Blog do Torero

29/07/2010

O início, o fim e a bola no meio

 
 

O início, o fim e a bola no meio

Marcus Vinicius Batista*

 

            O primeiro impulso é colocar o atacante Neymar na cruz e começar o apedrejamento. O jogador do Santos teria cobrado um pênalti contra o Vitória para aparecer entre os vídeos bizarros do YouTube? Vamos ponderar um pouco mais com o garoto de 18 anos, momentos de veterano, circunstâncias de moleque.

            Um jogador do nível dele transita numa fronteira perigosa. Caminha entre a genialidade e a chacota. Entre a luz e o deboche. Craque para os apressados. Jogador em formação para os conscientes.

            O pênalti era o campo minado entre os dois lados. Se o goleiro Lee tivesse deitado para morrer, Neymar seria aclamado em palmas e urros. Diante da obviedade, o goleiro-menino da Bahia saiu da vida para entrar na história. E Neymar, com os ovos e tomates para os que declamam um texto ruim.  

            O atacante do Santos é algoz de si mesmo e vítima de quem o cerca. Neymar é instrumento do dinheiro rápido, dos holofotes oportunistas, das mercadorias que nascem sedentas de um ídolo ainda embrião. Neymar é carrasco porque, pela imaturidade, engole a soberba, digere a vaidade e vomita a arrogância, típicas dos que subiram as escadas de motocicleta.

            Não há como jogar o peixe aos tubarões. Neymar é fruto da ânsia pelos lucros sem limites. Pelos euros que balançam em frente aos seus olhos. E quem sacode o pote de moedas de ouro são os que deveriam puxar o freio da locomotiva. São aqueles que deveriam dizer ao menino alçado ao topo da responsabilidade que a vida se faz por etapas. Queimá-las é pisar em bombas escondidas sob a terra.

            O pênalti é tão importante que o presidente do clube sequer poderia pensar em cobrá-lo. Pênalti exige homens de caráter. Mais do que maniqueísmo, caráter significa a dimensão do que o jogador representa para aqueles que o admiram, o veneram, o amam das arquibancadas, das poltronas, com os radinhos colados nos ouvidos.

            O goleiro tem, a princípio, um papel de figuração. É o condenado à frente do pelotão de fuzilamento. Chances mínimas de sobrevivência. Neymar não pode desafiar a lógica. Se a bola batesse na trave, seria uma brincadeira de quem joga dados por nós. O gol, a obrigação.

            O pênalti perdido por Neymar não seria o primeiro com o desfecho pelo meio. Ainda moleque, meu primeiro treinador, o ex-ponta esquerda Zé Luiz, conhecido como Galo, contava a história de uma cobrança perdida.

            Durante os treinos no Estádio Ulrico Mursa, da Portuguesa Santista, sempre havia sessões de cobranças de penalidades. Eu, como goleiro, adorava a brincadeira, já que poderia tomar refrigerante de graça se defendesse as cobranças.

            Quando o batedor perdia por displicência, Zé Luiz repetia a história do jogo entre XV de Piracicaba e Guarani, em um distante Campeonato Paulista dos anos 70. Zé Luiz jogava no XV e foi bater um pênalti. Neneca era o goleiro do Guarani. O ponta-esquerda resolveu bater no meio, pois esperava que Neneca escolhesse o canto.

            Bateu no meio. Neneca ficou parado, segurou a bola com facilidade e saiu jogando com o lateral-direito. Confesso que me esqueci do resultado da partida. Daí em diante, Galo só dava pancada rasteira nos cantos.

            Neymar será lembrado pelo pênalti. Mas tem a chance de reescrever o final do episódio, delegando a defesa de Lee à nota de rodapé da biografia. Basta entender que pênalti é uma bomba prestes a explodir sob os pés do cobrador.

 

* Marcus Vinicius Batista é santista de nascimento, não de time. Nem torce para o Guarani ou XV de Piracicaba.

Por Torero às 20h32

Eu, Fidel e o Santos

Estava agora conversando com Fidel. Enquanto eu comia uma bela omelete, falei de boca cheia:

-Viu?, o Santos ganhou de 2 a 0.

-Es verdad, pero hay que tener cuidado con el Victoria. Los equipos chicos pueden ir muy lejos.

-Imagine, vamos golear em Salvador.

-Torero, mi tonto amigo, mira que, si Cuba ha derrotado los ianques, el Victoria puede tranquilamente vencer a tu Santos.

-Bem...

-No adelanta nada ser um gigante. En el campo o en la Sierra Maestra, lo que cuenta es la pontaria y el amor por la lucha.

-Poxa, assim eu fico com medo.

-Y lo debes. El miedo es una cosa necesaria. Solamente los ignorantes no tienen miedo. Pero el miedo no significa que no devemos desistir, sino que tenemos que respectar al enemigo y luchar com mas fuerza.

-Mas o Santos perdeu muitas chances... Poderia ter goleado.

-Pero no lo hice. Te acuerda del Sport contra el Palmeiras? Si no es Marcos...

-Nem me lembrava disso.

-Hay que tener memoria. Solamente de esa manera no vamos a repetir los errores de del pasado. Te puedo garantizar que los jugadores del Victoria va a jugar como guerrilheros, como Che e Cienfuegos. Cuidado! Hay que endurecerse, pero sin perder el ataque.

-Bem lembrado, bem lembrado. Agora, por favor mais um pouco de suco de goiaba-, pedi a Fidel, o garçom do meu hotel, sujeito sem nenhuma barba e que adora o futebol brasileiro.

 

Por Torero às 09h44

28/07/2010

“Esse time não tem nenhuma perca!”

