Blog do Torero

30/11/2007

Convite

Meu sobrinho Lelê vai lançar amanhã o seu primeiro livro.

Será às 19h00. Segundo ele, o endereço é o seguinte: "Livraria Realejo, que fica no Shopping Miraramar, que fica na rua Euclides da Cunha, 21, que fica no Gonzaga, que fica em Santos, que fica no estado de São Paulo, que fica no Brasil, que fica no planeta Terra, que fica no sistema solar, que fica na Via Láctea". Ele diz que, dando o endereço assim, bem completo, ninguém se perde.

Eu e Marcus Aurelius Pimenta também estaremos lançando um romancinho histórico chamado "Nonô descobre o espelho", para a turma que está ali entre os 12 e 120 anos.

 

Por Torero às 06h56

29/11/2007

Voltei!

Meus caros leitores, todos os três, venho dizer-vos com alegria e satisfação que voltei. Sim, voltei a escrever regularmente neste blog. Ou melhor, voltarei oficialmente na segunda-feira. E agora serão três vezes por semana: segundas, quartas e sextas.

Talvez alguém lembre que saí para acabar de escrever um romance. Não, não o acabei, mas ele andou um bocado, o que me libera para outros prazeres.

E, falando em romances, vou escrever um romance aqui no blog. Um romance detetivesco-ludopédico. Depois dou mais detalhes.

Por Torero às 19h16

O penúltimo capítulo foi triste, mas...

O melhor lance de Corinthians 0 x 1 Vasco foi quando, depois de fazer um silêncio de velório depois do gol vascaíno, a torcida voltou a cantar. E com toda a força.

Os caras estavam perdendo o jogo, estavam caindo para o grupo dos rebaixáveis, mas voltaram a cantar. É como se, sem ter outra opção, outra saída, os corintianos só pudessem ir em frente, como um manco que, sem poder andar, dança.

Quanto ao jogo, o Vasco foi, como diziam os cronistas de antanho, "mais consciente". Atacou menos mas atacou melhor.

Já o Corinthians não jogou mal. É verdade que não esteve nada brilhante, mas foi aguerrido e armou boas jogadas (se dentinho chutasse um pouco melhor...).

Com os jogadores que tem, jovens e inexperientes, o Corinthians fez o possível. É uma boa equipe para daqui a um ano (se não tiver que vender todo mundo para pagar as dívidas da era MSI/Dualib).

A situação é crítica, mas a sorte do Corinthians é que o Goiás vem pedindo para cair há um bom tempo, e o Paraná terá que jogar em São Januário contra este mesmo Vasco. Aquela frase de Sartre, "o inferno são os outros", não vale para o Corinthians. Para o Corinthians, os outros são o paraíso, a esperança.

Enfim, o penúltimo capítulo foi triste. Mas o que vale é o último.

Por Torero às 00h08

27/11/2007

Tropa de Elite, o sermão do morro

Comecemos pelos elogios: “Tropa de elite”, dirigido por José Padilha, é um filme bem montado, com um ótimo roteiro, boa fotografia e um elenco talentoso e equilibrado.

Em resumo: é uma obra cinematográfica de qualidades técnicas inegáveis.

Apenas por seus méritos ele teria sido capaz de alcançar notável sucesso e bilheteria, mas quis o destino que fosse abençoado pelos deuses da publicidade gratuita em pelo menos dois aspectos: primeiro por causa da circulação através da pirataria e segundo por se tornar o centro de um debate: de um lado ficam os que alegam que ele apenas mostra a realidade, de outro, os que o acusam de ser fascista.

Eu fico com a segunda turma. E explicarei o porquê.

Antes esclareço que a palavra fascista já não é o que era. Hoje em dia ela não indica apenas “aquele que é partidário do fascismo”. Ela virou uma palavra guarda-chuva, daquelas que possuem um monte de significados relativamente próximos (ou nem tanto). Por exemplo:

- alguém ou uma atitude que apóia uma situação antidemocrática;

- qualquer ditadura militar;

- pessoa que apóia o racismo e/ou o anti-semitismo;

- os regimes de extrema-direita, mesmo que democráticos;

- qualquer repressão por meio de violência extrema.

