Blog do Torero

31/01/2007

O Bahia dos pesadelos

A torcida do Bahia mandou muitos votos e mostrou que a não inclusão da equipe na Copa dos Pesadelos seria realmente uma injustiça.

Sua seleção teve de tudo: nepotismo, jogadores fora do peso, atletas em fim de carreira, ilustres desconhecidos, boas histórias e jogadores com apelidos absurdos, que revelam o futebol do sujeito em poucas sílabas.

O time é tão bom que deixou na reserva grandes nomes do sul-maravilha, como Neizinho (ex-Santos), Reinaldo Xavier (ex-Palmeiras), Bujica (ex-Flamengo) e Macula (ex-Bangu).

Vamos ao escrete soteropolitano, escalado num moderno 3-5-2:

Para presidente, foi sugerido um triunvirato: Eterno presidente: Paulo Maracajá. Presidente: Marcelo Guimarães. Tragicômico diretor de futebol: Petrônio Barradas. 

O técnico será Edinho Nazareth (superando Jair Pereira e Joel Santana).

Para fechar (ou abrir) o gol, temos o campeão de votos do time: Alex Guimarães (“o frangueiro que era genro de Joel Santana e não deixou o Bahia voltar para a série A”).

Na zaga, reforçada (ou piorada) com três zagueiros, temos: Advaldo NBA (“bisonho beque do Bahia nos anos 90, ganhou esse apelido logo na estréia. Quando viu aquela figura de 2m de altura e nenhum futebol, um comentarista disparou: "contrataram esse cara para o time de basquete, jogador de futebol ele não é”), Acioli e Valdomiro Vaca Braba (“mais de 100 gols sofridos em um Brasileiro e depois, por essas coisas do futebol brasileiro, jogou no Palmeiras e no Flamengo”, “um zagueiro horrível que uma vez, contra o Cruzeiro, pensou que era goleiro e deu um monte de socos na bola, na goleada por 7x1 em plena Fonte Nova”).

Na ala direita, um velho conhecido dos são-paulinos: Jura (que os torcedores do Bahia juram que não é jogador de verdade). Na esquerda, Chiquinho.

Os veteranos volantes serão Wilson Mano (“o mesmo do Corinthians, com 40 anos”) e Galeano (“não conseguia terminar um jogo sequer”).

A armação ficará a cargo de Guaru Corpo Mole (“o apelido já diz tudo”).

E no ataque, ponto forte da equipe, teremos a portentosa dupla Volnei Baleia (“150kg”) e Viola (“o mais odiado depois do genro do Joel”).

Sem dúvida, uma equipe que merece despeito, digo, respeito. E lá das arquibancadas os torcedores, em vez de gritarem “Bora Bahêeea!", bradarão: “Vão bora  do Bahêeea!”

 

Por Torero às 07h24

O Flamengo dos pesadelos


O time de maior torcida do país conseguiu escalar representantes à altura de suas tradições. Sim, graças a sucessivas e brilhantes administrações, o rubro-negro mais amado do país conseguiu reunir nomes inesquecíveis.

Mas seus torcedores não se prenderam aos dias mais recentes.Mostrando boa memória, eles votaram também em jogadores dos tempos de antanho, como Merica, Manguito e Wanderley Luxemburgo (que não se elegeram).

Outros ilustres que foram lembrados mas não se elegeram foram Jura (eleito no São Paulo e no Bahia), Pierkarski, Charles Guerreiro, e o sonoro trio Bigu, Piá e Jajá.

Mas vamos aos escolhidos, àqueles que moram no coração (ou no fígado) da torcida.

Comecemos pelos chefes. O presidente é Edmundo dos Santos Silva, e o técnico, Júlio César Leal.

No gol, após uma dura batalha com Adriano, venceu Zé Romário (estará ele lutando para levar o milésimo gol?)

Na lateral-direita, uma vitória fácil: Maurinho (“il, il, il, primeiro de abril”, “o pior de todos os tempos”). No miolo de zaga, Fernando e Júnior Baiano (“favorito ao posto de contra-artilheiro do certame”). E na lateral canhota, Cássio (que superou Rivera por um voto).

No meio-de-campo, um trio inspirado: Douglas Silva, Vampeta (autor da célebre e reveladora frase: “eles fingem que pagam e a gente finge que joga”) e Jorginho (“inesquecível, jogou durante anos a fio pelo Flamengo, e sempre conseguia piorar, bater era seu lema”).

No ataque, o trio será: Whelliton (curiosamente, todos os torcedores escreveram seu nome corretamente, sem o “n” entre o “i” e o “t”, o que mostra que ele está mesmo na memória dos jogadores), Dill (“nem gol de pênalti”) e o mais votado de todos: Negreiros (“dava pena”).

Eis aí um time que pode levantar a taça.

 

Por Torero às 07h23

Fim da votação

Acabou a votação para montar as seleções dos pesadelos de cada equipe. Nos próximos dias publicarei aqui os, digamos, escretes, e depois começarão as competições.

As quatro equipes extras (que mais mandaram votos) foram Bahia, Goiás, Sport e o surpreendente Paraná, que na reta final superou o Atlético-PR. 

Por estes dias também publicarei a divisão das chaves, que será feita por sorteio.

Por Torero às 06h23

30/01/2007

Convites para o Chalaça

Houve muitas boas respostas e fiquei em dúvida sobre qual escolher. Optei então pelo científico método do unidunitê e os vencedores foram:

Pedro Sérgio: 
"Pela casaca, e pela origem portuguesa podemos pensar que D. Pedro I era vascaíno, mas isso não era verdade. Seu maior prazer era descer a baixada santista, e na beira do litoral paulista enontrar sua Marquesa de pele alva. Sabia que Santos estava predestina a ser o início de um grande reinado, que dali sairia o Rei do mundo. Como ao lado da Marquesa ele era muito mais feliz, D. Pedro I tornou-se santista."

e Gustavo de Oliveira:
"Dom Pedro primeiro é fundador, patrono e eterno presidente de honra da Torcida Independente do São Paulo Futebol Clube. Este fato se confirma por ser Dom Pedro um nobre e como tal só poderia torcer para um time da elite pó de arroz da época."

