Blog do Torero

30/09/2008

Zé Cabala e o menino de Barra Bonita

No sábado, quando cheguei ao sacrossanto templo de Zé Cabala, que fica no quartinho dos fundos de sua casa, encontrei-o sentado em posição de lótus. Mal ele me viu e disse: "Já sei, você quer falar com um grande narrador do rádio, não é?"

"Exatamente", respondi impressionado. "Como o senhor sabe? Previu a minha chegada pelos astros? Leu a minha mente? Foi informado por um espírito?"

"Não, é que ele estaria fazendo 80 anos hoje, e jornalistas adoram efemérides. Bem, vamos lá."

Então ele entoou um mantra que parecia um rádio mal sintonizado, até que falou: "Abrem-se as cortinas! Começa o espetáculo!"

"Fiori Gigliotti?"

"A seu dispor."

(Para ler o resto do texto, uolistas e folhistas podem clicar aqui.)

Por Torero às 07h46

29/09/2008

O Brasileiro de A a Z, ou melhor, de C a A

 

A Série C definiu os outros seis classificados para sua fase final (Guarani e Brasil de Pelotas já estavam garantidos).

No Grupo 25, o Paysandu (com 8 pontos) ficou de fora. Perdeu para o Rio Branco (13 pontos) por 2 a 1 e terá que adiar sua volta para a Série B. Mas, se o Paysandu ficou no meio do caminho, outro time do Pará está na próxima fase. O Águia de Marabá apenas empatou, em casa, com o já desclassificado Luverdense (1 a 1), mas isso bastou para que ficasse um ponto à frente do Paysandu.

Pelo Grupo 26, passaram o sergipano Confiança, que venceu o pernambucano Salgueiro, em Salgueiro por 1 a 0. A outra vaga coube ao paraibano Campinense, que ganhou do alagoano ASA.

O time de Arapiraca precisava apenas de um empate em casa, mas perdeu por 1 a 0. O gol foi marcado por Fábio, aos 8’do segundo tempo. Depois do gol, o goleiro Pantera, do time de Campina Grande, tornou-se o grande astro do jogo. Mas, por retardar a partida, levou dois cartões amarelos e acabou expulso. O jogo ficou dramático. O ASA foi para cima. Mas a bola não entrava. Irritado, o zagueiro Rafinha, do ASA, chutou a bola no técnico do Campinense, e os dois acabaram expulsos.

No final das contas, o time de Campina Grande, passou ao octogonal decisivo. Os torcedores do rival Treze devem estar se mordendo de inveja.

E, no Grupo 27, uma curiosidade: três times terminaram empatados em primeiro lugar com 10 pontos: Atlético-Go, Guaratinguetá e Duque de Caxias.

Na rodada final, duas goleadas: o Atlético fez 3 a 0 no Duque de Caxias e o Guará venceu o Mixto (que terminou com 4 pontos) por 5 a 0. Mesmo com esse placar generoso, o Guará acabou ficando de fora.

Em primeiro lugar no grupo, com 6 gols de saldo, ficou o Atlético. Os outros dois empataram em 4 tentos de saldo, mas, no quesito gols marcados, o Guará ficou com 10 e o Duque de Caxias, com 12.

Na fase final, os oito times ficarão cortando o país de cima a baixo, do Acre ao Rio Grande do Sul, em turno e returno. Quatro deles estarão na Série B no ano que vem.

Falando em Série B, este campeonato parece ser meio monótono para o torcedor que o acompanha de longe, tal a vantagem do Corinthians. Mas, tirando o líder, vê-se um campeonato bem disputado, com seis times lutando a cada rodada pelas outras três vagas.

O goiano Vila Nova (GO), o catarinense Avaí e os paulistas Grêmio Barueri, Ponte Preta, Santo André e Bragantino estão separados por poucos pontos. Faltando dez rodadas, é emocionante ver a disputa entre eles, que ficam trocando de posição na tabela todo o tempo.

E há que suar muito mesmo, pois esta é a grande chance de acesso destes clubes. No ano que vem subirão apenas dois times, e, pelo jeito, teremos alguns figurões na segunda divisão do Brasileiro, o que dificulta a subida dos médios.

Lá embaixo, a disputa também é sensacional. O CRB já está praticamente na Série C, mas oito times: Marília, Brasiliense, Criciúma, Fortaleza, América-RN, Gama, Paraná e ABC, estão separados por poucos pontos, e três deles tombarão para a terceira divisão, ficando ainda mais longe da sonhada Série A.


Falando em Série A, o campeonato da primeira divisão está divido em dois claros grupos. O “AA” é formado por 11 equipes que lutam por uma vaga na Libertadores. O “AB” possui 9 times que correm risco de rebaixamento.

No AA, o Grêmio (50 pontos) segue em queda livre. Foi goleado pelo arquiinimigo Inter, está há quatro jogos sem vencer e perdeu a liderança do campeonato. O Palmeiras (50), que ficou num empate nos Aflitos, é o novo primeiro colocado e me parece ser o mais sério candidato ao título.

Acredito que seu maior adversário deve ser o São Paulo, que conseguiu uma importante vitória contra um rival direto, o Cruzeiro, e foi aos 46 pontos. Não é o mesmo time do ano passado, mas melhorou nas duas últimas partidas.

O Goiás é a grande surpresa da segunda fase. Chegou à sua quinta vitória seguida, e assim passou aos 42 pontos e ao sétimo lugar. Hélio dos Anjos, Iarley, Paulo Báier e o lateral Vítor são os destaques deste time equilibrado, que marca bem e ataca com rapidez.

Conseguir uma sequência como a do Goiás é o sonho dos times da AB. Mas seus noves integrantes vivem tropeçando. O goleiro Douglas bobeou e o Santos (quando voltará Fábio Costa?) deixou de conseguir os três pontos contra a Portuguesa, ficando num reles empate.

A sorte destes dois clubes é que seus adversários diretos, Atlético-PR, Atlético-MG, Figueirense e Fluminense, também ficaram no empate. Na AB, apenas o Ipatinga venceu. Já o Vasco perdeu mais uma. Estará Eurico Miranda triste ou alegre?

 

Por Torero às 08h41

28/09/2008

Clube de Futebol Pasquale

Clube de Futebol Pasquale

Por Marcio R. Castro

Pelas ruas, é fácil nos depararmos com pessoas vestindo roupas com mensagens em inglês, como “please, keep on smiling” ou “brazilian psicho surfers”. Em sua esmagadora maioria, as inscrições não têm qualquer propósito, é apenas bacana (“cool”, perdão) ostentá-las.

Se hoje isso pode ser apontado como um retrato da influência cultural que sofremos dos Estados Unidos, era outra nação de língua inglesa que exercia esse papel no fim do século 19, começo do 20. Justamente o berço do idioma, a própria Inglaterra.

