Blog do Torero

31/08/2008

Sempre aos domingos: O minuto de silêncio

Sempre aos domingos: O minuto de silêncio

Por Carlos Eduardo S. Souza

Às vezes, eu fico imaginando...

O que passa pela cabeça das pessoas durante aquele “Um Minuto de Silêncio” antes das partidas?

TELESPECTADOR: “Ó gente, vai começar, psiu, cala a boca!... Opa, um minuto de silêncio! Beleza! Deixa eu ir ali correndo fazer um xixi!”

TORCEDOR NO ESTÁDIO: “Olê, olê, olê, olêêê... (nome do time)! Ihhhhh... Morreu alguém, ó!”

NARRADOR NA TELEVISÃO: “Tudo pronto pra começar o espetáculo! O árbitro vai autorizar o início da partida. Atenção! Autorizado e... (?)... Quando agora é observado um minuto de silêncio em homenagem a... a... aaaaa...”

RÉPORTER DE CAMPO: “É pela morte do Sr. Eutélio Passagarda, amigo do vizinho do subsecretário da Dra. Zirleide Favalli, vice-diretora regional da sucursal norte de Cumeirinho, conselheira vitalícia do (nome do time)”.

LOCUTOR DE RÁDIO: “Alôôô, torcida brasileiraaaaa! Vaaaaaiiiiii rrrrrolar a bola para o início da partidaaaaa! Os jogadores estão posicionados, o coração da torcida dispara! O árbitro acerta o seu rrrrrelógio! Vai começar o jogãããããão de bola na rrrrádio de todas as torrrrrcidassss! Atenção! Auuuuuutoriza o árbitro e... Bigorrrrna, a melhorrrr cerrrrrvejaaaa do Brasil! (...) Casas Elpídio Dutra, aqui você compraaaa barato mesmo! (...) Prefeitura de Cumeirinho, governo do povo! (...) Meias Vittori Al Paso, conforrrrrto aos seus pés...”

JOGADOR: “Santa Maria, mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora e na hora de nossa morte, amém! É o 10, é o 10, não posso deixar esse 10 jogar! Pra cima deles, meu craque, pra cima deles! Começa logo essa b..., seu juiz, começa logo essa b...!”.

ÁRBITRO: “... catorze, quinze, dezesseis... Ah, já tá bom! PRIIIIIIII!!!!”

 

 

Por Torero às 11h21

30/08/2008

Dois linques

Este é para mostrar que uma cobrança de falta pode ser diferente.

E este é um comercial do campeonato mundial de futebol feminino.

Por Torero às 18h36

Pesquisa

E o Santos vai ganhando a votação sobre qual clube vai cair.

Os nobres leitores acreditam mesmo nisso ou é perversidade com a minha pessoa?

Por Torero às 11h31

29/08/2008

Um torneio bocejante

 

A Copa Sulamericana começou. E daí?

É um campeonato ao qual damos pouca importância. Tanto que grande parte dos clubes brasileiros participa com equipes mistas. É uma Libertadores B, ou nem isso, já que não garante vaga a coisa nenhuma.

Para piorar, a Sulamericana sempre se entremeia com a fase final do Brasileiro. É um estorvo para seus participantes, que estão brigando para entrar na próxima Libertadores ou para não cair.

Mas não sou contra o campeonato, afinal a América do Sul suporta um segundo campeonato continental. Só penso que ele precisa de certas reformulações:

1-) Iniciar logo a fase internacional da competição. Qual a graça para um torcedor são-paulino ver seu time enfrentar o Atlético Paranaense e vice-versa? Estes times já se enfrentam no campeonato nacional. Por outro lado, um confronto com times estrangeiros logo de cara traria mais glamour à competição, lhe daria um ar mais oficial.

2-) Mudar a Sulamericana para o primeiro semestre, junto com a Libertadores. Daí a Copa do Brasil passaria para a segunda metade do ano, o que, de quebra, aumentaria a vida útil de alguns clubes brasileiros, que só existem no começo da temporada, durante seus estaduais.

3-) Criar um passo seguinte, ou seja, uma disputa de Copa Mundial com o vencedor da Uefa e/ou com vencedores de campeonatos semelhantes nos outros continentes.

 

Por Torero às 09h01

Um pernambucano em cada lado da história

Faltam poucos jogos para o fim da segunda fase. Dos 32 clubes que ainda sobrevivem, 12 serão rebaixados e não estarão na Série C do próximo ano.

Um deles já é conhecido: o Santa Cruz, teoricamente o clube mais poderoso Série C.

Em 2009 o tradicional clube pernambucano terá que lutar no estadual para entrar na nova Série D. É o fundo do poço.

O presidente vai antecipar as eleições, nove jogadores foram dispensados antes da partida final, e goleiro Gledson, um dos destaques do clube, já foi para o rival Náutico.

A torcida coral fez sua parte. Foram, em média, 20 mil torcedores por jogo. Média de Série A. No ano passado, na Série B, foi melhor ainda: a média ficou perto de 30 mil pessoas por jogo. A torcida está maior que o clube. E talvez seja ela quem deva comandar a recuperação do Santinha, e não algum iluminado. Mas raramente as torcidas conseguem, ou mesmo querem, o poder.

Por outro lado, o Atlético Goianiense, Paysandu e Salgueiro já estão classificados.

O Atlético é o bicho-papão da Série C. Ganhou todas as suas cinco partidas desta fase. E na anterior venceu seu grupo de forma invicta (cinco vitórias e um empate), sendo o time, entre os 63 participantes, que mais marcou pontos até aqui.

O Paysandu, com 100% de aproveitamentos dos pontos disputados em casa, também já está na fase seguinte (passou raspando na fase anterior, apenas um ponto na frente do Bacabal, com quem empatou fora de casa na última rodada).

E o Salgueiro é um time curioso. Dirigido pelo dono de uma espécie de concessionária-funerária, paga seus jogadores quinzenalmente. E, pela classificação para a próxima fase, vai dividir 60 mil reais entre jogadores e comissão técnica.

O Carcará do Sertão tem apenas quatro anos de vida no futebol profissional, mas já conquistou uma Copa Pernambuco, um campeonato da Segunda Divisão e ficou em quarto no último estadual. Também tem um bom hino, feito por Zezito Doceiro, que em sua parte final utiliza os clássicos versos do sucesso de João do Vale: “Carcará, pega, mata e come/Carcará, não vai morrer de fome/Carcará, mais coragem do que homem/Carcará, pega, mata e come!”

O time é novo mas foi bem aceito na cidade. Tem uma média de 3.424 torcedores nos jogos em casa, um número muito bom, considerando-se que Salgueiro tem apenas 53 mil habitantes. Ou seja, nos dias de futebol, um em cada dezesseis moradores pode ser encontrado no estádio. 

Ironicamente, na rodada final, o jovem e já classificado Salgueiro enfrentará o tradicional e já desclassificado Santa Cruz.
 

Por Torero às 09h00

26/08/2008

Escabeche, o cafajeste

Para ler o texto de hoje na Folha, sobre Escabeche, o cafajeste, clique aqui.

Por Torero às 20h31

25/08/2008

Cruzeiro em baixa

Fui à Vila ver o jogo entre Santos e Cruzeiro. O Santos, com três volantes, pareceu mais tranquilo, sem a correria dos tempos de Cuca, tocando mais a bola.

Mas quero falar mesmo é do Cruzeiro. O time marcou muito mal. Parecia preguiçoso, indolente, quase sonolento. Um time que está disputando a ponta databela, uma vaga para a Libertadores, não pode ter esta postura.

Enfim, achei muito estranho o time do Cruzeiro. É bem verdade que estava sem seu principal jogador, Wagner, mas isso não justifica a marcação molenga, cheia de espaços.

Meu palpite é que o time deve cair algumas posições nas próximas semanas.  

Por Torero às 10h44

Matutações sobre o quadro de medalhas.

Acabaram as Olimpíadas. As lágrimas evaporaram e os gritos silenciaram. Mas ficou o quadro de medalhas.

Daqui a uma centena de anos, historiadores esportivos vão colocar seus olhos biônicos sobre o quadro de medalhas de Pequim e vão tirar algumas conclusões.

Por exemplo, vão perceber que esta foi a primeira vez que a China ganhou uma Olimpíada, com 51 ouros contra 36 dos EUA. E, olhando as últimas Olimpíadas, verão que há 12 anos os chineses vinham em ascensão.

Ficaram em segundo lugar em Atenas (32 ouros contra 36 dos EUA).

Foram terceiros colocados em Sydney, com 28 ouros, atrás de EUA e Rússia.

