Blog do Torero

30/04/2007

O pior dia para escrever

Isto é um blog, e um blog é um tanto diferente de uma coluna normal sobre futebol. Um blog é mais pessoal, mais interativo e há mais troca de idéias entre escritor e leitor. Por isso, como somos um tanto íntimos, faço-vos aqui uma confissão: é um saco escrever sobre futebol depois da derrota do seu time! Ainda mais numa final. A vontade é falar sobre outros assuntos, sobre livros, filmes, comida, mulheres, ou mesmo sobre a virada de casaca de Mangabeira Unger, que era crítico de Lula e agora faz parte do governo.

Escrever sobre a derrota é revivê-la quando só se quer esquecê-la, é entendê-la quando só se quer que ela seja inexplicável, é aceitá-la quando só se quer que ela seja uma injustiça do destino.

Por conta desses maus sentimentos, muitos cronistas se vingam de seus times fazendo-lhes uma crítica mais pesada do que seria necessário. É um jeito de castigar a equipe que nos causa o dissabor da derrota e o desprazer de ter que pensar e escrever sobre esta derrota.

Aí eles disparam frases como “A equipe nunca demonstrou ter a chama da vitória”, “O time mereceu perder” e até mesmo “Dois foi pouco”.

É claro que também acabam sobrando comentários exagerados em relação aos membros da equipe, como “Luxemburgo só ganha nos pontos corridos e não é técnico para decisões”, “Fábio Costa não tem jeito mesmo”, “Antonio Carlos não merece ser titular”, “Cléber Santana é preguiçoso”, “Tiuí é mercenário”, etc...

Feito este preâmbulo, com amargor digo-vos que o Santos realmente não mereceu ganhar. Ou melhor, o São Caetano mereceu vencer. Foi bem na defesa, incluindo o goleiro Luís, e soube fazer dois belos contra-ataques. Já o Santos pressionou mas, como dizem os mais antigos, “não soube converter as chances em gol”. E, numa final, isso é um pecado a ser punido com as chamas do inferno. Ou pior, com a derrota.

No próximo jogo há chance de devolver o placar ao São Caetano, mas o time do ABC não parece disposto a colaborar.

Falando em ABC, o do Rio Grande do Norte tornou-se campeão vencendo o América por 5 a 2. E com quatro gols de Wallyson (que não sei quem é, mas que merece atenção pelos gols e pelo nome esquisito).

E falando em Azulão, outro azul, o Grêmio, empatou milagrosamente no último minuto. O Grêmio devia mudar o nome de seu estádio. Em vez de “Olímpico” poderia ser “Épico” ou “Dramático”, pois o tricolor vem fazendo jogos e resultados que devem fazer a alegria dos cronistas gaúchos.

O Remo, de um azul profundo, venceu o Tuna Luso por 4 a 1 no primeiro jogo. Já está com uma mão e quatro dedos da outra na taça. E o time ainda tem a melhor defesa, o melhor ataque e o artilheiro do campeonato.

Já o celeste Cruzeiro perdeu o jogo, o técnico e o campeonato. Foi uma tragédia grega, com direito a chapéu do adversário e um gol absurdo, em que o goleiro Fábio estava distraído feito adolescente em aula de trigonometria.

O Chapecoense deu um bom passo em direção ao título vencendo o Criciúma no primeiro jogo. Mas o segundo será na casa do adversário. Como não há saldo de gols nas regras catarinenses, eis aí um campeonato que tem boa chance de ser decidido nos pênaltis.

No Paraná, o Paranavaí venceu mais uma em casa: 1 a 0 contra o Paraná. Na semifinal, também ganhou em casa por um gol de diferença e depois segurou o empate contra o Coritiba. Pode estar pintando um campeão estadual diferente por aí.

Em Goiás, Atlético Goianiense e Goiás empataram em 2 a 2. Zé Cabala me disse que o Atlético será campeão com um gol do artilheiro Fábio Oliveira. Veremos.

