Blog do Torero

19/09/2010

Mudança de endereço

Este blog mudou de endereço. Agora ele está no:

 

http://blogdotorero.blogosfera.uol.com.br/

Por Torero às 11h18

17/09/2010

Toreroteca

E vamos à nossa toreroteca. Mas ela já está no novo endereço. Clique no link abaixo para ver o novo blog e fazer sua aposta: 

http://blogdotorero.blogosfera.uol.com.br/

Por Torero às 15h25

Farei uma plástica

Sim, é verdade, caros leitores. E farei a plástica agora!

Mas não no rosto, na barriga ou noutra parte imperfeita de meu corpo, e sim neste blog. Ele ficará de cara e endereços novos.

 

Por Torero às 15h23

16/09/2010

Corinthians, o quase-líder

Grande jogo.  Foi uma final. Nervosismo, boas jogadas, empenho de ambos os lados.

O Fluminense começou dominando e poderia ter aberto o placar. Conca e Deco formam um bom par de meias, sem trocadilho.

Porém, aos poucos, o Corinthians foi ganhando espaço, criando chances, e Jucilei fez um belo gol. 

No segundo tempo, a partida continuou boa. E os voladores (mistura de volantes com armadores) do Corinthians fizeram seu trabalho muito bem, tanto que saiu o segundo gol.

O Fluminense até diminuiu, mas foi pouco e não mereceu mais.

Quanto aos outros jogos, o Santos conseguiu uma bela virada sobre o Atlético-GO. No começo do segundo tempo perdia de 2 a 0, mas virou para 4 a 2. Neymar de novo criou polêmica. Se não tomar cuidado, pode virar uma esdpécie de Edmundo, um jogador talentosíssimo que teve uma carreira menos brilhante do que poderia ter tido. Mas, é claro, ainda é cedo e ele tem tudo para não degenerar.

O Cruzeiro se aproximou da liderança. Está a apenas um ponto da desejada das gentes. Mas quase tropeçou, pois aos 29’ do segundo tempo, o Guarani empatou. Então o time mineiro engatou a segunda marcha e marcou duas vezes.

O Palmeiras, em dois belos lances de Marcos Assunção, ganhou do Grêmio. O time de Felipão aprendeu a marcar.

O Goiás venceu, e bem, o Botafogo no Serra Dourada. 4 a 1. É bem verdade que, quando estava 2 a 1 para o time da casa, o Botafogo perdeu a chance do empate. Mas mais verdade que isso é que o Goiás goleou e se aproximou da saída da zona do rebaixamento. Os nomes e sobrenomes da partida foram Wellington Monteiro e Rafael Moura.

No atlético duelo, o de Curitiba venceu o de Belo Horizonte. E o gol da vitória saiu no finzinho. Luxemburgo tem fazer algum trabalho, em qualquer um dos dois sentidos.

Ceará e Vitória, times do meio da tabela, ficaram no empate.

E o Flamengo conseguiu uma virada no apagar das luzes, como diziam os antigos.

Mas o destaque foi mesmo a vitória do Corinthians, que agora é o quase-líder.

Por Torero às 00h03

15/09/2010

Minhas bonecas

(O palmeirense Alan sugeriu que eu fizesse um texto em primeira pessoa sobre um roupeiro. Como eu já havia feito isso em 2003, republico aqui a coluna) 

Sério? Você quer me entrevistar? Mas eu sou só o roupeiro. Não, é claro que quero falar. Eu adoro falar. E tenho muita história. Já trabalhei até no Botafogo. Por que eu saí? Intriga. Disseram que eu e um menino dos juvenis fizemos coisa ali no vestiário. Mas foi mentira! No vestiário, não. É meu local de trabalho. E eu sou um bom profissional. Bom, não. Superbom! Você quer um café? Eu passo. Não, não passo na meia, não. Bobinho. Tá bom, eu falo da minha vida. Eu adoro falar.