- e aquele que acredita na força bruta como mantenedora da paz social.

Nestas duas últimas acepções é que acho que o filme pode ser chamado de fascista.

Agora sim, vamos ao porquê.

Assim que “Tropa de elite” começa, temos a definição do seu foco narrativo: quem nos conta a história é um oficial graduado do Batalhão de Operações Especiais (Bope), o capitão Nascimento. Conheceremos a trama, os personagens, e interpretaremos os fatos a partir de sua visão de mundo.

E sua visão de mundo não deixa margem a dúvidas: o tráfico de drogas corrompe instituições e destrói vidas. É preciso derrotá-lo, mas quem o fará? A polícia venal que se beneficia de propinas? Movimentos civis especializados em passeatas? Não. Para vencer essa luta, a sociedade só conta com uma opção razoável: antepor ao tráfico um adversário tão feroz quanto ele. Este adversário existe: ele é o Bope.

Não é uma premissa ruim, e creio que poderia até resultar em algo interessante. Para isso bastaria contrapor diferentes argumentos à concepção do capitão Nascimento, mostrando, em justa medida, o alcance e a profundidade de cada um.

Mas não é bem isso o que acontece.

Da rápida exposição do problema, “Tropa de elite” passa para a fase de comprovação da idéia inicial. E, como geralmente acontece aos filmes que querem provar uma tese, ele tende a ser simplificador ao retratar os que discordam de sua leitura da realidade: os oficiais da Polícia Militar são repugnantes de tão corruptos (e não há exceção); os militantes de organizações pacifistas são crédulos, coniventes, ingênuos e dominados por aqueles que combatem; e os estudantes universitários não passam de um bando de patetas cujo único objetivo na vida é fumar maconha (sim, muitos são mesmo, mas no filme não há uma exceção sequer, o que fica bem claro na cena em que Matias enfrenta toda uma classe e até o próprio professor).

Será o confronto militar o único caminho para acabar com a ação danosa do tráfico? Não há mesmo nenhuma opção digna de crédito no plano institucional? Não há nada que se lhe possa contrapor no nível da guerra das mentalidades? Será que a possibilidade da legalização não mereceria ao menos ser aventada?

Teremos que ver outro filme para refletir sobre estas questões, pois não há voz dissonante em “Tropa de elite”. Não há um confronto de idéias sobre como lidar com a questão das drogas ou sobre o emprego da violência, porque estamos sendo guiados pela voz do capitão Nascimento, e ele não se cansa de repetir, como um autêntico pregador, que só encontraremos a salvação no dia em que os espartanos do Bope tiverem recursos e poder para impor a ordem.

Não sou nenhum idealista empedernido e sei que há momentos em que a violência é a única forma de enfrentar o crime. Esse foi, aliás, um dos méritos do filme: traduzir o desconforto e a irritação do público perante instituições que, no mais das vezes, se mostram mesmo ineficientes para combater a violência e o tráfico de drogas. O que me incomodou foi o modo como a suposta solução foi apresentada.

Mostrar a opinião contrária de forma servil e caricata não me parece o melhor caminho para defender um argumento. Muitos movimentos políticos associados à opressão (como o fascismo) nasceram ao disseminar explicações reducionistas e ridicularizar seus opositores. E filmes assim nós sabemos como terminam.

Isso explica porque, apesar de ter admirado “Tropa de elite” e ter passado uma boa hora e meia assistindo-o, coloco-me do lado dos que afirmam que ele é tudo, menos inofensivo. É porque, apesar de às vezes ter a aparência de um debate, ele é na verdade um sermão.

 


PS: Para aqueles que dizem que o filme “mostra as coisas como realmente são”, lembro que não há nenhum corrupto no Bope, que as torturas jamais são aplicadas em inocentes (e são sempre justificadas) e que ninguém morre por uma bala perdida.
 