E no Rio de Janeiro tivemos um jogo emocionante, digno da história do futebol carioca, que começou bem o ano. Dodô provavelmente é o melhor centroavante em atividade no país e no Botafogo joga com uma vontade que não mostrou em outros times. Quanto ao Flamengo finalmente conseguiu montar um time que merece ser chamado assim. Talvez este ano, no Campeonato Brasileiro, não fique apenas na luta contra o rebaixamento.  

 

Por Torero às 10h31

27/04/2007

Texto da Folha

Há tempos não via Tico e Teco, que outrora trabalharam na CBF como diretor-geral de Regulamentos Esdrúxulos e assistente-adjunto de Tabelas Estapafúrdias. Eram eles os responsáveis pelo planejamento do futebol brasileiro, só que, desde que começou essa história de pontos corridos e turno e returno, tem diminuído muito o trabalho dos insignes dirigentes.

Porém, como a Federação Paulista de Futebol estava em dúvida sobre em que estádios marcar os jogos da fase final do campeonato, contratou a criativa dupla para que ela decidisse onde seriam as partidas.

A escolha aconteceu no Bar da Preta, enquanto os dois tomavam caipirinhas de pitanga e comiam calabresa acebolada. Eu, discretamente sentado numa mesa atrás deles, pude acompanhar a conversa.

"Então, para onde marcamos esses jogos, Tico?"

"Em qualquer lugar, Teco, menos no campo de cada um."

(Para ler o resto do texto, uolistas e folhistas podem clicar aqui)

Por Torero às 06h16

25/04/2007

Livros de futebol

Fiquei conhecendo agora uma editora que só trabalha com livros de futebol, algo totalmente inesperado, pois diz-se que o assunto só dá prejuízo no Brasil, o chamado país do futebol (mas que ninguém chamaria de "o país dos livros"). Seu nome é justamente "Livros de futebol". Para conhecer o site da editora, clique aqui.  

Por Torero às 12h47

24/04/2007

A seleção dos seletos e o escrete dos escrotos

Quero fazer um texto sobre uma seleção dos legais no futebol, e para isso peço a colaboração dos leitores para lmbrar quem são os boas-praças do gramado. Pode não ser uma seleção de craques, mas a concentração seria um lugar suportável.

Por outro lado, também vos convido a fazer uma seleção dos boleiros malas, dos mais chatos, daqueles com quem você detestaria ter que dividir um quarto na concentração.

Só para exemplificar, para a seleção dos seletos eu escalaria Marcos, o goleiro palmeirense, um cara muito bacana, com uma honestidade e sinceridade incomuns. Cafu, o 100% Jardim Irene, também estaria na minha equipe (apesar da última Copa) e como centroavante eu ficaria com Aloísio, do São Paulo, que não acerta uma concordância verbal mas é gente fina.

Já entre os malas, bem.., esse eu deixo para vocês.

Mandem aí suas sugestôes.

 

Por Torero às 11h38

23/04/2007

Festa do interior

Pelo Brasil afora, ou adentro, vários clubes do interior estão nas finais, desbancando os clubes das capitais, que, mais capitalizados, capitaneiam o futebol nacional.

O caso mais óbvio é o de São Paulo, onde nenhuma equipe do Trio de Ferro está na decisão, que será entre o São Caetano (que surpreendentemente goleou o tricolor por 4 a 1 neste sábado) e o Santos (que penou para empatar com o Bragantino).

Aliás, estou curioso para saber onde serão os jogos das finais. Se forem em São Paulo será uma estupidez, pois não há nenhum time da cidade nestas duas partidas. E, se não forem na capital, será um absurdo, pois, se os clubes do interior não podiam receber os jogos semifinais, como receberão as partidas decisivas? Sem falar que ficará a impressão de que tudo era favorecimento ao Tricolor.