Mandarei email para os dois, explicando como fazer para pegar os ingressos.

Por Torero às 19h44

São Paulo dos pesadelos

E vamos à seleção dos pesadelos tricolores. Os votos dos são-paulinos foram bem focados, e assim o time tem os dois jogadores mais votados até aqui. Uma honra duvidosa.

O segundo mais votado entre todos os jogadores de todos os clubes foi o goleiro Alencar (“média de 6,55 gols por jogo”,  “Qualquer bola na direção do gol entra, logo, os zagueiros não podem recuar pro goleiro”).

À frente do arqueiro de média invejável, os tricolores ergueram uma muralha (esburacada) com três zagueiros: Wilson, Nem (“para o time acabar sempre com 10 jogadores”) e Paulão Desmaiei-na-apresentação.

À frente deles, Axel e Carabali (“lembra dele?”).

Nas alas, Jura (que também estará na seleção do Bahia) e Lino.

Para armar as jogadas: Sierra (“a enganação que veio de fora e por cima, lembra?”, “chegou de helicóptero no CT, vê se pode!”).

No ataque: Dill (lembrado por várias torcidas) e o nosso campeão de votos, Rondon, que devia ter um lema parecido com o do seu antepassado, o Marechal Rondon. O do Marechal era: “Morrer se for preciso, matar, nunca!”. O do atacante poderia ser: “Morrer se for preciso, marcar gol, nunca!”

Para dirigente, venceu Fernando Casal Del Rey (“que jurou que o Cafu nunca jogaria pelo Palmeiras/Parmalat e tinha "tudo certo" com Renato Gaúcho e Edmundo”).

E para técnico, depois de um apertada disputa entre Mário Sérgio, Parreira e Nelsinho Baptista (“tomou duas vezes de 7”), ganhou Oswaldinho de Oliveira.

Por Torero às 06h23

Cruzeiro sem estrelas

Os votos cruzeirenses foram bem dispersos, espalhados entre vários jogadores diferentes. Não houve, como em outros clubes, vitórias arrasadoras de certos nomes.

Já no gol tivemos uma dura disputa. No fim, venceu Maizena, apenas um voto à frente de Ronaldo (ex-Corinthians).

Na zaga ficamos com Zelão, Argel (não deve ter feito muito sucesso em BH), Izaías e Patrick (o campeão de votos).

O meio de campo teria Bruno Quadros como volante. Ele se deu bem em alguns clubes, mas os torcedores colocaram-no como o segundo mais votado.

Os dois armadores têm nomes sonoros: Macalé e Marabá.

E o ataque traz os famosos Bandelack, Toby e Hector Tapia.

Para dirigir este escrete, os torcedores escolheram Nelsinho Baptista.

Por Torero às 06h21

Vasco dos pesadelos

O Vasco dos pesadelos teve eleições muito fáceis em algumas posições: o dirigente escolhido foi (quem diria?) Eurico Miranda e o técnico, Dário Lourenço.

Mas vamos ao time:

No gol, vitória fácil de Tadic (chamado de “o amigo do Pet”, “o afilhado do Pet” e “o motorista do Pet”).

A defesa será formada por Cafezinho (“aquele que levou umas bicudas do Romário”), Bebeto (“ex-Figueirense, entregou um jogo pra Portuguesa-RJ em 2006”), Alê (“um grandalhão horrível que também andou pelo Fluminense”) e Diego (que mereceu votos mas não comentários dos torcedores).

O meio de campo teria o sempre lembrado Nasa, Nélson Patola (“horrível e patolador”) e Gomes (“o melhor jogador do Furacão na goleada por 7 a 2”).

Mas a força do time cruzmaltino está no ataque: Fábio Junior, Nilson Pirulito (“jogou em 963 times”) e Valdir Papel (que, segundo os torcedores, fez um papelão em São Januário).

 

Por Torero às 06h20

29/01/2007

O Corinthians dos pesadelos

Os corintianos enviaram mais de 100 indicações, entre jogadores, técnicos e presidentes, para compor sua seleção dos pesadelos. Deu trabalho, mas contei os votos um a um e cheguei a um escrete inolvidável, que fará os corintianos tremerem de insônia esta noite.

Para começar, a eleição presidencial foi a mais fácil. Dualib ganhou com um pé nas costas. Marlene Matheus até foi bem lembrada, mas o o Fidel da Fiel, ou o "presidente ditador", como disse um leitor, venceu fácil.

Já para técnico, a eleição foi bem apertada. Leão ("possuído pelo espírito de Clodovil"), Júnior (o ex-lateral-esquerdo do Flamengo), Geninho e Mário Sérgio ("com o maledeto esquema de marcação homem-a-homem: os jogadores corriam o campo inteiro e ninguém fazia gol") disputaram palmo a palmo, mas no final venceu Ademar Braga.

O time, escalado num precavido 3-5-2, ficou assim:

No gol, bastaram poucos jogos para consagrar Johnny Herrera, que superou Wilson Macarrão, Nei "mão-de-pau" e César ("o inesquecível anão voador de 81/82").

Na zaga, o ponto forte da equipe: o trio calafrio Baré (o mais votado), Gralak e Guinei ("o marcador de Batistuta, segundo Nelsinho Baptista").

Os alas escolhidos foram o campeão mundial Índio (que superou Leandro Silva por pouco) e Augusto (que, segundo a torcida, não merece o nome).