Quando eu comecei? Ih, faz tempo. Tempo demais da conta. Final dos anos 60. Lá em Minas. Eu não era bom no futebol. Nem no gol. Mas sempre ficava vendo os meninos jogarem. Então, quando eles formaram um time na rua, me colocaram como roupeiro. Eu adorei aquilo. Levava a roupa toda para casa e lavava de noite, escondido dos meus pais. Ô tempo difícil! As camisas não eram como as de hoje. Não tinha esse negócio de sintético. Era tudo algodão. Você precisava lavar na mão para elas não ficarem amareladas. Uma a uma, no tanque. E, às vezes, até tinha que bordar um distintivo, um número que despregava. Hoje a profissão é moleza, qualquer um faz o serviço. Mas sem amor. Já viu as camisas todas juntas no varal? Coisa mais linda do mundo!

Então, mas onde eu estava? Ah, meu começo. Um dia, o roupeiro do time da cidade engravidou a filha do presidente e foi mandado embora. Uns conhecidos me indicaram, e o presidente me empregou. No dia que assinei o contrato ele me disse: “Pelo menos com você não vou ter esse tipo de problema”. Não teve. Mas o filho dele até chorou quando me despediram. Daí que vim pro Rio.

Pra mim é o melhor emprego do mundo. Todo dia eu vejo as duas coisas que eu mais gosto. Só porque sou assim não posso gostar de futebol? Claro que posso.

Quando os jogadores se trocam? Abro bem o olho. Mas já acostumei um tanto. Sabe ginecologista? Então, é igual. De ver demais a gente enjoa.

Cheiro de chulé? Gosto. Prefiro suor, mais azedinho. Melhor que isso é ver o time entrando em campo. Nunca tive boneca, eles são as minhas.

Amizades? Fiz muita. Às vezes, encontro meninos que eu criei, que eu ensinei a dar os primeiros passos por aí. Uns fingem que nem me conhecem, mas tem outros que me cumprimentam, apresentam filho, mulher. Se elas soubessem, ai, ai…

Mas ando calminho já tem anos. O nome? Robson. Acompanhei ele no mirim, no juvenil, nos juniores, sempre deixei ele na maior estica! Aí quando subiu para o time de cima, se envolveu com uma maria chuteira que deixou ele sem um centavo. Quem mandou ser burro? Hoje é masters. Eles vão para o interior, e eu vou junto no ônibus. Domingo tem jogo lá em Paracambi.

Claro que eu preferia estar num time da primeira divisão, mas o tempo passa. É rápido demais da conta. A água esquentou. Vou lá passar o café. Não, não é na meia. Bobinho.

Por Torero às 07h16

A maldição de Barrabás

E parece que Barrabás está realmente amaldiçoado. Não o própio, mas o meu livro O Evangelho de Barrabás. Provavelmente os deuses não querem que ele seja lido por ninguém.

Há duas torerotecas o prêmio não sai. E nas duas vezes os leitores/palpitadores tinham que acertar apenas cinco jogos, ao invés de seis, como na toreroteca tradicional.

Desta vez, Mauro Amoedo, Márcia Teixeira e Marcos, de Maceió, chegaram perto, mas erraram por um joguinho só.

Sexta-feira teremos nova toreroteca. Veremos se é o fim da maldição.

 

Por Torero às 07h14

13/09/2010

Eu, o massagista

Esse aqui está todo duro. É novo ainda. Deve ter uns 20, 21. Com esses eu tenho pouco trabalho. Pior é com o que já passaram dos trinta. São meio moles e cheios de dores. A gente nem pode encostar que o cara já vem com ai, ai, ai.

O de hoje nem geme quando eu aperto mais. Quanto será que ele ganha por mês? Aposto que ganha mais do que eu num ano. Futebol não é coisa justa. Se não fosse eu, eles não iam ser tão serelepes em campo. E tem muita coisa que eu que conserto. Vem o médico e não faz nada, aí eu pego, tiro o nó do músculo do cara e ele volta a jogar bem. Mas nem me dão uma gorjeta. Emprego duro esse.

O pior é agüentar as piadas no bar: “E aí, alisou muito homem hoje?”. Bando de babacas. No fundo eles têm é inveja, porque eu convivo com um monte de jogador de futebol. Já vi passar um monte de craque por aqui. Eles vêm, vão, e eu continuo.

