Blog do Torero

27/02/2006

Seis times e um destino

Imagine seis caubóis formando um círculo. Os seis estão prontos para atirar. Quando um deles pisca, outro saca seu revólver e atira. Ninguém pode vacilar. Quem piscar, morre.

 

Até agora Caetano Bill é o mais ferido. Levou um tiro no braço e outro na perna. Tem 20 pontos mais ainda está de pé. É um sujeito difícil de derrubar.

 

Tim Timão é rápido no gatilho e tem o revólver mais caro do grupo, mas levou dois inesperados balaços de Billy Santos e Caetano Bill, e está ferido, com 21 pontos. Porém, sua especialidade é lutar sangrando.

 

Kid Noroeste vinha bem, mas recebeu dois tiros, um de Billy Santos e outro do Big Green. O sangue se mistura com seu colete vermelho. Ele está mancando, mas ainda não morreu. É o caçula do grupo e duelou de igual para igual com Big Green no último sábado. Mas errou muitos tiros e Big Green, não.

 

Billy Santos viu várias balas passarem de raspão por ele, mas até agora está com sua roupa branca imaculada. O problema é que parece ter poucas balas em seu revólver. Terá que mostrar uma pontaria muito certeira se quiser sair vivo deste duelo sextuplo.

 

Big Green vai trocar tiros com Billy Santos e Tim Timão, e daí pode sair como herói ou cadáver. Seus duelos são sempre emocionantes. Quando parece que vai perder, ganha, e quando a vitória parece fácil, se complica. Feriu Kid Noroeste no último sábado. Por isso está feliz. Sua pistola está fumegando e, de vez em quando, ele dá um peteleco em seu chapéu verde.

 

Por fim há Jack Tricolor, que anda exibindo muita habilidade, tanto que em seus últimos sete duelos ganhou seis e empatou um. Ele tem um caminho duro pela frente, um caminho cheio de pedras e espinhos, pois terá que se bater contra Tim Timão, Kid Noroeste e Billy Santos. Não vai ser fácil. Mas, se passar por eles, pode ser o único a ficar em pé.

 

Enfim, em meio a catorze corpos espalhados pelo chão, estes seis ainda estão de pé. Alguns já têm ferimentos, mas nenhum ainda tombou definitivamente. Na troca de tiros entre eles é que se definirá o duelo. Ninguém pode vacilar. Quem piscar, morre.

Por Torero às 06h26

26/02/2006

Como desistir de ser jogador de futebol

Como desisti de ser um jogador de futebol

Olá, Torero, aqui vai uma historinha minha:

Minha carreira de jogador de futebol durou até os 9 anos de idade quando eu jogava no time Fraldinha do glorioso São Paulo Futebol Clube.

 

Confesso que nunca fui um jogador muito talentoso, geralmente as crianças que têm um pouco mais de habilidade são colocadas pra jogar de atacante ou meia, os mais grandinhos jogam de zagueiro ou goleiro e os, digamos, esforçados,jogavam de volante ou lateral. Eu era lateral direito. Mas no final, pela ausência de canhotos, jogava na lateral esquerda.

 

Creio que a minha principal limitação não era nem tanto técnica, mas psicológica: era muito distraído. Me lembro, por exemplo, que durante as partidas eu freqüentemente perguntava pros meus companheiros: “quanto tá o jogo?”.

 

Uma vez minha madrinha foi assistir um jogo meu, o que era algo extraordinário pois por muito tempo ela me prometera isso, mas nunca tinha tempo para cumprir. Não lembro contra quem e nem qual foi o placar do jogo, só lembro que, numa certa altura da partida, eu estava lá quieto na minha lateral (que, pra meu azar, ficava de frente pra arquibancada onde estava minha tia e o resto da torcida) quando, de repente, a bola cruza a linha bem à minha frente e eu, prontamente, corro atrás dela e vou cobrar o lateral, pra meu espanto ninguém apareceu pra receber a cobrança e só então, não sei exatamente se antes ou depois das gargalhadas da torcida, percebo que o jogo estava rolando lá do outro lado do campo e que aquela bola que entrara no gramado quicando, evidentemente, não poderia ser a bola do jogo.

 

Foi bem embaraçoso. Creio que este acontecimento apressou minha saída dos gramados, mas de qualquer forma eu não iria muito longe.

Abraço,
Fernando Monteiro

(Mande sua história com até 3 mil toques para blogdotorero@uol.com.br)

Por Torero às 06h30

25/02/2006

Bumbum, baticundum, prugurundum...

Bumbum, baticundum, prugurundum...

Depois de tantos dias ouvindo batuques, cantarolando sambas e vendo seios de silicone, acho que fiquei com a imaginação condicionada pelo que chamam de espírito de Carnaval. Pelo menos é a explicação que encontro para o sonho que tive ontem à noite:

Era uma grande escola, e ela vinha entrando pelo sambódromo. Podia-se ouvir os primeiros versos do samba-enredo:

"S'embora, nega, vem comigo
Brasil é bola, Brasil é folia!
Sacode esse umbigo,
Nessa noite de alegria."


Depois disso, avistei o que parecia ser uma comissão de frente. Lá vinham Garrincha, Didi, Leônidas, Pelé e Canhoteiro. Seus uniformes eram dourados e em vez de tirar o chapéu para o público, davam chapéus em si mesmos.

Apareceu então o carro abre-alas: um colossal par de dentes frontais. Em cima deles vinham os ronaldinhos acompanhados das ronaldinhas. Por uns ou por outras, o povo delirou.

E o samba-enredo continuava:
"Iansã falou,
Oxum me disse:
Arte maior
Na terra não existe."

Atrás deles, a certa distância, apareceram a Milene, com uma bandeira na mão, e Edílson, que fazia evoluções ao seu redor. Acho que eram mestre-sala e porta-bandeira. Os dois faziam embaixadas e, às vezes, trocavam bolas para delírio do público. Milene chegou a fazer uma série de dez lelês com a barriga de grávida.

Então veio a Ala Luxemburgo. Era formada por dezenas de técnicos, todos vestindo uma curiosa fantasia: ternos italianos. Como adereços, gravatas Hermès.

Logo atrás, vinha uma ala de passistas. Reconheci Marcelinho, Ricardinho, Alex, Juninho, Ramon, Raí, Valdo e uma série de outros excelentes passadores. E o puxador de samba, Serginho Chulapa, mandava ver:


"Vou realizar, ô, ô, ô,
Meu sonho menino,
Ser pentacampeão,
Jogando o fino."

Telê Santana, o diretor de harmonia, apressava a Ala das Baianas: com grande garra e, como diria Leci Brandão, muita dignidade, Baiano, Fernando Baiano, Gil Baiano e Júnior Baiano erguiam as mãos para o alto e davam giros graciosos com suas saias-balão!

Eles precederam um carro que trazia Edmundo, destaque da Ala dos Animais. Ele usava uma roupa de pele de tigre e dançava sobre o teto de uma jaula que continha onças, leopardos e linces. No chão, Falcão e Leão faziam acrobacias com seus pandeiros.

Logo em seguida veio a Ala dos Enceradeiras. Lá vi Beto, Robert, Sérgio Manoel, Carlos Miguel e, destaque, Zinho. A coreografia os fazia rodar sem parar. De vez em quando um ficava tonto e caía, mas logo se levantava e continuava seus giros com garbo leveza.
Então veio a bateria, onde figuravam Argel, Márcio Rossini, Moisés, Zé Eduardo, Odvan e outros eméritos batedores. Só que, em vez de baquetas, usavam tíbias para bater em seus tambores.

O desfile estava sendo perfeito, mas então ocorreu um acidente: o último carro alegórico começou a pegar fogo. Era uma cartola negra e brilhante. No seu topo via-se a fina flor da cartolagem nacional. Desesperados, eles se abraçavam uns aos outros e rezavam enquanto eram carbonizados.

E Chulapa, rindo, cantava:
"Esse país,
É o país da bola,
O que estraga,
É o cartola."

E quando passou o carro flamejante, o público, de pé, aplaudiu.

Publicado na Folha de S. Paulo em 7/3/2000.

Por Torero às 04h55

24/02/2006

Garçom, encha a Copa!

A Copa do Brasil é um campeonato simpático. Não é uma novidade, sua fórmula é importada e ela não é perfeita. Mas é um campeonato simpático.

 

Não é novidade porque já tivemos o Campeonato Brasileiro, ou melhor, o campeonato nacional disputado nesta fórmula. Tinha o nome de Taça Brasil e reunia os principais times do país. Com as mudanças na fórmula do principal torneio nacional, a Taça Brasil ficou esquecida, abandonada no baú de memórias, e hoje seus vencedores nem têm o direito de dizer que tenham sido campeões brasileiros.

 

É importado porque este formato só ressurgiu por fazer sucesso na Europa. Mas isso não é exatamente um problema. Se a idéia é boa, roubemos, copiemos, adaptemos.

 

Por fim, acho o campeonato imperfeito por dois motivos. O primeiro é que os principais times do país acabam ficando de fora. O segundo é que ele tem “apenas” 64 clubes. Poderia ter mais. Poderiam ser 128, 256, 512, 1024! A Copa do Brasil poderia ser o grande torneio de integração nacional, um torneio no qual um pequeno time do interior, bem montado e com craques ainda desconhecidos, disputasse uma final com um Flamengo ou um Corinthians. E, de certa forma, já tivemos uma mostra disso nos últimos anos, com as vitórias de Santo André e Paulista.

 

Para viabilizar isto, os grandes times poderiam, por exemplo, só entrar na parte final do campeonato, quando houvesse 16 clubes (os melhores do Brasileiro do ano anterior), ou 32, ou, vá lá, 64, como hoje. Mas antes disso teríamos disputas por todo o país, e um time da sexta divisão teria chances de ser o campeão.

 

Imaginem os tipos interessantes, os craques, os clubes curiosos, as histórias que não seriam descobertas se este campeonato fosse ainda maior. Um torneio como este mataria a fome brasileira por mata-matas e seria sensacional ver anões enfrentando gigantes. Alguns até vencendo, abusando da esperteza e dos golpes baixos (o que é pleonasmo no caso dos anões).

