias convocados para esta inglória seleção são estrangeiros: Trípodi, que conseguiu a façanha de ser votado por duas torcidas, a do Santos e a do Vitória, e Quiñones, o grosso sortudo, pois deu um chute que sairia pela lateral mas a bola bateu em alguém e entrou. Ironicamente, foi o gol que manteve o Santos na Série A.

No ataque, o palmeirense Lenny, que pintou como craque mas logo desbotou, jogaria ao lado de Zárate, o centroavante fixo (mas fixo mesmo, pois não sai do lugar) do Botafogo.

Técnico: Vanderlei Projeto Luxemburgo.

Mas eis que chegamos ao grande momento, ao anúncio dos vencedores do prêmio "Bola Murcha de Prata". São eles:

Goleiro: Clemer, que geralmente tem altos e baixos mas este ano, digamos, foi mais constante.

Zagueiros: Os leitores escolheram um terrível trio carioca: Odvan, Jaílton e Jorge Luiz.

A ala direita ficou para Joílson, do São Paulo.

A esquerda, para Kléber, do Santos, que este ano só foi aplaudido por Dunga.

O volante escolhido foi Richarlyson, aliás, o jogador mais votado, o que lhe dá também direito a receber a "Bola Murcha de Ouro"

Nas meias, dois jogadores que deixam os torcedores nervosos com firulas desnecessárias: Diego Souza, do Palmeiras, e Wesley, do Santos.

No ataque, Pedro Oldoni, um especialista em perder gols fáceis, e Lima, do Santos, o artilheiro virgem, pois não balançou as redes nem uma vez neste Brasileiro.

Técnico: Renato Vou Brincar Neste Brasileiro Gaúcho.

Pois bem, caros leitores, e eu vos pergunto: Como seria um jogo entre o "Ruins" e o "Piores"?

E não sou eu quem responderá, mas vocês.

Sim, vamos fazer este jogo de encerramento do Campeonato Brasileiro. E ele seguirá os moldes da Copa dos Pesadelos. Ou seja, os leitores é que mandarão os comentários, as notas dos jogadores, os melhores lances, as observações dos narradores, etc...  (para ler a final da Copa dos Pesadelos, clique aqui). 

Vocês é que irão dizer quem perderá mais gols, Lima ou Lenny? Como será o combate entre os velozes Zárate e Odvan? Onde irão parar os chutes de Quiñones? Como serão os óculos escuros de Renato Gaúcho? Quantos suicídios teremos na torcida?

Enfim, mandem os melhores (e piores) momentos do jogo. Na segunda-feira, publico o resultado. 

Por Torero às 09h06

10/12/2008

Ronaldo, o retorno

Acho que a contratação de Ronaldo foi uma grande jogada do Corinthians. E digo "jogada" no bom sentido.

Ele será a sensação do Campeonato Paulista. Os campos do interior ficarão cheios para vê-lo jogar. Todas as partidas do time serão televisionadas e serão vendidas milhares de camisas.

O Departamento de Marketing corintiano está realmente dando passos largos. A camisa com fotos, o uniforme roxo, a nova forma de compra de ingressos e agora a vinda Ronaldo são avanços interessantes e que deixaram os outros clubes momentaneamente para trás.

Ainda são benefícios da queda de Dualib.

Ronaldo, se se recuperar fisicamente mais uma vez, poderá ser para o Corinthians o que Adriano foi para o São Paulo: um ponto de referência, um diferencial, o autor do gol milagroso. Isso, em campo. Fora dele, certamente será melhor. O mundo inteiro falará no Corinthians. Pode ser o começo de uma internacionalização do clube.

E nenhum time brasileiro pode ser considerar internacionalizado até agora. Nem o São Paulo, com seus três mundiais, nem o Santos, com Pelé.   

Por Torero às 09h33

Vinte mil léguas submarinas

(Publico aqui, por sugestão da leitora Érika, um texto que fiz sobre uma prova de natação daqual participei. O texto foi publicado originalmente no site www.presencaeventos.com.br)

A prova de Peruíbe, a terceira etapa do Circuito Metropolitano de Águas Abertas, não foi apenas uma prova de natação. Foi um triatlo. E explico o porquê. O primeiro esporte foi o rali, já que para chegar na praia do Guaraú era necessário fazer um caminho belo mas um tanto tortuoso.

O segundo esporte foi a caminhada na selva. Sim, tivemos que andar mata adentro para chegar ao ponto de largada. Pode ter sido impressão minha, mas acho que ouvi um grito de Tarzan ao longe. E o terceiro esporte, é claro, foi a natação.