A Federação Paulista de Futebol não contava com essa. Agora a, digamos, pouca inteligência de sua atitude de colocar todos os jogos semifinais na capital ficou explícita.

No Paraná teremos mais um duelo entre capital e interior. O jovem Paraná (17 anos) enfrentará o sexagenário Paranavaí (61 anos). O surpreendente time do interior conseguiu empatar com o Coritiba em Curitiba, e havia vencido a primeira partida em casa por suados 3 a 2. Já o Paraná, que havia empatado em casa, vai à decisão depois de vencer, primeira vez, o Atlético-PR na Arena da Baixada.

Curiosamente, as duas equipes se classificaram em segundo lugar em seus grupos. E, na primeira fase, Paraná e Paranavaí ficaram em modestos sexto e quarto lugares, ou seja, foram para as semifinais como francos desfavoritos (eis aí mais uma modesta contribuição para a língua portuguesa).

Já no Rio Grande do Sul, tudo indicava que teríamos uma inédita final com dois times da cidade de Caxias. Mas não foi bem assim. O Grêmio precisava vencer o Caxias por 4 gols de diferença. E venceu. É mais um jogo que vai para o altar dos milagres tricolores.

Já o Juventude penou, em casa, para passar pelo Veranópolis. Perdeu por 2 a 1, mas havia vencido a primeira partida por 2 a 0. Ao Veranópolis restou o consolo de ter o artilheiro do campeonato, Vítor Hugo, com 13 gols.

De qualquer forma, teremos mais um embate entre capital e interior, assim como no Ceará, onde o Fortaleza, que traz a capital no nome, enfrentará o Icasa, de Juazeiro do Norte.

E nas semifinais o Verdão do Cariri passou por um time da capital, o Ceará. Ontem, no Romeirão, empatou em 1 a 1. Mas havia vencido em Fortaleza por 3 a 2, com um heróico gol do reserva Ciel aos 37 do segundo tempo.

Que se cuidem os capitalinos (opa, eis uma segunda contribuição à última flor do lácio; é melhor parar  por aqui).

Por Torero às 07h43

22/04/2007

JOga logo pra cá, Ulisses!

Joga logo pra cá, Ulisses!

(O texto de hoje do "Sempre aos domingos" é de autoria do leitor Carlos Eduardo Souza)

Ulisses era um garoto pobre e apaixonado por futebol. Menino, não podia jogar no time do seu bairro. E não jogaria mesmo que adulto, pois era muito perna-de-pau também. Mas sonhava.

Seu lugar era sempre ali, à beira do campinho de terra, sentado num tijolo que já era seu, assistindo aos jogos e dando, o que ele achava ser, instruções aos jogadores. Mas o que a turma mais gostava nele era ir buscar as bolas que caíam ribanceira abaixo. Nisto Ulisses era espoleta.

Tinha mesmo de ser, para que a bola não cruzasse a avenida lá embaixo e fosse dar no rio. O que era raro, aliás. Raro, porque era a bola ir rolando perambeira abaixo e ó o Ulisses lá, pisando aqui e ali como se não pisasse!

Na avenida, Ulisses se metia entre os carros, que freavam bruscamente, pensando vir, logo atrás, uma criança. Eis que surgia então o magricela, correndo e narrando sua própria partida de futebol:

“Lançamento em velocidade para Ulisses pela direita! A zaga pára pedindo impedimento! Ulisses domina...”, momento em que ele alcançava a bola. “Lá vai Ulisses! Passa por um, dois, três adversários...”, vinha ele ziguezagueando entre os carros, com a bola nos pés. “É ele e o goleiro! Vai marcar, atirou para o gol...” E ele chutava a bola de lá, do meio da avenida, de volta para o campinho lá em cima (era a parte que mais gostava), “... E é gol! É gol! GOOOOLLLL!!!” E ele subia o barranco de novo, num êxtase incontido, às vezes socando o ar, feito um Pelé, comemorando o “seu gol” e dizendo: “Golaço! De Ulíssimo...” – era assim que o “seu narrador” o chamava: Ulíssimo – “... o craque da nº. 8!” Ele gostava era da 8. Nos “seus jogos”, ele formava o meio campo às vezes com Zico, com Maradona e até com Pelé. Por respeito, a 10 era deles.