 

Nos primeiros jogos deste ano já tivemos um ensaio disto. O modesto CENE, de Campo Grande, está a um empate de passar à próxima fase, o Imperatriz, de Imperatriz, precisa de uma vitória simples contra o Vitória, o Potiguar, de Mossoró, pode até perder por 1 a 0 do ex-campeão Santo André, o ICASA, de Juazeiro do Norte, empatou com o Coritiba, e o ASA de Arapiraca, eterno exemplo de time pequeno nos comentários dos jornalistas esportivos (eu, inclusive), empatou com o Flamengo no primeiro jogo.

 

A Copa do Brasil já é um torneio simpático, mas pode ser sensacional.

Por Torero às 04h04

22/02/2006

Votos inesquecíveis

Entre os vários votos interessantes, selecionei estes:

 

Se nas outras votações, houve votos para Cléeeeeston e Beletti, o meu voto vai para Edcarlos, porque fico me perguntando até hoje, como vou explicar para o meu filho que o São Paulo em 2005 foi campeão Paulista, tri da Libertadores e tri no Mundial de Clubes com esse zagueiro!!!!! Zagueiro é como ele, que causa sensações das piores que você pode ter, como: arrepios, frio na barriga, espinha, etc....
Odilon Marques

 

O meu voto vai para o Dama, beque do Corinthians no final doas anos 80. Lembro dele não pela (falta de) categoria, mas pela sinceridade. Uma vez quando se retirava de campo, logo após ser expulso, o repórter da televisão correu até ele e perguntou: "Dama, por que você foi expulso?" Nosso herói respondeu. "Porque eu dei uma porrada naquele cara ali!"
Pedro Sergio

 

Géder (Vasco) - muito dos meus cabelos brancos devo a essa criatura. Poucas vezes conseguiu acertar a bola com a chuteira.
marcos aschauer 

 

Ahn, meu zagueiro inesquecível é o Márcio Nunes, que jogava no Bangu e quebrou o joelho do Zico. Entrei em campo garoto junto com os jogadores, na primeira estréia do Renato Gaúcho pelo Flamengo no Maracanã num Flamengo x Bangu, e fiquei arrepiado quando o placar eletrônico anunciou o nome dele na escalação e a arquibancada lotada respondeu com o coro de "É assassino".

André Monnerat


Nem é o pior zagueiro que vi jogar na vida. Formava zaga com Wilson e Paulão, e mesmo com companheiros desse nível, conseguia se destacar - negativamente, claro. Lembro até hoje da nota da Placar que falava que o Tricolor o tinha contratado, vindo do Bragantino: "Nem de graça".

Dunross


Pra mim o "zagueiro" inesquecivel foi o Oséas, que numa tentativa inesquecivel de fazer as vezes de um zagueiro marcou um golaço de cabeça contra, num Corinthians e Palmeiras!! Inesquecivel!!

Leonardo

 

Na primeira metade dos anos 90, o Corinthians foi uma escola de zagueiro inesqueciveis. A maioria não pelo seu talento.

-Henrique: Inesquecivel. Nem tantanto pelo seu futebol, mas por ser a cara do personagem "Popeye".

-Pinga: veio como grande esperança, mas apos fracas atuacões, a Fiel passou a desconfiar que o jogador andava abusando na cachaça.

-Norton: nome de anti-vírus, futebol de bactéria.

-Baré: nome de refrigerante de qualidade duvidosa e futebol horroroso, dessa vez, sem dúvida.

-Embu: destaque do time de juniores do Parque São Jorge, caiu em desgraça quando jogou ao lado de Baré, nas semifinais do Brasileirao de 93. A dupla virou sinônimo de gozação.

Apos escrever essa lista, entendo porque São Paulo e Palmeiras ganharam tudo nesse período.

Fernando Coleti

Por Torero às 08h14

E os zagueiros inesquecíveis são...

A votação para zagueiro bateu alguns recordes. Foram 1000 votos, o máximo que o post aceita, e assim muitos (e)leitores não puderam votar. É claro que entre estes 1000 votos houve muitos anulados, seja porque o votante não conseguiu escolher apenas um nome, seja porque ele votou mais de uma vez.

 

Também houve recorde na dispersão de votos: foram lembrados 124 zagueiros.

 

Entre estes 124, muitos tiveram apenas um voto. Entre estes estão alguns zagueiros amados e odiados ao mesmo tempo, como Roque Júnior, Daniel, do Palmeiras, Moisés, do Corinthians dos anos 70, Ditão, Marião, Darinta, Júnior Touchê e até o Tiozão do Churrasco, célebre personagem do Rockgol.

 

Vou pular a multidão dos 2,3 e 4 votos e vou direto para os cinco que tiveram 5:  Ricardo Gomes, Aldair, Júnior Baiano, Rivarola. Júnior Baiano, aliás, foi lembrado pelo bem e pelo mal, por gente que ainda sonha com seu seu gol de bicicleta pelo São Paulo e por quem tem pesadelos com seus gols contra pelo Flamengo.

 

Depois vem o grupo que ficou entre 6 e 10 votos, com o talentoso Amaral (6), Leandro (7), que também foi o segundo colocado na votação para lateral-direito, os fortes Cléber (9) e Henrique (9), que parecia o Popeye, o potente Célio Silva (10), o imponente Ronaldão (10), o excelente Mozer (10) e Roberto Dias (10), o mais votado entre os zagueiros pré-TV.

 

À frente destes temos Rondinelli (11), o mais lembrado entre os zagueiros flamenguistas, Tonhão, que teve 12 sufrágios depois de descontados os votos pilantras, Baresi (12), o mais votado entre os que não jogaram no Brasil, Válber (13), apoiado pelos são-paulinos e Mauro Galvão (14), um craque lembrado por diferentes torcidas.

 

Aí vem a turma da frente. Gralak, com seu estilo, digamos, inconfundível, teve 15 lembranças, Ricardo Rocha, o comandante e comediante, teve 16, Don Elias Figueroa foi lembrado 18 vezes, Luisinho centralizou os votos mineiros e chegou aos 20, o mesmo número de Alex, ex-Santos, que no futuro talvez seja lembrado como “aquele que Parreira não levou”.

 

Em quinto lugar tivemos um zagueiro fantástico: Oscar (22), que todos gostariam de ter em seu time. Em quarto e terceiros ficaram dois jogadores que poderiam formar uma dupla caipira: Pereira (23) e Pereyra (36), mais conhecidos como Luís e Darío. Os dois são quase lendas e provam que zagueiro pode saber jogar bola, driblar e pensar.

 

E a dupla de zaga titular, a mais inesquecível entre os leitores do blog seria formada por Lugano (49) e Gamarra (99), dois estrangeiros que, de certa forma, confirmam a idéia de que zagueiro brasileiro não é totalmente confiável.

 

Sobre Gamarra, é interessante notar que ele recebeu muitos votos corintianos, que o perdoaram por hoje jogar no rival, e muitos votos palmeirenses, que perdoaram seu passado. Como só perdoa quem ama, eis aí um jogador realmente inesquecível.

Por Torero às 07h43

20/02/2006

Andorinhas e artilheiros

Em vez de falar sobre como está a classificação nos estaduais, hoje vou falar dos artilheiros. Como diz o velho ditado: “Diga-me quem marca teus gols e te direi quem és.”

 

No Campeonato Fluminense há uma dura disputa. Quatro jogadores de quatro times diferentes têm 5 gols: Adriano Magrão (Fluminense), Róbson Biúla (Portuguesa), Romário (Vasco) e Túlio (Volta Redonda).

 

São dois jovens e dois veteranos, os dois maiores artilheiros do país em atividade. São dois que ainda estão começando e dois que já estão parando. E, de certa forma, assim é o campeonato fluminense, com times tradicionais que já não são tão bons quanto foram e jovens grupos que ainda não se firmaram. Daí este campeonato equilibrado, sem times brilhantes mas muito disputado, onde qualquer time pode vencer qualquer partida.

 

No Campeonato Gaúcho, Giancarlo, do Novo Hamburgo, lidera disparado, com 11 gols, mais do que o dobro dos vice-líderes.

 

Curiosamente, Internacional, Grêmio e Juventude, líderes dos três grupos, não possuem nenhum artilheiro destacado. No Grêmio, quem mais fez gols foi Tcheco (4), pelo Juventude o maior marcador é Josiel (4), e no Inter há um empate quádruplo entre Fernandão, Léo, Márcio Mossoró e Michel, com 3.

 

Isso pode indicar três coisas: que  Juventude e Grêmio não possuem um matador, que o Inter mantém o futebol solidário do Brasileiro e que este Giancarlo, um grandalhão de mais de 1,90 m, deve ser um jogador bem interessante.

 

Em São Paulo também há um artilheiro disparado, Nilmar, do Corinthians, com 11 gols. Ele vem jogando o fino e, jogando com Roger, Ricardinho e Tevez, deverá fazer gols a mancheias (ou, no caso, pecheias). Nilmar está seguido, de longe, por seus companheiros Rafael Moura e Tevez, por Danilo e Thiago, do São Paulo, por Cris, do Ituano, e por Wellington Paulista, do Juventus, todos com 6 gols.

Ou seja, o Corinthians tem três dos principais artilheiros do campeonato e o São Paulo, dois. E são os times que vêm apresentando um futebol mais bonito, mesmo estando em quinto e terceiro lugares.

 

Os dois times que lideram o campeonato não têm grandes artilheiros. O Noroeste (1º.) tem Rodrigo Tiuí, com 5, e o Santos (2º.) tem Jonas (que só volta no Brasileiro), com 4. Já o Palmeiras, que pode voltar à liderança no meio de semana, tem Edmundo e Marcinho, com 3.

 

Em Minas, o líder é Washington, do América. Mas o América, hoje em sétimo lugar, estaria fora das semifinais, o que mostra que ter um artilheiro não é suficiente.