Antes da largada fiz meu aquecimento (que consiste em esfregar uma mão na outra e pensar: "será que a água está fria?"), me alonguei um tanto (ou seja, me espreguicei) e chequei meu equipamento (o que significa que dei um nó bem forte no cadarço do calção para que ele não caísse).

Quando foi dada a largada, disparei feito um doido. Até fui líder da minha bateria por uns bons três segundos. O que se passou em minha cabeça depois que entrei na água é o que vou lhes contar agora, passo a passo. Ou, melhor, braçada a braçada.

100 metros: "Estou nadando muito bem. Sem dúvida chegarei em primeiro na minha categoria. Aquele ditado 'O importante é competir' foi inventado para perdedores."

200 metros: "Cansei um pouco. Algumas pessoas me passaram. Talvez não chegue em primeiro, mas com certeza vou ganhar uma medalhinha."

300 metros: "Cansei mais ainda. Talvez uma medalha seja pedir demais. Mas e daí. É como diz aquele sábio ditado: 'O importante é competir'."

400 metros: "Eu devia ter me aquecido melhor."

500 metros: "Eu devia ter me alongado melhor."

600 metros: "Eu não devia ter apertado tanto o cadarço."

700 metros: "Eu devia ter ficado em casa."

800 metros: "Ah, que vontade de desistir... Mas agora já estou mais perto do fim do que do começo. Vou continuar."

900 metros: "Céus, estou vendo a linha de chegada! Agora faltam só cem metros!"

910 metros: "Por que os últimos cem metros são sempre os mais compridos?"

950 metros: "Quem é esse cara que quer me passar? Não, no finalzinho, não! Vou dar tudo de mim! É uma questão de honra!"

990 metros: "Passei o cara!"

993 metros: "Cof, cof, cof."

994 metros: "Glub, glub, glub."

995 metros: "Não, ele está me passando!"

997 metros: "Vou dar tudo, nem que eu tenha um enfarte depois da linha de chegada!"

999 metros: "Passei meu inimigo!"

1000 metros: "Venci. Cheguei na frente do sujeito! E daí que ele tem setenta anos? Vitória é vitória."

No final, depois de comer uma banana, beber um copo de água e respirar num balão de oxigênio, me recuperei e voltei para casa, vi que fiquei em terceiro lugar, ou seja, ganhei uma honrosa medalha de bronze. Ou, no caso, de acrílico.

Por Torero às 08h16

Pesquisa

Na pesquisa aqui ao lado, Rivellino continua liderando, sendo seguido de perto pelo Dr. Sócrates. Curiosamente, Neto e Marcelinho estão empatados há um bom tempo.

Em março de 2006, quando fiz uma pesquisa parecida com esta (mas por voto-comentário), Rivellino ficou atrás dos outros três corintianos, e Sócrates foi o antepenúltimo (para ver o resultado completo, clique aqui). O grande vencedor foi Neto.

O que terá mudado? O trabalho de Neto como jornalista tornou-o alguém menos identificado com o Corinthians. Marcelinho, com seu final de carreira pouco brilhante terá prejudicado sua imagem? E qual a explicação para a valorização de Rivellino e Sócrates? Será que o tempo acabou por reordenar as coisas.

O tempo muda as opiniões. Basta dizer que, naquela eleição que fiz há dois anos e meio, o vencedor como "meu meia inesquecível" não foi Pelé, mas Ronaldinho Gaúcho, que hoje talvez não ficasse entre os dez mais.   

Por Torero às 08h05

09/12/2008

Santos Total

Um grupo de torcedores santistas começou um movimento chamado "Santos Total", que teve seu manifesto publicado em vários blogs ontem.

Sempre que torcedores se organizam, fico com esperança de que as coisas mudem, que os clubes sejam mais transparentes, mais honestos. Afinal a mudança só interessa aos torcedores. Dirigentes preferem que tudo fique como está. 

O manifesto e a lista dos blogs estão aqui:

 

"Amigos Santistas:
2008 é certamente um ano que muitos santistas gostariam de esquecer.
 
Nós não. Vimos o quão próximos do fundo do poço chegamos, e não pretendemos ter que viver essa experiência novamente.
 
Os medíocres procuram culpados, os sábios procuram soluções. Vamos tentar ser sábios.
 
Temos a percepção de que algo de muito profundo deva ser mudado na forma como o clube é tratado pelas administrações, pelas forças políticas do clube, por seus conselheiros e por sua torcida.
 
