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Este blog é atualizado às segundas, quartas e sextas antes do meio-dia.


Saiba quem é Torero
Toreroteca

Vamos aos seis jogos da Toreroteca desta semana. O primeiro hexacertador ganha, como castigo, um exemplar de "Os vermes".

Escolhi só jogos que acontecem no domingo, pois assim pode-se votar no sábado.

O primeiro jogo é entre Grêmio e Flamengo, que deve ser bem interessante. 

Depois, o jogo de dois vices estaduais que andam meio em baixa: Goiás e Atlético-MG  

Figueirense e Coritiba farão um belo clássico sulino.

Palmeiras e Internacional travam um duelo de favoritos.

Fluminense e Náutico é o quinto jogo.

E o sexto fica para Atlético Paranaense e São Paulo, que já fizeram belos duelos.  

Meu palpite: Grêmio, Goiás, Coritiba, Palmeiras, Fluminense e empate.



Escrito por Torero às 12h27
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Bidecepção

  

Começo com uma confissão: um de meus muitos defeitos é gostar de histórias de super-heróis. Quando pequeno lia tudo da Marvel e da DC, e mesmo hoje em dia gasto um certo dinheiro em gibis.

Sendo assim, decidi ver Homem de Ferro e Speed Racer, que não era em história em quadrinhos, mas era um dos heróis do meu tempo. Pensei que teria uma super diversão, mas fiquei superdecepcionado.

Speed Racer é um filme belo, mas a história é confusa. Meu sobrinho Lelê até dormiu. Uma judiação com crianças. E olhe que fui ver a versão dublada (fui mesmo com três crianças, de 7, 9 e 12 anos, e só a última entendeu algo. Mesmo eu boiei em relação a algumas coisas). Enfim, saí aborrecido.

No dia seguinte tentei me livrar do gosto amargo assistindo ao Homem de Ferro, mas acabei ficando bidecepcionado. Para começar, sempre que olhava o Robert Downey Jr. com aquela barbicha, pensava que ele estava parecido com o Clóvis Bornay. E, para aumentar a parecência, a fantasia do Home de Ferro é cheia de ouros e vermelhos. Um luxo (pronuncia-se "luquiço")!

Mas, além disso, o filme é meio desagradável na parte ideológica. Tony Stark, um fabricante de armas, só se comove quando suas armas são utilizadas para matar soldados americanos. Ou seja, para matar afegãos, tudo bem. É um pacifista de um lado só. O que, aliás, é uma atitude tão  norte-americana quanto o cheeseburger.

Juntando esta mensagem pouco simpática, o excesso de violência e o cavanhaque pouco inspirador, saí mais chateado do segundo filme que do primeiro.

Entre os recentes filmes de super-heróis, Homem-Aranha 1 ganha disparado.

É uma pena que, agora que temos tecnologia para fazer este tipo de filmes com realismo, não tenhamos roteiros à altura das grandes histórias em  quadrinhos dos anos 70 e 80. O "Cavaleiro das Trevas" e "Ronin", de Frank Miller, dão de dez a zero nas histórias dos filmes de hoje.

Minha esperança era Watchmen, baseado no clássico de Alan Moore (uma leitura imperdível). Mas vi uma entrevista do diretor no youtube e fiquei com o pé atrás. Depois que Alan Moore disse que não verá o filme, fiquei com os dois pés atrás.

Roliúde tem o toque de Midas, que tansformava tudo que tocava em ouro. Mas também o de seu irmão gêmeo Mirdas. Aquele que transformava tudo em lixo.



Escrito por Torero às 07h43
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1978 – Tinha um peru no meio do caminho

A Copa de 1978 foi na Argentina. Estava havendo lá uns atentados, seqüestros e coisa e tal. Por causa disso a Copa quase teve que mudar de lugar na última hora, mas os guerrilheiros fizeram um pacto com o governo, jurando que não aprontariam nada durante os jogos.

Novamente a delegação teve que ter uns seguranças e novamente lá estava eu. Logo que cheguei, recebi uma visita inesperada na concentração. Foi uma alegria só.

— Brutus!

Eu não via o meu amigo desde 1975. No quartel disseram-me que ele andava fazendo palestras pela América do Sul.

— Cândido, seu estúpido! — disse ele, mas esse “estúpido”, eu creio, era no sentido positivo da palavra.

— Você não estava no Chile? — perguntei.

— Fiquei lá um tempo, mas me convidaram para vir aqui dar um curso de “Estratégias de convencimento e persuasão”.

— O que que é isso?

— Você não ia entender, deixa pra lá.

— E está trabalhando muito?

— Feito um animal. A Argentina é um excelente campo para os profissionais do meu ramo.

 O Brutus disse que a Casa Rosada era branca, mas ficou rosada por causa do sangue dos vermelhos. Até hoje não entendi a piada. 

Começamos então a falar de futebol. Eu expliquei a ele que depois do trauma de 1974 começou um debate maluco em todo o país. Uns falavam que era preciso dar mais valor à estratégia, outros diziam que o jogador brasileiro era um artista que nunca se adaptaria aos rigores da tática européia.