Podia ter aberto uma clínica, uma salinha, ou atender a domicílio. Pode ser que ganhasse mais. Onde pega é que eu gosto disso aqui. Sei tudo quanto é história. Sei quem está contundido de verdade e quem está fingindo. Os caras contam os segredos todos para mim. Se eu fosse fofoqueiro e viesse um jornalista me entrevistar, podia acabar com carreira de um monte de jogador. Um monte.

Mas sou boca de siri. De confiança. Chapa mesmo. Até já emprestei dinheiro para juvenil. Depois o cara ganhou um monte de bufunfa e só pagou o que emprestei. Nem um jurinho.

Esse aqui é caladão. Deve se achar o bonzão, nem fala com o massagista. Só de raiva vou tacar o cotovelo no músculo do cara. Arrá!, gemeu, hein? Isso é para aprender. Não, não devia ter feito isso, foi maldade. O padre Miguel não ia aprovar. Grande padre Miguel! Se ele me visse passando a mão em homem, ia dizer que isso não era certo. Ou não, que ele era meio estranho.

Ah, meus tempos de coroinha... Quem ia dizer que eu ia ser massagista?

Será que o padre Miguel já me viu na tevê? Às vezes eu apareço. Quando vou socorrer um jogador corro bastante, só para impressionar. Mas nos últimos tempos está difícil de correr. Pelo menos vou andando rápido. Com a toalha no ombro para dar uma classe. Mas teve o dia em que eu tropecei e caí. Rede nacional. O Brasil todo viu. Foi uma gozação lá no bar. Tudo inveja. Aposto que eles queriam estar aqui no meu lugar.

Sei da vida de todo mundo. Eles se abrem comigo. Só esse é que não. Eu bem que podia ter sido jogador. Aí eu que ia estar aqui, no bem bom, com um cara me passando óleo. Mas eu era grosso, fazer o quê?

Xi, esse aqui está quase dormindo. Também, ganhando esse dinheiro todo, tem que relaxar mesmo. Vou dar mais um aperto. O cara vai reclamar, mas eu vou dizer que isso aqui não é diversão, é massagem de homem. Se ele quiser massagem de sacanagem, tem que pagar duzentão. A piada é velha mas funciona. Tirando aquela vez que um jogador meio boiola disse que pagava os duzentão. Eu estava fazendo a massagem na coxa do cara e de repente vejo que o sujeito todo animadão. Saí da sala na hora. Eu sou é homem. Só não casei por azar. Ou sorte, que mulher fala demais.

Eu queria mesmo era ser massagista de time feminino. Aí sim, os caras iam ficar com inveja.

No bar tem uma foto de uma vez que o time foi campeão. Tem uns vinte anos. Eu estava do lado do técnico. Quando me enchem o saco, eu aponto a foto e digo: “sou eu que estou lá, não é você”.

Ah, bom mesmo era o tempo em que o massagista saía na foto do time.

 

Por Torero às 09h36

12/09/2010

Sempre aos domingos

 
 

Sempre aos domingos

 

 

grande cara, amigo de todos, síndico, presidente do time, na quermesse canta o bingo. de manhã lê o salmo, depois deixa a mulher na feira e vai pro botequim. conversa vai, conversa vem, sempre acaba meio bêbado, conta o passado glorioso. um dia fui num navio. na corrida, peguei com a esquerda, no ângulo. na época nenhuma escapava. meti a mão nos quatro sozinho. ganhei dinheiro, perdi, a casa eu deixei pros meus pais, meus filhos nunca mais vi. nessa hora sempre pára, morde o ovo colorido, joga o sal, com o indicador e o polegar pede outra dose. meus filhos nunca mais vi. a talagada. bate na barriga. ajeita a camiseta. o chinelo. na parede o retrato da seleção de 58. também, não sei pra quem aqueles desgraçados puxaram.

 

Texto: Luiz Guilherme Piva

Ilustração: André Bernardino  

Por Torero às 01h13

10/09/2010

Toreroteca divina II - A missão

Como ninguém ganhou na semana passada, vamos repetir a dose. Outra vez escolherei cinco (e apenas cinco) jogos divinos.