Acreditamos que só mudaremos alguma coisa se todos nós compartilharmos nossas experiências, visões e competências, e se conseguirmos, efetivamente, influir nos destinos do clube, quer como torcedores, como sócios, ou como um grupo de pressão politicamente organizado.
 
Por isso tudo, lançamos o Santos Total, um movimento que nasce da convergência de vontades de um grupo de torcedores, e que espera expandir-se com a adesão de todos aqueles que, de alguma forma, queiram unir esforços para aprimorar a instituição Santos FC.
 
Não importa o tamanho ou a força política que possamos vir a ter. O que nos importa, hoje, é fazer parte das discussões, do processo, de tudo, enfim, capaz de conduzir o clube ao seu devido lugar no cenário mundial.

Nosso mote é MUDANÇA.
 
E ela começa exatamente na consciência de torcedores, na discussão de idéias, e na apresentação de alternativas, que costumam ser verbalizadas ou tentadas somente em vésperas de eleições.
 
Para nós o centenário começa agora: 2012 é logo ali, e já é hora de voltar a ser o clube legendário que um dia arrebatou o mundo.
Se como torcedores cobramos raça e vontade dos jogadores que têm o privilégio de vestir nosso manto sagrado, chegamos à conclusão de que essa mesma raça e vontade devam partir de nós mesmos, porque também temos o privilégio de torcer pelo maior time que jamais existiu na face da terra, e que teve a suprema honra de ter o Rei do futebol em seus quadros.
 
Queremos e seremos protagonistas do Santos Total...e é com essa convicção e desejo que lançamos esse Manifesto e conclamamos os demais santistas a refletir sobre o momento atual e sobre tudo que podemos fazer para transformar essa realidade.

SANTOS TOTAL
"por um Santos de todos nós"

Blog da Gisele - http://www.blogsantista.com.br/gisele

Blog da Neli - http://www.blogsantista.com.br/neli/index.php

Blog do Alex Frutuoso - http://www.blogsantista.com.br/alex/index.php

Blog do Jão - http://www.blogsantista.com.br/jao

Blog do Luiz Caetano - http://blogdoluizcaetano.zip.net/

Blog do Mauro Elias - http://maurobelias.blog.uol.com.br/ 

Blog do Renato - http://www.blogsantista.com.br/renato

Blog Espírito Saaantos (Ministro Veiga) - http://espiritosantos.blogspot.com/

Fotolog SantosFC - http://www.fotolog.com/santosfc

Blog do Amílcar - http://br.oleole.com/blogs/a-corneta

BLOG MOVIMENTO SANTOS TOTAL - CONHEÇA NOSSO MANIFESTO E ACOMPANHE AS ATUALIZAÇÕES: http://santostotal.blogspot.com/

 

Por Torero às 08h58

Texto da Folha

Para ler o texto de hoje na Folha, sobre o estado psicológico dos são-paulinos, clique aqui.

Por Torero às 08h38

08/12/2008

O duelo final

Nem se podia saber o que era mais vermelho, se o horizonte manchado pelo crepúsculo ou a terra encharcada de sangue.

Sim, foram os últimos duelos de Brasileirão City. Agora não adiantam mais lágrimas nem rezas.

Mais de trinta esburacaram os corpos dos duelistas.

A estrela de ouro de xerife foi parar, mais uma vez, no peito de Jack Tricolor. É a terceira vez seguida. Jack Tricolor pensou até em mudar seu nome para Jack Tricampeão, mas ponderou que o nome só duraria por um ano e deixou a idéia de lado.

Ontem ele venceu John Esmeraldine. E com um tiro ilegal. A verdade é que é difícil para os judges e os flags apitarem algo contra o xerife. De qualquer forma, foi uma conquista gloriosa.

Azar de seu oponente Sancho Pampa, que até venceu Rob Gallo, mas de pouco adiantou. Foi uma vitória triste, uma vitória comemorada com olhares para o chão.

Big Green mostrou que anda meio decadente e foi derrotado, em sua própria casa, por Set Fire, que muitos já davam por morto. Set não vencia ninguém desde 22 de outubro. Depois deste fiasco final, Big continuará usando seu chapéu da marca Luxemburgo-Luxo? Saberemos nos próximos dias.

Talvez o próximo a usar o tal chapéu seja Billy, the Fish, que ontem empatou com James Capibaribe num zero a zero de dar desgosto. Billy quase foi rebaixado e, no final das contas, só não caiu por conta daquele tiro torto de seu rifle Quiñones, que ricocheteou e acertou James Colorado. Outro James, o Capibaribe, também não caiu por pouco, muito pouco. Se levasse um tirinho ontem...