Para proteger o trio de zagueiros: Embu (com Cocito na reserva).

Na criação, vitória fácil de Piá e Adrianinho ("os piores jogadores que já vestiram o manto sagrado").

E, para o ataque, digo-vos que Santiago (El Tanque) Silva, Kel ("o rei do pênalti perdido") e Bobô ficaram na reserva, pois a dupla de artilheiros escolhida foi Alex Rossi e Alcindo ("o careca com rabo-de-cavalo"). E eles venceram com facilidade.

 

Por Torero às 08h35

O Internacional dos pesadelos

Acabei de contar os desgostosos votos colorados e cheguei à Seleção dos Pesadelos do Internacional. Escalei o time num 4-4-2. Ficou assim:

No gol, vitória fácil de Maizena.

Nas laterais, a dupla (que poderia ser de cantores sertanejos) Nílson e Admílson.

Na zaga, o consagrado Tonhão (recordista de votos junto com Maizena) e Dacroce. Sem dúvida, um miolo que aumenta a chance do Inter nesta Copa.

À frente deles, para garantir a qualidade, os volantes Cleitão e Leandro Guerreiro.

Os meias seriam os inesquecíveis (para os colorados) Tim e Celso.

E os responsáveis pela artilharia vermelha são Mazinho Loiola e Didi Facada.

Para dirigir a equipe, Joel Santana e sua prancheta mágica. 

Por Torero às 08h06

Uma seleção de homens-canhões, lordes, carniceiros sanguinários e infatigáveis

Fazendo um apanhado das quatro pesquisas que fiz aqui recentemente, teríamos a seguinte seleção:

No gol, o lorde Gilmar.

Nas laterais, o infatigável Zé Maria e o canhão de Roberto Carlos.

No miolo de zaga, para espantar os engraçadinhos, Argel e Cocito (deslocado).

Os volantes seriam Chicão e Biro-Biro, uma dupla de respeito.

Nas meias, com classe e garbo, Ademir da Guia e Adílio.

E no ataque, Sócrates e Pepe.

Uma bela seleção, com boa mistura de raça, técnica e porradas (na bola e nos adversários).

 

Por Torero às 07h58

E o infatigável dos infatigáveis é...

Depois de 4825 votos, um recorde nas pesquisas deste blog, Zé Maria venceu como o grande infatigável. E venceu com larga margem. Foram 1818 votos, ou seja, 37,66%.

Só para comparar, a eleição anterior teve 930 votos, ou seja, o Super Zé teve o dobro dos votos de todos os carniceiros sanguinários juntos. Certamente, esse número deve-se à mobilização da torcida corintiana.

E o segundo lugar também veio das hostes alvinegras: Biro-Biro, com 21,18% dos votos.

Mineiro, que pensei que seria o vencedor, ficou em terceiro, logo atrás do ex-vereador, com 19,17%. E em quarto, com uma bela votação, ficou o incansável Cerezo, com 11,5%. 

Por Torero às 07h52

28/01/2007

Convites

Está em cartaz em São Paulo uma peça feita tendo como de partida o livro "Galantes memórias e admiráveis aventuras do virtuoso Conselheiro Gomes, o Chalaça", escrito por este vosso colunista. Para sorte dos espectadores, a peça ficou bem diferente do original. A direção é do premiado Marcio Aurélio, de "Agreste", e há um belo time de atores. Sempre às quartas e quintas, às 21h00, no teatro Sérgio Cardoso. 

Para quem não sabe, o Chalaça, ou Francisco Gomes da Silva, foi secretário particular de D. Pedro I. Aliás, mais que isso: foi capanga, piadista, violeiro, amigo e alcoviteiro do imperador. 

A produção do espetáculo deu-me dois convites para esta quarta e dois para esta quinta. Vou repassá-los aos leitores que me disserem (e justificarem com inteligência e graça) para que time torcia D. Pedro I.

Por Torero às 11h48

26/01/2007

Copa dos pesadelos

Além dos doze times que participaram da Copa dos Sonhos, abri mais quatro vagas para que tenhamos um mata-mata perfeito e para que outros clubes possam participar. Até agora os que estão entrando nestas vagas são Bahia, Sport, Atlético Paranaense e Goiás.

Segunda-feira começo a publicar as seleções de cada clube.

Por Torero às 09h29

Os infatigáveis

10h25. Faltando três dias para terminar a eleição dos infatigáveis, já tivemos mais de três mil votos e a luta continua boa.

Pela manhã, lá pelas 7h00, Mineiro estava apenas 1% atrás de Zé Maria. Parecia que o volante ia ultrapassar o lateral-direito. Mas eis que Zé Maria teve uma recuperação estupenda e voltou a ter 10% de vantagem. 

Cerezo não está mal, mas provavelmente a torcida atleticana tirou o pé do acelerador.  

Por Torero às 09h26

25/01/2007

Texto da Folha

Para ler o texto de hoje, que tem o título de "Meu vizinho é pior que Hitler", assinantes do UOL e da Folha podem clicar aqui.

Por Torero às 09h20

A Copa dos Pesadelos

Um surpreendente número de palpites já chegou. Mais de 200! E o curioso é que vieram times inteiros, e não um ou outro jogador, como eu esperava. Parece que a memória afetiva, ou raivosa, dos torcedores é excelente.

Corinthians, Flamengo e São Paulo são os clubes que mais receberam votos, mas também estão bem representados Palmeiras, Santos, Vasco, Atlético-MG e Grêmio.

Goiás e Bahia saíram na frente por uma das quatro vagas extras.

O Fluminense teve uma votação tímida e a maior decepção é o Botafogo, que hoje seria o único dos doze clubes pré-selecionados a perder por WO.

