Blog do Torero

31/05/2006

Mineiro entra na Copa

Primeiro foi Marcos, agora foi Edmílson. Realmente, o poder mental dos são-paulinos é fantástico! 

Mineiro deve estar exultante. Depois de já ter certeza de que ficaria de fora da Copa, receber a notícia de sua convocação é algo como estar caindo de um prédio e ser salvo pelo mastro da bandeira, ou levar um tiro e descobrir que a bala é de festim, ou ser um condenado à cadeira elétrica e faltar luz na hora da execução.

É claro que o Edmílson deve estar tristíssimo, mas ele já esteve em uma Copa e, imagino, a alegria do Mineiro, já com mais de trinta anos, será maior que a tristeza do jogador do Barcelona.

O mais importante é que a seleção continua bem-servida de volantes. O incansável gaúcho Mineiro vem jogando bem há muito tempo e merece a convocação.

Por Torero às 12h55

Um otimista e um pessimista vêem o amistoso do Brasil

Assisti ao jogo da seleção brasileira no Bar da Preta, onde ela colocou sua tevê Telefunken em branco e preto à disposição dos clientes. Sentei à mesma mesa em que estavam Bento, o agourento, e Batista, o otimista. Entre uma Fanta Uva e outra, escutei um diálogo mais ou menos assim:

 

Batista: Ganhamos fácil!

 

Bento: Fácil demais...

 

Batista: É verdade que o adversário era fraco, mas o importante é que o time se movimentou bem.

 

Bento: Sem marcação, qualquer um se movimenta bem.

 

Batista: O Kaká mostrou que já está pronto.

 

Bento: Mas Ronaldinho Gaúcho enfeitou demais.

 

Batista: A defesa não tomou nem um gol.

 

Bento: Mas os caras tiveram chances. Jogadores de verdade não perderiam aqueles gols.

 

Batista: Falando em gols, nosso ataque fez oito!

 

Bento: Não fez mais que a obrigação.

 

Batista: Fazer a obrigação é importante. Nos amistosos de ontem teve time que não conseguiu nem isso. Viu a Alemanha?

 

Bento: Vi foi o Japão. Se eles empataram com a Alemanha é porque não estão para brincadeira. E fizeram um amistoso contra uma seleção de verdade, não contra um combinado de segunda categoria.

 

Batista: Você é um agourento, Bento.

 

Bento: Você é que é um otimista, Batista.

 

Então o juiz apitou o fim de jogo e eu saí dali achando que os dois estavam certos.

Por Torero às 06h38

A Série B está mais disputada que a A

A rodada da Série B foi muito interessante. Aliás, a Série B está interessante, com jogos disputados e uma tabela em que todos ainda têm chance de cair e de se levantar. Só para comparar, a diferença entre o último e o primeiro é de 10 pontos (em nove rodadas). Na Série A esta diferença é de 16 pontos (em oito rodadas).

 

Na ponta de cima, o Sport quase perdeu do Marília, mas conseguiu o empate e se manteve na frente.

 

O outro pernambucano, o Náutico, venceu o CRB em Alagoas e encostou no líder.

 

Em terceiro lugar vem o Avaí, que fez uma boa partida contra o Santo André, mas só ganhou porque o juiz apitou (erradamente) um pênalti aos 44’ do segundo tempo.

 

Na ponta de baixo, antes desta rodada o lanterna era o Vila Nova. Mas, depois de vencer o Paulista, o time goiano subiu seis posições e passou para 14º.

 

O lanterna agora é a Portuguesa, que, em casa, levou incríveis 6 a 2 do Paysandu (o time paraense, que estava em 15º. lugar, saltou para o 8º). A Lusa, depois de cair para a segunda divisão no campeonato estadual, corre sério risco de despencar para a terceira no nacional. Será a agonia de um time tão tradicional?

 

Por Torero às 06h35

29/05/2006

Louis Laranjeira é o novo líder de Brasileirão City

Vinte caubóis se espalhavam pelos quatro cantos de Brasileirão City. Então, quando o vento fez tocar o velho sino da estação, os tiros começaram. As balas pareciam abelhas enlouquecidas que voavam por todos os lados. No final, 21 disparos acertaram os inimigos. Dois deles foram parar no peito de Tim Timão, e foram desferidos por Billy Santos.

Eles não fizeram o melhor de seus duelos. Billy começando atirando mais, mas uns vinte minutos depois Tim se recuperou e passou a disparar perigosas balas. Justo nesse momento, num contra-ataque, Billy alvejou Tim. Mesmo sangrando, Tim Timão continuou disparando. Sem muita direção, é verdade, já que estava usando peças sobressalentes em seus revólveres.

Os dois fizeram uma trégua para beber água e depois a luta recomeçou. Os tiros vinham de ambos os lados, mas não eram nada certeiros. O combate estava equilibrado até que Tim ficou com uma arma a menos. Aí Billy passou a dominar. Mas Tim não se entregava e levava perigo nos contra-ataques. Havia chances para os dois. Só que a pontaria, ai, ai, ai... (Geilson perdeu duas grandes chances e a torcida ironicamente começou a cantar: “Parreira/ Bundão/ Geílson é seleção”). Mas então, no último instante, Billy Santos acertou um tiro e liquidou a partida.

O resultado é que Santos saiu com sua roupa branca imaculada e continua na turma de cima. Já Tim Timão está um tanto longe dos melhores caubóis. Pela lógica, vai reagir. Mas não pode demorar muito para isso.

Louis Laranjeira é o novo chefão de Brasileirão City. Pelo menos por alguns dias. Ele venceu Black Red. E, mais uma vez, por diferença mínima. Aliás, de suas seis vitórias, cinco foram por diferença mínima. E ontem Black até conseguiu acertar Louis. Mas sua bala era de festim (o gol de Renato foi erradamente anulado) e não feriu Louis Laranjeira.

Na próxima rodada de duelos, Louis enfrentará o temível Jack Tricolor no saloon Morumby. Os dois, que são primos distantes, devem fazer uma luta memorável e colorida, já que ambos gostam de usar chapéu de uma cor, coletes de outra e calças de uma terceira.

Aliás, Jack Tricolor empatou com Joaquim Wayne numa luta dura. Há seis anos Jack não consegue vencer Joaquim em San Januário, um saloon especializado em bolinhos de bacalhau. Jack começou vencendo, mas bobeou e deixou Joaquim empatar o duelo. Tsc, tsc...

O duelo mais nobre do domingo foi entre James Colorado e Will Uai, dois caubóis que reinaram na década de 70. O confronto foi em Happy Harbour, casa de James, e ele saiu na frente graças a uma flechada de seu assistente Índio. Mas Will conseguiu empatar a luta poucos minutos depois. A partir daí, James Colorado deu vários disparos na direção de Will Uai. Mas Will se desviou com categoria e as balas zuniram nas suas orelhas sem acertá-las. No final, James, mais uma vez, perdeu a chance de ser o bambambam em Brasileirão City.

John Esmeraldine venceu Caetano Bill numa dura luta em Sierra Dorada. Esmeraldine, como sempre, só conseguiu acertar seus tiros na segunda metade do duelo. Ele demora para calibrar sua pontaria. Mas venceu e isso é o que importa.

Sam T. Cruz continua sem vencer. É um invictor, o que, segundo o latim do velho oeste, significa aquele que não venceu. Desta vez não passou por Seth Fire, que ainda começou vencendo. Curiosamente, Seth trocou de roupa durante o intervalo do duelo e, na fase final, todo vestido de negro, levou um balaço de Sam T. Cruz. Decididamente, preto não é sua cor de sorte.

Big Green foi vencido por Sancho Pampa. O tiro vitorioso de Sancho passou caprichosamente pelo meio das pernas de várias cadeiras antes de acertar Big Green. E a situação de Green é crítica. Para piorar, os próximos dois duelos serão longe de casa. Já para Sancho Pampa foi uma vitória importante. E um tanto heróica, porque durante boa parte do tempo teve uma arma a menos.

No sábado, Black Bridge, mesmo duelando em seu próprio saloon, levou cinco tiros de Blue Reed, que não vencia ninguém há quase um mês. Vendo o corpo do inimigo no chão, o caubói-seresteiro dedilhou seu violão e cantou sua música “Perfect day”.

O imprevisível Phil Gueira novamente foi imprevisível e não venceu Bob Baião (Soares faz muita falta ao ataque catarinense). Bob defendeu-se bem e saiu ileso do combate. Não vence ninguém há cinco tiroteios, mas este empate em zero a zero é bem melhor que a derrota por 5 a 2, em casa, para o Louis Laranjeira. O novo chapéu (marca Bittencourt) começou bem.

Young Boy, o imponente caubói loiro que havia vencido seus três últimos embates, perdeu para Harry Hurricane. E a bala decisiva foi disparada no último segundo da luta. Foi um alívio para Harry. Havia quase um mês que ele não sabia o que era vencer.

Enquanto isso, na selvagem cidade vizinha de Série B Village, Cliff Reciff continua na liderança. E com três pontos de vantagem. Desta vez venceu o temível Big Papa com um único e certeiro tiro. Na próxima rodada receberá a traiçoeira Marília Mae, a bela e fatal cowgirl. Ou, como bem preferem os nacionalistas, cauguel.

E, na Bahia, Colo Colo Colt venceu o estadual sem dar chance para ninguém, conquistando turno e returno. É a primeira vez, desde 1969, que o título não fica com um dos dois manda-chuvas de Salvador City.

Enfim, agora só faltam duas rodadas para o final desta primeira fase dos duelos em Brasileirão City. Aproxima-se o momento de definir quem será o campeão da era a.C. (antes da Copa). Eu apostaria minhas fichas em Will Uai. Veremos.

Por Torero às 07h03

Convite

Hoje, às 19h30, acontecerá o lançamento do livro “11 histórias de futebol”, com a presença deste que vos escreve. Será no Bar São Cristóvão, na rua Aspicuelta, 533, famoso por seus mojitos. Caso alguém vá até lá comprar o livro, aviso que é bom chegar cedo, pois minha letra sai tremida depois do segundo mojito, ilegível após o terceiro, abraço efusivamente os leitores depois do quarto e beijo as leitoras a partir do quinto.

Por Torero às 07h00

26/05/2006

Dicas para o bem-viver durante a Copa (versão da esposa)

Querido marido,

 

a fim de convivermos harmoniosamente durante o período da Copa, elaborei uma lista com dez mandamentos:

 

1. De 9 de junho a 9 de julho de 2006 não arranque e desarrume o caderno de Esportes do jornal como você costuma fazer o ano inteiro. Não vou mostrar a costumeira paciência. Lembre-se que serão 31 dias de TPM: Tensão Pelo Mundial.

 

2. Se você for falar comigo sobre futebol, não use o tom “sou-um-sabichão-e-você-não-entende-nada”. Sei o que é impedimento, quem é o juiz e o que é a bola (é aquela coisa que tem o formato de sua careca, só que é menor).

 

3. Durante a Copa, vamos tirar no par ou ímpar para decidir em que canal veremos os jogos. Você adora o Galvão Bueno, mas eu prefiro o Milton Leite, do SporTV, que é mais bonito, inteligente e tem humor. (em tempo, números ímpares são aqueles que, divididos por 2, não resultam em números inteiros. E humor é..., ah, deixa pra lá, você não ia entender mesmo).

 

4. Pelamordedeus, não tire a camisa para comemorar o gol. Ninguém merece olhar para essa pele branca de quem não toma sol desde o verão e muito menos sua barriga, resultado das cervejas que você já começou a tomar antes mesmo do início da Copa.

 

5. Se, no intervalo, você tiver algum desejo repentino quanto a sexo, esqueça. E nem tente fazer como da última vez, quando você tirou a roupa e dançou nu em cima da poltrona. Não quero parar outra vez no pronto-socorro por causa de um ataque de riso.

 

6. Antes que eu me esqueça: a geladeira fica na cozinha, do lado direito da pia. É lá que ficam as cervejas. No supermercado você pode encontrar salgadinhos prontos, vendidos em saquinhos fechados. Compre-os. Eu não sairei da frente da TV para fazer isso, me arriscando a perder um gol do Brasil.

 

7. Não me peça nada durante o período da Copa. Suas meias devem estar na gaveta. Gaveta é uma coisa que fica dentro do seu armário. Se não houver nenhuma por lá, tente o cesto de roupa suja.

 

8. Não reclame dos meus comentários sobre o charme dos italianos. Meu leque de razões para gostar de futebol é muito maior do que o seu. E, se eu elogiar um argentino, não é antipatriotismo. É que gosto de ver homens com cabelo. Para variar, sabe como é.

 

9. Por favor, por favor, por favor! Cale a boca quando a Soninha, a Milly Lacombe ou a Marília Ruiz estiverem fazendo algum comentário. Preciso escutar algo inteligente de vez em quando.

 

10. Por último, quando o jogo acabar e a novela das oito começar, NÃO fique perguntando quem são os personagens, o que eles fazem e por que disseram aquilo! Já cansei de lhe explicar isso.

 

Espero que estas regras sejam seguidas à risca. Só assim você escapará ao divórcio. Falando nisso, talvez eu vá assistir um ou outro jogo na casa do novo vizinho. Mas não se importe, eu e o Carlos Eduardo somos apenas bons amigos. E, se você escutar algum barulho estranho, é a comemoração.

Por Torero às 09h02

Dica cinéfila para hoje

Para quem gosta de cinema e futebol, hoje a Sala Cinemateca tem algumas boas e gratuitas opções. Às 17h40, três respeitáveis documentários. Às 19h00, dois curtas e o primeiro Boleiros. No sábado há três horários com coisas interessantes, inclusive o clássico “O milagre de Berna”.

