Blog do Torero

30/10/2007

Tropa de Elite

Por Ney Wagner Gonçalves Ribeiro Filho

Interessante ver um filme, que deveria ser tratado como uma crítica a todos os setores da sociedade, sendo freqüentemente visto como um salvo-conduto à violência institucional e desmedida.

Saí do cinema com a nítida impressão de não ter entendido sua mensagem. Antes de assisti-lo, li diversas resenhas, artigos e opiniões, todas praticamente no mesmo sentido: Tropa de Elite ou era uma apologia à violência, ou era a prova de que os meios truculentos de que as polícias lançam mão no combate à criminalidade são mesmo necessários.

Vista apenas sob ângulos morais distintos, ambas as posições significam rigorosamente a mesma coisa: o Capitão Nascimento, personagem principal da história, seria o estereótipo defendido na película.

Não o vejo, aliás, não consigo vê-lo deste modo.

O Capitão Nascimento não é a panacéia que se alardeia aos quatro cantos do Brasil, e nem o filme retrata isto. A personagem é apenas mais um produto desvirtuado do Sistema, assim como os irascíveis traficantes, os corruptos policiais, os alienados filhos da elite e todos os setores da sociedade atingidos pelo caos que se instalou.

Bom que se diga que há, sim, partes do filme que tentam justificar as ações de Nascimento, como há cenas que justificam, à luz da realidade, também as condutas dos outros atores sociais criticados.

O traficante só é traficante porque não deve ter tido outra escolha; os policiais só são corruptos porque o sistema no qual se inserem protege os corruptos e prejudica os honestos; o policial honesto só é truculento porque só assim conseguiria vencer o arsenal ilimitado de armas de que o tráfico dispõe.

Vejo o filme criticar e, ao mesmo tempo, justificar os criticados, renunciando à vocação maniqueísta que os filmes de ação geralmente possuem.

E é assim, no meu entender, que  a personagem de Wagner Moura deve ser interpretada. Apesar de todo o sofrimento que impõe, é um bom pai de família, uma pessoa com problemas e que, ao mesmo tempo, procura estar mais presente em sua vida conjugal. É, portanto, um cidadão comum.

Todavia, a violência atingiu um grau tão alarmante que fez com que policiais, que deveriam proteger a sociedade, a torturasse em busca de delinqüentes.

Não é demais lembrar: o BOPE, tal qual retratado no filme, tortura e mata. E homicídio e tortura são crimes tanto quanto tráfico de drogas, corrupção e formação de quadrilha. Pior: não tortura apenas culpados. Torturou a personagem Rose, que não tinha cometido crime algum. Torturou crianças, espalhou o pânico entre inocentes. Isso sem falar daqueles que realmente eram culpados e deveriam, pela Lei, ser presos – e não flagelados ou mortos por verdugos comissionados pelo Estado.

Acho que no filme há dois heróis: o Renan, do BOPE, e o Tenente-Coronel Estevão, da polícia convencional. Honestos e não-adeptos à tortura, estes sim deveriam ser glorificados.

Mas talvez o filme não tenha dado muita bola para eles. Ou talvez um Rambo brasileiro, com voz rouca e personalidade forte, seja charmoso demais para ser trocado por um Oficial PM calvo ou por um Oficial do BOPE com conjuntivite. Pensando melhor, acho que o Capitão Nascimento está mais para Hannibal Lecter do que para Rambo. O Rambo não era tão glamouroso assim.

Não vejo, portanto, o filme como uma produção fascista. Nem o vejo como uma catarse de uma sociedade violenta. Vejo-o como uma produção que busca retratar toda a complexidade de atores sociais, a partir de seus estereótipos mais caricatos.

Entrando, enfim, na interminável discussão sobre se a pobreza justifica a delinqüência, tenho de admitir que eu tenho “consciência social”. Mas não a consciência social hipócrita daqueles que usufruem do narcotráfico e, ao mesmo tempo, mobilizam-se para salvar as crianças das favelas. Nem aquela consciência social distorcida de quem acha que roubo e furto são formas efetivas de distribuição de riquezas.

O que penso, o que vejo, o que me parece óbvio, é que pessoas nascidas na prosperidade – como eu – não podem condenar moralmente um bandido que nasceu na pobreza.

A razão é simples: o nascido rico, ainda que honesto, não pode afirmar, com toda a convicção possível, que ele mesmo, se pobre tivesse nascido, teria fortaleza moral para resistir às tentações da criminalidade.

Aliás, vejo muitas vezes pessoas ricas e de classe média, que tanto vangloriam o caráter e tanto punem moralmente os criminosos, desobedecendo premeditada e sistematicamente as leis de trânsito. Depois de multadas, vão à imprensa reclamar da “indústria de multas” que teria se erguido na cidade.

E quando é no seu próprio bolso que o Capitão Nascimento se instala, ele deixa de ser herói e passa a ser o pior dos vilões.

É verdade que infrações de trânsito e crimes possuem graus de nocividade diferentes. No entanto, os defensores da moral, se realmente o fossem, abominariam tanto um quanto outro, indistintamente.

