Blog do Torero

30/07/2007

O melhor crítico de cinema é Morfeu

Dá para saber se um filme é bom pelo fato de ele lhe causar bocejos, soneca ou um sono profundo, daqueles de Bela Adormecida.

E isso não tem nada a ver com o fato de um filme ser cabeça ou não. Há filmes difíceis em que você mal pisca os olhos e outros de ação (como este do Quarteto Fantástico e do Surfista Parateado) em que você dá uma bela cochilada.

Aliás, proponho que os jornais troquem seus símbolos, acabando de vez com estrelhinhas ou bonequinhos. O novo sistema de notas teria quatro graus diferentes: Um bom filme teria o bonequinho de olhos arregalados, um filme médio mostraria o bonequinho com as pálpebras semicerradas, um filme chato receberia o sujeito dormindo, e um filme muito aborrecido mostraria o bonequinho numa rede e de touquinha, roncando feito um urso.

Este último seria o caso do chinês "Em busca da vida", que está com inexplicáveis quatro estrelas na Revista de Folha e foi muito elogiado pelo Luiz Carlos Merten, um respeitável crítico do Estadão.

Mas a verdade é que o filme é aborrecido, monótono. Fomos em quatro pessoas ao cinema e três dormiram. Só uma ficou acordada, e esta disse: "Eu até tentei dormir, mas estava com tanta raiva do filme que não consegui." 

O filme tem um roteiro com muitas cenas inúteis e uma decupagem preguiçosa. É verdade que saímos de lá entendendo muito mais como é a China hoje, mas o preço é muito alto. Seria melhor ler uma boa reportagem. E cinema não é pode ser um tratado antropológico. Se a idéia é mostrar como é o país, melhor seria fazer um documentário. A idéia central de um filme de ficção é contar uma história, e isso não é bem feito por "Em busca da vida" (aliás, uma tradução literal do título do filme em inglês é "Natureza morta", um título muito mais apropriado).

Neste fim de semana ainda vi outros três filmes: bocejei em Maria, de Abel Ganz, com Juliette Binoche. Vi, com atenção moderada, "Medos privados em lugares públicos ", e assisti de olhos arregalados, e regalados, a "Paris, te amo", filme com dezesseis curta-metragens ambientados em Paris.

A idéia é perigosa, porque a falta de unidade costuma ser tão grande que transforma o longa numa mistura estranha, algo como arroz, feijão e chantili. Mas não é o caso. Se os dois ou três primeiros curtas são assim, assim, há vários outros que compensam com sobra, e, quando termina a sessão, você tem vontade de ver o filme de novo. Na Revista da Folha, o filme está apenas com duas estrelas. É uma calúnia. "Paris, te amo" tem frescor, formas de filmar pouco usuais, histórias interessantes e acho que é um dos melhores filmes em cartaz no momento.

Por Torero às 06h37

29/07/2007

Placar egoísta

Placar egoísta

(o bom texto de hoje do nosso "Sempre aos domingos" foi enviado por Evandro Siqueira)

 

A vitória está em seu pé esquerdo. Aos 47 do segundo tempo, basta Neneco converter o pênalti e a festa estará garantida. Tarefa aparentemente simples para um centroavante frio e eficiente como ele. Em toda sua vida, jamais desperdiçou uma penalidade máxima. Não entende como um cobrador, a onze metros da glória, com um pobre e solitário ser de braços abertos à sua frente, é capaz de mandar a bola para outro lugar que não seja o fundo da rede. Tem a receita na ponta da chuteira: tiro forte, seco, rasteiro, no canto, sem olhar - de jeito nenhum - nos olhos do goleiro.

"Batedor de pênalti é como um assassino profissional: se olhar nos olhos da vítima, pode ficar com pena e não puxar o gatilho, ou melhor, não fazer o gol", filosofou Neneco, recentemente, a um repórter de campo. A torcida conhece a fama do matador. E está certa de que, após a cobrança, inundará o estádio com o grito de gol. Ainda mais porque, sobre a linha fatal, está Tarrafa, o goleiro mais vazado do campeonato - que, naquela tarde, continuava acidentalmente invicto.