Quem quase não caiu foi Phil Gueira. Ele conseguiu três vitórias seguidas, mas estava tão mal das pernas que nem os nove pontos conseguidos com seu chapéu Pintado deram resultado. Caiu no saldo de tiros. Pobre Phil... Se já não bastasse sua fazenda estar alagada, ainda será mandado para Série B Village...

Quem deve estar alagado em lágrimas é o San January Saloon. Joaquim Wayne, o homem que nunca havia posto os pés em Série B Village, terá que passar uns tempos por lá. Foi o mesmo que aconteceu no ano passado com Tim Timão. Parece que, quando os caubóis se livram de um parasita, vão se recuperar em Série B Village. E voltam mais fortes.

Will Uai deu um grande susto em seus fãs no Big Boy from Minas: começou perdendo para Jesse Bacalhau. Mas na segunda metade do duelo virou a mesa e meteu quatro balas no pobre Jesse. No final das contas, Will ficou em terceiro lugar. Se fosse um pouco melhor fora de seus domínios, poderia hoje estar com a estrela de ouro.

Black Red, o caubói das multidões, mais uma vez decepcionou. Com a derrota de Big Green, bastava-lhe vencer Harry Hurricane para conseguir uma vaga na carruagem que leva ao Canyon Libertadores. Mas Harry estava inspirado e não lhe deu chances. Aliás, Harry só perdeu uma de suas últimas oito lutas. E ainda conseguiu uma vaga para a disputa da South-American. O chapéu da marca Geninho fez diferença. 

Pois bem, meus amigos, acabaram-se os duelos em Brasileirão City. Ainda se pode sentir o cheiro de pólvora no ar e o eco de alguns gritos de dor, mas logo tudo será calmaria. Por algum tempo não veremos mais tiros certeiros e esquivas ligeiras. Por algum tempo poderemos apenas relembrar o que vimos e sonhar com o que veremos. Ah, maldita calmaria...

Por Torero às 08h33

Dois bons lançamentos

Será lançado hoje, às 18h00, lá na USP, mais especificamente no Anfiteatro da Geografia, a versão brasileira de "O mundo segundo a Monsanto", de Marie-Monique Robin. O livro foi um best-seller na França e fala sobre contrabando de sementes, suicídio de agricultores, manipulação de dados científicos, corrupção etc... Enfim, mostra o lado obscuro da Monsanto, a multinacional que produz 90% dos transgênicos do mundo.

A autora do livro estará presente e será apresentado o documentário que deu origem ao livro.

Para fazer "O mundo segundo a Monsanto", Marie-Monique pesquisou durante três anos e em três continentes. É um livro que dá calafrios. Às vezes parece um filme de terror, noutras, um policial. O pior é que é uma reportagem. 

Outro bom lançamento de hoje, este no Rio de Janeiro, é "O artilheiro que não sorria", de Rafael Casé, que conta a história de Quarentinha, o maior goleador da história do Botafogo. Ele acontecerá a partir das 19 horas, na livraria do Unibanco Arteplex, em Botafogo, é claro.

O livro também será lançado em Brasília no próxima sábado, dia 13, a partir das 11 horas, na Fogão Shop.
 

 

PS: Na semana que vem, dia 16, às 20h00, na loja Roxos & Fanáticos do Pacaembu, será lançado o livro "Os dez mais mais do Corinthians", da Coleção ïdolos Imortais. O livro é escrito por Celso Unzelte, insigne jornalista e pesquisador. Para os esquecidos, darei novo aviso na próxima segunda.

Por Torero às 07h29

Toreroteca

Este teste foi razoavelmentre fácil, sem grandes zebras, e, além disso, tivemos 145 votos, o que faz com que as chances de haver um vencedor aumentem.

Vários fizeram cinco pontos, como Marcos Stamm, Leonardo Marques e Aguinaldo Severino. Apenas um, o Adilson, fez zero pontos. E tivemos até mais de uma pessoa cravando os seis palpites (Heitor Florido, por exemplo, fez os seis pontos, mas votou cinquenta e poucos minutos depois do vencedor. Há que acordar mais cedo, Heitor!).

Pois bem, e o primeiro a acertar os seis resultados, este verdadeiro Zé Cabala, foi o Luís, de Campina Grande. Se ele for torcedor do Treze, o livro lhe servirá de consolo. Se for Campinense, ficará como lembrança do ano em que o Campinense subiu para a Série B.

Caro Luís, mande aí seu endereço para o email blogdotorero@uol.com.br e especifique o livro que quer ganhar (se puder, mande também um número para eu jogar no Bicho). 