Não vislumbro, assim, autoridade moral para a classe média condenar moralmente o bandido que nasceu na miséria e nela vive, até porque ela também tem telhado de vidro.

Logicamente, eu nunca roubei, nunca matei, nunca corrompi, nunca fui corrompido, nunca comercializei drogas. Mas a minha condição nunca exigiu que eu delinqüisse. Se eu fosse pobre, nascido numa comunidade onde o Estado não entra e onde o benemérito local é o traficante-maior, será que resistiria e me manteria na honestidade?

Eu não sei a resposta.

 

PS: O blog está aberto para textos com opiniões discordantes.

Por Torero às 10h34

27/10/2007

Aviso

Quem gosta de comentários futebolísticos inteligentes e pertinentes não deve ouvir a transmissão de Santos x Goiás a partir das 17h00, pela CBN. É que hoje eu serei o comentarista.

Por Torero às 12h44

26/10/2007

Bora, Bahêa!

Eis aí o endereço de um simpático blog para torcedores do Bahia: www.baheaminhaporra.blogspot.com

Por Torero às 15h49

Provocação

Foto enviada por Marcelo Lyra

Por Torero às 13h42

Zé Cabala e o cliente misterioso

Ontem fui até o mestre dos mestres, o sábio dos sábios, o único dos únicos, o inigualável Zé Cabala.

Queria eu entrevistar algum futebolieor dos tempos de antanho, mas, quando cheguei à porta do santuário do grande telefonista das lamas (um bangalô amarelo no jardim Lambrettta), Gulliver, seu assistente anão (ou deficiente vertical, como prefere ser chamado), esticou o braço e pôs a mão em meu umbigo, barrando-me a passagem.

"Sinto muito, agora ele está ocupado."

"Ocupado?!”, disse eu, usando um ponto de exclamação e outro de interrogação ao mesmo tempo.

“Sim, está com outro cliente.”

Aquela informação deixou-me boquiaberto e de olhos arregalados. Não pensei que houvesse outra pessoa que recorresse aos serviços do supremo haríolo, do infatigável nigromante, do grande adivinhão Zé Cabala.

O jeito foi sentar-me na sala de espera e ler um dos exemplares que estavam no cesto de revistas (no caso, um “Almanaque do Pensamento” safra 1998).

Depois de algum tempo, um homem saiu da sala do mestre. Quando me viu, tampou o rosto com a mão e acelerou o passo.

Fiquei ainda mais curioso e mal entrei na sala do supremo guru, perguntei quem tinha saído dali agora.

Zé Cabala respondeu-me com um enigma, tal qual faria o próprio Nostradamus:

“Querem saber do futuro aqueles que têm problemas no presente e no passado.”

Cocei a cabeça para ver se com a fricção meu cérebro funcionava melhor, mas mesmo assim não consegui decifrar a resposta.

Com pena de mim, Zé Cabala esclareceu: “O cliente era o Andrés Sanchez, meu caro gazeteiro. Veio pedir que eu olhasse o futuro do Corinthians.”

“E por que ele saiu tão apressado?”

“Acho que não gostou do que viu e foi requisitar os serviços de um colega meu. Mas vamos ao trabalho: quem você quer entrevistar hoje?”

“Bem, acho que gostaria de falar com o Vicente Matheus.”

“Ótima pedida! Vamos lá!”

 

 
A entrevista com Vicente Matheus, eu publicarei em breve. Mas, enquanto isso, se você quiser saber para onde foi Andrés Sanchez depois de passar por Zé Cabala, clique aqui.

Por Torero às 06h30

Esclarecimento

Na pergunta aqui do lado esquerdo, usei o termo "fascista", que é uma palavra perigosa, pois ela ganhou novos sentidos, e já não quer dizer a mesma coisa que antes. Hoje em dia ela não indica apenas “aquele que é partidário do fascismo”. Ela virou uma palavra guarda-chuva, daquelas que possuem um monte de significados relativamente próximos (ou nem tanto). Por exemplo:

- alguém ou uma atitude que apóia uma situação antidemocrática;

- qualquer ditadura militar;

- pessoa que apóia o racismo e/ou o anti-semitismo;

- os regimes de extrema-direita, mesmo que democráticos;

- qualquer repressão por meio de violência extrema.

- e aquele que acredita na força bruta como mantenedora da paz social.

Nestas duas últimas acepções é que ela foi colocada na pergunta.

Por Torero às 06h27

25/10/2007

Romário x Romário

No segundo tempo, o estreante tëcnico do Vasco olhou para o banco de reservas e disse para o veterano centroavante:

-Você vai entrar.

-Já não era sem tempo. Eu devia ter começado jogando.

-Olha como fala!

-Você é que tem que olhar com quem tá falando. Neste time mando eu.

-Chega de conversa. Começa logo a se aquecer.

-Não preciso de exercício, já nasci aquecido.

-Deixa de reclamar e tira logo este abrigo. E é o seguinte: quando você entrar, tem que ajudar na marcação.

-Tá brincando, peixe? Eu, marcar?

-A gente tá precisando pressionar a saída de bola.

