Blog do Torero

28/08/2006

Um fim de semana perfeito

Este foi um fim de semana perfeito. Pelo menos para santistas, gremistas e vascaínos.

Domingo pela manhã, numa emocionante corrida de F-1, Felipe Massa conseguiu sua primeira vitória. Fale a verdade, seus olhos ficaram úmidos quando você escutou o tema da vitória mais uma vez. Tenho certeza de que você pensou: “Até que enfim, alguém para torcer...” E, para melhorar, Schumacher ainda ficou atrás de Alonso, o que é ótimo se você torce contra o alemão.

Mas isso era só o começo. Logo depois de um descanso, que você aproveitou para aumentar sua taxa de colesterol, houve a final da Liga Mundial de vôlei, com uma inacreditável vitória sobre a França. Infelizmente a Globo não transmitiu, o que para mim foi um erro. Ou pior, uma covardia (uma final de Liga Mundial já merece estar na tevê aberta). Pelo menos os que têm tevê a cabo puderam assistir a uma partida inesquecível, em que começamos perdendo por 2 a 0, mas viramos para 3 a 2, e sempre ganhando por pouco.

Mas a coroação veio com o futebol.

Os santistas comemoraram já no sábado, quando venceram o Goiás de virada. Jogando feio, é verdade, mas conseguiu os três pontos. E, de virada, qualquer vitória é um tanto épica. Agora o Santos se isolou na segunda posição. Mesmo assim, ainda precisa de um ataque de verdade e de um meia que funcione.

Os gremistas ganharam do Corinthians em pleno Pacaembu, uma façanha e tanto. E os vascaínos sofreram mas venceram o campeão sul-americano lá no Beira-Rio. Com isso os dois times saltaram para a faixa da Libertadores, coisa que só os torcedores mais otimistas acreditariam no começo do campeonato.

Mas a felicidade desses três torcedores não parou por aí. Eles também ficaram contentes com os maus resultados de seus oponentes:
- o empate do São Paulo (que jogou um bom segundo tempo, teve mais oportunidades que o Flamengo e pênaltis não marcados),
- a derrota do bom Paraná, em casa, para o Juventude (talvez o oba-oba dos últimos dias em torno dos paranistas tenha atrapalhado a equipe),
- a derrota do Inter (será que o time, já classificado para a próxima Libertadores, desistiu do Brasileiro?),
- a derrota do Fluminense (em casa, para o Atlético-PR), que continua caindo na tabela,
- e o empate do Palmeiras, que vem subindo muito na fase pós-Copa, mas ontem tropeçou em Campinas.

Já os torcedores mais tristes do Brasil obviamente são os de Goiás, Corinthians, Fortaleza e Santa Cruz. Os quatro estão na zona de rebaixamento e os quatro perderam neste fim de semana.

Esses, hoje de manhã, devem estar conversando assim: “O jogo? Claro que vi. Foi sensacional! Esse Bernardinho é bom demais mesmo.” 

Por Torero às 08h46

Dois pra cá, dois pra lá

Na disputada série B, as duas torcidas mais felizes são as de Coritiba e Náutico, os dois líderes que finalmente conseguiram abrir alguma folga em relação a seus perseguidores. Hoje eles estão cinco pontos à frente de Sport e Avaí, e seis à frente de CRB, Atlético-MG e Marília.

Neste fim de semana, as grandes vitórias foram a do Coxa, que superou o Avaí em Santa Catarina, e a do Marília, que goleou o Paysandu por 4 a 1 e se aproximou muito da zona de classificação.

Na ponta de baixo da tabela também há dois times que se descolaram do grupo. Remo e Ceará estão a sete pontos de escapar da zona de rebaixamento, e precisarão fazer uma árdua escalada para escapar da série C. Para piorar, os dois jogarão fora de casa na próxima rodada.

Eis as duas torcidas mais tristes da Série B, que, aliás, já devem estar saindo da tristeza para o desespero. 

Por Torero às 08h46

Da rua para o estádio

Neste fim de semana, 50 albergados (ou homens de rua, ou mendigos, conforme a sensibilidade do leitor) foram assistir ao jogo entre Corinthians e Grêmio. Parece uma tentativa interessante de “reinserção social”, como dizem os técnicos no assunto.

A promoção é do Corinthians, da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social e da Nestlé.

Trabalhei com homens de rua há alguns anos (na gestão Luiza Erundina) e lembro que as tentativas de reinserir homens de rua na sociedade eram sempre muito difíceis. É quase impossível um morador de rua voltar a ter uma vida comum, com residência fixa. Não só pelos óbvios problemas econômicos, mas, muitas vezes, porque eles optam por não voltar à sociedade que os expulsou.