E ficaram em quarto lugar em Atlanta, com 16 ouros.

Ou seja, a China vem escalando uma posição na tabela há 16 anos. E suas medalhas de ouro evoluíram de 16 para 28, daí para 32 e, agora, 51.

Foi a junção da massificação do esporte com a criação de centros de excelência. Foi assim que a Austrália conseguiu pular da sétima posição em Atlanta para a quarta em Sydney.

Mas os historiadores de 2108 também vão reparar noutras curiosas performances.

Em sua tela tridimensional verão que Cuba teve uma triste decadência nos últimos anos. A Ilha vem ficando mais pobre, e menos ouro nos cofres também significa menos ouro no pescoço.

Cuba ficou em 5º. lugar em Barcelona, 8º em Atlanta, 9º em Sydney, 11º. em Atenas e 28º. em Pequim. Críticos apontarão que o principal culpado é o embargo norte-americano. E o pior é que Bush VI e o clone de Fidel Castro continuarão brigando.

Por outro lado, dois países vêm subindo no ranking. O Canadá, que tem um sexto da população brasileira, foi 24º. em 2000, 21º. em 2004 e 19º. em 2008. E a Jamaica, que não é exatamente uma potência econômica, com menos de três milhões de habitantes e uma renda per capita abaixo dos quatro mil dólares (a do Brasil está US$ 11,8 mil) vem subindo meteoricamente: 53º. (2000), 34º. (2004), e, agora, 13º.

Quanto aos EUA, perderam a primeira posição mas mantiveram o número de ouros das últimas olimpíadas: 36. Em Sydney fizeram 40 e em Atlanta, 44. Uma leve decadência, porém, mais por culpa da China do que por conta da política esportiva norte-americana. Sim, porque eles têm uma política esportiva, diferentemente do Brasil, onde a política esportiva é, antes de tudo, conseguir mais dinheiro para o esporte, seja por meio de leis de incentivo fiscal, seja por Pans, Olimpíadas ou Copas.

Quer-se dinheiro mas não se quer massificar o esporte. E nem criar centros de excelência. Uma exceção é a ginástica olímpica, onde há um destes centros e já houve resultados expressivos. Imaginem se isso acontecesse no atletismo.

Olhando os resultados brasileiros, os historiadores do futuro iriam ficar meio perdidos. O país é instável como o humor das mulheres em dias de menarquia.

Em Pequim ficou em 23º, o que é uma decadência em relação a Atenas (16º.), mas uma melhora em relação a Sydney (52º.).

Acho que essa variação acontece porque dependemos de heróis isolados. Se o Robert Scheidt consegue um ouro, subimos no quadro. Se um cavalo refuga, caímos.

Repetindo, não há política esportiva. O Ministério dos Esportes é meramente figurativo. E, na verdade, deveria estar dentro do Ministério da Educação.

Mas o pior mesmo é que os historiadores de daqui a cem anos vão olhar para o mapa e perguntar: “Onde ficava esse Brasil? Ah, acho que era na região do deserto amazônico. Ou seria na Peceçolândia? Não, acho que era na Dantáslia.”
 

Por Torero às 10h35

24/08/2008

Sempre aos domingos: Síndrome da Otoridade

Sempre aos domingos: Síndrome da Otoridade

Texto de Marcio R. Castro

Um dia desses, presenciei uma cena que considero emblemática. Uma viatura policial saía vagarosamente de um parque, onde provavelmente fazia uma ronda, e deu de cara com duas pedestres, mãe e filha, que passavam em frente ao portão de saída.

Na calçada, as duas pararam. Eu, que observava por mero acaso, esperei por um gesto dos policiais, permitindo-as que continuassem seu caminho. Não foi o que aconteceu. A viatura atravessou placidamente a calçada, na frente da mulher e da criança, seguindo para rua com lerdeza e desprezo.

Isoladamente, esse pequeno episódio tem pouca importância. Mas enorme significado. Ilustra com boa precisão o espírito de grande parte de nossas autoridades. De prefeitos a agentes do trânsito, de juízes a deputados, de policiais a líderes comunitários, não há categoria que exerça algum tipo de poder em nossa sociedade que esteja livre da “síndrome da otoridade”. Para os que sofrem desse mal, não são eles que servem à população, mas a população que deve se curvar à sua posição.

O mundo da bola é repleto de figuras autoritárias. Uma delas fica dentro das quatro linhas, o árbitro de futebol. O que mais me incomoda nos “juízes” não são seus eventuais erros, que acabam sendo parte do jogo, mas suas atitudes e posturas, muitas vezes carregadas de uma prepotência injustificável.

É verdade que os homens de preto têm que lidar com 22 homens, além de suplentes, técnicos e dirigentes, que querem ludibriá-los, manipulá-los e até “incriminá-los”. É fato também que suas decisões estão sempre sob a luz dos holofotes, mexendo com a paixão de milhões. Ossos do ofício, devem estar preparados para lidar com a pressão. Aliás, uma coisa não tem nada a ver com a outra. Os que usam seu “poder” de maneira imprópria não o fazem como uma espécie de vingança por tudo o que sofrem na função. Isso seria subestimar a natureza humana.

Não é raro nos depararmos com árbitros que toleram jogadas violentas, rodízio de faltas e todo tipo de barbaridade de jogadores brucutus, mas que punem rigorosamente lamentações de quem passa o jogo apanhando. Não tem conversa! Afinal, quem ele pensa que é para questionar decisões tão criteriosas, não é mesmo? Como todos que sofrem da síndrome, confundem autoridade com autoritarismo.

Outro sintoma característico da patologia é o rigorismo a flor da pele, desde que focado no mais irrelevante. Com a lei do lado deles, fazem corar até o inspetor Javert: balançou as redes e tirou a camisa, cartão amarelo! Que ousadia, extravasar só porque fez um golzinho...

Com gestos exagerados e postura empertigada, alguns juízes estão sempre presentes para mostrar quem manda no jogo, quando deveriam ter consciência (e orgulho) de sua verdadeira função: simplesmente garantir que a partida se desenvolva da melhor maneira possível.

Não espero que todos os árbitros tenham esse bom entendimento de suas atribuições. A “síndrome da otoridade” é impossível de se erradicar, como todas as moléstias da alma. Só não podemos aceitar que continue sendo uma epidemia, no futebol ou em qualquer lugar.

Por Torero às 00h51

23/08/2008

Amarelona, não. Dourada!

O Brasil começou mal, saindo atrás no placar. Mas lá pelo décimo ponto passou à frente e daí em diante foi praticamente um passeio. A seleção quase não errou na segunda metade do set. Bom saques, ótima recepção, cobertura eficiente, cortadas precisas e levantamentos redondos. Resultado: 25 a 15.

No segundo set, mau começo do Brasil: 5 a 1 para as americanas. Com muitos erros de recepção e saque, mas com um bom bloqueio, a diferença ficou ali pelos cinco pontos até o final do set: 25 a 18. Era o primeiro set perdido pelo Brasil nas Olimpíadas.

Terceiro set: O Brasil não se abalou. Voltou bem e dominou todo o set. Tanto que as parciais foram 6 a 3, 12 a 6, 18 a 11 e 25 a 13. Outro passeio.

Mas os EUA também não se abateram e voltaram bem no quarto set, vencendo por 8 a 6 no começo. Depois do tempo técnico, as coisas mudaram. A bola passou a chegar bem nas mãos da Fofão e o jogo ficou equilibrado. Empatamos em 11 a 11, em 13 a 13, em 16 a 16, em 19 a 19, em 20 a 20 e em 21 a 21. Mas aí acabou. O Brasil fez quatro pontos seguidos! E ganhou por 25 a 21.

O famoso 24 a 19 das Olimpíadas de Atenas, quando perdemos vários game points para a Rússia na semifinal, ficou para trás. O Brasil ganhou a primeira medalha de ouro no vôlei de quadra feminino. E José Roberto (belo nome!) ganha sua segunda medalha de ouro.

Não é uma seleção verde, não é uma seleção amarelona. É uma seleção dourada.

Por Torero às 10h54

22/08/2008

Olimpílulas

Brasil e EUA são os inimigos no vôlei. Farão as duas finais no vôlei de quadra e fizeram a final masculina no vôlei de areia masculino (no feminino de praia, os EUA ganharam ouro contra a China). Serão dois duelos sensacionais. Para torcer em cada ponto. Os horários: Mulheres, amanhã, às 9 da manhã. Homens: 1h00 da madrugada de domingo.