Podemos achar prova dessa influência também no futebol, elo marcante entre os dois países (eles, os inventores, nós, os “inventores”). Os nomes completos de muitos de nossos clubes deixam claro que não é de hoje que somos assombrados pelo anglicismo. Só que, como de costume, fomos ainda mais longe: transformamos o anglicismo em anglicídio e, por conseqüência, em lusocídio também.

É verdade que a palavra “futebol”, em sua forma aportuguesada, só seria criada no começo da década de 30. Até então, usava-se “foot-ball” ou “football”, de maneira similar ao que ocorre hoje com a palavra “mouse”, com a grafia original incorporada ao Português.

De acordo com o dicionário Houaiss, as palavras “clube” e “esporte” também só seriam grafadas assim em 1899 e 1928, respectivamente. Antes disso, eram “club” e “sport”. Esportivo era, evidentemente, “sportivo”. Porém, tais palavras podiam ser usadas adequadamente, sem nenhum problema, como podemos ver no nome que os cruzmaltinos mantêm até hoje, Club de Regatas Vasco da Gama, ou como no tradicional periódico carioca, o “Jornal dos Sports”, que também conserva seu nome original. Português bem aplicado, na grafia da época.

Mas vamos às acusações de assassinato. Paremos para pensar: o Liverpool Football Club, se fundado aqui, seria Clube de Futebol Liverpool, certo? No fim do século 19, Club de Football Liverpool. Nada mais natural. Porém, não foi o que aconteceu. Santos, Cruzeiro e São Paulo são alguns exemplos da confusão lingüística criada.

O tricolor paulista, por exemplo. Em vez de Clube de Futebol São Paulo, foi batizado como São Paulo Futebol Clube, estranha formação que manteve a estrutura idiomática em inglês, mas que traduziu as palavras para o português, sem levar em conta que formam uma locução. O que hoje nos soa comum é na verdade bizarro. Não existem “futebóis clubes”, e sim clubes de futebol.

Internacional e Corinthians fizeram o contrário. Deixaram os substantivos comuns em inglês, mas quebraram a estrutura do idioma bretão ao colocarem o substantivo próprio por último. Então, o que deveria ser Clube Esportivo Internacional (ou Club Sportivo Internacional, pela época de fundação), não conseguiu sequer ficar no anglicismo escancarado que Internacional Sport Club proporcionaria: se tornou Sport Club Internacional, deformação em qualquer dos dois idiomas.

Outro caso inusitado é o do Leão da Ilha. Verdadeiro “frankenstein”, não quis ser nem Clube Esportivo do Recife (Club Sportivo do Recife, em 1905) nem Recife’s Sport Club. Virou Sport Club do Recife.

Mais exemplos dessa salada de idiomas não faltam: Esporte Clube Bahia, Esporte Clube Vitória, Paraná Clube, Figueirense Futebol Clube, Ceará Sporting Clube, Fortaleza Esporte Clube, Goiás Esporte Clube, Atlético Clube Goianiense, Santa Cruz Futebol Clube, ABC Futebol Clube e tantos outros.

Poucos são como Fluminense, Coritiba e Paysandu, que assumiram o anglicismo, mas não podem ser acusados de assassinarem os vernáculos: são Fluminense Football Club, Coritiba Football Club e Paysandu Sport Club, em inglês e pronto.

Reunidos em um grupo reduzido, alguns clubes não cometeram pecados contra os idiomas e nem se curvaram à rainha. Como não poderia ser diferente, a Lusa é um deles: Associação Portuguesa de Desportos, ora pois!

Sociedade Esportiva Palmeiras e Botafogo de Futebol e Regatas, dois dos nomes com maior personalidade de nosso futebol, também estão nesse grupo, ao lado de Clube de Regatas do Flamengo, Clube Náutico Capibaribe, Associação Atlética Ponte Preta, Clube do Remo, Clube Atlético Mineiro, Clube Atlético Paranaense, Associação Desportiva São Caetano e outros poucos.

Dos maiores clubes do Brasil, somente o Grêmio não havia sido mencionado por mim. Mas não foi esquecimento, preferi deixá-lo para o encerramento do caso. O glorioso Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense também não passou nos critérios desse tribunal improvisado. Às vezes, um pequeno detalhe como um “de” (que eu pensei que existisse) pode alterar dramaticamente o veredicto.

Curiosamente, as distorções que ocorreram ao longo dos anos foram se auto-alimentando e se tornaram padrão, verdadeiras aberrações. Por mais esquisitos que sejam os resultados, não há muito que possa ser feito, pois se trata de uma situação consolidada há muito tempo. Como diria o ilustre professor, é isso.

(A seção Sempre aos Domingos sempre traz textos enviados por leitores. Se quiser opinar sobre algum assunto futebolístico, mande aí o seu)

Por Torero às 21h52

25/09/2008

Toreroteca

E eis que a Toreroteca está de volta. Desta vez, teremos quatro clássicos estaduais e dois jogos decisivos da Série C. O prêmio para o primeiro que acertar os seis jogos é um livro meu (se é que isso pode ser chamado de prêmio). Eis as partidas selecionadas

Coritiba x Atlético Paranaense

Internacional x Grêmio

Santos x Portuguesa

Botafogo x Fluminense

ASA x Campinense

Atlético-GO x Duque de Caxias

Por Torero às 22h42

Momento decisivo na Série C

A Série C está chegando ao fim da terceira fase. Só oito clubes passarão adiante.

Ontem dois times do Grupo 28 já garantiram sua classificação e respiram aliviados. O Bugre derrotou o Ituiutaba, no Brinco de Ouro, por 2 a 0 (gols do meia Márcio César e Fernando Gaúcho, cobrando pênalti). O Guarani dominou o jogo, mas só foi marcar no último minuto do primeiro tempo. Em compensação, no segundo tempo marcou logo no segundo minuto. Devem ter sido 43 minutos de festa para a torcida. Aliás, os bugrinos formam a quinta maior torcida da Série C até aqui. E devem subir de posição na fase final, onde todos jogam contra todos em turno e returno.

Já para o time de Pelotas, bastou empatar em casa com o Marcílio Dias.

No Grupo 27 há ainda uma boa briga. O Duque de Caxias tem 10 pontos, o Guaratinguetá e o Atlético Goianiense (bicho papão das fases anteriores) estão com 7, e o Mixto ficou nos 4 pontos.

Nesta rodada, todos empataram. Sorte do Guaratinguetá, que recebe o Mixto em casa no próximo domingo e tem grande chance de vitória. O outro jogo será em Goiânia. Acredito em vitórias do Guará e do Atlético, o que deixaria os três times empatados em com 10 pontos. A decisão deve ser no saldo de gols, e aí a vantagem é do time fluminense, que pode até perder por um gol de diferença.

 Torcedores ciclistas em Arapiraca

Três times lutam no Grupo 26: ASA (8 pontos), Confiança (8) e Campinense (7).

