Blog do Torero

30/10/2008

A A é a A

O título acima não é erro de digitação ou sinal de que estou ficando gago. É que as três séries do Campeonato Brasileiro estão emocionantes. Mas a A está melhor que as outras. E não só pelo futebol, mas porque tem um páreo mais apertado.

Veja aí a pontuação, em pontos, vitórias e saldo de gols:

Grêmio: 59, 17, 19.
São Paulo: 59, 16, 22
Cruzeiro: 58, 18, 17
Palmeiras: 58, 17, 12
Flamengo: 56, 16, 18

Os cinco líderes estão separados por apenas três pontos. Ou seja, na próxima rodada, qualquer um deles pode aparecer na ponta da tabela.

Os jogos mais fáceis são de Grêmio e Flamengo, que, em suas casas, pegam Figueirense e Portuguesa.

Grêmio e Flamengo foram justamente os dois times que saíram cabisbaixos de campo ontem. A derrota do Grêmio era esperada, mas o placar elástico acabou sendo doloroso. E o Flamengo perdeu a chance de encostar no líder.

Na Série A qualquer prognóstico é tão sério quanto o de uma cartomante ou de um economista. A única coisa que se pode dizer é que, teoricamente, o São Paulo tem o melhor caminho, pois enfrenta times mais fracos e não pega nenhum oponente direto. Mas, como dizia Einstein, na prática a teoria é outra (tudo bem, ele não disse isso, mas poderia ter dito.).

Na simpática Série C, o Atlético-GO (18 pontos) deu uma bela escapada. Faltando seis rodadas, está seis pontos à frente de Águia de Marabá e Campinense, e daqui a três jogos já deve estar comemorando a classificação para a segunda divisão.

O Guarani é que, com três derrotas seguidas, caiu muito e foi parar na sexta posição, com dez pontos. Mas segunda-feira deve vencer o Confiança, que ontem perdeu por 4 a 1 para o Rio Branco e não deve estar lá muito confiante.

Na B, a surpresa foi o empate do Vila Nova, em casa, com o Gama. O Vila Nova está no G-4, enquanto o Gama está na penúltima colocação, à frente apenas do finado CRB. Mas nesta última rodada os dois empataram em 1 a 1. E o empate ainda foi lucro para o time de Goiás, porque o Gama saiu na frente e o Vila Nova só empatou aos 37’ do segundo tempo, num chute de fora da área de Reinaldo.

Outra surpresa, esta lá embaixo, foi a vitória do celeste Marília sobre o Fortaleza, em Fortaleza. O único gol aconteceu logo aos 4 minutos. Ou seja, foram 5160 segundo de emoção e suspense.

Enfim, os três campeonatos brasileiros ainda estão mais indefinidos que o mercado de ações. 

Por Torero às 07h34

29/10/2008

O livro que estou lendo

O nome dele é “Quando Nietzsche chorou” (Irvin D.Yalom, Ediouro, R$ 59,90). Ganhei de aniversário da minha mãe, que o leu em três dias e achou que eu gostaria tanto quanto ela. Mas, desta vez, minha infalível mãe estava enganada. Não estou gostando muito, não. Minha leitura já se arrasta por duas semanas e ainda estou na página 322 (são 407).

Mas por que não estou gostando, se o livro faz sucesso e até já virou peça e filme? Além disso, ele me foi dado pela minha mãe, o que lhe dá um ponto a mais. Afinal, presente de mãe, a gente sempre gosta, nem que sejam galochas amarelas (ficaram ótimas, mãe! Nem vejo a hora de começarem as chuvas).

Mas, mesmo assim, não estou me divertindo.

Um primeiro motivo pode ser um preconceito do tipo “se é best-seller, não é bom”. Mas acho que não tenho este tipo de pensamento. Pelo contrário. Sempre penso que, se um livro ou filme faz sucesso de público, é porque deve ter algo interessante.

No caso de “Quando N. (não vou ficar escrevendo este nome complicado o tempo todo) chorou”, acho que sua qualidade é seu defeito. E essa qualidade defeituosa é sua gordura.

Não falo isso porque o livro tenha muitas páginas (até tem, mas porque o entrelinhamento é generoso, como deve ser), e sim por sentir uma certa gordura na escrita. Tudo é dito e redito muitas vezes. Não há rapidez, leveza, agilidade. Cada palavra não traz dados novos. Não temos a informação condensada, mas espichada, alongada.

O livro é composto basicamente (até o ponto em que estou lendo) por sessões de análise entre o Dr. Breuer e N., onde N. faz as vezes de psicanalista. Nestas sessões o verbo já é um tanto derramado. Todos os sonhos, pensamentos e ações são longamente explicados. Mas, depois disso, ainda temos as anotações de Breuer e N. sobre o encontro. Ou seja, cada sessão é contada três vezes.

Um livro é feito de fatos e não-fatos, de ações e pensamentos sobre estas ações. Se há poucos pensamentos, poucos breques, ele corre o risco de ficar ligeiro demais (talvez seja o defeito do que estou escrevendo agora). Se há muitos, como é o caso de “Quando N. chorou”, pode ficar um tanto lento (se bem que alguns livros, como “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, têm muitos não-fatos, mas estes pensamentos são tão criativos e surpreendentes que não ralentam a leitura, pelo contrário).

Porém, há quem goste dessa lentidão de contar e recontar. Assim a leitura pode ser um pouco mais desatenta e ligeira. Num livro mais enxuto, há que prestar atenção em cada letra. Nestes mais derramados, se você perde um parágrafo, não há tanto problema. É mais ou menos a diferença entre ver tevê e cinema. Os programas de tevê são mais gordos. Você pode assisti-los com uma atenção mediana, dividida entre a pizza, as crianças e a história. Já o cinema pede atenção total.

Esta gordura me incomoda muito. Mas ela, e algumas outras coisas, são os motivos de sucesso do livro. Vamos às outras coisas:

-O livro fala de personagens famosos, de ícones da filosofia (N.) e da psicanálise (o jovem Freud é o melhor amigo do Dr. Breuer). E falar de famosos sempre atrai as multidões (o que não é mau em si).

-Muitos diálogos. Eles não são exatamente bons. Não há muitos arrepios verbais no livro. Mas diálogos sempre facilitam. Eles dão uma engraxada na leitura, assim como a manteiga no pão.

-Frases definitivas. No livro há algumas frases lapidares (o N. gostava muito disso), que são muito citadas nas resenhas sobre o livro espalhadas na internet. Elas dão a impressão de conter um profundo pensamento, mas desconfio de pensamentos profundos em frases tão simples e pequenas. Além disso, há algumas frases roubadas e sem a citação devida, como uma do Shakespeare lá pela página 300.

-Sentir-se inteligente. Como o livro tem personagens importantes da filosofia e da psicanálise, muitos leitores podem sentir que estão aprendendo estas coisas. E talvez se aprenda mesmo um pouco. Mas muito pouco. É como em alguns livros policiais em que o detetive domina um assunto específico, como vinho, comida, quadros, etc... Mas lá este aprendizado mostra-se claramente como algo lúdico. Aqui, pelas resenhas que li, muitas pessoas acreditam que realmente aprendem coisas importantes sobre filosofia e psicanálise. Mas neste caso talvez seja mais culpa do leitor-resenhista que do escritor. Ou não?

-O título. Acho este título realmente bom. N. me parecia ser o tipo de sujeito que não choraria nem em enterro, mas o título promete que isso vai acontecer. E você lê para ver o filósofo durão realmente terá um ataque de humanidade. 

Talvez as oitenta páginas que faltam do livro me façam mudar de idéia. Talvez eu chore no final. Mas, por ora, é um livro que me dá preguiça de ler. Porém, como foi a senhora minha mãe quem mo deu, vou lê-lo até o final. Freud explica.


 

Por Torero às 07h57

28/10/2008

Texto da Folha

Para ler sobre a montanha-russa corintiana, clique aqui.

Por Torero às 08h55

27/10/2008

Três saltitantes tigres

A rodada teve um grande vencedor em cada uma das Séries do Brasileiro.

Na A, o grande canguru, aquele que saltou várias posições, foi o São Paulo.

E a rodada dava a impressão que seria negra para ele. Mesmo jogando em casa, o time tomou um gol do Vitória logo aos 14’ do primeiro tempo. O Tricolor poderia ter ficado nervoso, poderia ter se lançado ao ataque com desespero, mas manteve a cabeça fria e a virada acabou acontecendo.

Um dos jargões do futebol fala em time com “postura de campeão”. O São Paulo anda mostrando a tal postura nos últimos jogos. Ele entra em campo achando que pode vencer todos os jogos, achando que esta é sua obrigação e destino, e isso realmente intimida os adversários.

Mas, se há a tal postura, o futebol não é o mesmo do ano passado. Os dois gols do time tiveram grande colaboração da defesa baiana, com a barreira se abrindo no primeiro e falhando na linha de impedimento no segundo.

De qualquer forma, o São Paulo subiu duas posições e está apenas três pontos atrás do líder Grêmio, que tem um caminho mais complicado a percorrer nestes sete últimos jogos.