Um dos principais defensores das novas idéias era o técnico Cláudio Coutinho. Ele chocava a imprensa com expressões do tipo overlaping e ponto futuro, e fazia experiências esquisitas para a época, como jogar com dois volantes. Invencionices à parte, a equipe impunha respeito: Leão; Toninho, Oscar, Amaral e Edinho; Batista, Toninho Cerezo, Zico e Rivelino; Gil e Reinaldo.

Ainda assim, o desgramado do Brutus, sempre com aquela desconfiança, achou que não era time suficiente para ser campeão: — Essa Copa já tem dono, cândido. Os argentinos vão ganhar para o povo ficar sossegado por uns tempos.

Nossa estréia aconteceu em Mar del Plata, contra a Suécia, num jogo que lembrou os da Copa de 74. Edinho não se acertava na lateral, Cerezo errava a maioria dos passes, e Zico e Reinaldo estavam tímidos que nem menina da roça. Lá pelas tantas, para ajudar, Rivelino se machucou.

Mas como desgraça pouca é bobagem, no segundo tempo o Coutinho deu um jeito de o ruim ficar pior: tirou Gil e colocou Nelinho, formando um ataque esdrúxulo com dois laterais. Ficamos no 1 a 1, golzinho sem graça de Reinaldo.

Nesse jogo, porém, no último minuto, houve um lance inacreditável: era escanteio para nós. A bola veio e o Zico, de cabeça, mandou para o fundo do gol, mas o juiz, um galês chamado Clive Thomas, disse que tinha encerrado a partida enquanto a bola estava no ar. Eu nunca tinha visto uma coisa daquelas. 

 Este é o Clive Thomas. Enganos acontecem, coitado.

Quatro dias depois, contra a Espanha, o Brasil conseguiu o que parecia impossível: fez a gente sentir saudade do jogo contra a Suécia. Coutinho insistia nas excentricidades e o time não rendia. Aliás, nós só não perdemos para a Espanha porque aconteceu um milagre: o lateral deles fez um cruzamento para o atacante Santillana, e Leão saiu mal para cortar o cruzamento. Santillana chegou primeiro, tocou para Juanito e este avançou para o gol. Só o zagueiro Amaral, em cima da linha, podia evitar o desastre. Quando Juanito estava a três passos do gol, arriscou o chute.

Vou ser sincero: não tive coragem de olhar. Baixei a cabeça, fechei os olhos e fiquei ali, durinho, esperando o pior. Mas aí, em vez de eu escutar um “goooooool”, ouvi um “uuuuuh”. Então abri o olho esquerdo, olhei pro Brutus e vi ele beijando uma medalhinha de Nossa Senhora Aparecida:

— O Amaral tirou, Cândido! Pra frente, Brasil!

Depois desse jogo, a delegação entrou em crise. A imprensa descia o pau, todo mundo dava palpite. Até o Brutus, quando foi visitar a concentração, deu o seu. Ele chegou meio bêbado para o almirante Heleno Nunes e disse: — Esse time só tem uma solução: dinamite! — O almirante acabou chamando o Coutinho para uma reunião secreta. Não sei o que eles falaram lá, mas foram anunciadas algumas mudanças.


Na lateral-esquerda saía o Edinho (que na verdade era quarto-zagueiro) e entrava o simples e competente Rodrigues Neto.

Na meia-direita saía o Zico e entrava o Jorge Mendonça.

No ataque, atendendo ao pedido do Brutus, entrava o Roberto Dinamite no lugar do Reinaldo.

Foi um alívio. O Brasil finalmente achou um padrão de jogo e mostrou a sua força. Vencemos a Áustria por 1 a 0 e o gol, marcado justamente pelo Roberto Dinamite, fez o país inteiro explodir de alegria.

E lá fomos para a fase seguinte. Pegamos um grupo com Peru, Argentina e Polônia. Vá lá, eram jogos difíceis, mas eu estava esperançoso.

Logo na primeira partida, em Mendoza, a seleção brasileira confirmou o que eu pensava: estava pegando ritmo. Enfiamos 3 a 0 goela abaixo dos peruanos e jogamos bonito. Nessa partida o finado Dirceu comeu a bola: emplacou dois gols e foi o maestro do meio-campo. Cheio de personalidade. O terceiro quem fez foi o Zico, de pênalti.

Fomos então para o duelo contra os argentinos. Eu e Brutus pegamos o ônibus para Rosário e ficamos lá, quietinhos no meio dos hinchas. O Brutus estava de óculos, nariz e bigode falsos.

Cara estranho o Brutus.

Ninguém duvidava que dali sairia o finalista do grupo, por isso o jogo foi um nervosismo só! Na defesa, o Brasil fez tudo certo: prevendo que o pau ia comer, o Coutinho tirou o Toninho Cerezo e colocou o Chicão.

— Esse cara é o meu ídolo! — disse o Brutus.