 

 

dia 26/05 (sexta-feira)

 

17h40

 

Futebol 1 – o jogo dos homens. (de João Moreira Salles e Arthur Fontes, Brasil, 1998, beta, cor, 90’). O primeiro programa da série acompanha durante dois anos e meio a vida de meninos com talento para o futebol. O sonho comum da profissionalização mistura partes desiguais - e imprevisíveis - de sorte, azar e trabalho duro. Entre as peladas no morro e o primeiro jogo no Estádio do Maracanã, cada lance pode pôr tudo a perder.

 

Futebol 3 – a zona do agrião. (de Roberto Moura, Brasil, 1980, 16mm, pb, 13’). Os estádios do futebol brasileiro e sua utilização pelos representantes do poder.

 

Todomundo (de Thomaz Farkas, Brasil, 1978/1980, 16mm, cor, 35’). O espetáculo do futebol, visto por meio de suas torcidas e suas participações nos jogos dos campeonatos brasileiros.

 

 

 

19h00

 

Óbvio ululante (de Sérgio Sá Leitão, Brasil, 2002, dvd, cor, 10'). O Fluminense foi a grande paixão do escritor Nelson Rodrigues. Pelo tricolor carioca, e sobre o tricolor carioca, ele escreveu algumas de suas melhores crônicas esportivas. Mesclando depoimentos e pérolas rodriguianas, o filme evidencia a relação vital entre o escritor e o seu clube do coração.

 O mundo segundo Silvio Luiz (de André Francioli, Brasil, 2000, 35mm, cor, 7'). O locutor esportivo está sempre contornando a surpresa e o vazio com o improviso.

 

Boleiros. (de Ugo Giorgetti, Brasil, 1998, 35mm, cor, 93'). Com Adriano Stuart, Flávio Migliaccio, Cássio Gabus Mendes e Octávio Augusto. Em um bar de São Paulo, um grupo de ex-jogadores de futebol reúne-se para relembrar antigas histórias da época em que jogavam. O resultado é a junção de seis histórias inspiradas em lendas e "causos" desse universo particular, cada uma delas relacionadas a clubes de São Paulo.

Por Torero às 09h01

Dica cinéfila para sábado

Amanhã há trê ssessões que merecem destaque na Sala Cinemateca (Largo Senador Raul Cardoso, 207, Vila Mariana). Às 14h30 teremos dois curtas, incluindo um de Anna Azevedo, e um longa da Guiné. Às 16h45, um ótimo curta e um longa sueco, e às 20h50, dois curtas e o clássico "O milagre de Berna".  

 

dia 27/05 (sábado)

 

14h30

 

Meninos da zona sul (de Claudia Ribeiro e Silvia Godinho, Brasil, 2004, 35mm, cor, 13'). O que pode acontecer a um garoto apaixonado por futebol quando descobre a foto do irmão na primeira página do jornal?

 

Berlinball (de Anna Azevedo, Brasil/Alemanha, 2006, beta, cor, 17’). Filme de uma das principais curtametragistas do país. Em Campina Grande, na Paraíba, meninos sonham em jogar futebol numa certa cidade chamada... Berlim! Eles sonham virar um novo Marcelinho Paraíba, jogador do Hertha Berlim.

 

Bando e a bola de ouro (Bando und der goldene fussball, de Cheik Doukouré, Guiné, 1993, dvd, cor, 90’). O filme conta a história de Bando, um garoto que sonha ser uma estrela do futebol, mas não tem a mínima noção de seu talento até ganhar uma bola de couro, presente de uma médica. Muitos imprevistos ocorrerão até o menino ser descoberto e ganhar oportunidades.

 

 

 

16h45

 

Cartão vermelho (de Laís Bodanzky, Brasil, 1994, 35mm, cor, 14'). Um curta que já virou clásico. Fernanda gosta de jogar futebol com os meninos. Joga bem, dribla, faz gol. Mas, para essa moleca de 12 anos, o apogeu de sua intimidade com a bola é fazê-la voar reta, direta, até o saco dos meninos.

 

Fimpen, o garoto. (“Fimpen, der knirps”, de Bo Widerberg, Suécia, 1973, dvd, cor, 89’). Johan Begman é um garoto de 6 anos, silencioso, tranqüilo e sonhador. Ele é um gênio do futebol, apesar de seus movimentos infantis, e joga na seleção sueca. Os torcedores juvenis criticam-no por não dar autógrafos, mas o real motivo disso é que ele ainda não aprendeu a escrever.

 

 

20h50

 

Elemento no conjunto (de Paola Barreto Leblanc, Brasil, 2004, beta, cor, 5'). A partir da paixão comum pelo futebol, Oto e Lia descobrem o amor.

 

Como se fosse ontem (de Gustavo Moraes e Roberto Seba, Brasil, 2005, 35mm, cor, 6'). Final de um campeonato de futebol infantil de bairro. De um lado, o goleiro invicto. Do outro, a artilheira do campeonato. Nos pés dela: a decisão. Nas mãos dele: muito mais que o titulo de campeão.

 

O milagre de Berna (“Das Wunder von Bern”, de Sönke Wortmann, Alemanha, 2003, 35mm, cor, 118'). Talvez o mais elogiado filme sobre futebol já realizado. Ele conta as lembranças da vitória da seleção alemã contra a favorita Hungria, em 4 de julho de 1954, pelo título da Copa do Mundo de Futebol. O episódio ficou conhecido como o "Milagre de Berna".

 

Por Torero às 09h00

Dica televisiva

Amanhã, às 11h, no Grandes Momentos do Esporte (TV Cultura), teremos mais um episódio da série “A História do Futebol – Um Jogo Mágico”. Nesta edição, o programa vai contar como o futebol chegou e se estabeleceu na África.

Por Torero às 08h32

25/05/2006

Regras para o bem viver durante a Copa (versão do marido)

Este email está correndo pela internet. É um tanto machista, mas tem lá sua graça. 

 

Querida Esposa,

 

1. De 9 de junho a 9 de julho de 2006, você deverá ler a seção de esportes do jornal de modo a se manter a par do que se passa com respeito à Copa do Mundo, o que lhe permitirá participar das conversas. Caso não proceda desta maneira, você será olhada com maus olhos, ou mesmo ignorada por completo. Neste caso, NÃO RECLAME por não receber nenhuma atenção.

 

2. Durante a Copa, a televisão é minha, o tempo todo, sem exceção. Se você dirigir o olhar ao controle remoto, uma vez sequer, você o perderá (o olho).

 

3. Se você precisar passar em frente à TV durante um jogo, eu não me importarei, contanto que o faça rastejando e sem me distrair. Se você decidir se exibir nua diante de mim à frente da TV, esteja certa de vestir-se imediatamente em seguida pois, se pegar um resfriado, não terei tempo de levá-la ao médico nem de lhe dar assistência durante o mês da Copa.

 

4. Durante os jogos eu estarei cego, surdo e mudo, exceto nos casos em que eu solicite que me encha o copo ou peça a você a gentileza de me trazer algo para comer. Você estará fora de si se achar que irei ouvi-la, abrir a porta, atender o telefone ou pegar nosso bebê que possa ter caído no chão... Não vai acontecer.

 

5. Seria uma boa idéia manter pelo menos 2 caixas de cerveja na geladeira o tempo todo, bem como razoável variedade de tira-gostos e belisquetes. E por favor não faça cara feia para meus amigos quando eles vierem assistir jogo aqui em casa comigo. Como recompensa, você estará autorizada a assistir à TV entre meia-noite e seis da manhã, a menos, é claro, que neste período haja a reprise de algum jogo que eu tenha perdido durante o dia.

 

6. Por favor, por favor, por favor! Se me vir contrariado por algum time de meu interesse estar perdendo, NÃO DIGA coisas como "Ah, deixa isso pra lá, é só um jogo..." ou "Não se preocupe, eles vão ganhar da próxima vez...". Se disser coisas desse tipo, só me deixará com mais raiva e vou amá-la menos. Lembre-se, você jamais saberá mais sobre futebol do que eu e suas supostas "palavras de encorajamento" apenas nos levarão à separação ou ao divórcio.

 

7. Você será bem-vinda a sentar-se comigo para assistir um jogo e poderá me dirigir a palavra no intervalo entre o primeiro e o segundo tempos, mas apenas durante os comerciais e (importante) APENAS se o placar do primeiro tempo tiver sido do meu agrado. Favor notar também que especifiquei UM jogo, ou seja, não use a Copa do Mundo como pretexto mimoso para aquela coisa de "passarmos tempo juntos".

 

8. Os repetecos dos gols são muito importantes. Não importa se já vi o gol ou não, eu quero ver novamente. Muitas vezes.

 

9. Avise suas amigas para no mês da Copa não darem à luz nenhum neném, ou mesmo promover qualquer festa de criança ou eventos de qualquer natureza que exijam minha presença, porque:

a) Eu não vou;

b) Eu não vou, e

c) Eu não vou.

 

10. No entanto, se um amigo meu nos convidar para ir à casa dele num domingo para assistir um jogo, iremos de imediato.

 

11. As resenhas esportivas da Copa toda noite na TV são tão importantes quanto os jogos propriamente ditos. Que nem lhe passe pela cabeça dizer coisas como "Mas você já viu isso tudo... Por que não muda para um canal que todos possamos assistir?". Se disser algo assim, saiba desde já que a resposta será: "Veja a regra nº 2 dessa lista".

 

12. E, finalizando, por favor poupe-me de expressões como "Graças a Deus que só tem Copa do Mundo de quatro em quatro anos". Estou imune a manifestações dessa natureza, pois após a Copa vêm a Libertadores, Liga dos Campeões, o Campeonato Italiano, O Espanhol, o Brasileirão, etc.

 

Querida esposa, muito grato por sua cooperação.

 

 

(Amanhã farei a versão da esposa) 

Por Torero às 07h52

Escudos

Quem quiser saber os significados dos escudos das seleções de futebol que vão à Copa, clique aqui. O site do Luiz Fernando Bindi traz um monte de informações curiosas.

Por exemplo, você sabia que as cinco chagas de Cristo estão representadas no escudo de Portugal? Nem eu.

Por Torero às 07h44

24/05/2006

Seleção de seleções

Acabaram-se as eleições para jogadores inesquecíveis. A seleção, escalada num romântico 4-3-3, ficou assim: Ronaldo; Arce, Lugano, Gamarra e Júnior; Mineiro, Pelé (com a 8) e Ronaldinho Gaúcho; Garrincha, Romário e Denílson.

 

Como é a seleção dos mais lembrados, dos mais marcantes, não temos exatamente a melhor seleção. Mas essa era a idéia da eleição, ver quais os jogadores eram mais queridos pelos leitores do blog.

 

Só por curiosidade, a seleção dos segundos colocados ficaria assim: Marcos; Leandro, Luís Pereira, Darío Pereyra e Roberto Carlos; Dunga, Zico e Raí; Edmundo, Reinaldo e Pepe. Sem dúvida, uma seleção que também merece respeito.

 

Podemos ainda uma seleção para cada clube. Mas aí surgiu-me uma dúvida: usamos o jogador mais identificado com o clube ou o mais bem votado? Por exemplo, Serginho Chulapa seria o centroavante mais votado que jogou no Corinthians, mas provavelmente ele quase não teve votos corintianos. Aí o certo seria escalar Viola. Nesta dúvida entre o mais votado e o mais amado, fiquei com a segunda opção (mas mostro a outra entre parênteses).

 

Assim sendo, as seleções dos quatro grandes de São Paulo ficaram assim:

 

Corinthians: Ronaldo; Zé Maria, Gamarra, Gralak e Wladimir; Rincón, Neto e Marcelinho Carioca; Vaguinho (ou Garrincha, ou, de novo, Marcelinho Carioca), Viola (ou Casagrande) e Gil.

 

Palmeiras: Marcos; Arce, Gamarra, Luís Pereira e Roberto Carlos; Galeano, Ademir da Guia e Alex; Edmundo, Evair e Ney (ou Éder).

 

Santos: Rodolfo Rodrigues (ou Zetti); Carlos Alberto, Alex, Ricardo Rocha (não houve outro com pelo menos 5 votos) e Léo; Clodoaldo, Giovanni e Pelé; Robinho, Serginho Chulapa e Pepe.

 

São Paulo: Rogério Ceni (ou Zetti); Cafu, Lugano, Darío Pereyra e Serginho (ou Leonardo); Mineiro, Kaká e Raí; Muller, Careca e Denílson.  

 

Podemos também fazer uma seleção de jogadores mais identificados com o futebol do Rio de Janeiro: Manga; Leandro, Rondinelli (ou Ricardo Rocha), Mauro Galvão e Júnior; Andrade (ou Dunga), Adílio (ou Marcelinho Carioca, ou Rivelino) e Zico; Garrincha, Romário e Júlio César.

 

Uma seleção fora do eixo Rio-São Paulo ficaria assim: Taffarel; Nelinho, Figueroa, Luisinho e Sorín; Cerezo, Falcão e Tostão; Sérgio Araújo, Reinaldo e Éder.

 

A seleção de estrangeiros entraria com: Rodolfo Rodrigues; Arce, Lugano, Gamarra e Sorín; Rincón, Zidane e Maradona; Tevez, Van Basten e Overmars.

 

E, por fim, uma seleção de veteranos poderia ser escalada deste jeito: Manga; Carlos Alberto, Luís Pereira, Roberto Dias e Nilton Santos; Clodoaldo, Ademir da Guia e Pelé; Garrincha, Dadá Maravilha e Pepe. Um timaço!