-Marcar é coisa de zagueiro. Meu negócio é fazer gol, pô.

-Mas não tem feito muitos.

-Já fiz demais.

-FGaria mais se menos não ficasse zanzando pela naite...

-Pô, qualé a sua, cara?! Odeio técnico que fica regulando vida de jogador. Se começar com isso, não vai durar muito tempo aqui, não. Ainda mais você, que tá começando nesse negócio.

-Entra logo no jogo, seu velho!

-Já vou, fedelho!

 

Por Torero às 06h18

23/10/2007

999

(Como hoje é aniversário de Pelé, republico aqui um conto das antigas)

O quando era 19 de novembro de 1969 e o onde era o Maracanã. O quê foi um pênalti apitado contra o Vasco da Gama pelo juiz Manoel Amaro de Lima. O quem era Pelé, o número dez do Santos, autor de 999 gols.

Ele ajeita a bola na marca de cal. Antes de bater, olha para as arquibancadas. Centenas de milhares de pessoas querem compartilhar aquele momento histórico. Ele também olha para Andrada, o goleiro magricela que, para tornar ainda maior a alegria de Pelé, é argentino.

Pelé começa a correr. Escolhe o canto direito e bate colocado à meia altura. Ainda cego pelos inúmeros flashes das máquinas fotográficas, não consegue entender direito o que se passa, mas a reverberação de um comprido “Uuuh!” chega aos seus ouvidos. Ele esfrega os olhos e vê Andrada com a bola apertada contra o peito. Não tinha sido daquela vez.

Pelé ficou triste e desmotivado; até pediu para ser substituído minutos mais tarde. No jogo seguinte, contra o São Paulo, esteve outra vez perto da glória, mas por duas vezes mandou a bola de encontro às traves.

Vieram outras chances. No empate contra o Palmeiras, o jovem goleiro Leão rebateu a bola à frente de seus pés; ele, porém, mandou-a para fora. Alguns dias ¬depois deu dois chapéus em Ditão, mas acabou chutando em cima de Ado. Pena! Ele adorava vencer o Corinthians...

Pelé foi ficando nervoso e um dia, sem que ninguém visse, começou a beber. Primeiro foi uma cerveja, depois uma caipirinha e no fim acabou experimentando aguarrás. O efeito disso foi que começou a chegar atrasado aos treinos, caiu de rendimento e, diante dos clamores da torcida, perdeu a posição para Brecha.

Isso foi fatal para seus planos de jogar a Copa de 1970. Zagallo, receoso, não o convocou para a equipe tricampeã. Tostão jogou um pouco mais recuado no meio-campo e Dario foi o centroavante.

Nos anos seguintes, na reserva, Pelé não conseguiu fazer seu milésimo gol. Decidiu então despedir-se do futebol. As glórias passadas ainda estavam na memória de todos, e a Vila Belmiro lotou naquela tarde de 1972 para ver o seu adeus contra um combinado de craques. Quem sabe se na partida derradeira ele não chegaria ao milésimo gol.

Pelé estava infernal. Num lance brilhante, a Vila ¬Belmiro quase veio abaixo. Pôs a bola no meio das pernas de Piaz¬za, deu o drible da vaca em Luís Pereira, deixou Figueroa no chão e chutou colocado no ângulo. Ele já ia dar um soco no ar quando viu a bola sendo espalmada para escanteio pelo goleiro. O nome dele era ¬Andrada.

Daquele dia em diante, ninguém mais o viu. Pelé deixou a barba crescer e ficou conhecido pelos habitantes de Três Corações como um mendigo esquisito, que vivia chutando pedrinhas como se estivesse cobrando um pênalti. E nunca acertava.

“Acorda, acorda!”

“Que foi, Assíria?”

“Você está tendo um pesadelo e não pára de me chutar!”

“Sonhei que perdi o pênalti contra o Andrada, ¬entende?”

“Que bobagem... Dorme, Edson.”

Mas ele não consegue mais dormir e passa a noite em claro.

Enquanto isso, em algum lugar, Andrada tem o mesmo sonho de Pelé. E sorri.

 

 

Por Torero às 09h49

22/10/2007

Bastidores do futebol

Não digo os nomes mas conto o caso, só para que saibam os leitores como funciona o outrora nobre esporte bretão.

Era uma vez um veterano jogador, veterano mas ainda razoável, que estava jogando num time brasileiro depois de passar alguns anos fora. Chegou aqui, se recuperou um tanto e voltou a chamar a atenção dos times estrangeiros (não dos bons, mas daqueles médios ou quase médios, que levam qualquer brasileiro que saiba fazer mais do que dez embaixadinhas).

Pois bem, como o contrato do jogador estava em vigor, ele pediu ao técnico para liberá-lo. O técnico, que havia pedido sua contratação, fez um muxoxo mas disse, gentilmente, que poderia falar ao presidente do clube que o jogador estava fora de seus planos, desde que, é claro, recebesse algum dinheiro que o incentivasse.

O jogador pagou, o técnico falou e o contrato foi rompido.

Mas eis que o clube estrangeiro desistiu do negócio (não só os clubes brasileiros que são temperamentais).

