Blog do Torero

30/06/2006

Buzinaço

Aqui em Frankfurt já é quase uma da manhã, e o buzinaço pela comemoração da vitória alemã (nos pênaltis) sobre a Argentina continua. Todos estes carros da foto estão buzinando bem embaixo da minha janela (de onde tirei a foto).

Mas isso não é o pior. O pior é que o prédio que aparece aí à direita é o hotel da seleção. Ou seja, é bem capaz que o time esteja meio sonolento amanhã (agora, pelo menos, temos uma desculpa).

Por Torero às 18h39

Assistindo com o inimigo

Decidi ver o jogo entre Alemanha e Argentina no meio da torcida alemã. Fui então ao Fan Fest aqui de Frankfurt, que é dos mais charmosos, com um telão no meio do Reno e arquibancadas numa das margens:

 

 

 

Acabei assistindo num lugar mais ao lado, à margem do rio, mas com um telão em terra mesmo. E com um cara de chapelão na minha frente (só nos primeiros segundos, é claro).

 

 

Quanto à partida, foi muito disputada, com ótima marcação (principalmente da Argentina no primeiro tempo). E isso faz com que os gols sejam quase acasos.

 

Quando saiu o primeiro gol a Argentina já merecia vencer. Pena que José Pekerman desistiu do ataque e recuou o time. Los hermanos, que estavam jogando melhor, se encolheram, fizeram cera, e acabaram punidos com um gol de Klose, muito comemorado pelos alemães.

 

 

Na prorrogação, nova vitória das defesas sobre os ataques e aí fomos para os pênaltis. Os alemães bateram muitas palmas quando o goleiro reserva Khan (preferido por muitos alemães) apertou a mão de Lehmann, o goleiro titular.

 

E no final tivemos um duelo de goleiros. Leo Franco poderia sair como herói, parecendo ter sido escolhido pelos deuses. Seria o sucessor de Goycochea, que fez coisa parecida em 90. Mas quem acabou ungido foi Lehmann, e, de quebra, Klinsmann, que bancou o goleiro e deixou o irado Khan na reserva. Abaixo duas torcedoras, antes e depois do último pênalti.

 

 

 

Depois os alemães saíram comemorando pelas ruas e os torcedores que moram nos apartamentos próximos jogavam água em quem estava na rua.

 

 

 

E, só para encerrar, digo-vos que é bem divertido ficar no meio da torcida de um jogo em relação ao qual é indiferente (na verdade eu era 51% Argentina). Como você está neutro, pode fazer uma acurada observação antropológica, ou seja, rir do sofrimento do pessoal.

 

Por Torero às 15h52

29/06/2006

Lelê e o fantástico Museu do Chocolate

Hoje quem escreve é o Lelê. Acho que ela vai contar da visita que fez ao Museu do Chocolate. Clique aqui.

Por Torero às 10h54

28/06/2006

SIFU

Agora de manhã, quando acordei e dei minha costumeira olhada na tabela da Copa, tive uma surpresa: não havia nenhum jogo marcado para hoje. Nenhum!

 

Pensei que se travava de um erro de impressão e fui olhar na internet. Nada! Não há mesmo jogo marcado para hoje. Depois de quase vinte dias vendo uma, duas ou três partidas, hoje não haveria nenhuma!

 

Comecei a suar frio. Um suave tremor tomou conta de minhas mãos. Senti a boca seca e uma leve tontura.

 

Liguei a tevê com a esperança de ver alguma coisa. Nada! Nem um videoteipezinho. Senti falta de ar, a tontura aumentou e os tremores aumentaram tanto que quase não consegui desligar a televisão.

 

Sim, eu conhecia aqueles sintomas. Era uma doença que me atacava de vez em quando, principalmente entre o natal e o ano novo. Não havia dúvidas, eu estava com SIFU, Síndrome de Insuficiência Futebolística.

 

Desci para tomar o café da manhã, torcendo para que um pouco de alimento aliviasse os sintomas.

 

Quando cheguei ao restaurante, percebi que não era só eu quem estava com SIFU. Tostão olhava absorto para uma xícara de café vazia. João Ubaldo dava petelecos em bolinhas de pão, tentando acertar um gol feito por dois copos de suco de laranja. E sempre errava. Liguei para o celular do Juca. Deu ocupado. Provavelmente tentava falar com seu médico.

 

Saí dali o mais rápido que pude para tomar um pouco de ar. Um torpor tomou conta de mim e vaguei pelas ruas de Leverkusen sem rumo certo, virando aqui e ali sem método nem destino. Não sei por quanto tempo andei, se por cinco minutos ou duas horas, mas fui salvo da letargia pela sorte. É que passei justamente em frente a um campinho de futebol de salão, e ali havia umas dez crianças jogando futebol.

 

Sentei num banco em frente ao campo e lentamente fui me recuperando. Minhas mãos pararam de tremer, o suor em meu rosto secou, recobrei a consciência.

 

Agora estou em um Cybercafé, do outro lado da rua. Os garotos ainda estão jogando, mas temo que daqui a pouco suas mães os chamem para o almoço.

 

Não sei como voltarei para o hotel.

 

Talvez, se eu for chutando tampinhas de garrafa, consiga chegar até lá. Talvez.

Por Torero às 07h02

Texto de hoje na Folha

Para ler o desfecho da aposta entre Bento e Batista, clique aqui (só para assinantes do jornal e do UOL).

Por Torero às 04h46

27/06/2006

Notas aos notáveis

Como sou mais chegado às letras que aos números, hoje darei notas letradas em vez de numéricas:

 

Dida: Foi muito bem embaixo das traves, e a defesa que fez no segundo tempo vai entrar para a antologia de defesas da Copa. Mas, como o time não consegue sair com a bola, acaba sendo o grande lançador da equipe. E nisso ele é ruim. A-.

 

Cafu: Não sei se aparecia aí na televisão (que segue mais a bola), mas aqui no estádio ele ficou várias vezes sozinho na direita, e ninguém fazia o lançamento. Foi bem na defesa e apresentou-se bem no ataque. Sua melhor partida. Pena que perdeu o gol. B+.

 

Lucio: Foi muito bem. Brinco com os amigos jornalistas que não gostam dele que trata-se de uma mistura de Baresi com Beckenbauer. Tudo bem, é exagero, mas hoje ele esteve muito bem. Até começou o lance do segundo gol. A-.

 

Juan: Hoje cometeu uns erros e perdeu um gol. Mas foi bem. B-.

 

Roberto Carlos: Não foi mal, mas não foi especial. C-.

 

Émerson: Um médio médio-volante. C-.

 

Zé Roberto: Foi eleito de novo como o melhor da partida pela Fifa. Não vi tudo isso. É eficiente na marcação, mas poderia dar passes mais ousados, os tais dos verticais em vez dos horizontais. Ou, pelo menos, diagonais. De qualquer forma, marcou um belo gol. B-.

 

Kaká: Começou bem, dando o passe do gol. Mas depois disso não teve o mesmo destaque. Acho que ele não dá muito certo ao lado de Ronaldinho Gaúcho. Os estilos não se completam. C+.

 

Ronaldinho Gaúcho: Discreto. Infelizmente. Apenas um bom drible e uma boa tabela com Kaká. C-.

 

Adriano. Fez gol, mas perdeu várias bolas. Pelo gol, C-.

 

Ronaldo: Marcou um golaço, mas não jogou bem. De qualquer forma, já é confiável. Mas precisa de alguém mais rápido do que Adriano ao seu lado. B-.

 

Ricardinho: Entrou num momento fácil da partida, mas mesmo assim jogou bem. Mostrou vontade e deu passes inteligentes, inesperados. A-.

 

Juninho Pernambucano. Nos seus primeiros minutos em campo foi bem, mas depois se acomodou. C+.

 

Gilberto Silva: Um pouco melhor que Émerson. C+.

 

Parreira: Deixou o time recuar demais depois do primeiro gol. Se os ganenses tivessem uma pontaria melhor, a história poderia ser diferente. De qualquer forma, venceu. C+.  

Por Torero às 15h31

Drama na grama

A fase de mata-mata é a melhor parte da Copa. Agora não há mais perdão, não há mais segunda chance. É matar ou morrer.

 

Todo jogo passa a ser um drama mexicano, a começar pelo próprio México, que lutou bravamente contra os argentinos, mas que, na prorrogação, foi derrotado pelo mais belo gol da Copa até aqui. Um gol que merece ser cantado por uma banda de mariachis.

 

O drama sueco foi mais psicológico. Depois de começar perdendo de dois a zero e ter um jogador expulso, eles lutaram muito e conseguiram um pênalti a seu favor. Mas perderam o pênalti. Larsson, que chutou a bola para fora, pode ser um bom personagem de filme de Bergman, sempre se perguntando daqui para frente o que poderia ter sido de sua vida se tivesse feito o gol.

 

Para os equatorianos, a esperança durou até os 14 do segundo tempo, quando saiu o gol inglês. Depois disso, eles não tiveram força para ir atrás do empate, só conseguindo dar um ou outro chute. Foi um drama grego, onde o destino é inevitável.

 

Já o drama holandês é um fado, digo, fardo, porque se repete há muito tempo. O time tem sempre um bom futebol, mas sempre tropeça no meio do caminho. E caiu num jogo de enredo complicado, com duas expulsões, bola na trave, empurrões, cabeçadas, quase gols e muita rivalidade. No fim, Portugal, dirigido por um técnico que entende de vitórias dramáticas, passou às quartas. Foi a décima-primeira vitória seguida de Felipão. Um feito e tanto!

 

A Austrália, que poderia ter perdido fácil e assim iria para casa sem maiores dores, acabou perdendo do jeito mais doloroso, com um gol no último instante da partida. O que era para ser uma pequena tristeza, tornou-se uma grande tragédia.

 

E a Suíça, depois de colocar bola na trave e manter o jogo equilibrado, foi goleada nos pênaltis. E nos pênaltis, esse quase cara-ou-coroa, o final é sempre dramático, pois o perdedor chega até os portões da glória, mas aí vê que esqueceu a chave.

 

Hoje também teremos dois dramas, e dois times sairão de campo inconsoláveis, pois, como disse o grande comentarista esportivo catalão Calderón de Mejía, “Quanto mais se espera o riso, mais serão as lágrimas”.

 

E os quatro times de hoje contam sorrir depois dos 90 minutos. Os espanhóis se julgam favoritos, os franceses pensam que depois de 98 fazem parte da elite do futebol mundial, em Gana, o futebol é uma febre que causou três mortes nos últimos dias, e o Brasil é franco favorito.

 

Uma derrota quando se espera uma vitória é sempre um grande drama.

 

Toc, toc, toc.

Por Torero às 03h48

Álbum de figurinhas

Emiliano Benevides, 33 anos, nasceu Goiânia

Ele vive em São Francisco, Califórnia. Alugou um trailer com amigos e está viajando pela Alemanha atrás da seleção brasileira. Perguntado se era milionário, respondeu que era milhonário, pois o trailer estava cheio de milho. A pergunta seguinte foi qual era sua profissão. A resposta foi: “Tu não é da Polícia Federal, né?”. Depois riu da própria piada, disse que era músico e deu o site da banda (www.batmakumba.com). Para a foto, fez questão de botar os seus “dentes de Ronaldinho”.

Por Torero às 03h47

Álbum de figurinhas

Mariana Nascimento, pós-graduanda, 25, nasceu em São Gonçalo.

 

Dando aulas de filosofia para o segundo grau, juntou dinheiro para a passagem de avião e está na Alemanha na casa de amigos. Faz parte do MST, Movimento do Sem Ticket. Hoje torcerá do lado de fora do estádio em Dortmund. Diz que está acostumada a sofrer. É botafoguense.

 

Por Torero às 03h45

26/06/2006

Que jogo chato!

Suíça e Ucrânia fizeram o jogo mais aborrecido que vi nesta Copa.