Por Torero às 07h14

07/12/2008

Sempre aos domingos - A tempestade

 
 

Sempre aos domingos - A tempestade

Texto escrito por Marcio R. Castro


Estávamos em cinco. Meu irmão, um casal de amigos, minha namorada e eu. O dia estava nublado, bem nublado. Mesmo assim, não voltamos atrás: fomos ao Palestra, para ver Palmeiras e São Caetano.

Ao chegarmos no estádio, foi cogitado que comprássemos ingressos para numerada coberta, em virtude da chuva que se anunciava. O preço dos ingressos logo dissipou a idéia e fomos direto para a arquibancada. Os três marmanjos conheciam o Parque de longa data, mas para as mocinhas a ida ao estádio e tudo o que envolve uma partida de futebol eram novidade. Na verdade, para minha namorada nem tanto, já que era o terceiro jogo em que ela me acompanhava, mas nossa amiga era uma novata completa. Por isso, a arquibancada era mais apropriada.

Não chegamos com muita antecedência e a parte central das arquibancadas já estava cheia. Decidimos então ficar na curva, em diagonal ao campo, perto da entrada ao campo do vestiário visitante.

Pouco depois de nos instalarmos, alguns jogadores do São Caetano subiram para aquecimento no gramado. Prontamente vaiados, um deles permaneceu mais próximo da torcida, já que um repórter o abordou antes que ele acompanhasse os outros. Não havia sido procurado pela imprensa por acaso: era o lateral-esquerdo César, talvez o principal destaque do Azulão.

Os xingamentos se proliferaram, mas não eram raivosos. Em momentos como aquele, até mesmo por acontecerem antes do jogo, as provocações têm um caráter lúdico. São meras brincadeiras, só que vociferadas vulgarmente, aos berros. Por mais escabrosas que sejam, são ofensas inofensivas.

Nesse contexto, resolvi participar. Desci até o primeiro degrau, me apoiei na mureta e gritei algo como "volta pra cadeia, César!". O arrependimento veio instantaneamente, de forma avassaladora e torturante. Ah, a que papel eu havia me prestado. Em um centésimo de segundo, pensava: "que idiotice sem tamanho que eu falei".

César havia sido preso antes de se firmar como jogador. Ainda bem, tinha dado a volta por cima. Fui um boçal preconceituoso, mesmo que quisesse fazer apenas uma galhofa. E o pior: tão rapidamente quanto o meu arrependimento, a brilhante idéia começou a se espalhar. Os maledetos ao meu redor haviam gostado!

Expressões como "cadeeiro", "xilindró" e "vai ver o sol nascer quadrado" começaram a ecoar (principalmente em meus ouvidos). Impulsivamente, antes que o contágio fosse irremediável, virei na direção do último grito e, gesticulando, berrei de maneira intimidante:

_ Vâmu pará com a palhaçada, porra!!! Que merda é essa??!!! Que merda é essa??!!!

Olhei para o campo e conclui, com os olhos acesos:

_Vai lá, César, vai lá!!!!!!!!!!

Subitamente, os xingamentos pararam. Havia conseguido inibir os meus seguidores. Consegui intimidar alguém? É mais realista acreditar que a perplexidade tenha sido meu maior trunfo.

Faço questão de tentar visualizar com vocês toda a cena: no meio da torcida, um cidadão se levanta e grita "volta pra cadeia, César!". Imediatamente, outros aderem e berram coisas similares. Mas são interrompidos também prontamente, levando um pito do mesmo indivíduo que havia começado a gincana. O infeliz, com certeza um fugitivo de hospício, ainda finaliza, batendo palmas de incentivo: "vai lá, César, vai lá!!!!!!!!". Tudo em um intervalo de uns nove segundos!

Ao subir novamente até onde estavam meus acompanhantes, não comentei nada. O jogo começou, e ainda durante o primeiro tempo, o dia nublado se transformou numa chuva torrencial. A partida foi interrompida. Muitos procuraram abrigo, mas eu fiquei de pé, no meio da tempestade.

Mais tarde, com um ar de orgulho constrangido, contei a história a todos. Estava envergonhado, mas já nem tanto assim, senão me manteria em silêncio. Havia me convencido de que tinha me redimido. Em meio a risadas, fui repreendido de maneira unânime. Uns, pela minha, digamos, indelicadeza. Outros, inconformados pelo fato de eu ter me importado a ponto de tentar a patética redenção. Pronto, César, o motivo de escárnio agora era eu!