Ontem, a bobeada foi do Campinense, que empatou em casa com o Salgueiro (3). O pior é que o time vencia ate os 38’ do segundo tempo.

Agora, o Campinense, empurrado por suas torcedoras, terá que vencer o simpático ASA, e em Arapiraca. No primeiro turno, o jogo entre as duas equipes foi um desastre para o Campinense: 1 a 5 para o ASA. Resultado que prejudica o time paraibano até no saldo de gols. Está mais para o ASA e seus torcedores ciclistas.

Quanto ao Confiança, que ontem venceu o ASA de virada (3 a 1) em Sergipe, terá que empatar com o Salgueiro fora de casa, o que não parece tão difícil.

E no Grupo 25, mais ao Norte, também há três lutando por duas vagas: Rio Branco (10), Paysandu (8) e Águia de Marabá (8). O Luverdense, que tinha aparecido bem nas fases anteriores, tem apenas um ponto (curiosamente, perdeu quatro partidas por apenas um gol. Eis aí um time gauche).

Na próxima rodada, o Águia terá a sorte de jogar em casa contra o Luverdense. Se vencer, estará entre os oito. E no começo do campeonato isso não parecia possível. O time começou mal e o técnico foi despedido. Quem assumiu o time foi o presidente em exercício João Galvão. E deu certo. O Águia começou a vencer e foi em frente. Um raro exemplo de presidente-técnico que não afunda o time.

O outro jogo será entre Rio Branco e Paysandu, no Acre. O Rio Branco é soberano na Arena da Floresta. Só venceu em casa. E basta-lhe um empate.

Se meus cálculos zecabalísticos estiverem certos, na próxima fase teremos, além de Guarani e Brasil de Pelotas, os seguintes times: Águia de Marabá, Rio Branco, Confiança, ASA, Guaratinguetá e Duque de Caxias.
 

Por Torero às 08h21

24/09/2008

Marquetimão

O Corinthians já tinha dado uma boa prova de que seu Departamento de Marketing era esperto ao lançar a camisa roxa. Agora, com a camisa com fotos de torcedores (veja a notícia aqui), dá outra bela tacada.

É claro que eu não gastaria mil reais para ter uma camisa com minha foto, mas já há 250 endinheirados, ou loucos, que toparam a brincadeira.

De qualquer forma, uma bela idéia. E o clube ainda está inaugurando uma nova forma de comprar ingressos, o Fiel Torcedor. Pelo jeito, o Corinthians também começa a disparar no campeonato de marquetim. 

Por Torero às 07h46

23/09/2008

Texto da Folha

Pare ler o texto de hoje na Folha, que se chama "O Verdadeiro Menino Maluquinho", mas é sobre um importante personagem do nosso futebol atual, clique aqui.

Por Torero às 15h14

22/09/2008

A lona verde borrifada de vermelho

 Mike Tricolor Tyson foi melhor na defesa que no ataque.

Que noite fantástica no Madison Square Garden, senhores ouvintes! Poucas vezes na história do boxe houve noites tão fantásticas. Os punhos cruzaram o ar a uma velocidade incrível, queixos foram entortados, olhos foram arroxeados! É a beleza da esgrima com os braços, a beleza do mais antigo dos esportes!

A primeira lutar foi entre o grande Sugar Ray Leonard do Norte, que, como sempre, subiu ao ringue com uma luva negra e outra vermelha, e Mike Tricolor Tyson, o terrível demolidor.

Foi um encontro de campeões, dos pugilistas que hoje detém os dois mais importantes títulos nacionais. Mas os curriculuns foram melhores que a luta. Os combatentes anularam-se tão bem que tivemos poucos socos bem encaixados. Os dois fizeram tantos clinches que a luta não merecia mesmo um vencedor.

 Rock Vasco Balboa é auxiliado por uma torcedora depois da luta contra Popó Meiras.

Popó Meiras, com seu calção verde fosforescente, venceu Rock Vasco Balboa, o pugilista lusitano. Logo nos primeiros minutos do combate, Popó Meiras partiu para cima de Vasco, e este teve que se esquivar muito para não receber um golpe decisivo. Mas, aos 26 minutos do primeiro round, não teve jeito. De tanto insistir, Popó Meiras encaixou um direto e Vasco foi à lona.

No intervalo entre o primeiro e o segundo rounds, o técnico de Rock Vasco Balboa deu-lhe várias instruções. E elas deram resultado. Tanto que o segundo round começou com o lutador de origem lusitana sendo melhor que o de origem italiana.

Mas, aos 30’, Vasco perdeu uma de suas sapatilhas e ficou fácil para Popó Meiras, que retomou a liderança da luta e conseguiu outro knockdown. Após este segundo golpe, não teve mais jeito. Foi apenas esperar o soar do gongo para levantar o braço de Popó Meiras.

Com este resultado, Rock Vasco Balboa manteve-se na zona de rebaixamento e ano que vem deve ir para as lutas de rua. Enquanto isso, Popó Meiras aproximou-se da liderança do campeonato e já vê mais de perto o cinturão de ouro.

 Menguila venceu mais uma.

Esperava-se que Menguila, o pugilista das multidões, fosse esmagar Cassius Claytinga, um dos piores pugilistas do campeonato. Mas eis que o boxe é uma caixinha de surpresas e a luta foi vencida pela contagem mínima.

Menguila lutou mal, mas acertou um belo golpe aos 35’ do primeiro round, e conseguiu segurar esta vantagem até o final.

Com este resultado, o mineiro Claytinga voltou para a última posição da tabela. Já Menguila voltou ao quarto lugar. Mas seu boxe irregular deixa seus fanáticos torcedores inseguros.

 Depois de seis lutas, Joe Quim Louis voltou a vencer.

É o mesmo que acontece com os fãs de Joe Quim Louis e George Bota Fogoreman. O primeiro vinha perdendo, e ganhou. O segundo vinha vencendo, e perdeu.

Em suas últimas seis lutas, Joe Quim Louis tinha obtido cinco derrotas e um empate. Mas desta vez, venceu. Seu segredo parece ter sido uma semana de retiro, quando pôde fazer treinos intensivos com seus coach Steve Soares.

Por outro lado, Bota Fogoreman, que teve uma bela sequência de onze lutas sem perder, agora já soma duas derrotas seguidas e saiu do quarteto fantástico.  

 Jo Fox Frazier fez a melhor luta da noite.

Mas a melhor luta da noite foi mesmo entre Éder Jofigueira e Joe Fox Frazier. Foram nada menos que sete quedas!

Logo aos 14’, Fox Frazier acertou um belo golpe e colocou Jofigueira no chão. Mas este se levantou e, doze minutos depois, devolveu o knockdown. Então foi a vez de Fox retomar o ataque, encurralando o catarinense num corner e acertando-lhe um direto. Parecia ser o final da luta, mas Jofigueira levantou-se e devolveu o golpe mais uma vez. Saldo do primeiro round: duas quedas para cada pugilista.