 

Com o aperfeiçoamento do sistema de marcação e o aumento da força física, ficou mais fácil um time médio neutralizar um time mais talentoso.

 

Viu-se bem isto na Copa. E, neste jogo, mais ainda, pois tivemos dois times médios que conseguiram se anular totalmente.

 

Foi marcação, marcação e para variar, marcação. É claro que isso é necessário, mas marcação sem invenção faz do futebol um esporte chato.

 

E ela, a marcação, foi tão soberana nesta partida que os dois times mal conseguiam sair jogando, tendo que apelar para os chutões (este jogo deve ter batido o recorde de bicões para a frente).

 

Aliás, o jogo foi tão fraco que até nos pênaltis, com vários erros. Vai ver foi falta de prática de chutar a gol.

 

No fim, a Ucrânia, que foi um pouco menos mal que a Suíça, passou para as quartas-de-final. Mas fiquei com a impressão de que o mais justo seria que as duas equipes caíssem fora.

 

 

PS: E sorte da Itália, que, sem mostrar um futebol razoável, tem boa chance de ficar entre os quatro.

Por Torero às 17h44

Dia da poltrona

Ontem com dois jogos e uma corrida, deve ter sido o dia da poltrona para muitos maridos. Em solidariedade às suas desafortunadas esposas, publico aqui um texto do livro "Os cabeças-de-bagre também merecem o paraíso".

A paixão de Alaor

     Alaor sempre teve sua vida ligada aos esportes. E para cada idade havia um objeto especial: aos oito anos foram os celulóides dos times de futebol de botão; depois, aos dez, os óculos da natação que o deixavam parecido com uma mosca; aos doze, ganhou uma raquete japonesa para jogar pingue-pongue; e, aos quinze, quando jogava futebol de salão, tinha um par de tênis vermelhos.

     Hoje, com 45 anos e o dobro de quilos, o amuleto de Alaor, o espectador, é uma poltrona. Aliás, uma superpoltrona: revestida de couro preto, com encosto reclinável, apoio para os pés e suporte para copos.

     Mas o melhor de tudo é que a poltrona já está tão velha que suas reentrâncias se adaptaram ao desenho do seu corpo.

     Naquele domingo, casquinhas de pão ainda podiam ser vistas sobre sua camisa quando Alaor começou a apertar os botões do controle remoto em busca de emoções: geralmente era com a Fórmula-1 que se iniciava sua peregrinação pelos canais, mas naquele dia não havia corrida e ele teve que contentar-se com a reprise de uma partida de vôlei feminino.

     A partir daí as coisas começaram a melhorar: Alaor encontrou um jogo de futsal, uma semifinal de algum campeo­nato de futebol de praia e até uma partida de tênis, esporte que ele detestava, mas que, graças a Guga, aprendeu a amar. Jogavam um croata contra um tunisiano. Nessa hora, como em todos os domingos, sua mulher, Rosa, a bondosa, trouxe-lhe pipoca de microondas acompanhada de refrigerante. Quando começou o jogo da terceira divisão do Campeonato Paulista, era com bolachas de chocolate recheados de baunilha que ele se deliciava.

     Enquanto Rosa terminava de limpar farelos espalhados pelo chão, Alaor revia gols do passado, uma partida de handebol infantil e um resumo do campeonato italiano. Depois só havia uma opção: um jogo de futebol americano em algum desses canais por assinatura, mas ele nunca conseguiu entender direito as regras daquele esporte. Irritado, decidiu fazer um pouco de exercício e caminhou até a cozinha, onde o almoço acabava de ser servido.

     Rosa, a bondosa, tentou puxar conversa, mas, respondendo a um hábito antigo, Alaor ligou o radinho de pilha e ficou a ouvir entrevistas com craques aposentados, craques do presente, craques do futuro, cartolas, torcedores, celebridades decadentes e quem mais aparecesse para falar alguma coisa sobre o jogo da tarde.

     De volta à poltrona, depois de passar por uma partida de tênis de mesa entre dois chineses de cabelos espetados e uma prova de atletismo, finalmente começava a transmissão da grande partida, ponto culminante da maratona dominical. Isso merecia ou não uma cerveja? Merecia. Alaor esticou o braço e retirou uma latinha do frigobar que mandou colocar dois palmos à direita da poltrona.

     Rosa, a bondosa, perguntou baixinho se ele não queria visitar a sogra, ou ir a um shopping, uma feirinha de antiguidades... Alaor respondeu que adoraria, mas que a cerveja tinha lhe dado sono. Quando acordou, já corriam os primeiros minutos do jogo da tarde; aliás, um 0 a 0 monótono e truncado. Qualquer um teria desistido, mas Alaor, o espectador, não se importava de ver um jogo chato, desde que estivesse em sua poltrona e pudesse voltar a cochilar.

     Finda a partida, ele esticou a mão esquerda, apanhou o te­le­fo­ne e pediu uma pizza. Precisava de energia para o resto da jornada.

     Rosa, a bondosa, apareceu com a garrafa de refrigerante, o prato, o guardanapo e os talheres. Mas então, inesperadamente, ela se colocou à frente da tevê. Entre lágrimas e soluços, Rosa esperou que Alaor dissesse alguma coisa. E ele disse:

     “Olha a frente!”

     Frustrada, Rosa, a bondosa, atirou tudo ao chão e desabafou: “Você gosta mais de esporte do que de mim! Você gosta mais dessa poltrona do que de mim!” E saiu batendo a porta.

     Perturbado, surpreso e boquiaberto, Alaor disse para si mesmo: “Meu Deus, o que estou fazendo? Eu amo essa mulher, ela é minha companheira e se dedicou à minha felicidade em cada minuto desses últimos 25 anos! Como posso ignorá-la, como posso trocá-la por alguns jogos que nem são do meu time?!”

     Então ele se levantou, calçou os sapatos e só não saiu imediatamente atrás dela porque teve alguma dificuldade na hora de programar a gravação da mesa-redonda.

 

Por Torero às 08h11

A nova aposta de Bento e Batista

A nova aposta entre Bento e Batista saiu hoje na Folha (só para assinantes do jornal e do UOL).

Por Torero às 08h09

Dia de Lelê

Segunda-feira é dia do Lelê trabalhar no meu lugar. Desta vez ele conseguiu falar com o Robinho, descobriu coisas sobre a Fátima Bernardes e por motivos inesperados, decidiu fazer balé. Clique aqui para ir para lá. 

Por Torero às 08h08

25/06/2006

O fado holandês

Portugal x Holanda fizeram o jogo mais selvagem desta Copa. No bom e no mau sentido.

 

O começo do jog não fazia prever beste desenlace. Os dois começaram se estudando, sem que nenhuma das duas equipes conseguisse grandes penetrações na área adversária, até que, aos 23’, Cristiano Ronaldo rouba uma bola, passa para Deco, que cruza para Pauleta, que arruma para Maniche, que faz o gol.

 

A Holanda passou a atacar mais, mas Portugal jogava com raça, e até demais, tanto que Costinha foi expulso aos 44’ por botar a mão na bola.

 

No começo do segundo tempo, com um homem a menos, Portugal se limitou a marcar em seu campo e a tentar contra-ataques. Assim a pressão holandesa cresceu e aos 3’ colocou uma bola no travessão português. E não parou por aí: aos 5’ houve uma defesa de Ricardo (imperfeita mas salvadora), e chutes aos 8’, e 9‘.

 

As coisas só se acalmaram com a expulsão de Bouhlarouz (que poderia ter acontecido antes, quando acertou Cristiano Ronaldo no primeiro tempo).

 

Mas, mesmo assim, os laranjas (que não estavam de laranja) continuaram tendo as melhores chances.

 

O jogo ficou mais aguerrido. A Holanda cometeu a deselegância de não devolver uma bola chutada por Portugal para que um jogador fosse atendido. Pontapés e cotoveladas começaram a ser distribuídas e Deco acabou expulso (por cera, mas merecia o cartão vermelho já por uma entrada anterior).

 

Aí a partida tornou-se ainda mais dramática.

 

A Holanda pressionava e Portugal se defendia com raça, faltas e cera. Cada minuto demorava horas. Os jogadores se atiravam em direção à bola para evitar os chutes holandeses. Sangue, suor e grama.

 

No fim das contas, Portugal passou à próxima fase no jogo mais emocionante das oitavas, mostrando o que há de melhor e pior do estilo Felipão.

 

E a Holanda, coitada, mas uma vez fica de fora. É o seu fado.

Por Torero às 17h05

Equador não cruza a linha

Foi uma pena, mas o Equador mereceu. No começo da partida até houve certo equilíbrio, e o time sul-americano parecia que tinha chances de ser a primeira zebra nestas oitavas. Mas, depois do gol inglês, quando se esperava um pouco de desespero, suor e sangue, os equatorianos mantiveram quase o mesmo tom, sem conseguir dar mais velocidade ao seu jogo.

 

E nessas horas há que cruzar a linha da lógica e jogar com o coração.

 

Para virar um jogo com calma há que ter habilidade e superioridade, o que não é o caso dos equatorianos.  Eles têm uma boa organização para jogar no contra-ataque, mas não mais do que isso.

 

O resultado foi que a Inglaterra, com seus quatro meio-campistas que tocam bem a bola, passou para as quartas-de-final.

 

Mas não encantou. Ou ainda não desencantou.

Por Torero às 12h55

A Copa, o copo e a ONU

A Copa do Mundo não é feita apenas pelos jogadores. É também feita pelos torcedores que vêm de todas as partes do mundo e se espalham por toda a Alemanha.

Não sei o quanto passa disso na tevê, mas ontem, em Colônia, tive uma boa mostra de que a Copa não acontece na telinha, mas nas cidades.

Colônia estava cheia. E feliz. As margens do Reno, onde há um simpático gramado, estavam tomadas por torcedores de todo o planeta. Havia simpáticos suíços, belas suecas (um pouco tristes, é verdade), esfuziantes argentinos, mexicanos cabisbaixos, brasileiros, alemães, ingleses e até irlandeses, que nem participam da Copa mas estavam lá, bebendo e vestindo com suas camisas verdes.

 

É como se fosse uma grande ONU, mas uma ONU de festa e de alegria, não uma ONU inútil, que só serve para legitimar os atos dos EUA. Ops, saí do assunto. Voltemos ao futebol.

A tal da globalização mostra aqui o que pode ter de melhor, a mistura de culturas. É como se aquela utopia de paz entre os povos desse certo durante um mês (tirando as brigas entre alemães e ingleses, mas bêbados brigam em qualquer lugar). É uma babel pacífica e na qual todo mundo se entende, nem que seja por gestos.

As pessoas que andam pelos gramados de Colônia passam perto de uma enorme catedral gótica, que levou mais de quatrocentos anos para ser finalizada. E, quando finalmente estava pronta, veio a segunda guerra e acabou com boa parte dela.

A catedral está sendo refeita desde então. E eu me pergunto, enquanto tomo um gigantesco copo de cerveja,

se essa nossa utopia de um mundo melhor, mais solidário, sem preconceitos etc..., etc..., não se parece um tanto com essa igreja, uma coisa que nunca será acabada, mas que deve continuar sendo construída todos os dias, mesmo quando Bushs e Hitlers destroem tudo.

Aí, a única saída é recomeçar de novo. E a Copa, mesmo com todos seus interesses financeiros, talvez seja um tijolo nesta construção.

Por Torero às 09h19

24/06/2006

Alemanha nas quartas

A Alemanha está entre os oito.

Jogou bem, começou feito um trator, e, com 11 minutos, já vencia por dois a zero. Depois, sem o mesmo empenho, continuou tendo chances. No final, foram 29 chutes a gol, um número invejável.

A Suécia ficou ainda mais à mercê quando teve um jogador expulso (ao meu ver, injustamente) pelo brasileiro Carlos Eugênio Simon, aos 34' do primeiro tempo.

Foi uma vitória incontestável, daquela que mostra que um dos times é claramente superior. 