Então o jogador tentou retornar à antiga agremiação, mas o técnico disse que não poderia voltar atrás.

Resultado: O clube ficou sem o útil jogador o jogador, o jogador ficou sem clube (e queimado no mercado, pois foi dispensado) e só o técnico é que não saiu perdendo, pois recebeu seus cobres para trabalhar contra o próprio time. 

 

Por Torero às 10h46

21/10/2007

Times imaginários - Encalhadas Futebol Clube

Por Tainá Cristina Pires

 

 

Uniforme: uma boa maquiagem que destaque os traços, blusas, calças e saias da última moda, perfume e celular. Sempre bem penteadas.

 

Características: é público garantido. Muita animação, ao estilo da cultura latino americana, também conhecido pelas novelas mexicanas. Fundamental para apimentar o cotidiano tanto das integrantes quanto do público de torcedores: os contra e os a favor de desencalharem.

 

No ataque: bonitas e simpáticas, experientes, determinadas, vão direto ao ataque.

 

Nas laterais: esperam adversários levarem um pontapé para entrar na jogada.

 

Meio de campo: entre o ataque e a defesa, o que cair na rede é peixe.

 

Zaga: uma posição de amigas, tanto de homens quanto de mulheres, não têm rivais. É quase imperceptível que ela está no Time das Encalhadas. Ajuda seus amigos a formarem casais. Geralmente, é madrinha dos casamentos, pois seus amigos a reconhecem como um cupido. Mas lá no fundo, o que ela mais quer é desencalhar.

 

Na defesa: experientes em decepção, dificilmente se entregam. Escaldadas, elas observam muito e raramente abrem espaço para um parceiro. O homem, seu adversário assumido, até que lhes prove o contrário.  

 

No gol: discreta, na defensiva, mas torcendo para que o adversário a ataque, que ela estará o esperando de braços abertos.

 

Técnica: ela já passou pelo time, já jogou em pelo menos duas posições e hoje passa suas experiências, e conta da sua final em que foi campeã, para motivar e inspirar as jogadoras.

Por Torero às 08h46

20/10/2007

Times imaginários - O time dos goleiros

Por David Marinelli Correa

Inspirado pelos times imaginários do seu blog, pensei num time bem insano porém até possivel de se ver jogar um dia. Quem sabe não fazem um jogo comemorativo assim. É o Time Dos Goleiros!

Bom, esse time de goleiros nasceu de um sentimento revolucionista de um ex-lateral esquerdo. Um verdadeiro goleiro enrustido, conhecido da maioria dos sãopaulinos: Ronaldo Luis. Além de ansiar pela oportunidade de um dia não sair debaixo das traves, de onde sempre operou "milagres" pelo seu time, ele também resolveu escalar um time para demonstrar a força dos sempre tão criticados camisas 1. Os uniformes dados a eles foram os de goleiro mesmo, camisas numero 1 coloridas, cada uma a gosto do jogador, e isso os diferencia dentro do time. Para diferencia-los dos adversarios, basta reparar que esse time todo veste luvas! O simbolo do time é um escudo com um numero 1.

Vamos à criativa escalação do time do goleiro-técnico-capitão Ronaldo Luis:

Na lateral direita, Doni. Razões? Sua incapacidade de cair pela esquerda, e suas "saidas" em velocidade que o banderinha nunca nem vê.

Na lateral esquerda, Julio César, que além de canhoto sabe por a bola na cabeça dos atacantes (quem não lembra daquela bolada que voltou direto no gol?)

Na zaga, ninguém melhor para "destruir" as jogadas adversarias do que Fabio Costa. Seu companheiro de zaga, Lauro, é bom cabeceador.

No meio campo, mais recuado como um Pirlo e categoria de Gérson para os lançamentos, ninguém menos que Rogério Guinness Ceni.

Outro volante é o colombiano Luiz Martinez, esse, especialista em gols de longa distancia (e bota distancia nisso).

A camisa 10 vai para o mais "criativo" do time: Higuita.

Como ponta-de-lança, Jorge Campos dispensa explicações para sua titularidade absoluta.

Tem também uma dupla de atacantes interessante. Um é especialista em corta-luz, (leia-se furadas) Sao Marcos, que também sabe marcar de bicicleta. O outro é Dida, que será aquele pivo à lá Aloisio, para trombar com os zagueiros (ao menos dessa vez serão os zagueiros adversarios).

Não tai um time completo? E deve ter muito mais para lembrar.

Por Torero às 17h32

19/10/2007

Tropa de Elite, uma terceira opinião

Como postei um texto a favor e outra contra o filme, cloco agora uma mais equilibrada, de Luiz Zanin, um ótimo crítico do Estado de S.Paulo.

Tropa de Elite: triunfo do espetáculo, mas não da reflexão

por Luiz Zanin, Seção: Cinema, Críticas s 20:19:10.