Talvez despertar sua paixão por um time, colocá-lo na multidão, sentindo-se parte de um coletivo, seja mesmo um bom caminho. Ou, pelo menos, um primeiro passo.

Por Torero às 08h45

27/08/2006

O país do vôlei

O Brasil acabou de vencer a Liga Mundial de Vôlei. E foi uma vitória sensacional, daquelas de causar enfarte. Começou perdendo de 2 a 0 e acabou vencendo por 3 a 2. Para piorar, ou melhorar, os cinco sets foram vencidos pela diferença mínima.

E, simbolicamente, o vôlei conseguiu seu hexa (que o futebol não conseguiu) em cima da França, que derrotou o Brasil na Copa.

Pelo jeito, aquela história de que somos o país do vôlei, e não do futebol, vai voltar às manchetes. E, hoje, com alguma razão. 

Por Torero às 13h24

26/08/2006

Plutão na Série B

O leitor Alexandre Petillo mandou este textinho astronômico-futebolístico:

  

 

Atenção. Furo de reportagem! Este blog conseguiu uma entrevista com o Plutão, o primeiro planeta rebaixado da história. Falei por telefone com o planetinha, que não está nada contente com a situação e anuncia um novo reforço:

 

Blog: Oi, Plutão, tudo bem?

 

Plutão: Como poderia estar bem? Estou bem plutão com essa história.

 

Blog: Qual é a sensação de ser rebaixado?

 

Plutão: É horrível. Pergunte aos palmeirenses. Perder na bola tudo certo. O ruim é quando isso acontece no tapetão. Eu não sou de todo mal, daria para ficar entre os oito.

 

Blog: Você vai tentar virar a mesa pra voltar ao grupo nobre do universo?

 

Plutão: Perdi meu apoio na federação, mas já comecei a conversar com um grupo de investimento russo, especialista em lidar com planetas rebaixados. Inclusive, vou contar com assessoria de um especialista no assunto: Marcelinho Carioca. O investidor garantiu que ele tem um foguete no pé. 

 

Blog: Dizem que ele é encrenqueiro.

 

Plutão: Aqui ele entra na linha. Na minha atual situação, ninguém pode ficar com estrelismo.

 

 

Por Torero às 07h23

24/08/2006

Cá com meus botões

E o glorioso Torneio de Futmesa José Roberto Torero terminou com a vitória do jogador Dinho, menos conhecido como Anderson Aparecido de Moura Campos. Ele venceu a final contra  Claudio Fujikazu, mais conhecido como Kikuchi, por 3 a 2. Em terceiro lugar ficou Valdir Roves de Souza, simplesmente o sexto colocado no ranking paulista.

O mais curioso é que Dinho jogou com o Santos. Parece planejado, mas não é.

Por Torero às 13h04

O número 1 dos números 1

Clique aqui para ler o texto de hoje na Folha.

Por Torero às 12h48

21/08/2006

Dia sangrento em Brasileirão City

Os últimos raios de luz lambiam as poeirentas ruas de Brasileirão City. Os tons avermelhados do crepúsculo anunciavam o sangue que escorreria daqueles dez duelos.

Sim, foi uma rodada de combates duros, disputados, muitos decididos só no último minuto, no último segundo, no último suspiro.

No fim das contas, o grande vencedor do fim de semana foi Blue Reed, o caubói que canta blues entre um tiroteio e outro e é primo distante de Lou Reed. Ele venceu Caetano Bill com um tiro certeiro aos 49’ do segundo tempo, e foi o único entre os oito melhores a sair vitorioso de seu duelo. Ninguém está dando muita atenção a Blue Reed, e assim, no seu estilo discreto, ele vai vencendo seus oponentes.

Outro que venceu aos 49’ do segundo tempo foi Black Bridge. A vítima foi John Esmeraldine, que não vence há nove duelos. John já deve estar se preocupando em ser mandado para Série B Village, o lugar para onde ninguém quer ir.

Hoje, o maior candidato a ir para lá é o tradicional Sam T. Cruz. Desta vez ele empatou com o aristocrático Louis Laranjeira, que usa esporas de ouro e revólver de prata. O problema de Louis não é a falta de cobre, mas algo está errado por ali. Seus fiéis admiradores dizem que suas táticas estão erradas e que ele deixa suas melhores armas no banco de sua charrete. E os fiéis admiradores quase sempre têm razão.