O volante do São Paulo jogou como um xerife à frente da área e devolveu todas as botinadas que o pessoal da frente levou. Porém, faltou sorte no ataque, até na trave mandamos. Como a Argentina não se arriscou, no final o placar não saiu do 0 a 0.

Depois da Batalha de Rosário, a decisão ficou para a última rodada. O Brasil enfrentaria a Polônia e a Argentina o Peru.

Brasil e Polônia jogaram algumas horas antes de Argentina e Peru. O Brutus falou que isso era mutreta, porque os argentinos entrariam em campo sabendo quantos gols tinham que fazer. O meu amigo tinha cada idéia...

A Polônia era praticamente o mesmo time de 74, e ainda trazia novas estrelas como Lubanski e Boniek. Jogamos bem e vencemos por 3 a 1. Nelinho finalmente acertou um daqueles seus chutes tortos e Roberto Dinamite fez dois gols. Melhor ainda que a gente abriu um bom saldo. A Argentina só seria a finalista se ganhasse do Peru por quatro gols de diferença.

 Boniek era o Zico deles.

Eu e Brutus vimos essa partida na casa dele. Tinha uns objetos meio estranhos lá, mas o mais de todos era uma cadeira que parecia uma daquelas de barbeiro, só que com umas correias e uns fios. Ele chamava aquela poltrona de “cadeira do dragão”. Assisti ao jogo dali.

Reparei que na parede havia um quadro de cortiça com várias fotos.

— Seus amigos, Brutus?

— Mais ou menos.

— Tem um aqui com nome engraçado: Jiló!

— Esse eu conheci no Araguaia.

— Pescaria?

— Caça.

Então o Brutus fez pipoca e pôs um lacinho verde-amarelo na antena da tevê. Aos poucos, porém, a gente foi ficando verde de raiva e amarelo de tristeza.

Os jogadores peruanos, coitados, tiveram uma noite muito ruim: não se posicionaram direito, perderam bolas bobas, erraram passes e deixaram buracos na defesa. O goleiro deles, Quiroga — um argentino naturalizado peruano — vinha jogando muito bem, mas dessa vez levou gols fáceis. Acontece.

Quando a partida terminou, a decepção: 6 a 0. Brutus chamou Quiroga, Duarte, Rojas, Manzo, Chumpitaz, Quesada, Cueto, Cubillas, Muñante, Velásques e Oblitas de traidores. Houve até uma conversa de que cada um deles tinha ganhado cinqüenta mil dólares para facilitar a vitória argentina. Mas eu disse para o Brutus que nada tinha sido apurado e que não se devia acusar as pessoas sem provas. Ele não se conformou e disse:

— Se um dia eu for trabalhar no Peru, essa turma vai ver o que é bom pra tosse!

Fora das finais, o Brasil despediu-se diante de quase setenta mil pessoas no Monumental de Nuñez, contra a Itália. Vencemos bem, 2 a 1: Dirceu de novo, de fora da área, e Nelinho, com um gol de cinema, um chute que fez duas lindas curvas no ar e surpreendeu Dino Zoff.

Nelinho tinha um canhão no pé.

Saímos da Copa invictos mas em terceiro lugar. Coutinho, que adorava inventar expressões, disse que nós éramos os “campeões morais”. O Brutus, ainda chateado com aquele jogo contra o Peru, falou:

— Prefiro ser um campeão imoral de verdade do que um campeão moral de mentira.

A decisão foi disputada no dia seguinte, no mesmo Monumental de Nuñez, entre Argentina e Holanda. A Argentina marcou primeiro — Kempes —, e parecia que ia ganhar fácil, mas Naninnga, de cabeça, empatou aos 37 minutos do segundo tempo. No último minuto tivemos uma prova de que Deus pode até não ser brasileiro, mas seguramente não é holandês. Resenbrink foi lançado na ponta, adiantou-se aos zagueiros e tocou de leve na saída de Fillol: a bola pingou no chão e bateu na trave.

 Kempes, o herói da decisão.

No primeiro tempo da prorrogação, a profecia de Brutus se confirmou: Kempes trombou com Jongbloed e a bola ficou saltitando à frente do gol. Os holandeses correram para afastá-la, mas Kempes deu uma solada e empurrou a bola para as redes. O juiz ignorou os protestos. No segundo tempo, numa trama pelo meio da zaga, Bertoni marcou o terceiro e consolidou a vitória.

Acabado o jogo, o Brutus virou-se para mim:

— Viu? Eu não disse que a Argentina ganhava de qualquer jeito?

Eu respondi que eles venceram porque tinham um bom time, afinal não é todo dia que você junta Fillol, Passarella, Ardiles, Gallego, Luque e Kempes.

— Tá, mas você não achou umas coisas meio estranhas? — perguntou o Brutus.

— Como o quê?

— Por exemplo, se você pegar o mapa e fizer as contas, vai ver que, para jogar as sete partidas, o Brasil teve que viajar 4.659 quilômetros.

— E daí? A Argentina é um país muito grande.