O Brasil conseguiu a medalha de bronze no futebol. Não é grande coisa para nós, que sempre esperamos a vitória no futebol, mas redime um pouco a equipe. E valoriza jovens como Diego e Jô, que no Corinthians não era nada de mais, mas encorpou e ficou mais rápido e melhor.

Márcio e Fábio Luiz decepcionaram ontem à noite. Não jogaram tão bem quanto na partida contra Ricardo e Emanuel. Era como se tivessem apenas uma jogada: a cortada na ponta. Ficou até monótono. Um erro repetido à exaustão. Já Ricardo e Emanuel voltaram a jogar bem e passaram fácil pela dupla brazuca-georgiana.

Jogão no vôlei masculino. Uma virada sensacional. A equipe começou meio boba, mas voltaram a jogar no ritmo que estamos acostumados a ver e ganharam por 3 a 1. É uma equipe espetacular, como, por exemplo, o Santos da década de 60. O problema é que nos acostumamos com ela, e achamos suas vitórias naturais. Não são. São fruto de trabalho, dedicação, obsessão.

Os dois revezamentos 4 x 100m acabaram em quarto lugar. Por um triz não ganharam a medalha de bronze. Quanto mede um triz? Um triz é do tamanho do mundo.

Por Torero às 11h41

É uma maldade escolher apenas um atleta brasileiro como nosso destaque nas Olimpíadas, mas fazemos essa eleição automaticamente.

E, para mim, Maureen Higa Maggi passa a ser a principal heroína das Olimpíadas. César Cielo venceu e fez recorde olímpico, Ketleyn Quadros foi a primeira mulher a conquistar uma medalha individual, Robert Scheidt ganhou mais uma medalha, mas acho que Maureen sairá como a mais festejada. E merecidamente.

O país conhece Maureen melhor do que estes outros atletas. E sua história é mais dramática. Ela se machucou antes das Olimpíadas de 2000, o que fez com que ela ficasse apenas em 25º. lugar, foi suspensa por doping, casou-se com o ex-piloto de Fórmula-1 Antonio Pizzonia, teve sua  filha Sofia, abandonou a carreira por dois anos, voltou ao esporte quando já tinha 29 anos e, mesmo assim, ganhou o ouro (nossa primeira medalha de ouro no atletismo desde 1984, com Joaquim Cruz).   

Para melhorar a história, ela ainda venceu de forma dramática, por apenas um centímetro. E chorou, e levou as bandeiras do Brasil e da China, e estava com seu cachorro de pelúcia, o Leão.

É muita simpatia e enredo para uma pessoa só. Se eu ainda escrevesse o Retrato Falado (aquele quadro do Fantástico com Denise Fraga), iria propor um programa especial sobre ela.

A trilha sonora seria dos Beatles, porque o pai dela é um beatlemaníaco (Maureen é o nome da primeira esposa de Ringo Star). E a cena final seria com Maureen chegando em casa, mostrando a medalha para a filha, que diria: "Ah, ouro, mãe... A de prata é mais bonita..."

E seria verdade. Sofia acha a de prata mais bonita e pediu que a mãe ganhasse uma dessas. 

Mas Maureen foi além.

Por Torero às 11h05

21/08/2008

Lágrimas de prata

Marta e cia. perderam, mas devo dizer que foi quase um prazer ver a seleção brasileira feminina de futebol chorar.

Não, não sou sádico.

É que me deu gosto ver uma seleção de futebol que realmente quer vencer, jogadoras para quem é importante estar nas Olimpíadas, gente para quem o futebol, os gols e as vitórias é que são motivo de alegria, e não os salários, as loiras e os carrões.

A seleção feminina está uns quarenta anos atrasada no futebol. Ainda bem.  

Por Torero às 12h41

Peledona

O leitor Rafael Felippe é que me alertou para o fato. E o fato é que Pelé está fantasiado de Maradona na campanha da Timemania. O uniforme não parece o do Boca? Coisa de gênio!

Por Torero às 07h39

20/08/2008

O peso do ouro

Muito se fala que a forma de pontuação das Olimpíadas, com um medalha de ouro valendo mais do que cem medalhas de prata, é injusta. Eu, particularmente, gosto muito deste tipo de pontuação, que premia a excelência, a qualidade máxima, e não a quantidade (mesmo sendo uma quantidade com qualidade).

O Brasil está se dando mal com este tipo de contagem. Estamos agora, às 17h41 de quarta-feira, em 41o. lugar. Mas com um ourinho a mais ganharíamos quinze posições.

Porém, há gente pior do que nós. Cuba é o décimo-segundo país que mais ganhou medalhas. Já faturou 13 (uma de ouro, seis de prata e seis de bronze) mas está em 28o. Com mais uma de ouro pularia para a décima-nona posição, atualmente ocupada pelo Canadá.

E mais irônica é a posição da Armênia, na 69a. posição. Ela tem cinco medalhas, mas todas de bronze. Com mais uma de ouro a Armênia empataria com o Brasil, ganhando quase trinta posições. 

 

Por Torero às 17h25

Resultado da pesquisa

E na pesquisa que perguntava quem era mais amado, Marcos ou Rogério Ceni, o Palmeirense ganhou de lavada, ficando com 76,78% dos 267 votos. O goleiro tricolor ficou com menos de um quarto dos votos: 23,22%. Pensei que teríamos maior equilíbrio.  

E tem nova pesquisa aí do lado esquerdo.

Por Torero às 17h09

18/08/2008

ABC das Olimpíadas

Absurdo: É perderem o equipamento de Fabiana Murer. O tipo da coisa que não aconteceria nem em Piraporinha (com todo respeito a Piraporinha).

Bolt: Eis aí um nome merecido. Usain Bolt, o vencedor dos 100 metros rasos e, provavelmente dos 200, é realmente um raio.

Chutão: A defesa da seleção brasileira de futebol não quis dar um chutão e a Alemanha fez o primeiro gol do jogo. Por vezes a seleção dribla demais (ah, como é bom reclamar disso!).

Dupla: Ricardo e Emanuel formam uma grande dupla. Aposto neles contra a dupla americana (estão jogando agora) e, depois, contra Fábio e Márcio.

Eh!: Interjeição exclamativa. Foi o que disseram as brasileiras do futebol ao fim da partida de hoje. Foi o oitavo jogo contra a Alemanha, e, finalmente, a primeira vitória.

Félpis: O maior nadador de todos os tempos (aqui com efe porque já tenho a letra pê).

Goleira: A do handebol brasileiro tem um nome que fez a festa dos humoristas de bar.

Handebol: As duas seleções brasileiras não passaram para a fase seguinte por pouco. Os homens perderam por um gol para os espanhóis. As mulheres não venceram a Suécia, as lanternas do grupo.

Inédita: Foi a medalha feminina na vela.

Jadel: Pulou tranquilo (17,15m), se classificou com apenas um salto, deu entrevista sorrindo e diz que está pronto para fazer o seu melhor: 17,90. Podemos ter mais uma medalhinha. Oxalá não seja de bronze.

Laser: Categoria em que Robert Scheidt era um star. Agora ele quer ser star na Star, mas não está sendo fácil.

Márcio (e Fábio): O jeito e a força. Os dois jogaram bem contra a Áustria e estão na semifinal do vôlei de praia.

Nado sincrinizado: Acho este esporte um tanto estranho. Parece coisa de filme da Esther Williams. Hoje, Nayara Figueira e Lara Teixeira ficaram em 12º. lugar no primeiro dia. Amanhã continua a fase classificatória. Só doze pares irão para a segunda fase. Nas duas últimas Olímpiadas, as gêmeas Carolina e Isabela ficaram nesta posição.

Oh...: Expressão dita por Diego Hipólito depois de seu tombo. E pelos brasileiros.

Prinz: Fez o primeiro gol da Alemanha e parecia que ia manter sua invencibilidade contra Marta. Mas desta vez não deu.

Quando?: Quando o Brasil conseguirá massificar o esporte, não só para ganhar medalhas, mas para que os brasileiros se divirtam mais e sejam mais saudáveis?

Rodrigo (Pessoa): Não está tão bem quanto em Sydney (quando seu cavalo refugou no fim da prova), mas é mais uma esperança de medalha.

Saltos (ornamentais): César Castro fez pequenos erros e ficou em 19o. Só 18 que passavam à próxima fase.

Trinta (do segundo tempo): Foi quando Cristiane fez o quarto gol do Brasil. Driblou um monte de gente e chutou de direita. Depois fez dancinha. Mas as alemãs é que dançaram.