E já temos alguns destaques individuais, como a dupla Embu e Baré, do Corinthians, Adriano Chuva, do Cruzeiro, Alencar e Rondon, do São Paulo, e a dupla de ataque Negreiros e Dill, pelo Flamengo.

Por Torero às 07h51

Duelo de infatigáveis

Zé Maria continua na ponta, mas eis que no horizonte surge um perigoso inimigo: Cerezo.

O mineiro ultrapassou Mineiro e Biro-Biro (que chegou a estar em segundo lugar) e assumiu a vice-liderança.

Mas Mineiro, o gaúcho, vem se recuperando e ainda não desistiu da luta.

Já tivemos mais de dois mil votos nesta eleição sobre os infatigáveis, o que significa que ela será a mais votada. Parece que os verdadeiros infatigáveis somos nós, os torcedores.  

Por Torero às 07h39

24/01/2007

A Copa dos Pesadelos

Alguns criativos leitores sugeriram e, obediente que sou às boas idéias, farei aqui uma Copa dos Pesadelos. Será uma edição inversa à Copa dos Sonhos que o Juca fez em seu blog. 

Ou seja, em vez de falarmos dos nossos melhores times de todos os tempos e de nossos melhores craques, lembraremos das nossas piores equipes e de nossos mais vexaminosos cabeças-de-bagre. 

Será a hora de lembrarmos das fases negras de nossas equipes, do Santos de Totonho e Toinzinho, do Corinthians "Faz-me rir", do Palmeiras de Darinta, do Fluminense que caiu para a Terceira e de Beijoca no Flamengo.

Os competidores serão as mesmas doze equipes da Copa dos Sonhos, a saber: Botafogo, Internacional, Cruzeiro, Santos, Flamengo, Vasco, Palmeiras, Atlético-MG, São Paulo, Fluminense, Corinthians e Grêmio. Além disso, entrarão os outro quatro clubes mais votados, e assim teremos um mata-mata perfeito.

E, é claro, seguirá na competição o time que perder, não o que ganhar.

Teremos mais algumas diferenças em relação à Copa dos Sonhos. Em vez de jornalistas, o poder ficará com os leitores. Vocês é que elegerão quem perderá ou ganhará os terríveis confrontos. E vocês é que darão os palpites para que eu forme a seleção (ou desseleção) de cada clube. Os leitores poderão propor quantos jogadores quiserem: um, alguns, ou até mesmo um time inteiro, sem esquecer de técnico e presidente.

Se algum time não tiver onze jogadores, ficará fora da competição.

A eleição já começou. Coloque aqui seu comentário com seus eleitos. Procure no porão da memória aqueles jogadores que você escondeu por vergonha. Eu já achei alguns.

Por Torero às 08h59

Reviravolta entre os infatigáveis

Até ontem Mineiro estava ganhando a votação dos infatigáveis com certa calma, mas eis que agora pela manhã abro o blog e o Super Zé é o novo líder.

Confesso que pensava que teríamos uma vitória fácil do gaúcho Mineiro, mas parece que os fãs de Zé Maria estão dispostos a virar o jogo.

E o terceiro colocado também é um ex-corintiano: Biro-Biro. 

Por Torero às 08h43

22/01/2007

Tipos inesquecíveis: os infatigáveis

Nós, os torcedores, amamos os infatigáveis. Mesmo que eles não sejam craques, ficamos emocionados vendo alguém que sua completamente a camisa que idolatramos, alguém que se entrega de corpo e alma, que corre os noventa e minutos.

Mais do que com os craques, nós nos identificamos é com os infatigáveis. Provavelmente, se tivéssemos a sorte de jogar por nosso time, seria assim que jogaríamos, correndo por todo o campo, disputando cada jogada.

Os infatigáveis têm raiva do intervalo. Eles não querem parar, não querem descansar aqueles quinze minutos. O verdadeiro infatigável é o primeiro a voltar para o segundo tempo. E sobe as escadas aos saltos.

Há quem diga que alguns infatigáveis nem vão de ônibus para o jogo. Preferem ir correndo para fazer o aquecimento.

Os infatigáveis têm um pouco de Deus. Eles também são onipresentes. Às vezes lançam e correm atrás da bola, às vezes cobram o lateral e o recebem, às vezes marcam dois jogadores ao mesmo tempo, às vezes marcam um mesmo jogador pelos dois lados. Duvidam? Perguntem ao Gerrard, do Liverpool. Ele dirá que foi marcado por dois volantes gêmeos que ele esqueceu o nome, mas é algo como Miner ou Boy from Minas.

O São Paulo teve outro grande infatigável: Cafu. Vamos esquecer a Copa de 2006. Lembremos de 1998 e 2002, com nosso capitão correndo para lá e para cá, marcando e mascando os adversários.

Acho que o primeiro grande incansável que vi em campo foi Rosemiro, o “namoradinho da Raquel Welch”, como dizia Osmar Santos. Rosemiro era feio como a fome, mas corria feito uma gazela no cio! Ia e voltava para o ataque como quem vai da sala para a cozinha. Ou mais que isso, já que neste momento em que escrevo em minha sala, não consigo criar coragem para ir até a cozinha fazer uma boquinha. A preguiça também emagrece.

Outro célebre feio incansável foi Biro-Biro. Que disposição! Aquele cabelo pintado de loiro parecia estar em todos os lugares do campo. Era tão onipresente que tiveram que dar-lhe um nome duplo.

O infatigável pode ser grosso ou craque. Telê Santana foi um bom exemplo do segundo tipo. Era um ótimo jogador e corria até o último segundo de jogo. Não é à toa que seu apelido era “Fio de Esperança”. Sem falar que ele era incansável até quando estava no banco como técnico. Telê foi um infatigável por dois tricolores.
 