— Mas a seleção deles só teve que percorrer 618 quilômetros.

— Caramba, que sorte! — eu disse. Não sei por quê, mas o Brutus ficou meio vermelho. Depois continuou:

— E não é só isso. Andei ouvindo que eles contrataram um cara só para fazer xixi, porque estavam tomando tanta anfetamina que nunca iam passar no exame antidoping.

— Imagina! Eles são profissionais, nunca iam fazer isso. Deve ser invenção da imprensa.

Ele ficou ainda mais vermelho e falou:

— E aquele jogo contra o Peru?

Eu, bem calmo, respondi:

— O Quiroga não estava inspirado.

Não sei se eu estou com impressão errada, mas acho que ele ficou ainda com mais raiva, tanto que do vermelho foi para o roxo. Aí falou assim, meio entre os dentes:

— Às vezes você é muito cândido, Cândido!

Naquela noite, enquanto toda a Argentina comemorava, Brutus preparou o jantar. Fiquei lendo umas revistas do Mickey e, quando ele me chamou para comer, vi que, bem no meio da mesa, havia um enorme peru assado. Nós nos sentamos e começamos a comer. Ele dava cada mordida que metia medo! Devia estar com uma fome tremenda. No corpo do bicho havia umas marcas meio esquisitas, como se fossem uns queimados.

— O que é isso, Brutus?

— Isso o quê?

— Essas marcas no peru...

— Essas seis, mesmo número de gols que levou a seleção do Peru e que parecem ter sido feitas com algum aparelho de eletrochoque de 100 volts e corrente de 10 ampères chamado “pimentinha”, muito usado por torturadores?

— É.

— Não sei, nem tinha reparado.

Cara estranho o Brutus. Nunca mais o vi depois daquela noite. Parece que morreu numa explosão, anos depois, no Rio de Janeiro. Uma coisa assim. Era um 1o de maio e ele estava num Puma, se não me engano. Teve quem dissesse que o carro explodiu por causa de uma bomba, mas deve ser mentira. O que o Brutus ia estar fazendo com uma bomba? Explodi-la no Riocentro e matar um monte de gente? Que bobagem! É a mesma coisa que dizer que teve tortura no Brasil.



Categoria: Estórias das Copas
Escrito por Torero às 10h01
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Sonho de Cassandra

Vi ontem o filme “Sonho de Cassandra”, de Wooddy Allen. Não dei nenhuma risada. E achei o filme bom à beça!

É tenso, possui boas cenas de suspense, a psicologia dos personagens é esférica (ao contrário dos personagens planos da maioria dos filmes roliudianos) e a trama é ótima (e eu economizo um bocado o adjetivo “ótima”).

Ela foge daquela curva padrão dos roteiros, onde se faz um primeiro plot point na página 30 e o segundo, na 60. Tem mais curvas, mais vaivéns e surpresas. Acho que até pisquei pouco durante o filme.

Me pergunto como Wooddy Allen consegue passar da comédia para algo tão sério, mantendo a qualidade? E como faz um filme por ano, sendo que vários deles são muito bons?

Ah, se inveja matasse, eu não estaria escrevendo este post.



Escrito por Torero às 05h26
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10 perguntas

Depois do Santos e do Corinthians, chegou a vez do Palmeiras. Mande suas perguntas para o presidente Afonso Della Monica.

Escrito por Torero às 06h06
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Ressacas

Boêmia leitora, alcoólatra leitor, as ressacas podem ser terríveis. Aposto que vocês sabem disso. Quem nunca teve uma ressaca que atire o primeiro Engov!

 

Os sintomas variam, mas em geral a cabeça dói tanto que a gente pensa que os neurônios se revoltaram, pegaram martelos e estão quebrando tudo por lá. A boca fica tão seca que não há Amazonas que cure sua sede. Há uma grande dificuldade de concentração (por exemplo, se você está de ressaca, já deve ter lido esta linha três vezes). E, como esta Folha pode estar sendo lida no café da manhã, nem vou falar em dores de estômago, náuseas e vômitos.

 

Para ler o resto do texto de hoje na Folha de S.Paulo, uolistas e folhistas podem clicar aqui.



Escrito por Torero às 06h14
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Quem será o campeão Brasileiro?

vote aqui no lado esquerdo.

Escrito por Torero às 17h11
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Icebergs e pedras de gelo

Áuspice leitor, auspiciosa leitora, eu vos pergunto: Os resultados da primeira rodada do Brasileiro permitem alguma previsão sobre o que virá pela frente?

E eu vos respondo: Sim e não.

Alguns resultados são como pontas de iceberg: por eles já podemos vislumbrar um pouco do que o time irá fazer no resto do campeonato. Mas outros são apenas pedrinhas de gelo boiando no mar da incerteza.

Por exemplo, o Palmeiras perdeu. Isso significa que o projeto está no fim, ainda mais com a partida quase certa de Valdívia daqui a alguns meses? Não, claro que não. O time ainda sente a ressaca da vitória, mas até que não jogou mal. Na próxima rodada já deve estar nos trinques e, mesmo que perca Valdívia, continuará com um dos melhores times do país.