Neneco caminha em direção à marca, agacha-se e ajeita cuidadosamente a bola. Ergue o corpo e, como sempre, dá quatro passos para trás. Beija a medalhinha de Nossa Senhora pendurada no peito não uma vez, como de costume, mas três. Ele transpira incessantemente. Faz o sinal da cruz. Esfrega as mãos no rosto. Sua frio. Estranha. Há algo errado. Desconcentra-se. Involuntariamente, desvia o olhar da rede. E dá de cara com Tarrafa, o amigo de infância.

- Meu Deus, o que eu fiz?, murmura Neneco.

À sua cabeça, vêm imediatamente aquelas noites de sábado, quando ele e Tarrafa passavam horas no Bar do Tonhão, tomando cerveja e trocando lamentações. Lembrou do dia, talvez o pior de sua vida, em que foram derrotados na repescagem da Supercopa Varzeana. Um fiasco. Neneco marcou cinco naquele jogo decisivo, mas o amigo tirou a bola da rede sete vezes. Tarrafa foi chutado do time. Não agüentou a pressão dos peladeiros e mudou até de bairro. Foi a última vez que jogaram, perderam e beberam juntos.

De longe, rompendo o silêncio da torcida, Neneco ouve o apito do árbitro. É hora de fazer o que dele se espera. A torcida se cala, para não atrapalhar o artilheiro. Mas seus olhos estão fixos nos de Tarrafa. A cabeça está lá, naquele sábado, no Bar do Tonhão. Na fatídica noite, Tarrafa contou a Neneco seu histórico de fracassos futebolísticos. Era impressionante! Desde a infância, não havia nada digno de orgulho em sua carreira de goleiro. Até dos jogos com bola de meia, no pátio da escola, Tarrafa tinha algo triste para contar. Mas ele nunca desistiu. E, naquela noite, tentou explicar a Neneco o porquê.

- Sabe, Neneco, sinto um certo prazer quando vejo a alegria no rosto de tantos atacantes e torcedores.

Neneco engasga com a cerveja, mas continua quieto, ouvindo o desabafo.

- Futebol é feito de gols, não é, Neneco? E eu, quando não defendo um chute, uma cabeceada, estou ajudando a manter o futebol vivo, alegre. Concorda?

Neneco permanece em silêncio.

- Não que eu faça isso de propóstio. Diria que isso, ao longo dos anos, virou um instinto. Como uma mãe que ama um filho, eu amo o gol. Pena que nunca levei jeito para atacante... Se todos os goleiros fizessem como eu, imagine como seria lindo o futebol. Placares de 11 a 10, 15 a 12, 20 a 20... Até os perdedores sairiam do estádio com sorriso no rosto. Não haveria mais pancadaria na porta dos estádios. Afinal, futebol é feito de gols, não de vitórias. Né mesmo, Neneco?.

O atacante segue perplexo.

- Às vezes, viu Neneco, goleiro é um ser egoísta, meio estraga prazer. Eu reconheço isso.

O som do apito invade novamente o ouvido de Neneco. A torcida permanece estática, calada. Seus pés parecem enraizados no gramado. Ele parte em direção à bola. Bate forte, seco, rasteiro, no canto, como sempre. Ela explode no pé da trave e sai. O estádio fica boquiaberto, perplexo. Tarrafa, parado no meio do gol, também. Neneco, idem. Nem o juiz, que se preparava para apontar para o meio de campo, acredita no que vê.

Neneco volta o olhar para Tarrafa, que faz aquela cara de "não tive culpa". Mais um apito. Acaba o jogo. Goleiro e centroavante saem de campo cabisbaixos, igualmente frustrados pelo mais egoísta dos resultados: o zero a zero.

Por Torero às 07h20

27/07/2007

Fica, Dualib. E sete vezes.

O movimento Fica, Dualib (com vírgula), ganhou as ruas e cyberespaço. Sim, é bonito ver o povo internáutico se mobilizar por uma campanha tão nobre.

Como prova, reproduzo aqui o divertido texto do Futepoca (http://futepoca.blogspot.com, e futepoca é a sigla de futebol, política e cachaça), que elenca sete motivos para Dualib não sair do Corinthians.