Para começar, Corinthians x Grêmio, por conta das cartas aos coríntios, no Novo Testamento (na qual o apóstolo Paulo já faz menção ao novo estádio, a terra prometida).

Depois, Botafogo x São Paulo (para quem não sabe, São Paulo foi o Duda Mendonça do cristianismo). 

Palmeiras x Vasco, o clube da cruz de malta (símbolo dos guerreiros cristãos). 

Ceará x Santos, time que, com mil diabos!, ontem perdeu no finzinho.

E, por fim, Avaí x Cruzeiro,  pois o time mineiro tem a cruz no nome.

Meus palpites são: Corinthians, empate, Palmeiras, empate e Cruzeiro.

O prêmio é o mesmo da semana passada, este aqui:

  

Com o autógrafo dos autores, é claro.

Palpite já!

Por Torero às 08h46

09/09/2010

O suicídio do Moto Club

 
 

O suicídio do Moto Club

Por Marcio R. Castro

 


O Moto Club, ao lado do Sampaio Corrêa, é (ou era...) o maior clube de futebol do Maranhão. Um dos mais importantes times do Nordeste, dono de 24 títulos estaduais e de uma torcida apaixonada.

Infelizmente, o Moto fechou seu departamento de futebol profissional no último dia 27 de agosto. A alegação da diretoria, obviamente, é a falta de recursos financeiros.

Tive conhecimento dessa triste notícia pelo blog do jornalista Flávio Gomes, que indicou o texto "Morre o Moto", de Luiz Antônio Simas (blog "Histórias Brasileiras").

Peço a todos que leiam o belíssimo texto do professor Simas. Nele, o autor se indigna com "mais esse capítulo da transformação do futebol brasileiro em um ramo do big business, da consolidação dos clubes como valhacoutos de escroques travestidos em empresários e da proliferação de jogadores-celebridades desvinculados da história e das tradições dos times".

Tem muito mais, vejam lá, mas em resumo morre o Moto porque morrem, cada vez mais, as boas tradições, em nome do que se diz novo e moderno. Mais do que isso: morre o que deveria ser eterno pelo apreço ao fugaz, pelo consumo despropositado, pela força destruidora dele, sempre ele, o Mercado.

Tudo isso é realmente verdade, julgo eu, mas certamente não é toda a verdade. A verdade, se é que ela existe, é sempre mais cinza.

Luiz Antônio Simas escreveu um texto com alma, lírico, cheio de sentimento e, como já disse, verdade. Porém, seguem algumas considerações, intencionalmente frias e sem brilho, que misturam o preto e o branco em busca de algo mais cinza. E, ainda que menos poético, também real.

Afinal, por que morre o Moto e não o Sampaio Corrêa? São ambos os mais fortes clubes do Maranhão, com torcidas, tradições, conquistas e histórias equivalentes, não são? Por que morre um e o outro não?

Aliás, por que morre o Moto e não o Bacabal? Nesse caso, então, a comparação é quase indevida. Mas é justamente o time da capital, o mais poderoso e rico que está fechando, não o modesto. Por quê?

Crise financeira, pelo que pude me informar, atinge a todos no futebol maranhense, dos grandes aos pequenos. Mas como não são todos os que fecham as portas, fica claro que a crise do Moto também é política, administrativa, técnica, de planejamento e, até, de criatividade. Pasmem, o resultado foi o rebaixamento do Moto Club à série B do estadual.

Apesar disso, não podemos ignorar que a confusão é generalizada e institucional no futebol maranhense. Escândalos, manipulação de resultados, falta de dinheiro. O atual campeão, o JV Lideral, pediu desligamento da Federação (parece que voltou atrás, se embananou...) e outros três clubes estariam pensando em também desistir do futebol profissional.

A grita é geral contra a Federação Maranhense de Futebol, acusada de promover competições mal-organizadas e deficitárias, além de não apoiar devidamente seus associados. Vale lembrar que são os próprios clubes que elegem seus representantes na Federação e que, sem dúvida, o Moto Club tem enorme influência política.