O pessoal achava meio doido, mas não tinha ninguém que quisesse fazer algo tão chato e – pior! – tão perigoso quanto ele. Inda mais com aquele entusiasmo todo! Se fosse outro, a bola caía no rio. Já caíra uma vez com o Ulisses também, é verdade. Mas ele pulou atrás, correnteza abaixo, e o jogo só atrasou um pouquinho.

(E o Ulisses voltando e dizendo: “Sangue! Suor! Lágrimas! Não tem mesmo bola perdida para ele! Na raça! Um golaço de Ulíssimo! Rei! Rei! Rei!”)

Por pena, o time do bairro já pensou em deixá-lo jogar pelo menos uma partida. Mas esse dia ainda não chegou.

Na final do campeonato da cidade, o terrão estava lotado. O jogo era duro, a poeira que subia era densa e o empate ia levando a decisão para os pênaltis.

O time de Ulisses pressionava e, faltando poucos minutos para o fim, o zagueirão adversário, um tal de Mococa, deu um chutão e mandou a bola lá embaixo, no meio dos carros.

De um salto que até quebrou o tijolinho, Ulisses se atirou às pressas perambeira abaixo, no afã de ajudar seu time. A bola pipocava de um carro para outro, mas, num pum, Ulisses a alcançou antes que caísse no rio, o que, certamente, levaria ao drama das penalidades.

“- Joga logo pra cá, Ulisses!”, gritou de cima um dos jogadores que, aflito, queria o recomeço da partida e da pressão.

Ulisses chutou. Como nunca chutara antes, aliás. Esqueceu-se até de narrar a jogada, que seria, por certo, o mais belo dos seus gols.

O jogo pôde então recomeçar. A pressão continuou forte, mas infelizmente o time de Ulisses não conseguiu o gol salvador do título. Ia ser mesmo nos pênaltis.

Durante o intervalo, enquanto atletas relaxavam a musculatura e treinadores pensavam suas listas de batedores, do meio da torcida alguém gritou:

“- Cadê o Ulisses?”, apontando o tijolo quebrado, à beira do campinho.

Lá da avenida, podiam-se ouvir buzinas e vozes. Alguns correram para a beira do terrão, na direção do tijolinho e de onde viram Ulisses pela última vez. Outros, nem isto.

Do meio de um engarrafamento enorme e de uma balbúrdia sem fim, via-se o corpo de um garoto cercado de paramédicos e enfermeiros ser conduzido para dentro de uma ambulância.

Silêncio. Perplexidade. Consternação.

Muitos tentavam descer o barranco, sem a mesma destreza do menino, e, quem sabe, fazer parar a ambulância que, no entanto, já ia longe.

Dias depois, no hospital público da cidade, Ulisses recebia a visita do presidente do clube (que era também o capitão e o goleiro do time). Por sorte, Ulisses estava bem. O atropelamento lhe rendera “boas” fraturas e escoriações, mas não corria mais riscos.

Das mãos do presidente, Ulisses recebeu uma medalha de campeão e uma placa (que foram, na verdade, encomendadas exclusivamente para ele, já que seu time não vencera aquela final – coisa que ele nunca soube. Tão desolados ficaram com o acidente de Ulisses, que perderam nos pênaltis). Na placa, os dizeres: “Ao nosso campeão de honra: Ulíssimo. Pelos valiosos préstimos à nossa equipe durante o campeonato de clubes da cidade”.

O presidente teve de explicá-lo o significado da palavra “préstimos” e, após dar-lhe um beijo paternal, deixou a enfermaria. Como ouvira algo ao sair, entreabriu novamente a porta para ver o que era.