 

1) Dualib é o mais capacitado para levar o Corinthians à Série B

A exemplo do que praticou Mustafá Contoursi no Palmeiras e Flávio Obino no Grêmio de 2004, Dualib já mostrou que tem talento para o descenso e quase chegou lá em pelo menos três ocasiões. Em 1997, não fosse o técnico Candinho e os acordos pra lá de espúrios – com direito a telefonemas grampeados ("um, zero, zero", na promessa de 100 mil para Ivens Mendes evitar a queda) – quase tivemos a felicidade de ver o Corinthians cair. Já em 2006, novamente com direito a conversas telefônicas suspeitas, o Alvinegro foi salvo por Leão, mas namorou de perto a Segundona. O mesmo ocorreu no ano de 2004, quando o gol do sãopaulino Grafite fez com que o Timão (sic) permanecesse na gloriosa primeira divisão do Paulista. Agora, será que Dualib consegue?


2) Produção de factóides de mega-parcerias e certeza de pilhéria

Na gestão Dualib foram três parcerias que prometiam super-times vitoriosos. Apesar de o Corinthians ter conquistado três vezes mais Brasileiros do que Vicente Matheus, é sempre um prazer ver os contratos de patrocínio darem água e poder tirar sarro. O que seria do futebol brasileiro sem a Hicks Muse, sem o time de estrelas do banco Excel – aquele que tinha adquirido o Econômico e trouxe a dupla Túlio e Donizete, vulgo Pantera – ou sem o iraniano Kia Joorabchian?


3) Fazendinha eterna

Desde que assumiu, Dualib mantém o plano de construção de um novo estádio no papel. Ou até antes do papel, como plano mirabolante que absorverá milhões dos parceiros do tópico anterior. Ele sempre acha que vai fazer patrocinador de tonto para bancar estádio, e garante desta forma que eternamente o time viverá na Fazendinha.


4) Respeito aos humoristas

O antecessor, Vicente Matheus, era fonte de piadas prontas. Ele era o humorista e disputava mercado com os piadistas de TV e de boteco. E, na verdade, cada um tem seu papel. Os manguaças alopram o Corinthians e o presidente do Corinthians dá motivos. E só. Sem mistura de papel.


5) Tradição da família corintiana

A presença da neta Carla Dualib na direção de marketing mostra toda a preocupação do presidente do clube com a tradição e com a família. "Família dele", vão boquejar. Bom, o sujeito tem que começar de algum lugar. Dualib eterno!


6) Libertadores o Corinthians nunca viu e nem vai ver

O orgulho de ter o pseudo-título mundial de 2000, o único título supostamente internacional conquistado em território nacional contra outro clube brasileiro, é uma mostra de que com Dualib no comando do time, as chances de conquistar qualquer coisa que valha de fato vai para o espaço, que é seu lugar de direito e de onde nunca deve sair. Reconheço que esse motivo é fraco, porque nem se o Dualib saísse, nada mudaria nesse aspecto...

7) Aniversário duplo

Em 2010, o Corinthians vai completar seu centenário. No mesmo ano, Dualib fará 90 anos. A nação corintiana merece comemorar esse aniversário duplo com toda pompa e circunstância que a Série C merece. Dá tempo, Dualib!

Por Torero às 06h51

26/07/2007

Fica Dualib, agora com site e abaixo-assinado

  Irmãos ficadualibistas, acabou a parceria com a MSI.

Mas não há motivo para desespero. Até nosso líder, nosso mestre, nosso rabi, votou contra a tal parceria.

Pensando bem, é até melhor. Agora ele poderá trabalhar sozinho e mostrar todo seu talento.

O importante são as próximas reuniões, que tentarão a qualquer custo depor nosso comandante. Isso nao pode acontecer! Temos que usar todas as armas possíveis para manter Dualib no posto mais alto de nosso não-clube. A segunda divisão está logo ali e, com sua competência, não a deixaremos escapar desta vez.

Vamos nos manifestar. Agora há um site especializado para nós, o http://www.ficadualib.com.br. Lá temos um manifesto e um abaixo-assinado.

Vamos participar, queridos ficadualibistas. O momento é grave e pede a participação de todos. Como diz a música de Geraldo vandré: Quem sabe faz a hora, não deixa acontecer.

 

Por Torero às 07h38

23/07/2007

Poucas e boas

Poucas e boas

{O texto deste "Sempre aos domingos" [mais uma vez publicado na segunda (pelo jeito terei que trocar o título da seção)] é de João Luís Prudente do Amaral}

Sua vida era comentar jogos na TV. Amava discutir lances, jogadas, estratégias. Era paixão mesmo. Na juventude, a impulsividade havia trazido percalços à sua carreira, quando costumava dizer poucas e boas a quem fosse. O tempo e os cabelos brancos deram-lhe maturidade. Aquela chama, no entanto, ainda estava acesa. Apenas a controlava. Só té o dia em que seu time de coração perdeu o título numa final vergonhosa.