É possível que as eventuais virtudes cinematográficas de Tropa de Elite acabem ficando em segundo plano, pelo menos num primeiro momento. O que se tem discutido é se o filme seria “fascista” ou não. Se incita ou não à violência e se é mesmo a favor do “olho por olho dente por dente”. Essa preocupação tem aparecido menos pela análise do filme em si do que pelas reações despertadas onde foi exibido, no Rio de Janeiro em particular. Parte do público aplaude quando os policiais do Bope torturam ou matam de maneira sumária. Ora, a reação não é nova e se repete em situações de insegurança pública como a que vivemos hoje. É semelhante ao apoio ao Esquadrão da Morte ou à palavra de ordem “Rota na rua”, que já ouvimos em São Paulo. Há pouco, o apresentador Luciano Hulk, que havia sido assaltado, escreveu um artigo na Folha de S. Paulo clamando pelo capitão Nascimento, o “herói” de Tropa de Elite. A raiz dessas reações se encontra no filme, em uma população assustada ou em ambos?

Difícil decidir. O protagonista, o capitão Nascimento vivido por Wagner Moura, não é um Rambo monolítico, mas um homem em conflito. Leva aquilo que considera sua missão a ferro e a fogo, mas sofre de Síndrome de Pânico, está louco para se livrar do comando e transformar-se em instrutor da tropa. Quer sair da linha de fogo, dedicar-se à família, e para isso terá de fazer um sucessor. Essa divisão interna do protagonista bastará para fazer de Tropa de Elite um filme “aberto” a conclusões? Esse é um ponto a ser discutido.

Outro aspecto: não há dúvida que Tropa de Elite põe em pauta uma espécie de pragmatismo bem contemporâneo. O Bope (Batalhão de Operações Especiais da PM carioca) se define como “incorruptível”, o que soa como música para o público que, além de assustado com a insegurança, elegeu a corrupção como o principal problema do País. Incorruptível, o Bope, na pessoa do capitão Nascimento, se permite extrapolar suas funções policiais. Prende e tortura em busca de informações, julga e executa as sentenças - em geral, de morte. Livre do pecado principal, a corrupção, pode se permitir a tudo. O Bope seria uma ilha de moralidade cercada de corruptos por todos os lados. É um filme para o momento, portanto, e não apenas porque trata do tráfico de drogas e da violência urbana. Não é à toa, portanto, que tem propiciado esse tipo de reação catártica nos cinemas. Torna-se simpático às pessoas e presta-se como estopim desse tipo de reação.

No entanto, seria preciso analisá-lo mais a fundo. E discutir se, em sua estrutura narrativa, existem espaços abertos para a contradição e a respiração crítica. Por exemplo, o personagem em crise seria um desses pontos de abertura e isso seria o suficiente? Talvez, mas a narrativa em off e o ponto de vista único, constante ao longo do enredo, podem inibir um pouco a liberdade do espectador em construir a própria história em sua cabeça e tirar suas próprias conclusões. O uso de trilha sonora afirmativa também não é de molde a inspirar a reflexão. Em suma, a eficácia do próprio filme, enquanto dispositivo cinematográfico muito bem construído, não beneficia qualquer tipo de distanciamento. Conduz o espectador a uma imersão quase completa em seu universo - o que é uma virtude do cinema como espetáculo, mas ao mesmo tempo uma fragilidade do cinema enquanto crítica, pensamento e reflexão. Tal é o paradoxo. A sua força é, ao mesmo tempo, a sua fraqueza se o analisamos de outro ângulo.

Vale dizer: Tropa de Elite é ótimo filme, bem fotografado, bem montado e bem interpretado. Envolve e impressiona quem o vê, além de ter o mérito de estar levantando uma baita polêmica. Uma pitadinha de Bertolt Brecht em sua receita não lhe faria mal. Pelo contrário.

(Estadão, Caderno 2, 5/10/07)

Por Torero às 08h30

18/10/2007

Para ajudar na votação aqui ao lado...

... coloco dois textos sobre o Tropa de Elite, um do jornalista Arnaldo Bloch e outro do ator Wagner Moura, ambos publicados em O Globo.


Sim

(Arnaldo Bloch)

Há algo de muito hipócrita no reino de euforia que cercou a estréia do filme mais celebrado da história do cinema brasileiro. A começar pelo discurso do diretor José Padilha, que perguntou à platéia quem já tinha visto o filme. Quatro honrados gatos-pingados levantaram as mãos, confessando-se piratas. O restante, em ato de alta covardia coletiva, emudeceu.

Claro que ninguém ia ser besta de assumir o ato de contravenção. Se assumissem, como é que iam depois ter cara para gritar “caveira” em corinho à medida que o capitão Nascimento (interpretado por Wagner Moura) ia se sagrando o grande herói da noite, vingador natural de todos os corações desprotegidos? Não foi à toa que parte do público se sentiu à vontade para gritar o lema da tropa corrupta e matadora. Afinal, ao optar pelo capitão Nascimento como narrador, Padilha assumiu o discurso do que existe de pior na corporação, do “não há saída, tem mesmo é que matar”.

No filme, só a classe média alta universitária consome maconha e cocaína. Curioso que não haja uma sílaba sequer referente a teses modernas, como a liberação do consumo de drogas, ao menos como tema de debate.

