Para ler o texto de hoje na Folha de S.Paulo (que é o Paulistão City, bem conhecido aqui no blog), assinantes da Folha e do UOL podem clicar aqui.
Por Torero às 16h56
Com vinte anos você é só agitação e hormônio, mas ele é calmo como um monge zen-budista.
Com vinte anos você é ansioso e um tanto atrapalhado, mas ele jamais se afoba ou desespera.
Com vinte anos você ainda tem medo que lhe deem um apelido ridículo, mas ele se apresenta assim: “Pode me chamar de Ganso”.
Ontem, no jogo entre São Paulo e Santos, os olhos direitos dos torcedores estavam voltados para Robinho e os esquerdos para Neymar. Mas, mesmo vesgos, pudemos ver a classe de Paulo Henrique Ganso.
É impressionante como ele mantém a serenidade mesmo quando cercado por quatro adversários. Sua tática é proteger a bola dando uns toquinhos sutis, feito gato brincando com bola de papel, e assim atravessa a defesa adversária ou encontra a brecha para dar o passe preciso.
Mesmo nas entrevistas Ganso mostra uma tranquilidade de ministro da economia. Suas frases nunca têm pontos de exclamação, ele jamais força o riso nem se preocupa em fazer frases de efeito. É sempre ponderado. Tão novo e o terno já lhe cai tão bem.
Poderia ser um jovem executivo, tamanho seu equilíbrio e sua rapidez em tomar decisões. Não, um executivo, não. Ele está mais para neurocirurgião, pois mesmo nos menores espaços consegue fazer manobras difíceis, volteios complicados. Contra o Santo André, marcou o gol da vitória com calma de artesão chinês: recebeu a bola na linha da pequena área, matou e deu um toquinho por cima do goleiro. Fez o que todos sabem que tem que ser feito, mas poucos conseguem fazer. Contra o Rio Branco, na abertura do Paulista, fez um gol parecido depois de receber a bola de Giovanni.
Isso de ter calma na pequena área é coisa para poucos, coisa para quem tem pensamento rápido e pés habilidosos. Se quisesse, Ganso poderia fazer tricô com os dedos dos pés.
Ontem ele teve um belo duelo com Hernanes e ganhou. Por pouco, mas ganhou. E Hernanes não é qualquer um. É inteligente, eficiente na marcação e na armação, um jogador de seleção.
Mas Ganso, frio como um agente secreto inglês, não teve medo, usou suas armas secretas e venceu o duelo. Aliás, falando em duelo, se fosse um caubói, Ganso jamais deixaria uma gota de suor nervoso escolher pelo rosto.
Ganso é tranqüilo como um cisne num lago.
Por Torero às 08h26
Cara leitora, imagine-se na seguinte situação: seu esposo, seu amado esposo, fugiu com uma espanhola, deixando saudades em você e nas crianças. Para piorar, lá pelas Europas ele flertou com várias e trocou a espanhola por uma inglesa feia, daquelas branquelas de nariz adunco e olhos vesgos. Porém, após um tempo, ele se enfada e diz que quer voltar para você, para seu primeiro e verdadeiro amor.
O que você faria? Expulsaria o adúltero, dizendo não querer vê-lo nem pintado de ouro? Faria ar de difícil, dizendo que pensaria no caso? Ou o aceitaria de volta?
É claro que o aceitaria! E nem teria opção. Mulher apaixonada não pensa duas vezes. Nem uma. Mesmo que ele dissesse que vinha por uns dias, por um fim de semana para pegar uma praia, você estenderia o tapete vermelho, levaria café na cama com melãozinho cortado, vestiria camisola roxa de cetim
(Para ler o resto do texto sobre o jogo que marcou a volta de Robinho, assinantes podem clicar aqui)
Por Torero às 08h24

Mesmo quem não viu, verá. E muitas vezes. Ele será repetido à exaustão. Quer dizer, à exaustão, não, porque jamais nos cansaremos de vê-lo.
Dois jogadores ficaram no chão, um terceiro sofreu uma torção na coluna, e ele chutou entre as pernas de um quarto. Tudo no espaço de uma cozinha de quitinete.
Com um ano de profissionalismo, Neymar é hoje o jogador no Brasil que eu mais gosto de ver jogar. Não porque está no time para o qual eu torço, mas porque há sempre a promessa de um lance surpreendente, de uma imagem inesquecível.