Oito a zero para o adversário – fora o baile! Ele, na cabine da emissora para a qual trabalhava, nó da gravata frouxo, permanecia descrente no que acabara de ver. Ao apito final, recolocou o fone. Tinha trabalho a cumprir. Respirou fundo e, após uma breve pausa, emendou:

“Amigos, existem fatos no futebol que eu não entendo. Quantas regras sem sentido, negociatas e absurdos. Um exemplo? Tiro de meta. Eu pergunto: por que raios o goleiro, depois de sofrer um ataque perigosíssimo, ajeita a bola com cuidado, fecha os olhos e dá uma bica na coitada, sem qualquer direção? Por acaso existe um campeonato paralelo com prêmio especial no final do temporada para quem chutar mais longe? Não tem o menor sentido. E vou além: ninguém avisa o cara para tocar para um lateral melhorzinho, um volante que saia jogando? Os técnicos não se incomodam? É dado como certo o chutão, então bola pra frente? – se me permitem o trocadilho.

Nós comentaristas discutimos futebol todos os dias, mas ninguém critica essa jogada? Repetimos lances em câmera lenta, usamos computação gráfica para medir a velocidade da bola, a cor da cueca do segundo cara da barreira, mas não mencionamos um lance desses? Não dá para acreditar!

Outro exemplo? Impedimento. Dizem que mulheres não fazem idéia do que seja isso. Pois elas fazem MUITO BEM! Impedimento só serve para justificar a presença dos auxiliares em campo. Mais nada! Já que estão lá, que façam alguma coisa! Só que, quando fazem, todos discordam. Dá para entender? Posição irregular por dois centímetros? Que dêem uma luneta para o cara, não uma bandeira!

Não é mais fácil abolir essa praga? Os “entendidos” alegam que o jogo perderia a graça. E desde quando é engraçado perder a partida num lance em que o auxiliar lia a lista do mercado feita pela esposa e não viu que o atacante estava adiantado? Ah, mas na banheira os centroavantes farão mais gols. Sério? E não é isso o que queremos no futebol? Gols? Os técnicos que se virem para anular as jogadas. Ganham bem demais para isso. Mas é muito chato você assistir a um jogo e, na única oportunidade de gol, o titio da bandeira resolve fazer uso do objeto. MAS IA SER GOL, CACETA!

Sugestão? Excluam o impedimento e incluam um segundo árbitro em campo. Metade do gramado para cada um. Os rechonchudos agradeceriam para o resto da vida a nova oportunidade de emprego. Afinal, correr só meio campo é bom negócio. Ou não é?

Isso sem citar a tecnologia. É celular cada vez menor, nanotecnologia, GPS no carro. E o futebol lá, como se jogava há cem anos. Telões de plasma nos estádios mostram cada jogada em detalhe, mas não podem ser usados para saber se a bola entrou no gol ou não. Por quê? Vai perder a emoção? Mas que emoção tem um esporte que não permite que os REAIS vencedores vençam? Quem ganha com isso? Não é o torcedor, que vê seu time perder um campeonato numa jogada irregular. Não é a Inglaterra que tem sua seleção desclassificada da Copa pelas “mãos de Deus” do maior jogador argentino de todos os tempos. E isso não tem a menor lógica. Nem graça.

E as transferências de atletas DURANTE o torneio? Sim, porque o calendário do Brasil é diferente do resto do mundo. Temos um time até julho, outro a partir de agosto. Como pode? Pior, virou mania um time atravessar a negociação do outro. Se você negocia o lateral e busca outro atleta, entram em ação os empresários oferecendo jogadores como o japonês da feira oferece tomates: vale o preço. Você até encontra um bom jogador, por uma grana razoável. Mas quando vai assinar contrato, o cara é contatado por um cartola do rival, oferecendo um monte de dinheiro para levá-lo. Só que esse time já tem outros sete laterais. Pouco importa se é um investimento válido. Importa apenas atrapalhar a vida do adversário. Pagam uma fortuna para um jogador ficar dois anos encostado só para atrapalhar? Não montam um esquadrão competitivo por pura birra? Valha-me Deus!