Um: César Cielo foi o mais rápido na água, o primeiro a ganhar uma medalha de ouro na natação. É o número um!

Vôlei: Ainda há chance de ganharmos quatro medalhas de ouro na modalidade.

X: O xis da questão é que o Brasil está, no momento em que escrevo, na 36ª. posição no quadro de medalhas. O pessoal fala em oitava economia do mundo, mas as medalhas falam mais claramente sobre nosso verdadeiro lugar no planeta.

Zzzz: Onomatopéia usada pelos quadrinhos para mostrar que alguém está dormindo. É coisa que tenho feito pouco com esta olimpíada em horário avesso.

Por Torero às 10h19

Toreroteca

Dois leitores fizeram três pontos nesta Toreroteca olímpica: Romero Ferraz e Rodrigo César Souza. Os dois acertaram os vencedores dos jogos e a posição de Daiane. Como Romero palpitou primeiro e ficou mais perto da posição de Mariana Ohata, leva o prêmio. 

Por Torero às 08h48

15/08/2008

Toreroteca

Vamos fazer uma Toreroteca diferente. Desta vez, teremos um ganhador de qualquer maneira. Se ninguém acertar todos os palpites, ganha o que fizer mais pontos primeiro. E teremos alguns testes doidos, como adivinhar a posição da Dayane na final do solo. Todas as provas são no domingo.

Vamos aos jogos:


Brasil x Bielorrússia (basquete feminino)

Brasil x Itália (vôlei feminino)

Em que posição chegará Mariana Ohata no Triatlo feminino (em 2004 foi a 37ª.).

Em que posição ficará Daiane no exercício de solo.

Em que lugar ficará Marilson dos Santos nos 10.000.

Meus palpites: Bielorrússia, Brasil, 22o., 4o., 6o.

Por Torero às 10h23

Olimpílulas

Foi muito bom ver o futebol feminino hoje pela manhã. Não só porque as jogadoras norueguesas me lembraram certas moças que apareciam numas revistas suecas ali no começo dos anos 80 (onde andará você, Ingrid?), mas porque o futebol feminino tem um ar de futebol antigo, com mais espaço, poucas faltas e belos dribles.

O país do futebol é, pelo menos nas Olimpíadas, o país do judô. Com as três medalhas de bronze, o esporte inventado por Jigoro Kano passou a ser o que mais nos deu medalhas. É algo bem simpático no ano em que celebramos os cem anos da imigração japonesa. No Brasil, o judô tem muitos milhares de praticantes, e da quantidade vem a qualidade. Eu mesmo, na minha distante infância, fui um medíocre judoca e cheguei à faixa amarela. Mas acabei trocando o judô pelo kung fu. Não pela luta, mas pelo programa de televisão. É que às quintas-feiras à noite, horário do treino do judô, passava Kung Fu, com David Carradine (alguém lembra?). E eu faltava tanto nas aulas para ver as aventuras do “gafanhoto” que acabei largando o judô.

Observador leitor, eu vos pergunto: Quem é até aqui a musa das Olimpíadas?

E, você, atenta leitora, quem elege como o muso dos Jogos?

Geralmente não vejo graça nessa história de “estar na final já é uma vitória”. Mas na ginástica isso é uma verdade. Há alguns anos éramos tão atrasados em ginástica como o Nepal em futebol. Mas desde Daniele Hipólito, Daiane e Oleg, o Brasil passou a ter alguma força neste esporte. Houve uma certa popularização da ginástica e, principalmente, a criação de um centro de excelência. É uma receita a ser seguida por outros esportes.

Há doze anos o Brasil não ganhava uma medalha individual na natação. Ontem, com César Cielo, finalmente voltou a subir ao pódio. E pode repetir a dose nos 50 metros. O triste é que César treina nos EUA. E seria bom para os nadadores brasileiros treinar com alguém de tão boa técnica. Mas alguns dos melhores brasileiros continuam por aqui, como Kaio Márcio e Tiago Pereira. O êxodo já não é tão intenso quanto antigamente.

Entre os comentaristas televisivos, chamo a atenção para o Gustavo Borges, da natação. Além de ter uma tremenda autoridade para falar do assunto, ele traz algumas curiosidades sobre os outros atletas e, curiosamente, fala dos brasileiros como se fizesse parte da equipe: “Estamos em sexto mas vamos recuperar”, “Temos que tentar fechar bem”, etc... Ele não fala dos atletas usando a terceira pessoa do singular, mas a primeira do plural. É como se ele ainda fizesse parte da equipe, o que, no caso, é bem simpático.

Talita e Renata acabaram de vencer a dupla norueguesa no vôlei de praia. No primeiro set levaram uma surra. Parecia uma derrota certa. Mas foi uma virada e tanto.

E Zenaide Vieira, que treina entre os canaviais de Cosmópolis é a dona do recorde sul-americano, ficou fora da final dos 3.000 metros com obstáculos.

Por Torero às 10h20

12/08/2008

O maior atleta do ano

(Vai aí um textinho velho, publicado na Folha em dezembro de 1999, lembrado pelo leitor Adilson)

Qual o maior atleta brasileiro deste ano?

Há vários candidatos. No automobilismo há Rubens Barrichello, no futebol temos o corintiano Ricardinho, o atleticano Guilherme, o gremista Ronaldinho e os exilados Rivaldo e Jardel.

Mas não podemos esquecer dos outros esportes. No iatismo houve Robert Scheidt, no atletismo, Claudinei Quirino, no vôlei de praia, Shelda, no basquete, o eterno Oscar ajudou o Flamengo a conquistar o Estadual do Rio e o técnico Hélio Rubens levou a seleção ao ouro nos Jogos Pan-Americanos.

Além disso, Rodrigo Pessoa, no hipismo, terminou o ano em primeiro no ranking, Popó no boxe, conseguiu um título mundial, e Kuerten firmou-se como nosso maior tenista de todos os tempos.

Mas eu lhes pergunto: Como comparar esportes tão diferentes? E eu lhes respondo: com objetividade e método!

Primeiro devemos pensar em qual é a principal função do esporte. Se fosse dinheiro, nosso atleta do ano provavelmente seria Ronaldo. Mas o principal objetivo do esporte é dar saúde aos seus praticantes. Então consultei alguns médicos e eles foram unânimes. Nesse quesito, o melhor esporte é a natação.

Mas há várias modalidades de natação, e temos que escolher apenas uma.

Como o esporte é também um desafio às regras da natureza, creio que a modalidade de natação que mais claramente enfrenta as forças naturais é aquela que acontece em águas abertas, que faz suas provas em rios e mares.

Mas esse tipo de prova é dividido em provas rápidas, de 1 km, e de resistência, com 6 km. Qual delas escolher? Fico com a de velocidade, já que, mesmo na de resistência, vence quem chega primeiro. Mas fica ainda uma questão: a natação é dividida em várias categorias quanto à idade, e qual seria a mais adequada a este escrutínio?

Creio que o tal atleta deve estar no mais perfeito equilíbrio entre intelecto e físico. Como depois dos trinta começa nossa decadência física e só depois dos quarenta é que atingimos a plenitude de nosso intelecto, fiquemos com a média aritmética: 35 anos, o que em natação significa a categoria Master C.

Fui então até o site do principal torneio de águas abertas do país (www.maratonaaquatica.com.br) para ver quem havia se sagrado campeão este ano na categoria Master C.

Caros leitores, nem posso expressar o tamanho de minha surpresa ao ver o nome que lá estava: José Roberto Torero Fernandes Júnior. Ou seja, eu!

Sei que alguns dirão que fiz um raciocínio cabotino só para chegar a esta conclusão, mas quem pensar assim será um leitor maldoso, desses que já não crêem na beleza da alma humana, desses que acham que o Pitta está envolvido no caso dos precatórios. Porém, a verdade é que sou tão inocente quanto ele.

O que conta é que agora, como principal atleta do país, já posso pensar na coisa mais importante para um esportista, que não são medalhas ou recordes, mas patrocínio. Creio que anunciarei duas revistas em meu calção. Na parte da frente estará escrito ""Veja". E na de trás, obviamente, ""Bundas".

Se bem que posso fazer o inverso, pois não são poucos os que acham a ""Veja" uma revista bundona e a ""Bundas", do cacete.

Por Torero às 12h05

Cadência da decadência

Grisalho leitor, tingida leitora, a decadência vem para todos. Chega um dia e começamos a ter cabelos brancos (ou, o que é pior, brancos no cabelo), as costas doem apenas porque carregamos umas sacolas de supermercado e começamos a fazer um gemido de alívio cada vez que entramos no banco de trás de um carro de duas portas.