 

É claro que nenhum leitor vai concordar totalmente com as escalações acima. Mas isso é normal. Afinal, as seleções são como as cuecas, cada um tem a sua.

Por Torero às 08h04

Bola na tela

Filmes de hoje na mostra Planeta Futebol, na Cinemateca (grátis, Largo Senador Raul Cardoso, 207, Vila Mariana). O meu destaque, é claro, vai para a seção sobre Pelé, às 19h15.

 

17h00

Curta: “Voltar é conquistar duas vezes”, (de Aécio Andrade, Brasil, 1969, 35mm, pb, 10'). Rápido histórico da carreira de Garrincha, suas vitórias, o delírio da torcida com seus gols, como conquistou o público que lotava estádios do mundo inteiro para ver seus dribles

 

Longa: “Asa Branca: um sonho brasileiro”, (de Djalma Limongi Batista, Brasil, 1981, 35mm, cor, 111'). Com Edson Celulari, Eva Wilma, Walmor Chagas, Gianfrancesco Guarnieri. A trajetória de um jovem jogador de futebol do interior de São Paulo. Do duro começo de sua carreira ao sucesso na Copa do Mundo de 1970, no México

 

 

 

19h15

Curta: “Uma história de futebol”, (de Paulo Machline, Brasil, 1998, 35mm, cor, 21'). Zuza, companheiro grosso de pelada de Pelé, relembra as façanhas do Rei do Futebol nos campos de terra da cidade de Bauru, interior de São Paulo. O filme concorreu ao Oscar em 2001 e tem roteiro deste blogueiro e de Maurício Arruda.

 

Longa: “Isto é Pelé”, (de Eduardo Escorel e Luiz Carlos Barreto, Brasil, 1974, 16mm, cor, 75'). Clássico documentário que narra a vida de Pelé. Ao lado do gênio Pelé, são focalizadas as grandes conquistas do futebol brasileiro, com ênfase nas Copas do Mundo de 1958 e 1970.

 

 

 

21h10

“Subterrâneos do futebol”, (de Maurice Capovilla, Brasil, 1965, dvd, pb, 30'). O futebol no Brasil como ópio do povo. O torcedor, os jogadores no gramado e nos bastidores, as crianças sem escola que praticam o esporte em terrenos de periferia.

Por Torero às 08h02

22/05/2006

Os quatro cavaleiros de Brasileirão City

A lua manchava de prata as janelas de Brasileirão City.

Um coiote uivava ao longe. Tudo parecia em paz.

Mas então os duelos começaram. Rastros de fogo cruzaram o ar e um cheiro de fumaça se espalhou.

Depois dos duelos de ontem, não há mais invictos em Brasileirão City. Todos os caubóis já caíram ao menos uma vez.

Billy Santos foi o último a tombar. Enfrentou Louis Laranjeira, que como sempre estava elegante em sua cartola branca, sua roupa verde e suas botas vermelhas. O duelo foi disputado de igual para igual, sem que nenhum dos dois desistisse de alvejar o inimigo. As balas de Billy Santos raspavam em Louis Laranjeira, mas o duelo se decidiu quando Santos deu um tiro no próprio pé. Um tiro contra. No fim da contenda, Louis tirou sua cartola e disse: “Você precisa aprender a usar melhor a cabeça, Billy.”

Estreando seu novo chapéu, Tim Timão enfrentou Joaquim Wayne, o veterano caubói de vastos bigodes. Wayne começou vencendo, mas Tim virou a mesa para cima de Wayne e devolveu-lhe os tiros em dobro. Foi uma vitória heróica, ao estilo de Tim Timão. E ele precisava desta vitória.

Big Green, também estreando novo chapéu, até que enfim venceu um duelo. A vítima foi Sam T. Cruz, que agora passa a ser o maior candidato a ser mandado para Série B Village. Foi uma luta entre os dois piores atiradores do momento. E Sam perdeu. Também, pudera, estava sem Bala.

Caetano Bill e Jack Tricolor se enfrentam no Morumbi Saloon e Jack venceu. Por pouco, mas venceu. Agora, sem ter que enfrentar matadores de outras paragens, poderá se concentrar em suas lutas em Brasileirão City, e isso será ótimo para ele.

Black Red começou bem, mas acabou perdendo para Will Uai, o destemido caubói de olhos azuis, que cavalga pelos morros acompanhado de sua fiel raposa. Ele agora é o líder em Brasileirão City. O quarto em seis rodadas.

Black Bridge e Sancho Pampa fizeram um combate duro. Duro de se ver. E os dois empataram. Ou melhor, não conseguiram vencer. Eis aí dois candidatos à Série B Village. Mas Sancho Pampa já avisou que esteve há pouco tempo por lá e não quer voltar.

Set Fire, que começou bem o ano, sendo campeão lá para os lados de River January, agora está há cinco duelos sem vencer. Desta vez perdeu para Young Boy, o caubói loiro que veio do sul. Se continuar apagado deste jeito, Fire não tem muito futuro.

James Colorado tinha tudo para ser o novo manda-chuva de Brasileirão City, mas Phil Gueira não respeita ninguém e descarregou sua arma em James. O vermelho do sangue de Colorado misturou-se à sua camisa vermelha e ele tombou com quatro tiros no peito.

Blue Reed, que canta blues entre um tiro e outro e é parente distante de Lou Reed, enfrentou Bob Baião, o original caubói que usa chapéu de couro à Lampião. Os dois estavam há duas lutas sem vencer. E agora estão há três.

Por fim, Harry Hurricane, mesmo lutando em sua arena, perdeu para John Esmeraldine, o seco, o cruel, o homem de poucas palavras e muitas balas. Esmeraldine é outro que estreva seu novo chapéu. Já Harry deve jogar o seu fora nos próximos dias. Ele já levou muitos tiros e está esburacado. Sabem como é, os caubóis derrotados perdem a cabeça. E com a cabeça vão-se os chapéus.

Os duelos estão equilibrados e emocionantes. Will Uai, Billy Santos, James Colorado e Louis Laranjeira estão na frente. Mas outros quatro podem ultrapassá-los no meio de semana. Ou seja, oito podem ser os chefões da cidade.

Lá atrás, Sam T. Cruz, Big Green, Set Fire e Sancho Pampa são os últimos. Mas, na próxima rodada, outros sete podem ficar entre eles. Ou seja, onze podem ir para a zona de perigo.

Brasileirão City está emocionante. O céu e o inferno estão próximos, e ir para um ou para outro pode ser questão apenas de um pouco mais de pontaria, ou de sorte.

Por Torero às 07h26

Resultado do concurso para novos personagens

Foi excelente o nível dos palpites para os personagens do Brasileirão City. Realmente não foi nada fácil escolher apenas um nome para alguns times. Este vosso blogueiro sente-se honrado com o nível dos seus leitores.

 

Mas vamos aos escolhidos:

 

Phil Gueira para o Figueirense; idéia de Diego Freire.

 

John Esmeraldine para o Goiás, invenção de Joannis.

 

Para o Fluminense, a leitora Ida criou o charmoso Louis Laranjeira.

Thiago Queiroz inventou Harry Hurricane para o Atlético-PR (depois outros o imitaram, mas ele foi o primeiro).

 

Sancho Pampa representará o Grêmio. Nome bem bolado por Luiz Sampaio. 

 

Para o Fortaleza venceu Billy Baião, do criativo Silvio Miranda (como já temos outro Billy, o Santos, tomo a liberdade de mudar para Bob Baião, que também é sonoro).

 

Para o Paraná, inventei eu mesmo um Blue Reed, caubói tocador de blues que anda sempre com um violão a tiracolo.

 

E houve um leitor do qual eu aproveitei dois palpites (ou um e meio). Foi Fernando Marchini, que criou um excelente Joaquim Wayne para o Vasco e um Billy Uai para o Cruzeiro (por causa de Billy Santos, mudarei para Will Uai).

 

Como Fernando teve mais nomes utilizados, o livro vai para ele.

 

Por Torero às 07h21

Fofoca

 

Elano parece estar bem perto de voltar para o Santos.

Por Torero às 07h00

Duas revistas

Este mês a sempre boa Placar traz uma inquietante reportagem sobre nosso quarteto mágico (ou trágico). Será que ele não expõe demais a nossa defesa?

 

Outra boa pedida é a revista Mundo Estranho (R$14,95), que traz curiosidades sobre as Copas do Mundo. Como neste tempo pré-Copa temos muitas informações repetidas, as do Mundo Estranho são bem vindas. Ali sabemos, por exemplo, que Waldemar de Brito foi o primeiro jogador a perder pênalti numa Copa e que o maior artilheiro da história das eliminatórias é Ali daei, com 36 gols pelo Irã.

 

Por Torero às 07h00

Futebol é coisa de cinema

Para quem gosta de filmes sobre futebol, a Cinemateca Brasileira e o Instituto Goethe estão realizando a mostra "Planeta futebol" (até 28 de maio), com uma seleção de 105 títulos: documentários e ficções, curtas, médias e longas-metragens.

 

Além disso, no hall da Sala Cinemateca haverá uma grande exposição fotográfica produzida pela Agência Magnum (até 4 de junho). Filmes e fotos têm entrada franca.

 

A Sala Cinemateca fica no Largo Senador Raul Cardoso, 207, perto do Metrô Vila Mariana. Telefones: 5084-2177 (ramal 210) ou 5081-2954.

Por Torero às 06h53

20/05/2006

O último sábado do criolo doido

O último sábado do criolo doido

Como está chegando a Copa, este é o último “Sábado do Criolo Doido”.

 

Fiquei em dúvida sobre qual livro falar nesta despedida. E fiquei em dúvida entre dois livros: “Memórias póstumas de Brás Cubas”, do Machado de Assis, e “Grande sertão: veredas”, do Guimarães Rosa.

 

Hoje em dia pouca gente lê esses livros por prazer. A maioria lê porque o professor manda, por causa do vestibular, coisas assim. Mas a verdade é que são dois livros deliciosos.

 

Memórias Póstumas é uma comédia elegante, onde um defunto conta a sua vida, e aí, como ele é um defunto e já não deve nada para ninguém, pode falar de si mesmo e dos outros sem medo, fazendo um grande raio-x da alma humana.

 

O Machado criou um narrador que, de certa forma, fala em primeira e terceira pessoa ao mesmo tempo.

 

Há capítulos curtíssimos, capítulos só com pontos, sem nenhuma palavra, e um humor fino. A história é simples: uma traição. Mas o humor com que ele revela a psicologia dos personagens é que é o charme do livro.

 

O curioso é que, cada vez que você lê o “Memórias Póstumas...”, ele fica melhor. Li aos 18 e achei bacana, aos 25 achei excelente, aos 35 achei sensacional e daqui a pouco vou lê-lo de novo. Deve estar melhor ainda.

 

Já o “Grande sertão: veredas” tem uma construção de linguagem sensacional, e talvez seja o melhor livro já escrito em português, se é que ele é escrito em português.

 

 E eu digo isso porque o Guimarães Rosa faz os seus personagens falarem numa língua diferente, quase inventada. Nas primeiras páginas você vai achar estranho, mas continue lendo mesmo assim. Depois de umas trinta páginas você se acostuma e aprende aquela língua que tem uma musicalidade inacreditável.

 

Uma coisa engraçada que me aconteceu durante a leitura deste livro é que às vezes eu relia uma página logo depois de lê-la, de tão pasmado que ficava. Ou então me sentia tão contente depois de ler um capítulo que tinha que dar uma volta para espairecer. É um livro impressionante, tanto que eu nunca tive coragem de lê-lo outra vez. Talvez seja inveja. Freud explica.

 

Enfim, acho que ninguém que fala português pode morrer sem ter lido estes dois livros.

Por Torero às 07h27

Dica

O texto de hoje do Gabeira é de tirar o chapéu (para assinantes UOL e Folha).

Por Torero às 07h10

19/05/2006

Dica

Hoje o Maurício Ricardo do Charges.com caprichou na entrevista com o Ronaldinho. Clique aqui para ver a charge. Aliás, ele tem um livro bem interessante, o "Jeitosinha mas vagabunda". Uma história doida, com nós inesperados e que daria uma boa comédia para o cinema.

Por Torero às 10h03

Copa do Rio

E, quem diria?, a final da Copa do Brasil será entre dois cariocas.

 

Depois de um estadual chocho, onde só o Botafogo se salvou pelo título, os outros três grandes do Rio se recuperaram e estão indo bem no Campeonato Brasileiro (só o Botafogo, justamente o campeão, é quem vem mal, em décimo-sexto) e dominaram a fase final da Copa do Brasil.

 

É claro que é uma Copa sem alguns dos principais times brasileiros, mas mesmo assim a recuperação dos cariocas é espantosa.

 

O Flamengo suou mas passou pelo Ipatinga. E de virada. O gol decisivo foi de Renato, que tem um nome que significa “renascido”, e ele realmente renasceu no rubronegro. Há algum tempo era um jogador mediano, uma opção para o segundo tempo. Hoje é o líder do time e vem chutando como nunca, tanto que marcou cinco gols nos últimos dez jogos.

 

O Vasco passou pelo Fluminense depois de dois jogos duros, onde o Tricolor teve mais chances, mas o Vasco foi mais eficiente.

 

Na primeira partida, um gol de Edílson (que está correndo sem se importar para seus quase 36 anos) deu a vantagem ao Vasco.

 

Na segunda, Edílson poderia ter sido o herói. Mas perdeu um pênalti no finzinho. Mesmo assim, o empate em 1 a 1, com gols de Pet para o Fluminense e Valdiram para o Vasco (não parece nome de remédio? Seu irmão se chamará Cataflan?) pôs o Vasco na final.