Será que Dunga já pensa em chamá-lo? Seria ele um jogador promissor para se levar à África do Sul, como Kaká ou Ronaldo, que também foram jovens à sua primeira Copa?
E ele entraria no lugar de quem? Do próprio Robinho?
Já prevejo dramas shakesperianos, enredos de novelas mexicanas.
Por Torero às 08h02
Acontecerá amanhã de manhã, no Museu do Futebol, novo encontro do pessoal do Memofut, uma turma muito bacana que se encontra para contar e recontar as histórias do nosso valoroso ludopédio.
A agenda de palestras de amanhã é a seguinte:
Das 9:45h às 10:30h, Zeca Marques vai falar sobre "O Futebol em Nelson Rodrigues".
Das 10:30h ás 10:45h, Gustavo Carvalho lembrará de "Wilson Mano, o coringa".
10:45h/11h15: Intervalo
Das 11:15h às 11:45h, Moacir Andrade vai falar sobre o caricaturista Miécio Caffé, que desenhou muitos ídolos do futebol.
E, das 11:45h às 12:15h, Alexandre Adolpho vai fazer um breve histórico das competições da Conmebol, da Libertadores à Recopa Sul-Americana.
É uma turma interessante, vale a pena ver.
Por Torero às 07h24
Acontece no Cinusp uma mostra interessante de filmes boleiros. E com entrada gratuita. Abaixo, os títulos e horários:

CINUSP "Paulo Emílio"
Rua do Anfiteatro, 181 - Colméia - Favo 4 - Cidade Universitária - São Paulo - SP
Sessões de segunda a sexta às 16h e 19h.
100 Lugares - Entrada Franca.
Por Torero às 15h24
Nos tempos de escola, sempre que a gente voltava das férias tinha que escrever uma redação com este tema.
Pois bem, para lembrar dos tempos de antanho, vou contar o que fiz nas minhas férias do futebol.
Para começar, fiz como o Leandro Siviero, de Londrina: arrumei coisas pendentes em casa (algumas pendentes no sentido físico). Troquei lâmpadas, liguei na prestadora telefônica para reclamar de tarifas extras, mexi na assinatura de tevê, mandei lavar o carro, fiz aquela moto encostada pegar, mandei enquadrar aquele pôster, comprei um filtro novo etc...
Mesmo assim sobrou um bocado de tempo.
Então joguei um bocado de Winning Eleven (como o Armando Alves), assisti a vários filmes (como o bugrino Luiz Nery) e li alguns livros, como Diego Sampaio. Ele recomendou "A História das camisas dos maiores times do Brasil". Eu recomendo “Albatroz azul”, do João Ubaldo Ribeiro.
Não cheguei a fazer como o Guilherme, que montou um quebra-cabeça de 1000 peças, e nem recorri aos campeonatos europeus que passam na tevê, como a Camila. Sou mais um Atlético de Alagoinhas que um Atlético de Madrid.
Confesso que fraquejei e segui o conselho do Luciano, ou seja: comi muito. Mas em compensação corri, segundo as minhas imprecisas contas, uns 130 km. Isso até que nem gasta muito tempo, só umas treze horas. Mas gastei mais horas que isso para me recuperar. A cada corrida são vários minutos de caminhada para voltar a respirar decentemente um banho longo para o cérebro tornar a funcionar e, como isso não acontece, quase sempre tenho que tirar uma sonequinha. Ah, a velhice...
Enfim, recorri a vários artifícios para passar por este mês sem futebol. Mas, para sorte dos meus vizinhos, não fiz como o Célio Angeloni, que monta sua bateria na sala, coloca um vinil e faz um dueto com o Miles Davis.
Mas é uma boa idéia para o ano que vem.
Por Torero às 10h09
Para quem não conhece, esta é a nova camisa do Corinthians:

Eu achei bonita, apesar do tom levemente fúnebre, talvez impróprio para um centenário.
Mas o Cleiton Félix não gostou e enviou uma justificativa e uma sugestão:
"Torero, você deve estar a par da polêmica sobre a nova camisa III do meu glorioso timão, certo? A primeira vez que eu vi achei que parecia um caixão... Fiquei pensando como a atual direção de marketing que está dando um show desde quando assumiu foi dar uma bola fora destas...
