Blog do Torero

29/12/2005

Bambis e gaymbás

Uma das coisas mais engraçadas de um blog são os comentários, as trocas de ofensas entre leitores-torcedores. Algumas são muito bem-humoradas e inteligentes, outras são agressivas e estúpidas.

 

A maioria delas acontece entre corintianos e são-paulinos, as duas maiores, mais ativas e mais felizes torcidas do estado, que têm a sorte e o prazer de torcerem para os atuais campeões brasileiros e mundiais.

 

E qual o xingamento favorito de ambas as torcidas? Chamar os adversários de homossexuais. Ou, em palavras menos polidas, de bichas, frescos, baitolas, maricas, paneleiros, colunas-do-meio, tias, veados (ou viados, segundo o Millôr), e gays.

 

O torcedor parece entender que uma pessoa gostar de alguém do mesmo sexo é algo desabonador, um defeito, um problema. Não é. Assim como não é um defeito ser negro.

 

Porém o Brasil já aceita o negro. Ou, pelo menos, disfarça bem. Ainda mais no futebol, com tantos heróis desta raça, como Pelé e Garrincha, para ficar nos óbvios. Mas os brasileiros, em particular os torcedores fanáticos (ou seja, aqueles que colocam o futebol como a principal coisa de suas vidas), ainda não aceitam os homossexuais. E nem disfarçam.

 

Tanto é assim que o principal xingamento dos corintianos para os são-paulinos é “bambi”, e atualmente os são-paulinos cunharam o termo “gaymbá” para os corintianos.

 

Os termos são até engraçados. O problema é que alguns torcedores os levam a sério. Alguns realmente acreditam que xingar alguém de homossexual é uma ofensa grave.

 

E é uma pena que seja assim. Eu pensava que os torcedores, em particular as torcidas organizadas, poderiam ser pontas-de-lança de uma modernização do pensamento no país. E elas tinham motivos para isso: são um movimento verdadeiramente popular, teoricamente foram fundadas com base no prazer e a maioria de seus integrantes são jovens. Mas não. Grande parte das organizadas são reacionárias. São homofóbicas, clientelistas, pois vendem seu apoio por ônibus e ingressos grátis, e despolitizadas. Com exceções, claro, mas poucas.

 

Os EUA e a Espanha são países machistas, mas na tevê americana já há programas em que gays são personagens principais, e na Espanha foi aprovado o casamento homossexual.

 

Mesmo no Brasil temos Jean ganhando o Big Brother, e nas novelas já tivemos romances entre mulheres e por pouco não aconteceu o primeiro beijo entre homens. Mas no futebol as coisas andam devagar. No futebol ainda há um conservadorismo tacanho. Como se não houvesse torcedores e jogadores homossexuais. Há. E muitos.

 

Enfim, a esta turma do preconceito só posso dizer que desejo que um dia sentem juntos na arquibancada.

 

Como diz a Bíblia, “amai-vos uns aos outros”.

Por Torero às 05h39

28/12/2005

Craques de A a Z: Dorim

Dorim era um zagueiro central violento, daqueles que bate sem dó, que gosta de ouvir ossos quebrando e de ver sangue correndo. Sua fama se espalhou aos quatro ventos e não havia centroavante que não se arrepiasse ao escutar seu nome. Mas, um dia, Dorim enfrentou Apolônio, tido como o mais belo centroavante de todo o Espinhaço. Naquele jogo, Dorim não chutou, não derrubou, não escoiceou. Perseguia Apolônio por todo o campo, mas não o tocava. Por conta disso Apolônio fez quatro gols. Dorim saiu cabisbaixo e os mais exagerados dizem que uma lágrima correu-lhe pelo rosto. Na segunda-feira foi encontrado morto, talvez por desgosto, talvez por veneno, não é impossível que pelos dois. Estava quase nu. Apenas a bandeira do clube ­cobria seu corpo de mulher.

 

 

 

PS: Texto publicado originalmente no livro "Os cabeças-de-bagre também merecem o paraíso".

Por Torero às 07h15

27/12/2005

CQD

"CQD" é um termo usado no fim de teoremas matemáticos (argh!), e significa "Como queríamos demonstrar".

Usei esta abreviatura no título do texto de hoje porque Luís Fabiano já desmentiu que estivesse vindo para o Santos, comprovando o post de ontem. O alvo agora passa a ser o centroavante França, também ex-São Paulo.

Enfim, cara leitora e barato leitor, não confie em tudo o que sair na imprensa por estes dias em relação a contratações. O blefe é o esporte do verão.

Por Torero às 07h23

26/12/2005

A hora da mentira

Desencantado leitor, encantadora leitora, o campeonato nacional já acabou e os estaduais ainda não começaram. Logo, esta é a hora das mentiras e das falsas promessas.

 

Nessa época, o noticiário é feito de suposições e especulações, de boatos e notícias plantadas. Por isso você não deve acreditar em nada do que lê (tirando este texto, é claro).

 

Quereis um exemplo? Dou-vos.

 

Hoje pela manhã, enquanto comia meu pão na chapa e sorvia meu pingado no Bar da Preta, li num portentoso periódico que o Santos está interessado em Luís Fabiano.