Outra pedra de gelo foi a derrota santista. O time estava tão ausente quanto a torcida no Maracanã. Jogando apenas com reservas, a vitória flamenguista foi praticamente um walkover (nome completo do famoso W.O.). Ou seja, nenhum santista precisa roer as unhas pelo começo infeliz.

Pontas de iceberg podem ter sido os resultados de Goiás, Atlético-MG e Ipatinga. Os dois primeiros perderam suas decisões estaduais de modo um tanto vexatório e não inspiram confiança. Mas o caso do Ipatinga parece ser mais sério. O time foi muito mal no estadual e perdeu em casa nesta primeira rodada. É um candidato ao rebaixamento.

Já os tricolores são um mistério. São Paulo e Fluminense ainda não conseguiram se firmar neste ano. Ambos têm boas equipes e bons técnicos, mas ficaram pelo caminho nos estaduais e, pior, não se mostraram muito estáveis.

Neste fim de semana, os dois jogaram com o freio de mão puxado, pois na quarta se enfrentam pela Libertadores. Mas os cariocas se saíram melhor. Com apenas um titular, empataram fora de casa. Já os paulistas, com alguns titulares, perderam no Morumbi. E para o Grêmio, que vem de um fracasso no estadual.

Talvez o time que se classifique na competição continental consiga se firmar e deslanchar.

Enfim, estas são as primeiras impressões desta primeira rodada. Podem não valer nada, mas, como diz o filósofo Zé Cabala: "Você nunca terá uma segunda chance para causar uma boa primeira impressão".



Escrito por Torero às 08h12
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Toreroteca - resultado

Novamente, ninguém acertou os seis resultados. Alguns acertaram cinco. Eu fiquei nos três, derrubado pelo Coritiba (como a maioria dos leitores), pelo Santos, que jogou com o time reserva (o que esqueci que iria acontecer) e pelo empate sem gols entre Atlético-MG e Flu. 

Escrito por Torero às 21h11
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Toreroteca

Até agora ninguém fez os seis pontos na Toreroteca, ninguém ganhou o troféu Zé Cabala. Pois vamos tentar de novo nesta rodada de abertura do Brasileiro. Ao vencedor, "Os Vermes" (o livro, não os próprios).

Selecionei apenas jogos de domingo. A saber:

Coritiba x Palmeiras

Internacional x Vasco

Flamengo x Santos

Atlético-MG x Fluminense

Botafogo x Sport

Ipatinga x Atlético Paranaense.

Vale apenas um voto por email.

O meu é: Empate, Inter, empate, Fluminense, Botafogo e Atlético.  

 

PS: Em caso de empate, ganha quem votou primeiro.



Escrito por Torero às 12h13
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1974 – Uma copa torturante

Nas Olimpíadas de Munique, em 1972, tinham acontecido atos de terrorismo contra a delegação de Israel. Então, na Copa de 74, que também seria na Alemanha, acharam melhor incluir uns seguranças na delegação brasileira.

Eu tinha vinte e poucos anos e acabara de entrar para o Exército, mas, como minha mãe era tia da cunhada do irmão do genro da sobrinha da nora do primo de um coronel, consegui uma vaga como segundo segurança do massagista.

O primeiro segurança, meu superior, era um cara que tinha um apelido engraçado: Brutus. Ele trabalhava num setor especial do Exército, um tal de SNI, Serviço Nacional de Informação. Ele me disse que era um “agente de captação de dados através de métodos heterodoxos”, o que não faço a menor idéia do que seja. Nunca perguntei, mas acho que o Brutus tinha esse apelido porque gostava muito dos desenhos do Popeye.

Antes que me esqueça, meu nome é Cândido. Cabo Cândido.

Logo que chegamos a Frankfurt, eu e Brutus descobrimos que tínhamos uma coisa em comum: gostávamos de jogar mau-mau; ficávamos horas nas cartas. Como eu sempre perdia, uma vez falei:

— Brutus, jogar mau-mau com você é uma tortura.

E ele respondeu com voz cavernosa: — Essa é a minha especialidade — e riu tanto que quase caiu da cadeira.

Bem, vamos ao que interessa.

O Brasil era o campeão do mundo, mas contusões e aposentadorias nos tiraram Pelé, Tostão, Gérson, Carlos Alberto, Brito e Clodoaldo.

No gol, Leão ganhou a vaga. A defesa era respeitável: Nelinho, Luís Pereira, Marinho Peres e Marinho Chagas. O meio-campo também era forte: Piazza, Rivelino e Paulo César. E o ataque era pelo menos razoável: Valdomiro, Leivinha e Jairzinho.

Eu achava que era time de sobra para o tetra. O Brutus não. Ele dizia que nome não ganha jogo e que o esquema do Zagallo era retranqueiro. Como eu era teimoso e ele era turrão, essa discussão começava logo de manhã no palitinho, continuava à tarde no dominó e só terminava à noite no mau-mau.