Pois que paguem essa grana para mim! Eu faria de tudo para atrapalhar a vida do rival. Misturaria purgante no amendoim a “dois Real” da torcida adversária. Entraria na freqüência de rádio do auxiliar técnico deles e contaria piadas de papagaio. Trocaria as camisas dos caras por modelos de plástico, para não secar o suor de jeito nenhum. Furaria todas as garrafas de água. Colocaria pulgas treinadas nos shorts deles. A bola chega perto, mordem. O atacante pula para cabecear, mordem. E trocaria a lista do mercado no bolso do bandeirinha. O cara ia pirar de preocupação em chegar em casa sem o amido de milho.

Confesso que, apesar dos pesares, sou um apaixonado pelo esporte bretão. É por isso que fico indignado. Portanto, amigos, brigar para quê? Hein? Vamos torcer sem quebrar tudo quando perdermos – e principalmente quando ganharmos! É esporte. Só isso. Uma pena, mas é verdade.

Um grande abraço a todos e muito obrigado por tudo!”.

Terminado o desabafo, sentiu-se profundamente aliviado. Percebeu que toda a equipe técnica estava em silêncio. Alguns torcedores que ouviram aquelas palavras passaram a aplaudi-lo. A equipe acompanhou. Com os olhos rasos d’água, apertou a mão de cada um de seus companheiros e saiu.

Aposentou-se. Comprou um sítio, onde descansa e de onde acompanha os campeonatos. Prometeu que jamais falaria sobre aquele dia. Recusava entrevistas e passou a escrever um livro sobre sua vida.

Atualmente, torce para que sua obra seja publicada e seu time volte a ser campeão. O livro, tem certeza de que dará certo. Já o time...

Por Torero às 06h28

16/07/2007

Qual a melhor coisa do final de semana

Cara leitora, barato leitor, eu vos pergunto: O que lhe deu mais prazer neste glorioso domingo?

( ) A vitória do Brasil no vôlei, conquistando o heptacampeonato na Liga.

( ) A primeira medalha de ouro no Pan, com Diogo Silva, o Pantera Negra.

( ) O título mundial da sensacional Bárbara Leôncio, de apenas 15 anos.

( ) A derrota da Argentina, digo, a Vitória do Brasil.

E digo já meu voto. Achei a medalha de ouro importante, o heptacampeonato é quase inacreditável, a vitória e a história de Bárbara me obrigaram a disfarçar algumas lágrimas, mas a cara dos argentinos derrotados me fez sorrir de alegria. E é melhor sorrir que chorar. Ah, como é bom ganhar deles! Sim, sei que o sadismo é algo reprovável e que sentir felicidade com o sofrimento alheio não é algo que se aprenda no catecismo. Mas ver os convencidos argentinos vencidos, e bem vencidos, por nós, é um um prazer inigualável! Que os puros de coração me perdoem.

 

Por Torero às 07h31

Mases

A festa do Pan foi espetacular. Estive a abertura dos Jogos Olímpicos em Sydney, que foi muito bela, mas o Rio ganhou. Foi leve, inteligente, com uma música excelente, bela coreografia, fantasias bem boladas etc... Realmente foi uma abertura impressionate. Mas houve um "mas".

O discurso de Nuzman foi desnecessariamente longo. Se ele tivesse sido rápido, econômico, receberia por tabela os elogios da abertura. Mas não conseguiu domar seu egocentrismo, ficou tempo demais no palco, e assim acabou prejudicando a abertura.

Acho, aliás, que este será o Pan do "mas".

Bonito, mas custando R$ 3,7 bilhões.

Ganharemos várias medalhas, mas sem trabalho de base.

Uma bela festa, mas inútil para a cidade.

Por Torero às 07h11

Uma nova velha Vila

Uma nova velha Vila

O "Sempre aos domingos" de hoje é um tanto diferente. E por dois motivos. O primeiro é que hoje é segunda-feira, o segundo é que não colocarei aqui um texto, mas sim uma obra do artista plástico Paulo Consentino, que fez uma bela reinterpretação da Vila Belmiro.

 

 

Por Torero às 06h34

07/07/2007

Ronaldinho, o craque no diminutivo

Ronaldinho é o maior craque do planeta. Ou melhor, era.