 
 

“Esse time não tem nenhuma perca!”

Por Luiz Guilherme Piva*

Ponta-direita, neguinho, rápido, driblador. Gostava de brincar com uns passos de dança americana – break, soul, rap ­– imitando o som das canções. O time era da firma. Todo domingo, de caminhão, nas roças por perto, contra o onze local. Às vezes, com corte de fita, bola novinha em celofane amarelo. Às vezes várzea, pirambeira, pinguela, terra. Das dez ao meio-dia, o sol no uniforme todo preto, poeira subindo.

Moringa. Carregador de caminhão. Esticava na corrida e o lateral-esquerdo ficava. Ou parava e driblava. Difícil era acertar o cruzamento anunciado: “olha o cruzo!”. Escanteio, então, só bateu uma vez, no primeiro jogo da série de quatro ou cinco anos de vitórias, derrotas, torneios, amistosos e cervejada no final do jogo (o maior torcedor, de certa idade, também trabalhador braçal na firma, com o copo erguido dizendo: “esse time não tem nenhuma perca!”). O time pressionando pelo empate, nos acréscimos, córner a favor. Moringa foi lá, todo mundo na área, o juiz com o relógio apressado, ele ajeitou, olhou, ajeitou de novo, rolou um pouquinho a bola, a turma gritando, ele pedindo calma, um remelexo, parecia que uns dois dias já tinham se passado. Foi gingando pra bola e bateu com estilo – pra fora, longe, fraco. O juiz apitou o fim do jogo. Nunca mais deixaram.

Mas virou alguns jogos difíceis. O outro time em cima, a defesa esticava e lá ia ele, ganhava do beque e batia rasteiro, cruzado. Depois, no bar, ficava rindo, só no guaraná, repetindo “make up your mind, guy”, que aprendera com alguém.

Uma vez desapareceu de campo, numa disputa relativamente desigual com um lateral-esquerdo. O campo tinha uma descaída bem do lado em que ele correria: acabava o campo, um barranco descia para um terreno lá embaixo. Antes do início o capitão avisou: “tá vendo aquele gigante ali? É o lateral. Vai te marcar. Cuidado. É violento”. Moringa ficou ali, de olho no marcador, chegou perto, tentou sorrir, acenar, e o gigante nem nada. Queria ficar bem com o cara, dava na altura do peito dele, era melhor conquistá-lo. Times a postos, bola no meio, Moringa viu que o lateral já colara nele ali na risca central, na beira do campo – a coisa ia ser homem-a-homem.

Tentou a diplomacia: “aí, brother, vou passar umas três vezes no meio das suas pernas, mas é do jogo, não leva a mal”. Estátua gigante. Silêncio. Não deu a mão e deixou a do Moringa no ar. Primeiros minutos, pressão adversária, a defesa tira (dois beques cujos chutões exigiam as travas de ferro que usavam – quando a bola ia para um bambuzal o jogo parava. Uma vez, cobrado pelo exagero, um deles argumentou: “é pra acalmar; vocês ficam aí se agredindo uns aos outros!”), a bola cai com o Moringa na ponta, rente ao que deveria ser a linha lateral, atrás dela a descida de terra, o Moringa estica na frente, o gigante vai atrás, o Moringa pára, ginga, estica de novo, o gigante em cima dele, poeira em volta.

Um baque surdo. Sobe mais poeira. De repente só se vê o gigante com a bola, tocando. O Moringa, cadê? Sumiu. Ninguém entende. O juiz pára o jogo. Daí a pouco, duas mãos na beira do campo, subindo o barranco. O Moringa tinha sido jogado lá embaixo pela entrada digamos ríspida do lateral. Sorte que tinha uns arbustos. Alça o corpo, põe-se de pé. Bate a poeira do corpo. Faz sinal pro jogo seguir.

Mas nesse dia ele não jogou nada.

 

Luiz Guilherme Piva publicou “Ladrilhadores e Semeadores” (Editora 34) e “A Miséria da Economia e da Política” (Manole).

 

Por Torero às 09h31

26/07/2010

Chacoalhada

Li agora, na lentissima internet cubana e neste computador sem acentos e cedilha, sobre os 24 convocados de Mano Menezes.

Me pareceu bem interessante, uma chacoalhada e tanto.

Ele deve aproveitar estes primeiros dias e meses para fazer testes mesmo.  

Esperto, convocou alguns nomes que Dunga deveria ter chamado, como Neymar, Ganso e Hernanes, com o que ganha a simpatia de muitos e torna-se um anti-Dunga.

Acho que trata-se de um treinador competente e com boa chance de chegar na Copa de 2014.

 

Por Torero às 20h59

O bilheteiro

 
 

O bilheteiro

(Estou em Cuba, ou seja, nos anos 50, onde a internet ainda nem existe (ou, quando existe, mostra-se absurdamente lenta e cara), de modo que terei que usar os escritos dos senhores leitores esta semana. Na outra semana, hei compensar-vos. Por ora, mandem seus textos!).

 

Por Marcio R. Castro

- Bom dia.

Reginaldo nunca respondia de forma intelegível. Se ainda fosse uma mulher que lhe falasse, sabe-se lá. Mas nunca era, e o bilheteiro se contentava em dar um leve balanço de cabeça.

- Duas arquibancadas.

Reginaldo conferia o dinheiro, entregava o troco, passava os ingressos pela grade.

- Brigado.

Não vinha resposta do cubículo escuro. Na despedida, nem com a cabeça. Próximo.