 

Dois meses atrás, quem apostaria numa final como essa? Nem o Caixa D’água.

Por Torero às 08h21

E o atacante-pela-esquerda inesquecível é...

E foi-se a última votação dos jogadores inesquecíveis.

 

Achei curioso que Zagallo, bicampeão mundial como jogador, tenha recebido apenas cinco votos. Uma prova de que seu estilo não foi engolido pelo torcedor brasileiro. Outros esquecidos ou quase foram Mário Sérgio, um tremendo jogador mas que foi lembrado apenas 3 vezes (o que provavelmente se deve ao fato de ele não ser intimamente ligado a nenhum clube) e Paulo César Caju, um belo jogador que não teve um único voto. Só por curiosidade, o melhor estrangeiro foi Overmars, com três votos. E os Joões Paulos, do Santos e do Guarani, tiveram 9 e 7 votos.

 

Mas vamos aos dez primeiros.

 

O décimo foi o senhor Jonas Eduardo (11), mais conhecido como Edu, que parecia jogar com Superbonder no pé, tanto que a bola grudava nele. Aliás, não sei se já lhes contei, mas uma das minhas grandes glórias futebolísticas foi substituir o Edu num jogo de praia (é claro que ele só foi tomar uma água e depois retomou ao seu lugar, mas essa parte não importa).

 

Em nono ficou Sávio (12), ainda lembrado pela torcida do Flamengo. Se ele tivesse ficado por aqui, talvez tivesse uma carreira melhor, com mais sucesso e mais glórias. Mas, é claro, não teria a mesma conta no banco.

 

O oitavo colocado foi Gil (14), o melhor que já jogou por ali pelo Corinthians.

 

Em sétimo lugar houve empate: Joãozinho, do Cruzeiro, e Júlio César, do Flamengo, dois dribladores geniais. Os dois tiveram 19 votos. Joãozinho era impressionante, daqueles que, quando recebia a bola, a torcida nem piscava para não perder o lance. E o Uri Geller foi um cometa, fulgurante mas passageiro. Uma pena.

 

Em sexto ficou Robinho (25), o das pedaladas, lance que será mostrado por décadas e décadas. Se ainda estivesse perto dos nossos olhos, receberia muito mais votos.

 

Canhoteiro, o bailarino são-paulino, recebeu 36 votos e parece que é mais conhecido hoje do que há alguns anos. Como diria aquele esquecido ex-presidente: “O tempo é o senhor da razão.”

 

Éder Aleixo, “do Galo”, como vários leitores fizeram questão de me lembrar, teve 42 votos, muitos lembrando seu belo gol contra a Escócia, quando todos esperávamos um petardo e ele chutou a bola mansamente, em arco. Um golaço!

 

A medalha de bronze vai para Zé Sérgio (43), que tinha um drible mais imprevisível que o caminho das cobras no chão, que o vôo das águias no ar, que o traçado do tubarão no mar, e que o humor das mulheres em certos dias.

 

Em segundo lugar ficou Pepe (50), meu preferido, o sujeito que colocou a bola na rede 430 vezes, o sujeito que furava redes, quebrava traves e desmaiava zagueiros com seu chute de canhota.

 

E em primeiro ficou Denílson (74), um descendente de Canhoteiro e antecessor de Robinho, o Denílson que driblou uma legião turca.

Por Torero às 08h21

Comentários comentáveis

O meu é o Rômulo. Ponta que jogava no Comercial de Ribeirão Preto e depois veio para o São Paulo. Inesquecível porque morava no mesmo prédio que eu e descia na quadra pra jogar bola com a gente! Ficava lá driblando a molecada e nos ensinando a bater pênaltis.
-Leandro 

 

Meu ponta esquerda favorito é o ZEZÉ, lembram dele???? O desgraçado tirou um gol certo do PELÉ em um jogo que na verdade não me lembro bem. Lembro apenas que quase o time inteiro e os jornalistas de plantão, quase cairam de porrada nele.....hahahahhaha. O maldito ainda tinha as pernas parecidas com um alicate.....era um cruz credo.
-Anselmo 

 

Agora sim voto nele corretamente. Inesquecível por um motivo... O Elivélton fez aquele gol na final do Paulista de 1995 contra o Palmeiras, evitando uma terceira vitória seguida contra o Timão. Mas e daí? O que eu não esqueço foi do tapão na orelha que levei do meu pai após eu ter mandado meu irmão calar a boca (pois ele disse que a gente não devia comemorar ainda, já que o jogo não tinha acabado). Chorei de emoção pelo título, chorei de raiva por acabar com a maldita sina... e chorei de dor pelo tapão que levei... maldito gol do Elivélton: o zero a zero na prorrogação já bastava... saco!
-Jorge Augusto 

 

Meu voto vai pro Canhoteiro, que só eu vi jogar...
-Chico Buarque 

 

Olá Torero. Meu ponta esquerda inesquecível foi Arizinho, que jogou no Santos no fim dos anos 80...Também conhecido por "Ruinzinho"...Como esquecê-lo?
-Flavio Machado 

 

O melhor era um tal de Denílson que eu estou procurando até hoje...
-Arce 

 

El mejor punta-esquerda es my compañero Evo Morales! Hombre punta-firme! Y de esquerda!
-Hugo Chávez 

 

Inesquecivel porque joguei ao lado dele. Fui ganhador de uma promoção da TV por assinatura e fui contemplado a jogar no Pacaembu em Dez/2004. Eram 4 times de assinantes com 4 ex-jogadores profissionais. Pires ex-palmeiras, Wladimir ex-corinthians, Pita ex- Sao Paulo e ele JOAO PAULO ex - Santos, que por sinal jogou no meu time. Já veterano, e como você mesmo disse, ficou zanzando no meio campo, e numa das bolas que recebeu, me viu sozinho na lateral esquerda e fez aquele lançamento preciso. Fiquei cara a cara com o goleiro, mas como você mesmo disse também, eu era o parceiro e não o Gilberto Sorriso. Dentro da grande área driblei o goleiro, a trave, e sai pela linha de fundo com bola e tudo. Ainda bem que o Pacaembu estava as moscas.....
-Sidinei 

 

O meu é o Zagallo...... que me deixou fora da Copa.
-Romário 

 

Quando assistia jogos no Morumbi, no primeiro tempo eu ficava de um lado, e no intervalo ia do outro lado do estádio, só p/ ver o ZÉ SÉRGIO jogar.
-Rogério 

 

Paulinho Carioca (ex Flu e ex Corinthians). Se não jogava tão bem, pelo menos era um gato (surfista e tudo).
-Miriam 

 

Pra mim, ponta esquerda bom é aquele que inferniza a vida do lateral direito. Na minha opinião, o cara que mais infernizou a vida de um lateral direito foi o Serginho Chulapa que saiu do banco e quase matou o Zé Teodoro numa briga no Pacaembu.
-Gomes 

 

Rubinho Barrichelo, que mesmo tendo o melhor carro da fórmula 1, não saia da ponta esquerda do pódium (3o lugar). Braço duro
-Pirulito

 

Voto no Roger, goleiro do Santos. Ele sim é o campeão da ponta esquerda do banco de reservas. Saiu da ponta esquerda do banco do Rogério Ceni para ir para dominar a ponta esquerda do banco do Fabio Costa.
-Ailton 

 

Dá para montar uma seleção só de pontas esquerdas...: Marx, Stalin, Lenin, Ttotsk, Mao, Fidel, Chaves, Morales, Stedile, Heloisa Helena (futebol feminino também vale?) e tantos outros... o mais engraçado, que o 11 é o número do Maluf, que joga mais pela direita... o Lula está mais para Zagallo, que é um ponta esquerda meio falso, entrando em diagonal para o meio...
-Prestes 

Por Torero às 08h20

Comentário comentável

O leitor Carlos Eduardo S. Souza, de Belo Horizonte, mandou um voto tão eloquente que vou publicá-lo aqui em separado:

 

Votar no ponta-esquerda é votar contra a minha própria consciência.

Enquanto jovem, e com fôlego, era a ele (o ponta-esquerda) que eu marcava em campo. Como lateral-direito, minha sina era ingrata.

Lá vinha ele com sua “perna errada” pra cima de mim! Eu nunca sabia pra onde ele ia. Mas eu falo de ir MESMO e não de “fingir de ir”. Pensava que era pra cá e o danado ia pra lá. Quando eu ia pra lá, ó o danado cá.

Depois pensava que ele ia pra lá, mas – já sabendo que quando era assim, ele vinha pra cá – eu vinha pra cá... E o danado ia pra lá mesmo.

Aí, passei a pensar que ele ia fingir que vinha pra cá, ameaçar que ia pra lá, tombar o corpo pra cá de novo, jogar a bola pra lá e pisar nela. Mas enquanto eu pensava isto tudo, ele já tava na linha de fundo fazendo o cruzamento ou saindo na cara do gol. Êta!

O pessoal me dizia que era porque eles eram canhotos; e que o canhoto pensa com um lado diferente do cérebro. Tudo o que a gente pensa de um jeito, eles pensam de outro. Ou talvez pensem a mesma coisa, só que ao contrário. A gente pensa ASSIM, eles pensam MISSA, sei lá! Aí, num jogo lá, tudo que eu pensava, resolvi fazer o contrário... Acabei marcando um gol contra.

Percebi, portanto, que não adiantava pensar uma coisa e fazer outra, porque o cara fazia o contrário do meu contrário – ou seja, o meu certo – e então eu pude finalmente compreender: no mundo do futebol, eu tinha um significado, só que ao contrário. Eu era lateral-direito para que eles pudessem ser pontas-esquerdas. Eu podia marcá-los (ou tentar marcá-los), mas não devia impedi-los. Era pra “ISTO” que eu era; e era pra “OTSI” que eles eram. Eu era um servo deles e a maior glória de um servo está em servir bem ao seu senhor.

Os pontas-esquerdas foram feitos para o futebol, a fim de torná-lo imprevisível e encantador. Os pontas-esquerdas são os últimos da escalação porque a gente sempre guarda o melhor para o fim. Minha tese é de que Pelé foi um ponta-esquerda destro que atuava pelo meio e Garrincha foi lá para ponta-direita, o que entortou ainda mais a cabeça dos seus marcadores. Isto também prova que, ao contrário do que se pensa – o que é típico deles – há pontas-esquerdas destros. E isto é particularmente um inferno por que eles podem estar em todo lugar.

Deve haver pontas-esquerdas na música, na literatura, no teatro, mas acho pouco provável que encontremos algum no Congresso Nacional, porque não basta ser imprevisível, tem de ter qualidade. Ponta-esquerda é um sinônimo de qualidade, aliás. Ou, para nós, destros, um antônimo.

Pontas-esquerdas são adoráveis.

Mas para mim, na realidade, todo canhoto já é, por assim dizer, meio-ponta-esquerda. O cara já nasce ponta-esquerda, e depois escolhe onde jogar, o que definirá o nível e a forma de sua imprevisibilidade. E de tão imprevisíveis, podem aparecer no gol, na zaga, na lateral, no meio-campo e no ataque, mas mesmo ali, ainda que caiam pelo lado esquerdo do campo, onde parecem ser o mais previsível possível, tenho pena de quem vá marcá-los.

Por tudo isto, passei a admirá-los, reverenciá-los, e não consigo votar em um só. Aprendi a gostar de todos: de Joãozinho, do meu Cruzeiro, ao Éder Aleixo, do meu contrário Galo. Dos Edus (e já que parece que todo Edu é canhoto, meu voto é de qualquer um deles) e dos Sérgios, o Zé e o Mário. Mas também do João Paulo, do Edivaldo, do Pitta, do Édson, do Hilton Oliveira, do Pepe, e de qualquer um que pensasse o contrário de mim.

Meu voto é de todos, inclusive seu, canhoto da “perna errada” que lê esse texto. Isto mesmo, você, que eu nunca conheci, mas que chuta com a canhota e que já jogou por ali. Acho que dessa maneira, votar num ponta-esquerda, apesar de acusar-me a consciência, é, de certa forma, votar em mim também... Ao contrário, é claro!

Por Torero às 08h15

18/05/2006

Bombas

E, falando em ponta-esquerda, Pepe lança seu livro "Bombas de alegria" hoje, na livraria da Vila (Rua Fradique Coutinho, 915), das 18h30 às 21h15.

Por Torero às 11h35

17/05/2006

Vote no seu atacante-pela-esquerda inesquecível - Votação encerrada

Geralmente a ponta-esquerda é o reduto dos pernas-de-pau, aquele lugar para onde são mandados os últimos a serem escolhidos pelos dois capitães no centro do campinho. Mas, no futebol de verdade, os grossos não sobrevivem nem na ponta-esquerda. Viram comentaristas. De qualquer modo, fica uma certa admiração por aquela posição, pelo último nome da escalação, pelo 11 estampado nas costas.

 

O primeiro que admirei foi Edu, do Santos. Ele tinha um inacreditável drible curto. Um espaço mínimo lhe bastava para passar pelo defensor, que ficava olhando para os próprios pés imaginando por onde a bola havia passado. Ainda por cima era rápido e tinha um belo chute. Não é à toa que foi para sua primeira Copa ainda mais jovem que Pelé.

 

O segundo que vi foi João Paulo. Tinha um bom drible, um ótimo chute e é o maior artilheiro do Santos na era pós-Pelé (junto com Chulapa). Fazia umas tabelas com Gilberto Sorriso que não esqueço até hoje. E de vez em quando abandonava a ponta-esquerda e ia zanzar pelo campo. Eu pensava que ele era louco, mas era um moderno. Foi bem no Corinthians, mas não tanto quanto no Santos.