Alguns dias atrás, o Juca era vox clamantis in deserto ao dizer que o São Paulo era grande candidato ao título. Agora, já há quem lhe faça coro. Ainda mais com fragorosa derrota palmeirense.

Na C, o grande vencedor foi o Atlético Goianiense, que ganhou, fora de casa, do Guarani. E não apenas ganhou. Ganhou por largos 3 a 0. Agora o time está quatro pontos à frente do segundo colocado, e, faltando sete rodadas, terá mais quatro jogos em casa, onde é imbatível.

Ou seja, ele tem tudo para se classificar para a Série B.

Já o Guarani caiu para a sexta posição e só terá mais três partidas em casa.

No jogo de sábado, os dois times tinham goleiros chamados Márcio. Mas, enquanto o Márcio de Goiás fez boas defesas e salvou sua equipe em momentos críticos, o de Campinas saiu de campo xingado pela torcida, que botou dois gols em sua conta de falhas.

Outro destaque na C foi o Águia de Marabá, que está se especializando em gols nos últimos minutos. Desta vez foi buscar um empate fora de casa contra o Campinense aos 41’ do segundo tempo. E o Águia é um dos que terá quatro partidas em casa neste segundo turno.

Finalmente, na Série B, temos o torcedor mais feliz do final de semana: o corintiano.

Com seis rodadas de antecipação, o Sport Club Corinthians Paulista está de volta à principal divisão do futebol brasileiro.

Das lágrimas do rebaixamento às lágrimas do acesso.

Vida de corintiano não tem esse negócio sem monotonia. Num ano você está na pindaíba, noutro é campeão mundial, num ano é rebaixado, noutro volta à divisão principal.

A última década do clube teve tantos altos e baixos que mais parece uma montanha russa. E acho que, no fundo, a torcida gosta disso.

Torcer para o Corinthians tem um ar de bolero, de emoções extremas. Não tem isso de torcer sentado. É uma torcida que fica de assiste aos jogos em pé ou de joelhos, gritando ou rezando.

Hoje não há melhor coisa a fazer no mundo do que ser corintiano. E, se você vir um cara assobiando pela rua, já sabe para que time ele torce.

Por Torero às 08h09

26/10/2008

Sempre aos domingos: A volta de Tim Timão

Sempre aos domingos: A volta de Tim Timão

Por Max Fischer


Série B Village sempre foi um vilarejo pacato, porém de uns tempos para cá muitos caubóis da elite haviam visitado suas pastagens. Louis Laranjeira, Big Green e mais recentemente Sancho Pampa, entre outros, haviam duelado contra os caubóis locais, mas nenhum deles teve uma passagem tão histórica como Tim Timão pela cidade do purgatório futebolístico. O apelido se deve ao fato que seus moradores estão sempre a um passo de entrar na disputa pela estrela de ouro de Brasileirão City, mas também estão por um passo de ser mandado as profundezas do inferno de Série C Hill.

Logo no dia seguinte que o destino de Tim havia sido selado, o vilarejo foi tomado de assalto pelas centenas de torcedores de Tim. Alguns ainda não haviam conseguido acreditar no que havia acontecido com seu caubói e molhavam as ruas da cidade com suas lágrimas.

Antes de começar a pensar em seu retorno para Brasileirão City, Tim teve que procurar um novo fornecedor de armas, já que o árabe Dudu A. Lib havia sido expulso das cercanias do rancho de Tim. O novo fornecedor de Tim se tornou Andy Sánchez, um espanhol que prometia transparência e renovação para Tim. Esqueceu da primeira, mas cumpriu a segunda parte do acordo, ao trocar as velhas armas de Tim por novas armas como o rifle argentino Herrera e as pistolas Douglas e André Santos. Outra troca de Tim foi à saída de seu preparador Nelsinho “Sete-a-um” Batista por Brother Menezes, o preparador que havia levado Sancho Pampa de volta a Brasileirão City alguns anos atrás.

Tim precisou de 32 duelos para garantir passagem em umas das carruagens que irão retornar ao Brasileirão City no final do ano. Perdeu apenas dois duelos: para Buck Bahia em seu Pacaembu Saloon e para New Village, que contém a melhor arma mais mortal do campeonato, a velha e temida garrucha T.Maravilha, nas planícies de Gold Mountain. Deu 67 tiros em seus adversários e levou apenas 22 tiros.

Seu último duelo foi com o caubói nordestino com sotaque inglês, Sir Hara. O Pacaembu Saloon estava lotado pelos fanáticos por Tim, que não o abandonaram em nenhum momento. Nas arquibancadas, 32 mil pessoas e a velha pistola Saint Basílio, que é até hoje reverenciada por Tim, pois foi graças a ela que Tim voltou a levar uma estrela de xerife para casa depois mais de duas décadas.

Tim logo saiu da frente após Douglas, sua arma inteligente, furar a armadura de Sir Hara após o tiro de Herrera quase ter acertado o alvo. Pombos-correio corriam rapidamente a distância entre Pacaembu Saloon e Barueri Arena’s, onde Blue Reed lutava contra os donos da casa. Porém o tiro de Douglas não garantia ainda uma passagem a Tim. O “bando de loucos” como ficou conhecido os fanáticos por Tim olhavam para o céu a cada instante a espera de novidades de Barueri Arena’s e quando um dos pombos anunciou que Blue Reed havia conseguido dar um tiro no caubói dos empresários, a festa começou nas arquibancadas do Saloon. A festa, porém pouco durou, pois outro pombo jogou uma panela de água fria na torcida ao anunciar o empate em Barueri Arena’s.

O relógio da praça central de Série B Village marcava pouco depois 5 e meia da tarde quando um dos pombos, já exausto de tanto voar, declarou que Blue Reed havia dado mais um tiro certeiro dando números finais ao seu duelo. E exatamente às 17h58min36s, Tim garantiu sua passagem de volta a Brasileirão City O caubói ainda teve forças de se jogar em sua torcida e dar uma volta olímpica nos braços de sua torcida e ser levado para fora do Saloon onde acontecia um carnaval fora de época que duraria noite adentro.

O crepúsculo se aproxima cada vez mais e muitos tiros ainda serão trocados nas vielas de Série B Village, já que ainda existem 3 carruagens com destino a Brasileirão City e 4 para Série C Hill. Para Tim e sua torcida cada duelo agora será uma festa, já que a estrela de xerife da cidade, feita com prata de segunda categoria, se torna cada momento mais real, embora Tim já afirme que irá guardá-la muito bem escondida em uma gaveta de seu rancho, pois em seu uniforme alvinegrovioláceo só há espaço para suas maiores conquistas.

Por Torero às 20h02

23/10/2008

Bang-bang na C

Não, não, leitor, não há lugar mais seco, áspero e intratável do que Série C Hill. Ali não há amanhã nem ontem. Em vez de travesseiros, dorme-se sobre os revólveres, e quem pisca jamais abre o olho outra vez.

Dos 63 caubóis que começaram vivos, somente oito continuam andando sobre a terra. E, logo, mais quatro estarão sob ela.

Ontem, Duke Caxias, o caubói solitário, que quase nem tem fãs, venceu Marabá Eagle. O caubói paraense dominou a maior parte do tempo, mas sua pontaria falhou. Já Duke acertou um de seus poucos tiros e saiu vencedor pela contagem mínima. Com isso, volta a ficar apenas a três pontos do quarto colocado, que é justamente Eagle, o caubói que só se alimenta de açaí.

 Duke Caxias

Já se foram seis dos catorze duelos, mas um caubói parece que já não tem chances: White River. O caubói sabe lutar bem, mas vem sofrendo de tanglomanglo, caiporismo, urucubaca. Tudo começou na luta contra Duke, que se fez de morto e o duelo terminou mais cedo. Depois, quando White River parecia ter a vitória garantida contra Marabá Eagle, levou dois tiros nos últimos minutos. Contra o índio Guarani, quando mais pressionava, levou o golpe de misericórdia, e agora, contra Cerrado Dragon, perdeu mais uma.

Dragon tem dois revólveres possantes: Little Junior e Big Mark. Big Mark é a arma mais mortal do campeonato, mas ontem foi a vez de Little Jr. acertar dois balaços, aos 18’ e aos 20’. White River ainda reagiu e acertou Dragon uma vez, aos 31’. Mas foi só. Depois disso, o atlético caubói goiano soube se esquivar e manteve o placar a seu favor.

 A torcida xavante

O índio Xavante, que, curiosamente, usa cocar e bombachas, foi implacável contra Red Fox, o caubói de Campina Grande. Foram quatro flechadas certeiras. Com isso, ele passa a ter 9 pontos e volta para o bolo da frente. Xavante, que habita a região de Pelotas, é poderoso, tem uma torcida animada e pode dar uma arrancada neste final de campeonato.

Quanto a Red Fox, que há duas rodadas era o líder do torneio, caiu para a quinta posição. Ele é imbatível em seu saloon, o famoso Big Friend. Mas precisa melhorar um pouco quando luta fora de seus domínios. É um caubói com qualidades e pode ficar entre os quatro.

 O famoso lance da bicicleta.