Mas esta manchete pode não ser exatamente verdade. Ela pode ser pelo menos cinco outras coisas:

a) Um blefe do empresário do próprio Luís Fabiano, que na verdade só quer valorizar o atleta para mais um ano de contrato com o Sevilla;

b) Um balão da diretoria do Sevilla, que na verdade pode estar vendendo Luís Fabiano para outro time, como o Palmeiras, e com esta notícia tenta fazer com que a tal equipe aumente sua proposta;

 

c) Uma balela do Santos, que quer outro jogador, como Deivid, por exemplo, mas diz que está interessada em Luís Fabiano para forçar Deivid a fechar o negócio mais rápido;

 

d) Uma patranha de Luís Fabiano, que assim quer forçar o Sevilla a valorizá-lo e escalá-lo como titular.

 

e) Um fuxico do Santos, que quer fazer a torcida acreditar que a equipe está montando uma grande equipe.

 

Ou seja, as três partes podem estar mentindo e por diferentes motivos. Sem esquecer que há a possibilidade de a manchete ser verdadeira.

Enfim, nesta hora de renovações e contratações, o blefe é a regra e todos fazem ares de quem possui uma quadra de ases na mão.

 

Aliás, aviso aqui ao pessoal do UOL que por estes dias fui sondado pelo Terra, contatado por um diretor da AOL e parece que o pessoal do globo.com anda interessado no meu passe. Mas, é claro, eu prefiro ficar por aqui mesmo, onde tenho grande identificação com a torcida, digo, com os leitores; desde que, é claro, tenha o meu valor reconhecido e..., bem, conversamos depois.

Por Torero às 06h24

24/12/2005

Craques de A a Z: Corisco

Corisco era o ponta-direita mais veloz de Cromínia. Tanto que se dizia que nem uma bala poderia alcançá-lo.

 

Com isso conquistou muito dinheiro e muitíssimas mulheres.

 

Uma delas, no entanto, era casada com um homem famoso por seu ciúme e por ter a melhor pontaria da cidade.

 

E foi assim que se soube que o finado Corisco não era mais rápido que uma bala.

Por Torero às 06h39

23/12/2005

Dribles

Se você tem banda larga e gosta de dribles, clique aqui.

 

Por Torero às 04h32

22/12/2005

E o maior personagem da história do São Paulo é...

Na segunda-feira propus uma enquete: quem é o maior personagem da história do São Paulo?

 

Pensava eu que o torcedor tricolor, ainda comemorando o título, elegeria Rogério Ceni. Mas não. O vencedor, de longe, foi Telê Santana (na minha opinião foi o melhor técnico que já pisou nesta terra. E nesta Terra). Ele teve 158 votos, mais da metade do total (50,31%).

 

E essa grande vitória é totalmente justificável. Pelo São Paulo, Telê conquistou dois Mundiais, duas Libertadores, um Brasileiro, uma Copa dos Campeões, duas Recopas, uma Supercopa Libertadores e dois Paulistas. Mas os títulos só vieram porque Telê tinha dois “defeitos”: era obcecado por trabalho e tinha um amor insano pelo futebol. Às vezes as perfeições nascem dos exageros.

 

Para quem é novo e não conheceu Telê, imagine um sujeito milionário, mas que era capaz de morar no Centro de Treinamento para poder dedicar mais tempo ao clube. Como um torcedor pode não adorar um treinador que abdica do luxo e da própria vida familiar em nome do seu time?

 

Ele era um doido, um obsessivo, e por isso era tão bom. Com ele, jogadores medianos se tornavam craques. Que palmeirense não se lembra daquele meio campo com Pires e Mococa? Que são-paulino não lembra do gol de bicicleta (a favor) de Júnior Baiano?

 

De qualquer forma, Rogério Ceni ficou em segundo lugar, com 55 votos (17,51%). Ele ficou à frente de Raí (com 43, 13,69%), o mais amado jogador do clube até então. E essa ultrapassagem é facilmente justificável: Rogério nunca saiu do São Paulo, é o atleta que mais vezes vestiu a camisa do time, é um goleiro excelente, sempre entre os melhores do país, e ainda faz gols, o que o torna um personagem único.

 

Agora, com as conquistas da Libertadores e do Mundial, ele só não é maior que Telê. Mas, provavelmente, até ele votaria em Telê.

 

Porém, o mais curioso da votação foi o quarto colocado: o Morumbi!

 

A paixão da torcida pelo seu santuário me surpreendeu. Cá entre nós, não é meu estádio favorito (sou pacaembudista). O Morumbi não possui uma arquitetura especial, é um tanto frio, e a visibilidade é total, mas distante.

 

Porém, o torcedor sabe que parte da grandeza do time vem dali. Não só pelo dinheiro que gera, mas principalmente porque é um símbolo da grandeza do time.

 

Só para completar os dez primeiros, em quinto lugar ficou Leônidas da Silva, com 11 votos, em sexto, Muller e Serginho Chulapa, com 5, e depois vieram Gérson, Canhoteiro e Friedenreich, com 4.

 

Por Torero às 04h46

21/12/2005

Craques de A a Z: Brisa

Brisa era um goleiro tão magro e leve que saltava mais do que qualquer outro. Brisa quase voava e não havia bola no ângulo que ele não defendesse  

 

Um dia, porém, bem no meio de seu salto para interceptar um cruzamento, soprou um repentino vento nordeste e ele foi levado pelos ares.

 

O resto do time ficou olhando Brisa ser levado pelo vento, subindo feito um balão de gás perdido por uma criança. 

 

E Brisa jamais foi visto outra vez.

 

Por Torero às 06h57

O saco de Papai Noel

Um convite: Tenho um programete no Canal Brasil (e digo programete porque ele tem sapenas cinco minutos) onde faço algumas entrevistas. Mas não com gente, e sim com coisas.