 

Zé Sérgio, ainda pelo São Paulo, foi o terceiro. Driblava para qualquer lado e de qualquer jeito. Só se podia pará-lo a pontapés. E era o que os zagueiros faziam. Até que um dia ele se machucou feio e nunca mais foi o mesmo. Foi bem no Santos, mas não tanto quanto no Tricolor.

 

Há pontas lendários, como Canhoteiro, o Garrincha canhoto, como Paraná, que fez muito sucesso naquele São Paulo de Pedro Rocha, como Carlitos, 10 vezes campeão gaúcho e 326 gols marcados pelo Internacional.

 

Zagallo, a formiguinha, foi bicampeão mundial pela seleção. Rivelino foi uma vez só, e nem era ponta-esquerda nato, mas deu show em 70, girando seus braços com tanta raiva depois de um gol que eu pensei que ele fosse decolar feito um helicóptero.

 

Paulo César Caju também jogou, e como jogou, pela ponta e pela meia. Nestes tempos modernos em que o ponta pode não ser ponta, há Elivélton, aquele que faz gols decisivos, e, é claro, Robinho, que é destro mas caía muito pela esquerda, tanto que por lá fez seu lance mais célebre: as sete pedaladas em Rogério.

 

Ainda me lembro de outros, como o bom Lula, que jogou pelo Inter e pelo Fluminense, como Jésum, do Bahia, como Aladim, do mágico Coritiba dos anos 70, como Bozó, daquele inesquecível Guarani campeão brasileiro, como Nei, do Palmeiras, e como Joãozinho, do Cruzeiro, um dos melhores que vi em campo.

 

Éder e Mário Sérgio também são inesquecíveis. O primeiro tinha um petardo, o segundo chutava colocado. O primeiro era vigoroso, o segundo tinha um drible insinuante. Em comum, só o fato de alcançarem a glória com a camisa do Grêmio e transformarem-se em comentaristas boas-praças.

 

Ziza tinha a fama de jamais perder um pênalti. Sidnei, do São Paulo, tinha um drible chato, daqueles de fazer o inferno de qualquer marcador cristão. Abel, que fez furor no América do Rio, iria para a Copa de 66 se não se machucasse logo que chegou ao Santos. E no mesmo Santos ainda há Tite, com seus 151 gols.

 

Mas o meu ponta-esquerda não é nenhum destes. Aliás, eu nunca vi meu ponta-esquerda inesquecível jogar. Ele é Pepe, que só assisti em replays e na imaginação, que o mostram como um ponta rápido, de bom drible, e principalmente com um chute mortal. O ponta que foi tetracampeão mundial e que mais marcou gols no planeta: 430! 

 

Vote no seu atacante pela-esquerda. É a última posição que falta para a nossa seleção dos inesquecíveis.

Por Torero às 07h48

15/05/2006

Aviso de última hora

Hoje, por conta dos atentados do PCC, não haverá mais o lançamento de “11 histórias de futebol” no Bar São Cristóvão. 

Por Torero às 15h14

A lista de Parreira

Da lista que arrisquei na sexta-feira, só errei um: Entrou Cris no lugar de Roque Junior. Eu errei mas o Parreira acertou.

A lista me pareceu boa. Marcos não foi chamado por questões físicas e Rogério Ceni é uma ótima opção. Havia laterais melhores que Gilberto, mas ele é bom. Acho que as maiores injustiças foram as ausências dos Alexes.

Porém, em resumo, a lista foi lógica, racional e sem surpresas, como o Parreira.

Por Torero às 10h45

Brasileirão City

Ontem, no fim do dia, o sol vermelho do crepúsculo iluminava as ruas de Brasileirão City.  

 

Até agora só dois caubóis ainda não foram vencidos: Billy Santos e James Colorado. Não é à toa que os dois são os manda-chuvas na cidade.

 

Billy Santos venceu Black Bridge de uma forma inusitada: quando este ia tirar seu revólver do coldre, deu dois tiros em seu próprio pé. Assim ficou fácil.

 

Já James Colorado deu tudo de si (e ainda teve a ajuda do juiz) e conquistou uma grande vitória frente ao poderoso Jack Tricolor. O melhor duelo da rodada. E o curioso é que Colorado teve a valorosa ajuda de um Índio, um Índio que sabe a usar a cabeça como poucos.

 

E até agora só dois caubóis ainda não venceram nenhum duelo: Big Green e Sam T. Cruz. Os dois já enfrentaram cinco oponentes e nunca levaram a melhor.

 

Ontem, Big Green, ao menos, conseguiu seu primeiro empate, o que já é uma evolução.

 

O cartel de Sam T. Cruz não é muito melhor: empatou duas vezes e perdeu três. Não é à toa que os dois estão lá embaixo da tabela. O jeito é pedir mais um scotch no balcão. Sem gelo, é claro.

 

Black Red, o mais amado, está sendo mediano. Venceu dois combates e perdeu outros dois. Ontem, para manter o equilíbrio, empatou. Não é sombra do caubói que já foi, mas já esteve pior.

 

Set Fire começou bem seu duelo de ontem, mas perdeu a cabeça e quase perdeu a luta. Set Fire foi campeão entre os cariocas mas agora é o pior entre eles.

 

Tim Timão sofreu mas venceu. E com um tiro no último minuto, como nos tempos de antanho, quando ele não era um caubói milionário, mas um simpático vaqueiro do povo.

 

E Caetano Bill foi alvejado em sua própria casa. Young Boy acertou-o duas vezes sem piedade. Uma surpresa.

 

Os duelos em Brasileirão City começam a esquentar. Já há os sonham conquistar a estrela de xerife e os que têm medo de serem mandados para Série B Village. Não percam os próximos capítulos.

Por Torero às 07h03

Concursinho

E já que há um bom tempo não fazemos um concursinho por estas bandas, vamos lá. Temos ainda 11 caubóis sem nome em Brasileirão City (Fluminense, Goiás, Atlético-PR, Vasco, Grêmio, Paraná, Fortaleza, Figueirense e Cruzeiro). Mandem aí vossas sugestões e eu darei um livro “11 histórias de futebol” ao mais criativo palpiteiro.

Por Torero às 07h02

Aliás

Aliás, hoje, por conta dos atentados do PCC, não haverá mais o lançamento de “11 histórias de futebol” no Bar São Cristóvão. 

 

Por Torero às 07h01

Livros para doidos por futebol

Dois livros interessantes chegaram ao mercado livreiro-futebolístico.

 

Um deles é “Os arquivos dos Campeonatos Brasileiros”, de José Renato Satíro Santiago Jr., um livro para fãs de estatísticas. Ele traz um histórico de cada campeonato, de cada clube participante e dezenas de outras tabelas. De quebra, ainda há dados sobre a Copa do Brasil. Para os que gostam de misturar matemática, futebol e curiosidades é um prato cheio (editora Panda Books, 400 páginas).

 

O outro é “Os 50 maiores jogos das Copas do Mundo”, do PVC, também conhecido como Paulo Vinícius Coelho. Como já bem diz o título, ele conta neste livro como foram os 50 jogos mais fantásticos das Copas do Mundo (18 deles com o Brasil). Há a descrição da partida, as escalações e, é claro, a prancheta do PVC explicando táticas e lances. Também foi editado pela Panda Books e tem 140 páginas.

Por Torero às 07h00

14/05/2006

Uma saga douradense

Uma saga douradense

(Texto enviado pelo leitor Luís Pires)

 

Por conta de uma viagem de negócios, quis o destino que no dia do jogo Corinthians x River eu e meu sócio nos encontrássemos longe do Pacaembu. Aliás, bem longe, mais precisamente em Dourados (MS).

 

Chegamos à rodoviária local cerca de quatro horas antes do jogo e tão logo desembarcamos começamos nossa saga por uma televisão que transmitisse o jogo ao vivo. Pedimos dicas de hotéis para um emissor de bilhetes. Nada de luxo, desde que tivesse tv a cabo para acompanharmos a partida. O rapaz estranhou nossa exigência pela tv e se divertiu muito quando o informamos sobre o motivo. Confrontamos as dicas dele com as de um taxista. “Olha, moço, hotel eu posso indicar vários, mas algum onde vai ser transmitido o jogo não sei informar, não, senhor. Mas podemos tentar encontrar”.

 

Chegamos ao primeiro hotel e logo questionei o recepcionista sobre a tv a cabo. “Temos sim, senhor”. Vai transmitir o Corinthians ao vivo ? “Vai não, senhor. Nossa operadora é outra. O jogo só vai passar na concorrente”. Voltei ao táxi e fomos a um outro, e a outro e a outro, todos com a mesma questão. Até que finalmente encontramos o local certo. Não o hotel, que também só possuía a operadora concorrente, mas o dono era conrinthiano fanático e nos indicou o Bar do Pedrão, local onde certamente o jogo seria transmitido.

 

Rumamos então ao indicado bar, para nos certificarmos. Prenúncio de mal agouro, o bar (na realidade um boteco, daqueles autênticos “sujinhos”) era totalmente pintado em  verde e branco, com os distintivos dos grandes clubes pintados na parede, o do Palmeiras obviamente maior. Confirmada a transmissão, pudemos finalmente nos preocupar com nossa estadia no hotel em si e optamos por um com preços honestos, bem próximo dali.

 

Saímos para jantar e no caminho até o restaurante passamos em frente a um boliche, no qual estava sendo transmitida a partida do Goiás por um telão. Indagamos sobre o jogo do Corinthians e o garçom confirmou-nos a transmissão. Melhor que naquele bar palmeirense, pensamos nós.

 

Depois de nos fartarmos de lingüiças, torresmos, e outros acepipes deliciosos, finalmente voltamos ao boliche, e custamos a acreditar no que vimos: estava totalmente lotado, com todas as mesas ocupadas, muita gente com a camisa do Corinthians. Parecia que estávamos em plena São Paulo !  Descolamos um cantinho, no final do estabelecimento, encostados à parede, próximo ao balcão. Ali, acompanhados de algumas loiras geladas, pudemos vibrar muito com o gol corinthiano.

 

Bem... o resto da história todos já conhecem. O Corinthians mais uma vez bobeou, por mais uma vez foi eliminado da Libertadores e por mais uma vez pelo limitadíssimo River Plate. Além da humilhação da derrota, ainda por cima a vergonha pela selvageria e nossa preocupação com os amigos que possivelmente estivessem no Pacaembu.

 

No final, restou-nos ver os são-paulinos, palmeirenses e santista fazerem a festa, na distante Dourados. Uma noite para ficar negativamente na lembrança, como aquela dos 66.666 pagantes.

Por Torero às 06h53

13/05/2006

Dois livros e um filme

Dois livros e um filme

 

 

 

Tristram Shandy

 

Se eu fizesse uma lista dos dez livros que mais me impressionaram na vida, nessa lista entraria, em lugar de destaque “As idéias e as opiniões do cavaleiro Tristram Shandy”.

Ele foi escrito por volta de 1740 pelo Lawrence Sterne, um pastor inglês. Isso pode dar a idéia de que é um livro antigo, com uma linguagem antiquada, uma história que se arrasta, etc... Nada mais errado. É um livro sensacional. Bem humorado e com idéias formais revolucionárias.

Ele conta a história do Tristram Shandy em primeira pessoa, ou seja, é uma falsa autobiografia. O Sterne foi escrevendo este livro aos poucos, lançando um volume a cada dois, três anos. E é uma autobiografia tão diferente que ele só vai nascer ali pelo terceiro volume.

O livro tem mais de 250 anos, mas tem invenções que até hoje são impressionantes. Por exemplo, ele coloca uma folha toda negra para mostrar que está triste, muda o número das páginas e faz breques na narrativa para introduzir pensamentos, coisa que o Machado de Assis vai fazer 150 anos depois.

A tradução, feita pelo José Paulo Paes, é ótima. Para mim, o Tristam Shandy merece estar na mesma estante que a Divina Comédia, Memórias Póstumas de Brás Cubas, Dom Quixote, Em busca do Tempo Perdido e Grande sertão: veredas.



2001  

 

“2001, uma odisséia no espaço” é um clássico. Mas o que faz de um filme, um clássico? Bom, primeiro, ele tem que ser muito bom. Mas muito bom mesmo. A ponto de ele se tornar um paradigma, um exemplo a ser imitado. E depois ele tem que trazer alguma coisa de novo, porque um clássico, quando aparece, tem sempre algo de vanguarda. E o 2001 tem estas características: é um filme excelente, é um paradigma no gênero e trouxe inovações. Sem falar que tem a maior elipse de tempo da história do cinema, que é quando um dos macacos atira um osso para cima e ele se transforma numa estação espacial. Com esse corte, o Kubrick faz uma passagem de centenas de milhares de anos.

Uma coisa curiosa é que o filme não ficou velho. O que é incrível, porque ele é de 1968, mas pode ser visto hoje em dia sem o menor problema. De certa forma, isso acontece porque ele foi o fundador da estética futurista, e os outros filmes são seus seguidores.

Para ajudar a ver, a entender e para aproveitar melhor o filme, tem um livrinho muito bom do crítico Amir Labaki só sobre o 2001. Foi editado naquela coleção Folha Explica e custa só 14 reais.

Se você gosta de ficção científica, ou de cinema, 2001 é um filme obrigatório.