Campeão mundial, o Brasil fez a partida de abertura contra a Iugoslávia no Wald Stadion. Eu não duvidava da vitória. E por goleada!

 A iugoslávia era assim.

— Esses branquelos têm que comer muito mocotó para ganhar da gente!

— Não sei — disse o Brutus. — Comunista é duro na queda.

Ele estava certo. Foi um jogo lá e cá. Atrás nos agüentamos, mas do meio-campo para a frente, tirando Rivelino e Jairzinho, só tristeza. Paulo César — que tinha sido vendido antes da Copa para o Olympique de Marseille — parecia um pouco desmotivado; Leivinha não desencantava e Valdomiro ia bem, mas errava passes, chutes e cruzamentos. No fim, 0 a 0. Brutus tinha a sua explicação para o empate:

— Contra comunista tem que jogar duro, não adianta enfeitar!

Paciência. Lá fomos nós pegar a Escócia. Bebemos meia garrafa de uísque para comemorar por antecipação e Brutus foi para o estádio dizendo que não podíamos perder para um time que usava saias.

 A seleção escocesa entrando em campo.

Não podíamos, mas quase perdemos. O Brasil até que atacou, mas esbarrou na retaguarda dos escoceses. Os jogadores que tinham ido mal na primeira partida continuaram não indo bem. O Brutus não se conformou com aquele segundo 0 a 0:

— Assim não dá! O Leivinha tá apanhando mais que estudante em passeata, o Paulo César joga mais escondido que guerrilheiro e o Valdomiro tá mais isolado que o Partidão!

Nunca entendi muito bem as coisas que o Brutus falava. No dia seguinte, por exemplo, ele chegou para mim e cochichou: — Cândido, acho que esse Zagallo deve ter sido torturador no passado.

— Por quê, Brutus?

— Porque ele domina as técnicas da profissão. O time está tão mal escalado que dói, mas ele fica ali, impassível, só vendo a gente sofrer. E tem mais: numa boa tortura, o torturado não pode perder a esperança de vez, entende? Senão ele não se importa com mais nada. E é isso o que acontece com o Brasil. Esses empates mantêm o time vivo, mas a gente não pára de sofrer. Coisa de profissional.

O certo é que com aqueles dois empates estávamos mesmo numa sinuca de bico. Tudo se decidiria em Gelsenkirchen — eh, nominho! — no jogo contra o Zaire. Eles tinham tomado de 9 a 0 da Iugoslávia e de 2 a 0 da Escócia. O Brasil precisava então ganhar pelo menos por três gols de diferença.

Era isso ou o vôo de volta.

Nem dá para imaginar o estado de nervos em que o Brutus ficou. Ele dizia que até o time dos pracinhas da FEB, treinando direitinho, ganharia do Zaire, mas que aquela seleção...

E veio o jogo. Bola daqui, bola dali, o Brasil em cima e lhufas. Pensei que a gente ia virar o primeiro tempo já com uns quatro gols na frente. Que nada! O placar foi unzinho a zero, gol de Jairzinho. Veio o segundo tempo e continuou a lengalenga. O Brasil superior, mas sem rapidez, sem entrosamento, sem trama de jogadas.

— Parece o pessoal da esquerda — disse o Brutus.

Resultado: faltando quinze minutos, estávamos caindo fora da Copa.

Aí, para dar uma esperancinha, veio o segundo gol. A zaga deles rebateu mal e a bola caiu nos pés de Rivelino, que mandou o canhão para as redes. Mas aquele resultado ainda não bastava. Com o 2 a 0, os escoceses ficavam com a vaga.

E toca a roer unha!

Mas então, quando o juiz já ia apitar o toque de recolher, passaram a bola para o Valdomiro e ele resolveu mandar para o gol. Não era o mais recomendado: ele estava sem equilíbrio, não tinha ângulo e, para piorar, pegou esquisito na bola. Não me pergunte como, mas ela entrou. O goleiro Kazadi engoliu um dos maiores frangos da história das copas e, graças a ele, passamos para a fase seguinte.

 Valdomiro, o salvador.

E quem vinha pela frente? A Argentina, a Holanda e a Alemanha Oriental.

Aí o Zagallo resolveu mudar o time. Nelinho deu lugar a Zé Maria, saiu Piazza e entrou Paulo César Carpegianni, e Leivinha, contundido, foi substituído por Dirceu. Com isso o time passou do 4-3-3 para o 4-4-2.

Os progressos apareceram no jogo contra a Alemanha Oriental. Como naquela Copa tudo foi sofrido, o gol só saiu numa cobrança de falta. Jairzinho ficou no meio da barreira adversária e se abaixou na hora do chute. O Rivelino mandou o tiro bem naquele buraco e a bola estufou o canto direito do goleiro Croy. Inacreditável! O Brutus vibrou muito com aquele gol e ficou pulando de alegria.

— Isso é que é tática! Infiltra um espião no meio dos comunas e depois manda a bomba!

Ele era um cara meio estranho.