Dirceu também era um bom jogador e um infatigável de primeira. Foi um jogador moderno na moderna equipe de Cláudio Coutinho, tanto que acabou ficando em terceiro lugar na eleição do melhor jogador da Copa de 78. Jogou pelo Vasco, depois zanzou pelo México, Itália e Espanha.

Cerezo, é claro, não pode faltar nesta lista. Atleticanos e são-paulinos sabem qual é o prazer de ter aquele infatigável correndo com a camisa do seu time. Era um volante com habilidade de meia, ou podia ser um meia com raça de volante.

Poucos merecem tanto o epíteto de “carregador de piano” quanto Galeano. Se juntássemos todas as gotas de suor que ele derramou no Parque Antártica, daria para encher a piscina do Palmeiras. Seria nojento, mas glorioso.

Os pontas-de-lança geralmente ficavam esperando lançamentos dos meias. Mas ninguém ousava falar isso para Paulo Isidoro. Ele corria tanto que parecia ser uma cabeça sobre duas longas pernas. O marcante Paulo Isidoro corria para marcar e para se desmarcar.

César Sampaio e Mauro Silva entra no panteão dos infatigáveis em posição de destaque. Ser zagueiro tendo um desses dois sujeitos à frente era uma profissão tranqüila, sem estresse.

E tenho que lembrar de Zé Maria, que tinha um físico tão superior aos seus adversários que ficou conhecido como Super Zé.

Enfim, se você não ficou cansado ao lembrar destes jogadores, vote na enquête aqui do lado.

Por Torero às 06h13

Bola dividida entre os carniceiros sanguinários

A disputa entre os carniceiros sanguinário foi tão acirrada que, após 930 votos, tivemos um inédito empate: Chicão e Argel empataram com 20,54% dos votos. E Cocito ficou logo atrás, com 19,35%. Ou seja, o destino dos carniceiros sanguinários é mesmo a dividida, a disputa dura, o combate homem a homem.

Por Torero às 06h12

19/01/2007

Os infatigáveis

Na segunda-feira, na sessão Tipos Inesquecíveis, vou falar sobre " Os infatigáveis", ou seja, aqueles jogadores que correm o tempo todo, que parecem ter três pulmões. Mande aí suas sugestões sobre quem deve entrar na votação. 

 

 

Por Torero às 07h07

18/01/2007

Texto da Folha

Eu sou um viciado

 

 

Isso mesmo, vicioso leitor e viçosa leitora: eu sou um viciado. Chegou a hora de me confessar, de me abrir com meus três leitores.

 

E a verdade é que há algumas semanas eu sou um viciado.

 

Tudo começou inocentemente. Valter, meu concunhado ofereceu-me a droga. Só por diversão, só para experimentar, eu aceitei. Pensei que provaria apenas aquela vez e que nunca mais veria a coisa. Mas qual o quê? Dois dias depois eu já procurava Valter e pedia mais uma dose.

 

O pior é que não parei por aí. Em poucos dias descobri onde comprar eu mesmo a coisa, e então já não dependia mais de meu concunhado. Passei a consumir a droga sozinho.

 

Logo descobri que a droga existia há um bom tempo e eu não era o único viciado. Meu primo Carlos estava muito mais dependente do que eu. Muito mais. Sabia como usar a droga de vários jeitos. E Basílio, velho amigo, estava ainda pior: ele se encontrava com mais seis ou sete sujeitos da nossa idade e ficava na casa de um deles consumindo a coisa por horas e horas seguidas. Simplesmente não conseguiam voltar para casa.

 

A coisa chegou a tal ponto que sua esposa descobriu o covil em que estavam, foi até lá e fez escândalo. Disse que homens daquela idade deviam ter mais responsabilidade, que ele tinha filhos para criar e não podia se entregar àquilo até altas horas. Triste cena...

 

Entrei na internet para ver se havia mais viciados. Sim, há. Muitos. Milhares. E eles trocam informações de como usar melhor a coisa. O uso desta droga alastrou-se tanto que já é uma questão de saúde pública, uma epidemia!

 

De minha parte, estou me afundando mais e mais. Ontem mesmo fiquei até as 3h40 da manhã acordado, de olhos vidrados, usando a coisa. Ela me deixa feliz, excitado e, mal acabo de usá-la, já quero outra vez.

 

 

(PS: Antes que o leitor faça algum julgamento precipitado, é bom ler o resto do texto. Assinantes do UOL e da Folha podem clicar aqui.)

Por Torero às 07h21

15/01/2007

Tipos inesquecíveis: os carniceiros sanguinários

Nestes tempos em que é moda o “politicamente correto”, ninguém tem muita coragem de falar a favor daquele jogador raçudo, que entra com tudo e mais um pouco, que entra para matar a jogada ou quem estiver por perto.

Mas ninguém pode negar o alívio que nos dá quando nosso beque de fazenda chega e dá uma bicuda na bola (levando junto o meia adversário), ou quando nosso volante levanta aquele pontinha que estava fazendo firulas em nossa defesa.

Este tipo de jogador, o carniceiro sanguinário, é um tipo muito comum, muito útil e muito esquecido. Ninguém se lembra deles quando faz sua seleção de todos os tempos do seu clube. O carniceiro sanguinário não é um tipo memorável como os homens-canhão ou os lordes. Eles não saem na capa dos álbuns de figurinhas e só de vez em quando dão entrevistas no intervalo dos jogos.

O verdadeiro carniceiro sanguinário é grosso, mas joga com tanto empenho e alma que acabamos gostando dele. É um sujeito que entra em campo disposto a dar sangue e suor (geralmente o seu suor e o sangue do adversário). Sua maior alegria é quando a bola fica entre ele e aquele centroavante baixinho e rápido. Aí ele esfrega as mãos feito vilão de novela mexicana e até saliva, já imaginando o sangue vermelho do adversário se espalhando pela grama verde.