"Pois bem. Ontem eu vi uma entrevista do gerente de marketing do Corinthians e o mesmo estava explicando que a cruz faz referência à São Jorge. Já comecei a ver c/ outros olhos e achei a idéia bem bacana... ano do centenário... time de guerreiros, e tals... só que falharam em duas coisas: 1) não ficou bem claro a história do São Jorge e; 2) a bendita cor roxa que a torcida (na verdade a Gaviões) não gostou...
Desta forma, aproveitando a idéia da cruz e respeitando a tradição no ano do centenário, fiz uma pequena alteração e gostaria de saber sua opinião (arquivo anexo). Acredito que se a camisa ficasse parecida (e se fosse bem explicado) cairia na graça do torcedor. Sei que ficou meio tosca mas é por culpa da falta de ferramentas de edição de imagem (e tá bom, um pouquinho de falta de talento de quem vos fala tbém...)
Cleiton Félix.
(PS: Se alguém tiver novas sugestões, mandem aí)
Por Torero às 16h18
O leitor Sylvio Ferrer repassou-me o endereço de vários clássicos que estão no Youtube. Vou publicá-los de dez em dez.
SELEÇÃO FRANCESA 2x7 PAULISTANO, EM 1925, AMISTOSO EM PARIS COM FRIEDENREICH
http://www.youtube.com/watch?v=D1kXX1nfXTk
BRASIL 6x5 POLÔNIA - OITAVAS-DE-FINAL DA COPA DO MUNDO DE 1938, COM LEÔNIDAS E DOMINGOS DA GUIA
http://www.youtube.com/watch?v=cecyhZCKu1w
BRASIL 2x0 IUGOSLÁVIA - PRIMEIRA FASE DA COPA DE 50, COM ENTREVISTAS A BARBOSA, BAUER E ZIZINHO
http://www.youtube.com/watch?v=nocsH6NSOsA
BRASIL 1x2 SELEÇÃO DO SUL - AMISTOSO EM 1983, COM PELÉ QUE JÁ HAVIA PARADO DE JOGAR DESDE 1977
http://www.youtube.com/watch?v=w58uBRH_9y0
BRASIL 1x0 ESCÓCIA - TORNEIO SESQUICENTENÁRIO DA INDEPENDÊNCIA DO BRASIL, EM 1972, COM GÉRSON, JAIRZINHO, TOSTÃO, RIVELINO E ETC
http://www.youtube..com/watch?v=bJ2EV3c_2AY
BRASIL 1x0 TCHECOSLOVÁQUIA - AMISTOSO EM 1971, COM GÉRSON, TOSTÃO, RIVELINO, ETC
http://www.youtube.com/watch?v=Eliy2TnLpG4
BRASIL 2X2 IUGOSLÁVIA - DESPEDIDA DE PELÉ NA SELEÇÃO EM 1971, NO MARACANÃ - SÓ O HINO
http://www.youtube.com/watch?v=_tJ70D3iBC4
BRASIL 2x1 MÉXICO - AMISTOSO EM 1968, NO MINEIRÃO, COM PELÉ, GÉRSON E JAIRZINHO
http://www.youtube.com/watch?v=Rz2ntNzh5q0
BRASIL 6x2 COLÔMBIA - ELIMINATÓRIAS PARA A COPA DE 70
http://www.youtube.com/watch?v=u-AEcsgitLQ
BRASIL 3x3 IUGOSLÁVIA - AMISTOSO EM 1968
http://www.youtube.com/watch?v=bNNX5-9Zcv0
Por Torero às 08h27
Este é do Fabrício Carpinejar, que escreveu um bom texto sobre os cabelos brancos do técnico do Internacional.
Este é do meu sobrinho Lelê, que fez uma crítica de quatro livros de futebol para crianças.
E este é do meu texto da Folha de hoje, sobre o Robinho (só para assinantes).
Por Torero às 09h53

Ele é um vilão insuspeito. Na verdade, parece até um bom sujeito, um amigo, um protetor. Mas não se enganem, trata-se de um crápula. Um pilantra que atrapalha o jogo, que pratica o antifutebol.
E quem é este ser vil, este personagem perverso?
É o homem da maca!
Sim, meus caros, é isso mesmo que vocês leram na linha acima. O homem da maca é o novo vilão do futebol. Seja ele um dos que têm que carregar o moribundo, seja o sujeito que dirige aquele carrinho de golfe, este é o novo adversário das nossas tardes de domingo.
Ele age principalmente nos segundos tempos. É só o time mais fraco estar ganhando por um golzinho que o homem da maca começa seu serviço sujo, passando a entrar em campo a cada três minutos, roubando-nos o tempo precioso de uma partida de futebol.