Os grandes começam bem a fase de oitavas-de-final. E, de time desacreditado, a Alemanha já passa a ser um dos favoritos.

Seu azar é que, provavelmente, vai cruzar com outro favorito, a Argentina. Mas isso só saberemos com certeza daqui a quatro horas.

Por Torero às 12h58

Brasileiros para estrangeiros

Está rolando pela internet um divertido email que busca facilitar a pronúncia do nome dos nossos jogadores para os gringos. Confira:

 

ESCALAÇÃO DA SELEÇÃO BRASILEIRA

1 - Did are
2 - Car full
3 - look see you
4 - who one
5 - when mear son
6 - who bear to car loss
7 - add dream an no
8 - car car
9 - Who now do ( Few now mem no )
10 - Who now dream you gay you show
11 - Zero bear to
12 - who jerry scene
13 - see seen you
14 - Crisis
15 - lowis on
16 - G you bear to
17 - June in you
18 - Mean arrow
19 - G you bear to silver
20 - Rich are dream you
21 - Fried
22 - July seissor
23 - Who bean You

Coach : Car loss all beer to pair here a

Por Torero às 12h12

Entrevistando o Lelê

Caros pequenos leitores, o Lelê, meu sobrinho imaginário, foi convidado a dar uma entrevista para crianças. Quem quiser pode mandar suas perguntas para o e-mail criancasuol@uol.com.brjunto com seu nome completo, idade e a cidade em que você mora.

Por Torero às 11h38

Texto de hoje na Folha

Assinantes do UOl e da Folha podem clicar aqui para ler o texto de hoje na Folha (que começa assim: "E agora, Parreira?,/a festa começou,/a luz acendeu/ o povo gritou,/ o time esquentou,/ e agora, Parreira?/ e agora, Zagallo?/ Seus reservas jogaram/ mais que os titulares./ Vamos escalar os nomes/ ou os melhores?/ E agora, Parreira?".)

Por Torero às 09h31

Álbum de figurinhas

Ricardo, 44 anos, 105 kg, comerciante, São Paulo.

Ricardo está na Alemanha porque foi premiado na promoção de um cartão de crédito. Antes disso, nunca tinha sido sorteado em nada. "Nem em rifa de frango." Ele trouxe trinta camisas da seleção para a Alemanha, e já conseguiu trocar nove delas. A maior parte com uns torcedores da Inglaterra que estavam bêbados e trocaram suas oficiais pelas piratas brasileiras. Ricardo acha que o Brasil será campeão, mas, ironicamente, diz que para isso Parreira terá que tirar Adriano e Ronaldo, "os gordos do time".

Por Torero às 09h12

23/06/2006

Bento paga a aposta para Batista

Estava na sala do café da manhã aqui do hotel quando vi entrarem, cada um de um lado, Bento, o agourento, e Batista, o otimista.

 

Os dois chegaram com ares de felicidade. Sentaram-se ao mesmo tempo na minha mesa e disseram: “Ganhei a aposta!”

 

Eles trocaram um olhar de raiva e eu olhei para o meu prato, na esperança de que eles não me envolvessem na disputa.

 

“Eu ganhei! Falei que ia ser 1 a 0 para o Japão”, disse Bento.

 

“E eu disse que ia ser 4 a 0 para o Brasil”, falou Batista.

 

“Eu acertei metade do placar. O Japão fez um gol”, disse Bento.

 

“Mas eu acertei a outra metade. O Brasil fez quatro gols”, falou Batista.

 

Os dois olharem por alguns segundos, como se fossem dois caubóis prontos para sacar suas armas. E quem deu o tiro foi Batista: “Mas eu acertei que o Brasil ia ganhar!”

 

Bento sentiu o golpe.

 

Batista aproveitou-se da vantagem e deu o tiro final: “E ele colocou o Robinho, o Gilberto Silva, o Juninho e o Cicinho, que nem eu disse. E o Gilberto ainda veio de lambuja.”

 

Bento ainda tentou buscar algum contra-ataque, mas percebeu que havia perdido a aposta. Ele, que toma café descafeinado e leite desnatado, teria que tomar um café da manhã preparado por Batista. Resignado, apenas disse: “Tudo bem, você ganhou...”

 

“Então vamos fazer o seu sanduichinho”, disse Batista levantando-se.

 

Os dois foram para o bufê e eu fui atrás, como quem não quer nada.

 

Batista começou colocando uma salsicha vermelha e uma lingüiça branca no pão de Bento, cada uma com quase meio metro. “São as cores do Japão”, justificou.

 

Depois colocou um tantão de toucinho, “para dar uma pitada de Brasil”, pôs mostarda e catchup, “as cores do uniforme de Gana”, tascou várias colheres de ovo mexido, “amarelo como a camisa canarinho” e, por fim, espalhou uma farta camada de chantilly, “porque a seleção, ontem, jogou de shorts brancos”.

 

Para acompanhar, um leite tipo “A” com café cafeinado. E açúcar, claro. Nada de adoçante.

 

Enquanto Bento tomava seu colesteroso desjejum, Batista olhava-o com um prazer sádico. Mas Bento, o agourento, não estava totalmente triste.

 

Masoquista convicto, ele resmungava com certo prazer a cada mordida: “Eu sabia que eu ia me dar mal, eu sabia...”.

Por Torero às 06h08

22/06/2006

Notas

Dida: Não teve culpa no gol, e hoje não foi exigido: 6.

 

Cicinho: Correu e deu vida ao lado direito do time: 8.

 

Lúcio: O gol foi nas suas costas e perdeu algumas bolas: 5,5.

 

Juan: Seguro e fez uma bela tabela com Ronaldo: 8.

 

Gilberto: No primeiro tempo havia uma avenida às suas costas. No segundo se acertou e até fez gol. Na média, 6.

 

Gilberto Silva: Foi bem. Discreto, sem grande avanços ou invenções: 6.

 

Juninho: Muito bom. E marcou um golaço. Depois, com a entrada de Zé Roberto e Ricardinho, não achou onde jogar: 8.

 

Kaká: Discreto. Até demais. 6.

 

Ronaldinho: Foi um bom armador e teve alguns lampejos. 7.

 

Robinho: Começou muito bem, mas cansou no segundo tempo. 7.

 

Ronaldo: Não se movimentou muito, mas fez dois gols: 7,5.

 

Parreira: Foi ousado e o time fez sua melhor partida. Pena que deixou o jogo esfriar no final. 7,5.

Por Torero às 18h59

Por que Parreira mexeu tanto no time?

Eis aí um mistério. Ele disse que foi para que os virgens em jogos de Copa tivessem sua primeira vez sem traumas, numa partida que não valia nada. Mas, se foi isso, por que colocar Robinho, que já tinha participado de duas partidas? E por que não testar os zagueiros? Pelo menos um? 

Coloco aqui ao lado uma pesquisa para que o leitor me ajude a elucidar tal mistério. E, quem tiver alguma interessante teoria, diga aí. Ou melhor, comente aqui.

Por Torero às 18h04

Lelê entrevista três

Lelê entrevistou três jogadores da seleção. Clique e vá pra lá.

Por Torero às 09h12

21/06/2006

E o jogo que não valia quase nada foi para valer

Falam muito da Argentina. E o pior é que não estão mentindo.

 

Eles têm um monte de Tevez, ou seja, vários jogadores habilidosos mas que jogam com uma raça de zagueiro grosseirão.

 

Os tevezes e os holandeses fizeram um belo jogo. Poderia ser uma partida morna, já que os dois estavam classificados, mas deu-se o contrário, uma partida disputada, onde todo mundo que recebia a bola já tinha um marcador perto de si.

 

No começo a Holanda foi dominada como se fosse um time pequeno. Sem Robben eles perdem muito do seu charme e da sua eficiência. A Holanda troca bem a bola, mas Robben é a saída do sufoco, o atalho, a diferença.

 

Neste início a Argentina perdeu várias chances, mas, depois dos 30 do primeiro tempo, os flamengos conseguiram segurar os adversários.

 

No começo do segundo, Tevez e companhia voltaram bem e dominaram, mas não tanto quanto antes.

 

Depois foram cansando, a Holanda equilibrou o jogo e nos últimos até esteve mais perto do gol.

 

Enfim, foi um bom zero a zero, daqueles em que temos dois bons times e em que o placar poderia ter sido mais dilatado. Se não tivemos gols, isso deve-se mais à boa marcação do que à inapet6encia dos ataques.

 

E, se eu fosse escolher hoje um candidato a jogador da Copa, escolheria Riquelme (mas espero mudar de idéia amanhã).

Por Torero às 16h55

A aposta de Bento e Batista

Agora pela manhã tomei café com Bento, o agourento, e Batista, o otimista, dois sujeitos que sempre parecem ter razão, mesmo que eles nunca concordem em nada. Não sei com qual dos dois o leitor mais se identifica, mas para ajudar em sua decisão, deixo aqui a conversa que escutei entre eles:

“O jogo de amanhã é moleza. Vai ser de goleada!”, começou Batista.

Bento logo se opôs: “Que nada. O Japão corre pra caramba e precisa de uma vitória para tentar a classificação.”

“Você é uma besta pessimista. Não vê que estamos melhorando? O primeiro jogo ganhamos de um, depois dobramos para dois, agora vai ser de quatro. É matemática pura!”

“Acho difícil... Ainda mais... ainda mais se ele continuar com aquela dupla de ataque pesadona...”, falou o reticente Bento.

Batista deu uma mordida no seu sanduíche com presunto, ovo, salame, salame e bratwurst (ele acha que esse negócio de colesterol não é com ele) e respondeu de boca cheia: “Os nossos dois tanques vão passar por cima dos japas!”

“Isso se eles jogarem”, disse Bento enquanto bebia seu leite desnatado com café descafeinado (ele acha que café com leite é um veneno para a circulação).

“Pois eu tô sentindo que o Robinho pode começar jogando amanhã.”

“Você é muito otimista, Batista. Do jeito que o Parreira é teimoso, você acha que ele vai começar com o garoto?”

“Pode ser, pô! E também com o Cicinho e o Gilberto Silva. Já o Juninho Pernambucano vai entrar no meio da partida. O Parreira sabe das coisas. Ele só está fazendo as mudanças devagarinho que é para não traumatizar o pessoal. Na hora agá ele vai colocar o time certo em campo.”

“Eu acho que a gente vai entrar relaxado demais e vai perder...”

“Eu acho que a gente vai jogar tranquilex e vai ganhar.”

"Vai ser 0 a 1."

"Vai ser 4 a 0."

"Quer apostar, Batista?"

"É pra já, Bento!"

"Se o Brasil perder, amanhã você toma um café da manhã que nem o meu."

"Isso não é café com leite, é água branca com água preta. Mas, vá lá... Só que se o Brasil golear você tem que tomar um café que nem o meu."

"Isso aí entope até cano de esgoto, vai acabar com as minhas artérias."

"Aposta é aposta."

"Então está apostado!"

"Você vai se dar mal. Vou ganhar essa aposta."

"O otimista aqui sou eu, Bento."

"Estou é te agourando, Batista."

Neste ponto da conversa levantei e deixei os dois ali. E, cá entre nós, torço para que Batista ganhe a aposta.

Por Torero às 05h50

Texto da Folha

Para ler o texto de hoje na Folha de S.Paulo, em que Zé Cabala, com seus poderes telepáticos, entra na cabeça de um reserva, clique aqui (só para assinantes UOL e Folha).

Por Torero às 05h49

20/06/2006

Teimosia ou convicção?

Há quase um consenso nas pesquisas feitas pela internet e nos bate-papos entre jornalistas aqui na Alemanha: o ataque com Adriano e Ronaldo não funciona.

 

Os dois são muito parecidos para jogarem juntos. Pior que isso, estão longe de sua melhor forma. E jogadores como eles só funcionam bem quando estão na ponta dos cascos.