Mas não era apenas essa a rotina do bilheteiro. Era Reginaldo o responsável por separar a cota dos cambistas. No começo, havia uma preocupação em não levantar suspeitas. O rapaz abria diversos pacotes de ingressos, que vinham em lotes, e pinçava apenas alguns de cada embrulho. Mesmo assim, nunca em sequência. Chegava a embaralhar os ingressos antes de abduzi-los, garantindo assim uma seleção aleatória.

Ao longo do tempo, tais esforços foram sendo deixados de lado. Dependendo do seu estado de espírito, vez ou outra Reginaldo colocava novamente a prática em voga. Logo isso também acabou. Nem ele, nem seus superiores, vamos chamar assim, se importavam mais. E realmente não havia com o que se preocupar.

Além de receber alguns trocados do esquema, é claro, Reginaldo se reservava o direito de separar ingressos para ele mesmo. Ia a todos os jogos, era fanático. Em seu peito fervia uma paixão por seu clube que não tinha por mais nada na vida. E acompanhava seu time com o que acreditava ser uma devoção verdadeira, mesmo com a equipe em má fase.

Aliás, eram nesses momentos que, curiosamente, o bilheteiro mais gostava de estar presente. Xingava aos berros, ameaçava a tudo e a todos, arrumava briga, vociferava expelindo perdigotos de fúria. Parecia que tinha um prazer especial em hostilizar suas próprias cores, seu próprio amor. No fim das contas, a si mesmo.

Um dia, após uma derrota mais amarga, lá estava ele entre os torcedores que se amontoavam na saída do vestiário. Os jogadores, escoltados, passavam em direção ao ônibus rapidamente enquanto eram homenageados. Reginaldo avistou o zagueiro Odlaniger, que tinha o exótico nome envolvido em especulações sobre uma conturbada transferência, após negociações fracassadas de renovação do contrato. Dizia-se por aí que o jogador estava forçando sua saída, mas não era verdade. A própria diretoria do time passava à imprensa tais desinformações, a fim de prejudicar possíveis contatos com outros clubes.

De qualquer modo, estava escolhido o alvo de Reginaldo, que gritou como quem atirava em uma raposa acuada:

- Mercenáriooooooooooooo!!! Traidooooooorrrr!!! Vendido de merdaaaaaaa!!!

Os impropérios se alastraram como uma epidemia, mas, diferentemente dos demais, Odlaniger seguiu altivo e sem apertar o passo. O jogador olhou fixamente para seu primeiro algoz, como quem dissesse, quase irônico: eu? Pelo menos foi o que pareceu ao bilheteiro, que mesmo querendo desviar o olhar, não conseguiu. Durante todo o trajeto os dois ficaram se fitando nos olhos.

Estranhamente, já que não guardava qualquer semelhança física com o jogador, naquele breve momento o bilheteiro se sentiu como se estivesse em frente a um espelho. Um tipo particular de espelho, diga-se, que parecia refletir só em sua mente. Quando finalmente Odlaniger desapareceu no ônibus, Reginaldo estremeceu.

No jogo seguinte de seu time, lá estava ele. Mesmo tendo, depois de muito tempo, que comprar seu próprio ingresso. Reginaldo estava diferente, introspectivo. Mas se percebia mais leve, apesar de se sentir um tanto vigiado.

Na saída do estádio, passou em frente à bilheteria, deu uma boa olhada à sua janelinha. Sua não, já que havia largado o trabalho. Estava preocupado, dependia do emprego para sobreviver. Mas, antes de tudo, precisava sobreviver à sua inesperada consciência.

Por Torero às 11h41

22/07/2010

Dez passos em direção ao abismo

(Ilustrações: André Bernardino)

Já foram dados dez passos. Dez passos em direção ao abismo.

Os abutres começam a sobrevoar os caubóis de Brasileirão City e já esfregam as asas, ansiosos.

Eles salivam ao olhar para Billy, the Fish, que perdeu o terceiro duelo seguido, desta vez para Harry Hurricane. Billy esteve irreconhecível. Poderia ter levado uma saraivada de balas. E Harry, que vinha de duas derrotas, recuperou-se e já não está mais entre aqueles que pegarão a carruagem para Série B Village.

 

 Harry não foi alvejado por Billy, the Fish.

 

James Colorado conseguiu uma grande vitória sobre Rob Gallo e assim entrou para o grupo dos quatro. Já Gallo, que está com seu chapéu Luxemburgo furado, foi para a penúltima posição. Para piorar, durante muito tempo não poderá usar seu saloon preferido, o Big Boy from Minas.

Para o consolo de Gallo, seu celeste arquiinimigo Will Uai também foi derrotado. E por Louis Laranjeira, o aristocrático caubói que usa cartola em vez de chapéu.

Aliás, Louis é o novo líder de Brasileirão City, pois Tim Timão perdeu para Pantanal Wood, que, mesmo superando o líder, continua sendo o último dos caubóis.

A bela Victoria Salvador ficou no empate com John Esmeraldine. Na verdade, ela esteve perdendo durante quase toda a lide, só chegando à igualdade no penúltimo minuto. E olhem que o duelo foi no Big Barrade Saloon, onde Victoria dificilmente é derrotada.

 

 A bela Victoria manteve-se virgem em seu saloon. 

 

Neste duelo, o destaque acabou sendo o chapéu Lion de John Esmeraldine, que voou e acertou um repórter do Daily Texas. Aliás, fica aqui uma pergunta: foi o chapéu que perdeu a cabeça ou a cabeça que perdeu o chapéu?

Falando em chapéus, Jack Tricolor trocou o seu e agora usará um da marca Dunga, de tecido um tanto duro e modelo um pouco antigo.

Red Black, o caubói da multidões, apenas empatou, assim como Sancho Pampa, Joaquim Wayne, Sir Arah e o índio Guarani.