 

O mesmo acontece no Paraná, onde Leandro, do Iraty, é líder disparado na artilharia com 13 gols, mais do que o dobro de seus perseguidores mais próximos. Mas o Iraty vem apenas em quinto lugar no seu grupo (classificam-se os quatro primeiros).

 

Em resumo, nenhum dos artilheiros destes campeonatos joga num time que lidere a classificação. É claro que isso pode mudar, mas, por enquanto, a lição que se pode tirar disso é que uma andorinha não faz verão. Ou que um artilheiro não faz campeão.

Por Torero às 07h57

19/02/2006

Luxa, eu te amo

Luxa, eu te amo

 

 

O texto de hoje foi enviado por Marcio de Meo, que, como as câmeras mostrarão hoje na Vila Belmiro, fará uma declação de amor ao Luxemburgo.

Torero, histórias insólitas, todos nós, que freqüentamos estádios, temos. Eu, santista fanático como você, tenho várias. Mas tenho uma que considero mais pitoresca do que todas essas. E com um ingrediente a mais: ainda não aconteceu.
 
Para que se possa compreender a história, preciso fazer um pequeno flashback: em meados de 2004, com o Santos fazendo campanha irregular no segundo turno do Campeonato Brasileiro, eu tecia sempre raivosos comentários contra Luxemburgo, pois o time não conseguia engrenar, apesar de ter elenco nitidamente superior ao do Atlético-PR, então líder.
 
Claro que havia os "erros" da arbitragem, que anulou mais de uma dúzia de gols do Santos, e a oposição sistemática do STJD, que tirava mandos do nosso time a cada copo d'água atirado no gramado, mas a verdade é que eu nunca consegui engolir a traição do Luxa naquela primeira passagem, quando nos deixou na mão para ir treinar o Corinthians. Assim, ele era meu alvo preferencial de críticas.
 
Um amigo meu, o Rafael, que se diz palestrino mas é, antes de tudo, discípulo de Luxemburgo, tomou as dores do técnico e propôs uma aposta: "Se o Santos for campeão, você leva uma faixa escrita 'Luxa, eu te amo!", como se gritar isso durante o jogo não fosse suficientemente ridículo. Eu, sem esperanças de ver nosso time levantar o caneco, topei.

O resto você já sabe: o chocolate no Grêmio e no São Caetano, a pipocada do Atlético-PR contra o Vasco, São José do Rio Preto (e Branco)... e festa.

Aí meus outros amigos entraram na brincadeira. O Rodrigo, corintiano, comprou um tecido de 10m x 1,40m para mandar pintar a tal faixa.
 
Quando o Rafael propôs e eu aceitei levar uma faixa, imaginei uma pequenininha, daquelas que as pessoas seguram nas mãos, com dizeres em torno do tema "Filma nóis, Galvão". Mas amigo é pra momentos assim: eles não perdem a chance de nos fazer passar vergonha.

Como o Luxa foi para a Espanha durante as férias que se seguiram à conquista, a aposta ficou adormecida.

Mas ressuscitou assim que ele voltou ao Santos: meus amigos tiveram a pachorra de guardar a faixa.
 
Agora, está agendado: meu dia de pagar a aposta (e a língua) será dia 19/2, domingo que vem, contra a Ponte Preta, na Vila Belmiro. Claro que todos os meus amigos - corintianos, palmeirense, são-paulino - vão ao jogo especialmente com o objetivo de registrar o momento.
 
Em minha defesa, só posso dizer que, pelo menos, pago minhas apostas.


(Mande sua história, até 3 mil toques, para blogdotorero@uol.com.br)

Por José Roberto Torero às 11h35

18/02/2006

Porque hoje plágio

Porque hoje plágio

I

Hoje é sábado, amanhã é domingo.
A vida vem em ondas como o mar.
Os bondes saíram dos trilhos.
E Jesus Cristo virou superstar.
Amanhã é domingo, ontem foi sexta.
Meu time pisa hoje o gramado.
Se perdermos, será um dia besta.
Se vencermos, Deus, obrigado!
Impossível fugir a essa dura realidade.
Neste momento todas as tevês estão ligadas,
As cervejas estão geladas,
E pipocas sendo estouradas,
Porque hoje é sábado.

II

Na rua há um engarrafamento, porque hoje é sábado.
Há um aborto e um linchamento, porque hoje é sábado.
Um quarentão vai à caça, porque hoje é sábado.
E os atletas buscam a taça, porque hoje é sábado.
Há uma mão que afaga, porque hoje é sábado.
E uma propina sendo paga, porque hoje é sábado.
Há uma feijoada a caminho, porque hoje é sábado.
E um gol bem no finzinho, porque hoje é sábado.
Bebe-se pinga no gargalo, porque hoje é sábado.
E urina-se no ralo, porque hoje é sábado.
Irmão mata irmão, porque hoje é sábado.
E o ponta cai no chão, porque hoje é sábado.
Alguém faz um bar mitzvah, porque hoje é sábado.
E se come muita pizza, porque hoje é sábado.
O goleiro engole um frango, porque hoje é sábado.
E o cunhado fila o rango, porque hoje é sábado.
Há mais uma chacina, porque hoje é sábado.
E o rico bóia na piscina, porque hoje é sábado.
Descansam os barnabés, porque hoje é sábado.
E volantes dão pontapés, porque hoje é sábado.
O vizinho ouve Maria Callas, porque hoje é sábado.
E passa a reprise do Dallas, porque hoje é sábado.
Há uma esperança que morre, porque hoje é sábado.
E um torcedor toma um porre, porque hoje é sábado.
Há este plágio sendo feito, porque hoje é sábado.
E um Vinícius contrafeito, porque hoje é sábado.
E dando os trâmites por findos, porque hoje é sábado,
Há a perspectiva do domingo, porque hoje é sábado.
 
O plágio não coube todo no post. Ele foi publicado integralmente em "Os cabeças-de-bagre também merecem o paraíso".

Por José Roberto Torero às 07h57

17/02/2006

Libertadores ainda que tardia

E eis que cinco dos seis brasileiros já estrearam na Libertadores e nenhum perdeu. Três empataram e dois venceram, os cinco fora de casa. Todos os nossos representantes são competitivos e podemos ter outra final brasileira este ano. Caso isso aconteça, teremos muitas manchetes sobre o assunto. Mas antigamente não era assim.

 

É interessante ver como a Libertadores ganhou importância neste últimos anos. Nos tempos de Santos e Botafogo não se dava tanta atenção à competição continental. Hoje em dia, todos querem vencê-la.

 

Por quê? Por quê? Por quê?, eu vos pergunto três vezes.

 

E eu vos dou três respostas:

 

A primeira resposta é monetária. A competição passou a ser lucrativa. Dá bons prêmios e leva para o Mundial, onde se pode ganhar ainda mais dinheiro. E onde há dinheiro, há desejo.

 

A segunda é, digamos, psicológica. A Copa Toyota tornou-se algo tradicional, crível, e a Libertadores, como caminho obrigatório (ou quase) para a competição, acabou tornando-se mais respeitável. E também contribuíram para isso a melhoria das arbitragens, o televisionamento, etc...

 

E a terceira resposta é política: Duas ou três décadas atrás o Brasil estava muito mais afastado do resto da América Latina do que está hoje. Eram, como se dizia na época, “dois gigantes de costas um para o outro”. Mas de um tempo para cá, com a globalização, o Mercosul e a Shakira, as coisas mudaram. Ainda estamos separados dos hermanos, ainda somos uma ilha de Camões cercados por Cervantes, mas as coisas estão diferentes. Inclusive no futebol. Já temos rivalidade com River e Boca, e até conhecemos uns times chamados The Strongest e Once Caldas.

 

Em resumo, ainda não sabemos quem são Simón Bolívar e San Martín, mas queremos essa tal de Libertadores mais do que nunca. 

Por Torero às 08h48

15/02/2006

Qual o seu zagueiro inesquecível?

Qual o seu zagueiro inesquecível? Era um clássico, como Figueroa, que tinha tanta classe que podia jogar de smoking, ou era um zagueiro moderno como Luís Pereira, talvez o pioneiro dos zagueiros-atacantes? Era elegante como Amaral e Gamarra ou batedor como Moisés e Zé Eduardo?

 

O zagueiro tem que ser mais ou menos como o seu dentista, um cara em quem você confia, um cara que não vai lhe provocar dores desnecessárias. Entre os confiáveis, lembro de Brito, Aldair, Márcio Santos, Ricardo Rocha e Lugano.

 

Muitos confiáveis não chegaram ao estrelato, como Mauro e Gomes, do Guarani de 78, como os irmãos Joãozinho e Bezerra, do Santos e do São Paulo, ou como Osmar Guarnelli, que desfilou sua competência por Botafogo, Atlético Mineiro e Ponte Preta.

 

Por outro lado, há zagueiro que já nasce clássico, como Ramos Delgado, Djalma Santos, Carlos Alberto e Mauro Galvão. Há outros que são mais espevitados, como Júnior Baiano e Antonio Carlos, zagueiros que partem para o ataque como poucos. Aliás, Júnior Baiano, nos tempos de Telê Santana, fez até gol de bicicleta. E a favor!

 

Talvez o Brasil não tenha em sua história o zagueiro absoluto, como diz o Luis Fernando Verissimo, mas vários brasileiros estão espalhados pelos melhores times do mundo, como os convocados Luisão (Benfica), Juan (Bayer Leverkusen), Lúcio (Bayern) e Cris (Lyon). E há ainda imprevisível Roque Júnior e o desprezado Alex, para mim o melhor em atividade, mas que ainda não teve uma chance real na seleção.

 

Não podemos esquecer dos apreciados armários, como Cléber, Ronaldão e Odvan, zagueiros que sempre dão uma certa segurança, assim como um guarda-costas. E há o tipo “armário-com-habilidade”, como Mozer, que fez parte do supertime do Flamengo.