 

 

 

Galvez, o imperador do Acre

 

“Galvez, o imperador do Acre” é um romance histórico que fez muito sucesso ali em meados dos anos setenta. Muito mesmo. Vendeu mais de meio milhão de exemplares. E foi um sucesso merecido. É um livraço! Engraçado e inteligente, com um ritmo rápido, daqueles que você vai virando as páginas a duzentos por hora. Já virou peça, o Hector Babenco já quis filmar a história e o livro foi um sucesso internacional.

Ele tem um formato de narrativa próximo do folhetim, mas um folhetim meio modernista, com capítulos muito curtos e muita ação. Mas, além de todo esse humor e toda essa ação, o leitor ganha de brinde uma certa reflexão sobre a América Latina.

O livro foi escrito pelo Márcio Souza e conta a história do Galvez, que é um pícaro, uma espécie de malandro, que vivia na Amazônia do fim do século dezenove, no auge do ciclo da borracha. Esse Galvez é um ninguém, um pobre-coitado, mas, por conta de algumas sortes, alguns azares e de alguma esperteza, acaba como imperador do Acre.

Este livro vai fazer trinta anos, mas envelheceu muito bem. E envelhecer bem não é difícil só para as atrizes. Para os livros, também não é fácil. Mas  “Galvez, o imperador do Acre” conseguiu.

 

Por Torero às 07h27

Convite

Convite

Nesta segunda-feira, a partir das 19h30, em São Paulo, no Bar São Cristóvão (rua Aspicuelta, 533, Vila Madalena), será lançado o livro "11 histórias de futebol", composto por onze histórias escritas por onze sujeitos diferentes, entre eles, eu. Quem puder, apareça (não pelo livro, claro, mas porque a caipirinha do São Cristóvão é ótima).

Por Torero às 07h27

12/05/2006

Invocando a convocação

Segunda-feira, às 11h30 da manhã, sai a lista do Parreira. Então saberemos quais os soldados convocados para a Grande Guerra da Copa. E saberemos também um pouco mais da alma do Parreira. Sim, meus caros, porque pela escalação da seleção de cada um, sabemos como é a alma do sujeito.

 

Por exemplo, se alguém escala um meio de campo com Juninho Pernambucano, Kaká, Ronaldinho Gaúcho e Alex, sabemos que estamos frente a um destemido, a um amante do ataque. Por outro lado, se ele escolhe um meio de campo com Emerson, Mineiro, Edmílson e Gilberto Silva, trata-se de um sujeito precavido, talvez até de um covarde.

 

Se sua defesa for Cafu, Lucio, Roque Junior e Roberto Carlos, sabemos que é um sujeito que não gosta de mudanças. Porém, se for Mancini, Alex, Luís Alberto e Jadílson, está na cara que falamos de um revolucionário, um amante dos riscos.

 

Pois bem, vou dar uma de Zé Cabala e tentarei adivinhar quais serão os 23 convocados de Parreira.

 

No gol, já está dito e redito que Dida será o titular. Na vaga do goleiro-jovem, Gomes foi campeão pelo PSV e Julio César está na reserva de Toldo na Inter de Milão. Mesmo assim, acredito mais em Julio César. Entre Rogério Ceni e Marcos, imagino que Parreira prefira o segundo, mas, como ele está voltando de contusão, deve chamar Rogério Ceni.   

 

Nas laterais, aposto em Cafu e Cicinho pela direita, e Robertos Carlos e Gilberto pela esquerda. Acho que Parreira está vendo a má fase de Gustavo Nery e assim vai preferir Gilberto, que foi bem na Copa das Confederações. Junior e Serginho não foram testados, e não acredito que Parreira se deixe levar por um impulso de última hora.

 

O miolo de zaga é um palpite muito delicado. Não os titulares, que serão Lucio e Juan (uma boa dupla), mas os reservas. Aí temos Cris, Roque Junior e Luisão lutando por duas vagas. Roque Junior, como foi o que mais jogou com Parreira entre os três, deve ser chamado. Cris sagrou-se campeão pelo Lyon e foi chamado para o jogo contra a Rússia. Mas acho Luisão melhor. Arrisco que Parreira ficará com este e deixará Cris de fora.

 

No meio de campo, os titulares são, obviamente, Emerson, Zé Roberto, Kaká e Ronaldinho Gaúcho. O primeiro reserva para qualquer posição deve ser Juninho Pernambucano. Imagino que os outros três serão Edmílson, Gilberto Silva e Ricardinho.

 

No ataque, os titulares confessados são Adriano e Ronaldo, e o reserva imediato é Robinho. Para a vaga que resta, Parreira deve ter ficado em dúvida entre Fred e Nilmar, mas conhece Fred melhor, e deve levá-lo.

 

Uma jogada interessante seria levar Edmílson como zagueiro, abrindo uma vaga no meio, que poderia ser preenchida por Alex. Aí teríamos um Parreira mais ousado.

 

Em resumo, acho que os convocados serão:

 

goleiros: Dida, Rogério e Júlio César;

 

laterais: Cafu, Cicinho, Roberto Carlos e Gilberto;

 

zagueiros: Lucio, Juan, Roque Junior e Luisão;

 

volantes: Emerson, Zé Roberto, Edmílson e Gilberto Silva;

 

meias: Ronaldinho, Kaká, Juninho Pernambucano e Ricardinho;

 

atacantes: Ronaldo, Adriano, Robinho e Fred.

 

Segunda-feira, às 11h30, saberemos a verdade.

Por Torero às 06h57

Libertadores e Copa do Brasil

Sim, São Paulo e Inter perderam, mas os dois seguem favoritos para ir à semifinal, principalmente o São Paulo, que enfrenta um adversário menos talentoso e que não joga tão bem fora de casa (tanto que levou 3 do Goiás).

 

Já o Inter pega um time bem estruturado, a LDU, mas os gaúchos são melhores e, se domarem os nervos, devem sair com a classificação.

 

Porém, sobre os dois times paira o exemplo do Corinthians, que só precisava de uma vitória simples e acabou perdendo o jogo. A Libertadores tem esse nome para homenagear famosos guerreiros como José Artigas e Simón Bolívar, e há que ser um tanto guerreiro para vencê-la.

 

Pela Copa do Brasil, o Ipatinga surpreendeu. Não porque tenha jogado bem, mas porque jogou pior do que se esperava. Por outro lado, o Flamengo mostrou que já tem o esboço de um time competitivo, tanto que passa a ser o favorito para ir à final. Mas não muito. Fiquemos nos 51% a 49%, porque o Ipatinga joga muito bem fora de casa. Basta lembrar que ele conseguiu resultados iguais nas partidas de ida e volta contra Santos e Botafogo.

 

E Vasco e Fluminense fizeram um bom jogo, movimentado e disputado. O Fluminense foi melhor no primeiro tempo, mas no segundo o Vasco equilibrou. Aí Edílson, moleque eterno, marcou seu golzinho e comemorou muito. Aliás, ele está bem no Vasco (que agora está invicto há doze jogos). Me parece que o time de Paulinho da Viola e Carlos Drummond de Andrade está melhor com Edílson do que com Romário. Seria interessante ver os dois velhinhos juntos.    

 

Por Torero às 06h37

11/05/2006

Texto de hoje na Folha de S.Paulo.

Se você é assinante do UOl ou da Folha, clique aqui.

Por Torero às 08h40

10/05/2006

Certo, vocês venceram

Lendo as críticas à minha seleção, resolvi mudar uma convocação (feita alguns posts abaixo). Sim, isso mesmo, mudei de idéia. Afinal, como disse o metafísico Zé Cabala, "Só quem não pensa é que não muda de idéia".

E minha mudança é a seguinte: sai Ricardinho e entra Mineiro. Juninho Pernambucano continuaria sendo um de meus volantes titulares (ao lado de Emerson), mas, como bem apontaram alguns leitores, o pernambucano está melhor que Ricardinho e também pode funcionar como reserva de Kaká e Ronaldinho. Assim, abre-se uma vaga para volante. Fiquei entre Gilberto Silva e Mineiro. Como não vejo um jogo do primeiro há tempos, optei pelo segundo.

Por Torero às 20h25

E o centroavante inesquecível é...

Na quarta-feira passada houve a votação para centroavante inesquecível. E centroavante é uma posição tão carismática, que logo a votação chegou aos mil votos. Antes, isso havia acontecido apenas com o zagueiro-central, porém não com a mesma velocidade.

Mas vamos aos números. 131 jogadores foram lembrados, inclusive o Rogério Ceni por alguns leitores bem-humorados (mas, é claro, seus votos não entraram nas estatísticas, afinal é um goleiro).

Comecemos pelas curiosidades. O Imperador Adriano, titular no primeiro jogo da Copa, teve apenas 2 votos. Com três ficaram dois memoráveis santistas, Pagão e Coutinho, e Bebeto.

Tevez e Nilmar receberam 4 votos. Pensei que Nilmar seria bem mais lembrado. Também receberam quatro votos o atacante-goleiro Gaúcho, Túlio e Silva, também conhecido como “El Tanque”.

Bobô e Washington (o do Atlético-PR, não o do Palmeiras) foram votados 5 vezes, mesmo número dos memoráveis Geraldão e Oséas (mais lembrado por seu belo gol contra).

O grande Toninho Guerreiro teve 6 votos, Jardel, 7, o goleador Nunes e mestre Tostão ficaram nos 8, César Maluco chegou a 9, Dadá Maravilha e Guga, o carrasco do Corinthians, a 10, e Luís Fabiano, desejado por tantos clubes, teve 11.

 

Vamos agora aos dez mais votados. Em décimo, com 12 votos, ficou o grande Casa, mais conhecido como Casagrande, ídolo de duas torcidas.

 

Em nono, Van Basten (17), o craque holandês do Ájax e do Milan, que foi duas vezes eleito o melhor da Europa.

 

Na oitava posição, Viola (20), o avante que sempre tem uma bala na agulha.

 

E, falando em bala, em sétimo ficou Dinamite, o fantástico jogador do Vasco (que, inacreditavelmente, perdeu para Eurico Miranda as eleições vascaínas). Dinamite tem simplesmente 660 gols, sendo que 619 foram com a camisa do Vasco. Só um jogador brasileiro fez mais gols por um clube: Pelé, pelo Santos (Zico fez 508 pelo Flamengo)..

 

Em sexto, apenas em sexto, ficou Ronaldo (34). Ele já fez mais de 400 gols e foi herói e vítima nas últimas duas Copas. Pensei que teria mais votos.

 

Em quinto, Serginho Chulapa (41), com seus 482 gols. Ele é o maior artilheiro da história são-paulina (243 gols) e o maior da recente história santista, com 104 gols, empatado com João Paulo. Se não me engano, ele ainda é o segundo maior artilheiro do São Caetano, só perdendo para Adhemar. Chulapa era um centroavante que dava gosto de ver, daqueles que, mesmo recebendo a bola de costas para o gol, arranjava alguma confusão para a defesa adversária (no bom e no mau sentido).

 

O quarto colocado foi Evair (50), grande ídolo palmeirense e que teve boas passagens pelo Vasco e pelo São Paulo. Ele fez 344 gols na carreira mas, nesta eleição, teve um recorde nada honroso: recebeu cerca de 90 votos falsos. Ou seja, algum pobre coitado ficou o dia todo votando em Evair, mas à toa. Realmente ridículo. Ou pior, bobo.

 

O craque Careca ficou em terceiro, um voto à frente de Evair. Foram 437 gols na carreira. Ele foi ídolo no São Paulo e a principal peça da máquina bugrina do fim dos anos 70. Marcou 137 gols pelo Guarani. Tive a sorte de vê-lo com Sócrates no Santos. Os dois já estavam um tanto velhos, mas houve umas tabelinhas que fizeram a torcida suspirar e pensar “Ah, se eles tivessem vindo dez anos antes...”.

 

Em segundo lugar, um voto à frente de Careca, ficou Reinaldo, do Atlético Mineiro. E ele recebeu os dois últimos votos da eleição. Ou seja, chegou em segundo na última arrancada. Reinaldo foi um centroavante brilhante, de dribles sensacionais. O problema é que todo texto sobre ele vem acompanhado de algo do tipo “Pena que ele era tão frágil...” Pelo Galo fez 475 partidas, 255 gols e conquistou oito campeonatos estaduais. Também é o maior artilheiro do Mineirão, com 144 gols. Pena que ele era tão frágil...

 

E o grande vencedor foi o pequeno Romário (136 votos), nosso maior artilheiro em atividade, segundo maior em todos os tempos e herói máximo da Copa de 94. Certa vez ele disse: “Só não sei marcar. No resto, sou perfeito. E para ser atacante, não precisa marcar. Então eu me acho um jogador perfeito.” Quem pode dizer o contrário?