 

Por Torero às 18h01

25/11/2007

Mutum, um filme para ouvir

 (Thiago Mariz, ator principal de "Mutum")

O filme “Mutum”, dirigido por Sandra Kogut, tem um dos melhores diretores de fotografia da nova geração: Mauro Pinheiro Jr. Ele começou em curtas-metragens da UFF (Universidade Federal Fluminense) nos anos 90, e desde aqueles tempos já se mostrava talentoso. E também se saiu muito bem em “Mutum”.

Mesmo assim, é um filme que se poderia ver de olhos fechados. Não porque seja daqueles filmes que tem diálogos brilhantes e/ou engraçados, mas porque a edição de som do filme é brilhante. E isso é uma coisa muito rara de se dizer. Geralmente a edição de som é algo assim como um zagueiro central ou um volante: se trabalhar bem, ninguém percebe. Se falhar, todo mundo xinga.

Em “Mutum”, ao invés de fazer uma edição de som comum, com o som ambiente enchendo toda a cena, o que temos é um destaque para os pequenos sons: os passos, o cacarejar das galinhas, as pipocas caindo na panela.

Acho que há duas explicações para esta rara opção:

A primeira é que o filme (inspirado na novela “Miguilim”, de Guimarães Rosa) tem como personagem principal um menino com problemas de visão. Assim, como ele pouco enxerga, valorizando o som temos uma aproximação do mundo do personagem, um mundo onde o som teria mais importância do que o normal.

Outra possível explicação é que, com a valorização do som das coisas próximas ao personagem principal, temos um filme mais intimista, mais apertado, mais fechado. Não é um filme épico sobre a vida campestre. É um filme sobre um menino que mora numa pequena casa em Mutum.

Mas, além do som, há outras boas razões para ver o filme. A fotografia de Mauro Pinheiro é boa, o menino Thiago, que interpreta o personagem principal, é bom desde o primeiro plano, e o conjunto de atores, quase todos pouco conhecidos, é boa. Neste sentido, até me incomodou a presença de João Miguel, ator que ultimamente tem feito muitos trabalhos em tevê e cinema e que por isso já é conhecido do espectador. É claro que sua atuação não é ruim, mas o fato de ser uma cara conhecida gera um contraste desagradável com os outros atores, muito menos vistos do que ele.

Outra questão é que o filme é um pouco lento.

E há ainda a cruel comparação com a obra de Guimarães Rosa. Lembro que chorei ao ler o fim da novela, mas isso não aconteceu no filme.

De qualquer forma, vale a pena ver, e ouvir, Mutum.

 

Por Torero às 20h18

19/11/2007

"Marcelo Eterno"

Depois do glorioso movimento "Fica, Dualib", estou lançando outro libelo, o não menos vital: "Marcelo Eterno".

Sim, é isto mesmo que vocês estão pensando, meus caros três leitores. O movimento "Marcelo Eterno" visa entronar para sempre o presidente do Santos F.C.

Para que a hipocrisia da eleição? É só desperdício de papel num momento de tanta preocupação ecológica.

Vamos logo estabelecer que o clube não é uma democracia, mas uma ditadura. Ou, se preferirem uma palavra mais amena, uma monarquia.

O projeto "Marcelo Eterno" já está em andamento há muito tempo. Para começar, Marcelo Teixeira mudou os estatutos do clube para permitir a reeleição por tempo indefinido, exatamente com Chaves na Venezuela.

E mais: mudou as regras da eleição para que os conselheiros sejam 100% da chapa vencedora. Ou seja, mesmo que a oposição tenha 40% dos votos, não terá direito a nenhum conselheiro. Na prática, isso significa que acabou a oposição interna, coisa que nem a ditadura militar teve a coragem de fazer.

E não paramos por aí. A idéia agora é que possam concorrer apenas quem já tenha sido suas vezes conselheiro. E, como pelas novas regras os conselheiros são sempre da situação, está pronto o processo de eternização no poder. 

Meus amigos, conclamo-vos a acabar com este conceito ultrapassado de democracia, coisa de gregos de três mil anos atrás. Não percamos tempo com estas bobagens chamadas eleições.

Chega de disputas!

Marcelo Eterno!

Por Torero às 17h05

12/11/2007

Convite

 Dia 14/11, 19h30, Av. Paulista 119.