Já entrevistei o Amor, a Morte, Deus, o pênis e a vagina (um jornalista tem que mostrar os dois lados da questão), um casaco da Daslu, a boneca Barbie, o Caixa 2, o PT, etc...

Hoje, pensando nas festividades natalinas que ora se aproximam, entrevistarei o Saco do Papai Noel.

O programa vai ao ar às 22h30.  

Por Torero às 06h55

20/12/2005

Quem é o maior personagem da história do São Paulo?

É uma pergunta difícil. Para ajudar, dou-lhes algumas opções:

a-) Rogério Ceni, o maior goleiro de um clube de grandes goleiros, que ainda por cima faz gols e é o jogador que mais atuou pelo clube.

b-) O Morumbi, porque não há espetáculo sem palco.

c-) Serginho Chulapa, o artilheiro-mór, porque futebol é gol e ele fez 242 com a camisa tricolor.

d-) Telê Santana, certamente o maior técnico do clube, tão importante que até criaram a expressão "Era Telê".

e-) Teixeirinha, que jogou 16 anos pelo Tricolor, mais tempo até do que Rogério Ceni.

f-) Muller, o símbolo da era dos menudos, que fez 158 gols e deu passe para outros tantos.

g-) Pedro Rocha, o craque dos anos 70, quando as camisas 10 eram usadas por mitos como Pelé e Ademir da Guia.

h-) Friedenreich, semideus dos primeiros anos de futebol e que tem a melhor média de gols pelo clube: 0,81, com 66 gols em 81 partidas.

i-) Canhoteiro, porque o futebol é drible e ele era o Garrincha da esquerda.

j-) Leônidas, o homem da bicicleta, que chegou ao clube desacreditado, já com 28 anos, mas conquistou os cinco primeiros títulos do clube.

k-) Raí, uma rara mistura de atleta e artista, de força e habilidade, autor de gols decisivos como os do Mundial de 1992.

l-) Dario Pereyra, que mostrou classe e técnica onde a maioria só mostra chutes e pontapés.

m-) Gerson, o Canhotinha de Ouro, que tirou o clube de uma fila de 13 anos. 

n-) Zizinho, o mestre Ziza, ídolo de Pelé.

o-) Roberto Dias, o solitário craque do tempo em que o São Paulo construía seu estádio.

p-) Careca, que com seus dribles e gols fazia os zagueiros arrancarem os cabelos de raiva.

Vamos aos votos. É claro que é difícil escolher apenas um, mas eleger significa escolher, selecionar. Os comentários que vierem com dois nomes ou mais não serão considerados.

Por Torero às 01h24

"Dades"

Ronaldinho Gaúcho ganhou merecidamente o título de melhor jogador do mundo. E ele está mesmo acima dos outros. Tem agilidade, velocidade, criatividade e outros "dades" que fazem do sujeito um jogador único. Ainda por cima está no auge da forma, naquela idade (olha outro "dade" aí)em que já não se é um jovem iniciante e ainda não se começou a perder o viço, idade em que se é um jovem experiente.

Mas o que mais me impressiona em Ronaldo Gaúcho é que ele ri enquanto joga. Está na cara, e nos dentes, que ele joga futebol com alegria, com prazer. Está na cara, e nos dentes, que ele tem prazer em driblar, em inventar, em correr em disparada pelo campo deixando os zagueiros para trás, em dar chapéus e chutes inesperados.

E talvez este seja seu segredo. Talvez o "dade" mais importante, o que melhor explique Ronaldo Gaúcho, é que ele joga com felicidade. 

Por Torero às 00h25

19/12/2005

O campeão de todo o mundo

Os Demônios da Garoa venceram os Beatles.

 

Os Tricolores venceram os Reds.

 

O São Paulo venceu o Liverpool.

 

Sim, o time inglês era o favorito. Tinha 11 jogos de invencibilidade, craques badalados e venceu o Saprissa com facilidade. Mas, na hora da decisão, o Liverpool foi um time bom, mas sem chama. Sem fogo. Já o São Paulo foi um incêndio.

 

Depois dos primeiros quinze minutos, quando o Liverpool dominou, o São Paulo começou a melhorar e, quando fez o gol, já fazia por merecê-lo. Não foi um lance fortuito, do acaso, da sorte. O Tricolor já vinha martelando há algum tempo, e aos 21, por pouco Amoroso não fez um golaço.

 

E o time não se encolheu para segurar a vantagem. Não se comportou como um time pequeno que se vai para a defesa e reza para os minutos passarem rápido. Continuou jogando bem e só nos últimos minutos do segundo tempo é que realmente sofreu um sufoco. Mas mesmo nesse momento não parecia desesperado.

 

Acho que o símbolo do jogo foi o duelo entre Gerrard e Mineiro. Os dois são opostos em tudo: um é meia, outro é volante; um é branco, outro é negro; um é alto, outro é baixo; um tem 25 anos, outro tem 30, um tem nome elegante, outro tem apelido (que ainda por cima é errado, já que Mineiro é gaúcho).

 

E os dois também foram opostos nos momentos decisivos da partida. Gerrard, em sua melhor chance, colocou uma falta no ângulo de Rogério Ceni. Uma bola perfeita. Perfeita, mas previsível. Já Mineiro, em seu gol, fez o imprevisto. Surgiu de trás, o que não se espera de um volante, e deu um toque com tanta, mas com tanta malícia que o goleiro adversário até caiu para o canto o posto.

 

Esse toque imprevisível ainda é nossa maior arma. Mas de nada adiantaria esta criatividade sem garra. E isso o São Paulo teve de sobra. O time todo correu o tempo todo pelo campo todo.