No round final, Jofigueira começou com um belo cruzado e mandou seu oponente à lona. Mais uma vez parecia que a luta estava definida. Porém, Joe Frazier Fox levantou-se e, mostrando uma garra que não se via há tempos, bateu firme em seu rival, derrubando-o aos 23’. E, dez minutos depois, viraria a luta, aplicando um nocaute memorável.

Joe Frazier Fox ainda sonha. Éder Jofigueira continua tendo pesadelos.
 
Enfim, caros amantes do pugilismo, foi uma noite de belos socos. Ela ficará em nossas memórias e na lona verde borrifada de vermelho.

Por Torero às 09h05

19/09/2008

Linha de passe

Por estes dias fui ver "Linha de Passe", dirigido por Walter Sales e Daniela Thomas, um filme que tem bastante ligação com futebol.

É a história, ou as histórias, de uma mãe e seus quatro filhos. O futebol entra por dois caminhos: a mãe é uma corintiana fanática e um dos filhos quer ser jogador de futebol.

Fui ver o filme um tanto como cronista esportivo e outro tanto como cineasta. E, é claro, fui decidido a não gostar, porque os cineastas são tão invejosos que chegam a ficar verdes se vêem um sucesso alheio.

Fui ver para não gostar, mas gostei. E por sete motivos.

1-) O primeiro foi a estrutura da história. O filme tem cinco linhas narrativas, uma para cada personagem, linhas que se embaralham e se completam. Elas contam histórias diferentes mas conseguem ter uma unidade de tom, o que dá um resultado muito agradável.

O resumo seria o seguinte: A mãe (interpretada por Sandra Corveloni, que ganhou o prêmio de melhor atriz em Cannes) é uma doméstica que está grávida mais uma vez. Seus três filhos adultos são: um crente, um candidato a jogador de futebol e um motoboy. Há ainda o caçula, que tem 12 ou 13 anos e quer encontrar seu pai, um motorista de ônibus. Parecem histórias comuns, mas, no fundo, nenhuma história é comum.

2-) Os atores estão absurdamente bem. Como seus rostos são desconhecidos (a maioria está em seu primeiro filme) e a interpretação é ótima, nem lembramos que são atores, o que é uma sensação bem rara em filmes nacionais e norte-americanos.

O único dos atores principais com mais experiência em cinema é Vinícius de Oliveira, que fez o garoto em Central do Brasil e aqui vive o papel de um jovem que quer ser jogador de futebol. Além de atuar bem, Vinícius engana razoavelmente como jogador, o que não é fácil.

3-) Outro motivo pelo qual gostei do filme é a fotografia de Mauro Pinheiro Jr. Ele já era bom há uns quinze anos, quando era aluno de cinema da UFF. E virou um craque.

4-) Além da bela fotografia, “Linha de passe” tem uma ótima decupagem. Os dois diretores dominam a gramática do cinema, coisa bem rara por aqui. Em geral os brasileiros, e me incluo nisso, têm dificuldades em contar uma história com imagens. Quando se usa um close?, como fazer um bom campo e contra-campo?, como decupar uma cena com eficiência narrativa e beleza? São perguntas bem complicadas. Há que ter talento e experiência para respondê-las, e poucos são os que filmam bastante no Brasil.

Por conta dos diretores bissextos, pela influência da tevê (que em geral tem uma decupagem preguiçosa), e pela influência do Cinema Novo (do qual gosto muito, mas que não respeitava (e, assim, não aprendia) muitas convenções da linguagem cinematográfica), vemos tantos filmes nacionais mal decupados. Mas não é o caso de Linha de Passe.

5-) Mais um motivo para ver o filme é que as cenas de futebol são boas, e futebol é uma coisa muito difícil de filmar. Nos filmes de beisebol, por exemplo, não deve ser tão difícil imitar uma cena real. Mas é difícil fingir que se joga futebol. Os músculos não ficam tão retesados quanto deveriam, o drible não é crível, o vôo do goleiro é claramente feito para não chegar na bola. Mas as cenas de Linha de Passe são bem convincentes.

6-) O filme não tem bonzinhos nem mauzinhos.

7-) Em “Linha de Passe”, a visão do diretor sobre o Brasil me parece mais equilibrada. Não é tão deprê quanto em “Terra Estrangeira” nem há um certo otimismo presente em “Central do Brasil”. Aliás, talvez o filme seja até melhor do que Central do Brasil. Certamente Central era mais emocionante, mas, em certos momentos, era um pouco sentimental demais para o meu gosto, e isso não acontece com Linha de Passe.

Para não dizer que tudo é uma maravilha, tenho restrições quanto ao final. Mas aí não vou falar nada para não estragar o filme.

Enfim, se você se interessa por futebol, ou por brasileiros, “Linha de Passe” é um filme que vale a pena.

Por Torero às 06h45

16/09/2008

Pernas e pedras

Logo que cheguei à sacrossanta casa de Zé Cabala, disparei: "Hoje quero uma história diferente. Nada de ex-craques conhecidos. Preciso de uma história que os leitores nunca tenham ouvido!".

Então o carteiro das almas, o mensageiro dos espíritos, o e-mail dos desencarnados, concentrou-se, deu dois pulos com o pé direito, dois com o pé esquerdo, sentou-se no sofá em posição de lótus e disse: "Pois acho que a minha história você nunca escutou." "Quem é você?", perguntei.

"A turma da geral me chamava de Josa."

(Para ler o resto do texto de hoje na Folha de S.Paulo, assinantes do UOL e do jornal podem clicar aqui.)

Por Torero às 04h32

15/09/2008

Ituiutaba

Para quem gosta da Série C, vai aqui um link de uma boa reportagem sobre o Ituiutaba, um dos times com melhor campanha na terceira divisão nacional.

Por Torero às 22h14

Notícias do Coliseu

Roma, 15 de setembro de 208 d.C.

Caro Trajano, fui ontem ao Coliseu ver as lutas entre os gladiadores e realmente me diverti um bocado. Ah, como é bom ver os olhos crispados dos lutadores, o suor brotando em seus músculos, o sangue escorrendo de suas carnes! Não posso imaginar divertimento mais saudável.

Pois bem, a primeira luta foi entre Sportius e Figueirensius. Mas nem foi uma luta. Foi mais um massacre. Com apenas 4 minutos Sportius já havia acertado o primeiro golpe. Figueirensius, que no começo da luta pensava apenas em se defender para arrancar um empate, teve que partir para o ataque. E aí foi pior. Sportius cravou-lhe sua clava mais quatro vezes. Por pouco não tive dó do perdedor. Já é sua quinta derrota seguida. Não sei, não, mas acho que Figueirensius não sobreviverá no Coliseu por muito tempo

. Sportius massacrou o pobre Figueirensius.