 

Às vezes uma equipe consegue ter juntar dois grandes zagueiros, em geral um central mais vigoroso e um quarto-zagueiro mais habilidoso. Um exemplo é a superzaga do São Paulo com Oscar e Darío Pereyra, talvez a melhor que eu tenha visto jogar. Oscar fez também boas duplas com Polozzi, na Ponte Preta, e com Luisinho, na Copa de 82. Luisinho que, por sinal, era um ótimo jogador, mas ficou marcado pela derrota para a Itália.

 

Piazza e Marinho Perez também fizeram história, assim como Alfredo Mostarda e o bom Edinho, que foi um quarto-zagueiro de primeira.

 

Quanto ao meu zagueiro inesquecível, para decepção dos meus leitores de bom gosto, não é nenhum jogador de extrema habilidade. Ele é do tipo raçudo, como Argel, Rondinelli e Hugo de León, um tipo de zagueiro que eu gosto muito. Sim, meus caros, porque o zagueiro para mim é como a porta-bandeira da escola de samba, ou melhor, como o porta-bandeira do exército. É um cara que não pode vacilar, que tem que dar o sangue pela vitória, um cara que só pode piscar no intervalo. Zagueiro que é zagueiro tem que ter nome e sobrenome para dar respeito, ou então um aumentativo, como Marião, Tonhão e Sapatão. Zagueiro que é zagueiro é cruel, não pede desculpa nem por favor e não tem vergonha de dar um chutão (aliás, o chutão para a frente é um momento de paz e tranqüilidade do torcedor. Quem não sente um imenso alívio quando, naquela confusão na área, surge o zagueiro e dá uma bicanca fabulosa, mandando a bola para fora do estádio? É como entrar numa cachoeira num dia escaldante, como tirar um sapato apertado, como finalmente chegar ao banheiro).

 

Por isso, ofensivos leitores e atacantes leitoras, meu zagueiro inesquecível é o simples, o tosco, o básico Márcio Rossini. Sim, eu sei, ele não era um primor, foi campeão apenas em 84 (Paulista, pelo Santos) e foi chamado poucas vezes para a seleção. Mas e daí? O importante é o que devo a ele vários suspiros de alívio. E zagueiro que é zagueiro é aquele de quem a gente diz: “Ufa, ainda bem que ele estava lá...”

 

Mil votos já foram dados e a votação está encerrada. Nos próximos dias publico o resultado.

Por Torero às 03h22

14/02/2006

O mais nobre dos esportes

Como hoje é o Dia do Botonista, republico este texto dedicado ao mais nobre dos esportes: 

 

O homem mais rico do mundo queria saber qual era o mais nobre dos esportes e, para isso, chamou três sábios: um da Chi­na, porque a China é o berço da sabedoria; outro da França, porque a França é o berço da ciência; e outro dos Estados Unidos, que não são o berço de coisa nenhuma mas ganham muitas medalhas nas Olimpíadas.

Logo que os três sábios chegaram à casa do magno magnata, este lhes perguntou: “Senhores, qual o mais nobre dos esportes? Aquele que me convencer receberá um pote de ouro.”

Então o chinês disse: “Honorável senhor, em todos os esportes há nobreza, mas em nenhum outro há mais do que no xadrez. Ele é um jogo de estratégias e inteligên­cias, onde mais conta o cérebro do que qualquer outra coisa. O xadrez é o esporte do intelecto.” Depois, satisfeito com suas próprias palavras, sentou e tomou seu chá.

Então o francês falou: “Monsieur, nenhum esporte se compara à esgrima. Na esgrima treinamos pontaria e rapidez, defesa e ataque, reflexos e precisão. É um esporte onde todo o corpo é chamado a agir, e por isso é o esporte da habilidade física.” Depois, satisfeito com suas palavras, sentou e tomou seu vinho.

Então o norte-americano rosnou: “Mister, o xadrez e a esgrima são okeis, mas o mais nobre mesmo é o pôquer, que exige dissimulação e farsa, psicologia e trama. Ele não é jogado apenas com o corpo e o cérebro, mas também com a alma. É o esporte do controle emocional.” Depois, satisfeito, sentou e tomou sua Diet Coke.

O homem mais rico do mundo disse que precisava de algum tempo para pensar sobre aqueles profundos arrazoamentos, e, como pensar dá fome, pediu uma pizza pelo ­telefone.

Quando o entregador chegou com a pizza, o homem mais rico do mundo, só por brincadeira, resolveu lhe perguntar qual era o esporte mais nobre: o xadrez, a esgrima ou o pôquer. O entregador não se fez de rogado e disse: “Esses três esportes são importantes, mas o mais nobre de todos é o futebol de botão.”

Os três sábios caíram na gargalhada, mas o entregador permaneceu imperturbável.

“Vejam, o futebol de botão é uma síntese do conhecimento humano. Ele necessita de movimentos estratégicos como o xadrez; pede pontaria, reflexos e precisão como a esgrima — e requer autodomínio como o pôquer. O futebol de botão, senhores, é o único esporte onde são necessários intelecto, habilidade física e controle emocional. Tudo ao mesmo tempo e em igual proporção.”

Todos ficaram boquiabertos com tais idéias e as aplaudiram com entusiasmo.

O entregador então fez uma partida de botão com cada um dos presentes para celebrar a mais nobre das artes. Ele venceu o chinês por 8 a 0, goleou o francês por 9 a 0 e deu de 10 a 0 no norte-americano. Estranhamente, porém, perdeu de 1 a 0 para o anfitrião; e com um gol contra.

O homem mais rico do mundo ficou tão feliz com a inesperada vitória que não deu apenas um pote de ouro ao entregador de pizza, mas também a mão de sua linda filha e única herdeira.

E a moral dessa fábula esportiva, se é que há alguma, é que é bom ser sábio, mas melhor ainda ser sabido.

 

 

Tirado do livro "Os cabeças-de-bagre também merecem o paraíso".

Por Torero às 06h45

13/02/2006

Bento, o agourento, e Batista, o otimista

Assisti ao clássico de ontem ao lado de dois amigos santistas: Bento, o agourento, e Batista, o otimista. Transcrevo aqui os diálogos que lembro. Eles mostram bem como foi a gangorra de emoções para a torcida.

 

1’:

Bento: “O Santos entrou com três zagueiros. Pronto, agora ficamos sem ataque e não ganhamos mesmo.”

Batista: “O Luxemburgo é gênio. Vai dar o tal do nó tático no Antonio Lopes.”

 

4’:

Bento: “A bola bateu no travessão e Nilmar desperdiçou o gol em baixo da trave. A derrota é só questão de tempo.”

Batista: “Se eles perderam um gol desses é porque não vão fazer nenhum.”

 

15’:

Bento: “O Reinaldo se machucou... Perdemos...”

Batista: “Há males que vem para o bem.”

 

16’:

Bento: “Geílson entrou... Perdemos...”

Batista: “Há maus que vem para o bem.”

 

22’:

Bento: “Marcelo Mattos perdeu o gol!”

Batista: “Fábio Costa defendeu!”

 

39’:

Bento: “A bola bateu de novo no travessão do Fábio Costa. Desse jeito a casa cai.”

Batista: “Hoje até a trave está a nosso favor.”

 

Intervalo:

Bento: “Agora o Antonio Lopes acerta o time e os caras vão ganhar.”

Batista: “Agora o Luxemburgo acerta o time e os caras vão ganhar.”

 

19’:

Bento: “Xi, o Roger entrou... Agora a coisa ficou feia...”

Batista: “Oba, o Roger entrou. O cara está voltando de contusão, não vai fazer nada.”

 

30’:

Bento: “O juiz expulsou o Luís Alberto... Agora acabou...”

Batista: “Ganhar com dez é mais gostoso!”

 

33’:

Bento: “Gol?”

Batista: “Gol!!!!!!!!!!”

 

45’:

Bento: “Já vi esse filme. No último minuto o Ricardinho vai fazer o gol...”

Batista: Ê, ô, ê, ô, o Santos é um terror!”

 

E aos 48’, quando o juiz apitou, Bento, o agourento, e Batista, o otimista, se abraçaram para comemorar a vitória, conseguida em grande parte pelo realista Luxemburgo, que percebeu que seu time era mais fraco e optou por um esquema mais cuidadoso. Ou seja, foi melhor porque sabia que era pior.  

Por Torero às 06h58

12/02/2006

O dia em que Rodrigo emplacou (1)

O dia em que Rodrigo emplacou (1)

Aconteceu comigo o seguinte: no começo do ano passado estávamos naquela expectativa da estréia do Carlitos no Corinthians. Finalmente se confirmou: seria no jogo contra o América, em 29/01, um sabadão e, por coincidência, dia do meu aniversário. Então, uns dias antes, minha namorada (hoje noiva) chegou para mim e disse:

 

- Quer ver o jogo do campo?

 

Intrigado e desconfiado, respondi que claro, queria sim, como não. Como ela trabalha numa empresa e era responsável pela compra de placas de publicidade estática nos estádios, acreditei - mesmo porque nós já tínhamos ido a vários jogos de graça, como convidados. Tudo o que eu teria que fazer era chegar lá no portão 1 do Morumbi, aquele por onde entram os ônibus, e dizer que trabalhava com o Cléber. Lá dentro, tinha que achar um outro cara cujo nome esqueci. Vou chamá-lo de João.

 

- Mas só isso? Mais nada? Não tem que dar nome, apresentar documento, nada?

 

- Não.

 

Quase briguei com ela. Como é que iam me deixar entrar no campo só falando que eu trabalhava com fulano? Enfim, ficou por isso, e a data do jogo se aproximava. Quando chegou o dia, fomos para o estádio – eu, ela e meu irmão. Iríamos ficar na Sala VIP. Quando me dei conta, lá estava eu no portão 1, falando com o porteiro.

 

- Opa, boa tarde, tudo bom?

 

- Tudo bom.

 

- Eu trabalho aí com o Cléber, vim esperar ele.

 

- O Cléber das placas?

 

- Isso, isso, ele mesmo (imaginei que tivesse algo a ver, né?)

 

- Beleza, pode entrar. Só me passa aí teu nome completo e RG.