Bom, e lá vieram os argentinos. Era o primeiro Brasil x Argentina numa Copa. Rivelino, sempre ele, fez 1 a 0, batendo de fora da área, mas Brindisi empatou. Saímos do sufoco no segundo tempo, depois de uma roubada de bola do Zé Maria, que entrou pela área e cruzou para o Jairzinho. Belo gol!

 Zé Maria era uma figura (clique no Super Zé para ver os gols daquele jogo)

A decisão de quem iria à final seria contra os holandeses, que vinham de um 2 a 0 sobre os alemães orientais e de um 4 a 0 contra os argentinos. Eles podiam até empatar. Vi esse jogo pela televisão, ao lado do Brutus, ele ali dizendo que o Brasil tinha que se cuidar, que o futebol deles era moderno, coisa e tal.

Eu respondi meio bravo: — Quê! Isso é jogo de peladeiro!

Sinceramente era o que eu achava. Os laterais avançavam como se fossem pontas; o tal de Krol, que era zagueiro, se mandava para o ataque quando bem entendia; o pelé deles, o Cruyff, jogava em todos os lugares do campo; e eles não tinham centroavante, porque os dois da frente — Rep e Resenbrink — zanzavam pelo ataque para confundir a marcação. Tinha lá um Haan, habilidoso, e o tal de Neeskens, que entendia do riscado. Mas era só.

No primeiro tempo a partida foi equilibrada: eles mais rápidos, claro, e nós pesadões, tocando a bola, esperando a hora do bote. Mas no segundo tempo, num piscar de olhos, eles definiram o jogo. O primeiro gol foi de Neeskens, num chute dividido com Luís Pereira, que encobriu Leão. O segundo numa escapada rápida que acabou com um toque de chapa de Cruyff.

 (clique na imagem para ver os gols daquela triste partida)

Restou-nos decidir o terceiro lugar. Perdemos para a Polônia: 1 a 0, gol do carequinha Lato, artilheiro do mundial com sete gols.

Meu amigo ficou enfurecido com o resultado desse jogo: — Odeio perder para vermelhos! — Para espairecer, decidimos ir a uma cervejaria e escolhemos uma chamada Der Röte, que, por acaso, quer dizer “O vermelhão”.

O dono era um sujeito com bochechas rosadas, casado com uma mulata brasileira que tinha uns trezentos dentes muito brancos. Curiosamente, todos os garçons usavam ternos amarelos como uniforme.

Quando soube que éramos brasileiros, o dono do Der Röte veio até nossa mesa e apresentou-se:

— Minha nome ser Dieter Bonn, mas toda munda chama eu de Dito Bombom. Depois fez com que experimentássemos uns vinte tipos de cerveja, das mais variadas cores, texturas e gostos.

Os neurônios de Brutus ficaram tão bêbados que ele começou a comparar as seleções com modelos econômicos. Disse que o Brasil lembrava um capitalismo de Estado, com algum espaço para a livre-iniciativa, mas amarrado por um sistema rígido e um tanto ultrapassado. A Holanda era o anarquismo, com cada um fazendo o que bem entendia, mas tudo de uma forma orgânica; a Polônia era socialista, organizada, forte na defesa mas sem muita mobilidade; e a Alemanha era o capitalismo dos países ricos, poderoso, eficiente, sempre jogando duro e entrando para ganhar nas divididas.

No dia seguinte fomos assistir à final da Copa entre a Holanda e a dona da casa, a Alemanha Ocidental. Todo mundo esperava a vitória da Laranja Mecânica, que começou na frente com um gol de Neeskens cobrando pênalti. Mas a Alemanha empatou com Breitner, também de pênalti, e passou à frente numa girada de Gerd Müller aos 43 minutos do primeiro tempo. Depois, a Holanda não teve forças para reagir e entregou os pontos.

Voltamos ao bar do senhor Bombom para tomar a última cerveja em Munique. Eu, que tinha torcido para a Holanda, estava inconformado:

— Os peladeiros tinham um jogo mais bonito, mais criativo, com mais liberdade. Não foi justo...

Então o Brutus fincou o garfo numa batata, ergueu o braço e exclamou: — Ao vencedor, as batatas!

E Bombom, erguendo um copo, emendou: — E o cerveja!



Categoria: Estórias das Copas
Escrito por Torero às 06h48
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O dia em que Cid Moreira foi Brizola

Na semana passada participei do júri de longas-metragens do CinePe, festival de cinema em Pernambuco. Lá, propus (mas fui voto vencido) um prêmio especial para o filme "Brizola - tempos de luta", por sua pesquisa iconográfica e iconoclasta, principalmente pelo resgate da cena que, acredito, foi a melhor do festival: o momento em que Cid Moreira lê, no Jornal Nacional, uma carta de Leonel Brizola. Poucas vezes ri tanto no cinema.

A cena tem três minutos e está no Youtube. Para vê-la, clique aqui.   



Escrito por Torero às 07h01
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Texto da Folha

Para ler o texto de hoje sobre "O sujeito mais chato do mundo", folhistas e uolistas devem clicar aqui.