Depois tivemos uma boa lide entre Vascorum e Nauticus. Os dois estão lutando para não serem mandados para as minas de carvão de Seriebe, o que acontecerá com os quatro piores gladiadores do ano. Nauticus manejou bem seu tridente e dominou Vascorum, que, para piorar, perdeu seu escudo durante a luta.

Foi a terceira derrota seguida de Vascorum, gladiador oriundo da Lusitânia e que usa um vasto bigode. Quanto a Nauticus, parece que vem recuperando a forma e já está há quatro lutas sem perder.

Ah, caro Trajano, você tinha que ver a luta entre Cruzeirum e Palmeirius! Que belo combate! Quem vencesse estaria mais perto de desafiar Gremius, o atual líder entre os gladiadores. Os dois usaram bem os gládios para atacar mas ainda melhor os escudos para se defender.

Ambos teriam saído do Coliseu sem um arranhão se não fosse um golpe certeiro de Palmeirius, que fez um corte profundo em Cruzeirum. Este, que se veste todo de azul, inclusive com estranhas meias listradas, partiu para cima, tentando devolver o golpe, mas nada conseguiu. Palmeirius até perdeu uma faca, mas mesmo assim soube se esquivar e venceu a luta. Muitos dizem que ele sairá do Coliseu como o campeão do ano. E eu estou entre estes.

 Palmeirius levou a melhor e está perto de Gremius, o líder do Coliseu.

Outra boa lide foi entre Paulus e Flamengus. Paulus tinha empatado suas últimas quatro lutas, mas finalmente voltou a vencer. No começo, Paulus atacou mais, mas Flamengus dava os melhores contragolpes. Quase na hora do intervalo, quando os gladiadores param para tomar um gole de vinho, Paulus finalmente acertou um golpe importante, fincando sua faca Dagobertius na coxa do adversário.

Na volta, Flamengus tentou vingar-se, e quase feriu Paulus, que se defendeu milagrosamente com o pé de seu escudo Cenius. Logo depois, Paulus acertou um segundo golpe e aí Flamengus praticamente desistiu do combate. Pobre Flamengus... Ele, que já foi o líder do Coliseu e parecia destinado à glória, vem caindo muito. Ninguém mandou vender suas melhores armas.

 Com a vitória, Paulus tomou o quinto lugar de Flamengus na tábua de classificação dos gladiadores.

E ainda houve uma bela luta entre Fluminensibus e Sanctus, o gladiador que se veste todo de branco. Os dois estão um tanto desesperados, pois não querem ir para as minas de carvão de Seriebe. Fluminensibus, aliás, já esteve por lá. A luta foi parelha nos primeiros 45 minutos, mas então, no quadragésimo-sexto, Sanctus prendeu Fluminensibus em sua rede e deu-lhe um golpe profundo.

No intervalo, aproveitei para tomar um pouco de mulsum, uma mistura de vinho e mel que está em moda aqui em Roma.

Na volta à luta, Flus (que é como Fluminensibus é chamado entre seus pares) atacou muito, mas Sanctus, num contragolpe, acertou-lhe uma outra vez. Flus, enfurecido, foi com mais loucura ainda ao ataque, e conseguiu acertar seu oponente. Nos últimos quatro minutos, atirou-se sobre Sanctus com todas as suas forças, mas elas já não eram tantas assim. E o resultado é que Fluminensibus continua entre os quatro piores gladiadores do Coliseu. Já Sanctus parece que está conseguindo escapar de Seriebe. Veremos.

 Sanctus ainda não perdeu no secundus turnius.

 
Enfim, foram belas lutas, mas nada está decidido, caríssimo Trajano. Nem entre os melhores, nem entre os piores, e muito menos entre os do meio. O Coliseu é uma arena de surpresas.

Um abraço do seu amigo, Josefus Robertus Torerus.

Por Torero às 08h59

14/09/2008

Sempre aos domingos: Adeus para um anão ou para o chinelão

Sempre aos domingos: Adeus para um anão ou para o chinelão

escrito por Fabiano Macieri

Adeus Dunga! São os gritos que o perseguem nessas Eliminatórias. Ele já parece estar bem mais conformado que em outras situações, onde batia o pé e se descabelava com os vexames. Todos, e ele também, sabem que, com outra decepção, esses gritos irão se confirmar. Muitos já querem agora, mais a grandessíssima e ilustre Confederação Brasileira de Futebol, vulgo Ricardo Teixeira, está com muito trabalho para se preocupar com essas bobagens de seleção.

O que eu vi no jogo contra a Bolívia não foi o Dunga errando passes e jogando como se quisesse que acabasse logo o jogo pra voltar para Europa. Não sou um defensor de Carlos Caetano Bledorn Verri no comando da seleção, sou a favor de “um técnico”, um técnico de verdade qualquer que seja. Mas não o crucifico. Quando jogador muitas vezes atuou muito bem. Corria, marcava e gritava, o que se espera de um capitão na época em que o Brasil era o Brasil.

O esquema que ele adota na seleção é ridículo. Todos sabem e criticam. É praticamente um desmanche: só volantes e peças de segunda mão, invenção de jogadores como Afonso, Fernando, Mineiro e Josué. Mas aí eu pergunto: E as peças importadas, caras e novas? Jogadores chinelinhos, esses sim eu quero fora da seleção.

Vendo os jogos na Olimpíada, Thiago Neves e Henanez, que ainda não encaixaram o chinelo, destruíram nos jogos. Ronaldinho é aquele cara que trabalha em uma grande empresa, faz de tudo para ela crescer, se dá bem e enriquece muito. Mas, de uma hora pra outra, ela está tão bem que ele não precisa mais se preocupar. É só mantê-la e, então, começa a curtir festas sem preocupação comer sem preocupação. Ou seja, um rico sem preocupação.

Robinho ainda precisa fazer a empresa crescer mais para chegar a um mesmo patamar. Como precisa lucrar, ainda se esforça. Tem também os homens trabalhadores: Lúcio, Julio César, Juan e alguns outros. Esses gostam do lugar onde trabalham e querem sempre que o negócio ande. Futebol é um grande negócio para eles.

A CBF podia adotar em todos os clubes que têm jogadores brasileiros uma lista para ser preenchida: a inscrição para a seleção. Vamos inverter a coisa, só convocando quem quiser ser convocado. Será que Ronaldinho Robinho e Kaká iriam se inscrever? Só se o jogo for na Europa, claro.

A CBF é tudo menos uma Confederação Brasileira. É uma multinacional com sede no Rio de Janeiro, vendendo um produto importado caro, que está dando problemas. Seus clientes foram enganados e é necessário um recall de todas as peças. Mas ela  não irá ter prejuízos. Por isso fazem a reposição com peças reaproveitadas e despedem o Diretor de Produção, jogando em suas costas a culpa e a responsabilidade. É o que ira ocorrer: Dunga se despedirá, com certeza. A pressão é enorme. A CBF continuará lucrando e nós torcedores iremos noa contentar com uma nova seleção, tomara que sem jogadores chinelões. Adeus Chinelões!