 

Inacreditável. Eu, dentro do campo do Morumbi, praticamente sozinho, enquanto rolava uma preliminar entre dois times da Febem. Procurei o cara e nada. De repente, o tal João me acha.

 

(continua no post abaixo)

Por Torero às 06h01

O dia em que Rodrigo emplacou (2)

O dia em que Rodrigo emplacou (2)

- Você que é o Rodrigo, amigo do Cléber? (já tinha virado amigo do cara)

 

- Isso.

 

- Legal. Olha, vai ser meio complicado, porque como ela é dupla, vai cobrir a entrada do túnel. Então vamos ter que tirar e colocar ela de volta umas quatro vezes.

 

- Hã?

 

- Hã o quê?

 

- Desculpa, mas do que você está falando?

 

- Da placa, ué. Você não veio carregar a placa?

Tudo entendido mais do que depressa, confirmei. Sim, era eu que tinha vindo carregar a placa, se isso significasse que assistiria ao jogo dali, do campo. Na verdade, eu carregaria um caminhão de melancia, se necessário. Era só me mostrar onde.

 

Ele me deu um colete amarelo e, uma hora e meia depois, eu tirei a placa que estava na frente do túnel do vestiário para entrarem em campo Fábio Costa, Anderson, Wendel e Betão, Coelho, Edson, Rosinei, Carlos Alberto e Fininho, Gil e, principalmente, Carlitos Tevez. Tudo sob um coro de 50 mil corinthianos (com “ h” ) gritando “Corinthians, Corinthians minha vida, Corinthians minha história, Corinthians meu amor...”, coisa que me faz arrepiar até hoje.

 

De resto, foi tudo bem: assisti ao jogo, tirei e coloquei de volta a placa no intervalo e tomei um pito do fiscal da Federação porque comemorei o gol do Coelho de pênalti e xinguei o goleiro do América. Quase vi um gol do Carlitos, um lance no segundo tempo bem na minha frente em que ele tentou encobrir o goleiro, mas mandou pra fora. No fim do jogo, não resisti: larguei a placa lá e saí correndo pra falar com o Carlitos, cercado de repórteres. Ainda consegui gritar algo:

 

- Felicitaciones, Carlitos!

 

- Muchas gracias, muchas gracias. (eu acho que ele falou isso, pelo menos)

 

Tudo foi maravilhoso, o melhor jogo da minha vida, e ainda mais no dia do meu aniversário. E tudo graças à minha namorada, a quem serei eternamente agradecido (tanto que vou casar com ela, mas não só por causa disso, claro). Depois fiquei sabendo que ela e meu irmão assistiram ao jogo ao lado do Dualib, do Alckmin (que foi até lá por causa do tal jogo da Febem) e do Kia. Mas quem lá quer saber desses caras?

 

História enviada por Rodrigo Pinotti

(Envie sua história para blogdotorero@uol.com.br

Por Torero às 05h59

11/02/2006

Dize-me quem escalas e te direi quem és (1)

Dize-me quem escalas e te direi quem és (1)

Para abrir o “Sábado do criolo doido”, coloco aqui a minha primeira coluna na imprensa, escrita no distante ano de 1994, no Jornal da Tarde. Não era uma coluna sobre futebol, mas sim no Caderno de Variedades, onde eu podia escrever sobre o que quisesse. De lá para cá, dei umas mexidas no texto, que ficou assim:

 

“Dize-me quem escalas e te direi quem és

 

A seleção de cada torcedor funciona como uma espécie de espelho. Assim, se ele escolhe um meio-campo formado por Dunga, Galeano, Mauro Silva e César Sampaio, fica evidente que se trata de um precavido, talvez até de um covarde. Por outro lado, se propõe um ataque com Rivaldo, Ronaldinho e Romário, estamos na frente de um ousado, de um destemido. Se a linha é Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe, falamos com um saudosista, e se a defesa conta com Carlos Alberto, Figueroa, Domingos da Guia e Nílton Santos, estamos ao lado de um amante dos clássicos.

 

Convencido de que escalar uma seleção seria a forma ideal de me apresentar ao leitor, pus o cérebro para trabalhar e escolhi meus onze jogadores preferidos:

 

Goleiro: Drummond

Um grande time começa por um grande goleiro. Drummond nasceu em Itabira, mas atuou longo tempo no Rio de Janeiro. Ele traz segurança e tranqüilidade para o resto da equipe. É elástico e seguro, dono de um estilo que marcou época e fez seguidores.

 

Lateral direito: Bandeira

O pernambucano merece a posição apesar dos problemas respiratórios. Lateral direito de inegável leveza, caracteriza-se por criar jogadas aparentemente simples, mas que só parecem tão simples porque ele faz um complexo trabalho para descomplicá-las.

 

Zagueiro central: Érico

Central tem que ser gaúcho. Érico, além de ter nascido em Cruz Alta, é um beque polivalente: joga com qualquer tempo – e vento. Pode atuar com aspereza e rudeza, ou sair jogando com maleabilidade e graça. Assim como outro central, Domingos da Guia, também possui um filho de inegável talento.

 

Quarto zagueiro: Nelson Rodrigues

Essa é uma posição onde é proibido ter falsos pudores; tem que se chutar a bola para a arquibancada e, se preciso for, deixar o inimigo estatelado no chão com fratura exposta. É o caso de Rodrigues, um jogador de moral polêmica. Alguns críticos mais ácidos dizem que ele cai muito pela direita, mas trata-se de um defeito menor que suas qualidades.

 

Lateral-esquerdo: Vieira

Começou a carreira timidamente, mas um dia teve um estalo e passou a jogar como que inspirado pela luz divina. Seu estilo é lógico, mas também grandiloqüente. Às vezes traça caminhos tortuosos, mas sempre chega ao seu objetivo. De todos os convocados é o único Atleta de Cristo.

 

(continua abaixo)

Por Torero às 04h43

Dize-me quem escalas e te direi quem és (2)

Dize-me quem escalas e te direi quem és (2)

Médio volante: Gregório

Um bom cabeça-de-área tem que saber xingar a mãe do adversário de doze formas diferentes. Gregório conhece 118. Não é à toa que o apelidaram de Boca do Inferno. Perguntado sobre as violentas faltas que comete, diz que são para a glória de Deus, pois, “quanto maior o meu pecar, maior a graça d’Ele em perdoar”. Não raro, elabora firulas e gongorismos que surpreendem a torcida.

 

Meia-direita: Mário

Um ponta-de-lança tem que ser ao mesmo tempo clássico e inovador. Mário consegue as duas coisas: sabe estudar o jogo e inventar lances com a mesma competência. Pode-se dizer que é um clássico de vanguarda.

 

Meia-esquerda: Machado

A nobre camisa dez não poderia ser vestida por outro. Excelente nos lançamentos em profundidade, é um especia­lista nos dribles sutis e no toque refinado. Estranhamente, está sempre com um riso nos lábios. Não se sabe, contudo, se ri dos inimigos, de si mesmo ou do público.

 

Ponta-direita: Guimarães

É um inventor. Guimarães cria dribles e ziguezagueia pe­los campos gerais como ninguém. Seus lances são inesperados, como se ele sempre tivesse que criar um caminho pró­prio. Aprendeu tudo que sabe na várzea, mas seu jogo é universal.

 

Centroavante: Oswald

Um centroavante deve ser imprevisível, e imprevisibilidade é a única coisa previsível em Oswald. Seu jogo é feito de toques curtos e dribles em pequenos espaços. Tem um temperamento difícil e costuma polemizar com os adversários. É um típico rompedor.

 

Ponta-esquerda: Graciliano

Vindo de Quebrângulo, Alagoas, este extrema-esquerda é dono de um estilo duro, sisudo e seco. O torcedor sempre pode esperar dele um jogo consistente e seguro. Odeia concentrações e pretende escrever um livro de memórias conde­nando essa prática.

 

Obs.: Obviamente esta seleção de imortais conta apenas com jogadores defuntos, o que deixou de fora vá­rios nomes. Em meu banco de reservas estão Verissimo, Ubaldo, Millôr e Fonseca. São grandes atletas, mas desconfio que não têm muita pressa em entrar nesse time.

Por Torero às 04h41

10/02/2006

6 pra lá, 3 pra cá.

Como diria aquele bolero, são seis pra lá, três pra cá.

 

Tudo bem, no bolero são dois pra lá e dois pra cá, mas no Paulista são seis. Seis equipes podem acabar como líder do campeonato na noite deste domingo. E três podem acabar a rodada no último lugar.

 

E isso sem contar que Juventus e São Paulo, com um jogo a menos, moralmente estão no grupo de cima.

 

O melhor é que teremos vários confrontos diretos entre os de cima e entre os de baixo. Será uma tremenda rodada, de muitas mudanças na tabela.

 

O único jogo entre um dos seis de cima e um dos seis de baixo será Palmeiras x Bragantino, o que significa que há grandes chances do time de Leão (que anda rugindo mais que o necessário) continuar na ponta.

 

O melhor duelo será entre Corinthians e Santos, quarto e segundo colocados. E o time do Parque São Jorge é o favorito. A esperança do Santos é que Tevez, ou Geílson, não joguem o de sempre.

 

Noroeste (3º.) e Paulista (5º.) fazem outro encontro de prováveis líderes. São dois times muito ajeitados, muito equilibrados. Atualmente este é o principal clássico do interior (não em rivalidade, mas em qualidade).

 

São Caetano (6º.) e Juventus (8º., mas com uma partida a menos) fazem mais um jogo de ponta, outra partida de times chatos, competitivos, que podem ganhar de qualquer um.

 

Aliás a graça deste Paulista é que há muitos times bem montados, que podem surpreender os grandes.

 

Por outro lado, não há um time que seja disparado o mais fraco. Tanto que na próxima rodada podemos ter três lanternas diferentes: Marília, Mogi Mirim e São Bento.