 

 Big ainda está verde.

 

Numa rodada de muitos empates, o último foi entre Big Green e Seth Fire. Os dois caubóis começaram mal, e nada aconteceu até o intervalo. Foi quando Green usou uma curiosa arma secreta: trocou de roupa. Sim, ele colocou sua fosforescente vestimenta lemon green. Isso ofuscou os olhos de Fire, e assim Big teve a chance de acertar dois tiros no inimigo, um deles saído de sua Colt Kléber, uma arma idolatrada pelos fãs de Big.

Porém, e ultimamente há muitos poréns na vida de Big, o caubói alvinegro não estava morto e reagiu, retribuindo os dois balaços. Mesmo assim, Fire segue a sete duelos sem saber o que é uma vitória.

Nada está definido em Brasileirão City. Os caubóis trocam de roupas, de revólveres e de chapéus enquanto caminham para o abismo, que está apenas a vinte e oito passos e tropeço.

  

Por Torero às 14h41

19/07/2010

Uma frase sobre o Brasileiro

Como estou com preguiça, hoje escreverei apenas uma frase e direi que o Vitória ganhou do São Paulo e pulou para a sétima posição, passando para o oitavo lugar no Brasileiro, justamente à frente do

Santos, nono colocado e futuro adversário nas finais da Copa do Brasil, que jogou bem mas perdeu para o

Fluminense, que pulou para a segunda posição e ainda terá a vinda de reforços importantes, como Deco, se bem que pode perder o técnico Muricy para a seleção, caso ele ganhe a disputa com

Mano Menezes, que ontem conseguiu mais uma vitória apertada com o seu Corinthians, numa bola que raspou num zagueiro e enganou Fábio Costa,

que fez boas defesas mas não impediu na derrota do Atlético-MG de Luxemburgo, que está melhor que seus xarás,

os Atléticos GO e PR, que ocupam as duas últimas posições da tabela, atrás do

Vasco e Grêmio, que, falando em xarás, perdeu para o

Grêmio Prudente por 2 a 0, fazendo com que Silas balance no cargo, assim como balançou antes de ganhar o Campeonato Gaúcho, onde o

Inter foi muito mal, mas se recuperou e agora, com Celso Roth, fez seis pontos seguidos e pulou para o sétimo lugar, com 13 pontos, o mesmo tanto do

Guarani, que tinha o artilheiro do Brasileiro, Roger (agora jogando no Japão), com seis gols, um à frente de

Roberto, do Avaí, que venceu o Palmeiras por 4 a 2 na reestreia de

Felipão, que chegou a trabalhar no

Goiás e no Cruzeiro, que se enfrentaram neste domingo, com vitória do time mineiro, que passou para a quinta posição, empatado em pontos, saldo e ataque com o

Flamengo, que ganha a quarta posição pelo critério de cartões e segue no encalço do

Ceará, que perdeu mas continua com a melhor defesa do Brasileiro, com apenas 3 gols tomadas, dez a menos que o

Botafogo, que, por acaso, encerra esta frase, comprovando mais uma vez que há coisas que só acontecem o Botafogo.

 

Por Torero às 10h24

16/07/2010

O despertar do Brasileiro (e das brasileiras)

Remelento leitor, você já deve ter acordado ao lado de algumas senhoritas e há de ter visto que elas acordam de jeitos muito diferentes.

Há, por exemplo, aquelas que acordam com uma preguiça gigantesca, movendo-se como um  bicho preguiça em slow motion. Foi assim que despertaram o Atlético Paranaense e o Guarani depois da hibernação forçada do Brasileiro. Tanto que os dois perderem em casa. O time do Paraná ficou ainda mais afundado na zona de rebaixamento e o de Campinas pode ter dado um tropeção que se transformará em queda, após a surpreendente campanha destas primeiras rodadas.

São Paulo e Santos são como as senhoritas que acordam bocejantes, espreguiçando-se lentamente feito gatas. No leito, há beleza nisso. No futebol, não. Os dois paulistas perderam jogos importantes, pontos que serão lamentados daqui a alguns meses.

Já o Palmeiras acordou como quem vem de um sonho ruim: bem desperto e arfante. Na verdade, seus últimos meses foram mesmo um pesadelo, mas parece que Felipão e Kléber trouxeram de volta a capacidade de sonhar aos palestrinos.

Outro que vem de pesadelo é o Flamengo, por conta da agitação provocada por toda a história do goleiro Bruno. Mas o time atirou fora o lençol, jogou uma água no rosto e venceu o Botafogo, subindo três posições.

O Atlético-MG também acordou um tanto assustado. Venceu o xará goiano por 3 a 2 na Arena do Jacaré, em Sete Lagoas, que deve ser sua nova cama por algum tempo. Mas continua com a pior defesa do campeonato. E seu terceiro goleiro em oito jogos, Fábio Costa, estreou falhando. Mas deve melhorar.

Cruzeiro e Internacional são como aquelas raras senhoritas que acordam instantaneamente, já de bom humor e bem dispostas. O sono lhes é repousante e o despertar, fulminante. Provavelmente, a parada da Copa serviu-lhes como pré-temporada, e não como férias.

O Vitória também está na categoria dos despertantes imediatos. Empatou com o Grêmio fora de casa e poderia ter vencido. Mau sinal para o Santos, que enfrentará o time na final da Copa do Brasil. Mas, até lá, o despertador alvinegro pode soar algumas vezes.

Goiás, Vasco Ceará e Corinthians são como as senhoritas que acordam normalmente, sem saltos nem ronronares. Aliás, o Ceará manteve-se com a melhor defesa do campeonato, tendo levado apenas um golzinho, de pênalti, nestes oito primeiros jogos. Já o Corinthians, graças ao empate do Fluminense, que cochilou, manteve-se na ponta da tabela.