 

Mas Parreira não faz menção de fazer mudanças definitivas em sua dupla de atacantes.

 

Será um teimoso ou um convicto? Um homem firme ou um sujeito turrão? Um técnico que sabe que a força será decisiva neste mundial ou um treinador que perdeu o amor aos atacantes leves, como os que lhe deram o título em 94?

 

A história dos técnicos de futebol é cheia de pequenas obsessões, de opções que vão contra a voz da maioria e as idéias estabelecidas.

 

Por exemplo, todos torciam o nariz para Cláudio Coutinho quando ele começou com o tal do “overlaping”. Hoje, nem se imagina um lateral que não vá ao ataque.

 

Telê Santana foi criticado em 82 por não levar um ponta-direita legítimo. Atualmente este ponta nem existe mais. E a seleção de 82 foi a mais ofensiva dos últimos 30 anos.

 

E o próprio Parreira, em 94, sofreu severas críticas com seu sistema defensivo, que tinha dois volantes protegendo a zaga, Mazinho protegendo os volantes e Zinho protegendo Mazinho. Mas ele venceu a Copa e mostrou que estava certo.

 

Porém, e sempre há um porém, os treinadores também erram em suas convicções. Cláudio Coutinho, por exemplo, inventou Edinho na lateral-esquerda e não levou Falcão para a Copa. O resultado foi que Edinho teve que ser substituído por Rodrigues Neto e Falcão fez muita falta à seleção.

 

Telê montou nossa equipe mais impressionante dos últimos trinta anos. Mas perdeu a Copa. E reperdeu em 86.

 

Parreira pode estar cometendo agora o seu erro de convicção. Ou não.

Na verdade, só se sabe com certeza a diferença entre a teimosia e a convicção depois do resultado. Se deu certo, foi convicção. Se deu errado, teimosia.

Por Torero às 12h29

Alemanha 100%

Foi a melhor partida da Alemanha. Quem antes não confiava muito no time da casa (como eu), agora não tem mais do que duvidar.

 

Eles ganharam com folga. O Equador só conseguiu dar chutes de longe, seu meio de campo dominou a partida e o ataque fez várias boas jogadas, variando entre triangulações pelo meio e jogadas pelas pontas.

 

Mas o mais impressionante é que eles jogaram com alegria, com vontade, com desejo de vitória todo o tempo. Não ficaram satisfeitos com o 1 a 0, nem com o 2 a 0. Só quando chegaram ao terceiro gol é que deram uma acalmada.

 

Seus jogadores não são sensacionais, mas são bons, têm organização tática e vontade de vencer.

 

Agora sim, a Alemanha é um time para meter medo.

Por Torero às 12h16

19/06/2006

Futebol na Lata

Em Berlim, no kino Babylon Mitte, até 5 de julho, está acontecendo uma interessante mostra de filmes brasileiros sobre futebol, a Futebol na Lata, que faz parte da Copa da Cultura.

Há de tudo, desde o clássico "O Corintiano", com Mazzarópi, ao "Ginga", de Fernando Meireles. E documentários raros, como "Copa Roca", de Humberto Mauro, e curtas-metragens premiados, como "Barbosa", "Uma história de futebol" e "Berlin Ball".

Sem falar nos filmes de diretores como Rogério Sganzerla, David Neves, Ícaro Martins, Maurice Capovilla e Thomas Farkas.

Ou seja, o brasileiro que estiver em Berlim pode ver o melhor que já foi produzido sobre futebol no país do futebol.

 

Por Torero às 09h05

Texto da Folha de hoje

Para ler o texto de hoje na Folha de S.Paulo, clique aqui (só para assinates da Folha e do UOL).

Por Torero às 08h13

Lelê, o comentarista

Hoje quem comenta o jogo é meu sobrinho Lelê. Clique para ir para lá.

Por Torero às 07h54

18/06/2006

Notas aos notáveis

Dida: Quase entregou o ouro numa saída de bola, sempre o nosso terror. Mas a defesa salvadora depois do voleio de .... que fez salvou o dia. Além disso esteve seguro, encaixou as bolas, etc... 8.

 

Cafu: Defendeu melhor do que atacou. Não comprometeu nem deu espetáculo. E errou uns cruzamentos, como de praxe. 6.

 

Lúcio: Muito bom no desarme. Mas dá sustos quando decide sair para o ataque. Não é Baresi, mas defende bem: 7

 

Juan: Como Lúcio, quando tentou subir, foi mal. No desarme, bem. 7.

 

Roberto Carlos: Errou muito no primeiro tempo. No segundo, foi médio e até fez um cruzamento. Pouco para quem já fez tanto. Como vencemos, 5.

 

Émerson: Foi bem na marcação. Mas não foi bem na saída de bola. Aliás, acho que já escrevi isso antes. 6.

 

Gilberto Silva: Modesto: 5.

 

Zé Roberto: Duas belas salvadas. E uma entregada. 6.

 

Kaká: Preso. De vez em quando teve umas faíscas. 6.

 

Ronaldinho Gaúcho: Também teve suas faíscas, principalmente depois que Robinho entrou. Mas ainda não é o Ronaldinho que queremos. 7.

 

Adriano: Fez o gol. Só por isso, 5.

 

Ronaldo: Bem melhor que na partida anterior. Mas ainda está em dívida. 5.

 

Robinho: 8. O que ele faz na reserva?

 

Fred: Entrou com o pé direito. E fez o gol com o esquerdo. 8.

 

O Juiz: Errou bastante. E errou mais para nós. 4.

 

A torcida brasileira: 8. Foi muito bem. É verdade que perdeu no gritômetro para a torcida australiana, mas esteve melhor do que em Berlim. Dessa vez cantou músicas e seu apoio a Ronaldo, antes do toque inicial, foi comovente.

Por Torero às 15h22

Cangurus

Estou indo agora para o jogo. Entre as torcidas há um empate numérico. Mas eles, quem diria?, são mais escandalosos que nós. Para quem não acredita, coloco a foto abaixo, tirada no restaurante onde acabei de almoçar.

 

Por Torero às 08h47

Álbum de figurinhas

 

Renata juntou dinheiro para vir para Munique, mas nem se preocupa em assistir ao jogo de hoje contra a Austrália. Ou a qualquer outro. É que ela está aqui para um “Impacto Evangélico”. Ela e mais umas trinta pessoas da igreja presbiteriana vieram a Munique especialmente para isso. Com música brasileira eles atraem curiosos e aí começam a falar com eles sobre Cristo e Céu. “Não importa que você não acredite em Deus, ele acredita em você.” Amanhã ela estará do lado de fora do estádio, cantando e falando de sua religião para os fiéis da maior religião do planeta, o futebol.

Por Torero às 02h35

17/06/2006

Os palhaços também morrem

Bussunda era um palhaço. No melhor dos sentidos.

 

Todas as mortes são tristes, mas, não sei direito por qual motivo, para mim a morte de um palhaço é sempre mais triste.

 

Talvez seja porque neste caso percebemos que uma das nossas únicas armas contra a morte, o humor, no fundo não adianta grande coisa. Talvez nos faça esquecer de sua inevitável chegada, talvez alivie seu peso, mas, no fundo, não resolve nada. Os palhaços também morrem.

Por Torero às 16h57

O melhor foi o juiz

Itália e Estados Unidos começaram o jogo de forma parelha, mas pouco a pouco os EUA foram dominando e aos vinte minutos já comandavam a partida.

 

Mas foi a Itália, menos organizada mas mais habilidosa, quem marcou primeiro, aos 22’.

 

Só que, aos 27’, os habilidosos italianos cometeram uma grossura digna de campo de várzea: um gol contra de canela de Zaccardo.

 

E, aos 28’, outra grossura, ou, no caso, grosseria. O volante italiano De Rossi deu uma cotovela ao estilo Cléber Santana e foi expulso.

 

A partir daí os EUA dominaram. Mas não aproveitaram. E aos 44’ do primeiro tempo ficou tudo igual em expulsões, por conta de um carrinho de Mastroeni.

 

No segundo tempo, logo aos 2’ os EUA perdem outro jogador: Pope. Então a Itália passa a dominar mas não marca. E o jogo acabou mesmo em 1 a 1. 

 

Por conta disso, o grupo E fica sendo o mais interessante até aqui, pois os quatro times ainda têm chances de classificação.

 

Na falta de um grande jogador, o nome do jogo acabou sendo o juiz uruguaio Jorge Larrionda, que acertou nas três expulsões. Aliás, com raras exceções, o nível dos árbitros está muito bom. Quando recomeçar o Brasileiro é que vamos perceber isso com mais clareza.

Por Torero às 16h56

Vitória da e de Gana

Até que enfim saiu a primeira vitória africana. Gana passou pela favorita República Tcheca. E a vitória começou logo aos 70 segundos, quando aconteceu o gol de Gyan.

 

Depois disso viu-se um jogo disputadíssimo, daqueles em que ninguém recebe a bola em paz. E isso, é claro, diminui as jogadas de efeito.

 

Perde-se em arte mas ganha-se em guerra.

 

O equilibrado meio campo da República Tcheca enfrentou uma marcação implacável. E incansável. O preparo dos ganenses é espantoso.

 

Os defensores de Gana empenhavam-se como se sua vida dependesse deste jogo. Quando a bola cruzava sua área, davam bicicletas e faziam peripécias no ar para afastá-la.

 

O jogo foi duro e equilibrado até o momento em que Ujfalusi cometeu pênalti e foi expulso.

 

Gana perdeu o pênalti, mas passou a dominar o jogo amplamente. Começou até a perder boas chances. Mas eram tantas que uma delas, aos faltando oito minutos para o fim do jogo, acabou entrando.

 

A República Tcheca foi à frente num último esforço e o goleiro Richard Kingston (que mudou seu nome Faruk Gursoy quando passou a jogar na Turquia) ainda teve que fazer duas defesas milagrosas.

 

O nome decisivo do jogo acabou sendo Gyan, que tem apenas 20 anos e está no Modena, da segunda divisão italiana. Ele fez o primeiro gol, deu o passe para o segundo, sofreu o pênalti e perdeu o pênalti.

 

No fim foi um jogo tão bom que até o frio locutor alemão se empolgou.

Por Torero às 14h11

O dia da caça

 

Por conta da viagem entre Konigstein e Munique, onde será o próximo jogo da seleção, perdi os dois primeiros jogos do dia. Mas não o terceiro, entre Angola e México.

 

Não foi um bom jogo. Nenhuma destas duas equipes deve ter vida longa na competição. Mas o goleiro João Ricardo fez, entre os jogos que eu vi, a melhor partida de um goleiro nesta Copa.

 

Ele estava num daqueles dias em que o goleiro afasta a bola com o olhar, um daqueles dias em que o goleiro parece ter poderes mágicos que fazem atacantes tropeçarem, um daqueles dias em que os goleiros voam.

 

Não foi à toa que seus companheiros correram para abraçá-lo ao final do jogo.

 

João Ricardo não é alto (tem 1,81), já é um tanto idoso (36 anos) e está sem clube (antes jogava no Moreirense, da segunda divisão portuguesa).

 

Mas, ontem, o baixo, velho e desempregado goleiro teve um dia perfeito. Fez belas pontes, espalmou bolas difíceis, encaixou bombas e até interceptou um cruzamento com uma só mão (feito o Manga).

 

Foi o grande momento de sua vida. Antes ele jogou por clubes pequenos de Portugal e fez milagres nas eliminatórias, mas nada que alcançasse nível mundial.

 

Porém, ontem, foi herói de uma partida de Copa do Mundo.

 

Quando for bem velho e a artrite já não deixar que ele ande direito, quando estiver entrevado e carcomido numa cama, João Ricardo poderá dizer para sua enfermeira: “Eu sou o João Ricardo, aquele que defendeu tudo naquela partida daquela Copa, lembra?”

 

A enfermeira mentirá que sim. E ele estalará a dentadura de felicidade.