Por fim, houve o sangrento duelo entre Carl Fiança e o índio Guarani. O bugre era o líder da competição, mas tombou frente o caubói sergipano. Aos 31’, com seu revólver da marca Wilson (modelo Surubim), Carl Fiança acertou seu primeiro tiro. O índio Guarani conseguiu empatar depois de uma parada para tomar um trago de cauim. Porém, Carl Fiança, imitando Paul Newman em "Butch Cassidy e Sundance Kid", trocou seu cavalo por uma bicicleta e acertou o tiro fatal. Ah, como são belos os tiros de bicicleta!

Neste fim de semana encerra-se o primeiro turno da fase final. O crepúsculo se aproxima. Depois, para alguns virá uma radiosa manhã. Para outros, uma tenebrosa noite.

 

PS: Para ver a cena da bicicleta em Butch Cassidy e Sundance Kid, clique aqui. Curiosamente, pensaram em tirar o clip na montagem final, pois ele não avançava em nada a história. Mas a cena acabou ficando e se tornando a mais famosa do filme e uma das mais conhecidas do cinema.

Por Torero às 09h10

22/10/2008

Princesas

 Uma das coisas mais estúpidas que se pode fazer é comprar um livro escrito numa língua que você não domina. E eu fiz isso.

Logo depois da derrota do Brasil na Copa da Alemanha, fiquei tão chateado que peguei um trem e fui para Paris (pelo menos lá todo mundo está com cara de chateado).

Pois bem, andando pelas livrarias encontrei um livro tão bonito, mas tão bonito, que o comprei. E meu francês é pior que inglês de índio de filme de faroeste.

O livro chama-se “Princesses: oubliees ou inconnues”. Foi escrito por Philippe Lechermeier e ilustrado por Rebecca Deutremeier. É uma enciclopédia sobre princesas, e os desenhos da tal Rebecca são espetaculares. O texto também é ótimo. E posso falar isso porque acabei de ganhar o livro em português. Pois é, depois de gastar meus parcos euros, eis que o livro saiu no Brasil.

O título em português é: “Princesas: esquecidas ou desconhecidas”.

Trata-se de um livro infantil, mas nem tanto. Eu pelo menos, gostei um bocado (se bem que sou um tanto infantil).

Os desenhos e o texto têm um casamento perfeito. Têm o mesmo tom, um tom poético- bem-humorado.

As princesas mostradas não são Cinderelas e Brancas de Neve, mas umas princesas com mais cara de gente, como Amnésia, a princesa que esquece de tudo, Badabum, a princesa desastrada que tem que morar numa ilha, ou Capriciosa, a princesa fresca (no mau sentido).

O defeito de “Princesas...” é o preço. Como é impresso em quatro cores e em formato grande, ele é caro. Mas varia bastante de livraria para livraria. Numa busca pela internet, encontrei exemplares entre R$ 54 (Martins Fontes) e R$ 76.

Como eu já tinha o livro, dei minha versão em português para meu sobrinho Lelê. No começo ele reclamou um pouco, dizendo que era livro de menina. Mas depois, acho que gostou do presente. Disse até que quer escrever um sobre príncipes.

 

Por Torero às 08h45

Juízes de terceira?

Do site Futebol Alagoano: uma mensagem no Orkut afirma que há compra de resultados por parte do Confiança na Série C. Clique aqui para ler. 

Por Torero às 07h05

21/10/2008

Matemágicas

Para ler o texto de hoje na Folha, que mostra matematicamente quem será o campeão brasileiro, clique aqui

Por Torero às 08h01

20/10/2008

Dentro do brinco da princesa

Neste domingo fui a Campinas ver o jogo entre Guarani e Rio Branco pela Série C.

O Brinco de Ouro da Princesa fica bem no centro da cidade e foi fácil estacionar o carro (dentro do próprio estádio, por R$ 10,00).

Curiosamente a torcida fica na rua até quase a hora do jogo. Então, faltando poucos minutos, todos entram. E vários chegam atrasados.

Assisti ao jogo no tobogã (conforme me foi aconselhado por vários leitores do blog). É uma arquibancada lateral bem alta, construída logo depois do título brasileiro de 1978.

 O tobogã, onde fica o pessoal mais animado.

Ali ficam a Fúria e a Jovem, principais torcidas bugrinas. Mas há outras faixas nas arquibancadas do fundo, como a da Guerreiros da tribo, que na década de 70 chegou a ser  a maior torcida do time (e tinha a peculiaridade de ter um presidente homossexual, que, diz a fama, era muito bom de briga) e a Bebumgrinos, uma torcida etílica que, por ironia, torce muito sobriamente.

O time entra e a torcida grita: “Ê, vamos subir, Bugrê!”, a palavra de ordem deste campeonato. Já o Rio Branco só vai aparecer no meio do hino nacional, a fim de evitar as vaias. Aliás, este é um expediente cada vez mais comum desde que começou esta bobagem de tocar o hino antes de todos os jogos, lei que deve ter sido proposta por alguma professora de Educação Moral e Cívica aposentada, daquelas que em vez de dar aula apenas lia o livro em voz alta na classe, provocando bocejos e roncos.

O jogo começa. O Rio Branco marca muito bem e não dá chance ao Guarani. Pelo contrário, até consegue alguns ataques perigosos.

 A torcida do Rio Branco assistiu ao jogo confortavelmente. Aqui só há 15. Os outros chegariam depois do jogo ter começado.

Vou até a torcida do Rio Branco, que está instalada atrás do gol bugrino. São apenas trinta pessoas. São acreanos que vivem em São Paulo, na Praia Grande e em Jundiaí, e aproveitaram para ver o seu time. É uma torcida bem familiar: há cinco crianças, dez mulheres e quinze homens.

Um deles é Thiago Gonçalves, 22 anos, que estuda hotelaria no Senac e vive em São Paulo desde os 17. Ele sabe até o nome do massagista do Rio Branco, que corre em campo para atender um jogador. “Vai, Alex!”, grita Thiago.

Ele mandou fazer uma bandeira especialmente para o jogo, mas a polícia não deixou que ele entrasse com ela. Para Thiago, o melhor do time é Marcelo Brás, que, justamente naquele instante, faz um gol (anulado pelo juiz).

   Thiago aplaude aos 24' e lamenta aos 28'.

Logo depois, aos 24', para alegria de Thiago, o pequeno Rossini (ex-Santos) faz um gol de cabeça. O jogador vai até seus trinta torcedores, que vibram. Thiago aplaude até que o jogo recomeça.

Sua alegria dura pouco. Aos 28’, o lateral-direito Maranhão (o melhor em campo) cruza para Fernando Gaúcho fazer seu décimo gol no campeonato e empatar o jogo.

O Guarani passa a dominar a partida, mas não marca o segundo.

 Ninguém quer saber de chuteiras no intervalo.

No intervalo, vou até o vestiário do Rio Branco. Vejo jogadores sentados, deitados, todos sem as chuteiras. As 15 horas de viagem de avião (tiveram uma longa espera em Brasília) e a marcação dura feita no primeiro tempo pesaram. Copos de água são distribuídos e alguns conversam entre si, combinando jogadas e como marcar este ou aquele jogador do Guarani. Logo depois a porta se fecha e ouço quatro minutos de gritos do técnico Tarcísio Pugliese, de apenas 30 anos, que já foi preparador físico no Flamengo e na Arábia, e dirigiu o Luverdense na fase anterior.

No fim, os jogadores batem palmas e dão gritos de guerra.

Mas o time volta mais recuado. Os 7.228 pagantes bugrinos (novo recorde do time no campeonato) se animam. E aos 19’ sai o gol da virada com Maranhão.

A gigantesca bandeira da Fúria cobre o tobogã.

 

Quando a partida recomeça, o Rio Branco, que é um time bem ajeitado, vai para cima. O ruivo lateral-esquerdo Ananias, que entrou aos 30’ do primeiro tempo, joga bem. A pressão aumenta e um bugrino grita: “Acaba o jogo, juizão!”. E são apenas 22’ do segundo tempo.

O nervoso dá fome e os vendedores de pastéis, o hit gastronômico do estádio, fazem a festa.

Os torcedores prendem a respiração a cada bola que cruza a área. O zagueiro Xandão está suspenso e o goleiro Márcio é daqueles que fazem grandes defesas e grandes bobagens. O empate pode vir a qualquer momento.

Mas então, aos 42’, Henrique, um garoto que era sócio-torcedor e hoje é um dos xodós da torcida, faz boa jogada num contra-ataque pela direita e deixa Fernando Gaúcho na cara do gol. Ele não desperdiça: 3 a 1.
 
O Guarani é o líder do octogonal.

Otto, Paula e Sueli, os bugrinos ao meu lado, se abraçam.

Por Torero às 10h42

Família que torce unida...

Assisti ao jogo ao lado de três gerações de bugrinos: Sueli, a mãe, Otto, o filho, e Paula, a neta (com sua figuinha verde).

O primeiro bugrino da família foi o pai do pai de Otto. Ele era português e, talvez por conta do verde que está na bandeira portuguesa, quando chegou a Campinas acabou escolhendo torcer para o Guarani. O time foi sendo herdado pelas gerações seguintes e hoje está na quarta, com Paula, 12 anos.