Por Torero às 05h28

Comentários comentáveis

E vão aí alguns comentários comentáveis sobre centroavantes:

 

Luisão, o centroavante que mais me deu dinh... digo, alegrias.
-G.Nunes, advogada 

 

Rodinaldo foi inesquecível. Pelo lindo nome e pelo feio futebol.
-Ricardo  

 

Meu glorioso pai Emidio Alegre, também conhecido por Pudim, centro-avante do glorioso Conchas Futebol Clube, do qual chegou a ser presidente depois que pendurou as chuteiras e ajudou a construir o Monumental das Perólas, maravilhoso estádio do CFC.
-Vânia Sbragia 

 

Meu voto vai para o Jr. Baiano, não esqueço seus gols contras pelo flamengo, aquele de cobertura contra o São Paulo foi inesquecivel!!
-Rafael 

 

Meu centroavante inesquecivel é o Alejo do nintendo 64 , uma vez marquei 12 gols com ele num unico jogo ! verdade seja dita que meu pai era o adversario! Alejo!!!
-lucas russo 

 

Gioino... impossivel esquecer os gols que esse fdp perdeu!!
-André 

 

Como bom corinthiano que sou, só posso me lembrar do inesquecível Oséias, que jogando aquele Palmeiras e Corinthians, deu uma cabeceada perfeita contra as próprias redes. Se na época nossos atacantes não resolveram, o Oseinha da Bahia (como gostava de ser chamado), com sua fome de gols, tratou de resolver o jejum de gols corinthianos.
-Alexandre Gavazzi 

 

Evair, o matador!!! O Palmeiras procura um centroavante até hj. Volta Evair... Pra falar a verdade, o Palmeiras procura um lateral esquerdo, um lateral direito, um zagueiro, dois volantes, um meia, um atacante, um técnico, um fisioterapeuta, um prepardor físico, um médico, um diretor de futebol, um presidente, um título.... Acho que é só.
Marçal Nakata 

 

Eu, pô! afinal tenho mais gols q muitos centroavantes por aí.
-Rogério Ceni 

 

Ae, Torero. Centroavante inesquecivel foi o juiz José de Assis Aragão, marcou o gol da vitória do verdão contra o seu peixe em 83 eheheheh. Artilheiro de um gol só.
-Elton 

 

BIZU, sem sombra de dúvidas, tão inesquecível que meu primo tinha até um cachorro com esse nome. Por sinal o simpático cãozinho era melhor que o jogador!
-Mário 

 

Inesquecível? Paolo Rossi(...) Não falei?! Ninguém se esquece dele. Disgrama, sô!
-Carlos Eduardo 

 

AGNALDO, que fez aquele inesquecível gol contra o... é lembra, golaço... xi, é um centroavante tão inesquecível que esqueci...
-Wagner Christmann 

 

Caro Torero, essa eu nao resisti meu voto vai para Andre Abujamra, aquele mesmo do Karnak e famoso jogador do mtv rockgol. Apesar de ter participado de varios campeonatos, ele conseguiu apenas um gol. Talvez um dos mais comemorados na historia do rockgol. Uma bicuda de olho fechado e um gol numa partida que seu time perdeu por 14x1. Por isso eu voto nele...mesmo sendo enorme, pesando mais que 120kg ele nunca perdeu a esportividade...um dos que mais sofreram deboches, mas sempre la...no banco esperando para entrar...e sempre entrando e se esforcando...
-Murilo 

 

Inesquecivel era meu primo Zé Bigode O cara jogava 3 jogos no sabado, 3 no domingo e cada gol que ele marcava era dedicado a uma amante (à noite ele ia receber o "agradecimento"). Um dia foi pego em "impedimento" por um marido ciumento que tambem era goleiro e foi mandado para o outro mundo - só não descobriram se foi raiva pela mulher ou pelos 4 gols que ele havia tomado...
-Zenair Ventura 

 

DARIO PEITO-DE-AÇO! Era tão bom que mandei tirar o Saldanha da seleção e levar o Zagasno, digo Zagallo, só por que o comunista não queria levar esse grande craque para o México. Deu no que deu: Fomos campeões!
-Médici 

 

Por Torero às 05h18

09/05/2006

Minha seleção

Como o Juca colocou sua seleção no blog e alguns leitores cobraram a minha, coloco-a aqui:

Goleiros: Dida, Rogério Ceni e Julio César. (Marcos fica de fora porque não jogou até agora).

Laterais: Cafu, Cicinho, Roberto Carlos e Júnior.

Zagueiros: Alex, Juan, Lúcio e Edmílson.

Volantes: Juninho Pernambucano, Emerson, Zé Roberto e Júlio Baptista.

Meias: Kaká, Ronaldinho Gaúcho, Alex e Ricardinho.

Atacantes: Ronaldo, Robinho, Adriano e Fred. 

E meus titulares seriam: Dida; Cafu, Alex, Juan e Roberto Carlos; Juninho, Emerson, Kaká e Ronaldinho, Robinho e Ronaldo.

Por Torero às 19h58

08/05/2006

Carta

No blog do Juca há uma comovente, esclarecedora e inteligente carta da corintiana Leonor Martin, que esteve no jogo entre Corinthians e River Plate. Para ir direto para lá, clique aqui.

Por Torero às 19h35

Mas apesar ainda tal e qual

Corinthians e São Paulo foi um jogão. O primeiro tempo então, foi digno de se enquadrar a tela da tevê. Mas foi o jogo do “mas”. O juiz foi bem mas errou ao não dar um pênalti em Marcelo Mattos. Silvio Luiz estava sendo perfeito, segurando as bolas sem nem espalmar, mas aí veio aquele cruzamento do Souza e lá se foi sua ótima partida. Ricardinho esteve bem melhor que nas últimas partidas mas perdeu dois gols. O São Paulo começou perdendo mas manteve calma. E o Corinthians jogou bem, mas...

 

Houve também alguns jogos do “apesar”. Por exemplo, apesar de jogar feio, o Santos ganhou do Fortaleza. O Fluminense, apesar de ter menos chances de gol que o Paraná, acabou vencendo. O Goiás, apesar de ser vaiado pela torcida durante boa parte da partida, saiu com os três pontos. E o Inter, apesar de poupar alguns jogadores, superou o Atlético-PR.

 

Há alguns times “ainda”. Por exemplo, o Flamengo ainda não empatou. Já Santa Cruz e Palmeiras ainda são as únicas equipes que não venceram ninguém. O Santa, ontem, pelo menos conseguiu seu segundo empate, em casa, com a Ponte. E o Palmeiras perdeu pela quarta vez no Brasileiro e ainda está 0%.

 

Houve alguns “tal e qual”. O Vasco, tal e qual o Inter, venceu fora de casa por 2 a 1, e o Grêmio, tal e qual o Atlético-PR, perdeu em casa e continua apenas com três pontos. Já o Cruzeiro, tal e qual o São Caetano, é azul, jogou em casa e venceu por 2 a 0.

 

Na série B, usando as mesmas palavras, o Sport ainda está 100% e já abriu 4 pontos de vantagem para seus seguidores. O Ceará, apesar de ganhar o estadual, só teve uma vitória em 4 jogos. O Vila Nova ainda não marcou um ponto sequer. E esta segunda divisão promete ser bem disputada, tanto que nesta rodada houve cinco empates, ou seja, jogos nos quais os times marcam o mesmo número de gols tal e qual sofrem.

 

Em resumo, o campeonato está bom, “mas” ainda não pegou fogo, “apesar” dos jogos bem disputados. Talvez porque alguns dos melhores times “ainda” não estejam focados no Brasileiro “tal e qual” os outros.

Por Torero às 05h28

07/05/2006

Poeminha corintiano

Poeminha corintiano

 

Viva o Corinthians – Libertadores  (texto enviado pelo leitor Léo Bueno)

 

Que legal!, que lindo!, que bacana!

Ver meu timão no meio da semana!

 

Um time que, apesar das dores,

Ainda há de ganhar a Libertadores!

 

E vai ganhar bonito, com luxo, matreiro,

Na final vai vencer um time brasileiro

 

Mas é bom não ficar muito afoito:

Libertadores, agora, só em dois mil e oito

 

Em dois mil e sete a esperança é pouca

Vide o que houve ano passado com o Boca

 

Mas foi bacana!, foi lindo!, foi legal!

Tanto que eu cheguei a passar mal!

 

O Tevez, de olho na Europa,

O Nilmar, querendo jogar a Copa,

 

O Ricardinho, que já me traiu uma vez,

Aprontou de novo – ei!, já sou freguês!

 

O Carlos Alberto, que a bola tanto ama,

Quis levá-la pra casa, pro quarto, pra cama.

 

Xavier e Mattos, entrosados no papel,

Pareciam morar na Torre de Babel.

 

Já a defesa – que desatino!, que fardo!

Não lhes falaram desse tal de Gallardo!

 

É impossível pensar em ser campeão

Com Rubens Junior, Vinícius e Betão.

 

E, depois de Marcelo e Herrera, que mal fiz

Para acabar na mão do Sílvio Luiz?

 

Mas – poxa vida! – é uma grande maldade

Jogar neles a responsabilidade!

 

Afinal, foi bacana!, foi legal!, foi lindo!

Ver bacalhau, bambi e porco sorrindo.

 

O Corinthians como a Cameron Diaz é aceito

Tantos os amantes a brigar por seu leito.

 

Um é bem senhor, mas firme como rocha,

E pretere o time à turma da bocha.

 

Outro, de Gumex, deve estar vermelho,

passando raiva – de novo! – do Coelho.

 

Esse, aliás, que honra!, que ética!,

O Timão hoje é da União Soviética!

 

E mais outros tantos, empolados, os quais

Falam diferente e no fundo são iguais.

 

E no final um aglomerado de homens faceiros

Parecia rebelião no cadeião de Pinheiros!

 

Foi bacana!, foi lindo!, foi legal!

Cinco em estado grave no hospital!

 

Não havia por que ter tanto medo:

Só queríamos dar a vaga pro River mais cedo.

 

Foi lindo!, Foi legal!, Foi bacana!

Foi pra isso, afinal, que o russo gastou tanta grana!

 

E o corintiano esperançoso, toda manhã,

Ainda tenta pronunciar: “Kia Joorabchian”.

 

Foi legal!, foi bacana!, foi lindo!

Mas eu faria melhor se estivesse dormindo...

Por Torero às 05h57

06/05/2006

Um livro, um livrinho e um livrão

Um livro, um livrinho e um livrão

 

O Anatomista

No futebol, Brasil e Argentina são rivais tremendos. E na literatura não é muito diferente. Eles têm Borges e Maradona, a gente tem Machado de Assis e Pelé, eles têm Di Stéfano e Cortázar, a gente tem Garrincha e Guimarães Rosa. A diferença da literatura para o futebol é que, na literatura, todo mundo sai ganhando. Quanto mais escritores bons, melhor, inclusive para nós, brasileiros.

E um ótimo escritor argentino foi publicado agora no Brasil. O nome dele é Federico Andahazi e ele escreveu “O Anatomista”. É a história de um médico do Renascimento, o Mateo Colón, que descobre uma parte muito importante da anatomia feminina: o misterioso clitóris (que, aliás, para muitos continua um mistério até hoje).

O problema é que Mateo Colón é um abade, um religioso. E aí, é claro, isso vai provocar alguns problemas para ele, inclusive um processo pela inquisição. Para não enganar o leitor, já aviso que esse não é um romance erótico, apesar de ter uma ou outra cena de sexo.

É um livro com trama, com bons personagens, que mistura prostitutas e papas. O Anatomista foi um grande sucesso nos países de fala espanhola e foi editado aqui pela LP&M, naquela coleção de bolso, e custa só 15 reais. O preço de um ingresso de futebol.

 

 

PS: Beijei

Ninguém fala de livros para adolescentes ou pré-adolescentes. Ninguém. Se você tem entre 11 e 16 anos, a coisa mais difícil vai ser encontrar a crítica de um livro para você. E não é porque a turma dessa idade não goste de ler. Taí o Harry Porter, o maior sucesso editorial do mundo, que prova justamente o contrário. A verdade é que os críticos não gostam de ler este tipo de livro, e aí não escrevem sobre eles.

O adolescente é faminto por livros, mas, como não existe uma crítica voltada para eles, acabam lendo só os paradidáticos indicados pela escola, o que é uma pena. É como se você só pudesse ver TV Educativa.

Por isso hoje eu vou indicar um livro para essa turma. Ou melhor, para as meninas dessa turma. Ele se chama “PS: Beijei” e foi escrito por duas pessoas: Mariana Veríssimo e Adriana Falcão. E ele foi escrito por duas pessoas porque o formato dele pedia isso: é que o livro tem o formato de uma troca de emails entre duas meninas.

A trama, onde tem um tanto de romance, é bacana e o final é cheio de surpresas. Sem falar que mostra bem como é o raciocínio adolescente feminino, o que em si já é um grande feito.

Se você tem entre 12 e 16 anos, o “PS: Beijei” é um bom jeito de você gastar sua mesada.

 

 

Viva o povo brasileiro

Caros blogleitores, eu vos pergunto: Que livro será um clássico daqui a cinqüenta anos? E repergunto: Que livro vai ser obrigatório nas escolas de amanhã? O meu palpite é “Viva o Povo Brasileiro”, do João Ubaldo Ribeiro.

Ainda é um livro novo, só com vinte anos, mas é um daqueles livros fortes, cheio de invenções, e ainda por cima com uma excelente história.

É um livro grande, com quase setecentas páginas, mas o esforço vale a pena. Tanto que no final você vai achar que ele devia ser ainda maior.

O livro conta a história de várias gerações de brasileiros, e tem algumas páginas sensacionais, como uma guerra que o João Ubaldo conta através dos orixás, ou o assassinato de um senhor de engenho que é morto por seus escravos de um modo muito diferente: eles provocam uma tremenda prisão de ventre no coitado.

A primeira vez que eu tentei ler o livro, desisti ali na página vinte. Mas na segunda vez eu passei da vinte e aí fui até o fim. E tem livro que é assim mesmo: você tem que pagar uma espécie de pedágio para poder entrar no livro. O “Grande sertão: veredas” é assim, o “Em busca do tempo perdido” é assim, e até “O nome da Rosa” é assim.

Eu garanto que, no caso de “Viva o povo brasileiro”, esse pedágio é muito barato e vale a pena.

Por Torero às 07h07

05/05/2006

Copas entre paus e espadas

A Copa do Brasil chega às semifinais com três do Rio de Janeiro. É uma bela recuperação do futebol carioca.