Escrito por Torero às 06h38
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Os últimos duelos

Acabaram. Sim, acabaram-se os duelos. Em cada lugar sobrou apenas um caubói, e ele salta alegremente com seu cavalo sobre os corpos de seus inimigos espalhados pelo chão. Os vencedores colocaram uma estrela dourada sobre o coração e até a próxima disputa serão os xerifes de suas terras.

Neste fim de semana de duelos cruéis, ninguém foi mais mortal que James Colorado. Ele havia perdido a primeira luta para o bravo Young Boy por um tiro a zero. Mas vingou-se. E oito vezes. Oito! Só seu revólver Fernandão acertou três tiros no adversário. E não pensem que Young Boy estava sem seu cavalo ou teve alguma arma expulsa. Não, nada disso. Ele estava completo. Pelo menos, antes do duelo, pois agora seu corpo tem mais furos que uma cueca velha. E seu sangue deixa a camisa de James Colorado ainda mais vermelha.

Outro que ganhou bem foi Big Green. Suas pistolas verdes acertaram não um, nem dois, nem três, nem quatro, mas cinco tiros no pobre Black Bridge. Foi uma vitória imponente, daquelas que nem dão chance ao rival. Depois de doze anos, Big voltou a ser big. E é um dos favoritos para os duelos em Brasileirão City.

No Maracanã Saloon, Black Red venceu, mais uma vez, Set Fire, o caubói azarado. Set até acertou o primeiro tiro e no intervalo do duelo tomou seu uísque cheio de esperanças. Mas o uísque devia ser paraguaio, porque Set voltou mal e levou três tiros de Black Red, dois deles saídos do Colt Obina, o revólver preferido dos fãs de Black Red. Foi a trigésima estrela do mais amado dos caubóis.

 O sempre imponente Maracanã Saloon

Will Uai podia perder de muito para Rob Gallo. Mas ganhou. De pouco, mas ganhou. Nos dois duelos contra Gallo, Will não deixou que sua camisa celeste fosse manchada com o vermelho de seu sangue. Foram seis tiros acertados e nenhum recebido. Uma vitória incontestável.

Phil Gueira e Chris Ciúma fizeram um duelo mais que emocionante, enfartante. No primeiro encontro, Phil havia vencido. No segundo, venceu Chris. Os dois foram então para a prorrogação. A vantagem era de Chris, já que a luta era em seu saloon, mas no 119º. minuto da luta, o urubu de estimação de Phil Gueira começou a lamber os beiços (ou, no caso, o bico). É que neste instante Phil acertou o tiro decisivo, o tiro vitorioso, o tiro que lhe deu sua décima-quinta estrela. O urubu de Phil Gueira está cada dia mais gordo.

Coxa Cox perdeu mas venceu. Ele foi derrotado no Arena Saloon por seu arquiinimigo Harry Hurricane, mas, no saldo de tiros, acabou levando a melhor. Seu chapéu, da marca Dorival Junior, vem mostrando que aguenta bem as ventanias.

Victoria Salvador, a cauguel mulata que enlouqueceu Di Cavalcanti e Sargentelli, acabou vencendo a decisão mais doida e emocionante do domingo. Esquivando-se das balas inimigas com passos de axé, ela venceu seu inimigo por cinco tiros a um, e acabou superando Buck Bahia por ter a melhor pontaria. Buck e Victoria empataram em pontos, vitórias e saldo de tiros, mas Victoria acertou 16 balas, contra 11 de Buck. Foi um campeonato vencido por um triz.

 A boa velha garrucha Basilio

Mas a grande surpresa ficou por conta de Will Tumbiara. Ele venceu o favorito John Esmeraldine mesmo lutando em Gold Mountain, território inimigo. Will havia vencido o primeiro duelo com um tiro certeiro, mas todos esperavam que Esmeraldine se vingasse com sobras. Porém, aconteceu o contrário. Will Tumbiara venceu o poderoso Esmeraldine com três tiros certeiros, e sem levar nenhum. O destaque foi sua velha garrucha da marca Basílio, que acertou uma bala no primeiro duelo e mais duas no duelo de ontem. Will, que tem trinta e oito anos de vida, ganhou sua primeira estrela.

Sim, caros fãs do bangue-bangue, acabaram-se os duelos. Mas por pouco tempo. Logo as balas estarão cruzando as ruas de Brasileirão City como moscas num dia de verão. Até lá.

Aiô, Silver!

 



Escrito por Torero às 09h42
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Toreroteca

Ninguém fez os seis pontos na Toreroteca. Mas alguns acertaram cinco. Entre eles, eu (só errei o jogo de Minas, no qual cravei empate). Como o critério de desempate é quem palpita primeiro, e eu fui o primeiro a palpitar, o resultado é que o grande vencedor desta Toreroteca fui eu. Amanhã vou colocar um exemplar de "Os vermes" no correio para mim mesmo. O pior é que já li o livro. 

Escrito por Torero às 01h29
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