 

Por Torero às 00h22

11/09/2008

O jogo dos sete erros

Ontem, no jogo entre Brasil e Bolívia, vi sete erros. Vamos a eles:

1-) Escalação ruim. Sabendo que a Bolívia viria com um goleiro e dez defensores, Dunga não deveria ter escalado um time com seus dois melhores volantes defensivos, mas com dois que possuíssem melhor toque de bola, que fossem mais ofensivos, ou seja, Elano, Júlio Batista ou Hernanes. Josué e Lucas são bons jogadores, mas são mais defensivos que as outras três opções.

2-) Demora para mexer no time. No começo, os torcedores do São Paulo estranharam o fato de Telê, às vezes, mexer no time já no primeiro tempo. Mas logo mudaram de opinião. Se ele percebia algum erro tático, alguma forma de melhorar seu time, por que esperar até o intervalo. Ou pior, até os 15’ do segundo tempo (quando entrou Júlio Batista). Ou pior ainda, até os quinze minutos finais, quando entraram Elano e Nilmar? Pena que poucos seguem o estilo Telê.

3-) Apatia. O time estava meio devagar. Não havia o afã de vencer, a gana, a vontade que se viu contra o Chile. Talvez os brasileiros tenham ficado convencidos com a vitória. Talvez tenham sofrido, um relaxamento, um efeito endorfina depois de ganhar fora de casa.

4-) Ronaldinho Gaúcho. Ele estava muito estático. Pouco corria. Limitava-se a dar passes. Às vezes eram passes espertos e rápidos, é verdade, mas isso é pouco. Ele ainda está muito fora de forma. No Bar da Preta, onde assisti ao jogo, um dos espectadores (Prado, o tarado), disse que a bunda de Ronaldinho andava tão grande que seu short estava até apertado. “Ele está mais para mulata Globeleza do que para jogador de futebol”, disse Prado (curiosamente, sempre que o jogador do Milan aparecia na tela, Prado erguia a sobrancelha esquerda e olhava-o com especial atenção). 

5-) Estádio. O Engenhão é moderno, tem arquitetura futurista e coisa e tal. Só esqueceram de reservar um bom lugar para a câmera. Além de ela ficar longe, o ângulo de filmagem é muito inclinado, não permitindo ver os jogadores direito. Lamentável. 

6-) Pouca torcida. Os jogos da seleção brasileira deveriam ser grandes shows, coisa transmitida para o mundo inteiro. Mas nem o pessoal de Engenho de Dentro quis assistir ao jogo. Os motivos são vários: seleção desacreditada, rival sem tradição, medo de assalto, medo de polícia, medo de milícia e, principalmente, o preço do ingresso. Só atrás do gol é que havia lugares a preços razoáveis: 30 reais. As laterais do campo custavam a bagatela de R$ 100. E as laterais superiores, pior ainda: R$ 200! 

7-) Horário. Os jogos começam cada vez mais tarde. Aquela história de sair do trabalho e pegar um joguinho na tevê acabou. Agora, só boêmios podem ver os jogos. E o pior é que eles andam dando um sono...

 

PS: Você viu outro erro? Comente aí!

Por Torero às 16h38

09/09/2008

Avante, Xavante!

Para ver uma emocionante animação sobre a vitória que classificou o Brasil de Pelotas para a próxima fase da Série C, clique aqui. As fotos no campo encharcado são bem boas.

Por Torero às 17h26

Texto da Folha

Eu tinha 13 anos. Ela sentava algumas carteiras à minha frente. Era a menina mais linda que eu já tinha visto. Quando sorria, era como se o sol brilhasse no meio da classe. Eu passava horas olhando para seu rabo de cavalo, sem dúvida o culpado por muitas das notas vermelhas que tirei naquele ano.

Algumas vezes, quando ela me dava um bom dia mais simpático, eu pensava: "Ela me ama, ela me ama...". Outras, como quando ela ria de algum tropeção que eu dava na aula de educação física, eu dizia para mim: "Ela me despreza, ela me despreza...".

(Esse é o começo do texto da Folha de hoje. Não parece, mas é sobre a seleção. Para ler o texto integral, assinantes do jornal e do UOL podem clicar aqui.)

Por Torero às 07h55

08/09/2008

Só 16 sobreviventes na Série C

No grupo 17 passaram o Rio Branco (AC) e houve um empate triplo no segundo lugar: Luverdense (MT), Holanda (AM) e Remo ficaram com seis pontos. O Luverdense, que na última rodada empatou com o Holanda em 2 a 2, em Manaus, ficou com a vaga. Bastava um empate ao Remo, mas ele perdeu por 3 a 0 para o Rio Branco. Por conta disso, em 2009 o time paraense não estará nem na Série C.

No grupo 18, o Paysandu já estava classificado e o Picos (PI) já estava fora da luta. A partida decisiva foi entre o Águia de Marabá e o Sampaio Correa, em Marabá. O empate em 1 a 1 levou o Águia para a terceira fase.

No grupo 19, o jovem Salgueiro já tinha garantido sua vaga e o Santa Cruz, a maior decepção do campeonato, já estava desclassificado. O duelo fatal foi entre Campinense (um time com boa torcida feminina) e o Icasa. O time de Juazeiro do Norte começou jogando atrás, pois só precisava do empate. Mas teve um jogador expulso no fim do primeiro tempo e isso atrapalhou seus planos. Na etapa final, logo aos 4’, o Campinense marcou o primeiro gol. E, aos 42’, fechou o placar. O consolo do Icasa é que ele é um dos quatro times que permanece na Série C no ano que vem.

No grupo 20, o jogo de morte foi entre o ASA, de Arapiraca, e o Itabuna. Quem vencesse iria para a próxima fase. Obviamente esperava-se por um jogo difícil, mas o ASA goleou por 5 a 0, com dois gols de Nilson Sergipano. Logo no primeiro minuto de jogo o time alagoano abriu o placar. E ampliou aos 15’ e aos 18’. Depois foi só explorar o contra-ataque e marcar mais dois no segundo tempo. O outro classificado no grupo é o Confiança, de Aracaju.

No grupo 21 ficou o melhor time do campeonato até aqui, o Atlético (GO). Foram cinco vitórias em seis jogos. A única derrota foi para o segundo colocado, o Mixto, de Cuiabá. O Itumbiara precisava vencer seu último jogo para se classificar, mas seu oponente era o Atlético, em Goiânia. Resultado: uma derrota por 7 a 1.

No 22, Guaratinguetá e Duque de Caxias já estavam classificados. O mesmo aconteceu com Ituiutaba e Guarani no grupo 23.