Lá estava Ulisses: medalha ao pescoço, plaquinha numa das mãos e a escova de dentes na outra, feito um microfone, dizendo para “alguém” ao vazio:

“- É, foi uma grande partida e, graças a Deus, saímos vencedores. Estou feliz pelo prêmio, apesar da contusão. Mas todos podem ficar tranqüilos: assim que estiver liberado pelo Departamento Médico, vou voltar aos gramados para ajudar meus companheiros a conquistar ainda mais títulos”.

E não duvidem! Afinal, são promessas de Ulíssimo, o Rei.

 

Por Torero às 18h31

20/04/2007

Velho livro novo

Lanço hoje um livro novo. Ou melhor, relanço hoje um livro velho. É o "Santos, um time dos céus", livro que escrevi em 1998 e que conta a história de um torcedor imaginário chamado Brás Cubas dos Santos e, é claro, a do Santos. Como de lá para cá a história do time mudou um bocado, mudei o final do livro, acrescentando a geração Robinho e Diego, os campeonatos brasileiros, o paulista de 2006 e etceteras.

A primeira edição era luxuosa e cara. Esta será mais acessível aos bolsos dos mortais (mas ainda tem várias fotos). O livro sai pela editora Realejo (13 3289-4935).

O lançamento será hoje, a partir das 19h00, no Memorial das Conquistas, que fica lá na Vila Belmiro.

Por Torero às 06h33

19/04/2007

Texto de hoje na Folha

Quando cheguei ao escritório de Zé Cabala, o grande mensageiro das almas, o supremo webmail dos espíritos, ele já me esperava em sua sala.

Usava um turbante negro e negra também era sua túnica.

Como nunca o tinha vista tão elegante, perguntei: “Está de luto, mestre?”

“Não, é que preto emagrece”, ele me respondeu. “Mas vamos ao que interessa: Quem o nobre foliculário (ou devo dizer folhiculário?) quer entrevistar hoje? Um grande meia, um inesquecível atacante, um invencível zagueiro ou um premiado técnico?”

“Estava pensando em algo mais simples: um torcedor.”

Então o divino psicófono ergue-se, pegou a toalha da mesa e começou a agitá-la como se fosse uma bandeira, correndo pela sala e cantando uns hinos que não entendi. Depois, já ofegante, finalmente sentou-se.

“O senhor é um torcedor?”, perguntei.

“Ô! E dos bons.”

“Pois eu queria saber o que leva alguém a amar um time?”
 

 

Obs.: Para ler o resto do texto de hoje na Folha, clique aqui (atenção: só para folhistas, uolistas ou para quem conseguir uma senha emprestada).

Por Torero às 08h09

16/04/2007

O dia dos Davis

Uma das melhores histórias da Bíblia é a luta entre o pequeno Davi e o gigante Golias. É bem verdade que Davi joga sujo, já que se utiliza de uma funda, arma que pode ser usada à distância, e isso é mais ou menos como você vencer o Mike Tyson dando-lhe um tiro de revólver. Mas não entremos em detalhes. O importante é que, na história de Davi e Golias, o mais fraco, mas mais esperto, vence.

E, no futebol brasileiro, este foi o fim de semana foi dos Davis. Vários deles beliscaram empates ou até vitórias contra os Golias futebolísticos.

O exemplo óbvio vem do Campeonato Paulista, onde o Bragantino empatou com o Santos em 0 a 0 e, no divino duelo entre São Caetano e São Paulo, ficou-se no 1 a 1.

É claro que os dois grandes continuam sendo os favoritos, ainda mais que só precisam empatar. Mas, como falta apenas um jogo e o futebol não é muito obediente à lógica, uma zebra não é nada impossível.