 

E por isso é o campeão de todo o mundo.

 

Por Torero às 06h26

Dez notas dez

1-) O uniforme de Rogério Ceni tinha cara de uniforme campeão. Todo negro, com listras do clube, parecia uma roupa de super-herói, uma armadura de guerreiro. Ele poderia desfilar com ela na São Paulo Fashion Week. É bem diferente de outras camisas do goleiro, um tanto espalhafatosas. E talvez essa diferença também tenha acontecido dentro de Rogério Ceni, hoje mais discreto nas palavras e mais perfeito na colocação.

 

2-) A torcida do São Paulo deu um banho na inglesa. Só se escutavam os seus gritos em campo. E isso explica um bom tanto porque o São Paulo correu do primeiro ao último minuto. O grito da torcida é o combustível de um time.

 

3-) Vi de novo o jogo agora de madrugada e fiquei impressionado com uma coisa que não tinha notado: a velocidade com que Mineiro se levantava a cada vez que caía. Ele não tentava simular falta, não dava o lance por perdido. Levantava-se imediatamente e partia atrás da bola, do jogador, da vitória.

 

4-) A linha de impedimento do São Paulo foi excelente. Aliás, os três zagueiros se saíram muito bem. Ed Carlos desta vez controlou os nervos e não falhou, Fabão ganhou tudo por cima e Lugano, tudo por baixo.

 

5-) O trio de arbitragem foi perfeito. O que é raro. Raríssimo. Qualquer Márcio Rezende de Freitas validaria aquele último gol dos ingleses, mas os três de ontem não se deixaram levar pelo nome dos ingleses. E dá gosto vencer assim, sem gol roubado, sem pênalti inventado, sem celeuma, na bola.

 

6-) Josué, Danilo, Júnior e Cicinho roubaram sei lá quantas bolas. Não foram à frente, não fizeram jogadas artísticas, mas deram o sangue e o suor pelo título.

 

7-) O passe de Aloísio para Mineiro foi rápido e perfeito. Daqueles com a parte de fora do pé, que fazem uma curva suave e vai exatamente onde se queria. Aloisio entrou no time no último instante, mas deu o máximo de si e se identificou com o time. Tanto que chorou vários litros de lágrimas durante a comemoração. Já Amoroso não fez gol, mas jogou bem, deu dribles sensacionais e até voltou para defender. Se ele ficar mesmo lá pelo Japão, será uma pena.

 

8-) E o São Paulo foi campeão no campo porque está muito bem fora dele. Autuori é um técnico sem estrelismo, competente e inteligente. E o clube é o mais organizado do país. Um exemplo do que se pode fazer com um pouco de organização.

 

9-) As três grandes defesas de Rogério Ceni valeram por gols. Aquela bola no ângulo merecia até placa. Aliás, se há gol de placa, aquela foi uma defesa de placa. E agora Rogério Ceni é tricampeão mundial. Duas vezes como reserva (em 1993 no São Paulo e em 2002 na seleção) e uma como titular. E este ano ainda foi artilheiro do time. Como Parreira poderá não levá-lo para a Copa?

 

10-) O Tricolor é tri. Nenhum outor time do planeta é mais do que ele. Eis aí uma verdade incontestável. Seus torcedores andarão com orgulho, com queixo empinado, com altivez. Os tricolores não terão mais escolioses, dores na coluna, bicos de papagaio. Doravante andarão como lordes em meio a plebeus, porque torcem por um time tricampeão do mundo. Por que torcem para o time que está no topo do mundo do futebol.

Por Torero às 06h25

16/12/2005

Um convite

Convido os amigos deste blog (e principalmente os inimigos, que assim terão mais um motivo para falar mal de mim) a ver um longa que eu dirigi e que voltou às telas neste fim de ano. Chama-se "Como fazer um filme de amor", e está no Bristol, no Market Place, Playarte e no Paulista. Sempre naquelas sessões meio mortas da hora do almoço (os produtores de "King Kong" ficaram desesperados ao saber da concorrência e exigiram tal horário).  

O filme não tem nada a ver com o esporte bretão, é uma sátira aos filmes românticos, mas dentro dele há uma partida de futebol e, nela, um momento mais raro que sexo entre um casal de pandas: um gol marcado por este que vos escreve.

Quem quiser ver esta rara obra deve ir rápido, porque o fracasso de bilheteria será tão retumbante que ela só deve ficar até a próxima sexta.

Por Torero às 15h43

15/12/2005

Beatles x Demônios da Garoa

O Liverpool ganhou do Saprissa e é o favorito para a final do Mundial de Clubes.

 

Sim, o Saprissa é pior do que o Al Ittihad, mas mesmo levando isso em consideração, os Reds se mostraram melhores que os tricolores.

 

O time tem um bom toque de bola, joga agrupado, marca bem, possui jogadores talentosos, mostrou um arsenal de jogadas ensaiadas, tem conjunto, etc... É um time para tirar o sono de Autuori.

 

Mas tem os seus senões. Os zagueiros levaram alguns dribles fáceis de Bolaños e vez ou outra bobearam em lançamentos longos. E isso significa duas boas chances para Amoroso.

 

Na verdade este é o pior time que o São Paulo já levou a Tóquio. Não que seja ruim -longe disso, é dos três melhores do Brasil-, mas os anteriores eram excepcionais.

 

Portanto, para ganhar no domingo, o São Paulo não poderá apenas jogar bem. Terá que jogar o seu melhor. Terá que jogar como no começo do segundo tempo contra o Al Ittihad. Rogério Ceni precisará de sorte e arte, os laterais não poderão se mostrar apáticos, Josué e Mineiro deverão ser incansáveis, Danilo terá que estar em dia inspirado e a zaga não poderá vacilar como fez no jogo passado.