E, no último grupo, Marcílio Dias e Brasil, de Pelotas, ficaram com a vaga. O Caxias, que já foi campeão gaúcho, ficou em terceiro lugar. Como consolo, já tem lugar assegurado na Série C em 2009.

Agora sobraram apenas 16 dos 63 clubes que começaram o campeonato. Os estados com mais representantes são Mato Grosso, Pará e São Paulo, com dois times cada um. Os grupos ficaram assim:

Grupo 25
Rio Branco-AC
Luverdense-MT
Águia-PA
Paysandu-PA

Grupo 26
Salgueiro-PE
Campinense-PB
ASA-AL
Confiança-SE

Grupo 27
Atlético-GO
Guaratinguetá
Mixto-MT
Duque de Caxias-RJ

Grupo 28
Ituiutaba-MG
Guarani 
Marcílio Dias-SC
Brasil de Pelotas-RS

Por Torero às 01h06

Começamos mal, acabamos bem

Bom jogo da seleção. Não ótimo, mas bom. O começo foi um tanto assustador, com o Chile atacando o tempo todo. Suazo perdeu um gol feito, que teria mudado a história do jogo.

Então, num contra-ataque, Luís Fabiano fez o primeiro gol e tudo ficou mais fácil.

Pudemos nos ar ao luxo de ver Ronaldinho Gaúcho perder um pênalti, e mesmo assim ganhamos por um generoso placar de 3 a 0.

Foi um resultado pouco esperado. Menos de 10% dos votos na Toreroteca indicavam uma vitória brasileira por três gols ou mais (aliás, ninguém acertou o placar).

Ou seja, a seleção surpreendeu e venceu.

Pela lógica, na quarta-feira, contra a Bolívia, deve ser mais fácil (mas, pela lógica, não venceríamos fora de casa por 3 a 0).

 

Por Torero às 00h53

05/09/2008

Meio de semana meio estranho

Foi um meio de semana estranho. O maior beneficiado foi um time que não jogou, o Grêmio. Isso porque agora ele pode abrir oito pontos de Cruzeiro e Palmeiras.

Aliás, que misterioso encaixe o Sport consegue sobre o Palmeiras?

No ano passado, duas vitórias rubro-negras: 1 a 2 e 3 a 1. Placar do Ano: Sport 5 x 2 Palmeiras. Em 2008: 0 a 0, 4 a 1,  2 a 0 e 0 a 3. Placar do Ano: 9x1 Palmeiras. Uma goleada espetacular!

A torcida recifense já tem até algumas piadas prontas, como “O porco treme na frente do Leão” e “A Sociedade Esportiva Palmeiras virou Sociedade SPORTiva PAUNELES!”

O Sport é um time eficiente, mas cinco vitórias e um empate em seis jogos, sendo três na casa do adversário (até então o Palmeiras tinha 14 vitórias e três empates em casa no Brasileiro), é um número que contraria as probabilidades estatísticas. E, para piorar, desde 2003 o Sport não perde para o Palmeiras.

 Roger, o machado do carrasco, comemora.

De vez em quando acontece de um time tornar-se a asa negra do outro. O Juventus já foi o algoz do Corinthians, a Portuguesa já foi o carrasco do Santos. 

Já para o Figueirense, qualquer um anda sendo algoz. Foi a quarta derrota seguida do time, que tem a segunda pior defesa do campeonato (46, contra 47 da Portuguesa). O time vem caindo na e pelas tabelas, e daqui a algumas rodadas pode estar brigando para escapar do rebaixamento.

Quatro derrotas seguidas pelo Brasileiro também é o retrospecto recente do Atlético Paranaense. Suas belas torcedoras devem estar preocupadas. E com razão. O time vem caindo e, dependendo dos resultados do sábado, pode ir para a penúltima colocação. O ataque está anêmico. Foram apenas dois gols nos últimos cinco jogos. Agora, com Geninho no lugar de Mário Sérgio, as coisas devem melhorar, porque o elenco não é tão ruim assim.

O Santos voltou a vencer com seu esquema de quatro na defesa, três volantes e um meia para proteger os volantes. É uma escalação defensiva, mas vem dando certo e o time joga bem mais tranquilo do que nos dias de Cuca. A diferença entre o Santos e um time meramente retranqueiro é que os três volantes passam bem. Bida, Roberto Brum e, principalmente, Rodrigo Souto não são apenas volantes marcadores, como Adriano, Hudson e Dionísio, os três jovens que estavam por ali há algumas semanas. Olhando as últimas partidas (o time está invicto há cinco jogos), parece que o Santos vai escapar do rebaixamento.

O Atlético, que empatou em casa com o São Paulo (o time mineiro teve dois pênaltis não marcados), vem tropeçando, mas é um tropeço daqueles em que você vai caindo mas segue em frente. O time tem 30 pontos, sete à frente da zona de rebaixamento. Não é ruim, mas é pouco para o que se esperava no ano do centenário (aliás, deve haver uma maldição dos anos de centenário). Tanto que a bela terceira camisa do clube, com listras pretas e douradas (neste caso, o dourado tem sua lógica) foi lançada apenas no site, e não com uma grande festa.

 Bela camisa. O ano, nem tanto.

E o Cruzeiro recuperou a vice-liderança vencendo o Vasco, um time que anda um bocado nervoso. Edmundo pisa na bola, jogadores são expulsos, atletas se machucam, etc... Deve ser coisa do Eurico Miranda.

Por Torero às 10h18

Toreroteca

A Toreroteca deste fim de semana será diferente. Vence quem acertar o placar e os autores dos gols brasileiros. Como já não tenho mais "Vermes" (que alívio!), o prêmio será um "Nuno descobre o Brasil", aventura infanto-juvenil deste que vos fala. Digo, escreve.

Valem os votos enviados até as 21h00 de domingo.

Por Torero às 10h14

04/09/2008

Dez perguntas para o presidente

Assim como já foi feito com Palmeiras, Santos e Corinthians, chegou a vez do São Paulo. Mande aí suas perguntas para Juvemal Juvêncio, o presidente do São Paulo.

Por Torero às 08h10

02/09/2008

Novo blog

Há um novo blog esportivo no ar. É o rolocompressor.zip.net. Ele é feito por dois escritores: Mario Corso e Fabrício Carpinejar. Confesso que não conheço o primeiro (só sei que é psicanalista), mas o segundo é um escritor que consegue ser moderno e lírico ao mesmo tempo, o que não é fácil.  Os dois são torcedores do Inter e os textos fogem do óbvio, não apenas comentando jogos (aliás, nem fazem isso). São crônicas que valem a pena, mesmo que você não seja colorado.

Por Torero às 16h53

As terceiras camisas e Camargo, o Amargo

O Bar da Preta é uma espécie de zoológico de homens. Ou melhor, zooilógico, porque os tipos que lá se juntam não têm lógica nenhuma.