Mas isso já não me interessava. Afinal, no meio da tempestade, eu fiquei de pé.

Por Torero às 05h48

06/12/2008

O maior atleta do ano

 (Atendendo a sugestão do leitor José Carvalho, de Mogi Guaçu, republico aqui um texto que publiquei na Folha de S.Paulo em 28/12/99)

 

Qual o maior atleta brasileiro deste ano?

Há vários candidatos. No automobilismo há Rubens Barrichello, no futebol temos o corintiano Ricardinho, o atleticano Guilherme, o gremista Ronaldinho e os exilados Rivaldo e Jardel.

Mas não podemos esquecer dos outros esportes. No iatismo houve Robert Scheidt, no atletismo, Claudinei Quirino, no vôlei de praia, Shelda, no basquete, o eterno Oscar ajudou o Flamengo a conquistar o Estadual do Rio e o técnico Hélio Rubens levou a seleção ao ouro nos Jogos Pan-Americanos.

Além disso, Rodrigo Pessoa, no hipismo, terminou o ano em primeiro no ranking, Popó conseguiu um título mundial no boxe e Kuerten firmou-se como nosso maior tenista de todos os tempos.

Mas eu lhes pergunto: Como comparar esportes tão diferentes? E eu lhes respondo: com objetividade e método!

Primeiro devemos pensar em qual é a principal função do esporte. Se fosse dinheiro, nosso atleta do ano provavelmente seria Ronaldo. Mas o principal objetivo do esporte é dar saúde aos seus praticantes. Então consultei alguns médicos, e eles foram unânimes. Nesse quesito, o melhor esporte é a natação.

Mas há várias modalidades de natação, e temos que escolher apenas uma.

Como o esporte é também um desafio às regras da natureza, creio que a modalidade de natação que mais claramente enfrenta as forças naturais é aquela que acontece em águas abertas, que faz suas provas em rios e mares.

Mas esse tipo de prova é dividido em provas rápidas, de 1 km, e de resistência, com 6 km. Qual delas escolher? Fico com a de velocidade, já que, mesmo na de resistência, vence quem chega primeiro. Mas resta ainda uma questão: a natação é dividida em várias categorias quanto à idade, e qual seria a mais adequada a este escrutínio?

Creio que o tal atleta deve estar no mais perfeito equilíbrio entre intelecto e físico. Como depois dos trinta começa nossa decadência física e só depois dos quarenta é que atingimos a plenitude de nosso intelecto, fiquemos com a média aritmética: 35 anos, o que em natação significa a categoria Master C.

Fui então até o site do principal torneio de águas abertas do país (www.maratonaaquatica.com.br) para ver quem havia se sagrado campeão este ano na categoria Master C.

Caros leitores, nem posso expressar o tamanho de minha surpresa ao ver o nome que lá estava: José Roberto Torero Fernandes Júnior. Ou seja, eu!

Sei que alguns dirão que fiz um raciocínio cabotino só para chegar a esta conclusão, mas quem pensar assim será um leitor maldoso, desses que já não crêem na beleza da alma humana, desses que acham que a vereadora Maria Helena é culpada ou que Pitta está envolvido no caso dos precatórios. Porém, a verdade é que sou tão inocente quanto eles.

O que conta é que agora, como principal atleta do país, já posso pensar na coisa mais importante para um esportista, que não são medalhas ou recordes, mas patrocínio. Creio que anunciarei duas revistas em meu calção. Na parte da frente estará escrito ""Veja". E na de trás, obviamente, ""Bundas".

Se bem que posso fazer o inverso, pois não são poucos os que acham a ""Veja" uma revista bundona e a ""Bundas", do cacete.

Por Torero às 13h01

05/12/2008

Últimas palavras

 Eis que chegamos à derradeira rodada. Trinta e sete jogos ficaram para trás.Trinta e sete!

 Estamos neste campeonato desde 10 de maio, mas tudo se decidirá neste domingo. Ou, pelo menos, nos iludimos com essa idéia. Porque, na verdade, num campeonato de pontos corridos, este jogo é tão importante quanto os outros.

 O Grêmio, caso fique três pontos atrás do São Paulo, não terá perdido o campeonato porque o Goiás perdeu para o time paulista, mas porque ele mesmo perdeu, e em casa, para o Goiás, na 25ª rodada. Ou seja, o Goiás será o fiel da balança neste campeonato.

 Já o São Paulo, se ficar com o vice-campeonato, não será porque perdeu do Goiás, mas porque foi derrotado duas vezes pelo Grêmio, no Morumbi e no Olímpico, e as duas vezes por 1 a 0.