 

O Fluminense vem fazendo o que se esperava dele no torneio estadual. Ganhou duas vezes do bom Cruzeiro e é favorito contra o Vasco.

 

O Vasco passou para a próxima fase, mas por pouco. Empatou a primeira partida em 0 a 0 e venceu a segunda por 2 a 1. E, em grande parte, graças ao goleiro Cássio, que aos 48’ fez uma bela ponte e segurou a classificação. Porém, o herói do jogo foi Edílson, que marcou os dois gols (o primeiro, um golaço) e correu muito.  

 

O Flamengo parece ser um time regido pela Lua. Às vezes joga bem, outras, nem tanto. De qualquer forma, há pouco tempo só jogava nem tanto.

 

O Ipatinga será um páreo duro para o rubro negro. Descartou o Botafogo com facilidade e jogou de igual para igual com o Santos. Não tem um jogador que se sobressaia, mas é uma equipe organizada, que se conhece, e toca bem a bola. Acho até que é levemente favorito.

 

Curiosamente, nenhum dos quatro semifinalistas é campeão estadual. Santos, Botafogo, Cruzeiro e Grêmio, vencedores nos estados mais fortes, caíram pelo caminho. Pode ser o efeito endorfina, ou seja, o relaxamento depois de um grande esforço. Ou pode ser o valor dos outros times mesmo.

 

 

Na Libertadores, o Internacional passou às quartas-de-final. Esteve longe de ser extraordinário, mas fez o necessário. Como dizia a música que o urso Balu cantava para Mogli, “O necessário, somente o necessário, o extraordinário é demais.”

 

São Paulo e Palmeiras fizeram um jogo emocionante se ver. O Palmeiras, caso o juiz não errasse tanto, poderia ter cumprido sua missão impossível. Mas que o São Paulo jogou melhor, é inegável. E na próxima fase o tricolor pegará um adversário que não mete tanto medo, o Estudiantes.

 

Estudiantes que passou pelo Goiás num jogo dramático. A equipe brasileira precisava fazer dois gols. E fez. Mas aí bobeou e o time de La Plata marcou aos 31’. O Goiás ainda fez mais um, mas precisava de outro. Foi pena.

 

Por fim, há o Corinthians. Da partida, não falo nada. Ou melhor, quase nada. Faço apenas um breve resumo: O time começou nervoso mas achou um gol. Aí passou a jogar melhor e Nilmar até perdeu uma boa chance. No segundo tempo, o River cruzou algumas bolas sobre a área corintiana e, numa delas, Coelho marcou contra. Depois, vocês sabem o que aconteceu. O time foi para a frente, deixou espaços, e tomou dois gols de um raçudo River Plate.

 

Aí sim deu-se o principal assunto esportivo desta sexta-feira: um grupo de torcedores corintianos tentou invadir o gramado. Mas para quê? Para bater em seus próprios jogadores, que se esforçaram durante o jogo? Para bater no adversário, que venceu justamente? Foi uma atitude estúpida que vai estigmatizar toda a torcida corintiana. Um absurdo. O torcedor corintiano, maior glória de seu clube, ontem foi sua maior vergonha. Não toda a torcida, é claro, mas aqueles que tentaram entrar em campo, aqueles que não aceitam a derrota como parte do jogo.

Por Torero às 00h11

Raízes do Brasil

No Sportv, amanhã, às 21h30, haverá o “Expresso da Copa, Raízes do Brasil”. São bons programas (se bem que a trilha sonora às vezes seja um tanto melosa) que mostram como era a vida dos jogadores da seleção brasileira antes de eles se tornarem astros. O deste sábado mostrará a vida de Emerson, nosso xerife.

 

Por Torero às 00h10

04/05/2006

Texto de hoje na Folha

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Por Torero às 06h38

03/05/2006

Quem é seu centroavante inesquecível? - Votação encerrada

Quem não quis ser centroavante quando pequeno que atire a primeira pedra.

Poucos no mundo são tão invejados quanto eles. Talvez os astros de cinema, os provadores de colchão e o massagista da Ana Paula Arósio. Talvez nem esses. Os centroavantes são homens diferentes, são sacerdotes devotados à celebração da religião mais importante do planeta.

Suas vidas parecem fábulas. São mais personagens que gente e nunca se sabe se suas histórias são verdade ou invenção.

Eles têm cicatrizes nas pernas e faíscas nos olhos. Há vários tipos deles. Os dribladores são terríveis. Um bom exemplo é Pavão, o mais refinado avante que já surgiu nas terras entre Piancó e Itaporanga. Pavão dava dribles tão humilhantes que acabou assassinado por uma quadrilha formada por zagueiros vingativos.

O mesmo fim poderiam ter Tostão, que fez um inesquecível par com Pelé na Copa de 70; Reinaldo, que reinou no Mineirão com seus belos dribles curtos; Charles, do Bahia, que tanto encantou Maradona que este comprou seu passe; Careca, de raciocínio tão rápido quanto suas pernas, e Bebeto, o franzino que duelava com zagueiros gigantes.

Aliás, para ser centroavante não precisa ser alto. A grande prova é Romário, o maior artilheiro em atividade no mundo, sujeito que salta e corre mais do que qualquer grandalhão, sujeito que na área não é imitado nem por um espelho. E há outros baixinhos célebres, como Adamastor, o anão do Piraporinha FC, que fez sucesso nos anos quarenta. Adamastor ziguezagueava entre as pernas dos zagueiros com tal velocidade que era impossível pará-lo sem fazer um pênalti. Desgraçadamente, morreu ao chocar-se contra um joelho enquanto passava a bola, e ele mesmo, entre as pernas de um zagueiro.

Há centroavantes que são grossos mas que se fartam de gols, como Jumento, do Sociedade Ludopédica de Itaboraí, um centroavante que possuía uma patada tão possante que seu clube nem usava mais rede atrás das traves, de tantas que ele já havia estragado. Entre os grossos mágicos estão Nunes, o grosso que fazia os gols naquele Flamengo cheio de craques, e Dadá Peito-de-aço, ou Dadá Beija-Flor, ou ainda Dadá Maravilha. Dario sabia que centroavante tem que ter apelido, assim como Paulinho Maclaren, Roberto Biônico e Roberto Dinamite, o explosivo centroavante que fez mais de setecentos gols pelo Vasco da Gama.

Há centroavantes que são rápidos, como Flecha, ironicamente morto pela bala de um marido traído. Outro ligeiro foi Alcindo, o Bugre Xucro, que com sua velocidade fez mais de 260 gols pelo Grêmio. E outro foi Juary, o azougue, o mercurial, o alígero, o garoto que acabava com os adjetivos dos cronistas.

Há quem diga que as cabeças dos centroavantes são boas mesmo é para cabecear. Estes devem pensar em Jardel e nos Baltazares, o cabecinha de ouro e o artilheiro de Deus, dois avantes que chutavam com a testa.

Há centroavantes gordos como beijoca, do Bahia, e frágeis como o genial Pagão, que tinha canelas tão delicadas que trincavam se a torcida gritava muito alto.

Há centroavantes rompedores como Vavá, oportunistas como Túlio, que não perde uma oportunidade de falar de si mesmo (e tem assunto para isso, já que é nosso segundo maior artilheiro em atividade), ciganos como Cláudio Adão e Flávio, que devem ter armários só para guardar as camisas dos times em que desfilaram, loucos como César Maluco, que endoidecia os zagueiros contrários, e guerreiros como Toninho Guerreiro, o pentacampeão paulista, coisa que nem Pelé conseguiu.

Os saudosistas poderão lembrar de Freiedenreich, maravilhosa mistura de mulata e alemão; de Charles Miller, o culpado por tudo; de Teleco, que fez 243 gols e em 234 jogos pelo Corinthians; de Coutinho, talvez o segundo melhor jogador do mundo em sua época, que teve o azar de jogar justamente no time do primeiro; e de Leônidas, o homem que pedalava uma bicicleta de vento.

Os mais jovens poderão lembrar de Viola, que já se sabia um predestinado, tanto que estreou numa decisão contra o Guarani usando duas camisas, uma para jogar para a torcida. E há Ronaldo, que por duas vezes foi enterrado vivo, mas duas vezes levantou-se do túmulo para brilhar.

Os centroavantes são tantos que foi difícil decidir a quem dar meu voto. Pensei em Romário, não esqueci de Leônidas, cogitei Ronaldo, lembrei de Coutinho, quase fiquei com Juary, mas confesso que tenho certa simpatia por centroavantes cafajestes, daqueles que tratam os zagueiros com cuspe nos olhos, cotovelo na boca, cabeçada no nariz e joelhadas em outros lugares, e assim optei por Serginho Chulapa, a quem odiei quando estava no São Paulo e adorei quando veio para o Santos. Um centroavante que fez história.

Aliás, centroavante que é centroavante não faz só gols. Faz História e histórias, como a de Boi, grande ídolo do Grêmio de Tabapué. Era um centroavante grandalhão, sem habilidade mas forte como um boi. Ele fazia gols com o nariz, com a canela, com a barriga e, às vezes, até com os pés. Não se sabe direito qual foi o seu fim, mas sabe-se que tem a ver com trens. Uns dizem que morreu no auge da carreira, atropelado ao passar na linha do trem. Outros falam que desistiu do futebol e dedicou-se a shows de transformismo numa boate carioca chamada Locomotivas.

E ainda há outras histórias de centroavantes, muitas outras, porque todos os centroavantes são inesquecíveis.

(Votação encerrada. Resultados na próxima quarta-feira)

Por Torero às 07h24

30/04/2006

Falando em Brasileiro...

O campeonato ainda engatinha. Por enquanto tudo é confusão. Tivemos três líderes em três rodadas. Os principais times poupam jogadores e priorizam outras competições. Mas mesmo assim alguns dos favoritos já estão no pelotão da frente. Hoje, creio que os candidatos ao título são os cinco líderes (Santos, Inter, Fluminense, São Paulo e Cruzeiro) mais o Corinthians.

Falando em Corinthians, ele poupou alguns de seus principais jogadores e por conta disso perdeu para a Ponte. O destaque do jogo foi o goleiro Jean (criado no Vitória, como Dida e Fábio Costa). Ele defendeu um pênalti (adiantando-se) e falhou no último gol corintiano. Mas a defesa no pênalti batido por Roger, num momento importante da partida, fez com que saísse de campo com crédito neste 3 a 2.

Falando em goleiro, Flávio, do Paraná, fez uma bela partida. E quase sempre o goleiro é esquecido quando seu time consegue uma bela goleada, como os 5 a 2 do Paraná sobre o Grêmio. Aliás, o tricolor gaúcho, depois de começar o campeonato na liderança, já é o décimo-sexto colocado.

Falando em tricolor, o São Paulo, mesmo poupando jogadores, venceu, e bem, outro tricolor, o Santa Cruz. Curiosamente, com gols de quatro jogadores diferentes, e todos no segundo tempo. Mas o mais emocionate foi a torcida lembrar Telê. Na quarta-feira, se nada acontecer, o São Paulo deve passar pelo Palmeiras.

Falando em Palmeiras, o time se esforçou mas perdeu para o Santos por 1 a 2. E teve um bocado de azar. No primeiro gol santista, a bola bateu em Paulo Baier e entrou. No segundo, Sérgio quase defendeu, mas a bola pegou efeito e foi para as redes. A fase palmeirense pede um banho de sal grosso. O time não é tão ruim para estar há cinco partidas sem vencer e, pior, segurar a lanterna do Brasileiro. Os palmeirenses mais pessimistas já devem ter estar lembrando do ano do rebaixamento, quando uma série de azares improváveis se sucederam.

Falando em azar, o Fluminense botou três bolas nas traves vascaínas no 1 a 1. Mesmo com Pet em tarde de pouca inspiração, o time carioca vem jogando bem. Já são 12 jogos de invencibilidade. 

Falando em cariocas, o Botafogo perdeu de 0 a 4 para o Atlético-PR, e em casa. O grande nome do jogo foi  Pedro Oldoni, que marcou três gols e é o artilheiro do Brasileiro. 

Falando em gols, o Goiás empatou fora de casa em 1 a 1 com o Juventude. O time era considerado um dos favoritos ao título nacional, mas há dez partidas não consegue marcar dois gols num mesmo jogo. Tomara que esteja economizando para o jogo deste meio de semana, contra o Estudiantes, pela Libertadores.

Falando em Libertadores, o Inter, que venceu o primeiro jogo contra o Nacional do Uruguai, venceu o Flamengo por 1 a 0. E venceu sem todos os seus titulares. É o chamado "time ajeitado", daqueles que semprem joga direito, mesmo sem mostrar um futebol espetacular. 

Falando em time ajeitado, o São Caetano, que quase sempre está nesta categoria, perdeu para o Fortaleza por 2 a 1 no Castelão. E o dramático gol da vitória cearense foi marcado por Mazinho Lima no finzinho do jogo, aos 45 do segundo tempo.

Falando em finzinho, o gol primeiro gol do Cruzeiro contra o Figueirense foi feito no comecinho da partida, com apenas 1 minuto de jogo. Dezessete minutos depois os mineiros fizeram 2 a 0 e daí em diante o placar não se mexeu mais.

E, falando em não se mexer mais, acabo por aqui este balanço da rodada, porque já passa da meia-noite, é dia do Trabalho, e estou soltando tantos bocejos que mais pareço o leão dos filmes da Metro.

Por Torero às 23h01

Sobre o autor

Formado em Letras e Jornalismo e quase formado em Cinema, é autor de treze livros (como "O Chalaça"), escreveu roteiros para cinema (como "Pequeno Dicionário Amoroso") e para tevê ("Retrato Falado").

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