 

Alguns corajosos torcedores tricolores comentaram no meu texto anterior que prefeririam uma final contra o Liverpool do que contra o Saprissa. De certa forma, eles têm razão. Vencer o time inglês dará ao título um caráter épico. Mas, depois de ver o jogo de hoje, já não sei se estes torcedores são ousados ou imprudentes.

 

De qualquer jeito, será um jogão. Digno de uma final de mundial.

 

Dá para ganhar, é claro, porque o São Paulo tem vários talentos. Mas eu não compraria chope antecipadamente.

Por Torero às 08h14

14/12/2005

Tricolor quase tri

Não foi um grande jogo, mas foi um jogo importantíssimo. Não houve talento, mas houve emoção.

O São Paulo venceu mas não convenceu. Venceu mas não empolgou. Tirando os minutos iniciaisde cada etapa, o tricolor manteve o ritmo do Brasileiro, ou seja, morno.

Porém, no começo do segundo tempo, quando todo mundo resolveu correr e jogar, o time fez dois gols e mostrou do que é capaz.

De certa forma o São Paulo esta sofrendo de dupla identidade. Às vezes é um time equilibrado e inteligente, às vezes é chocho e sem garra.

A questão é como jogará na próxima partida, a mais importante da história do clube. Se ele entrar morno, por se julgar superior ao Saprissa, pode sofrer uma invertida. E, se entrar com medo, por se julgar inferior ao Liverpool, pior ainda.

O melhor é que entre em campo como entrou no segundo tempo, com vontade de vencer, com os jogadores conscientes de que por esta partida serão lembrados por toda a vida. E isso vale mais do que qualquer bicho.

Quanto aos torcedores do São Paulo, sonharão com esta partida final por alguns dias. Os otimistas, com os gols de Amoroso, o melhor em campo hoje. Já os pessimistas terão pesadelos com Ed Carlos, que destoa do resto da equipe.

Enfim, o time está a um passo do paraíso. Mas é um passo largo.

Por Torero às 09h58

13/12/2005

Finalistas caídos

O leitor Fernando Miller encontrou uma curiosa coincidência: vários finalistas do Campeonato Brasileiro acabaram rebaixados. Veja a lista abaixo. 

 

85 - Coritiba x Bangu - Bangu na 3ª.

 

86 - São Paulo x Guarani - Bugre na 2ª.

 

87 - Sport x Guarani - Os dois na 2ª.

 

88 - Bahia x Inter - Bahia na 3ª.

 

91 - Bragantino x São Paulo - Bragantino na 3ª em 2006.

 

92 - Botafogo x Flamengo - Botafogo na 2ª em 2003.

 

93 - Palmeiras x Vitória -  Palmeiras na 2ª em 2003 e Vitória na 3ª em 2006.

 

94 - Palmeiras x Corinthians - Palmeiras na 2ª em 2003. 

 

95 - Santos x Botafogo - Botafogo na 2ª em 2003.

 

96 - Portuguesa x Grêmio - Ambos na 2ª.

 

97 - Palmeiras x Vasco - Palmeiras na 2ª em 2003. 

 

99 - Corinthians x Atlético MG - Galo rebaixado em 2005. 

 

Por Torero às 18h20

12/12/2005

Os dois tipos de torcedores

Sagaz leitor, salaz leitora, digo-vos que há dois tipos de torcedores. Sim, dois. Nem um nem três. E quais são estes dois, vós me perguntais? Pois eu vos respondo: são eles o otimista messiânico e o pessimista apocalíptico.

 

O otimista messiânico é identificável pelo sorriso permanente, pelos gestos largos e pelas frases otimistas. Em geral gosta de cerveja e torce para times mais populares. No começo de cada ano diz “Esse campeonato vai ser nosso”, e antes de cada Copa fala “não tem ninguém melhor do que o Brasil, essa vai ser moleza.” O otimista messiânico trata seu time por um apelido e gosta de gírias como “seleção canarinho”, “amarelinha”.

 

Quando estréia um jogador recém saído dos juvenis, o otimista messiânico logo enxerga nele um novo gênio. Quando o time compra um veterano, ele pensa que o sujeito jogará como no início da carreira. Quando o time compra um jogador brigão, ele fala que agora o sujeito está mais maduro.

 

O otimista messiânico é sempre surpreendido pela derrota. E, quando ela acontece, é fruto de algum desígnio divino ou de um juiz ladrão. O otimista messiânico vê tudo com olhos de mãe e não admite que seu time não seja perfeito. Não, seu time é sempre vencedor! O resto do mundo é que está contra ele.

 

O otimista messiânico às vezes baba pelo canto da boca.

 

Já o pessimista apocalíptico é seu inverso. Ele pode ser identificado pelo cenho franzido e por torcer com os dedos entrelaçados. Prefere bebidas destiladas e solta frases como “Sim, está quatro a zero para nós, mas no futebol nunca se sabe...”, e “Droga, somos favoritos para a Copa...”. O pessimista apocalíptico trata seu time pelo nome e não usa gírias porque futebol é coisa séria.

 

Ele, quando vê um juvenil, já começa a botar defeito. Os pessimistas apocalípticos já disseram coisas como “esse Robinho é muito magro”, “esse Diego é muito baixinho” e “esse Pelé é muito magro e baixinho”.