Ela diz que o melhor jogador que viu no Guarani foi o zagueiro Xandão. E o pior momento de sua história de torcedora foi este ano, quando não viu a goleada de 5 a 1 sobre o Marcílio Dias. É que ela não tinha acabado a lição e precisou ficar em casa.

Otto Eberlin, 35 anos, funcionário público, torce para o Guarani desde os cinco anos. É daqueles que vai a campo com um relógio-cronômetro para marcar o tempo de jogo. Seu maior ídolo não foi Neto, Careca ou Amoroso, mas Zenon, o elegante meia que fazia lançamentos precisos e comandou o brilhante time de 78. Seu dia mais triste no Brinco de Ouro foi em 1982, num jogo contra o Flamengo. Havia tanta gente em campo que ele e mãe tiveram que voltar para casa.

Sueli começou a gostar de futebol aos dezessete anos, por causa do pai de Otto. Na época da conquista do Campeonato Brasileiro de 1978, eles estavam morando em Curitiba, “mas a gente fazia tanto fuá que o prédio inteiro acabou torcendo pelo Guarani.”

Pergunto o que é fuá e ela responde:

“A gente ouvia os jogos pelo rádio, pendurava bandeira na janela, colocava o hino para tocar... ”

Quando seu marido morreu, ela parou de ir ao estádio. Mas agora está voltando a ver os jogos. E o Guarani parece estar voltando à Série B.

 

Por Torero às 10h35

Resultado da toreroteca

Entre os mais de 160 palpiteiros, apenas um fez seis pontos (o Robinson, de Atibaia, acertou todos seus vaticínios, mas só falou de cinco jogos).

O vencedor foi o boêmio Giacomo, de São Paulo, que postou seu voto na madrugada de sábado. 

O empate entre Sport e Náutico foi o jogo que mais derrubou os aspirantes a Zé Cabala, já que a grande maioria apostou no campeão da Copa do Brasil. 

Diga aí que livro vai querer, Giacomo, e mande seu endereço para blogdotorero@uol.com.br.

Por Torero às 10h33

17/10/2008

Toreroteca

Façam suas apostas!

Os jogos de hoje são:

Palmeiras x São Paulo, o clássico paulista.

Atlético-MG x Cruzeiro, o clássico mineiro.

Sport x Náutico, o clássico pernambucano.

Vasco x Flamengo, o clássico carioca.

River Plate x Boca Juniors, o clássico argentino, modestamente chamado de "Super".

E Guarani x Rio Branco, que verei lá em Campinas.

Minhas apostas são: Palmeiras, Cruzeiro, Sport, Flamengo, Boca e Guarani.

 

PS: O prêmio de grego será um livro meu.

Por Torero às 10h33

Quatro em primeiro na terceira

A Série C continua ótima. Agora temos quatro líderes. Confiança, Guarani, Campinense e Águia de Marabá têm sete pontos. Logo atrás, com seis, vêm Atlético-GO e Brasil de Pelotas. O Duque de Caxias ficou nos quatro e o Rio Branco disparou na lanterna (se é que esta expressão existe), com um.

Da cadeia para a glória

Ontem, o Confiança assumiu a liderança por saldo de gols ao vencer, em casa, o Campinense por 4 a 0. Mais de quinze mil pessoas estavam no estádio Batistão.

O primeiro gol veio logo aos quatro minutos, de pênalti, com o zagueiro Valdson (aquele que fez certo sucesso no Botafogo). Curiosamente, Valdson tinha acabado de sair da cadeia, onde foi parar por conta do não pagamento de pensão alimentícia a sua ex-esposa.

Aos 18’, mais um pênalti, desta vez cobrado por Cristiano Alagoano.

Depois Taílson (outro que também fez certo sucesso no Botafogo) marcou mais dois.

Épico na floresta

Um daqueles jogos épicos, um verdadeiro Fitzcarraldo, aconteceu na Arena da Floresta (belo nome, não?). O Rio Branco já tinha recebido o Águia de Marabá em setembro, quando venceu por 4 a 0. Mas desta vez foi diferente.

No fim do primeiro tempo, os oito mil torcedores vibraram quando viram o placar: 2 a 0 para o Rio Branco. Mas, no começo do segundo, Felipe Mamão (que não gosta de ser chamado de Mamão: “Mamão é o meu pai”) diminuiu.

Aos 20’começou a cair chuva tropical. Mas ela não esfriou os ânimos, e foram expulsos um jogador de cada time.

Faltando quinze minutos, o Águia trocou seus dois atacantes, colocando Ciro e Peri, que têm nome de dupla sertaneja-indígena. E a dupla deu certo. Aos, 45’, Ciro sofreu um pênalti, convertido por Soares. Então o Rio Branco partiu para cima, tentando o gol da vitória. Mas, ionicamente, tomou um contra-ataque e, aos 47’, Ciro fez 3 a 2 para o Águia.

Desmaio no cerrado

O Atlético Goianiense aplicou a maior goleada desta fase da competição: 5 a 1 no Duque de Caxias. Mas levou um grande susto: logo no começo do jogo, aos 14’, o atacante Marcão levou um soco do goleiro Borges, do time fluminense, e caiu desacordado. Mas ele se recuperou, voltou à partida e ainda fez dois gols.

O Atlético montou um bom time e é um dos bambambãs da C. Dois destaques são Anaílson, o bom meia que, além de sósia de Noel Rosa, jogou bastante tempo no São Caetano; e Lindomar, jogador experiente, de 38 anos, com passagem pelas arábias e pelo Corinthians, que ontem marcou dois gols.

Guarani mata Xavante

O time de Campinas venceu ontem o Brasil de Pelotas por 1 a 0. Mais de 7 mil pagantes, recorde do time neste campeonato, estavam no Brinco de Ouro da Princesa (mais um estádio com belo nome).

Aos 21’, Dairo (não, não é erro de digitação, é Dairo mesmo) sofreu pênalti (tenho minhas dúvidas se foi mesmo falta. Confira clicando aqui). Fernando Gaúcho cobrou e marcou o único gol da partida.

Falando em Guarani, como vários torcedores (e torcedoras) cobraram que eu assistisse a um jogo do time (já que vi partidas de clubes mais distantes, como ASA, Treze e Atlético de Alagoinhas), domingo estarei no Brinco de Ouro da Princesa.

Os bugrinos podem deixar algumas dicas aqui nos comentários: onde comer, quem entrevistar, o melhor lugar para ver o jogo, etc...

Até domingo.

 

Por Torero às 08h53

16/10/2008

Falta muito para a Copa

Um amigo que está na África do Sul mandou-me a foto acima, com um dos totens que marcam a contagem regressiva para a próxima Copa do Mundo.

Realmente faltam muitos dias para que cheguemos à Copa. Mas, mais que dias, falta futebol. O Brasil deve se classificar, mas, pelo que viu-se no jogo contra a Colômbia, não será um passeio. É bem verdade que estamos em segundo lugar, mas apenas quatro pontos à frente do quinto colocado.    

E o pior não é a pontuação, mas o futebol. Neste jogo, o Brasil não teve um matador, nem a sede insandecida de vitória. Sem uma certa sede de sangue, é difícil vencer. Luís Fabiano faz falta.

A surpresa deste primeiro turno das eliminatórias foi o Paraguai, que não só é o líder como o é com larga vantagem sobre nós: seis pontos.

Ou seja, já nem podemos fazer a velha piada de que tudo no Paraguai é falsificado. Pelo jogo que acabou de acabar, a seleção brasileira é que é falsificada.

Por Torero às 00h12

15/10/2008

A vida como ela é...

Vou começar falando sobre algo que não é o assunto deste texto: Hoje faz exatamente dezesseis anos que Ruy Castro lançou “O Anjo Pornográfico”, biografia de Nelson Rodrigues.

Este livro deu um novo impulso; não, mais que isso, ele reacendeu o interesse; não, mais que isso, ele ressuscitou Nelson Rodrigues. Ainda mais o Nelson Rodrigues literário, já que o Nelson Rodrigues teatral sempre se manteve em alta. Confesso que não li o livro, já que não sou grande fã de biografias, mas muitos leram, e tão grande foi o seu sucesso que motivou o relançamento da obra de Nelson Rodrigues.

Depois de “O anjo pornográfico” voltou-se a falar e pensar sobre Nelson Rodrigues. Eram os tempos em que o lançamento de um livro podia gerar discussões e modas culturais (hoje são tantos títulos e tão pouco espaço nos jornais que o lançamento de um livro é uma coisa menor, sem muita importância).

Naquele começo dos anos 90, por exemplo, foram lançados “À sombra das chuteiras imortais”, com uma ótima seleção de seus textos sobre futebol, e “A vida como ela é...”, com os melhores contos que ele escreveu para o jornal “Última Hora”, seis dias por semana, de 1951 a 1961. Este sim, é o assunto de hoje.

É que há uma nova versão de “A vida como ela é..., desta vez lançada pela Agir, um braço da Ediouro, que me parece um tanto irregular na qualidade de seus lançamentos. Às vezes os livros são feios e com edição preguiçosa, às vezes são lindos. É o caso deste.