No Rio de Janeiro, a Cabofriense do bom volante Marcão (ex-Fluminense) também conseguiu descolar um empate numa bela partida do goleiro Gatti. Os botafoguenses desferiram chutes de tudo quanto é jeito, força e distância, mas o goleiro, a trave e a sorte seguraram o empate. O técnico Cuca, que, como já disse não sei quem, tem cara de personagem bergmaniano, parecendo sempre estar sofrendo alguma dor profunda, passará mais uma semana de ares amaros. Para piorar, se houver outro empate, a decisão será nos pênaltis, e esse Gatti anda meio inspirado.

Noutro Rio, o Grande do Sul, a zebra foi ainda maior. O Caxias ganhou de 3 a 0 do Grêmio, em Caxias, e a cidade está perto de ver uma final entre seus dois clubes, já que o Juventude venceu o Veranópolis por 2 a 0 na outra semifinal (só para lembrar, o Internacional já está fora do campeonato).
 
E outros resultados como esses aconteceram pelo Brasil afora (ou adentro). Em Minas, o Tupi empatou com o Cruzeiro; no Paraná, o Paranavaí venceu o Coritiba de virada por 3 a 2; e, no Ceará, os Davis aprontaram nas duas semifinais: o Itapipoca empatou com o Fortaleza em 0 a 0 e o Icasa venceu o Ceará por 3 a 2.

Para piorar a situação dos Golias, vários deles têm jogos importantes no meio de semana. Pela Copa do Brasil, Botafogo e Coritiba se enfrentam em Curitiba, e o Cruzeiro receberá o Brasiliense em BH. São jogos difíceis e nos quais não é aconselhável usar times mistos. Pela Libertadores, o Santos recebe o Deportivo Pasto na Vila Belmiro, mas joga apenas para cumprir tabela, pois já é o campeão de seu grupo (e o Deportivo já assegurou a lanterna). Porém, o São Paulo viaja até o Peru para enfrentar o Alianza, e precisa de um bom resultado. Ou seja, não poderá entrar com o freio de mão puxado. Terá que jogar a sério, a 100%.

No final das contas pode ser até que nenhum destes Davis acabe vencendo seu Golias, pode ser que eles errem a pedrada e acabem massacrados pelos Golias. Mas os pequenos estão dando trabalho e isso já vale um bocado. De certa forma, estes Davis servem de recado ao homem comum, dizendo que qualquer um pode vencer, mesmo que não seja um gigante filisteu.

Por Torero às 06h00

15/04/2007

Voltei

Voltei

Volto hoje a publicar o "Sempre aos Domingos", uma seção deste blog destinada a receber textos de leitores. Hoje, excepcionalmente, colocarei dois textos, já que ambos têm a ver com sonhos.

 

 

Por Torero às 13h12

Meu sonho

Meu sonho

De: Ronaldo Andrade

Meu sonho é fazer um gol
Não um simples gol, qualquer
Mas sim um golaço
Sim, um verdadeiro gol de placa
Desses que fazem a torcida
Enlouquecida, delirar
Ter prazer
Explodir em gôzo
Desses que até a torcida
Adversária aplaude
Resignada, e ao mesmo tempo,
Contente por ter presenciado,
Visto com  os próprios olhos
Tamanha beleza
Dessas que nos fazem refletir,
Introspectivos,
O significado e a importância
Desse momento
E após tudo isso, comemorar
Junto ao alambrado
Dançar, tocar o torcedor
Com o radinho de pilha no ouvido
Que foi lá, que está aqui
Só para nos ver jogar

E após tudo isso
Ver o placar se movimentar
O adversário respeitar
O companheiro de equipe se alegrar
Todos, todos mesmo
Presentes ao estádio
Se entusiasmarem  e saudarem
A vida e seus mágicos momentos
E o goleiro
Ah, pobre do goleiro
Nós que somos (e temos) um pouco
De goleiro
Finge tristeza, mas que no fundo
Está orgulhoso por ter sido
O escolhido, e que no seu íntimo diz
“Meu Deus,  que golaço...”