Mais malvado que Darth Vader, mais sarcástico que o Coringa.
A cera não foi inventada neste século. Mas antigamente o sujeito só demorava para se reerguer. Hoje a coisa piorou muito. Os jogadores fingem derrames, enfartes, cânceres terminais. De repente não podem mais caminhar. Só o homem da maca pode salvá-los.
Então eles entram naquele seu passo lento, modorrento, paquidérmico, e levam o jogador para dar uma voltinha pelo gramado. Depois, mal sai do campo, o jogador salta do carrinho e já está pronto para voltar. Aquele spray que espirram nas suas pernas deve ser mais um milagre da medicina esportiva. Ou o Gatorade é uma poção mágica.
Eu contei no relógio. As entradas da maca nunca levam menos de um minuto.
É um golpe baixo, antiesportivo, sem a menor classe. Odiávamos isso nos argentinos, agora estamos imitando-os.
No jogo final da Copinha, bastava um vento mais forte e os jogadores do Santos tombavam no chão. Ontem, no jogo entre Sertãozinho e São Paulo, os jogadores do time do interior caíam até por causa de caspa e espinhas.
“Minha unha quebrou, minha unha quebrou, preciso de uma maca!”
"Socorro, socorro, estou com mau hálito!"
E essas coisas acontecem justo no melhor momento do jogo, quando um time está pressionando o outro, quando estamos na iminência de um gol.
Pois bem, há algumas saídas para este mal.
A primeira é a torcida vaiar os fingidos, demonstrando claramente que tudo não passa de arte dramática, e não de um acidente de trabalho.
Os juízes também podem colaborar. Eles têm que dar realmente o acréscimo necessário. Não devem ter medo de pedir sete, oito, doze minutos a mais. O time que recorre a este esquema covarde tem que perceber que a entrada do homem da maca vai mais prejudicá-lo que ajudá-lo.
E, por fim, podemos ter uma mudança na regra: quem sai de campo só pode voltar depois de três ou cinco minutos. Essa idéia, é claro, tem o problema de punir aqueles que realmente se machucam. Mas estes são poucos, bem poucos.
Alguns falsos vilões
Adriano foi um algoz terrível, daqueles que vestem capa preta e soltam uma gargalhada malévola. Pelo menos para o Fluminense. Já para os flamenguistas foi um herói que grita Shazam, transforma-se num superatleta e vence partidas que pareciam perdidas.
Roberto Carlos começou mal. Deu um carrinho para impressionar a torcida e foi expulso. O cartão vermelho poderia ter custado mais caro. Porém, pelo empenho dos dez que ficaram em campo, principalmente pelo do goleiro Felipe, Bob Charles acabou não sendo culpado por uma derrota.
Alguns corintianos podem achar que Wilson Luiz Seneme foi um crápula por expulsar um grande jogador aos oito minutos de uma partida, um jogador que todos estamos ansiosos para ver jogar. Mas Seneme estava certo.
Por Torero às 07h39
Por que você não volta para mim? Por que você não volta para nós? Eu sei que você está infeliz nesta sua nova vida. Volta. Eu vou lhe receber de braços abertos.
Sim, você me abandonou, me trocou por outro mais rico, mais bonito, mas eu não tenho mágoa. O verdadeiro amor perdoa. O verdadeiro amor não tem orgulho. O verdadeiro amor não tem honra, decência nem pudor. O verdadeiro amor se ajoelha, agarra joelhos, chora e implora. Eu não quero dignidade, só quero você de volta. Só quero que você me faça chorar de vez em quando. De alegria ou de tristeza, tanto faz, desde que você esteja aqui. O que adianta você ficar aí na sua mansão, com seu carro importado, se você está triste? O que adianta ficar longe de mim se você não faz o que gosta, se não faz mais o que eu gostaria que você fizesse? Deixa de bobagem e volta para casa.
E daí que eu não sou rico? Aqui tem mar, aí não tem. Aqui você é amado, aí não é. Aqui eu e todos ficamos à sua volta, aí nem ligam para você. É melhor o meu copo de requeijão do que as taças de cristais daí. É melhor o meu fusca do que o Mercedes dele. É melhor o nosso sambinha em caixa de fósforo do que qualquer dessas sinfônicas que tem por essas bandas. Eu sei que você seria mais feliz do meu lado, do nosso lado.