Os times que estão acordando lentamente deste período de hibernação do Brasileiro correm o perigo de despencar na tabela. Podem ser como aquelas belas adormecidas que viram para o lado e dizem que vão dormir “só mais cinco minutinhos”, mas acordam apenas às duas da tarde. Estes times certamente vão acabar com o sono dos seus torcedores.

 

Por Torero às 09h49

15/07/2010

Do nascimento dos esportes

 
 

Do nascimento dos esportes

(O Lucas Beleza Rocha, de Belo Horizonte, lembrou-se desta coluna escrita há onze anos e pediu sua republicação. Como não quero contrariar alguém de tão boa memória, vai aí o texto)

 

O surgimento de um esporte é sempre algo curioso. Como esta coluna visa contribuir para o crescimento intelectual e cultural de seus leitores, resolvi pesquisar a origem de alguns. Pode ser que, às vezes, os relatos não pareçam verídicos, mas lembre-se: a realidade sempre é mais criativa que a ficção.

O pólo, por exemplo. Acredite ou não, foi inventado por Pizarro, o sanguinário espanhol que se divertia matando incas.

Certa feita, após conquistar a fortaleza de Olantaytambo, nos arredores de Cuzco, ele decidiu que queria comemorar a vitória com alguma competição. Dividiu os soldados em dois grupos a cavalo, pegou a cabeça do chefe Ucayali e começou um jogo em que cada time tentava, com suas lanças, jogar a cabeça de Ucayali contra a meta adversária.

O jogo agradou e, com o tempo, foi levado para a Europa e tornou-se um grande sucesso. Ainda mais quando, em 1912, decidiu-se trocar as cabeças incas por bolas de couro.

Mas há também o caso do basquete, que, como poucos sabem, foi inventado pelo jornalista norte-americano Oscar Bloom, famoso pela obsessão em reescrever seus textos. Um dos hábitos de Bloom era fazer bolas de papel com as páginas que não aproveitava. Ele gritava "ball to the basket" e as atirava numa cesta de lixo.

Pouco tempo depois, toda a redação de seu jornal -o "Buffallo News"- começou a atirar rascunhos ao lixo no estilo de Bloom. Mais algum tempo e o espírito competitivo do ser humano levou à formação de dois times na redação: o Buffallo Blue e o Buffallo White.

Infelizmente, com o desperdício de papel e a dispersão dos jornalistas, o "Buffallo News" acabou indo à falência.

Já o vôlei nasceu no Oriente. Do lado oeste da Muralha da China vivia o clã dos Takaesu. E no leste, viviam os Narimatsu. Duas famílias inimigas. Para provocar os Takaesu, os Narimatsu atiravam frutas para o lado dos Takaesu. E vice-versa.

Com o tempo, as duas famílias foram inventando maneiras para evitar que as frutas tocassem o solo e se espatifassem, devolvendo-as em seguida. Esse conjunto de movimentos ficou conhecido como o "vorêi", que, em chinês mandarim, significa "segura essa, seu paspalho". Passaram-se os anos, e o vorêi evoluiu e se transformou no nosso vôlei. Assim sendo, a Grande Muralha da China foi, por assim dizer, a primeira rede de vôlei da humanidade.

E o boxe? Poucos sabem, mas foi inventado por um alfaiate inglês, sir James Woodworth, que fabricava uma luva arredondada e macia para as noites de frio londrino. Como eram escorregadias e não serviam para pegar quase nada, encalharam e viraram motivo de piada. Woodworth já as considerava um fracasso quando deu-as para que suas filhas, Janice e Ethel, brigassem sem se arranhar como de costume. Elas mal tinham começado a se socar quando Woodworth teve uma idéia. Ele as levou para continuarem o duelo na vitrine da loja. No alto do vidro, escreveu um cartaz que dizia: "Luvas Woodworth: para resolver desinteligências de um modo diferente". E até hoje as luvas Woodworth são as mais usadas pelos boxeadores.

Esporte também é cultura.
 

Por Torero às 16h18

14/07/2010

ABC da Copa do Mundo

 
 

ABC da Copa do Mundo

Por Silvio Roberto Freitas

A de Alemanha, que nos trouxe um time renovado e totalmente diferente do futebol carrancudo que (quase) sempre a caracterizou;

B de  Ballack, que não fez a menor falta à renovada Alemanha de Bastian (Schwainsteiger);

C de Cacau, o brasilemão que ao tocar pela primeira vez na bola, fez um gol na Austrália;

D de David, Villa, um dos artilheiros do Mundial, com 5 gols, que poderia  ter feito mais uns 5, não perdesse tantos;

E de Eto’o, que de esperança dos africanos tornou-se uma das maiores decepções desta Copa;

F de Forlán, o Diego, filho de Pablo, que foi, mui justamente, eleito o melhor da Copa;

G de de Gerrard, meia inglês, que, se não ficou devendo tanto quanto Rooney, não chegou a brilhar;

H de Henry, o avante francês que viu do banco de reservas sua seleção fracassar;

I de Iker, primeiro nome de  Casillas, goleiro que garantiu o tíitulo espanhol ao salvar gol certo de Robben e que deixou sua (belíssima) namorada totalmente desconcertada , ao sapecar-lhe um beijo durante entrevista ao vivo;

J de Joachim Low, o técnico alemão que trouxe ao Mundial um selecionado jovem, ofensivo e talentoso ;

K de Klose, que, se não ultrapassou Ronaldo, igualou a marca de Gerd Müller, 14 gols em Mundiais;

L de Luiz Suárez, o avante uruguaio que fez a  jogada mais importante de sua vida ao defender com a mão uma bola que seria o  gol da vitória de Gana nas quartas de final;

M de Müller, que fez cinco gols e foi o maior destaque individual do ótimo time alemão;

N de Nadal, que foi à final e vibrou muito com a vitória da Fúria;

O de  Özil, outro jovem promissor alemão, que só não foi melhor do que seu companheiro de time, Müller;

P de Puyol, o zagueiraço espanhol que, ainda que não seja muito alto, fez golaço de cabeça contra os gigantes alemães e quase repete a dose na final ante a Holanda.