A preocupação obsessiva de Padilha é com o baseado que a galera queima, reforçando a tese surrada de que os maiores culpados pela violência do tráfico são os usuários (todos, naturalmente, burgueses). A cada menção dessa abobalhada burguesia, gritinhos histéricos eram ouvidos em redutos da platéia. E, ao fim, quando o aspirante Matias se transformou em “policial de verdade” (leia-se: quando abandona seus princípios e aceita a tortura a crianças como método válido), uma ovação aliviada consagrou Tropa de Elite como porta-voz de nossas inquietações. E dá-lhe “caveira”!

 


Não

(Wagner Moura)

Escrevo instigado pelo bom texto do Arnaldo Bloch sobre a sessão de estréia de "Tropa de elite" . E respondo categórico à sua pergunta: Não, "Tropa de elite" não é fascista. Não é possível que alguém que tenha visto "Ônibus 174", um dos filmes mais humanistas dos últimos tempos, possa achar que o Zé Padilha (o diretor) tenha feito um filme fascista. Mas também fico preocupado quando vejo o capitão Nascimento ser tratado como herói. Fico pensando como reagiria ao filme uma platéia sueca. Não creio que pensariam naqueles policiais torturadores como heróis, assim como muita gente que vê o filme aqui também não pensa. Talvez os suecos não precisem de heróis. Talvez, aí sim uma tragédia, fascistas estejamos nos tornando nós, brasileiros, cidadãos carentes de uma política de segurança pública qualquer, que vemos naqueles policiais honestos, bem treinados, mas desrespeitadores dos direitos humanos mais elementares, a solução para o caos em que estamos metidos. Compartilhei contigo, Arnaldo, a vontade de vomitar o pastel de cordeiro no Odeon. Mas, na minha opinião, "Tropa de elite" contribui com o mais importante em épocas de crise: o debate (inimigo do fascismo). O filme traz um ponto de vista fundamental para se entender e discutir segurança pública, o olhar do policial. Eu, particularmente, discordo do capitão Nascimento em quase tudo, mas não posso deixar de ver a importância de entender seu pensamento como fundamental para o debate sobre violência no Brasil, já que é ele, assim como os traficantes e os moradores de favela, quem vive diretamente essa guerra particular, como nos ensinou, não por acaso, o capitão Rodrigo Pimentel, roteirista do "Tropa de elite", no seminal "Notícias de uma guerra particular", de João Moreira Salles.

Acho que o "Tropa", além dos méritos artísticos que tem, talvez já seja o filme pós-retomada que mais suscitou debates, a começar pela questão da pirataria, exaustivamente discutida. E não vejo, no Brasil de hoje, debate mais importante do que violência e segurança pública. Segurança pública não tem mais a ver só com a tragédia das vidas que se vão por conta da guerra polícia-tráfico-com-moradores-no-meio. Tem a ver, por exemplo, com aumento de verbas para a Previdência e para a Saúde. E, quando falo de violência urbana, quero lembrar que se para nós, moradores da Zona Sul, maioria na sessão do Odeon, a chapa já tá quente há muito tempo, imaginem para quem não pode sair de sua casa por ordem de um traficante, quem tem que passar a noite no chão com medo de bala perdida, quem é esculachado e desrespeitado pela polícia, quem não pode falar com o parente da comunidade vizinha por ordem do poder oficial, ocupante do vácuo deixado pelo poder instituído que, por sua vez, vem historicamente negligenciando essas pessoas. Isso é um fato: as maiores vítimas da violência urbana no Brasil são os moradores das favelas, e o filme mostra isso. Estou convicto: não há armas mais poderosas de combate à violência do que educação, cultura, lazer, esporte, bem-estar social e geração de emprego. É assim que o capitão Storani, oficial do Bope reformado que nos auxiliou no treinamento para o filme, tem tentado combater a violência em sua gestão como secretário de Segurança num município da Baixada. E, mais uma vez, recorro ao capitão Pimentel, na maravilhosa entrevista a João Moreira: "Enquanto o único braço do poder público que sobe a favela for a polícia, não haverá solução."

Por Torero às 07h09

15/10/2007

Perguntas que não querem calar

Perguntas que não querem calar

Por Eduardo Corch

Faça chuva ou faça sol, domingo, é o dia de assistir ao futebol.

Tiro do armário a camiseta do meu clube de coração. Original, mas em muitas casas não são.

Ficam ainda no armário, o shorts, meião, chuteira, tênis de futsal, bola, bandeira, agasalho de inverno e cachecol. Todos com o escudo do meu time.

No quarto ao lado, meu filho caçula usa macacão do NOSSO time, e engatinha no chão, brincando com bonecos, mini-bolas, mamadeira nas cores do time

Já está de chupeta . Logo, logo, deita no berço, já arrumado com a colcha, travesseiro, lençol. Tudo com com o escudo do nosso time.

Pro mais velho, tá na hora de comprar aquela camisinha com as cores do time.

Antes de sair, passo no outro quarto. Tenho um ritual de sorte:  beijo as camisas antigas e arrumo  as 300 revistas de futebol que guardo desde moleque, as 50 flâmulas, o jogo de botão, posters e o álbum de figurinhas.