 PS: Como diria meu sobrinho Lelê, "a foto aí em cima é o maior velha!"

Por Torero às 06h56

11/11/2007

O personagem da rodada

Houve dois fortes candidatos a personagem desta rodada do Brasileiro.

O candidato derrotado foi a torcida do Flamengo, que lotou o Maracanã e empurrou seu time, vibrando o tempo todo.

Eles foram sensacionais, mas Felipe, o goleiro do Corinthians, foi ainda melhor. E não só pelo pênalti, mas pelo jogo. E não só pelo jogo, mas pelo campeonato.

Felipe, gritando, saltando e espalmando, é o principal goleiro do campeonato. Rogério Ceni levou menos gols e fez um ótimo campeonato, mas foi menos necessário que Felipe. Este, por várias vezes, foi a última esperança de sua torcida. E na maioria das vezes não decepcionou.

Hoje, antes do pênalti, a televisão mostrou um torcedor corintiano repetindo sem parar: "O Felipe vai catar, o Felipe vai catar...", como se fosse uma oração. Parecia o desejo patético de um torcedor enlouquecido. Na verdade era o vaticínio de um profeta.

Felipe não foi enganado pela paradinha de Paulo Baier. Ele esperou o momento certo e esticou-se todo, salvando o que poderia ser o golpe fatal em seu time. Ele evitou um golpe que poderia decretar a derrota e, no fim das contas, o rebaixamento do Corinthians.

Finazzi marcou alguns que mantiveram a chama dos corintianos acesa. É como se, no momento mais necessário, ele tivesse realizado o milagre da multiplicação dos gols. Mas Felipe fez mais que isso. Ele ressuscitou Lázaro. Ou, no caso, o Corinthians. No jogo de hoje, quando o juiz apitou o pênalti, muitos já jogavam a pá de cal no cadáver alvinegro. Mas, graças a Felipe, o Corinthians arrebentou o caixão, levantou-se e sacudiu a terra que estava sobre seu corpo.

Pelo milagre de hoje, e pelos anteriores, Felipe é o personagem da rodada.

Por Torero às 19h15

10/11/2007

Três dicas

Três bons filmes para ver neste final de semana:

1-) "Via Láctea", de Lina Chamie, com Alice Braga e Marco Ricca (o melhor trabalho de Marco Ricca no cinema);

2-) O excelente "Jogo de Cena", na minha opinião, o melhor filme de Eduardo Coutinho;

3-) E "O Passado", de Hector Babenco. Acho que as mulheres não vão gostar da visão do filme sobre elas , mas nós, homens, vamos gostar um bocado (mulheres têm muita autocrítica estética, mas, psicológica, nem tanto).

Por Torero às 11h21

09/11/2007

Etimologias

Uma das coisas mais divertidas que existem é descobrir a origem das palavras. Está bem, sexo é melhor, e também cinema, literatura e bala de alcaçuz. Mas a etimologia fica, vá lá, entre as mil coisas mais divertidas. Descobrir o sentido original de uma palavra é como ver sua tia de sutiã – você nunca mais vai olhar para ela do mesmo jeito.

No futebol há várias palavras que ninguém nunca se pergunta de onde vieram. Por que, por exemplo, o goleiro é chamado de arqueiro? Não, não é porque Robin Hood gostava de pegar no gol. É porque os primeiros jogos nas universidades inglesas usavam as arcadas como traves. Logo, quem ficava entre elas era o arqueiro.

E de onde vem a palavra drible? Eis aí uma dúvida que causa polêmica no mundo acadêmico. O etimologista Maurício Arruda explicou-me que a palavra tem origem africana e vem, mais especificamente, do adjetivo dibo, que significa “dançarino”.

Por outro lado, a latinista Isabel Cabral garante que a palavra é uma alteração do verbo deribare, que significa “andar feito bêbado”. Provavelmente a comparação vem do fato de que os bêbados, como os dribladores, nunca nos deixam saber para que lado será seu próximo passo.

Já gol viria de God, termo anglo-saxônio para “Deus”. No começo, as pessoas falariam thank you, God a cada tento marcado. Depois, passaram a falar apenas God, e este foi se metamorfoseando até chegar ao atual gol.