 

Para o pessimista apocalíptico a derrota é mera questão de tempo. Ele sempre está à espera da virada do adversário, do roubo do juiz, do gol contra. Para ele a vitória é uma surpresa, e por isso às vezes ele nem sabe o que fazer com tamanha felicidade. Comemora meio sem jeito, com ares de profeta enganado. Porém, se o time perde, ele tem prazer em dizer “Eu sabia, eu sabia...”

 

O pessimista apocalíptico tem as unhas roídas até o osso.

 

Curiosamente ninguém é apenas um desses dois tipos. Pelo menos, não por todo o tempo. Às vezes um apocalíptico tem uma epifania e passa a ser um messiânico, do mesmo modo que um otimista pode ter ataques de depressão e tornar-se um cinzento pessimista. E isso tudo dentro de uma mesma partida.

 

Também não há ninguém que seja 100% de um tipo ou de outro (eu sou 68% pessimista e 32% otimista), nem ninguém que esteja no exato ponto de equilíbrio, no perfeito caminho do meio. Ninguém é 50% a 50%. Não há torcedor salomônico, apesar de todos pensarmos ser equilibrados e justos.

 

Isso sim, é um tremendo otimismo.

Por Torero às 06h36

10/12/2005

Craques de A a Z: Almir, Amir e Aimar

Almir, Amir e Aimar eram trigêmeos. Na década de quarenta, eles formaram o ataque do Santíssima Trindade Esporte Clube, da cidade de Quem-quem, Minas Gerais. Os três trocavam sempre de posição e, como naquele tempo as camisas ainda não tinham ­números, seus marcadores ficavam totalmente perdidos. O sucesso do trio durou até o dia em que Almir raspou o cabelo, Amir decidiu deixar crescer um basto bigode e, Aimar, uma vasta barba. Depois disso os marcadores sempre sabiam quem era quem e eles nunca mais foram os mesmos.

Por Torero às 07h26

09/12/2005

A chave da Copa

O grupo do Brasil não é nada fácil. Tanto que já empatamos com os três.

Com a Croácia, por 1 a 1 em agosto (um gol de falta de Ricardinho evitou a derrota). E, para quem não lembra, eles ficaram em terceiro lugar na Copa de 1998, vencendo a Holanda. 

Com a Austrália ficamos no zero a zero em 1997, na Copa das Confederações. Mas, depois, na mesma competição, goleamos por 6 a 0, com três gols de Romário e três de Ronaldo. A diferença é que desta vez eles têm um técnico respeitável, o holandês Guus Hiddink, que dirigiu a Coréia na Copa passada, já passou pelo Real Madrid e atualmente dirige o PSV, campeão da Holanda. Sem falar que a Austrália passou pelo Uruguai, o que já é alguma coisa.

Porém, creio que a luta mais indesejada é com o Japão, dirigido por Zico. Empatamos com eles em 2 a 2 na Copa das Confederações, e ainda tivemos ajuda do juiz, que não deu um gol legítimo dos nipônicos. Será uma tristeza ver Zico do outro lado. Ainda mais se ele estiver feliz no fim do jogo.

 

Por Torero às 18h03

08/12/2005

Sete parágrafos sobre "quem merece o título"

Na segunda-feira fiz uma enquete: quem merece ser campeão, Inter ou Corinthians? O texto recebeu cerca de setecentos comentários, mas a grande maioria era de corintianos xingando não-corintianos e não-corintianos xingando corintianos. Dos cerca de setecentos comentários, apenas 36 conseguiram votar em "A" ou "B", sendo que 21 (58,3%) votaram a favor do Inter e 15 (41,7%) pelo Corinthians.

Como esta amostragem acabou sendo muito pequena (apesar de servir para conhecer melhor o nível dos debatedores), recorri aos números do Fórum UOL, que perguntou quem deveria ser proclamado campeão brasileiro. Esta pesquisa teve 777 respostas e 57% ficaram a favor do Inter. Ou seja, a maioria dos freqüentadores do UOL acha que o Inter merece a taça de campeão.

Destes números e dos comentários recebidos tirei sete conclusões:

1-) Como atualmente 43% dos meus leitores são corintianos (números obtidos através da enquete "Quem você compraria para seu time"), acho que pode-se dizer que os corintianos crêem que seu clube merece o título do Brasileiro e o resto, não. Isso mostra que realmente há sensação de injustiça no ar. Não sei se por conta do Zveiter, do Márcio Rezende de Freitas ou dos dois, mas o fato é que não é um título aceito como justo e indiscutível.

2-) Está se cristalizando uma grande divisão entre corintianos e não-corintianos. O imenso número de torcedores do Timão e sua conquista polarizaram o país, e principalmente o estado de São Paulo. Mais do que nunca ser ou não ser corintiano é a questão.

3-) Muitos torcedores corintianos disseram que "título roubado é mais gostoso". Acredito que boa parte disso é pura provocação, e aí é até divertido. Mas também acho que uma atitude destas pode refletir uma cultura geral de que "o importante é levar vantagem em tudo". Ou seja, a idéia de cada um por si e ninguém por todos vem se espalhando pela sociedade. Escorre do alto, das elites, e vai inundando a turma de baixo. Por sorte, há ainda algumas ilhas.

4-) Fui xingado por colorados e corintianos, os primeiros dizendo que eu era um fiel, os segundos que eu era um torcedor do Inter. Fiquei muito orgulhoso por este duplo xingamento. Mostra que consegui ser razoavelmente imparcial no texto.

5-) Os pontos corridos são difíceis de fraudar e seus resultados são mais confiáveis. Mas este tipo de campeonato não está imune a trapaças e desconfiança. Tanto que já no seu terceiro ano ele tropeça e perde credibilidade.