O verdadeiro carniceiro sanguinário não gosta de carne mal passada. Ele morde o touro.

O primeiro de todos, ou pelo menos o que nos ficou na memória, foi Nariz, zagueiro do Botafogo nos anos 30 e que foi reserva na Copa de 38 (além de médico da delegação). Nariz, chamado Álvaro Lopes Cansado mas que ganhou seu apelido por sua nariganga fabulosa, fez parte de uma defesa alvinegra que ficou conhecida como “Esquadrão da Cavalaria” (para ler entrevista com ele, via Zé Cabala, uolistas e folhistas podem clicar aqui).

Outro paradigma deste estilo é Chicão, que jogava feito um xerife mas tinha cara de bandido mexicano. Jogou em vários clubes e chegou à seleção. E lá fez algo que parecia impossível: barrou Falcão. Chicão talvez tenha sido o mais bem-sucedido entre os verdadeiros carniceiros sanguinários.

Os corintianos mais antigos hão de lembrar de Moisés, não o que repartiu o Mar Vermelho, mas aquele que partiu muitos ossos. Era um Charles Bronson da zaga.

Falando em galãs, não se pode esquecer do loiro Márcio Rossini, do Marília, do Santos, da seleção e do Bangu. A torcida nunca se preocupava quando a dividida era com ele, pois sabia que, se a bola passasse, o adversário passaria desta para melhor.

Dinho não tinha essa de acertar apenas abaixo da medalhinha.

Cocito está perto de se tornar lenda, e já conseguiu um apelido que o imortalizou: Coicito.

Mas é bom deixar claro que não há carniceiros sanguinários apenas nas posições de zagueiros e volantes. Há goleiros, laterais e até centroavantes, como Beijoca, do Bahia, do Sport e do Flamengo. Apesar do mimoso apelido, ele era um atacante do tipo vingativo e que, às vezes, tal qual Bush Jr., vingava-se por antecipação.

Argel até tatuou um dragão e levantava as golas para ficar com ar de malvado. Seu estilo guerreiro teve tanto sucesso que até fizeram o famoso filme “A batalha de Argel”.

Alguns jogadores, assim como alguns escritores, ficam famosos por uma única obra. É o caso de Márcio Nunes e Morais, que têm a fama de terem quebrado, respectivamente, Zico e Reinaldo. Talvez até nem tenham sido carniceiros sanguinários por toda a carreira, mas realizaram uma obra única que provoca ódio de torcidas específicas.

Um fato interessante é que há jogadores que começam como carniceiros sanguinários mas conseguem evoluir. Um bom exemplo é o nosso capitão Dunga. No começo da carreira ele era apenas um jogador viril, que ia nas jogadas com uma vontade exagerada. Quando eu o via disputar uma bola, pensava que era melhor ser jornalista do que centroavante (o que, cá entre nós, é um absurdo).

Mas com o tempo Dunga evoluiu, aprendeu a lançar, a chutar, maneirou nas faltas e virou um grande volante. Porém, aí já não era mais um carniceiro sanguinário.

Tanto que os verdadeiros carniceiros sanguinários hoje em dia olham para ele com um misto de inveja e desprezo, e dizem: “Esse aí se afrescalhou de vez. Agora até usa lencinho no bolso”. E depois cospem de lado.

Enfim, vote no seu carniceiro sanguinário inesquecível. E sem frescura!

Por Torero às 10h06

E o lorde dos lordes é...

Depois de 2256 votos, o lorde mais votado foi Adílio, com quase 29,17% dos votos. Em segundo lugar ficou o grande Ademir da Guia (até hoje não vi o documentário sobre ele. Que falha, que falha...), com 23,32%.

A medalha de bronze coube a Sócrates (16,8%), que ontem deu uma bela arrancada e ultrapassou Falcão, que estacionou nos 13,43%. Em quinto ficou o príncipe etíope do rancho, o sensacional Didi. 

Por Torero às 10h03

12/01/2007

Adílio na liderança

Já estamos em cerca de 1.500 votos e o líder Adílio chegou a 30%. Certamente os adilistas se organizaram e fizeram uma "corrente pra frente". Mandem um comentário  explicando como e quem fez tamanho esforço.

Ademir da Guia segue em segundo, com chances de reação. Falcão vem à frente de Sócrates e Didi continua se aproximando da dupla.

Quantos aos carniceiros sanguinários, poucos citaram jogadores antigos, como Nariz, do Botafogo. Onde estão os meus leitores enciclopedistas? Ou será que antes da década de setenta não havia chicões? Duvido.

Por Torero às 07h12

11/01/2007

Zé Cabala e o homem que não errava

Quando cheguei à casa do sumo sacerdote das comunicações com o além, ele não estava com seu tradicional turbante. Ou melhor, estava, mas sobre ele havia um simpático chapéu panamá. Não me contive e exclamei: 

“Curiosa combinação, ó, grande mestre!”

“É que hoje você vai entrevistar um jogador dos anos vinte.”

Então ele ligou sua vitrola, pôs um disco de charleston e começou a dançar. Quando acabou a música, ele fez uma reverência e disse: “Bom dia, cavalheiro, meu nome é...”

(Para ler o resto do texto de hoje na Folha e saber quem é "o homem que não errava", folheiros e uólogos podem clicar aqui.)

Por Torero às 06h57

10/01/2007

Divino na ponta e carniceiros sanguinários

10h42. E eis que, ao chegarmos aos 700 votos, o Divino assume a ponta. Falcão vem logo atrás e o Doutor segue de perto o Rei de Roma. Curiosamente, Didi e Adílio vêm subindo.

15h51. Eis que chegamos aos 900 votos e Ademir da Guia é o líder. Já esteve com mais de 30%, mas agora vem caindo um pouco. A surpresa é Adílio, que atropelou Didi e já é o quarto colocado. Parece que a galera flamenguista começa a mostrar seu valor.