Por Torero às 04h47

Matando a saudade

Ontem, na viagem de carro entre Konigstein e Munique, passei por um congestionamento que matou minhas saudades de São Paulo.

 

 

Ficamos, eu e o fotógrafo Flávio Florido, quase uma hora andando aos tranquinhos. E isso numa bela auto-estrada. Deu tempo para contar piadas, entrar na internet, responder emails, e até cochilar.

 

Em compensação, quando passamos pela obra que estrangulava a passagem, dava para ir acima de 180 sem problemas.

 

 

PS: Calma, mãe, aqui pode-se correr assim. E um monte de gente estava mais rápido do que eu.

Por Torero às 04h41

16/06/2006

Big apelação

Não sei se passa aí, mas passa aqui. E de cinco em cinco minutos. Trata-se de um comercial do Mcdonald’s em que os jogadores correm de mãos dadas com criancinhas durante um jogo de futebol.

 

Estas crianças são aquelas que entram de mãos dadas com os jogadores antes do início de cada jogo. Não reparou? Pode reparar. Os jogadores sempre entram de mãos dadas com crianças vestidas de amarelo e vermelho, as cores do Mcdonald’s. Ou seja, o que parece um ato singelo na verdade é um merchandaizim apelativo.

 

Vejo vários problemas nisso. Em segundo lugar, é como se cada jogador entrasse com um cartaz da companhia na mão. Sem ganhar nada para isso, eles estão sendo garotos propaganda de sanduíche. No caso de Ronaldo, isso pode até gerar piadas de mau gosto (como essa).

 

Mas a questão principal é usar crianças para este tipo de comercial. Criança merece mais respeito. Colocá-las correndo feito doidas em campo (no comercial de tevê) e usá-las como símbolo de um tipo de comida não exatamente saudável sanduíche não me parece certo. Sem falar no golpe baixo que é colocá-las ao lado dos jogadores, de mãozinhas dadas, para entrar em campo. Que atleta terá coragem de não dar a mão ao petiz-anúncio? Nenhum.

 

O Mcdonald’s quer com isso ligar seu nome, ao mesmo tempo, às crianças e ao esporte. À infância e à saúde. Mas pelo menos para mim, o efeito foi contrário. Eu, que sou um razoável consumidor de bigueméquis, fiquei de estômago embrulhado com tal apelação.

 

Isso pode parecer não ter nada a ver com futebol. Mas, infelizmente, tem.

Por Torero às 04h45

Chalaças

Um convite aos leitores deste blog. Estréia amanhã, em São Paulo, no Sesc Santana, às 21 horas, uma peça baseada num livro que escrevi há doze anos: “Galantes memórias e admiráveis aventuras do virtuoso conselheiro Gomes, o Chalaça”.

 

Já a peça tem um nome bem mais sucinto: “Chalaça”, deve ficar no Sesc Santana até a final da Copa e será encenada pelo pessoal da “Cia Les Commediens Tropicales”. A direção é de Márcio Aurélio, o mesmo da premiada “Agreste”.

 

Para quem quiser saber como foi o processo de criação da peça, há um divertido blog no seguinte endereço: www.chalacaapeca.blogspot.com.  

 

Eu, infelizmente, não poderei estar na platéia. Mas estarei no palco. É que eles decidiram colocar o autor como um dos personagens da peça.

 

Tomara que meu interpretador não me faça justiça.

 

Por Torero às 04h41

Ferramenta nova

Ainda não lhes apresentei, mas temos outra ferramenta nova no blog. É um serviço de busca que fica do seu lado esquerdo. Assim, se o leitor quiser saber, por exemplo, tudo o que foi escrito aqui sobre o Flamengo, é só digitar “Flamengo” e virão todos os textos onde o time foi citado. E assim com “Will Uai”, “ Zé Cabala”, “Santos”, “Timão” etc...

Por Torero às 04h40

15/06/2006

Saem os dois primeiros classificados

Equador e Alemanha são os dois primeiros classificados para as oitavas-definal.

 

A desacreditada Alemanha conseguiu dias vitórias, uma convincente de 4 a 2 sobre a Costa Rica e uma heróica, de 1 a 0, sobre a Polônia.  

 

Já os equatorianos passaram à próxima fase com um 2 a 0 sobre os poloneses e um 3 a 0 sobre Costa Rica. São os líderes do grupo.

 

O Equador vem melhorando muito. Só foi se classificar para uma Copa do Mundo em 2002, mas naquele ano não passou da primeira fase. Desta vez, porém, já está entre os dezesseis.

 

A seleção se apóia na equipe da LDU, uma equipe bem acertada e que sempre incomoda os brasileiros na Libertadores. A seleção tem a melhor defesa até aqui, e o goleiro Mora, que hoje atuou com o rosto pintado com as cores da bandeira equatoriana, está invicto.

 

O curioso é que o Equador conseguiu esta melhora depois da aposentadoria de Aguinaga (que tentou entrar no treino brasileiro, mas foi barrado por não ter credencial), o maior jogador de sua história.

 

O time agora é mais rápido, e talvez o time esteja menos centralizado, menos dependente de um só jogador. E, ao que parece, passou à frente de Chile, Colômbia e Uruguai, tornando-se a quarta força da América do Sul.  

 

Hoje jogou com muita garra e inteligência. E mesmo após os gols, não recuou covardemente. Vê-se que o time se conhece, sabe jogar junto e tem uma tática pré-determinada.

 

Com um empate contra a Alemanha, fica em primeiro no grupo. Se perder, deve pegar a Inglaterra. E, com este time certinho, pode dar trabalho aos inventores do futebol.

 

Por Torero às 10h55

TV alemã tem mais razão que emoção

A transmissão dos jogos pelas tevês alemãs é curiosa.

 

É bem menos apaixonada que a nossa, mesmo quando acompanha uma partida da dona da casa. E quase nunca há um comentarista. Geralmente o narrador faz os dois papéis. E ele, ao contrário dos brasileiros, não diz o que já estamos vendo.

 

Esta segunda parte me parece boa. Dizer aos ouvidos o que os olhos já vêem é pouco útil. Mas sinto falta da primeira parte.

 

Gosto da idéia de um narrador mais apaixonado e de um comentarista comedido. Esta mistura de paixão e razão, de coração e cérebro, de Apolo e Dioníso, parece fazer parte do nosso futebol.

 

O intervalo também é diferente do nosso. Muitas vezes entra um noticiário sisudo sobre economia ou política. Pelo jeito o torcedor daqui também se interessa por outros assuntos.

 

De qualquer forma, confesso que senti saudade dos nossos “melhores momentos”, das análises, das computações gráficas e das entrevistas com ex-jogadores de cada time. Ainda prefiro os truques que foram inventados pela nossa tevê, e mais ainda pelo nosso rádio.

Por Torero às 10h33

Atchum!

Hoje, como estou resfriado, meu sobrinho Lelê vai escrever no meu lugar. Clique no espirro: "Atchum!"

Por Torero às 08h12

14/06/2006

Faltou o amendoim

Baixada a poeira, eliminada a adrenalina, conto-vos agora como foi trabalhar no jogo do Brasil.

 

O estádio Olímpico de Berlim (aquele que aparece nos filmes sobre Hitler) não é apenas um estádio. É um gigantesco complexo esportivo, até com área verde. Bem diferente dos nossos estádios, que em geral são apenas para futebol. Imagine um Morumbi dentro de um Ibirapuera. É mais ou menos isso.

 

O Olímpico fica longe do centro da cidade, quase na periferia. Fui para lá de táxi com o Clóvis Rossi. Para nossa triste surpresa, tivemos que andar um bocado até a entrada do Centro de Imprensa. Não pudemos ir pelo caminho mais curto porque a tal rua estava interditada pela polícia, inclusive para os jornalistas que iriam para o lugar dos jornalistas. Aí entendi porque chamam os alemães de “os portugueses que deram certo”.

 

O Centro de Imprensa é muito grande, cheio de mesas, e em todas há uma ligação de banda larga. Desde que você pague para usá-la. E, se você quiser banda larga também no estádio, são mais 170 euros.

 

 

Há lá uma lanchonete razoável e várias telas de plasma para que os jornalistas possam assistir aos outros jogos.

 

Mas, em meio a essa parafernália tecnológica, acontece um momento de quase selvageria. É quando há o sorteio das entradas para o jogo. Explico: é que nem todos os jornalistas conseguem um lugar para a partida. Então faz-se um sorteio das vagas dos que faltaram ao jogo. Todo mundo se amontoa em volta do balcão e aquilo fica parecendo um pregão da bolsa. Ou um monte de galinhas na hora do milho.

 

 

De lá, vamos por uma ponte até o estádio propriamente dito. De um lado vemos uma escultura com ares fascistas e passamos sobre o povo que está entrando (que entra misturado, e sem nenhum problema).

 

 

 

A visão é excelente, há várias lanchonetes, o lugar é confortável (desde que você seja do meu tamanho e não do do Clóvis Rossi) e o gramado parece perfeito. Há dois telões que passam replays dos chutes (mas não das faltas ou impedimentos). E os lugares são numerados. Mas o mais impressionante é que as pessoas obedecem aos números.

 

 

Para alguns há até mesinhas com uma tela de televisão e ponto de luz para o computador. É realmente um bom jeito de assistir ao futebol. Mas não é perfeito. Senti falta de uns vendedores de amendoim.

Por Torero às 12h01

Notas para e sobre notáveis nem tão notáveis

Não foi um digno de nota, mas, mesmo assim, vamos às notas:

 

Dida: Esteve bem. Soltou uma bola mas fez uma difícil defesa no primeiro tempo. 8.

 

Cafu: No primeiro tempo apoiou razoavelmente, mas esteve mal na defesa. No segundo tempo deixou de apoiar e defendeu bem. E é melhor assim. 6.

 

Lúcio: O melhor da defesa. Gritou com todo mundo. Estava ligado na partida. Era um dos poucos com quantidade decente de adrenalina. 8.

 

Juan: Sem problemas nem destaques (o que é bom no caso de um defensor). 7.

 

Roberto Carlos: Quase fez uma cerezada. Deu um bom chute, mas já não tem o mesmo vigor físico dos tempos de antanho. 5.

 

Émerson: Regular. Interceptou alguns passes, mas não é um bom ponto de partida para as jogadas do Brasil. 6.

 

Zé Roberto: Apesar do belo nome, foi apenas regular, 6.

 

Ronaldinho: Deu alguns dribles, mas não conseguiu fazer bons lançamentos. Em parte, isso não é culpa sua, já que não havia quem lançar. Mas esperava-se mais. 6.

 

Kaká. Fez o gol e teve disposição. Numa seleção que não pareceu muito saudável, parece ter mais pulmão que os outros. 8.

 

Adriano: Lutou, o que já é alguma coisa. Mas é só alguma coisa. Parece que não pode jogar com outro jogador de estilo igual ao lado. Fica abandonado, isolado, um maior carente. 4.

 

Ronaldo: O pior da equipe. Não deveria ter entrado em campo. E talvez nem tenha. Pelo chute a gol, 1.

 

Robinho: Acendeu o time. Acertou alguns dribles e errou outros, mas só por acabar com o marasmo, já merece aplausos. 7.

 

Parreira: Colocou um time morno em campo, um time sem faísca. E errou ao insistir com Ronaldo, que poderia ter sido tirado já no aquecimento. 5.

 

Por Torero às 06h22

Entrevistando a bola

Hoje, às 22h30, no canal Brasil, entrevistarei a bola. E quem fará a voz da dita cuja é a atriz Denise Fraga (que tanto melhora meus textos). Abaixo, um trechinho da entrevista:

Como vai, dona Bola?

 

Rolando por aí.

 

E como é que a senhora se sente sendo a principal atração do planeta?

 

Nada mais natural, Torero, afinal o mundo é uma bola.

 

Mas o que explica essa paixão que o mundo tem pela senhora?