 

E acontecerão alguns confrontos diretos entre os últimos colocados: o lanterna Marília vai jogar contra o Rio Branco (16º.); o Mogi Mirim (19º.) recebe o São Bento (18º.); e o Santo André (17º.) vai a São José do Rio Preto enfrentar o América (14º.). Ou seja, é a hora de  empurrar os inimigos ladeira abaixo.

 

Enfim, será uma rodada de jogos de vida ou morte, de partidas trágicas como um bolero, uma rodada em que não se pode fazer previsões, mas apenas dizer: “Quizás, quizás, quizás...”

Por Torero às 06h52

Novidades

Neste fim de semana começo a escrever também aos sábados e domingos. E serão colunas um pouco diferentes.

 

Teremos o “Sábado do criolo doido”, onde vou escrever sobre qualquer coisa, até sobre futebol. Serão crônicas, críticas de livros ou filmes, minicontos e bobagens em geral. Vou aproveitar para esvaziar a lata de lixo, digo, para publicar alguns textos que estão esperando por uma oportunidade de publicação.

 

E no sagrado dia de descanso (menos para os jogadores, ainda bem), haverá o “Sempre aos domingos”, onde vou postar histórias mandadas pelos leitores (histórias acontecidas com eles, e, de preferência, com menos de 3 mil toques, para que não seja necessário dividir o texto em duas partes). Já recebi várias e estão muito boas (os textos devem ser enviados para blogdotorero@uol.com.br).

 

Vamos ver o que acontece.

 

 

PS: Só para antecipar, amanhã postarei minha primeira crônica escrita para um jornal, em meados da década passada (nenhum valor literário, mas algum valor arqueológico).

 

Por Torero às 06h51

08/02/2006

E o lateral direito mais lembrado foi...

A eleição de lateral-direito inesquecível teve 374 votos válidos, que foram divididos entre 64 jogadores.

 

Na turma do um voto houve desconhecidos como Xiru, do São Bento; curiosos, como Odair He-Man, do Palmeiras; jogadores modestos como Reginaldo Araújo (do Coritiba); jogadores-cometas, como Jacenir, do Corinthians; e até alguns que já jogaram na seleção, como Luís Carlos Winck e Mancini.

 

Alguns estrangeiros também foram lembrados com um voto: Maldini, Lalas, Thuram e o dinamarquês Olsen.

 

Certos laterais tiveram mais votos do que eu esperava. Forlan jogou num time especializado em laterais direitos, mas mesmo assim foi lembrado por seis leitores. O pequeno Pavão teve cinco lembranças, e Giba, que não foi exatamente um fenômeno, recebeu seis votos. Já Mazinho, craque do Vasco e do Palmeiras, teve apenas dois.

 

Os folclóricos Getúlio e Josimar empataram na casa dos seis votos. Dois à frente de Perivaldo, do Botafogo.

 

Djalma Santos recebeu apenas dois votos, o mesmo que o pouco saudoso Ijuí (do Santos), Orlando (do Vasco e do Santos), Edson (do Corinthians), Mauro (do Guarani), Daniel (do Bahia) e Rosemiro, o belo.  Belleti também recebeu dois votos, mas foram tão, digamos, curiosos, que coloquei-os no post abaixo.

 

Mas vamos aos dez mais votados:

 

Em 10º., com nove votos, ficaram dois laterais com passagens pelo São Paulo (um time especialista na posição). Zé Carlos, aquele lateral que foi descoberto já na segunda metade da carreira, mas que acabou jogando numa Copa; e Vítor, bom jogador e recordista de títulos.

 

Em nono, Nelinho (11), o decapitador de zagueiros.

 

No oitavo lugar ficou Cicinho, com 12 jovens votos.

 

Em 7º., Carlos Alberto (16 votos), o capitão que merecia ser chamado de general.

 

Na sexta posição ficou Índio (18), do Corinthians, sobre o qual postei um texto ontem.

 

O 5º. Foi Jorginho (24), que recebeu votos de torcedores de clubes diversos.

 

Em quarto: Zé Maria (28). E sobre ele há algo curioso. Vários eleitores jamais o viram jogar, mas, por conta daquela famosa foto em que ele aparece com a camisa do Corinthians ensangüentada, acabarm dando seu voto para o Super Zé.

 

O 3º. foi Cafu (44), simpático, competente e vencedor. E, se o Brasil conquistar o hexa, imagino que deve subir duas posições em nosso panteão.

 

O segundo colocado foi Leandro, com 50 votos, inclusive o meu.

 

E em primeiro, 4 votos à frente, ficou o especialista Arce, que tinha um cruzamento maldito (para os zagueiros adversários), um cruzamento que, como um ímã, sempre ia parar na cabeça dos sortudos centroavantes que jogaram com ele. 

Por Torero às 06h08

Diretos frontais nos direitos laterais

Selecionei aqui alguns comentários dos mais de 400 que chegaram.

 

Houve o voto com ressalvas de Benedito:

“Infelizmente, o Cafu, que não aprendeu a cruzar uma bola direito até agora.”

O voto cruel de Jarilton:

“Reginaldo Araújo, do Fla e do Santos: o pior lateral direito que eu já vi jogar. Não sabe marcar, não sabe chutar, não sabe cruzar, é lento e não acerta um passe de 5 metros. Deus me perdoe, mas vibrei quando ele quebrou a perna ano passado.”

 

O voto de compaixão de Sérgio

“O meu lateral-direito inesquecível é Carlinhos Itaberá. Certamente muitos tricolores irão se lembrar dessa figura memorável que vestiu a camisa do Fluminense no início dos anos 90. Jogava tão mal, mas tão mal, que a torcida tinha até uma certa piedade com ele, e procurava incentivá-lo, mesmo quando errava tudo. Houve um jogo pela Copa do Brasil de 1992, contra o Sergipe, nas Laranjeiras, em que foi marcado um pênalti para o Flu no final do jogo, com a classificação já definida. A torcida, ironicamente, pediu que ele cobrasse a penalidade. Motivado pelo inesperado pedido da torcida, Itaberá pegou a bola e se dirigiu à marca penal. Colocou-a no chão, recuou, estufou o peito e, ao apito do árbitro, partiu incólume para a cobrança e... perdeu!!! E, entre vaias e aplausos, tome gargalhadas da torcida...”


O voto saudoso de Júlio:

“Apesar de já ter visto muitos laterais bons nestes meus 53 anos de vida...Eurico, Mazinho, Cafu, Leandro (concordo com vc, foi um dos grandes!) não poderia deixar de votar no Djalma Santos, o maior que vi desfilar com a camisa alviverde. Lembro muito bem de um jogo contra o Santos na Vila, já no final da carreira do Djalma, no qual ele enfrentou o Abel, recém contratado pelo Santos e na plenitude de sua juventude. Quando todos esperavam que o Abel ia acabar com o "velhinho", ele deu uma aula de futebol, "colocou o neguinho no bolso" e o Verdão ganhou de 1 X 0, com gol do Ademar Pantera, após passe primoroso do Servilio. Quando entrevistado depois do jogo e perguntado como fez para dominar um ponta tão veloz e fogoso, o "velho"disse: Com a idade a gente aprende os atalhos do campo, assim em vez de correr atrás dele pela lateral, eu o esperava na lateral da área e o desarmava ali. sds

O voto justificado de Fernando:

“Meu lateral inesqueçível é o Zé Carlos que jogou no São Paulo em 98. Se fosse colocá-lo numa categoria seria a de "lateral cometa", não só pela sua incrível velocidade, mas pq aos 28 anos de idade foi revelado para o mundo do futebol (veio da Matonense para o SP) e em 6 meses de bom futebol no tricolor foi parar na Copa do Mundo sendo reserva do Cafu e jogando como titular na semi-final contra a Holanda! Também, depois de fazer um campeonato paulista fantástico! Na época a força do São Paulo tava nas laterais: Serginho na esquerda e Zé Carlos na direita, muito são paulino ficava em dúvida em qual era melhor, claro que depois da Copa essa dúvida foi resolvida pois Zé Carlos nunca mais foi o mesmo. Pouco tempo depois sumiu do mapa da bola com a mesma velocidade que surgiu. Mas, sem dúvida, foi uma passagem inesqueçível.”

O voto-causo de Flavio:

“Torero, um dos blogueiros, escreveu a historia de Nelinho, se não me engano o Róridan. A historia não é essa. O Nelinho não chegou no Cruzeiro conhecido como "Aranha".Ele era reserva do Aranha , lateral do clube do Remo no inicio dos anos 70. Falaram para os diretores do meu Galo que havia um lateral muito bom lá no Pará, e os "competentes" diretores foram e buscaram o Aranha. Só q o Cruzeiro foi e buscou o reserva, q era o Nelinho.A imprensa caiu de pau em cima da diretoria do Cruzeiro. Resultado :Aranha ninguém sabe onde está e Nelinho foi o q todos nós conhecemos.Dá para notar q a incompetencia reina no Galo há muito tempo.”

 

O voto solidário de Ademir:

“Bem Torero . . . como Santista não poderia deixar de lembrar do "craque" Indio que defendeu o Peixe no começo dos anos 90, até que ele não era tão ruim pois jogava ao lado do Camilo, Silva, Mauricio Copertino, etc. . . e depois foi até jogar no Palmeiras e no Flamengo.”

E os votos irônicos de Turíbio e Fernando

“Se o Cléééston pôde ser votado como goleiro, então lateral direito só pode ser o Belletti (dessa o Neto vai gostar).”

“Inesquecível pela arte de enganar técnicos: Beletti. Vítimas: Felipão, Parreira e Rikaard. Nunca um perna-de-pau foi tão longe no futebol...”

Por Torero às 06h04

06/02/2006

O paraíso não dura para sempre

Mais cedo ou mais tarde, isso ia acontecer. É sempre assim. Quando se está no paraíso, sempre surge uma maçã. E bichada. Não se fica nas nuvens eternamente. Alguma coisa sempre nos derruba.

 

Quereis exemplos? Vamos lá:

 

Sua namorada é perfeita: bela, divertida e sabe o Kama Sutra de cor. Mas um dia você vai descobrir que ela tem um pôster do Fábio Júnior atrás da porta do armário.