A próxima eleição dos tipos inesquecíveis será a dos "Carniceiros Sanguinários". Quem quiser, mande aí seu palpite sobre quem deve entrar na disputa.

Por Torero às 09h46

09/01/2007

Duelo entre lordes

10h20. Chegamos aos 300 votos para a eleição do lorde dos lordes, e há um ótimo duelo entre Sócrates e Falcão. Eles ficam trocando de posição a toda hora. E o melhor é que Ademir da Guia vem se aproximando, prometendo acirrar a disputa. Em quarto vem Didi, segundo um leitor: "o homem que jogava com sapatos de cromo alemão". Uma ótima posição para um jogador que teve seu auge há quase 50 anos.

14h00. Já são 400 votos e Ademir da Guia tomou o segundo lugar do Doutor.

22h14. Com 561 votos, Falcão é o líder, mas apenas 1,5% à frente de Ademir, que por sua vez está apenas 1,5% à frente de Sócrates. E Didi vem se aproximando lenta e discretamente de todos eles, como, aliás, é bem típico dos lordes.

Por Torero às 09h20

08/01/2007

Tipos inesquecíveis: os lordes

Nobre leitora, plebeu leitor, com certeza vocês já viram um lorde em campo. Ou mesmo na rua. Eles estão entre nós, os mortais, e são fáceis de se notar.

Por exemplo, lembram daquele menino na escola que, mesmo tendo um uniforme igualzinho ao seu, o dele parecia mais branco, mais macio e feito sob encomenda? Esse era um lorde.

É importante não confundir a lordeza com a riqueza ou a nobreza. A lordeza é algo d’alma. Estão aí o Chiquinho Scarpa e o príncipe Charles para comprovar minha tese. Eles têm dinheiro e coroa, mas não são lordes.

Por outro lado, os lordes seriam excelentes príncipes ou milionários. Mas, quando o destino coloca-os em outra profissão, eles não se importam, e desfilam sua classe mesmo assim.

Os lordes sentem-se à vontade, por exemplo, como diplomatas ou maîtres, que estão sempre de terno e gravata, e falando algumas palavras em francês. A diferença é que num lorde isso parece natural, mas em nós, os comuns, a gravata parece roubada de um palhaço de circo, o terno herdado de um tio gordo do interior e, quando falamos francês, pensam apenas que estamos de boca cheia.

No futebol, é fácil enxergar os lordes. Para começar, eles não olham para baixo. Têm os olhos no horizonte, vendo algo que não vemos. Andam aprumados, como se vestissem a camisa sem tirar-lhe o cabide. Diz a lenda que, mesmo que corram todo o jogo, não suam. E, se por acaso brotam-lhe algumas gotas na fronte, dizem que recende a sândalo.

Quereis exemplos para entender melhor? Dou-vos.

Didi era um lorde. Aquele andar cadenciado, o chute de folha-seca e aqueles lançamentos longos e precisos são coisas típicas de um grande lorde.

Já Falcão foi um lorde moderno, que corria por todo o campo. Mas esse vigor físico jamais se transformava em chutões desesperados ou em bicudas sem direção. O sapateiro que cuidava de suas chuteiras tinha pouco trabalho.

Os lordes também podem ser encontrados na zaga. É raro, mas acontece. Luisinho, do Atlético-MG, é um caso inconteste. Há quem diga que sua chuteira era de pelica e que ele pisava tão macio que não deixava pegadas na areia. Figueroa foi outro lorde da zaga. Às vezes ele até mandava a bola para a lateral, mas até estes gestos mais vigorosos eram feitos com garbo, do mesmo modo que alguns abrem suas champanhes com um golpe de espada.

Falando em bebidas, Ademir da Guia, um supremo lorde, poderia jogar segurando um cálice de vinho. Um Romanée Conti, é claro. 

Gérson foi um lorde com ares de general. Um lorde que fumava nos vestiários e fazia comerciais ruins, mas, sem dúvida, era um descendente da linhagem de Didi, e distribuía lançamentos inacreditavelmente precisos com a naturalidade de quem joga uma guimba no chão.

Danilo, o center half do Vasco do fim dos anos 40 e começo dos 50 (o Expresso da Vitória) era tão nobre que ganhou o apelido de Príncipe. Danilo jogava com elegância, não gostava de fazer faltas e tinha um especial cuidado com seu corte de cabelo. Quem viu diz que não houve maior lorde que o Príncipe.

Obviamente, os lordes raramente gostam das laterais do campo, preferindo ficar ali pelo meio. Mas alguns concedem esta honra aos seus times. Um bom exemplo é Nilton Santos. Certo dia, conversei com ele pela manhã e com Antonio Cândido, nosso principal crítico literário, à noite. Fui dormir pensando que Antonio Cândido era tão elegante que bem poderia ter jogado no Botafogo de Nilton, e que Nilton Santos tinha tanta inteligência que bem poderia ter escrito algo em parceria com Antônio Cândido.

Gilmar dos santos Neves foi o lorde sob as traves. Mas era um lorde tão simples e perfeito que, mesmo podendo usar luvas, preferia deixá-las de lado. Lorde que é lorde não precisa de brasão, medalha ou luva. O lorde é.

Sócrates tinha o perfil esguio de nobre espanhol e a barba mal feita de um nobre inglês. Mas era Brasileiro até no nome. Ele era um lorde tão distinto que nem quando marcava um gol perdia a pose: em vez de dar pulos e soltar palavrões, erguia um braço e caminhava para o centro do campo.

Talvez alguns não lembrem e outros discordem, mas para mim Adílio foi um dos nossos maiores lordes. Suas passadas largas, seu drible aberto e a cabeça sempre erguida me davam uma inveja colossal. Às vezes eu tentava imitá-lo nas peladas na praia de Santos, mas sempre tropeçava e me esborrachava na areia. Poucos nascem para lorde.