Mas por que o Moto, como um dos mais importantes clubes maranhenses e líder natural de todos os outros, não começou uma revolução no futebol do estado? Por que não juntou forças com os demais times e propôs a criação da Liga Maranhense, por exemplo? Por que não se articulou em grupo com seu pares para organizar o próprio campeonato, o próprio calendário, o próprio destino?

Poderia ter iniciado esse processo sem litígio nenhum, chamando a Federação e todos os interessados para a mesa. Elaborando, em conjunto com os demais, planos de melhorias esportivas, programas de adequação e conservação dos gramados e da iluminação dos estádios, estudos sobre a utilização dos recursos das leis de incentivo ao esporte, mais e mais maneiras de atrair o torcedor e muitas outras iniciativas. Um projeto ambicioso, mas com o pé no chão, gradativo, sem fórmulas mágicas.

A partir disso, com a criação de uma liga de fato e tudo o que isso implica, seria saudável parar de vilanizar o tal do Mercado e, melhor ainda, atraí-lo para o benefício de todos. Negociar contratos em grupo, criar novas oportunidades comerciais, estabelecer outras vertentes de patrocínio, trabalhar o licenciamento de marcas e produtos são só algumas das possibilidades que proporcionariam melhores condições econômicas às agremiações.

Fazer isso, com critérios e princípios, respeitando os torcedores, não é se render a quem quer que seja. É, pelo contrário, uma maneira de perpetuar a história de um clube. Numa outra realidade, mas que serve de exemplo à nossa, não me parece que Barcelona, Liverpool ou Milan estejam perdendo suas tradições por fazerem isso. Estão, na verdade, as ampliando.

Nada disso aconteceu. Não houve competência, nem iniciativa, muito menos visão e atitude de vanguarda. É por isso que as tradições do Moto Club não foram honradas. O Moto não morre "em nome da gestão empresarial, da modernização dos estádios, do estatuto do torcedor". Essas e outras coisas, ainda que sejam sinais de tempos menos românticos e encantados, o fariam viver melhor, preservariam "a aldeia, a terra, a comida da terra, a várzea, a esquina e o canto de cada canto".

O Moto Club não morreu, professor. Ele se matou.

 

Marcio R. Castro é palmeirense.

Por Torero às 08h50

Dois lançamentos

 

 E este será lançado amanhã, em Santos, na Livraria Realejo (Rua Marechal Deodoro, 2, Gonzaga), a partir das 18h30.

Por Torero às 08h42

08/09/2010

Contos eróticos

Eu não gosto muito de livros de contos. Geralmente eles não são feitos para formar um livro, algo com unidade, de modo que há muitos que são um samba do crioulo doido, com cada conto apontando numa direção e não levando a lugar nenhum.

Não é o caso de “Contos Eróticos”, de Luiz Vilela.

Ele tem uma unidade de tema e de estilo que faz com que o livro seja realmente um livro, uma obra orgânica.

E os contos são muito bons (a não ser que você espere encontrar descrições de grandes orgias). Eles mostram cenas em que o sexo é o assunto principal, e isso é tratado com sutileza, boas surpresas e ótimos diálogos.

Há, por exemplo, a confissão de um jovem em que percebemos que o padre é que está pecando ao querer ouvir cada detalhe, um flerte entre dois primos que se reencontram já maduros, um tio safado que recebe a sobrinha no hospital, a briga de um casal que termina em sexo, um garoto que vê uma moça tomando banho etc...

Climas, cenas e histórias muito boas.

Luiz Vilela não é um inovador, mas um escritor com grande domínio da técnica do romance. Eu o colocaria entre os cinco bambambãs no gênero na literatura nacional.

Mas, estranhamente, ele é pouco badalado.

E acho que sei o motivo: ele não é um bom personagem.

Atualmente, para que um escritor seja interessante para a imprensa, ele é que tem que ser interessante, não o livro.

Como a maioria dos textos sobre literatura passou a ser feita por jornalistas e não mais por críticos, e como os jornalistas naturalmente buscam contar uma história, a vida dos escritores cresceu em importância, em detrimento da sua obra.