 

É porque, de certa forma, eu sou uma mistura das sete artes.

 

Como assim?

 

Por exemplo, eu sou artes plásticas porque eu construo curvas, retas e desenhos no ar. Às vezes eu desafio a gravidade como a dança, sou a principal atriz do grande teatro que é um jogo de futebol, sem falar que eu jogo por música, faço gols de letra e lances de cinema.

 

A senhora não está muito convencida. Não é o caso de baixar um pouco a bola?

 

Não mesmo. Este mês é todinho meu. E mesmo depois da Copa eu vou continuar com a bola cheia aqui no Brasil. Vão falar sobre o Campeonato Brasileiro, sobre a Libertadores...

 

É, a senhora é a bola da vez. Mas, ao mesmo tempo, não acha que existem outras coisas mais importantes?

 

Olha, meu filho, o negócio é que eu não piso na bola. Se a gente fala de política, acaba brigando. Religião, então, nem se discute. O que sobra, mesmo, sou eu.

Por Torero às 03h59

Texto da Folha

Folhistas e uolistas podem clicar aqui para ler o texto de hoje da Folha, que fala sobre viagra e hidromassagem.

Por Torero às 03h54

13/06/2006

Torcedódromo

Hoje, milhares de brasileiros que não conseguiram ingressos para o jogo entre Brasil e Croácia verão o jogo num torcedódromo. Um lugar preparado para quem quer torcer na rua (ou não conseguiu ingresso).

 

Cada uma das 12 cidades-sede da Copa tem um torcedódromo. Ontem assisti ao jogo entre Itália e Gana no torcedódromo de Berlim, que fica entre o Portão de Brandenburgo e a Coluna da Vitória, dois dos principais cartões postais da cidade.

 

 

 

Imaginem, criativo leitor e sonhadora leitora, a avenida Paulista sem carros, cheias de barraquinhas dos lados, e com sete telões imensos espalhados ao longo da avenida. E gente à beça, comendo, bebendo e rindo. É isso que é a Fan Fest aqui de Berlim (Fan Fest é o nome oficial do torcedódromo).

 

Mas talvez a Paulista não seja uma boa comparação, porque a avenida daqui fica no meio de um parque, o Ibirapuera local.

 

 

Esse trecho que mostrei no mapa tem um pouco mais de dois quilômetros, e nestes dois quilômetros há de tudo: barracas de comidas típicas, lojas onde você pode tirar fotos, massagem shiatsu, doces chiques, lingüiças de meio metro, uma roda gigante realmente gigante, lojas de roupas, uns trecos para pular e uma Embaixada do Fã, um serviço de apoio ao torcedor, com informações, mapas, etc..., e, é claro, cerveja.

 

Por conta dela, ontem havia um grupo de brasileiros que exaltava a pátria-mãe cantando: “Ê, fudeu, o Brasil apareceu”.

 

Curiosamente, bem no meio da avenida há essa estátua.

 

 

Parece de um torcedor, mas na verdade representa o poeta Francesco Petrarca (1300-1374).

 

Posso estar enganado, mas tenho a impressão de que ontem a estátua mostrava o poeta pensando. Provavelmente ficou nesta posição por conta do jogo de ontem. Bem que, no segundo gol, eu escutei um grito metálico: "Azzurra!" 

Por Torero às 05h43

Álbum de figurinhas

Enderson Melo, 22, estudante, nasceu em Recife.

 

Enderson estava sentado no meio da Alexanderplatz, lugar que ficou famoso por conta do livro de Alfred Döblin e do filme de Werner Fassbinder. Ele não atravessou o oceano para chegar aqui. Ou melhor, atravessou, mas foi um pedaço bem pequeno. Enderson veio da Inglaterra, onde está fazendo um curso de inglês. Dorme numa barraca de camping num dos parque de Berlim e compra comida nos supermercados. Com isso está gastando uns 50 euros por dia, incluindo a cervejinha. Não tem ingresso para os jogos, mas conseguiu um para o show de hoje de Ivete Sangalo.

Por Torero às 05h30

12/06/2006

Lelê fica quieto

Hoje é dia de Lelê. Ele descobriu que ver o jogo no estádio tem um grave defeito. Clique aqui.

Por Torero às 06h50

11/06/2006

Trem bão

Hoje foi dia de viagem. Fomos de Frankfurt para Berlim, onde será a estréia do Brasil na Copa. Alguns jornalistas foram de carro. Outros, eu incluído, preferiram ir de trem. E que trem! Rápido, silencioso, confortável, e com tomadas, de modo que posso escrever isto enquanto olho pela janela uma paisagem que parece a daqueles quebra-cabeças de mil peças. E o bicho é rapidíssimo. Vou mostrar o que vejo pela janela:

 

 

Em quatro horas e seis minutos (exatamente o tempo previsto) chegamos a Berlim (e com algumas paradas), a 534 km de distância.

Aqui há bastante gente nas ruas com camisas das seleções. Já há um clima de festa, inclusive com artistas fazendo apresentações na rua.

 

 

Há também bastantes brasileiros, tanto que, enquanto eu andava com minha camisa do Atlético-MG, escutei ao longe: "Segunda divisão!".

 

Dei só uma andada pelos arredores do hotel, mas a cidade parece, como diria meu sobrinho Lelê, o maior bacana, misturando o velho e o novo.

 

 

Deu para notar que as pessoas são alegres, bem-humoradas, de bem com a vida. Nada a ver com a imagem dos alemães transmitida pelos filmes americanos, onde os eles são sérios, compenetrados, e geralmente assassinos.

 

E por agora chega, que já começou Irã e México.

Por Torero às 12h10

Álbum de figurinhas

Renato Júnior, 26 anos, músico, São Paulo.

 

Júnior está na Europa há um ano. Já passou por um monte de países: Portugal, Espanha, Inglaterra, França, Suíça e agora está na Alemanha, onde assiste ao treino da seleção brasileira através de um furo na cerca. Ele é músico, mas já fez de tudo nesta viagem: ajudou em mudanças, pintou paredes e, algumas vezes, até tocou seu violão. Ainda vai rodar muito pela Europa. Quando ficar velho, acha que vai morar em Nancy, na França, uma cidade bem calma. “É para aquietar o facho.”

Por Torero às 11h58

Tecnologia + Jeitinho = Jesus

O avanço da tecnologia não dispensa o jeitinho brasileiro. Uma prova é a foto abaixo.

 

 

Este é o jeito que o radialista Manuel Jesus, da Rádio Sociedade, de Salvador, arranjou para passar suas notícias. Ele grava as entrevistas, depois toca-as num alto-falante (ralmente bem alto) e passa tudo por celular para sua rádio.

 

Ontem ele deu um show à parte durante o treino da seleção brasileira, mandando sei lá quantas matérias para Salvador. Fazia aberturas, encerramentos, opinava, introduzia e comentava.

 

Depois, notando que eu prestava atenção no seu trabalho, comentou: “Rádio pequena é fogo, tem que ser Jesus mesmo.”

 

Por Torero às 11h55

10/06/2006

Reservas 3 x 0 Titulares

Como aqui sou um repórter, vou lhes reportar o que vi agora.

Acabei de chegar do treino da seleção. Os reservas venceram os titulares por 3 a 0, dois gols de Juninho Pernambucano e um de Fred.

Os titulares jogaram com o freio de mão puxado, sem se arriscar. Em compensação, os reservas engataram uma quinta marcha. Parecia que um time tinha tomado café da manhã e outro, não.

Obviamente este placar não é motivo para alarme. Treino é treino, jogo é jogo. Os titulares devem estar morrendo de medo de se machucar. Tanto que Ronaldo conversou com Luizão depois de uma entrada mais dura.

Pôde-se ver que alguns reservas estão com muita energia. Cicinho correu muito, Juninho Pernambucano foi muito bem, Luizão está jogando sério, e Mineiro parecia um louco, atacando e defendendo muito.

Entre os titulares, Ronaldo estava paradão, mas menos do que ontem. Deu até alguns bons dribles, mas está se poupando. Ou se recuperando. Ronaldinho Gaúcho também esteve meio apagado. Erros alguns passes e não deu nenhuma enfiada como ontem, quando os titulares ganharam de 3 a 0, com três bolas enfiadas por ele. 

Se fosse pelo treino de hoje, Parreira teria que fazer algumas modificações em seu time-base. Mas isso, se acontecer, será depois do primeiro jogo. Ou durante.

Por Torero às 13h29

Metalinguagem

Estou escrevendo agora direto do campo de treinamento da seleção. E vou transmitir daqui. A idéia é mostrar como estão trabalhando alguns jornalistas, em particular os da Folha.

 

Estamos usando um tal de T-Mobile, que é uma espécie de celular para notebooks. Só que ele pode ficar ligado 24 horas por dia até o final da Copa. Com este treco estou wireless todo o tempo, ou seja, estou conectado à internet em qualquer lugar da Alemanha. Sem nenhum fio ou cabo.

 

O tal T-Mobile é esse negócio lilás que aparece no lado direito do computador (Pena que não dá para ler a tela, onde está há parte deste texto).

 

 

Para completar, tirei uma foto com minha máquina digital, passei-a para meu computador e coloquei texto e imagem no blog.

 

Milagres da tecnologia.

 

Por Torero às 11h30

Jogos de hoje

Hoje teremos três jogos de contrastes:

 

Inglaterra e Paraguai fazem o jogo Potência Mundial X Cucaracha Subdesenvolvido.

 

Trinidad e Tobago e Suécia farão uma partida de confronto racial: Loiros X Negros (se bem que há um branco na seleção de Trinidad e Tobago).

 

E Argentina e Costa do Marfim fazem o jogo Experientes x Estreantes.

 

Eu torcerei pelos subdesenvolvidos, negros e estreantes. E secarei os potentes loiros experientes.

Por Torero às 06h15

Estou apaixonado

Isso mesmo, estou apaixonado. Ela tem uma voz doce, um leve sotaque português e é uma doce dominadora (como na música do Chico, ela “vai me guiando, guiando de mansinho, pro caminho que eu quiser”).

 

É perfeita. Se eu erro, ela não me recrimina. Mas aponta a melhor solução para que eu volte ao caminho certo. Além disso, nunca me apressa, possui um raciocínio rápido e é só eu apertar aqui e ali que ela faz exatamente o que eu quero.

 

Coloco uma foto desta perfeição aqui abaixo:

 

 

É o GPS que há em alguns carros alugados pela Folha. Essa encantadora maquininha conquistou a todos. É só colocar a cidade e a rua que ela nos leva até lá. E as instruções são dadas por uma voz feminina que tem um sedutor sotaque português. Um repórter já me confessou que será difícil separar-se dela. E deu-lhe até nome: Eugênia.

 

Por Torero às 06h14

Texto na Folha.

Para ler o texto de hoje na Folha, com a previsão de Zé Cabala para o Brasil na Copa, assinantes do jornal e do UOL podem clicar aqui.

Por Torero às 06h10

Duas perguntas e uma certeza

1-) Até hoje não houve um dia em que não visse Tostão ser entrevistado por algum jornalista. Eu também, confesso, logo que o vi perguntei: “Vamos ganhar ou não?”. Ele deu um sorrisinho que respondeu “Como é que alguém pode saber.”

 

 

 

 

2-) Perguntei ao garçom grego do hotel qual o melhor remédio para a ressaca da cerveja alemã. Ele me respondeu que só há um: a guilhotina.

 

 

3-) Ao lado da misteriosa banheira que fica no caminho entre o hotel e o shopping há agora dois colchões e duas prateleiras. Certamente os sem-teto daqui são mais ricos que os nossos.

 

 

Por Torero às 06h07

09/06/2006

A hora da onça beber água

 

A coletiva de Parreira ontem foi excelente. Ele estava seguro, suas respostas eram lógicas e ele passava uma onda de otimismo não exagerado.