Nas duas últimas décadas ninguém pisou os campos de futebol com tanta criatividade, marcou gols tão belos ou deu dribles tão desconcertantes. Por outro lado, ele não parece ter vocação para ser o principal, o centro de um time, o capitão, o líder. Ali, no lado esquerdo do ataque, ele fez jogadas inesquecíveis, mas, quando era chamado para comandar sua equipe, fosse um time ou a seleção, seu talento desbotava.

Foi assim, por exemplo, na seleção brasileira, quando brilhou como coadjuvante em 2002, e em 2006, quando era o astro maior e decepcionou. Foi assim também em 2010, na África do Sul, o que o fez nem querer participar da Copa do Brasil em 2014.

Será que o melhor do mundo nasceu para ser coadjuvante? Hoje, dia 7 de julho de 2018, aos 38 anos, Ronaldinho faz um balanço de sua carreira recém encerrrada.

 

Vamos começar pelo pior. Qual o momento mais triste da sua carreira?
Foi quando a seleção não passou da primeira fase na Copa de 2010. Aquela derrota no terceiro jogo para a Rússia foi muito triste. Pior que os empates com a Nigéria e Turquia. Até hoje eu lembro das vaias da torcida.

Estou vendo que você ainda tem a cicatriz daquela pedrada.
É..., o pessoal foi esperar a gente no aeroporto, teve aquela confusão, e eu levei a pedrada. Bem que eu queria ter ido direto para Barcelona, mas o Dunga falou que a gente não podia fugir que nem o pessoal da seleção do Parreira...

Agora que você se aposentou, vai morar no Brasil?
Não sei. Está mais para não. Acho que vou ficar um pouco em cada lugar: Barcelona, Porto Alegre e Londres.

Quanto dinheiro você juntou nestes anos todos?
Não tenho idéia. Mas sei que eu posso fazer o que eu quiser até o fim da vida.

Você acha que terá uma depressão pós-aposentadoria?
Não. Eu não tenho uma alma triste. Mesmo depois de grandes derrotas, como aquelas para a França e para o Inter em 2006, eu estava bem alguns dias depois. Acho que eu tenho uma alma leve.

 Ronaldinho em sua volta olímpica de despedida. Um raro momento de tristeza.

Muita gente diz que essa alma leve é um defeito. Que lhe faltava uma certa obsessão por vencer, como tinha, por exemplo, o Maradona.
Pode ser. Mas será que vale a pena ter essa obsessão? Será que não é melhor ver o futebol de uma maneira mais tranqüila? O Maradona tinha essa obsessão e acabou morrendo antes dos cinqüenta.

Você sempre foi chamado pelo diminutivo do seu nome. Isso não indica que você nunca chegou a ser tão grande quanto poderia?
Eu gosto que me chamem de Ronaldinho. É um apelido carinhoso.

 Ronaldinho recebe sua medalha de campeão do mundo pelo Arsenal.

Será que foi por conta dessa tranqüilidade, dessa forma mais leve de encarar o futebol, que você não foi um líder para os seus times?
Pode ser. Mas eu acho que não nasci para ser líder mesmo. Isso de comandar, de ser o maioral, é muito estressante.

Sei que todo mundo pergunta isso, mas vou perguntar de novo: Por que você não quis participar da Copa de 2014 no Brasil?
Eu já estava com 34 anos, a torcida tinha me vaiado na Copa de 2010, diziam que eu era pé frio... achei melhor não participar. E dei azar, porque essa o Brasil acabou ganhando com aquele gol do Robinho.

Você tem algum grande arrependimento na carreira?
Não. Foi tudo muito divertido.

Mas e os títulos perdidos?
Perdi uns mas ganhei outros. Não dá para ganhar tudo.

Mas você acabou perdendo mais que ganhou. Isso não é estranho, se todo mundo concorda que você era o melhor do mundo?
(Ele não comentou a afirmação acima, apenas fez cara de “A vida é assim...”)

E qual a melhor fase da sua carreira?
No Arsenal, é claro, quando saí do Barça. Aquele ataque com Robinho, Rafael Sóbis e eu foi muito bom. Os ingleses chamavam a gente de “Os erres brasileiros”. Foi um espetáculo. E eu acho que o futebol é mesmo um espetáculo. Mas parece que o pessoal prefere uma vitória por um a zero a um show de bola.

 Os números do brasileiro no Arsenal.