6-) O Brasil e o futebol estão cada vez mais parecidos. Nos dois há coronéis, corrupção, uma massa desmobilizada, falta de democracia, ausência de transparência, egos inflados, etc... Para os otimistas que acham que o futebol é uma ilha de eficiência e sucesso no país, este será um ano difícil de explicar.

7-) O nível dos leitores-torcedores não está lá estas coisas. Houve um festival de baixaria nos comentários. Recebi comentários homófobos, racistas e ameaças de violência. Há, claro, gente que argumenta muito bem e que encara o futebol com leveza (selecionei alguns textos desta turma no tópico abaixo), mas boa parte conseguiu escrever apenas coisas do tipo "Inter Campeão!"  ou "Timão, ê, ô!". Além disso, o português deste pessoal não está grande coisa, tanto que encontrei erros crassos. Comento apenas um: a palavra "cu", presente em muitos comentários (todos deletados, obviamente), aparece quase sempre acentuada, o que é um feio deslize. Portanto, esclareço ao leitor menos alfabetizado que "cu" tem assento, mas não possui acento. Sei que é um paradoxo de difícil compreensão, mas há uma regra ortográfica que diz "as palavras oxítonas terminadas em "u" não são acentuadas". Em nome da preservação da língua portuguesa, deixo aqui este esclarecimento.

Por José Roberto Torero às 08h08

Leitores-escritores

Vários leitores mandaram emails interessantes. Deixo aqui alguns:


Houve, por exemplo, duas propostas conciliatórias. Uma para otimistas e outra para pessimistas:

"Já que há uma dúvida de quem está certo ou errado, já que houve uma lambança no campeonato, que tal se fosse declarado os dois campeões? Não gostou? Tudo bem, então que tal disputar uma grande final? Uma em São Paulo e outra em Porto Alegre. E aí... que vença o melhor "no campo"!
Paulo Couto.

"Eu achei que quem deveria ser campeão era quem ganhasse o jogo neste domingo! Mas nenhum ganhou,e pelo que vi dos jogos os dois times devem comemorar as boas campanhas no campeonato, mas nenhum merece o título de Campeão Brasileiro! O que nós tivemos foram dois vice-campeões!"
Vinícius

 


Houve mostras de humor corintiano:

"O prefeito de Porto Alegre acaba de decretar estado de calamidade pública na cidade. Uma enchente de lágrimas está arrastando carros, casas e árvores. Especialistas chegaram a conclusão que se os Colorados não pararem de chorar não sobrará pedra sobre pedra."
Vicente

 

E de humor colorado:

"Para resolver a questão: o Inter é o Tetra campeão e eles ficam com o título de Treta campeões. Afinal, nunca houve um título "conquistado" com tanta treta.
(sem assinatura)

 

Por fim, um leitor encontrou uma solução brilhante para o impasse:

"Como a Justiça não se entende, proponho que busquemos uma solução salomônica para resolver a questão. De que forma? Simples. Basta decidir que o Campeão Brasileiro de 2005 seja o Corinter. Não, não se trata de uma fusão como aquela entre as duas cervejarias. É algo muito mais profundo. Senão, vejamos só como as duas torcidas ficarão satisfeitas: - o Co tanto pode ser utilizado como Colorado ou como Corinthians - se for dito em coro, Corinter tem o efeito de parecer tanto um como outro; - a expressão "inter" tem um efeito mercadológico positivo em se tratando de um clube que jamais ganhou um título fora do Brasil - cria-se um congraçamento entre as torcidas, o que é propício em período natalino. Então, Viva o Corinter, Grande Campeão de Futebol de 2005."
Julio Jatobá Junior

Por José Roberto Torero às 08h07

05/12/2005

Inter ou Timão, eis a questão.

Dialoguinho possível entre um colorado (A) e um corintiano (B):

A: O Internacional merecia ser campeão.

B: Não, não. O Corinthians é que merecia.

A: Mas o Inter fez mais pontos se tirarmos os onze jogos refeitos a mando do STJD.

B: Por outro lado, se o STJD mandou refazer e é a máxima entidade no Brasil, ele tem que ser acatado.

A: Mas não havia motivo para anular os onze jogos. Pelas vinte mil horas gravadas de Edílson, ele só teria influído em um jogo. Logo, só este jogo deveria ser refeito.

B: Se bem que ele pode ter influído em outras partidas. O próprio Gibão desconfia que ele estivesse fazendo jogo duplo.

A: Desconfia mas não prova. E todo mundo é inocente até prova em contrário. Mas o Zveiter fez o contrário. Por ele todos são culpados até prova em contrário.

B: Mas as partidas foram refeitas e o Corinthians ganhou os pontos em campo, não no tapetão.

A: Ganhou em campo, isso é verdade; mas em duas partidas, contra o Paysandu e contra o próprio Inter, houve erros escandalosos a favor do Corinthians.

B: A favor do Inter também houve erros grosseiros, como o gol do Mossoró contra o Brasiliense.

A: O título do Corinthians é um título roubado!

B: O Inter é que quer roubar o título do Timão!

Enfim, leitores, fica a dúvida. Diga você quem está certo, A ou B? O colordo ou o corintiano. Quem merece ser campeão? Eis a questão.

Por Torero às 07h20

Comentaretes:

1-) Os times que receberam um doping monetário (teoricamente, é claro) venceram seus oponentes. Pelo jeito, a mala preta realmente funciona.