...um gol que faça os vivos amarem
e os mortos levantarem
a guerra (estupidez) acabar
e a paz triunfar.

Por Torero às 13h10

Copa dos Sonhos Reais

Copa dos Sonhos Reais

(Por Max Fischer)

O Santos é o melhor time de todos os tempos. O Flamengo é o pior de todos os tempos.  De tempos em tempos, jornalistas, amantes do futebol, ou ambos se reúnem e montam “esquadrões” de diferentes épocas. Só no papel mesmo para gênios e pernas-de-pau de diferentes gerações do futebol se encontrarem e se enfrentarem. Só na teoria e no campo das idéias para acontecer o agradável encontro de Pelé com Robinho nos gramados da Vila Belmiro lotada ou o desagradável encontro de Junior Baiano com Dill no Maracanã caindo aos pedaços e vazio.

Agora, filosofo do futebol, imagine a seguinte cena.

Corinthians e Santos disputam uma das semifinais do Paulistão 2007 na Vila Belmiro. O sol brilha e uma leve maresia dá o odor para o clássico dos alvinegros. As duas torcidas fazem das arquibancadas o palco para uma festa colorida e animada. O narrador pede licença ao público escala os dois times.

O Corinthians, “o time mais brasileiro”, escalado para partida por Carlos Alberto Parreira, chega empurrado por sua fiel torcida e lutará com: Dida; Kleber (de boca fechada), Anderson, Fábio Luciano, e Eduardo Ratinho; Fabinho, Marcelo Mattos e Ricardinho; Nilmar, Tevez e Leandro.

O Santos, “que joga por jogar”, montado por Vanderlei Luxemburgo, vêm para a batalha com: Fábio Costa; Maurinho, Alex, Luís Alberto e Léo; Maldonado, Elano, Diego e Zé Roberto. Robinho e David.

Palmeiras e São Paulo se enfrentam na outra semifinal. O primeiro jogo acontece em um Palestra Itália lotado. O São Paulo, o “mais querido”, comandando pelo general Muricy é escalado com: Rogério Ceni, Lugano, Alex Silva e Fabão; Cicinho, Mineiro, Josué, Kaká e Junior; Luis Fabiano e Ricardo Oliveira.

O Palmeiras que se orgulha de ter uma “defesa que ninguém passa”, é comandado por Luís Felipe Scolari, que não aceitou uma milionária proposta do futebol português e trouxe o Palmeiras de volta a elite futebolística depois de um ano de redenção na série B do Brasileiro. Marcos, Arce, Gamarra e David, Michael; Francis, Magrão, Valdivía e Pedrinho; Vagner Love e Edmundo foram os escolhidos para defender o Palmeiras nessa semifinal.

Robinho versus Dida. Kaká versus Gamarra. Duelos que nunca chegaram a ocorrer em estádios brasileiros. Poderiam ter ocorrido, mas inúmeros motivos impediram que gênios da bola contemporâneos disputassem os certames brasileiros.

Os motivos são muitos, mas a venda para o futebol europeu é o principal vilão nessa história. Se os times brasileiros tivessem condições financeiras para segurar seus astros à história poderia ser diferente e não teríamos torneios equilibrados pela mediocridade e sim pelo alto nível técnico dos times. Cada Brasileirão seria uma Copa dos Sonhos Reais. Pelé e Robinho no mesmo time é um sonho barato, cria da nossa desilusão com o futebol atual, mas imaginar esses quatro esquadrões disputando o mundo não seria um sonho distante.

A copa dos Sonhos reais é possível. Basta o futebol brasileiro se modernizar e não vender nossas principais riquezas a preço de banana para a Europa. Até lá, será que Robinho e Pelé dariam certo no mesmo time?
 

 

PS: 5 torcedores de cada time “montaram” a seleção. A única exceção é o caso do Santos que foi montado pelo Torero, mas teve aval de outros quatro santistas.
 

Por Torero às 13h06

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