Esta nova compilação de contos de Nelson Rodrigues na verdade é velha. É que ela junta os dois volumes lançados em 1961, intitulados “Cem contos escolhidos – A vida como ela é”, organizada por ele mesmo. O catatau tem umas seiscentas páginas e custa caro: R$ 59,90 (em sebos internéticos, por volta de R$ 40,00). Mas a edição é ótima. As páginas têm um entrelinhamento generoso, ou seja, as linhas não são apertadinhas [o que, hoje em dia, sem meus óculos de leitura (ah, a velhice...) me fazem ficar com cara de chinês] e há intertítulos grandes entre as partes do conto, dando mais um respiro na diagramação. E a capa tem uma cara de anos 50. Aliás, a coleção de capas dos livros de Nelson Rodrigues pela Agir está espetacular. Batuta mesmo.
 
“A vida como ela é...” gerou vários filhotes. Foi programa de rádio nos anos 1960 (narrado por Procópio Ferreira), disco (lançado pela Odeon), fotonovela, um bom programa de tevê (dentro do Fantástico, escrito por Euclides Marinho e dirigido por Daniel Filho) e filmes (como “A dama do lotação”). Mas nada como ler o original.

É que Nelson Rodrigues consegue fazer personagens ao mesmo tempo absurdas e críveis. As tramas são excelentes, surpreendentes, e o prazer da leitura é imenso. Você começa a ler um continho e não consegue parar antes de terminá-lo. Por exemplo, vou escolher um azar. Abri na página 215, onde começa um conto chamado “Beijo no telefone”. As primeiras linhas são assim:

- Você é casada?
E ela:
- Não sabia?
Pôs as mãos na cabeça:
- Nem podia imaginar. Mas casada mesmo, no duro?
Sorriu, refazendo a pintura:
- Casadíssima!

Neste começo já dá para ver algumas das qualidades do conto. Os diálogos coloquiais, a personagem feminina forte (que com o seu “Não sabia?” mostra uma certa desfaçatez), a presença do sexo (já sutilmente presente em “Sorriu, refazendo a pintura”), o dilema moral que virá, a ironia (vista no superlativo “casadíssima”), etc...

Falando em ironia, algumas linhas abaixo ficamos sabendo que a doce pecadora se chama Angelita.

Pronto, vou ter que ler o resto da história. Por isso, acabo por aqui.

 

Por Torero às 08h28

14/10/2008

Dez perguntas para Juvenal Juvêncio

1-) O senhor já estuda algum nome para depois que nosso ídolo maior se aposentar. O SPFC ter alguém a altura para substituí-lo e nesse tempo já ir treinando e adquirindo experiência com RC nos próprios treinos diários? Digo isso pois o mesmo aconteceu com RC e Zetti. Abraço e saudações tricolores.
Rodrigo S. Pereira - Indaiatuba/SP
 
Prezado Rodrigo - Assim como aconteceu com o Rogério ao suceder o Zetti, temos ótimos goleiros nas categorias de base do clube, inclusive que defendem a seleção brasileira. Obviamente nunca é fácil substituir um ídolo de um clube, mas temos nos preparado para isso com um trabalho intenso na base. Hoje, além do Bosco, que tem a mesma idade do Rogério, o Fabiano treina junto com eles e o Léo, que é uma grande promessa e defende a seleção.
 
2-) Presidente, sendo o time mais rico do Brasil (e o mais estruturado), por que o São Paulo não consegue contratar uma meia de ligação? O Corinthians tem o Douglas, o Inter o D´alessandro, o Grêmio o Tcheco, enquanto o São Paulo não tem nenhum, apenas 5 volantes no meio de campo. Até quando iremos ficar reféns da habilidade do Muricy?
Senivaldo Junior – Goiânia
 
Prezado Senivaldo – O São Paulo tem se preocupado com a questão do “meia”, sem no entanto considerar que seja um ponto negativo da equipe, até porque entendemos que estamos servidos para a posição, como mostram os resultados. O Hugo faz um excelente campeonato, sendo inclusive o único jogador desta posição com 10 gols no campeonato. O Jorge Wagner é outro que pode perfeitamente atuar ali. Ainda temos o Sérgio Mota que pode "explodir" a qualquer momento e o Oscar que já é uma realidade e de um dia para o outro já estará brilhando no time titular. Não vemos os meias do São Paulo como piores do que os rivais.

3-) Sr. Presidente, a "parceria" com a Warner acabou? Por que não vemos os resultados prometidos? Qual o saldo desta união até aqui?
Rodrigo Duarte - São Paulo
 
Prezado Rodrigo - As vantagens de ter a Warner como parceira do São Paulo, na área de licenciamento, é que, por ser a segunda maior empresa do mundo, nesta especialidade, tem pessoas altamente capacitadas pensando permanentemente no São Paulo, tanto que já fizeram as nossas receitas aumentarem em 180%. Além de sermos exclusivos no Brasil e no Japão, estamos juntos às principais equipes do planeta, como o Barcelona, o Milan, o Manchester United, a Juventus, o Paris Saint Germain, dentre outros, reforçando, com isso, a internacionalização da marca São Paulo FC. Hoje contamos com mais de 52 contratos e cerca de 330 produtos.
 
 
4-) Presidente Juvenal, um dos meus hobbies preferidos é ir ao Morumbi ver o São Paulo jogar. Porém, algo me enoja demais é ver os cambistas trabalhando livremente nos guichês do Morumbi. E tudo isso claramente acordado com os funcionários do clube. O São Paulo está planejando algo para coibir isso? E uma venda online inteligente de ingressos? Porque Ingresso Fácil não dá...
Rafael Barbosa
 
Prezado Rafael - O São Paulo tem uma grande preocupação com o assunto ingressos. Foi montada uma comissão interna para avaliar o contrato vigente e estudar as propostas que recebemos. Temos que reconhecer, também, que o problema é generalizado na área de espetáculos, e mais do que a nós, cabe à polícia e à segurança pública coibir a ação de cambistas e de todos os maus elementos que atuam nestes momentos. Não acreditamos que nossos funcionários estejam envolvidos;

5-) Sr. Juvenal, por que o SPFC não pode transmitir os jogos através da internet? Vemos que somos preteridos pela toda-poderosa que tem direitos de transmissão e ficamos obrigados a ver futebol de segunda. É possível que o tricolor inicie algum projeto para atender aos torcedores internautas em outros países, e mesmo aqui no Brasil, preteridos para transmissão de outros clubes?
Marcio Cesar A. Muniz - Goiânia.
 
Prezado Marcio César – Temos lutado intensamente em prol dos interesses de nosso clube e de nossa torcida, fato conhecido. Infelizmente, não conseguimos resolver tudo da forma mais satisfatória, pois há muitos interesses em jogo. Sua preocupação e proposta são boas, e  certamente nós chegaremos lá.
 

6-) Sr. Presidente, é evidente que a política de contratação a custo zero do SPFC foi muito bem utilizada nos últimos 3 anos, gerando 4 títulos. Contudo, as agremiações aprenderam e estão contratando jogadores mediante parcerias (como a Traffic). Pergunto: Será que não é hora de rever essa política? Ela foi eficaz por muito tempo, mas em 2008 se mostrou claramente obsoleta e ultrapassada. Não seria hora de rever os conceitos para montar um time competitivo para 2009? (como o Inter, que, apesar de não ter bons resultados, tem o melhor elenco no Brasil disparado. E fez tudo isso gastando na contratação desses jogadores).   Christian Timm 
 
Prezado Christian - O São Paulo sempre procura montar times competitivos, de qualidade, embora, historicamente, não faça loucuras. Claro que estamos atentos para as variáveis do mercado, procurando planejar e nos adaptar às novas realidades. A vantagem é que também não corremos o risco de não quebra, ao contrário dos outros clubes. É só comparar. Por isso investimos muito nas categorias de base, onde estruturamos o clube. São investidos alguns milhões de reais para revelar jogadores. É tradição do clube e por isso estamos na frente. Também não contratamos a custo zero. Procuramos sempre fazer bons negócios. Pode ter certeza que o São Paulo vai continuar brigando por todos os títulos em 2009, sempre com chances reais de ser campeão.
 

7-) Por que, para a Copa, o Estado deveria ceder terreno ou financiar com dinheiro publico (de todas as torcidas) obras de propriedade privada, de uma única torcida como sugere o projeto do Morumbi? Lica.

Prezado Lica - O projeto do Morumbi, em nenhuma hipótese, sugere intervenção de dinheiro público para acontecer. No estádio, tudo será feito com recursos nossos e de investidores interessados nos bons resultados que as nossas ações propiciam. 