A decadência também chega para os times de futebol. Há momentos em que eles parecem imbatíveis, ganham troféus e tudo são alegrias e glórias. Mas o tempo passa, vão-se uns jogadores, perdem-se algumas partidas e pronto, eis que o time, outrora invencível, orgulho de sua torcida, está caindo pelas tabelas.

Para ler o texto de hoje na Folha, clique aqui.

 

Por Torero às 09h11

Resultado da pesquisa

E a Copa ganhou das Olimpíadas. Dos 303 votos, 67% foram para a disputa futebolística.

Por Torero às 08h11

11/08/2008

O começo do fim em Brasileirão City

 (Da esquerda para a direita: Big Green, Phil Gueira, Seth Fire e, mancando, Billy, the Fish)

E eis que chegamos à metade dos duelos. Foi-se o fim do começo. O próximo passo é o começo do fim. O Sol já começa a baixar e seus raios ficam mais vermelhos, vermelhos como o sangue que escorre pelas ruas de Brasileirão City.

Ontem foi um dia de grandes sorrisos e profundas tristezas.

Seth Fire, o caubói dos milagres, das coisas que só acontecem com ele, recebeu Big Green. No início do duelo, Fire dominou o adversário e parecia que ia vencê-lo. Mas errou três tiros à queima-roupa. Depois, as chances rarearam, e, quando parecia que Fire ficaria mais um tempo sem vencer Big Green (o que não acontecia há seis anos), eis que acerta um tiro e vence a luta. Seth Fire sempre surpreende. De seus últimos seis duelos, ele venceu cinco, e já sonha em ficar entre os primeiros.

A bela Victoria Salvador, que usa calças mais apertadas que orçamento de aposentado, foi a responsável pelo maior massacre de ontem. Ela metralhou, triturou e humilhou Joaquim Wayne. Victoria meteu cinco balas no caubói de sotaque lusitano, que estava com um novo chapéu, da marca Old Tita. Logo aos cinco minutos, Victoria acertou o primeiro tiro. Wayne tentou equilibrar o duelo, mas Victoria, ouvindo um axé em seu iPod, acabou com o sonho de reação do bigodudo caubói metendo-lhe uma segunda bala. Depois, na parte final, não teve dó e deu-lhe mais três balaços. Victoria pulou para a quinta posição. Joaquim foi para a terrível décima-sétima, ou seja, é o primeiro dos últimos.

 (Victoria Salvador, a cauguel fatal)

O alviverde Coxa Cox enfrentou rubro-negro Cliff Reciff. E venceu. Coxa Cox, que usa revólveres de marcas estranhas, como Keirrison e Marlos, há onze anos não ganhava de Reciff. Mas desta vez não teve jeito. O equilibrado caubói curitibano começou gastando seu cartucho de balas, dando muitos tiros na direção de Cliff. Demorou dezesseis minutos para acertar a primeira bala. E doze minutos para a segunda. Na parte final do duelo, Cliff foi com tudo para cima de Cox. Mas, em vez de alvejar, foi alvejado num contra-ataque. Ah, as ironias do bang-bang...

Uma surpresa foi o empate no Beira-River entre James Colorado e Phil Gueira. James tem armas de ótimas marcas e parecia que este ano iria brigar pela estrela dourada de xerife, mas está apenas em décimo-lugar, no meio da tabela. E seus números são tão medianos que ele tem sete vitórias e sete derrotas, acertou 21 tiros e levou 20. Ou seja, se há alguém médio, é James Colorado. Mas, na segunda metade do torneio, as coisas podem mudar. 
 
O vice-líder Will Uai foi batido por Jesse Bacalhau, o caubói que sempre usa um lápis atrás da orelha (às vezes, coloca ali seu revólver, o que ele consegue graças às suas vastas orelhas de abano). Jesse e Will são um bocado irregulares. Ganham quando se espera que percam, perdem quando se espera que vençam. Desta vez, Will precisava ganhar para encostar em Sancho Pampa, o líder de Brasileirão City. Mas qual o quê? Jesse acabou com a sequência de vitórias de Will (já eram quatro seguidas) e conseguiu ficar um pouquinho à frente da turma que corre perigo de ir para Série B Village. Jesse comemorou comendo os famosos bolinhos que lhe deram seu apelido.

No duelo entre os aflitos, Jim Capibaribe venceu Billy, the Fish. A luta não foi muito boa de se ver. Não teve lances geniais, tiros fantásticos ou grandes malabarismos com os revólveres. Jesse dominou o tempo todo, e, mesmo depois de acertar seu tiro (na segunda metade da luta), continuou dando os melhores disparos. Billy, the Fish, continua se afundando cada vez mais.

No duelo dos desesperados, Louis Laranjeira perdeu mais uma. Desta vez o vice-lanterna perdeu para o lanterna Wyatt Earp Tinga. O caubói tricolor, que este ano já esteve perto do céu, agora sente o calor do inferno (onde, aliás, ele já esteve alguns anos atrás). Desta vez começou ganhando, ao meter uma bala no ombro de Earp no fim da primeira etapa da luta. Porém, quando tinha-se a impressão de que ele venceria e sairia da zona da morte, eis que perde um de seus rifles e tudo se complica. Louis ainda se aguentou por algum tempo, mas, faltando menos de dez minutos para o fim do duelo, o caubói mineiro cravou dois tiros no carioca e seu sangue misturou-se ao pó de arroz. Louis Laranjeira, o aristocrático caubói que usa cartola em vez de chapéu, ficará mais algum tempo entre os últimos.

No começo dos duelos deste ano em Brasileirão City, quando os caubóis encostavam sua cabeça em seus ásperos travesseiros, tinham sonhos de glória. Agora, alguns já têm pesadelos e mostram profundas olheiras. Sim, meus amigos, em Brasileirão City não se pode cochilar. Pois quem dorme no ponto pode acordar em Série B Village.

Por Torero às 08h09

Resultado da Toreroteca

Sete ou oito apostadores fizeram cinco pontos, mas ninguém acertou os seis. O absurdo empate em 28 a 28, entre Brasil e Hungria, derrubou todo mundo. Ninguém apostou no empate no handebol (O que é um anto raro mesmo). E o leitor Davi Kikuchi conseguiu seu intento: errou todos os palpites!

Abaixo, os resultados da Toreroteca:

Náutico 1 x 0 Santos.

Ipatinga 2 x 1 Fluminense.

Brasil 5 x 0 Nova Zelândia

Brasil 3 x 0 Egito

Brasil 28 x 28 Hungria (handebol feminino).

Brasil 26 x 34 França (handebol masculino).

Por Torero às 07h30

10/08/2008

O dia em que virei santista

(Em homenagem aos pais, e em particular ao meu irmão, que há três dias também é pai, republico o texto abaixo.)

 

Um amigo corintiano perguntou-me como aconteceu o absurdo de eu me tornar santista. Foi assim:

Aos nove anos eu ainda não tinha escolhido para quem torceria. E isso era muito bom, porque criava uma certa disputa entre o pessoal de casa.

Meu tio Mauro falava que eu tinha que torcer para o Palmeiras, porque o verde era a cor mais bonita do mundo. Mas como essa cor me lembrava alface, chuchu, chicória e outras verduras que eu tinha que comer à força, seu argumento não era grande coisa.

Já minha avó era corintiana. E muito. Escutava os jogos em seu radinho de pilha e gritava quando saía um gol. Porém, como o Corinthians estava há muito tempo sem ganhar um título (eram os idos de 1974 e o deserto ainda duraria mais três anos), ela não possuía grandes argumentos para me convencer. Ela só dizia que, mesmo perdendo, era bom ser corintiana. Mas eu ainda era muito criança para a metafísica.

Meu pai, por sua vez, tentava ganhar minha simpatia dizendo que o Santos era o time da minha cidade. O problema é que uma criança não tem o sentimento bairrista desenvolvido e, assim, esse argumento também não ia muito longe.

Como ninguém conseguia me convencer com palavras, passaram a tentar comprar minha opinião com presentes. Eu ganhava montes de chaveiros, jogos de botões e figurinhas. Mas, como havia um equilíbrio entre os presentes, o empate permanecia.

Porém, um dia, ou melhor, uma noite, meu pai mandou que eu me arrumasse porque ele ia me levar até a Vila Belmiro. Disse que iria acontecer um jogo muito importante e que eu tinha que ver aquilo.

Achei o estádio uma coisa fantástica. Nunca tinha visto tanta gente junta. Nem tantas bandeiras, nem tantas luzes. Era uma mistura de música, fogos de artifício e gritaria. Uma coisa selvagem e linda ao mesmo tempo.