Bem, nobre leitora e plebeu leitor, agora opine e vote aqui ao lado em seu lorde favorito. Mas não vote com o mesmo dedo com o qual você acabou de futucar o nariz. É preciso ter classe.

Por Torero às 07h21

07/01/2007

Resultado da pesquisa

E fiz o balanço da pesquisa sobre quem tem o chute mais forte.

Depois de 558 votos, venceu Pepe (18,64%), um jogador da década de sessenta, o que mostra que o brasileiro, pelo menos o torcedor brasileiro, tem memória.

Em segundo lugar ficou Éder (16,49%), que teve suas melhores fases no Rio Grande do Sul e em Minas Gerais, o que mostra que os eleitores escapm do voto no eixo Rio-São Paulo.

Um pouco atrás ficou Nelinho (15,95%), com a medalha de bronze, o único destro entre os seis primeiros colocados (depis vieram Roberto Carlos, Branco e Rivelino).

Por Torero às 20h18

04/01/2007

A melhor coisa de 2006

Renovada leitora, ressacado leitor, neste primeiro texto do ano resolvi falar sobre a melhor coisa que aconteceu no esporte em 2006. E isso não foi a vitória de Marílson na Maratona de Nova York, não foi o bicampeonato mundial da seleção masculina de vôlei e não foi o ouro de Diego Hypólito na final da Copa de ginástica disputada em São Paulo.

Também não foi o campeonato mundial de clubes conquistado pelo Internacional, não foi o Brasileiro vencido pelo São Paulo e muito menos a volta do Atlético-MG à primeira divisão nacional.

A melhor coisa de 2006, caros amigos, foi o Brasil vencer a Copa do Mundo da Alemanha!

(Para ler o resto do texto, folheiros e oulistas podem clicar aqui.)

Por Torero às 12h04

01/01/2007

Tipos inesquecíveis: o homem-canhão

Quantas vezes o encantado leitor e a encantadora leitora já não viram a cena abaixo?

O sujeito se prepara para bater a falta. Na barreira, os jogadores se protegem, semicerram os olhos e apertam-se uns contra os outros. Eles sabem que virá uma bomba, uma bola que pode acabar com seus futuros filhos, que pode decapitar os menos avisados.

O sujeito dá uma corridinha e... pou! Lá vem a patada, o canhão, balaço, a bicanca, a cacetada, o petardo!

Daí em diante tudo pode acontecer. Um homem da barreira pode desabar, a rede pode furar ou a bola pode sair do estádio.

A bomba é um dos grandes momentos do futebol. É um momento de virilidade, de explosão, de surpresa.

E falo em surpresa não só pelas improváveis curvas que a bola pode descrever, mas porque ela pode dar uma triscadinha sutil num zagueiro e entrar mansa no canto direito enquanto o goleiro se esparrama pelo esquerdo, ou pode bater em vários jogadores como uma bola de pinball, ou pode ir parar na torcida, que abraçará a bola como um troféu.

Não é à toa que um dos principais arquétipos do futebol é o homem-canhão.

Ele pode ser um zagueiro central como Alex, do Santos, um lateral-direito como Nelinho, que chutava uma bomba que fazia duas curvas no ar, um lateral-esquerdo como Roberto Carlos, que, quando não está arrumando a meia tem um chute poderoso, um meia refinado, como Rivelino, o Patada Atômica, ou um ponta como Éder.

Chutar forte é um mistério. Parece que é só mover a perna com rapidez e força em direção à bola. Mas não é. O bicão é um mistério insondável. Longe de ser uma manifestação dos rudes, é uma arte de poucos, um raro talento.

Getúlio, o simpático Gegê da Cara Grande, que fez sucesso no São Paulo lá pelos anos 70, era um zagueiro simples, modesto, mas seu chute transformava-o num terror para os adversários.

Há vários gols inesquecíveis feitos com chutes fortes. Quem não lembra daquele de Branco contra a Holanda, quando ele quase decapitou, ou desancou, o pequeno Romário, que teve que fazer um contorcionismo para se desviar da bola?

Quarentinha, do Botafogo, é outro que ficou famoso com seus chutes fortes. E ele era fininho feito uma taquara, o que prova que o homem-canhão não precisa ter pernas que mais parecem toras de madeira.

Neto é outro que tinha um chute forte. Fez um gol fantástico no Maracanã, contra o Flamengo, que parecia impossível. Quase do meio campo. Mas Neto também sabia chutar colocado, ou seja, não era um bicancoso puro. Era um homem-canhão capaz de dar estilingadas sutis.

Um bicancoso puro é como Pepe, que sabia driblar e tinha velocidade, mas é lembrado mesmo pelos seus chutes de canhota, que uma vez desmaiaram Alfredo, do São Paulo. Dos mais de 400 gols marcados pelo Canhão da Vila, pelo menos metade deve ter sido feita com um tirambaço (metáfora bombástica muito apropriada aos homens-canhão).

Enfim, se houvesse limite de velocidade de 100km/h para as bolas desses aríetes humanos, eles sempre seriam multados.
 
Vote aí ao lado no seu demolidor de barreiras favorito.
 

Por Torero às 09h52

Resultado da pesquisa

A pesquisa anterior, sobre se os leitores preferiam ver um político corrupto preso ou seu time campeão estadual acabou com cerca de 87% preferindo ver o político atrás das grades. É, sempre desejamos o mais difícil...

Por Torero às 09h51

Sobre o autor

Formado em Letras e Jornalismo e quase formado em Cinema, é autor de treze livros (como "O Chalaça"), escreveu roteiros para cinema (como "Pequeno Dicionário Amoroso") e para tevê ("Retrato Falado").

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