 

Até Dida esteve falante. Ou, pelo menos, respondeu algumas perguntas, o que é uma evolução considerável.

 

A sala estava cheia. Só por curiosidade, antes de Parreira entrar tirei uma foto do seu ponto de vista da sala, a fim de que os leitores vissem o que ele vê:

 

 

O que achei mais interessante entre as coisas que Parreira disse foi que ele privilegiou a saúde dos jogadores. Ou seja, com o talentoso grupo que tem, achou melhor deixá-los mais descansados e relaxados do que impor uma severa rotina de treinos. Eu acho que faltou um tanto de treino tático, mas há lógica no que Parreira fala.

 

É interessante notar que Parreira mudou muito desde 94. Naquela Copa, ele, sem tantos jogadores de talento, teve o esquema tático como sua principal arma (e Romário, é claro).

 

Agora, com mais jogadores talentosos, Parreira deixa os esquemas em segundo plano e aposta nos valores individuais. Ou seja, nos dois casos, ele montou sua equipe a partir do que tinha em mãos. Me parece uma atitude inteligente.

 

De certa forma, até justifica a pesquisa do blog, que mostra que mais da metade dos leitores acredita no hexa.

 

 

PS: Em tempo, não vi o Juca na coletiva. Desta vez preferiu cochilar na cama mesmo.

Por Torero às 07h05

Álbum de figurinhas

Débora Oliveira, 22, nasceu em Salvador, é dançarina e garçonete.

 

A ridente Débora está em Königstein para vender caipirinhas e outras bebidas brasileiras numa barraca no centro da cidade. Para atrair os consumidores, ela e as outras garotas executam algumas danças brasileiras. Os alemães tentam cantá-la de vez em quando, mas sempre com respeito. E não adianta nada. “Eu prefiro mais os morenos que nem eu.” Tanto é verdade que os jogadores que ela mais gosta são Robinho, Adriano e Dida. Kaká é sua única concessão. Ela gostaria de ser médica, mas acha que na verdade daqui a dez anos ainda estará dançando. “O sentido da vida? Sei lá! É ir conseguindo o que a gente quer.”

Por Torero às 07h03

Bobinho aplaudido

 

O treino em Offenbach foi uma grande festa. Havia muitas pessoas vestidas de amarelo. E a maioria não era brasileira. A empolgação comecóu já no aquecimento, quando os jogadores fizeram brincadeiras no meio de campo. Foi a primeira vez que vi 25 mil pessoas aplaudirem um jogo de bobinho.

 

 

Por Torero às 06h59

08/06/2006

Flores para Fiori

Quando eu era pequeno não havia rádio em casa, então eu ia até o carro do meu pai, ligava o rádio e escutava os jogos lá. E a coisa que eu mais lembro destes dias é a frase “Abrem-se as cortinas do espetáculo! Começa o espetáculo, torcida brasileira!”.

 

Quando eu narrava meus jogos de botão, era sempre assim que eu começava minhas narrações.

 

O inventor da frase morreu há poucas horas. Fiori Giglioti, que tinha flores até no nome, era um sinônimo de futebol para a minha geração. Era um narrador clássico, imponente, daqueles que deixa a partida mais emocionante, mais grandiosa. Tanto que jogo para ele era espetáculo.

 

Mas a verdade é que a morte virá para todos nós, e assim não podemos reclamar da chegada da inevitável, ainda mais no caso de Fiori, que teve fama e glória, que conheceu o mundo e fez o quis por toda a sua vida.

 

Ou melhor, podemos reclamar, sim. A indesejada das gentes poderia ter esperado a Copa.  Talvez assim pudéssemos escutar pela última vez o seu “Abrem-se as cortinas do espetáculo” antes que elas se fechassem de vez.

 

Por Torero às 08h52

Zona mista

Continuando em minha missão de mostrar os bastidores da cobertura da Copa, hoje vou falar de algo que achei muito estranho: a zona mista.

 

Ela é uma espécie de corredor polonês.

 

A coisa acontece assim: o ônibus dos jogadores param em frente à tal zona mista, formada por um corredor onde há a parede de um lado e os jornalistas de outro, atrás de uma grade baixa. Os jornalistas se amontoam por ali (na frente, os de jornal; depois, os de tevê) e, enquanto os jogadores passam em direção ao campo, nós chamamos por eles, que podem atender ou não aos apelos.

 

Então, quando um se aproxima da grade, logo outros jornalistas se aproximam e pegam carona na entrevista.

 

Para que vocês entendam melhor, vai aí uma visão de trás do muro de jornalistas:

 

Fiquei imaginando o quen se passava na cabeça dos jogadores:

 

Lúcio: “Tomara que não me chamem, que eu sou tímido e destesto falar.”

 

Émerson: “Tudo bem se me chamarem, faz parte da profissão.”

 

Júlio Cézar: “Alguém podia me chamar, mas quem é que presta atenção no terceiro goleiro?”

 

Roberto Carlos: “Se me chamarem, vou fingir que não escutei.”

 

Enfim, é uma situação estranha: os jornalistas mendigam palavras, os jogadores se sentem acuados e ninguém parece muito feliz.

 

Por Torero às 08h49

Pesquisa

Pesquisa

 

Mas os torcedores, e creio que mesmo boa parte dos tricolores, colocou a troca de Zé Roberto por Juninho Pernambucano em primeiro lugar (42%). E disparado, com o dobro dos votos da troca de goleiros (21%).

 

Em terceiro lugar ficou Adriano por Robinho (14%), que eu acho uma troca muito interessante, talvez a mais decisiva das três, pois mudaria a forma do ataque jogar.

 

Logo vou colocar outra pesquisa para medir nosso nível de otimismo.

 

 

Por Torero às 08h31

Lelê no castelo

 

Para ver o site do Lelê, que ontem visitou um castelo e tirou um monte fotos, clique aqui.

 

Por Torero às 08h31

07/06/2006

Álbum de figurinhas

Um monte de gente, principalmente marmanjos, está juntando as figurinhas da Copa, aquele álbum oficial da FIFA.

 

Pois bem, como este blog não quer ficar para trás, lanço aqui e agora o meu próprio Álbum de Figurinhas da Copa!

 

Mas, ao contrário do álbum da Fifa, não falarei de jogadores, mas de torcedores, e não do mundo, mas do Brasil.

 

É que aqui pelas ruas da Alemanha encontrei vários brazucas divertidos, que vieram parar nestas plagas pelos mais diferentes e divertidos motivos. Verdadeiras figuras.

Vamos então, ao primeiro:

 

 

Guiassul Martins, nasceu em Porto Alegre, tem 55 anos e é cozinheiro.

 

Esta é a terceira Copa de Guiassul, que tem este estranho nome devido ao pai índio e a um escrivão confuso. Ele reclama da Copa aqui na Alemanha. Disse que na França estava bem melhor, bem mais festivo.

Como sempre, veio sem nenhum ingresso, mas sabe se virar e conseguiu ver três jogos na França e três nos EUA. “O pessoal que ganha essas promoções no Brasil geralmente vende os ingressos e vai viajar pela Europa.” Ele veio com três irmãos. Cada um paga 30 euros por noite no hotel. E reclama um bocado preço alemão. “No Brasil, com 25 reais você fica num hotel bom.” Para se manter por aqui, vende fitinhas e camisas.

Guiassul diz que adora dar entrevista. Ontem falou com uma TV russa, uma mexicana e outra japonesa. Na Copa da África, planeja chegar um ano antes e abrir uma barraquinha para vender caipirinha.

Por Torero às 07h22

Pesquisa

Desatento leitor, distraída leitora, não sei se vocês perceberam, mas há aqui ao lado uma pesquisa. Sim, depois de contar manualmente milhares de votos, meus desejos foram atendidos e o blog tem agora um contador automático-instantâneo-tecnotelúrico que fará este árduo trabalho por mim. Para começar, pergunto: “Quem você trocaria para o primeiro jogo?” Pensei que daria Rogério Ceni na cabeça. Mas errei. Vote lá.

 

 

Por Torero às 07h17

Entrevistando as luvas do goleiro

 Hoje, às 22h30, no Canal Brasil, no programa Cantos Gerais, vou falar com as luvas do goleiro. Abaixo, um pequeno trecho da entrevista exclusiva:

 

 

Quem é o seu grande inimigo?

 

O Pelé, é claro. Ele me venceu mais de mil vezes.

 

Dá pra entender.

 

Também detesto os jogadores que têm chute muito forte, como o Nelinho, o Éder e o Roberto Carlos. Se bem que, se não fosse por eles, talvez eu nem existisse.

 

E você tem alguma grande mágoa?

 

Tenho. Nós, as luvas dos goleiros, sempre somos esquecidas. Ninguém nunca faz uma seleção das defesas da rodada. É só gol, gol, gol. Assim não dá. Só mostram os nossos erros. Parece a Veja falando do PT.

 

Por conta disso, você já pensou em mudar de profissão?

 

Já pensei muito nisso, sabe? Já pensei em ser luva de madame, mas não gosto de frescura.

 

Por Torero às 07h17

Lelê, o repórter

Meu imaginado e imaginativo sobrinho Lelê fez sua primeira entrevista com um jogador de verdade. Para lê-la, clique aqui.

 

 

Por Torero às 07h16

06/06/2006

Os bastidores da imprensa

Apertado leitor, aliviada leitora, se há uma verdade incontestável é o fato de que nossos órgãos internos são muito mal-educados. Liberamos erupções sonoras nos momentos mais impróprios, espalhamos odores desagradáveis contra nossa vontade e temos necessidades básicas que precisam ser satisfeitas.

 

Uma destas necessidades é despejar o excedente de água em nosso corpo de tempos em tempos. Pois bem, hoje no começo da tarde, enquanto esperava que começasse o treino da seleção em Königstein, minha desrespeitosa bexiga pressionou-me e não tive outra alternativa a não ser aliviá-la.

 

O problema é que o único banheiro próximo era o banheiro da Rede Globo, que tem um simpático bunker ao lado do campo. Discretamente fui entrando por ali e deparei-me com uma decoração muito curiosa.

 

Como uma das utilidades desta coluna é revelar os bastidores da imprensa, não posso me furtar ao dever de mostrar a curiosa decoração.

 

A primeira coisa que notei foram os vasos em forma de bola com bandeiras da Alemanha e do Brasil.

 

 

Mas as bolas não pararam por aí. Havia também cinzeiros...

 

 

E até cofrinhos.

 

 

Então, chegando ao banheiro, pisei num interessante tapete em forma de campo.

 

 

Mas o mais sensacional ainda estava por vir. Quando finalmente encontrei a peça que era o motivo de minha busca, o meu Santo Graal, o meu anel dos Nibelungos, eis que quase sou impedido (ou impelido) de fazer o que havia de fazer quando vi o objeto abaixo:

 

 

Não entendeu? Mostro de outro ângulo:

 

 

Sim, é isso mesmo. Um mictório com um gol no meio. E mais: com uma bolinha pendurada!

 

Não é genial? Não é digno de um Marcel Duchamp?

 

Isso sim, é o verdadeiro humor escatológico.

 

Por Torero às 14h20

05/06/2006

Ah, que preguiça...

Hoje, por motivo de preguiça maior, não escrevi nada. Em compensação, meu sobrinho Lelê estreou seu blog. Clique aqui para ir para lá.

Por Torero às 05h15

04/06/2006

A coisa mais importante para um jornalista é...

Cara leitora, barato leitor, eu vos pergunto: qual a coisa mais importante para um jornalista na Copa? E eu lhe dou opções:

 

( ) A caneta

( ) O bloquinho

( ) O notebook

( ) A máquina fotográfica

( ) Nenhuma das alternativas.

 

Acertou quem escolheu a última questão. A coisa mais importante para um jornalista na Copa é a credencial. Sem ela o mais nobre dos periodistas é só alguém com papel, caneta, notebook e câmera fotográfica. Mas, com a credencial, nós nos transformamos. Tal qual Luke Skywalker com sua espada de luz, tal qual Batman com seu cinto de utilidades, tal qual Moisés com seu cajado, a credencial é nossa arma.