Q de Queiroz, o Carlos, técnico de Portugal, que parou o Brasil e, depois, parou na Espanha.

R de Ronaldo, o Cristiano, que, preocupado apenas em aparecer bem nas imagens, ficou devendo muito futebol nesta Copa;

S de Sneidjer, o craque da Holanda, que, apesar de ser muito chato, joga um bolão e quase conseguiu consagrar Robben na final;

T de Tabarez, o Oscar, técnico do Uruguai, que levou os platinos a um honroso quarto lugar;

U de Uruguai, que renasceu e abrilhantou a Copa com a sua raça.

V de Vicente, Del Bosque, o tranqüilo técnico espanhol, que, ao contrário de outros que andam por aí, fez tudo para não atrapalhar o timaço que tinha em mãos;

X de Xavi, o grande comandante da nau espanhola,  cracaço de bola;

W de Wayne, Rooney, que, a exemplo de Cristiano Ronaldo, também ficou devendo e muito nesta Copa;

Y de Yniesta, que se escreve com I, mas não poderia ficar de fora deste ABC, já que fez o gol mais importante da história da Espanha

Z de Zebra, que não poderia faltar na Copa da África, e que se materializou na eliminação precoce da Itália e na derrota imposta pela Suíca à campeã Espanha.

Silvio Roberto Freitas é advogado e, principalmente, torcedor do Sport).

Por Torero às 09h14

13/07/2010

Clube do Apito Final

 
 

Clube do Apito Final

Por Ricardo Laganaro

No salão de festas da sede do Ameriquinha carioca um evento secreto é realizado todo ano de Copa, assim que acaba a competição mais comentada em todo planeta.

O primeiro a chegar sempre é o presidente. O beija-flor, o dono da solucionática e do gol de velotrol : Dadá Maravilha. Fundador do clube e titular vitalício da cadeira. Normalmente chega acompanhado do vice. Debochado, de risada alta e andar malandro: Paulo César Caju.

Juntos, ambos começam o ritual de montagem da cerimônia. Posicionando as mesas em forma de “U”, preparando as plaquinhas com o nome de cada integrante e trazendo o tão esperado telão.

Nesse ano, na seqüência, chegou meio tímido e deslocado, Luizão. Acho que nem ele ainda se convenceu que faz parte do seleto grupo, mas foi convocado em 2002, não tinha como excluí-lo. De qualquer forma, chegou cedo e ajudou na preparação com muita boa vontade.

A “diretoria” veio depois com Viola, Edmundo e Renato Gaúcho. Formada pelos 3 cavaleiros que tiveram a maior honra pra um integrante do Clube: entrar nos minutos finais de uma partida com o destino já sacramentado, pra tentar o impossível.

Aí a coisa animou, entre os abraços e cumprimentos, quando se deram conta, todos estavam lá. Aqueles que já foram citados, além do Casagrande, Fred, Denílson e Roberto Dinamite.

Todos estavam loucos para começar o ritual de assistir e comentar suas rápidas participações nas Copas do Mundos, mesmo que apenas sentados no banco, dando entrevistas para canais menos favorecidos pela CBF, ou (a glória!!) entrando no final, com mais vontade que todos os jogadores em campo e dando demonstrações como aquela dura no Rivaldo na final de 98 (Fair Play uma hora dessas?!?!), ou numa jogada que quaaase definiu a parada sem precisar de pênaltis em 94.

No momento que todos sentaram, como que por mágica, chegou o homenageado da noite : Grafite. Ainda abatido com o pífio desempenho da seleção contra a Holanda, mas emocionado ao ver aquelas grandes figuras do futebol brasileiro o aplaudindo. Entregou para o Fred, ex-calouro, um dvd com seus momentos na Copa e sentou no seu lugar pra ouvir as histórias dos colegas, ansioso.

Aos poucos todos foram se posicionando, e num momento inesperado o foco de luz foi então para a mesa da presidência. Após uma ou outra piada sobre médios-volantes e zagueiros, um clássico por lá, Dadá pediu a palavra:

- Amigos! Antes de fazermos o de sempre, gostaria de dizer algumas frases. Estamos aqui mais uma vez reunidos pra celebrar a continuação desse clube. Não somos os craques do time. Não somos quem levanta a taça, e nem aqueles que levam a bola de ouro. Somos mais do que isso! Somos o ilógico, o irracional. Somos o clube dos atacantes reservas, o clube do último suspiro, o clube da espera de um milagre, o nosso querido “Clube do Apito Final”. – aplausos –  Não importa o que aconteça com a seleção nas eliminatórias e na primeira fase da Copa, é sempre no final angustiante de um jogo decisivo que nosso clube ressurge. São nesses minutos finais que o atacante reserva se transforma na vontade do povo materializada! Nesses instantes que até cego vê que só um de nós pode fazer todo país acreditar que o que já tá escrito, pode mudar. E você, meu querido, Grafite, sinta-se honrado de estar aqui. Num vai fazer como o Fenômeno que veio um ano, e depois esqueceu que era um dos nossos, heim!? Porque o que representamos aqui é muito maior do que qualquer título, não é Dinamite?