 

8-) Comprar ingressos é uma grande tortura para o torcedor. São horas sob sol, chuva. Devemos lembrar dos cambistas, do alto custo de estacionamento e de alimentação. Somando a isso temos o problema de horários tardios e o da violência. Como tornar os estádios lugares novamente atraentes para o público? Gabriel C. Santo - São Paulo
 
Prezado Gabriel - O SPFC tem certeza que oferecendo conforto e bons serviços aos torcedores, tratando-os como clientes, terá o seu Estádio novamente atraente para o público e para a família, atenuando-se os problemas crônicos que assolam o futebol, como a violência e os cambistas. No quesito conforto o SPFC tem buscado oferecer aos usuários do Estádio do Morumbi novas opções de entretenimento e alimentação, como a MEGA- LOJA da REEBOK e o SANTO PAULO BAR, e num curto espaço de tempo estará oferecendo novos assentos, banheiros remodelados e instalações modernas que estarão em total consonância com as normas estabelecidas pela FIFA, deixando-o apto a receber a COPA 2014. No quesito serviços o SPFC tem investido fortemente na limpeza de seu Estádio, tanto em pessoal como em equipamentos, e na segurança interna de seus usuários, com a instalação de câmaras de monitoramento, e está estudando novas formas de comercialização de ingressos que visem facilitar a compra dos mesmos e o acesso ao Estádio do Morumbi.
 

9-) Caro presidente, por que os clubes, apesar de terem certas rixas e brigas com a CBF, ainda permitem a reeleição, e até ajudam nessa perpetuação, de uma administração que tem se mostrado nociva para os clubes e o futebol no Brasil de uma forma geral? Por que apesar de grandes clubes, como São Paulo e Flamengo, se posicionarem contrários a gestão do futebol no clube dos 13, nada fazem para que isso mude? Vemos que a CBF, tem preterido e desrespeitado clubes brasileiros, e estes clubes apenas baixam a cabeça em obediência a esta. É possível este cenário mudar a curto prazo? Marcio Cesar A. Muniz - Goiânia,

Prezado Marcio César - Pessoalmente, somos contra o continuísmo, entendendo que 02 mandatos, de 02 ou 03 anos, cada um, são mais do que suficientes para desenvolver um plano de trabalho.
A renovação do quadro de Dirigentes é salutar, porque  novas idéias, novos métodos de trabalho, somente tendem a trazer para os Clubes um ganho de qualidade.
Os exemplos marcantes de grandes Clubes do Futebol Brasileiro somente confirmam essa teoria.
Não se está criticando diretamente este ou aquele, mesmo porque todos têm amor pelos Clubes que dirige. Sabemos que a rotina acaba tirando um dos elementos básicos para o sucesso de um Presidente e do Clube que dirige, que é a emoção, a vibração. Mesmo sem querer, acabam esses Dirigentes acostumando-se com a mesmice.
Uma das razões do sucesso do SPFC é que há rotatividade na direção do Clube e que, habitualmente, o sucessor continua e conclui a obra do antecessor.
O SPFC tem um Estatuto que permite somente uma reeleição e assim continuará para manter a sua grandeza e o seu sucesso, não só no campo esportivo, como inúmeras vitórias, mas também com o progressivo aumento de seu patrimônio.
 

10-) Sr. Presidente, o que o senhor acha do continuísmo, ao invés da renovação, na presidência de um clube de futebol ? Pois temos exemplos de que a perpetuação no poder, não tem sido benéfica aos clubes (Corinthians, Palmeiras, Santos, Vasco, etc.) e mesmo assim o senhor parece não querer que haja uma mudança no comando do SPFC. Estaria o SPFC (que se diz um clube exemplar) seguindo a mesma trilha de insucessos desses outros clubes citados?
Thiago Briques SBC
 
Prezado Thiago – A resposta acima elucida nosso pensamento. O São Paulo não mudará sua tradicional forma de ser.

Por Torero às 07h13

Quando o amor acaba

Sim, eu sei, enamorado leitor e namoradeira leitora, esse não é um título para uma coluna de futebol. Mas há coisas que há que se dizer, e às vezes não há como escolher hora ou lugar. Pois a verdade, a dura e cruel verdade, é que eu já não a amo mais.

Não quero ser aquele tipo de homem covarde que diz que a culpa foi dela, mas acho que tudo começou, ou acabou, porque eu a senti mais distante. Era como se, pouco a pouco, ela fosse deixando de fazer parte da minha vida. Eu já não queria saber como era o seu dia e já não me importava com os mínimos detalhes da sua existência. Já não fazia diferença como ela se vestia, o que ela bebia, se estava feliz ou não. E, acho, ela sentia o mesmo em relação a mim.

(Para ler o resto do texto de hoje na Folha, clique aqui.) 

Por Torero às 07h04

13/10/2008

Risos e lágrimas

   

Nos campeonatos brasileiros, três torcedores têm motivos para dar sorrisos de comercial de pasta de dente.

Os primeiros são os gremistas, que, com uma certa ajuda do juiz, venceram o Santos e voltaram à liderança. Faltando apenas nove rodadas para o fim do Brasileiro, o time é o favorito matemático ao título. Para ajudar, o tricolor terá duas rodadas simples pela frente. Joga contra a Portuguesa no Canindé e contra o Sport, em casa. Não são jogos fáceis, mas seu principal adversário terá partidas mais duras: enfrenta o São Paulo e pega o Fluminense, no Maracanã.

Os corintianos também podem exibir seus marfins. Mesmo tendo empatado, o time tem onze pontos de vantagem e deve ser campeão de Série B daqui a quatro ou cinco jogos. Será o campeonato mais fácil, e merecido, da sua história. O clube levantou, sacudiu a poeira e deu a volta por cima.

E, na Série C, os torcedores, e torcedoras, do Campinense devem estar com cãibra nas bochechas. Ele é o único time da Série C que segue invicto. Ou seja, depois de três rodadas, os outros sete já foram derrotados pelo menos uma vez, mas o Campinense venceu duas e empatou uma. Não quero me gabar de minhas capacidades zecabalísticas, mas, como diria Galvão Bueno, “eu sabia!” que o Campinense era um bom time (se alguém dúvida, é só clicar aqui). Com sete pontos, ele é o líder isolado da fase final. O Brasil de Pelotas está na sua cola, com seis pontos, e depois há um empate quádruplo, com quatro times com pontos.


Enxugando as lágrimas na bandeira

Quanto aos torcedores mais tristes, na Série A devem ser os do Flamengo. Os oitenta mil torcedores rubro-negros foram ao Maracanã para comemorar uma vitória, não para tomarem três gols de uma equipe que estava quinze pontos atrás da sua, e mais perto do rebaixamento que da Libertadores. Mas a verdade é que o Flamengo foi dominado e o time mineiro fez belos gols. Quem pensou que sairia fazendo cara de comercial de pasta de dente, saiu com ares de reclame de laxante.

Na B, os mais tristes são os fãs do CRB. Desta vez o time até marcou gols. E três! Mas tomou seis. Seis! Trata-se de um paciente terminal. E até já começou a doação de órgãos, pois alguns jogadores estão indo embora. E o pior não é só o rebaixamento, mas a facilidade com que ele irá acontecer. Faltando oito jogos, o time está treze pontos atrás do penúltimo colocado.

Na C, tenho dúvida sobre quem são os mais tristes. É provável que sejam os amantes do Rio Branco, que perdeu mais uma fora de casa e tem apenas um ponto, sendo o lanterna do octogonal. Mas os do Atlético Goianiense também devem estar um tanto agoniados: o time foi muito bem nas fases anteriores, mas agora já perdeu duas vezes em três jogos e a classificação já não parece tão fácil.

Também não deve ser fácil ver os dentes dos torcedores do Duque de Caxias. Depois de uma partida conturbada, com expulsões e cai-cai, o time perdeu em casa para o Guarani. E perder em casa neste octogonal é meio caminho para continuar na Série C.

Enfim, uns riem e outros choram, e assim caminham os dramas e as comédias do futebol.

 

Por Torero às 09h04

10/10/2008

Goleadas de 1 a 0.

São Paulo e Cruzeiro ganharam por apenas um gol de seus adversários, Náutico e Ipatinga. Foram duas vitórias por placares mínimos, mas que as torcidas devem ter achado o máximo.

Mesmo jogando em casa e contra times que estão mal na tabela (15º e 19º colocados), as duas vitórias foram difíceis, daquelas que acontecem por um detalhe. Mas, como disse Roberto (o Carlos, não o Dinamite), detalhes são coisas muito grandes para esquecer.

O São Paulo só conseguiu marcar quando o jogo estava perto do fim, num belo chute de fora da área de Hernanes.

Já o Cruzeiro marcou no primeiro tempo, mas apenas graças a uma falha do goleiro adversário. E, no resto do jogo, foi inferior ao Ipatinga. Aliás, o Ipatinga tem jogado bem, e ainda pode escapar do rebaixamento.

Neste quarto final de campeonato, os jogos ganham em dramaticidade. O empate do Palmeiras, por exemplo, que teria sido um resultado totalmente normal se tivesse acontecido nas primeiras rodadas, tomou ares de desgraça por conta das vitórias de três adversários diretos.

Na verdade, não há um time especial este ano, o que faz com que este seja o melhor e o pior dos campeonatos por pontos corridos. 

Por Torero às 09h00

O pior da Série C

Na segunda rodada da terceira divisão nacional, algumas equipes já começam a despontar e outras, a desapontar.

Na primeira rodada, todos os times que jogaram em casa venceram. Agora, quando quem jogou em casa teve que viajar, foi um pouco diferente.