Nisso, Luiz Vilela sai perdendo, porque não tem uma vida especialmente interessante. Ele mora numa cidade média no interior de Minas (um sítio isolado seria muito mais charmoso), não é nem um octogenário nem um jovem em seu primeiro livro, não é uma bela mulher, o que ajudaria muito, não tem uma profissão curiosa (como compositor ou apresentador), não se diz mago, não é um agitador cultural nem é do tipo internético que tem twitter, facebook, orkut, blog e afins. A única coisa que ele faz é escrever bem.

E isso, hoje em dia, parece ser pouco.

Por Torero às 09h39

07/09/2010

A verdade sobre o Grito

(Em homenagem a este nobre dia, republico aqui um texto que conta como foi realmente proclamada a independência no Brasil)

 

Quando fazia as pesquisas para meu primeiro livro ("O Chalaça"), um romance histórico que tem como protagonista o secretário particular do primeiro imperador do Brasil, deparei-me com um documento surpreendente: uma carta de dom Pedro 1º para sua amante Domitila de Castro Canto e Melo, a marquesa de Santos.

Tais papéis contavam uma nova versão para a independência do país.

Tratava-se de uma revelação tão retumbante que, confesso, tive receio das possíveis repercussões e a omiti.

Porém, passados 15 anos do livro e quase 200 desde o Dia do Grito, finalmente tomo um gole de coragem e trago a público esta importante página da história pátria:

"Titília, minha querida, nestes dias aconteceram coisas mui divertidas que não posso deixar de te contar. Tudo começou quando voltávamos de Santos. Estávamos ao lado do riacho Ipiranga quando o Chalaça espreguiçou e disse: 'Bem que podíamos dar uma parada e jogar uma partidinha de futebol'.

"Imediatamente aprovei a ideia e ordenei à comitiva que desmontasse dos burros. Por sorte havia dois pares de palmeiras que nos serviriam perfeitamente de traves. Porém, havia um problema. Não estávamos em 22, mas apenas em 13. Então mandei que o Chalaça fosse convidar nove homens entre os camponeses que estavam ali perto a nos observar. Como não se nega um convite do príncipe regente, logo tínhamos onze de cada lado. Um dos times, só com os portugueses da comitiva, ficou escalado assim: Joaquim; Manuel, Joaquim Manuel, Manuel Joaquim e Manu; Quim, Manuelzão e Quinzinho; Maneco, Quinzão e Jota Eme.

"No outro ficamos o Chalaça, eu (de goleiro, é claro) e os nove brasileiros. Não lembro de todos, mas sei que havia um de pernas tortas, um de fartos bigodes, um que possuía um nome grego (talvez Sófocles), um branco alcunhado de Galinho e um negro chamado Nascimento.

"Mal começou a peleja e vi que seria um passeio. Os brasileiros trocavam passes com tanta maestria que mais pareciam bailarinos. Penetrávamos na defesa adversária como se fôssemos faca e ela, manteiga. Eu não precisei fazer uma defesa sequer e fiquei encostado numa das palmeiras assistindo ao espetáculo.

"Os nossos golos brotavam naturalmente, e o primeiro tempo terminou com o redondo placar de 10 a 0. Foi então que minha comitiva, irada por perder de forma tão vexaminosa, cercou-me e exigiu que eu e o Chalaça deixássemos o time dos brasileiros e passássemos à equipa dos lusitanos. 'Teu dever é defender Portugal', diziam eles.

"Pensei em como seria terrível enfrentar aquela equipa e não tive dúvidas, ergui a bola e gritei: 'Pelo meu sangue, pela minha honra, pelo meu Deus e pelo meu time, juro promover a liberdade do Brasil! Independência ou morte!'

"O jogo continuou e terminamos ganhando por 23 a 1 (o Chalaça fez um golo contra).

"Pois bem, minha Titília, esta é a verdadeira história da Independência do Brasil. Mas, pensando no futuro, creio que vou inventar uma versão menos prosaica, com soldados, espadas e cavalos brancos. Um beijo do teu imperador e goleiro, Pedro."