- Mesmo com 6 volantes, mesmo falando que o Brasil só tem guerreiros, ou qualquer outra bobagem desse tipo, o dia que a seleção brasileira não tiver um de nós no banco de reservas, aí sim pode ter certeza que o Futebol acabou! Porque quem nos convoca não é o técnico. Quem nos convoca é a voz de Deus.

– Ou o Médici, gritou o Casão, em tom de brincadeira.

Dadá, emocionado, continuou: – Que venham os novos Zagallos, os novos Parreiras e os novos, Deus que me perdoe, Dungas! Enquanto um dos nossos tiver lá sentado, no jogo final, pronto pra lembrar pro Brasil inteiro que a magia é a última salvação da seleção, o Brasil ainda continuará a ser o País do Futebol. Não importa o resultado do jogo. Muito obrigado!

Aplausos e assovios!

Bem mais emocionado que de costume, Dadá chorou. Com razão. Reza a lenda que antes da convocação dessa copa cogitaram até em suspender o evento. Foi por pouco … Muito pouco …


(Ricardo Laganaro, publicitário, cronista semi-amador, palmeirense e fã do bom futebol brasileiro.)

Por Torero às 08h27

12/07/2010

Links do dia seguinte

1-) Para ver o texto de Marcus Vinicius Batista sobre a morte da Fúria, clique aqui: www.conversasedistracoes.blogspot.com

2-) Para ver o beijo de Casillas na repórter Sara Carbonero depois do jogo, clique aqui: http://www.youtube.com/watch?v=-kLyCoEiqj0&feature=player_embedded

PS: Na pesquisa ao lado, Felipão vai liderando, com Muricy em segundo.

Por Torero às 01h15

11/07/2010

Ganhou o melhor. E o mais roubado.

Venceu a seleção que proporcionou mais momentos belos na Copa. Até em sua única derrota, contra a Suíça, o time fez belas jogadas. É verdade que borda um pouco demais, mas antes isso que um jogo reto e sem graça.

Os espanhóis deram uma belo exemplo de futebol coletivo. E oletivo, porque era como se dessem olé todo o tempo. Tão coletivos foram, que até para levantar a Copa estavam todos juntos.

A Espanha poderia ter vencido mais facilmente se o árbitro tivesse expulsado De Jong e marcado o pênalti sobre Iniesta. E também deveria ter dado cartão vermelho para Robben.

Mas não foi a primeira vez que a Espanha foi prejudicada em Copas. Aliás, é a seleção mais zicada da história das Copas.

Em 1934 foi roubada espetacularmente. Num jogo eliminatória que beirou a pancadaria, empatou com a Itália em 1 a 1. Foi realizado novo jogo 24 horas depois. E, por conta dos pontapés italianos, a Espanha teve sete desfalques. Mesmo assim, só perdeu porque o juiz não viu Meazza ajeitar a bola antes de fazer o gol da vitória.

Em 38, não participou porque estava em meio a uma guerra civil.

Em 1954, Turquia e Espanha terminaram a repescagem em igualdade e a vaga foi decidida na moeda. Mas nem a moedinha ajudava a Espanha.

Em 1962 os espanhóis (que tinham um timaço com Puskas e Di Stéfano) também foram roubados. E nós fomos os beneficiados. Houve aquele célebre lance com Nilton Santos, em que ele fez um pênalti, deu dois passos e ficou em cima da linha da área. Mesmo assim, o juiz deu apenas falta. Na sequência, a Espanha fez um gol de bicicleta. O juiz, atento, anulou o gol.

Em 1986 houve um gol legítimo de Michel anulado contra o Brasil. Mais uma vez a sorte, e o juiz, sorriram para nós.

Em 1994, no jogo Espanha x Itália pelas quartas-de-final, lá pelos 40' do segundo tempo, Tassoti deu cotovelada em Luis Enrique dentro da área. O juiz não marcou o penal e Baggio acabou castigando os espanhois nos acrescimos: 2 a 1 Itália.

Em 2002, contra a Coréia, novamente os ventos, e os apitos, não estavam do seu lado, e eles acabaram injustamente desclassificados. Foram anulados dois gols legítimos espanhóis e dados três impedimentos inexistentes.

Em 2010, o juiz também esteve mais gentil com os adversários. Mas não foi o suficiente.

A Espanha é campeã.

Finalmente eles torearam o azar e os juízes.

Por Torero às 18h58

10/07/2010

O grande adivinho da Copa não é Paul, o polvo

Caro leitor, caríssima leitora, eu vos pergunto: Quem é o grande haríolo, o supremo sorteleiro, o inigualável arúspice desta Copa?

E eu vos respondo: eu!

Sim, isso mesmo. O grande adivinho não é Paul, o polvo, mas este que vos fala. Ou, no caso, escreve.

Por quê? Ora, porque adivinhei a final da Copa.

Duvida?

Pois é só olhar na edição do mês passado da Revista da Livraria da Vila ou no Cartão Verde de 10 de junho (http://www.tvcultura.com.br/cartaoverde/programas/1530). Lá está, em claras letras ou fanha voz, que Holanda e Espanha fariam a decisão.

Acha pouco? Mas não é. Pense bem, para acertar o primeiro finalista, havia duas chances em 32. Pra acertar o segundo, uma em 31.

Usando a velha técnica do senhor Laplace, chegamos ao número de 496 combinações possíveis. Mais ou menos 0,2% de chance de acerto. É claro que ninguém apostaria em Eslovênia e Eslováquia na final, mas mesmo assim sobram muitas combinações. E eu acertei na mosca. Como diria Galvão Bueno: “Eu sabia!”