Uma surpresa nos duelos deste fim de semana foi a derrota de Billy Santos, que sucumbiu frente aos vastos bigodes de Joaquim Wayne em pleno Belmiro Saloon (coisa que ainda não tinha acontecido este ano). Billy perdeu a luta e perdeu também a chance de ser o maioral de Brasileirão City por alguns dias. Seu problema é que ele é bom nas esquivas, mas não tem criatividade para armar suas armas.
 
Big Green e James Colorado ficaram no empate. Muitos davam Big por morto, mas eis que ele se levantou e hoje é um duelista perigoso contra qualquer um. Já James Colorado ainda está de ressaca por causa de uma grande festa no meio de semana. Há que ver quanto tempo ele vai levar para curá-la. A de Tim Timão parece que só está acabando agora, oito meses depois de ele encher a cara numa comemoração.

Falando em Tim Timão, ele, agora com um chapéu branco, parece que está se recuperando. Ainda não é sombra do que era há um ano, mas já volta a preocupar seus inimigos. Ontem ele venceu Seth Fire, que anda meio apagado e não vence há seis duelos, desde que perdeu seu pé de coelho da sorte, que ele carinhosamente chamava de Dodô.

O intrépido Bob Baião jogou quatro vezes seu chapéu de couro para cima, pois por quatro vezes ele acertou Young Boy. O jovem caubói gaúcho começou bem o ano, mas não vence há quatro combates. Se continuar assim, pode rolar desfiladeiro abaixo.

Will Uai e Jack Tricolor fizeram um belo duelo. Logo de cara o caubói que só se veste de anil acertou dois tiros em Jack. E então disparou o tiro de misericórdia. Mas aí, eis que os tortuosos caminhos do destino fizeram com que a bala batesse na fivela de metal do cinto de Jack (marca Ceni), ricocheteasse e acertasse o próprio Will. E duas vezes, o que é mais incrível. Para consolo de Will Uai, pode-se dizer que ele tem um dos mais promissores cavalos de Brasileirão City, o potro Wágner.

Black Red foi outro que aproveitou o último instante da luta para dar seu tiro certeiro. A vítima foi Sancho Pampa, que deve cair na tabela nas próximas rodas, pois por um bom tempo não poderá lutar em seu saloon favorito, o Olímpico, por conta do comportamento de alguns admiradores selvagens.
 
Por fim, Phil Gueira ia vencendo Harry Hurricane, mas, faltando apenas dois minutos para acabar a luta, Harry contragolpeou e empatou o embate.

Aliás, tivemos quatro empates neste fim de semana, o que mostra como as coisas andam equilibradas em Brasileirão City. Perder ou vencer é uma questão de detalhe. Um detalhe chamado gol.

Por Torero às 06h46

Série B Village

Na Série B, a disputa está violenta. Faltando uma rodada para o final do turno (duas para Brasiliense e Marília), nada menos do que onze times podem acabar na zona de classificação para a Série A. Por enquanto, Coritiba e Náutico, cada um com 32 pontos e 32 gols marcados, estão na frente.

Já na parte de trás da tabela, Ceará e, principalmente, Remo estão perdendo contato com o resto do grupo. Eles terminarão o primeiro turno como os maiores candidatos a caírem para a “C”. “C” de “chuif”...

 

Por Torero às 06h45

16/08/2006

Ora, pílulas!

 

 

Libertadores do Brasil

Que jogaço! Internacional e São Paulo fizeram uma daquelas partidas que nunca esqueceremos. Não houve grandes jogadas, não houve dribles sensacionais, mas cada um dos jogadores parecia disposto a correr até o enfarte fulminante. E o melhor é que houve empenho mas ele não trouxe as faltas desleais, um suspeito brinde que às vezes vem com a raça.

 

 

Brasil

O jogo do Brasil mostrou o que se esperava, um time desentrosado mas com vontade. Pode parecer pouco, mas não é. Pode parecer muito, mas também não chega a ser. É preciso mais que vontade. É preciso organização tática, boas escalações, inteligência e arte. Com o tempo, Dunga pode conseguir estas outras coisas. De qualquer modo, é um alívio ver a camisa amarela da seleção outra vez manchada de suor.

 

 

O primeiro rugido

Leão parece ser mesmo o melhor nome para o Corinthians. E já começou enquadrando Marcelinho, o que é bom sinal. Daqui a algumas rodadas o time deve sair da zona de rebaixamento. Se Tevez continuar na equipe até o fim do campeonato, não é difícil que o Timão chegue na zona de classificação para a Sul-Americana e, quiçá, na turma da Libertadores.