Um dos mais curiosos é Camargo, o amargo. Ele toma café sem açúcar, seu tira-gosto favorito é um jilozinho à milanesa e só toma porres de bitter. Camargo vê defeito em tudo: "Gisele Bündchen? Magriça".

(para ler o resto do texto, uolistas e folhistas podem clicar aqui)

 

Por Torero às 09h16

01/09/2008

Faltam quinze

Os chacais rodeiam Brasileirão City à espera dos cadáveres. Há muitos feridos pelas ruas. Grossas gotas de sangue salpicam a areia.

Foi a vigésima-terceira rodada de duelos. Parece que foi ontem que os vinte caubóis chegaram à avenida principal da cidade, todos confiantes em ganhar a estrela de ouro, e agora faltam apenas quinze lutas para cada um.

 Sancho Pampa, el bigodón.

O líder segue sendo Sancho Pampa. Desta vez ele passou por cima de Joaquim Wayne. Neste duelo bigodal, Sancho levou a melhor. Mas não foi fácil. Só na etapa final da luta é que o caubói de bombachas usou a cabeça e acertou dois tiros em seu oponente.  Joaquim Wayne perdeu, mas melhorou. Parece que vai aperfeiçoando seu manejo das armas e está se esquivando melhor dos tiros adversários.

Big Green suou mas venceu Harry Hurricane no Arena Saloon. As duas balas certeiras saíram do revólver Diego Souza, que, sem Colt Valdívia para ofuscar-lhe, pode ganhar brilho próprio. Big Green segue no encalço de Sancho Pampa, e este parece ser o grande duelo do ano em Brasileirão City. Ele acontecerá no distante dia 9 de novembro. Até lá muito sangue vai rolar por baixo da ponte, muita pólvora vai ser levada pelo vento.

O popular Black Red, sempre com seu urubu no ombro, e o aristocrático Louis Laranjeira, sempre de cartola, fizeram uma grande exibição. Mais de 56 mil pessoas (fora os bicos) estavam no Maracanã Saloon. E a luta não decepcionou. Louis acertou o primeiro tiro, Black revidou. Louis acertou o segundo tiro, e Black rerrevidou. O resultado não foi ruim para nenhum dos dois. Black está a apenas dois pontos de entrar para os quatro primeiros. E Louis se manteve um ponto à frente dos quatro últimos.

Jack Tricolor e Billy, the Fish, fizeram um duelo em câmera lenta. As balas saíam vagarosamente dos revólveres, eles se jogavam devagar para baixo da mesa e de vez em quando ainda paravam para tomar um uisquinho. Este é o novo estilo de Billy. Ele luta compassadamente, sem pressa, indo para lá e para cá, para cá e para lá. Como Jack também não está exatamente um azougue, tivemos um duelo em slow motion. Para Billy não foi tão mal assim, já que ele está a apenas um ponto de sair da zona da degola. Para Jack foi pior, pois empatou em sua própria casa e viu Big Green e Sancho Pampa, seus dois principais rivais, se afastarem.

 Depois da rodada, os caubóis se encontraram para tocar uns blues.

Will Uai bobeou de novo. Desta vez, não conseguiu vencer (em pleno Big Boy from Minas) Coxa Cox. Aliás, Cox foi até melhor que Will na maior parte da contenda. Mas só conseguiu acertar o tiro de empate no último minuto. Ah, os últimos minutos... Nada é mais dramático do que levar um tiro no instante derradeiro. Nada é mais feliz. Depende se você acerta ou leva o tiro.

Jesse Bacalhau vendeu Diogo Colt, a melhor arma que teve nos últimos anos. E isso pode lhe custar caro. Ontem empatou, na Canindé Street, com Rob Gallo. De chapéu e uniforme novos (o chapéu da marca Estevam Soares e o uniforme negro, com listras verticais verde e vermelha), Jesse começou perdendo, pois levou um tiro logo aos 16 minutos. Só empatou em meados da etapa final. E, na sequência, quase volta a ficar atrás, pois um tiro de Rob chegou a rasgar-lhe a manga da camisa, mas foi tão de raspão que não lhe acertou as carnes. Jesse continua entre os últimos. Rob está um pouco acima, mas só um pouco.

 James tem boas armas mas parece um tanto fora de forma.

E James Colorado continua mal nos jogos fora de casa. Até agora só venceu o Fluminense. É inexplicável, pois o caubói rubro tem algumas das melhores armas de Brasileirão City. Mas não consegue deslanchar. É como se suas botas patinassem na lama. Desta vez, perdeu para Cliff Reciff, que lhe acertou um balaço com sua velha garrucha da marca Dutra. James, que era um dos favoritos para envergar a estrela dourada, está na modesta décima-primeira posição.

Enfim, caros amantes do faroeste, faltam apenas quinze rodadas. Cada uma será mais dramática que a outra, seja para os de cima, seja para os de baixo. Ninguém pode piscar.

 

Por Torero às 10h23

A hora da verdade na Série C

Rio Branco (AC), Paysandu (PA),Salgueiro (PE), Confiança (SE), Atlético (GO), Duque de Caxias (RJ), Guaratinguetá (SP), Ituiutaba (MG), Guarani e Marcílio Dias (SC) já estão classificados para a próxima fase da Série C. Com isso, mesmo que caiam na sequência do campeonato, já estão, pelo menos, garantidos na terceira divisão do ano que vem, que terá apenas vinte clubes.

O Guarani se classificou ao vencer o Ituano por 2 a 0, com dois gols de Fernando Gaúcho. Aliás, os artilheiros gaúchos vêm fazendo sucesso na Série C, pois o melhor jogo da rodada teve três gols de Gauchinho. Foi na vitória do Luverdense sobre Rio Branco. O Luverdense, da pequena (30 mil habitantes) e rica (mais de 28 mil reais de renda per capita) Lucas do Rio Verde, no Mato Grosso, manteve suas chances de classificação com esta vitória. Para isso, na última rodada terá que passar pelo Holanda e torcer para um tropeço do Remo frente ao já classificado Rio Branco.

No fim de semana que vem teremos os outros seis classificados. E saberemos quais terão que se conformar com a Série D, de desastre.
 

Por Torero às 10h20

Pesquisa

Mesmo depois do empate com o São Paulo (Ah, Kléber Pereira, por que você furou aquele chute no último minuto...), o Santos continua disparando na tétrica pesquisa ao lado.

 

 

PS: Como não escrevo todos os dias, o leitor pode se inscrever para receber um boletim, um aviso de quando o blog é atualizado. É só preencher o treco aqui à esquerda.

Por Torero às 10h18

Sobre o autor

Formado em Letras e Jornalismo e quase formado em Cinema, é autor de treze livros (como "O Chalaça"), escreveu roteiros para cinema (como "Pequeno Dicionário Amoroso") e para tevê ("Retrato Falado").

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