E o que vai fazer de agora em diante?
Sambar, dançar, namorar, viver.

Casamento?
Para quê? Estou bem assim. Como você disse, eu tenho a alma leve.

E os seus onze filhos?
Vão bem. De vez em quando eles vêm me visitar. E o que eu mais gosto é que, como cada um é filho de uma mãe diferente, cada um tem um jeito, uma cara diferente. Dá para fazer um time legal, o Ronaldinho Futebol Clube. E agora eu vou ter mais tempo para fazer os reservas.

 

Por Torero às 08h01

06/07/2007

Fica Dudu!

E continua nossa campanha "Fica, Dualib". Agora com uma nova arma, um logotipo, como vocês podem ver. Ele foi enviado pelo nosso correligionário Fernando Santín, que deu-se ao trabalho de esculpir em seu computador a nobre imagem que seguiremos como outros fiéis seguem a estrela de Davi, a cruz de malta ou a suástica. 

Alguns, mais críticos, dirão que é o logo mais feio de todos os tempos, no que têm um tanto de razão. Mas a nossa causa é bela e santa, e isso é o que conta.

Avante, irmãos! Lutemos até a última gota de sangue! Ou bílis.

Por Torero às 05h23

04/07/2007

Extra! Extra!

Segunda-feira, entrevista exclusiva com Ronaldinho Gaúcho.

 

PS: Segunda, não. Neste sábado.

Por Torero às 06h28

01/07/2007

Sussurro

Sussurro

(O texto do Sempre aos Domingos de hoje foi escrito pelo leitor Davi Kikuchi)

Sussurro

 
Silêncio.

Não é muito comum haver silêncio quando há futebol envolvido. E muito menos em um estádio com mais de trinta mil torcedores, durante o último minuto de uma final de campeonato.

Silêncio.

Paulinho Sussurro, com a bola dominada, ultrapassa a linha média do campo. Como adversário, apenas o goleiro à sua frente. Sussurro não ouve nada. Não que o estádio esteja calado ou que sua concentração bloqueie tudo ao seu redor. Ele simplesmente não pode escutar. É deficiente auditivo.

Passo a passo, Sussurro se aproxima da área do time oponente. Os zagueiros não podem alcançá-lo. São apenas ele e a bola. A bola, sua maior companheira, a única capaz de compreendê-lo perfeitamente. E ele também a entende como poucos. São como irmãos. Em sua infância solitária, era sua única amiga. E foi ela a responsável por apresentá-lo ao mundo à sua volta. Um mundo a que sempre pertenceu, mas que nunca o compreendeu. Até que a bola o arrancou de seu isolamento e o colocou dentro de um grupo. Dentro de um time.

Sussurro está a poucos metros da grande área. É só se aproximar e tocar a bola na saída do goleiro. Ou driblá-lo e entrar com bola e tudo. Mas Sussurro diminui o ritmo de sua corrida. Uma faísca parece percorrer seu cérebro. Um raio brilha em seu olhar. E Sussurro chuta.
Um chute forte, certeiro. Indefensável.

É o momento de glória. Braços erguidos. O mundo, do qual parecia estar à parte durante tanto tempo, está ao alcance de seu abraço. Mas tudo continua em silêncio. Algo parece estar errado. Os companheiros de Sussurro não correm em sua direção. Estão cabisbaixos. Estão quietos.

Passado algum tempo, Sussurro percebe o que havia ocorrido. No instante em que adentrava o campo adversário, um som ecoou no estádio.
Um som agudo, intimidador, apocalíptico. Ele trouxe o fim. O final da partida.

Silêncio.

Sussurro sente o corpo pesar. Seus joelhos perdem a força. Sentado sobre as pernas, suas lágrimas regam o gramado. Derrotado. Vencido por um inimigo desconhecido. Ou melhor, por um inimigo contra o qual não pode lutar. Os companheiros se aproximam para consolá-lo, quando se surpreendem. O inimaginável acontece. Sussurro grita. Um grito de agonia. Um grito engolido pelo silêncio. Mais baixo que um sussurro, mas completamente ensurdecedor.

Por Torero às 06h29

Sobre o autor

Formado em Letras e Jornalismo e quase formado em Cinema, é autor de treze livros (como "O Chalaça"), escreveu roteiros para cinema (como "Pequeno Dicionário Amoroso") e para tevê ("Retrato Falado").

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