Deixa de bobagem e volta para cá. Nas fotos que saem nos jornais, eu não vejo mais você sorrindo. E você sabia rir tão bem... Lembra de quantas risadas você dava aqui? Aposto que lembra. E também por se lembrar delas é que você é infeliz aí. Fala a verdade: você já teve momentos felizes aí como teve aqui? Fala! Diz para mim! Aposto que não. E a gente ainda pode ter muitos momentos como os que já tivemos. Muitos! Mas aí, com esse outro...
Duvido! Aí vai ser só cenho franzido e siso. Aqui é só gargalhada e riso. Pense bem: para que perder a sua juventude longe de mim? E depois eu vou lembrar de quê? Você vai se lembrar de quê? Eu sonhava com uma velhice em que nós dois lembraríamos os momentos maravilhosos que passamos juntos. Mas agora não teremos mais esses momentos. Você está jogando fora nosso futuro. Volta, antes que seja tarde.
Muita gente cochicha em seu ouvido que o certo é ficar longe de mim, porque eu sou pobre e moro numa cidadezinha à beira-mar. Mas essa gente não vai lembrar de você para sempre. Eu vou.
Deixa de ser bobo e volta, Róbson. Volta a ser Robinho.
Deixe esse Real Madrid e venha para o Santos, para os santistas, para os brasileiros. Sim, eu sei, você vai ter que se contentar com um salário menor, mas dá para viver com R$ 500 mil (eu imagino). É claro que nas europas você ganha mais que o dobro, mas e daí? Você nunca vai conseguir gastar tudo mesmo.
Lembra da torcida gritando seu nome quando você ainda estava no vestiário? Eu sei que lembra. Quando eu o entrevistei na Copa, seus olhos brilharam quando você me contou isso. Lembra dos dribles em cima do Rogério? Das vitórias sobre o Corinthians?
Aqui você foi campeão, foi levantado nos ombros da torcida, enrolou-se na bandeira do time, foi um deus. Aí, foi reserva. Um deus não pode se sentar no banco de reserva, mesmo que ele seja coberto com couro de antílope e forrado com penas de ganso. O seu lugar é correndo pelo gramado.
Você vai ter mais uns dez anos de carreira. E vai lembrar desses dez anos por toda a vida. E lembrarão, ou esquecerão, de você por conta destes dez anos. É a sua eternidade que está em jogo. Você foi para Madri porque queria ser o melhor do mundo. Aqui o pessoal já acha você o melhor do universo. Volta Róbson, volta a ser Robinho!
(Por conta da volta de Robinho, republiquei aqui este texto escrito na Folha de S.Paulo em 15/2/2007)
Por Torero às 16h30
Finalmente fui ver o filme "Lula, o filho do Brasil".
Não é um bom filme.
Há muitas cenas curtinhas para contar a vida do personagem principal, e elas acabam não causando um envolvimento do espectador. Além disso começa falando de Lindu, a mãe de Lula, e depois a abandona para centrar-se em Lula.
Ou seja, o filme não decide qual o seu personagem principal. Ou Lindu deveria continuar aparecendo durante a ascensão de Lula, ou Lula deveria aparecer mais fortemente desde o começo.
Outro problema é que há muitas frases feitas e lugares comuns nos diálogos, e poucos traços do bom humor de Lula.
Ainda quanto aos diálogos, houve uma fala inesquecível: Foi quando o presidente pelego do sindicato entrou num bar e disse: "Aqui só tem brahmeiro". Que mau gosto! Que burrice! O termo "brahmeiro" é novo, e colocá-lo no filme desmancha a autenticidade da cena, sem falar que é um merchandising tão explícito (e dito por um personagem calhorda) que conta ponto contra a marca de cerveja. Prejudica o filme e o patrocinador. A Brahma, que já tinha errado ao fazer Ronaldo dizer que era brahmeiro, erra outra vez com sua sutileza de orangotango.
Enfim, se o PSDB estava preocupado por pensar que o filme poderia servir de cabo eleitoral, estava enganado. Não que "Lula, o filho do Brasil" seja horrível, mas está longe de ser bom.
Por Torero às 07h38
Depois dos 10 km, eu e o biltre Marcelo Lyra, também santista, fomos ver a final entre São Paulo e Santos.