Já o verbo marcar teria sido usado pela primeira vez em 1917 pelo lendário zagueiro ponte-pretano Sovaco de Cobra. Depois de levar um drible por baixo das pernas, ele teria dito: “Vou marcar aquele ponta desgraçado!” Na jogada seguinte, Sovaco usou o verbo no sentido original, ou seja, deixou os sulcos de sua chuteira impressos na testa do atacante. Depois desse dia o verbo assumiu o sentido de “jogar próximo ao adversário, não deixando que ele evolua livremente”.

E, quanto a pênalti, surgiu em 1921 por causa de dois jogadores do Oldcastle: P. Sterne e T. Elliot. P. Sterne era o cobrador oficial de faltas, mas vinha errando seguidamente. Então, certo dia, quando o juiz marcou uma penalidade máxima a favor do Oldcastle, a torcida gritou “P. no, T.!, P. no, T.!” Desde esse dia a penalidade máxima começou a ser chamada de “pinolti”, aportuguesando-se depois para pênalti.

Há também a palavra firula, usada para indicar uma jogada desnecessária. Como sabem os que entendem um mínimo de costura, firula é um ponto de bordado muito difícil de fazer, porém sem nenhuma função estrutural no conjunto do bordado. Como essa palavra migrou da costura ao futebol é que é um mistério.

Já escanteio tem uma história interessante: nos primórdios do futebol, na Universidade de Oxford, o córner era marcado por um pequeno canteiro de flores. Quando o canteiro foi substituído pelas atuais bandeiras, esta área ficou conhecida como o local do ex-canteiro e, com o tempo, a expressão derivou para escanteio.

E por fim há catimba, vocábulo utilizado quando um jogador usa de expedientes desonestos para gastar o tempo e segurar o placar. Pode também ser usada no sentido de “faltar com a verdade”, que é o que fiz no texto de hoje.

(Do livro "Os cabeças-de-bagre também merecem o paraíso").

Por Torero às 05h29

03/11/2007

Quando se pensava que a velha caixinha de surpresas estava vazia...

Por Rodrigo Resende

Existe um velho clichê que diz que o “Futebol é uma caixinha de surpresas”. Bem, o esporte bretão está sempre comprovando esta afirmação.
 
Acompanho a segunda divisão do campeonato Mineiro e para tanto, desde 2006, elaborei um Blog (www.segundamg.blogspot.com).
 
A competição guarda fatos bastante curiosos, como é de se prever no futebol alternativo, disputado no Interior de Minas Gerais. Mas na edição de 2007 da segundona um fato não pode passar em branco.
 
Era o jogo entre Araxá e Betim. Todos prontos para o jogo, a bola vai rolar, certo ? Errado !!! Nada da equipe do Betim. Até aí nada tão anormal. Infelizmente várias equipes desistem destas competições por não apresentarem o mínimo de estrutura e não contar com apoio integral dos órgãos administradores do futebol.
 
Mas voltemos ao caso.
 
Eis que surgem os jogadores do Betim para o jogo. “Menos mal”, pensa o torcedor. Mas o mesmo torcedor, mais atento, observa que a equipe não tem os onze jogadores, tem apenas sete. O jogo já seria folclórico.
 
Mas o impressionante ainda estaria por vir. Como o regulamento da Segunda Divisão Mineira permite um certo número de jogadores amadores, sem registro de profissional, o Betim entrou em campo com sete jogadores, sendo que entre eles havia o próprio presidente do clube. Temos aí outro clichê do futebol aplicado. “Pênalti é tão importante que o presidente do clube deveria bater”. No caso do nosso jogo de Araxá, uma penalidade daria a dimensão exata desta frase.
 
Ufa ... agora sim, resolvidas as pendências vamos ao jogo ... certo ? Errado de novo. Todo mundo sabe que para que aconteça um bom jogo de futebol os jogadores devem estar devidamente equipados e no caso do Betim ... bem ... o Betim, dos sete jogadores e do presidente-jogador estava com boa parte do time sem caneleiras ...
 