 

Graças a ela é que poderei entrar nos estádios sem pagar, entrevistarei jogadores, assistirei aos treinos da seleção, serei melhor atendido pelos garçons e, quiçá, pelas garçonetes.

 

Pois bem, hoje, domingo, fui tirar o crachá. Depois de me perder por Frankfurt por algum tempo, cheguei ao local da “Accreditacion”, que deve ter este nome porque você nem acredita na organização da coisa. É tudo perfeito, sem filas, com atendentes sorridentes, espaço e conforto. Imaginem que nem tem aqueles papeizinhos para tirar senha, que é a mais alta tecnologia que temos no Brasil em termos de organização. Os caras tiram a foto na hora e a credencial é impressa em segundos.

 

E, para provar que sou agora um legítimo jornalista credenciado, eis aí a prova:

 

 

Sei que isto não é exatamente uma aventura, mas a vida de jornalista não é exatamente emocionante. Então, para não dizerem que não trabalhei, fui até Konigstein, a cidadezinha que vai abrigar a seleção, para sentir o clima. Eles esperam uma bela festa. Transformaram um estacionamento a céu aberto em uma quase-quermesse

 

 

e todas as lojas estão enfeitadas com motivos brasileiros. Vide o exemplo abaixo, onde há um interessante trabalho dialético-semiótico no uso do reflexo.

Por Torero às 11h09

03/06/2006

O avião não caiu.

Pois muito bem, caros leitores, cheguei. O avião não caiu e estou na Alemanha. Mas não estou em Konigstein, sede da seleção, e sim num lugar a dez quilômetros de distância chamado Sulzbach.

Meu hotel, como mostra a foto abaixo, fica num lugar um tanto desolado. Não há bares cheios de loiras por perto, nem belos lagos ou cervejarias majestosas. Só árvores. Bah!

Já estou aqui há algumas horas e, parece, aprendi a colocar fotos no blog.

Para mostrar aos leitores um pouco das redondezas, resolvi andar até um shopping que fica a uns dez quilômetros do hotel. Para chegar lá percorre-se um caminho onde há uma misteriosa banheira.

 

Chegando ao shopping, vi que a tal da globalização é um bocado chata. Atravessei o oceano para encontrar um Maquidonaldis,

que, pelo menos tem umas coisas diferentes (se bem que não tem a nossa promoção de sete sanduíches. Aliás, o melhor é o MacBrasil, com calabresa).Vi também algo parecido com os complexos de cinema que temos por aí.

 

 

E vi, mais que tudo, que a febre da Copa por aqui é tão forte quanto aí. Todas as vitrines têm motivos de futebol, seja uma chocolatería,

uma livraria,

ou uma loja de roupas:

Há até alguns jogos espalhados pelo shopping, como um tipo de tiro ao alvo. Só crianças chutam, mas com certa cara de pau me aproximei dos garotos que estavam por ali e pedi para dar uns chutes.

Errei as três tentativas. Então, para não prejudicar a fama internacional do brasileiro-bom-de-bola, despedi-me dos garotos dizendo: "Allá en Argentina las pelotas son más pesadas. Hasta luego."

Por Torero às 14h16

Palmeirense e bem-humorado

O leitor Ricardo Duarte, bem-humorado e palmeirense (dois adjetivos cada vez mais difíceis de serem encontrados lado a lado), mandou um email que merece ser postado aqui:

 

Eis que a Copa se aproxima mas meu coração está deprimido por conta da posição do Palestra no Campeonato. Álias, seria uma sina que todo ano de copa o Verdão seria rebaixado? Senão vejamos as coincidências entre 2002 e 2006:

 

Em 2002 tinhamos um técnico de ponta (Luxemburgo)que deixou o clube tão logo o campeonato começou.

Em 2006 Leão foi demitido após poucas rodadas.

 

Em 2002 o meio de campo havia sido desmontado (sairam Magrão, Claudecir, entre outros). Em 2006, os contestados mas efetivos Marcinho Guerreiro e Correa também foram embora.

 

Em 2002, ficamos alguns jogos sob o comando de um interino (Murtosa).

Em 2006, também fomos comandados por um interino (Villar).

 

Em 2002, contratou-se um técnico que salvaria a lavoura (Levir). Em 2006 contratamos o Tite.

 

Em 2002 tinhamos o veterano Zinho.

Em 2006, temos o Edmundo.

 

Emm 2002, contavamos com um paraguaio na zaga (Arce).

Em 2006, contamos com o paraguaio Guamarra.

 

 

Em 2002 era ano de Copa do Mundo

Em 2006 também.

 

Em 2002 amargamos o rebaixamento

Em 2006....

 

Daremos um Cippullo na  segundona porque Mustafa e DellaMonica são da mesma Palaia.

 

Um abraço,

Ricardo Duarte, o eclético cujo coração é mais Verde do que amarelo e por isso sofre com a situação vexatória do seu Palestra

Por Torero às 13h37

02/06/2006

Eu vou, eu vou...

Ruço leitor, aflamengada leitora, não são nem seis horas da manhã e já estou de pé. Por quê? Porque é hoje! É hoje que vou para a Copa.

 

Sim, daqui a algumas horas pego o avião rumo à terra de Goethe, Marx e Claudia Schiffer. Será minha primeira Copa ao vivo. Mal vejo a hora de entrar no estádio para assistir a Brasil e Croácia. Acho que sentirei palpitações, suores e falta de ar. E não saberei se é excesso de emoção ou de cerveja.

 

As Olimpíadas de Sydney foram interessantes, o Oscar foi bacana, mas ver uma Copa ao vivo é mais que isso, é um sonho de quase todo brasileiro. Será emocionante assistir à melhor seleção disputando o maior torneio do mais amado esporte do planeta. É algo tão superlativo que na frase anterior usei as palavras “melhor”, “maior” e “mais”.

 

Só que, usando uma lógica à la Xico Sá, o melhor de ir à Copa não será durante a Copa. Será na volta. Por quê? Porque poderei contar histórias por anos e anos. E tanto em caso de vitória quanto de derrota.

 

Se o Brasil vencer, nas rodas de conversa olharei para o céu e direi com ares de sonhador: “Ah..., só quem estava lá pode dizer como aquele hexa foi maravilhoso!”, e depois tomarei um longo gole de cerveja para comemorar.

 

Se perdermos, olharei para o chão com cara de quem viu passarinho morto, darei um longo suspiro e falarei: “Ah..., só quem estava lá sabe como aquele jogo foi dramático...”, e aí tomarei um longo gole de caipirinha como quem quer afogar a tristeza.

 

Mas nem tudo será perfeito. Há, pelo menos, duas coisas ruins em ir à Copa.

 

A primeira é que não verei os jogos com meus amigos, e assistir às partidas em grupo é das melhores coisas que se faz no Brasil. Preparam-se comidas diferentes, fica-se nervoso junto e, quando sai um gol, é um pequeno carnaval.

 

Nestes momentos muitos mal-entendidos são esquecidos, pais perdoam filhos, maridos e esposas fazem as pazes.

 

A segunda coisa ruim é que terei que viajar de avião. Sinto, digamos, um certo pavor ao pensar em viajar a dez quilômetros de altura. Como diria Vinícius de Moraes, “como não ter medo se é mais pesado que o ar e o motor é à explosão?”.

 

Por sorte, não estarei sozinho. Ao meu lado direito estará sentado meu sobrinho Lelê, que de vez em quando vai me substituir nesta coluna em troca de sonhos de valsa (estou levando um estoque daqui, por via das dúvidas).

 

Ao meu lado esquerdo viajará a Preta, que fechará seu bar e vai trabalhar numa cervejaria por lá.

 

À minha frente estarão Zé Cabala e Gulliver, seu assistente anão, que farão muitas previsões durante a Copa. E nas cadeiras de trás estarão Batista, o otimista, e Bento, o agourento.

 

Tico e Teco viajarão na executiva, como convidados da CBF. E Raimundo, o rei do submundo, estará na primeira classe (parece que foi convidado por um milionário russo ou pela Fifa, ele não explicou direito).

 

Enfim, viajando no meio de toda esta turma, não terei tanto medo de avião. Na verdade, acho que estaremos muito contentes e cantaremos: “Eu vou, eu vou, para a Copa agora eu vou, lá, lá, lá...”

 

A próxima coluna já será escrita de lá. Eu e o resto dessa turma vamos escrever todos os dias aqui neste blog ou na Folha. Mandaremos notícias, contaremos os tipos curiosos que encontraremos, falaremos das cidades, comentaremos os jogos, inventaremos algumas teorias absurdas e tentaremos entender um pouco melhor essa coisa misteriosa e simples que é o futebol.

 

Auf wiedersehen!

 

Por Torero às 05h41

01/06/2006

Casseta no futebol

Deu no PublishNews (http://www.publishnews.com.br):

 

“Vai na bola, Glanderson! (Objetiva, 184 pp., R$ 24,90) de Helio de la Peña, conta a história de Paulo Ventania, um típico brasileiro que, louco para se dar bem na vida com pouco esforço, sonha em descobrir um garoto bom de bola e lançá-lo no futebol profissional. Eis que surge o menino Glanderson, que, devido a um defeito no pé - perdeu dois dedos num acidente -, possui um chute de efeito desconcertante. De cara, Ventania acredita ter nas mãos uma pedra bruta que, devidamente lapidada, resultará num fenômeno. O objetivo do agente é que seu jogador seja convocado para a seleção brasileira que disputará a Copa do Mundo de 2014, no Brasil. Em ano de Copa do Mundo, o craque do humor veloz Helio de la Peña, treinado e consagrado no Casseta & Planeta, faz sua estréia no campo do romance esbanjando imaginação e graça."

 

Por Torero às 10h52

Áudio-livro

O jornalista Vital Battaglia, prêmio Esso de jornalismo no ano passado, tem um site bem interessante  (www.futebolvital.com.br), onde ele coloca à disposição dos deficientes visuais um áudio-livro de sua autoria: “Por um grito de gol”.

Por Torero às 09h48

Sangirardi

Se você tem mais ou menos quarenta anos deve se lembrar do sensacional programa sensacional de Estevam Sangirardi. Ele acontecia depois dos jogos e era um comentário cômico sobre o futebol, com vários personagens que se tornaram clássicos.

 

Pois bem, amanhã, às 19h, no Museu da Casa Brasileira (Av. Brigadeiro Faria Lima, 2705), será lançado o livro “Show de Rádio”, de Carlos Coraúcci, pela editora Girafa. Ele conta a história de Sangirardi e é uma boa oportunidade para conhecer o que de melhor se fez até hoje em humor futebolístico.

 

Por Torero às 09h47

Prata em Paris

Mário Prata está lançando um livro novo, e sobre futebol. Chama-se “Paris, 98”, foi editado pela Objetiva, tem 108 páginas e custa R$ 19,90. O release é o seguinte:

 

Paris, França, 1998. Copa do Mundo. Gregório, um brasileiro de classe média baixa, ganha numa promoção a chance de assistir aos jogos ao vivo e jura para a mulher que vai para vender os ingressos - afinal, estão devendo mais de R$ 10 mil para o agiota. Mas, na hora agá, tudo muda - nosso anti-herói decide assistir a tudo e ainda arruma uma amante na excursão. Mario Prata esteve pessoalmente na Copa do Mundo da França e usa essa experiência para, em conjunto com seu humor característico e sua habilidade para criar bons personagens, ilustrar com riqueza o cenário desta saga de um típico brasileiro em Paris.

Por Torero às 09h46

Sobre o autor

Formado em Letras e Jornalismo e quase formado em Cinema, é autor de treze livros (como "O Chalaça"), escreveu roteiros para cinema (como "Pequeno Dicionário Amoroso") e para tevê ("Retrato Falado").

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