 

Seu carro novo está tinindo, mas um dia você dará uma raspadinha no pilar da garagem.

 

Sua sogra está de férias, mas um dia ela voltará.

 

E, é claro, seu time está vencendo todos os jogos, mas um dia vai perder para um tradicional inimigo.

 

Não tem jeito, o paraíso não dura para sempre. O do Palmeiras acabou ontem. Mas o torcedor alviverde não deve derramar suas lágrimas O time jogou bem e poderia ter vencido. Se é que isto serve de consolo.

 

Porém, são-paulinos e corintianos podem derramar as suas lágrimas. Mas de alegria. Os segundos porque seu time vem embalado e mais perto da liderança. Os primeiros porque Alex Dias estreou muito bem e o time já parece ser novamente capaz de participar de grandes duelos, como os que acontecerão na Libertadores.

 

Os santistas é que não têm motivo para rir. Luxemburgo inventou um meio-campo com apenas um volante e se deu mal. Léo Lima e Cléber Pernambucano têm preguiça de marcar. A Portuguesa Santista (nunca entendi este nome, ela é portuguesa ou santista?) aproveitou-se disso, venceu e voltou a sonhar com vagas na Copa do Brasil e na série C do Brasileiro.

 

No Rio, o Botafogo ganhou. Mas ainda tem um time modesto. Uma boa exceção é o lateral-direito Ruy, que veio do Cruzeiro e parece estar se dando bem na troca de cinco estrelas por uma.

 

No Campeonato Mineiro (o mais politizado do país, com dois Democratas), o Ituiutaba está na liderança, mas tem um jogo a mais. Mesmo assim, é interessante ver um time pequeno à frente dos grandes (como o Noroeste, em São Paulo). E, para quem gosta de jogadores com nomes curiosos, o apelido do lateral-direito do Ituiutaba é Filhão. Aliás, Filhão é o artilheiro do time, com três gols. Seus pais devem estar orgulhosos.

 

No Campeonato Gaúcho não há surpresas. Os líderes dos três grupos são Internacional, Grêmio e Juventude. Tri sem graça.

 

Já no Paranaense isso não acontece. Num grupo o líder é o Rio Branco, que tem Ratinho como seu artilheiro. No outro é o Adap, que tem Marcelo Peabiru (de triste passagem pelo Santos) como seu jogador mais famoso. Aliás, nos oito jogos do time, onze jogadores diferentes já fizeram gols. E Marcelo Peabiru não é um deles. Mas um dia ele marcará o seu. O inferno também não dura para sempre.

Por Torero às 06h15

05/02/2006

"Aconteceu comigo"

Alguns leitores mandaram uns causos muito interessantes.

Se você tem uma boa história sobre futebol que tenha acontecido com você, mande aí (blogdotorero@uol.com.br).

Estou juntando algumas e depois farei alguns posts com elas.

Pode parecer que minha intenção é usar as histórias dos leitores para não ter que trabalhar alguns dias, mas é isso mesmo.

 

Por Torero às 21h12

Um título não vale uma mãe

Um dos comentários sobre o lateral-direito Índio me fez lembrar deste texto que escrevi na Folha de S.Paulo, no dia dia 18 de janeiro de 2000, logo depois de o Corinthians conquistar seu título mundial.

 

 

Um título não vale uma mãe

 

 

Caro leitor, quem você elegeria como o personagem mais interessante da decisão entre Corinthians e Vasco? Dou-lhe as seguintes opções:

a) Dida, o menos baiano dos baianos, o melhor goleiro do mundo;
b) Edmundo, que teve a chance de ser herói mas acabou fazendo o papel de vilão;
c) Rincón, o grande comandante;
d) Juninho, que desperdiçou a melhor chance do jogo;
e) Índio, que fez uma partida discreta e competente.

Imagino que a maioria dos leitores tenha escolhido Dida, boa parte optou por Edmundo, alguns apontaram Rincón, um ou outro ficou com Juninho e ninguém elegeu Índio. Pois eu cravaria "e". Não por sua partida, que Índio é daqueles jogadores que não desaponta nem surpreende, mas por sua entrevista depois do jogo.
Vendo que ele chorava, um repórter, pensando que o jogador estava emocionado pela conquista, aproximou-se e perguntou o que ele sentia. Índio respondeu que estava muito triste porque sua mãe estava doente. O jornalista, pego de surpresa, insistiu: "Mas mesmo assim você não sente alegria pelo título?"
Índio foi categórico: "Não, minha mãe está muito doente". Só então o jornalista percebeu que ele chorava de tristeza e não pela faixa de campeão. Ou seja, uma mãe vale mais do que um título, seja ele qual for.
Índio, sem querer, mostrou que o dia-a-dia é mais importante que o futebol. Mais importante que o Corinthians.
Na vida de muitas pessoas os clubes ocupam um lugar de exagerada importância.
A psicologia chama isso de identificação projetiva, e é o mecanismo pelo qual transferimos a uma entidade uma igreja, um partido político, um ídolo, um grupo de rock ou um time nossas expectativas e frustrações.
É o que acontece com boa parte dos torcedores que xingam a mãe dos que não torcem pelo mesmo clube que ele. Desempregados, frustrados na vida emotiva, mal resolvidos na vida pessoal, devotam ao time a energia que deveriam estar dedicando a uma namorada, a um filho, ou mesmo a um hamster.
Mas por que eles amam o clube acima de todas as coisas? Não é difícil entender. O time não tem existência real, não é concreto. Não é preciso conviver com ele, negociar preferências, ceder, reconhecer defeitos e assim por diante. Parece maluco, mas é.
Há quem admire essa paixão ensandecida e faça comentários românticos sobre a paixão do pobre torcedor que pega três ônibus e um trem, fica duas horas debaixo do sol, não come, vê o jogo e depois faz o mesmo percurso de volta, chegando num casebre cheio de ratos e goteiras.
Não há a menor graça nisso, como também não há nas reações destemperadas daqueles que brigam como selvagens na frente dos estádios.
Futebol não pode ser tudo isso, futebol é apenas um jogo, e não devemos projetar nossos sentimentos num jogo. Se há problemas, devemos resolvê-los.
Não estou dizendo que temos que esquecer nossos times de coração. Vou continuar a torcer pelo meu desventurado Santos assim como você vai continuar a sofrer pelo Corinthians, pelo Flamengo, pelo Cruzeiro, pelo Grêmio ou pelo Baré, de Roraima.
Mas é preciso ter equilíbrio e colocar o futebol no seu devido lugar: um título não vale uma mãe.

Por Torero às 09h16

03/02/2006

Quem é seu lateral-direito inesquecível?

Em geral os laterais-direitos são uns caras simpáticos. Não têm a empáfia dos atacantes, a prepotência dos meio-campistas, a loucura dos goleiros, a cara feia dos volantes ou a rudeza dos zagueiros. E, obviamente, os laterais-direitos são mais direitos que os esquerdos.

 

Um bom lateral-direito já foi considerado animal em extinção. Há alguns anos atrás nem se conseguia pensar num bom reserva para Cafu. Mas hoje em dia temos Mancini, Belletti, Gabriel, Cicinho e Paulo Baier. Uma boa safra.

 

O primeiro grande lateral-direito que vi jogar foi o Zé Maria. Ele defendia bem, atacava com competência e corria muito. Tanto que seu apelido era Super-Zé. Nome de herói brasileiro. Mas o maior corredor do qual me lembro é Rosemiro, o feio Rosemiro, que Osmar Santos ironicamente chamava de “Namoradinho da Raquel Welch”.

 

Há vários tipos de laterais. Há, por exemplo, os executivos. Eles são sérios, não inventam muito e mantêm uma regularidade absurda. São laterais que deixam o torcedor seguro, laterais que não precisam de fiadores. Entre os executivos estão Cláudio Duarte, do Inter, Eurico, do Palmeiras, Nelsinho, do Santos e do São Paulo, e Alves do Atlético Mineiro.

 

Temos também os cruzadores. Entre estes, o melhor que vi foi o Arce, que tinha um cruzamento misterioso, que fazia sempre a bola cair na cabeça do atacante, mas não sem antes dar a ilusão ao goleiro de que ele poderia pegá-la.

 

Um tipo muito interessante é o lateral-chutador, como Nelinho e suas bolas de duas curvas, Getúlio, o “Gegê da cara Grande”, com sua patada, e Josimar, e seu chute imprevisível. Aliás, ele é o único bad boy a freqüentar a lateral-direita. Se bem que ele estava mais para play boy do que para bad boy.

 

Há os laterais-velocistas, como Zé Teodoro, do São Paulo, Edson, do Corinthians, e Toninho, do Flamengo. Curiosamente, os laterais-velocistas sempre têm cabelos estranhos. Talvez seja o vento.

 

Existem também os laterais-meias, jogadores que bem poderiam jogar no meio-campo. Um bom exemplo deste tipo foi o Jair Picerni, que jogou com muita classe na Ponte Preta. E há também o Mazinho, do Vasco e do Palmeiras. Quando ele saía de seu campo em diagonal, não havia quem o parasse. Certa vez, na Vila Belmiro, quando ele ainda estava no Vasco, ele arrancou de sua área, cruzou o meio-campo e chegou até a área santista. Quase torci pelo gol. Quase.

 

Jorginho foi completo. Não vi o Djalma Santos jogar, mas durante muito tempo foi o nosso paradigma de lateral-direito. E Carlos Alberto e Cafu, nossos capitães, são unanimidades.

 

Mas o meu preferido não é nenhum destes. É Leandro, que fez parte do melhor Flamengo de todos os tempos. Ele corria muito, cruzava bem e era dono de uma habilidade absurda. Às vezes ficava encurralado num canto do campo, mas fazia uma mágica e se materializava atrás dos marcadores.

 

Enfim, cada um tem seu lateral-direito favorito. O meu é o mágico Leandro. Vote no seu.