Estou atrasado, onde está a chave do carro? Meu filho do meio, devidamente trajado, tem o chaveiro com o distintivo em mãos. Vambora!

No caminho ao estádio, ouço os programas esportivos no rádio, uma legião de narradores, comentaristas, repórteres.

Ouço que o técnico adversário chamou um pai de santo para um servicinho….

Perto do estádio, aparecem os flanelinhas, oferecendo aquele lugarzinho pro dotô. Isso também não mudou, ainda sou refém deles… Paciência. Deixo o café adiantado!

No caminho, me sinto na feira livre… Barracas de churrasco, pernil, varais com camisas falsificadas e os cambistas, oferecendo ingressos sem fila.. É a tal da economia informal. Do outro lado, vejo a polícia com seus cavalos, caminhões e até um tanque de guerra.

Compro ingresso mas não escapo do garoto que pede um real para inteirar e assistir também ao jogo. Vamos lá, o jogo está pra começar.

Sento no meu lugar, e como abelha no mel, chegam os vendedores de sorvete, refrigerante, esfiha, pipoca, água. Até pastel de Belém….

Olho o gramado, uma legião de pessoas corre de um lado ao outro, repórteres, cinegrafistas, procurando os jogadores, técnicos, juízes e assistentes.

Meu filho pergunta o porque de tanta gente de branco: médicos, psicólogos, fisiologistas, fisioterapeutas, ortopedistas, quiropratas, massagistas, todo mundo no campo.

Ao redor do gramado, uma infinidade de placas, anunciando produtos e serviços, empresas de grande e pequeno porte presentes no palco de espetáculo.

O jogo começa e num piscar de olhos termina. Enquanto o exército de limpeza e conservação entra no gramado, rápido para casa para assistir as mesas redondas.

Peço para minha mulher escolher a pizza porque das seis a uma da manhã, o controle remoto é meu aliado, não posso perder nada. Quero ver se o juiz errou, se a bola entrou…

O empresário de jogador sendo entrevistado por uma modelo? Ex-jogador comentando futebol?… antigamente não era assim

E os merchans? é um tal de  fios e cabos elétricos pra cá, cantina italiana pra lá. Vou ligar para o despachante, tirar aquela multa da carteira.

2a feira, antes de trabalhar, passo na banca e compro todos os jornais para conferir a classificação do meu time. Isso se contar, as revistas mensais que já sou assinante desde moleque.

Na hora do almoço, vou com os meninos do escritório (de camisa e boné do NOSSO time) ao bar do Mané. não podemos perder os programas esportivos na tevê.

E chego em casa cedo, para acompanhar as últimas novidades nas mesas redondas de 2a feira.

Uhm, meu time vai jogar na Argentina.  Já sei, vejo o jogo em Buenos Aires e levo a patroa pra fazer compras lá … Como chama a agência de turismo especializada em pacotes de futebol?

Ah! Se meus filhos forem tão bem na escola como nosso time vai no campeonato, dezembro vamos todos pro Japão.

 

O artigo acima analisa o grande impacto do futebol na economia, gerando emprego e renda.

Hoje, um clube bem estruturado pode empregar diretamente 500 pessoas, ou seja, similar a uma empresa de médio ou grande porte

Diversos segmentos são impactados diretamente pelo futebol: profissionais liberais, prestadores de serviços, agências, mídia, indústria de artigos esportivos, governo, economia informal.

Isso sem falar no imensurável, a emoção envolvida, a paixão gerada.

E se o futebol fosse bem organizado e levado a sério pelos nossos dirigentes? Quanto seria gerado? Quantos empregos extras? Temos saída? Qual a solução?

Essas são algumas perguntas que não querem calar.

Por Torero às 16h56

Resultado da pesquisa

Na pesquisa sobre "quem erra mais, os juízes de direito ou os de futebol", os de direito ganharam longe, com mais de 70% dos votos. Eis aí uma categoria que está com a moral em baixa. Ser considerado pior que os juízes de futebol é uma crítica terrível. Pelo jeito, o pessoal não faz grande juízo dos juízes. 

Por Torero às 08h06

10/10/2007

Dois assuntos

1-) Andrés Sanchez ganhou a disputa pela presidência do Corinthians. Na verdade, nenhum dos três candidatos parecia ser promissor. Mas Sanchez, por sua proximidade com Dualib e com a MSI, me parecia o pior. Ele foi feito conselheiro vitalício por Dualib, estava na viagem à Europa que definiu a parceria com a MSI e depois do acordo foi elevado a vice de futebol em 2005. É ele quem, nos grampos feitos pela PF, combina o que falar em depoimento à polícia com Nesi Curi. Ou seja, o movimento "Fica, Dualib" não venceu, mas, pelo menos, ficou com um filhote. 

2-) A Torcida Independente não grita o nome do jogador Richarlyson na entrada dos jogadores. Pelo jeito, a Independente não tem muitas idéias independentes. Lamentável.