De toda aquela festa eu tinha gostado muito. Já o jogo não estava sendo grande coisa. Mas aí, de repente, um dos jogadores do Santos se ajoelhou no meio do campo e houve um instante de silêncio, como se ninguém acreditasse no que via. Logo depois os torcedores ficaram de pé e começaram a bater palmas.
O jogador abriu os braços e virou-se, de joelhos, para os quatro lados do estádio. Olhei para trás e vi que todo mundo estava chorando. Pior, olhei para o lado e vi que meu pai estava chorando. Meu pai chorando!? Aquilo era uma coisa que eu nunca tinha visto na vida. Nem visto, nem imaginado.

Perguntei-lhe o que estava acontecendo. Ele me explicou que aquele homem de joelhos ia parar de jogar futebol.

“Vai parar por que é muito ruim?”, perguntei.

“Não, ele é o melhor do mundo”, meu pai me respondeu com os olhos cheios de lágrimas.

Eu não entendi aquela lógica: “Se ele é o melhor do mundo, por que vai parar de jogar?”

Meu pai não me respondeu, só ficou olhando para o campo. Talvez ele também não tivesse a resposta. Nem ele, nem os milhares de homens que choravam na Vila Belmiro, transformando as arquibancadas em cascatas.

Depois, quando o jogo recomeçou, com meu pai ainda triste e calado, resolvi que tinha que fazer alguma coisa para consolá-lo. Pensei no que poderia deixá-lo mais alegre. Pensei, pensei e, quando tive uma idéia, falei:

“Pai, acho que vou torcer para o Santos.”

Ele olhou para mim, enxugou as lágrimas, pôs a mão no meu ombro, sorriu e não falou nada. Mas nem precisava. Naquele momento, eu vi que tinha substituído Pelé.

Foi assim, no dia mais triste da história do meu time, que eu me tornei santista.

Por Torero às 07h06

08/08/2008

Redemocratização santista

Há um abaixo-assinado pela redemocratização do Santos na internet. Os pontos me parecem bem lógicos e ponderados. Para ir para lá, clique aqui.

Por Torero às 21h44

Golpistas

Depois da derrota por 3 a 2 para o Atlético-MG, torcedores santistas pediram a saída de Cuca e Marcelo Teixeira.

Cuca já saiu, Marcelo Teixeira ainda não.

A questão é: ele deve sair?

Sim e não.

“Não” porque a pressão de um grupo de torcedores depois de uma derrota não é algo sério. Se o time tivesse vencido os dois últimos jogos, os mesmos torcedores estariam incensando o presidente como um salvador predestinado.

“Sim” porque mudou os estatutos do para poder ser reeleito indefinidamente, e acho isso um erro absurdo. Absurdo e sério. Um erro político, pessoal e ético.

Político porque instaurou um reinado. E sou contra reinados, ditaduras e coisas do gênero, inclusive reeleições indefinidas. É só ver o que isso provocou nos clubes em que aconteceu: Palmeiras, Corinthians e Vasco. O poder precisa ser oxigenado. E não só nos clubes, mas em qualquer estágio da vida pública. Vereadores que se elegem indefinidamente geralmente são um câncer para suas cidades. E não lembro de um longo governo no mundo que tenha sido mais benéfico para o povo do que a alternância de poder.

Pessoal porque Marcelo Teixeira (que já está no sexto mandato!) teve bons momentos na presidência do clube, mas não soube a hora de sair. Como disse Seu Dondinho para Pelé, “a gente deve parar antes que peçam para a gente parar”.

E ético porque votar uma mudança de lei eleitoral em benefício próprio não é decente. Não foi decente com Fernando Henrique Cardoso, não foi decente com José Sarney, e não foi decente com Marcelo Teixeira.

Agora a torcida protesta. Porém, protesta não contra Marcelo Teixeira, e sim contra a derrota de 3 a 2.

Mas onde estavam os torcedores (e conselheiros) que agora protestam na época do golpe da continuidade? Eles se manifestaram, invadiram vestiários? Não. Os que vaiam hoje são os que aplaudiam antes. É uma turma que protesta não por ética, mas pelo sabor dos acontecimentos. São, também eles, uns golpistas.

Enfim, se me perguntarem se sou a favor da saída do presidente (que tem mandato até o fim de 2009), digo que sim. Mas não porque o Santos perdeu um jogo, e sim porque o estatuto foi modificado em benefício próprio, o que acho antiético. E causa derrotas como essa e quedas para a segunda divisão.

Mas, por ora, nada deve acontecer. Nem a pressão da torcida é tão grande assim, nem  há como ele sair espontaneamente. Isso seria assumir uma derrota, e Marcelo Teixeira não fará isso. Tentará fazer o time se manter na primeira divisão, certamente à custa do aumento das dívidas do clube, e, se o time cair, sua bandeira para 2009 será trazer o Santos de volta à primeira divisão.

Os corintianos descobriram os malefícios da continuidade do poder da pior forma possível. Talvez agora seja a vez dos santistas.


Por Torero às 07h38

Toreroteca olímpica

Nesta semana vou misturar os confrontos entre os 4 times da zona de rebaixamento e as Olimpíadas. Dois dos jogos parecem barbadas (Brasil x Nova Zelândia e Brasil x Egito). Vamos aos confrontos:

 

Náutico x Santos. O Santos perderá mais uma, ou será que fora de casa ele conseguirá uma vitória (como contra o Inter)?

 

Ipatinga x Fluminense. O Fluminense sai da crise ou em casa o lanterna Ipatinga se impõe?

 

Brasil x Nova Zelândia. Ronaldinho Gaúcho e cia. ganharão ou fiascarão?

 

Brasil x Egito (vôlei masculino). As brigas de Bernardinho e cia. vão atrapalhar a seleção?

 

Brasil x Hungria (handebol feminino). O time de Deonise terá chance contra a Hungria?

 

Brasil x França (handebol masculino). O time do goleiro Maik, que saiu de um projeto social para a seleção brasileira, vencerá a seleção francesa?

 

Minhas apostas são: empate (ah, o otimismo...), Fluminense, Brasil, Brasil, Hungria e França.  

 

 

 

Por Torero às 07h37

3 x 1

Por estes dias li dois livros e vi dois filmes.

 O primeiro livro foi “O Maníaco do olho verde”, de Dalton Trevisan. Esse cara é sempre bom. Neste livro, e em todos os outros, ele fala de pequenas (e algumas grandes) perfídias humanas. Seu ritmo é invejável, os diálogos são ao mesmo tempo coloquiais e literários, e ele cria um universo próprio, de populares que falam “desgracida”, que parece real. O defeito do livro é que é muito curto, como quase todos de Dalton Trevisan. Custa vinte e oito reais.

 O segundo foi “1968, o que fizemos de nós”, de Zuenir Ventura. O que mais gosto do Zuenir é que ele tem uma escrita macia. Você vai de uma palavra a outra maciamente, como um rio manso. A escrita é escorreita, sem sobressaltos, e isso é um bocado difícil de fazer. É um livro dividido em duas partes. Na primeira ele tenta ver o que sobrou das idéias da geração de 68, compara as duas juventudes, e, na verdade, tenta entender esta. Na segunda metade há entrevistas com ícones de 68, como Fernando Henrique Cardoso, Caetano Veloso e Fernando Gabeira. Às vezes, como no caso de José Dirceu, a entrevista sai do foco 1968, mas é compreensível. A melhor, para mim, foi a de César Benjamim, o Cesinha, um militante da época de quem eu já tinha ouvido falar, mas nunca havia lido uma entrevista. É uma ótima análise do governo Lula. Crítica, ácida, inteligente e sincera, o que é muito raro em críticas políticas.

 O primeiro filme, do qual gostei, foi o “Escafandro e a Borboleta”. Se dependesse da sinopse, seria um saco: “O editor da revista Elle, de quarenta e poucos anos, tem um derrame, fica totalmente paralítico, sobrando-lhe apenas o movimento do olho esquerdo”. Parece o ponto de partida para um melodrama, de um daqueles filmes de melosos sobre deficientes. Mas não é. O filme é delicado, sutil, tem boas sacadas de câmera e humor. Vale a pena.