Por Torero às 04h56

02/02/2006

Garrincha de Nóbrega

“Garrincha”

De Antonio Nóbrega e Wilson Freire

 

Sumaúma grande/Brotou curumim./Ave miúda/Nasceu passarim.

Sangue fulniô,/Pegadas toré,/Um arco no corpo,/A flecha mané.

Fogo na galera/Delira aplaudir,/Um anjo torto/Barroco a sorrir.

Garrincha no nome,/Nas pernas garruchas,/No chute um morteiro,/Um canhão de buchas.

Um deus nos estádios/Abrindo as retrancas,/Um desengonçado/Que as redes balança.

Mandinga, catimba,/A lógica, a tática,/De nada valiam/Para as pernas mágicas.

Mais um gol de letra,/De placa, um golaço,/A bola o adora/E corre pro abraço.

Malasartes do jogo/Driblando zagueiros,/Um bobo pra corte,/Um herói brasileiro.

Sem maracanã,/Sem drible na área,/Na noite sem grito/Estrela solitária.

Partiu, foi morar/Na constelação,/Deixou pátria órfã,/Sem circo a nação.

 

Essa é a letra de “Garrincha”, uma das músicas do novo show de Antonio Nóbrega, compositor, bailarino, pesquisador e sujeito legal à beça. O show, chamado “9 de Frevereiro”, estreou aqui em Santos ontem à noite, e amanhã começa uma temporada de três dias no Sesc Pompéia.

 

É um espetáculo espetacular (e tem esse nome porque essa é a data do primeiro registro da palavra “frevo”, no Jornal Pequeno de Recife (atual Diário da Manhã), em 1907). Há uma grande banda, bailarinos e coral, com o que o palco fica com umas vinte e cinco pessoas. Aliás, ficou com muito mais do que isso, porque no final do show a platéia invadiu o palco e foi dançar com Antonio Nóbrega. Vale a pena.

Por Torero às 08h22

01/02/2006

Meu goleiro inesquecível

A votação para “Meu goleiro inesquecível” trouxe muitas surpresas. A primeira foi o número de goleiros citados. Nos 572 votos contabilizados houve 90 nomes diferentes. Ou seja, o goleiro é uma posição que desperta paixões muito específicas.

 

Para comprovar isso é só ver o imenso número de goleiros com apenas um voto. Foram 45. Entre eles, alguns muito interessantes, como o gremista Lara, Doni, o bugre Neneca, Juca Baleia (o goleiro com mais de uma centena de quilos que jogou no Sampaio Correa), Edinho, Félix e Tobias, um bom goleiro corintiano dos tempos de antanho.

 

Entre os antigos (que, para mim, são os que eu não vi jogar), destaque para Castilho, com 5 votos.

 

Já entre os goleiros de seleções estrangeiras, o mais lembrado foi Higuita, com 10 votos. E, cá entre nós, o sujeito merece. Não porque ele seja o melhor goleiro, mesmo porque essa não é a idéia desta enquete, mas porque ele fez coisas memoráveis. Boas e ruins. Do segundo tipo temos a bobeada contra Camarões. Do primeiro, a defesa-escorpião, quando, em vez de simplesmente encaixar uma bola, ele se atira para a frente e chuta-a com a sola dos pés. Para mim, um lance mais memorável que a defesa do Banks na Copa de 70. Proud´homme teve 9 votos, Dasaev: 6, o alemão Schumacher e o dinamarquês Schmeichel: 5, os incríveis Sepp Maier e Yashin: 3, Zoff, Goycochea e Banks: 2 (Quiroga e Henao foram lembrados, mas por seus maus momentos, o que também faz um goleiro inesquecível).

 

Alguns goleiros famosos receberam menos votos do que eu esperava. Por exemplo: Félix (1), Mazarópi (3), Raul (3), Carlos (4), João Leite (5) e Leão (7). Já outros, menos incensados, tiveram uma votação bem interessante, como Marolla (3), Acácio (5) e Velloso (8).

 

Mas surpresa mesmo foi Cléston, ou melhor, Cléééééston, que teve 4 votos, o mesmo que Gilmar dos Santos Neves. Uma bem-humorada blasfêmia.

 

No post abaixo, veja os mais votados.

Por Torero às 06h18

E o goleiro mais inesquecível é...

Nesta votação não importa muito quem ganhou ou perdeu, já que o goleiro inesquecível de cada um é algo incontestável, mas, como muitos leitores pediram que eu publicasse a lista dos mais votados, vamos lá:

 

Em 10º. Ficou Higuita, com seus 10 votos.

 

Em 9º., Waldir Peres, com 17 votos, quase todos muito emocionados. E realmente Waldir foi um goleiro interessante, capaz de levar frangos embaraçosos numa partida e de fechar o gol na seguinte.

 

Em 8º., ficou Dida (20 votos), colocação que pode mudar muito depois desta Copa (esperemos que para melhor).

 

Em 7º., Rogério Ceni, com 28. Confesso que esperava mais votos para ele. Talvez isso tenha acontecido porque Rogério ainda está jogando, e assim ainda não saiu do campo para entrar na história.

 

O 6º. Foi Manga, com 30 votos.

 

O 5º. Foi Rodolfo Rodrigues, com 34 votos. Os eleitores de Rodolfo lembraram de sua defesa múltipla contra o América de São José do Rio Preto. Só para causar inveja, digo aos leitores que eu estava lá naquele dia e vi tudo ao vivo, com estes olhos que ainda hei de doar.

 

O 4º. Foi Zetti (36 votos). Ele teve uma grande carreira no Palmeiras, onde estreou ficando sei lá quanto tempo sem levar gols, no Santos, onde conquistou a Conmebol, mas principalmente no São Paulo, onde se tornou um dos símbolos da fase áurea do clube. Era um goleiraço mesmo. E um dia, lá na Vila, eu o vi fazer uma defesa de cabeça.

 

Em 3º. ficou Taffarel, nosso defensor nacional de pênaltis, com 46 votos.

 

O 2º. Lugar coube a São Marcos, que teve 62 lembranças muito justas, já que ele é realmente um goleiro sensacional, dos melhores que já vi jogar.

 

E em 1º. ficou o senhor Ronaldo Soares Giovanelli, com 115 votos. Isso não quer dizer que ele seja o melhor, mas sim o mais lembrado (o que talvez seja mais importante do que ser o melhor). Ronaldo foi símbolo do Corinthians durante uma década e, além de ser bom goleiro, tinha uma personalidade marcante. Era bem-humorado, dava entrevistas polêmicas, adorava seu próprio time e ainda tinha uma banda de Rock. Como um garoto corintiano podia não gostar do cara?

Por Torero às 06h15

Comentários comentáveis

Houve vários comentários interessantes sobre goleiros. Coloco alguns aqui para quem não tiver paciência de ler todos:

 

Houve, por exemplo, um bom causo contado por Dario:

“Alguém já viu um goleiro fazer uma ponte sentado no banco de reservas? Eu já. Seu nome: Toinho. Antigamente os bancos de reservas no Pacaembu ficavam atrás do gol da entrada principal (Pça Charles Muller). E Toinho sentado à ponta do banco fez uma ponte num chute que foi para fora do gol. Não tenho certeza, mas acho que o adversário do Tricolor era o Juventus (que ontem aprontou de novo pra cima de nós). É isso aí.”

Haroldo foi pouco modesto:
”Goleiro mesmo era eu. Jogava na várzea em um campo que mais parecia um pasto. Grama só nas laterais. A pequena área era mais irregular que assoalho de Kombi e a bola era dura igual a um pau. Bons tempos aqueles do glorioso São Vito do Brás...”

 

Pedro lembrou uma defesa histórica:

“Torero, não conheci muitos goleiros (tenho 23 anos) mas um goleiro inesquecível para todos foi Rene Higuita!!! Ninguém pode se esquecer daquela defesa de escorpião que ele fez contra a argentina dando um pulo-meio mortal-de-costas e espalmando a bola com a planta dos pés, numa bola à altura da cabeça. E sem contar com a doidera de, nas oitavas-de-final da copa de 1990, na prorrogação, passar pela cabeça dele que ele podia driblar o time inteiro dos Camarões! Lá pelo meio de campo ele não conseguiu driblar Roger Milla que pegou a bola e fez o gol que eliminou a Colômbia da Copa!!! Ele pode não ter sido o melhor goleiro do mundo, mas o mais palhaço; ahh isso ele foi!!!”

 

Miguel coube reconhecer o valor de Ronaldo:

“Ronaldo Soares Giovanelli, o maior goleiro da história do Corinthians. O único que aturou feras como Guinei, Jacenir, Jatobá, Baré, Embu, Norton, Gralak, Pinga, entre outros.”

Arone fez uma observação muito interessante:

“O melhor goleiro sem dúvida é o empresário do Doni que conseguiu colocar esse frangueiro no Roma da Itália !!!!”

E Bruno mostra que conhece a alma de seu time:

“O meu goleiro é o Marcos. Não só por ser ótimo, mas porque é palmeirense na acepção rigorosa do termo. Esclareço: no campeonato paulista de 2004, ele pegou uma cabeçada do goleiro da Santista, no ângulo, no ultimo minuto de um jogo em que o Palmeiras vencia por 2 a 1, e em que o empate seria fatal para as pretensões de ir à proxima fase. Quando foram entrevistá-lo, após o jogo, ele disse mais ou menos o seguinte: "Quando vi o cara saindo lá de trás para a minha área, pensei 'agora é que eu vou tomar um gol de goleiro no último minuto e nos vamos nos ferrar'. Então, fiquei mirando nele, e foi por isso que peguei a bola. Se outro tivesse cabeceado, ela ia entrar". Um cara que tem essa noção das fatalidades improváveis que só acontecem com o Palmeiras, não pode ser goleiro de qualquer outro time!”

Por Torero às 06h12

Sobre o autor

Formado em Letras e Jornalismo e quase formado em Cinema, é autor de treze livros (como "O Chalaça"), escreveu roteiros para cinema (como "Pequeno Dicionário Amoroso") e para tevê ("Retrato Falado").

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