2-) Luxemburgo caiu. Mas parece que a culpa não foi dele. Mesmo antes do técnico brasileiro o Real Madrid já fracassava. Pelo jeito trata-se mais de time de badalação do que de competição.

3-) O Coxa caiu. Estou em Curitiba e peguei um táxi dirigido por um motorista atleticano. Ele estava exultante. Perguntei-lhe se ele não lamentava a ausência de Atletibas em 2006 e ele respondeu: "Mas vai ter Atletiba. Com o Atlético Mineiro, na segunda divisão."

4-) O torcedor mais alegre de ontem talvez tenha sido o palmeirense. Depois de uma virada e conseguindo uma milagrosa vaga para a Libertadores, o torcedor do Palmeiras está rindo à toa. E sem medo de tribunal.

5-) Já o torcedor do Fluminense deve estar procurando explicações para as seis derrotas seguidas (até Pet fez gol contra). Será um boicote a Abel? Salários atrasados? Brigas no elenco? Macumba? Quem sabe? Eis aí uma decadência misteriosa.

6-) Romário conseguiu. Marcou dois gols (em pênaltis duvidosos) e foi o maior artilheiro do campeonato. Com quase quarenta anos, ele quebra seu recorde pessoal no Brasileiro. É bem verdade que Robgol ajudou o baixinho não balançando as redes nas últimas dez partidas. Uma seca lamentável, ainda mais no momento decisivo. Mas, independentemente disso, Romário marcou oito vezes nas últimas dez rodadas. O cara é o cara.

Por Torero às 07h19

01/12/2005

E os esquecidos mais lembrados são...

No texto da última quinta-feira coloquei aqui a minha seleção do campeonato e propus uma votação: cada leitor poderia tirar um de meus jogadores e colocar outro em seu lugar. Minha idéia era ver qual a maior injustiça que eu havia cometido, quem eu havia esquecido. Veja abaixo quais foram os jogadores mais contestados da mina seleção:

Fábio Costa: 111

Gabriel: 24

Lugano: 2

Gamarra: 5

Jorge Wagner: 33

Mineiro: 14

Marcelo Mattos: 13

Ricardinho: 111

Petkovic: 11

Tevez: 11

Rafael Sobis: 9

 

Os campeões de contestações foram Ricardinho e Fábio Costa, que empataram em 111 senões. 

Dos 344 votos válidos (muitos leitores votaram em mais de uma troca e seus votos não foram contados), 92 reclamaram da ausência do corintiano Roger (82 o colocariam no lugar de Ricardinho e 10 no de Petkovic). O meia foi disparado o esquecido mais lembrado pelos torcedores. Em segundo ficou Rogério Ceni, com 40 votos.

Vendo estes números, tenho que fazer um mea culpa. Provavelmente escolhi Ricardinho pelo campeonato de 2004 e Fábio Costa pelo de 2002, quando eles jogaram pelo meu time, o Santos. Sim, meus caros, devo ter sido subjetivo.

Mas antes que os chatos de plantão digam “Arrá, você errou!”, digo-lhe que é muito mais nobre errar e reconhecer o erro do que acertar de primeira. Logo, meu erro e minha remissão não me fazem imperfeito, mas mais-que-prefeito. E modesto.

Por José Roberto Torero às 10h12

Gamarra e Lugano são quase unanimidade

O terceiro esquecido mais lembrado foi Gustavo Nery, reclamado por 28 torcedores. Bruno, o jovem goleiro do Atlético-MG ficou em quarto, com 15 votos. Pelo jeito, nem mesmo o rebaixamento do time conseguiu nublar o julgamento de sua performance, o que é uma coisa rara. Já o quinto foi o lateral Cicinho, lembrado por 13 votantes. Nesta posição, ainda tivemos Paulo Baier (8) e Eduardo Ratinho (3).

Gamarra e Lugano foram os menos contestados. Só 5 preferiram outro jogador a Gamarra (3 destes pediram Betão) e apenas dois trocariam Lugano por Ronaldo Angelim, do Fortaleza. Ou seja, houve uma quase unanimidade em relação ao miolo da zaga.

Entre os volantes, Mineiro e Marcelo Mattos praticamente empataram, com 14 e 13 senões. Tinga foi o mais reclamado para a posição, com 11 votos. E o curioso é que, neste Brasileiro, Tinga jogou mais de meia do que de volante, função que ficou mais para Perdigão e Gavilán. Arouca e Rosinei, com 4 lembranças, vieram atrás.

Na meia, Juninho Paulista recebeu 16 votos como o grande ausente, ficando atrás de Roger na posição. Edmundo teve 4 replicantes. Pet teve apenas 11 objeções, mostrando que agradou mesmo à torcida.

No ataque, Tevez e Rafael Sobis praticamente empataram. 9 trocariam o gaúcho e 11 cambiaram o argentino. Para o lugar de Sobis os mais sugeridos foram Robgol e Nilmar com 3 votos. Para o de Tevez ganhou Romário, com 6. O mais lógico seria escalar o baixinho no lugar de Sobis, mas acho que aí não foi uma questão de trocar de centroavante, mas de ídolo.

Só sete leitores contestaram a escolha de Muricy Ramalho, o que mostra que ele realmente foi reconhecido como grande técnico. Abel (3), Leão (3) e Geninho foram os senões a Muricy.

Por José Roberto Torero às 10h10

Sobre o autor

Formado em Letras e Jornalismo e quase formado em Cinema, é autor de treze livros (como "O Chalaça"), escreveu roteiros para cinema (como "Pequeno Dicionário Amoroso") e para tevê ("Retrato Falado").

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