Agora posso contar vantagem por quatro anos. Sim, por quatro longos anos olharei os outros cronistas esportivos com um ar superior, como quem conhece o segredo de mistérios milenares, como quem faz parte de uma seita secreta, como quem acertou em cheio no Jogo do Bicho.

Aliás, quereis um palpite para a próxima fezinha?  Vai dar Leão na cabeça.

Números para a Megasena? 7-16-22-33-48-51.

O resultado da eleição presidencial? Dilma, 53%, Serra, 47%.

Previsão do tempo? Não saia sem seu casaco em São Paulo, não esqueça seu guarda-chuva em Manaus.

Sim, previsível leitor e imprevisível leitora, sou um homem que enxerga pela fechadura do tempo e vê o dia de amanhã. Doravante penso até em ir aos jogos não com meu boné, mas com um turbante emprestado por Zé Cabala.

Aliás, ele é o único que não crê em meus poderes. Quando nos vimos ontem no Bar da Preta, em vez de me parabenizar, ele me olhou de lado e resmungou: “Sortudo, sortudo...”

Por Torero às 08h43

09/07/2010

Seleção "alternativa" da Copa

 
 

Seleção "alternativa" da Copa

Por Eduardo Tavares

Eis a minha seleção "alternativa" da Copa, formada pela onzena de não-jogadores que mais deu o que falar nos últimos 30 dias.


1 - Larissa Riquelme - Não, a musa não joga no gol porque sabe bem como agarrar as bolas. Nesse time, o goleiro pouco trabalharia e poderia até ler jornal durante a partida. Moderna e confiante em sua equipe, Larissa tem tempo de sobra para navegar pela internet em seu celular, muito embora ele, o celular, prefira ficar quietinho no paraíso que lhe fora destinado.

2 - Paul, o Polvo - Preciso nos cruzamentos, Paul, o Polvo, não erra nenhuma jogada. Seu índice de acertos é motivo de preocupação constante para os adversários. Além disso, é adorado pela imprensa em virtude das previsões que realiza antes dos jogos, transformando as entrevistas coletivas em grandes momentos. Brincam os companheiros dizendo que Paul, o Polvo, não faz apenas previsões, sendo capaz também de trazer a pessoa amada em 72 horas.

3 - Nelson Mandela e 4 - Desmond Tutu - os dois zagueiros da seleção são retratados assim, juntos, porque juntos representam uma fortaleza na defesa dos direitos humanos e da igualdade racial. A eles não basta o prêmio de melhor jogador da Fifa. O Nobel da Paz, este sim, é digno da altura destes dois zagueiros.

6 - Mick Jagger - A verdade é que não há equipe sem ponto fraco. Certamente os adversários explorarão os erros cometidos pelo inesperado roqueiro britânico, um verdadeiro azarão na convocação. No entanto, suas atuações ao menos serviram para mostrar ao mundo o porquê do famoso verso "I can't get no satisfaction".

5 - Galvão - O cabeça-de-área da nossa seleção é assim: não se cala por um instante que seja. Está sempre orientando os demais jogadores e, nas coletivas, costuma responder as próprias perguntas. Se o árbitro não der um minuto de acréscimo no primeiro tempo e três no segundo, Galvão reclama. Os colegas de time dizem que instalarão um microfone em seu cotovelo.

8 - Alex Escobar - Atleta discreto, garantiu presença no time titular por uma única atuação. Aconteceu no dia em que ele tomou emprestado o celular da Larissa Riquelme em pleno jogo, o que é proibido aos jogadores de linha. Tomou uma bronca homérica do treinador, que vazou para o mundo inteiro. No entanto, Alex, que é tataraneto de Capitu e, ao menos oficialmente, de Bentinho, superou bem o momento e segue desempenhando seu trabalho com qualidade.

11 - Jabulani - Cansada de ser maltratada, Jabulani resolveu entrar em campo para demonstrar que a culpa de eventuais tropeços não é sua. Se derem espaço, Jabulani promete se chutar de fora da área e marcar muitos gols.

10 - Twitter - Eis o maestro da seleção. Sem ele, o time não rende, já dizem os comentaristas. Todavia, nos momentos cruciais das partidas, Twitter pode se sentir sobrecarregado e atuar como uma baleia. Mas nada que retire do camisa 10 o status de sensação da Copa.

9 - Vuvuzela - Vuvuzela é daqueles centro-avantes barulhentos, que não se contenta apenas em marcar gols. De fato, muito mais do que dar espetáculo, Vuvuzela se preocupa mesmo é em ensurdecer a torcida e a imprensa com suas declarações estrondosas. E assim, numa nota só, Vuvuzela garantiu presença nesta seleção.

7 - Álbum da Copa - Outrora jogador favorito apenas da criançada, Álbum da Copa passou a ser idolatrado também por adultos de todas as idades. É verdade que as atuações de Álbum da Copa costumam perder em inovação na medida que o torneio avança, o que leva muitos cronistas a rotular seu futebol de "figurinha repetida". Entretanto, Álbum da Copa veio com a missão de completar o time e assim o fará, sobretudo se contar com a sorte e com a ajuda dos companheiros.

 

Eduardo Tavares é torcedor do Ferroviário/CE e, portanto, um eterno otimista.
www.twitter.com/Dudu_Tavares

Por Torero às 00h37

Sobre o autor

Formado em Letras e Jornalismo e quase formado em Cinema, é autor de treze livros (como "O Chalaça"), escreveu roteiros para cinema (como "Pequeno Dicionário Amoroso") e para tevê ("Retrato Falado").

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