 

 

 

 

 

Por Torero às 13h41

08/10/2007

Resultados no celular

O leitor Eric Santos manda uma dica:

Oi, Torero,

Antes de tudo, parabéns pelo blog!

Tenho uma dica aqui interessante pra você acompanhar o seu Santos até no aniversário da sogra. Acho que vale a indicação pros outros leitores.

Tem um programinha que acessa resultados e narrações dos jogos e notícias sobre futebol ao vivo pelo celular - e o melhor, é de graça!

A descrição do aplicativo e as instruções para download estão aqui: www.jmobi.com.br/mfut 

Abraços, Eric.

 

Por Torero às 21h08

05/10/2007

Mais times imaginários

Os times imaginários estão chegando aos montes. Eis mais um:

 

Especialistas F.C. (enviado pelo leitor Ed Chamon)

Uniforme: não tem, porque cada jogador usa seu próprio uniforme,condizente com a posição em que joga. O time é identificado em campo pelo escudo desenhado na roupa.

Foi fundado hoje, portanto ainda não estreou, mas promete dar o melhor de si em todas as competições.

Características: justificando o nome, somente são escalados verdadeiros ?especialistas? em cada posição, atletas com experiência comprovada. Para o seu jogo de estréia, o time vai escalado assim:

No gol, um renomado especialista em defesas, advogado criminal.

Nas laterais, técnicos da base de Alcântara, capazes de fazer lançamentos precisos.

Para a zaga central, foi convocado um leão de chácara, para amedrontar o adversário.

Na quarta-zaga, um analista de segurança da informação, para bloquear a invasão de intrusos.

Para acertar os passes no meio de campo, 1 pai-de-santo fará o papel de volante.

Nas pontas, 2 mergulhadores que recebam os lançamentos em profundidade (dos técnicos da base de Alcântara).

O trio de ataque vem da alta-costura. Um estilista resolverá o problema da criação e, na frente, 2 hábeis costureiros: um para costurar (a defesa adversária) e outro para arrematar.

Outros bons atacantes esperam a sua vez no banco de reservas: psicólogos, que desmontam bloqueios defensivos, e hackers, que descobrem as fragilidades da defesa adversária.

Alguém conhece outros especialistas que poderiam entrar nesse time?

Outra coisa: o time procura um técnico. Quem se habilitaria?

 

Por Torero às 06h21

01/10/2007

Piada F.C.

Piada F.C.

Oi, Torero.

Posso participar também das seleções dos times imaginários?

Meu time imaginário se chama "Piada F. C.".

O uniforme oficial nº 01 do meu time é camisa amarela, calção azul e meiões
brancos ou azuis.

A fundação é 27 de fevereiro de 1914.

Mascote: um canarinho.

Características: Este time já foi um dos mais respeitados do mundo, mas
agora tornou-se motivo de chacota para a grande parte dele, principalmente
pela forma como é tratado pelos seus dirigentes. Em outras épocas, com
outro nome, já conquistou o mundo 5 vezes. Mas hoje não se espera muito
dele, embora seja capaz de às vezes surpreender a todos, com resultados
simplesmente inimagináveis, como recentemente aconteceu contra um de seus
mais tradicionais adversários. Nem assim, entretanto, o time parece
empolgar, mas torna-se motivo de piada ainda maior, justificando aí o
título que "ostenta"(?).

O time também é conhecido, em alguns meios como a seleção dos empresários,
mas... Há controvérsias.

Seu treinador é um ex-jogador que tinha como principal característica a
força e a marcação, mas que nos últimos tempos vinha se destacando pela
criatividade... Não no campo, com nós táticos, estratégias e esquemas de
jogo eficientes, mas no seu estilo retrô com requintes de vanguarda de se
vestir (o que acabava por desviar as atenções um pouco da equipe dentro de
campo... e era até bom). Dizem, entretanto, as más línguas que a culpa era
da filha.

No último jogo, apesar da vitória, o treinador mostrava ao mundo todo o seu
estilo sisudo, combinando bem um modelito inspirado nas Forças Armadas
Brasileiras (vide foto abaixo)

(Embedded image moved to file: pic14181.jpg)


O Piada F. C. é assim mesmo: sempre causa certa perplexidade.

E não é diferente quando é convocado ou escalado. Quase sempre a equipe
traz alguma piada de muito mal gosto, como, por exemplo, um volante que se
chama... Fernando. Imagine!

Mas há boas piadas também, como um atacante por nome de... Afonso (que só
de lembrar me dá uma crise... HAHAHAHAHAHA!!!).

A equipe hoje se prepara para... Hã? O quê?

Peraí, um minuto, Torero.

(...)

???

Desculpe, Torero. É que eu fui informado aqui, agora há pouco, que meu time
imaginário... Já existe? É isto mesmo?

Ah, saco!

Esquece então.

Obrigado de qualquer maneira

Carlos Eduardo S. Souza
Belo Horizonte/MG

Por Torero às 06h53

Sobre o autor

Formado em Letras e Jornalismo e quase formado em Cinema, é autor de treze livros (como "O Chalaça"), escreveu roteiros para cinema (como "Pequeno Dicionário Amoroso") e para tevê ("Retrato Falado").

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