 Mas acho que poucos pensarão assim. Gostamos de decisões, de achar que as coisas são decididas nos últimos segundos. Daí vem a paixão que temos pelas palavras finais, por aquele resumo antes da morte.

 Falando em palavras finais, talvez as mais famosas sejam as de Goethe, que teria dito "Luz, mais luz!", como se fosse um pedido de mais sabedoria. Se bem que poderia ser apenas um doente pedindo que lhe abrissem a janela.

 Geralmente se dá muita importância às últimas palavras, aos últimos jogos. Mas na vida, e no Campeonato Brasileiro, elas não são o mais importante. O mais importante é o caminho que se fez até chegar ao apito final.

 De qualquer forma, o Brasileiro será vencido por um detalhe. E por um detalhe Muricy será julgado um gênio da raça, um novo Telê, ou apenas um cara mal-humorado que tem a sorte de estar num clube mais organizado que a maioria.

 Por um detalhe Celso Roth poderá finalmente ser colocado na primeira linha dos técnicos nacionais. Ou, por um detalhe, dirão mais uma vez: "Esse Roth não tem jeito mesmo...", com reticências e tudo.

 O último jogo se parece um pouco com a extrema-unção católica. Ele pode salvá-lo das chamas do inferno, da danação eterna. Ele pode redimir Renato Gaúcho, que levou o Fluminense à zona de rebaixamento e talvez leve o Vasco à Série B. Pode transformar Pintado, técnico do Figueirense, num milagroso. Pode fazer de Geninho um herói para os atleticanos, pode fazer Roberto Fernandes, que saiu e voltou para o Náutico, um herói pernambucano como João Cabral de Melo Neto ou Chico Science.

 Enfim, dão muita importância ao passo derradeiro, como se ele fosse uma suma filosófica. Pois acho que sábio mesmo foi Winston Churchill, que, pouco antes de entrar em coma, teria dito: "Estou de saco cheio disso tudo."

 

Por Torero às 08h58

Última Toreroteca

Chuif, chuif... Esta é a última Toreroteca do ano. E ela obrigatoriamente terá um vencedor. Se ninguém fizer seis pontos, ganha o que primeiro chegar aos cinco, e assim por diante. Se ninguém fizer um ponto sequer, ganha o que votar primeiro.

Concentre-se, use seus poderes zecabalísticos e dê seu palpite.

Os jogos são estes:

Goiás x São Paulo, é claro.

Grêmio x Atlético-MG, é claro.

Atlético-PR x Flamengo, que deve ser um jogo bem disputado.

Santos x Náutico, com time lutando pela Sul-americana e outro para escapar do rebaixamento.

Sport x Coritiba, com dois times desinteressados.

E Figueirense x Internacional, a disputa entre um desesperado e os reservas relaxados.

Meus palpites: São Paulo, Grêmio, empate, Santos, Sport e Figueirense.

E, se eu fizer seis pontos, espero receber um livro de cada leitor.

 

Por Torero às 08h57

04/12/2008

Polemiquinha

O Inter ganhou a Sulamericana e foi realmente uma grande vitória. Conquitas na prorrogação são sempre espetaculares.

Mas nisso de dizer que é o primeiro clube a vencer a Sulamericana há um certo exagero, já que a Sulamericana nada mais é do que a velha Conmebol, só que com um nome mais bonito (mesmo porque é difícil um nome mais feio que Conmebol). Ou seja, é uma Libertadores B, torneio difícil e um troféu que merece ser muito comemorado, mas chamá-lo de título inédito é uma certa forçação (haverá outra palavra com dois cedilhas?) de barra.

 

Por Torero às 11h08

02/12/2008

Eleição - Os piores do ano

Observadores leitores e observadas leitores, façamos aqui uma eleição. Quem, para você, foi o pior jogador do Brasileiro?

Por Torero às 07h44

Teisto da Foia

Para ler o texto de hoje na Folha, sobre as decepções do fim de semana, clique aqui.

Por Torero às 07h43

01/12/2008

O penúltimo tiroteio

As balas estão no fim, os chapéus já pouco adiantam de tão furados, os cavalos estão sedentos, os braços estão cansados e as pernas, exaustas.

Foi o penúltimo dia de duelos em Brasileirão City. E tivemos algumas surpresas.