 E o segundo foi “Batman, o cavaleiro das trevas”. O filme foi indicado por dois dos três leitores deste blog (e muitos críticos o elogiaram), mas desta vez tenho que discordar. Me arrependi de ter saído de casa. Para começo de conversa, o filme se apropria do título da história em quadrinhos de Frank Miller, essa sim, um clássico (se encontrá-la em algum sebo, compre!). Mas as duas histórias não têm nenhuma relação, e isto já não me parece muito honesto. Além do mais, o filme é longo e eu dei uns bons bocejos. Há, claro, o Coringa, bem interpretado e inventado por Heath Ledger (provavelmente baseado noutra história em quadrinhos, a Piada Mortal, também muito boa). O roteiro (do irmão do diretor) é inverossímil e complicado, e o ator principal não tem o carisma necessário para o papel. Enfim, Batman é melhor que Homem de Ferro, mas não acho que chega a ser bom. Talvez a salvação das adaptações de histórias em quadrinhos para cinema seja Watchmen, que será dirigido por Zack Snyder, que fez “300”, um bom filme, com muita imaginação visual e personagens mais densos que os filmes de super-heróis.
 

Por Torero às 07h36

05/08/2008

Teisto da Foia

Para ler o texto de hoje na Folha (um Brasileirão City), assinantes do UOL e da Folha podem clicar aqui, ó.

Por Torero às 07h58

04/08/2008

Pesquisas

Tem pesquisa nova aí do lado esquerdo. A anterior, sobre o Saci como mascote da Copa do Brasil, terminou com 76,69% a favor e 23,21% contra. Lá no site do Juca, ganhou a turma do contra. 

Por Torero às 15h54

Chocolate ou napolitano?

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Multiatlético leitor, poliesportiva leitora, eu vos pergunto: o que é melhor, Copa ou Olimpíada?

Eis aí uma dúvida que me atormenta. E, se quereis uma resposta, não a procureis aqui, que eu mais pergunto que respondo.

Penso que as copas são boas porque têm os melhores jogadores do mundo, porque o futebol é o esporte mais popular do planeta e porque ainda há algum sentimento nacionalista nas pessoas (com a globalização, será que trocaremos o nacionalismo pelo aldeísmo?).

Já as olimpíadas são excelentes porque vemos várias modalidades ao mesmo tempo, porque é concentrada numa única cidade e porque isso nos dá uma confortável idéia de concentração, com todos os esportes num só lugar.

Pode-se dizer que a Copa é como o monoteísmo, onde há um único e soberano senhor: o supremo futebol. Mesmo que tenhamos uma miríade de santos e demônios, de craques e pernas-de-pau, o deus é apenas um.

Já as olimpíadas são como o politeísmo, com sua variedade de deuses, templos e ritos.

As copas são como um longo casamento, onde conhecemos até o detalhe mais ínfimo do cônjuge, sua mania mais secreta, seu tique nervoso, suas pinta escondida atrás da orelha.

As olímpiadas são como haréns, onde às vezes o sultão mal conhece quem se deita ao seu lado, mas há a graça da variedade, dos corpos nunca vistos, dos movimentos diferentes, das surpresas. 

Os dois me divertem, os dois têm sua graça e sabor.

Como jornalista, confesso que é bem melhor trabalhar numa Copa.

Minha experiência não é muito grande, fiz apenas uma olimpíada, a de Sydney, e uma Copa, a da Alemanha, mas foi bem mais divertido trabalhar na Copa.

Numa olimpíada há eventos importantes todos os dias. Não há descanso para nada. E no único dia que você consegue tirar de folga no mês, acaba ficando na própria cidade, sem conhecer mais nada.

Já a Copa, com seus intervalos, dias de treino e jogos de menor importância, permite fazer um jornalismo mais pensado e menos factual. Sem falar que se viaja pelo país-sede, e isso é bem mais divertido do que ficar apenas numa cidade.

Mas não importam os jornalistas, e sim o caro leitor e a caríssima leitora. Por isso, eu vos pergunto: o que é mais saboroso, uma copa ou uma olimpíada?

E, sendo prático, o que devemos fazer com os dois textos semanais deste nosso blog? Ficamos no futebol, desprezando as olimpíadas? Focamos nas olimpíadas, esquecendo por um mês o esporte bretão? Tentamos a saída salomônica, com um texto para cada um ou deixamos os fatos nos levarem, como os ventos carregam uma nau sem leme?

Monoteísmo ou politeísmo? Casamento ou harém? Sorvete de chocolate ou napolitano? Copa ou Olimpíadas?

 

Por Torero às 10h45

03/08/2008

Toreroteca

Os resultados dos jogos da Toreroteca foram os seguintes:

Grêmio 2 x 0 Vitória
Flamengo 1 x 2 Cruzeiro
Ipatinga 1 x 2 Palmeiras
São Paulo 4 x 0 Vasco
Santos 1 x 3 Coritiba
Atlético 2 x 1 Sport

Ninguém acertou desta vez. Quem chegou mais perto, caros varões, foi a leitora Regina, de Santo André, que só errou o jogo Santos x Coritiba. E mesmo assim errou por pouco, pois apostou no empate, e não no time da casa que vinha de duas vitórias.

Na próxima vez, Regina, creia menos ainda no Santos (chuif...).

 

Por Torero às 22h21

Sempre aos domingos - Apenas um pigarro

Sempre aos domingos - Apenas um pigarro

escrito por: Marcio R. castro

 Eis o uniforme do Sport Clube Corinthians Santista

Estádios completamente abandonados, que sequer oferecem banheiros limpos aos torcedores; máfias de ingressos espalhadas por todo o país, sempre com a edificante participação de dirigentes; jogos que começam às 10 horas da noite, condição aceita placidamente pelos donos do produto (que, obviamente, não sabem que são os donos). Ah, sim, jogadores de seis meses. Nossos clubes têm agora heróis semestrais, já que Catar e Ucrânia são logo ali. Sorte que em Sri Lanka preferem críquete...

É claro que tem mais, muito mais. São aspectos como esses que atormentam qualquer um que goste do esporte. São questões maiores, realmente importantes. Porém, não são apenas as grandes causas que trazem insônia.

Hoje eu vou me concentrar no “micro”. Em somente um pequeno aspecto, pouco significante, que ninguém dá a menor pelota. Bem, eu me importo.

Me refiro a regra estabelecida a mais ou menos dez anos que define que as três peças do uniforme (camisa, calção e meias) tenham cores diferentes entre os times que se enfrentam.

Não suporto mais ver o Flamengo de shorts preto, não gosto do Cruzeiro todo de azul e esbravejo ao perceber o Fluminense combinando a camisa tricolor com um calção grená. Uma bobagem, talvez, mas que incomoda. Como um pigarro.

 Santa Cuz, Vitória ou Mengo?

O Santos talvez tenha sido o mais prejudicado com essa situação. Chegou a entrar em campo de camisas brancas e shorts pretos, como o Corinthians! Para que esse inadmissível não ocorresse novamente, usou patéticos calções quadriculados e estrelados, verdadeiras aberrações. Sem ter para onde fugir, há algum tempo o clube adotou a medida mais acertada nessas circunstâncias: quando não pode se apresentar todo de branco, utiliza o segundo uniforme, não tenta “adaptar” o primeiro.
 
Infelizmente, o Corinthians ainda não vislumbrou a solução do alvinegro praiano. E a situação ainda é pior, pois além de jogar diversas vezes todo de branco, parece que vem gostando da idéia. Nas peças publicitárias que lançam o novo modelo de seu uniforme, os jogadores aparecem travestidos de “santistas”. Por quê, São Jorge?!

Palmeiras e Internacional sofrem menos, não ficam tão descaracterizados todos de verde e vermelho quanto o São Paulo de calção preto. Porém, mesmo o Palmeiras sendo o Verdão e o Inter o Colorado, eu prefiro vê-los como a tradição manda, de calção branco.

A questão é supranacional, já que a medida veio de cima, da FIFA. Sinto muito, mas não dá para engolir o Brasil com a camisa canarinho e de calção branco. Na Eurocopa, que acabou a pouco, houve um espetáculo generalizado de desapreço aos uniformes nacionais. A França, por exemplo, jogou seus três jogos inteira de azul.

A medida é desnecessária. Já seria o suficiente se apenas as camisas e meiões fossem de cores diferentes. A camisa por ser a maior peça do uniforme, as meias por ficarem no nível do gramado. Somente no caso de os dois times apresentarem predominantemente as mesmas cores, ou tons muito próximos, se exigiria diferença também no calção.

Alguns exemplos demonstram claramente que a regra é exagerada. Flamengo e Palmeiras, Atlético Paranaense e Vasco, por exemplo. Nos dois confrontos, camisas e meiões se diferenciam totalmente. Alguém acha que os calções atrapalhariam alguma coisa? Ou Cruzeiro e São Paulo: o shorts branco não é problema, desde que as meias não tenham a mesma cor.