Por Torero às 09h45

06/09/2010

O estado dos estados

Como enjoei um tanto de olhar sempre para as mesmas tabelas de classificação, resolvi bolar uma outra, uma tabela estadual.

A idéia é ver quais os estados dos estados nos campeonatos brasileiros das Séries A e B. Para isso, somei os pontos dos clubes de cada unidade da federação e dividi pelo número de times. Mas só considerei os estados que tenham pelo menos dois clubes.

Vamos às colocações:

Em último lugar, em estado de calamidade, está Goiás, que tem a pífia média de 15,6 pontos por time. As suas três equipes: Goiás, Atlético e Vila Nova, estão na zona de rebaixamento. Se as coisas continuarem assim, 2010 pode ser um ano triste para os goianos.

Na penúltima colocação, em estado de emergência, vem, surpreendentemente, as poderosas Minas Gerais. Cruzeiro e América estão bem, mas Atlético-MG e Ipatinga, ambos na zona de rebaixamento, afundam a média dos mineiros, que fica em modestos 23,25. Bem acima dos goianos, mas longe da tradição do seu futebol.

Na antepenúltima posição está o Rio Grande do Sul.

Curiosamente, os gaúchos só têm times na primeira divisão. Suas equipes médias, como Caxias, Brasil de Pelotas e Juventude, estão na Série C (e, pior que isso, estão mal na Série C, onde ocupam as três últimas posições num grupo de cinco, liderado por dois catarinenses). O Internacional vem com uma boa pontuação, mas o Grêmio, às portas da zona do rebaixamento, estraga a média estadual, que fica em modestos 25,5.

A Bahia vem um pouco melhor. O Vitória tem 22 pontos e vem caindo desde que perdeu a final da Copa do Brasil. Já o Bahia está na quarta posição da Série B, com 31 pontos. É um estado interessante, pois em 2011 tanto pode ter dois na Série A quanto dois na B.

O estado do Ceará vem, em estado de necessidade, na sexta posição. O Icasa ocupa  o décimo lugar e o Ceará, outrora vice-líder, vem caindo pelas tabelas e já é o décimo-primeiro colocado, estacionando nos 25 pontos, o que deixa o estado com a modéstia média de 26.  A necessidade do Icasa e do Ceará é reagir urgentemente, para que um mantenha o sonho de subir e o outro, de não cair.

A quinta melhor unidade da federação é a poderosa São Paulo. Seus 12 times nas Séries A e B têm 26,8 pontos em média. Alguns, como Corinthians e Ponte Preta, puxam o estado para cima, mas Grêmio Prudente e Santo André o empurram para baixo. É claro que, se contarmos o número de times, São Paulo ganha fácil. Mas a ideia desta tabela é menos fácil, é ver o equilíbrio dos clubes no estado.

O Paraná vem bem, na quarta posição, graças ao Coritiba, vice-líder da B, e ao Atlético-PR, que se recupera na A, depois de parecer fadado ao rebaixamento. Apenas o Paraná prejudica o Paraná, pois tem humildes 24 pontos.

O Rio de Janeiro, depois de atravessar anos de tempestades e vendavais, e de ter vários times rebaixados, parece estar se recuperando. O Fluminense é o líder da Série A e o Botafogo está entre os primeiros. Vasco e Duque de Caxias estão pelo meio das tabelas e o Flamengo, que ontem poderia ter vencido o Santos, é o pior dos fluminenses, com apenas 22 pontos. A média do estado é 28,6.

Pernambuco, com dois times na B, é o segundo melhor estado nesta competição, com a média de 29 pontos. Náutico e Sport têm chances de voltar à A. Mas, é bom lembrar, Pernambuco é o único estado nesta lista que tem times apenas na segunda divisão.

A dianteira nesta estranha e inútil tabela é ocupada por Santa Catarina. O Figueirense acabou como líder do primeiro turno da B, e o Avaí não está mal na A. É verdade que o time de Guga vem caindo nos últimos jogos, mas ainda está numa posição decente. A média dos dois clubes é de 29,5.

No ano que vem, Santa Catarina pode ter dois clubes na primeira divisão e dois (Chapecoense e Criciúma) na segunda. É um estado em estado de graça.