Vimos o Santos abrir o placar com Rwenan Mota, vimos o Santos se encolher, vimos um vergonhoso cai-cai, em que os santistas desabavam no chão a cada falta e pediam a maca, e vimos o juiz Thiago Peixoto ficar acovardado frente ao São Paulo e dar apenas um cartão amarelo para o goleiro Richard, que claramente merecia vermelho.
Depois, vimos o belo gol de empate do São Paulo e Richard defender três pênaltis para ganhar o título.
Sim, o São Paulo jogou melhor. Mas se o juiz não tivesse amarelado, as coisas seriam diferentes.
Por Torero às 07h18
(O insigne Marcelo Lyra pediu um espaço para explicar a prova ao seu modo. Como sou um sujeito democrático, ainda mais com perdedores, coloco aqui o texto que ele fez em resposta ao meu, que está logo abaixo)
Um dia de Cão
Perdão, leitora e leitor do Blog Do Torero. Prometi tentar vencer para fazê-lo voltar a trabalhar, mas não deu. Como sou competitivo, daqueles que não gosta de perder nem para entrar em escada rolante quando abre a porta do metrô, perder uma corrida que demandou treinos e uma taxa de R$ 50,00 equivale ao que senti na derrota para o Corinthians na final do Paulistão do ano passado. Pior é que havia 8 mil corredores inscritos e devo ter deixado mais de seis mil para trás. Mas o que valia mesmo era nossa disputa. Não me incomodaria em chegar em 7999, desde que ele fosse o 8000.
Admito que foi a corrida mais difícil da minha vida. Logo na largada ele disparou e me fez fazer força para acompanhá-lo. Era o que eu sempre fazia. Dava certo largar forte e fazer com que ele se cansasse ao tentar me alcançar. O esforço foi intenso, passamos o terceiro quilômetro com um tempo de cerca de 14 minutos, um recorde para ambos. Mas para mim era um mau sinal, pois depois de anos de competição, sei que ele tem um bom sprint final. Se estamos emparelhados no quilômetro final, ele sempre consegue uma arrancada.
Assim, lá pelo quilômetro 5, tentei o velho truque de mandar uns trocadilhos para faze-lo rir ou retrucar com outros e se cansar. Nossos duelos de trocadilhos costumam ser tão longos quanto infames. Por sorte havia, incrivelmente, um cachorro correndo, tão perdido quanto em dia de mudança. Tentava acompanhar seu dono ou apenas não ser pisoteado? Não sei, mas esfreguei as mãos como o velho Dick Vigarista e mandei trocadilhos caninos. Frio e concentrado como um Lanjal, Torero não só ignorou como começou a abrir uma pequena distância, cerca de um metro. Acho que o tiro saiu pela culatra: os trocadilhos devem ter sido tão ruins que ele fugiu para não ouvir mais e quem se cansou falando fui eu. Ele manteve essa distância, equivalente a três trocadilhos, até o km 7. Esforcei-me para emparelhar, mas senti que já estava mesmo como o nosso colega vira lata: com a língua de fora. Quase o acompanhei quando ele parou para molhar um poste. E o meu adversário, cão dos infernos, estava inteirinho. Percebi que hoje ele seria o cãopeão.
No quilômetro 8 eu não estava aguentando mais e o Torero ia em frente. Parecia que eu é que pesava 20 quilos a mais. Nunca havia parado nestes anos todos que competimos, é a humilhação suprema para qualquer corredor, mas não houve jeito. O calor e o esforço inicial apresentaram sua conta.
Não parei totalmente. Segui andando rápido. Lá adiante, Torero parecia voar como a bola chutada por Ronaldo para encobrir Fábio Costa. Mas aos poucos senti que as forças voltaram. Tornei a correr, mas não havia mais sinal do rival. No final, os tempos aparentemente nem foram tão distantes, ele fez em 50 minutos e seis segundos, eu fiz em 52 minutos e 45 segundos. Dois minutos e quarenta. Mas, em distância, isso significa cerca de meio quilômetro. Tenho que admitir (grrrr!) que foi uma goleada, mesmo descontando uns 30 segundos com a queda da chave. Há pouco disse que detestava perder. Mas sou bom perdedor. Parabéns, Torero. O placar geral está 5x4 para ele. Me aguarde na próxima (e não será depois da linha de chegada).
Por Torero às 23h35
Formado em Letras e Jornalismo e quase formado em Cinema, é autor de treze livros (como "O Chalaça"), escreveu roteiros para cinema (como "Pequeno Dicionário Amoroso") e para tevê ("Retrato Falado").