Jack Tricolor poderia ter recebido ontem a sua estrela dourada de xerife, mas este ano Louis Laranjeira esteve em seu caminho. Foi assim no Desfiladeiro Libertadores e foi assim ontem, quando o duelo entre os dois terminou empatado. Na verdade, como Louis começou vencendo, o empate até foi um resultado razoável para Jack, a quem basta um empate contra John Esmeraldine para que seja mais uma vez o bambambã de Brasileirão City. Quanto a Louis Laranjeira, voltou a atirar como no começo do ano, e com isso já escapou do perigo de voltar para Série B Village.

 Louis Laranjeira é considerado o caubói mais elegante de Brasileirão City.

Sancho Pampa, o grande inimigo de Jack Tricolor, usou a cabeça e trucidou Wyatt Earp Tinga. Foram quatro tiros fatais. Sancho é como as cascavéis do deserto: parece que está morto, mas dá o bote quando menos se espera.

O duelo mais feio do domingo foi entre Rob Gallo e Billy, the Fish. Foram poucos tiros perigosos e poucas esquivas, de modo que nenhuma gota de sangue manchou o chão verde de vermelho. Billy errou um tiro à queima-roupa com seu revólver Lima Colt. Por outro lado, Gallo acertou um tiro legítimo, mas que acabou anulado. Ah, os judges...

Aliás, esta semana o pior dos judges foi o que esteve no duelo entre Big Green e Victoria Salvador, a cauguel que usa fitinhas do Senhor do Bonfim em seu revólver. Ele errou três vezes, duas a favor de Big e uma para Victoria. Foram três penalidades não marcadas. Menos mal para Big, que conseguiu um empate. Porém, desde que vendeu seu revolver chileno, o caubói que se veste de verde limão não é mais o mesmo. Parece que lhe falta criatividade, manha, esperteza. Quem vende sua melhor arma sempre se dá mal.

 As pouco discretas botas de Big Green.

Foi o que aconteceu com Jesse Bacalhau, que ontem empatou com Cliff Reciff. Ele vendeu seu Diogo 45 e terá que pegar a carruagem para Série B Village. Triste, triste... Jesse ficou apenas um ano em Brasileirão City. Já Cliff Reciff está tão de férias que foi ao duelo de sandálias havaianas em vez de botas. Mesmo assim, não fez feio.

James Capibaribe foi outro que não decepcionou. Até começou perdendo de Harry Hurricane, mas virou o duelo com dois tiros estranhíssimos, daqueles que ricocheteiam no lustre, na lareira, no penico e acabam alvejando o inimigo. James parece que vai continuar em Brasileirão City. Harry, porém, terá que enfrentar Black Red, e corre grande perigo. O caubói das belas fãs esta à beira do precipício.

Joaquim Wayne, o caubói da colina, conseguiu o que ninguém acreditava. Venceu Coxa Cox em seus próprios domínios. Para Joaquim ainda resta um fio de esperança, mas é um fio bem fino, pois ele terá que contar com tropeços de dois de seus três rivais diretos. Parece mais difícil do que domar cavalo xucro sentado de frente para o rabo.

Um destes três rivais é Phil Gueira, que ainda não desistiu. Com as botas cheias de lama e os olhos rasos d’água, o caubói foi até a casa de Set Fire e venceu-o. É bem verdade que Set Fire está com ares de caubói aposentado, daqueles que já não querem nada com nada, tanto que em seus últimos seis duelos perdeu cinco vezes e empatou uma. Mas, se Set já entregou os pontos e só pensa nas férias, Phil Gueira ainda luta com desespero e pode conseguir um milagre.

 Will Uai se sai melhor quando não sai.

James Colorado também já está de férias, e até usou suas armas reservas. Mesmo assim venceu Will Uai, que só consegue bons resultados no Big Boy from Minas. Este ano Will mostrou-se um garoto tímido, que não conseguiu fazer grande coisa longe de seu lar. E em Brasileirão City os garotos tímidos nunca acabam como xerifes.

Não se pode ser tímido como Will Uai, mas também não se pode ser convencido como Black Red. Ontem ele estava vencendo John Esmeraldine por três tiros a zero. Era só tomar uns uísques enquanto mantinha o inimigo à distância. Mas Black bobeou, pensou que era melhor do que é e levou três balaços. Não se pode dar as costas para o velho John Esmeraldine. E isso vale também para Jack Tricolor, que terá que decidir o título no velho centro-oeste.

Não perca, na próxima semana, o último, o derradeiro, o decisivo capítulo deste emocionante Brasileirão City.
  

Por Torero às 07h53

Sobre o autor

Formado em Letras e Jornalismo e quase formado em Cinema, é autor de treze livros (como "O Chalaça"), escreveu roteiros para cinema (como "Pequeno Dicionário Amoroso") e para tevê ("Retrato Falado").

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