 

 

Glória

Neste sábado, a partir das 14h00, será jogado nas dependências do Nacional (Av. Marquês de São Vicente,  2477) o “Torneio de Futmesa José Roberto Torero”. Eis aí minha glória máxima: tornei-me nome de um campeonato do mais nobre dos esportes.   

Por Torero às 23h55

14/08/2006

Fim de férias

Estimados leitores, queridas, adoradas e idolatradas leitoras, foram 40 dias de férias (não remuneradas, infelizmente), mas tudo acaba e cá estou de volta. E volto como voltam os jogadores de suas férias, ou seja: lento, com dores nas juntas e vários quilos a mais. Aliás, aviso que doravante escreverei apenas às segundas-feiras neste blog. Em compensação, meu sobrinho Lelê (que fez mais sucesso do que eu na Copa) passará a escrever todas as sextas.

 

Confesso que estava com saudade de vocês e do futebol. Queria saber como estavam jogando os campeões corintianos, queria ver os gols do artilheiro Dodô, queria saber notícias da crise palmeirense. Mas eis que volto e o Palmeiras já escapou da areia (ou grama) movediça, Dodô saiu do Botafogo e é o Corinthians que está mergulhado numa profunda crise. O Brasil e o Brasileiro sempre têm surpresas.

 

Mas falemos do campeonato, onde os líderes são justamente os finalistas da Libertadores, os dois melhores times do Brasil neste momento. Neste fim de semana eles venceram com seus times reservas, uma prova de suas forças. Hoje eles são os favoritos ao título brasileiro e nesta quarta-feira teremos um jogo sensacional (pena que Tinga já esteja de alas prontas para a Alemanha).

 

Logo atrás desta dupla vêm Paraná e Santos, times bem montados, uma espécie de São Caetano de alguns anos atrás.

A principal estrela do Santos é seu técnico, que realmente vem fazendo um bom trabalho com seu modesto time (mas que é modesto também por causa dele, que aceitou sete jogadores do Iraty).

 

Já o Paraná conta com Maicossuel. Tivesse eu uns milhõezinhos para investir, compraria seu passe (ou direitos federativos, segundo a nova nomenclatura). E faria isto não só por seu nome curioso, que não deve ter muitos homônimos por aí, mas porque é um jogador diferente, que dá dribles inesperados e faz lances surpreendentes, artigos raros hoje em dia.

 

Falando em nomes, Fluminense e Cruzeiro, quinto e sexto colocados, têm nomes melhores do que o futebol que têm mostrado. No encontro de ontem, vantagem para o Fluminense, o que pode ser um sinal de que o time finalmente está engrenando, depois de um péssimo campeonato carioca e de patinar por quatro partidas no Brasileiro.

 

Em sétimo vem o Figueirense, que, depois de colocar o Palmeiras em crise com aqueles 6 a 1, fez o mesmo com o Corinthians (com um placar mais modesto, só que no Pacaembu).

 

Mas vamos lá para trás, para a rabeira do Brasileiro. Estão ali o vice-campeão cearense Fortaleza, o vice-campeão pernambucano Santa Cruz, o campeão carioca Botafogo e o campeão brasileiro Corinthians. Ou seja, equipes que há pouco tempo tiveram boas performances, mas que, agora, estão à beira do abismo. Para piorar, os quatro foram derrotados neste fim de semana, e três deles em casa (só o Santa Cruz perdeu em e para o São Caetano). Derrotas que podem significar que a reação ainda está longe.

 

Entre estes quatro, a situação mais curiosa é a do Corinthians, que provavelmente tem o elenco mais caro do país e está na lanterna do Brasileiro. Definitivamente, vida de corintiano não tem monotonia.

 

E, para os leitores que cobraram a volta de Brasileirão City, ela fica para a próxima semana. Preciso desenferrujar um pouco.

Por Torero às 08h45

Série B

Na nossa segunda divisão, uma coisa curiosa: o líder Avaí tem de longe a melhor defesa do torneio, sofrendo 9 gols em 16 partidas (a segunda é a do Sport, com 15), mas possui apenas o 17º. ataque, marcando menos gols até do que o lanterna Remo (que recém subiu da Série C). Ou seja, contrariando o velho ditado, o Avaí vem mostrando que o melhor ataque é a defesa.

Por Torero às 08h44

Sobre o autor

Formado em Letras e Jornalismo e quase formado em Cinema, é autor de treze livros (como "O Chalaça"), escreveu roteiros para cinema (como "Pequeno Dicionário Amoroso") e para tevê ("Retrato Falado").

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