O Guarani não conseguiu vencer o Campinense no Brinco de Ouro da Princesa.

Logo aos nove minutos, o time de Campinas já estava na frente. E teve chance de ampliar. Mas os deuses do futebol valorizam muito a pontaria, e assim puniu o Bugre com um gol do Campinense, numa cobrança de falta, aos 29’.

Depois, o Guarani pressionou, houve algumas pontadas dos visitantes, mas ficou-se mesmo no 1 a 1. Com o resultado, o Guarani é o último colocado na Série C.

O líder do campeonato é o Duque de Caxias, que empatou em Rio Branco, por 2 a 2. Mas foi um jogo estranho.

Doze mil pagantes vibraram quando o Rio Branco marcou logo no primeiro minuto de jogo.

Mas o Duque de Caxias foi se equilibrando a partida e chegou ao empate aos 30’, com Pingo. E o mesmo Pingo, aos 5’ do segundo tempo, pôs o time fluminense em vantagem.

O Rio Branco foi para cima e pressionava sem sucesso quando o juiz expulsou Tica, do Duque de Caxias, que levou o segundo cartão amarelo. Os jogadores protestaram e Douglas Silva fez sinal de que o juiz estava roubando, com o que também foi expulso.

O jogo continuou e, aos 33’, saiu o empate do Rio Branco. Após o gol, começou a confusão. Renatinho foi expulso. Aí houve o cai-cai do Duque de Caxias (o patrono do exército deve ter se revirado no túmulo). Borges e Edvaldo caíram no chão e disseram não ter mais condições de jogo. Como todas as substituições já haviam sido feitas, a partida teve que ser encerrada.

Ficam as perguntas:

O juiz Rosinildo Galdino da Silva, de Roraima, favoreceu o time da casa ou os três jogadores do time fluminense mereciam mesmo ser expulsos? 

O Duque de Caxias será punido pelo cai-cai ou foi a única maneira de impedir que o Rio Branco ganhasse a partida na marra?

Para ver os gols e o lance, clique aqui:

Pesquisando na internet, só achei um torcedor que assistiu ao jogo, e ele disse que viu o técnico do Duque de Caxias fazendo sinais aos seus jogadores para que caíssem.

Para complicar, na súmula do jogo, o 4º árbitro José Antônio Almeida Pinheiro disse ter solicitado ao médico da equipe do Duque de Caxias um parecer sobre a situação dos atletas, porém, segundo o árbitro, o médico recusou a dar tais informações.

De qualquer forma, foi uma partida que mostrou o que há de pior na Série C.

Por Torero às 08h57

09/10/2008

Hoje, não

Como é meu aniversário, vou dedicar o dia à vadiagem. O texto de hoje fica para amanhã.

 

Por Torero às 08h37

08/10/2008

Corações e mentes

Durante meus doze anos na faculdade de cinema (sim, eu enrolei um bocado, foram oito anos de graduação e mais quatro na pós, e não me formei em nenhuma das duas) sempre escutei elogios a um documentário chamado Corações e Mentes, sobre a guerra do Vietnã. Mas, como não morro de amores pelo formato e pelo tema, acabei por não ver o filme.

Pois bem, ontem, passando pela banca de jornais perto de casa, vi que o DVD de Corações e Mentes estava à venda. Como tinha uma nota de vinte reais no bolso e o filme custava R$ 19,90, achei que era um sinal divino e comprei-o.

Pensei que assistiria apenas a dez minutos de filme antes de começar a bocejar. Mas eis que o filme mostrou-se tão bom, mas tão bom, espantou-me o sono e assisti até aos letreiros finais.

Talvez tenha sido o melhor documentário que vi. Os de Michael Moore são ótimos na investigação social e política (mas o ego do diretor é um tanto inflado e há um claro direcionismo no roteiro e na montagem), e os de Eduardo Coutinho e João Moreira Salles são muito bons na revelação da alma humana.

Corações e Mentes tem um bom tanto destas duas vertentes. Consegue mostrar a política e as pessoas, o geral e o particular.

As entrevistas são ótimas. Vê-se políticos falando coisas interessantes, ex-combatentes que pensam sobre a guerra (a favor e contra), vietnamitas dando seu ponto de vista, etc...

E, em termos de linguagem, é moderníssimo. A montagem é muito ágil (o que é surpreendente para um filme com mais trinta anos); a escolha de músicas é esperta, às vezes irônica, às vezes sentimental; e há o uso inteligente de materiais alienígenas, ou seja, cenas de arquivo, pedaços de filmes de Hollywood, propagandas pró-guerra etc...

O diretor Peter Davis filmou duzentas horas de material. Depois da edição sobraram 112 minutos. 112 minutos que valem a pena (até para entender os EUA no Oriente Médio).

Se a banca de jornais perto de sua casa tiver o filme, não perca a chance.


PS: O filme ganhou o Oscar de documentário em 1975. Mas isso é o de menos.
PS2: Acho que às quartas vou começar a falar de filmes e livros.

Por Torero às 13h28

07/10/2008

Futebol e urna são caixinhas de surpresas

Para ler o texto de hoje na Folha, sobre candidatos e times de futebol, cliquem aqui os que forem uolistas, folhistas ou arranjarem uma senha emprestada. 

 

Por Torero às 08h20

06/10/2008

Candidatos ludopédicos

Entre os participantes da pesquisa aqui ao lado, o único a ser eleito vereador em São Paulo foi Marco Aurélio Cunha, do DEM (antigo PFL, sempre é bom lembrar), com 38.421 votos. Cunha foi o segundo mais desvotado na pesquisa do blog, com 37.98%. Dinei, o único a superá-lo (52,71%), teve uma boa votação, com 22.732 bobos, digo, votos. Ademir da Guia chegou a 17.009, Wladimir ficou com 5.975 e Ataliba conseguiu apenas 442. Um tal de Pellé, que trabalha como sósia do rei, ficou com 1007 votos. Número menor que os gols do original.

Por Torero às 10h14

Abecês de A, B e C

Academia. Um ou outro palmeirense mais fanático já chama o time de Nova Academia. É um exagero. O time está na frente na classificação, tem um técnico competente e possui um bom elenco. Mas não é um líder tão incontestável. Não é o Palmeiras da era Parmalat ou o São Paulo do ano passado.

Bazófia. Substantivo abstrato que significa vaidade exacerbada, presunção. É do que sofrem alguns corintianos. O time está sobrando tanto na Série B que, quando acontece um empate fora de casa, estes já reclamam.

Cláudio Milar é um atacante uruguaio esperto, de 34 anos, que fez sucesso em clubes pequenos daqui, passou por Polônia, Tunísia e Israel. Um autêntico cigano. No sábado, foi ele quem fez o gol que deu a vitória do Brasil de Pelotas contra o Rio Branco.

Artilheiro. Kléber Pereira continua na ponta da tabela. Dos 36 gols do Santos, 20 foram dele. Quando ele se machucar (toc, toc, toc), como fará o Peixe?

Balzaquiano. Túlio Maravilha, que no ano que vem será um quarentão, continua disparado na frente da artilharia da Série B. Ele tem 21 gols, oito a mais que Pedrão, do Grêmio Barueri.

Campinas continua uma cidade dividida entre dois times. Hoje, na luta para ver quem tem mais torcida, está dando Guarani. O Bugre tem uma média 5,4 mil pessoas por jogo em casa. A Ponte Preta, de 3,8 mil.

Atlético Paranaense é o time em que se consagraram Alex Mineiro e Kléber Pereira, os dois artilheiros do Brasileirão. Ironicamente, hoje o time tem o pior ataque do campeonato. E, pelo que vi sábado na Vila Belmiro, tem mesmo chance de cair.

Bragantino. O time venceu a Série C no ano passado e está em sétimo lugar na B. É uma equipe de altos e baixos. Depois de seis vitórias seguidas, perdeu três jogos.

Cognome é uma coisa importante no futebol. Às vezes um apelido diferente garante que o jogador seja lembrado pela imprensa. Mesmo assim, Felipe Mamão, o bom atacante do Águia de Marabá (que marcou um gol e deu passe para o outro na vitória contra o Guarani) quer eliminar o seu. O jogador diz que Mamão é um apelido herdado do pai, e quer ser apenas Felipe.

Adeílson Pereira de Mello, o Adeílson, também desistiu de seu apelido. O artilheiro do Ipatinga (9 gols), era chamado de Tiéia em seus tempos de júnior no União Luziense (viva o Google!). Tiéia me parece bem melhor que Adeílson. Mas, com qualquer nome, é um jogador para se prestar atenção.

Bahia, eis aí um time em fase trágica. Está apenas em 11º. lugar na segunda divisão, tomou 9 gols nos últimos dois jogos, despediu o técnico Roberto Cavalo e continua mandando seus jogos em Feira de Santana, com o que está apenas em 12º. lugar em média de público.  Para piorar, terá três jogos difíceis, contra São Caetano, Corinthians e Vila Nova.  O rebaixamento é um fantasma que pode voltar a assombrá-lo.