Os fardamentos de clubes e seleções são sagrados em suas tradições, em sua história, naquilo que representam para milhões de pessoas. Não são apenas combinações de cores.

Essa pequena questão, dos uniformes, é apenas uma entre tantas que me dão a impressão de que os homens que decidem os assuntos do esporte se distanciam cada vez mais de suas origens. Na garganta deles, nunca surgem pigarros.

Por Torero às 01h36

02/08/2008

Toreroteca

E vamos à nossa Toreroteca, agora de volta à Série A, numa rodada que promete uma reviravolta na liderança.

Os dois primeiros jogos envolvem simplesmente os quatro primeiros colocados: Grêmio x VitóriaFlamengo x Cruzeiro. Dois jogaços. Infelizmente, no mesmo horário. Aposto nos times da casa.

O terceiro jogo é entre o lanterna e o quinto colocado: Ipatinga x Palmeiras. Obedecendo a fria e frígida lógica, aposto no Palmeiras. Mas lembro que o Palestra tem falhado em alguns jogos fora de casa e o time mineiro consegue complicar no Ipatingão, tanto que no sábado passado venceu o Inter.

O quarto jogo é entre São Paulo, o sexto colocado, e Vasco. Mas qual Vasco irá jogar? O que perdeu de cinco ou o que ganhou de seis? Voto em vitória do São Paulo.

O quinto jogo, que verei no estádio, será entre Santos e Coritiba. Joguei uma partida contra meu sobrinho Leocádio no Winning Eleven para ver como seria o jogo. O Santos (eu) começou vencendo por dois a zero, mas perdeu por três a dois. Como não acredito nos poderes divinatórios do WE, voto no Santos.

E a derradeira partida será Atlético-MG x Sport, um time em crise, com chance de acordar segunda-feira na zona de rebaixamento, e um mais tranquilo, que está bem na tabela e de bem com a torcida. Vou de empate.

Façam suas apostas!

Por Torero às 09h00

01/08/2008

O Saci dá pé!

(Como o Juca provocou, coloco aqui meu texto em apoio ao Saci)

Faltam só seis anos para a Copa no Brasil. É preciso melhorar a infra-estrutura de transportes, ampliar a rede hoteleira, reformar estádios e o escambau... Mas o mais importante, o fundamental, a condição sine qua non para que a Copa seja um sucesso é uma só: escolher um bom mascote.

Geralmente os mascotes de eventos esportivos são uns tipos bobos, no estilo fofinho-sem graça. Creio que o único que é lembrado até hoje é o Misha, dos Jogos Olímpicos de Moscou, que derramou uma lágrima na cerimônia de encerramento e gerou um “ohhhh....” mundial.

Mas é uma exceção. Alguém lembra do Footix, da França, do Gauchito, da Argentina, ou dos três Spheriks, da Copa de 2002? Eu não lembrava. E só escrevi seus nomes graças a São Google.

Mas em 2014 temos a chance de fazer algo diferente, algo que simbolize o Brasil e fique marcado na memória dos torcedores de todo o mundo, algo que venha da cultura popular e traduza o que é este país.

Pois bem, pernicurto leitor e pernuda leitora, antes que marqueteiros venham com Pelezicos, Bolitos e Brazukas, proponho eu um mascote: o Saci!

Ele é a síntese da formação do povo brasileiro. Nasceu com os índios das missões jesuíticas (então com duas pernas), depois foi adotado pelos negros e perdeu uma delas (há várias versões para isso, mas a que mais gosto é a que diz que ele estava preso por grilhões e preferiu ser um perneta livre a um escravo com duas pernas) e, por fim, dos imigrantes europeus ganhou um gorro vermelho que nem o do papai Noel.

Só não há orientais em sua gênese, pois eles chegaram tarde ao Brasil, já no século vinte. Porém, há relatos que um tal de Sacimi ronda o bairro da Liberdade.

Além de representar a mescla brasileira, ele também reflete um tanto de nossa alma: é pelado e brincalhão. E seria sensacional que um mascote de uma Copa do Mundo fosse negro e com uma perna só.

Outra vantagem é que o Saci já tem tradição na luta contra inimigos estrangeiros. Tanto que seu dia é o 31 de outubro, mesma data do Halloween, uma mania estranhíssima que está entrando em nossas escolas.

Os gremistas são os únicos que podem torcer o nariz, já que o Saci é associado ao Internacional (e também, façamos justiça, ao Social Futebol Clube, em Coronel Fabriciano-MG), mas, como o mito nasceu no Sul, pode ser que os tricolores perdoem esta falha.

O Saci ficou esquecido por um bom tempo, mas no começo do século passado foi revitalizado por Monteiro Lobato, nosso maior escritor para crianças, e hoje tem até uma ONC dedicada a ele (não é ONG, é ONC mesmo, de Organização Não-Capitalista), a Sociedade de Observadores de Saci, conhecida como Sosaci. 

A idéia é brilhante e, assim sendo, obviamente não é minha. Ela me foi passada pelo jornalista Mouzar Benedito (com quem revezo a última página da revista do Brasil), mas desde o primeiro momento abracei-a como se fosse minha (azar do Mouzar).

Unamo-nos nesta nobre cruzada.

Abaixo os mascotes fofinhos!

Viva o Saci!

O Saci dá pé!

Por Torero às 11h36

Com certeza não há mais certezas

 x        

Ou: O duelo entre Renato Gaúcho e John Kenneth Galbraith

 

Um dos bordões mais comuns no futebol brasileiro é o “com certeza”.

Depois da pergunta do repórter, que pode ser algo como “Vocês vão tentar virar o jogo no segundo tempo”, o boleiro sempre começa com um “com certeza”, e, no caso, continua com um “a gente vai tentar aumentar o nosso volume de jogo, atacar pelas laterais e fazer os gols para chegar à vitória”.

Mas o “com certeza” não combina com esse Brasileiro.

Por exemplo, depois de o Palmeiras vencer o Paulista, e por ser comandado por Luxemburgo, que se sai bem em campeonatos por pontos corridos, era certeza de que o time estaria nas primeiras colocações da tabela. Mas hoje, mesmo tendo vencido o Flamengo, está fora do G-4.

Falando em Flamengo, seis rodadas atrás havia a certeza, pelo menos de alguns de seus torcedores, de que o time navegaria mansamente até a taça. Mas o Flamengo não ganha há cinco jogos e caiu para a quarta posição.

O Internacional parecia ter um grande elenco que o conduziria facilmente às primeiras posições. Mas está no meio da tabela, em décimo lugar.

O Grêmio, sem estrelas e com um treinador tido como retranqueiro, com certeza lutaria por posições intermediárias. Mas é o líder.

Muitos tinha a certeza de que o bom começo do Vitória era apenas fogo de palha. Mas ele está em terceiro lugar depois de 16 jogos.

O São Paulo, no começo do campeonato, parecia estar fora da disputa e mais uma vez falou-se em trocar de treinador. Mas Muricy continua firme e o time já é um dos favoritos.

O Santos chegou a estar na última posição e com certeza iria cair, mas, depois de duas vitórias seguidas, já há torcedores com esperanças de Libertadores.

O Vasco, que estava sem vencer há cinco rodadas, era outro sério candidato ao rebaixamento. Mas ontem goleou o Atlético-MG por 6 a 1 e afastou esta certeza.   

O Figueirense tem a pior defesa do campeonato e leva umas goleadas que dão a certeza de que o time irá para as últimas posições. Mas hoje ele estaria classificado para a Sul-Americana.

Depois de perder a Libertadores, havia a crença de que o Fluminense rapidamente se recuperaria no Brasileiro. Aliás, Renato Gaúcho tinha tanta certeza disso que falou: “O Fluminense vai brincar nesse campeonato”. Mas anteontem o clube perdeu para a Portuguesa por 3 a 1 e está na vice-lanterna. Não há mais tempo para brincadeira.

Como diria John Kenneth Galbraith, que não sei ao certo se era economista ou técnico do Liverpool, vivemos a era da incerteza.

 

PS: Com o fim do Repórter de 2a. na 3a., volto a escrever aqui às segundas e sextas, ou a qualquer momento em edição especial. 

Por Torero às 08h42

Sobre o autor

Formado em Letras e Jornalismo e quase formado em Cinema, é autor de treze livros (como "O Chalaça"), escreveu roteiros para cinema (como "Pequeno Dicionário Amoroso") e para tevê ("Retrato Falado").

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