Depois dessa, o árbitro dá o apito inicial (ou seria final) e determina que não aconteceria o jogo.
 
O Betim, por essa e por outras, foi eliminado do campeonato Mineiro da segunda divisão.
 
Abaixo está o link de um vídeo feito pelo pessoal do Araxá que mostra todos os fatos acima narrados. E quem vai duvidar que o “Futebol é uma caixinha de Surpresas” ?
 
http://www.youtube.com/watch?v=SEYja_IH9G8
 
Rodrigo Resende
rcaresende@yahoo.com.br
www.segundamg.blogspot.com

 

Por Torero às 07h18

01/11/2007

Textinho de Ralouim

(Como por estes dias tivemos o tal de Ralouim, coloco aqui um texto que tem algo a ver com isso, publicado originalmente no livro "Os cabeças-de-bagre também merecem o paraíso")

O novo Frankenstein

Era lua cheia. Os cães uivavam. Chovia torrencialmente e relâmpagos iluminavam o negrume da noite com tons azulados. Longe do centro da cidade, no seu úmido laboratório em São Miguel Paulista, o doutor Franklin Steinberg, Frank Stein para os íntimos, dava loucas gargalhadas e chegava ao fim de sua ousada experiência.

A idéia havia nascido anos antes, quando ele era médico da CBF e encarregado dos exames antidoping. Desde então o doutor Stein vinha guardando frascos e mais frascos de urina no freezer de sua casa, com o objetivo de conseguir reproduzir o DNA retirado da uréia dos jogadores. Seu plano era injetar o ácido desoxirribonucléico nas diferentes partes do corpo de um defunto para que este, depois de trazido de volta à vida, se tornasse o mais perfeito atacante de todos os tempos.

Naquela noite tudo se concluiria. Ele já sonhava com a fama, os gols, as vitórias e, principalmente, com os 20% que ganharia como empresário do superatleta.

Nos olhos do morto colocou o DNA de Pelé, para que tivesse visão aguçada e sempre atenta ao menor descuido dos zagueiros.

Nos braços deu uma injeção com a urina de Serginho Chulapa, para que eles ficassem grandes, longos e fortes, ideais para afastar os beques e abrir espaços na área.

Para os pulmões usou a coleta de Cafu, e no calcanhar inoculou a de Sócrates. Para a perna direita recorreu às águas de Nelinho e, para a esquerda, às de Rivelino. O atacante ideal dispararia chutes venenosos com as duas pernas.

Faltava, para arrematar a obra-prima, a escolha da matriz para o cérebro. Depois de muito ponderar, o cientista acabou optando pelo material de Zico, que ele considerava ter um misto de genialidade, senso profissional e inteligência tática. Antes de injetá-lo, porém, Frank foi ao banheiro, pois mexer naqueles vidros sempre estimulava sua bexiga.

Lá fora a chuva não parava. Como a prefeitura não tinha feito a limpeza de bueiros do seu bairro, aconteceu que a água subiu rapidamente.

Ao voltar, Frank Stein viu seus tubos de ensaio boiando. Só um, escondido numa prateleira mais alta, escapara. Antes que o laboratório ficasse alagado, o doutor injetou a substância do último frasco no cérebro do cadáver e ligou sua máquina ressuscitadora. Raios iluminaram o porão.

Então fez-se o milagre da vida e o monstro se levantou. Mas, em vez de mostrar-se agradecido ao seu criador, saiu correndo pela porta.

Frank Stein tentou encontrar seu pupilo por várias semanas, até que achou-o numa delegacia. Estava preso por ter atropelado vinte pessoas, saído sem pagar de dez restaurantes e agredido vários policiais com pontapés e tapas. Só então o cientista se lembrou de verificar de qual frasco tirara o material para injetar no cérebro de sua criação.

Era o frasco de Edmundo.

Por Torero às 21h00

Sobre o autor

Formado em Letras e Jornalismo e quase formado em Cinema, é autor de treze livros (como "O Chalaça"), escreveu roteiros para cinema (como "Pequeno Dicionário Amoroso") e para tevê ("Retrato Falado").

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