Caseiros. São os times do octogonal decisivo da Série C. Todos os que jogaram em casa venceram. Mas apenas um, o Duque de Caxias, por dois gols de diferença. Os outros tiveram vitórias apertadas por 2 a 1. Vai ser um ótimo campeonato, daqueles em que cada jogo é uma epopéia cheia de lama e sangue.

 

Por Torero às 08h43

05/10/2008

Um vencedor na Toreroteca

E os resultados dos jogos da Toreroteca foram:

1-) Palmeiras 3 x 1 Atlético/MG

2-) Grêmio 2 x 1 Botafogo

3-) Ipatinga 1 x 2 São Paulo

4-) Náutico 0 x 2 Flamengo

5-) Santos 4 x 0 Atlético/PR

6-) Vasco 2 x 4 Figueirense


Nesta rodada sem empates, alguns apostadores chegaram aos cinco pontos, como João Luís Amaral (que apostou num empate entre Grêmio e Botafogo) e Aduil junior, de São José dos Campos (que apostou no empate entre Vasco e Figueirense).

Mas um leitor fez a previsão. Este vidente, este haríolo, este profeta ludopédico, este Zé Cabala é o senhor Daniel Corsi, que por suas qualidades vaticinatórias vai ganhar um livro (meu, infelizmente).

Escolha aí o livro e mande seu endereço, Daniel.

 

Por Torero às 09h04

Poesias visuais de Al-Chaer

Poesias visuais de Al-Chaer

O "Sempre aos domingos" de hoje é um tanto diferente. São poesias visuais feita por Al-Chaer, que está sempre presente nos comentários e brincadeiras deste blog (e esta semana errou os seis palpites da Toreroteca). Os textos explicativos também são seus.

Em tempo: minha poesia preferida é a sobre Pelé. Maradona ficou em segundo. Como sempre.

 

- A RIVALIDADE: MARADONA

No Futebol, rivalidade é tudo. A desconstrução do número 10 da camisa da Seleção da Argentina. Uma "homenagem" ao Craque Portenho, sem perder a oportunidade da provocação. Lo siento, mis hermanos, pero Maradona es el segundo. El primero es sólo uno. Y El Rey es nuestro.

 

- O DRIBLE: GARRINCHA

A magia do drible. O drible atingindo o limite impossível das pernas tortas. 

As curvaturas em paradoxo com o equilíbrio. O improviso. A surpresa. Queremos ver o gol, mas com o drible é muito mais gostoso. Com preliminares é sempre mais gostoso...

 

- A TORCIDA E O ÍDOLO: ZICO

O ídolo da maior torcida do Mundo. O grito da torcida movimentando-se para dentro do Número 10 de sua camisa. O orgulho tremulando em forma de bandeira.

 

- A TÁTICA: FUTEBOL

A escalação, o esquema tático, a estratégia. A preleção em 2D que busca extrair dos jogadores a motivação para que realizem o movimento em 3D. As letras sob a forma de funções que descrevem o dinamismo dentro de um campo de futebol. Assim como no futebol, as táticas fazem parte de nossa vida, nas expectativas e preparações para realizarmos os nossos sonhos. 

 

- O REI: PELÉ  

A disposição das chuteiras, além de escrever a palavra PELÉ, tem nas cores o REI com o uniforme da Seleção.

E a inclinação sugere a maneira com que o PELÉ partia para a área, com a cabeça e o peito à frente, as pernas e os pés mais atrás, com a bola sendo conduzida e protegida dos zagueiros.

A cabeça e o pescoço é a letra P (chuteiras pretas).

A camisa é a letra E (chuteiras amarelas).

O calção é parte das demais letras L e E. Infelizmente não consegui pintar as chuteiras de azul celeste, que era a cor do calção da Seleção de 70. Ficou azul escuro, muito próximo da cor preta, mas conseguiu-se o efeito esperado.

E o restante das letras da sílaba LÉ volta a ter as chuteiras na cor preta, que são as pernas e os pés do Rei.

Não esqueci do acento!!! A bola é o acento agudo no "É" !!!

 

Por Torero às 08h27

03/10/2008

Toreroteca

E vamos aos jogos:

Primeiro, os jogos dos líderes

1-) Palmeiras x Atlético/MG

2-) Grêmio x Botafogo
 
Depois, os dos candidatos a líderes, que jogam fora de casa:

3-) Ipatinga x São Paulo

4-) Náutico x Flamengo

E, por fim, a turma do deus-me-acuda:

5-) Santos x Atlético/PR

6-) Vasco x Figueirense

Valem os votos enviados até as 15h00 de sábado.

(Meus palpites: Começo com os óbvios Palmeiras, Grêmio e São Paulo (este não tão óbvio, pois o Ipatinga em casa anda perigoso), arrisco um empate nos Aflitos, cravo Santos com esperança e acho que o Vasco conseguirá vencer em casa.)  

Por Torero às 17h41

Carta aberta a José Wilker

(Antes de mais nada, deixo claro que esta carta não é para o o ator, mas para o goleiro reserva do Águia de Marabá)


Caro José Wilker, desejo-lhe boa sorte nas próximas semanas.

Você vai ter que viajar muito, mas muito mesmo.

É que na fase final da Série C você irá cortar os céus do país. Provavelmente acumulará uma boa milhagem. Talvez possa até ir para a Europa.

Para começo de conversa, você terá que mudar de cidade. Vai ficar em Belém, treinando e jogando na capital do estado durante as próximas sete semanas, já que Marabá não pode receber a fase final do campeonato. Sete semanas é muito tempo. Faça uma mala bem grande.

Na primeira rodada, você ficará em casa e jogará contra o Guarani. Mas a moleza acaba logo, e você terá que viajar até Goiânia, para enfrentar o Atlético.

De lá, volta para Belém e enfrenta o Confiança. Aí viaja de novo, desta vez para o Acre, enfrentar o Rio Branco.

No domingo, dia 19/10, você está novamente em Belém, onde recebe o Brasil de Pelotas. Mas na quarta já tem que estar em Volta Redonda, onde provavelmente será o jogo contra o Duque de Caxias. E no sábado tem que estar em Campina Grande, para jogar contra o Campinense.

Cansado? Já não lhe restam cuecas limpas na mala? Pois ainda falta muito. Porém, para sua sorte, as duas próximas partidas são em casa. É a hora de botar a roupa para lavar, porque logo depois, na quarta, dia 5/11, você vai até Pelotas, na outra ponta do Brasil. Vai ter que sair na segunda de manhã e torcer para que não tenhamos uma recaída do caos aéreo. Aliás, já pensou em quantas vezes a sua mala vai se extraviar? Isso acontece com certa frequência, caro José Wilker. Aconselho-te a levar uma malinha de roupas com você.

Bom, no domingo, dia 9/11, você já estará em Belém novamente. Mas por pouco tempo.

Aí você vai voar para Aracaju, voltar a Belém, e viajar para Campinas. Tudo em oito dias. Somando o tempo em que você ficará sentado no avião com o tempo sentado no banco, acho que uma boa precaução é comprar um tubo de Hipoglós. E, para não perder a forma, treine no corredor do avião.

Bem, José Wilker, desejo-lhe sorte nestas viagens. Aproveite para tirar fotos, estudar os tipos de nuvens e fazer um bom estoque de barrinhas de cereal, que serão seu único alimento durante os vôos.

Podem ser dois meses muito divertidos, onde você conhecerá gentes, estádios e lugares. Mas, se você tem medo de avião, é melhor largar a profissão agora.


Um abraço, Torero.

Por Torero às 10h34

02/10/2008

Nepotismo. Ou melhor, filhismo.

E, quem diria?, a filha de Ricardo Teixeira será a secretária administrativa do Comitê Executivo da Copa de 2014. Agora estou mais tranquilo.

Por Torero às 09h16

Crasso* da semana

Na abertura do Museu do Futebol, em São Paulo, Cléber Machado, que é um bom narrador, deu esta escorregadela:

"Pelé, que foi o autor de obras muito primas, ..."

 

(*O romano Marco Licínio Crasso fez parte do triunvirato (junto com Pompeu e Caio Júlio) que governou o Império Romano no século I e II a.C. Quando comandava um ataque, decidiu cortar caminho por um vale estreito para ganhar tempo. Sua decisão é considerada um dos maiores erros militares de todos os tempos, porque os inimigos fecharam as duas únicas saídas do vale e massacraram os romanos com seus arcos e flechas. Daí, surgiu a expressão "erro crasso".)
 

Por Torero às 09h00

01/10/2008

Três avisos

1-) Não houve acertadores na Toreroteca. Os empates de Coritiba e Santos, em casa, derrubaram quase todo mundo. Uma das exceções foi Lincoln, de Capivari, que acertou todos os jogos da Série A. Mas errou os dois da C.

2-) Há pesquisa nova aqui do lado.

3-) Na pesquisa antiga, sobre quem cairia, ganhou a Portuguesa.

 

Por Torero às 02h08

Sobre o autor

Formado em Letras e Jornalismo e quase formado em Cinema, é autor de treze livros (como "O Chalaça"), escreveu roteiros para cinema (como "Pequeno Dicionário Amoroso") e para tevê ("Retrato Falado").

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