 

Por Torero às 09h58

04/09/2010

Confissão em homenagem ao Centenário do Corinthians

 
 

Confissão em homenagem ao Centenário do Corinthians

Texto de Nathan Malafaia

Recordo-me que, antes mesmo de entender o que era futebol, eu já torcia para o Corinthians: herança passada de pai para filho - como tantos por aí. Mesmo jogando bola nas ruas de terra do bairro do Golfinho, em Caraguatatuba, o menino que eu era no início dos anos noventa ainda não possuía o fascínio pelo futebol que o adulto de hoje tem. Sabia que era gostoso ir para a rua jogar com o meu irmão Artur, com vários amigos do bairro, e com o tio Edi, que tanto me paparicava - e que, em meio aos moleques, se sobressaía, não só por seus quase 20 anos, mas também por sua habilidade.

Meu tio Edi era o caçula de cinco filhos, irmão de minha mãe. Embora fosse santista, meu querido e finado avô Francisco não conseguiu fazer com que qualquer de seus filhos o seguisse na paixão clubística (diferentemente do que aconteceu com meu pai, Eduardo): a tia Rosa, mais velha, virou corinthiana; minha mãe, Rose Mary, palmeirense (mas depois decidiu dar um passo a frente e virou ponte-pretana); o tio Gil, corinthiano, como a tia Ana. E o tio Edi deveria seguir pelo mesmo caminho - mas algo o desviou. Insondável como é a escolha de um time, ele preferiu dedicar sua torcida ao São Paulo.

Meu avô foi, durante muitos anos, feirante, e meu tio Edi trabalhava com ele. Trabalhavam com roupas, entre elas, também estavam os uniformes dos clubes. Lembro-me certa vez que o meu tio Edi foi presentear a mim e ao Artur com uniformes; entretanto, escondeu-os atrás do corpo. Perguntou se queríamos, independente de ver, ao que respondemos: “queremos, se for do Corinthians!”. Meu tio não deixava nem mesmo meu pai ver os uniformes - que eram, afinal, do Corinthians mesmo. Como dito acima, meu tio Edi me paparicava bastante (à época, eu era o mais novo dos seus sobrinhos homens), vivia me elogiando, quando jogávamos bola (logo eu, que nunca fui grande coisa com a bola nos pés). Uma época, eu estava com certa habilidade no gol, e cheguei a ganhar um par de luvas dele. Sempre engraçado e brincalhão, eu tinha (e tenho hoje, embora já não igual ao de uma criança) um grande amor pelo por ele.

E certa noite ele tentou se aproveitar disto: disse, a mim e a meu irmão mais velho, que, se trocássemos o Corinthians pelo São Paulo, nos daria um uniforme completo do tricolor. Meu irmão não topou (nunca perguntei a ele nada sobre isto); eu, depois de muita insistência, aceitei. Afinal, seria muito legal torcer para o mesmo time que o tio Edi, que eu tanto adorava.

Na hora de dormir, deitei-me e fiquei na cama acordado; o tempo passava e percebi que algo me incomodava. Além de teimar em não pegar no sono, minha mente não conseguia esquecer a promessa feita ao tio, e o seu significado: torcer pelo São Paulo significaria...  Não torcer pelo Corinthians. Ainda que eu, do alto de meus seis anos de idade, não acompanhasse o futebol de perto, já tinha no peito um grande amor pelo meu time. A única saída que eu tive diante daquela situação foi chorar, pois eu percebi que não queria ser são-paulino - o que eu queria era apenas agradar meu tio. Mas não havia espaço para o São Paulo no meu coração.

Pois ele já era corintiano, como sempre será. E só me restou pedir desculpas ao meu tio pela promessa que não poderia cumprir.

 


Nathan Malafaia, obviamente, ainda é corintiano.

Por Torero às 09h10

Sobre o autor

Formado em Letras e Jornalismo e quase formado em Cinema, é autor de treze livros (como "O Chalaça"), escreveu roteiros para cinema (como "Pequeno Dicionário Amoroso") e para tevê ("Retrato Falado").

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